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Jeferson Baick

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Não foram uma ou duas vezes que falamos aqui sobre o advento da música digital, em outras tantas vezes afirmávamos que não se tratava de uma tendência mas de uma realidade. Ontem no final da tarde o portal UOL publicou uma interessante matéria direto da 50ª edição do Mercado Internacional do Disco e da Edição Musical ratificando isso.

Segue a matéria na integra, vale a pena conferir!

 

Serviços de streaming impõem uma nova era na indústria fonográfica

Javier Herrero | Cannes (França)

O streaming chegou para ficar. Após empurrar em 2015 a indústria musical a seu primeiro crescimento significativo em 20 anos, com uma alta de 3,2%, o modelo de negócio em torno da venda de CDs se dilui para se adaptar rapidamente às formas e rotinas de uma inédita era digital.

“Criar música é cada vez mais barato e acessível e isso vai fazer com que no futuro haja mais artistas vivendo da música, em um mercado em crescimento”, previu Íñigo Zabala, presidente da Warner Music para a América Latina.

As declarações de Zabala foram feitas durante a 50ª edição do Mercado Internacional do Disco e da Edição Musical (MIDEM), que termina nesta segunda-feira em Cannes (França), após reunir mais de quatro mil participantes de 85 países, segundo números da organização.

Com as mais “democráticas” vias de acesso à música de serviços, como Spotify, Deezer e YouTube, esse universo significa maior concorrência e maior necessidade de aparecer.

“As plataformas de streaming não são caixas mágicas onde se posta uma canção e senta esperando que as pessoas as reproduzam”, disse um dos conferentes do MIDEM, Rami Zeidan, diretor de um desses serviços no Oriente Médio, Anghami.

Toda reprodução conta. A Associação da Indústria de Gravação da América (RIAA) determinou que 150 escutas ou visualizações de uma música equivalem a um download. Dessa forma, qualquer faixa reproduzida 300 vezes por uma mesma pessoa equivaleria a ter sido comprada duas vezes.

Nesse sistema, o usuário paga o mesmo e a indústria recebe um reembolso potencialmente maior em relação ao modelo tradicional, baseado na compra de CD.

O objetivo, então, passa por alongar pelo maior tempo possível a vida de uma música e pela revitalização do catálogos de uma gravadora, que neste tipo de serviços tem mais presença que as novidades (70%).

Para isso, é importante “estabelecer a marca do artista e envolver o maior número de fãs a um artista em uma conexão constante”, analisou Zabala.

Dos dados resultantes de cada escuta (“big data”) é possível ter um melhor conhecimento do “que as pessoas gostam”. Um algoritmo se revela assim capaz de propor ao usuário músicas similares.

Na busca por reproduções também têm relevância especial as playlists, isto é, listas de músicas montadas pelos usuários, algumas apoiadas por suas próprias plataformas de streaming.

Entrar em uma lista de sucesso muito seguida pelos usuários pode representar um salto de “8 reproduções diárias para 24 mil”, como explicou outro palestrante, James Farrelly, da Believe Digital, sobre a evolução de uma música que conseguiu entrar na seleção oficial de novidades emergentes do Spotify.

“As estrelas de hoje vão viver com maior nível de exigência do que as de 10 anos atrás. Antes era lançado um álbum a cada dois anos, fazia-se uma turnê e descansava-se antes de voltar a começar. Agora é preciso concorrer constantemente e os hits, que ultrapassam fronteiras com maior facilidade, podem vir de qualquer lugar”, ressaltou Zabala.

Este tipo de escuta tão fragmentada representa uma aposta por um mercado de simples. “O álbum não desaparecerá, mas deve chegar como uma experiência nova e integral, como um novo conceito; não fará sentido como uma mera soma de canções”, opinou o diretor da Warner Music.

Neste sentido, cabe destacar o último disco de Beyoncé, “Lemonade”, no qual ao longo de seu repertório narra a experiência (própria) da infidelidade, passando pela suspeita, a confirmação e a resolução final do conflito de casal.

Este álbum foi lançado em primeiro lugar exclusivamente através do Tidal. Com esta estratégia, conseguiu recrutar 1,2 milhão de novos inscritos para este serviço de streaming do qual o marido da cantora, Jay-Z, é sócio.

Outros seguiram os passos de Beyoncé assinando contratos de lançamento exclusivos, como Drake, um tremendo trunfo com 32 milhões de seguidores mensais no Spotify. Enquanto isso, músicos como os da banda Radiohead continuam a se mostrar contra o que consideram uma baixa compensação pelas reproduções de suas músicas.

“É um erro. O povo se pronunciou. O streaming veio para ficar e vai ser a forma de levar a música às pessoas no futuro”, acredita Zabala sobre “um negócio potencialmente enorme, muito eficiente em distribuição, mas ainda muito menor do que tínhamos antes”.

 

Fonte: UOL Música | Link da Matéria 

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Insights para temas das postagens surgem das mais variadas situações. Aqui mesmo no blog, o Mauricio Soares conta frequentemente de situações inusitadas que trazem ideias para temas que posteriormente são publicados.

Ontem vivi isso “pescoçando” (termo gaúcho para espiando) o Facebook. Em meio a tantas e tantas postagens do Dia das Mães vi um vídeo completamente fora do contexto que me chamou a atenção, tratava-se de uma apresentação da linha de montagem das guitarras Gibson. O vídeo muito bem produzido, obviamente ao bom som de guitarras, apresentava a linha de produção da Gibson desde a seleção das chapas de madeira que construíam o corpo e braço das guitarras, até a exposição do produto. Realmente muito bacana ter uma noção de como é o processo construtivo em série de uma guitarra.

Agora você pode estar pensando que esta postagem tem por objetivo vender guitarra. Lhe garanto que não, já vamos chegar em nosso tema.

Penso que quando Orville Gibson, um luthier da pequena cidade de Kalamazoo, localizada no estado americano de Michigan, em 1902, fundou sua empresa, ele queria fazer história, deixar seu nome marcado como empresário e empreendedor.

Agora sim! Agora você deve estar certo que essa postagem vai tratar de dicas empresariais, empreendedorismo ou mesmo de administração. Mas não, não é isso também.

Antes de chegar no tema quero falar sobre o antônimo dele, que são dois transtornos, se é que se pode chamar assim, dos quais devemos fugir em qualquer âmbito de nossas vidas, mas infelizmente, são frequentes no meio artístico, inclusive no cristão, são: a megalomania e o narcisismo. A primeira vista podem parecer a mesma coisa mas são diferentes, de acordo com Bertrand Russell, a megalomania pode ser facilmente distinguida do narcisismo “O megalomaníaco se difere do narcisista pelo fato de que pretende ser poderoso ao invés de charmoso; temido ao invés de amado”.

Agora que temos isso bem claro podemos finalmente entrar em nosso tema: Legado.

Legado é uma palavra que tem sido muito usada nesses últimos tempos, mas pouco colocada em prática.

No meio artístico manter-se distante da megalomania e do narcisismo é um desafio e tanto, requer não só consciência de que isso é uma cilada para carreira, como para a vida pessoal e espiritual do artista. Fatos recentemente nos mostraram artistas que não estavam atentos a isso e foram do topo ao fundo do poço em pouco tempo.

Em Colossenses 1:16 lemos: “que porquanto Nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos ou dominações, sejam governos ou poderes, tudo foi criado por Ele e para Ele.” Se vivermos isso de forma verdadeira, estaremos livres do risco da megalomania e do narcisismo, pois entenderemos que temos e onde chegamos é para glória Dele, mas isso ainda não garante que vamos deixar um legado.

Para isso volto a Orville Gibson, qual seria a motivação do jovem luthier? Creio que desejos de fama e poder não eram. Quem constrói uma empresa com intenção de posicioná-la como referência mercadológica tem visão no futuro e quer sim deixar um legado. Isso não é construído de um dia para outro, requer dedicação, cuidado com a qualidade do seu produto/trabalho e principalmente, desprendimento, pois quem quer deixar um legado tem que estar ciente de que algumas vezes, não serão eles, mas seus sucessores que colherão os frutos de seu empenho.

Na música isso não é diferente. Você tem que ter ciência de que suas interpretações, composições e letras vão influenciar pessoas, posicionamentos, ações, decisões e outros tantos aspectos. Seu trabalho sairá do alcance de seus olhos, passará a ocupar o dia a dia das pessoas, entrará em seus carros, casas, igrejas, playlists e tantos outros lugares, ou seja, a responsabilidade do que fazemos hoje impacta o amanhã, isso é um legado.

Se fizermos nosso trabalho por Ele, para Ele e estivermos preocupados em fugir da megalomania e narcisismo e ainda preocupados em deixar um legado de real valor, posso garantir que teremos o trabalho mais feliz do mundo e os frutos certamente aparecerão.

Lembre-se de o músico é um influenciador, é gerador de opinião e, quer queira quer não, é uma referencia para quem acompanha seu trabalho e portanto, tem responsabilidades sobre tudo que faz.

 

Jeferson Baick, publicitário, empreendedor e que vive no constante desafio de deixar um legado de valor, ainda mais agora que será pai de gêmeos! Hoje especialmente feliz com o legado do hexacampeão gaúcho Spot Clube Internacional.

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Depois de uma semana intensa de textos produzidos em série, dei-me as devidas férias não só para descansar a mente, mas principalmente para selecionar alguns temas realmente relevantes para o blog. Depois de mais de 8 anos escrevendo para o Observatório Cristão é natural que tenhamos um pouco mais de dificuldade em trazer assuntos novos, ainda não abordados ou mesmo com uma dinâmica diferente de tudo o que já foi postado por aqui. De vez em quando me permito voltar a um determinado assunto já publicado por entender que há algo novo a se dizer, mas confesso que cada dia que passa fica bem mais difícil atender à demanda dos 66 leitores do blog.

Entre um e outro vôo procuro aproveitar meu tempo ocioso para atualizar os textos e ideias. Hoje começo este texto tentando embarcar no avião rumo à cidade de Goiânia onde participarei mais à noite de um pocket talk show com a participação do amigo Leonardo Gonçalves. Por questões metereológicas meu vôo já está com mais de 1h30 de atraso, aeroporto fechado, sem previsão de retomada do tráfego, saguão abarrotado de gente, enfim, o cenário (quase) ideal para escrever mais um post … e é nesse clima que eu gostaria de falar sobre um assunto que passa desapercebido de muita gente.

Dias atrás num almoço com colegas de trabalho, surgiu o nome de um determinado pastor. A pessoa que trouxe este assunto à mesa era membro da igreja dirigida por aquele pastor. Em meio a elogios e comentários positivos sobre sua postura como líder, uma característica especial se destacou entre tantas, a de que ele era muito, mas muito direto com a questão do dízimo. No discurso daquele pastor quem não ‘pagava’ o dízimo não teria direito a usufruir do conforto da sua igreja. A palavra era bastante forte e às vezes até meio agressiva. Não vou ater-me ao mérito desta questão, mas sim no comentário feito em seguida sobre este mesmo pastor. A colega de trabalho destacava que ele costumava levar vários cantores em suas reuniões, gente com uma proposta até bastante diferenciada, o que criava uma imagem de que aquele pastor curtia um som inovador, inteligente, criativo, fora dos lugares comuns. Até aí, tudo tranquilo, o problema veio na sequência quando a colega enfaticamente disse que o pastor não admitia pagar cachê aos artistas. Se eles quisessem tocar na igreja dele deveriam fazer isso de modo voluntário ou no máximo à custa de venda de CDs e DVDs.

Confesso que não estava tão atento à conversa naquele momento até que este fato me chamou a atenção com um misto de incompreensão e susto. Como o discurso daquele pastor que não aceita pessoas que não pagam pelo ar condicionado, pelas poltronas ou mesmo da oportunidade de ouvir uma pregação mantinha a coerência recebendo em sua igreja artistas sem querer remunerá-los por isso? Me parece no mínimo contraditória esta posição, ou não?

Não! Este texto não será sobre o batido, cansado e chaaaaaaaato assunto sobre se artista gospel deve ou não receber cachês. Nada disso! Apenas peguei esse fato acima para corroborar e pintar com cores mais vivas sobre o verdadeiro assunto que passo a discorrer nas próximas linhas, concentrado também no sistema de alto falantes do aeroporto esperando ser convidado ao meu vôo.

Boa parte dos pastores vive do salário de sua igreja. Outros tantos mantêm um trabalho ‘convencional’ em paralelo. Alguns complementam seus ganhos com a venda de livros, palestras, congressos, ofertas, entre outras coisas.Já os artistas vivem da venda de shows, apresentações em igrejas, da venda de discos (e mais recentemente de vendas digitais), camisetas, bijouterias e muitas outras fontes de receita. E o compositor vive de qual receita? Basicamente os compositores vivem do percentual pago sobre a vendagem dos discos (físico e digital), isto no caso de autores com músicas gravadas por artistas vinculados a gravadoras (sérias!). Quando as músicas são gravadas por artistas independentes e algumas gravadoras (não tão sérias!), os compositores optam por receber um valor fixo adiantado. Vale ressaltar que uma música NUNCA é de fato vendida, pois a propriedade autoral é um bem inalienável, ou seja, jamais pode ser de fato transferido para um terceiro. Não por vias normais, é claro!

Outra fonte de receita dos compositores é proveniente da execução, ou seja, rádios, programas de TV e mais recentemente plataformas digitais, repassam aos compositores a parte que lhes cabe nesse enorme latifúndio. E aqui vale mais um adendo importante, pesquisando atentamente nos últimos meses sobre as mídias do segmento evangélico que recolhem o ECAD corretamente, a constatação estarrecedora é de que a imensa maioria das emissoras simplesmente se recusa a pagar o que se refere à execução. Simplesmente não pagam e fica tudo como está. O mais absurdo nesta história é que algumas destas emissoras são vinculadas a grandes igrejas, usam suas programações para pedir oferta 24 horas por dia e, absurdo dos absurdos, cobram dos artistas para que músicas sejam veiculadas na playlist. Ou seja, não só não pagam a quem de direito, como penalizam duplamente ao cobrar dos artistas pela execução.

Além da execução fonomecânica, os compositores também recebem percentuais pela apresentação de suas músicas em shows ao vivo. Qualquer evento, seja gratuito ou ingressado, que não seja realizado nas dependências de alguns ambientes específicos, tais como igrejas, templos ou afins, são obrigados a recolher uma taxa ao ECAD. Este valor será repassado posteriormente às associações e no fim chegará ao compositor, podendo ainda passar por uma publisher, caso o autor tenha este vínculo.

Em suma, diferentemente de boa parte dos trabalhadores, a classe de compositores não recebe seus rendimentos de forma direta e padronizada como qualquer empregado ao fim do mês. Independente do canal, o compositor sempre receberá um percentual, sobre fontes variáveis e basicamente em intervalos trimestrais. Ou seja, este profissional precisa ser muito produtivo, ter controle de seu dia a dia e não pode simplesmente abrir mão de determinadas receitas. Pois é justamente neste ponto que eu gostaria de escrever mais algumas linhas ‘aproveitando’ que meu vôo já ultrapassa atraso de mais de 2h30.

É meio que prática usual junto aos promotores de shows no meio gospel a solicitação para que autores simplesmente abram mão de receber seus direitos. Desde que me entendo como gente no mundinho gospel recebo solicitações desesperadas de pastores, promotores de eventos – geralmente faltando poucos dias para o evento – pedindo pela cessão de direitos autorais. Confesso que não entendo a lógica neste tipo de pedido, afinal a empresa que monta o palco recebe pelos serviços, o mesmo acontece com a empresa de sonorização, a agência que emite as passagens aéreas, os seguranças, a empresa de catering, as mídias que divulgam o evento, os artistas que irão se apresentar no palco … e muitas das vezes, o promotor do show sairá com uma bolsa recheada de dinheiro, fruto de seu tempo, esforço e dedicação. Ou seja, é lícito que toda a cadeia de envolvidos no processo seja devidamente remunerada por seus respectivos serviços.

Então por que o compositor, que é onde todo o sucesso começa, não merece participar do processo sendo remunerado de forma correta, profissional e ética?

A indagação é tão clara que não me sinto impulsionado a escrever mais tantas linhas na sequência. Os nossos 66 leitores já entenderam perfeitamente o objetivo central deste texto. Precisamos ser mais atentos a tudo que nos cerca, aos detalhes. Não podemos simplesmente reproduzir o que vem acontecendo nos últimos anos. É necessário analisar as questões por todos os ângulos e contemplando todas as pessoas envolvidas. Lembre-se que a regra básica e saudável de todo bom negócio é quando todos saem ganhando. Simples assim! E nesta mudança de hábito, a participação de artistas e gravadoras opondo-se a esta prática é fundamental! Não dá para deixar a classe de compositores sozinha figurando como vilã ao dizer ‘não’ a este tipo de solicitação. É importante que se tenha em mente de que todos são merecedores de receber por seu tempo, talento e dedicação.

Finalizo este texto já no saguão do aeroporto retornando para o Rio de Janeiro após uma noite especial participando do evento Encontro com a Voz FM, uma bela iniciativa que em 2016 iremos reproduzir em outras cidades do país.

Enjoy!

 

Mauricio Soares, jornalista, publicitário, contando os dias para entrar em férias com toda a família.

Já estamos caminhando para o nono ano de atividades no Observatório Cristão. Por aqui tivemos muitos textos relevantes, outros nem tanto, muita informação, algumas projeções que tornaram-se realidade tempos depois, muito humor, dicas, críticas. Enfim, de tudo um pouco. O que me motiva a reservar um tempo de meu dia a dia para dividir minhas experiências, conhecimento e observações é a sensação prazerosa de poder contribuir aos nossos 66 leitores com um melhor entendimento do que nos cerca no meio artístico, fonográfico e religioso. O dia em que eu sentir que minha contribuição já não é mais tão importante, da mesma forma com que surgi, certamente irei sumir, sem deixar muitas explicações ou explicações.

O texto que escrevo neste momento já foi iniciado, interrompido e abortado, pelo menos umas 6 ou 7 vezes nas últimas 3 semanas. O tema esteve claro à minha mente por estes dias, mas o desenrolar do texto não seguiu a mesma tendência e por isso, travei … não consegui concluir a tarefa com a qualidade que me auto-imponho como padrão do blog. Então, mais uma vez tentarei tecer algumas linhas que falem sobre MOTIVAÇÃO. Espero que consiga chegar ao fim com a satisfação de ter entregue algo de valor aos meus seletos ‘observadores’.

Dias atrás conversei com um artista do meio gospel. O jovem tem uma agenda intensa de apresentações em igrejas, shows, congressos. Em meio a uma ou outra viagem, pausas para atender mídias, gravar vinhetas, atender pessoas. A rotina é intensa e estafante. Ele me conta sobre alguns casos engraçados entre tantas viagens, alguns outros ‘perrengues’ como viagens em monomotores, estradas de terra e coisas do tipo. A sua aparência é de alguém no limite do cansaço e da estafa, no entanto, em nenhum momento ouço queixas de sua parte pela rotina massacrante dos últimos dias. Pelo contrário, só ouço comentários efusivos de sua parte e relatos emocionados do que Deus tem feito através de sua vida. Acho interessante porque um dos indicadores do resultado de seu trabalho não é a quantidade de pessoas em seus eventos, mas sim, o número de testemunhos e conversões em cada evento. E engana-se quem imagina que este referido artista seja um destes jovens iniciantes, cheios do primeiro amor, de idealismo e expectativas. Estou falando de uma pessoa com muitos prêmios, com grandes sucessos, com agenda intensa, uma carreira sólida e de credibilidade.

Também recentemente conversei com outro artista e ele me relatava a mesma experiência, ou seja, agenda cheia, muitos compromissos, muitas entrevistas, participação em programas de TV, muito trabalho. A diferença consistia nos comentários pessoais sobre toda esta rotina. Em vez de comemorar as conquistas, o cantor apenas reclamava de que estava no limite, de que em algumas vezes o valor do cachê não fora suficiente para suas expectativas, de que o tempo de deslocamento para algumas apresentações era enorme e por esta toada seguia numa lamentação sem fim até que num determinado momento começou a reclamar da obrigação de ter que ficar tirando foto com todos que o pediam por uma selfie. Ouvi aquilo tudo com um misto de tristeza e decepção por constatar in loco o quanto aquele jovem artista estava distante da real motivação de um artista cristão

A carreira artística por si só não é fácil. Sempre me assustei com a ideia de repetir um mesmo roteiro por 1, 2 até 3 anos inteiros. É exatamente isso o que acontece com o artista. Ele repete um mesmo repertório por loooooooooongos meses até que o substitua por outras canções. Há artistas que interpretam a mesma música por décadas e são reconhecidos por isso. Eu não consigo me ver nesta situação, tendo que repetir-me inúmeras vezes com o mesmo script. Além disso, o artista é obrigado a conviver com deslocamentos constantes por aeroportos nada confortáveis, vôos com horários tresloucados, conexões desconexas, atrasos sistemáticos, bagagens extraviadas e por aí vai. Tem ainda a questão de dormir fora de casa enfrentando desde hotéis 5 estrelas a quartos/pousadas de beira de estrada, passando ainda a casas de irmãos (já passei por isso e vivenciei coisas inimagináveis) e outras roubadas.

Já a questão gastronômica é um capítulo à parte. Nos meus tempos de integrante de um grupo musical já fomos agraciados com cachorro quente de carne moída após horas e horas de viagem, macarrão sem molho, refrigerante quente, estrogonofe de batata palha, entre outras iguarias. Não são raras as vezes em que o artista vai jantar após um evento já pela madrugada tendo que seguir viagem apenas poucas horas depois. Em suma, a vida artística é uma sucessão de experiências inusitadas e poucos são aqueles que podem chegar a um determinado momento em que podem decidir excluir-se de toda e qualquer agenda mais arriscada. No geral, é uma vida de sacrifício e muita dedicação.

A grande questão é: como encarar a carreira artística, em especial, no meio cristão? Se for só pela grana, arrisco a dizer que assim como no futebol onde temos craques como Neymar, Ronaldo, Kaká, entre outros vivendo muito bem, a verdadeira realidade é que a esmagadora maioria dos atletas vive com no máximo 2 salários mínimos. O glamour da vida artística não condiz com a realidade de boa parte dos cantores e cantoras, seja no meio secular como também no segmento religioso. Então, se a sua expectativa e principal motivação para ingressar no universo artístico for uma estabilidade financeira, arrisco a dizer que você pode estar seguindo uma trajetória perigosa e que no futuro traga frustrações e problemas maiores.

Um artista cristão deve antes de tudo ter uma motivação clara e dela não se afastar um único instante. A principal motivação de um artista religioso deve ser que ele seja um instrumento para que a Palavra de Deus seja pregada ao maior número de pessoas. Este é o ponto! Qualquer coisa diferente disso certamente estará fora do foco do que Deus quer para a vida e ministério de um artista cristão. Tudo o mais será resultado desta motivação e em nenhum momento, por mais benefícios que possa alcançar, nada será mais valoroso do que ver o resultado de todo seu esforço atingindo e transformando vidas. A motivação de um artista cristão jamais deve ser o reconhecimento pessoal, jamais deve ser a remuneração financeira (que virá naturalmente pela qualidade do trabalho), jamais deve ser a visualização e reconhecimento de seu próprio trabalho. Antes de qualquer outra questão, a motivação deve ser o próximo e a mensagem libertadora e transformadora de Cristo. Todo é resto será sempre o resto, nada mais do que o resto.

Minha palavra de hoje é de que todos possam reavaliar suas reais motivações, metas e objetivos. Se o EU estiver à frente de qualquer uma destas motivações, é hora de rever seus conceitos. Se o PRÓXIMO estiver à frente das motivações, tudo indica que esteja no caminho certo. Infelizmente, vivendo neste mundo artístico por tantos anos, já tive que lidar com situações absurdas onde o EU imperou por inúmeras vezes causando desapontamentos e decepções homéricas. E este texto não foca somente nos artistas cristãos, mas para qualquer pessoa, em diferentes áreas de atuação, pois a mensagem de Deus é clara e abrangente, não- excludente, democrática, ampla, geral e irrestrita.

Ainda dá tempo de mudar suas motivações. Pense nisso!

 

Mauricio Soares, jornalista, publicitário, blogueiro.