Como posso chamar a atenção neste mercado tão competitivo?

Como posso chamar a atenção neste mercado tão competitivo? Estratégias de auto-promoção sem risco da vergonha alheia

Já vi todo tipo de estratégia para que um jovem artista chame a atenção do público e especialmente dos profissionais de gravadoras. Particularmente tenho experiências hilariantes, surpreendentes, assustadoras e mesmo fatos extraordinários no melhor estilo “sem noção”, digno do Oscar da Vergonha Alheia. Já recebi CD dentro de caixa de bombom (recordo-me que o chocolate era bom, já o CD nem me lembro do que se tratava), CD acompanhado de camiseta + banner + postais + releases + chaveiros + bonés + carta de recomendação do pastor + clipping de matérias sobre o artista nas mídias (um apanhado de recortes de jornais da cidade) + cartão de visita + carta de próprio punho do artista pedindo para eu ouvisse “com carinho” o trabalho.

Acho que já mencionei em outro texto a história de um pai que em toda oportunidade, principalmente durante a Expo Cristã, fazia questão de chamar o seu filho para fazer um pocket show para mim. Ali mesmo, no meio do stand, em meio a milhares de pessoas, toda aquela balbúrdia típica de um evento que reúne milhares de pessoas. Imaginem a cena, eu parado ali em meio ao stand, com zilhões de pessoas a volta e aquela criança se esgoelando para mim querendo impressionar-me de todo jeito. E o pai? Ah, o pai ficava ali parado, estático, todo pimpão embevecido assistindo à performance do rebento. Que cena! E o mais incrível é que esta cena repetiu-se por 3 ou 4 anos sempre no mesmo evento. Ou seja, eu acompanhei o desenvolvimento do menino ano a ano, até que um dia apareceu um adolescente daquele que tem fiapos de bigode pelos cantos da boca e jeito desengonçado me cumprimentando e perguntando: Lembra-se de mim! Sou aquele menino que cantava pra você porque meu pai sempre pedia … nesse ano ele não veio na Expo, e pode ficar tranquilo, porque também não vou cantar pra você! Eu morria de vergonha de fazer aquilo!”

Recentemente fui assistir a um show. Ultimamente até tenho feito isso mais vezes do que tempos atrás. Não sei se é vontade de descobrir algo novo ou se realmente estou tendo mais tempo para essas atividades, mas o certo é que tenho participado mais de shows pelo país. Acho que em breve poderei fazer um post contando um pouco mais de minhas observações e experiências sobre o tema. Fica a auto-sugestão. Mas voltando ao assunto, como já estava comentando, fui a um evento de música gospel completamente descompromissado e lá pelas tantas tive a oportunidade de assistir à apresentação de uma jovem cantora. Fiquei como há muito não ficava, completamente extasiado pela performance da menina. Sim menina, uma jovem de 20 e poucos anos com uma maturidade e segurança no palco digno de gente grande! Além disso, sua voz era cativante, bem colocada e, principalmente já nos primeiros acordes, uma unção se fazia presente no lugar o que apenas confirmou que eu estava ali diante de alguém realmente diferenciada. Além da unção, aquela cantora tinha carisma e posso assegurar para os quase 50 leitores deste blog, que carisma é algo nato, não se compra, não se aprende, no máximo, pode-se desenvolver e/ou aprimorar, mas o cidadão precisa nascer com ele e naquele caso, eu estava de frente a uma jovem artista que reunia tudo que é necessário para chamar a atenção de um profissional do meio artístico.

Mas entendendo que nem todo mundo tem a maravilhosa oportunidade de se apresentar para um profissional de gravadora, ou mesmo para alguém que conhece o vizinho, que tem um tio dono de um posto de gasolina onde alguém que trabalha numa gravadora abastece seu carro, então posso dar uma dica importante que funciona não só aqui no Brasil, mas em toda essa aldeia global em tempos de internet. No Brasil, já temos artistas que foram contratados por selos e multinacionais a partir do sucesso viral de vídeos postados de forma descompromissada no YouTube e sites do tipo. Talvez uma das mais conhecidas seja a jovem Mallu Magalhães que tornou-se fenômeno de views até chamar a atenção da mídia e de uma gravadora de grande porte. No exterior, entre tantos nomes que hoje estão no topo, Justin Bieber, astro da música pop teen foi alçado ao estrelato a partir de vídeos postados na web. E como não destacar o sucesso meteórico da dupla “Para Nossa Alegria” que depois de milhões de views e tornarem-se um MeMe no Brasil, foram contratados por uma gravadora gospel e hoje têm se apresentado até em congressos de pastores pelo país.

Também foi pela web que descobri alguns jovens artistas que hoje estão fazendo um som bem diferenciado nas plagas gospel. Como já comentei em outros textos, um dos referenciais que os profissionais de gravadora utilizam para analisar e deter-se sobre um ou outro artista desconhecido é justamente a quantidade de visualizações de seus vídeos na web. O que estou querendo dizer é que não adianta mais enviar CDs, bombons, flores, camisetas, chaveiros e todo tipo de material de apresentação para o departamento artístico de uma gravadora. Simplesmente mande um link de um vídeo que realmente possa valorizar o seu trabalho! E “valorizar o trabalho” não significa um vídeo clipe gravado por Spike Lee ou coisas do gênero. Estou falando de um vídeo de boa qualidade, principalmente de áudio, com uma boa canção (inédita, de preferencia) e onde o artista possa explorar ao máximo seu estilo e talento.

Agora vamos à lista do que deve ser “poupado” de um vídeo:

1)   Por mais que o vídeo seja caseiro, você não pode gravar o material como se tivesse acabado de acordar … nada de pijama, cabelos desgrenhados ou coisas do tipo. Lembre-se que não há ‘secreto’ em se tratando de web, ou seja, postou na rede, então tornou-se público e como tal, todo tipo de mico vai ser devidamente assistido pela patuleia. Você não precisa ir num salão de beleza ou contratar um make-up hair top de linha, mas também não precisa se apresentar igual a uma medusa com seus cabelos esvoaçantes!

2)   Atenção para a locação da gravação do seu vídeo! É impressionante como tem gente gravando vídeos tendo ao fundo aquela parede vermelha mais descascada do que paulistano em férias no Nordeste. O mínimo de qualidade na locação é imprescindível! Nada de gravar na cozinha, no quarto com aqueles pôsteres da Hello Kitty ou mesmo no sofá da sala que já está com os dias contados. Tente gravar num local onde o maior destaque vá ser justamente sua performance e não aquele vaso de plantas de plástico de funerária.

3)   Num vídeo musical,  o que se espera, no mínimo é que a música seja boa e principalmente audível! Não adianta convidar o Eric Clapton para te acompanhar se no fim, o som é uma mescla de ruídos e microfonias. Muita atenção para o nível de qualidade do áudio!

4)   Também merece atenção especial a qualidade do músico que está acompanhando e executando a canção. Se o músico só está no vídeo porque é o dono da câmera ou quem teve a ideia da gravação, então é melhor deixar a gravação de lado até que alguém que realmente vá te favorecer apareça. Já tive oportunidade de assistir a um vídeo onde o músico acompanhante tocava apenas dois acordes num ritmo digno da marcha fúnebre (a música original era um pop rock) e no meio da performance, o cantor começou a fazer cara de aborrecido por estar perdendo feio no dueto (ou seria duelo?). A briga foi feia!

5)   Mesmo não falando de clipes, o ideal é que o vídeo seja registrado por alguém que tenha um mínimo de noção de filmagem. O resultado é sempre superior. Mesmo de forma despretensiosa, quanto mais bem acabado for o vídeo, mais chance dele se destacar em meio a zilhões de outros vídeos ele terá! Qualidade nunca é demais! Guarde essa dica para boa parte de sua vida!

6)   O melhor marketing nestes casos é o boca a boca, ou melhor, em tempos web, a divulgação entre as redes sociais. O ideal é que você mobilize o máximo de amigos para juntos promoverem o vídeo em questão num autêntico marketing de rede. Mas isso é tema de um outro texto. Por ora ficamos nestas dicas mesmo!

Vale lembrar que estas regras citadas acima, são de acordo com o ‘manual de bom senso e experiência do marketing.’ No entanto, como vivemos num mundo volátil, meio doido e sem tendências definitivas, temos casos clássicos de sucesso na web utilizando-se exatamente das ‘técnicas’ apresentadas, mas não sugeridas no texto. Talvez uma das grandes provas dessa loucura seja exatamente os sucessos do “Para Nossa Alegria” e aquela Stephanie do Crossfox, sucesso na web há alguns anos atrás. Agora a decisão é sua, optar pelo vídeo tosqueira total ou então em fazer algo realmente de qualidade. Se a sua opção for a primeira, por favor, só não me mande o link.

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, profissional que recebe de 15 a 50 links de vídeos por semana só para dar uma olhadinha, se der é claro!

 

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.

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