Home Authors Notícias porMauricio Soares

Mauricio Soares

234 Notícias 1 Comentários
Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.

Entre meus gostos musicais, além de uma refinada MPB, há um espaço de destaque para a autêntica música de raiz brasileira, que também conhecemos como “música caipira”. Entre os seus mais proeminentes representantes, holofotes direcionados para Rolando Boldrim, Almir Sater e Renato Teixeira. E lendo uma revista de bordo que me deliciei com a entrevista de Renato Teixeira contando um pouco mais de sua vida, experiências, composições e sua visão da atual realidade da música brasileira.

Entre tantas respostas interessantes, pincei duas partes para servir como mote do nosso texto de hoje. A entrevista foi concedida ao jornalista Bruno Hoffman.

BH – O que te move a compor?

Como dizia antes, eu faço canção sobre pessoas. O que me impressiona quando vou para Aparecida do Norte, por exemplo, não são as igrejas, a estética, a parte arquitetônica. É a pureza dos romeiros. Se você olha nos olhos dos romeiros, é possível enxergar a alma. Romaria, talvez meu maior sucesso, não é uma canção para a santa, é uma canção para o romeiro. E se tornou uma espécie de canção manifesto, como se eu dissesse: “A música caipira agora é assim, esse é o jeito mais viável”. É uma música caipira que poderia ser gravada pela Elis Regina, por exemplo. Foi um antropofagismo. Pegar a música caipira, pegar a MPB, misturar e extrair o que é importante, respeitando a ética e os valores caipiras.

BH – Como a música surgiu, em que você se inspirou?

Na época em que compus, lá por 1973, eu estava muito ligado em poesia concreta. Estava apaixonado pela obra de Décio Pignatari, Augusto de Campos, todo aquele pessoal que desenhava com palavras. E comecei a compor a canção para usar um pouco a experiência que estava tendo. É de sonho e de pó/O destino de um só … Nunca imaginei que faria sucesso, justamente pela carga intelectual colocada, pela sofisticação. Embora ache que poesia concreta seja a mais popular, não é fácil entender. Uma coisa engraçada que, quando terminei a letra, não sabia o que colocar após o Como não sei rezar/Só queria mostrar/Meu olhar … E o que mais? Pensei em tudo para terminar a música: meu sentir, meu sofrer, meu pensar. E não vinham as palavras certas. Durante uns quatro meses cantei a música sem o fim. Até que percebi que o melhor era repetir o “meu olhar”: Meu olhar, meu olhar, meu olhar … No mesmo dia que terminei a música, um amigo perguntou se eu tinha algo novo, e toquei Romaria. Quando terminei, ele estava completamente aos prantos, me beijou a testa e perguntou: “Você tem noção do que fez?”. Eu não tinha. A música ficou uns três anos na gaveta, até Elis gravar. Foi sucesso instantâneo. Um dia andava pela rua e ouvi alguém assobiar Romaria. Foi nessa hora que saquei que a música havia se tornado um sucesso.

Sinceramente? Relendo e digitando essas respostas, me vem à mente uma pergunta simples: preciso fazer mais algum comentário a respeito? Verdadeiramente creio que não preciso falar mais nada! É tão clara a mensagem de Renato Teixeira sobre a sua relação com a palavra, com a música, com o ser humano, que me constranjo de falar mais qualquer coisa!

 

Mas vou resistir ao meu bom senso e vou tentar tecer ainda mais alguns comentários sobre o que acabamos de conferir. O Observatório Cristão caracteriza-se por trazer um olhar diferenciado sobre os acontecimentos à nossa volta. E aproveitando essa entrevista, gostaria de comentar sobre a qualidade das composições no meio gospel. Já falei sobre esse mesmo tema pelo menos umas 3 a 4 outras vezes aqui mesmo no blog, mas creio que não é demais voltarmos a este assunto, tentando trazer mais algum aspecto novo.

Se você é compositor de música gospel, acho que você deveria perguntar-se também sobre o que te move a compor. Como todos sabem, trabalho com música há muitos e muitos anos, então posso sentir-me à vontade para fazer esse tipo de comentário: grande parte dos compositores do cenário gospel não sabe o motivo que os leva a compor! Sim, é isso mesmo! E quando falo de motivo para compor, digo um motivo nobre, ideal, não simplesmente proporcionar o sustento de sua família ou alimentar seu próprio ego ao ver uma cantora TOP gravando sua canção.

Renato Teixeira afirma que o motivo dele compor são as pessoas. Será que em nosso caso também não devesse ser este o motivo principal? Sim, afinal quando falamos de Deus e de seu amor, suas misericórdias e todas as promessas dEle, estamos falando para o ser humano, ou seja, tratamos sempre de pessoas. Agora, porque ainda somos tão restritos e restritivos no espectro de assuntos quando se trata de composição no mundo gospel? Confesso que existem certas canções que já na primeira estrofe, tenho plena noção por onde o compositor irá seguir. A música gospel brasileira precisa ser sacudida por um vento de criatividade!  Mas para isso, os compositores precisam buscar novas fontes. Ressalte-se que não são novas fontes de inspiração, pois a Bíblia e a mensagem cristã são fontes inesgotáveis de temas, mas quando digo “novas fontes” quero dizer caminhos criativos da palavra. O exercício de composição deve ser encarado como uma atividade em busca da perfeição e não da repetição de chavões ou simples rimas.

Lidar com a palavra é muito mais do encaixá-la na métrica de uma melodia. É uma briga constante na busca da sinergia perfeita entre forma e conceito. Constantemente me assusto com textos e mensagens publicadas na web. Não sou um purista da língua de Camões, mas confesso que acho inadmissível uma pessoa escrever de forma errada. Sei que o Brasil é um país com terríveis falhas no processo educacional, mas também sei que hoje em dia há inúmeras oportunidades para o crescimento intelectual e aperfeiçoamento. Quando vejo um compositor consagrado no meio gospel escrevendo como se fosse um dialeto zulu, realmente entro em pânico. Afinal, se o compositor vive da palavra, como pode desconhecer justamente o seu instrumento básico de trabalho? Se fosse fazer uma pesquisa com alguns dos principais compositores do meio gospel sobre hábitos de leitura, não me arrisco a dizer que muitos diriam que não leram um único livro nos últimos anos.

Só para ilustrar a importância da leitura para o processo de composição, recordo-me que o Pr. Marcus Gregório praticamente obrigava os integrantes do Ministério Toque no Altar a lerem exaustivamente diversos livros por ano. Não por coincidência, algumas das mais belas e criativas canções do cenário gospel nos últimos anos surgiram da lavra de gente como Luiz Arcanjo, Ronald Fonseca e Davi Sacer.

Voltando à entrevista, na segunda resposta, o que me chamou muito a atenção foi a reação do amigo de Renato Teixeira ao ouvir Romaria. Ele relata: “Quando terminei, ele estava completamente aos prantos, me beijou a testa e perguntou: Você tem noção do que fez?”  Pois bem, esse tipo de reação tenho até hoje quando ouço essa canção, mesmo se tratando de uma referência à fé de um romeiro em relação à santa. Isso independe! O que me emociona é perceber todo o cenário que a música descreve. É tão claro e real, que é impossível ouvir essa canção sem emocionar-me. E é justamente essa emoção que sinto falta em grande parte das músicas que ouço nas rádios de programação evangélica pelo país.

Não quero ser o Pedro de Lara do gospel (aquele dos jurados do Chacrinha e depois do Silvio Santos, os mais velhos lembrarão dele) sempre reclamando de tudo, mas também não dá para ser a Alice no País das Maravilhas achando que tudo que estamos produzindo no meio gospel é divino, maravilhoso! Longe disso! Verdadeiramente sinto falta de criatividade e de poesia na música gospel produzida em nosso país! E mais uma vez, repito e reafirmo, poesia e criatividade são adquiridos através de leitura e experiência de vida. Diferente disso, teremos sempre letras pobres, conceitos vazios, referências repetidas e mais do mesmo!

Por que sempre que queremos destacar algum compositor evangélico “poético” nos referimos à Janires, João Alexandre, Sérgio Lopes e mais uns 5 ou 6 compositores somente? Precisamos de mais poesia. Precisamos de compositores mais criativos. Precisamos de profissionais ousados entre as gravadoras para identificar qualidade no diferente. Precisamos de programadores de rádios evangélicas dispostos a sair do padrão. Precisamos de poesia. Precisamos de criatividade. Precisamos focar em pessoas. Precisamos de ideais renovados. Precisamos de uma música gospel genuinamente de qualidade. Precisamos mudar. Que tal esse processo começar hoje mesmo? Vamos investir na leitura?

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, A&R, profissional de marketing, amante da música, leitor contumaz, observador de tudo que está à volta e um idealista por natureza. Finalizo este texto e sigo para assistir ao show de lançamento do CD de estréia de Daniela Araújo. Talvez motivado pelo álbum dessa jovem cantora, cheia de poesia e criatividade, meu subconsciente me dirigiu a escrever sobre esse tema, mas confesso que este projeto é um dos meus motivadores a buscar uma nova música cristã produzida nesse país. Boa música a todos!


E ainda neste assunto,

É impressionante como toda vez em que a grande mídia faz uma abordagem sobre o mercado fonográfico, a introdução da matéria sempre traz uma abordagem sobre a queda do mercado fonográfico. Não importa o viés da matéria, sempre usa-se o bordão “mercado em crise” e coisas do tipo. O cerne da matéria pode ser positivo, mas sempre há um contraponto negativo do tipo: “Mesmo em crise, artista “X” vende milhões de CD”.

No Brasil, os dois últimos anos foram de crescimento no mercado fonográfico. Dados preliminares apontam que 2011 chega ao fim comemorando mais um ano de crescimento em vendas, sendo que alguns artistas como Padre Marcelo Rossi e Paula Fernandes superaram a marca de 1,5 milhão de unidades vendidas. Estamos falando em crescimento na venda física de CDs, atente-se para isso! O mercado de shows está super aquecido, inclusive colocando definitivamente o país no circuito dos grandes astros da música internacional. Neste ano, tivemos o retorno do Rock in Rio ao país e mais outra edição do SWU e de diversos outros festivais.

Particularmente discordo com essa tendência pejorativa na abordagem da mídia quando se refere ao mercado fonográfico. É óbvio que a pujança de vendas de CDs de décadas atrás não temos e não teremos mais no mercado. Também é notório que os canais de venda de música em lojas especializadas praticamente ficaram reduzidas a grandes redes de varejo. Mas isso não significa que o mercado fonográfico é um ser moribundo!

O que estamos vivendo neste momento, em especial no Brasil, é uma mudança radical do processo de consumo do bem “música”. A transição do LP para o CD se deu a partir do momento em que as indústrias de eletroeletrônicos aposentaram a vitrola e passaram somente a produzir aparelhos com tocadores de CD. Essa transição completa não durou mais do que 2 anos e foi realizada automaticamente, onde saíram a vitrola, o LP e a agulha de diamante (lembram-se disso?) e entraram o CD, o 3 em 1 e o disc-man. Já a transição entre o CD físico e o mundo digital não aconteceu de forma linear. É nítido que vivemos um hiato entre o consumo de produtos físicos e digitais. Neste hiato, nem mesmo a indústria fonográfica conseguiu interpretar perfeitamente as tendências e caminhos que o mercado acabaria seguindo. E imagino que esse “medo do desconhecido” acabou provocando um pânico generalizado e até mesmo uma letargia inercial. Daí a ideia que a mídia vem constantemente atribuindo como “a crise do mercado fonográfico”.

 

Na verdade, o mercado digital amplifica e muito os canais de distribuição para a música. Se antes tínhamos cerca de 3 mil pontos de venda de música no país, hoje temos 200 milhões de celulares para comercializar conteúdo. Com a ampliação e melhoria da banda larga no Brasil, outros milhões de usuários da internet passarão a ter acesso ilimitado a arquivos com milhões e milhões de músicas. Hoje há inúmeros canais de comercialização de música no universo digital na web ou mesmo através das operadoras de TV a cabo ou empresas de telefonia. Com a chegada do iTunes tão comemorada nos últimos dias definitivamente ingressamos na nova era digital. Outras plataformas como Power Music Club, Rdio, GVT, Sonora democratizam o acesso à música. Enfim, não há crise no mercado fonográfico! O que há neste momento é uma gama ilimitada de possibilidades para a comercialização de conteúdo no mundo digital.

E posso adiantar que 2012 será o ano da virada do mercado fonográfico no meio digital! Não sou nenhum adepto das profecias de Nostradamus, muito menos estudioso do calendário maia ou mesmo um profeta pentecostal, mas podem me cobrar em 31 de dezembro de 2012 sobre esta minha última afirmação. Teremos grandes novidades no mercado digital a partir dos próximos meses. Uma infinidade de canais de comercialização de conteúdos digitais estarão disponíveis ao consumidor brasileiro daqui em diante.

Poucos são os profissionais que já conseguem vislumbrar todos os desdobramentos do mercado digital para os próximos 10 anos (isso é quase um século em termos de tecnologia!), então o momento é de busca incessante pelo conhecimento, pelo aprimoramento e principalmente pelo planejamento e mudança de estratégias. Neste momento é fundamental que as gravadoras estejam preparadas para essa nova conjuntura do mercado fonográfico! Infelizmente ainda vejo empresas e ‘profissionais’ de gravadoras apenas mirando no mercado físico como único caminho. Na verdade, não consigo pensar em melhor imagem neste caso do que de um trem se aproximando no horizonte, enquanto uma despreocupada pessoa passeia por entre os trilhos degustando um delicioso sorvete. O trem pode até demorar a chegar, mas numa determinada hora ele vai passar por cima do “degustador de sorvete”. E já posso adiantar, que esse trem aí é do tipo que a torcida do Vasco costuma cantar nos estádios … é um autêntico trem bala! O atropelamento é inevitável!

Então, toda vez que alguém comentar que o mercado fonográfico está em crise … ah! manda ler esse artigo … não precisa entrar em nenhuma confusão! Este é um mercado de oportunidades! Mas é fundamental que se esteja preparado para enfrentar e aproveitar as múltiplas opções de negócio … o que não vale é ficar na cadeira de balanço, reclamando da chegada de players profissionais, preparados e focados no futuro do mercado. A concorrência é livre e que venham as novidades!

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, casado, pai de dois meninos que já nasceram tecnológicos e digitais. “Papai no seu tempo a TV era em preto e branco? Mas já era em 3D?”

 

0 532

Desde que me entendo por gente ouvia que o Brasil era o país do futuro. De igual forma, mas há bem menos tempo, algo como nos últimos 10 anos, leio, ouço e também digo que o mercado digital será a nova revolução da indústria fonográfica e da própria música e sua relação com o consumidor.

Pois bem, o Brasil hoje tem uma economia sólida, destaca-se entre os países no mundo todo não só pelo futebol, samba, seu povo alegre e pelas belezas naturais, mas também por sua estabilidade monetária. E nesta semana, com a chegada oficial do iTunes no Brasil, oficialmente entramos no novo momento da música e do universo digital.

Sim! Estamos vivendo a partir de agora um novo momento na indústria fonográfica! Para ilustrar a importância da chegada do iTunes uma das imagens que me vem à mente de imediato é a da queda do Muro de Berlim. Com a derrubada daquele símbolo dividindo a Alemanha Oriental e Ocidental, caíram não apenas blocos de tijolo, mas todo o conceito de Guerra Fria. A Europa mudou completamente a partir da queda do muro. Na verdade, não só a Europa, mas todo o planeta!

Com o lançamento do iTunes no Brasil passamos a integrar um grupo seleto de países com acesso a uma biblioteca de mais de 20 milhões de músicas, conteúdos, vídeos, álbuns. A forma de lidar com a música será completamente outra a partir de agora. Em outros países em que o iTunes já tem um passado, a mudança da forma de consumir e relacionar-se com a música digital mudou radicalmente! O aumento de receita das gravadoras a partir da entrada do iTunes e das diferentes plataformas digitais foi algo impressionante e derrubou todos os prognósticos negativos e apocalípticos de que o mercado fonográfico estaria moribundo.

Além do iTunes, o Brasil conta com outras plataformas como Sonora, Rdio, PowerMusicClub, para citar alguns. Ou seja, não há mais desculpas para se baixar músicas em sites piratas de downloads gratuitos. Tempos atrás ouvia alguns argumentos de que não se encontrava sites oficiais para fazer o download de música evangélicas no Brasil. No entanto, esse argumento completamente vazio se antes mesmo não tinha sustentação, agora mesmo é que não tem lógica alguma!

Fico muito orgulhoso de já conferir os álbuns de Cassiane, Damares, Renascer Praise, Leonardo Gonçalves disponíveis no iTunes do Brasil. Este foi um trabalho meticuloso de quase um ano e hoje colhemos os resultados de todo o esforço da equipe. Mas pesquisando no site, não encontrei vários e vários trabalhos de artistas cristãos consagrados. A leitura que eu faço desta questão é que ainda há muita gente no mercado gospel brazuca focando única e somente no CD físico, imaginando que a chegada do mercado digital se daria apenas no próximo século!

Pois bem, o mercado digital já chegou! E agora as gravadoras e artistas independentes deverão, literalmente, correr atrás para garantir seus lugares neste ‘trem’. Vale ainda ressaltar que a chegada do mercado digital não significa o fim do mercado físico, muito pelo contrário, o que se percebe em muitos países é um crescimento na venda de CDs físicos. Mesmo no Brasil, açoitado pela pirataria física e digital, chegaremos ao fim de 2011 registrando mais um ano consecutivo de crescimento na venda de CDs físicos.

Portanto, sugiro que você tire um tempinho de agora em diante para navegar no iTunes e nas outras plataformas para ter acesso aos produtos, lançamentos, raridades e muito mais! É um tipo de passeio maravilhoso e do qual tive o prazer de ‘viajar’ nestes dias.

Boa viagem!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, consultor e alguém que a partir de agora precisa ter enorme auto-controle para não exagerar nas compras on line.

1 434

Nesta semana precisei ficar uns dias em repouso em função de uma gripe fortíssima. Quando já não agüentava mais assistir a filmes, documentários e programas na TV, corria para a internet a fim de me inteirar sobre as novidades.

Fico muito feliz ao entrar nas redes sociais e observar como esse blog tem sido lido e servido como material de consulta e aprendizado. O que realmente começou como uma grande curtição vem tornando-se algo sério e que num futuro não muito distante poderá inclusive virar um livro.

Mas estes dias de repouso e de navegação descompromissada na web foram proveitosos para ler, assistir e meditar sobre alguns temas que poderão servir como texto no Observatório Cristão. Entre assuntos sérios e outros nem tanto, me peguei assistindo alguns vídeos indicados por pessoas nas redes sociais e outros encontrados no meio da web.

O tema deste texto tem a ver com algo que vez ou outra me acomete: VERGONHA ALHEIA. Confesso que morro de constrangimento ao ver que determinada pessoa está fazendo um papel que não a favorece perante uma platéia. A vontade que me dá nestas ocasiões é de sacar uma arma e desintegrar a pessoa para que ela pare de servir de chacota para os outros. E infelizmente, em determinados momentos, se fosse possível esse meu desejo, talvez tornasse-me o próprio Billy The Kid dando saraivadas de tiros desintegrantes a torto e a direito.

Meu dia-a-dia é repleto de reuniões, audições, ligações, decisões, conversas, viagens, ou seja, cada minuto é devidamente valorizado como algo realmente escasso. Mas nem por isso deixo de atender pessoas nas redes sociais, através de emails ou mesmo telefonemas. Se há uma característica que tento manter é minha acessibilidade. Acredito que pelo cargo que ocupo, posso ser considerado uma pessoa relativamente acessível e disponível.

O problema é que grande parte das pessoas não tem um componente em seus DNAs e isso acaba detonando toda a cadeia lógica. Falo da falta de noção de determinadas pessoas, o que num bom português, denominamos de “Sem Noção”. É isso mesmo! Diariamente recebo pelo correio CDs e DVDs de artistas. Além disso, pelas redes sociais quase que diariamente recebo indicações e solicitações do tipo: “se tiver um tempinho, assiste aí …”. E ainda têm aqueles que vêm na empresa sem aviso prévio ou outros que insistem em ter uma reunião “que poderá interessar-lhe muito!”

Posso garantir que grande parte dos produtos que recebo, seja física ou digitalmente, são bem abaixo da crítica. O problema é que o cidadão sonhou em ser artista. Uma irmãzinha de coque na igreja profetizou que ele cantaria nos 4 cantos da Terra. Ou então, que todo mundo de sua família disse que ele tem talento e merece uma chance! Ou seja, embarcam num sonho em que jamais se darão bem! E o ônus de alertá-lo sobre esse absurdo em grande parte recai sobre alguém de gravadora, incluindo esse abnegado blogueiro.

Assistindo uns vídeos do programa Ídolos na web, vi o cantor e compositor Peninha dizer a uma jovem postulante ao estrelato que ela deveria parar por ali mesmo e se poupar de futuras decepções. Com uma sinceridade e principalmente, sensibilidade, Peninha disse-lhe que aquele sonho ela não teria capacidade de alcançar e que quando mais rápido mudasse de objetivos menos problemas e decepções ela teria para si.

E exatamente isso o que tenho a dizer para muitos e muitos que me procuraram nos últimos anos. Não se iluda com um talento que você efetivamente não possui. Não é pelo fato de gostar de cantar que você precisa ser um astro da música. Gostar é uma coisa. Viver com qualidade, fruto de seu talento é outra coisa completamente diferente!

Como já estamos chegando ao fim de mais um ano, normalmente usamos essa época para fazer nossas listas, mudar nossos objetivos, traçar novos planos, enfim, promover um autêntico rebuliço em nossa vida. Que tal você incluir entre seus objetivos para 2012 repensar sua intenção de viver da arte?

Como já mencionei aqui, recebo dezenas e dezenas de CDs. Creio que neste ano, bem mais de mil produtos tenham chegado às minhas mãos e sabe quantos realmente me chamaram a atenção? Uns 2 ou 3, no máximo! Mas não que eu seja um cara exigente ou rabugento, mas sim pela falta de adequação de grande parte dos artistas. É até constrangedor atender uma pessoa na Expo Cristã com seu CD em mãos me pedindo por uma chance na gravadora. Sabe as chances de aquela conversa gerar algum contrato? Zero!

Tenho pilhas de CDs com capas horrorosas que dariam para fazer um Museu do Espanto! Minha sala ainda reúne trabalhos de artistas que não teriam a mínima chance de tocar nem em rádio comunitária! O que não consigo entender é porque um cidadão não se inscreve num concurso de juiz de direito se não tem o segundo grau e sem quaisquer atributos técnicos ou artísticos ele busca um espaço numa gravadora ou mesmo no mercado?

O que quero dizer é que percebo que há muita gente em nosso meio perdendo tempo, dinheiro e transformando sonhos em frustração! Só para ilustrar meu drama, nestes dias recebi um contato pelo twitter de alguém me pedindo meu email. Por DM passei-lhe meu email. Já no dia seguinte recebi uma mensagem. O problema é que tive que ler e reler o texto umas 4 vezes até conseguir decifrar o que aquela pessoa queria me dizer. E o mais incrível é que essa mensagem havia sido enviada por um assessor da cantora! Fui vasculhar a “obra” dessa artista na web e o que vi foram vídeos assustadores, músicas deprimentes e um figurino de arrepiar! Ou seja, mais uma pra galeria dos “Sem Noção”.

Não quero ser um “enterrador de sonhos”, mas que este post sirva como alerta para que em 2012 você realmente repense seus alvos e objetivos com muito bom senso! Se preciso for, converse com amigos, terapeutas, profissionais e veja se realmente vale a pena prosseguir neste projeto. Fica a dica!

 

Mauricio Soares, jornalista, blogueiro, publicitário, consultor e dono de um acervo de mais de mil CDs e DVDs dignos de serem arremessados pela janela. Como meu escritório fica no 40º andar e as janelas não se abrem, acabo colecionando essas “raridades”. Acho que posso ser considerado um daqueles casos de colecionismo compulsivo … preciso de tratamento!

A noite de 29 de novembro foi muito especial. Naquele dia aconteceu a primeira edição do Troféu Promessas premiando alguns dos maiores destaques da música gospel em 2011. O evento reuniu boa parte da imprensa gospel, algumas mídias seculares, artistas, profissionais, lideranças, pastores e convidados.

O evento em si, seguiu o padrão do roteiro de premiações com um âncora tentando animar a plateia, artistas revezando-se no palco apresentando os indicados nas diversas categorias, os concorrentes da categoria de Melhor Música defendendo suas músicas, auditório animado, ou seja, tudo normal. Ao fim de todos os envelopes abertos, o resultado das premiações foi razoavelmente justo em se tratando de uma eleição onde o público decide os vencedores, o que nem sempre se mostra realmente justo em termos de qualidade e critérios técnicos. Mas o Troféu Promessas foi uma excelente iniciativa e tudo indica que em 2012, muitas novidades virão pelo frente.

Mas, longe de querer comentar sobre o evento, os artistas ou mesmo as premiações, o que me motiva escrever este texto aconteceu justamente na parte final do evento. Num determinado momento, após todos os vencedores terem sido devidamente divulgados, o ator global e mestre de cerimônias chama ao palco o ministro de louvor Asaph Borba completando 35 anos de ministério e influenciando gerações no Brasil e no mundo com suas canções e principalmente, exemplos de vida.

Depois de assistirmos a depoimentos de amigos, pastores, artistas e parentes, Asaph Borba recebeu das mãos do Pastor Silas Malafaia e Marco Antônio Peixoto, o troféu em homenagem por tudo que ele fez ao longo destes anos. Ao lado de sua esposa, Rosana, Asaph visivelmente emocionado dirigiu-se aos artistas presentes e fez questão de falar sobre a longevidade de sua carreira. Para Asaph, grande parte do seu sucesso ministerial estava baseado no conceito de “Alianças” e ele seguiu elencando as 5 alianças necessárias para uma carreira na fé com longevidade. Em nenhum momento, Asaph falou de carreira artística, mas somente na relação homem e Deus.

A primeira aliança que Asaph destacou é a que devemos ter com Deus. É com Ele, por Ele, para Ele que devemos sempre nos guiar, pautar, respirar e principalmente focar nossos objetivos. Nossa relação íntima com Deus, a verdadeira aliança deve ser mantida e cultivada acima de qualquer outra coisa. Nada deve substituir a sua relação de aliança com o Pai, com onosso Deus.

A segunda aliança deve ser com a Igreja. Não há melhor lugar para estarmos do que no meio do povo de Deus! Não há nada que substitua o papel da igreja como local de crescimento na Palavra e na vivência das coisas de Deus. Não há a menor chance de termos intimidade com Deus se não tivermos intimidade com o próximo, com a sua igreja! Neste momento, automaticamente me vem à mente de como existem artistas que sequer têm uma igreja local. Simplesmente apresentam-se em igrejas, mas não pertencem a uma igreja. Isso faz toda a diferença!

A terceira aliança é aquela firmada com seus pastores e líderes. Asaph fez questão de relembrar a figura do seu pastor, alguém que o conhece há 36 anos, com quem tem íntima relação, mas principalmente respeito e humildade de seguir seus conselhos e orientações. Como vemos em nosso meio,artistas que se amotinam de suas lideranças. Artistas sem pastores para orientá-los ou cobri-los em oração. Asaph, que na verdade, diferentemente do que muitos imaginam, não é pastor ordenado, mesmo praticamente exercendo o ministério pastoral, jamais deixou de se subordinar à sua liderança local por entender a importância de manter suas alianças.

A quarta aliança é firmada com a família. Asaph, mesmo viajando grande parte do ano, é alguém dedicado à sua família. Sua esposa Rosana, constantemente é presença nas viagens e compromissos de Asaph pelo país e pelo mundo. É impossível não associar a imagem de Asaph sem que esteja acompanhada a figura de sua esposa e filhos. Família. Aliança indivisível! Infelizmente temos nos deparado com cantores com casamentos fracassados, alguns até com mais de uma experiência de separação.

A quinta e última aliança, aquela firmada com o seu chamado! Como é importante não abandonar o chamado onde tudo se inicia! Como percebemos pessoas bem intencionadas deturpando seus objetivos, seu chamado, sendo tragadas pelo pecado! Como profissional da área artística, infelizmente, vejo todos os dias pessoas distantes do chamado. Vejo claramente pessoas preocupadas na auto-imagem, no dinheiro, no conforto, no benefício próprio em detrimento do próximo … todas estas pessoas começaram com boas intenções, mas afastaram-se do chamado puro e genuíno.

Ao ouvir esse breve discurso de alguém que conheço há mais de 20 anos, imediatamente me veio a vontade de escrever esse post. Nãoconsigo, reconheço, nestas linhas reproduzir todo o sentimento e impacto das palavras proferidas por Asaph Borba naquela noite de festa, mas de alguma forma gostaria de fazê-lo refletir, não sobre sua carreira artística, mas principalmente por sua carreira na fé! Jamais deixe de cuidar das 5 alianças fundamentais para uma vida saudável ao lado de Cristo, a saber: a aliança com Deus, com a Igreja, com os Pastores e Líderes, com a Família e por fim, com o seu Chamado.

Pra bom entendedor, até mesmo um texto simples como este já é um bom aviso! Portanto, reafirme suas alianças!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, alguém em processo de crescimento e melhoria a cada dia, buscando reforçar dia a dia as alianças e que ficou extremamente feliz com o prêmio de Melhor CD conferido à Damares no Troféu Promessas. Parabéns também aos amigos André Valadão e Thalles, pelos respectivos prêmios.

Na minha modesta opinião existem apenas dois tipos de artista independente. O primeiro é aquele que está independente por falta de oportunidade em uma gravadora e o outro é aquele que realmente quer ter o controle absoluto de sua carreira e todas as responsabilidades de um caminho solo no meio fonográfico. Neste texto irei tentar descrever algumas peculiaridades destes personagens e analisar alguns fatos e dicas importantes deste universo. Vamos lá!

Ultimamente (ou melhor, nos últimos 10, 15 anos) sou abordado por artistas independentes em busca de uma chance em uma gravadora. Em sua grande maioria o discurso é assim:“Eu já vendi 100 mil cópias como independente, mas isso está muito ruim pra mim, é muito cansativo e chato administrar tudo, então estou (desesperadamente) buscando uma gravadora para cuidar de minha carreira!” Dando sequência à conversa costumo perguntar sobre a agenda do artista e a resposta costuma seguir um certo padrão. “Está excelente! Não consigo atender à metade dos convites que eu tenho. Estou viajando nos quatro cantos deste planeta (nunca entendi essa expressão sendo a Terra redonda) … Tá uma loucura!” 

De forma bastante direta e franca, se realmente você é um tipo de artista independente que sobrevive (e bem) com sua agenda e venda de produtos, então não há do que se preocupar e desesperar. Jamais almeje algo que você não poderá atender. Então por que se você já não tem espaço na agenda ainda pretende viajar mais ou se tornar ainda mais famoso? Não é todo artista gospel que necessariamente precisa figurar no cast de uma gravadora de grande porte. O que você deve é organizar sua carreira, adequar-se às demandas do mercado e principalmente planejar sua vida para os próximos anos. Existem muitos artistas que não fazem atualmente ou mesmo nunca fizeram parte do cast de uma gravadora que conseguem ter uma vida intensa, de sucesso financeiro, reconhecimento ministerial e carreira sólida. Posso citar para ilustrar essa afirmação o queridíssimo Asaph Borba. Se formos listar os 10 artistas mais relevantes no jet set gospel, certamente o Asaph não estará nesta lista. Talvez na lista dos 20 também … mas o Asaph é um dos poucos artistas brasileiros do mundo gospel com uma carreira sólida internacionalmente. Suas canções mais recentes não estão no playlist das principais rádios Fms do Brasil, mas ele não passa mais de 2 anos sem lançar um projeto inédito. Ou seja, com uma organização, visão clara do seu chamado ministerial e principalmente, bastante humildade e disposição, Asaph Borba está há mais de 30 anos na estrada, vivendo de música gospel e da pregação da Palavra sem maiores solavancos.

Há uns dois anos atrás recebi uma mensagem desesperada de uma cantora que havia anos tentava ingressar numa gravadora. Ela relatava que aquela seria sua última tentativa junto às gravadoras. Com muita frieza e sinceridade, disse-lhe que havia muitas outras artistas com maiores chances de chamar a atenção de uma gravadora do que ela. Completei ainda afirmando de que tempo de estrada não significa melhoria ou potencialização do talento. O talento é natural e pode ser aprimorado com estudos e experiência, mas antes de tudo, ele era algo inerente à pessoa. Expliquei-lhe que entrar numa gravadora não significaria que ela passaria a um novo patamar artístico. Talvez aquilo fosse até ruim para sua carreira, pois a concorrência interna de uma gravadora é tão grande como fora dela. Sugeri-lhe que reorganizasse sua vida e carreira partindo do princípio de que seguiria numa carreira independente. Durante a Expo Cristã reencontrei essa mesma artista. Semblante leve, bem vestida, muito simpática, a agora animada cantora me disse que estava super feliz com sua vida depois de ter mudado de foco. Hoje ela tem uma pequena estrutura de apoio à carreira, mantém uma intensa agenda de eventos pelo país e que em breve lançaria mais um novo trabalho.

Ela não mudou em nada seu estilo musical, apenas mudou de foco e entendeu que ter uma vida de artista independente também tem seus benefícios. Simples assim!

Agora, digamos que você realmente tem como objetivo investir na sua carreira e num futuro, quem sabe, chamar a atenção de uma gravadora de grande porte. Então você deve trabalhar como se nunca pretendesse justamente ingressar numa gravadora. Não se iluda! Gravadora alguma irá interessar-se por seu trabalho se você já não tiver alguma relevância no mercado! Você precisa fazer a diferença para destacar-se da concorrência e isso se faz apenas trabalhando com qualidade, independente de fazer parte do cast de uma empresa. Então, você precisa investir na sua carreira. Na qualidade da produção do seu CD ou DVD. Precisa manter contato permanente com as mídias. Precisa ter uma agenda intensa de apresentações. Precisa ter muito critério na seleção do repertório e na escolha dos músicos e, principalmente do produtor musical. Precisa investir num clipe e postá-lo na web. Precisa saber utilizar-se das ferramentas tecnológicas, principalmente nas redes sociais. Enfim, você precisa trabalhar! Precisa focar sua carreira! E aí … quem sabe? Até uma gravadora poderá interessar-se por seu trabalho.

 

E imaginemos que você atingiu o Nirvana … ou seja, chamou a atenção do A&R de uma gravadora e foi contratado! Wow! Que maravilha! Acertou na mega-sena! … Nada disso! Tudo o que você já fazia como independente, a partir de agora você terá que se empenhar ainda mais! Não imagine que sua gravadora irá fazer tudo que você fazia antes! Não mesmo! A partir de agora você terá que caminhar ao lado da gravadora apoiando-a nas ações de marketing, promoção e divulgação. Atenção! Eu disse “caminhar ao lado” e não, “ficar sentado enquanto eles trabalham!”. Este é um erro muito comum com artistas que ingressam numa gravadora. Principalmente os novatos!

O que eu quero frisar com este texto é que o trabalho nunca pára! Nunca mesmo! Estou cansado de ver grandes nomes do meio gospel reclamando da gravadora numa cantilena sem fim, mas que sequer atualizam seus próprios sites. Uns (cúmulo dos cúmulos) sequer possuem site oficial ou utilizam-se das redes sociais! Isso é o fim! O tempo do paternalismo (se é que existiu tempos atrás!) simplesmente acabou! Hoje o mote é “arregaçar as mangas e vamos JUNTOS trabalhar!” A realidade do mercado fonográfico é completamente diferente de 5 anos atrás e a tendência é de que nos próximos 2 anos, especialmente no Brasil, seja totalmente diferente do que é hoje! Fiquem atentos a estas palavras! Não digo isso como “puxão de orelhas”, mas como alerta de que os números do passado, principalmente em termos de vendas, jamais voltarão no presente ou no futuro!

Então, já finalizando meu texto, gostaria de incentivá-lo a levar a sério sua carreira, seja ela independente ou vinculada à uma gravadora. Trabalhe sempre com a mentalidade e postura de artista independente. Se você tem uma gravadora ao lado, continue trabalhando como independente e una seus esforços em prol de um bem comum. Jamais transfira suas responsabilidades para sua gravadora! Pense nisso!

P.S. – Para quem ficou curioso em saber o que significava a expressão “JACI” citada no texto sobre a relação entre Fã-Clubes e gravadoras … informo que “JACI” significa “ser que tem o terrível e inconveniente hábito de interferir em assuntos alheios, também conhecido como JACI meteu” … Hummm

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, peladeiro de fins de semana e mais novo torcedor do Figueirense.

Dias atrás tive a agradabilíssima experiência de visitar a sede da empresa Achou Gospel na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. A Achou Gospel é uma das mais, se não a mais, importantes agências de management de artistas do meio gospel. E em meio a conversas, muitos causos, troca de experiências e acima de tudo, um bom papo descontraído com os dois sócios da empresa, Eduardo Custódio e seu irmão Fabinho, começamos a comentar sobre erros e acertos de alguns artistas ao longo de suas trajetórias.

Vivendo, todos os três interlocutores, 24 horas próximo ao cotidiano de artistas, seria mais do que natural de que esse tipo de conversa surgisse em meio a de tantos outros assuntos. E aí, no meio do bom papo, Fabinho me perguntou se haveria uma guia para o sucesso ou algo do tipo. Num relance respondi-o que não deveria existir um manual, um guia para o sucesso, mas que certamente haveria uma série de regras elementares para o fracasso. E foi com esse insight que começo a mais uma escrever um texto para nosso blog que a cada dia vem tornando-se mais e mais relevante no meio gospel.

Efetivamente não há regra para o sucesso. Se houvesse, não teríamos tantos artistas talentosos sem alcançar o merecido Olimpo em suas carreiras.

Bastaria apenas seguir criteriosamente cada quesito do manual do sucesso e em questão de pouco tempo, a glória, a fama, a pompa e tudo mais, seriam alcançados! Mas em contrapartida, entendo que há um conjunto de ações e regras que possibilitam o fracasso, ostracismo, decepção e infortúnio. Como dizem na linguagem popular: “É tiro e queda! Funciona que é uma beleza!”

Então, se você pretende errar fragorosamente em sua carreira artística ou mesmo fechar todas as portas para o sucesso, então anote e pratique com máximo afinco cada uma destas dicas que elencaremos na sequência. É importante frisar que para você alcançar os objetivos do insucesso você deverá ter muito foco, determinação, disposição e principalmente perseverança!

Uma das principais regras para o insucesso, sem dúvida, é a auto-imagem. Sim! Você precisa ter uma excelente imagem de seu talento, de seu perfil, de sua categoria e principalmente de sua absoluta superioridade acima de todos os demais artistas do universo. Você é demais! A música, na verdade, se divide entre antes e depois de você nascer, nascer não! De você estrear e abrilhantar o mundo com seu carisma e genialidade! Você é o máximo! Simplesmente não há nada que se compare a você!

Assim bem como você está léguas à frente de todos os demais, é importante também frisar que não há mais nada que você precisa aprender para desenvolver seu talento ou conhecimentos. Você é a pessoa mais inteligente que há no mercado! Você realmente sabe de tudo! Marketing, produção musical designer gráfico, publicidade, jornalismo, expressão corporal, astronomia, cinema, literatura, composição, xadrez, moda, filosofia, culinária, psicologia, teologia, física quântica, engenharia mecatrônica … nada!

Absolutamente nada escapa ao seu intelecto de personalidade super dotada! Então, saiba que você sabe tudo e não precisa de ninguém para ensiná- la o que fazer!

Seguindo o conceito do “eu me basto!”, você jamais, nunca, em tempo algum, deve permitir que um mero produtorzinho que tenha ganho alguns prêmios por aí assuma o controle de sua obra musical! Quem além de você poderá entender toda sua genialidade?

Difícil hein?!?!? O certo é que você jamais busque ajuda externa em seus projetos musicais. Nunca deixe que um profissional diga o que você deve ou não gravar! E, caso você tenha algum produtor que consiga atender sua necessidade, mantenha-o ao seu lado nos próximos 30 anos. Nem pense em trocar de produtor, afinal todos sabemos que “em time que se está ganhando não se pode mexer!” (mais um ditado! Que falta de criatividade!) O ideal mesmo é você sempre se auto-produzir! Além de mais econômico, te poupará de ficar negociando o que é inegociável, ou seja, a sua opinião!

Uma outra dica importante para que você alcance plenamente o insucesso é jamais ousar! Pra que ficar inventando moda se todo mundo quer ouvir a mesma coisa? Nada de novidades! Apenas repita as fórmulas de sucesso que pululam nas programações das rádios pelo país. Se a moda é falar de perseguição e humilhação, então faça um repertório recheado de canções que contem histórias de pessoas ultrajadas, açoitadas, constrangidas, amarguradas, pisoteadas, amordaçadas, que comiam marmita fria e coisas do tipo. Se a moda for “voar sobre as nuvens”, então prepare sua roupinha de superman e saia por aí voando pela fé, saracoteando em cima do mar ao lado de anjos, querubins, serafins, severinos e arcanjos! O importante é sempre seguir as tendências, principalmente se estas tornaram-se sucesso nos últimos 5 anos!

Não acredite nos profetas do futuro! Essa história de que a web e a tecnologia são o futuro do mundo são “histórias para boi dormir!”(mais um ditado, eita!) e você com um ser supremo jamais irá acreditar nisso, certo? Mantenha-se umbilicalmente ligado às tradições! Não invista em um site próprio, atualizado, cheio de ferramentas e novidades. Tenha apenas um aparelho de fax, nem mesmo um computador, nada disso! Outra dica que vale a pena: não perca seu tempo investindo em redes sociais, isso é coisa de gente mexeriqueira e sem ter o que fazer! Esconda-se do público! Mantenha-se no melhor estilo “eremita das cavernas” e jamais caia na tentação de contratar uma assessoria de imprensa. Mais uma vez: quem melhor do que você para falar de si? Então não invista em nada além! O seu talento e carisma são suficientes para sua carreira!

Com relação aos músicos, nunca pense em montar uma banda de apoio! Você e seu playback a tira colo são mais do que suficientes! Imagina você ter que aturar aqueles músicos com suas manias!?!?!

E como eles comem não? Parece um bando de famélicos somalis atacando os lanches após cada apresentação nas igrejas e eventos! Ô que povinho!

O ideal é você ter apenas o bom e velho playback do lado. Playback no CD mesmo, nada de computador ou outra traquitana mais moderna. Se o CD pular, você começa a falar, profetizar … enrolar a platéia até que um novo playback surja nas mãos do sonoplasta.

Mais uma vez quero reforçar a dica! Não creia em profissionais! Eles querem apenas tungar oseu suado dinheirinho! Não contrate assessor de imprensa, manager, fonoaudiólogo, web designer, fotógrafo ou qualquer outro consultor.

No campo dos investimentos, para que você conquiste o seu objetivo de não fazer sucesso nacarreira artística a melhor opção é direcionar seus recursos em automóveis e roupas. Como todos sabemos, automóveis são um investimento seguro, de alta liquidez e de rentabilidade absurda! Como um artista conhecido por muitas pessoas você precisa sempre preocupar-se com o que os outros pensarão de você, portanto, mesmo que o automóvel seja comprado em suaves 72 prestações com 328% de ágio, o importante é estar com um carrão do ano! E o seu guarda-roupas deve ser completíssimo!

Não esqueça-se daquele casaco de pele para aguentar as baixas temperaturas do verão brasileiro. Além do mais, o casaco de peles protegerá sua garganta de alguma lufada mais intensa de ar! Proteja-se!

Outra dica importante: procure lançar o seu CD a cada 9 a 10 meses. Hoje em dia o povo é muito volúvel né? É tão imediatista! E para atender a essa “demanda” não dê importância à escolha do repertório. Apenas se preocupe naquela canção “carro-chefe”, afinal depois que inventaram essa história de single, um CD precisa mesmo só de uma única música boa pra “puxar o trabalho”.  De preferência essa música deve ser daquele compositor que emplacou sucessos para 583 cantoras e tem que ter aquele refrão bem “chiclete”, sabe?

E a relação com o público? Ah! Isso é uma ciência que deve ser tratada com máxima atenção! Não atenda-os nunca após os eventos. Imagina?!?!

Aquelas pessoinhas suadas, querendo tirar fotos, pedindo autógrafos em qualquer pedaço de papel e que sempre tem algo super engraçado pra contar!!!

Ah! Não dá né? Procure cercar-se de seguranças mal encarados, daqueles treinados pelo BOPE, Hezbollah ou o Mossad, tanto faz! Se você é mais sofisticado e tem um produtor de palco, então oriente-o a brigar com toda a equipe de produção local. Que ele coloque esses seres inferiores no lugarzinho deles!

Atender ao conselho de pastores, prefeito ou mesmo à filha do empresário que pagou tudo, nem pensar! Que eles te assistam na área VIP que já está bom demais!

Povinho no seu devido lugar e você , o TOP of TOP do Show Business Gospel, devidamente isolado em uma distância segura!

Se você é chique e tem um assessor para agenda. Oriente-o da seguinte forma: marque 3 compromissos num mesmo dia. Atenda o telefone apenas quando realmente não tiver mais nada a fazer. Pergunte logo sobre quanto será o cachê! Nada de “oferta de amor”. Pagamento só com 6 meses de adiantamento! Num primeiro contato, finja que a agenda está lotada! Especule sobre melhores cachês!

Mude de “tabela de cachê” de acordo com a “cara do cliente”. Treine-o numa escola de arte cênica. “Vá que” ele precise criar uma história de que você sofreu uma parada cardio respiratória durante um sequestro relâmpago nos dias em que você não tem a mínima vontade de trabalhar, isso sempre funciona!

Outra importante dica é seguir os conceitos de uma pseudo-celebridade-casada-com-alguém-realmente- famoso que proclamou uma releitura da Bíblia onde esta, descarta a necessidade de se frequentar uma igreja. Na verdade, por que ir à igreja? Por que ficar sentada no meio da platéia se o seu lugar é sempre o palco? Por que sujeitar-se aos puxões de orelha de um pastorzinho? Por que abrir mão de algumas horas de descanso para assistir cultos ou pregações?

Já estou prestes a aterrissar em mais um vôo e com isso vou me despedindo por aqui. Imagino que se você realmente pretende se esforçar para alcançar o insucesso, estas dicas que listamos acima, irão contribuir positivamente para alcançar seus objetivos. É óbvio que outras ações de auto-sabotagem podem ser incluídas neste nosso manual que não tem a mínima pretensão de ser um tratado definitivo, afinal, sabemos que a raça humana é pródiga em novas conquistas e superação. Feliz insucesso!

Mauricio Soares, blogueiro, colecionador de miniaturas de bicicletas e de casos espetaculares no meio artístico gospel tupiniquim.

O crescimento da música gospel nos últimos anos trouxe uma série de mudanças. Muitas das quais absolutamente impensadas anos atrás. Não precisando voltar muitos anos no Túnel do Tempo (para aqueles acima de 40 anos, como esse blogueiro, a lembrança do seriado de TV em preto e branco é inevitável!) podemos lembrar que algumas palavras como “Cachê”, “Show” ou mesmo “Artista” eram sinônimos de secularismo, profano ou algo do tipo. Mas nenhuma palavra ou expressão era mais assustadoramente combatida do que a diminuta “fã”. Sim, “fã” era uma palavra que remetia imediatamente à origem “fanatismo”, algo completamente inaceitável nas hostes evangélicas. No reino do eufemismo e do evangelicamente correto, o mais aceitável era apenas dizer que fulano de tal era um admirador do artista‘ (ops! Ato falho … levita, cantor ou cantora!).

E aí, dentre as mudanças de comportamento e da cultura da música evangélica do século 21, nos deparamos com o surgimento de Fã-Clubes de artistas de música gospel. É interessante ver como esse comportamento vem sendo disseminado de norte a sul do país e muitas das vezes reparamos um movimento bastante radical na defesa de suas artistas de preferência. Uso o termo no gênero feminino porque ainda são mais raros os Fã-Clubes – apesar de também existirem – de cantores no universo gospel brazuca.

Em tempo de redes sociais, as informações e as relações humanas se intensificaram como nunca antes na história desse planeta. Hoje você pode manter uma “amizade” com alguém no Alasca sem que nunca tenha sequer visto essa pessoa em carne e osso. E é justamente neste ambiente web onde tem se desenvolvido boa parte deste fenômeno. Comunidades, blogs, twitters, sites especializados e farto material e informação sobre os artistas tornam-se cada vez mais acessíveis.

Entendendo que essa admiração e carinho jamais poderão extrapolar o  bom senso e principalmente os conceitos ético-cristãos, enumerei algumas dicas e ações que essa turminha, em sua grande maioria formada por adolescentes no auge da explosão hormonal, podem desenvolver de forma positiva para seus artistas.

1)                Mobilize seus amigos para mutirões de contato com as mídias locais. Um dos maiores indicativos para que uma determinada música seja executada numa rádio é a quantidade de ligações de ouvintes solicitando pela mesma. Se uma música não é pedida pelos ouvintes, naturalmente deixará de ser executada na rádio. Então, liste as principais emissoras de sua rádio e crie uma campanha para pedir a música de sua artista nas rádios locais.

2)                Crie um blog ou site informativo da artista. Se este espaço se tornar uma fonte importante de notícias, naturalmente o blog ou site será uma referência importante sobre os projetos, carreiras e novidades da artista. Mantenha esse espaço sempre atualizado. Cuidado para não criar um Frankenstein, capriche no visual do site. Lembre-se que ele é um portal de divulgação de sua artista. Cuide da imagem dela ou dele!

3)                Crie contas personalizadas nas redes sociais. Não utilize esse espaço para comentar coisas pessoais, apenas assuntos relacionados ao artista em questão ou ao site, blog. Também não faça deste espaço uma trincheira atacando todos seus opositores. Paz esteja convosco!

4)                Não procure polemizar com outros fã-clubes! Cada um acha o seu artista o supra sumo da música gospel mundial, quiçá interplanetária, a última bolacha do pacote … então respeite a loucura do próximo! Você também é meio doido! Saiba disso!

5)                Ajude a divulgar eventos da agenda de sua artista. Se possível, até marque presença nos eventos. Aproveite e tire uma foto de recordação rostinho colado com sua artista!

6)                Não confunda admiração com amizade, intimidade ou falta de respeito! O artista tem e deve ter sua vida privada! Não ultrapasse os limites da boa convivência! O artista deve respeitar seus admiradores, mas não tem que aturar todo tipo de inconveniência, lembre-se disso! Como nos pára-choques de caminhão e ônibus: mantenha a distância segura!

7)                Não seja o chato de plantão repetindo sempre a mesma ladainha! Todos sabemos da sua admiração pelo artista, mas não precisa achar que até a desafinação do artista incensado é um atributo especial! Não fique repetindo como um mantra que seu artista é isso ou aquilo … ok?

8)                Seu artista é humano, sabia? Coelhinho da Páscoa e nem Papai Noel não existem, ok? Então saiba também que seu artista tem falhas, tem dias ruins, tem discos ruins, tem TPM e coisas que qualquer ser humano (sim, os artistas são humanos!) passa um dia!

9)                Jamais cobre da gravadora de seu artista por mais atenção! Esta relação é restrita entre o artista e sua gravadora. Se o artista entender que algo precisa ser corrigido, deve buscar contato com sua gravadora. Não dê uma de “JACI,” certo? Ah! Não sabe o que é “JACI”… um dia eu conto!

10)          Cada gravadora tem o tempo de lançamento e divulgação de cada artista/projeto. Mesmo sendo um fã ardoroso, você precisa entender que de repente naquele momento sua artista não é a prioridade de divulgação da empresa. Certamente no lançamento do seu projeto, sua artista terá todos os holofotes da empresa.  Então respire fundo e espere o tempo certo para ver a gravadora divulgando sua artista!

11)          Nunca exagere no carinho e admiração por seu artista. Lembre-se que ninguém deve ser mais importante do que seus amigos, familiares, você mesmo e, claro, Jesus Cristo. Nada deve substituir nosso amor, relacionamento e admiração por aquele que é o único merecedor de toda nossa atenção!

 

Mauricio Soares, blogueiro, torcedor do Fluminense, publicitário e fã de cinema, boa comida e de uma boa viagem em família.