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Aumenta isso aí que é rock’n roll …

Outro dia conversando com um produtor musical em meio a um intenso dia de reuniões começamos a elencar alguns nomes de destaque na música gospel nacional. Em um determinado momento começamos a falar do cenário pop rock cristão e chegamos à conclusão de que algo de novo precisa acontecer nesse segmento. E começo esse texto justamente com uma pergunta que nos fizemos, inclusive comentando que este seria um título interessante para o Observatório Cristão.

Por que não temos novidades no cenário pop rock gospel brasileiro?

É interessante este questionamento porque nos últimos 10, 15 anos, simplesmente não temos grandes novidades neste estilo musical em nosso país. Os nossos maiores representantes neste segmento continuam sendo Oficina G3, PG, Resgate e, porque não incluir, Catedral que mantém uma linha de crossover entre gospel e popular. Tirando esses pouco representantes do pop rock gospel, não há nada mais de novo no cenário nos últimos anos e, convenhamos, isso é muito pouco!

Há tempos atrás contávamos com Metal Nobre, Militantes, Fruto Sagrado, Banda Azul e até o inovador Rebanhão, mas todas estas bandas simplesmente ficaram pelo caminho ou hoje se encontram muito distantes do que já foram no passado. Há anos atrás, a Gospel Records, gravadora paulistana ligada à Igreja Renascer, era o celeiro de onde brotavam nomes como Katsbarnea, Praise Machine, Brother Simion e muitos outros nomes.

E por qual motivo hoje a música gospel está tão carente de novidades no pop rock? Longe de querer trazer uma definição pétrea sobre esse fenômeno, me arrisco a dizer que o rock gospel foi simplesmente “atropelado” pelo pop rock congregacional que saiu da Austrália e simplesmente tomou de assalto as praias, cidades e interiores deste nosso país. A influência do Hillsong e do próprio rock inglês defendido entre outros pela rapaziada do ColdPlay simplesmente transformou o espírito roqueiro em algo muito mais leve e contemplativo.

O efeito desta influência foi devastador porque simplesmente não houve uma fusão de estilos, mas sim um transformação radical do pop rock gospel renegando todas as demais vertentes musicais. Hoje, seguramente posso apontar pouquíssimos nomes como os verdadeiros bastiões do puro rock gospel tupiniquim, pois o que vemos hoje em grande parte é um mix de louvor congregacional com guitarras distorcidas e postura de roqueiro de shopping center com muitas caras, bocas e gritinhos de júbilo.

Com a mudança da indústria fonográfica dos últimos anos o processo de contratação tornou-se algo cada vez mais criterioso. Atualmente há menos gravadoras dispostas a “fazer” um artista novato, pois os riscos são enormes e os investimentos maiores ainda. As rádios de programação evangélica também têm uma parcela de participação por este rareamento de bandas pop rock por terem limitado ao máximo este estilo em suas playlist e priorizando cada vez mais os hits pentecostais e os mantras de adoração e louvor. Mas efetivamente creio que o maior responsável pelo pop rock entrar na categoria de “extinção” são justamente os músicos que há muito tempo não trazem algo verdadeiramente diferenciado, inovador e que tenha apelo popular.

Já imagino os e-mails, comentários e tweets que receberei de bandas de garagem gospel pleiteando por um espaço no radar das gravadoras. Deus me acuda! É óbvio que há bandas fazendo algo interessante nesse país continental, mas mesmo um profissional super antenado como este que vos escreve, sente a escassez de algo interessante no pop rock cristão no país. E para finalizar, já que em mais alguns minutos estaremos em procedimento de descida na capital goiana, quero incentivar a você que pretende levar mais a sério a carreira artística e curte pop rock ou qualquer outra ramificação do rock, busque referências e não torne-se uma cópia! E quero deixar claro que buscar referências quer dizer ouvir de tudo, mas é tudo mesmo! Não importa se é rock inglês, dinamarquês, argentino, japonês, ianque, brasileiro … amplie seu conhecimento musical! Ainda mais agora com a popularização da informação pela web, só vive isolado na oca global quem quer!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, incentivador das diversas manifestações culturais e alguém que até hoje curte o LP “Brothers in Arms” do Dire Straights lançado no século passado. Também figura na minha lista de CDs antológicos, o álbum “Ainda Não é o Último” da Banda Resgate.

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.

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