Ajustando as posturas na relação Artista e Gravadora

Recebi esse vídeo de uma amiga do Nordeste. Pelo sotaque dos atores, esse material deve ter sido gerado lá por aquelas bandas. Como todo vídeo que recebo, a vontade de não assistir é enorme, mas como ela não é uma contumaz “enviadora” de vídeos, resolvi por curiosidade assistir ao material indicado. O vídeo trata da visão de um estagiário sobre o seu dia a dia, claro, de uma forma extremamente bem humorada e sarcástica, mas em muitos momentos repleta de realismo.

A moral do vídeo consiste em expor a relação conflituosa de interesses entre o estagiário e o mundo corporativo. Adaptando esse vídeo à realidade de uma gravadora e sua relação com os artistas, podemos associar esse vídeo à forma como muitos artistas encaram os seus respectivos papéis dentro de uma gravadora e no meio gospel como um todo.

Ao longo destes anos, pude conviver com muitas pessoas, muitos artistas, muitos parentes, empresários, pastores e profissionais do segmento fonográfico. Confesso que em muitos casos me deparei com artistas que agiam exatamente como esse estagiário do vídeo, ou seja, completamente fora do foco e das expectativas do mercado e da própria gravadora. Já tive oportunidade de lidar com artistas que levaram mais de um ano negociando o ingresso na gravadora e em menos de seis meses simplesmente se detonaram no melhor estilo ‘homem bomba”.

Outros artistas imaginaram que ao integrar uma gravadora haviam tirado a sorte grande, ou seja, um bilhete da MegaSena com prêmio de 50 milhões de reais! Porque ao assinar o contrato, simplesmente ficaram no dolce far niente do recôndito de seus lares imaginando que a gravadora trabalharia sozinha pelo seu sucesso. Em todos estes casos o resultado é sempre similar, ou seja, desastre total!

Cada vez mais é necessário que o artista encare a sua gravadora como uma parceira de projeto. Não cabe mais a postura distanciada do artista como mero espectador de um jogo em que as cartas são sempre e somente dadas pela gravadora! A atual realidade do mercado fonográfico impõe uma mudança de postura, uma verdadeira metanóia, onde o artista deve andar lado a lado com sua gravadora na busca de objetivos e traçando juntos as melhores estratégias.

Infelizmente ainda me parece que tem muito artista repetindo a mesma postura deste estagiário, por mais hilário que isso possa parecer!

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Mauricio Soares, publicitário, jornalista e editor deste blog lido religiosamente por 33 leitores!

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