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Mauricio Soares

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Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.

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Nesta semana precisei ficar uns dias em repouso em função de uma gripe fortíssima. Quando já não agüentava mais assistir a filmes, documentários e programas na TV, corria para a internet a fim de me inteirar sobre as novidades.

Fico muito feliz ao entrar nas redes sociais e observar como esse blog tem sido lido e servido como material de consulta e aprendizado. O que realmente começou como uma grande curtição vem tornando-se algo sério e que num futuro não muito distante poderá inclusive virar um livro.

Mas estes dias de repouso e de navegação descompromissada na web foram proveitosos para ler, assistir e meditar sobre alguns temas que poderão servir como texto no Observatório Cristão. Entre assuntos sérios e outros nem tanto, me peguei assistindo alguns vídeos indicados por pessoas nas redes sociais e outros encontrados no meio da web.

O tema deste texto tem a ver com algo que vez ou outra me acomete: VERGONHA ALHEIA. Confesso que morro de constrangimento ao ver que determinada pessoa está fazendo um papel que não a favorece perante uma platéia. A vontade que me dá nestas ocasiões é de sacar uma arma e desintegrar a pessoa para que ela pare de servir de chacota para os outros. E infelizmente, em determinados momentos, se fosse possível esse meu desejo, talvez tornasse-me o próprio Billy The Kid dando saraivadas de tiros desintegrantes a torto e a direito.

Meu dia-a-dia é repleto de reuniões, audições, ligações, decisões, conversas, viagens, ou seja, cada minuto é devidamente valorizado como algo realmente escasso. Mas nem por isso deixo de atender pessoas nas redes sociais, através de emails ou mesmo telefonemas. Se há uma característica que tento manter é minha acessibilidade. Acredito que pelo cargo que ocupo, posso ser considerado uma pessoa relativamente acessível e disponível.

O problema é que grande parte das pessoas não tem um componente em seus DNAs e isso acaba detonando toda a cadeia lógica. Falo da falta de noção de determinadas pessoas, o que num bom português, denominamos de “Sem Noção”. É isso mesmo! Diariamente recebo pelo correio CDs e DVDs de artistas. Além disso, pelas redes sociais quase que diariamente recebo indicações e solicitações do tipo: “se tiver um tempinho, assiste aí …”. E ainda têm aqueles que vêm na empresa sem aviso prévio ou outros que insistem em ter uma reunião “que poderá interessar-lhe muito!”

Posso garantir que grande parte dos produtos que recebo, seja física ou digitalmente, são bem abaixo da crítica. O problema é que o cidadão sonhou em ser artista. Uma irmãzinha de coque na igreja profetizou que ele cantaria nos 4 cantos da Terra. Ou então, que todo mundo de sua família disse que ele tem talento e merece uma chance! Ou seja, embarcam num sonho em que jamais se darão bem! E o ônus de alertá-lo sobre esse absurdo em grande parte recai sobre alguém de gravadora, incluindo esse abnegado blogueiro.

Assistindo uns vídeos do programa Ídolos na web, vi o cantor e compositor Peninha dizer a uma jovem postulante ao estrelato que ela deveria parar por ali mesmo e se poupar de futuras decepções. Com uma sinceridade e principalmente, sensibilidade, Peninha disse-lhe que aquele sonho ela não teria capacidade de alcançar e que quando mais rápido mudasse de objetivos menos problemas e decepções ela teria para si.

E exatamente isso o que tenho a dizer para muitos e muitos que me procuraram nos últimos anos. Não se iluda com um talento que você efetivamente não possui. Não é pelo fato de gostar de cantar que você precisa ser um astro da música. Gostar é uma coisa. Viver com qualidade, fruto de seu talento é outra coisa completamente diferente!

Como já estamos chegando ao fim de mais um ano, normalmente usamos essa época para fazer nossas listas, mudar nossos objetivos, traçar novos planos, enfim, promover um autêntico rebuliço em nossa vida. Que tal você incluir entre seus objetivos para 2012 repensar sua intenção de viver da arte?

Como já mencionei aqui, recebo dezenas e dezenas de CDs. Creio que neste ano, bem mais de mil produtos tenham chegado às minhas mãos e sabe quantos realmente me chamaram a atenção? Uns 2 ou 3, no máximo! Mas não que eu seja um cara exigente ou rabugento, mas sim pela falta de adequação de grande parte dos artistas. É até constrangedor atender uma pessoa na Expo Cristã com seu CD em mãos me pedindo por uma chance na gravadora. Sabe as chances de aquela conversa gerar algum contrato? Zero!

Tenho pilhas de CDs com capas horrorosas que dariam para fazer um Museu do Espanto! Minha sala ainda reúne trabalhos de artistas que não teriam a mínima chance de tocar nem em rádio comunitária! O que não consigo entender é porque um cidadão não se inscreve num concurso de juiz de direito se não tem o segundo grau e sem quaisquer atributos técnicos ou artísticos ele busca um espaço numa gravadora ou mesmo no mercado?

O que quero dizer é que percebo que há muita gente em nosso meio perdendo tempo, dinheiro e transformando sonhos em frustração! Só para ilustrar meu drama, nestes dias recebi um contato pelo twitter de alguém me pedindo meu email. Por DM passei-lhe meu email. Já no dia seguinte recebi uma mensagem. O problema é que tive que ler e reler o texto umas 4 vezes até conseguir decifrar o que aquela pessoa queria me dizer. E o mais incrível é que essa mensagem havia sido enviada por um assessor da cantora! Fui vasculhar a “obra” dessa artista na web e o que vi foram vídeos assustadores, músicas deprimentes e um figurino de arrepiar! Ou seja, mais uma pra galeria dos “Sem Noção”.

Não quero ser um “enterrador de sonhos”, mas que este post sirva como alerta para que em 2012 você realmente repense seus alvos e objetivos com muito bom senso! Se preciso for, converse com amigos, terapeutas, profissionais e veja se realmente vale a pena prosseguir neste projeto. Fica a dica!

 

Mauricio Soares, jornalista, blogueiro, publicitário, consultor e dono de um acervo de mais de mil CDs e DVDs dignos de serem arremessados pela janela. Como meu escritório fica no 40º andar e as janelas não se abrem, acabo colecionando essas “raridades”. Acho que posso ser considerado um daqueles casos de colecionismo compulsivo … preciso de tratamento!

A noite de 29 de novembro foi muito especial. Naquele dia aconteceu a primeira edição do Troféu Promessas premiando alguns dos maiores destaques da música gospel em 2011. O evento reuniu boa parte da imprensa gospel, algumas mídias seculares, artistas, profissionais, lideranças, pastores e convidados.

O evento em si, seguiu o padrão do roteiro de premiações com um âncora tentando animar a plateia, artistas revezando-se no palco apresentando os indicados nas diversas categorias, os concorrentes da categoria de Melhor Música defendendo suas músicas, auditório animado, ou seja, tudo normal. Ao fim de todos os envelopes abertos, o resultado das premiações foi razoavelmente justo em se tratando de uma eleição onde o público decide os vencedores, o que nem sempre se mostra realmente justo em termos de qualidade e critérios técnicos. Mas o Troféu Promessas foi uma excelente iniciativa e tudo indica que em 2012, muitas novidades virão pelo frente.

Mas, longe de querer comentar sobre o evento, os artistas ou mesmo as premiações, o que me motiva escrever este texto aconteceu justamente na parte final do evento. Num determinado momento, após todos os vencedores terem sido devidamente divulgados, o ator global e mestre de cerimônias chama ao palco o ministro de louvor Asaph Borba completando 35 anos de ministério e influenciando gerações no Brasil e no mundo com suas canções e principalmente, exemplos de vida.

Depois de assistirmos a depoimentos de amigos, pastores, artistas e parentes, Asaph Borba recebeu das mãos do Pastor Silas Malafaia e Marco Antônio Peixoto, o troféu em homenagem por tudo que ele fez ao longo destes anos. Ao lado de sua esposa, Rosana, Asaph visivelmente emocionado dirigiu-se aos artistas presentes e fez questão de falar sobre a longevidade de sua carreira. Para Asaph, grande parte do seu sucesso ministerial estava baseado no conceito de “Alianças” e ele seguiu elencando as 5 alianças necessárias para uma carreira na fé com longevidade. Em nenhum momento, Asaph falou de carreira artística, mas somente na relação homem e Deus.

A primeira aliança que Asaph destacou é a que devemos ter com Deus. É com Ele, por Ele, para Ele que devemos sempre nos guiar, pautar, respirar e principalmente focar nossos objetivos. Nossa relação íntima com Deus, a verdadeira aliança deve ser mantida e cultivada acima de qualquer outra coisa. Nada deve substituir a sua relação de aliança com o Pai, com onosso Deus.

A segunda aliança deve ser com a Igreja. Não há melhor lugar para estarmos do que no meio do povo de Deus! Não há nada que substitua o papel da igreja como local de crescimento na Palavra e na vivência das coisas de Deus. Não há a menor chance de termos intimidade com Deus se não tivermos intimidade com o próximo, com a sua igreja! Neste momento, automaticamente me vem à mente de como existem artistas que sequer têm uma igreja local. Simplesmente apresentam-se em igrejas, mas não pertencem a uma igreja. Isso faz toda a diferença!

A terceira aliança é aquela firmada com seus pastores e líderes. Asaph fez questão de relembrar a figura do seu pastor, alguém que o conhece há 36 anos, com quem tem íntima relação, mas principalmente respeito e humildade de seguir seus conselhos e orientações. Como vemos em nosso meio,artistas que se amotinam de suas lideranças. Artistas sem pastores para orientá-los ou cobri-los em oração. Asaph, que na verdade, diferentemente do que muitos imaginam, não é pastor ordenado, mesmo praticamente exercendo o ministério pastoral, jamais deixou de se subordinar à sua liderança local por entender a importância de manter suas alianças.

A quarta aliança é firmada com a família. Asaph, mesmo viajando grande parte do ano, é alguém dedicado à sua família. Sua esposa Rosana, constantemente é presença nas viagens e compromissos de Asaph pelo país e pelo mundo. É impossível não associar a imagem de Asaph sem que esteja acompanhada a figura de sua esposa e filhos. Família. Aliança indivisível! Infelizmente temos nos deparado com cantores com casamentos fracassados, alguns até com mais de uma experiência de separação.

A quinta e última aliança, aquela firmada com o seu chamado! Como é importante não abandonar o chamado onde tudo se inicia! Como percebemos pessoas bem intencionadas deturpando seus objetivos, seu chamado, sendo tragadas pelo pecado! Como profissional da área artística, infelizmente, vejo todos os dias pessoas distantes do chamado. Vejo claramente pessoas preocupadas na auto-imagem, no dinheiro, no conforto, no benefício próprio em detrimento do próximo … todas estas pessoas começaram com boas intenções, mas afastaram-se do chamado puro e genuíno.

Ao ouvir esse breve discurso de alguém que conheço há mais de 20 anos, imediatamente me veio a vontade de escrever esse post. Nãoconsigo, reconheço, nestas linhas reproduzir todo o sentimento e impacto das palavras proferidas por Asaph Borba naquela noite de festa, mas de alguma forma gostaria de fazê-lo refletir, não sobre sua carreira artística, mas principalmente por sua carreira na fé! Jamais deixe de cuidar das 5 alianças fundamentais para uma vida saudável ao lado de Cristo, a saber: a aliança com Deus, com a Igreja, com os Pastores e Líderes, com a Família e por fim, com o seu Chamado.

Pra bom entendedor, até mesmo um texto simples como este já é um bom aviso! Portanto, reafirme suas alianças!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, alguém em processo de crescimento e melhoria a cada dia, buscando reforçar dia a dia as alianças e que ficou extremamente feliz com o prêmio de Melhor CD conferido à Damares no Troféu Promessas. Parabéns também aos amigos André Valadão e Thalles, pelos respectivos prêmios.

Na minha modesta opinião existem apenas dois tipos de artista independente. O primeiro é aquele que está independente por falta de oportunidade em uma gravadora e o outro é aquele que realmente quer ter o controle absoluto de sua carreira e todas as responsabilidades de um caminho solo no meio fonográfico. Neste texto irei tentar descrever algumas peculiaridades destes personagens e analisar alguns fatos e dicas importantes deste universo. Vamos lá!

Ultimamente (ou melhor, nos últimos 10, 15 anos) sou abordado por artistas independentes em busca de uma chance em uma gravadora. Em sua grande maioria o discurso é assim:“Eu já vendi 100 mil cópias como independente, mas isso está muito ruim pra mim, é muito cansativo e chato administrar tudo, então estou (desesperadamente) buscando uma gravadora para cuidar de minha carreira!” Dando sequência à conversa costumo perguntar sobre a agenda do artista e a resposta costuma seguir um certo padrão. “Está excelente! Não consigo atender à metade dos convites que eu tenho. Estou viajando nos quatro cantos deste planeta (nunca entendi essa expressão sendo a Terra redonda) … Tá uma loucura!” 

De forma bastante direta e franca, se realmente você é um tipo de artista independente que sobrevive (e bem) com sua agenda e venda de produtos, então não há do que se preocupar e desesperar. Jamais almeje algo que você não poderá atender. Então por que se você já não tem espaço na agenda ainda pretende viajar mais ou se tornar ainda mais famoso? Não é todo artista gospel que necessariamente precisa figurar no cast de uma gravadora de grande porte. O que você deve é organizar sua carreira, adequar-se às demandas do mercado e principalmente planejar sua vida para os próximos anos. Existem muitos artistas que não fazem atualmente ou mesmo nunca fizeram parte do cast de uma gravadora que conseguem ter uma vida intensa, de sucesso financeiro, reconhecimento ministerial e carreira sólida. Posso citar para ilustrar essa afirmação o queridíssimo Asaph Borba. Se formos listar os 10 artistas mais relevantes no jet set gospel, certamente o Asaph não estará nesta lista. Talvez na lista dos 20 também … mas o Asaph é um dos poucos artistas brasileiros do mundo gospel com uma carreira sólida internacionalmente. Suas canções mais recentes não estão no playlist das principais rádios Fms do Brasil, mas ele não passa mais de 2 anos sem lançar um projeto inédito. Ou seja, com uma organização, visão clara do seu chamado ministerial e principalmente, bastante humildade e disposição, Asaph Borba está há mais de 30 anos na estrada, vivendo de música gospel e da pregação da Palavra sem maiores solavancos.

Há uns dois anos atrás recebi uma mensagem desesperada de uma cantora que havia anos tentava ingressar numa gravadora. Ela relatava que aquela seria sua última tentativa junto às gravadoras. Com muita frieza e sinceridade, disse-lhe que havia muitas outras artistas com maiores chances de chamar a atenção de uma gravadora do que ela. Completei ainda afirmando de que tempo de estrada não significa melhoria ou potencialização do talento. O talento é natural e pode ser aprimorado com estudos e experiência, mas antes de tudo, ele era algo inerente à pessoa. Expliquei-lhe que entrar numa gravadora não significaria que ela passaria a um novo patamar artístico. Talvez aquilo fosse até ruim para sua carreira, pois a concorrência interna de uma gravadora é tão grande como fora dela. Sugeri-lhe que reorganizasse sua vida e carreira partindo do princípio de que seguiria numa carreira independente. Durante a Expo Cristã reencontrei essa mesma artista. Semblante leve, bem vestida, muito simpática, a agora animada cantora me disse que estava super feliz com sua vida depois de ter mudado de foco. Hoje ela tem uma pequena estrutura de apoio à carreira, mantém uma intensa agenda de eventos pelo país e que em breve lançaria mais um novo trabalho.

Ela não mudou em nada seu estilo musical, apenas mudou de foco e entendeu que ter uma vida de artista independente também tem seus benefícios. Simples assim!

Agora, digamos que você realmente tem como objetivo investir na sua carreira e num futuro, quem sabe, chamar a atenção de uma gravadora de grande porte. Então você deve trabalhar como se nunca pretendesse justamente ingressar numa gravadora. Não se iluda! Gravadora alguma irá interessar-se por seu trabalho se você já não tiver alguma relevância no mercado! Você precisa fazer a diferença para destacar-se da concorrência e isso se faz apenas trabalhando com qualidade, independente de fazer parte do cast de uma empresa. Então, você precisa investir na sua carreira. Na qualidade da produção do seu CD ou DVD. Precisa manter contato permanente com as mídias. Precisa ter uma agenda intensa de apresentações. Precisa ter muito critério na seleção do repertório e na escolha dos músicos e, principalmente do produtor musical. Precisa investir num clipe e postá-lo na web. Precisa saber utilizar-se das ferramentas tecnológicas, principalmente nas redes sociais. Enfim, você precisa trabalhar! Precisa focar sua carreira! E aí … quem sabe? Até uma gravadora poderá interessar-se por seu trabalho.

 

E imaginemos que você atingiu o Nirvana … ou seja, chamou a atenção do A&R de uma gravadora e foi contratado! Wow! Que maravilha! Acertou na mega-sena! … Nada disso! Tudo o que você já fazia como independente, a partir de agora você terá que se empenhar ainda mais! Não imagine que sua gravadora irá fazer tudo que você fazia antes! Não mesmo! A partir de agora você terá que caminhar ao lado da gravadora apoiando-a nas ações de marketing, promoção e divulgação. Atenção! Eu disse “caminhar ao lado” e não, “ficar sentado enquanto eles trabalham!”. Este é um erro muito comum com artistas que ingressam numa gravadora. Principalmente os novatos!

O que eu quero frisar com este texto é que o trabalho nunca pára! Nunca mesmo! Estou cansado de ver grandes nomes do meio gospel reclamando da gravadora numa cantilena sem fim, mas que sequer atualizam seus próprios sites. Uns (cúmulo dos cúmulos) sequer possuem site oficial ou utilizam-se das redes sociais! Isso é o fim! O tempo do paternalismo (se é que existiu tempos atrás!) simplesmente acabou! Hoje o mote é “arregaçar as mangas e vamos JUNTOS trabalhar!” A realidade do mercado fonográfico é completamente diferente de 5 anos atrás e a tendência é de que nos próximos 2 anos, especialmente no Brasil, seja totalmente diferente do que é hoje! Fiquem atentos a estas palavras! Não digo isso como “puxão de orelhas”, mas como alerta de que os números do passado, principalmente em termos de vendas, jamais voltarão no presente ou no futuro!

Então, já finalizando meu texto, gostaria de incentivá-lo a levar a sério sua carreira, seja ela independente ou vinculada à uma gravadora. Trabalhe sempre com a mentalidade e postura de artista independente. Se você tem uma gravadora ao lado, continue trabalhando como independente e una seus esforços em prol de um bem comum. Jamais transfira suas responsabilidades para sua gravadora! Pense nisso!

P.S. – Para quem ficou curioso em saber o que significava a expressão “JACI” citada no texto sobre a relação entre Fã-Clubes e gravadoras … informo que “JACI” significa “ser que tem o terrível e inconveniente hábito de interferir em assuntos alheios, também conhecido como JACI meteu” … Hummm

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, peladeiro de fins de semana e mais novo torcedor do Figueirense.

Dias atrás tive a agradabilíssima experiência de visitar a sede da empresa Achou Gospel na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. A Achou Gospel é uma das mais, se não a mais, importantes agências de management de artistas do meio gospel. E em meio a conversas, muitos causos, troca de experiências e acima de tudo, um bom papo descontraído com os dois sócios da empresa, Eduardo Custódio e seu irmão Fabinho, começamos a comentar sobre erros e acertos de alguns artistas ao longo de suas trajetórias.

Vivendo, todos os três interlocutores, 24 horas próximo ao cotidiano de artistas, seria mais do que natural de que esse tipo de conversa surgisse em meio a de tantos outros assuntos. E aí, no meio do bom papo, Fabinho me perguntou se haveria uma guia para o sucesso ou algo do tipo. Num relance respondi-o que não deveria existir um manual, um guia para o sucesso, mas que certamente haveria uma série de regras elementares para o fracasso. E foi com esse insight que começo a mais uma escrever um texto para nosso blog que a cada dia vem tornando-se mais e mais relevante no meio gospel.

Efetivamente não há regra para o sucesso. Se houvesse, não teríamos tantos artistas talentosos sem alcançar o merecido Olimpo em suas carreiras.

Bastaria apenas seguir criteriosamente cada quesito do manual do sucesso e em questão de pouco tempo, a glória, a fama, a pompa e tudo mais, seriam alcançados! Mas em contrapartida, entendo que há um conjunto de ações e regras que possibilitam o fracasso, ostracismo, decepção e infortúnio. Como dizem na linguagem popular: “É tiro e queda! Funciona que é uma beleza!”

Então, se você pretende errar fragorosamente em sua carreira artística ou mesmo fechar todas as portas para o sucesso, então anote e pratique com máximo afinco cada uma destas dicas que elencaremos na sequência. É importante frisar que para você alcançar os objetivos do insucesso você deverá ter muito foco, determinação, disposição e principalmente perseverança!

Uma das principais regras para o insucesso, sem dúvida, é a auto-imagem. Sim! Você precisa ter uma excelente imagem de seu talento, de seu perfil, de sua categoria e principalmente de sua absoluta superioridade acima de todos os demais artistas do universo. Você é demais! A música, na verdade, se divide entre antes e depois de você nascer, nascer não! De você estrear e abrilhantar o mundo com seu carisma e genialidade! Você é o máximo! Simplesmente não há nada que se compare a você!

Assim bem como você está léguas à frente de todos os demais, é importante também frisar que não há mais nada que você precisa aprender para desenvolver seu talento ou conhecimentos. Você é a pessoa mais inteligente que há no mercado! Você realmente sabe de tudo! Marketing, produção musical designer gráfico, publicidade, jornalismo, expressão corporal, astronomia, cinema, literatura, composição, xadrez, moda, filosofia, culinária, psicologia, teologia, física quântica, engenharia mecatrônica … nada!

Absolutamente nada escapa ao seu intelecto de personalidade super dotada! Então, saiba que você sabe tudo e não precisa de ninguém para ensiná- la o que fazer!

Seguindo o conceito do “eu me basto!”, você jamais, nunca, em tempo algum, deve permitir que um mero produtorzinho que tenha ganho alguns prêmios por aí assuma o controle de sua obra musical! Quem além de você poderá entender toda sua genialidade?

Difícil hein?!?!? O certo é que você jamais busque ajuda externa em seus projetos musicais. Nunca deixe que um profissional diga o que você deve ou não gravar! E, caso você tenha algum produtor que consiga atender sua necessidade, mantenha-o ao seu lado nos próximos 30 anos. Nem pense em trocar de produtor, afinal todos sabemos que “em time que se está ganhando não se pode mexer!” (mais um ditado! Que falta de criatividade!) O ideal mesmo é você sempre se auto-produzir! Além de mais econômico, te poupará de ficar negociando o que é inegociável, ou seja, a sua opinião!

Uma outra dica importante para que você alcance plenamente o insucesso é jamais ousar! Pra que ficar inventando moda se todo mundo quer ouvir a mesma coisa? Nada de novidades! Apenas repita as fórmulas de sucesso que pululam nas programações das rádios pelo país. Se a moda é falar de perseguição e humilhação, então faça um repertório recheado de canções que contem histórias de pessoas ultrajadas, açoitadas, constrangidas, amarguradas, pisoteadas, amordaçadas, que comiam marmita fria e coisas do tipo. Se a moda for “voar sobre as nuvens”, então prepare sua roupinha de superman e saia por aí voando pela fé, saracoteando em cima do mar ao lado de anjos, querubins, serafins, severinos e arcanjos! O importante é sempre seguir as tendências, principalmente se estas tornaram-se sucesso nos últimos 5 anos!

Não acredite nos profetas do futuro! Essa história de que a web e a tecnologia são o futuro do mundo são “histórias para boi dormir!”(mais um ditado, eita!) e você com um ser supremo jamais irá acreditar nisso, certo? Mantenha-se umbilicalmente ligado às tradições! Não invista em um site próprio, atualizado, cheio de ferramentas e novidades. Tenha apenas um aparelho de fax, nem mesmo um computador, nada disso! Outra dica que vale a pena: não perca seu tempo investindo em redes sociais, isso é coisa de gente mexeriqueira e sem ter o que fazer! Esconda-se do público! Mantenha-se no melhor estilo “eremita das cavernas” e jamais caia na tentação de contratar uma assessoria de imprensa. Mais uma vez: quem melhor do que você para falar de si? Então não invista em nada além! O seu talento e carisma são suficientes para sua carreira!

Com relação aos músicos, nunca pense em montar uma banda de apoio! Você e seu playback a tira colo são mais do que suficientes! Imagina você ter que aturar aqueles músicos com suas manias!?!?!

E como eles comem não? Parece um bando de famélicos somalis atacando os lanches após cada apresentação nas igrejas e eventos! Ô que povinho!

O ideal é você ter apenas o bom e velho playback do lado. Playback no CD mesmo, nada de computador ou outra traquitana mais moderna. Se o CD pular, você começa a falar, profetizar … enrolar a platéia até que um novo playback surja nas mãos do sonoplasta.

Mais uma vez quero reforçar a dica! Não creia em profissionais! Eles querem apenas tungar oseu suado dinheirinho! Não contrate assessor de imprensa, manager, fonoaudiólogo, web designer, fotógrafo ou qualquer outro consultor.

No campo dos investimentos, para que você conquiste o seu objetivo de não fazer sucesso nacarreira artística a melhor opção é direcionar seus recursos em automóveis e roupas. Como todos sabemos, automóveis são um investimento seguro, de alta liquidez e de rentabilidade absurda! Como um artista conhecido por muitas pessoas você precisa sempre preocupar-se com o que os outros pensarão de você, portanto, mesmo que o automóvel seja comprado em suaves 72 prestações com 328% de ágio, o importante é estar com um carrão do ano! E o seu guarda-roupas deve ser completíssimo!

Não esqueça-se daquele casaco de pele para aguentar as baixas temperaturas do verão brasileiro. Além do mais, o casaco de peles protegerá sua garganta de alguma lufada mais intensa de ar! Proteja-se!

Outra dica importante: procure lançar o seu CD a cada 9 a 10 meses. Hoje em dia o povo é muito volúvel né? É tão imediatista! E para atender a essa “demanda” não dê importância à escolha do repertório. Apenas se preocupe naquela canção “carro-chefe”, afinal depois que inventaram essa história de single, um CD precisa mesmo só de uma única música boa pra “puxar o trabalho”.  De preferência essa música deve ser daquele compositor que emplacou sucessos para 583 cantoras e tem que ter aquele refrão bem “chiclete”, sabe?

E a relação com o público? Ah! Isso é uma ciência que deve ser tratada com máxima atenção! Não atenda-os nunca após os eventos. Imagina?!?!

Aquelas pessoinhas suadas, querendo tirar fotos, pedindo autógrafos em qualquer pedaço de papel e que sempre tem algo super engraçado pra contar!!!

Ah! Não dá né? Procure cercar-se de seguranças mal encarados, daqueles treinados pelo BOPE, Hezbollah ou o Mossad, tanto faz! Se você é mais sofisticado e tem um produtor de palco, então oriente-o a brigar com toda a equipe de produção local. Que ele coloque esses seres inferiores no lugarzinho deles!

Atender ao conselho de pastores, prefeito ou mesmo à filha do empresário que pagou tudo, nem pensar! Que eles te assistam na área VIP que já está bom demais!

Povinho no seu devido lugar e você , o TOP of TOP do Show Business Gospel, devidamente isolado em uma distância segura!

Se você é chique e tem um assessor para agenda. Oriente-o da seguinte forma: marque 3 compromissos num mesmo dia. Atenda o telefone apenas quando realmente não tiver mais nada a fazer. Pergunte logo sobre quanto será o cachê! Nada de “oferta de amor”. Pagamento só com 6 meses de adiantamento! Num primeiro contato, finja que a agenda está lotada! Especule sobre melhores cachês!

Mude de “tabela de cachê” de acordo com a “cara do cliente”. Treine-o numa escola de arte cênica. “Vá que” ele precise criar uma história de que você sofreu uma parada cardio respiratória durante um sequestro relâmpago nos dias em que você não tem a mínima vontade de trabalhar, isso sempre funciona!

Outra importante dica é seguir os conceitos de uma pseudo-celebridade-casada-com-alguém-realmente- famoso que proclamou uma releitura da Bíblia onde esta, descarta a necessidade de se frequentar uma igreja. Na verdade, por que ir à igreja? Por que ficar sentada no meio da platéia se o seu lugar é sempre o palco? Por que sujeitar-se aos puxões de orelha de um pastorzinho? Por que abrir mão de algumas horas de descanso para assistir cultos ou pregações?

Já estou prestes a aterrissar em mais um vôo e com isso vou me despedindo por aqui. Imagino que se você realmente pretende se esforçar para alcançar o insucesso, estas dicas que listamos acima, irão contribuir positivamente para alcançar seus objetivos. É óbvio que outras ações de auto-sabotagem podem ser incluídas neste nosso manual que não tem a mínima pretensão de ser um tratado definitivo, afinal, sabemos que a raça humana é pródiga em novas conquistas e superação. Feliz insucesso!

Mauricio Soares, blogueiro, colecionador de miniaturas de bicicletas e de casos espetaculares no meio artístico gospel tupiniquim.

O crescimento da música gospel nos últimos anos trouxe uma série de mudanças. Muitas das quais absolutamente impensadas anos atrás. Não precisando voltar muitos anos no Túnel do Tempo (para aqueles acima de 40 anos, como esse blogueiro, a lembrança do seriado de TV em preto e branco é inevitável!) podemos lembrar que algumas palavras como “Cachê”, “Show” ou mesmo “Artista” eram sinônimos de secularismo, profano ou algo do tipo. Mas nenhuma palavra ou expressão era mais assustadoramente combatida do que a diminuta “fã”. Sim, “fã” era uma palavra que remetia imediatamente à origem “fanatismo”, algo completamente inaceitável nas hostes evangélicas. No reino do eufemismo e do evangelicamente correto, o mais aceitável era apenas dizer que fulano de tal era um admirador do artista‘ (ops! Ato falho … levita, cantor ou cantora!).

E aí, dentre as mudanças de comportamento e da cultura da música evangélica do século 21, nos deparamos com o surgimento de Fã-Clubes de artistas de música gospel. É interessante ver como esse comportamento vem sendo disseminado de norte a sul do país e muitas das vezes reparamos um movimento bastante radical na defesa de suas artistas de preferência. Uso o termo no gênero feminino porque ainda são mais raros os Fã-Clubes – apesar de também existirem – de cantores no universo gospel brazuca.

Em tempo de redes sociais, as informações e as relações humanas se intensificaram como nunca antes na história desse planeta. Hoje você pode manter uma “amizade” com alguém no Alasca sem que nunca tenha sequer visto essa pessoa em carne e osso. E é justamente neste ambiente web onde tem se desenvolvido boa parte deste fenômeno. Comunidades, blogs, twitters, sites especializados e farto material e informação sobre os artistas tornam-se cada vez mais acessíveis.

Entendendo que essa admiração e carinho jamais poderão extrapolar o  bom senso e principalmente os conceitos ético-cristãos, enumerei algumas dicas e ações que essa turminha, em sua grande maioria formada por adolescentes no auge da explosão hormonal, podem desenvolver de forma positiva para seus artistas.

1)                Mobilize seus amigos para mutirões de contato com as mídias locais. Um dos maiores indicativos para que uma determinada música seja executada numa rádio é a quantidade de ligações de ouvintes solicitando pela mesma. Se uma música não é pedida pelos ouvintes, naturalmente deixará de ser executada na rádio. Então, liste as principais emissoras de sua rádio e crie uma campanha para pedir a música de sua artista nas rádios locais.

2)                Crie um blog ou site informativo da artista. Se este espaço se tornar uma fonte importante de notícias, naturalmente o blog ou site será uma referência importante sobre os projetos, carreiras e novidades da artista. Mantenha esse espaço sempre atualizado. Cuidado para não criar um Frankenstein, capriche no visual do site. Lembre-se que ele é um portal de divulgação de sua artista. Cuide da imagem dela ou dele!

3)                Crie contas personalizadas nas redes sociais. Não utilize esse espaço para comentar coisas pessoais, apenas assuntos relacionados ao artista em questão ou ao site, blog. Também não faça deste espaço uma trincheira atacando todos seus opositores. Paz esteja convosco!

4)                Não procure polemizar com outros fã-clubes! Cada um acha o seu artista o supra sumo da música gospel mundial, quiçá interplanetária, a última bolacha do pacote … então respeite a loucura do próximo! Você também é meio doido! Saiba disso!

5)                Ajude a divulgar eventos da agenda de sua artista. Se possível, até marque presença nos eventos. Aproveite e tire uma foto de recordação rostinho colado com sua artista!

6)                Não confunda admiração com amizade, intimidade ou falta de respeito! O artista tem e deve ter sua vida privada! Não ultrapasse os limites da boa convivência! O artista deve respeitar seus admiradores, mas não tem que aturar todo tipo de inconveniência, lembre-se disso! Como nos pára-choques de caminhão e ônibus: mantenha a distância segura!

7)                Não seja o chato de plantão repetindo sempre a mesma ladainha! Todos sabemos da sua admiração pelo artista, mas não precisa achar que até a desafinação do artista incensado é um atributo especial! Não fique repetindo como um mantra que seu artista é isso ou aquilo … ok?

8)                Seu artista é humano, sabia? Coelhinho da Páscoa e nem Papai Noel não existem, ok? Então saiba também que seu artista tem falhas, tem dias ruins, tem discos ruins, tem TPM e coisas que qualquer ser humano (sim, os artistas são humanos!) passa um dia!

9)                Jamais cobre da gravadora de seu artista por mais atenção! Esta relação é restrita entre o artista e sua gravadora. Se o artista entender que algo precisa ser corrigido, deve buscar contato com sua gravadora. Não dê uma de “JACI,” certo? Ah! Não sabe o que é “JACI”… um dia eu conto!

10)          Cada gravadora tem o tempo de lançamento e divulgação de cada artista/projeto. Mesmo sendo um fã ardoroso, você precisa entender que de repente naquele momento sua artista não é a prioridade de divulgação da empresa. Certamente no lançamento do seu projeto, sua artista terá todos os holofotes da empresa.  Então respire fundo e espere o tempo certo para ver a gravadora divulgando sua artista!

11)          Nunca exagere no carinho e admiração por seu artista. Lembre-se que ninguém deve ser mais importante do que seus amigos, familiares, você mesmo e, claro, Jesus Cristo. Nada deve substituir nosso amor, relacionamento e admiração por aquele que é o único merecedor de toda nossa atenção!

 

Mauricio Soares, blogueiro, torcedor do Fluminense, publicitário e fã de cinema, boa comida e de uma boa viagem em família.

Existem algumas “regras” que ninguém sabe porque ou por quem foram impostas, mas como ninguém tem coragem de perguntar ou questionar, simplesmente se tornam hábitos, leis e padrões que regem uma série de questões.

Alguém pode me dizer quem foi que estabeleceu que um álbum tem que ter 14 faixas? Alguém pode me dizer porque todo DVD tem que ter uma participação especial? Alguém pode me dizer porque atualmente todo CD Pentecostal tem que ter uma música do “humilhado, perseguido que agora está na crista da onda”? É impressionante como cantor gospel tem inimigos, não é mesmo? Ah! Mas isso será tema de um outro texto numa oportunidade mais à frente.

A questão que quero discutir a partir de agora é sobre essas fórmulas pré-estabelecidas de sucesso que grande parte dos artistas seguem de forma cega e que muitas das vezes acarretam em desastres cinematográficos, além de perda de dinheiro tempo e muita frustração.

Uma das questões que vira e mexe acabo discutindo com os artistas tem a ver com a quantidade de faixas de um CD. Pra começo de conversa, não há número ideal de faixas. O que importa de verdade é se as faixas ali contidas têm ou não qualidade. Não importa se são 9, 12, 14 ou 20 canções! O que vale a pena mesmo, é se esta quantidade de faixas é composta por canções de qualidade, que sejam relevantes dentro de um repertório.

Mas se tivermos que estabelecer uma quantidade ideal, na minha sincera opinião, o melhor é que cada CD contenha entre 10 a 12 faixas. Ih! Olha eu aí inventando uma regra! Não! Não é regra, é só uma preferência mesmo! Mas mesmo neste número, mais uma vez repito, o correto é que as músicas mereçam estar nesse seleto grupo de canções.

Outra regra estranha que me deparo vez ou outra tem a ver com a presença de músicas deste ou daquele compositor. Acho muito interessante essa obrigação de incluir no repertório uma música de um determinado compositor como se naquele simples ato fosse carimbado, rotulado um selo de qualidade ISO 9007. Quando um artista começa a falar de seu CD dando ênfase na lista de compositores é porque nem ele mesmo crê na qualidade e potencial de seu próprio trabalho!

Mais uma vez! A música precisa ser relevante para entrar num repertório! Não há como incluir uma determinada canção apenas pelo “pistolão” de quem a assina. Esta dica vai especialmente para artistas iniciantes e independentes, pois há muito compositor de “sucesso” cobrando por músicas, o que por si só é errado! Mas além disso, estes compositores acabam entregando a estes artistas independentes apenas músicas que não foram aproveitadas pelos medalhões do mercado. Valorize-se!

Assim como há uma indústria de compositores com pedigree, há também uma classe de profissionais que se beneficia por alguns projetos de sucesso e qualidade e que acabam formando uma imagem positiva. Estou falando dos designers! Muita atenção para os designers que criam uma imagem TOP no mercado atendendo aos grandes nomes do cenário gospel, pois em muitas oportunidades, o grande profissional apenas assina o projeto deixando todo o processo de trabalho por conta de estagiários e iniciantes. Então, observe atentamente o resultado do trabalho deste profissional junto a outros artistas do seu mesmo nível e confira se o atendimento foi à altura das expectativas.

Lembre-se de que um designer badalado e incensado não garante o sucesso do seu projeto!

Por fim, tentando eliminar as regras irrevogáveis para que um projeto musical seja um sucesso, você não precisa ser produzido por aquele mesmo produtor que atende à pop star do meio gospel. Cada projeto é fruto de uma série de fatores que juntos e bem coordenados trouxeram um resultado satisfatório. A escolha do produtor é um dos fatores mais importantes para o sucesso de um CD, mas ele por si só não garante nada!

Da mesma forma, que o compositor ou o designer de sucesso não garantem os resultados positivos, não há regra que estabeleça que um produtor super premiado também garanta o sucesso de um artista e sua produção musical.

Neste texto estou tentando mostrar aos 44 leitores do Observatório Cristão que devemos eliminar as regras pétreas para o sucesso de um CD ou projeto artístico. Na verdade, o que quero dizer é que não há uma regra cartesiana para que se alcance o sucesso. A escolha de um bom profissional é o início de um bom projeto, mas em nenhum momento ele substituirá sua sensibilidade, seu talento ou principalmente sua vocação (vale a pena um texto publicado dias atrás sobre este assunto).

Principalmente, o quero frisar neste despretensioso texto é que a criação artística não é limitada por regras. Não estamos falando de algo matemático ou racional. Estamos falando de arte, de sensibilidade, de criatividade. Então, liberte-se de regras! Mas ligue-se nas tendências. Fuja dos pacotes fechados! Mas esteja atendendo às novidades. Corra das vãs repetições! Permita-se inovar. E mesmo na escolha dos parceiros de seu projeto, opte pelos grandes profissionais, mas não transfira a eles a responsabilidade pelo seu sucesso!

Mas o título não aponta 5 regras? Acho que falamos apenas de 4 regras … Hummm, então a 5a regra pode ser: “Nunca acredite piamente num título de texto do Observatório Cristão!” pronto! Assim temos as 5 regras … Siga em frente e viva sua vida com muita alegria! Até o próximo texto!

 

Mauricio Soares, blogueiro, publicitário, alguém que ainda hoje tenta surpreender e se fazer surpreender com coisas novas e de qualidade. Vale a pena sempre tentar se superar!

 

 

Recém-lançado nas principais salas de cinema pelo país, o filme “O Palhaço” roteirizado, dirigido e interpretado por Selton Melo é uma história simples que de tão bem contada se torna algo muito especial. A base de tudo desta história magistralmente bem apresentada tem a ver com a vida de um palhaço que imagina simplesmente ter perdido sua graça. E o que é um palhaço sem graça?

Na verdade, o caráter do filme é bem mais existencial. Trata-se de um momento na vida em que praticamente todo profissional repensa sua trajetória, objetivos, performance e disposição de prosseguir na carreira.

Confesso que já passei por esta fase muitas e muitas vezes! Acho que, na verdade, continuo tendo estes momentos de reavaliação em ciclos bastante periódicos nos últimos 5 anos. Como profissional de marketing muitas possibilidades se abrem para mim em diferentes áreas de negócios, pois esta é uma área bastante presente, seja na indústria fonográfica, editorial, farmacêutica, esportiva, enfim, o marketing está presente em quase todas as atividades. Mas por diferentes formas de avaliação, tenho optado por continuar no mercado fonográfico. Não posso dizer que isso é como uma “cachaça” pra mim porque não pus um pingo da ‘marvada’ na goela, mas que eu amo estar nesse mercado, ah! Isso é a mais pura verdade!

Não querendo transformar esse texto numa auto-análise, foco a partir de agora num outro personagem, na verdade, alguém que vira e mexe está presente em meu dia-a-dia e, em especial, em meus textos deste espaço blogueiro: artistas e profissionais da música.

Da mesma forma que o personagem do filme parou para reavaliar sua vida, imagino que muita gente deva proceder de igual forma. Adaptando ao nosso ambiente musical, quantos e quantos produtores não precisam dar um tempo em suas rotinas estressantes com arranjos, instrumentos, cronogramas e cobranças?

Além da análise pessoal, cabe aqui uma análise profunda da questão profissional. Não só devemos analisar se o que estamos fazendo nos traz alegrias como também se o que fazemos estamos desempenhando da melhor forma! Isso é muito importante! Devemos nos esforçar ao máximo para obter crescimento pessoal e profissional e nunca cair na mesmice inercial do dia-a-dia.

Estou cansado de ver grandes profissionais do mercado artístico trabalhando no “automático”, simplesmente repetindo algumas fórmulas que deram certo no passado. Ou ainda, outros que se perpetuam por projetos vitoriosos de anos atrás. Para ilustrar e enriquecer mais essa crítica, recordo-me de um produtor musical que durante anos conseguiu realizar excelentes projetos com alguns dos mais relevantes nomes do cenário artístico evangélico. O jovem produtor ia ao exterior pelo menos 2 a 3 vezes por ano simplesmente para se inteirar das novidades por lá. Aí vieram os primeiros prêmios, o sucesso, as tentações, a fama, a unanimidade, enfim, o que seria uma bênção acabou transformando-se num problema, afetando inclusive sua vida pessoal.

E então começaram a surgir muitos convites de produção, não somente de grandes nomes, mas de artistas independentes que viam na assinatura do produtor, uma espécie de pedigree para seus trabalhos. E resumindo a história, no afã de pegar vários projetos e aumentar seus rendimentos, o produtor foi se enrolando, enrolando (…) até o ponto de passar a atrasar seus projetos, a ter problemas com os artista, chegando ao ponto da qualidade de seus projetos simplesmente decair num nível assustador!

E a esta história do produtor posso incluir também vários artistas que encontraram um fórmula de sucesso e depois de um tempo, passaram a plagiar-se a si mesmo. Ou seja, não progrediram, não se reinventaram, não buscaram novos caminhos, simplesmente seguiram com o conceito de que “em time que está ganhando não se mexe”, mas nem sempre esse ditado se aplica à vida, em especial, na carreira artística onde criatividade é a mola propulsora de tudo!

Ao longo destes meus 20 e poucos anos de profissão, já tive vários momentos de avaliação de minha vida. Já tive momentos (não raros) em que pensei largar o mercado fonográfico para atuar junto à área de tecnologia. Já tive momentos em que avaliei convites para trabalhar na área de veículos de comunicação. Em algumas oportunidades, a idéia de abrir um negócio próprio ou mesmo seguir com consultoria, também se mostraram presentes em minha mente.

Em todas estas oportunidades, as perguntas que me faço são: Eu ainda sou importante para o mercado? Ainda posso contribuir para melhorar alguma coisa neste mercado? Tenho prazer em fazer as coisas que tenho feito? De que forma eu ainda posso aprender e melhorar como pessoa e profissional mantendo-me neste mercado?

Por enquanto tenho encontrado respostas que me incentivam a continuar nesta trajetória. Uma das questões que me incentivam a manter-me, sem dúvida, é a certeza de que posso ainda contribuir bastante para a melhoria deste mercado e também que tenho ainda muito a aprender e a ensinar. Ser relevante é algo que me impulsiona e motiva.

Sinceramente espero que os profissionais que atuam neste mercado, com tanto potencial e de tantas oportunidades, possam ter um momento de reavaliação de suas vidas e momento profissional. Precisamos ter um upgrade em nosso meio para que as mudanças sejam reais, intensas e profundas e isto só conseguiremos alcançar se houver uma nova forma de trabalhar, de criar, de produzir, de se expressar. Livrem-se do “piloto automático” e reinventem-se! Todos nós agradecemos! Comece esse momento especial, assistindo ao filme “O Palhaço”. Cinema sempre é uma excelente opção de lazer!

P.S. – Depois de quase dois anos fazendo parte da equipe do Observatório Cristão, nosso nobre, exótico, psicodélico e bom de papo, amigo Carlos André, reavaliou sua vida e decidiu por dar um tempo na participação deste projeto. Agradecemos imensamente à colaboração deste personagem tão diferenciado do mundinho do design e esperamos contar com suas prestigiosas participações com textos, opiniões e críticas em outras oportunidades. Carlos, valeu! Vamos que vamos!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista e só.

Horas antes de começar a gravação do DVD da cantora Damares realizado no dia 22 de outubro na belíssima cidade de São Sebastião, fui convidado juntamente com a própria artista e a cantora Brenda a participar do Café da Manhã de Pastores da região. O evento contou com a presença do Prefeito da cidade, vários secretários de diferentes áreas da Prefeitura, cerca de 150 pastores e a mídia local. Quando cheguei acompanhado da Damares e seu esposo, Brenda já tinha se apresentado e naquele momento começava a palavra do Pr. Carlos Alberto Bezerra, fundador da Comunidade da Graça em São Paulo, autor de livros, palestrante, entre outras atribuições.

Com minha cabeça totalmente voltada para a gravação e não querendo tirar o foco da cantora que logo mais faria um projeto grandioso, fiquei apreensivo ao ver que a palestra estaria naquele momento apenas começando. Sentei-me e passei a ouvir a mensagem, mas confesso, que meu foco naquele instante era apenas correr para o local de gravação e ver os últimos detalhes. A cantora Damares e seu esposo sentaram-se na fileira de poltronas à minha frente. Já imaginava que mais uns minutos ela me perguntaria se poderíamos ir embora, afinal a prioridade naquele dia seria a gravação do DVD.

O Pastor Carlos Alberto é uma daquelas pessoas que nos conquista em pouquíssimos momentos de conversa. De fala mansa, raciocínio rápido e eloquente, estávamos de frente a um pregador diferente do que vemos nos dias de hoje com tantos chavões, gritos, sacudir de braços e pernas, frases de efeito e coisas do tipo. Ao perceber que a dupla à minha frente estava ouvindo atentamente à palavra, resolvi relaxar e curtir cada momento daquela palestra.

Num determinado instante, o palestrante contou a história da ordenação de um jovem pastor. O seu pai, empresário bem sucedido comentou com o Pastor Carlos Alberto que preferiria que seu filho seguisse uma outra carreira que não a de pastor. Disse que vislumbrava uma vida diferente para ele com muito mais conforto e segurança econômica. O Pastor ouviu as lamúrias paternais e disse que realmente a vida de um pastor, de um cristão em geral, não é de facilidades, mas sim de perseguições, dificuldades, tristezas e decepções e que deveríamos compreender esta situação. Esta ilustração serviu para que o preletor pudesse falar aos ouvintes, em sua grande maioria, pastores e líderes, sobre a verdadeira vocação do pastor.

Naquele momento percebi o cuidado de Deus sobre a minha vida e da Damares, em especial. Precisávamos parar todos os nossos afazeres para ouvir justamente aquela mensagem. Precisamos deixar toda a insegurança, ansiedade, preocupações e incertezas para ouvir uma Palavra que nos traria paz, segurança, confiança e certeza da vitória. O Pastor deu vários exemplos sobre a verdadeira vocação do líder cristão. Sobre quais as características do líder vocacionado e, ainda, quais as responsabilidades à frente de seu rebanho.

Na mesma hora comecei a fazer um paralelo entre a vocação de um líder religioso para a vocação de um artista cristão. E é a partir desta comparação que gostaria de dissecar um pouco mais sobre o tema do post de hoje. Começo com uma indagação: “Você realmente tem noção do que é ser vocacionado para ser um artista cristão?”

Um artista cristão deve ter vocação para trabalhar! Afinal temos toda uma nação para apresentar a Palavra de Deus, não é mesmo? Se você não tem disposição para viajar quilômetros e mais quilômetros, seja de avião, balsa, teco-teco, Kombi, ônibus, bicicleta ou de cantar para 10, 15 pessoas numa igreja pequena de periferia, então você não está vocacionado a seguir nesta estrada. Principalmente artistas iniciantes devem entender que há trabalho todo o dia e ele deve ser enfrentado com galhardia! Artista que escolhe evento para poupar seu corpinho do cansaço, efetivamente não tem vocação para a maratona artística!

Um artista cristão deve ter vocação para falar com pessoas! Se você é daquele tipo que tem alergia em falar com pessoas porque imagina que pode pegar uma doença ou coisas do gênero, não poderá ser um artista. O artista, seja ele cristão ou não, tem que se relacionar com pessoas. Tem que tirar fotos, tem que atender as pessoas, mesmo que após 3 horas de evento! Tem que ser acessível, ainda mais em tempo de redes sociais. Tem que ser educado, solícito, simpático e tudo isso, de forma o mais natural possível! Se você é daquele que gosta de subir no palco e mostrar-se simpático, mas ao fim do evento, sai correndo para o camarim ou para a van que já o aguarda de motor ligado prestes a zarpar, então você não tem vocação para ser artista. Que tal tentar uma carreira de analista de pesquisas trancafiado numa sala hermeticamente fechada por 8 horas diárias?

Um artista cristão deve ter vocação para trabalhar na sua comunidade local! Se você pretende ganhar as nações, ser um cantor com compromissos no Gabão, no Principado de Mônaco, nos Estados Unidos ou na Argentina, ou ainda, viver na rotina estressante de vôos e aeroportos, mas não dá tempo para sua igreja local, então fique alerta! Certamente você não tem vocação para ser um artista cristão. Afinal, antes de ser um super astro pop incensado pelas multidões, você deve dedicar tempo, atenção e seu talento para sua igreja local, para sua comunidade.

Um artista cristão deve ter vocação para se sujeitar ao seu líder! Assim como não existe ser apolítico, não há pessoa equilibrada sem liderança, sem exemplos, sem mentores. No nosso caso específico, não há ovelha sem pastor. Se você é um artista que pretende dar suas saracoteadas pelo planeta sem a cobertura ou a liderança de um pastor, então saiba que você não tem vocação para ser um artista cristão. Porque um verdadeiro e vocacionado artista cristão deve saber se sujeitar aos ‘puxões de orelha’, conselhos e acertos de rota propostos por seu líder que o conhece intimamente. Fala Jeová!

Um artista cristão deve ter vocação para entender que a glória é só dEle! Muito além do discurso evangelicamente correto onde o artista grita com o peito cheio de orgulho que sua maior qualidade é ser humilde e que toda a honra e glória devem ser dadas a Deus!!!! Amém igreja?!?!?!?! Saiba que o talento foi dom dado por Deus! Saiba também que sua existência é uma vontade do Criador Supremo. Ou ainda, que basta um simples querer de Deus para que suas habilidades que você tanto fica gabando-se simplesmente desapareçam (…) então, deixe de lado sua arrogância, auto-suficiência e, num bom e surrado português, toda esta sua marra de pop star e saiba que seu talento e dons são única e exclusivamente para honrar o nome daquele que é único e digno de toda glória! A partir do momento em que você subir num palco e achar que os gritos, apupos e palmas são todos para você, saiba que você está dando uma prova cabal de que sua vocação é para ser um artista, mas não um para um artista cristão!

Um artista cristão deve ter uma vida espiritual sólida e consistente! Parece até óbvio demais, mas achei importante ressaltar e deixar essa característica no fim deste texto. Por mais incrível e surreal que possa parecer, existem vários artistas viajando de norte a sul pelo nosso país que há muito tempo não investem tempo em oração, comunhão ou mesmo na leitura da Bíblia. Nos púlpitos e palanques pelo país já tive a triste experiência de ver artistas contando piadas infames e sujas minutos antes de ministrarem e no momento em que eram chamados, transfiguravam-se em santarrões enganando as multidões. O crescimento da igreja evangélica em nosso país vem sendo acompanhado de muitas mazelas e uma que vem atingido o meio artístico gospel é justamente a ausência de espiritualidade. Temos casos constatados de artistas saindo para baladas em boates após participarem de cultos, ou ainda de artistas envolvidos em adultério, bebedeira, mentiras e outros escândalos como se isso fosse algo tranquilo.

Relembrando o que o Pastor Carlos Alberto Bezerra mencionou em sua deliciosa palestra numa manhã de sábado no Teatro Municipal em São Sebastião, ser um líder vocacionado é saber que há um alvo maior a ser alcançado. É saber que problemas, perseguições e tristezas farão parte do nosso dia a dia, mas que a recompensa maior é aquela que o Senhor Jesus nos concede, sua graça e salvação. Ser um artista cristão vocacionado é trabalhar muito, é estar debaixo da liderança de um pastor, é entender que a glória é só do Senhor, é ter uma vida reta perante os olhos de Deus. Não é algo fácil, é verdade! Então antes de você sonhar com os palcos, com as viagens, com as finanças, avalie seriamente se você tem esta vocação para seguir neste caminho.

É importante ressaltar que estes aspectos têm a ver com vocação e não com talento ou carisma! E mais, estamos falando de um artista cristão, não de um artista popular! Penso, já chegando ao fim deste texto, que se tivesse um pouco mais de tempo poderia até discorrer sobre mais alguns aspectos deste tema, mas vou terminando por aqui. Também quero deixar claro que não quero fazer nenhum juízo de valor sobre qualquer pessoa, mais do que qualquer outra pessoa, este texto se aplica a mim mesmo com suas devidas adaptações. Boa semana!

Mauricio Soares, pai, atleta de fim de semana, executivo, alguém que gosta de pessoas, que procura atender a todos com máxima atenção, um ser prático e que com o avançar da idade, alguém que detesta constatar discurso diferente da prática cotidiana.