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Alinhando expectativas e prioridades! Dando valor ao que de fato importa …

Toda relação, seja ela comercial, matrimonial ou mesmo uma amizade, é pautada em trocas, em regras e expectativas. Inicio este novo texto em nosso blog tratando de um assunto muito importante no campo das relações, só que dentro de um ponto de vista envolvendo gravadoras e artistas. Neste momento percebo que há muita coisa sendo dita neste campo e boa parte, desprovida de coerência, razão, verdade e conhecimento. Ou seja, o negócio está bem complicado! Por isso, resolvi dedicar e abdicar um tempo de sono entre o voo de Fortaleza ao Rio de Janeiro para tratar especificamente sobre os papéis e as funções no mercado da música.

Comumente tenho dito que os artistas têm 50% de responsabilidade no trabalho que deve ser feito pelo seu próprio sucesso e a gravadora, em contrapartida assume os 50% restantes.

Entender isso hoje em dia é fundamental! Tempos atrás boa parte dos artistas dedicava-se ao processo de produção musical focando essencialmente nas etapas iniciais – repertório, produção, arranjos, gravação – e depois transferia a responsabilidade do projeto à gravadora que cuidava da criação e produção do projeto gráfico, label, marketing, distribuição e divulgação. Nesta linha de pensamento, o artista caminhava focado no disco num primeiro momento e depois caminhava com sua gravadora por um período de promoção do lançamento para que mais uns poucos meses depois saísse em turnê pelo país ou exterior. Naquele momento as atividades eram bem definidas, inclusive na questão de cronograma. Muitos artistas entregavam a master do disco e depois sumiam pelo mundo ou se entregavam ao dolce far niente deixando que todo o trabalho em sequência fosse desenvolvido pela gravadora.

Eis que chega o advento do mundo da música digital, num primeiro momento baseado em downloads e na sequência, no streaming. E desde então, tudo se fez novo, incluindo nisso a forma de trabalho, divulgação e principalmente o grau de envolvimento e comprometimento do artista e gravadora. E aí, voltamos ao destaque mencionado mais acima no texto. Se antes, boa parte da ralação e investimentos se dava através da gravadora, neste momento vivemos um maior equilibrado entre as forças. Se você, querido leitor, entender este aspecto específico, boa parte de tudo que ronda o mercado da música e o conceito de sucesso no mundo digital ficará bem mais acessível. Então, vou tentar ser bastante específico e instrutivo. Preste atenção!

Como citei na frase acima, entenda que o trabalho agora está igualmente dividido entre o artista e a gravadora. Cada qual tendo 50% de parcela no trabalho. Caso a gravadora faça os 50% do trabalho a que se propõe como meta estabelecida e o artista faça os outros 50%, a possibilidade do projeto avançar com qualidade atingindo as metas será enorme. No entanto, se um destes dois players não entregar sua parte, naturalmente os objetivos não serão alcançados, mesmo que uma das partes se esforce de forma sobrenatural para suprir a deficiência do outro parceiro. Sendo ainda mais claro … Caso o artista não faça sua parte, por exemplo, trabalhando numa proporção de 25% de sua obrigação, a gravadora não terá condições de suprir esta falha trabalhando o equivalente a 75% do projeto. Não mesmo! O teto da responsabilidade de cada player neste processo são os exatos 50%. Nem a gravadora deve deixar de fazer sua parte, assim como o artista não pode se ausentar das responsabilidades no seu quinhão no projeto.

É impressionante como os artistas que trabalham lado a lado com a gravadora, alcançam com maior eficácia seus objetivos. Esta é uma questão definitiva e precisa ser entendida por todos!

Há um caso emblemático neste quesito da sinergia entre as partes. Há alguns anos atrás um determinado projeto foi cuidado com máxima atenção pelo artista em parceria com a gravadora. Cada detalhe, as estratégias, os planos, enfim, tudo foi meticulosamente cuidado para que o projeto inédito chegasse ao mercado com máximo impacto e melhores resultados. Seguindo todo o planejamento, o projeto cresceu de modo avassalador no melhor estilo “Pororoca do Rio Amazonas” atropelando tudo o que havia pela frente, inclusive os mais pessimistas prognósticos de que aquilo não iria a lugar algum. Enfim, não só foi como tornou-se algo que chamou a atenção do mercado. E aí, por um fato específico que não convém mencionar, o artista foi se distanciando da gravadora, ficando no ‘piloto automático’, focando em outras questões, se deliciando com o sucesso e esquecendo-se do dia a dia, tropeçando em pequenas pedrinhas no caminho, não trabalhando da forma como deveria e quando agia, o fazia de forma completamente equivocada … o resultado não poderia ser outra do que a perda de relevância, simples assim!

Trabalhar em parceria integral com a gravadora, hoje me dia, é fundamental e não mais uma questão de empatia. Estamos falando de sobrevivência mesmo! Agora, no caso dos artistas independentes, aí não tem nem o que se questionar até porque é algo absolutamente óbvio! Ou seja, o trabalho deve ser 100% desenvolvido pelo próprio artista observando com atenção às estratégias, metas, planos e todos os detalhes que possibilitarão os melhores resultados de seu próprio projeto.

Tenho ouvido alguns artistas tecendo loas à condição de independentes como se esta fosse a melhor opção no atual estágio do mercado da música. O grande argumento é de que o processo de colocação dos conteúdos nas plataformas digitais se dá de forma tranquila, muitas das vezes no modo on line sem qualquer participação de um intermediário e, ainda, pela remuneração que as agregadoras concedem ao usuário oferecendo muitas das vezes percentuais entre 70 a 80% da operação. No entanto, o que boa parte dos artistas que defendem este novo modelo de negócio não observam é de que a colocação dos conteúdos é a parte menos complicada do processo de consumo da música digital. Estar numa gravadora é ampliar muitas das vezes a possibilidade de ter seu projeto em destaque no repertório de uma ou várias playlists, além de se conseguir uma capa de playlist, algo que potencializa inúmeras vezes as chances de um bom resultado em streams. Um lançamento precisa contar com um amplo projeto de marketing, observando vários detalhes para que a música tenha o melhor resultado em exposição e consequentemente, streams. Estando numa agregadora, nada é feito além de colocar seu conteúdo numa prateleira digital. Isto é importante que seja entendido por todos! De forma alguma estou demonizando o papel das agregadoras, não mesmo! O que eu quero dizer é que não se pode confundir a função de uma agregadora que é tão somente colocar os conteúdos nas plataformas. E jamais! Vou repetir, jamais comparar o trabalho de uma gravadora com o de uma agregadora e por este simples fato, tanto as expectativas como as condições de percentuais e remunerações também podem ser comparados. Como diz um amigo meu, não se compara batata com tomate … ambos são alimentos, mas cada um tem um gosto, uma textura e uma função.

Quando se fala de gravadoras, alguns aspectos sempre são mencionados, a saber: investimento, divulgação, percentuais, tempo de contrato. Tendo chegado aos 30 anos de mercado, é óbvio que tenha participado de centenas de negociações envolvendo artistas de diferentes estilos e relevância. Estes temas estiveram seguramente em 100% das negociações das quais participei e isto é bastante natural por mais que alguns ‘puros e santos’ escondam-se no discurso de tudo pela Obra de Deus, pelo Chamado ou Ministério … no fundo todos sempre se sentam à mesa para tratar desses assuntos. E eu particularmente, repito, acho muito natural e saudável de que seja assim mesmo.

Quero ater-me a cada um destes itens citados acima. Em primeiro lugar, a questão do investimento hoje em dia é algo bastante sensível. Não somente porque vivemos num país em constante crise econômica, mas principalmente porque as receitas e os canais sofreram alterações estruturais muito complexas. Se antes, basicamente a receita financeira era alcançada pela venda dos produtos físicos em canais específicos de distribuição, hoje em dia não só temos mais oportunidade de gerar receitas através da música em plataformas digitais, o alcance da música tornou-se global e contínuo. Entendendo que a forma de gerar receita mudou, não podemos manter as mesmas atitudes do passado e principalmente os mesmos níveis de investimento de antes. Recordo-me que gravadoras e artistas investiam milhões de reais na produção de mega projetos de DVDs. O mercado seguia num ritmo frenético de palcos gigantes, equipamentos, efeitos … em que cada artista parecia se importar mais com o visual do projeto do que com a música em si. Neste período lidamos com os DVDs Ostentação, algo bastante comum entre os nossos sertanejos. Entendendo que as receitas mudaram, é mister também que os investimentos sejam alterados. E com isso, os artistas passaram a ter que investir em algumas áreas em que até então não colocavam a mão no bolso. Por exemplo, hoje em dia, todo artista precisa contar com a assessoria de um profissional de marketing digital para a criação das estratégias e execução dos planos e impulsionamentos, um designer para a criação das peças publicitárias, um produtor de conteúdos de vídeos, além do próprio manager que cuida da agenda e toda a parte comercial. Este staff é fundamental e demanda um investimento, que neste caso não cabe à gravadora e sim ao artista.

Dependendo do modelo do contrato do artista com uma gravadora ou selo, o artista precisa investir na produção de clipes, na produção musical e até mesmo em impulsionamento dos conteúdos. Em alguns casos, esta parte é dividida entre o artista e a gravadora. E mesmo nos casos em que a gravadora é a dona do fonograma e por isso mesmo, responsável pelos investimentos, ao artista cabe, ou melhor, espera-se um investimento extra para acelerar os resultados. Ou seja, a ideia de que só quem investe no projeto é a gravadora não faz mais parte do mercado da música. O conceito mais usual neste momento é de todos investem, todos lucram, todos crescem, todos trabalham. Esteja atento a isto!

A divulgação segue a mesma toada, ou seja, de nada vai adiantar se só a gravadora cuidar da divulgação do artista/projeto. Esta é uma ação a ser feita por 4 mãos! E não só por 4 mãos, mas por todo o tempo, o tempo todo! Se o artista não se engajar em suas redes sociais dentro de um objetivo determinado em comum acordo com a gravadora, o resultado será bem aquém do esperado. O mesmo se aplica em sentido inverso, ou seja, se só o artista se esforça na divulgação e a gravadora fica inoperante. E aprofundando mais um pouco sobre este assunto, vale ressaltar que não é só intensidade, mas também a qualidade do se divulga e a forma com que isso é feito. Não se deve saturar a divulgação, mas também não se pode divulgar de forma pudica, blasé ou descompromissada. Lembre-se que o público das redes sociais que o acessa pela manhã, não é o mesmo da tarde e muito possivelmente não será aquele do período da noite, então não precisa ter maiores traumas e pudores em divulgar seus projetos de forma repetida. Neste caso é melhor correr o risco pelo excesso do que pela falta!

Os percentuais, como já disse aqui, são bem distintos em se tratando de contratos de agregadoras e gravadoras. Muitas das vezes, ou melhor, na imensa maioria das oportunidades, o menor percentual, se bem trabalhado, pode gerar mais receita do que um contrato aparentemente espetacular de 70 a 80% de royalties. Ao se avaliar contratos, a dica é observar os resultados que a gravadora já detém, os artistas que fazem parte do cast e de como entraram e depois de anos, como se encontram. Se a análise for positiva, então estamos diante claramente de um ‘menos que pode gerar mais’. Ainda com relação aos contratos, a tendência é de que os prazos passarão a ser bem maiores do que os antigos períodos padrão de 2 a 3 anos.

Ufa! Finalmente estamos chegando ao Rio de Janeiro e, felizmente com o texto já totalmente finalizado. Meus agradecimentos especiais ao povo do Ceará que mais uma vez nos recebeu com extremo carinho, à equipe da Expo Evangélica que sempre são sensacionais, às mídias que trabalharam diretamente com nosso cast e a todos os artistas Sony Music que atenderam ao convite da gravadora para estarem no evento e trabalharam muito! Em breve estaremos mais uma vez juntos em São Paulo na Expo Cristã!

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, palestrante e neste momento alguém bem cansado, extenuado!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.

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