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A música é digital … gostando ou não!

Para os 69 leitores do blog preciso ser absolutamente transparente e verdadeiro … infelizmente o tempo (ou a falta dele!) não tem permitido que eu mantenha o Observatório Cristão sendo atualizado periodicamente como sempre foi minha intenção, mesmo desde sempre deixando claro a todos de que este projeto seria sempre tratado muito mais como um lazer do que efetivamente um trabalho mais sério. No entanto, já estou tão sem novidades neste espaço que estou me forçando a escrever algo para segurar a atenção de nossa (pouca) audiência.

Na semana passada publiquei em minha conta no Instagram (mauriciosoaresobc) um card que recebi de um amigo com o seguinte texto: “Artista, se você ainda não entendeu a importância de estar nos streamings de música, é como se você estivesse na era do CD, tentando vender fita K7”. O card é de autoria do produtor musical Ronan Barros, excelente profissional radicado em Brasília. A mensagem me pareceu tão pertinente, tão atual e tão simples, que resolvi compartilhar em minha rede social. Quem me acompanha nos últimos anos, especialmente os últimos 5 anos, já deve ter percebido o quanto sou entusiasta da mudança do formato de consumo de música, saindo do tradicional modelo físico (CD/DVD) para o digital, especialmente o áudio stream. O Brasil é um dos países de maior potencial para o mercado da música neste momento, tendo crescido cerca de 30% no faturamento em 2017 comparado ao ano anterior. O mercado fonográfico que amargava crise após crise, especialmente pelo advento da pirataria, vive neste momento uma situação completa inversa com crescimento após crescimento. Estima-se que em 2018, o faturamento do mercado fonográfico irá crescer mais 30% sobre o ano anterior e tudo indica que no mundo, estaremos superando a marca de faturamento histórico do setor, ou seja, vivemos momentos de euforia no mercado da música e isto deve-se unicamente às mudanças no formato de consumo da música.

Então, não há o que se discutir! Não adianta fazer beicinho ou batidinha de pé no chão, que sejam capazes de segurar o tradicional formato físico perante o crescimento da música digital. E aí, em meio aos muitos comentários que recebi em minha postagem, deparei-me com 1 ou 2 pessoas que insistiam dizer que os CDs ainda têm demanda entre o meio gospel, especialmente entre as igrejas pequenas ou do interior. E que esta demanda seria suficiente para que as gravadoras mantivessem a política de lançamentos de produtos físicos. Com muita tranquilidade e mesmo tempo disponível, resolvi explicar que o crescimento digital era algo irreversível, inquestionável e que as vendas físicas estavam em queda vertiginosa, não merecendo neste momento, mais tanta atenção por parte das gravadoras mais atualizadas. Não adiantou! O rapaz chegou a chamar-me de sensacionalista (sinceramente não entendi bem esta adjetivação, mas imagino que ele quisesse dizer que eu estava alardeando sobre algo que não era tão drástico assim … imagino que fosse isto …) e a continuar na toada de que há consumo de CDs no meio evangélico.

Também na semana passada recebi para uma reunião (sem saber previamente a pauta) um representante de uma empresa que apresenta uma opção ao CD. O projeto em questão é um card onde o consumidor através de um site tem acesso a conteúdo do artista, seja em áudio como em vídeo. Com muita atenção ouvi toda a apresentação, mas no fim fiz questão de dizer que eles estavam ao menos 5 anos atrasados, de que aquela ‘solução’ não consegui ser mais atraente do que as plataformas de áudio streaming já oferecem aos seus usuários hoje em dia. E aí, novamente a mesma ladainha … o mesmo discurso de que o público evangélico ainda não está nas plataformas digitais, que o povo ainda quer ter algo em mãos, de que aquele formato seria uma solução para os artistas, enfim, uma série de justificativas anacrônicas e que, a meu ver, não conseguem justificar a razão do projeto em si.

Hoje, em dados não oficiais, estima-se que pouco mais de 5% da população evangélica seja usuária dos apps de áudio streaming. Ainda boa parte do segmento cristão no Brasil vem consumindo música pelas plataformas de vídeo streaming, especialmente o YouTube. A queda da venda de CDs e DVDs no meio é avassaladora e perceptível, mesmo que alguns ainda insistiam que não! Então, com todo o carinho e respeito que todo ser humano mereça (mesmo os eleitores de Lula), não posso fingir que ainda há um mercado consumidor de produtos físicos que mereçam minha atenção e esforço. Se ainda tem pessoas mais tradicionais, do interior do país que não foram alcançadas pelos formatos digitais, sinto dizer que nem mesmo estas pessoas eram percebidas pelo mercado fonográfico antes. Boa parte dos ‘consumidores’ de música do interior do país eram (ou ainda são) abastecidos por produtos não originais, o que não contribui em nada para o crescimento das gravadoras e dos próprios artistas. Com apenas estes imaginados 5% de consumidores evangélicos, no meu caso, as vendas digitais cresceram incríveis 70% de um ano para o outro, muito além do próprio crescimento do mercado no país. Isso é pra aplaudir de pé igreja!

Em 2017, em nosso núcleo artístico, lançamos quase 250 projetos, dos quais, apenas 2 nos formatos físicos. Em 2018, a expectativa é de que tenhamos mais de 350 projetos sendo lançados, dos quais, não mais do que 5 terão versões físicas. E aí vale ressaltar uma questão específica e que também foi motivo de uma alfinetada de algum seguidor em minha rede social. O rapaz disse que era incoerência de minha parte divulgar e lançar o projeto infantil de Aline Barros em CD e DVD. Também com muita calma expliquei que no caso de produtos infantis ainda há uma demanda interessante por produtos físicos, especialmente DVDs, até porque os resultados de áudio streaming em se tratando deste tipo de produto era bastante baixo e que o consumo dá-se principalmente por DVD e Youtube. Quem é pai sabe bem do que estou falando … sobre a capacidade da criança assistir ao mesmo vídeo por 467 vezes apenas num dia. Então, neste caso justifica o lançamento de produtos físicos. Até quando? Sinceramente não sei …

Usei apenas alguns exemplos para deixar ainda mais claro de que o mercado da música tornou-se digital – atenção ao tempo verbal, estou afirmando claramente de que não é uma questão de futuro, mas de que já é … hoje! – e por mais que ainda tenham demandas residuais de consumo do formato físico, esta mínima demanda não será suficiente para que a indústria dedique alguma atenção. Haja visto que o mercado de LPs, que surgiu como uma tendência interessante, segue neste momento ainda como um modismo, não sendo capaz de fazer com que as gravadoras busquem alternativas para atendê-lo em plenitude. É nicho e como nicho será tratado e percebido, assim como CDs e ainda menos, DVDs.

É o que tenho pra hoje! Espero que consiga retornar com mais textos e conteúdos.
Boa semana!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, palestrante e digital, completamente digital.

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.

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