Ajustando o ponto de vista e preparando-se para as oportunidades do mercado

oportunity

Nestes últimos meses tenho viajado praticamente todas as semanas para algum lugar de nosso imenso país. A necessidade de restabelecer contatos, conhecer pessoas e acompanhar in loco as novidades do mercado gospel nas diferentes regiões do Brasil tem me proporcionado experiências incríveis.

Recentemente estive numa capital de nosso país para fechar alguns acordos de divulgação e programar ações especiais de marketing e promoção para os próximos lançamentos da gravadora onde me dedico. Esta cidade é um dos principais mercados de música gospel do país e referência de vendas em sua região.

Além de visitar rádios, mídias e lojistas, tive a oportunidade de participar do culto de inauguração de uma loja em um dos principais shoppings da cidade. A noite foi de comemorações, onde o responsável pela livraria destacava a missão de sua empresa, exaltava o espírito vencedor de sua equipe e realçava o trabalho evangelizador daquele ministério na distribuição de literatura, música e afins.

Naquele mesmo dia, horas antes do culto, tive a oportunidade de participar de uma tarde de autógrafos na livraria do mesmo grupo, na verdade, a matriz daquela rede de lojas na região de onde com o crescimento do negócio proporcionou-se a expansão de uma filial em outra cidade vizinha atendendo a um novo mercado consumidor. No evento, a presença de uma cantora atendendo aos clientes para fotos, autógrafos e a tietagem natural de pessoas ao se depararem com uma celebridade. A livraria naquele momento em que eu estava a visitando tinha uma presença de cerca de 200 clientes, mas ao longo da tarde cerca de 500 pessoas haviam circulado pela loja. Um verdadeiro sucesso!

No dia seguinte àquela noite de festividades e loas ao potencial do mercado cristão no Brasil, tive oportunidade de visitar outro grande lojista daquela mesma cidade. Em absoluto contraponto às comemorações e idéias progressistas do lojista concorrente, este gerente da loja apenas criticava a atual queda do mercado no melhor estilo daquele personagem dos desenhos animados que vivia reclamando de sua situação com o bordão:“Oh vida! Oh céus!”

A cada comentário o gerente relembrava a pujança do mercado local e vaticinava o fim de tudo com requintes de crueldade impressionantes!

Sua loja, que deve ter uma área três vezes maior do que daquele lojista motivado, não contava naquele momento de minha visita com mais do que 20 clientes. Observei atentamente sua equipe. Eram cerca de 15 vendedores, em sua maioria jovens meninas trajando um uniforme surrado, algumas calçando sandálias bem simples, a maior parte com uma aparência desanimada, desinteressadas, com a nítida impressão de que estavam apenas cumprindo uma entendiante rotina. No meu afã de pesquisador nato, procurei conversar com uma das vendedoras. Ela me contou que o salário era o mínimo possível e que se vendesse ou não vendesse, o valor não seria alterado. Soube por ela numa franqueza impressionante que toda a equipe estava ali apenas por falta de uma melhor opção naquele momento, pois havendo outra oportunidade sairiam dali imediatamente.

Passei naquela loja não mais do que 25 minutos, tempo suficiente para ter uma clara noção do dia a dia daquela equipe, da visão dos gestores e mesmo para captar as expectativas dos clientes que frequentavam aquela livraria.

Depois de visitar várias outras lojas, retornei àquela primeira livraria, onde estive no dia anterior prestigiando a tarde de autógrafos. Por volta das 13h, num ambiente agradavelmente refrigerado, com displays modernos, uma boa comunicação visual, sendo atendido por funcionários bem uniformizados, sendo inclusive recepcionado por uma espécie de porteiro que me recebeu com um largo sorriso, me deparei com mais de 80 pessoas degustando livros, CDs, Bíblias e todo tipo de material da loja.

O gerente desta loja me recebeu com uma cara de cansado, visivelmente abatido fisicamente por dias e dias de intensa arrumação para a inauguração da loja no shopping, no entanto, ainda se refazendo deste esforço ele fez questão de conversar comigo pedindo por dicas e minha opinião do que ele deveria fazer para incrementar ainda mais seu negócio. Passados mais alguns minutos ele não se conteve e mostrou-me um projeto de reforma da loja sede como sendo sua próxima prioridade.

Esta experiência apenas serviu para reforçar a idéia de que como são diferentes as visões das pessoas sobre uma mesma realidade. Enquanto um livreiro estava esfuziante com o crescimento de sua loja e de sua clientela, buscando melhorar sua atuação e ampliar seu trabalho, outro lojista era o próprio “profeta do apocalipse” rodeado por vendedores desmotivados.

É notório o crescimento do mercado religioso no país, afinal se pesquisas apontam que a população evangélica no país cresce mais do que a nossa taxa de natalidade, então como podemos conviver com quedas nas vendas e pensamentos negativos quanto ao mercado?

Também é correto afirmar que o mercado está em franca mudança, mas dependendo da sua forma de encarar estas transformações o resultado poderá ser absurdamente satisfatório. Depende apenas da forma como você quer encará-lo! Eu confesso a você leitor, que prefiro olhar o mercado gospel como uma enorme seara de oportunidades, onde os mais inteligentes, pró-ativos e perspicazes conseguirão extrair os melhores resultados. E você vai preferir encarar este mercado potencial por qual ponto de vista?

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Mauricio Soares, publicitário, entusiasta inveterado do mercado gospel, profundo otimista e crítico mordaz de idéias do obscurantismo ainda presentes no meio cristão nacional.

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