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Aposentadoria, Sucesso e Longevidade – Como lidar com o tempo

No ano passado o goleiro Marcos, jogador do Palmeiras, pentacampeão mundial pela seleção brasileira e considerado verdadeiro santo pela torcida do Parque Antártica, oficializou sua aposentadoria dos gramados. Ninguém ficou surpreso com a notícia, afinal nos últimos anos, o goleiro amargou a reserva e sofreu com repetidas contusões que aos poucos foram minando sua vontade de esticar a carreira profissional. Outro que praticamente está em processo de aposentadoria é o piloto Rubens Barrichello que deixou a Fórmula 1 depois de anos e anos buscando o título da categoria. Hoje, Rubinho divide-se entre corridas de menor expressão e participações como comentarista esportivo.

Tanto “São Marcos” quanto Rubinho são expoentes do esporte. Pessoas que viveram os áureos tempos, conquistaram a glória, o respeito, o reconhecimento do público por seus incríveis feitos. Ambos entenderam que o tempo é inclemente e que não poupa ninguém. Ele simplesmente chega, muda nosso corpo, transforma nossos músculos, nossa mente e mesmo nossas perspectivas e objetivos.

No palco, a diva suprema do teatro brasileira, Fernanda Montenegro, segue desfilando todo seu talento a cada apresentação, seja no cinema, na TV ou no teatro. Algumas profissões parecem que necessitam do tempo para burilar seus “operários”, como no caso das artes cênicas, o ensino, a medicina, entre outras profissões, seguem a máxima de que profissional bom é aquele que tempo de experiência.

Mas e a música? Como lidamos com o tempo no dia a dia artístico?

Li recentemente uma resenha sobre um novo trabalho da cantora Ângela Maria, uma das mais potentes vozes de tempos atrás que hoje, para manter-se ativa ainda apresentando-se em shows e gravando trabalhos, mudou drasticamente a forma de cantar, diminuindo alguns tons de suas músicas, adequando-se a uma nova realidade física que o seu corpo lhe permite.

Conversando recentemente com amigos do meio fonográfico em meio a um almoço, surgiu o assunto dos altos e baixos de determinados artistas no atual mercado. O cantor X que menos de 2 anos atrás era a sensação do mercado, sendo hoje atropelado pelo artista Y que já rompeu as barreiras de nosso país. A cantora A que tornou-se a grande referência mundial da música quebrando todos os recordes da indústria com uma proposta artística completamente oposta aos trabalhos bate-estacas das cantoras W, H, Q ou mesmo a badalada K. Ou seja, o mercado está em franca ebulição!

O sucesso de hoje pode ser substituído pelo hit de amanhã. Quem estourou nas paradas de sucesso com uma música, hoje faz show na Lona Cultural em algum subúrbio do Rio de Janeiro. Quem embalou as festas de tempos atrás hoje só é lembrada em programas de flashback. O sobe e desce dos hits segue a loucura frenética das bolsas de valores, num ritmo mais alucinante e imprevisível do que o mercado financeiro ou as pistas de danças nas boates.

É tudo muito rápido!

Manter-se no ápice por anos e anos é muito difícil. Na verdade, diria que após atingir os píncaros do sucesso, a tendência é sempre a queda. O grande detalhe que distingue “meteoros” de artistas longevos é justamente a forma como lidam com essa curva descendente em suas carreiras. O artista deve entender que não há como reviver tempos áureos de vendagens absurdas, hits intermináveis e onipresença na mídia. É uma questão natural do mercado e mesmo da vida. A diferença consiste em como você vai lidar com o sucesso e como vai buscar manter-se num patamar saudável após o boom de sua carreira.

Não há uma regra obrigatória de que todo artista que vendeu 1 milhão de cópias, deve sempre seguir na mesma toada. A tendência real é justamente outra. Se o artista vendeu uma marca expressiva, tudo indica de que dali em diante os números serão sempre menores. É uma lei natural onde um substitui o outro. Se tempos atrás uma artista era a coqueluche do mercado vendendo horrores, não adianta bater o pé ou fazer beicinho … o presente e o passado indicam para resultados menores.

Como já mencionei antes, até mesmo em alguns de meus posts publicados, o grande desafio do artista é justamente alongar a boa fase da carreira. E como conseguir isto? Não há um conjunto de regras definitivas, mas posso arriscar a elencar algumas ações indispensáveis, a saber:

  • Esqueça o passado! Não deixe que os tempos de fausto e glória atormentem seu presente! O sucesso do passado foi excelente e fundamental para sua carreira, mas não transforme-o em uma assombração rondando seus pensamentos. O passado já foi, o momento é de agir e olhar para a frente!
  • Repense suas estratégias! O mundo está em constante mudança. Uma estratégia que deu certo tempos atrás pode ser repetida ou não. Esteja aberto a novas experiências, iniciativas, projetos.
  • Seja humilde! Não é porque você já venceu antes que tudo o que você diz, faz ou imagina são certeza de sucesso. Nada disso! Tenha humildade para ouvir novas opiniões, novas dicas, conceitos, conselhos. Cerque-se de pessoas jovens e antenadas. Busque ajuda de profissionais atuantes no mercado. Seja receptivo às novidades.
  • Mantenha alianças firmes! No momento de sucesso surgem muitos contatos, pessoas próximas, portas se abrem. Procure selecionar ao máximo todos estes contatos e sempre esteja com crédito! A pior coisa é um artista no auge do sucesso agir com antipatia, arrogância, falta de educação. Primeiro por questões bíblicas jamais devemos agir dessa forma, mas do ponto de vista do networking, sempre precisaremos de apoios e pessoas para nos ajudar. Saiba manter as pontes sempre em bom estado, pois jamais você saberá quando vai precisar passar por elas.
  • Recicle idéias, compositores, produtores. Na arte, dificilmente se aplica o ditado de que “em time que está ganhando não se mexe”. Justamente penso ao contrário. Para continuar ganhando, o artista precisa sempre mexer no time. É uma questão óbvia! Um artista produzido há anos por um mesmo produtor acaba repetindo-se. Uma cantora que grava sempre um determinado compositor acaba ficando com um mesmo estilo e isso, artisticamente, acaba cansando.
  • Informe-se e aprimore-se sempre. Ainda mais em tempo de novas tecnologias, de novidades digitais, um artista que ainda está com a mentalidade do século passado acaba sendo atropelado sem sequer anotar a placa do caminhão. Produzir arte significa estar em constante mutação!

 

Certamente há mais aspectos que devem ser observados para que o artista prolongue uma carreira saudável e longeva. Mas vou parando por aqui. Espero que aqueles que conheceram o sucesso leiam esse post e libertem-se das cobranças e amarras do passado. Para os artistas que ainda não atingiram o Pico do Sucesso, que esta leitura sirva como alerta para o que vem pela frente.

 

Mauricio Soares, publicitário, entusiasta da reciclagem de lixo, da reciclagem de idéias, e da manutenção perene de amizades.

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.

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