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Mauricio Soares

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Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.

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Tenho reunido muitos insights para futuros textos no Observatório Cristão, mas por absoluta falta de tempo, não tenho conseguido trazer à vida todos os temas que neste momento estão apenas estocados em minhas anotações. Meu dia a dia tem sido muito intenso e isto deve-se também às mudanças no formato de trabalho digital. Se antigamente tínhamos 3 a 4 lançamentos por mês, nos longínquos anos em que trabalhávamos com projetos físicos, hoje em dia chegamos a ter 40 lançamentos em um único mês, muitas das vezes, 5 a 8 projetos simultâneos chegando ao mercado em uma única sexta-feira.

Mas para não deixar os 69 leitores com a sensação de abandono, reservei alguns minutos em meio a um vôo entre Beagá e Barreiras, o aeroporto mais perto de meu destino final, a cidade de Luís Eduardo Magalhães, no Estado da Bahia, para escrever um texto para o blog. E entre os tantos temas possíveis, escolhi uma frase que anotei durante uma reunião em que participei dias atrás. Em meio a tantas informações, comentários, novidades, uma frase proferida por um dos participantes me chamou a atenção a ponto de escrevê-la em meu caderno de anotações.

“O artista precisa entender que ele não vive um estado de espírito! Ser artista é antes de tudo, ter uma profissão!”

Para contextualizar esta frase, vale a pena comentar que estávamos diante de uma conversa entre profissionais da indústria fonográfica sobre como artistas que encaram a vida artística como uma profissão, alcançam resultados potencialmente superiores do que aqueles que a enxergam como uma qualidade, uma característica pessoal, algo etéreo, sobrenatural ou quase um destino.

Especialmente no ambiente evangélico esta definição de vida artística como profissão suscita debates acalorados, muito preconceito, muitas baboseiras, muita santarronice e raros momentos de lucidez. Em nosso segmento, a questão do chamado ministerial, introduz mais um componente nas discussões sobre o tema. Outro dia assisti a um debate com pastores-intelectuais-da-esquerda-festiva em que aqueles doutos detonavam os artistas e seus cachês. A impressão que tive era de estar diante de pessoas completamente santas, que viviam a cada dia o milagre do maná … o problema é que boa parte dos participantes daquela mesa, era de pessoas que já conheço faz muitos e muitos anos … e posso garantir de que todos, sem exceção possuem bons carros, propriedades, viajam constantemente ao exterior e têm seus soldos pagos por igrejas, instituições ou na venda de livros, camisetas e se sustentam à base de ofertas. De vez em quando um destes sites deploráveis de fofocas gospel lança matérias sobre cachês e exigências de artistas. Ou seja, há muita opinião a respeito do tema – o profissional de música cristã.

Mas o caminho que eu quero seguir não é por esta rota. Até porque já expus em diversos outros posts nas redes sociais e mesmo aqui no Observatório Cristão, o que penso sobre esta questão e minha falta de paciência nestes debates. O que eu quero falar a partir de agora tem a ver com a necessidade do artista de música gospel deixar de lado o amadorismo e passar a encarar seu ministério/trabalho como algo efetivamente braçal, estratégico, técnico, com mais transpiração do que só inspiração. Recentemente promovi um grande treinamento digital junto ao cast da gravadora em que estou à frente. Por mais de 8h tivemos um intenso dia de treinamento, conteúdo, palestras, apresentações, enfim, invertemos a posição dos personagens, onde os artistas ficaram na plateia (muitos atentamente anotando tudo!) e os profissionais assumiram o microfone. Confesso que havia momentos em que me impressionava com o nível de atenção dos artistas – mais de 50 presentes – e de todos os participantes do treinamento (algo em torno de 300 pessoas). Foi especialmente inspirador perceber, caneta e bloco de anotação à mão, uma decana como Aline Barros atentamente participando de tudo com um foco impressionante. Ou ainda ver artistas como Nívea Silva (que até uns meses atrás sequer sabia o que eram os apps de áudio streaming) ou Sandro Nazireu (outro também que até meses atrás não sabia se era de comer ou beber … completamente perdido) participando das palestras, interagindo e até sendo apresentados como cases, modelos a se seguir pelos demais.

Durante os dias que se seguiram ao treinamento, a mudança de postura dos artistas presentes foi surreal. A transformação chegou a ponto de nossa equipe escolher alguns dos participantes para serem monitorados pelos próximos meses, com o foco na performance digital. Alguns casos, em apenas 5 dias, cresceram mais de 60% no número de streamings. Outros, em pouco tempo aumentaram em mais de 1.000% o número de fãs nos perfis oficiais. Ou seja, com apenas algumas mudanças de atitudes e postura, os resultados cresceram exponencialmente.

Nestas 3 últimas semanas, coincidentemente fui entrevistado por algumas mídias e todas com foco no crescimento do consumo de música gospel nos aplicativos de áudio streaming. No caderno Ilustrada da Folha de São Paulo (mega destaque de capa) fui perguntado pela repórter sobre os motivos do atraso na transição do consumo de música gospel. É notório que ainda nem 5% do enorme contingente de evangélicos no Brasil (cerca de 60 milhões) já usufruem conteúdo gospel pelos apps de streamings. Minha resposta foi simples e direta. A culpa deste delay deve-se especialmente às gravadoras do segmento que demoraram a entender as mudanças da indústria e do consumo e, também a própria classe artística que manteve uma postura distanciada perante às transformações. O público consumidor, em minha opinião, não tem culpa alguma por este atraso monumental. Na verdade, os vejo muito mais como vítimas do que co-responsáveis por qualquer problema neste assunto.

Então, o foco no texto de hoje é estimular à classe artística a romper com este autismo, esta inércia endêmica. Hoje ao artista não é mais permitida a opção do “não mexo com isso!” ou “não entendo nada destas coisas de digital” – simplesmente não há mais espaço para esta postura! O artista precisa antes de mais nada entender que neste momento aqueles que manejam bem suas redes sociais e estabelecem estratégias e planos de ação, sairão à frente dos demais e muito seguramente manterão o posto de destaque entre o segmento musical.

E o que deve ser priorizado? O que o artista precisa fazer e focar para ter uma melhor performance em tempos digitais?

Adaptando um pouco do que apresentamos em nosso último treinamento, vou elencar algumas ações fundamentais para o artista neste momento a partir de questionamentos que temos recebido por parte de artistas nos últimos tempos. Então, prepare-se, vamos a um intensivo a partir das próximas linhas! Mas antes de destacar algumas ações, é fundamental que o artista se aprofunde no uso dos apps de áudio streaming. Não existe essa estória de divulgar o que de fato não se aplica ou não se conhece. Ao artista, neste momento, ter conhecimento sobre o universo digital é questão de sobrevivência.

O que eu devo priorizar? Aumentar o número de seguidores em redes sociais ou os perfis dos aplicativos de streaming?

Em primeiro lugar é importante deixar claro que uma prioridade não exclui a outra, ou seja, o ideal é que as estratégias sejam trabalhadas em paralelo. No entanto, se tivermos que optar (principalmente pela escassez de recursos para investimento) entre um ou outro foco, a opção em incrementar os perfis nos apps deve ser levada mais a sério. Esta opção aplica-se ainda mais aos artistas que já possuem bons números de seguidores nas redes sociais. O tempo do “me segue lá na rede social tal” já passou e agora o objetivo é incrementar o número de fãs nos perfis da Deezer, Apple Music ou Spotify, por exemplo. No caso de artistas iniciantes, sem tanta relevância nas redes sociais, o trabalho deve ser dobrado, porque não há lógica estimular seguidores nos perfis de áudio streamings se, este artista não possui uma boa base nas redes sociais.

Como venho falando sistematicamente, todo artista precisa contar com uma assessoria de marketing digital, porque este profissional irá estabelecer ações, estratégias, metas e objetivos para que o artista torne-se mais relevante nas redes sociais e, principalmente junto aos apps. E aqui, permito-me um comentário: é fundamental que o artista tenha uma postura participativa em todo este processo. Transferir a responsabilidade na aquisição de fãs para impulsionamentos ou estratégias de marketing e remarketing irá atrasar em muito tempo o alcance dos resultados. O artista precisa engajar-se neste processo, ou seja, falar todo o tempo sobre a importância de que os seus fãs o sigam nos perfis digitais.

O valor de monetização de vídeos caiu assustadoramente nos últimos anos. Ainda assim vale a pena investir em conteúdos de vídeos e em investimentos de impulsionamento?

Sim, sem dúvida! A música passou a ser visual e por isso, é fundamental que a produção de conteúdos em vídeo seja intensa e permanente. Se tem condições de lançar um single com clipe, perfeito! Se a grana e tempo não permitem, então invista ao menos em um Lyric Video e, se ainda assim, não for possível, ao menos coloque no ar um pseudo vídeo, lembrando que em todos os casos, é fundamental que o artista esteja monetizando sobre o número de views.

Há uma certa miopia neste momento quando se fala de investimentos digitais, especialmente no tocante ao impulsionamento de vídeos. Inclusive escrevi um texto a respeito meses atrás falando a respeito do conceito de organicidade, ou em um bom português, quando o resultado vem de forma natural, sem investimentos para um maior alcance. Se o artista acredita no potencial de sua canção, o mínimo que ele almeja é que sua produção seja assistida pelo maior número de pessoas e, portanto, nada mais natural que seja feito um investimento para que aquele conteúdo vá o mais longe possível. Então, não há nada de irregular em fazer investimentos! As pessoas confundem impulsionamento com a compra de seguidores (o famoso me engana que eu gosto!). O investimento digital é algo completamente normal, inteligente, estratégico (quando feito de forma profissional, técnica) e que comprovadamente dá muito resultado. Então, sobre este tema, mas uma vez reforço a necessidade de todo artista contar com a assessoria de um profissional de marketing digital. Não neglicencie esta dica!

As redes sociais são ferramentas de incremento ao consumo de música pelos apps?

Muito! Talvez sejam o melhor ambiente para que o artista comunique com seu público incentivando-o a consumir música no ambiente e formato correto. Infelizmente tenho observado (sim! me dou ao trabalho de pesquisar as redes sociais de vários artistas do segmento gospel, inclusive de artistas que não trabalhem comigo diretamente) que a imensa maioria dos artistas não faz uma única menção aos apps de áudio streaming. E isto é simplesmente assustador! Acho que a palavra certa não seria “assustador”, mas estarrecedor tamanha miopia da classe em sua própria sobrevivência. Os artistas gospel se identificam muito em fazer ações de merchandising de barbearias, cabelereiros, restaurantes, clínicas de estética, dentistas e afins … tudo na base descarada do “me tratou bem, divulgo em minhas redes”, mas pouquíssimos são aqueles que fazem campanhas para que o consumo da música (inclusive seu próprio conteúdo!) seja feito nas plataformas digitais. E aí tenho que relembrar que o ambiente correto de se ouvir são os apps de áudio streaming e não o YouTube (infelizmente o ambiente de consumo de música mais usual para boa parte do público gospel).

O distanciamento dos artistas gospel das plataformas digitais é algo que vem trazendo prejuízos grandes para o segmento como um todo, para artistas, em especial que não conseguiram se posicionar no ambiente digital e, de alguma forma, para o público consumidor que não enxerga e compreende a transição do formato de consumo de música para o digital. Este atraso, deve ser combatido e, sem dúvida, o principal campo de batalha, são as redes sociais.

Eu devo escolher uma plataforma e massificar minha comunicação direcionando tudo a este app?

Jamais! O artista não pode limitar-se a uma única plataforma de app de áudio streaming. É fundamental que o artista possua ao menos 2 contas nos apps em que o seu público esteja mais presente. É óbvio que no dia a dia, temos predileções por esta ou aquela plataforma, no entanto, a comunicação deve ser sempre direcionada a cada um dos públicos que estão presentes nos diferentes apps. Ou seja, esta frase manjada de “Em todas as Plataformas Digitais” tão usada nos flyers em redes sociais, deve ser substituída em divulgações separadas, pois quem consome música pela Deezer tem um perfil próprio, assim como Apple Music ou Spotify, apenas para citar as 3 principais. É fundamental que o artista mantenha atualizado cada um dos seus perfis. Há casos clássicos de artistas que sequer divulgam outra plataforma que não seja a que se relaciona como consumidor, com isso, ele abandona seus fãs à própria sorte e, sempre, os resultados de streamings ficam muito abaixo do potencial.

O artista precisa atualizar suas playlists, além de possuir conteúdos específicos para cada app. Isso dá trabalho? Sim, pode até dar pra quem ainda não encara esse processo como algo prazeroso, mas sendo trabalho ou deleite, a verdade é que todo artista precisa arregaçar as mangas e trabalhar! Sim, trabalhar! E assim encerro meu texto iniciado e finalizado em uma viagem para a cidade de Luís Eduardo Magalhães, no extremo oeste do Estado da Bahia onde fui palestrar a respeito justamente do mercado digital, música, estratégias e números. Fiquei especialmente surpreso ao me deparar com dezenas de pessoas, de diferentes idades, expectativas e estilos presentes na palestra promovida no meio de uma tarde ensolarada no meio do cerrado baiano. E mais ainda surpreso ao constatar que mais de 80% dos presentes já tinham uma conta em algum dos apps de áudio streaming. Isso é fantástico e cada vez mais estou convicto de que em mais pouco tempo teremos um número substancial de usuários digitais dentro do público evangélico no Brasil.

O resumo deste texto é que o artista precisa ser mais participativo. Precisa ser mais braçal e menos ‘dolce far niente’. Precisa se envolver com os processos e deixar de ficar assistindo a banda passar. Precisa divulgar e estimular o público a se engajar no novo formato de consumo de música. Precisa contar com profissionais capacitados à sua volta. Precisa entender que sem o suporte de uma gravadora com acesso às plataformas digitais, será como remando sozinho contra uma forte correnteza. Precisa, em outras palavras, trabalhar! Trabalhar. Trabalhar e, pra não restar dúvidas, trabalhar!

Então, não perca tempo, arregace as mangas e vamos trabalhar!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, consultor de marketing, alguém que neste momento não vê a hora de merecidas férias. Que venham logo, please!

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Há algum tempo atrás era bem comum encontrar adesivado em vidros dos carros pelas grandes cidades uma campanha que dizia “Seguro, só com corretor de seguros”. Tempos depois passamos a nos deparar com outras categorias profissionais em campanhas semelhantes onde o conceito que se repetia era sempre o mesmo, ou seja, cerque-se de profissionais credenciados e de qualidade para somente assim garantir que não terá problemas futuros. Existe um ditado popular que diz: “Diga-me com quem andas e te direi quem és”. Em uma palestra ouvi do preletor a seguinte afirmação: ‘Muito pior do que ter um funcionário passivo, lento, sem iniciativa, não criativo … é ter um idiota voluntarioso, o estrago costuma ser bem maior!”

Estava conversando com um amigo profissional da indústria fonográfica, alguém com pouco mais de 10 anos de mercado, portanto já com uma relativa experiência em nosso meio e ele me relatava a respeito de uma experiência traumatizante que havia vivenciado dias atrás. No meio de um processo de renegociação de contrato, este profissional viu-se diante de uma situação constrangedora onde o artista simplesmente recusava-se a negociar diretamente com a gravadora e havia determinado um interlocutor de seu staff para tratar de todo o processo. Até aí, nada demais … muitos artistas (especialmente no meio secular) possuem empresários e managers que cuidam de todas as questões relativas a números, contratos, percentuais, venda de shows etc. Só que neste caso, o tal interlocutor imposto pelo artista era alguém completamente despreparado, sem experiência do mercado fonográfico, sem ‘tempo de estrada’, que não havia participado do processo de construção daquele projeto/artista desde o início e, o pior, com uma arrogância tamanha que praticamente inviabilizou todo o processo de conversação entre aquele artista e a gravadora.

Quase que como um terapeuta, fui ouvindo as queixas e decepções daquele profissional (que tem meu máximo respeito!) pela forma com que todo aquele processo havia sido conduzido. Era latente de que aquele artista havia errado de várias formas na condução da negociação e o principal fator neste erro, sem dúvida, foi a colocação de alguém sem a menor condição de representá-lo. E aí voltamos ao primeiro parágrafo deste texto que escrevo em meio a uma ponte aérea entre Rio e São Paulo. Há uma carência de profissionais que realmente estejam preparados para conduzir carreiras artísticas no meio gospel e católico no Brasil. Vivemos uma profusão de maridos, esposas, cunhados, primos que surgiram não se sabe de onde … filhos, vizinhos e até sogras que de uma hora para outra imaginam-se como sendo Dodi Sirena, Poladian ou outros empresários de sucesso no show business. Isto é mais comum do que se possa imaginar para tristeza daqueles (como eu!) que precisam sentar-se à mesa de negociação para tratar de contratos e do gerenciamento de carreiras. O nível de conhecimento no ambiente dos ‘empresários’ do meio gospel é perto do pré-sal e não falo isso para diminuir ninguém, mas justamente para estimular ao crescimento, ao entendimento, à maior capacitação e busca de conhecimento. Simples assim!

Meses atrás reuni-me com um destes empresários-maridos-de-cantora-gospel e o nível de desconhecimento do mercado da música, do ambiente digital, em especial, beirava o nível máximo de ‘vergonha-alheia’. O marido sequer conseguia pronunciar Spotify, Deezer, ou palavras mais comuns como views e single … quando não conseguia mencionar estas palavras, recorria ao surrado ‘essas coisas’ … e confesso que nunca ouvi tantas vezes ‘essas coisas’ numa conversa de pouco mais de 1 hora de duração. Mas aí você deve se perguntar, mas será que todo mundo nasce sabendo? Tem algum mal em ser empresário e marido da cantora? De pronto respondo que não! Não há problema alguma em unir a filiação ou o vínculo familiar com o trabalho de gestor de uma carreira artística, mas o DNA não pode ser mais importante o que o conhecimento! Jamais! Pra começo de conversa, o que mais temos hoje em dia é informação ao alcance das mãos. Basta um tempo de dedicação, pesquisa, leitura e observação in loco dos processos, para se formar conhecimento. No caso de gestores de carreiras artísticas, uma boa dica é buscar conhecer outros profissionais do meio e aprender com eles. De fato, sugar ao máximo o conhecimento e adaptar à realidade de seu artista tudo o que foi aprendido.

A verdade é que tem muita gente em nosso meio querendo ser o que de fato não é … e neste momento, contar estória já não leva ninguém a lugar algum! Ou se sabe com propriedade ou então, é melhor ficar quieto. O que não ocorreu em uma recente reunião em que participei e um jovem com seu blazer surrado disse que uma determinada artista havia trazido mais de 1.000% de lucro para a gravadora. E o rapazinho falou isso com a maior sem-cerimônia como se fosse normal um artista alcançar tal lucratividade, ou seja, deveria ter ficado calado (e comprar um blazer novo!). O ruim para ele é que nesta reunião tinham apenas profissionais mega experientes do mercado da música e aquela sua intervenção, praticamente o desabilitou no restante da reunião. Ninguém mais o levou a sério!

O mercado da música seguirá crescendo pelos próximos anos! Isso é fato! Especialmente no Brasil com um delay significativo em termos de qualidade de acesso aos conteúdos digitais. Neste momento, estar inserido no cast de uma gravadora faz toda a diferença para qualquer artista e contar com o suporte de profissionais irá garantir resultados que certamente irão contribuir e, muito, para uma carreira de sucesso e maior longevidade. Então, minha sincera dica é “Seguro, só com corretor de seguro!”

Mauricio Soares, jornalista, publicitário, 30 anos de mercado gospel e alguém que não curte gente que finge que entende e na verdade não entende nada, mas que sabe fingir o que não sabe.

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É impressionante como nos tornamos reféns de algumas tecnologias. Para quem começou a trabalhar na era do Telex, depois do fax e dos e-mails, ter que lidar com o whatsapp e vê-lo substituir o próprio telefone e o correio eletrônico, é algo incrível. Começo escrevendo este texto justamente porque neste momento a equipe de IT da empresa em que trabalho resolveu sequestrar meu aparelho celular para back up e mudança de equipamento. Com isso, já estou faz 2 horas sem ter acesso ao whatsapp e de repente me vejo completamente de mãos atadas, sem ter como me comunicar com o mundo exterior como se estivesse em meio à floresta Amazônica, sem sinal de celular ou coisas do tipo. E como tenho tido pouco tempo para escrever os textos para o blog, vou aproveitar o fim de tarde de um dia espetacularmente bonito e iluminado no Rio de Janeiro para escrever este texto.

Aproveitando este momento de isolamento whatsappiano comecei a pesquisar alguns sites de artistas e alguns perfis das plataformas digitais, especialmente o Deezer e Spotify. Fiz um exercício de busca, análise e considerações. Primeiro listei alguns dos principais nomes do meio artístico gospel. Depois selecionei alguns outros artistas que estão em fase de desenvolvimento de carreira, gente jovem que ainda está buscando seu espaço no mainstream e por fim, alguns dos medalhões de nosso circuito artístico, personagens com 20 ou mais anos de estrada. No fim, listei 38 nomes e pacientemente fui visitando cada um dos seus perfis e sites oficiais. Ressalte-se não foquei em redes sociais! Meu objetivo foi basicamente as páginas oficiais e os perfis nas plataformas. E o resultado foi desolador … eu diria que foi decepcionante, frustrante, assustador!

Em quase 80% dos sites, a sensação de poeira e abandono ficou latente! Muito mesmo … não sei se pela proximidade do Halloween a impressão que tive é que os sites oficiais destes artistas estavam tão cheios de teias de aranhas (isso é uma força de expressão, por favor, hein!?!?!) que mais se assemelhavam a um site mal assombrado ou coisa que o valha! O mais comum nestes sites era o espaço de agendas completamente desatualizado com eventos que remetiam a longínquos 6 a 12 meses atrás (uma simples ferramenta resolveria esta parte!). Ou ainda, a biografias que descreviam o que aconteceu até, no máximo, 3 anos atrás, ou seja, praticamente como se nada houvesse acontecido de 2014 em diante … e as Galerias de Fotos? Tudo bem que algumas cantoras queiram manter uma imagem de jovialidade, mas manter fotos dos 30 anos de idade quando se está beirando os 50 anos é forçar um pouco demais a barra, ou não?

Na lista de sites sem atenção frequente, destaque para os telefones de contato que não foram atualizados e para a ausência de imagens dos novos projetos do artista. Ou seja, normalmente o visual do site oficial do artista deve estar 100% de acordo com o projeto visual do último trabalho lançado. Há uma necessidade de que a comunicação visual do artista esteja padronizada com o seu projeto atual, isso é mais básico do que aluno de comunicação ler Philip Kotler. Praticamente nenhum artista gospel segue esta regra à risca!

Geralmente quando um artista decide criar seu site ou atualizar toda a proposta do site atual, ele sai listando uma série de ferramentas, caminhos, informações, conteúdos. Lembro-me que antigamente os sites de alguns artistas acabam tornando-se verdadeiros mastodontes, uns negócios gigantes, quase portais de tanto conteúdo e informações. Com o tempo o mercado foi percebendo que neste caso de sites, o menos era o melhor, a síntese das informações era primordial e que aquele espaço deveria informar, mas não necessariamente entregar tudo, atender a todas as demandas, suprir todas as necessidades. Então, partiu-se para uma tendência de atender ao mínimo de informações e direcionar as pessoas que quisessem algo mais, a buscar o contato personalizado, direto, específico.

De forma bem direta, um site de artistas precisa basicamente do mesmo mix de informações, a saber: Biografia, Agenda, Contatos, Links aos perfis das plataformas de áudio/ vídeo streaming e redes sociais. Nada além disso! Todo o mais pode ser transferido para outros canais de informação, especialmente as redes sociais, especialmente a fanpage do artista. A discografia, por exemplo, já é uma informação que se encontra nas plataformas de áudio streaming, portanto não precisa estar no site oficial do artista. Galeria de Fotos é outra questão que tornou-se obsoleta em se tratando de sites, afinal, quer melhor galeria de imagens do que o Instagram? E pra que Galeria de Vídeos se temos o canal do artista no YouTube ou VEVO?

Muitas empresas e artistas optaram em concentrar suas informações institucionais no Facebook. De fato, esta foi uma forte tendência do mercado nos últimos 5 anos em especial. Só que mais recentemente todos perceberam a importância de terem seus espaços 100% controlados, independentes, onde podem comunicar-se e informar sem que necessitem pagar ou impulsionar seus conteúdos. Então, é muito importante que todos os artistas voltem sua atenção para os sites oficiais e que mantenham este espaço sempre atualizado e o mais enxuto possível, justamente para não tornar um peso extra de atenção.

Voltando à minha pesquisa, percebi que 90% dos artistas não ofereciam link de acesso às plataformas digitais de consumo de música e mais de 60% destes sites destacavam o produto físico, CD/DVD/Playback como se ainda estivéssemos em pleno anos 2000. Ou seja, não adianta ir para as redes sociais dizendo que está antenado nas novidades e tendências digitais se o seu site oficial segue divulgando os produtos físicos. Olha a coerência aí pessoal, por favor, hein!?!?!?

Muitos artistas criam seus sites, simplesmente porque ‘todo artista precisa ter’ um site ou porque precisa divulgar o seu contato para convites. Basicamente por isso. No entanto, o principal objetivo do site é ser um canal de informação, contato e relacionamento. Um dos sites pesquisados fui positivamente surpreendido por um Pop Up (aquelas janelas que surgem no meio da tela para interação) agradecendo pela visita e me estimulando a preencher um pequeno cadastro para que a partir daí eu fosse notificado por shows daquela artista em minha cidade ou região, lançamentos e todas as novidades. Achei ótima aquela ação, mesmo entendendo que não há nada de tão criativo, apenas por de fato ter sido colocado em prática. Pois bem, este tipo de atitude, criando cadastros de fãs ou afins, é algo extremamente importante neste momento de contato direto com consumidores. E, sem dúvida, o site é um importante canal de contato e aquisição de cadastros.

A questão das agendas nos sites também me chamou a atenção. Há artistas onde este espaço está em 2016 … atualização zero! Há outros em que o artista coloca na agenda até o chá de bebê da cunhada ou o culto de oração na casa da Irmã Zuleika … e há aqueles que colocam simplesmente a data e a cidade em que estarão, no melhor estilo: “Tô cansado demais pra escrever a informação completa, assim tá bom!” Ou seja, informar que no dia 18 de outubro o artista estará em São Paulo é mais ou menos como você combinar com seu amigo que estará na Praia de Copacabana no primeiro sábado do verão, ou seja, as chances de vocês se encontrarem beiram o nível zero! Se é pra informar, que seja com os dados completos, nome do evento, cidade, endereço, horário, tipo do evento, no caso de eventos ingressados … incluir o local de venda de ingressos. Ou seja, a informação completa! Simples assim.

Então, espero que numa próxima pesquisa me depare com sites mais atualizados, com estética agradável e moderna, com informações atualizadas, navegação simples e leve, ou seja, que eles sejam tratados com o devido respeito que merecem.

P.S. – Nos próximos dias será lançada a campanha #VemProStreaming promovida por 7 gravadoras de nosso segmento. Fique atento e participe conosco se engajando, divulgando e principalmente consumindo música através dos apps de áudio streaming.

Mauricio Soares, pai, jornalista, publicitário, editor do blog Observatório Cristão.

De tempos em tempos há algumas perguntas que costumam ser repetidas numa frequência recorrente e de alguma forma reproduzem fases específicas de minha vida ou do mercado, apenas para citar 2 momentos bem distintos. Me lembro que enquanto namorava minha futura esposa (um namoro que se estendeu por alguns anos) as pessoas nos perguntavam constantemente sobre quando nos casaríamos. Depois de subirmos ao altar, bastaram apenas alguns poucos meses para que as primeiras cobranças pela chegada do primeiro filho começassem a surgir. Passados quase 6 anos depois, veio a notícia da gravidez de minha esposa e aí as inevitáveis perguntas: prefere menino ou menina? Quando saiu o resultado da chegada do Fernando, meu primogênito, festa de todos, muitas felicitações e já de bate pronto a inevitável pergunta: mas e aí? Não vão parar em um filho só, né? Tempos depois recebemos a notícia da chegada do Leonardo, nosso segundo filho e com ele as perguntas seguiram sobre os assuntos mais diversos como a preferência do sexo (agora é um casal?), o nome do bebê, a continuidade do processo reprodutivo (fechou a fábrica?) e coisas afins. É impressionante a falta de noção das pessoas em, na verdade, não se preocuparem com as respostas, mas sim em dar a sua própria opinião a respeito das coisas que não lhe dizem respeito e, principalmente a ausência de criatividade, principalmente nas piadas que geralmente seguem um script padrão do tipo: que bom que puxou à mãe, salvou a família!

Trazendo esta realidade para o nosso mercado, há alguns anos atrás eu repetidamente era questionado sobre o tempo de vida útil dos CDs … projeções as mais descabidas surgiam e constantemente as pessoas me perguntavam sobre este assunto. Tempos depois a pergunta já focava especificamente para o mercado gospel: tudo bem que no meio secular a transição entre o físico e o digital está indo rápida, mas no meio gospel o digital vai crescer tanto mesmo? Em quanto tempo teremos o mercado consumindo música exclusivamente no digital? Recordo-me que sempre respondi a este questionamento com a certeza de que mais tempo ou menos tempo, o mercado se renderia ao digital. A questão para mim não era o “se”, mas o “quando”. E ainda hoje, mesmo com a transição do mercado fonográfico acontecendo de forma mais intensa nos últimos 3 anos, sou questionado sobre esta mudança dos hábitos de consumo de música entre o público evangélico tupiniquim.

E ontem, conversando com alguns amigos, o assunto desta transição surgiu mais uma vez. Particularmente gosto muito de números, dados, estatísticas, tendências, enfim, trabalho com informações e costumo usá-las sempre quando me deparo com algum tipo de debate ou questionamentos. Então, no meio deste bate papo tendo a Baía de Guanabara ao fundo, esplendorosa, maravilhosa … comentei aos amigos de que hoje 96% de nosso faturamento na empresa refere-se às vendas digitais contra apenas 4% de produtos físicos. Apresento os números do crescimento do mercado fonográfico no Brasil e no exterior, a tendência de crescimento para os próximos 5 anos, comento sobre a queda de mais de 70% nas vendas físicas no país em 2017 e ainda, uma visão pessoal (ressalto aqui, uma opinião própria desprovida de maior profundidade ou números estatísticos!) de que o mercado digital ainda não atingiu a grande parcela do público cristão no Brasil. Especificamente junto aos apps de áudio streaming, o DataSoares especula que não mais do que 5% (talvez até menos do que isso!) do que consideramos como consumidor evangélico nacional esteja vinculado às plataformas. Resumindo, em minha opinião, Spotify, Deezer ou AppleMusic hoje estão atingindo uma pequena parcela dos mais de 60 milhões de brasileiros evangélicos, ou seja, se as coisas estão boas, imagine quando 20, 30, 40% da população passar a usar os serviços destes apps. Será uma revolução!

Seguindo com esta perspectiva, as possibilidades do mercado digital são, de fato, impensáveis, incalculáveis! Temos que levar em questão que a partir dos apps de áudio streaming, diferentes públicos terão acesso a conteúdos de música gospel e, não necessariamente apenas o próprio segmento. O que quero dizer neste caso é que, se antigamente era bem mais difícil que uma pessoa não-evangélica entrasse numa livraria específica para comprar um disco da Damares, Diante do Trono ou Aline Barros, hoje em dia, esta mesma pessoa pode tranquilamente criar sua playlist de músicas gospel ou mesmo ouvir a nova canção do Preto no Branco por um destes apps de áudio streaming. Ou seja, o acesso tornou-se muito mais democrático, facilitado e é natural que atinja muito mais pessoas (não só no Brasil, mas em escala global!), diferentemente do que vivíamos na época dos CDs e DVDs.

Então, neste momento sigo com a mesma dúvida de tempos atrás. Não estou preocupado se o enorme contingente de evangélicos no Brasil passarão a consumir música pelos apps de áudio streaming, isso já é fato consumado! A questão que me aflige neste momento é quanto tempo as pessoas evangélicas se engajarão de fato nos aplicativos. E neste caso, nos aplicativos e canais corretos, porque quando se fala em consumo de música, o ambiente correto para esta prática são os apps de áudio streaming e não necessariamente o YouTube. Frise-se bem esta informação. Irei até repetir para que não reste a menor dúvida. Se você pretende aprender a desentupir a pia da cozinha, a tirar mancha de molho de tomate da roupa ou mesmo assistir a uma linda mensagem devocional, o ambiente correto para estas questões chama-se YouTube. Agora, se a sua intenção é ouvir música, ter acesso a um catálogo com mais de 40 milhões de músicas, criar suas playlists pessoais, compartilhar canções e estar sempre antenado com as novidades ou mesmo ter acesso à discografia de seu artista favorito em simples navegação, então, o ambiente correto são os aplicativos de áudio streaming, Deezer, Apple Music, Spotify, entre outros. Sem falar nas outras peculiaridades do serviço como ter acesso às canções no modo off line, a própria qualidade de áudio e várias ferramentas específicas.

Para tentar diminuir um pouco mais este delay na inserção do público gospel junto aos apps de streaming, de forma histórica, algumas gravadoras do segmento gospel têm se reunido nas últimas semanas com o objetivo único de criar ações em prol do áudio streaming no meio evangélico nacional. Entre as pautas, a principal é estimular o povo evangélico a aderir o quanto antes às plataformas de áudio streaming e para isto, uma grande campanha com a participação de muitos artistas de destaque no segmento será lançada em breve. Entre as gravadoras deste movimento, a saber: Som Livre, Universal Music, Sony Music, Musile Records, Oni Music, Mess Entretenimento e Central Gospel.

Creio que entre outras razões, este atraso do segmento gospel no tocante aos aplicativos digitais deve-se principalmente ao desconhecimento e interesse de boa parte da classe artística e em maior parte, pela inércia das gravadoras do segmento que imaginaram que o processo de transição seria bem mais lento do que de fato foi … ou seja, neste momento temos que literalmente correr para recuperar o tempo perdido e promover o quanto antes a transição dos hábitos tradicionais de consumo de música para o ambiente digital. Então, finalizo este texto com a frase de um destes amigos que recebi ontem para um papo … “Numa hora vai!”

E que venha o quanto antes!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, palestrante, consultor de gerenciamento de carreira, tricolor, pai de 3 meninos que sempre quiseram ser meninos e casado com uma mulher que sempre quis ser tratada como princesa! Simples assim

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Neste momento tenho alguns textos na gaveta. Alguns ainda carecem de melhor acabamento, outros resumem-se a poucas linhas … a verdade é que sempre procurei tratar o Observatório Cristão como um hobby e por isso mesmo, não determino uma periodicidade, um peso, uma responsabilidade além da conta. Por isso mesmo, preciso agradecer aos nossos diletos 69 leitores que mantém-se fiéis, mesmo sabendo que esta relação muitas das vezes é desequilibrada.

De tempos em tempos preciso publicar alguns textos atualizando sobre tendências, novidades e novas formas de encarar o mundo artístico e tudo que o ronda. Pois neste momento há uma série de dúvidas quanto à importância do artista estar junto à uma gravadora, sobre o papel de empresas agregadoras e afins. Então, sem muitos rodeios, vou tentar elucidar algumas destas dúvidas.

Em primeiro lugar, gostaria de falar sobre o papel da gravadora em tempos digitais. Muita gente acredita que pela facilidade em se disponibilizar conteúdos nas plataformas digitais, o trabalho e a importância das gravadoras esvaiu-se gradativamente como ações da EBX do outrora bilionário Eike Batista. Ledo engano. Neste momento em que as plataformas digitais tornaram-se os principais canais de negócios, distribuição e monetização, estar debaixo de um selo, de uma gravadora, faz toda a diferença! E longe de se autoproclamar como um bem necessário, cabe aqui destacar que estas plataformas, até por questões de praticidade e organização, reservam-se ao direito de relacionar-se prioritariamente com as grandes gravadoras e selos. Ou seja, por mais criativo, influente, investidor ou diferenciado que o artista independente seja, a realidade é que muito dificilmente este terá atenção por parte das plataformas de streams. E aí não cabe nenhum preconceito, bullying, cartel ou algo do tipo, isto ocorre simplesmente porque a quantidade de lançamentos habituais que as majors possuem já são tão grandes que praticamente inviabiliza a atenção e espaço nas plataformas.

Nos tempos físicos, vale ressaltar que as Lojas Americanas, Saraiva, Leitura, Cultura, Carrefour e outras grandes redes de varejo, também restringiam absurdamente o contato com pequenos fornecedores, pequenos selos ou gravadoras. Artistas com grande força de vendas no mercado de distribuição gospel, não necessariamente tinham seus produtos disponíveis nas gôndolas das grandes redes de varejo. No entanto, como já mencionamos anteriormente, estes ainda possuíamos canais de distribuição específicos que garantiam o sustento do projeto. A diferença hoje em dia é que não temos canais segmentados de distribuição, ou seja, o mercado da música está totalmente direcionado às plataformas digitais.

Vejo alguns artistas tomando atitudes bastante equivocadas neste momento de transformação do mercado fonográfico. No afã de terem seus ganhos aumentados pela mudança nos percentuais de royalties com a utilização de empresas agregadoras, alguns artistas têm optado em seguir de forma independente. Para quem não está ambientado aos termos, cabe explicar que ‘empresas agregadoras’ são aquelas especializadas em disponibilizar os conteúdos dos artistas e labels nas plataformas digitais. Observe bem o verbo que utilizei para explicar o serviço básico de uma empresa agregadora: disponibilizar. Sim, apenas incluir os conteúdos nas plataformas digitais, algo como colocar uma música em meio a outras 40 milhões de canções. É como se você tivesse um produto, um único produto, colocado na prateleira de um destes enormes supermercados com mais de 40 milhões de outros itens … imagina a chance de seu produto chamar a atenção do consumidor … seria mais ou menos a mesma proporção de um único bilhete da Mega Sena acertar as 6 dezenas. Pouco provável né?

O trabalho das agregadoras, em sua imensa maioria, é tão somente incluir os produtos nas plataformas, não fazem parte do serviço ações de marketing, impulsionamentos, relação mais estreita com as plataformas ou mesmo com os artistas. Cabe ressaltar que em boa parte destas empresas, toda a operação se dá de forma sistematizada pela web. O artista preenche formulários, envia os arquivos e só … nada além de uma relação virtual. Claro que desta forma, estas empresas podem oferecer condições de royalties bastante agressivas e aparentemente vantajosas. Muitas destas empresas trabalham com royalties de 70 a 80%, bem acima dos percentuais praticados por gravadoras. A questão toda é a seguinte: tem como comparar batata com tomate? Neste caso é claro que não! E aí reside o problema porque alguns artistas estão olhando tão somente para o percentual, esquecendo-se de que os serviços oferecidos são completamente distintos e o pior de tudo, como há uma perda de relevância, de espaço junto às plataformas, é bem provável que o alcance do artista caia sensivelmente a partir do momento que este caminhar de forma independente. Com isso, o 100% de resultado de streams também irá cair muito, acarretando uma queda ainda maior nos 80% prometidos e esperados. Em suma, um artista que hoje se encontra numa gravadora que venha fazendo um bom trabalho digital, optar em trocar de status para aventurar-se numa carreira independente, é como se estivesse trocando 6 não por meia dúzia, mas por 3 ou menos do que isso. Ou seja, é um verdadeiro tiro no pé!

E por que é tão importante ter acesso às plataformas digitais? Muito simples porque através delas o artista/gravadora consegue maior destaque para seus conteúdos e lançamentos. Por exemplo, ter uma música em playlists oficiais da plataforma já garante a visibilidade entre centenas de milhares de usuários aumentando consideravelmente o resultado de streamings. Ter sua imagem na capa de uma playlist também traz uma visibilidade e relevância absurdas! Além disso, a colocação da música entre as primeiras faixas de uma playlist contribui decisivamente no resultado final. Tudo isso já potencializa muito os resultados, mas não para por aí … quando um artista entra como prioridade para a plataforma, seu lançamento é impulsionado para as redes da plataforma e consegue uma série de ações estratégicas e de marketing aumentando ainda mais o alcance e número de streams. Simples assim. Deu pra entender?

E aí você deve estar se perguntando: e como eu devo proceder se ainda não estou numa gravadora? Muito simples também. Seguir trabalhando muito nas redes sociais, com ações de marketing digital para que seus resultados chamem a atenção de uma gravadora. Os números de streams, de ouvintes mensais e seguidores, são dados muito importantes e acessíveis às gravadoras que trabalham de forma profissional. Hoje há gravadoras com equipes muito antenadas em resultados de artistas independentes e de nicho, na web acompanhando tudo o que há de novidades por aí. Foi exatamente através deste trabalho de pesquisa que nomes como Isadora Pompeo, Priscilla Alcântara, Deise Jacinto, Marcela Taís, Pier49, entre outros foram descobertos e em seguida contratados por gravadoras.

Vamos ao trabalho e nada de preguiça, inclusive para descobrir novos talentos e artistas!

Mauricio Soares, diretor artístico, jornalista, publicitário, alguém que curte música, gente, literatura e história, não necessariamente nesta ordem.

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Últimos dias bastante corridos e praticamente tornando impossível a produção de novos textos para o blog. Aproveitando um curto vôo entre o Rio de Janeiro e Curitiba, gostaria de já partir diretamente para o tema do curto texto que pretendo escrever nos próximos minutos.

Um dos hábitos que procuro manter e que em tempos virtuais torna-se ainda mais fácil, acessível, é conferir os comentários do público sobre projetos que estamos à frente, sobre assuntos do cotidiano, polêmicas, descobertas, enfim, posso considerar-me um observador contumaz, o que por um lado é muito interessante, muito importante do ponto de vista da análise sobre estratégias, ações e sobre opiniões que podem nos ajudar para corrigir rotas ou mesmo seguir em frente. Já este tipo de hábito também pode nos fazer muito mal, à medida em que nos deparamos com opiniões absolutamente descabidas, sem o mínimo de lógica e pior, recheadas de ódio, preconceito, agressividade e visão obtusa de tudo que nos cerca. Para estas pessoas foi cunhada a expressão “haters”, mas prefiro no bom e tradicional português, defini-los como pessoas sem ter o que fazer, preocupados com o que não lhes diz respeito, recalcados e a imensa maioria, simplesmente invejosos.

Esta pequena introdução tem a ver com algo que vem acontecendo repetidas vezes e que, se não chega a incomodar, a tirar-me do sério, pelo menos me impulsiona a expressar minha humilde opinião neste espaço tão nobre para mim. Minha singela pergunta é: onde está escrito ou quando foi determinado que pseudo sites e blogs de notícias passaram a ter livre acesso e controle sobre o ir e vir de pessoas, especialmente cantores de música gospel? Quando se deu a autorização para que pessoas sem qualquer vínculo pudessem controlar o que se deve falar, agir ou pensar? Quem foi que determinou se esta ou aquela atitude deve servir como padrão e, portanto, ser seguida por todos? O próprio Senhor Jesus, não nos impôs absolutamente nada! Ele simplesmente pede para que nos miremos nEle e em seus ensinamentos, em sua conduta, que entendamos o sentido da Cruz e que busquemos a santificação dia a dia. Ele próprio esteve em festas, na companhia de gentios, de prostitutas, políticos, gente que num primeiro (e um segundo, terceiro …) momento não deveria ser para se andar perto … e aí fica uma dúvida, se Jesus estivesse entre nós hoje, será que deixaria de ir a grandes eventos? Será que ele iria em algum destes grandes templos luxuosos e gigantescos que surgem dia a dia não só no Brasil, mas em vários lugares do planeta?

O Pr. Felippe Valadão, pastor sênior da Igreja Batista Lagoinha em Niterói, igreja da qual tenho a honra e prazer de congregar, disse uma frase que me chamou muito a atenção e da qual tomo a liberdade de reproduzi-la mais ou menos adaptada. “O fato de Judas ter traído Jesus não mudou em nada … Jesus continuou sendo o mesmo! A atitude de Judas apenas revelou, de verdade, quem era Judas”. Ou seja, adaptando mais diretamente ao que tenho dito por aqui, não é o ambiente que irá determinar o que eu sou ou o que penso, ou ainda, a minha postura, a minha conduta. Se uma pessoa cristã muda sua forma de agir ou pensar porque está num ambiente diferente, num show, numa casa de espetáculos ou algo que o valha, a verdade é que esta pessoa ainda não entendeu o que é ser verdadeiramente um cristão convicto.

Falo por experiência própria, afinal como diretor de uma gravadora multinacional, faz parte de meu dia a dia relacionar-me com pessoas com pensamentos, posturas, realidades, absolutamente diferentes de mim, de minhas crenças, dos meus valores. Nem por isso mantenho-me numa bolha isolado do mundo ou saio apontando o dedo como uma metralhadora giratória. E, ainda, não deixo de ser respeitado pelos demais e em nenhum momento sinto que o ambiente pode mudar naquilo que me motiva dia a dia a seguir firme ao lado de Jesus. Então, quando um artista de música gospel sente-se à vontade de participar de um show ou um festival como o Rock in Rio, Lolapalooza ou qualquer outro evento de música, não vejo o mínimo problema por esta iniciativa. Não mesmo! Pelo contrário, como profissional, tenho tido a excelente oportunidade de participar de todos estes grandes eventos e espetáculos, não só no Brasil como no exterior e, posso afirmar categoricamente, de que estas experiências ajudaram a formar uma visão diferente sobre qualidade dos shows, logística, performance e o próprio entendimento do que é o mercado musical, artístico, de entretenimento e o show business.

Quando tenho a oportunidade de assistir a alguns artistas de música gospel e seus respectivos shows, não são raras as vezes em que fico decepcionado com a qualidade de tudo que ali é apresentado. Cenário pobre, músicos mal vestidos e mal ensaiados, discurso do artista no melhor padrão “Quem tá feliz diz amém!”, músicas com arranjos pobres … ou seja, vergonha alheia em grau máximo! E aí me pergunto, será que sendo uma oferta de louvor a Deus, não devemos nos esforçar e oferecer o melhor que nossas mãos e talentos podem produzir? Reflita bem sobre isso … e analise se não precisamos aprender com os profissionais ‘seculares’ que buscam sempre a inovação, criatividade e qualidade? E como aprender com eles se nos mantivermos distantes, escondidos em nossas bolhas, nossos ambientes hermeticamente fechados e asseados?

Comentei em meu Twitter dias atrás … você sendo um médico, não busca o aprimoramento e crescimento profissional participando de congressos? Não procura treinar e aprender participando de cirurgias? O mesmo não se aplica para engenheiros, militares, enfim, qualquer outra profissão? Pois bem, eventos como estes grandes festivais, servem para que os profissionais evangélicos ligados à música tenham oportunidade de aprender e conquistar novas referências. Simples assim …

Quero ressaltar que esta é uma opinião pessoal, de alguém com mais de 30 anos de mercado cristão e quase 35 anos de convertido. Se você ainda não segura a onda de ir a eventos de música secular para fortalecer sua expertise, por favor, procure no máximo assistir pela TV, mas claro, se isto não te transformar ou mudar sua forma de agir e pensar. Afinal, “Quem não sabe brincar, não desce pro Play!”

Termino apenas deixando um último comentário … bem simples e direto. Tem muita gente na igreja, levantando as mãos com discurso e cara de crente, que está completamente distante do que se espera de um verdadeiro cristão. Ou seja, não compre ninguém pela embalagem, analise o interior e principalmente as atitudes!

E segue o jogo!

Mauricio Soares, profissional do mercado fonográfico, cristão, pai de 3 meninos, casado por mais de 20 anos, alguém que já esteve em vários festivais de música secular (queria ter ido a bem mais!), outros tantos de música gospel, e um indivíduo que não tem paciência para lidar com fofocas ou opiniões alheias não solicitadas.

Nestes 10 anos de Observatório Cristão já tive épocas mais e menos intensas de produção de textos. E acredito que os nossos seletos e fiéis 69 leitores já entenderam e respeitam a forma como lido com a periodicidade de publicação de textos, que na verdade, é não ter absolutamente regra alguma, datas fixas, sequência ou padrão. Escrevo apenas quando tenho tempo e, mais do que isso, quando tenho vontade e insights verdadeiramente interessantes. Diferentemente de sites ou blogs que invadiram a web, o Observatório Cristão não gera um único centavo de receita, o que para alguns pode criar uma ideia de desperdício, desleixo ou mesmo de desconhecimento sobre práticas de monetização e coisas afins. Na verdade, minha relação com o blog é muito mais individual, pessoal, do que algo voltado ao público. Mesmo entendendo que nosso blog vem influenciando e ajudando a milhares de pessoas, lido com este projeto como sendo um hobby, algo que deve me trazer prazer, satisfação e principalmente, servir quase que como uma terapia.

Dito isto, gostaria de comentar sobre o tempo longo sem atualizações do blog … não publicamos nada por estes dias justamente pela mais absoluta falta de tempo e, porque não dizer, pela falta de disposição física e mental, afinal estes foram dias de muitas viagens, palestras, trabalho, tensão, transpiração e dedicação. No mês de agosto participei da Expolit em Miami, feira que reúne boa parte do mercado cristão da América Latina. Para quem não sabe, o projeto de música gospel que desenvolvemos no Brasil vem servindo como modelo para outros escritórios da Sony Music na região latina e EUA e, por isso mesmo, tenho atuado como mentor e quase um gestor de conteúdo cristão em nossas filiais. Depois de alguns dias na terra do Tio Sam, voltamos ao Brasil e seguimos diretamente para a Expo Cristã em São Paulo. Em 3 dias absurdamente intensos, pudemos acompanhar de perto o ressurgimento da mais tradicional feira de negócios do mercado gospel no Brasil e será sobre estes dias que iremos seguir comentando neste texto. Mas antes, quero seguir com minha saga dos últimos dias … após a Expo Cristã, voltamos ao Rio de Janeiro e poucos dias depois estávamos novamente no Estado de São Paulo onde gravamos o novo projeto de Gabriela Rocha. Já no dia seguinte, foi a vez de rumar para a capital mineira e acompanhar as gravações do novo projeto do Preto no Branco. Mais uns dias e participamos das pré-estreias do filme “Em Defesa de Cristo” no Rio e São Paulo. Ou seja, escrevo este texto refastelado em minha cama, ‘curtindo’ meu descanso em casa, tentando recuperar as energias para os próximos dias. Para quem pensa que a vida de um executivo de gravadora é uma maravilha, só este relato já dá uma pequena dimensão sobre a rotina que vivemos.

Mas sem alongar-me por mais linhas, vamos falar da Expo Cristã 2017. Geralmente, em edições anteriores, publicávamos textos antecedendo o evento e dias depois voltávamos a escrever outros posts com os comentários e observações pós-feira. Neste ano não foi possível escrever nada antes … até porque vale ressaltar que a Expo Cristã ficou 6 anos fora do circuito e regressou ao mercado somente neste ano, já sob nova direção. A feira em vários aspectos foi um sucesso estrondoso e para muitos (inclusive este que vos escreve!) uma grande surpresa! Havia um certo ar de desconfiança reinante no mercado, inclusive muitas empresas tradicionais optaram em ‘assistir de camarote’, outras participaram de forma bem tímida, mas a verdade é que quem apoiou e participou da Expo Cristã já em seu retorno, vibrou com a presença de público, mídias, artistas e expositores. Sucesso absoluto!

Tive oportunidade de participar de 2 workshops durante a Expo Cristã. Na verdade, diria que foram 2 oportunidades de maior proximidade com artistas, em sua grande maioria, jovens iniciantes. A primeira oportunidade foi no Encontro com as Gravadoras, evento sugerido por mim à organização da Expo Cristã e, imediatamente aceito e aderido por outros executivos de gravadoras – Som Livre, Canzion, Mess e Universal Music. Neste evento falamos sobre o mercado fonográfico, tendências, oportunidades, o momento digital e questões práticas como por exemplo, questões fundamentais para chamar a atenção de uma gravadora. O evento prosseguiu no esquema de perguntas, respostas, rápidos debates. Entre as principais perguntas da plateia, destaque para questões sobre posicionamento artístico em tempos digitais. O que fazer? Como investir? O que priorizar? À medida que as perguntas iam surgindo, tentávamos esclarecer as dúvidas e propor caminhos. No fim, mesmo todos os palestrantes deixando claro que nosso foco era conteúdo digital em detrimento ao formato físico, fomos inundados de CDs, DVDs, Pendrives e afins. Após este workshop atendi a pelo menos umas 80 pessoas, acuado num canto do hall de entrada dos auditórios. É uma experiência muito incrível este contato mais perto com as pessoas, mas traz um peso enorme ao corpo, no fim do dia cheguei a comentar de que havia vivido um dos dias mais cansativos de minha vida … de fato!

No segundo workshop, por incrível que possa parecer, realizado no mesmo dia, tive o prazer de dividir o palco com o editor de música gospel da Deezer Brasil, Lincoln Baena. Nossa palestra, no melhor estilo ‘toca e recebe’ como dois meia-atacantes, seguiu-se por 1 hora e meia apresentando números, melhores práticas, ferramentas e dicas do mercado digital. No fim, abrimos espaço para perguntas e novamente ouvimos dúvidas que haviam sido mencionadas no workshop anterior. Tentando resumir o conteúdo destas dúvidas vou elencar algumas destas perguntas dos participantes. Assim, também facilito a todos aqueles que não puderam estar presentes nos workshops. Vamos às dúvidas …

Em primeiro lugar, é fundamental que todos tenham entendimento de que o formato de consumo de música definitivamente mudou! Não adianta campanha de oração, corrente de 7 semanas, beicinho, bater o pé, espernear … nada disso! A forma como o público consome e irá consumir a música hoje e nos próximos anos, se alterou a favor dos aplicativos digitais, de áudio e vídeo streaming. Então, em primeiro lugar, se você é artista e ainda não está ambientado com os aplicativos Deezer, Apple Music, Spotify ou afins, não perca mais tempo e faça uma imersão intensiva! Deezer e Spotify são os dois mais populares aplicativos disponíveis no Brasil. O primeiro, inclusive está disponível para todos os assinantes da operadora de telefonia TIM e de forma gratuita, já inclusa nos pacotes diversos. No entanto, tanto Deezer como Spotify possuem assinaturas gratuitas, também conhecidas como contas Freemium. Há opções de contas família com custos extremamente convidativos e mesmo na opção Premium com assinatura mensal o valor corresponde ao preço de um CD, ou seja, não há motivo lógico para que o público migre imediatamente para os aplicativos. Com tantos prós, é fundamental que os artistas sejam usuários contumazes dos apps de áudio streaming.

Outra informação muito destacada por nós no workshop é de que os artistas não podem ter apenas um aplicativo, mas preferencialmente as 3 principais opções, ou seja, Deezer, Spotify e Apple Music, especialmente os 2 primeiros. Isto porque cada aplicativo atende a um grupo específico de consumidores. Geralmente quem se utiliza dos serviços da Deezer não tem conta no Spotify e vice-versa. Portanto, para uma eficiente comunicação, estratégias e ações, todo artista precisa ter acesso às plataformas individualmente. Por exemplo, quando um artista cria uma Playlist em seu perfil artístico, o correto é que todas as plataformas tenham este tipo de conteúdo, lembrando que cada plataforma tem uma característica própria e perfil de consumidores específico e isto deve-se ser levado em conta na montagem do repertório das Playlists. Em breve, irei escrever um texto abordando especificamente sobre este tema.

“Então, o que faremos com os CDs que temos em estoque?” – pergunta de um artista de meia-idade que relatava ter alguns milhares de CDs na garagem de casa, feita com voz trêmula, olhar fixo e uma certa transpiração excessiva.

Há algumas opções para quem possui um estoque de CDs ocupando espaço na cozinha, quarto, varanda ou garagem. A primeira opção é você usar estes CDs como um material de divulgação. Em Barretos, interior de São Paulo, e algumas outras cidades estratégicas do país, vários artistas e escritórios contratavam promotores para distribuir CDs promocionais em semáforos, cruzamentos, festas e universidades. Esta é uma opção e, ainda, o envio de CDs para algumas rádios pelo país também como material de divulgação e promoção. Lembrando que hoje nem mesmo as rádios estão muito simpáticas aos CDs como prêmios aos ouvintes, só por um motivo bastante simples: o público não está mais se dando ao trabalho de retirar os prêmios (CDs) na emissora. Outra opção para quem tem muitos CDs em estoque é aumentar a agenda de eventos e usar estas oportunidades para vender ou distribuir estes CDs. Ainda haverá por um tempo uma cultura de compra e venda de CDs em eventos nas igrejas, nestes casos, não estamos tratando de uma demanda e sim, de uma oportunidade do público em aproximar-se do artista e ter ali um tipo de recordação. A este fato específico, costumo dizer que o CD funciona como um “Porta-Autógrafo”. Uma terceira opção é reunir os CDs e começar a criar objetos de decoração criativos, algo como mesas, cadeiras ou coisas do tipo.

“Como posso colocar meus conteúdos nas plataformas? E depois disso, o que precisamos fazer?” – pergunta de uma jovem cantora, com um sorriso enorme no rosto e uma clara vontade de aprender e mudar.

Há várias empresas agregadoras que fazem o serviço de colocação de conteúdos nas plataformas digitais. Em rápidas pesquisas podemos ter acesso a diferentes opções. O importante é entender que estas empresas são apenas uma parte do negócio, ou seja, são uma forma de inserir o artista e seu conteúdo no universo digital, mas não garantem resultados. A imagem que costumo usar é de que estas empresas agregadoras atuam como facilitadores, promotores que colocam o conteúdo numa gondola de supermercado ao lado de milhões de outros produtos. A questão é como se destacar em meio a 40 milhões de outras músicas nas plataformas digitais? Então, respondendo à segunda parte da pergunta, é fundamental que todo artista tenha o suporte de uma empresa de marketing digital. E quando falo de marketing digital não estamos falando de postagens bonitas com versículos bíblicos, mas em ações e estratégias técnicas baseadas em análises, relatórios, expectativas … neste item, diferentemente das empresas agregadoras, ainda temos uma certa carência no mercado gospel. Neste momento, indico 2 a 3 empresas somente, não mais do que isso. E é importante que os artistas estejam atentos aos ‘contadores de estórias’ que prometem o céu e entregam o nada, ou bem menos ainda! Além da assessoria de marketing digital é fundamental que o artista reserve uma verba de investimento porque de nada adianta ter um profissional de suporte e não ter condições de fazer ações de impulsionamento, remarketing e afins.

“Vocês usam termos muito específicos. De tudo o que vocês falaram, confesso que eu não entendi muita coisa. O que eu preciso fazer pra estar mais ambientado a este novo universo digital?” – indagação do pai de uma cantora de 16 anos, sentada ao lado com uma cara assustada imaginando que o seu pai-manager estava expondo-se à frente de todos.

Na verdade, não há crescimento profissional sem estudo, treinamento, capacitação e o mesmo se aplica ao universo artístico. Inclusive no meio artístico gospel onde costumamos transferir a responsabilidade de sucesso e conquistas para o sobrenatural. É fundamental que todo artista busque conhecimento deste novo ambiente digital e isso implica também em entender melhor e se familiarizar com os termos técnicos como streaming, skip, remarketing, playlist, push, singles, EPs e coisas do tipo. Há farto material de informação disponível na web, além de diversos cursos, textos, publicações e conteúdos, ou seja, o artista precisa dedicar seu tempo para aprender e reunir conhecimento. Em vez de ficar horas e horas nas redes sociais, que tal, reservar ao menos 1 hora por dia para buscar conhecimento sobre o mercado digital?

“Qual a melhor forma de lançar as músicas? Como álbum, single, EP … e com relação aos vídeos, como devemos trabalhar?” – dúvida de um rapper cheio de atitude, rimas e gingado.

Neste caso o melhor é não ter regras. O fato é que o formato tradicional de álbum com 12 a 14 faixas perde e muito em força e coerência em tempos digitais. Em contrapartida, singles e EPs apresentam-se como o melhor formato a ser trabalhado. Muitos artistas atualmente sequer consideram a possibilidade de gravar DVDs ou muitas músicas de uma única vez. Hoje em dia, o foco do artista deve ser a busca pelo HIT, pela música que irá impactar o público. O fato de não mais se trabalhar um disco por 6 meses de produção e outros 18 a 24 meses de lançamento e divulgação, torna o processo bem mais leve. Basta uma música sendo gravada e trabalhada por vez. Além da ‘leveza’, esta nova forma de trabalho, diminui significativamente os investimentos em produção. No entanto, esta aparente facilidade, traz em si uma responsabilidade enorme, pois cada canção obrigatoriamente deve ser um sucesso, ter qualidade, precisa ser um HIT. É o fim da ‘música para encher linguiça’ para somar ao repertório, sem força alguma ou apelo.

E complementando, o vídeo assume papel fundamental na divulgação da música. Não há mais como se lançar o conteúdo em áudio sem que seja lançada a versão em vídeo da mesma canção, seja em clipe, Lyric Video ou mesmo pseudo vídeo (capa do CD e áudio no YouTube). No entanto, simplesmente gravar os conteúdos em vídeo não é suficiente para que a música seja um sucesso. É fundamental que estes vídeos sejam tratados como ferramenta de marketing e não somente como mais uma fonte de receita e para isso, investimento de impulsionamento e ações estratégicas de marketing digital fazem parte do pacote básico.

Pelo enorme tamanho do texto de hoje, você, amigo leitor do Observatório Cristão, percebe que tivemos um tempo bastante extenso para a criação deste conteúdo. O mais incrível é manter o foco no tema central … à medida em que escrevo, uma série de outros insights vão surgindo e é preciso manter a atenção e objetivo. Espero que o meu retorno seja comemorado, assim como vibramos com o revival da Expo Cristã. Quem venham mais textos pela frente!

Mãos à obra!

Mauricio Soares, publicitário, consultor de marketing, jornalista, bom ouvido e alguém que vibra ao falar do mercado digital, portanto, não puxe este assunto comigo se não tiver tempo disponível, rs.

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Nos próximos dias tentarei atualizar ao máximo este blog com muitos textos, pois estarei viajando e como sempre faço, aproveitando ao máximo horas de voo e de espera em saguões de aeroportos para escrever o quanto for possível e minha criatividade e disposição resistirem. Neste momento sigo para mais uma edição da Expolit, a mais importante feira do mercado cristão da América Latina. Confesso que não tenho mais noção da quantidade de vezes que participei deste evento, mas estimo que esta seja minha décima quarta edição ou algo próximo a isso. Felizmente minhas últimas participações têm sido bastante produtivas com o início e ampliação do projeto de música cristã em parceria com os escritórios da Sony Music na região. Neste ano estaremos apresentando oficialmente o projeto em espanhol do DJ PV e imagino que esta edição da Expolit será determinante para os artistas cristãos brasileiros na América Latina. Espero que já em 2018 tenhamos mais artistas brasileiros apresentando seus projetos ao mercado cristão hispano.

Dando sequência ao nosso texto propriamente dito, tenho observado atentamente alguns aspectos do consumo de música após a mudança nos formatos, meios e na indústria da música em si. Quando comecei a lidar com o mundo digital, isso lá pelos idos dos anos 2010, tudo parecia uma grande aposta, uma tendência que demoraria alguns anos até se consolidar, especialmente no Brasil ou na América Latina. Recordo-me que em toda oportunidade de viagem ao exterior, especialmente aos EUA, carregávamos o cartão para consumo do iTunes, porque o serviço não dava demonstrações de quando chegaria de fato a Terra Brasilis. Por muito tempo ouvíamos (e torcíamos) sobre possíveis datas do desembarque da plataforma de downloads no país e enquanto aquilo não se tornava em realidade, seguíamos focados nas vendas de CDs, DVDs e no combate à pirataria – engana-se quem imaginou que o mercado gospel se manteve alheio às mazelas da pirataria. Tivemos casos comprovados de clonagem de discos derramados no mercado, especialmente no Estado de São Paulo, que afetaram negativamente muitas gravadoras. Quando, finalmente, o iTunes chegou ao Brasil, oficialmente o país entrou no circuito mundial de consumo digital. Por estar numa companhia multinacional, automaticamente todo o conteúdo de nosso catálogo gospel estreou no iTunes exatamente no minuto zero da existência da plataforma no país, o que para algumas gravadoras do segmento demorou até anos para que o processo se concretizasse (algumas demoraram tanto a enxergar e agir que acabaram entrando no iTunes apenas quando esta modalidade de consumo digital já havia entrado em queda pela chegada do streaming).

Quando o iTunes desembarcou em praias brasileiras o Top Chart de vendas foi povoado por muito tempo exclusivamente por artistas internacionais. A música brasileira no primeiro momento simplesmente foi colocada à margem no consumo de downloads pelo iTunes. Sertanejos, funk, MPB e, claro, o gospel surgiam raramente no Chart50, vez ou outra no Chart100. Quando Leonardo Gonçalves tornou-se o primeiro artista religioso do país a figurar no topo do Chart de vendas do Brasil a comemoração foi digna de um Oscar ou algo do tipo! Feito repetido depois por Os Arrais, Gabriela Rocha, Mariana Valadão, Paulo César Baruk, entre outros. Vale um “registro-ostentação” destacando a Sony Music como a gravadora a ter o maior número de artistas do cast entre o Top 5 de melhor performance na história do iTunes no Brasil. Durante muito tempo o iTunes foi um território exclusivo de artistas e conteúdos internacionais e não por coincidência, este tipo de consumo refletia o estilo de usuários do serviço, notadamente um público das classes AB, com perfil mais sofisticado, antenado com as tendências do exterior.

Com a expansão do consumo, a popularização do consumo (note-se de que nunca no Brasil o iTunes foi popular, até porque sua política de preços sempre manteve-se atrelada ao dólar e ao cartão de crédito internacional) e um maior entendimento dos artistas nacionais, a exclusividade de artistas e projetos internacionais passa a ser diluída, dividindo as atenções com artistas nacionais, especialmente uma turma da nova MPB e os sertanejos. Antes mesmo do iTunes tornar-se um canal de consumo popular, chegou ao país as plataformas de streaming, primeiramente o Deezer, sendo seguido pelo Spotify e tempos depois pela Apple Music. No início, estes aplicativos vivenciaram a mesma tendência histórica do iTunes, ou seja, conteúdos internacionais, especialmente a música eletrônica, monopolizavam a atenção do público. Nada de sertanejo, funk, samba, pagode ou gospel … no entanto, com o crescimento dos serviços, a parceria entre a Deezer e a operadora de telefonia Tim, a popularização das marcas e o aumento do consumo por parte de diferentes públicos, o perfil de consumo nas plataformas digitais também sofreram transformações sensíveis incluindo novos estilos que até então se mantinham à margem do consumo digital ou, melhor, distantes do universo streaming. Entre estes estilos, destaque para o funk – especialmente o som produzido nas periferias paulistanas – que assumiu lugar entre o sertanejo, pop internacional e eletrônico.

Atualmente no Top 10 Semanal de Streamings no Brasil encontramos sempre dois a três MCs ‘qualquer coisa’ ladeando com nomes como Matheus e Kauan, Marília Mendonça, Anitta e Ed Sheran. E é basicamente a respeito deste ponto que irei seguir pelos próximos minutos, imaginando que ainda terei a atenção de ao menos nossos 69 leitores abnegados e atentos do Observatório Cristão. O advento da música digital, especialmente nas plataformas de áudio streaming, vem promovendo uma mudança significativa na indústria da música e na escala de prioridades dos A&R em termos de contratações. Se em tempos atrás o funk ficava restrito às periferias, sempre à margem do mainstream, distante das rádios e programas de TV, atualmente os artistas deste segmento garantem importantes pontos de Market Share e passam a ser buscados avidamente pelos profissionais das gravadoras. A grande questão é que esta novidade, esta mudança de estilo que vem crescendo em importância no cenário musical tupiniquim, deixou de lado qualquer pudor, senso estético ou qualidade. Nem é preciso dedicar alguns minutos para se ouvir o que vem sendo produzido por esta turma do funk, basta atentar-se aos títulos das músicas onde “Bumbum Granada” passa a ser um dos títulos mais sutis entre o cardápio oferecido. Outro dia parei para analisar uma playlist de funk e antes de chegar à décima faixa, já decidi nem arriscar-me a ouvir nada tamanha agressividade nos títulos das ditas ‘obras musicais’. Tempos depois ainda soube que há uma categoria ainda mais HardCore com os “proibidões” que seguem uma linha ainda mais pornô-explícita-agressiva que define o sexo feminino como qualquer coisa … algo deplorável ao extremo. Não sou sociólogo e por isso mesmo nem me atreverei a fazer uma análise sobre os motivos que corroboram para este cenário musical, mas o que sei neste momento é que o ambiente digital trouxe à baila uma música de baixíssima qualidade, feita em escala industrial (há escritórios de funk lançando 6 a 10 faixas inéditas por dia!), que ultrapassou os limites da periferia e hoje performam com destaque no YouTube e nos aplicativos de áudio streaming.

Em contrapartida, este mesmo ambiente digital provocou outra mudança radical na área da música gospel nacional e que merece ser comemorada por todos! Enquanto no secular, o digital trouxe o funk, pelos lados da música cristã observamos uma chegada de artistas e propostas musicais de extrema qualidade que até então não tinham espaço no concorrido mainstream ocupado por poucas gravadoras do segmento. Há 10 anos atrás, a música gospel era representada por Aline Barros, Damares, Fernandinho, Cassiane, Diante do Trono e mais uns 5 a 10 outros nomes com relevância nacional. Entre os estilos, nada de um reggae brilhantemente apresentado por um Salomão ou a vibrante e dançante música de um DJ PV, por exemplo. A música gospel de então, limitava-se ao surrado pentecostal com seus trinados, arranjos triunfantes, letras enormes ou aos tradicionais estilos pop adoração ou louvor congregacional, nada muito além disso! Com a chegada das plataformas digitais, os artistas que até então eram considerados underground ou de nichos menores, passaram a ter espaço e a conquistar a atenção do público. Público, que por sinal, já dá sinais claros de que vem crescendo no consumo de música comemorando o fim do monopólio das rádios do segmento onde nem sempre a qualidade da programação era, de fato, o forte das emissoras.

Meses atrás fiz uma pesquisa interna e deparei-me que entre os 10 artistas de melhor performance em resultados de minha companhia na área gospel, cerca de 80% haviam se destacado nos últimos 5 anos, muitos destes com tempo de carreira inferior a 7 anos, ou seja, uma turma jovem, com propostas musicais bem diferenciadas e de acordo com o novo perfil de consumo no segmento, destacava-se demonstrando um novo caminho para a música gospel no país. Nomes como Amanda Rodrigues, Gabriela Rocha, Ministério Morada, Deise Jacinto, Priscilla Alcântara, Pier49, Marcela Taís, Os Arrais, Estêvão Queiroga, Preto no Branco, Paulo Nazareth, Isadora Pompeo, Arianne, Tanlan, ou os já citados, DJ PV e Salomão, já são artistas de relevância no segmento, demonstrando a enorme diversidade de estilos, propostas musicais e alcance nacional.

Estamos vivendo um momento muito especial no mercado da música no Brasil, especialmente no segmento gospel e considero que estamos sabendo aproveitar esta oportunidade para valorizar o que temos de melhor. Por muitos anos fomos reconhecidos externamente pela força em vendas, pela pujança do mercado gospel, mas não necessariamente pela qualidade de nossas produções ou artistas. Hoje em dia posso assegurar que esta característica vem sendo transformada com muita força e velocidade. Como trabalho num ambiente profissional e não confessional, tenho acesso a visões e observações muito sinceras sobre o atual estágio da música gospel produzida no país e confesso que tenho me orgulhado muito com o que tenho ouvido ultimamente. Tem sido bastante recorrente receber entusiasmados feedbacks de colegas de trabalho destacando músicas como “Retrovisor” de Deise Jacinto ou “Deserto” de Os Arrais ou ainda, “Creio em Ti” com Aline Barros. Estes comentários têm sido cada vez mais comuns e enfáticos contrastando com o que se dizia no passado: Vende muito né? Muito bom …

Vamos em frente! Produzindo e investindo na qualidade de nossa música!

Mauricio Soares, jornalista, diretor artístico que busca a qualidade sempre, publicitário, editor do blog Observatório Cristão, casado, pai do Fernando, Leonardo e Benjamim.