Home Mídias Sociais AGORA É CONTIGO!

AGORA É CONTIGO!

2 446

Tenho reunido muitos insights para futuros textos no Observatório Cristão, mas por absoluta falta de tempo, não tenho conseguido trazer à vida todos os temas que neste momento estão apenas estocados em minhas anotações. Meu dia a dia tem sido muito intenso e isto deve-se também às mudanças no formato de trabalho digital. Se antigamente tínhamos 3 a 4 lançamentos por mês, nos longínquos anos em que trabalhávamos com projetos físicos, hoje em dia chegamos a ter 40 lançamentos em um único mês, muitas das vezes, 5 a 8 projetos simultâneos chegando ao mercado em uma única sexta-feira.

Mas para não deixar os 69 leitores com a sensação de abandono, reservei alguns minutos em meio a um vôo entre Beagá e Barreiras, o aeroporto mais perto de meu destino final, a cidade de Luís Eduardo Magalhães, no Estado da Bahia, para escrever um texto para o blog. E entre os tantos temas possíveis, escolhi uma frase que anotei durante uma reunião em que participei dias atrás. Em meio a tantas informações, comentários, novidades, uma frase proferida por um dos participantes me chamou a atenção a ponto de escrevê-la em meu caderno de anotações.

“O artista precisa entender que ele não vive um estado de espírito! Ser artista é antes de tudo, ter uma profissão!”

Para contextualizar esta frase, vale a pena comentar que estávamos diante de uma conversa entre profissionais da indústria fonográfica sobre como artistas que encaram a vida artística como uma profissão, alcançam resultados potencialmente superiores do que aqueles que a enxergam como uma qualidade, uma característica pessoal, algo etéreo, sobrenatural ou quase um destino.

Especialmente no ambiente evangélico esta definição de vida artística como profissão suscita debates acalorados, muito preconceito, muitas baboseiras, muita santarronice e raros momentos de lucidez. Em nosso segmento, a questão do chamado ministerial, introduz mais um componente nas discussões sobre o tema. Outro dia assisti a um debate com pastores-intelectuais-da-esquerda-festiva em que aqueles doutos detonavam os artistas e seus cachês. A impressão que tive era de estar diante de pessoas completamente santas, que viviam a cada dia o milagre do maná … o problema é que boa parte dos participantes daquela mesa, era de pessoas que já conheço faz muitos e muitos anos … e posso garantir de que todos, sem exceção possuem bons carros, propriedades, viajam constantemente ao exterior e têm seus soldos pagos por igrejas, instituições ou na venda de livros, camisetas e se sustentam à base de ofertas. De vez em quando um destes sites deploráveis de fofocas gospel lança matérias sobre cachês e exigências de artistas. Ou seja, há muita opinião a respeito do tema – o profissional de música cristã.

Mas o caminho que eu quero seguir não é por esta rota. Até porque já expus em diversos outros posts nas redes sociais e mesmo aqui no Observatório Cristão, o que penso sobre esta questão e minha falta de paciência nestes debates. O que eu quero falar a partir de agora tem a ver com a necessidade do artista de música gospel deixar de lado o amadorismo e passar a encarar seu ministério/trabalho como algo efetivamente braçal, estratégico, técnico, com mais transpiração do que só inspiração. Recentemente promovi um grande treinamento digital junto ao cast da gravadora em que estou à frente. Por mais de 8h tivemos um intenso dia de treinamento, conteúdo, palestras, apresentações, enfim, invertemos a posição dos personagens, onde os artistas ficaram na plateia (muitos atentamente anotando tudo!) e os profissionais assumiram o microfone. Confesso que havia momentos em que me impressionava com o nível de atenção dos artistas – mais de 50 presentes – e de todos os participantes do treinamento (algo em torno de 300 pessoas). Foi especialmente inspirador perceber, caneta e bloco de anotação à mão, uma decana como Aline Barros atentamente participando de tudo com um foco impressionante. Ou ainda ver artistas como Nívea Silva (que até uns meses atrás sequer sabia o que eram os apps de áudio streaming) ou Sandro Nazireu (outro também que até meses atrás não sabia se era de comer ou beber … completamente perdido) participando das palestras, interagindo e até sendo apresentados como cases, modelos a se seguir pelos demais.

Durante os dias que se seguiram ao treinamento, a mudança de postura dos artistas presentes foi surreal. A transformação chegou a ponto de nossa equipe escolher alguns dos participantes para serem monitorados pelos próximos meses, com o foco na performance digital. Alguns casos, em apenas 5 dias, cresceram mais de 60% no número de streamings. Outros, em pouco tempo aumentaram em mais de 1.000% o número de fãs nos perfis oficiais. Ou seja, com apenas algumas mudanças de atitudes e postura, os resultados cresceram exponencialmente.

Nestas 3 últimas semanas, coincidentemente fui entrevistado por algumas mídias e todas com foco no crescimento do consumo de música gospel nos aplicativos de áudio streaming. No caderno Ilustrada da Folha de São Paulo (mega destaque de capa) fui perguntado pela repórter sobre os motivos do atraso na transição do consumo de música gospel. É notório que ainda nem 5% do enorme contingente de evangélicos no Brasil (cerca de 60 milhões) já usufruem conteúdo gospel pelos apps de streamings. Minha resposta foi simples e direta. A culpa deste delay deve-se especialmente às gravadoras do segmento que demoraram a entender as mudanças da indústria e do consumo e, também a própria classe artística que manteve uma postura distanciada perante às transformações. O público consumidor, em minha opinião, não tem culpa alguma por este atraso monumental. Na verdade, os vejo muito mais como vítimas do que co-responsáveis por qualquer problema neste assunto.

Então, o foco no texto de hoje é estimular à classe artística a romper com este autismo, esta inércia endêmica. Hoje ao artista não é mais permitida a opção do “não mexo com isso!” ou “não entendo nada destas coisas de digital” – simplesmente não há mais espaço para esta postura! O artista precisa antes de mais nada entender que neste momento aqueles que manejam bem suas redes sociais e estabelecem estratégias e planos de ação, sairão à frente dos demais e muito seguramente manterão o posto de destaque entre o segmento musical.

E o que deve ser priorizado? O que o artista precisa fazer e focar para ter uma melhor performance em tempos digitais?

Adaptando um pouco do que apresentamos em nosso último treinamento, vou elencar algumas ações fundamentais para o artista neste momento a partir de questionamentos que temos recebido por parte de artistas nos últimos tempos. Então, prepare-se, vamos a um intensivo a partir das próximas linhas! Mas antes de destacar algumas ações, é fundamental que o artista se aprofunde no uso dos apps de áudio streaming. Não existe essa estória de divulgar o que de fato não se aplica ou não se conhece. Ao artista, neste momento, ter conhecimento sobre o universo digital é questão de sobrevivência.

O que eu devo priorizar? Aumentar o número de seguidores em redes sociais ou os perfis dos aplicativos de streaming?

Em primeiro lugar é importante deixar claro que uma prioridade não exclui a outra, ou seja, o ideal é que as estratégias sejam trabalhadas em paralelo. No entanto, se tivermos que optar (principalmente pela escassez de recursos para investimento) entre um ou outro foco, a opção em incrementar os perfis nos apps deve ser levada mais a sério. Esta opção aplica-se ainda mais aos artistas que já possuem bons números de seguidores nas redes sociais. O tempo do “me segue lá na rede social tal” já passou e agora o objetivo é incrementar o número de fãs nos perfis da Deezer, Apple Music ou Spotify, por exemplo. No caso de artistas iniciantes, sem tanta relevância nas redes sociais, o trabalho deve ser dobrado, porque não há lógica estimular seguidores nos perfis de áudio streamings se, este artista não possui uma boa base nas redes sociais.

Como venho falando sistematicamente, todo artista precisa contar com uma assessoria de marketing digital, porque este profissional irá estabelecer ações, estratégias, metas e objetivos para que o artista torne-se mais relevante nas redes sociais e, principalmente junto aos apps. E aqui, permito-me um comentário: é fundamental que o artista tenha uma postura participativa em todo este processo. Transferir a responsabilidade na aquisição de fãs para impulsionamentos ou estratégias de marketing e remarketing irá atrasar em muito tempo o alcance dos resultados. O artista precisa engajar-se neste processo, ou seja, falar todo o tempo sobre a importância de que os seus fãs o sigam nos perfis digitais.

O valor de monetização de vídeos caiu assustadoramente nos últimos anos. Ainda assim vale a pena investir em conteúdos de vídeos e em investimentos de impulsionamento?

Sim, sem dúvida! A música passou a ser visual e por isso, é fundamental que a produção de conteúdos em vídeo seja intensa e permanente. Se tem condições de lançar um single com clipe, perfeito! Se a grana e tempo não permitem, então invista ao menos em um Lyric Video e, se ainda assim, não for possível, ao menos coloque no ar um pseudo vídeo, lembrando que em todos os casos, é fundamental que o artista esteja monetizando sobre o número de views.

Há uma certa miopia neste momento quando se fala de investimentos digitais, especialmente no tocante ao impulsionamento de vídeos. Inclusive escrevi um texto a respeito meses atrás falando a respeito do conceito de organicidade, ou em um bom português, quando o resultado vem de forma natural, sem investimentos para um maior alcance. Se o artista acredita no potencial de sua canção, o mínimo que ele almeja é que sua produção seja assistida pelo maior número de pessoas e, portanto, nada mais natural que seja feito um investimento para que aquele conteúdo vá o mais longe possível. Então, não há nada de irregular em fazer investimentos! As pessoas confundem impulsionamento com a compra de seguidores (o famoso me engana que eu gosto!). O investimento digital é algo completamente normal, inteligente, estratégico (quando feito de forma profissional, técnica) e que comprovadamente dá muito resultado. Então, sobre este tema, mas uma vez reforço a necessidade de todo artista contar com a assessoria de um profissional de marketing digital. Não neglicencie esta dica!

As redes sociais são ferramentas de incremento ao consumo de música pelos apps?

Muito! Talvez sejam o melhor ambiente para que o artista comunique com seu público incentivando-o a consumir música no ambiente e formato correto. Infelizmente tenho observado (sim! me dou ao trabalho de pesquisar as redes sociais de vários artistas do segmento gospel, inclusive de artistas que não trabalhem comigo diretamente) que a imensa maioria dos artistas não faz uma única menção aos apps de áudio streaming. E isto é simplesmente assustador! Acho que a palavra certa não seria “assustador”, mas estarrecedor tamanha miopia da classe em sua própria sobrevivência. Os artistas gospel se identificam muito em fazer ações de merchandising de barbearias, cabelereiros, restaurantes, clínicas de estética, dentistas e afins … tudo na base descarada do “me tratou bem, divulgo em minhas redes”, mas pouquíssimos são aqueles que fazem campanhas para que o consumo da música (inclusive seu próprio conteúdo!) seja feito nas plataformas digitais. E aí tenho que relembrar que o ambiente correto de se ouvir são os apps de áudio streaming e não o YouTube (infelizmente o ambiente de consumo de música mais usual para boa parte do público gospel).

O distanciamento dos artistas gospel das plataformas digitais é algo que vem trazendo prejuízos grandes para o segmento como um todo, para artistas, em especial que não conseguiram se posicionar no ambiente digital e, de alguma forma, para o público consumidor que não enxerga e compreende a transição do formato de consumo de música para o digital. Este atraso, deve ser combatido e, sem dúvida, o principal campo de batalha, são as redes sociais.

Eu devo escolher uma plataforma e massificar minha comunicação direcionando tudo a este app?

Jamais! O artista não pode limitar-se a uma única plataforma de app de áudio streaming. É fundamental que o artista possua ao menos 2 contas nos apps em que o seu público esteja mais presente. É óbvio que no dia a dia, temos predileções por esta ou aquela plataforma, no entanto, a comunicação deve ser sempre direcionada a cada um dos públicos que estão presentes nos diferentes apps. Ou seja, esta frase manjada de “Em todas as Plataformas Digitais” tão usada nos flyers em redes sociais, deve ser substituída em divulgações separadas, pois quem consome música pela Deezer tem um perfil próprio, assim como Apple Music ou Spotify, apenas para citar as 3 principais. É fundamental que o artista mantenha atualizado cada um dos seus perfis. Há casos clássicos de artistas que sequer divulgam outra plataforma que não seja a que se relaciona como consumidor, com isso, ele abandona seus fãs à própria sorte e, sempre, os resultados de streamings ficam muito abaixo do potencial.

O artista precisa atualizar suas playlists, além de possuir conteúdos específicos para cada app. Isso dá trabalho? Sim, pode até dar pra quem ainda não encara esse processo como algo prazeroso, mas sendo trabalho ou deleite, a verdade é que todo artista precisa arregaçar as mangas e trabalhar! Sim, trabalhar! E assim encerro meu texto iniciado e finalizado em uma viagem para a cidade de Luís Eduardo Magalhães, no extremo oeste do Estado da Bahia onde fui palestrar a respeito justamente do mercado digital, música, estratégias e números. Fiquei especialmente surpreso ao me deparar com dezenas de pessoas, de diferentes idades, expectativas e estilos presentes na palestra promovida no meio de uma tarde ensolarada no meio do cerrado baiano. E mais ainda surpreso ao constatar que mais de 80% dos presentes já tinham uma conta em algum dos apps de áudio streaming. Isso é fantástico e cada vez mais estou convicto de que em mais pouco tempo teremos um número substancial de usuários digitais dentro do público evangélico no Brasil.

O resumo deste texto é que o artista precisa ser mais participativo. Precisa ser mais braçal e menos ‘dolce far niente’. Precisa se envolver com os processos e deixar de ficar assistindo a banda passar. Precisa divulgar e estimular o público a se engajar no novo formato de consumo de música. Precisa contar com profissionais capacitados à sua volta. Precisa entender que sem o suporte de uma gravadora com acesso às plataformas digitais, será como remando sozinho contra uma forte correnteza. Precisa, em outras palavras, trabalhar! Trabalhar. Trabalhar e, pra não restar dúvidas, trabalhar!

Então, não perca tempo, arregace as mangas e vamos trabalhar!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, consultor de marketing, alguém que neste momento não vê a hora de merecidas férias. Que venham logo, please!

  • https://www.youtube.com/channel/UCKH1e_lzOU-6qqdUgHX22TQ?view_as=subscriber João Gonçalves

    Seguindo as dicas, essa semana me aprofundei sobre segmentação de campanhas pelo adwords para impulsionar um clipe meu, incrível como funciona bem, em um dia vi aumentar mais de 1700 views ! Da mesma forma usando a segmentação pelo facebook para promover os meus perfis no streaming ! Lembrando de outra matéria onde você falou, “sem investimento não vai” e resolvi buscar conhecimento sobre o assunto! Está valendo a pena, grato pelas dicas!
    Um passo de cada vez

    • Mauricio Soares

      Muito bom! Siga nesta visão! Sem investimento não dá!