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Após impacto da web, gravadoras ajustam modelo de negócio

Lady Gaga, a cantora americana que se notabilizou por aparecer com roupas extravagantes e penteados esquisitos, coleciona triunfos na internet: em 2009, ela vendeu 9,8 milhões de downloads legais da música “Poker Face” e, no fim do mês passado, foi a primeira artista a superar a marca de 1 bilhão de acessos em vídeos na web, segundo a consultoria Visible Measures. O lançamento da música “Telephone”, em parceria com YouTube, iTunes, Twitter e Facebook, foi outro estouro: obteve 500 mil acessos nas primeiras 12 horas.
O sucesso da artista mostra os desafios que as gravadoras estão tendo de superar para manter-se lucrativas depois de a internet mudar radicalmente a face do negócio. O impacto das novas tecnologias – e, em particular, da pirataria on-line – devastou o setor, mas, agora, as companhias avançam na estratégia de redesenhar sua atuação. Em vez de vender CDs, as gravadoras passaram a negociarseu acervo com operadoras de celular, sites de download pago e rádios on-line, além de se lançar à produção de shows e eventos.
A Sony Music resolveu se posicionar como uma empresa de entretenimento, que pode oferecer ao artista não só a tradicional gravação e distribuição de discos, mas também a realização de shows, eventos e ações capazes de integrar os mundos real e virtual. “O departamento de marketing está o tempo todo criando projetos que unem várias coisas”, diz Alexandre Schiavo, presidente da empresa.
Um exemplo é a promoção Palpita Brasil, feita em parceria com o canal de esportes ESPN e o Google para a Copa do Mundo. Os internautas poderão enviar vídeos com seus comentários sobre o torneio ao YouTube, além de ajudar a escrever a letra da música da cantora Cláudia Leitte – recém-contratada da Sony Music – que será o hino do site no campeonato mundial.
Para Schiavo, foram-se os tempos em que uma gravadora podia ficar parada, à espera de um artista que vendesse bem. “É preciso buscar negócios em todas as áreas”, diz o executivo. No exterior, a companhia lançou o álbum “I Am… Sasha Fierce”, da cantora Beyoncé, por meio de 260 produtos como vídeos, toques para celular e faixas de música.
No Brasil, a receita da Sony em 2009 subiu 16,5%. A venda de música em formato digital foi o segmento com expansão mais acelerada: 39%. O digital representa 12% do faturamento da gravadora, mesma média do mercado brasileiro. A venda de DVDs teve um desempenho próximo, com crescimento de 37%. Para Schiavo, a venda de shows em vídeo continuará forte por algum tempo por conta dos lançamento em Blu-ray, a tecnologia que está substituindo o DVD. “O consumidor brasileiro é muito ligado à questão visual”, diz.
Nas próximas semanas, a Sony planeja colocar no mercado discos em alta definição com shows de Roberto Carlos e da dupla Bruno & Marrone. O bom resultado da gravadora vem, em grande parte, do sucesso do gênero sertanejo, que ganhou força com artistas como Victor & Léo. “O sertanejo é a música de maior público no Brasil. É uma música alegre, e é isso que o mercado quer agora”, diz Schiavo. Em outra frente, a gravadora lançou no começo do ano um selo voltado à música gospel, o segundo gênero mais vendido no país. A equipe conta cinco profissionais e uma banda assinada.
A segmentação por público tem ajudado a sustentar companhias especializadas, como a MK Music, voltada à música gospel. O segmento permaneceu estável em 2009, segundo o diretor comercial da MK Music, Carlos Knust. A gravadora tem entre seus contratados a cantora Aline Barros, que já vendeu mais de 2,5 milhões de cópias. Para este ano, a empresa prevê crescimento de 5% a 6%. Segundo Knust, a venda de CDs e DVDs ainda representa 97% da receita. O segmento é um dos poucos a resistir à pressão do modelo on-line. Enquanto a maioria das lojas tradicionais de CDs fechou, no mercado gospel há cerca de 3 mil pontos de venda no país. “A venda em sites gira em torno de 3%”, diz o executivo.
A música digital, que já foi vista como uma adversária pela indústria fonográfica, está se tornando uma forte aliada. Um relatório da International Federation of Phonographic Industry (IFPI) revela que, no ano passado, 27% do faturamento da indústria global da música veio de canais digitais, com vendas de US$ 4,2 bilhões, 12% a mais que em 2008. Já o mercado físico (CDs, DVDs e Blu-ray) teve queda de 16%.
As gravadoras já licenciaram 11 milhões de faixas para 400 serviços de download em todo o mundo. Em 2003, o número de serviços legais não chegava a 50, o catálogo disponível era dez vezes menor e a receita não passava de US$ 20 milhões.
No Brasil, existem atualmente quase 30 serviços de venda de música digital e a expectativa é de que o número cresça ainda mais. “É um mercado muito dinâmico. Muita coisa está acontecendo”, diz Schiavo, da Sony Music.
O mercado de música no país ficou estável em 2009. Pelo segundo ano consecutivo, as vendas físicas tiveram crescimento, de 1,08%. As vendas digitais, surpreendentemente, recuaram 1,7%, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD). O efeito negativo no segmento veio das operadoras de celular, que reduziram a oferta de aparelhos com música embarcada.
À semelhança do que faz nos Estados Unidos e em países da Europa, a Universal Music vai criar no Brasil a área de desenvolvimento de novos negócios. A companhia vê com prudência a organização de shows, em função dos altos custos desse tipo de atividade. Em vez disso, prefere apostar no licenciamento de conteúdo para outras companhias. O presidente da Universal Music no Brasil, José Eboli, conta que está negociando com bancos, montadoras e outras empresas a oferta de pacotes de música em seus sites, que seriam oferecidos gratuitamente ao internauta. “No exterior, esse tipo de parceria é comum e contribui bastante para a melhora dos resultados financeiros”, afirma Eboli.
Nos EUA, a gravadora participa, com a Sony e a EMI, do serviço Vevo, de acesso gratuito a videoclipes. A publicidade captada no site é compartilhada entre o próprio Vevo, as gravadoras e os artistas. O vídeo on-line, mesmo quando não é cobrado, tem um efeito positivo no mercado, diz Eboli. Ele cita como um dos fenômenos no Brasil o lançamento, no Carnaval, do clipe da música Rebolation, do grupo Parangolé. Os acessos no YouTube chegaram a quase 3 milhões e os downloads para celulares superaram a marca de 75 mil.
No ano passado, a Universal Music elevou as vendas em 1% no Brasil. Cerca de 60% do resultado veio das vendas físicas. Os negócios digitais e os shows responderam pelos demais 40%. Para este ano, a previsão da empresa é de crescer acima de 6% no país. Eboli não arrisca prever qual será a participação das vendas digitais, mas diz acreditar que a expansão será superior à das físicas. “O segmento de DVDs e Blu-ray também deve ter impulso com a gravação da Ivete Sangalo no Madison Square Garden, entre outros lançamentos.”

Lady Gaga, a cantora americana que se notabilizou por aparecer com roupas extravagantes e penteados esquisitos, coleciona triunfos na internet: em 2009, ela vendeu 9,8 milhões de downloads legais da música “Poker Face” e, no fim do mês passado, foi a primeira artista a superar a marca de 1 bilhão de acessos em vídeos na web, segundo a consultoria Visible Measures. O lançamento da música “Telephone”, em parceria com YouTube, iTunes, Twitter e Facebook, foi outro estouro: obteve 500 mil acessos nas primeiras 12 horas.

O sucesso da artista mostra os desafios que as gravadoras estão tendo de superar para manter-se lucrativas depois de a internet mudar radicalmente a face do negócio. O impacto das novas tecnologias – e, em particular, da pirataria on-line – devastou o setor, mas, agora, as companhias avançam na estratégia de redesenhar sua atuação. Em vez de vender CDs, as gravadoras passaram a negociarseu acervo com operadoras de celular, sites de download pago e rádios on-line, além de se lançar à produção de shows e eventos.

A Sony Music resolveu se posicionar como uma empresa de entretenimento, que pode oferecer ao artista não só a tradicional gravação e distribuição de discos, mas também a realização de shows, eventos e ações capazes de integrar os mundos real e virtual. “O departamento de marketing está o tempo todo criando projetos que unem várias coisas”, diz Alexandre Schiavo, presidente da empresa.

Um exemplo é a promoção Palpita Brasil, feita em parceria com o canal de esportes ESPN e o Google para a Copa do Mundo. Os internautas poderão enviar vídeos com seus comentários sobre o torneio ao YouTube, além de ajudar a escrever a letra da música da cantora Cláudia Leitte – recém-contratada da Sony Music – que será o hino do site no campeonato mundial.

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Para Schiavo, foram-se os tempos em que uma gravadora podia ficar parada, à espera de um artista que vendesse bem. “É preciso buscar negócios em todas as áreas”, diz o executivo. No exterior, a companhia lançou o álbum “I Am… Sasha Fierce”, da cantora Beyoncé, por meio de 260 produtos como vídeos, toques para celular e faixas de música.

No Brasil, a receita da Sony em 2009 subiu 16,5%. A venda de música em formato digital foi o segmento com expansão mais acelerada: 39%. O digital representa 12% do faturamento da gravadora, mesma média do mercado brasileiro. A venda de DVDs teve um desempenho próximo, com crescimento de 37%. Para Schiavo, a venda de shows em vídeo continuará forte por algum tempo por conta dos lançamento em Blu-ray, a tecnologia que está substituindo o DVD. “O consumidor brasileiro é muito ligado à questão visual”, diz.

Nas próximas semanas, a Sony planeja colocar no mercado discos em alta definição com shows de Roberto Carlos e da dupla Bruno & Marrone. O bom resultado da gravadora vem, em grande parte, do sucesso do gênero sertanejo, que ganhou força com artistas como Victor & Léo. “O sertanejo é a música de maior público no Brasil. É uma música alegre, e é isso que o mercado quer agora”, diz Schiavo. Em outra frente, a gravadora lançou no começo do ano um selo voltado à música gospel, o segundo gênero mais vendido no país. A equipe conta cinco profissionais e uma banda assinada.

A segmentação por público tem ajudado a sustentar companhias especializadas, como a MK Music, voltada à música gospel. O segmento permaneceu estável em 2009, segundo o diretor comercial da MK Music, Carlos Knust. A gravadora tem entre seus contratados a cantora Aline Barros, que já vendeu mais de 2,5 milhões de cópias. Para este ano, a empresa prevê crescimento de 5% a 6%. Segundo Knust, a venda de CDs e DVDs ainda representa 97% da receita. O segmento é um dos poucos a resistir à pressão do modelo on-line. Enquanto a maioria das lojas tradicionais de CDs fechou, no mercado gospel há cerca de 3 mil pontos de venda no país. “A venda em sites gira em torno de 3%”, diz o executivo.

A música digital, que já foi vista como uma adversária pela indústria fonográfica, está se tornando uma forte aliada. Um relatório da International Federation of Phonographic Industry (IFPI) revela que, no ano passado, 27% do faturamento da indústria global da música veio de canais digitais, com vendas de US$ 4,2 bilhões, 12% a mais que em 2008. Já o mercado físico (CDs, DVDs e Blu-ray) teve queda de 16%.

As gravadoras já licenciaram 11 milhões de faixas para 400 serviços de download em todo o mundo. Em 2003, o número de serviços legais não chegava a 50, o catálogo disponível era dez vezes menor e a receita não passava de US$ 20 milhões.

No Brasil, existem atualmente quase 30 serviços de venda de música digital e a expectativa é de que o número cresça ainda mais. “É um mercado muito dinâmico. Muita coisa está acontecendo”, diz Schiavo, da Sony Music.

O mercado de música no país ficou estável em 2009. Pelo segundo ano consecutivo, as vendas físicas tiveram crescimento, de 1,08%. As vendas digitais, surpreendentemente, recuaram 1,7%, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD). O efeito negativo no segmento veio das operadoras de celular, que reduziram a oferta de aparelhos com música embarcada.

À semelhança do que faz nos Estados Unidos e em países da Europa, a Universal Music vai criar no Brasil a área de desenvolvimento de novos negócios. A companhia vê com prudência a organização de shows, em função dos altos custos desse tipo de atividade. Em vez disso, prefere apostar no licenciamento de conteúdo para outras companhias. O presidente da Universal Music no Brasil, José Eboli, conta que está negociando com bancos, montadoras e outras empresas a oferta de pacotes de música em seus sites, que seriam oferecidos gratuitamente ao internauta. “No exterior, esse tipo de parceria é comum e contribui bastante para a melhora dos resultados financeiros”, afirma Eboli.

Nos EUA, a gravadora participa, com a Sony e a EMI, do serviço Vevo, de acesso gratuito a videoclipes. A publicidade captada no site é compartilhada entre o próprio Vevo, as gravadoras e os artistas. O vídeo on-line, mesmo quando não é cobrado, tem um efeito positivo no mercado, diz Eboli. Ele cita como um dos fenômenos no Brasil o lançamento, no Carnaval, do clipe da música Rebolation, do grupo Parangolé. Os acessos no YouTube chegaram a quase 3 milhões e os downloads para celulares superaram a marca de 75 mil.

No ano passado, a Universal Music elevou as vendas em 1% no Brasil. Cerca de 60% do resultado veio das vendas físicas. Os negócios digitais e os shows responderam pelos demais 40%. Para este ano, a previsão da empresa é de crescer acima de 6% no país. Eboli não arrisca prever qual será a participação das vendas digitais, mas diz acreditar que a expansão será superior à das físicas. “O segmento de DVDs e Blu-ray também deve ter impulso com a gravação da Ivete Sangalo no Madison Square Garden, entre outros lançamentos.”

Fonte: Valor Econômico

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