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Mauricio Soares

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Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.

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Hoje em meio a uma conversa despretensiosa durante o almoço, meu parceiro de A&R, o querido e competente Bruno Baptista, entre uma e outra garfada de um belo Bacalhau Espiritual, fez um comentário a respeito de um produtor musical ganhador de vários prêmios ao longo da carreira de décadas, profissional muito respeitado pelo mainstream, artistas e músicos:
“Estou no meu limite com ele … se ele não entender que as coisas mudaram, acho que é o fim de linha dele na companhia, na verdade, não só na nossa empresa, mas também no mercado como um todo. Este tipo de atitude dele apenas reflete um tipo de profissional que não se adequa mais ao que vivemos no mercado!”

E aí, você curioso leitor do blog deve estar se perguntando: mas o que este produtor fez ou deixou de fazer para receber uma sentença tão dura como esta? Em rápidas palavras, o laureado produtor que coleciona inúmeros projetos de sucesso com milhões de discos vendidos, tendo trabalhado para boa parte do primeiro time da MPB, segue não mantendo prazos, extrapolando orçamentos e agindo como se fosse mais artista do que os próprios artistas. Ou seja, o que antes poderia ser entendido como algo excêntrico ou mesmo um ‘preço a se pagar pela genialidade e resultados’, hoje em dia é tido tão somente como falta de responsabilidade com um bom toque de falta de noção da atual realidade do mercado.

Utilizei-me deste exemplo em meio a um almoço com o amigo e profissional de outro segmento para corroborar com algo que há muito tempo penso em publicar por aqui no blog. As coisas no meio artístico mudaram muito e entre tantas alterações, a falta de paciência com o amadorismo tornou-se ainda maior. Em outras palavras, a indústria fonográfica trabalha num novo ritmo, muito mais racional e que demanda prazos, planejamentos, datas, estratégias, ações e metas.

Como já escrevi em outros posts aqui publicados, as plataformas digitais trouxeram uma nova dinâmica ao mercado fonográfico. Hoje o que menos importa é colocar seu projeto nas plataformas, no Spotify, Deezer ou Apple Music … isso, com todo respeito, qualquer serviço de agregador de conteúdo é capaz de fazer, até mesmo sem qualquer tipo de relacionamento entre o artista e a empresa. A grande meta das gravadoras hoje é conseguir destaque para os seus projetos no momento de lançamento nas plataformas digitais. E este destaque é conseguido prioritariamente pela relevância do artista, pela força da gravadora junto aos parceiros e através de um planejamento de entrega e ações de promoção com antecedência. O tempo ideal para que o produto seja trabalhado pela gravadora junto aos parceiros digitais é de 45 dias, depois disso, tudo vai ficar mais complicado!

E aí, voltamos aos produtores musicais … sim! Afinal de que adiantará a gravadora buscar o melhor destaque para o lançamento de um determinado artista ou mesmo na elaboração das estratégias de marketing, se o dito cujo do produtor resolve não cumprir com os prazos e metas pré-determinadas? No meio gospel há casos folclóricos de produtores com atrasos de 120, 180 dias de entrega de suas produções. Outros que são reconhecidos por cobrarem ‘lebres’ e entregarem ‘gatos’, ou seja, cobrarem custos de produções prometendo os melhores músicos, os melhores estúdios e no fim, limitarem-se a produções quase caseiras. Há profissionais de produção que são reconhecidos por assumirem 10 projetos simultaneamente e seguirem trabalhando num processo de ‘pirâmide’ onde um artista acaba pagando a produção de outro numa miscelânea louca e com resultados sempre catastróficos! Não podemos deixar de citar os produtos temperamentais que dão chiliques de estrela como se fossem eles os clientes e não os artistas e/ou gravadoras. Enfim, posso listar uma infinidade de modelos de produtores musicais com suas falhas, suas esquisitices e principalmente com a falta de profissionalismo, mas por compaixão aos 69 leitores, fico por aqui mesmo.

A verdade é que este tipo de profissional, inconsequente, desorganizado, sem compromisso, amador e que mais traz chateação do que alegrias, está com os dias contados, ao menos entre as majors e os grandes artistas. O que posso garantir, pelo menos referindo-me à minha pessoa, é que cada vez iremos priorizar mais os produtores que mantêm o compromisso de qualidade sem perder o foco na pontualidade. Que isto sirva como um mantra para todos aqueles que querem se manter no mercado musical!

E o mesmo se aplica aos diretores e produtores de conteúdo de vídeo! Prazo dado é prazo cumprido, como diria o A&R Capitão Nascimento. Enfim, num momento em que os conteúdos chegam às dezenas (às vezes, centenas) a cada semana nas plataformas digitais, garantir o destaque e contar com a parceria destas mesmas empresas é algo fundamental! Por isso, garantir a manutenção dos prazos é a primeira garantia de sucesso do projeto!
Pra bom entendedor …

Mauricio Soares, publicitário, neurótico por prazos, jornalista, palestrante, profissional de marketing

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Coisa rara em meu dia a dia é ter um tempinho sem nenhum compromisso, sem filhos por perto, absolutamente nada pra fazer ou me preocupar. Pois bem, neste momento estou sentado à frente do meu computador lendo notícias, atualizando as manchetes, pesquisando alguns vídeos, lendo alguns textos publicados … tudo na mais santa paz, algo muito difícil de acontecer. Estou em meio ao fim de semana com alguns compromissos na capital paulistana e nesta manhã fria, completamente sozinho, no quarto de hotel, dei-me ao luxo de ficar rolando na cama, descansando o corpo e principalmente a mente … e como pra mim, escrever é uma atividade absolutamente prazerosa, vou dedicar alguns minutos desta manhã, antes de partir para uma palestra à tarde, a fim de escrever algum texto para o nosso blog.

Ao longo dos meus 29 anos de estrada profissional, boa parte destes dedicado ao mundo de música, deparei-me com inúmeros artistas em início de carreira. Independente de estilo, capacidade, talento ou condições financeiras, o artista iniciante enfrenta dificuldades inerentes a qualquer aprendiz, seja de qual profissão que for. E neste momento em que vivemos um radical processo de transformação na indústria fonográfica e nas práticas do mercado e consumo de música, há uma série de detalhes que precisam ser muito observados com atenção.

Em primeiro lugar, o artista iniciante precisa saber que tudo decorre de prática. Não se alcança a excelência vivendo de teoria somente. Na verdade, a teoria, o estudo, o preparo, o planejamento são parte de um todo do processo, mas que por si só não garantem resultados satisfatórios. Quem privilegia somente a prática em detrimento ao teórico também incorre num sério risco de errar em questões primordiais e, de igual forma, não alcançará os resultados com a excelência que se espera. Colocando as coisas no seu devido lugar, todo profissional deve dedicar o início de sua trajetória ao estudo e na sequência, buscar a prática. Adaptando ao universo artístico musical cristão, é fundamental que o artista tenha tempo de “banco de igreja”, ou seja, que tenha intimidade com Deus e com a Palavra. Não se pode querer entrar numa carreira de cantor gospel se o dito cujo sequer consegue encontrar o livro de Romanos sem recorrer nervosamente ao índice. Lembre-se, só damos aquilo que temos em demasia. Como pode alguém querer ministrar se está vazio, oco do conhecimento de Deus?

Passado o período de preparação, o caminho natural é colocar em prática todo o conhecimento. E a prática só se consegue praticando! WOW, quanta genialidade! Pois é, parece e é de fato, óbvio, não mesmo? Mas você meu seletíssimo e queridíssimo leitor do Observatório Cristão acredita que tem muito artista por aí acreditando que pode ‘ganhar as nações’ (Oh! Aleluias!) sem, ao menos cantar em sua igreja local? Sem sequer ter enfrentado cultos vazios, aparelhagens de som de quinta categoria ou mesmo horários nada nobres para sua participação? É aquele caso do jogador que quer jogar no Flamengo sem ter passado pelo Olaria ou algo do tipo. Nada disso! Todo artista deve começar praticando independente do local, da plateia, da estrutura, simplesmente trabalhe! Dias atrás encontrei um cantor bastante iniciante … e aí, papo vai, papo vem, ele começou a me perguntar sobre dicas e tudo mais. Sem respondê-lo diretamente comecei a fazer-lhe algumas perguntas do tipo: qual a periodicidade de sua agenda? Quantos eventos por semana ele havia participado? E aí ele calmamente disse que estava fazendo uma média de 4 apresentações por mês e eu imediatamente respondi de que este número era muito fraco e que ele deveria começar a focar justamente nesta área, aumentando a carga de trabalho. Na maior inocência ele me disse que recusava cantar em igrejas pequenas porque isso poderia dar uma ‘desvalorizada’ no trabalho dele … de que ele focava apenas cantar em grandes oportunidades.

Recordo-me que há alguns anos atrás lancei um artista e meu recado a ele foi o seguinte: cante de manhã, tarde, noite e nas vigílias da madrugada. Cante até não aguentar mais! Cante em casamento de anão! Cante em velório de cachorro, mas cante! Somente assim você vai ser reconhecido e as portas se abrirão para você porque talento você tem, mas as pessoas não sabem disso! Então vamos mostrar a eles isso! Anos depois tornou-se um dos maiores nomes da música gospel em todos os tempos. Mas o sucesso começou humilde, bem pequeno, com muito trabalho, muita transpiração! Não teve moleza!

Outro importante detalhe neste processo de maturação do artista iniciante tem a ver com saber em lidar com o tempo. E mais do que o tempo, com a própria ansiedade! Uma das expressões que falamos muito no nosso dia a dia na gravadora é justamente: gerenciar as expectativas. Ou seja, como o artista está organizado mentalmente para lidar com o processo lento e contínuo de uma construção de carreira. Arrisco a dizer que muitos artistas perdem o rumo justamente neste momento. Para exemplificar e, particularmente gosto de trazer a vocês alguns “causos” que vivenciei ao longo dos anos para tornar minha exposição ainda mais clara, posso listar alguns artistas que acreditei demais no potencial de carreira, mas que por justamente não saberem lidar com a ansiedade, simplesmente puseram os pés pelas mãos e sucumbiram na carreira artística. Há casos de artistas que vivenciaram processos de maturação com o lançamento de um primeiro CD (lembram-se disso, aquela bolacha metalizada que os antigos colocavam no carro, em seus aparelhos 3 em 1 … pois é, coisa ancestral mesmo!), passavam mais um tempo, lançavam um segundo CD e aí … deixavam tudo que estava programado pela gravadora e passavam a agir por conta própria, muitos dos quais, deixavam o cast da gravadora e partiam em carreira-solo. Não conheço um que tenha dado certo! Simplesmente porque quiseram queimar etapas e no fim saíram chamuscados, alguns incinerados!

Outros julgaram-se preparados e jogaram-se em projetos nacionais. Deixaram de focar determinadas regiões e aí resolveram que deveriam dominar o Brasil. Convocavam um ‘açessor’ que iria abrir as portas das rádios, das igrejas, dos grandes eventos pelo país, investiam tempo e principalmente uma grana forte e … água! Tiro n’água! Retumbante! Não saíram de lugar algum ou como costumo dizer, retrocederem várias casas atrás no tabuleiro. Tem um caso clássico de um jovem-filhinho-de-pastor que gastou tubos de dinheiro com rádios e promoção, quis gerenciar sozinho sua carreira, saiu de uma grande gravadora e depois de anos de muito investimento, muitos Tops de lista de execução nas rádios e muita expectativa pessoal, não foi a lugar algum, ou pior, virou exemplo de artista fake ou balão japonês, aquele que sobe rapidinho e cai apagadinho por aí …

Gerenciar expectativas. Traçar objetivos. Planejar as ações. Determinar o cronograma. Estabelecer as prioridades. Trabalhar. Investir na hora e lugar certo. Buscar as boas parcerias. Encontrar profissionais capacitados e com portifólio de sucesso. Trabalhar. Buscar conhecimento. Adequar-se às novas realidades e demandas. Ter paciência. Rever seus ideais. Estar no centro da vontade de Deus. Trabalhar. Saber ouvir. Reciclar-se. Buscar referências musicais de qualidade. Trabalhar. Respirar.

Acho que é isso! Seguindo estas dicas … acho que pode rolar algo.
Valeu! Chegou minha hora. Até a próxima!

Mauricio Soares, consultor, jornalista, publicitário, palestrante e editor deste blog que segue firme com os 69 leitores! Obrigado pessoal!

P.S. – Meus parabéns ao escritório da Deezer no Brasil por acreditar no potencial da música gospel do país e ser a única plataforma de áudio streaming a contar com um editor de conteúdo cristão em suas fileiras. Parabéns pelo belo evento recente promovido no Rio de Janeiro! Todo sucesso a vocês! E aproveito para dar os parabéns para Gabriela Rocha, mesmo jovem cantora, já entre os 3 artistas gospel do país com o maior número de streams na Deezer. Você vai longe pequena! #TrocoLikesporStreams

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Boa parte das informações que publico neste blog, que está prestes a completar uma década de existência (até hoje me impressiono com toda esta longevidade e mais ainda pela quantidade de temas e assuntos publicados!), resulta de experiências pessoais, impressões, observações e da fantástica oportunidade que tenho como profissional de participar de reuniões, seminários, conferências, convenções ou mesmo, em simples bate papos com alguns dos mais influentes e antenados profissionais do mercado fonográfico. Como mencionei aqui mesmo no blog, recentemente tive a oportunidade de participar de minha oitava convenção internacional com pessoas de diferentes países, culturas e experiências do mercado fonográfico. Cada uma destas experiências acaba criando um arcabouço de conhecimento tão incrível, que não me sinto no direito de reter estas informações e é exatamente por este motivo que durante tanto tempo dedico algumas horas, às vezes poucos minutos para escrever alguns textos para o Observatório Cristão.

Na semana passada participei de um evento muito específico, na verdade, uma apresentação de resultados e novidades, exclusivo para as equipes de digital marketing, A&R e digital sales das gravadoras. Este evento foi realizado por uma das plataformas de áudio streaming em atividade no país. Em meio a um turbilhão de informações, planilhas, slides, consegui anotar algumas questões que me chamaram a atenção e as quais eu gostaria de dividir com os 69 leitores de nosso blog.

Você por acaso já ouviu falar em SKIP ou Taxa de SKIP?

Certamente você já ouviu falar sobre o poder do controle remoto, que é a liberdade plena que o consumidor tem de decidir o que irá assistir ou mesmo ouvir. Este “poder” foi potencializado a uma escala sem precedentes com a popularização das TVs por assinatura, afinal com o aumento das opções de conteúdo esta liberdade de escolha tornou-se ainda maior. Basta uma falta de interesse e automaticamente o consumidor aperta a tecla na busca de outro canal, outro conteúdo. Em alguns casos, este empoderamento se torna doentio a ponto do dito cujo ter crises de abstinência pela distância do controle remoto. Freud explicaria, sem dúvida! Mas voltando ao SKIP … este termo passa a ser recorrente entre os profissionais de marketing e sales, principalmente no ambiente de streaming e mais ainda, em se tratando de playlists. Explicando: SKIP é o ato do usuário de pular a música demonstrando assim sua rejeição àquela canção. Esta simples ação de pular a faixa acende alertas importantes nas equipes de análise e performance das plataformas digitais. Este é o recado mais claro e direto por parte do consumidor de que aquela determinada música não o agradou. Quando uma música é inserida numa playlist, além do número de streams ou de vezes em que a canção é ouvida pelos usuários, a quantidade de SKIPs também tem um peso enorme na avaliação e manutenção da música naquela determinada playlist.

Em playlists como “Novidades”, “Top 50” e outras onde a relevância é fator de permanência, o SKIP tem fator preponderante pela presença das faixas na seleção musical. Em alguns casos, determinado artista ou canção pode ser testado pela equipe editorial da plataforma. Seria mais ou menos como colocar uma canção de André e Felipe, dupla sertaneja gospel, em meio à playlist “Baladas Sertanejas” no meio de Henrique e Juliano, Fernando e Sorocaba, Matheus e Kauan, entre outros. Se não houver uma alta taxa de SKIP, muito possivelmente esta canção se manterá na playlist. Recentemente os singles do DJ PV, especialmente a faixa “Eu Sei” com participação do Mauro Henrique, foram incluídas em playlists de música eletrônica no Brasil e no exterior, e até agora, se mantém por lá pela baixa taxa de SKIP.

Você sabe o que é stream? E como é considerado um stream para efeito de monetização?

O stream é o simples ato de se executar a faixa musical através de uma plataforma digital, que pode ser tanto de áudio como de vídeo. As mais conhecidas plataformas de áudio em operação no Brasil são o Deezer, o Spotify, Apple Music, Napster. Há indícios firmes de que até o meio de 2018 teremos o desembarque da Amazon em terras Brasilis. Já as plataformas de vídeo streaming são o popular YouTube e seu parceiro premium, VEVO. Para quem não está ambientado às plataformas, vale ressaltar que há importantes diferenças entre a VEVO e o YouTube. A VEVO é uma plataforma exclusiva de conteúdo musical, enquanto que o YouTube vai de música a como fritar ovo com perfeição. Outra diferença está na introdução de conteúdo onde no YouTube qualquer usuário pode abrir uma conta e despejar qualquer coisa, já na VEVO este conteúdo precisa ser ratificado pela plataforma.

Tanto para o áudio como para o vídeo, bastam 30 segundos de execução da faixa para que esta gere monetização. A monetização não é um valor fixo, a publicidade obtida no vídeo, sua audiência e outras relevâncias são somadas e no fim, geram um valor de monetização. Nos últimos 4 anos, o valor de monetização de vídeos no Brasil despencou absurdamente, muito em função da crise econômica e da queda nos investimentos de publicidade. A receita gerada pelo YouTube no mundo, ficou abaixo ao valor gerado pela venda de vinis, sim isso mesmo! Os velhos bolachões geraram mais receita para a indústria fonográfica mundial do que os trilhões de views do YouTube. Não por coincidência, a indústria está em pé de guerra com o YouTube em escala mundial exigindo melhores receitas desta parceria.

E aí, temos uma dica muito especial aos artistas e principalmente produtores musicais. Com a taxa de SKIP e a monetização contando apenas os 30 segundos iniciais, aquelas músicas com introduções intermináveis correm sério risco de derrubar a performance das canções. Em bom português, não há espaço para músicas que demoram a dizer para o que vieram. Sejam diretos em apresentar a força da canção para reter a atenção do usuário já nos primeiros segundos da faixa. #FicaaDica

Qual a importância do artista ter sua playlist?

A palavra da vez é playlist e para quem não está ainda por dentro do isso significa, basta lembrar do século passado onde gravávamos as melhores canções num fita cassete. Lembro-me que alguns amigos eram experts em seleções musicais e ganhavam um dinheirinho extra copiando suas compilações para terceiros. Tinha de tudo um pouco, do punk rock aos temas de novelas, da MPB ao heavy metal, passando ao rock brazuca dos anos 80 ou às melosas músicas românticas que tocavam no Good Times 98, programa que fez história no rádio brasileiro. Pois bem, esta seleção é o que em tempos virtuais chamamos de playlists.

Há playlists com milhões de seguidores. As mais influentes no Brasil são as ligadas ao sertanejo, funk, eletrônica e pop. No gospel, todas as plataformas já possuem playlists específicas com alguns milhares de seguidores. A cantora Priscilla Alcântara é a única artista brasileira a ter uma playlist pessoal entre as 200 maiores do país e já esteve por algumas semanas entre o top 70, verdadeira marca a ser batida ainda. Atualmente ela comemora mais de 45 mil seguidores na playlist “Pra Chorar com Jesus” no Spotify e outros 15 mil na Deezer (esta última em apenas 5 dias no ar). Ainda falando da antenada Priscilla Alcântara, como usuária do Spotify, era muito natural que ela focasse suas ações exclusivamente para esta plataforma. Mas, não podemos deixar de lembrar que como artista e formadora de opinião, não se pode privilegiar uma plataforma em detrimento de outras. Então, nossa equipe sugeriu que a artista criasse uma conta na Deezer e Apple Music para também criar esta mesma playlist nas outras concorrentes.

É fundamental que o artista esteja presente a ativo em TODAS as plataformas digitais. Não é caso de preferência. É caso de atender ao público da artista que por motivos diversos e pessoais preferiu esta e não aquela plataforma. Vale ressaltar que a menos que a pessoa seja um heavy user digital todas as pessoas costumam lidar com apenas uma plataforma no seu dia a dia. Mesmo entendendo que o usuário pode ter contas gratuitas no Spotify ou Deezer. No dia a dia, o consumidor sempre elegerá uma plataforma e, por isso mesmo, o artista deve ser plural na visão e ação para comunicar-se com o seu público em todos os ambientes.

O fã, o seguidor, aquele que curte determinado artista também se interessa muito em conhecer as referências e hábitos musicais dos artistas com que se identificam. Portanto, playlists de conteúdo diverso são sempre muito interessantes e dão um retrato mais humano ao artista. É muito legal, por exemplo, ouvir o que Leonardo Gonçalves ou Gabriela Rocha curtem ouvir em seus momentos de lazer. Outro dia estava vendo a playlist pessoal da Damares e me surpreendi ao ver que ela curte (muito mesmo!) o som do Ao Cubo. Interessante, não? Nestes casos, o artista precisa ser bastante criterioso porque está agindo como um curador artístico e seu ponto de vista poderá influenciar milhares de pessoas. Se uma playlist é feita sem qualquer critério, a frustração do público será total e certamente o alcance será mínimo, ou seja, não atenderá em nada ao objetivo primordial da ação.

Mas numa playlist pessoal o artista pode incluir uma música sua?

Se nem ele mesmo curte sua música, quem irá curtir? Claro que o artista pode (e deve) incluir algumas faixas de seu próprio projeto, mas isso requer bom senso e parcimônia. Não dá para numa playlist de 20 faixas, o ególatra incluir 10 faixas próprias. A proporção aceitável é de mais ou menos 10% de conteúdo próprio numa playlist pessoal. Nestes casos, o artista pode colocar a sua faixa predileta entre as 5 primeiras canções da playlist, sem maiores traumas.

Quais conceitos para se criar uma playlist?

Há vários critérios para se criar uma playlist. As mais comuns são estilos musicais e as que têm relação com alguma atividade do dia. A Discopraise, por exemplo, criou playlists específicas para o momento da malhação (sim, o crente faz academia!), para o momento de relax, para curtir com a família e por aí vai … não é muito produtivo sair criando um momento de playlists no perfil do artista. O ideal é focar no crescimento de uma, duas no máximo, playlists. À medida que as playlists forem crescendo, pode-se buscar a criação de outra compilação. Vale ressaltar também que as playlists podem ao longo do tempo mudar seus respectivos nomes e conceitos. Há também playlists específicas para datas comemorativas como Dia das Mães, Dia dos Namorados … nestes casos, pode-se manter a playlist, alterando um pouco o perfil mais adiante.

Um detalhe muito importante em se tratando de playlist tem a ver com a escolha do nome. É claro que nosso lado Olivetto ou Guanaes sempre tende a aflorar em momentos como este, mas a verdade é que nestes casos, quanto mais simples e óbvio melhor será o resultado. Por exemplo, se eu fosse criar uma playlist de músicas pentecostais automaticamente pensaria em algo como “As Melhores do manto”, “As ungidas do reteté”, “Canelinha de fogo”, “Fogo Puro, ou algo do tipo, agora por mais simpáticas, criativas e até adequadas ao linguajar das igrejas e consumidores pentecostais, a verdade é que estes nomes não ajudariam em absolutamente nada no projeto de Busca das plataformas digitais. Um nome simples como “Músicas Pentecostais” ou “Sucessos Pentecostais” já seria o suficiente para que minha playlist encabeçasse os resultados de procura e isto, certamente, potencializaria em muito a possibilidade de angariar seguidores. #FicaaDica

Ainda sobre playlists, uma observação merece todo cuidado! É muito comum o artista (e os usuários comuns) se empolgarem no momento de conhecimento e início de relação com uma plataforma digital, até mesmo pela facilidade que é a interação entre o usuário e as inúmeras ferramentas disponíveis. Me lembro que nos primeiros dias em que comecei a usar minha conta pessoal em uma plataforma de áudio streaming, saí que nem um faminto atrás de prato de comida montando playlists dos mais variados assuntos. Também saí seguindo um monte de artistas. Minha relação no início foi meio compulsiva, frenética mesmo! Mas com o passar do tempo, fiquei só como usuário dos conteúdos da própria plataforma. Acabei deixando de lado minhas playlists, meus projetos … mesmo sendo um profissional da música, na verdade, sou um usuário comum em se tratando de plataformas digitais. Não me considero um formador de opinião e, mais do que isso, não esforço nem um pouco para sê-lo. Nem mesmo nas redes sociais tenho este empenho mesmo contando com alguns milhares de seguidores. No entanto, no caso de artistas, as plataformas digitais precisam ser tratadas como importantes (fundamentais, eu diria) ferramentas de impulsionamentos de resultados. E com este entendimento, o artista precisa cuidar de suas playlists de uma forma muito atenciosa e ativa. As atualizações precisam ser periódicas. Vou repetir para ficar ainda mais claro: não se pode criar uma playlist, divulga-la e depois deixá-la abandonada num canto, sem carinho, sem atenção, sem atualização! Os próprios seguidores perceberão que o ‘dono’ não dá a mínima atenção para sua cria, então porque ele deveria manter-se seguindo aquela playlist?

Quando uma pessoa passa a seguir uma determinada playlist, automaticamente ela passa a fazer parte de um grupo de pessoas que será periodicamente impactado por tudo o que acontecer naquela playlist. Ou seja, entrou uma música nova na playlist, TODOS os seus seguidores serão informados. Uma simples alteração de posição de faixa na playlist já é suficiente para que os seguidores sejam impactados pela novidade. Por falar em posição, saiba que em playlist não existe esta história de que os últimos serão os primeiros, não mesmo! Os últimos serão os últimos e muitas das vezes sequer serão notados. Então, uma boa colocação em playlists é fundamental para uma boa audiência para a faixa. Uma playlist deve ter no mínimo 20 faixas e o número limite não existe, mas como cada playlist tem um consumo diferente, o ideal é que se respeite o tamanho da playlist com a expectativa do consumo. Por exemplo, uma aula fitness numa academia dura em torno de 50 minutos, então uma seleção de músicas para esta finalidade não pode ter 5 horas e 32 minutos … a não ser que seja feita exclusivamente para os marombeiros e marombeiras fanáticos e com muito tempo de sobra. Uma playlist que se destina a viagens (eu tenho uma que chama-se “Na Estrada”) não pode ter poucos minutos de duração. O ideal é que este tipo de playlist dure no mínimo 2 a 3 horas.

Vou ficando por aqui. Acredito que este foi um post bastante informativo. Caso você curtiu este texto, queria te incentivar a colocar suas opiniões em nosso espaço de comentários na parte inferior desta página. Aos meus 69 leitores gostaria de indicar uma playlist que estou seguindo e que estou curtindo muito, “13 Razões” com o Kemuel. Através desta seleção conheci alguns artistas estrangeiros que passei inclusive a seguir. A seleção de músicas é formidável. O cuidado com que eles estão lidando na playlist tem sido louvável e até a capa do projeto eu curti demais. Nota 10 para o Kemuel. Lembrando que boa parte destas mudanças de comportamento dos artistas Sony Music no mundo digital são fruto de 2 anos de treinamento e intensa troca de informações com a equipe Sales e Marketing Digital da gravadora. A todos da equipe, meu muito obrigado pela parceria e meus parabéns ao cast que vem fazendo a diferença no segmento.

Enjoy!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, curador de música gospel informal para as plataformas digitais e curador oficial da playlist Música Gospel de Qualidade.

Fim de tarde, dia intenso de muitas decisões, muita transpiração, alguma inspiração e muitas reuniões … pra finalizar o trabalho um último encontro com a equipe de marketing digital para avaliar ações e estratégias de alguns lançamentos a caminho para as próximas semanas. Apresentação das músicas, os perfis de cada artista, impressões sobre pontos fortes dos projetos, redes sociais, oportunidades, análises e aí no meio do brainstorming, eis que surge um comentário aparentemente fora do contexto da reunião. Um funcionário que lida diretamente com a análise de redes sociais aponta com certa surpresa o nível de críticas do público gospel em determinadas situações.

Adaptando um pouco sobre os comentários dele, seria mais ou menos assim: “O povo gospel é bem crítico né? Eles são bem raivosos! Quando não gostam de uma artista, eles tomam partido, atacam, criticam ferozmente … e como são bastante intensos nas redes sociais, eu acho que esta postura mais agressiva chama ainda mais a atenção. Eu acho que a gente sempre precisa avaliar com cuidado o que iremos postar porque a turma gospel é bem nervosa!” Estes comentários foram acompanhados por outras pessoas à mesa e não faltaram cases de beligerância gospel para serem lembrados naquele momento.

Imaginem minha cara diante daquelas afirmações que, de fato, estavam recheadas de exemplos e repletos de verdade?!?!?!? Tentei contemporizar, dizer que a web é sim, um território onde as pessoas expõem suas opiniões livremente, que não podíamos generalizar o segmento, que esta é uma parcela apenas mais intensa nas redes sociais, mas que não representam a maioria do que chamamos como público evangélico, enfim, as tentativas foram muitas, mas nem eu mesmo tinha tanta convicção de meus argumentos e aí fui obrigado a mudar de assunto, numa autêntica tática diversionista de guerrilha.

Há um termo hoje muito em voga na web que identifica pessoas raivosas, vociferantes, nervosas, beligerantes, agressivas, aqueles que não perdem uma discussão, que acreditam que precisam opinar sobre tudo e sobre todos, que sempre procuram encontrar erros, falhas, apontam o dedo nas feridas e se julgam acima do bem e do mal, acima de todos, a esta categoria nada pueril de pessoas criou-se um nome específico: HATERS. Pois estes personagens ficam à espreita de qualquer vacilo para imediatamente descerem a borduna como autênticos índios Tamoios à procura de seus inimigos. Com esta turma não há piedade! Somente o duro peso da crítica, nada além disso!

Em especial, a classe artística é alvo sistemático dos HATERS que costumam expressar suas opiniões sobre tudo, da música ao figurino, do discurso cotidiano às posições religiosas, políticas ou qualquer assunto que seja. Se está acima do peso, o HATER vem com a guilhotina e comenta: tá pesada hein, filha?!?! Se errou na maquiagem, a censura inquisidora vem com tudo e comenta: tá participando de algum filme de terror? E por aí vai, nada escapa à língua venenosa (e aos dedos nervosos) dos HATERS. Nada mesmo!

Como as coisas no meio gospel andam fora do eixo, temos sites específicos onde o ódio e a virulência são o mote principal da linha ‘editorial’. Fofocas, críticas, ataques, induções, disse-me-disse e muito julgamento leviano fazem parte do cardápio destes blogs que na minha opinião, de verdade, têm raiva mesmo é da língua portuguesa e do jornalismo profissional, ético e de qualidade pela total ausência dos padrões mínimo aceitáveis. E analisando-se os comentários postados nestes blogs, o que vemos são pessoas incrivelmente agressivas e sem senso do ridículo se expressando em dialetos muitos dos quais ininteligíveis, mas repletos de ódio.

Meses atrás, uma jovem artista postou uma foto no Lollapalooza. Bastaram alguns minutos para que a TimeLine dela fosse inundada de comentários os mais loucos, agressivos, raivosos e odiosos que se pode imaginar. A turma ‘santarrona’ atacando-a como uma herege diante da Inquisição Espanhola com doutrinas, costumes e opiniões pessoais as mais diversas e rasas possíveis. Soube de outro artista que pelo fato de sua música entrar na trilha sonora de um filme que seria exibido nos cinemas pelo Brasil, o rapaz foi execrado, apanhou de tudo quanto é lado, chegando inclusive a ter agendas canceladas em sua própria denominação. Há o caso de um líder mega reconhecido no país, que até pra dar bom dia ele grita, se exaspera e se inflama, sua postura é assustadora atacando para todos os lados como se estivesse portando uma metralhadora .50 em seu dia de fúria. Sua imagem virou sinônimo de um personagem da TV brasileira que também sai com seu porrete batendo na mesa contra tudo e contra todos. Confesso que não me lembro nos últimos anos de ver nenhuma manifestação deste pastor que não seja de um autêntico black block gospel querendo quebrar tudo e impor sua opinião a que preço for.

Há alguns anos atrás criei uma conta pessoal no Twitter e passei a utilizá-la de forma frenética como uma ferramenta de divulgação, comunicação e até relacionamento interpessoal. Com o tempo comecei a perceber que a distância entre mim e pessoas de diferentes cantos do mundo simplesmente havia desaparecido e com isso, estas mesmas pessoas tinham total acesso para expor suas opiniões, elogiar, perguntar suas dúvidas e, também para atacar, criticar, desrespeitar … enfim, aquela proximidade toda não era tão saudável assim. Por algum bom tempo abrir minha conta do Twitter era um exercício de sustos após sustos, de muito estresse e chateações. Com o tempo fui acostumando-me (como pode isso?) com estes chatos de plantão e passei a adotar uma tática que com o tempo mostrou-se extremamente acertada, ou seja, o bloqueio imediato de todo e qualquer ‘mala-sem-alça-das-redes-sociais’. Com isso acumulei alguns blocks em meu perfil e até hoje estas múmias seguem por lá, enroladas em suas faixas descansando em sarcófagos virtuais. E confesso que não me fazem falta alguma. Por conta desta experiência com o Twitter, bloqueei minhas outras redes sociais e somente recentemente é que tirei do privado o meu Instagram. Surpreendentemente neste ambiente tive pouquíssimos casos de bloqueios, mas ainda assim, aconteceram.

Tenho 47 anos de idade e 33 anos de convertido. Creio que muito mais tempo do que muitos dos 69 leitores assíduos de nosso blog. Longe de querer parecer e sentir-me um velhaco saudosista, posso garantir que lá no início de minha trajetória cristã, algumas características das pessoas que professavam a fé protestante eram justamente a idoneidade, seriedade, respeito e principalmente o AMOR. Lembro-me que no início de minha chegada na igreja, conheci pessoas que esbanjavam o amor, a caridade, os bons modos e costumes … o clima era tão ameno e cordial, que para um adolescente sem qualquer parente naquele ambiente, tudo aquilo me parecia positivo e extremamente acolhedor. Além da mensagem salvadora e libertadora da Cruz, o espírito de amor e respeito contribuíram definitivamente pela minha decisão de seguir naquela rota da qual não me desviei jamais, graças a Deus!

Jesus, nos ensina que o seu principal mandamento seria amar a Deus sobre todas as coisas e ao seu próximo como a ti mesmo. Não sou que afirmo isso, é o próprio Mestre! Estas palavras, este mandamento é de uma simplicidade e transparência tão grandes que nem mesmo um absoluto ser desprovido de entendimento não seria capaz de compreender sua mensagem. AME, AME, AME, independente de cor, gênero, condição social, posição, ideologia, apenas AME. Então me pergunto: onde pode haver espaço para a existência de HATERs no meio cristão? Que tipo de Bíblia esta turma está lendo, se é que lêem alguma coisa? Que líderes estas pessoas têm que não estão sendo ensinadas sobre o amor, o respeito ao próximo? O que está faltando para que esta turma deixe de se apregoar como cristãos, se na verdade não têm nada que os faça parecer com Cristo e seus ensinamentos? De verdade, acho que todos aqueles que não concordam em ser definidos como crentes chatos e odiosos, críticos e HATERs, deveriam começar a marcar posição (no amor, é claro!) apresentando uma alternativa positiva e saudável contra toda esta beligerância.

No amor,

Mauricio Soares, publicitário, jornalista. Para servir como trilha sonora deste texto, sugiro a canção “A lei e o amor”, do mega talentoso Seo Fernandes, disponível no link http://vevo.ly/68iMHn

Seguindo rumo a São Paulo para mais uma maratona de reuniões, encontros e muito trabalho. O fim de semana será de muito trabalho. Tentando aproveitar ao máximo o tempo e tentando colocar as postagens do blog em dia, sigo me ‘distraindo’ e escrevendo alguns textos para deleite dos 69 leitores do Observatório Cristão. Às vezes tenho tantos insights, tantas ideias de temas que acabo ficando paralisado e não produzindo nada efetivamente porque sempre me paira uma dúvida sobre qual assunto devo abordar … e, aí na falta de uma decisão mais contundente, mantenho-me no estado inercial. Então pra romper essa paralisia produtiva, vou comentar a respeito de um fato ocorrido na última noite e madrugada dos dias 18 para 19 de maio, a saber: o vídeo da canção “Ninguém Explica Deus” do Preto no Branco ultrapassou a incrível marca de 100 milhões de visualizações, algo até então inédito no segmento de música gospel em todo o mundo na plataforma VEVO. É pra aplaudir de pé igreja!!!!!

Como já comentei outras vezes, esta canção é o exemplo mais bem acabado de uma música gospel que rompeu todos as barreiras do próprio gueto, atingindo pessoas não-evangélicas, ou o que comumente chamamos de mercado gospel. De uma hora para outra, pessoas que não têm contato com o segmento evangélico, com a música gospel, passaram a cantarolar os versos desta canção … “do crente ao ateu, ninguém explica Deus”. Postagens nas redes sociais, vídeos de artistas como Luan Santana, Wesley Safadão, Nego do Borel, a dupla Mateus e Kauan, o YouYuber Whinderson, todo mundo cantando e se emocionando com a força desta canção. “Ninguém Explica Deus” entra no seleto grupo dos hits da música gospel que de fato fizeram o autêntico crossover, ou seja, ultrapassaram os limites do mercado gospel, sendo reconhecida como um hit popular. Neste grupo, podemos reunir não mais do que umas 5 canções interpretadas por Lázaro, Aline Barros, Thalles, Régis Danese e agora, Preto no Branco. No entanto, não quero comentar sobre este sucesso fenomenal, fruto do talento dos intérpretes Clóvis Pinho e Gabriela Rocha. Ou ainda, da perfeita simbiose entre qualidade e estratégia desenvolvida por toda a equipe de profissionais envolvida no projeto, tornando o Preto no Branco a mais perfeita produção de um artista gospel em tempos e formato digitais até então. O tema que quero desenvolver pelas próximas linhas surgiu através da indagação de um profissional de marketing digital em um dos inúmeros grupos de whatsapp de que participo atualmente.

Já há alguns dias estávamos acompanhando com muita atenção a performance deste vídeo nas plataformas de vídeo streaming. Quando ainda faltavam cerca de 8 milhões de views para a marca dos 100 milhões, nosso alerta já estava ligado e projeções eram feitas imaginando a data em que romperíamos a meta proposta. E aí, justamente no grupo de profissionais de marketing digital dividi minha alegria pela proximidade do grande feito. Muitos emoticons de sorrisos, aplausos, olhos esbugalhados, comentários efusivos e impressionados dos participantes e em meio a tudo isso, uma pergunta que servirá de mote principal para este post, a saber: Mas este resultado é impulsionado ou orgânico?

Para quem não está muito ambientado aos termos e jargões do marketing digital, o que o jovem profissional queria saber era se houve de nossa parte algum investimento para aumentar a visualização do vídeo ou se este resultado foi espontâneo, natural, ou como falamos hoje no linguajar mais técnico, orgânico. Antes mesmo de eu responder ao questionamento, outro profissional do mesmo grupo imediatamente entrou na conversa e tratou de opinar com a seguinte palavra: Independente de orgânico ou impulsionado, a verdade é que o resultado é incrível, que milhões e milhões de pessoas assistiram e que o clipe e a estratégia funcionaram perfeitamente. A realidade é que a música se tornou um hit!

Esta conversa virtual gerou vários insights sobre este mesmo assunto. A realidade é que tem muita gente confundindo resultados fakes com alcances estratégicos devido a investimentos realizados com extrema eficácia e assertividade. Não podemos confundir investimento para alcance do maior número de pessoas com aqueles aplicativos e ferramentas que potencializavam em escala astronômica os seguidores de redes sociais. Do dia para a noite o cantor do interior de Mato Grosso saía do absoluto anonimato para incríveis 500, 800, 1 milhão de fãs … e mais do que isso, com amigos em todas as partes do mundo como Chechênia, Butão ou Croácia, São Gabriel das Missões. O cara ganhava mais amigos do dia para a noite do que vencedor da Mega Sena da Virada! Incrível!

Quando se fala em impulsionamento de música ou de vídeo o objetivo é que aquele conteúdo alcance o maior número de pessoas para que estas mesmas pessoas contribuam com a divulgação da canção, aí sim, de forma espontânea e orgânica. É assim que as coisas funcionam! Se a música tiver qualidade, a possibilidade de depois de um ‘empurrão’ a faixa tornar-se viral é absurdamente grande! Em contrapartida, em meio a tantos conteúdos que hoje contam com estes investimentos, a chance de uma música crescer e se tornar conhecida de forma natural, no boca a boca é bastante limitada porque diariamente as pessoas são impactadas por diferentes conteúdos e aí, de fato, não sobra muito espaço para quem não faz investimentos.

O mundo artístico tem algumas questões que constantemente precisam ser ajustadas. Hoje mais cedo conversei com um cantor que participa de um ministério de louvor de uma igreja bastante relevante no país. O material deles tem muita qualidade em vídeo, produção e repertório. Mas o resultado efetivo está longe de ser comemorado. Aí bem cedo este artista me direcionou uma troca de mensagens entre seu pastor e ele. Resumindo a história, o pastor questionava sobre o que estava faltando ao seu ministério para que não alcançasse os resultados esperados já que em termos de qualidade julgavam-se dentro de um bom nível. Minha resposta a esta indagação foi bastante simples e direta: faltava o marketing digital, os investimentos nas plataformas. Só assim, aquele conteúdo teria alcance e relevância junto ao público que interessava. Ressalte-se que esta é uma questão inequívoca e que não traz em si nenhum juízo de qualidade, pelo contrário, tanto as produções de alto apuro estético quanto outras músicas ruins do ponto de vista artístico (vide a enxurrada de hits vindos do funk paulista que estão no ranking de streamings no Brasil) seguem tornando-se sucesso devido aos investimentos em marketing digital.

Piloto avisando de nossa chegada…

Antes que o comissário me peça para fechar a mesa e desligar o computador gostaria de dizer que neste momento, contar com a assessoria de um profissional de marketing digital passa a ser tão importante como investir naquele produtor top de linha ou no diretor de vídeo com prêmios em Cannes … se não tiver alguém pra divulgar corretamente seu conteúdo será mais ou menos como aquele ditado do nadar, nadar e morrer na praia … bem por aí …

O comissário vem se aproximando …

Bye!

Mauricio Soares, publicitário, consultor de marketing, jornalista e pai … neste momento curtindo muito o novo single de Priscilla Alcântara (Tanto Faz) e o álbum “Lado B” da Discopraise … todo meu respeito aos rapazes do Planalto Central!!!!

Para quem me acompanha em alguma das inúmeras redes sociais em que divido parte de meu dia a dia, deve ter percebido que recentemente participei de uma mega convenção em Miami com alguns dos mais importantes profissionais do mercado artístico e fonográfico. E nos próximos textos que irei postar por aqui, tentarei esmiuçar um pouco mais de tudo o que foi comentado, apresentado, informado naqueles dias tão intensos. O objetivo de nosso blog desde sua criação há quase 10 anos atrás sempre foi de dividir um pouco de nosso conhecimento ajudando na capacitação dos artistas, mídias, profissionais que gravitam em torno do mercado cristão musical.

Os assuntos são vários e irei postá-los sem necessariamente seguir uma ordem de importância. Anotei vários insights, informações, dicas e observações sobre o que está acontecendo e o que provavelmente acontecerá nos próximos anos no exterior e no mercado brasileiro e sobre estas questões é que iremos tratar daqui em diante. Vasculhando meu caderno me deparo com um destes insights e literalmente o que escrevi ali foi “Atenção para a importância do repertório. Ideia de cooperativa ou criação colaborativa, pessoas reunidas especificamente para composição de hits”.

Este assunto surgiu em uma das apresentações dos países que participaram de nossa convenção. O projeto tinha como objetivo juntar alguns dos mais ativos e renomados compositores, arranjadores, produtores e a equipe do A&R da gravadora em sessões de brainstorming em busca de hits. O resultado desta iniciativa que mereceu destaque foi uma fusão de estilos, produção de qualidade e uma grande interação entre os profissionais que atuam num mesmo objetivo, mas que não necessariamente caminhavam juntos. Em poucas semanas de trabalho, algumas canções foram escritas, produzidas e apresentadas aos grandes artistas da companhia que se encontravam em fase de seleção de repertório. Já posso adiantar que alguns dos hits que tocarão exaustivamente nas rádios e playlists do mundo, serão fruto deste trabalho inovador.

Mudando o foco para o nosso dia a dia no mercado da música cristã no Brasil, vejo o quanto necessitamos de atitudes como esta proposta descrita acima. Falando em tom pessoal, vejo como é difícil selecionar repertórios de qualidade para artistas de nosso meio neste momento de certa escassez criativa e autoral. Tenho casos clássicos em que o artista e seu produtor nos apresentaram mais de 200 canções para no fim, serem selecionadas 2 a 3 canções de forma convicta e mais umas 2 ou 3 outras faixas sem tanta empolgação. Basta analisarmos as fichas técnicas dos mais recentes projetos dos grandes nomes do jet set gospel pra percebermos a escassez de novidades entre os nomes dos compositores e, principalmente, de temas, assuntos, propostas artísticas. Somos um meio em que um grande sucesso acaba influenciando por anos e anos os demais artistas, estilos e produções. Vale lembrar que quando Fernandinho estourou com “Faz Chover”, todo mundo gravou em seguida falando de ‘águas’, ‘chuvas’ e por aí vai … o mesmo aconteceu quando o Toque no Altar explodiu com “Restitui” e aí o assunto se tornou assunto recorrente rivalizando com o Leão do Imposto de Renda. Ter uma música de Anderson Freire no repertório de um disco significava um atestado ISO9002 de Sucesso, o que na verdade não se tornava realidade tamanha quantidade de músicas semelhantes sendo gravadas por artistas de norte a sul do país.

Os artistas precisam entender de uma vez por todas é que TODO projeto de sucesso se inicia através de uma boa música! O grande hitmaker Michael Sullivan repete sempre a mesma cantilena de que no fim, tudo se baseia na música! E eu concordo plenamente nisso! Não adianta ter uma estratégia bem elaborada, bons contatos, agenda intensa de shows e nem mesmo muita grana pra se investir e não ter a música! Há o caso recente de um artista que investiu muito dinheiro em rádios, em estrutura de shows, bom networking, produção no exterior, e tudo mais, para no fim não chegar a lugar algum! Especificamente neste caso, além da ausência de um hit, também considero a falta de carisma como o grande responsável pelo não sucesso do projeto, mas isto é tema para outro post.

Ações como esta cooperativa de compositores é uma iniciativa muito bem vinda em nosso meio. Melhor ainda é o conceito de produtores trabalhando lado a lado com estes profissionais. Na verdade, os produtores do meio gospel precisam rever suas respectivas atuações e forma de trabalho, pois em sua imensa maioria o que temos na verdade são arranjadores e não produtores que pensam de forma estratégica e analítica seus projetos. E, de verdade, acho que ultimamente (ou desde sempre) as tendências em nosso meio artístico gospel seguem de uma forma muito natural, ou pra usar a expressão da moda, de forma orgânica. Pouco se pensa. Pouco se analisa. Pouco se observa. Nada ou quase nada se pesquisa e busca por novas referências. E esta inércia acaba afetando diretamente o que se é produzido em nosso segmento. Até pouco tempo atrás, o estilo Cold Play (ops!), Hillsong de misturar louvor congregacional com rifs de guitarras, pop rock londrino e ministrações em meio a momentos de profundo mantra, tornou-se mais comum do que ouvir o depoimento do Senhor Excelentíssimo Ex-Presidente Lula afirmando que não sabia de nada.

Nestes dias de convenção, tive acesso a artistas do Leste Europeu, da Inglaterra, Alemanha, Áustria, dos Estados Unidos, Espanha, Portugal, Itália e, claro de nossos hermanos latinos do México, Colômbia, Uruguai, Chile, Argentina, Porto Rico, República Dominicana e tantos outros países, culturas e influências. À medida que tinha contato com seus trabalhos, anotava atentamente quais artistas de nosso cast gospel no Brasil tinham alguma sinergia com aquele artista internacional. Em alguns casos, mandava os links no próprio momento dos seus pocket shows ou apresentações. Esta troca de experiências, referências, sonoridades, é o que faz com que o artista cresça e torne-se relevante em meio ao marasmo criativo ululante da cena cultural.

Já postei aqui pelo blog alguns textos falando a respeito da importância da produção, do cuidado na escolha do repertório. Uma das minhas dicas sempre é investir no conhecimento, na cultura geral, e em nosso caso específico, no conhecimento da Palavra. Compositor que não tem o hábito da leitura é como guarda vidas que não sabe nadar, as coisas não se encaixam perfeitamente. Meu incentivo com este post é para que valorizemos a criatividade, a qualidade, novos sons, novas propostas musicais e artistas. Que a palavra seja valorizada em detrimento aos refrões de fácil assimilação. Que a poesia esteja presente e faça as pessoas pensarem e, principalmente, se emocionarem. Que os profissionais deste segmento valorizem encontros em busca de algo melhor, mais bem acabado e que atenda às demandas do público, do mercado, do segmento como um todo.

Fica a dica!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista e atualmente curtindo os sons de James Arthur, Os Arrais (novo projeto que já estou tendo o prazer de ouvir de forma exclusiva), Monsieur Periné e o novo single do DJ PV ft. Mauro Henrique.

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Foram divulgados recentemente os números atualizados do mercado da música no mundo através da IFPI, órgão que reúne os principais players do segmento fonográfico. E mais uma vez, o mercado registra crescimento, estancando a tendência de queda que permaneceu constante por mais de uma década. O mercado mundial de música gravada cresceu 5,9% em 2016, a maior taxa desde que a IFPI começou a acompanhar o mercado em 1997. A receitas totais para 2016 foram de US$ 15,7 bilhões.

No final de 2016 havia 112 milhões de usuários de assinaturas de streaming de música pagos, impulsionando o crescimento de receita em streaming ano a ano de 60,4%. Este crescimento é, sem dúvida, um dos maiores entre os diferente setores de negócios na área de entretenimento em todo o mundo. A receita digital no ano passado representou a metade da receita anual da indústria mundial de música gravada pela primeira vez. O crescimento no streaming mais do que compensou uma queda de 20,5% nos downloads e um declínio de 7,6% na receita física.
O streaming está ajudando a impulsionar o crescimento nos mercados de música em desenvolvimento, com destaques para China (+ 20,3%), Índia (+ 26,2%) e México (+ 23,6%) vendo forte crescimento de receita.

As gravadoras alimentaram esse crescimento de receita através de investimentos contínuos, não apenas nos artistas, mas também nos sistemas que suportam plataformas digitais, o que permitiu o licenciamento de mais de 40 milhões de faixas em centenas de serviços. Vale ressaltar que o mercado digital baseia-se no conceito de escalabilidade, ou seja, grande quantidade de conteúdos disponíveis nas plataformas de áudio e vídeo streaming.

A indústria está agora trabalhando para um retorno ao crescimento sustentável após um período de 15 anos durante o qual as receitas caíram quase 40%. O sucesso requer a resolução da distorção do mercado conhecida como “diferença de valor” – o crescente descompasso entre o valor que os serviços de upload de usuários, como o YouTube, extraem da música e a receita devolvida àqueles que criam e investem na música. Há neste momento uma série discussão entre o YouTube e os grandes players geradores de conteúdos que entendem que a baixa remuneração desta operação precisa ser revertida o quanto antes. Não se assustem se em alguns meses, os conteúdos musicais das majors deixem de ser veiculados no YouTube.

Frances Moore, diretor-executivo da IFPI, comentou: “O crescimento da indústria segue anos de investimento e inovação das empresas de música em um esforço para impulsionar um mercado de música digital robusto e dinâmico. O potencial da música é ilimitado, mas para que esse crescimento se torne sustentável – para que os investimentos em artistas sejam mantidos e para que o mercado continue a evoluir e a se desenvolver – é preciso fazer mais para salvaguardar o valor da música e recompensar a criatividade. Toda a comunidade musical está se unindo em seu esforço para fazer campanha por uma correção legislativa para a lacuna de valor e estamos chamando os políticos a fazer isso. Para a música prosperar em um mundo digital, deve haver um mercado digital justo.”

Números consolidados e importantes no mercado global da música:
• Crescimento da receita global: + 5,9%
• Parcela digital da receita global: 50%
• Crescimento das receitas digitais: + 17,7%
• Crescimento da receita de streaming: + 60,4%
• Receitas físicas: -7,6%
• Receita de download: -20.5%

Os números do Brasil estão prestes a ser divulgados, mas tudo indica que teremos um crescimento das vendas digitais na ordem de 22% e uma queda vertiginosa das vendas físicas na casa de 43%, o que irá impactar negativamente no resultado de 2016 do mercado fonográfico no Brasil com queda estimada de 3%. Para 2017, há uma expectativa de que o mercado digital represente cerca de 95% do montante das receitas no país, contra apenas 5% de receitas físicas. No primeiro trimestre de 2017, as vendas físicas caíram 75% e as vendas digitais cresceram 20%. Para quem ainda acredita que o digital é o futuro, estes números apenas comprovam de que quem crê neste pensamento é porque, de verdade, está no passado! Ou seja, o mercado da música já é digital, gostando ou não, aceitando ou não a novidade!

Contra fatos, não há argumentos!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, tricolor, observador do mercado da música, de gente, do cotidiano e dos números!

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Depois de uma semana intensa de produção em meio ao feriado carnavalesco, volto à labuta para dedicar-me por alguns minutos à prática de escrever textos para nosso dileto blog. Outro dia um amigo cantor me perguntou assustado como eu consigo fazer tantas coisas no meu dia a dia e ainda arrumar tempo para escrever para o Observatório Cristão. A resposta sincera e imediata foi um simples: não sei também! Mas a verdade é que, especialmente nos últimos anos e ainda mais intensamente nos derradeiros meses, o blog tem contribuído muito para que eu apresente informações ao grande público, artistas principalmente, de uma forma mais didática e atualizada.

Hoje não tenho mais tanta falta de assuntos. O que me falta mesmo é o tempo para trazê-los à baila em nossos textos. E este texto de hoje, que começo a escrever depois de um dia intenso de trabalho e aguardando sair do escritório para mais um compromisso que irá seguir noite adentro, tem como base algumas das últimas pesquisas sobre resultados de streaming no Brasil e no mundo. Semanalmente recebo reports de desempenho de músicas nas principais plataformas de audio streaming do mundo. Também diariamente pesquiso em alguns sites e ferramentas que tenho à disposição sobre o desempenho de vídeos nas duas principais plataformas, YouTube e VEVO. Ou seja, meu dia a dia hoje, além de reuniões, audições, planejamentos, encontros e ações estratégicas, vem sendo tomado por planilhas, estudos, projeções e tendências. Imagino que nunca a indústria da música no mundo trabalhou com tantas informações, estatísticas e conteúdos para análise dos profissionais de diferentes áreas. No entanto, o texto de hoje não irá por este caminho, já falei há alguns posts atrás sobre o Business Inteligence e de como esta área vem crescendo e irá tornar-se fundamental no mercado do entretenimento em geral. Vamos falar dos dados que venho observando nestes rankings que recebo periodicamente.

Além da tendência mundial de hits baseados em loops, efeitos e traquitanas da música eletrônica, outra característica me chama a atenção neste momento que é a proliferação de músicas com participações especiais também conhecidos como Feat ou simplesmente ft., que é a versão mais comum no meio artístico. Neste momento, entre as 10 faixas mais ouvidas nas plataformas de audio streaming nada menos do que 6 são duetos ou mesmo trios. Entre as músicas mais executadas no Brasil neste ano, destaque para Nego do Borel cantando com Anitta e Wesley Safadão. Esta prática é especialmente disseminada entre os cantores sertanejos, muitos dos quais contratados de um mesmo escritório de management, o que acaba facilitando as parcerias e principalmente, servindo como mais uma estratégia de posicionamento e divulgação dos artistas, especialmente aqueles mais jovens.

Antigamente, na época dos discos físicos, as participações especiais de artistas em projetos figuravam apenas a partir da terceira faixa em diante. Muito dificilmente a música com a participação de outro artista seria a música principal do disco como divulgação, não se gravavam clipes, enfim, aquele registro ficava meio perdido em meio a tantas outras faixas. A razão de se ter uma participação especial remetia mais à admiração daquele determinado artista ao convidado do que a qualquer outra estratégia mais elaborada de marketing. Só que hoje em dia as parcerias são muito mais do que um simples registro. Estes encontros passaram a ser fundamentais para a expansão do artista em busca de uma maior divulgação de seu trabalho, do maior alcance de sua música em busca de novos públicos (leia-se também neste caso, maior número de seguidores em redes sociais e plataformas) e ainda, em maior espaço nas mídias já que esta tendência tornou-se verdadeira febre não só no Brasil como no mundo todo.

Focando em nosso mundo gospel tupiniquim, basta lembrarmos que a música mais executada em 2016 nas rádios do segmento foi justamente “Ninguém Explica Deus”, sucesso avassalador do Preto no Branco com participação de Gabriela Rocha. A mesma Gabriela Rocha amealhou até agora 19 milhões de visualizações e comemorou mais um hit em sua carreira num dueto com Leonardo Gonçalves na música “Nossa Canção”. Outro artista, Paulo César Baruk também ultrapassou 15 milhões de views na canção “Santo Espírito” em dueto com Leonardo Gonçalves, tornando-se esta a sua faixa de maior visualização em toda a carreira. Voltando um pouco mais no tempo, a música “A dracma e seu dono” com Damares e participação de Thalles Roberto foi um um hit em 2015 e conta com mais de 17 milhões de views. Ou seja, mesmo no gospel que sempre é um pouco mais resistente às tendências e inovações, a prática de participações especiais tornou-se bastante interessante neste momento.

Há artistas internacionais que nos últimos lançamentos de seus singles, todos contaram com participações especiais. Por exemplo, o cantor colombiano Maluma, jovem estrela da música latina, gravou músicas com Ricky Martin, Shakira e mais recentemente a brasileira Anitta. Nos 3 casos, sucessos acachapantes! Na discografia do jovem cantor há muitos outros encontros musicais que juntos garantem milhões e milhões de audio e video streamings.

E a regra das participações musicais me parece que é justamente não ter regra alguma. Basta uma boa música, um excelente vídeo, estratégias bem definidas de marketing e promoção e a participação total dos envolvidos na música junto às redes sociais. Mesmo quando a música pertence a determinado artista, o ideal é que o artista convidado participe ativamente de toda a promoção da faixa usando ao máximo sua própria rede social e canais. Recordo-me que quando convidei o cantor Thalles para gravar uma faixa no disco da pentecostal Damares, um dos meus argumentos à época era justamente a fusão de públicos, afinal os 2 naquele tempo eram altamente populares em diferentes estilos musicais e públicos bem distintos. A fusão foi excelente e tanto Damares como Thalles conseguiram agregar novos admiradores aos seus respectivos trabalhos. Hoje em dia, os argumentos são muito mais elaborados e técnicos do que este simples ‘fusão de públicos” e tem muito a ver com relevância nas redes e plataformas digitais. O alcance de músicas com participações é aumentado bastante e isto acaba repercutindo positivamente em diferentes áreas do universo digital.

Numa próxima produção, que tal pensar em uma participação mais do que especial?

Mauricio Soares, jornalista, publicitário, editor do blog Observatório Cristão nos últimos 9 anos.