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A boa música faz toda a diferença!

Numa conversa entre profissionais da área artística – na verdade, uma oportunidade maravilhosa de aprendizado – falávamos sobre as novas tendências da música, do mercado fonográfico e principalmente tentávamos esquadrinhar o que pode ser o novo modelo de produção, marketing e lançamento dos produtos na era digital.
É bem verdade que hoje não temos qualquer definição do que será o mercado da música para os próximos 5 anos. Nem mesmo o mais visionário estudioso do assunto pode afirmar categoricamente como será este mercado que vem sofrendo transformações profundas nas últimas décadas. O que é ponto comum entre as opiniões dos profissionais e estudiosos neste segmento é que num tempo bem curto, o mercado digital chegará com força e mudará por completo os hábitos de consumo e a relação entre o público e a música como produto.
Há uns 2 ou 3 anos atrás imaginávamos que o mercado digital cresceria no Brasil de forma ainda lenta. Naquele momento, um dos grandes entraves para o desenvolvimento do mercado digital era justamente a qualidade da conexão da internet no país. Longe de termos uma qualidade 4G no Brasil, podemos concordar que cada vez mais a cobertura digital está alcançando os rincões do país e tornando-se item comum no nosso dia a dia. Se há tempos atrás boa parte da conexão era discada, hoje temos uma grande disponibilidade de conexão a cabo com uma boa qualidade – mesmo que em boa parte dos casos, bem abaixo do anunciado nestas propagandas que invadiram a TV e toda mídia em geral.
Especificamente no meio gospel, esperava-se que estas mudanças aconteceriam, como de hábito, de uma forma ainda mais lenta. Até aquele momento entendia-se que o maior contingente de consumidores ‘gospel’ encontrava-se nas classes CD, predominantemente entre as igrejas pentecostais e neo-pentecostais. Mais um grande erro! É Impressionante como a população de menor poder aquisitivo se rendeu às maravilhas e traquitanas tecnológicas em nosso país. Não é nada raro vermos pessoas humildes com aparelhos celulares em mãos tendo acesso à web, baixando músicas, assistindo vídeos. E como prova dessa adesão da classe CD ao mercado digital vale ressaltar que em qualquer ranking de serviços na área mobile, artistas e conteúdo pentecostal encontram-se sempre no topo das listas. Mais uma prova de que o povo do reteté está antenado nas tendências.
O brasileiro é conhecido mundialmente por ser um heavy user em termos de novidades tecnológicas, e neste caso, vale destacar a impressionante adesão dos brazucas aos modismos das redes sociais como o finado Orkut, o beligerante twitter, instagram, flickR, entre outros. E a adesão do brasileiro, em especial do povo evangélico a este novo formato de consumo de conteúdo, tem sido surpreendente e intensa.
No meu dia a dia, o crescimento da área digital foi de cerca de 300% em apenas um ano. Mesmo considerando que os patamares iniciais eram baixos, a velocidade na mudança do negócio é algo que não pode ser desconsiderado de forma alguma. Hoje o mercado digital já representa uma significativa fatia do faturamento mensal e importante foco para o negócio em que estou à frente.
Mas toda essa introdução apontando sobre a pujança do mercado digital, na verdade, tem como objetivo destacar uma das grandes constatações daquela conversa entre os A&R mencionada no início deste post. Entre tantas idéias, sugestões, muitas indagações e uma boa dose de análise sobre a atual realidade e o que nos espera à frente, a verdade é que de forma unânime todos concordaram que em nosso meio, o que faz toda a diferença é o HIT. Isso mesmo! A boa música é determinante para o sucesso de um projeto, seja ele no formato físico, digital ou o que mais surgir pela frente.
Foi com um hit que o Brasil se envolveu por inteiro com o grande lançamento de 2012, a música “Esse Cara Sou Eu” do Roberto Carlos. Esta música caiu no gosto popular e tomou de assalto todo o país, tornando-se um ícone, trazendo ao mercado uma vendagem de mais de 2 milhões de unidades de um EP contendo apenas 4 faixas. A música se tornou sucesso alavancando inúmeras brincadeiras na web, sendo integrada aos bordões do verão, enfim, não há uma viva alma nesse país que não tenha pronunciado a frase: Esse Cara Sou Eu! Isso é sucesso!
Não podemos deixar de lembrar o hit “Faz Um Milagre em Mim” do Régis Danese ou as canções do Toque no Altar, Irmão Lázaro, Damares e mais recentemente, o onipresente Thalles. Todos estes são exemplos claros de artistas que foram catapultados para o sucesso através de um hit. Aqui mesmo no blog já escrevi algumas vezes sobre a importância de saber escolher o repertório antes mesmo de qualquer iniciativa na gravação de um projeto. Muitos artistas estão mais preocupados com as fotos, com o estúdio, com a escolha do produtor e músicos e não dão a devida atenção e importância ao que é de mais fundamental na criação de um sucesso: o repertório, o hit.
E o que é um hit? Ou como se faz um hit? Primeiramente, a música deve ter uma melodia de fácil assimilação. Seu estilo deve estar de acordo com a tendência do mercado naquele momento. Um refrão marcante também é um bom aspecto para a criação de um hit. A música deve ficar ressoando na cabeça das pessoas. Isso é um detalhe que para mim é determinante num projeto. É impressionante como em poucas audições uma determinada música fica ressoando na minha mente … geralmente a melodia é mais forte até do que a letra o que acaba me obrigando a criar uma versão pessoal, mas logo procuro aprender a letra original. Me assusta quando eu ouço um CD duas, três, cinco vezes e a impressão é de que nada chamou a minha atenção. Isso é um sinal nada alvissareiro sobre a possibilidade de encontrarmos um hit naquele projeto.
Pra finalizar, é óbvio que todos devemos estar atentos e preparados para as mudanças no mercado fonográfico. Creio que nos próximos 2 anos viveremos uma transformação radical dos hábitos de consumo e mesmo no formato da ‘embalagem’ do produto música em nosso país. No entanto, não podemos jamais deixar de nos lembrar que o que faz toda a diferença e deve ser perseguido como o Santo Graal é o HIT. Vamos à busca destes tesouros!

Mauricio Soares, publicitário, blogueiro, palestrante, consultor de marketing e entre outras atividades, um incansável Indiana Jones à procura do próximo hit.

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.

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