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Mauricio Soares

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Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.

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Recebi hoje esta matéria publicada pela Nielsen, importante instituto de pesquisa de consumo e resolvi traduzi-la e publicar para nossos 69 leitores. O crescimento do consumo de música através das plataformas de streaming segue num ritmo intenso e no Brasil, em especial, os números crescem vertiginosamente. Vamos à matéria:

Demanda de streaming tem resultado recorde

Os streamings de áudio atingiram mais de 184 bilhões até o momento em 2017, um aumento considerável de 62,4% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com o relatório Nielsen’s Mid-Year 2017.

Enquanto isso, os streamings de áudio e vídeo superaram os 284 bilhões este ano, um aumento de 36,4% em relação ao mesmo período de 2016. No entanto, houve uma diminuição nas vendas de álbuns (-18,3%), álbuns + TEA (Títulos de álbuns equivalentes) (-19,9%), vendas de álbuns digitais (-19,9%) e venda de álbuns físicos (-17%), destacando os hábitos de escuta do consumidor e o foco da indústria em lançamentos únicos.

O lançamento do álbum de Ed Sheeran em 3 de março deste ano pode ter contribuído para o aumento das transmissões de streams semanais para a semana que terminou em 9 de março e que superou 7 bilhões pela primeira vez na “Shape of You” de Sheeran dos EUA. É a música mais transmitida de 2017 até o momento, com 690 milhões streams até a data, incluindo 354 milhões de streams de áudio e 336 milhões em vídeo. É também a música com as vendas de trilhas mais digitais: mais de dois milhões até agora este ano.

“No primeiro semestre de 2017, tivemos alguns novos benchmarks incríveis para a indústria da música”, disse Dave Bakula, SVP Insights, Nielsen Music. “A rápida adoção de plataformas de streaming pelos consumidores gerou engajamento com música em uma escala que nunca antes vimos”.

Fluxos de músicas dos EUA de meio ano 2017

O lançamento de Drake de “More Life”, em 18 de março, também estabeleceu um recorde de streams de áudio em uma semana com 385 milhões de execuções, superando o recorde anterior de seu álbum de 2016, “Views”, que registrou 245 milhões de streams em sua primeira semana.

A maior música no meio do ano, em termos de atividade total (vendas e equivalentes de transmissão de áudio combinados), é “Shape of You” de Ed Sheeran, com 361 milhões. A faixa também toca os gráficos de vendas de músicas digitais, com mais de 2 milhões até agora este ano.

Nota do blog: acompanho semanalmente a performance dos artistas de nosso segmento em termos de número de ouvintes/streams e é notório o crescimento de artistas que estão focados neste novo formato de consumo de música. O crescimento recente de artistas como Os Arrais, Gabriela Rocha, Priscilla Alcântara é uma prova incontestável do sucesso do binômio foco e ação.

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O vôo de volta para casa após dias e dias em Fortaleza por ocasião da Expo Evangélica está sendo bastante longo e produtivo. Como estou optando em não capotar de sono … vou distraindo-me escrevendo novos posts, finalizando outros conteúdos e trabalhando, respondendo aos e-mails que acumularam em minha caixa postal por estes dias.

Enquanto escrevo, vou acompanhando minha playlist com canções selecionadas no mais apurado critério. Leonardo Gonçalves, Gabriela Rocha, Deise Jacinto, Os Arrais, André e Felipe, Estêvão Queiroga, Kemuel, Seo Fernandes … e por aí vai … só música de excelência!

Como sempre comento, tenho algumas décadas de experiência no mercado cristão. Participei de dezenas e dezenas de feiras ao longo destes anos. Tenho um carinho muito especial pela Expo Evangélica de Fortaleza por alguns motivos. Em primeiro lugar pela forma incrível que o idealizador, Francisco Ewerton (fala-se Evééééérton, no dialeto cearês!) e sua família nos recebe a cada ano. Estou pra conhecer uma família tão unida, coesa, comprometida, acolhedora e agradável. Nota 1000! Em segundo lugar, a Expo já está no calendário oficial do segmento gospel. Tanto as principais empresas, como principalmente os próprios artistas e mídias já se programam por todo o ano para marcar presença no mês de julho em Fortaleza. Os resultados também são incríveis. Especialmente para os artistas, a Expo é uma oportunidade de receber o carinho do público, divulgar seus projetos nas mídias do segmento e seculares, estar mais perto dos outros artistas, fazer apresentações nos mais variados palcos do evento e de fato, trabalhar muito, mas divertindo-se na mesma proporção. No meu caso, a Expo Evangélica é um grande trabalho de branding, de posicionamento da marca Sony Music perante à mídia e ao público. Conseguimos ao longo dos dias reforçar a relevância da empresa no segmento trazendo o conceito de qualidade, simpatia, inovação e presença, isto é fato!

Nesta edição de 2017 quero destacar alguns fatos que certamente entrarão para a história da Expo Evangélica de Fortaleza. Vamos aos nomes e fatos …

A grande revelação. Sem dúvida alguma, se houve alguém que chegou sem qualquer expectativa à capital cearense, esta pessoa atende pelo nome de Séo Fernandes. O baiano boa-praça, com seus dreads na cabeça, suas batas coloridas, sua linguagem mansa e cantada, foi a grande revelação da décima-segunda edição da Expo Evangélica. Com apenas 2 apresentações no palco principal do evento, o baiano conquistou a atenção de todo mundo. Na primeira oportunidade, Séo e sua banda pra lá de competente, em apenas 2 canções tomou de assalto o pavilhão do Centro de Eventos do Ceará e colocou todo mundo para cantar a plenos pulmões … “Graça, uhuuuu … abundante graça …”, daí em diante nada mais foi o mesmo! As pessoas ficaram completamente hipnotizadas pelo gestual, pelas danças, pela intensidade do show de Graça, Tambor e Cordas, nome do álbum de estréia do artista baiano. Já no dia seguinte, uma apresentação mais completa com 30 minutos de duração que transformou o ambiente por completo. Comentário mais ouvido pelos bastidores: O Séo teve o público nas mãos e poderia fazer um show de 1 hora e meia e ninguém sairia reclamando! Quanta pressão! Quanta qualidade! Que banda é essa hein!?!?! De fato, neste ano, o nome mais comentado, mais aclamado, foi o de Séo Fernandes. Do meu ponto de vista, estamos diante de um novo artista a integrar o primeiro time do mainstream gospel. É uma questão de tempo, não mais do que 1 ano e Séo Fernandes será reconhecido nacionalmente, não somente por sua música, qualidade, mas também pelo conteúdo teológico que possui. A Bahia sempre nos reservando boas surpresas! Aba Paêêêê …

O grande destaque. Ela trabalhou como ninguém. Se tinha uma entrevista, mesmo que tendo que sair do hotel às 5h20, a incansável estava sorridente, feliz e muito bem disposta. Sem dúvida, foi quem mais teve a imagem vinculada à Expo Evangélica em 2017. Quem mais atendeu mídias, quem mais fez selfies, mais participou das ações de promoção e divulgação. Estou falando de Priscilla Alcântara, jovem estrela de popularidade além do segmento gospel. Por onde ela passou, gerou atenção de jovens, meninos, meninas, adultos, crianças … é impressionante o carisma desta artista! No palco principal, foi a única a apresentar-se durante todos os dias, arrebatando o público com toda a intensidade. Ao longo destes anos trabalhando no meio gospel, tive oportunidade de trabalhar com inúmeros artistas, alguns dos mais relevantes do segmento. Posso assegurar que poucos foram os artistas que deram tanto prazer em estar junto trabalhando como a Pri (como a chamo carinhosamente!) … ela ainda vai longe! E além de tudo isso, possui uma fluência de raciocínio impressionante! Suas entrevistas são sempre bastante profundas e rendem bastante (dependendo do jornalista é claro!). Pequena notável!

O momento mais emocionante. Uma música que atingiu mais de 100 milhões de views e que foi a mais executada nas rádios do segmento no Brasil em 2016. Este é o resultado de “Ninguém Explica Deus” em pouco mais de 1 ano e meio de lançamento. A música é um hit e nada mais natural que ao longo do tempo, chegue a um nível de saturação junto ao público, justamente pelo seu próprio sucesso. Pois com esta canção tudo é diferente. Na primeira apresentação do Preto no Branco em versão reduzida, apenas Wesley e Clóvis Pinho, no palco principal da Expo Evangélica, já nos primeiros acordes de “Ninguém Explica” o público veio ao delírio e cantou sozinho toda a música. Ou como disse o Clóvis, o público ‘tirou a música da boca do artista e assumiu a apresentação’ … o próprio compositor e intérprete, Clóvis Pinho, não segurou a emoção e desabou a chorar por boa parte da música. Para quem já cantou esta música incontáveis vezes é muito natural que as coisas sigam mais ‘no automático’, mas isso de fato não aconteceu em Fortaleza. Pra completar, no dia seguinte, novamente o PNB subiu ao palco e por uma sugestão minha, desta vez com Priscilla Alcântara para fazer parte do dueto em “Ninguém Explica”, mais uma vez o público foi ao delírio! A química entre os três foi fantástica e já motivou um novo encontro programado para um projeto inédito pela frente.

As bizarrices. Mas nem só de grandes momentos viveu a Expo Evangélica … não mesmo! Houve personagens engraçadíssimos, figuraças, pocket shows de vergonha alheia em nível máximo, figurinos de gosto duvidoso, enfim, como em toda aglomeração, sempre há pessoas que se destacam, para o bem ou para o mal. Citando apenas alguns casos em que fui testemunha ocular … não posso deixar de recordar ( na verdade, preferia apagar a imagem da minha mente, mas enfim …) um jovem dançando coreografias desconexas como se tivesse agarrado um cabo de 3.000 volts, o cara saracoteava pra cá … pra lá … num frenesi muito louco, parecia uma lagartixa com a cauda cortada se esperneando … muito engraçado! Também vi um casal de figurino kitsch ao extremo cantando que nem Jane e Herondi (os antigos saberão do que estou falando), um senhor de nome estranho cantando brega num palco de 3 m2 como se estivesse em plena Villa Mix … uma infinidade de forrozeiros com visuais modernos e as indefectíveis cantoras pentecostais com seus trinados frenéticos, atitude intensa e os mesmos arranjos e músicas que falam de inimigos, perseguição, milagres e coisas do tipo … na verdade, acho que uma feira evangélica sem estes personagens não tem a menor graça! Esta turma faz parte do nosso ambiente e em eventos como a Expo, simplesmente são mais reconhecidos e surgem de todos os cantos. Adoro isto!

Silêncio zero! Definitivamente silêncio não faz parte desta feira. Além do carinho, da enorme quantidade de público, artistas e mídias, outra característica marcante da Expo Evangélica é justamente o barulho intenso não somente pela natural aglomeração de milhares de pessoas num espaço fechado, mas principalmente pelos inúmeros pocket shows que acontecem simultaneamente em diferentes stands com mais ou menos estrutura, mas sempre com muito empenho dos artistas preocupados em ‘vender o seu peixe’. Além dos pequenos palcos, há o espaço de principal atenção de toda a feira, o palco principal do evento onde revezam-se todos os artistas principais das gravadoras apoiadoras ao evento.

O público é um show à parte! Outro destaque desta feira é o público. Analisando os comentários dos artistas nas redes sociais, antes, durante e depois do evento, sem exceção, todos elogiaram e agradeceram muito o carinho do povo. E um detalhe sobre este carinho merece registro, o espírito acolhedor e democrático onde há espaço para todos, pequenos, médios, pop stars, ilustres desconhecidos, para todos sobram selfies, abraços, aplausos e atenção. Nota 10 para o público da Expo Evangélica!

Finalizo este texto exatos 7 dias após ter voltado para casa. Durante toda esta semana os vários artistas que por lá estiveram, seguiram relembrando os dias de grande alegria que usufruíram na Expo Evangélica. E pra quem já quer agendar sua presença em 2018, a data já está definida, a próxima acontecerá de 04 a 07 de julho. Nos vemos lá!

Mauricio Soares, jornalista, publicitário e alguém que um dia espera poder curtir as belas praias do Ceará.

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Depois de quase uma semana na maravilhosa capital cearense, começo a escrever este texto já no caminho de retorno para casa. Teremos cerca de 3 horas de viagem pela frente e como prefiro aproveitar este momento para torná-lo produtivo, resolvi trocar o descanso por algum tempo de atualização dos textos do blog. Há fases em que começo vários textos de diferentes temas e assuntos e, por algum bloqueio inconsciente, não os concluo em definitivo. Os textos vão sendo digitalmente engavetados até que num momento qualquer possam ser devidamente concluídos (ou não!) um a um. Nestes últimos dias iniciei 4 textos, sem que um único sequer chegue ao processo definitivo e posterior publicação por aqui. Vamos esperar que com este seja diferente! Esta é a minha torcida neste momento.

Esta foi a décima segunda edição da Expo Evangélica em Fortaleza. Participo como apoiador desde a primeira edição e, confesso, orgulho-me profundamente por isto. Na verdade, tenho um idealismo que me impulsiona a apoiar diferentes iniciativas que fomentem o mercado cristão, seja através de feiras como esta ou mesmo shows, festivais e eventos do tipo. Creio que nas últimas 4 ou 5 edições eu tenha não só apoiado à Expo, mas também marcado presença fisicamente. A experiência de estar lado a lado com os artistas atendendo ao público, às mídias, entrevistas, demandas e mesmo nos momentos de confraternização com artistas e amigos, é algo que nos revitaliza bastante! Por mais que sejam dias e dias de horas mal dormidas, cansaço extremo, deslocamentos constantes e uma agenda frenética, a verdade é que isto tudo é muito bom!

Na edição 2017 da Expo tive várias experiências muito marcantes. Em primeiro lugar eu gostaria de destacar como definitivamente a “chave” do digital foi virada, não somente entre as gravadoras, mas também entre os artistas, mídias e o próprio público. O cantor-amigo-pagodeiro-boa-praça Waguinho, em meio à sua apresentação no palco principal perguntou ao público sobre quantos ali já tinham aplicativos de áudio streaming e, para minha surpresa, cerca de 60% das pessoas levantaram efusivamente as mãos. Confesso que no primeiro momento me surpreendi pela resposta do povo … mas analisando melhor o perfil daqueles presentes, posso arriscar dizer que a imensa maioria do público era formado por jovens entre 14 a 25 anos, portanto, dentro do perfil nacional de usuários da plataformas digitais. Outro detalhe interessante, esta foi a Expo em que volto para casa sem ter um único CD em minha bagagem. Tudo bem que tenho deixado claro que receber CDs ou DVDs em mãos já não faz parte de meu dia a dia, mas ainda assim, me impressionei como os próprios artistas e postulantes também eliminaram o produto e não levam materiais sequer para promoções, sorteios ou afins. A mídia física simplesmente desapareceu … agora todos os artistas falam de Deezer, Spotify, impulsionamento, redes sociais … isso é uma mudança de comportamento fantástica!

Entre os stands mais movimentados da Expo, sem dúvida, o espaço da Deezer foi dos mais concorridos. A ação de marketing foi perfeita com os artistas revezando-se no pequeno palco e auditório montados na feira. Filas enormes seguiam-se dia a dia na espera de pocket shows de artistas do primeiro time como Novo Som, Daniela Araújo, Kemuel, Seo Fernandes, Preto no Branco, entre outros. Arrisco a dizer que o número de assinantes da Deezer em Fortaleza cresceu significativamente nestes últimos dias. Ainda assim, com todo este crescimento do ambiente digital, tive algumas experiências emblemáticas por estes dias. Entre um e outro papo com amigos, profissionais e artistas, tive a oportunidade de conversar com um mega artista que alcançou o sucesso no mundo secular, músico de primeira linha, inovador, compositor, uma pessoa que viveu o auge do sucesso na indústria da música tempos atrás e que depois de anos converteu-se e seguiu firme e forte na música, só que desta vez como artista cristão. Conversamos longamente sobre este novo momento da música e todas as novas demandas. Ele me perguntou se seria difícil entrar para o cast da minha gravadora, mesmo que para uma simples distribuição digital … imediatamente respondi que o processo para ele seria extremamente simples, mas que ele próprio precisaria fazer alguns ajustes adaptando-se a este novo cenário digital. De forma direta perguntei-o sobre qual plataforma digital ele costumava usar … silêncio absoluto … 5, 6, 7 … 10 segundos … percebi que ele não estava entendendo muito o que eu estava questionando naquele momento e pra facilitar sua compreensão, resolvi ajudar … “Deezer?” … “Spotify?”… qual é a plataforma que você usa? – repeti mais uma vez. O silêncio da morte se prolongou mais alguns segundos e depois de minha cara de susto, ele respondeu: nenhuma!

Resumindo esta história, orientei-o sobre antes de mais nada a ser usuário de alguma destas plataformas. Na verdade, eu fui mais além, peguei seu smartphone e eu mesmo criei uma conta para ele. Em poucos segundos apresentei-lhe ao universo digital … daqui uns dias vou entrar em contato com este artista para ter um feedback sobre como tem sido sua nova relação com a música baseada no app de streaming. Espero que ele desenvolva-se urgentemente nesta novidade! Durante a Expo, fui convidado a dar uma pequena palestra a artistas independentes sobre a importância do mercado digital. Entre as informações que fiz questão de levar naquele rápido momento de apresentação, quero destacar as seguintes:

– Todo artista precisa ter contato com as plataformas digitais. Se a ideia é ter uma carreira artística, o primeiro passo é manusear algum aplicativo de streaming e tornar-se íntimo deste novo ambiente de consumo de música. Como tenho feito habitualmente, perguntei aos presentes quais já possuíam algum destes aplicativos em seus smartphones e a resposta foi de cerca de 60 a 70% dos presentes. Em se tratando de um ambiente totalmente formado por artistas, este percentual deveria ser outro, ou seja, 100% dos presentes. O uso contínuo de aplicativos de música por parte dos artistas é uma questão tão natural como a escolha de repertório, o trabalho de fonoaudiologia e técnicas de respiração e coisas do tipo. Uma coisa não se dissocia da outra, são atos contínuos e inerentes.

– Todo artista precisa ter o suporte de uma assessoria de marketing digital. E neste caso, como já falei por aqui inclusive, não se pode confundir design, criação de peças publicitárias, flyers e coisas do tipo, com um trabalho elaborado de marketing digital. Além disso, fiz questão de ressaltar sobre a importância de se buscar por profissionais que efetivamente entregam o que prometem, ou seja, que não sejam os manjados ‘contadores de estórias’, personagem bastante comum em nosso meio nestes dias. Frisei também que no processo de contratação de artistas na empresa em que participo, contar com o suporte de marketing digital é uma questão sine qua non, ou seja, é uma condição obrigatória! Sem alguém para cuidar desta área, as possibilidades de contratação diminuem drasticamente. Inclusive, no caso de artistas já contratados, temos desenvolvido campanhas específicas para que todos tenham este suporte e arrisco a dizer que na Sony Music, na área gospel, 90% ou mais do cast possui este tipo de assessoria. Coincidência ou não (definitivamente não!) os artistas do nosso cast destacam-se perante os demais sobre os resultados digitais. Não é um auto-elogio, mas uma simples constatação! Simples assim …

– O modelo de produção de conteúdo baseado no formato CD ou DVD não é mais o padrão do mercado. Ou seja, a necessidade de se gravar um projeto com 14 faixas tornou-se obsoleto e completamente desnecessário! A ordem agora é buscar a melhor música, a melhor produção, o hit e lançá-lo como um single, reunindo todos os investimentos no impulsionamento e divulgação de uma única canção e não mais aquele projeto longo de tempos atrás. A estratégia do momento é lançar single após single, focar toda a atenção na divulgação de uma faixa e investir maciçamente em ações de marketing digital. Nada mais de meses e meses produzindo um disco em que no final as faixas ficarão esquecidas no meio do repertório … além de poupar dinheiro na produção do álbum pela otimização do tempo e recursos, esta nova estratégia permite ao artista uma agilidade incrível para apresentar novos conteúdos e propostas artísticas.

– A música deixa de ser uma experiência auditiva e passa a ser visual. Com isto, os clipes, vídeos, Live Sessions, assumem papel de preponderância nas estratégias de marketing, promoção e divulgação dos artistas e seus respectivos projetos musicais. O que fiz questão de deixar claro na mini-palestra é que não se deve lançar a música se esta não chegar ao mercado acompanhada de sua versão em vídeo. O alcance da música sem seu paralelo em vídeo é reduzido drasticamente nestes casos. Também ressaltei que os clipes não precisam ser mega produções que inviabilizem a produção dos conteúdos. Neste caso, um bom filtro, um bom equipamento, apuro estético, bom roteiro, luz e principalmente bom senso já ajudam bastante!

– As redes sociais passam a ser meio e não fim. Ainda me deparo com artistas fazendo campanhas para a aquisição de novos seguidores, mesmo já contando com uma boa base de fãs. Esta fase de ‘seguidores-ostentação’ onde os artistas ficavam disputando quem alcançava o maior número de seguidores, definitivamente, já passou. Hoje o objetivo maior de todo artista deve ser o crescimento no número de seguidores nas plataformas de áudio e vídeo streaming, sendo a primeira opção, a mais importante. As redes sociais são atualmente importantes ferramentas para que o público migre para as plataformas de conteúdo e nada muito além do que isso! De nada adianta ter 5 milhões de fãs na fanpage e ter uns gatos pingados nos perfis oficiais da Deezer, Spotify ou YouTube. A meta agora é crescer os seguidores nestas plataformas e aumentar consideravelmente o número de streams e ouvintes mensais.

– É fundamental investir no alcance dos conteúdos digitais. Se em tempos atrás era fundamental reservar um budget para divulgação em rádios, revistas, materiais promocionais e afins, hoje em dia, o foco no investimento deve ser totalmente direcionado para as ações de marketing digital, o tão propalado impulsionamento de conteúdos, ressaltando-se que esta ação deve ser feita com muito critério (que isso fique bem claro! com critério e assertividade!) para que tenha o alcance que se espera. Neste caso, reforço mais uma vez a necessidade de se contar com o suporte de profissionais capacitados! Atenção total!

– O mercado digital é presente! Não mais o futuro! Talvez este tenha sido um dos últimos aspectos que abordei em nossa palestra a jato em meio a um stand apinhado de pessoas das mais diferentes realidades e expectativas. Quis deixar ainda mais claro que estamos vivenciando um novo momento, irreversível e que vem sendo preparado e estudado há pelo menos os últimos 7 anos. Deixei claro que no nosso caso, não há surpresa alguma, pelo contrário! Já vivemos o ambiente digital plenamente e temos investido constantemente na capacitação de nossos artistas. Também fiz questão de dividir a responsabilidade pela popularização deste novo universo digital com os próprios artistas, que são importantes formadores de opinião. A tarefa de apresentar as plataformas como a principal forma de consumo de música é de responsabilidade não só das gravadoras, mas principalmente dos próprios artistas. Quanto mais os artistas se envolverem nesta campanha, melhor e mais rápido atingiremos resultados relevantes nas plataformas digitais.

Creio que estes foram os principais pontos citados … aqui foi o resumo do que falamos em corridos 50 minutos de palestra. Ao longo da feira, encontrei-me com vários dos artistas que participaram deste momento e tive oportunidade de receber feedbacks muito entusiasmados. De um artista presente recebi, até com um pouco de surpresa, o relato de que a palestra mudou completamente sua visão do meio. Ele me fez entender o quanto curtiu as informações e de que já estaria colocando em prática várias daquelas sugestões e dicas. Muito bom isso!

Por hoje é só!

Mauricio Soares, jornalista, publicitário, consultor de marketing, alguém que comeu alguns quilos de camarão e castanha nos dias em que esteve na capital cearense e que sequer pisou na areia de qualquer praia da região. Que pecado!

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Hoje em meio a uma conversa despretensiosa durante o almoço, meu parceiro de A&R, o querido e competente Bruno Baptista, entre uma e outra garfada de um belo Bacalhau Espiritual, fez um comentário a respeito de um produtor musical ganhador de vários prêmios ao longo da carreira de décadas, profissional muito respeitado pelo mainstream, artistas e músicos:
“Estou no meu limite com ele … se ele não entender que as coisas mudaram, acho que é o fim de linha dele na companhia, na verdade, não só na nossa empresa, mas também no mercado como um todo. Este tipo de atitude dele apenas reflete um tipo de profissional que não se adequa mais ao que vivemos no mercado!”

E aí, você curioso leitor do blog deve estar se perguntando: mas o que este produtor fez ou deixou de fazer para receber uma sentença tão dura como esta? Em rápidas palavras, o laureado produtor que coleciona inúmeros projetos de sucesso com milhões de discos vendidos, tendo trabalhado para boa parte do primeiro time da MPB, segue não mantendo prazos, extrapolando orçamentos e agindo como se fosse mais artista do que os próprios artistas. Ou seja, o que antes poderia ser entendido como algo excêntrico ou mesmo um ‘preço a se pagar pela genialidade e resultados’, hoje em dia é tido tão somente como falta de responsabilidade com um bom toque de falta de noção da atual realidade do mercado.

Utilizei-me deste exemplo em meio a um almoço com o amigo e profissional de outro segmento para corroborar com algo que há muito tempo penso em publicar por aqui no blog. As coisas no meio artístico mudaram muito e entre tantas alterações, a falta de paciência com o amadorismo tornou-se ainda maior. Em outras palavras, a indústria fonográfica trabalha num novo ritmo, muito mais racional e que demanda prazos, planejamentos, datas, estratégias, ações e metas.

Como já escrevi em outros posts aqui publicados, as plataformas digitais trouxeram uma nova dinâmica ao mercado fonográfico. Hoje o que menos importa é colocar seu projeto nas plataformas, no Spotify, Deezer ou Apple Music … isso, com todo respeito, qualquer serviço de agregador de conteúdo é capaz de fazer, até mesmo sem qualquer tipo de relacionamento entre o artista e a empresa. A grande meta das gravadoras hoje é conseguir destaque para os seus projetos no momento de lançamento nas plataformas digitais. E este destaque é conseguido prioritariamente pela relevância do artista, pela força da gravadora junto aos parceiros e através de um planejamento de entrega e ações de promoção com antecedência. O tempo ideal para que o produto seja trabalhado pela gravadora junto aos parceiros digitais é de 45 dias, depois disso, tudo vai ficar mais complicado!

E aí, voltamos aos produtores musicais … sim! Afinal de que adiantará a gravadora buscar o melhor destaque para o lançamento de um determinado artista ou mesmo na elaboração das estratégias de marketing, se o dito cujo do produtor resolve não cumprir com os prazos e metas pré-determinadas? No meio gospel há casos folclóricos de produtores com atrasos de 120, 180 dias de entrega de suas produções. Outros que são reconhecidos por cobrarem ‘lebres’ e entregarem ‘gatos’, ou seja, cobrarem custos de produções prometendo os melhores músicos, os melhores estúdios e no fim, limitarem-se a produções quase caseiras. Há profissionais de produção que são reconhecidos por assumirem 10 projetos simultaneamente e seguirem trabalhando num processo de ‘pirâmide’ onde um artista acaba pagando a produção de outro numa miscelânea louca e com resultados sempre catastróficos! Não podemos deixar de citar os produtos temperamentais que dão chiliques de estrela como se fossem eles os clientes e não os artistas e/ou gravadoras. Enfim, posso listar uma infinidade de modelos de produtores musicais com suas falhas, suas esquisitices e principalmente com a falta de profissionalismo, mas por compaixão aos 69 leitores, fico por aqui mesmo.

A verdade é que este tipo de profissional, inconsequente, desorganizado, sem compromisso, amador e que mais traz chateação do que alegrias, está com os dias contados, ao menos entre as majors e os grandes artistas. O que posso garantir, pelo menos referindo-me à minha pessoa, é que cada vez iremos priorizar mais os produtores que mantêm o compromisso de qualidade sem perder o foco na pontualidade. Que isto sirva como um mantra para todos aqueles que querem se manter no mercado musical!

E o mesmo se aplica aos diretores e produtores de conteúdo de vídeo! Prazo dado é prazo cumprido, como diria o A&R Capitão Nascimento. Enfim, num momento em que os conteúdos chegam às dezenas (às vezes, centenas) a cada semana nas plataformas digitais, garantir o destaque e contar com a parceria destas mesmas empresas é algo fundamental! Por isso, garantir a manutenção dos prazos é a primeira garantia de sucesso do projeto!
Pra bom entendedor …

Mauricio Soares, publicitário, neurótico por prazos, jornalista, palestrante, profissional de marketing

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Coisa rara em meu dia a dia é ter um tempinho sem nenhum compromisso, sem filhos por perto, absolutamente nada pra fazer ou me preocupar. Pois bem, neste momento estou sentado à frente do meu computador lendo notícias, atualizando as manchetes, pesquisando alguns vídeos, lendo alguns textos publicados … tudo na mais santa paz, algo muito difícil de acontecer. Estou em meio ao fim de semana com alguns compromissos na capital paulistana e nesta manhã fria, completamente sozinho, no quarto de hotel, dei-me ao luxo de ficar rolando na cama, descansando o corpo e principalmente a mente … e como pra mim, escrever é uma atividade absolutamente prazerosa, vou dedicar alguns minutos desta manhã, antes de partir para uma palestra à tarde, a fim de escrever algum texto para o nosso blog.

Ao longo dos meus 29 anos de estrada profissional, boa parte destes dedicado ao mundo de música, deparei-me com inúmeros artistas em início de carreira. Independente de estilo, capacidade, talento ou condições financeiras, o artista iniciante enfrenta dificuldades inerentes a qualquer aprendiz, seja de qual profissão que for. E neste momento em que vivemos um radical processo de transformação na indústria fonográfica e nas práticas do mercado e consumo de música, há uma série de detalhes que precisam ser muito observados com atenção.

Em primeiro lugar, o artista iniciante precisa saber que tudo decorre de prática. Não se alcança a excelência vivendo de teoria somente. Na verdade, a teoria, o estudo, o preparo, o planejamento são parte de um todo do processo, mas que por si só não garantem resultados satisfatórios. Quem privilegia somente a prática em detrimento ao teórico também incorre num sério risco de errar em questões primordiais e, de igual forma, não alcançará os resultados com a excelência que se espera. Colocando as coisas no seu devido lugar, todo profissional deve dedicar o início de sua trajetória ao estudo e na sequência, buscar a prática. Adaptando ao universo artístico musical cristão, é fundamental que o artista tenha tempo de “banco de igreja”, ou seja, que tenha intimidade com Deus e com a Palavra. Não se pode querer entrar numa carreira de cantor gospel se o dito cujo sequer consegue encontrar o livro de Romanos sem recorrer nervosamente ao índice. Lembre-se, só damos aquilo que temos em demasia. Como pode alguém querer ministrar se está vazio, oco do conhecimento de Deus?

Passado o período de preparação, o caminho natural é colocar em prática todo o conhecimento. E a prática só se consegue praticando! WOW, quanta genialidade! Pois é, parece e é de fato, óbvio, não mesmo? Mas você meu seletíssimo e queridíssimo leitor do Observatório Cristão acredita que tem muito artista por aí acreditando que pode ‘ganhar as nações’ (Oh! Aleluias!) sem, ao menos cantar em sua igreja local? Sem sequer ter enfrentado cultos vazios, aparelhagens de som de quinta categoria ou mesmo horários nada nobres para sua participação? É aquele caso do jogador que quer jogar no Flamengo sem ter passado pelo Olaria ou algo do tipo. Nada disso! Todo artista deve começar praticando independente do local, da plateia, da estrutura, simplesmente trabalhe! Dias atrás encontrei um cantor bastante iniciante … e aí, papo vai, papo vem, ele começou a me perguntar sobre dicas e tudo mais. Sem respondê-lo diretamente comecei a fazer-lhe algumas perguntas do tipo: qual a periodicidade de sua agenda? Quantos eventos por semana ele havia participado? E aí ele calmamente disse que estava fazendo uma média de 4 apresentações por mês e eu imediatamente respondi de que este número era muito fraco e que ele deveria começar a focar justamente nesta área, aumentando a carga de trabalho. Na maior inocência ele me disse que recusava cantar em igrejas pequenas porque isso poderia dar uma ‘desvalorizada’ no trabalho dele … de que ele focava apenas cantar em grandes oportunidades.

Recordo-me que há alguns anos atrás lancei um artista e meu recado a ele foi o seguinte: cante de manhã, tarde, noite e nas vigílias da madrugada. Cante até não aguentar mais! Cante em casamento de anão! Cante em velório de cachorro, mas cante! Somente assim você vai ser reconhecido e as portas se abrirão para você porque talento você tem, mas as pessoas não sabem disso! Então vamos mostrar a eles isso! Anos depois tornou-se um dos maiores nomes da música gospel em todos os tempos. Mas o sucesso começou humilde, bem pequeno, com muito trabalho, muita transpiração! Não teve moleza!

Outro importante detalhe neste processo de maturação do artista iniciante tem a ver com saber em lidar com o tempo. E mais do que o tempo, com a própria ansiedade! Uma das expressões que falamos muito no nosso dia a dia na gravadora é justamente: gerenciar as expectativas. Ou seja, como o artista está organizado mentalmente para lidar com o processo lento e contínuo de uma construção de carreira. Arrisco a dizer que muitos artistas perdem o rumo justamente neste momento. Para exemplificar e, particularmente gosto de trazer a vocês alguns “causos” que vivenciei ao longo dos anos para tornar minha exposição ainda mais clara, posso listar alguns artistas que acreditei demais no potencial de carreira, mas que por justamente não saberem lidar com a ansiedade, simplesmente puseram os pés pelas mãos e sucumbiram na carreira artística. Há casos de artistas que vivenciaram processos de maturação com o lançamento de um primeiro CD (lembram-se disso, aquela bolacha metalizada que os antigos colocavam no carro, em seus aparelhos 3 em 1 … pois é, coisa ancestral mesmo!), passavam mais um tempo, lançavam um segundo CD e aí … deixavam tudo que estava programado pela gravadora e passavam a agir por conta própria, muitos dos quais, deixavam o cast da gravadora e partiam em carreira-solo. Não conheço um que tenha dado certo! Simplesmente porque quiseram queimar etapas e no fim saíram chamuscados, alguns incinerados!

Outros julgaram-se preparados e jogaram-se em projetos nacionais. Deixaram de focar determinadas regiões e aí resolveram que deveriam dominar o Brasil. Convocavam um ‘açessor’ que iria abrir as portas das rádios, das igrejas, dos grandes eventos pelo país, investiam tempo e principalmente uma grana forte e … água! Tiro n’água! Retumbante! Não saíram de lugar algum ou como costumo dizer, retrocederem várias casas atrás no tabuleiro. Tem um caso clássico de um jovem-filhinho-de-pastor que gastou tubos de dinheiro com rádios e promoção, quis gerenciar sozinho sua carreira, saiu de uma grande gravadora e depois de anos de muito investimento, muitos Tops de lista de execução nas rádios e muita expectativa pessoal, não foi a lugar algum, ou pior, virou exemplo de artista fake ou balão japonês, aquele que sobe rapidinho e cai apagadinho por aí …

Gerenciar expectativas. Traçar objetivos. Planejar as ações. Determinar o cronograma. Estabelecer as prioridades. Trabalhar. Investir na hora e lugar certo. Buscar as boas parcerias. Encontrar profissionais capacitados e com portifólio de sucesso. Trabalhar. Buscar conhecimento. Adequar-se às novas realidades e demandas. Ter paciência. Rever seus ideais. Estar no centro da vontade de Deus. Trabalhar. Saber ouvir. Reciclar-se. Buscar referências musicais de qualidade. Trabalhar. Respirar.

Acho que é isso! Seguindo estas dicas … acho que pode rolar algo.
Valeu! Chegou minha hora. Até a próxima!

Mauricio Soares, consultor, jornalista, publicitário, palestrante e editor deste blog que segue firme com os 69 leitores! Obrigado pessoal!

P.S. – Meus parabéns ao escritório da Deezer no Brasil por acreditar no potencial da música gospel do país e ser a única plataforma de áudio streaming a contar com um editor de conteúdo cristão em suas fileiras. Parabéns pelo belo evento recente promovido no Rio de Janeiro! Todo sucesso a vocês! E aproveito para dar os parabéns para Gabriela Rocha, mesmo jovem cantora, já entre os 3 artistas gospel do país com o maior número de streams na Deezer. Você vai longe pequena! #TrocoLikesporStreams

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Boa parte das informações que publico neste blog, que está prestes a completar uma década de existência (até hoje me impressiono com toda esta longevidade e mais ainda pela quantidade de temas e assuntos publicados!), resulta de experiências pessoais, impressões, observações e da fantástica oportunidade que tenho como profissional de participar de reuniões, seminários, conferências, convenções ou mesmo, em simples bate papos com alguns dos mais influentes e antenados profissionais do mercado fonográfico. Como mencionei aqui mesmo no blog, recentemente tive a oportunidade de participar de minha oitava convenção internacional com pessoas de diferentes países, culturas e experiências do mercado fonográfico. Cada uma destas experiências acaba criando um arcabouço de conhecimento tão incrível, que não me sinto no direito de reter estas informações e é exatamente por este motivo que durante tanto tempo dedico algumas horas, às vezes poucos minutos para escrever alguns textos para o Observatório Cristão.

Na semana passada participei de um evento muito específico, na verdade, uma apresentação de resultados e novidades, exclusivo para as equipes de digital marketing, A&R e digital sales das gravadoras. Este evento foi realizado por uma das plataformas de áudio streaming em atividade no país. Em meio a um turbilhão de informações, planilhas, slides, consegui anotar algumas questões que me chamaram a atenção e as quais eu gostaria de dividir com os 69 leitores de nosso blog.

Você por acaso já ouviu falar em SKIP ou Taxa de SKIP?

Certamente você já ouviu falar sobre o poder do controle remoto, que é a liberdade plena que o consumidor tem de decidir o que irá assistir ou mesmo ouvir. Este “poder” foi potencializado a uma escala sem precedentes com a popularização das TVs por assinatura, afinal com o aumento das opções de conteúdo esta liberdade de escolha tornou-se ainda maior. Basta uma falta de interesse e automaticamente o consumidor aperta a tecla na busca de outro canal, outro conteúdo. Em alguns casos, este empoderamento se torna doentio a ponto do dito cujo ter crises de abstinência pela distância do controle remoto. Freud explicaria, sem dúvida! Mas voltando ao SKIP … este termo passa a ser recorrente entre os profissionais de marketing e sales, principalmente no ambiente de streaming e mais ainda, em se tratando de playlists. Explicando: SKIP é o ato do usuário de pular a música demonstrando assim sua rejeição àquela canção. Esta simples ação de pular a faixa acende alertas importantes nas equipes de análise e performance das plataformas digitais. Este é o recado mais claro e direto por parte do consumidor de que aquela determinada música não o agradou. Quando uma música é inserida numa playlist, além do número de streams ou de vezes em que a canção é ouvida pelos usuários, a quantidade de SKIPs também tem um peso enorme na avaliação e manutenção da música naquela determinada playlist.

Em playlists como “Novidades”, “Top 50” e outras onde a relevância é fator de permanência, o SKIP tem fator preponderante pela presença das faixas na seleção musical. Em alguns casos, determinado artista ou canção pode ser testado pela equipe editorial da plataforma. Seria mais ou menos como colocar uma canção de André e Felipe, dupla sertaneja gospel, em meio à playlist “Baladas Sertanejas” no meio de Henrique e Juliano, Fernando e Sorocaba, Matheus e Kauan, entre outros. Se não houver uma alta taxa de SKIP, muito possivelmente esta canção se manterá na playlist. Recentemente os singles do DJ PV, especialmente a faixa “Eu Sei” com participação do Mauro Henrique, foram incluídas em playlists de música eletrônica no Brasil e no exterior, e até agora, se mantém por lá pela baixa taxa de SKIP.

Você sabe o que é stream? E como é considerado um stream para efeito de monetização?

O stream é o simples ato de se executar a faixa musical através de uma plataforma digital, que pode ser tanto de áudio como de vídeo. As mais conhecidas plataformas de áudio em operação no Brasil são o Deezer, o Spotify, Apple Music, Napster. Há indícios firmes de que até o meio de 2018 teremos o desembarque da Amazon em terras Brasilis. Já as plataformas de vídeo streaming são o popular YouTube e seu parceiro premium, VEVO. Para quem não está ambientado às plataformas, vale ressaltar que há importantes diferenças entre a VEVO e o YouTube. A VEVO é uma plataforma exclusiva de conteúdo musical, enquanto que o YouTube vai de música a como fritar ovo com perfeição. Outra diferença está na introdução de conteúdo onde no YouTube qualquer usuário pode abrir uma conta e despejar qualquer coisa, já na VEVO este conteúdo precisa ser ratificado pela plataforma.

Tanto para o áudio como para o vídeo, bastam 30 segundos de execução da faixa para que esta gere monetização. A monetização não é um valor fixo, a publicidade obtida no vídeo, sua audiência e outras relevâncias são somadas e no fim, geram um valor de monetização. Nos últimos 4 anos, o valor de monetização de vídeos no Brasil despencou absurdamente, muito em função da crise econômica e da queda nos investimentos de publicidade. A receita gerada pelo YouTube no mundo, ficou abaixo ao valor gerado pela venda de vinis, sim isso mesmo! Os velhos bolachões geraram mais receita para a indústria fonográfica mundial do que os trilhões de views do YouTube. Não por coincidência, a indústria está em pé de guerra com o YouTube em escala mundial exigindo melhores receitas desta parceria.

E aí, temos uma dica muito especial aos artistas e principalmente produtores musicais. Com a taxa de SKIP e a monetização contando apenas os 30 segundos iniciais, aquelas músicas com introduções intermináveis correm sério risco de derrubar a performance das canções. Em bom português, não há espaço para músicas que demoram a dizer para o que vieram. Sejam diretos em apresentar a força da canção para reter a atenção do usuário já nos primeiros segundos da faixa. #FicaaDica

Qual a importância do artista ter sua playlist?

A palavra da vez é playlist e para quem não está ainda por dentro do isso significa, basta lembrar do século passado onde gravávamos as melhores canções num fita cassete. Lembro-me que alguns amigos eram experts em seleções musicais e ganhavam um dinheirinho extra copiando suas compilações para terceiros. Tinha de tudo um pouco, do punk rock aos temas de novelas, da MPB ao heavy metal, passando ao rock brazuca dos anos 80 ou às melosas músicas românticas que tocavam no Good Times 98, programa que fez história no rádio brasileiro. Pois bem, esta seleção é o que em tempos virtuais chamamos de playlists.

Há playlists com milhões de seguidores. As mais influentes no Brasil são as ligadas ao sertanejo, funk, eletrônica e pop. No gospel, todas as plataformas já possuem playlists específicas com alguns milhares de seguidores. A cantora Priscilla Alcântara é a única artista brasileira a ter uma playlist pessoal entre as 200 maiores do país e já esteve por algumas semanas entre o top 70, verdadeira marca a ser batida ainda. Atualmente ela comemora mais de 45 mil seguidores na playlist “Pra Chorar com Jesus” no Spotify e outros 15 mil na Deezer (esta última em apenas 5 dias no ar). Ainda falando da antenada Priscilla Alcântara, como usuária do Spotify, era muito natural que ela focasse suas ações exclusivamente para esta plataforma. Mas, não podemos deixar de lembrar que como artista e formadora de opinião, não se pode privilegiar uma plataforma em detrimento de outras. Então, nossa equipe sugeriu que a artista criasse uma conta na Deezer e Apple Music para também criar esta mesma playlist nas outras concorrentes.

É fundamental que o artista esteja presente a ativo em TODAS as plataformas digitais. Não é caso de preferência. É caso de atender ao público da artista que por motivos diversos e pessoais preferiu esta e não aquela plataforma. Vale ressaltar que a menos que a pessoa seja um heavy user digital todas as pessoas costumam lidar com apenas uma plataforma no seu dia a dia. Mesmo entendendo que o usuário pode ter contas gratuitas no Spotify ou Deezer. No dia a dia, o consumidor sempre elegerá uma plataforma e, por isso mesmo, o artista deve ser plural na visão e ação para comunicar-se com o seu público em todos os ambientes.

O fã, o seguidor, aquele que curte determinado artista também se interessa muito em conhecer as referências e hábitos musicais dos artistas com que se identificam. Portanto, playlists de conteúdo diverso são sempre muito interessantes e dão um retrato mais humano ao artista. É muito legal, por exemplo, ouvir o que Leonardo Gonçalves ou Gabriela Rocha curtem ouvir em seus momentos de lazer. Outro dia estava vendo a playlist pessoal da Damares e me surpreendi ao ver que ela curte (muito mesmo!) o som do Ao Cubo. Interessante, não? Nestes casos, o artista precisa ser bastante criterioso porque está agindo como um curador artístico e seu ponto de vista poderá influenciar milhares de pessoas. Se uma playlist é feita sem qualquer critério, a frustração do público será total e certamente o alcance será mínimo, ou seja, não atenderá em nada ao objetivo primordial da ação.

Mas numa playlist pessoal o artista pode incluir uma música sua?

Se nem ele mesmo curte sua música, quem irá curtir? Claro que o artista pode (e deve) incluir algumas faixas de seu próprio projeto, mas isso requer bom senso e parcimônia. Não dá para numa playlist de 20 faixas, o ególatra incluir 10 faixas próprias. A proporção aceitável é de mais ou menos 10% de conteúdo próprio numa playlist pessoal. Nestes casos, o artista pode colocar a sua faixa predileta entre as 5 primeiras canções da playlist, sem maiores traumas.

Quais conceitos para se criar uma playlist?

Há vários critérios para se criar uma playlist. As mais comuns são estilos musicais e as que têm relação com alguma atividade do dia. A Discopraise, por exemplo, criou playlists específicas para o momento da malhação (sim, o crente faz academia!), para o momento de relax, para curtir com a família e por aí vai … não é muito produtivo sair criando um momento de playlists no perfil do artista. O ideal é focar no crescimento de uma, duas no máximo, playlists. À medida que as playlists forem crescendo, pode-se buscar a criação de outra compilação. Vale ressaltar também que as playlists podem ao longo do tempo mudar seus respectivos nomes e conceitos. Há também playlists específicas para datas comemorativas como Dia das Mães, Dia dos Namorados … nestes casos, pode-se manter a playlist, alterando um pouco o perfil mais adiante.

Um detalhe muito importante em se tratando de playlist tem a ver com a escolha do nome. É claro que nosso lado Olivetto ou Guanaes sempre tende a aflorar em momentos como este, mas a verdade é que nestes casos, quanto mais simples e óbvio melhor será o resultado. Por exemplo, se eu fosse criar uma playlist de músicas pentecostais automaticamente pensaria em algo como “As Melhores do manto”, “As ungidas do reteté”, “Canelinha de fogo”, “Fogo Puro, ou algo do tipo, agora por mais simpáticas, criativas e até adequadas ao linguajar das igrejas e consumidores pentecostais, a verdade é que estes nomes não ajudariam em absolutamente nada no projeto de Busca das plataformas digitais. Um nome simples como “Músicas Pentecostais” ou “Sucessos Pentecostais” já seria o suficiente para que minha playlist encabeçasse os resultados de procura e isto, certamente, potencializaria em muito a possibilidade de angariar seguidores. #FicaaDica

Ainda sobre playlists, uma observação merece todo cuidado! É muito comum o artista (e os usuários comuns) se empolgarem no momento de conhecimento e início de relação com uma plataforma digital, até mesmo pela facilidade que é a interação entre o usuário e as inúmeras ferramentas disponíveis. Me lembro que nos primeiros dias em que comecei a usar minha conta pessoal em uma plataforma de áudio streaming, saí que nem um faminto atrás de prato de comida montando playlists dos mais variados assuntos. Também saí seguindo um monte de artistas. Minha relação no início foi meio compulsiva, frenética mesmo! Mas com o passar do tempo, fiquei só como usuário dos conteúdos da própria plataforma. Acabei deixando de lado minhas playlists, meus projetos … mesmo sendo um profissional da música, na verdade, sou um usuário comum em se tratando de plataformas digitais. Não me considero um formador de opinião e, mais do que isso, não esforço nem um pouco para sê-lo. Nem mesmo nas redes sociais tenho este empenho mesmo contando com alguns milhares de seguidores. No entanto, no caso de artistas, as plataformas digitais precisam ser tratadas como importantes (fundamentais, eu diria) ferramentas de impulsionamentos de resultados. E com este entendimento, o artista precisa cuidar de suas playlists de uma forma muito atenciosa e ativa. As atualizações precisam ser periódicas. Vou repetir para ficar ainda mais claro: não se pode criar uma playlist, divulga-la e depois deixá-la abandonada num canto, sem carinho, sem atenção, sem atualização! Os próprios seguidores perceberão que o ‘dono’ não dá a mínima atenção para sua cria, então porque ele deveria manter-se seguindo aquela playlist?

Quando uma pessoa passa a seguir uma determinada playlist, automaticamente ela passa a fazer parte de um grupo de pessoas que será periodicamente impactado por tudo o que acontecer naquela playlist. Ou seja, entrou uma música nova na playlist, TODOS os seus seguidores serão informados. Uma simples alteração de posição de faixa na playlist já é suficiente para que os seguidores sejam impactados pela novidade. Por falar em posição, saiba que em playlist não existe esta história de que os últimos serão os primeiros, não mesmo! Os últimos serão os últimos e muitas das vezes sequer serão notados. Então, uma boa colocação em playlists é fundamental para uma boa audiência para a faixa. Uma playlist deve ter no mínimo 20 faixas e o número limite não existe, mas como cada playlist tem um consumo diferente, o ideal é que se respeite o tamanho da playlist com a expectativa do consumo. Por exemplo, uma aula fitness numa academia dura em torno de 50 minutos, então uma seleção de músicas para esta finalidade não pode ter 5 horas e 32 minutos … a não ser que seja feita exclusivamente para os marombeiros e marombeiras fanáticos e com muito tempo de sobra. Uma playlist que se destina a viagens (eu tenho uma que chama-se “Na Estrada”) não pode ter poucos minutos de duração. O ideal é que este tipo de playlist dure no mínimo 2 a 3 horas.

Vou ficando por aqui. Acredito que este foi um post bastante informativo. Caso você curtiu este texto, queria te incentivar a colocar suas opiniões em nosso espaço de comentários na parte inferior desta página. Aos meus 69 leitores gostaria de indicar uma playlist que estou seguindo e que estou curtindo muito, “13 Razões” com o Kemuel. Através desta seleção conheci alguns artistas estrangeiros que passei inclusive a seguir. A seleção de músicas é formidável. O cuidado com que eles estão lidando na playlist tem sido louvável e até a capa do projeto eu curti demais. Nota 10 para o Kemuel. Lembrando que boa parte destas mudanças de comportamento dos artistas Sony Music no mundo digital são fruto de 2 anos de treinamento e intensa troca de informações com a equipe Sales e Marketing Digital da gravadora. A todos da equipe, meu muito obrigado pela parceria e meus parabéns ao cast que vem fazendo a diferença no segmento.

Enjoy!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, curador de música gospel informal para as plataformas digitais e curador oficial da playlist Música Gospel de Qualidade.

Fim de tarde, dia intenso de muitas decisões, muita transpiração, alguma inspiração e muitas reuniões … pra finalizar o trabalho um último encontro com a equipe de marketing digital para avaliar ações e estratégias de alguns lançamentos a caminho para as próximas semanas. Apresentação das músicas, os perfis de cada artista, impressões sobre pontos fortes dos projetos, redes sociais, oportunidades, análises e aí no meio do brainstorming, eis que surge um comentário aparentemente fora do contexto da reunião. Um funcionário que lida diretamente com a análise de redes sociais aponta com certa surpresa o nível de críticas do público gospel em determinadas situações.

Adaptando um pouco sobre os comentários dele, seria mais ou menos assim: “O povo gospel é bem crítico né? Eles são bem raivosos! Quando não gostam de uma artista, eles tomam partido, atacam, criticam ferozmente … e como são bastante intensos nas redes sociais, eu acho que esta postura mais agressiva chama ainda mais a atenção. Eu acho que a gente sempre precisa avaliar com cuidado o que iremos postar porque a turma gospel é bem nervosa!” Estes comentários foram acompanhados por outras pessoas à mesa e não faltaram cases de beligerância gospel para serem lembrados naquele momento.

Imaginem minha cara diante daquelas afirmações que, de fato, estavam recheadas de exemplos e repletos de verdade?!?!?!? Tentei contemporizar, dizer que a web é sim, um território onde as pessoas expõem suas opiniões livremente, que não podíamos generalizar o segmento, que esta é uma parcela apenas mais intensa nas redes sociais, mas que não representam a maioria do que chamamos como público evangélico, enfim, as tentativas foram muitas, mas nem eu mesmo tinha tanta convicção de meus argumentos e aí fui obrigado a mudar de assunto, numa autêntica tática diversionista de guerrilha.

Há um termo hoje muito em voga na web que identifica pessoas raivosas, vociferantes, nervosas, beligerantes, agressivas, aqueles que não perdem uma discussão, que acreditam que precisam opinar sobre tudo e sobre todos, que sempre procuram encontrar erros, falhas, apontam o dedo nas feridas e se julgam acima do bem e do mal, acima de todos, a esta categoria nada pueril de pessoas criou-se um nome específico: HATERS. Pois estes personagens ficam à espreita de qualquer vacilo para imediatamente descerem a borduna como autênticos índios Tamoios à procura de seus inimigos. Com esta turma não há piedade! Somente o duro peso da crítica, nada além disso!

Em especial, a classe artística é alvo sistemático dos HATERS que costumam expressar suas opiniões sobre tudo, da música ao figurino, do discurso cotidiano às posições religiosas, políticas ou qualquer assunto que seja. Se está acima do peso, o HATER vem com a guilhotina e comenta: tá pesada hein, filha?!?! Se errou na maquiagem, a censura inquisidora vem com tudo e comenta: tá participando de algum filme de terror? E por aí vai, nada escapa à língua venenosa (e aos dedos nervosos) dos HATERS. Nada mesmo!

Como as coisas no meio gospel andam fora do eixo, temos sites específicos onde o ódio e a virulência são o mote principal da linha ‘editorial’. Fofocas, críticas, ataques, induções, disse-me-disse e muito julgamento leviano fazem parte do cardápio destes blogs que na minha opinião, de verdade, têm raiva mesmo é da língua portuguesa e do jornalismo profissional, ético e de qualidade pela total ausência dos padrões mínimo aceitáveis. E analisando-se os comentários postados nestes blogs, o que vemos são pessoas incrivelmente agressivas e sem senso do ridículo se expressando em dialetos muitos dos quais ininteligíveis, mas repletos de ódio.

Meses atrás, uma jovem artista postou uma foto no Lollapalooza. Bastaram alguns minutos para que a TimeLine dela fosse inundada de comentários os mais loucos, agressivos, raivosos e odiosos que se pode imaginar. A turma ‘santarrona’ atacando-a como uma herege diante da Inquisição Espanhola com doutrinas, costumes e opiniões pessoais as mais diversas e rasas possíveis. Soube de outro artista que pelo fato de sua música entrar na trilha sonora de um filme que seria exibido nos cinemas pelo Brasil, o rapaz foi execrado, apanhou de tudo quanto é lado, chegando inclusive a ter agendas canceladas em sua própria denominação. Há o caso de um líder mega reconhecido no país, que até pra dar bom dia ele grita, se exaspera e se inflama, sua postura é assustadora atacando para todos os lados como se estivesse portando uma metralhadora .50 em seu dia de fúria. Sua imagem virou sinônimo de um personagem da TV brasileira que também sai com seu porrete batendo na mesa contra tudo e contra todos. Confesso que não me lembro nos últimos anos de ver nenhuma manifestação deste pastor que não seja de um autêntico black block gospel querendo quebrar tudo e impor sua opinião a que preço for.

Há alguns anos atrás criei uma conta pessoal no Twitter e passei a utilizá-la de forma frenética como uma ferramenta de divulgação, comunicação e até relacionamento interpessoal. Com o tempo comecei a perceber que a distância entre mim e pessoas de diferentes cantos do mundo simplesmente havia desaparecido e com isso, estas mesmas pessoas tinham total acesso para expor suas opiniões, elogiar, perguntar suas dúvidas e, também para atacar, criticar, desrespeitar … enfim, aquela proximidade toda não era tão saudável assim. Por algum bom tempo abrir minha conta do Twitter era um exercício de sustos após sustos, de muito estresse e chateações. Com o tempo fui acostumando-me (como pode isso?) com estes chatos de plantão e passei a adotar uma tática que com o tempo mostrou-se extremamente acertada, ou seja, o bloqueio imediato de todo e qualquer ‘mala-sem-alça-das-redes-sociais’. Com isso acumulei alguns blocks em meu perfil e até hoje estas múmias seguem por lá, enroladas em suas faixas descansando em sarcófagos virtuais. E confesso que não me fazem falta alguma. Por conta desta experiência com o Twitter, bloqueei minhas outras redes sociais e somente recentemente é que tirei do privado o meu Instagram. Surpreendentemente neste ambiente tive pouquíssimos casos de bloqueios, mas ainda assim, aconteceram.

Tenho 47 anos de idade e 33 anos de convertido. Creio que muito mais tempo do que muitos dos 69 leitores assíduos de nosso blog. Longe de querer parecer e sentir-me um velhaco saudosista, posso garantir que lá no início de minha trajetória cristã, algumas características das pessoas que professavam a fé protestante eram justamente a idoneidade, seriedade, respeito e principalmente o AMOR. Lembro-me que no início de minha chegada na igreja, conheci pessoas que esbanjavam o amor, a caridade, os bons modos e costumes … o clima era tão ameno e cordial, que para um adolescente sem qualquer parente naquele ambiente, tudo aquilo me parecia positivo e extremamente acolhedor. Além da mensagem salvadora e libertadora da Cruz, o espírito de amor e respeito contribuíram definitivamente pela minha decisão de seguir naquela rota da qual não me desviei jamais, graças a Deus!

Jesus, nos ensina que o seu principal mandamento seria amar a Deus sobre todas as coisas e ao seu próximo como a ti mesmo. Não sou que afirmo isso, é o próprio Mestre! Estas palavras, este mandamento é de uma simplicidade e transparência tão grandes que nem mesmo um absoluto ser desprovido de entendimento não seria capaz de compreender sua mensagem. AME, AME, AME, independente de cor, gênero, condição social, posição, ideologia, apenas AME. Então me pergunto: onde pode haver espaço para a existência de HATERs no meio cristão? Que tipo de Bíblia esta turma está lendo, se é que lêem alguma coisa? Que líderes estas pessoas têm que não estão sendo ensinadas sobre o amor, o respeito ao próximo? O que está faltando para que esta turma deixe de se apregoar como cristãos, se na verdade não têm nada que os faça parecer com Cristo e seus ensinamentos? De verdade, acho que todos aqueles que não concordam em ser definidos como crentes chatos e odiosos, críticos e HATERs, deveriam começar a marcar posição (no amor, é claro!) apresentando uma alternativa positiva e saudável contra toda esta beligerância.

No amor,

Mauricio Soares, publicitário, jornalista. Para servir como trilha sonora deste texto, sugiro a canção “A lei e o amor”, do mega talentoso Seo Fernandes, disponível no link http://vevo.ly/68iMHn

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Seguindo rumo a São Paulo para mais uma maratona de reuniões, encontros e muito trabalho. O fim de semana será de muito trabalho. Tentando aproveitar ao máximo o tempo e tentando colocar as postagens do blog em dia, sigo me ‘distraindo’ e escrevendo alguns textos para deleite dos 69 leitores do Observatório Cristão. Às vezes tenho tantos insights, tantas ideias de temas que acabo ficando paralisado e não produzindo nada efetivamente porque sempre me paira uma dúvida sobre qual assunto devo abordar … e, aí na falta de uma decisão mais contundente, mantenho-me no estado inercial. Então pra romper essa paralisia produtiva, vou comentar a respeito de um fato ocorrido na última noite e madrugada dos dias 18 para 19 de maio, a saber: o vídeo da canção “Ninguém Explica Deus” do Preto no Branco ultrapassou a incrível marca de 100 milhões de visualizações, algo até então inédito no segmento de música gospel em todo o mundo na plataforma VEVO. É pra aplaudir de pé igreja!!!!!

Como já comentei outras vezes, esta canção é o exemplo mais bem acabado de uma música gospel que rompeu todos as barreiras do próprio gueto, atingindo pessoas não-evangélicas, ou o que comumente chamamos de mercado gospel. De uma hora para outra, pessoas que não têm contato com o segmento evangélico, com a música gospel, passaram a cantarolar os versos desta canção … “do crente ao ateu, ninguém explica Deus”. Postagens nas redes sociais, vídeos de artistas como Luan Santana, Wesley Safadão, Nego do Borel, a dupla Mateus e Kauan, o YouYuber Whinderson, todo mundo cantando e se emocionando com a força desta canção. “Ninguém Explica Deus” entra no seleto grupo dos hits da música gospel que de fato fizeram o autêntico crossover, ou seja, ultrapassaram os limites do mercado gospel, sendo reconhecida como um hit popular. Neste grupo, podemos reunir não mais do que umas 5 canções interpretadas por Lázaro, Aline Barros, Thalles, Régis Danese e agora, Preto no Branco. No entanto, não quero comentar sobre este sucesso fenomenal, fruto do talento dos intérpretes Clóvis Pinho e Gabriela Rocha. Ou ainda, da perfeita simbiose entre qualidade e estratégia desenvolvida por toda a equipe de profissionais envolvida no projeto, tornando o Preto no Branco a mais perfeita produção de um artista gospel em tempos e formato digitais até então. O tema que quero desenvolver pelas próximas linhas surgiu através da indagação de um profissional de marketing digital em um dos inúmeros grupos de whatsapp de que participo atualmente.

Já há alguns dias estávamos acompanhando com muita atenção a performance deste vídeo nas plataformas de vídeo streaming. Quando ainda faltavam cerca de 8 milhões de views para a marca dos 100 milhões, nosso alerta já estava ligado e projeções eram feitas imaginando a data em que romperíamos a meta proposta. E aí, justamente no grupo de profissionais de marketing digital dividi minha alegria pela proximidade do grande feito. Muitos emoticons de sorrisos, aplausos, olhos esbugalhados, comentários efusivos e impressionados dos participantes e em meio a tudo isso, uma pergunta que servirá de mote principal para este post, a saber: Mas este resultado é impulsionado ou orgânico?

Para quem não está muito ambientado aos termos e jargões do marketing digital, o que o jovem profissional queria saber era se houve de nossa parte algum investimento para aumentar a visualização do vídeo ou se este resultado foi espontâneo, natural, ou como falamos hoje no linguajar mais técnico, orgânico. Antes mesmo de eu responder ao questionamento, outro profissional do mesmo grupo imediatamente entrou na conversa e tratou de opinar com a seguinte palavra: Independente de orgânico ou impulsionado, a verdade é que o resultado é incrível, que milhões e milhões de pessoas assistiram e que o clipe e a estratégia funcionaram perfeitamente. A realidade é que a música se tornou um hit!

Esta conversa virtual gerou vários insights sobre este mesmo assunto. A realidade é que tem muita gente confundindo resultados fakes com alcances estratégicos devido a investimentos realizados com extrema eficácia e assertividade. Não podemos confundir investimento para alcance do maior número de pessoas com aqueles aplicativos e ferramentas que potencializavam em escala astronômica os seguidores de redes sociais. Do dia para a noite o cantor do interior de Mato Grosso saía do absoluto anonimato para incríveis 500, 800, 1 milhão de fãs … e mais do que isso, com amigos em todas as partes do mundo como Chechênia, Butão ou Croácia, São Gabriel das Missões. O cara ganhava mais amigos do dia para a noite do que vencedor da Mega Sena da Virada! Incrível!

Quando se fala em impulsionamento de música ou de vídeo o objetivo é que aquele conteúdo alcance o maior número de pessoas para que estas mesmas pessoas contribuam com a divulgação da canção, aí sim, de forma espontânea e orgânica. É assim que as coisas funcionam! Se a música tiver qualidade, a possibilidade de depois de um ‘empurrão’ a faixa tornar-se viral é absurdamente grande! Em contrapartida, em meio a tantos conteúdos que hoje contam com estes investimentos, a chance de uma música crescer e se tornar conhecida de forma natural, no boca a boca é bastante limitada porque diariamente as pessoas são impactadas por diferentes conteúdos e aí, de fato, não sobra muito espaço para quem não faz investimentos.

O mundo artístico tem algumas questões que constantemente precisam ser ajustadas. Hoje mais cedo conversei com um cantor que participa de um ministério de louvor de uma igreja bastante relevante no país. O material deles tem muita qualidade em vídeo, produção e repertório. Mas o resultado efetivo está longe de ser comemorado. Aí bem cedo este artista me direcionou uma troca de mensagens entre seu pastor e ele. Resumindo a história, o pastor questionava sobre o que estava faltando ao seu ministério para que não alcançasse os resultados esperados já que em termos de qualidade julgavam-se dentro de um bom nível. Minha resposta a esta indagação foi bastante simples e direta: faltava o marketing digital, os investimentos nas plataformas. Só assim, aquele conteúdo teria alcance e relevância junto ao público que interessava. Ressalte-se que esta é uma questão inequívoca e que não traz em si nenhum juízo de qualidade, pelo contrário, tanto as produções de alto apuro estético quanto outras músicas ruins do ponto de vista artístico (vide a enxurrada de hits vindos do funk paulista que estão no ranking de streamings no Brasil) seguem tornando-se sucesso devido aos investimentos em marketing digital.

Piloto avisando de nossa chegada…

Antes que o comissário me peça para fechar a mesa e desligar o computador gostaria de dizer que neste momento, contar com a assessoria de um profissional de marketing digital passa a ser tão importante como investir naquele produtor top de linha ou no diretor de vídeo com prêmios em Cannes … se não tiver alguém pra divulgar corretamente seu conteúdo será mais ou menos como aquele ditado do nadar, nadar e morrer na praia … bem por aí …

O comissário vem se aproximando …

Bye!

Mauricio Soares, publicitário, consultor de marketing, jornalista e pai … neste momento curtindo muito o novo single de Priscilla Alcântara (Tanto Faz) e o álbum “Lado B” da Discopraise … todo meu respeito aos rapazes do Planalto Central!!!!