7 Dicas Para Viver de Design

ViverDeDesign

Pensando nos que estão começando a se aventurar na carreira de Designer, sugiro uma lista de coisas que você pode fazer para aumentar sua chances de Viver de Design. Prometo volta a estes assuntos no futuro, detalhando cada um destes tópicos:

1. Se você gosta de Design, que tal aprender?

Qualquer atividade humana requer um tempo para capacitação. Pense em quantos anos você precisou pra compreender um texto de Machado de Assis ou uma piada dos Simpsons. Com Design é a mesma coisa: você pode ser um designer melhor a cada dia, esforce-se pra aprender continuamente. Leia, visite exposições, veja bons filmes.

Gaste tempo com isso. Vai valer a pena.

2. Aproveite todas as oportunidades para criar.

Com o mercado repleto de concorrentes, é fundamental que você comece a produzir o mais cedo possível. Não despreze nenhuma oportunidade de trabalho. Aquele painel que a banda do seu tio precisa, ou o convite para o aniversário 4 anos do seu primo são chances de demonstrar sua capacidade profissional. Talvez você não queira fazer, mas fique certo que alguém o fará. Sendo assim, é melhor que seja você. Concorda?

3. Descubra seus pontos fortes.

Designers podem atuar em diferentes segmentos. Projetos de iluminação para shows, criação de embalagens, ilustração, diagramação de revistas e jornais, produção de capas de livros, capas de cds e dvds, identidade visual de pequenas empresas ou de corporações internacionais. Onde houver uma necessidade de aplicação de “arte industrial”, pode haver um profissional de Design. Com tantas possibilidades de trabalho, você deve decidir, baseado em suas características pessoais, quais aa que melhor se relacionam com suas habilidades. Decida-se. E invista no caminho que você escolher.

4. Cuidado com as armadilhas.

Um dos grandes baratos da carreira em Design é poder criar projetos que vão fazer parte da vida de milhões de pessoas. A cor da embalagem daquele famoso shampoo, a forma do carro do ano, a capa do livro que milhares de pessoas vão ler, ou a imagem de uma empresa conhecida em todo o Brasil. Não se deixe enganar: muitas pessoas gostariam de poder viver esta experiência.

E é exatamente aí que a coisa complica: você encontrará estas pessoas em todos os lugares. Seja um cliente que te contrata pra fazer o que ele gostaria de poder fazer, um burocrata poderoso mas frustrado com sua rotina, ou um artista que se casou com alguém que está estudando Design… (muito comum, hein!).

Todos eles se sentirão tentados a palpitar, a mudar o que quer que seja, para que possam incluir naquele projeto o seu traço pessoal. E caberá a você, meu caro amigo, a você, minha cara amiga, defender o projeto dessa saraivada de achismos.

Respire fundo e desenvolva a habilidade para manter um diálogo em alto nível, mas não entre em debates para responder às críticas que envolvem gosto pessoal. Lembre-se disso pra evitar um infarto antes da hora…

5. Saiba quando vale a pena lutar por uma idéia.

É fundamental saber ouvir as pessoas, procurar compreender a cabeça do consumidor de Design. Não despreze a chance de conhecer as opiniões de cada um deles, mas saiba o que você deve ou nâo considerar na hora de mudar ou manter uma decisão técnica. Se você está solidamente fundamentado, nâo se deixe vencer tão facilmente. Afinal, você criou para o cliente dele, você não cria pra si mesmo. Se o céu tem que estar azul porque a capa apresenta “uma mensagem positiva, pra cima”, ou porque “o tema religioso remete às imagens do Paraíso”, diga isso claramente. Esqueça a idéia de responder a comentários como “eu queria a minha capa igual ao daquela cantora”, ou ainda um “eu esperava algo diferente, sei lá, não vibrei”. Lembre-se sempre de que você é Designer. Não é psicólogo e nem animador de festa.

6. Conheça quais são as opiniões que importam.

Ouça quem conhece: se você estiver no caminho certo, eles vão te entender.

Mas não tenha ilusões: reconheça que você pode sempre fazer um segundo projeto se for preciso, e seja paciente com as críticas negativas. Lembre-se também de mais isso: você está condenado a viver da aceitação daqueles que te compreendem. Portanto, saiba escolher cada uma dessas pessoas cuidadosamente. Jamais queira ser uma unanimidade.

Esteja apto a mudar se for necessário, mas não cometa o erro primário de se despersonalizar: será fatal.

7. Seja você mesmo

Um cantor brasileiro começou sua carreira imitando o genial João Gilberto, a certa altura alguém lhe disse: “sabe, você canta igual ao João Gilberto, o problema é que nós já temos o João…” O cantor mudou, passou e a ser ele mesmo e seu talento logo foi reconhecido. Seu nome: Roberto Carlos.

Em Design, muito já se fez, talvez “tudo”. Mas mesmo assim, é possível ter uma cara própria, só sua.

Todos os movimentos revolucionários nas artes visuais sempre se relacionaram com o que veio antes. E mesmo assim representaram rupturas com a produção realizada no momento em que nasceram.

Jamais caia na tentação de ser uma cópia de quem quer que seja. Grandes profissionais perderam a credibilidade porque copiaram descaradamente projetos de outros colegas — dá vontade de citar aqui um monte de nomes, mas é melhor não começar…

Escolha um caminho seu, uma linguagem própria, e siga em frente. com o tempo, tudo vai dar certo.

Perca tudo, menos a sua credibilidade profissional.

Carlos André Gomes é Designer Gráfico e não distorce uma letra desde 1992.

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