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Aprenda com quem faz! Vivendo na redoma como se desenvolver?

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Últimos dias bastante corridos e praticamente tornando impossível a produção de novos textos para o blog. Aproveitando um curto vôo entre o Rio de Janeiro e Curitiba, gostaria de já partir diretamente para o tema do curto texto que pretendo escrever nos próximos minutos.

Um dos hábitos que procuro manter e que em tempos virtuais torna-se ainda mais fácil, acessível, é conferir os comentários do público sobre projetos que estamos à frente, sobre assuntos do cotidiano, polêmicas, descobertas, enfim, posso considerar-me um observador contumaz, o que por um lado é muito interessante, muito importante do ponto de vista da análise sobre estratégias, ações e sobre opiniões que podem nos ajudar para corrigir rotas ou mesmo seguir em frente. Já este tipo de hábito também pode nos fazer muito mal, à medida em que nos deparamos com opiniões absolutamente descabidas, sem o mínimo de lógica e pior, recheadas de ódio, preconceito, agressividade e visão obtusa de tudo que nos cerca. Para estas pessoas foi cunhada a expressão “haters”, mas prefiro no bom e tradicional português, defini-los como pessoas sem ter o que fazer, preocupados com o que não lhes diz respeito, recalcados e a imensa maioria, simplesmente invejosos.

Esta pequena introdução tem a ver com algo que vem acontecendo repetidas vezes e que, se não chega a incomodar, a tirar-me do sério, pelo menos me impulsiona a expressar minha humilde opinião neste espaço tão nobre para mim. Minha singela pergunta é: onde está escrito ou quando foi determinado que pseudo sites e blogs de notícias passaram a ter livre acesso e controle sobre o ir e vir de pessoas, especialmente cantores de música gospel? Quando se deu a autorização para que pessoas sem qualquer vínculo pudessem controlar o que se deve falar, agir ou pensar? Quem foi que determinou se esta ou aquela atitude deve servir como padrão e, portanto, ser seguida por todos? O próprio Senhor Jesus, não nos impôs absolutamente nada! Ele simplesmente pede para que nos miremos nEle e em seus ensinamentos, em sua conduta, que entendamos o sentido da Cruz e que busquemos a santificação dia a dia. Ele próprio esteve em festas, na companhia de gentios, de prostitutas, políticos, gente que num primeiro (e um segundo, terceiro …) momento não deveria ser para se andar perto … e aí fica uma dúvida, se Jesus estivesse entre nós hoje, será que deixaria de ir a grandes eventos? Será que ele iria em algum destes grandes templos luxuosos e gigantescos que surgem dia a dia não só no Brasil, mas em vários lugares do planeta?

O Pr. Felippe Valadão, pastor sênior da Igreja Batista Lagoinha em Niterói, igreja da qual tenho a honra e prazer de congregar, disse uma frase que me chamou muito a atenção e da qual tomo a liberdade de reproduzi-la mais ou menos adaptada. “O fato de Judas ter traído Jesus não mudou em nada … Jesus continuou sendo o mesmo! A atitude de Judas apenas revelou, de verdade, quem era Judas”. Ou seja, adaptando mais diretamente ao que tenho dito por aqui, não é o ambiente que irá determinar o que eu sou ou o que penso, ou ainda, a minha postura, a minha conduta. Se uma pessoa cristã muda sua forma de agir ou pensar porque está num ambiente diferente, num show, numa casa de espetáculos ou algo que o valha, a verdade é que esta pessoa ainda não entendeu o que é ser verdadeiramente um cristão convicto.

Falo por experiência própria, afinal como diretor de uma gravadora multinacional, faz parte de meu dia a dia relacionar-me com pessoas com pensamentos, posturas, realidades, absolutamente diferentes de mim, de minhas crenças, dos meus valores. Nem por isso mantenho-me numa bolha isolado do mundo ou saio apontando o dedo como uma metralhadora giratória. E, ainda, não deixo de ser respeitado pelos demais e em nenhum momento sinto que o ambiente pode mudar naquilo que me motiva dia a dia a seguir firme ao lado de Jesus. Então, quando um artista de música gospel sente-se à vontade de participar de um show ou um festival como o Rock in Rio, Lolapalooza ou qualquer outro evento de música, não vejo o mínimo problema por esta iniciativa. Não mesmo! Pelo contrário, como profissional, tenho tido a excelente oportunidade de participar de todos estes grandes eventos e espetáculos, não só no Brasil como no exterior e, posso afirmar categoricamente, de que estas experiências ajudaram a formar uma visão diferente sobre qualidade dos shows, logística, performance e o próprio entendimento do que é o mercado musical, artístico, de entretenimento e o show business.

Quando tenho a oportunidade de assistir a alguns artistas de música gospel e seus respectivos shows, não são raras as vezes em que fico decepcionado com a qualidade de tudo que ali é apresentado. Cenário pobre, músicos mal vestidos e mal ensaiados, discurso do artista no melhor padrão “Quem tá feliz diz amém!”, músicas com arranjos pobres … ou seja, vergonha alheia em grau máximo! E aí me pergunto, será que sendo uma oferta de louvor a Deus, não devemos nos esforçar e oferecer o melhor que nossas mãos e talentos podem produzir? Reflita bem sobre isso … e analise se não precisamos aprender com os profissionais ‘seculares’ que buscam sempre a inovação, criatividade e qualidade? E como aprender com eles se nos mantivermos distantes, escondidos em nossas bolhas, nossos ambientes hermeticamente fechados e asseados?

Comentei em meu Twitter dias atrás … você sendo um médico, não busca o aprimoramento e crescimento profissional participando de congressos? Não procura treinar e aprender participando de cirurgias? O mesmo não se aplica para engenheiros, militares, enfim, qualquer outra profissão? Pois bem, eventos como estes grandes festivais, servem para que os profissionais evangélicos ligados à música tenham oportunidade de aprender e conquistar novas referências. Simples assim …

Quero ressaltar que esta é uma opinião pessoal, de alguém com mais de 30 anos de mercado cristão e quase 35 anos de convertido. Se você ainda não segura a onda de ir a eventos de música secular para fortalecer sua expertise, por favor, procure no máximo assistir pela TV, mas claro, se isto não te transformar ou mudar sua forma de agir e pensar. Afinal, “Quem não sabe brincar, não desce pro Play!”

Termino apenas deixando um último comentário … bem simples e direto. Tem muita gente na igreja, levantando as mãos com discurso e cara de crente, que está completamente distante do que se espera de um verdadeiro cristão. Ou seja, não compre ninguém pela embalagem, analise o interior e principalmente as atitudes!

E segue o jogo!

Mauricio Soares, profissional do mercado fonográfico, cristão, pai de 3 meninos, casado por mais de 20 anos, alguém que já esteve em vários festivais de música secular (queria ter ido a bem mais!), outros tantos de música gospel, e um indivíduo que não tem paciência para lidar com fofocas ou opiniões alheias não solicitadas.

  • João na Real

    Eu sempre comento com os amigos, que muitos gostam de fazer a coisa de qualquer jeito! Vejo os shows “seculares” com suas megas estruturas e produções e fico com vergonha do que às vezes oferecemos pra Deus! Às vezes fico me perguntando, será que Deus não gostaria de receber uma coisa bem feita e bem produzida de encher os olhos? Muitos dirão que não, que o que mais vale é a “unção”(não vou me estender about this ) e ai continuam fazendo de qualquer maneira! Mas por outro lado como artista, vivo a dura realidade cultural de muitos lugares, onde às vezes a gente não pode “inventar muito”, tem lugares que não se pode iluminar um palco por que “não é coisa de crente” é coisa do “mundo pop”, é boate e por aí vai! Sobre o outro assunto, escrevi um pensamento esses dias onde me questionava: Se Jesus chegasse por aqui, será que eu correria o risco de encontrar com Ele? Bem provável que não, por que Ele com certeza escolheria andar no lugar onde tem pessoas que hoje eu procuro ficar longe, para não manchar a minha capa de santidade…
    anyway +1 texto pra refletir.

  • ANDERSONN CLAYTON

    Ao meu ponto de vista, existem “ns” questões…como ja foi dito, nem todos estão #preparados espiritualmente para estarem em certos lugares, sejam artistas, cantores, ministros, pastores, pregadores, etc. Poder ir pode, deve…mas com um #objetivo e não para “dar lugar a carne, ou cumprir as concupiscências da carne”. Tudo que é bom, amável, de boa fama, boa índole, etc; nisto pensais, nisto coloque o vosso coração! Ao meu ver, nem todos festivais, carnavais e outros ais são tão bom quanto podem aparentar ser. Às vezes pensamos que estamos forte e podemos enfrentar tudo, acabamos que revelando nossas fraquezas. Oremos…Na dúvida, melhor ver pela TV, como disse o #MauricioSoares.