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Mauricio Soares

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Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.

Algumas vezes me perguntam sobre como faço para escolher os temas que escrevo no blog ou mesmo nas colunas que mantenho em algumas revistas. Geralmente os temas surgem de observações do dia a dia. Procuro sempre ter um olhar crítico e analítico sobre tudo que me ronda. É quase uma paranoia, uma coisa meio psicótica talvez, mas o certo é que a partir de um determinado ponto de minha vida, passei a questionar mais a respeito das coisas. É interessante que analisando minha infância e até mesmo o início de minha adolescência esta não era uma de minhas características mais marcantes, talvez até fosse o oposto disso, numa postura mais intimista, fechada, recolhida.

Mas eis que num determinado momento de minha adolescência, justamente quando adquiri e desenvolvi o hábito da leitura, essa nova postura surgiu e venho convivendo com ela em fases mais ou menos intensas. E justamente em função desse exercício de questionar o que está à minha volta é que por alguns dias venho sendo estimulado a escrever sobre um tema que nos últimos dias aproveitei para conversar com algumas pessoas e colher também suas impressões.

Certamente, “O mercado gospel no Brasil” é uma das expressões que mais falei, ouvi e li nos últimos anos. É impressionante como certos jargões são absorvidos pelo nosso linguajar e são repetidos exaustivamente sem que realmente façamos uma análise mais clara do seu real significado.

 

E o que é o “mercado gospel no Brasil?

 

Rapidamente alguém pode responder que o mercado gospel no Brasil é o conjunto de consumidores evangélicos. Ou ainda, a reunião de livreiros evangélicos, gravadoras, editoras, fornecedores especializados. Não podemos esquecer dos artistas, autores, palestrantes, formadores de opinião. Outros dirão que as mídias como rádios, sites, revistas do segmento também representam esse mercado. Em rápidas palavras, o mercado gospel no Brasil pode ser considerado a soma de todos estes atores mencionados, ou seja, fornecedores, indústria, mídias, canais de distribuição, entre outros, cada qual desempenhando seu papel nesse picadeiro mercadológico.

 

Na minha modesta concepção, algo para ser rotulado de mercado deve ser no mínimo, consistente, formatado, ter regras claras, ser realmente algo consistente. Sinto afirmar e até mesmo decepcionar alguns dos 44 leitores assíduos do Observatório Cristão que, do meu ponto de vista, estamos muito longe de ter um mercado gospel no Brasil de acordo com este conceito.

 

Tentando analisar cada um destes participantes do que chamamos de mercado gospel começo observando os livreiros evangélicos em atividade no país. Qual é o perfil do lojista médio no nosso Brasil? Qual é na realidade o tamanho deste mercado distribuidor? Onde estão? Quem são? Simplesmente não há um único profissional do meio que possa responder categoricamente a cada uma destas indagações! E afirmo isso porque não há um único cadastro atualizado de livrarias e pontos de venda. Os números são ”evangelásticos” na proporção de 300 a 30.000. Não! Não me confundi e nem usei de nenhuma hipérbole! É exatamente essa a distorção! O número de lojas e pontos de distribuição no universo gospel varia de 300 a 30.000. Estes números já foram ditos a mim em conversas com diferentes profissionais. Em algumas ocasiões perguntei a pessoas do meio sobre qual universo de clientes trabalhavam e ouvi que estas empresas trabalhavam numa base de 300, outras de 1,5 mil (a maioria) e até mesmo 30.000 cadastros.

 

E por que esta distorção tão absurda? Simplesmente porque NUNCA, eu digo, NUNCA houve uma pesquisa nacional para catalogar estas lojas. Jamais foi realizada uma pesquisa para conhecer e definir o perfil destes empreendedores. O que vemos na realidade são empresas trabalhando de forma independente tentando a todo custo (elevadíssimo em grande parte!) manter contato com os canais de distribuição.

 

Deixando de lado as lojas especializadas, passemos a analisar o universo consumidor. Entenda-se como “consumidor evangélico” aquela pessoa que frequenta os cultos das milhares de igrejas e denominações espalhadas pelo país. Podemos incluir também neste nicho, os simpatizantes do evangelho, muitos dos quais, membros de igrejas católicas. Quem é o evangélico brasileiro? Quantos somos verdadeiramente? Podemos confiar nas notícias de que já há 50 milhões de brasileiros evangélicos? Outras fontes apontam para 25, 30, 40 milhões de evangélicos. Ou seja, a distorção pode chegar a mais de 100%, algo absolutamente inaceitável! Que o segmento vem crescendo exponencialmente nos últimos anos é fato. Isso é notório, sensível, perceptível, mas alguém pode garantir um número seguro de evangélicos no Brasil? A resposta é simples: NÃO! Ninguém pode cravar certeiramente quantos brasileiros cerram fileiras no segmento gospel e mais uma vez por um motivo simples: a ausência de dados estatísticos confiáveis! Não há uma única pesquisa realmente oficial!

 

Falando agora das mídias, não vou nem enfocar na dúvida sobre quantas emissoras de rádios evangélicas há no país. Também não questionarei quantos jornais, sites, programas de TV, canais ou mesmo revistas atuam nesse segmento. Mais uma vez a resposta será na base do “chutômetro” porque também neste caso carecemos de pesquisas, cadastros, informações. Sobre as mídias, prefiro destacar a necessidade de atitudes mais profissionais. Este é um mercado em sua grande parte “dirigido” por pastores, bispos, apóstolos, patriarcas e coisas do tipo. Estes líderes têm o poder de decidir o que fazer, falar, divulgar e sem exceções, decidem baseados em seus próprios interesses. As mídias evangélicas, em sua quase totalidade, sequer têm uma visão comercial, estas basicamente atendem a objetivos denominacionais e, aí não vem ao caso, se estes interesses eclesiásticos, institucionais são os mesmos objetivos da fé. Não entrarei neste mérito! A questão é que precisamos ter uma mídia cristã bem mais independente e profissional.

 

Conversando com dois amigos recentemente, falei destas minhas impressões e chegamos à conclusão de que o “mercado gospel” ainda está mais para uma “feira de Istambul” (não me pergunte se já fui até Istambul, foi a primeira cidade que me veio à mente!) onde cada vendedor procura destacar sua mercadoria na base do grito! Imagina a cena de centenas de pessoas gritando, disputando os consumidores literalmente no gogó … pois é essa a imagem que ainda tenho do mercado gospel.

 

E nós, profissionais desse mercado trabalhamos não baseados em dados, estatísticas, planejamento, mas em grande parte através da INTUIÇÃO e EXPERIÊNCIA. Confesso que a intuição já me traiu por diversas vezes! Já a minha experiência vem sendo forjada por acertos e erros ao longo destes últimos 23 anos. Talvez até por causa dessa ‘escola’ eu tenha tanta vontade de dividir essas minhas experiências, seja através de palestras, seminários, colunas em revistas ou aqui mesmo no Observatório Cristão. Confesso que acredito muito nesse nosso segmento, mas não me iludo acreditando que somos um mercado de verdade. Por enquanto estamos todos gritando no meio da feira … acreditando intuitivamente que nossas estratégias e ações serão as mais acertadas, ainda vivemos o tempo do “Deus nos acuda!”. Quem sabe, este panorama mude a partir de agora!

Mauricio Soares, jornalista, alguém que crê no potencial do mercado gospel, entusiasta por mudanças, profissional de marketing. Comecei a escrever este texto em mais uma ponte aérea e agora acabo em minha sala no alto da Torre do Rio Sul com a Baía de Guanabara ao fundo ouvindo o maravilhoso CD “Decades of Worship” uma antologia dos louvores mais importantes dos últimos anos de Michael W. Smith. Sensacional!

 

 

No dia 20 de janeiro de 2012, o relatório da Crowley aponta a música “Someone Like You” da cantora inglesa Adele como a mais executada pelas rádios do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Ribeirão Preto, Campinas, Salvador, Recife, Curitiba. Apenas em Porto Alegre, Adele figura no quarto lugar entre as mais executadas, perdendo a liderança para “Ai Se Eu Te Pego” do Michel Teló. A cantora, que inclusive já foi muito comentada no Observatório Cristão e chegou inclusive a ter destaque como vídeo clipe, é a principal artista em todo o mundo rompendo os recordes de vendas, seja no mercado físico como digital e, lidera as paradas de sucesso das FMs em todo o Brasil.
Para quem não sabe, a Crowley é uma empresa de pesquisa multinacional e no país tem um trabalho específico de averiguação de veiculação de músicas nas rádios das principais cidades do país. Seria uma espécie de Ibope da música no Brasil. Esta ferramenta de pesquisa é largamente utilizada pelas gravadoras, mídias e profissionais do mercado da música e show business. A lista da Crowley é o principal termômetro do que é sucesso no país aferindo dia a dia o que é executado nas principais rádios de norte a sul.
Analisando uma pesquisa da Crowley temos um retrato fiel do mercado musical de cidade para cidade. É impressionante como podemos analisar o perfil do ouvinte, por conseguinte das emissoras de rádio e mesmo da cultura musical de determinada região apenas conferindo o playlist, artistas e estilos musicais. No mesmo dia em que comento sobre o sucesso avassalador de Adele, no Rio de Janeiro, a lista destaca as canções de Thiaguinho, Belo, Seu Jorge, Bruno Mars, Michel Teló, Sorriso Maroto e Mumuzinho. Destes, quatro artistas representam o samba/pagode e os demais, a MPB, Internacional e Sertanejo.
Já em São Paulo, após Adele, surgem Michel Teló, Britney Spears, Bruno Mars, Maroon e Christina Aguilera, David Guetta, Leonardo, Will.I.AM. Neste caso, fica evidenciada a força da música internacional numa cidade cosmopolita como a capital paulista, contando apenas com 2 sertanejos entre tantos astros mundiais. Em Belo Horizonte, a disputa segue entre sertanejos e internacionais. Em Brasília, Luan Santana e Michel Teló dividem a atenção com Adele, mas contam com as participações de Bruno & Marrone, Leonardo, Fernando e Sorocaba, João Neto e Frederico, ou seja, a capital federal é totalmente sertaneja!
Analisar esse relatório é um exercício muito interessante pela riqueza de detalhes, de informações e principalmente pelas tendências. Diariamente dedico alguns minutos para ler e interpretar esses relatórios, mesmo não tendo qualquer relação com o universo da música gospel, mas pelo simples fato de compreender a dinâmica de uma mercado em constante mudança.
E se tivéssemos uma pesquisa como essa sendo realizada entre as rádios evangélicas do país? Como seria o relatório e as interpretações provenientes destas pesquisas? 
Sinceramente, arrisco a dizer que teríamos informações muito interessantes, mas que também teríamos distorções muito claras entre o que é sucesso natural pelo apelo junto ao público e o que é fabricado, imposto por interesses os mais diversos. E por qual motivo teríamos distorções? Muito simples! Apenas pelo fato de que em algumas praças do país, emissoras de programação evangélica mantêm vínculo com denominações religiosas ou gravadoras. Nestes casos, a programação do playlist está diretamente influenciada pelos interesses do dono ou do grupo gestor da emissora. É muito interessante observar que nestas emissoras, alguns artistas despontam na liderança entre os mais executados e sequer aparecem em qualquer outra emissora pelo país! Isso é o que chamamos de “audiência de cabresto”, onde o público cativo apenas tem acesso a um grupo limitado de artistas de interesse do ‘dono da emissora’. Além disto, algumas emissoras evangélicas possuem programações sublocadas, ou seja, o horário não é integral da emissora, mas repartido entre locutores, patrocinadores, políticos e principalmente pastores. Neste caso, temos a cada programa, um estilo musical totalmente diferenciado, isto nos casos em que o programa ainda abre espaço para música porque em grande parte, o tempo é dedicado exclusivamente a mensagens e muitos pedidos de ofertas e contribuições.
Ainda creio que temos muito a evoluir na questão de rádios evangélicas e suas respectivas programações. A Rádio Melodia FM no Rio de Janeiro é um exemplo clássico de emissora focada no seu público e na programação. A emissora é líder de audiência no Rio de Janeiro há alguns anos e sua programação é prioritariamente voltada às classes C e D do Grande Rio, preponderantemente pentecostal. Em algumas outras regiões do país também temos exemplos de uma boa condução da questão “playlist x público ouvinte”, mas arrisco a dizer que estamos distantes de um melhor entendimento e condução deste assunto em boa parte das rádios evangélicas pelo país.
Infelizmente ainda temos emissoras no meio gospel em que determinado artista é catapultado para fora da playlist simplesmente porque a sua respectiva gravadora deixou de manter contrato comercial ou parceria de promoção. No mercado popular, as gravadoras mantêm parcerias e realizam promoções com as emissoras de rádio por 30 a 60 dias, em média. Naquele período pré-estabelecido a música precisa ter empatia junto ao público. É o que chamamos de “virar a música”, ou seja, o single do artista ser pedido espontaneamente pelo público. Depois deste período de parceria, a música se destacando, “virando” naturalmente, será mantida na programação da emissora simplesmente porque o público a aprovou! Em algumas emissoras evangélicas, a música simplesmente é “abduzida” no dia seguinte ao término do período de promoção. Isso é uma atitude clássica de desrespeito ao ouvinte e ao artista!
Ainda tem uma questão nesse universo de rádio evangélica tupiniquim que é bastante interessante, quando determinado artista deixa de atender a um convite para participar da vigília da igreja … “onde já se viu não atender ao convite do Bispo XYZ !!!! Tira as músicas do cantor da programação! Ele vai ver como é que a coisa funciona!”. Fica muito claro que nestes casos, a parte menos importante é justamente o ouvinte, o público!
Dentro do processo de amadurecimento do segmento gospel em suas diversas áreas, imagino que a relação “público x emissoras de rádio” ainda pode ser melhorada visando um melhor entrosamento entre os interesses mútuos. É importante que as emissoras de música gospel mudem seus conceitos de trabalho e objetivos a fim de valorizar o seu público, consequentemente trazendo maior audiência, fidelidade e contratos publicitários.

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, ouvinte de rádio contumaz, torcedor do Fluminense e durante quase 5 anos, apresentador, redator, faz-tudo do programa “Line Music” na Rede Aleluia. 

Existem certas conversas, palavras que são recebidas, às vezes até mesmo simples gestos, que ficam ressoando em nossa mente. Dias atrás, participando de um culto em minha igreja local, o meu pastor disse uma frase durante sua pregação que até agora está me instigando. Na verdade, aquela expressão simplesmente me deu um insight tão forte que agora às 2h16 da madrugada de uma quinta-feira, estou em frente ao computador para tentar de alguma forma desenvolver um texto sobre esse momento tão marcante.

Geralmente os temas do Observatório Cristão são voltados ao mundo da música, ao universo artístico, às vezes, falamos de tecnologia, em outras oportunidades focamos em marketing e coisas do gênero. Mas quero pedir licença aos 40 e tanto leitores deste blog para aventurar-me a comentar sobre um assunto diferente. Permissão concedida, espero que você me acompanhe em seguida.

Antes de dizer qual foi a frase que tanto me impactou, acho que devo dizer que frequento uma igreja da linha histórica. Só que é uma igreja bastante contemporânea, que tem uma leveza bem diferenciada em sua liturgia, que foca no trabalho junto às famílias, utiliza-se do sistema de células e cultos nos lares. Diria que para os tradicionais, a minha comunidade é mais avivada e já para os mais avivados, o nosso estilo é bem tradicional. Então, com muito equilíbrio e bom senso, posso dizer que frequento uma igreja de pessoas com vontade de acertar. Já acho isso um excelente objetivo.

“Um cristão verdadeiro. Aquele que realmente segue os conceitos e preceitos bíblicos jamais, eu digo jamais, será considerado nos moldes da atual sociedade, alguém politicamente correto! É incompatível você ser um cristão verdadeiro e ser aceito integralmente pela sociedade!”

Creio que foi mais ou menos isso o que foi dito naquele púlpito e que me fez refletir sobre tantas coisas a dizer. Talvez tenha modificado um pouco o texto original, mas o cerne, o conceito principal da mensagem é exatamente este o que estou trazendo aqui.

Quando ouvi essa afirmação imediatamente comecei a pensar sobre a necessidade que o povo evangélico brasileiro tem de ser aceito pela sociedade. Parece que há embutido no DNA de grande parte dos crentes tupiniquins uma necessidade inerente de aceitação, de reconhecimento. Talvez, motivado por algum sentimento de baixa estima. Essa sensação de que precisamos ser reconhecidos, principalmente pela mídia, é algo muito comum no nosso meio.

 

Só que a verdade, é que não seremos de fato aceitos pela sociedade mantendo como inegociáveis alguns dos nossos pontos de vista e bandeiras. Não se iludam com relação a isso! Para sermos realmente aceitos, precisamos abrir mão de aspectos e dogmas que do ponto de vista bíblico cristão são simplesmente inegociáveis. Ou será que seremos bem vistos mantendo nossa ferrenha oposição ao homossexualismo? Somos contrários não só a esta causa, mas também à pedofilia, à pornografia, ao abuso infantil, à exploração de mão de obra escrava, à prática da avareza, à falta de amor ao próximo, ao consumo desenfreado, à corrupção, à mentira, à valorização do ter em detrimento de ser, entre tantas outras questões.

Com o crescimento do evangélico em nosso país, onde algumas pesquisas apontam que daqui há alguns anos pode representar cerca de 50% da população do Brasil, é muito natural que o interesse por esse nicho seja aumentado. É aceitável que as mídias passem a dar mais atenção aos fatos e acontecimentos desse mercado. É natural que os grandes líderes sejam procurados por partidos políticos, por empresários e afins, para desenvolverem projetos e parcerias. Esta é uma movimentação natural de mercado. Isso é algo esperado e mantendo-se as devidas precauções, deve até mesmo trazer reais benefícios para o Evangelho e o setor como um todo.

Entretanto, a questão que gostaria de enfatizar é que nossas expectativas não devem ser ilusórias! Mesmo com toda a força. Mesmo com toda a representatividade. Mesmo tornando-se um pujante mercado consumidor, nada disso será suficiente para que a sociedade aceite todas as nossas convicções, dogmas e objetivos! Não mesmo! E aí é que corremos um risco muito sério! Reconhecendo que nossos conceitos não serão aceitos pela sociedade, a expectativa é de que a verdadeira mudança assuma sentido contrário, ou seja, que mudem os conceitos e valores dos cristãos.

No texto de Hebreus 10, a partir do versículo 19, Paulo nos apela à perseverança, ao compromisso de nossa fé genuína e inabalável. No versículo 22 ele enfatiza: “aproximemo-nos de Deus com um coração sincero e com plena convicção de fé” – plena convicção de fé, ou seja, ciente do que cremos, do que pregamos. No versículo seguinte ele fala ainda mais claramente: “Apeguemo-nos com firmeza à esperança que professamos, pois aquele que prometeu é fiel” – apegar com firmeza, significa não ser influenciado por qualquer outro pensamento. Por fim, ele destaca a importância de vivermos em comunidade, de nos incentivarmos mutuamente neste objetivo. “E consideremos uns aos outros para nos incentivarmos ao amor, às boas obras. Não deixemo-nos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas procuremos animar-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês vêem que se aproxima o Dia”

Infelizmente, esse movimento já é perceptível em muitos momentos em nosso meio. Quando observamos líderes deixando de agir como “boca de profeta” para adequar seus discursos a fim de que não haja choque e conflito em seus interesses pessoais ou quando vemos políticos evangélicos envolvidos em escândalos dos mais variados, já temos indícios claros dessa ‘contaminação’. O Evangelho nos instrui a sermos sal, a sermos luz. Para “salgarmos”, precisamos estar no meio do alimento. Só assim podemos trazer sabor à comida, misturados, numa simbiose completa, mas ainda assim, conservamos integralmente nossa essência, o sabor.

Longe de querer tornar-me um eremita, minha intenção é justamente propor uma postura de aproximação. Sem que essa aproximação transforme-se em perda de identidade. O verdadeiro cristão precisa transformar o seu ambiente. Quando abrimos mão dos conceitos e ensinamentos de Cristo, acho que tornamo-nos mais politicamente corretos. Sinceramente, meu objetivo, é ser biblicamente correto. Ser luz! O resto, é só o resto!

Mauricio Soares, jornalista, profissional de marketing, alguém buscando aprimoramento constante. Neste texto tive a maravilhosa contribuição do mais novo jornalista do mercado, meu querido amigo, irmão, companheiro de longa jornada e exemplo constante, Asaph Borba. Muito obrigado pela contribuição! 

Outro dia conversando com uma jovem profissional do mercado gospel falamos a respeito de algumas questões relativas ao comprometimento. Na verdade, tivemos um bom momento de avaliação sobre as questões que envolvem o “vestir a camisa da empresa” e o assumir a personalidade da empresa, incluindo aí suas mazelas e defeitos.

Em cima deste bate papo, resolvi dedicar alguns minutos para expor minhas opiniões sobre esta questão que pode servir como parâmetro importante para os jovens leitores do Observatório Cristão. Sei que grande parte dos 46 leitores deste blog são jovens a caminho do mercado de trabalho. Como já mencionei em outro texto, um dos meus maiores objetivos neste blog é colaborar, mesmo de forma absolutamente humilde, para a formação profissional, principalmente para aqueles que pretendem um dia ter algum envolvimento no potencial e emergente mercado gospel.

Mas vamos ao que interessa. No decorrer deste bom papo, começamos a falar de determinadas pessoas que confundiram “comprometimento” com o que defini num bom português de “ranço”. Isso mesmo! Palavrinha das mais feias do nosso vocabulário, mas que em toda sua plenitude linguística-estética, denota com primor o seu real sentido. No Wikipédia, a palavra ranço é definida da seguinte forma:

Ranço ou rançoso é o nome dado a um alimento quando este apresenta uma alteração de sabor produzida pelo contato com o ar nas substâncias gordurosas. O ranço se caracteriza pela presença de um odor forte e sabor amargo ou acre. Normalmente esse sabor está ligado à formação de ácido butanoico no alimento, devido à oxidação.

Parafraseando esta definição, eu diria que o “profissional rançoso” é aquele que apresenta uma alteração de comportamento, discurso, indumentária, cor do cabelo, penteado, gosto pessoal e até mesmo atributos físico-psicológicos pelo contato com chefes, superiores e mesmo cultura de uma empresa. O ranço profissional se caracteriza pela exacerbação dos defeitos, falhas, ideologias, cacoetes, pensamentos e até mesmo presunção de que aquele é o nirvana máximo da condição profissional.

Particularmente sou uma pessoa de comprometimentos muito fortes, não só nas questões profissionais como também em questões pessoais! Pra quem acompanha minha trajetória ao longo destes 20 e poucos anos, já deve ter percebido que sou um profissional intenso nos meus projetos. Não consigo me envolver com nenhum projeto sem viver intensamente e buscar os melhores resultados. No entanto, sempre busquei manter minha identidade própria e meus conceitos bem claros.

Infelizmente percebo claramente que algumas pessoas confundem “comprometimento” com a perda de senso crítico! E isso pode gerar problemas seriíssimos no futuro de uma carreira e mesmo na rede de relacionamentos pessoais. Vejo que algumas pessoas vestem não somente a camisa, mas trocam a própria pele e o cérebro para amoldarem-se à cultura de determinada empresa. Isso é muito triste e imagino que muitas pessoas neste perfil acabam fechando as portas para si no mercado.

O mercado é feito de relacionamentos, de parcerias, de respeito mútuo. Quando determinado profissional assume as questões corporativas como pessoais, sinceramente, imagino como uma pessoa apostando todas as suas economias na Grécia. Qual a segurança nesta estratégia? Nenhuma! Infelizmente vejo algumas pessoas confundindo as estações! As pessoas precisam entender que independente das empresas, há uma relação pessoal no mercado e isso deve ser preservado e incentivado.

Todos precisamos defender nossos empregos. Temos que buscar sempre o melhor para nós como profissionais e para nossos empregadores. No entanto, nunca devemos nos esquecer de que a sua marca pessoal é tão ou mais importante que a marca de uma empresa.

Faço estas ponderações com conhecimento de causa. Sou um entusiasta do mercado gospel no país. Nunca me furto de participar de eventos que sirvam para debater o mercado ou mesmo em palestras e eventos em prol de uma maior capacitação dos profissionais do meio. Dias atrás estive participando de um evento sobre o segmento evangélico no Brasil e lá pelas tantas, fui abordado por uma pessoa que jamais havia visto antes. Com muita educação e polidez, esta pessoa se apresentou como consultor de empresas e fez questão de me parabenizar por estar doando meu tempo para aquele evento. Longe de querer jactar-me por este fato, apenas uso esta experiência para reafirmar meu compromisso pessoal de dividir conhecimento e ampliar as relações interpessoais.

Com estes anos de estrada posso elencar inúmeras pessoas que confundiram-se entre comprometimento e ranço. Em sua avassaladora maioria, estas pessoas simplesmente desapareceram do mercado catapultadas por sua antipatia perante todo o meio. Então, fica aqui uma dica: trabalhe com afinco, determinação, honestidade, foco e principalmente comprometimento pelos resultados, mas jamais incorpore a personalidade de uma empresa como sendo a sua, principalmente as falhas que esta empresa venha a ter. Mantenha sua imagem própria independente da empresa. Mantenha seus relacionamentos e contatos devidamente próximos independente da empresa. Enfim, viva sua vida e não confunda-se com a vida dos donos ou gestores de sua empresa. Cada um tem seus objetivos muito claros. Defina os seus objetivos pessoais e mãos à obra!

 Mauricio Soares, consultor, publicitário, jornalista. E saiba que um simples bate papo informal com este ”observador” pode ser utilizado como idéia básica para um texto no Observatório Cristão. Portanto, muito cuidado com as palavras!

Entre meus gostos musicais, além de uma refinada MPB, há um espaço de destaque para a autêntica música de raiz brasileira, que também conhecemos como “música caipira”. Entre os seus mais proeminentes representantes, holofotes direcionados para Rolando Boldrim, Almir Sater e Renato Teixeira. E lendo uma revista de bordo que me deliciei com a entrevista de Renato Teixeira contando um pouco mais de sua vida, experiências, composições e sua visão da atual realidade da música brasileira.

Entre tantas respostas interessantes, pincei duas partes para servir como mote do nosso texto de hoje. A entrevista foi concedida ao jornalista Bruno Hoffman.

BH – O que te move a compor?

Como dizia antes, eu faço canção sobre pessoas. O que me impressiona quando vou para Aparecida do Norte, por exemplo, não são as igrejas, a estética, a parte arquitetônica. É a pureza dos romeiros. Se você olha nos olhos dos romeiros, é possível enxergar a alma. Romaria, talvez meu maior sucesso, não é uma canção para a santa, é uma canção para o romeiro. E se tornou uma espécie de canção manifesto, como se eu dissesse: “A música caipira agora é assim, esse é o jeito mais viável”. É uma música caipira que poderia ser gravada pela Elis Regina, por exemplo. Foi um antropofagismo. Pegar a música caipira, pegar a MPB, misturar e extrair o que é importante, respeitando a ética e os valores caipiras.

BH – Como a música surgiu, em que você se inspirou?

Na época em que compus, lá por 1973, eu estava muito ligado em poesia concreta. Estava apaixonado pela obra de Décio Pignatari, Augusto de Campos, todo aquele pessoal que desenhava com palavras. E comecei a compor a canção para usar um pouco a experiência que estava tendo. É de sonho e de pó/O destino de um só … Nunca imaginei que faria sucesso, justamente pela carga intelectual colocada, pela sofisticação. Embora ache que poesia concreta seja a mais popular, não é fácil entender. Uma coisa engraçada que, quando terminei a letra, não sabia o que colocar após o Como não sei rezar/Só queria mostrar/Meu olhar … E o que mais? Pensei em tudo para terminar a música: meu sentir, meu sofrer, meu pensar. E não vinham as palavras certas. Durante uns quatro meses cantei a música sem o fim. Até que percebi que o melhor era repetir o “meu olhar”: Meu olhar, meu olhar, meu olhar … No mesmo dia que terminei a música, um amigo perguntou se eu tinha algo novo, e toquei Romaria. Quando terminei, ele estava completamente aos prantos, me beijou a testa e perguntou: “Você tem noção do que fez?”. Eu não tinha. A música ficou uns três anos na gaveta, até Elis gravar. Foi sucesso instantâneo. Um dia andava pela rua e ouvi alguém assobiar Romaria. Foi nessa hora que saquei que a música havia se tornado um sucesso.

Sinceramente? Relendo e digitando essas respostas, me vem à mente uma pergunta simples: preciso fazer mais algum comentário a respeito? Verdadeiramente creio que não preciso falar mais nada! É tão clara a mensagem de Renato Teixeira sobre a sua relação com a palavra, com a música, com o ser humano, que me constranjo de falar mais qualquer coisa!

 

Mas vou resistir ao meu bom senso e vou tentar tecer ainda mais alguns comentários sobre o que acabamos de conferir. O Observatório Cristão caracteriza-se por trazer um olhar diferenciado sobre os acontecimentos à nossa volta. E aproveitando essa entrevista, gostaria de comentar sobre a qualidade das composições no meio gospel. Já falei sobre esse mesmo tema pelo menos umas 3 a 4 outras vezes aqui mesmo no blog, mas creio que não é demais voltarmos a este assunto, tentando trazer mais algum aspecto novo.

Se você é compositor de música gospel, acho que você deveria perguntar-se também sobre o que te move a compor. Como todos sabem, trabalho com música há muitos e muitos anos, então posso sentir-me à vontade para fazer esse tipo de comentário: grande parte dos compositores do cenário gospel não sabe o motivo que os leva a compor! Sim, é isso mesmo! E quando falo de motivo para compor, digo um motivo nobre, ideal, não simplesmente proporcionar o sustento de sua família ou alimentar seu próprio ego ao ver uma cantora TOP gravando sua canção.

Renato Teixeira afirma que o motivo dele compor são as pessoas. Será que em nosso caso também não devesse ser este o motivo principal? Sim, afinal quando falamos de Deus e de seu amor, suas misericórdias e todas as promessas dEle, estamos falando para o ser humano, ou seja, tratamos sempre de pessoas. Agora, porque ainda somos tão restritos e restritivos no espectro de assuntos quando se trata de composição no mundo gospel? Confesso que existem certas canções que já na primeira estrofe, tenho plena noção por onde o compositor irá seguir. A música gospel brasileira precisa ser sacudida por um vento de criatividade!  Mas para isso, os compositores precisam buscar novas fontes. Ressalte-se que não são novas fontes de inspiração, pois a Bíblia e a mensagem cristã são fontes inesgotáveis de temas, mas quando digo “novas fontes” quero dizer caminhos criativos da palavra. O exercício de composição deve ser encarado como uma atividade em busca da perfeição e não da repetição de chavões ou simples rimas.

Lidar com a palavra é muito mais do encaixá-la na métrica de uma melodia. É uma briga constante na busca da sinergia perfeita entre forma e conceito. Constantemente me assusto com textos e mensagens publicadas na web. Não sou um purista da língua de Camões, mas confesso que acho inadmissível uma pessoa escrever de forma errada. Sei que o Brasil é um país com terríveis falhas no processo educacional, mas também sei que hoje em dia há inúmeras oportunidades para o crescimento intelectual e aperfeiçoamento. Quando vejo um compositor consagrado no meio gospel escrevendo como se fosse um dialeto zulu, realmente entro em pânico. Afinal, se o compositor vive da palavra, como pode desconhecer justamente o seu instrumento básico de trabalho? Se fosse fazer uma pesquisa com alguns dos principais compositores do meio gospel sobre hábitos de leitura, não me arrisco a dizer que muitos diriam que não leram um único livro nos últimos anos.

Só para ilustrar a importância da leitura para o processo de composição, recordo-me que o Pr. Marcus Gregório praticamente obrigava os integrantes do Ministério Toque no Altar a lerem exaustivamente diversos livros por ano. Não por coincidência, algumas das mais belas e criativas canções do cenário gospel nos últimos anos surgiram da lavra de gente como Luiz Arcanjo, Ronald Fonseca e Davi Sacer.

Voltando à entrevista, na segunda resposta, o que me chamou muito a atenção foi a reação do amigo de Renato Teixeira ao ouvir Romaria. Ele relata: “Quando terminei, ele estava completamente aos prantos, me beijou a testa e perguntou: Você tem noção do que fez?”  Pois bem, esse tipo de reação tenho até hoje quando ouço essa canção, mesmo se tratando de uma referência à fé de um romeiro em relação à santa. Isso independe! O que me emociona é perceber todo o cenário que a música descreve. É tão claro e real, que é impossível ouvir essa canção sem emocionar-me. E é justamente essa emoção que sinto falta em grande parte das músicas que ouço nas rádios de programação evangélica pelo país.

Não quero ser o Pedro de Lara do gospel (aquele dos jurados do Chacrinha e depois do Silvio Santos, os mais velhos lembrarão dele) sempre reclamando de tudo, mas também não dá para ser a Alice no País das Maravilhas achando que tudo que estamos produzindo no meio gospel é divino, maravilhoso! Longe disso! Verdadeiramente sinto falta de criatividade e de poesia na música gospel produzida em nosso país! E mais uma vez, repito e reafirmo, poesia e criatividade são adquiridos através de leitura e experiência de vida. Diferente disso, teremos sempre letras pobres, conceitos vazios, referências repetidas e mais do mesmo!

Por que sempre que queremos destacar algum compositor evangélico “poético” nos referimos à Janires, João Alexandre, Sérgio Lopes e mais uns 5 ou 6 compositores somente? Precisamos de mais poesia. Precisamos de compositores mais criativos. Precisamos de profissionais ousados entre as gravadoras para identificar qualidade no diferente. Precisamos de programadores de rádios evangélicas dispostos a sair do padrão. Precisamos de poesia. Precisamos de criatividade. Precisamos focar em pessoas. Precisamos de ideais renovados. Precisamos de uma música gospel genuinamente de qualidade. Precisamos mudar. Que tal esse processo começar hoje mesmo? Vamos investir na leitura?

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, A&R, profissional de marketing, amante da música, leitor contumaz, observador de tudo que está à volta e um idealista por natureza. Finalizo este texto e sigo para assistir ao show de lançamento do CD de estréia de Daniela Araújo. Talvez motivado pelo álbum dessa jovem cantora, cheia de poesia e criatividade, meu subconsciente me dirigiu a escrever sobre esse tema, mas confesso que este projeto é um dos meus motivadores a buscar uma nova música cristã produzida nesse país. Boa música a todos!


E ainda neste assunto,

É impressionante como toda vez em que a grande mídia faz uma abordagem sobre o mercado fonográfico, a introdução da matéria sempre traz uma abordagem sobre a queda do mercado fonográfico. Não importa o viés da matéria, sempre usa-se o bordão “mercado em crise” e coisas do tipo. O cerne da matéria pode ser positivo, mas sempre há um contraponto negativo do tipo: “Mesmo em crise, artista “X” vende milhões de CD”.

No Brasil, os dois últimos anos foram de crescimento no mercado fonográfico. Dados preliminares apontam que 2011 chega ao fim comemorando mais um ano de crescimento em vendas, sendo que alguns artistas como Padre Marcelo Rossi e Paula Fernandes superaram a marca de 1,5 milhão de unidades vendidas. Estamos falando em crescimento na venda física de CDs, atente-se para isso! O mercado de shows está super aquecido, inclusive colocando definitivamente o país no circuito dos grandes astros da música internacional. Neste ano, tivemos o retorno do Rock in Rio ao país e mais outra edição do SWU e de diversos outros festivais.

Particularmente discordo com essa tendência pejorativa na abordagem da mídia quando se refere ao mercado fonográfico. É óbvio que a pujança de vendas de CDs de décadas atrás não temos e não teremos mais no mercado. Também é notório que os canais de venda de música em lojas especializadas praticamente ficaram reduzidas a grandes redes de varejo. Mas isso não significa que o mercado fonográfico é um ser moribundo!

O que estamos vivendo neste momento, em especial no Brasil, é uma mudança radical do processo de consumo do bem “música”. A transição do LP para o CD se deu a partir do momento em que as indústrias de eletroeletrônicos aposentaram a vitrola e passaram somente a produzir aparelhos com tocadores de CD. Essa transição completa não durou mais do que 2 anos e foi realizada automaticamente, onde saíram a vitrola, o LP e a agulha de diamante (lembram-se disso?) e entraram o CD, o 3 em 1 e o disc-man. Já a transição entre o CD físico e o mundo digital não aconteceu de forma linear. É nítido que vivemos um hiato entre o consumo de produtos físicos e digitais. Neste hiato, nem mesmo a indústria fonográfica conseguiu interpretar perfeitamente as tendências e caminhos que o mercado acabaria seguindo. E imagino que esse “medo do desconhecido” acabou provocando um pânico generalizado e até mesmo uma letargia inercial. Daí a ideia que a mídia vem constantemente atribuindo como “a crise do mercado fonográfico”.

 

Na verdade, o mercado digital amplifica e muito os canais de distribuição para a música. Se antes tínhamos cerca de 3 mil pontos de venda de música no país, hoje temos 200 milhões de celulares para comercializar conteúdo. Com a ampliação e melhoria da banda larga no Brasil, outros milhões de usuários da internet passarão a ter acesso ilimitado a arquivos com milhões e milhões de músicas. Hoje há inúmeros canais de comercialização de música no universo digital na web ou mesmo através das operadoras de TV a cabo ou empresas de telefonia. Com a chegada do iTunes tão comemorada nos últimos dias definitivamente ingressamos na nova era digital. Outras plataformas como Power Music Club, Rdio, GVT, Sonora democratizam o acesso à música. Enfim, não há crise no mercado fonográfico! O que há neste momento é uma gama ilimitada de possibilidades para a comercialização de conteúdo no mundo digital.

E posso adiantar que 2012 será o ano da virada do mercado fonográfico no meio digital! Não sou nenhum adepto das profecias de Nostradamus, muito menos estudioso do calendário maia ou mesmo um profeta pentecostal, mas podem me cobrar em 31 de dezembro de 2012 sobre esta minha última afirmação. Teremos grandes novidades no mercado digital a partir dos próximos meses. Uma infinidade de canais de comercialização de conteúdos digitais estarão disponíveis ao consumidor brasileiro daqui em diante.

Poucos são os profissionais que já conseguem vislumbrar todos os desdobramentos do mercado digital para os próximos 10 anos (isso é quase um século em termos de tecnologia!), então o momento é de busca incessante pelo conhecimento, pelo aprimoramento e principalmente pelo planejamento e mudança de estratégias. Neste momento é fundamental que as gravadoras estejam preparadas para essa nova conjuntura do mercado fonográfico! Infelizmente ainda vejo empresas e ‘profissionais’ de gravadoras apenas mirando no mercado físico como único caminho. Na verdade, não consigo pensar em melhor imagem neste caso do que de um trem se aproximando no horizonte, enquanto uma despreocupada pessoa passeia por entre os trilhos degustando um delicioso sorvete. O trem pode até demorar a chegar, mas numa determinada hora ele vai passar por cima do “degustador de sorvete”. E já posso adiantar, que esse trem aí é do tipo que a torcida do Vasco costuma cantar nos estádios … é um autêntico trem bala! O atropelamento é inevitável!

Então, toda vez que alguém comentar que o mercado fonográfico está em crise … ah! manda ler esse artigo … não precisa entrar em nenhuma confusão! Este é um mercado de oportunidades! Mas é fundamental que se esteja preparado para enfrentar e aproveitar as múltiplas opções de negócio … o que não vale é ficar na cadeira de balanço, reclamando da chegada de players profissionais, preparados e focados no futuro do mercado. A concorrência é livre e que venham as novidades!

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, casado, pai de dois meninos que já nasceram tecnológicos e digitais. “Papai no seu tempo a TV era em preto e branco? Mas já era em 3D?”

 

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Desde que me entendo por gente ouvia que o Brasil era o país do futuro. De igual forma, mas há bem menos tempo, algo como nos últimos 10 anos, leio, ouço e também digo que o mercado digital será a nova revolução da indústria fonográfica e da própria música e sua relação com o consumidor.

Pois bem, o Brasil hoje tem uma economia sólida, destaca-se entre os países no mundo todo não só pelo futebol, samba, seu povo alegre e pelas belezas naturais, mas também por sua estabilidade monetária. E nesta semana, com a chegada oficial do iTunes no Brasil, oficialmente entramos no novo momento da música e do universo digital.

Sim! Estamos vivendo a partir de agora um novo momento na indústria fonográfica! Para ilustrar a importância da chegada do iTunes uma das imagens que me vem à mente de imediato é a da queda do Muro de Berlim. Com a derrubada daquele símbolo dividindo a Alemanha Oriental e Ocidental, caíram não apenas blocos de tijolo, mas todo o conceito de Guerra Fria. A Europa mudou completamente a partir da queda do muro. Na verdade, não só a Europa, mas todo o planeta!

Com o lançamento do iTunes no Brasil passamos a integrar um grupo seleto de países com acesso a uma biblioteca de mais de 20 milhões de músicas, conteúdos, vídeos, álbuns. A forma de lidar com a música será completamente outra a partir de agora. Em outros países em que o iTunes já tem um passado, a mudança da forma de consumir e relacionar-se com a música digital mudou radicalmente! O aumento de receita das gravadoras a partir da entrada do iTunes e das diferentes plataformas digitais foi algo impressionante e derrubou todos os prognósticos negativos e apocalípticos de que o mercado fonográfico estaria moribundo.

Além do iTunes, o Brasil conta com outras plataformas como Sonora, Rdio, PowerMusicClub, para citar alguns. Ou seja, não há mais desculpas para se baixar músicas em sites piratas de downloads gratuitos. Tempos atrás ouvia alguns argumentos de que não se encontrava sites oficiais para fazer o download de música evangélicas no Brasil. No entanto, esse argumento completamente vazio se antes mesmo não tinha sustentação, agora mesmo é que não tem lógica alguma!

Fico muito orgulhoso de já conferir os álbuns de Cassiane, Damares, Renascer Praise, Leonardo Gonçalves disponíveis no iTunes do Brasil. Este foi um trabalho meticuloso de quase um ano e hoje colhemos os resultados de todo o esforço da equipe. Mas pesquisando no site, não encontrei vários e vários trabalhos de artistas cristãos consagrados. A leitura que eu faço desta questão é que ainda há muita gente no mercado gospel brazuca focando única e somente no CD físico, imaginando que a chegada do mercado digital se daria apenas no próximo século!

Pois bem, o mercado digital já chegou! E agora as gravadoras e artistas independentes deverão, literalmente, correr atrás para garantir seus lugares neste ‘trem’. Vale ainda ressaltar que a chegada do mercado digital não significa o fim do mercado físico, muito pelo contrário, o que se percebe em muitos países é um crescimento na venda de CDs físicos. Mesmo no Brasil, açoitado pela pirataria física e digital, chegaremos ao fim de 2011 registrando mais um ano consecutivo de crescimento na venda de CDs físicos.

Portanto, sugiro que você tire um tempinho de agora em diante para navegar no iTunes e nas outras plataformas para ter acesso aos produtos, lançamentos, raridades e muito mais! É um tipo de passeio maravilhoso e do qual tive o prazer de ‘viajar’ nestes dias.

Boa viagem!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, consultor e alguém que a partir de agora precisa ter enorme auto-controle para não exagerar nas compras on line.

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Nesta semana precisei ficar uns dias em repouso em função de uma gripe fortíssima. Quando já não agüentava mais assistir a filmes, documentários e programas na TV, corria para a internet a fim de me inteirar sobre as novidades.

Fico muito feliz ao entrar nas redes sociais e observar como esse blog tem sido lido e servido como material de consulta e aprendizado. O que realmente começou como uma grande curtição vem tornando-se algo sério e que num futuro não muito distante poderá inclusive virar um livro.

Mas estes dias de repouso e de navegação descompromissada na web foram proveitosos para ler, assistir e meditar sobre alguns temas que poderão servir como texto no Observatório Cristão. Entre assuntos sérios e outros nem tanto, me peguei assistindo alguns vídeos indicados por pessoas nas redes sociais e outros encontrados no meio da web.

O tema deste texto tem a ver com algo que vez ou outra me acomete: VERGONHA ALHEIA. Confesso que morro de constrangimento ao ver que determinada pessoa está fazendo um papel que não a favorece perante uma platéia. A vontade que me dá nestas ocasiões é de sacar uma arma e desintegrar a pessoa para que ela pare de servir de chacota para os outros. E infelizmente, em determinados momentos, se fosse possível esse meu desejo, talvez tornasse-me o próprio Billy The Kid dando saraivadas de tiros desintegrantes a torto e a direito.

Meu dia-a-dia é repleto de reuniões, audições, ligações, decisões, conversas, viagens, ou seja, cada minuto é devidamente valorizado como algo realmente escasso. Mas nem por isso deixo de atender pessoas nas redes sociais, através de emails ou mesmo telefonemas. Se há uma característica que tento manter é minha acessibilidade. Acredito que pelo cargo que ocupo, posso ser considerado uma pessoa relativamente acessível e disponível.

O problema é que grande parte das pessoas não tem um componente em seus DNAs e isso acaba detonando toda a cadeia lógica. Falo da falta de noção de determinadas pessoas, o que num bom português, denominamos de “Sem Noção”. É isso mesmo! Diariamente recebo pelo correio CDs e DVDs de artistas. Além disso, pelas redes sociais quase que diariamente recebo indicações e solicitações do tipo: “se tiver um tempinho, assiste aí …”. E ainda têm aqueles que vêm na empresa sem aviso prévio ou outros que insistem em ter uma reunião “que poderá interessar-lhe muito!”

Posso garantir que grande parte dos produtos que recebo, seja física ou digitalmente, são bem abaixo da crítica. O problema é que o cidadão sonhou em ser artista. Uma irmãzinha de coque na igreja profetizou que ele cantaria nos 4 cantos da Terra. Ou então, que todo mundo de sua família disse que ele tem talento e merece uma chance! Ou seja, embarcam num sonho em que jamais se darão bem! E o ônus de alertá-lo sobre esse absurdo em grande parte recai sobre alguém de gravadora, incluindo esse abnegado blogueiro.

Assistindo uns vídeos do programa Ídolos na web, vi o cantor e compositor Peninha dizer a uma jovem postulante ao estrelato que ela deveria parar por ali mesmo e se poupar de futuras decepções. Com uma sinceridade e principalmente, sensibilidade, Peninha disse-lhe que aquele sonho ela não teria capacidade de alcançar e que quando mais rápido mudasse de objetivos menos problemas e decepções ela teria para si.

E exatamente isso o que tenho a dizer para muitos e muitos que me procuraram nos últimos anos. Não se iluda com um talento que você efetivamente não possui. Não é pelo fato de gostar de cantar que você precisa ser um astro da música. Gostar é uma coisa. Viver com qualidade, fruto de seu talento é outra coisa completamente diferente!

Como já estamos chegando ao fim de mais um ano, normalmente usamos essa época para fazer nossas listas, mudar nossos objetivos, traçar novos planos, enfim, promover um autêntico rebuliço em nossa vida. Que tal você incluir entre seus objetivos para 2012 repensar sua intenção de viver da arte?

Como já mencionei aqui, recebo dezenas e dezenas de CDs. Creio que neste ano, bem mais de mil produtos tenham chegado às minhas mãos e sabe quantos realmente me chamaram a atenção? Uns 2 ou 3, no máximo! Mas não que eu seja um cara exigente ou rabugento, mas sim pela falta de adequação de grande parte dos artistas. É até constrangedor atender uma pessoa na Expo Cristã com seu CD em mãos me pedindo por uma chance na gravadora. Sabe as chances de aquela conversa gerar algum contrato? Zero!

Tenho pilhas de CDs com capas horrorosas que dariam para fazer um Museu do Espanto! Minha sala ainda reúne trabalhos de artistas que não teriam a mínima chance de tocar nem em rádio comunitária! O que não consigo entender é porque um cidadão não se inscreve num concurso de juiz de direito se não tem o segundo grau e sem quaisquer atributos técnicos ou artísticos ele busca um espaço numa gravadora ou mesmo no mercado?

O que quero dizer é que percebo que há muita gente em nosso meio perdendo tempo, dinheiro e transformando sonhos em frustração! Só para ilustrar meu drama, nestes dias recebi um contato pelo twitter de alguém me pedindo meu email. Por DM passei-lhe meu email. Já no dia seguinte recebi uma mensagem. O problema é que tive que ler e reler o texto umas 4 vezes até conseguir decifrar o que aquela pessoa queria me dizer. E o mais incrível é que essa mensagem havia sido enviada por um assessor da cantora! Fui vasculhar a “obra” dessa artista na web e o que vi foram vídeos assustadores, músicas deprimentes e um figurino de arrepiar! Ou seja, mais uma pra galeria dos “Sem Noção”.

Não quero ser um “enterrador de sonhos”, mas que este post sirva como alerta para que em 2012 você realmente repense seus alvos e objetivos com muito bom senso! Se preciso for, converse com amigos, terapeutas, profissionais e veja se realmente vale a pena prosseguir neste projeto. Fica a dica!

 

Mauricio Soares, jornalista, blogueiro, publicitário, consultor e dono de um acervo de mais de mil CDs e DVDs dignos de serem arremessados pela janela. Como meu escritório fica no 40º andar e as janelas não se abrem, acabo colecionando essas “raridades”. Acho que posso ser considerado um daqueles casos de colecionismo compulsivo … preciso de tratamento!