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A música gospel (de qualidade) invadindo os teatros pelo país

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Diretamente da Cidade do México irei aproveitar algumas horas que terei sem reuniões para atualizar um pouco mais o nosso blog e comentar sobre alguns temas que venho já faz muito tempo pensando na possibilidade de virarem textos e que pela mais absoluta falta de disponibilidade (e disposição, muitas das vezes!) não consegui sequer iniciar em poucas linhas.

Hoje mais cedo o querido amigo Fábio Sampaio, band leader da Tanlan (se ainda não conhece esse som da turma dos Pampas, sugiro uma boa pesquisada em alguma plataforma de audio streaming como Spotify ou Deezer), fez um comentário em um dos muitos grupos de Whatsapp de qual participo. Ele reagia a uma outra postagem minha onde eu divulgava um show com o cantor-preto-no-branco-que-também-é-solista-compositor-músico-e-baiano, Clóvis Pinho, em um teatro do Rio de Janeiro. Sampaio, comentava com satisfação o fato dos artistas do meio gospel estarem pouco a pouco migrando para palcos de teatros e casas de evento tradicionais do país.

ler seu comentário, ainda fiz questão de lembrar sobre o sucesso arrebatador que tem feito o infante Leonardo Gonçalves em sua turnê “Princípio”que tem lotado teatros de norte a sul do país, inclusive em muitos locais onde ‘tradicionalmente’ o público evangélico é muito reticente a estes tipos de eventos. Não raramente, Leonardo tem sido praticamente obrigado a fazer mais de uma sessão de seu show, muitas das vezes num mesmo dia (sabendo-se do esforço vocal de Gonçalves em suas apresentações, ter um repeteco num mesmo dia é coisa pra gente grande mesmo!). Nesta semana, por exemplo, os ingressos da apresentação dele em Brasília esgotaram-se em menos de 24 horas, obrigando-o a fazer mais um sessão e, para surpresa de alguns, a procura do público foi igualmente intensa e ágil, ou seja, imediatamente após a abertura do segundo show, os ingressos se esgotaram mais uma vez. Se a produção do show tivesse programado mais 2 shows no mesmo local, certamente os ingressos se esgotariam como antes, tamanha procura do público.

tradicional Teatro Ópera de Arame na capital paranaense, a apresentação do Preto no Branco, teve seus ingressos esgotados em poucos dias e na própria data do evento, mais de mil pessoas tentaram em vão ter acesso ao show. O mesmo aconteceu em Porto Alegre, Joinville, Rio de Janeiro e outras cidades por onde a entourage tem passado. O incrível neste caso é que o projeto tem menos de 6 meses de lançamento, a agenda do PNB está lotada praticamente até o fim do ano, o público tem cantado todas as músicas em suas apresentações e o canal de vídeos do projeto conta com mais de 210 mil inscritos e quase 33 milhões de views.

cantora Marcela Taís também tem feito apresentações em diversos teatros pelo país. Boa parte destes eventos com casa lotada, sold out. Em breve, a dupla Os Arrais fará uma turnê intensa pelo país durante cerca de 20 dias com apresentações em diversos teatros e casas de evento. Mesmo várias semanas do evento, em algumas praças os ingressos já se encontram esgotados. Vale também lembrar sobre o sucesso do projeto Loop Session que reúne Leonardo Gonçalves, Mauro Henrique do Oficina G3 e ainda Guilherme de Sá, líder da banda do Rosa de Saron, e que tem levado centenas de pessoas aos teatros por onde tem se apresentado.

eu esteja me esquecendo de algum outro artista do meio que venha neste momento fazendo apresentações e turnês por teatros pelo país. De qualquer forma, todos os casos aqui exemplificados já corroboram para uma (excelência) tendência que estamos vivenciando neste momento que é a atitude dos artistas em sair do comodismo e conforto de só ‘jogar em casa’, ou seja, de se apresentarem somente em igrejas, festivais, congressos e eventos afins onde a platéia é praticamente garantida (e os aplausos idem). Percebo que alguns artistas estão literalmente querendo expandir o alcance de sua música, mensagem e arte. E esta expansão, sem dúvida, demanda atenção, produção, foco e uma boa dose de risco, afinal o empreendimento conta com venda de ingressos, logística, divulgação e tudo mais. Boa parte dos artistas que estão investindo em eventos nos teatros tem participado ativamente do processo de produção dos eventos, muitos dos quais como sócio investidores no projeto. Durante muitos e muitos anos os artistas do meio gospel simplesmente vendiam suas datas aos promotores locais de shows e praticamente não se envolviam em nada no processo de divulgação e mesmo no sucesso da empreitada. Recebiam seus cachês e independente do show ter dado certo ou não com relação à venda dos ingressos, voltavam tranquilamente para suas casas. Hoje em dia, com a permanência de promotores de shows no meio gospel cada vez mais rara, os artistas se viram na necessidade de ingressarem mais firme na produção de seus próprios shows. E o que parecia num primeiro momento uma atitude de sobrevivência, vem se revelando uma excelente oportunidade.

meio secular, muitos dos artistas e seus escritórios reservam para si a realização de shows (principalmente em períodos de lançamento de projetos artísticos) em algumas praças e regiões do país. No máximo, buscam parceria com produtores locais para a realização destes shows com divisão de percentuais sobre ganhos e despesas. Este tipo de atitude permite que o artista consiga recuperar seus investimentos em tempo menor, com maior controle sobre os processos de logística e divulgação e, ainda, traz para o próprio artista um maior senso de condução de sua carreira e participação nos seus próprios negócios. Esta mesma ação participativa começo a perceber já em alguns artistas do meio gospel tupiniquim e vejo isto como algo extremamente positivo.

quero também dar um outro enfoque sobre o sucesso dos shows dos artistas gospel em teatros e casas tradicionais de eventos pelo país. Com esta nova cultura, os artistas passam a ter um maio cuidado estético em suas produções. Deixam de simplesmente ligar os instrumentos para suas participações e passam a preocupar-se com o roteiro do show, tecnologia, o timing da apresentação, figurino e toda a produção em si. Isto é uma mudança bastante significativa se formos comparar com o que era oferecido (e ainda é por alguns dinossauros …) ao público cristão. O artista gospel sempre justificou o baixo investimento em produção e, consequentemente a baixíssima qualidade de seus shows, no argumento de que o objetivo maior seria a mensagem ali pregada … confesso que na minha modesta opinião isto me soa mais como uma desculpa esfarrapada do que como fato. É óbvio que uma pessoa vai a um evento de música gospel pra ser fortalecida pela mensagem cantada, pra ser renovada em sua fé, pra se alegrar com um ambiente saudável, mas tudo pode ter um resultado ainda maior se for acompanhado pela qualidade e profissionalismo que qualquer evento de entretenimento deve proporcionar ao público.

por falar em público, este é um detalhe que merece também uma especial atenção. Sempre ouvi falarem que o público gospel não paga ingresso acima de 15 reais e coisas do tipo. Que o público evangélico não se preocupa com shows muito estruturados e outros blá blá blá que justificam os baixos investimentos dos promotores de eventos pelo país. Pois este conceito se esvai ao constatarmos a imensa procura do público por ingressos de eventos onde a qualidade da música é notória. Muitos dos eventos, por sinal, com ingressos que vão de 50 a até inimagináveis 150 reais. Ou seja, o público cristão está reconhecendo cada vez mais a qualidade da música produzida por alguns artistas do segmento, reconhecem o esforço dos próprios em fazer seus eventos em locais onde o conforto e a acústica favorecem a qualidade do show em si e, principalmente, dá uma clara demonstração de que estão aptos e desejosos de contarem com mais shows de música gospel de qualidade em suas cidades.

10 para os artistas que estão acreditando neste novo nicho. Nota 10 para os empreendedores deste novo formato de consumo da arte cristã. E nota 10 ao público que reconhece a qualidade da nova música cristã desenvolvida no Brasil e tem investido seus recursos para prestigiar estes artistas.

Que os bons ventos soprem mais!

 

Mauricio Soares, jornalista, publicitário, profissional que acredita piamente na qualidade da arte cristã produzida no Brasil.

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  • Isac Soares

    Mauricio, você acha que a participação do artista na produção (inclusive, investimento) do seu próprio show tornar-se á uma tendencia no meu gospel?

    • Mauricio Soares

      Sim. Esta é uma tendência forte para os próximos tempos, até porque ainda temos um mercado incipiente de produtores locais no segmento gospel que realmente têm feito um trabalho de qualidade.

  • Juliana Machado

    Mas não é que estava pensando nisso ontem… de como a música cristã tem invadido os teatros… é surpreendente e maravilhoso!

    • Mauricio Soares

      Mais uma mudança gerada pela internet que está permitindo acesso a conteúdo diferenciado ao público do segmento gospel

  • Elaine Casarin

    Maurício, lendo seus artigos , percebo uma queda nas grandes produções em termos de cds fechados com muitas faixas, é realmente uma tendencia ou o publico ainda sente falta do do repertório em cd no formato antigo ?
    abraço !