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Antes junto do que só …

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Depois de uma semana intensa de produção em meio ao feriado carnavalesco, volto à labuta para dedicar-me por alguns minutos à prática de escrever textos para nosso dileto blog. Outro dia um amigo cantor me perguntou assustado como eu consigo fazer tantas coisas no meu dia a dia e ainda arrumar tempo para escrever para o Observatório Cristão. A resposta sincera e imediata foi um simples: não sei também! Mas a verdade é que, especialmente nos últimos anos e ainda mais intensamente nos derradeiros meses, o blog tem contribuído muito para que eu apresente informações ao grande público, artistas principalmente, de uma forma mais didática e atualizada.

Hoje não tenho mais tanta falta de assuntos. O que me falta mesmo é o tempo para trazê-los à baila em nossos textos. E este texto de hoje, que começo a escrever depois de um dia intenso de trabalho e aguardando sair do escritório para mais um compromisso que irá seguir noite adentro, tem como base algumas das últimas pesquisas sobre resultados de streaming no Brasil e no mundo. Semanalmente recebo reports de desempenho de músicas nas principais plataformas de audio streaming do mundo. Também diariamente pesquiso em alguns sites e ferramentas que tenho à disposição sobre o desempenho de vídeos nas duas principais plataformas, YouTube e VEVO. Ou seja, meu dia a dia hoje, além de reuniões, audições, planejamentos, encontros e ações estratégicas, vem sendo tomado por planilhas, estudos, projeções e tendências. Imagino que nunca a indústria da música no mundo trabalhou com tantas informações, estatísticas e conteúdos para análise dos profissionais de diferentes áreas. No entanto, o texto de hoje não irá por este caminho, já falei há alguns posts atrás sobre o Business Inteligence e de como esta área vem crescendo e irá tornar-se fundamental no mercado do entretenimento em geral. Vamos falar dos dados que venho observando nestes rankings que recebo periodicamente.

Além da tendência mundial de hits baseados em loops, efeitos e traquitanas da música eletrônica, outra característica me chama a atenção neste momento que é a proliferação de músicas com participações especiais também conhecidos como Feat ou simplesmente ft., que é a versão mais comum no meio artístico. Neste momento, entre as 10 faixas mais ouvidas nas plataformas de audio streaming nada menos do que 6 são duetos ou mesmo trios. Entre as músicas mais executadas no Brasil neste ano, destaque para Nego do Borel cantando com Anitta e Wesley Safadão. Esta prática é especialmente disseminada entre os cantores sertanejos, muitos dos quais contratados de um mesmo escritório de management, o que acaba facilitando as parcerias e principalmente, servindo como mais uma estratégia de posicionamento e divulgação dos artistas, especialmente aqueles mais jovens.

Antigamente, na época dos discos físicos, as participações especiais de artistas em projetos figuravam apenas a partir da terceira faixa em diante. Muito dificilmente a música com a participação de outro artista seria a música principal do disco como divulgação, não se gravavam clipes, enfim, aquele registro ficava meio perdido em meio a tantas outras faixas. A razão de se ter uma participação especial remetia mais à admiração daquele determinado artista ao convidado do que a qualquer outra estratégia mais elaborada de marketing. Só que hoje em dia as parcerias são muito mais do que um simples registro. Estes encontros passaram a ser fundamentais para a expansão do artista em busca de uma maior divulgação de seu trabalho, do maior alcance de sua música em busca de novos públicos (leia-se também neste caso, maior número de seguidores em redes sociais e plataformas) e ainda, em maior espaço nas mídias já que esta tendência tornou-se verdadeira febre não só no Brasil como no mundo todo.

Focando em nosso mundo gospel tupiniquim, basta lembrarmos que a música mais executada em 2016 nas rádios do segmento foi justamente “Ninguém Explica Deus”, sucesso avassalador do Preto no Branco com participação de Gabriela Rocha. A mesma Gabriela Rocha amealhou até agora 19 milhões de visualizações e comemorou mais um hit em sua carreira num dueto com Leonardo Gonçalves na música “Nossa Canção”. Outro artista, Paulo César Baruk também ultrapassou 15 milhões de views na canção “Santo Espírito” em dueto com Leonardo Gonçalves, tornando-se esta a sua faixa de maior visualização em toda a carreira. Voltando um pouco mais no tempo, a música “A dracma e seu dono” com Damares e participação de Thalles Roberto foi um um hit em 2015 e conta com mais de 17 milhões de views. Ou seja, mesmo no gospel que sempre é um pouco mais resistente às tendências e inovações, a prática de participações especiais tornou-se bastante interessante neste momento.

Há artistas internacionais que nos últimos lançamentos de seus singles, todos contaram com participações especiais. Por exemplo, o cantor colombiano Maluma, jovem estrela da música latina, gravou músicas com Ricky Martin, Shakira e mais recentemente a brasileira Anitta. Nos 3 casos, sucessos acachapantes! Na discografia do jovem cantor há muitos outros encontros musicais que juntos garantem milhões e milhões de audio e video streamings.

E a regra das participações musicais me parece que é justamente não ter regra alguma. Basta uma boa música, um excelente vídeo, estratégias bem definidas de marketing e promoção e a participação total dos envolvidos na música junto às redes sociais. Mesmo quando a música pertence a determinado artista, o ideal é que o artista convidado participe ativamente de toda a promoção da faixa usando ao máximo sua própria rede social e canais. Recordo-me que quando convidei o cantor Thalles para gravar uma faixa no disco da pentecostal Damares, um dos meus argumentos à época era justamente a fusão de públicos, afinal os 2 naquele tempo eram altamente populares em diferentes estilos musicais e públicos bem distintos. A fusão foi excelente e tanto Damares como Thalles conseguiram agregar novos admiradores aos seus respectivos trabalhos. Hoje em dia, os argumentos são muito mais elaborados e técnicos do que este simples ‘fusão de públicos” e tem muito a ver com relevância nas redes e plataformas digitais. O alcance de músicas com participações é aumentado bastante e isto acaba repercutindo positivamente em diferentes áreas do universo digital.

Numa próxima produção, que tal pensar em uma participação mais do que especial?

Mauricio Soares, jornalista, publicitário, editor do blog Observatório Cristão nos últimos 9 anos.