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A importância de pensar antes de falar e postar

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Começo a escrever este texto sob o impacto de assistir a um determinado vídeo de um, até então, pop star do meio artístico gospel. Em poucos minutos o referido cantor simplesmente detona o universo artístico gospel, se coloca acima da média dos demais, profere um monte de baboseiras, mistura egocentrismo com determinação divina, fala, fala, fala … até que o vídeo acaba. Imagino que aquela cena tenha se estendido por muitos e muitos minutos e confesso que nem imagino como tenha sido concluída. Também tenho enorme curiosidade de saber sobre a reação do público, mas imagino que todos tenham ficado perplexos com o discurso-nada-a-ver-muito-doido daquele artista ali presente.

Sobre a reação do público, lendo alguns comentários nas redes sociais percebo que a interpretação deles não foi nada alvissareira, nem um pouco positiva, longe de se comemorar. Os impropérios vão dos mais intensos, alguns impublicáveis, até aqueles mais comedidos que simplesmente se dizem chocados ou outros mais ‘espirituais’ que apenas mencionam: Oremos! O certo é que se o cantor tinha uma estratégia de chocar, nisso pode comemorar soltando fogos, porque suas palavras e atitudes certamente contribuirão ainda mais para atrapalhar sua imagem perante o mundinho gospel. É o que eu chamo de estratégia harakiri artístico, seguindo o ritual de suicídio, algo comum na cultura japonesa. Triste fim.

Hoje em dia tudo é filmado, fotografado, registrado, ou seja, não existe mais aquela sensação de que as informações, os fatos, os comentários ficarão restritos aos poucos (ou nem tanto) presentes. A informação segue numa velocidade impressionante e as distâncias simplesmente desaparecem. O que acontece em Cabrobó, em pleno sertão de Pernambuco, pode em poucos segundos ser assistido em Okinawa, do outro lado do mundo.

Só no Brasil temos hoje mais de 280 milhões de aparelhos de celulares. Muitos dos quais com câmeras, acesso web, aplicativos, redes sociais, ou seja, são milhões de potenciais ‘jornalistas’ com ferramentas em mão para viralizar imagens e notícias em tempo praticamente real. Muitas notícias que estampam jornais ou mesmo são publicadas e veiculadas em sites, rádios e TVs surgiram a partir de registros de cidadãos comuns que simplesmente sacaram seus celulares na hora certa, no lugar certo onde a notícia surgia. A partir de um registro, muitas das vezes despretensioso, uma série de desdobramentos se iniciam alcançando enorme repercussão na mídia e na sociedade.

Voltando o foco para o universo artístico gospel, observo que muitos artistas do segmento parecem não entender que as coisas mudaram. E como mudaram! Hoje em dia não se pode mais simplesmente sair por aí falando o que ‘der na telha’ como se não houvesse consequências. Ampliando ainda mais, não se pode falar e nem postar fotos como se somente os mais ‘íntimos’ tivessem acesso àquele conteúdo. O problema é que o artista hoje tira a foto e coloca imediatamente o conteúdo em suas redes sociais sem uma melhor análise se aquela imagem, texto ou vídeo realmente podem ser colocados em público. Melhor do que ser ágil em retirar das redes sociais uma foto que não convém é simplesmente não postar nada!

Atualmente há profissionais que dão assessoria de comunicação para atletas, políticos, artistas. Ainda não muito comum no meio gospel, media trainning é uma importante ferramenta que deve ser cada vez mais utilizada em tempos de redes sociais e micos descomunais! Pra quem não está familiarizado ao termo, media trainning , nada mais é do que um treinamento promovido por um profissional, geralmente um jornalista ou relações-públicas, que orienta seu cliente na forma correta de agir, responder, portar-se diante de câmeras e entrevistas. E engana-se quem pensa que este profissional apenas poupa o cliente de falar besteiras, muito pelo contrário! Este tipo de consultoria serve prioritariamente para que o cliente aproveite ao máximo as oportunidades que surgirem. Por exemplo, no caso de um locutor de rádio (algo bem comum no nosso meio) não conseguir fazer com que a entrevista flua com qualidade, um artista bem treinado poderá de forma espontânea e segura fazer uma grande entrevista sem necessariamente contar com a participação do rapazinho outro lado da mesa.

Na verdade, todo tipo de ajuda e orientação é bem vinda desde que feita por um profissional gabaritado. Agora, de nada adiantará estar rodeado de profissionais se o próprio artista não entender a importância de ser orientado. O artista precisa ter humildade suficiente para atender às indicações de seu staff. Hoje em dia com a grande concorrência que temos no mundo artístico quanto menos se complicar melhor será.

Pra bom entendendor, pingo é letra …

Mauricio Soares.

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  • Assessoria Monique Crespi

    Ah é verdade, hoje em dia temos que pensar 10 x antes de falar. Se as vezes calados já não somos bem interpretados, melhor mesmo é dar bons frutos e pensar no que vamos falar, e aprender que toda ajuda é sempre bem vinda. Amei o post, me fez pensar e repensar e até procurar um trainning p/ minha vida! rs Deus abençoe vc.