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SE COMO DIZEM A PRIMEIRA IMPRESSÃO É A QUE FICA … MELHOR ESTAR BEM PREPARADO!

Antes que um dos nossos 69 leitores imagine que estamos passando por algum surto psicótico de produção em série de textos para o blog, antecipo-me explicando que durante o período sabático (falta de vontade mesmo de escrever!) anotava vários insights, temas e assuntos que posteriormente poderiam tornar-se textos. Alguns temas chegaram a ser razoavelmente desenvolvidos no período de ócio e agora começo a resgatá-los e dar-lhes vida aqui no blog. Quero agradecer às inúmeras mensagens, comentários e relatos de pessoas a respeito deste modesto espaço do livre pensar que acabou de comemorar 11 anos de existência … isso mesmo! O Observatório Cristão surgiu de forma despretensiosa, foi crescendo e hoje é algo acompanhado sofregamente por ao menos 69 leitores … um sucesso estelar!

E por falar em ‘sucesso’ começo a escrita deste post retornando para minha casa após 3 intensos dias na Capital Federal onde tive inúmeras reuniões e a oportunidade maravilhosa de participar como jurado no Eagle Festival, evento voltado a descobrir novos talentos da música gospel. Fiquei impressionado com a qualidade dos participantes, com a performance de muitos ali presentes, com a organização do evento, a estrutura e principalmente, a vontade de todos em buscar a excelência. E durante este festival ficou muito claro como temos possibilidades do surgimento de grandes nomes para a música gospel em pouco tempo. No entanto, alguns detalhes devem ser observados por todos aqueles participantes do festival, assim como boa parte dos artistas já inseridos no mainstream ou que atuam de forma independente no mercado artístico.

Falando especificamente de festivais (já que estão na moda neste momento entre nosso segmento) uma dica importante tem a ver com a qualidade do repertório definido para a apresentação perante os jurados. Se a ideia é fazer com que o candidato se destaque entre os outros tantos postulantes ao prêmio máximo, então nada melhor do que escolher um música que traga a melhor impressão possível. Então, busque selecionar canções que sejam confortáveis para sua voz (cuidado com os excessos!), com seu estilo pessoal e principalmente, que tenha qualidade suficiente para que sua apresentação deixe aquela sensação de “WOW! Que demais!”. Cantar um hino da Harpa Cristã mega popular, uma música de arranjo simples, sem grande empolgação, ou mesmo uma faixa que já foi exaustivamente gravada e executada no meio, definitivamente não aparenta ser uma boa decisão. E seguindo o que falamos no texto anterior que mencionava a questão das versões internacionais, escolher uma versão que está ‘bombada’ nem sempre se mostra como a decisão mais acertada justamente pela saturação da própria música e/ou pelo risco de outro candidato também interpretar a mesma canção causando comparações e aquela sensação de déja vu, o que não contribui em nada para a consolidação da imagem do candidato.

Um detalhe que parece não ter tanta importância, mas que configura um erro muitas das vezes trágico, é com relação ao figurino do candidato. Nem tão extravagante que pareça estar na passarela da São Paulo Fashion Week ou tão simplório que pareça que você estava a caminho da padaria e de repente resolveu passar por ali e cantar. Bom senso é fundamental. Roupas apertadas muitas das vezes são empecilho para uma melhor performance. Já tive oportunidade de participar de eventos em que uma determinada cantora não sabia se segurava o microfone ou abaixava a saia que insistia em subir, especialmente no momento em que as notas eram mais altas … bastante tenso! Muito mesmo! Atenção ao figurino! Roupas confortáveis, estilo, bom gosto e cuidado para que o visual não chame mais atenção do que a própria música e a interpretação da mesma. Um dia vou escrever especificamente a respeito desta questão de figurinos, mas já adianto que artista tem que se vestir como artista, sempre com algum detalhe, algum item especial. O artista tem uma certa liberalidade inerente à função que faz com que ele tem esse aval de ousar não só em sua arte, mas também em seu visual e é importante que todos façam uso deste requisito.

Neste último festival que participei percebi que muitos candidatos interpretavam suas canções de olhos fechados. Instintivamente esta atitude pode ter a ver com uma insegurança ou mesmo um mecanismo para que possa se ouvir melhor, se concentrar mais ou simplesmente sentir-se melhor diante dos jurados e da plateia. Tive a liberdade de fazer alguns insights entre as apresentações para fazer comentários sobre os candidatos, as músicas, as apresentações e esta questão dos “olhos fechados” recordo-me que abordei em determinada ocasião. E aí vai a dica: quando o cantor fecha os olhos é como se a conexão que existisse entre ele e a plateia fosse interrompida e isso não é algo positivo. O cantor não pode ficar de forma autista num mundo próprio diante do público, pelo contrário, ele precisa estabelecer conexões e se comunicar com todos. A isto chamamos de carisma, entrosamento, empatia entre o artista e o público. Isto não se consegue de olhos fechados! Se você é daqueles que se sentem inseguros diante de uma plateia a dica é encontrar no meio do público aquela pessoa que te parece simpática (sempre há ao menos uma pessoa!) e focar todo o tempo nela! Aquele sorriso, aquela cara de aprovação irá te motivar e deixar bastante seguro. Tente identificar na plateia ao menos umas 3 a 5 pessoas com este perfil e reveze-se entre elas. Isso sempre funciona!

O gestual também é algo que conta e muito! Uma determinada candidata entrou no palco como se estivesse diante do Rodeio de Barretos animando a galera presente! O nível de entusiasmo era tão grande que passou do ponto e se tornou algo caricato, ou seja, não favoreceu em nada! Não me lembro o que ela cantou, mas recordo-me da dancinha (um pouco fora de ritmo), da roupa de vaqueira e da animação nível Hard … Em contrapartida, o candidato não pode ficar que nem um daqueles ventiladores girando compassadamente da esquerda para a direita e vice-versa. Precisa passar segurança e sentir-se seguro … precisa preencher o palco com sua presença, por maior que seja a área. De vez em quando olhar para os jurados … interagir corporalmente com a música, enfim, precisa sentir a música e expressar este sentimento através de sua linguagem corporal. E para esta parte, minha sugestão é para que o candidato treine sua apresentação diante do espelho ou mesmo que grave em vídeo sua performance. Este simples recurso é infalível já que evidencia trejeitos e algumas posturas instintivas que muitas vezes não são tão favoráveis e perceptíveis ao candidato.

Outra dica é treinar exaustivamente a música da apresentação e se possível até mesmo o que vai se dizer, como cumprimentar os jurados ou a plateia. Quanto mais treino, mais possibilidade de tornar tudo muito mais natural. Muita gente pensa justamente ao contrário! De que quando se tem muito ensaio, perde-se a espontaneidade, mas não é assim que funciona, pois quando mais se treina, mais se tem controle sobre toda a situação e melhor capacidade de se lidar com as surpresas. Segurança se consegue à medida que se treina e se conhece os assuntos.

Um dos candidatos me fez a seguinte pergunta: Música autoral é um risco que merece ser assumido? Boa pergunta e a resposta que me vem à mente é muito simples! Se a música autoral tem qualidade, então é um risco que vale a pena correr. No entanto, é importante que o candidato deixe esta informação clara de todos, especialmente dos jurados. Falo por mim … sou um profissional que valorizo demais aqueles artistas que exercitam o dom da composição. E, neste caso, se um jovem postulante à carreira artística resolve se apresentar como intérprete tendo que defender uma canção autoral e esta tem qualidade, então a pontuação deste candidato aumenta consideravelmente. Ainda sobre o repertório, muitos destes concursos são divididos em etapas. Alguns têm fase seletiva, depois outras eliminatórias e no fim, uma grande apresentação para a escolha do vencedor. Muita atenção na escolha das canções (mais uma vez atenção para o alerta da escolha do repertório!) porque em cada fase é como se o candidato estivesse sendo avaliado unicamente por aquele momento e não pelo conjunto da obra. Recentemente um dos festivais em que participei, alguns candidatos que foram muito bem numa primeira seletiva, literalmente se afundaram numa segunda oportunidade e isto deveu-se na escolha equivocada da canção. Entendendo que a cada fase, o nível dos candidatos vai aumentando, o ideal é que as canções mais espetaculares sejam guardadas para as fases finais.

O piloto já avisou sobre o procedimento de descida. Preciso me antecipar e finalizar, ressaltando que boa parte desta dicas que direcionamos a jovens candidatos a festivais também são adequadas a artistas já estabelecidos. É impressionante como nos deparamos com artistas com alguns anos de estrada cometendo erros banais que são aceitos apenas para jovens e iniciantes.

Vamos em frente!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, palestrante, profissional atento a novos artistas, novos estilos, novas propostas. Esteja sempre preparado a dar o melhor de si, quem sabe um dia a gente não se esbarra por aí …

  • Rony e Suelen Oficial

    Boa dica.