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Mauricio Soares

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Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.

Nestes 10 anos de Observatório Cristão já tive épocas mais e menos intensas de produção de textos. E acredito que os nossos seletos e fiéis 69 leitores já entenderam e respeitam a forma como lido com a periodicidade de publicação de textos, que na verdade, é não ter absolutamente regra alguma, datas fixas, sequência ou padrão. Escrevo apenas quando tenho tempo e, mais do que isso, quando tenho vontade e insights verdadeiramente interessantes. Diferentemente de sites ou blogs que invadiram a web, o Observatório Cristão não gera um único centavo de receita, o que para alguns pode criar uma ideia de desperdício, desleixo ou mesmo de desconhecimento sobre práticas de monetização e coisas afins. Na verdade, minha relação com o blog é muito mais individual, pessoal, do que algo voltado ao público. Mesmo entendendo que nosso blog vem influenciando e ajudando a milhares de pessoas, lido com este projeto como sendo um hobby, algo que deve me trazer prazer, satisfação e principalmente, servir quase que como uma terapia.

Dito isto, gostaria de comentar sobre o tempo longo sem atualizações do blog … não publicamos nada por estes dias justamente pela mais absoluta falta de tempo e, porque não dizer, pela falta de disposição física e mental, afinal estes foram dias de muitas viagens, palestras, trabalho, tensão, transpiração e dedicação. No mês de agosto participei da Expolit em Miami, feira que reúne boa parte do mercado cristão da América Latina. Para quem não sabe, o projeto de música gospel que desenvolvemos no Brasil vem servindo como modelo para outros escritórios da Sony Music na região latina e EUA e, por isso mesmo, tenho atuado como mentor e quase um gestor de conteúdo cristão em nossas filiais. Depois de alguns dias na terra do Tio Sam, voltamos ao Brasil e seguimos diretamente para a Expo Cristã em São Paulo. Em 3 dias absurdamente intensos, pudemos acompanhar de perto o ressurgimento da mais tradicional feira de negócios do mercado gospel no Brasil e será sobre estes dias que iremos seguir comentando neste texto. Mas antes, quero seguir com minha saga dos últimos dias … após a Expo Cristã, voltamos ao Rio de Janeiro e poucos dias depois estávamos novamente no Estado de São Paulo onde gravamos o novo projeto de Gabriela Rocha. Já no dia seguinte, foi a vez de rumar para a capital mineira e acompanhar as gravações do novo projeto do Preto no Branco. Mais uns dias e participamos das pré-estreias do filme “Em Defesa de Cristo” no Rio e São Paulo. Ou seja, escrevo este texto refastelado em minha cama, ‘curtindo’ meu descanso em casa, tentando recuperar as energias para os próximos dias. Para quem pensa que a vida de um executivo de gravadora é uma maravilha, só este relato já dá uma pequena dimensão sobre a rotina que vivemos.

Mas sem alongar-me por mais linhas, vamos falar da Expo Cristã 2017. Geralmente, em edições anteriores, publicávamos textos antecedendo o evento e dias depois voltávamos a escrever outros posts com os comentários e observações pós-feira. Neste ano não foi possível escrever nada antes … até porque vale ressaltar que a Expo Cristã ficou 6 anos fora do circuito e regressou ao mercado somente neste ano, já sob nova direção. A feira em vários aspectos foi um sucesso estrondoso e para muitos (inclusive este que vos escreve!) uma grande surpresa! Havia um certo ar de desconfiança reinante no mercado, inclusive muitas empresas tradicionais optaram em ‘assistir de camarote’, outras participaram de forma bem tímida, mas a verdade é que quem apoiou e participou da Expo Cristã já em seu retorno, vibrou com a presença de público, mídias, artistas e expositores. Sucesso absoluto!

Tive oportunidade de participar de 2 workshops durante a Expo Cristã. Na verdade, diria que foram 2 oportunidades de maior proximidade com artistas, em sua grande maioria, jovens iniciantes. A primeira oportunidade foi no Encontro com as Gravadoras, evento sugerido por mim à organização da Expo Cristã e, imediatamente aceito e aderido por outros executivos de gravadoras – Som Livre, Canzion, Mess e Universal Music. Neste evento falamos sobre o mercado fonográfico, tendências, oportunidades, o momento digital e questões práticas como por exemplo, questões fundamentais para chamar a atenção de uma gravadora. O evento prosseguiu no esquema de perguntas, respostas, rápidos debates. Entre as principais perguntas da plateia, destaque para questões sobre posicionamento artístico em tempos digitais. O que fazer? Como investir? O que priorizar? À medida que as perguntas iam surgindo, tentávamos esclarecer as dúvidas e propor caminhos. No fim, mesmo todos os palestrantes deixando claro que nosso foco era conteúdo digital em detrimento ao formato físico, fomos inundados de CDs, DVDs, Pendrives e afins. Após este workshop atendi a pelo menos umas 80 pessoas, acuado num canto do hall de entrada dos auditórios. É uma experiência muito incrível este contato mais perto com as pessoas, mas traz um peso enorme ao corpo, no fim do dia cheguei a comentar de que havia vivido um dos dias mais cansativos de minha vida … de fato!

No segundo workshop, por incrível que possa parecer, realizado no mesmo dia, tive o prazer de dividir o palco com o editor de música gospel da Deezer Brasil, Lincoln Baena. Nossa palestra, no melhor estilo ‘toca e recebe’ como dois meia-atacantes, seguiu-se por 1 hora e meia apresentando números, melhores práticas, ferramentas e dicas do mercado digital. No fim, abrimos espaço para perguntas e novamente ouvimos dúvidas que haviam sido mencionadas no workshop anterior. Tentando resumir o conteúdo destas dúvidas vou elencar algumas destas perguntas dos participantes. Assim, também facilito a todos aqueles que não puderam estar presentes nos workshops. Vamos às dúvidas …

Em primeiro lugar, é fundamental que todos tenham entendimento de que o formato de consumo de música definitivamente mudou! Não adianta campanha de oração, corrente de 7 semanas, beicinho, bater o pé, espernear … nada disso! A forma como o público consome e irá consumir a música hoje e nos próximos anos, se alterou a favor dos aplicativos digitais, de áudio e vídeo streaming. Então, em primeiro lugar, se você é artista e ainda não está ambientado com os aplicativos Deezer, Apple Music, Spotify ou afins, não perca mais tempo e faça uma imersão intensiva! Deezer e Spotify são os dois mais populares aplicativos disponíveis no Brasil. O primeiro, inclusive está disponível para todos os assinantes da operadora de telefonia TIM e de forma gratuita, já inclusa nos pacotes diversos. No entanto, tanto Deezer como Spotify possuem assinaturas gratuitas, também conhecidas como contas Freemium. Há opções de contas família com custos extremamente convidativos e mesmo na opção Premium com assinatura mensal o valor corresponde ao preço de um CD, ou seja, não há motivo lógico para que o público migre imediatamente para os aplicativos. Com tantos prós, é fundamental que os artistas sejam usuários contumazes dos apps de áudio streaming.

Outra informação muito destacada por nós no workshop é de que os artistas não podem ter apenas um aplicativo, mas preferencialmente as 3 principais opções, ou seja, Deezer, Spotify e Apple Music, especialmente os 2 primeiros. Isto porque cada aplicativo atende a um grupo específico de consumidores. Geralmente quem se utiliza dos serviços da Deezer não tem conta no Spotify e vice-versa. Portanto, para uma eficiente comunicação, estratégias e ações, todo artista precisa ter acesso às plataformas individualmente. Por exemplo, quando um artista cria uma Playlist em seu perfil artístico, o correto é que todas as plataformas tenham este tipo de conteúdo, lembrando que cada plataforma tem uma característica própria e perfil de consumidores específico e isto deve-se ser levado em conta na montagem do repertório das Playlists. Em breve, irei escrever um texto abordando especificamente sobre este tema.

“Então, o que faremos com os CDs que temos em estoque?” – pergunta de um artista de meia-idade que relatava ter alguns milhares de CDs na garagem de casa, feita com voz trêmula, olhar fixo e uma certa transpiração excessiva.

Há algumas opções para quem possui um estoque de CDs ocupando espaço na cozinha, quarto, varanda ou garagem. A primeira opção é você usar estes CDs como um material de divulgação. Em Barretos, interior de São Paulo, e algumas outras cidades estratégicas do país, vários artistas e escritórios contratavam promotores para distribuir CDs promocionais em semáforos, cruzamentos, festas e universidades. Esta é uma opção e, ainda, o envio de CDs para algumas rádios pelo país também como material de divulgação e promoção. Lembrando que hoje nem mesmo as rádios estão muito simpáticas aos CDs como prêmios aos ouvintes, só por um motivo bastante simples: o público não está mais se dando ao trabalho de retirar os prêmios (CDs) na emissora. Outra opção para quem tem muitos CDs em estoque é aumentar a agenda de eventos e usar estas oportunidades para vender ou distribuir estes CDs. Ainda haverá por um tempo uma cultura de compra e venda de CDs em eventos nas igrejas, nestes casos, não estamos tratando de uma demanda e sim, de uma oportunidade do público em aproximar-se do artista e ter ali um tipo de recordação. A este fato específico, costumo dizer que o CD funciona como um “Porta-Autógrafo”. Uma terceira opção é reunir os CDs e começar a criar objetos de decoração criativos, algo como mesas, cadeiras ou coisas do tipo.

“Como posso colocar meus conteúdos nas plataformas? E depois disso, o que precisamos fazer?” – pergunta de uma jovem cantora, com um sorriso enorme no rosto e uma clara vontade de aprender e mudar.

Há várias empresas agregadoras que fazem o serviço de colocação de conteúdos nas plataformas digitais. Em rápidas pesquisas podemos ter acesso a diferentes opções. O importante é entender que estas empresas são apenas uma parte do negócio, ou seja, são uma forma de inserir o artista e seu conteúdo no universo digital, mas não garantem resultados. A imagem que costumo usar é de que estas empresas agregadoras atuam como facilitadores, promotores que colocam o conteúdo numa gondola de supermercado ao lado de milhões de outros produtos. A questão é como se destacar em meio a 40 milhões de outras músicas nas plataformas digitais? Então, respondendo à segunda parte da pergunta, é fundamental que todo artista tenha o suporte de uma empresa de marketing digital. E quando falo de marketing digital não estamos falando de postagens bonitas com versículos bíblicos, mas em ações e estratégias técnicas baseadas em análises, relatórios, expectativas … neste item, diferentemente das empresas agregadoras, ainda temos uma certa carência no mercado gospel. Neste momento, indico 2 a 3 empresas somente, não mais do que isso. E é importante que os artistas estejam atentos aos ‘contadores de estórias’ que prometem o céu e entregam o nada, ou bem menos ainda! Além da assessoria de marketing digital é fundamental que o artista reserve uma verba de investimento porque de nada adianta ter um profissional de suporte e não ter condições de fazer ações de impulsionamento, remarketing e afins.

“Vocês usam termos muito específicos. De tudo o que vocês falaram, confesso que eu não entendi muita coisa. O que eu preciso fazer pra estar mais ambientado a este novo universo digital?” – indagação do pai de uma cantora de 16 anos, sentada ao lado com uma cara assustada imaginando que o seu pai-manager estava expondo-se à frente de todos.

Na verdade, não há crescimento profissional sem estudo, treinamento, capacitação e o mesmo se aplica ao universo artístico. Inclusive no meio artístico gospel onde costumamos transferir a responsabilidade de sucesso e conquistas para o sobrenatural. É fundamental que todo artista busque conhecimento deste novo ambiente digital e isso implica também em entender melhor e se familiarizar com os termos técnicos como streaming, skip, remarketing, playlist, push, singles, EPs e coisas do tipo. Há farto material de informação disponível na web, além de diversos cursos, textos, publicações e conteúdos, ou seja, o artista precisa dedicar seu tempo para aprender e reunir conhecimento. Em vez de ficar horas e horas nas redes sociais, que tal, reservar ao menos 1 hora por dia para buscar conhecimento sobre o mercado digital?

“Qual a melhor forma de lançar as músicas? Como álbum, single, EP … e com relação aos vídeos, como devemos trabalhar?” – dúvida de um rapper cheio de atitude, rimas e gingado.

Neste caso o melhor é não ter regras. O fato é que o formato tradicional de álbum com 12 a 14 faixas perde e muito em força e coerência em tempos digitais. Em contrapartida, singles e EPs apresentam-se como o melhor formato a ser trabalhado. Muitos artistas atualmente sequer consideram a possibilidade de gravar DVDs ou muitas músicas de uma única vez. Hoje em dia, o foco do artista deve ser a busca pelo HIT, pela música que irá impactar o público. O fato de não mais se trabalhar um disco por 6 meses de produção e outros 18 a 24 meses de lançamento e divulgação, torna o processo bem mais leve. Basta uma música sendo gravada e trabalhada por vez. Além da ‘leveza’, esta nova forma de trabalho, diminui significativamente os investimentos em produção. No entanto, esta aparente facilidade, traz em si uma responsabilidade enorme, pois cada canção obrigatoriamente deve ser um sucesso, ter qualidade, precisa ser um HIT. É o fim da ‘música para encher linguiça’ para somar ao repertório, sem força alguma ou apelo.

E complementando, o vídeo assume papel fundamental na divulgação da música. Não há mais como se lançar o conteúdo em áudio sem que seja lançada a versão em vídeo da mesma canção, seja em clipe, Lyric Video ou mesmo pseudo vídeo (capa do CD e áudio no YouTube). No entanto, simplesmente gravar os conteúdos em vídeo não é suficiente para que a música seja um sucesso. É fundamental que estes vídeos sejam tratados como ferramenta de marketing e não somente como mais uma fonte de receita e para isso, investimento de impulsionamento e ações estratégicas de marketing digital fazem parte do pacote básico.

Pelo enorme tamanho do texto de hoje, você, amigo leitor do Observatório Cristão, percebe que tivemos um tempo bastante extenso para a criação deste conteúdo. O mais incrível é manter o foco no tema central … à medida em que escrevo, uma série de outros insights vão surgindo e é preciso manter a atenção e objetivo. Espero que o meu retorno seja comemorado, assim como vibramos com o revival da Expo Cristã. Quem venham mais textos pela frente!

Mãos à obra!

Mauricio Soares, publicitário, consultor de marketing, jornalista, bom ouvido e alguém que vibra ao falar do mercado digital, portanto, não puxe este assunto comigo se não tiver tempo disponível, rs.

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Nos próximos dias tentarei atualizar ao máximo este blog com muitos textos, pois estarei viajando e como sempre faço, aproveitando ao máximo horas de voo e de espera em saguões de aeroportos para escrever o quanto for possível e minha criatividade e disposição resistirem. Neste momento sigo para mais uma edição da Expolit, a mais importante feira do mercado cristão da América Latina. Confesso que não tenho mais noção da quantidade de vezes que participei deste evento, mas estimo que esta seja minha décima quarta edição ou algo próximo a isso. Felizmente minhas últimas participações têm sido bastante produtivas com o início e ampliação do projeto de música cristã em parceria com os escritórios da Sony Music na região. Neste ano estaremos apresentando oficialmente o projeto em espanhol do DJ PV e imagino que esta edição da Expolit será determinante para os artistas cristãos brasileiros na América Latina. Espero que já em 2018 tenhamos mais artistas brasileiros apresentando seus projetos ao mercado cristão hispano.

Dando sequência ao nosso texto propriamente dito, tenho observado atentamente alguns aspectos do consumo de música após a mudança nos formatos, meios e na indústria da música em si. Quando comecei a lidar com o mundo digital, isso lá pelos idos dos anos 2010, tudo parecia uma grande aposta, uma tendência que demoraria alguns anos até se consolidar, especialmente no Brasil ou na América Latina. Recordo-me que em toda oportunidade de viagem ao exterior, especialmente aos EUA, carregávamos o cartão para consumo do iTunes, porque o serviço não dava demonstrações de quando chegaria de fato a Terra Brasilis. Por muito tempo ouvíamos (e torcíamos) sobre possíveis datas do desembarque da plataforma de downloads no país e enquanto aquilo não se tornava em realidade, seguíamos focados nas vendas de CDs, DVDs e no combate à pirataria – engana-se quem imaginou que o mercado gospel se manteve alheio às mazelas da pirataria. Tivemos casos comprovados de clonagem de discos derramados no mercado, especialmente no Estado de São Paulo, que afetaram negativamente muitas gravadoras. Quando, finalmente, o iTunes chegou ao Brasil, oficialmente o país entrou no circuito mundial de consumo digital. Por estar numa companhia multinacional, automaticamente todo o conteúdo de nosso catálogo gospel estreou no iTunes exatamente no minuto zero da existência da plataforma no país, o que para algumas gravadoras do segmento demorou até anos para que o processo se concretizasse (algumas demoraram tanto a enxergar e agir que acabaram entrando no iTunes apenas quando esta modalidade de consumo digital já havia entrado em queda pela chegada do streaming).

Quando o iTunes desembarcou em praias brasileiras o Top Chart de vendas foi povoado por muito tempo exclusivamente por artistas internacionais. A música brasileira no primeiro momento simplesmente foi colocada à margem no consumo de downloads pelo iTunes. Sertanejos, funk, MPB e, claro, o gospel surgiam raramente no Chart50, vez ou outra no Chart100. Quando Leonardo Gonçalves tornou-se o primeiro artista religioso do país a figurar no topo do Chart de vendas do Brasil a comemoração foi digna de um Oscar ou algo do tipo! Feito repetido depois por Os Arrais, Gabriela Rocha, Mariana Valadão, Paulo César Baruk, entre outros. Vale um “registro-ostentação” destacando a Sony Music como a gravadora a ter o maior número de artistas do cast entre o Top 5 de melhor performance na história do iTunes no Brasil. Durante muito tempo o iTunes foi um território exclusivo de artistas e conteúdos internacionais e não por coincidência, este tipo de consumo refletia o estilo de usuários do serviço, notadamente um público das classes AB, com perfil mais sofisticado, antenado com as tendências do exterior.

Com a expansão do consumo, a popularização do consumo (note-se de que nunca no Brasil o iTunes foi popular, até porque sua política de preços sempre manteve-se atrelada ao dólar e ao cartão de crédito internacional) e um maior entendimento dos artistas nacionais, a exclusividade de artistas e projetos internacionais passa a ser diluída, dividindo as atenções com artistas nacionais, especialmente uma turma da nova MPB e os sertanejos. Antes mesmo do iTunes tornar-se um canal de consumo popular, chegou ao país as plataformas de streaming, primeiramente o Deezer, sendo seguido pelo Spotify e tempos depois pela Apple Music. No início, estes aplicativos vivenciaram a mesma tendência histórica do iTunes, ou seja, conteúdos internacionais, especialmente a música eletrônica, monopolizavam a atenção do público. Nada de sertanejo, funk, samba, pagode ou gospel … no entanto, com o crescimento dos serviços, a parceria entre a Deezer e a operadora de telefonia Tim, a popularização das marcas e o aumento do consumo por parte de diferentes públicos, o perfil de consumo nas plataformas digitais também sofreram transformações sensíveis incluindo novos estilos que até então se mantinham à margem do consumo digital ou, melhor, distantes do universo streaming. Entre estes estilos, destaque para o funk – especialmente o som produzido nas periferias paulistanas – que assumiu lugar entre o sertanejo, pop internacional e eletrônico.

Atualmente no Top 10 Semanal de Streamings no Brasil encontramos sempre dois a três MCs ‘qualquer coisa’ ladeando com nomes como Matheus e Kauan, Marília Mendonça, Anitta e Ed Sheran. E é basicamente a respeito deste ponto que irei seguir pelos próximos minutos, imaginando que ainda terei a atenção de ao menos nossos 69 leitores abnegados e atentos do Observatório Cristão. O advento da música digital, especialmente nas plataformas de áudio streaming, vem promovendo uma mudança significativa na indústria da música e na escala de prioridades dos A&R em termos de contratações. Se em tempos atrás o funk ficava restrito às periferias, sempre à margem do mainstream, distante das rádios e programas de TV, atualmente os artistas deste segmento garantem importantes pontos de Market Share e passam a ser buscados avidamente pelos profissionais das gravadoras. A grande questão é que esta novidade, esta mudança de estilo que vem crescendo em importância no cenário musical tupiniquim, deixou de lado qualquer pudor, senso estético ou qualidade. Nem é preciso dedicar alguns minutos para se ouvir o que vem sendo produzido por esta turma do funk, basta atentar-se aos títulos das músicas onde “Bumbum Granada” passa a ser um dos títulos mais sutis entre o cardápio oferecido. Outro dia parei para analisar uma playlist de funk e antes de chegar à décima faixa, já decidi nem arriscar-me a ouvir nada tamanha agressividade nos títulos das ditas ‘obras musicais’. Tempos depois ainda soube que há uma categoria ainda mais HardCore com os “proibidões” que seguem uma linha ainda mais pornô-explícita-agressiva que define o sexo feminino como qualquer coisa … algo deplorável ao extremo. Não sou sociólogo e por isso mesmo nem me atreverei a fazer uma análise sobre os motivos que corroboram para este cenário musical, mas o que sei neste momento é que o ambiente digital trouxe à baila uma música de baixíssima qualidade, feita em escala industrial (há escritórios de funk lançando 6 a 10 faixas inéditas por dia!), que ultrapassou os limites da periferia e hoje performam com destaque no YouTube e nos aplicativos de áudio streaming.

Em contrapartida, este mesmo ambiente digital provocou outra mudança radical na área da música gospel nacional e que merece ser comemorada por todos! Enquanto no secular, o digital trouxe o funk, pelos lados da música cristã observamos uma chegada de artistas e propostas musicais de extrema qualidade que até então não tinham espaço no concorrido mainstream ocupado por poucas gravadoras do segmento. Há 10 anos atrás, a música gospel era representada por Aline Barros, Damares, Fernandinho, Cassiane, Diante do Trono e mais uns 5 a 10 outros nomes com relevância nacional. Entre os estilos, nada de um reggae brilhantemente apresentado por um Salomão ou a vibrante e dançante música de um DJ PV, por exemplo. A música gospel de então, limitava-se ao surrado pentecostal com seus trinados, arranjos triunfantes, letras enormes ou aos tradicionais estilos pop adoração ou louvor congregacional, nada muito além disso! Com a chegada das plataformas digitais, os artistas que até então eram considerados underground ou de nichos menores, passaram a ter espaço e a conquistar a atenção do público. Público, que por sinal, já dá sinais claros de que vem crescendo no consumo de música comemorando o fim do monopólio das rádios do segmento onde nem sempre a qualidade da programação era, de fato, o forte das emissoras.

Meses atrás fiz uma pesquisa interna e deparei-me que entre os 10 artistas de melhor performance em resultados de minha companhia na área gospel, cerca de 80% haviam se destacado nos últimos 5 anos, muitos destes com tempo de carreira inferior a 7 anos, ou seja, uma turma jovem, com propostas musicais bem diferenciadas e de acordo com o novo perfil de consumo no segmento, destacava-se demonstrando um novo caminho para a música gospel no país. Nomes como Amanda Rodrigues, Gabriela Rocha, Ministério Morada, Deise Jacinto, Priscilla Alcântara, Pier49, Marcela Taís, Os Arrais, Estêvão Queiroga, Preto no Branco, Paulo Nazareth, Isadora Pompeo, Arianne, Tanlan, ou os já citados, DJ PV e Salomão, já são artistas de relevância no segmento, demonstrando a enorme diversidade de estilos, propostas musicais e alcance nacional.

Estamos vivendo um momento muito especial no mercado da música no Brasil, especialmente no segmento gospel e considero que estamos sabendo aproveitar esta oportunidade para valorizar o que temos de melhor. Por muitos anos fomos reconhecidos externamente pela força em vendas, pela pujança do mercado gospel, mas não necessariamente pela qualidade de nossas produções ou artistas. Hoje em dia posso assegurar que esta característica vem sendo transformada com muita força e velocidade. Como trabalho num ambiente profissional e não confessional, tenho acesso a visões e observações muito sinceras sobre o atual estágio da música gospel produzida no país e confesso que tenho me orgulhado muito com o que tenho ouvido ultimamente. Tem sido bastante recorrente receber entusiasmados feedbacks de colegas de trabalho destacando músicas como “Retrovisor” de Deise Jacinto ou “Deserto” de Os Arrais ou ainda, “Creio em Ti” com Aline Barros. Estes comentários têm sido cada vez mais comuns e enfáticos contrastando com o que se dizia no passado: Vende muito né? Muito bom …

Vamos em frente! Produzindo e investindo na qualidade de nossa música!

Mauricio Soares, jornalista, diretor artístico que busca a qualidade sempre, publicitário, editor do blog Observatório Cristão, casado, pai do Fernando, Leonardo e Benjamim.

5 2308

Estes meus dois últimos dias têm sido de muita correria, viagem internacional, preparativos, reuniões e … tristeza. Desde a madrugada da última segunda para terça-feira meu telefone não para de receber mensagens, links, notícias, comentários … alguns amigos mais chegados me enviam áudios e ligações. Todos fomos surpreendidos pelas notícias e num misto de estupefação e tristeza, tentamos entender os motivos para que uma pessoa bem-sucedida em sua carreira profissional colocasse tudo a perder por uma questão tão distante da realidade de uma pessoa que professa e divulga a fé e a doutrina cristã. Mas não quero me ater na pessoa em si, mesmo tendo algumas percepções bem definidas sobre o que pode ter contribuído para este desfecho tão trágico. Quero dedicar estes próximos minutos para tecer alguns comentários, que poderão ser aplicados a todas as pessoas que pretendem ou que já seguem uma carreira artística. Com algumas adaptações, estas mesmas observações também se aplicam a nós, simples mortais no dia a dia de nossas vidas cotidianas.
 
Presença constante em aeroportos, viagens, entrevistas, shows, cultos, apresentações, ensaios, deslocamentos, visibilidade, redes sociais, gravações … a vida de um artista de música cristã é intensa. Acompanho esta rotina faz quase 30 anos e sei o quão cansativo e intenso é … o quanto demanda de atenção, disposição, dedicação, força de vontade e até preparo físico. Quem pensa que vida de artista é moleza, deveria passar uma semana acompanhando de perto a rotina sacrificante de compromissos com data e hora marcadas, a necessidade de estar sempre sorrindo e simpático (mesmo quando se dorme 3h apenas ou se alimenta mal e coisas do tipo!). No entanto, mesmo com todos estes compromissos há uma questão que não deve ser negociada ou relegada a um plano de menor importância, a saber: a necessidade de estar em comunhão e atuante em uma igreja local. Infelizmente tenho percebido muitos artistas que estão trabalhando intensamente pelo Reino, caminhando de forma solitária, autônoma, alguns até se auto proclamando pastores e pastoras, como se o título bastasse para suprir o tempo de convívio e cuidado de líderes. Este é um erro fatal! Todos nós precisamos estar inseridos numa igreja local. Temos que ter o suporte de um pastor, de um líder, precisamos ter ‘tempo de banco’ para aprender mais, para ouvir, ser discipulado, conviver com outras pessoas e dividir experiências. Todo artista precisa saber controlar sua agenda para que as oportunidades não atrapalhem o tempo de relacionamento com a igreja local.
 
Estar constantemente em ambientes religiosos não é suficiente para atender carências e demandas individuais que são só supridas na igreja local, onde o artista é tratado como uma pessoa comum, com suas idiossincrasias, necessidades e falhas inerentes a qualquer ser humano.
 
Portanto, se você é artista e não tem participado com certa regularidade das atividades de sua igreja local, resolva esta questão o quanto antes. Muitos artistas optam por reservar ao menos um domingo por mês para estar em suas respectivas igrejas locais. Outros reservam cultos semanais para estarem presentes de forma fixa. E vale lembrar que estar na igreja local não significa participar do ministério de louvor ou fazer solos durante o culto, o correto é estar na igreja local como um simples membro, sentado no meio da congregação, recebendo naturalmente a Palavra, sem ser sequer notado pelos demais. Isso faz toda a diferença!
 
É importante salientar de que ser um artista de música cristã não é para qualquer um, afinal a música tem um papel muito importante na propagação do Evangelho, no agir do Espírito Santo e, por isso mesmo, atua em regiões espirituais de grande impacto. Não querendo discutir doutrina ou religião, o fato é que quem se habilita a usar seu talento artístico para Deus deve estar preparado para enfrentar grande oposição espiritual. E como aguentar o tranco se não houver preparo? Como enfrentar demandas opostas se não estivermos cheios do Espírito Santo, cheios de conhecimento da Palavra, discernindo claramente as ciladas do inimigo? Não podemos ser obscuros de pensamento e acreditarmos que sozinhos poderemos ser suficientes para lidar com toda a pressão e opressão no trabalho de propagação da mensagem de Cristo. Quando uma referência comete um ato negativo inesperado, o alcance negativo de suas atitudes parece que é potencializado ao máximo! Basta vermos o impacto deste acontecimento por estes dias, chegando ao Trend Topics do Twitter, sendo matéria em sites e blogs seculares.
 
Neste momento me vem à mente a imagem de uma manada de antílopes e leões à espreita analisando onde dar o bote para garantir sua refeição … o leão não vai de encontro à massa, ele observa quem está desgarrado, muitas das vezes filhotes sem experiência de vida ou mesmo algum animal doente, debilitado … ele jamais irá enfrentar os mais fortes, os mais ágeis, os mais astutos. O foco dele será sempre o mais vulnerável. E o mesmo acontece em nossa vida espiritual. O diabo não irá afrontar quem está cheio do Espírito Santo, pelo contrário, o alvo dele será os mais débeis, os mais fracos, os mais cheios de si, aqueles que se julgam espertos e que podem caminhar sozinhos tornando-se presas fáceis. A necessidade de estarmos todos inseridos em igrejas locais não é uma tradição, mas uma atitude de auto-preservação, uma atitude de maturidade e humildade espiritual. Estejam todos atentos a isto!
 
Ainda sobre este momento tão triste para todos nós tenho percebido reações muito distintas, não só do público como dos artistas. Vivemos dias difíceis e muito estranhos, sem dúvida. Tempo em que o ódio se torna corriqueiro e as pessoas não dissimulam sua vontade de destruir o próximo, mesmo quando este nem está tão próximo assim, quando sequer se conhece ou tem relacionamento mais íntimo. Todos se julgam capazes e liberados para expor suas opiniões e julgamentos. A própria existência de um site com foco em divulgar notícias negativas, em expor a vergonha e falhas alheias é algo surreal para o meio cristão. Não há nada bíblico que justifique isso! Mas o que de fato me chama a atenção é a tremenda falta de amor e de compaixão com a fraqueza do outro como se todos nós fôssemos suficientemente fortes, coesos, coerentes. Não mesmo! Todos, indistintamente temos nossas fraquezas, nossas falhas e o que nos faz diferentes é identifica-las e saber mantê-las controladas. Quando julgamos o outro, de uma forma indireta estamos dizendo que somos superiores a ele, de que este tipo de problema não nos atingiria e de que temos controle total de nossos atos e pensamentos. Quando na verdade, o próprio Senhor Jesus nos ensina na passagem da mulher adúltera de que ninguém está livre para julgar o outro. O que Ele nos ensina é que devemos ter compaixão de quem está em pecado e que devemos ser instrumentos para a mudança e não para o seu sepultamento ou apedrejamento. Fico imaginando quem são os pastores desta patuléia que resolve atirar pedras para todos os lados? Qual igreja esta turma frequenta? Por que certamente quero manter máxima distância! Muita mesmo!
 
Em contrapartida tenho visto muitas manifestações solidárias. Pelas redes sociais muitos artistas mandando mensagens de apoio, oferecendo suas orações, carinho e respeito. Isto é o que me faz ainda acreditar em algo melhor do que estamos vivendo por estes dias. O que precisamos é disseminar o amor, o amor transbordante, aquele amor que constrange a ponto de por si só transformar uma situação terrível e para muitos irreversível. Estamos diante de um momento único onde, diria até que de forma surpreendente face ao espírito beligerante e acusatório reinante, podemos fazer uma diferença tremenda sobre as expectativas. Se orarmos, se acolhermos, se demonstrarmos carinho ilimitado, creio que tudo pode ser revertido. E eu digo isso com muita certeza de que seria exatamente desta forma que cada um de nós gostaria de ser acolhido caso estivesse vivendo situação semelhante.
 
Espero que nos próximos dias possamos orar especificamente por esta vida e por tantas outras que se encontram em situação análoga, escondidas pelo cotidiano de suas infelizes rotinas. Que possamos demonstrar todo nosso amor e preocupação e que nossas atitudes sejam para reerguer e não apedrejar! Minha sugestão é para que cada um de nós assuma uma posição de não expor mais ninguém, mas sim de proteger, de acolher. Esta é uma palavra que neste momento surge com muita força em meu coração, acolher. Sendo pai de 3 meninos, minha vida toda foi de pegá-los no colo (faço isso ainda hoje mesmo com 2 homenzarrões maiores do que eu), abraça-los forte e fazê-los sentir protegidos, acolhidos. Estes momentos são únicos e sei o quanto são importantes para meus filhos. Que façamos o mesmo neste momento, ou melhor, sempre, com aqueles que estão perto e com aqueles que sequer conhecemos.
 
Façamos a diferença!  
 
P.S. – para complementar este texto não creio que exista uma música tão perfeita como “A Lei e o Amor” brilhantemente escrita e interpretada por Séo Fernandes. 
 
 
Mauricio Soares, pai e esposo.

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Recebi hoje esta matéria publicada pela Nielsen, importante instituto de pesquisa de consumo e resolvi traduzi-la e publicar para nossos 69 leitores. O crescimento do consumo de música através das plataformas de streaming segue num ritmo intenso e no Brasil, em especial, os números crescem vertiginosamente. Vamos à matéria:

Demanda de streaming tem resultado recorde

Os streamings de áudio atingiram mais de 184 bilhões até o momento em 2017, um aumento considerável de 62,4% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com o relatório Nielsen’s Mid-Year 2017.

Enquanto isso, os streamings de áudio e vídeo superaram os 284 bilhões este ano, um aumento de 36,4% em relação ao mesmo período de 2016. No entanto, houve uma diminuição nas vendas de álbuns (-18,3%), álbuns + TEA (Títulos de álbuns equivalentes) (-19,9%), vendas de álbuns digitais (-19,9%) e venda de álbuns físicos (-17%), destacando os hábitos de escuta do consumidor e o foco da indústria em lançamentos únicos.

O lançamento do álbum de Ed Sheeran em 3 de março deste ano pode ter contribuído para o aumento das transmissões de streams semanais para a semana que terminou em 9 de março e que superou 7 bilhões pela primeira vez na “Shape of You” de Sheeran dos EUA. É a música mais transmitida de 2017 até o momento, com 690 milhões streams até a data, incluindo 354 milhões de streams de áudio e 336 milhões em vídeo. É também a música com as vendas de trilhas mais digitais: mais de dois milhões até agora este ano.

“No primeiro semestre de 2017, tivemos alguns novos benchmarks incríveis para a indústria da música”, disse Dave Bakula, SVP Insights, Nielsen Music. “A rápida adoção de plataformas de streaming pelos consumidores gerou engajamento com música em uma escala que nunca antes vimos”.

Fluxos de músicas dos EUA de meio ano 2017

O lançamento de Drake de “More Life”, em 18 de março, também estabeleceu um recorde de streams de áudio em uma semana com 385 milhões de execuções, superando o recorde anterior de seu álbum de 2016, “Views”, que registrou 245 milhões de streams em sua primeira semana.

A maior música no meio do ano, em termos de atividade total (vendas e equivalentes de transmissão de áudio combinados), é “Shape of You” de Ed Sheeran, com 361 milhões. A faixa também toca os gráficos de vendas de músicas digitais, com mais de 2 milhões até agora este ano.

Nota do blog: acompanho semanalmente a performance dos artistas de nosso segmento em termos de número de ouvintes/streams e é notório o crescimento de artistas que estão focados neste novo formato de consumo de música. O crescimento recente de artistas como Os Arrais, Gabriela Rocha, Priscilla Alcântara é uma prova incontestável do sucesso do binômio foco e ação.

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O vôo de volta para casa após dias e dias em Fortaleza por ocasião da Expo Evangélica está sendo bastante longo e produtivo. Como estou optando em não capotar de sono … vou distraindo-me escrevendo novos posts, finalizando outros conteúdos e trabalhando, respondendo aos e-mails que acumularam em minha caixa postal por estes dias.

Enquanto escrevo, vou acompanhando minha playlist com canções selecionadas no mais apurado critério. Leonardo Gonçalves, Gabriela Rocha, Deise Jacinto, Os Arrais, André e Felipe, Estêvão Queiroga, Kemuel, Seo Fernandes … e por aí vai … só música de excelência!

Como sempre comento, tenho algumas décadas de experiência no mercado cristão. Participei de dezenas e dezenas de feiras ao longo destes anos. Tenho um carinho muito especial pela Expo Evangélica de Fortaleza por alguns motivos. Em primeiro lugar pela forma incrível que o idealizador, Francisco Ewerton (fala-se Evééééérton, no dialeto cearês!) e sua família nos recebe a cada ano. Estou pra conhecer uma família tão unida, coesa, comprometida, acolhedora e agradável. Nota 1000! Em segundo lugar, a Expo já está no calendário oficial do segmento gospel. Tanto as principais empresas, como principalmente os próprios artistas e mídias já se programam por todo o ano para marcar presença no mês de julho em Fortaleza. Os resultados também são incríveis. Especialmente para os artistas, a Expo é uma oportunidade de receber o carinho do público, divulgar seus projetos nas mídias do segmento e seculares, estar mais perto dos outros artistas, fazer apresentações nos mais variados palcos do evento e de fato, trabalhar muito, mas divertindo-se na mesma proporção. No meu caso, a Expo Evangélica é um grande trabalho de branding, de posicionamento da marca Sony Music perante à mídia e ao público. Conseguimos ao longo dos dias reforçar a relevância da empresa no segmento trazendo o conceito de qualidade, simpatia, inovação e presença, isto é fato!

Nesta edição de 2017 quero destacar alguns fatos que certamente entrarão para a história da Expo Evangélica de Fortaleza. Vamos aos nomes e fatos …

A grande revelação. Sem dúvida alguma, se houve alguém que chegou sem qualquer expectativa à capital cearense, esta pessoa atende pelo nome de Séo Fernandes. O baiano boa-praça, com seus dreads na cabeça, suas batas coloridas, sua linguagem mansa e cantada, foi a grande revelação da décima-segunda edição da Expo Evangélica. Com apenas 2 apresentações no palco principal do evento, o baiano conquistou a atenção de todo mundo. Na primeira oportunidade, Séo e sua banda pra lá de competente, em apenas 2 canções tomou de assalto o pavilhão do Centro de Eventos do Ceará e colocou todo mundo para cantar a plenos pulmões … “Graça, uhuuuu … abundante graça …”, daí em diante nada mais foi o mesmo! As pessoas ficaram completamente hipnotizadas pelo gestual, pelas danças, pela intensidade do show de Graça, Tambor e Cordas, nome do álbum de estréia do artista baiano. Já no dia seguinte, uma apresentação mais completa com 30 minutos de duração que transformou o ambiente por completo. Comentário mais ouvido pelos bastidores: O Séo teve o público nas mãos e poderia fazer um show de 1 hora e meia e ninguém sairia reclamando! Quanta pressão! Quanta qualidade! Que banda é essa hein!?!?! De fato, neste ano, o nome mais comentado, mais aclamado, foi o de Séo Fernandes. Do meu ponto de vista, estamos diante de um novo artista a integrar o primeiro time do mainstream gospel. É uma questão de tempo, não mais do que 1 ano e Séo Fernandes será reconhecido nacionalmente, não somente por sua música, qualidade, mas também pelo conteúdo teológico que possui. A Bahia sempre nos reservando boas surpresas! Aba Paêêêê …

O grande destaque. Ela trabalhou como ninguém. Se tinha uma entrevista, mesmo que tendo que sair do hotel às 5h20, a incansável estava sorridente, feliz e muito bem disposta. Sem dúvida, foi quem mais teve a imagem vinculada à Expo Evangélica em 2017. Quem mais atendeu mídias, quem mais fez selfies, mais participou das ações de promoção e divulgação. Estou falando de Priscilla Alcântara, jovem estrela de popularidade além do segmento gospel. Por onde ela passou, gerou atenção de jovens, meninos, meninas, adultos, crianças … é impressionante o carisma desta artista! No palco principal, foi a única a apresentar-se durante todos os dias, arrebatando o público com toda a intensidade. Ao longo destes anos trabalhando no meio gospel, tive oportunidade de trabalhar com inúmeros artistas, alguns dos mais relevantes do segmento. Posso assegurar que poucos foram os artistas que deram tanto prazer em estar junto trabalhando como a Pri (como a chamo carinhosamente!) … ela ainda vai longe! E além de tudo isso, possui uma fluência de raciocínio impressionante! Suas entrevistas são sempre bastante profundas e rendem bastante (dependendo do jornalista é claro!). Pequena notável!

O momento mais emocionante. Uma música que atingiu mais de 100 milhões de views e que foi a mais executada nas rádios do segmento no Brasil em 2016. Este é o resultado de “Ninguém Explica Deus” em pouco mais de 1 ano e meio de lançamento. A música é um hit e nada mais natural que ao longo do tempo, chegue a um nível de saturação junto ao público, justamente pelo seu próprio sucesso. Pois com esta canção tudo é diferente. Na primeira apresentação do Preto no Branco em versão reduzida, apenas Wesley e Clóvis Pinho, no palco principal da Expo Evangélica, já nos primeiros acordes de “Ninguém Explica” o público veio ao delírio e cantou sozinho toda a música. Ou como disse o Clóvis, o público ‘tirou a música da boca do artista e assumiu a apresentação’ … o próprio compositor e intérprete, Clóvis Pinho, não segurou a emoção e desabou a chorar por boa parte da música. Para quem já cantou esta música incontáveis vezes é muito natural que as coisas sigam mais ‘no automático’, mas isso de fato não aconteceu em Fortaleza. Pra completar, no dia seguinte, novamente o PNB subiu ao palco e por uma sugestão minha, desta vez com Priscilla Alcântara para fazer parte do dueto em “Ninguém Explica”, mais uma vez o público foi ao delírio! A química entre os três foi fantástica e já motivou um novo encontro programado para um projeto inédito pela frente.

As bizarrices. Mas nem só de grandes momentos viveu a Expo Evangélica … não mesmo! Houve personagens engraçadíssimos, figuraças, pocket shows de vergonha alheia em nível máximo, figurinos de gosto duvidoso, enfim, como em toda aglomeração, sempre há pessoas que se destacam, para o bem ou para o mal. Citando apenas alguns casos em que fui testemunha ocular … não posso deixar de recordar ( na verdade, preferia apagar a imagem da minha mente, mas enfim …) um jovem dançando coreografias desconexas como se tivesse agarrado um cabo de 3.000 volts, o cara saracoteava pra cá … pra lá … num frenesi muito louco, parecia uma lagartixa com a cauda cortada se esperneando … muito engraçado! Também vi um casal de figurino kitsch ao extremo cantando que nem Jane e Herondi (os antigos saberão do que estou falando), um senhor de nome estranho cantando brega num palco de 3 m2 como se estivesse em plena Villa Mix … uma infinidade de forrozeiros com visuais modernos e as indefectíveis cantoras pentecostais com seus trinados frenéticos, atitude intensa e os mesmos arranjos e músicas que falam de inimigos, perseguição, milagres e coisas do tipo … na verdade, acho que uma feira evangélica sem estes personagens não tem a menor graça! Esta turma faz parte do nosso ambiente e em eventos como a Expo, simplesmente são mais reconhecidos e surgem de todos os cantos. Adoro isto!

Silêncio zero! Definitivamente silêncio não faz parte desta feira. Além do carinho, da enorme quantidade de público, artistas e mídias, outra característica marcante da Expo Evangélica é justamente o barulho intenso não somente pela natural aglomeração de milhares de pessoas num espaço fechado, mas principalmente pelos inúmeros pocket shows que acontecem simultaneamente em diferentes stands com mais ou menos estrutura, mas sempre com muito empenho dos artistas preocupados em ‘vender o seu peixe’. Além dos pequenos palcos, há o espaço de principal atenção de toda a feira, o palco principal do evento onde revezam-se todos os artistas principais das gravadoras apoiadoras ao evento.

O público é um show à parte! Outro destaque desta feira é o público. Analisando os comentários dos artistas nas redes sociais, antes, durante e depois do evento, sem exceção, todos elogiaram e agradeceram muito o carinho do povo. E um detalhe sobre este carinho merece registro, o espírito acolhedor e democrático onde há espaço para todos, pequenos, médios, pop stars, ilustres desconhecidos, para todos sobram selfies, abraços, aplausos e atenção. Nota 10 para o público da Expo Evangélica!

Finalizo este texto exatos 7 dias após ter voltado para casa. Durante toda esta semana os vários artistas que por lá estiveram, seguiram relembrando os dias de grande alegria que usufruíram na Expo Evangélica. E pra quem já quer agendar sua presença em 2018, a data já está definida, a próxima acontecerá de 04 a 07 de julho. Nos vemos lá!

Mauricio Soares, jornalista, publicitário e alguém que um dia espera poder curtir as belas praias do Ceará.

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Depois de quase uma semana na maravilhosa capital cearense, começo a escrever este texto já no caminho de retorno para casa. Teremos cerca de 3 horas de viagem pela frente e como prefiro aproveitar este momento para torná-lo produtivo, resolvi trocar o descanso por algum tempo de atualização dos textos do blog. Há fases em que começo vários textos de diferentes temas e assuntos e, por algum bloqueio inconsciente, não os concluo em definitivo. Os textos vão sendo digitalmente engavetados até que num momento qualquer possam ser devidamente concluídos (ou não!) um a um. Nestes últimos dias iniciei 4 textos, sem que um único sequer chegue ao processo definitivo e posterior publicação por aqui. Vamos esperar que com este seja diferente! Esta é a minha torcida neste momento.

Esta foi a décima segunda edição da Expo Evangélica em Fortaleza. Participo como apoiador desde a primeira edição e, confesso, orgulho-me profundamente por isto. Na verdade, tenho um idealismo que me impulsiona a apoiar diferentes iniciativas que fomentem o mercado cristão, seja através de feiras como esta ou mesmo shows, festivais e eventos do tipo. Creio que nas últimas 4 ou 5 edições eu tenha não só apoiado à Expo, mas também marcado presença fisicamente. A experiência de estar lado a lado com os artistas atendendo ao público, às mídias, entrevistas, demandas e mesmo nos momentos de confraternização com artistas e amigos, é algo que nos revitaliza bastante! Por mais que sejam dias e dias de horas mal dormidas, cansaço extremo, deslocamentos constantes e uma agenda frenética, a verdade é que isto tudo é muito bom!

Na edição 2017 da Expo tive várias experiências muito marcantes. Em primeiro lugar eu gostaria de destacar como definitivamente a “chave” do digital foi virada, não somente entre as gravadoras, mas também entre os artistas, mídias e o próprio público. O cantor-amigo-pagodeiro-boa-praça Waguinho, em meio à sua apresentação no palco principal perguntou ao público sobre quantos ali já tinham aplicativos de áudio streaming e, para minha surpresa, cerca de 60% das pessoas levantaram efusivamente as mãos. Confesso que no primeiro momento me surpreendi pela resposta do povo … mas analisando melhor o perfil daqueles presentes, posso arriscar dizer que a imensa maioria do público era formado por jovens entre 14 a 25 anos, portanto, dentro do perfil nacional de usuários da plataformas digitais. Outro detalhe interessante, esta foi a Expo em que volto para casa sem ter um único CD em minha bagagem. Tudo bem que tenho deixado claro que receber CDs ou DVDs em mãos já não faz parte de meu dia a dia, mas ainda assim, me impressionei como os próprios artistas e postulantes também eliminaram o produto e não levam materiais sequer para promoções, sorteios ou afins. A mídia física simplesmente desapareceu … agora todos os artistas falam de Deezer, Spotify, impulsionamento, redes sociais … isso é uma mudança de comportamento fantástica!

Entre os stands mais movimentados da Expo, sem dúvida, o espaço da Deezer foi dos mais concorridos. A ação de marketing foi perfeita com os artistas revezando-se no pequeno palco e auditório montados na feira. Filas enormes seguiam-se dia a dia na espera de pocket shows de artistas do primeiro time como Novo Som, Daniela Araújo, Kemuel, Seo Fernandes, Preto no Branco, entre outros. Arrisco a dizer que o número de assinantes da Deezer em Fortaleza cresceu significativamente nestes últimos dias. Ainda assim, com todo este crescimento do ambiente digital, tive algumas experiências emblemáticas por estes dias. Entre um e outro papo com amigos, profissionais e artistas, tive a oportunidade de conversar com um mega artista que alcançou o sucesso no mundo secular, músico de primeira linha, inovador, compositor, uma pessoa que viveu o auge do sucesso na indústria da música tempos atrás e que depois de anos converteu-se e seguiu firme e forte na música, só que desta vez como artista cristão. Conversamos longamente sobre este novo momento da música e todas as novas demandas. Ele me perguntou se seria difícil entrar para o cast da minha gravadora, mesmo que para uma simples distribuição digital … imediatamente respondi que o processo para ele seria extremamente simples, mas que ele próprio precisaria fazer alguns ajustes adaptando-se a este novo cenário digital. De forma direta perguntei-o sobre qual plataforma digital ele costumava usar … silêncio absoluto … 5, 6, 7 … 10 segundos … percebi que ele não estava entendendo muito o que eu estava questionando naquele momento e pra facilitar sua compreensão, resolvi ajudar … “Deezer?” … “Spotify?”… qual é a plataforma que você usa? – repeti mais uma vez. O silêncio da morte se prolongou mais alguns segundos e depois de minha cara de susto, ele respondeu: nenhuma!

Resumindo esta história, orientei-o sobre antes de mais nada a ser usuário de alguma destas plataformas. Na verdade, eu fui mais além, peguei seu smartphone e eu mesmo criei uma conta para ele. Em poucos segundos apresentei-lhe ao universo digital … daqui uns dias vou entrar em contato com este artista para ter um feedback sobre como tem sido sua nova relação com a música baseada no app de streaming. Espero que ele desenvolva-se urgentemente nesta novidade! Durante a Expo, fui convidado a dar uma pequena palestra a artistas independentes sobre a importância do mercado digital. Entre as informações que fiz questão de levar naquele rápido momento de apresentação, quero destacar as seguintes:

– Todo artista precisa ter contato com as plataformas digitais. Se a ideia é ter uma carreira artística, o primeiro passo é manusear algum aplicativo de streaming e tornar-se íntimo deste novo ambiente de consumo de música. Como tenho feito habitualmente, perguntei aos presentes quais já possuíam algum destes aplicativos em seus smartphones e a resposta foi de cerca de 60 a 70% dos presentes. Em se tratando de um ambiente totalmente formado por artistas, este percentual deveria ser outro, ou seja, 100% dos presentes. O uso contínuo de aplicativos de música por parte dos artistas é uma questão tão natural como a escolha de repertório, o trabalho de fonoaudiologia e técnicas de respiração e coisas do tipo. Uma coisa não se dissocia da outra, são atos contínuos e inerentes.

– Todo artista precisa ter o suporte de uma assessoria de marketing digital. E neste caso, como já falei por aqui inclusive, não se pode confundir design, criação de peças publicitárias, flyers e coisas do tipo, com um trabalho elaborado de marketing digital. Além disso, fiz questão de ressaltar sobre a importância de se buscar por profissionais que efetivamente entregam o que prometem, ou seja, que não sejam os manjados ‘contadores de estórias’, personagem bastante comum em nosso meio nestes dias. Frisei também que no processo de contratação de artistas na empresa em que participo, contar com o suporte de marketing digital é uma questão sine qua non, ou seja, é uma condição obrigatória! Sem alguém para cuidar desta área, as possibilidades de contratação diminuem drasticamente. Inclusive, no caso de artistas já contratados, temos desenvolvido campanhas específicas para que todos tenham este suporte e arrisco a dizer que na Sony Music, na área gospel, 90% ou mais do cast possui este tipo de assessoria. Coincidência ou não (definitivamente não!) os artistas do nosso cast destacam-se perante os demais sobre os resultados digitais. Não é um auto-elogio, mas uma simples constatação! Simples assim …

– O modelo de produção de conteúdo baseado no formato CD ou DVD não é mais o padrão do mercado. Ou seja, a necessidade de se gravar um projeto com 14 faixas tornou-se obsoleto e completamente desnecessário! A ordem agora é buscar a melhor música, a melhor produção, o hit e lançá-lo como um single, reunindo todos os investimentos no impulsionamento e divulgação de uma única canção e não mais aquele projeto longo de tempos atrás. A estratégia do momento é lançar single após single, focar toda a atenção na divulgação de uma faixa e investir maciçamente em ações de marketing digital. Nada mais de meses e meses produzindo um disco em que no final as faixas ficarão esquecidas no meio do repertório … além de poupar dinheiro na produção do álbum pela otimização do tempo e recursos, esta nova estratégia permite ao artista uma agilidade incrível para apresentar novos conteúdos e propostas artísticas.

– A música deixa de ser uma experiência auditiva e passa a ser visual. Com isto, os clipes, vídeos, Live Sessions, assumem papel de preponderância nas estratégias de marketing, promoção e divulgação dos artistas e seus respectivos projetos musicais. O que fiz questão de deixar claro na mini-palestra é que não se deve lançar a música se esta não chegar ao mercado acompanhada de sua versão em vídeo. O alcance da música sem seu paralelo em vídeo é reduzido drasticamente nestes casos. Também ressaltei que os clipes não precisam ser mega produções que inviabilizem a produção dos conteúdos. Neste caso, um bom filtro, um bom equipamento, apuro estético, bom roteiro, luz e principalmente bom senso já ajudam bastante!

– As redes sociais passam a ser meio e não fim. Ainda me deparo com artistas fazendo campanhas para a aquisição de novos seguidores, mesmo já contando com uma boa base de fãs. Esta fase de ‘seguidores-ostentação’ onde os artistas ficavam disputando quem alcançava o maior número de seguidores, definitivamente, já passou. Hoje o objetivo maior de todo artista deve ser o crescimento no número de seguidores nas plataformas de áudio e vídeo streaming, sendo a primeira opção, a mais importante. As redes sociais são atualmente importantes ferramentas para que o público migre para as plataformas de conteúdo e nada muito além do que isso! De nada adianta ter 5 milhões de fãs na fanpage e ter uns gatos pingados nos perfis oficiais da Deezer, Spotify ou YouTube. A meta agora é crescer os seguidores nestas plataformas e aumentar consideravelmente o número de streams e ouvintes mensais.

– É fundamental investir no alcance dos conteúdos digitais. Se em tempos atrás era fundamental reservar um budget para divulgação em rádios, revistas, materiais promocionais e afins, hoje em dia, o foco no investimento deve ser totalmente direcionado para as ações de marketing digital, o tão propalado impulsionamento de conteúdos, ressaltando-se que esta ação deve ser feita com muito critério (que isso fique bem claro! com critério e assertividade!) para que tenha o alcance que se espera. Neste caso, reforço mais uma vez a necessidade de se contar com o suporte de profissionais capacitados! Atenção total!

– O mercado digital é presente! Não mais o futuro! Talvez este tenha sido um dos últimos aspectos que abordei em nossa palestra a jato em meio a um stand apinhado de pessoas das mais diferentes realidades e expectativas. Quis deixar ainda mais claro que estamos vivenciando um novo momento, irreversível e que vem sendo preparado e estudado há pelo menos os últimos 7 anos. Deixei claro que no nosso caso, não há surpresa alguma, pelo contrário! Já vivemos o ambiente digital plenamente e temos investido constantemente na capacitação de nossos artistas. Também fiz questão de dividir a responsabilidade pela popularização deste novo universo digital com os próprios artistas, que são importantes formadores de opinião. A tarefa de apresentar as plataformas como a principal forma de consumo de música é de responsabilidade não só das gravadoras, mas principalmente dos próprios artistas. Quanto mais os artistas se envolverem nesta campanha, melhor e mais rápido atingiremos resultados relevantes nas plataformas digitais.

Creio que estes foram os principais pontos citados … aqui foi o resumo do que falamos em corridos 50 minutos de palestra. Ao longo da feira, encontrei-me com vários dos artistas que participaram deste momento e tive oportunidade de receber feedbacks muito entusiasmados. De um artista presente recebi, até com um pouco de surpresa, o relato de que a palestra mudou completamente sua visão do meio. Ele me fez entender o quanto curtiu as informações e de que já estaria colocando em prática várias daquelas sugestões e dicas. Muito bom isso!

Por hoje é só!

Mauricio Soares, jornalista, publicitário, consultor de marketing, alguém que comeu alguns quilos de camarão e castanha nos dias em que esteve na capital cearense e que sequer pisou na areia de qualquer praia da região. Que pecado!

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Hoje em meio a uma conversa despretensiosa durante o almoço, meu parceiro de A&R, o querido e competente Bruno Baptista, entre uma e outra garfada de um belo Bacalhau Espiritual, fez um comentário a respeito de um produtor musical ganhador de vários prêmios ao longo da carreira de décadas, profissional muito respeitado pelo mainstream, artistas e músicos:
“Estou no meu limite com ele … se ele não entender que as coisas mudaram, acho que é o fim de linha dele na companhia, na verdade, não só na nossa empresa, mas também no mercado como um todo. Este tipo de atitude dele apenas reflete um tipo de profissional que não se adequa mais ao que vivemos no mercado!”

E aí, você curioso leitor do blog deve estar se perguntando: mas o que este produtor fez ou deixou de fazer para receber uma sentença tão dura como esta? Em rápidas palavras, o laureado produtor que coleciona inúmeros projetos de sucesso com milhões de discos vendidos, tendo trabalhado para boa parte do primeiro time da MPB, segue não mantendo prazos, extrapolando orçamentos e agindo como se fosse mais artista do que os próprios artistas. Ou seja, o que antes poderia ser entendido como algo excêntrico ou mesmo um ‘preço a se pagar pela genialidade e resultados’, hoje em dia é tido tão somente como falta de responsabilidade com um bom toque de falta de noção da atual realidade do mercado.

Utilizei-me deste exemplo em meio a um almoço com o amigo e profissional de outro segmento para corroborar com algo que há muito tempo penso em publicar por aqui no blog. As coisas no meio artístico mudaram muito e entre tantas alterações, a falta de paciência com o amadorismo tornou-se ainda maior. Em outras palavras, a indústria fonográfica trabalha num novo ritmo, muito mais racional e que demanda prazos, planejamentos, datas, estratégias, ações e metas.

Como já escrevi em outros posts aqui publicados, as plataformas digitais trouxeram uma nova dinâmica ao mercado fonográfico. Hoje o que menos importa é colocar seu projeto nas plataformas, no Spotify, Deezer ou Apple Music … isso, com todo respeito, qualquer serviço de agregador de conteúdo é capaz de fazer, até mesmo sem qualquer tipo de relacionamento entre o artista e a empresa. A grande meta das gravadoras hoje é conseguir destaque para os seus projetos no momento de lançamento nas plataformas digitais. E este destaque é conseguido prioritariamente pela relevância do artista, pela força da gravadora junto aos parceiros e através de um planejamento de entrega e ações de promoção com antecedência. O tempo ideal para que o produto seja trabalhado pela gravadora junto aos parceiros digitais é de 45 dias, depois disso, tudo vai ficar mais complicado!

E aí, voltamos aos produtores musicais … sim! Afinal de que adiantará a gravadora buscar o melhor destaque para o lançamento de um determinado artista ou mesmo na elaboração das estratégias de marketing, se o dito cujo do produtor resolve não cumprir com os prazos e metas pré-determinadas? No meio gospel há casos folclóricos de produtores com atrasos de 120, 180 dias de entrega de suas produções. Outros que são reconhecidos por cobrarem ‘lebres’ e entregarem ‘gatos’, ou seja, cobrarem custos de produções prometendo os melhores músicos, os melhores estúdios e no fim, limitarem-se a produções quase caseiras. Há profissionais de produção que são reconhecidos por assumirem 10 projetos simultaneamente e seguirem trabalhando num processo de ‘pirâmide’ onde um artista acaba pagando a produção de outro numa miscelânea louca e com resultados sempre catastróficos! Não podemos deixar de citar os produtos temperamentais que dão chiliques de estrela como se fossem eles os clientes e não os artistas e/ou gravadoras. Enfim, posso listar uma infinidade de modelos de produtores musicais com suas falhas, suas esquisitices e principalmente com a falta de profissionalismo, mas por compaixão aos 69 leitores, fico por aqui mesmo.

A verdade é que este tipo de profissional, inconsequente, desorganizado, sem compromisso, amador e que mais traz chateação do que alegrias, está com os dias contados, ao menos entre as majors e os grandes artistas. O que posso garantir, pelo menos referindo-me à minha pessoa, é que cada vez iremos priorizar mais os produtores que mantêm o compromisso de qualidade sem perder o foco na pontualidade. Que isto sirva como um mantra para todos aqueles que querem se manter no mercado musical!

E o mesmo se aplica aos diretores e produtores de conteúdo de vídeo! Prazo dado é prazo cumprido, como diria o A&R Capitão Nascimento. Enfim, num momento em que os conteúdos chegam às dezenas (às vezes, centenas) a cada semana nas plataformas digitais, garantir o destaque e contar com a parceria destas mesmas empresas é algo fundamental! Por isso, garantir a manutenção dos prazos é a primeira garantia de sucesso do projeto!
Pra bom entendedor …

Mauricio Soares, publicitário, neurótico por prazos, jornalista, palestrante, profissional de marketing

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Coisa rara em meu dia a dia é ter um tempinho sem nenhum compromisso, sem filhos por perto, absolutamente nada pra fazer ou me preocupar. Pois bem, neste momento estou sentado à frente do meu computador lendo notícias, atualizando as manchetes, pesquisando alguns vídeos, lendo alguns textos publicados … tudo na mais santa paz, algo muito difícil de acontecer. Estou em meio ao fim de semana com alguns compromissos na capital paulistana e nesta manhã fria, completamente sozinho, no quarto de hotel, dei-me ao luxo de ficar rolando na cama, descansando o corpo e principalmente a mente … e como pra mim, escrever é uma atividade absolutamente prazerosa, vou dedicar alguns minutos desta manhã, antes de partir para uma palestra à tarde, a fim de escrever algum texto para o nosso blog.

Ao longo dos meus 29 anos de estrada profissional, boa parte destes dedicado ao mundo de música, deparei-me com inúmeros artistas em início de carreira. Independente de estilo, capacidade, talento ou condições financeiras, o artista iniciante enfrenta dificuldades inerentes a qualquer aprendiz, seja de qual profissão que for. E neste momento em que vivemos um radical processo de transformação na indústria fonográfica e nas práticas do mercado e consumo de música, há uma série de detalhes que precisam ser muito observados com atenção.

Em primeiro lugar, o artista iniciante precisa saber que tudo decorre de prática. Não se alcança a excelência vivendo de teoria somente. Na verdade, a teoria, o estudo, o preparo, o planejamento são parte de um todo do processo, mas que por si só não garantem resultados satisfatórios. Quem privilegia somente a prática em detrimento ao teórico também incorre num sério risco de errar em questões primordiais e, de igual forma, não alcançará os resultados com a excelência que se espera. Colocando as coisas no seu devido lugar, todo profissional deve dedicar o início de sua trajetória ao estudo e na sequência, buscar a prática. Adaptando ao universo artístico musical cristão, é fundamental que o artista tenha tempo de “banco de igreja”, ou seja, que tenha intimidade com Deus e com a Palavra. Não se pode querer entrar numa carreira de cantor gospel se o dito cujo sequer consegue encontrar o livro de Romanos sem recorrer nervosamente ao índice. Lembre-se, só damos aquilo que temos em demasia. Como pode alguém querer ministrar se está vazio, oco do conhecimento de Deus?

Passado o período de preparação, o caminho natural é colocar em prática todo o conhecimento. E a prática só se consegue praticando! WOW, quanta genialidade! Pois é, parece e é de fato, óbvio, não mesmo? Mas você meu seletíssimo e queridíssimo leitor do Observatório Cristão acredita que tem muito artista por aí acreditando que pode ‘ganhar as nações’ (Oh! Aleluias!) sem, ao menos cantar em sua igreja local? Sem sequer ter enfrentado cultos vazios, aparelhagens de som de quinta categoria ou mesmo horários nada nobres para sua participação? É aquele caso do jogador que quer jogar no Flamengo sem ter passado pelo Olaria ou algo do tipo. Nada disso! Todo artista deve começar praticando independente do local, da plateia, da estrutura, simplesmente trabalhe! Dias atrás encontrei um cantor bastante iniciante … e aí, papo vai, papo vem, ele começou a me perguntar sobre dicas e tudo mais. Sem respondê-lo diretamente comecei a fazer-lhe algumas perguntas do tipo: qual a periodicidade de sua agenda? Quantos eventos por semana ele havia participado? E aí ele calmamente disse que estava fazendo uma média de 4 apresentações por mês e eu imediatamente respondi de que este número era muito fraco e que ele deveria começar a focar justamente nesta área, aumentando a carga de trabalho. Na maior inocência ele me disse que recusava cantar em igrejas pequenas porque isso poderia dar uma ‘desvalorizada’ no trabalho dele … de que ele focava apenas cantar em grandes oportunidades.

Recordo-me que há alguns anos atrás lancei um artista e meu recado a ele foi o seguinte: cante de manhã, tarde, noite e nas vigílias da madrugada. Cante até não aguentar mais! Cante em casamento de anão! Cante em velório de cachorro, mas cante! Somente assim você vai ser reconhecido e as portas se abrirão para você porque talento você tem, mas as pessoas não sabem disso! Então vamos mostrar a eles isso! Anos depois tornou-se um dos maiores nomes da música gospel em todos os tempos. Mas o sucesso começou humilde, bem pequeno, com muito trabalho, muita transpiração! Não teve moleza!

Outro importante detalhe neste processo de maturação do artista iniciante tem a ver com saber em lidar com o tempo. E mais do que o tempo, com a própria ansiedade! Uma das expressões que falamos muito no nosso dia a dia na gravadora é justamente: gerenciar as expectativas. Ou seja, como o artista está organizado mentalmente para lidar com o processo lento e contínuo de uma construção de carreira. Arrisco a dizer que muitos artistas perdem o rumo justamente neste momento. Para exemplificar e, particularmente gosto de trazer a vocês alguns “causos” que vivenciei ao longo dos anos para tornar minha exposição ainda mais clara, posso listar alguns artistas que acreditei demais no potencial de carreira, mas que por justamente não saberem lidar com a ansiedade, simplesmente puseram os pés pelas mãos e sucumbiram na carreira artística. Há casos de artistas que vivenciaram processos de maturação com o lançamento de um primeiro CD (lembram-se disso, aquela bolacha metalizada que os antigos colocavam no carro, em seus aparelhos 3 em 1 … pois é, coisa ancestral mesmo!), passavam mais um tempo, lançavam um segundo CD e aí … deixavam tudo que estava programado pela gravadora e passavam a agir por conta própria, muitos dos quais, deixavam o cast da gravadora e partiam em carreira-solo. Não conheço um que tenha dado certo! Simplesmente porque quiseram queimar etapas e no fim saíram chamuscados, alguns incinerados!

Outros julgaram-se preparados e jogaram-se em projetos nacionais. Deixaram de focar determinadas regiões e aí resolveram que deveriam dominar o Brasil. Convocavam um ‘açessor’ que iria abrir as portas das rádios, das igrejas, dos grandes eventos pelo país, investiam tempo e principalmente uma grana forte e … água! Tiro n’água! Retumbante! Não saíram de lugar algum ou como costumo dizer, retrocederem várias casas atrás no tabuleiro. Tem um caso clássico de um jovem-filhinho-de-pastor que gastou tubos de dinheiro com rádios e promoção, quis gerenciar sozinho sua carreira, saiu de uma grande gravadora e depois de anos de muito investimento, muitos Tops de lista de execução nas rádios e muita expectativa pessoal, não foi a lugar algum, ou pior, virou exemplo de artista fake ou balão japonês, aquele que sobe rapidinho e cai apagadinho por aí …

Gerenciar expectativas. Traçar objetivos. Planejar as ações. Determinar o cronograma. Estabelecer as prioridades. Trabalhar. Investir na hora e lugar certo. Buscar as boas parcerias. Encontrar profissionais capacitados e com portifólio de sucesso. Trabalhar. Buscar conhecimento. Adequar-se às novas realidades e demandas. Ter paciência. Rever seus ideais. Estar no centro da vontade de Deus. Trabalhar. Saber ouvir. Reciclar-se. Buscar referências musicais de qualidade. Trabalhar. Respirar.

Acho que é isso! Seguindo estas dicas … acho que pode rolar algo.
Valeu! Chegou minha hora. Até a próxima!

Mauricio Soares, consultor, jornalista, publicitário, palestrante e editor deste blog que segue firme com os 69 leitores! Obrigado pessoal!

P.S. – Meus parabéns ao escritório da Deezer no Brasil por acreditar no potencial da música gospel do país e ser a única plataforma de áudio streaming a contar com um editor de conteúdo cristão em suas fileiras. Parabéns pelo belo evento recente promovido no Rio de Janeiro! Todo sucesso a vocês! E aproveito para dar os parabéns para Gabriela Rocha, mesmo jovem cantora, já entre os 3 artistas gospel do país com o maior número de streams na Deezer. Você vai longe pequena! #TrocoLikesporStreams