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Mauricio Soares

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Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.

Existem algumas “regras” que ninguém sabe porque ou por quem foram impostas, mas como ninguém tem coragem de perguntar ou questionar, simplesmente se tornam hábitos, leis e padrões que regem uma série de questões.

Alguém pode me dizer quem foi que estabeleceu que um álbum tem que ter 14 faixas? Alguém pode me dizer porque todo DVD tem que ter uma participação especial? Alguém pode me dizer porque atualmente todo CD Pentecostal tem que ter uma música do “humilhado, perseguido que agora está na crista da onda”? É impressionante como cantor gospel tem inimigos, não é mesmo? Ah! Mas isso será tema de um outro texto numa oportunidade mais à frente.

A questão que quero discutir a partir de agora é sobre essas fórmulas pré-estabelecidas de sucesso que grande parte dos artistas seguem de forma cega e que muitas das vezes acarretam em desastres cinematográficos, além de perda de dinheiro tempo e muita frustração.

Uma das questões que vira e mexe acabo discutindo com os artistas tem a ver com a quantidade de faixas de um CD. Pra começo de conversa, não há número ideal de faixas. O que importa de verdade é se as faixas ali contidas têm ou não qualidade. Não importa se são 9, 12, 14 ou 20 canções! O que vale a pena mesmo, é se esta quantidade de faixas é composta por canções de qualidade, que sejam relevantes dentro de um repertório.

Mas se tivermos que estabelecer uma quantidade ideal, na minha sincera opinião, o melhor é que cada CD contenha entre 10 a 12 faixas. Ih! Olha eu aí inventando uma regra! Não! Não é regra, é só uma preferência mesmo! Mas mesmo neste número, mais uma vez repito, o correto é que as músicas mereçam estar nesse seleto grupo de canções.

Outra regra estranha que me deparo vez ou outra tem a ver com a presença de músicas deste ou daquele compositor. Acho muito interessante essa obrigação de incluir no repertório uma música de um determinado compositor como se naquele simples ato fosse carimbado, rotulado um selo de qualidade ISO 9007. Quando um artista começa a falar de seu CD dando ênfase na lista de compositores é porque nem ele mesmo crê na qualidade e potencial de seu próprio trabalho!

Mais uma vez! A música precisa ser relevante para entrar num repertório! Não há como incluir uma determinada canção apenas pelo “pistolão” de quem a assina. Esta dica vai especialmente para artistas iniciantes e independentes, pois há muito compositor de “sucesso” cobrando por músicas, o que por si só é errado! Mas além disso, estes compositores acabam entregando a estes artistas independentes apenas músicas que não foram aproveitadas pelos medalhões do mercado. Valorize-se!

Assim como há uma indústria de compositores com pedigree, há também uma classe de profissionais que se beneficia por alguns projetos de sucesso e qualidade e que acabam formando uma imagem positiva. Estou falando dos designers! Muita atenção para os designers que criam uma imagem TOP no mercado atendendo aos grandes nomes do cenário gospel, pois em muitas oportunidades, o grande profissional apenas assina o projeto deixando todo o processo de trabalho por conta de estagiários e iniciantes. Então, observe atentamente o resultado do trabalho deste profissional junto a outros artistas do seu mesmo nível e confira se o atendimento foi à altura das expectativas.

Lembre-se de que um designer badalado e incensado não garante o sucesso do seu projeto!

Por fim, tentando eliminar as regras irrevogáveis para que um projeto musical seja um sucesso, você não precisa ser produzido por aquele mesmo produtor que atende à pop star do meio gospel. Cada projeto é fruto de uma série de fatores que juntos e bem coordenados trouxeram um resultado satisfatório. A escolha do produtor é um dos fatores mais importantes para o sucesso de um CD, mas ele por si só não garante nada!

Da mesma forma, que o compositor ou o designer de sucesso não garantem os resultados positivos, não há regra que estabeleça que um produtor super premiado também garanta o sucesso de um artista e sua produção musical.

Neste texto estou tentando mostrar aos 44 leitores do Observatório Cristão que devemos eliminar as regras pétreas para o sucesso de um CD ou projeto artístico. Na verdade, o que quero dizer é que não há uma regra cartesiana para que se alcance o sucesso. A escolha de um bom profissional é o início de um bom projeto, mas em nenhum momento ele substituirá sua sensibilidade, seu talento ou principalmente sua vocação (vale a pena um texto publicado dias atrás sobre este assunto).

Principalmente, o quero frisar neste despretensioso texto é que a criação artística não é limitada por regras. Não estamos falando de algo matemático ou racional. Estamos falando de arte, de sensibilidade, de criatividade. Então, liberte-se de regras! Mas ligue-se nas tendências. Fuja dos pacotes fechados! Mas esteja atendendo às novidades. Corra das vãs repetições! Permita-se inovar. E mesmo na escolha dos parceiros de seu projeto, opte pelos grandes profissionais, mas não transfira a eles a responsabilidade pelo seu sucesso!

Mas o título não aponta 5 regras? Acho que falamos apenas de 4 regras … Hummm, então a 5a regra pode ser: “Nunca acredite piamente num título de texto do Observatório Cristão!” pronto! Assim temos as 5 regras … Siga em frente e viva sua vida com muita alegria! Até o próximo texto!

 

Mauricio Soares, blogueiro, publicitário, alguém que ainda hoje tenta surpreender e se fazer surpreender com coisas novas e de qualidade. Vale a pena sempre tentar se superar!

 

 

Recém-lançado nas principais salas de cinema pelo país, o filme “O Palhaço” roteirizado, dirigido e interpretado por Selton Melo é uma história simples que de tão bem contada se torna algo muito especial. A base de tudo desta história magistralmente bem apresentada tem a ver com a vida de um palhaço que imagina simplesmente ter perdido sua graça. E o que é um palhaço sem graça?

Na verdade, o caráter do filme é bem mais existencial. Trata-se de um momento na vida em que praticamente todo profissional repensa sua trajetória, objetivos, performance e disposição de prosseguir na carreira.

Confesso que já passei por esta fase muitas e muitas vezes! Acho que, na verdade, continuo tendo estes momentos de reavaliação em ciclos bastante periódicos nos últimos 5 anos. Como profissional de marketing muitas possibilidades se abrem para mim em diferentes áreas de negócios, pois esta é uma área bastante presente, seja na indústria fonográfica, editorial, farmacêutica, esportiva, enfim, o marketing está presente em quase todas as atividades. Mas por diferentes formas de avaliação, tenho optado por continuar no mercado fonográfico. Não posso dizer que isso é como uma “cachaça” pra mim porque não pus um pingo da ‘marvada’ na goela, mas que eu amo estar nesse mercado, ah! Isso é a mais pura verdade!

Não querendo transformar esse texto numa auto-análise, foco a partir de agora num outro personagem, na verdade, alguém que vira e mexe está presente em meu dia-a-dia e, em especial, em meus textos deste espaço blogueiro: artistas e profissionais da música.

Da mesma forma que o personagem do filme parou para reavaliar sua vida, imagino que muita gente deva proceder de igual forma. Adaptando ao nosso ambiente musical, quantos e quantos produtores não precisam dar um tempo em suas rotinas estressantes com arranjos, instrumentos, cronogramas e cobranças?

Além da análise pessoal, cabe aqui uma análise profunda da questão profissional. Não só devemos analisar se o que estamos fazendo nos traz alegrias como também se o que fazemos estamos desempenhando da melhor forma! Isso é muito importante! Devemos nos esforçar ao máximo para obter crescimento pessoal e profissional e nunca cair na mesmice inercial do dia-a-dia.

Estou cansado de ver grandes profissionais do mercado artístico trabalhando no “automático”, simplesmente repetindo algumas fórmulas que deram certo no passado. Ou ainda, outros que se perpetuam por projetos vitoriosos de anos atrás. Para ilustrar e enriquecer mais essa crítica, recordo-me de um produtor musical que durante anos conseguiu realizar excelentes projetos com alguns dos mais relevantes nomes do cenário artístico evangélico. O jovem produtor ia ao exterior pelo menos 2 a 3 vezes por ano simplesmente para se inteirar das novidades por lá. Aí vieram os primeiros prêmios, o sucesso, as tentações, a fama, a unanimidade, enfim, o que seria uma bênção acabou transformando-se num problema, afetando inclusive sua vida pessoal.

E então começaram a surgir muitos convites de produção, não somente de grandes nomes, mas de artistas independentes que viam na assinatura do produtor, uma espécie de pedigree para seus trabalhos. E resumindo a história, no afã de pegar vários projetos e aumentar seus rendimentos, o produtor foi se enrolando, enrolando (…) até o ponto de passar a atrasar seus projetos, a ter problemas com os artista, chegando ao ponto da qualidade de seus projetos simplesmente decair num nível assustador!

E a esta história do produtor posso incluir também vários artistas que encontraram um fórmula de sucesso e depois de um tempo, passaram a plagiar-se a si mesmo. Ou seja, não progrediram, não se reinventaram, não buscaram novos caminhos, simplesmente seguiram com o conceito de que “em time que está ganhando não se mexe”, mas nem sempre esse ditado se aplica à vida, em especial, na carreira artística onde criatividade é a mola propulsora de tudo!

Ao longo destes meus 20 e poucos anos de profissão, já tive vários momentos de avaliação de minha vida. Já tive momentos (não raros) em que pensei largar o mercado fonográfico para atuar junto à área de tecnologia. Já tive momentos em que avaliei convites para trabalhar na área de veículos de comunicação. Em algumas oportunidades, a idéia de abrir um negócio próprio ou mesmo seguir com consultoria, também se mostraram presentes em minha mente.

Em todas estas oportunidades, as perguntas que me faço são: Eu ainda sou importante para o mercado? Ainda posso contribuir para melhorar alguma coisa neste mercado? Tenho prazer em fazer as coisas que tenho feito? De que forma eu ainda posso aprender e melhorar como pessoa e profissional mantendo-me neste mercado?

Por enquanto tenho encontrado respostas que me incentivam a continuar nesta trajetória. Uma das questões que me incentivam a manter-me, sem dúvida, é a certeza de que posso ainda contribuir bastante para a melhoria deste mercado e também que tenho ainda muito a aprender e a ensinar. Ser relevante é algo que me impulsiona e motiva.

Sinceramente espero que os profissionais que atuam neste mercado, com tanto potencial e de tantas oportunidades, possam ter um momento de reavaliação de suas vidas e momento profissional. Precisamos ter um upgrade em nosso meio para que as mudanças sejam reais, intensas e profundas e isto só conseguiremos alcançar se houver uma nova forma de trabalhar, de criar, de produzir, de se expressar. Livrem-se do “piloto automático” e reinventem-se! Todos nós agradecemos! Comece esse momento especial, assistindo ao filme “O Palhaço”. Cinema sempre é uma excelente opção de lazer!

P.S. – Depois de quase dois anos fazendo parte da equipe do Observatório Cristão, nosso nobre, exótico, psicodélico e bom de papo, amigo Carlos André, reavaliou sua vida e decidiu por dar um tempo na participação deste projeto. Agradecemos imensamente à colaboração deste personagem tão diferenciado do mundinho do design e esperamos contar com suas prestigiosas participações com textos, opiniões e críticas em outras oportunidades. Carlos, valeu! Vamos que vamos!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista e só.

Horas antes de começar a gravação do DVD da cantora Damares realizado no dia 22 de outubro na belíssima cidade de São Sebastião, fui convidado juntamente com a própria artista e a cantora Brenda a participar do Café da Manhã de Pastores da região. O evento contou com a presença do Prefeito da cidade, vários secretários de diferentes áreas da Prefeitura, cerca de 150 pastores e a mídia local. Quando cheguei acompanhado da Damares e seu esposo, Brenda já tinha se apresentado e naquele momento começava a palavra do Pr. Carlos Alberto Bezerra, fundador da Comunidade da Graça em São Paulo, autor de livros, palestrante, entre outras atribuições.

Com minha cabeça totalmente voltada para a gravação e não querendo tirar o foco da cantora que logo mais faria um projeto grandioso, fiquei apreensivo ao ver que a palestra estaria naquele momento apenas começando. Sentei-me e passei a ouvir a mensagem, mas confesso, que meu foco naquele instante era apenas correr para o local de gravação e ver os últimos detalhes. A cantora Damares e seu esposo sentaram-se na fileira de poltronas à minha frente. Já imaginava que mais uns minutos ela me perguntaria se poderíamos ir embora, afinal a prioridade naquele dia seria a gravação do DVD.

O Pastor Carlos Alberto é uma daquelas pessoas que nos conquista em pouquíssimos momentos de conversa. De fala mansa, raciocínio rápido e eloquente, estávamos de frente a um pregador diferente do que vemos nos dias de hoje com tantos chavões, gritos, sacudir de braços e pernas, frases de efeito e coisas do tipo. Ao perceber que a dupla à minha frente estava ouvindo atentamente à palavra, resolvi relaxar e curtir cada momento daquela palestra.

Num determinado instante, o palestrante contou a história da ordenação de um jovem pastor. O seu pai, empresário bem sucedido comentou com o Pastor Carlos Alberto que preferiria que seu filho seguisse uma outra carreira que não a de pastor. Disse que vislumbrava uma vida diferente para ele com muito mais conforto e segurança econômica. O Pastor ouviu as lamúrias paternais e disse que realmente a vida de um pastor, de um cristão em geral, não é de facilidades, mas sim de perseguições, dificuldades, tristezas e decepções e que deveríamos compreender esta situação. Esta ilustração serviu para que o preletor pudesse falar aos ouvintes, em sua grande maioria, pastores e líderes, sobre a verdadeira vocação do pastor.

Naquele momento percebi o cuidado de Deus sobre a minha vida e da Damares, em especial. Precisávamos parar todos os nossos afazeres para ouvir justamente aquela mensagem. Precisamos deixar toda a insegurança, ansiedade, preocupações e incertezas para ouvir uma Palavra que nos traria paz, segurança, confiança e certeza da vitória. O Pastor deu vários exemplos sobre a verdadeira vocação do líder cristão. Sobre quais as características do líder vocacionado e, ainda, quais as responsabilidades à frente de seu rebanho.

Na mesma hora comecei a fazer um paralelo entre a vocação de um líder religioso para a vocação de um artista cristão. E é a partir desta comparação que gostaria de dissecar um pouco mais sobre o tema do post de hoje. Começo com uma indagação: “Você realmente tem noção do que é ser vocacionado para ser um artista cristão?”

Um artista cristão deve ter vocação para trabalhar! Afinal temos toda uma nação para apresentar a Palavra de Deus, não é mesmo? Se você não tem disposição para viajar quilômetros e mais quilômetros, seja de avião, balsa, teco-teco, Kombi, ônibus, bicicleta ou de cantar para 10, 15 pessoas numa igreja pequena de periferia, então você não está vocacionado a seguir nesta estrada. Principalmente artistas iniciantes devem entender que há trabalho todo o dia e ele deve ser enfrentado com galhardia! Artista que escolhe evento para poupar seu corpinho do cansaço, efetivamente não tem vocação para a maratona artística!

Um artista cristão deve ter vocação para falar com pessoas! Se você é daquele tipo que tem alergia em falar com pessoas porque imagina que pode pegar uma doença ou coisas do gênero, não poderá ser um artista. O artista, seja ele cristão ou não, tem que se relacionar com pessoas. Tem que tirar fotos, tem que atender as pessoas, mesmo que após 3 horas de evento! Tem que ser acessível, ainda mais em tempo de redes sociais. Tem que ser educado, solícito, simpático e tudo isso, de forma o mais natural possível! Se você é daquele que gosta de subir no palco e mostrar-se simpático, mas ao fim do evento, sai correndo para o camarim ou para a van que já o aguarda de motor ligado prestes a zarpar, então você não tem vocação para ser artista. Que tal tentar uma carreira de analista de pesquisas trancafiado numa sala hermeticamente fechada por 8 horas diárias?

Um artista cristão deve ter vocação para trabalhar na sua comunidade local! Se você pretende ganhar as nações, ser um cantor com compromissos no Gabão, no Principado de Mônaco, nos Estados Unidos ou na Argentina, ou ainda, viver na rotina estressante de vôos e aeroportos, mas não dá tempo para sua igreja local, então fique alerta! Certamente você não tem vocação para ser um artista cristão. Afinal, antes de ser um super astro pop incensado pelas multidões, você deve dedicar tempo, atenção e seu talento para sua igreja local, para sua comunidade.

Um artista cristão deve ter vocação para se sujeitar ao seu líder! Assim como não existe ser apolítico, não há pessoa equilibrada sem liderança, sem exemplos, sem mentores. No nosso caso específico, não há ovelha sem pastor. Se você é um artista que pretende dar suas saracoteadas pelo planeta sem a cobertura ou a liderança de um pastor, então saiba que você não tem vocação para ser um artista cristão. Porque um verdadeiro e vocacionado artista cristão deve saber se sujeitar aos ‘puxões de orelha’, conselhos e acertos de rota propostos por seu líder que o conhece intimamente. Fala Jeová!

Um artista cristão deve ter vocação para entender que a glória é só dEle! Muito além do discurso evangelicamente correto onde o artista grita com o peito cheio de orgulho que sua maior qualidade é ser humilde e que toda a honra e glória devem ser dadas a Deus!!!! Amém igreja?!?!?!?! Saiba que o talento foi dom dado por Deus! Saiba também que sua existência é uma vontade do Criador Supremo. Ou ainda, que basta um simples querer de Deus para que suas habilidades que você tanto fica gabando-se simplesmente desapareçam (…) então, deixe de lado sua arrogância, auto-suficiência e, num bom e surrado português, toda esta sua marra de pop star e saiba que seu talento e dons são única e exclusivamente para honrar o nome daquele que é único e digno de toda glória! A partir do momento em que você subir num palco e achar que os gritos, apupos e palmas são todos para você, saiba que você está dando uma prova cabal de que sua vocação é para ser um artista, mas não um para um artista cristão!

Um artista cristão deve ter uma vida espiritual sólida e consistente! Parece até óbvio demais, mas achei importante ressaltar e deixar essa característica no fim deste texto. Por mais incrível e surreal que possa parecer, existem vários artistas viajando de norte a sul pelo nosso país que há muito tempo não investem tempo em oração, comunhão ou mesmo na leitura da Bíblia. Nos púlpitos e palanques pelo país já tive a triste experiência de ver artistas contando piadas infames e sujas minutos antes de ministrarem e no momento em que eram chamados, transfiguravam-se em santarrões enganando as multidões. O crescimento da igreja evangélica em nosso país vem sendo acompanhado de muitas mazelas e uma que vem atingido o meio artístico gospel é justamente a ausência de espiritualidade. Temos casos constatados de artistas saindo para baladas em boates após participarem de cultos, ou ainda de artistas envolvidos em adultério, bebedeira, mentiras e outros escândalos como se isso fosse algo tranquilo.

Relembrando o que o Pastor Carlos Alberto Bezerra mencionou em sua deliciosa palestra numa manhã de sábado no Teatro Municipal em São Sebastião, ser um líder vocacionado é saber que há um alvo maior a ser alcançado. É saber que problemas, perseguições e tristezas farão parte do nosso dia a dia, mas que a recompensa maior é aquela que o Senhor Jesus nos concede, sua graça e salvação. Ser um artista cristão vocacionado é trabalhar muito, é estar debaixo da liderança de um pastor, é entender que a glória é só do Senhor, é ter uma vida reta perante os olhos de Deus. Não é algo fácil, é verdade! Então antes de você sonhar com os palcos, com as viagens, com as finanças, avalie seriamente se você tem esta vocação para seguir neste caminho.

É importante ressaltar que estes aspectos têm a ver com vocação e não com talento ou carisma! E mais, estamos falando de um artista cristão, não de um artista popular! Penso, já chegando ao fim deste texto, que se tivesse um pouco mais de tempo poderia até discorrer sobre mais alguns aspectos deste tema, mas vou terminando por aqui. Também quero deixar claro que não quero fazer nenhum juízo de valor sobre qualquer pessoa, mais do que qualquer outra pessoa, este texto se aplica a mim mesmo com suas devidas adaptações. Boa semana!

Mauricio Soares, pai, atleta de fim de semana, executivo, alguém que gosta de pessoas, que procura atender a todos com máxima atenção, um ser prático e que com o avançar da idade, alguém que detesta constatar discurso diferente da prática cotidiana.

Dias atrás recebi um jovem casal em meu escritório. Ela, uma cantora em início de carreira. Ele, um jovem e próspero empresário. O motivo da reunião: ouvir o repertório do primeiro trabalho da cantora e de alguma forma conhecer um pouco mais sobre o seu trabalho e uma possível contratação.

Experiências como essa são bastante raras em meu dia-a-dia ultimamente. Primeiro, pela própria ausência de tempo disponível e em segundo lugar, pela dificuldade em contratar um artista em início de carreira. Mas atendendo ao pedido de um grande amigo, abri um espaço na agenda para atendê-los. Confesso que tinha uma certa curiosidade de entender um pouco mais daquela jovem artista tão bem referendada por várias pessoas e amigos em comum.

No horário marcado, os dois chegaram no meu escritório. Depois das conversas triviais no autêntico quebra-gelo, procurei entender um pouco mais sobre o que aquela jovem cantora gostava de ouvir, suas referências musicais, artistas de preferência e coisas do tipo. De forma bastante clara ela me dizia que curtia artistas do tipo Mariah, Whitney Houston, Yolanda Adams, Darlene, outros artistas mais contemporâneos (…) e assim fomos falando do universo musical. Animei-me com a conversa e fui apresentando a eles algumas outras referências naquele estilo que eu também apreciava. Clicava na web um vídeo, selecionava um CD, um DVD de minha coleção e aos poucos o clima da conversa ficou bastante informal. Naquele momento eu já tinha muito bem definido o estilo que aquela jovem cantora gostava e que tipo de canções ela deveria gravar no seu trabalho de estréia.

A conversa foi avançando e fomos conferindo alguns vídeos da jovem cantora em eventos, igrejas e mesmo num programa de TV onde ela fez parte durante alguns meses com extremo sucesso. A cada performance ficava mais e mais cristalino para mim que tipo de música se encaixaria perfeitamente no perfil daquela artista. E quando já acreditava que o perfil estava bem definido, perguntei-lhe sobre o repertório que ela havia escolhido para gravar. Também perguntei-lhe sobre suas expectativas e, ainda, sobre os seus prazos de produção. A resposta foi imediata: “Precisamos lançar este CD até dezembro!” Fiquei impressionado com o prazo exíguo para a cantora iniciar sua produção, mas imaginei que tudo estivesse bem adiantado. “O produtor já tirou as músicas no meu tom. Os arranjos já começaram a ser feitos! Tudo indica que em mais 15 dias eu entro em estúdio para gravar!” Com esta informação imaginei que o projeto estivesse realmente na fase final, bastando apenas pequenos detalhes.

Com um pouco de surpresa pedi para ouvir o repertório. De pronto, ela sacou as canções e começamos a fazer uma audição música a música. Antes de falar sobre o repertório, vale a pena destacar um pequeno detalhe. O produtor musical é um amigo do casal. É alguém muito talentoso, também ele artista de sucesso, mas antes de tudo, um grande amigo do casal. Mas voltando ao repertório, fomos para a primeira canção (…) depois de poucos segundos, imaginei que ela estivesse me apresentando um outro projeto. Perguntei se aquela canção estava mesmo no repertório. Ela de pronto me respondeu: “Sim! Mas entenda, essa canção não está ainda finalizada! É só uma mix como referência!” (…) Entendi e prossegui acompanhando a canção.

Ao todo foram 9 ou 10 canções. Ao ouvir música a música, eu observava a reação da jovem cantora e de seu noivo. Ela de cabeça baixa, ele com um olhar distante parecendo que mais se preocupava com o trânsito de navios e lanchas da janela de minha sala de trabalho. Completando a cena, eu ficava só ouvindo, tecendo curtos comentários, de vez em quando respondendo a emails … confesso que o clima não era nada efusivo! A cada canção, a jovem fazia questão de dizer que aquela música sofreria mudanças, os arranjos seriam grandiosos e tudo mais.

Para poupar-lhes tempo, querido 44 leitores, chegamos ao fim da audição com a certeza de que aquele repertório era bom, mas nada adequado àquela artista! E dentro de minha sinceridade usual, fiz questão de perguntar-lhe à queima roupa se ela se via cantando aquelas canções. Se efetivamente ela era a mesma pessoa que na primeira parte da reunião me apontava animada para as músicas daquelas artistas que tinha como referência ou   se naquele momento ela era uma cantora que cantaria aquele tipo de música?

A resposta à minha pergunta foi de que ela não se via cantando aquelas canções mais intimistas! Que o que ela queria cantar de verdade eram canções grandiloqüentes, impactantes, empolgantes! Uma mistura de pop, rock com adoração e pitadas de canções no melhor estilão norte-americano cinematográfico! Ou seja, em nada semelhante ao repertório que acabávamos de ouvir. Mas como eles acreditavam piamente no talento do produtor, seguiriam cegamente aos seus conselhos acreditando que ele tivesse o caminho certo para se alcançar os objetivos.

Esta experiência serviu-me para meditar melhor sobre a importância da escolha certa de um repertório. Ainda mais, em se tratando de um projeto de estréia de uma jovem (e talentosa) artista! Neste caso temos vários aspectos a se analisar e comentar. O primeiro é o estilo musical. Todos temos o nosso estilo, nossas referências. Um produtor deve entender, respeitar e orientar o artista para o melhor estilo a se gravar. Esta conclusão pode se chegar imediatamente ou após muita pesquisa. Mas em ambos os casos, o estilo do artista deve ser respeitado! Não dá para colocar o Beto Barbosa para cantar Bon Jovi ou vice-versa. Cada um deve encontrar seu estilo e seguir seu caminho!

Outra questão neste caso é que não podemos NUNCA confundir amizade com trabalho! Nesta ilustração, o casal tinha uma amizade com o produtor. Certamente o viam como um artista talentoso. Curtiam suas músicas, suas composições e tudo mais. No entanto, aquele artista/produtor era uma pessoa e a artista era outra personalidade. Não dá para se tornar um clone só porque o original alcançou sucesso! Como já falei em outros posts, o produtor musical é um dos pilares para o sucesso ou fracasso de um projeto musical. Não há como confundir amizade com profissionalismo. São coisas bastante distintas!

Como havia dito linhas acima, o projeto estava quase finalizado. Restavam apenas alguns dias para a cantora entrar em estúdio. Ou seja, não daria para se recuar no projeto? O projeto deveria prosseguir e tentar remediar mais à frente? Não! Nada disso! O projeto só não tem mais recuo ou mudança de rota quando sai de fábrica, antes disso, mesmo que na masterização, tudo pode ser refeito, até mesmo voltar tudo ao início. A escolha do repertório pode levar meses … o importante é que o resultado final seja satisfatório! Esteja à altura das expectativas da artista e de seu público.

Confesso que depois da nossa conversa, não mais tive oportunidade de conversar com o jovem casal sobre o projeto do CD. Recordo-me que fui bastante enfático sobre a cantora gravar um outro estilo de repertório que fosse mais adequado às suas referências e gosto. Lembro-me que o semblante dela era um misto de alívio e de incerteza em como lidar com a reação de seu amigo/produtor pela mudança radical de todo o projeto do CD. Mas imagino que realmente fiz o certo naquele momento, pois não há nada pior para um jovem artista do que um projeto errado, ainda mais na sua estréia no mercado.

Então, você, jovem cantor ou cantora, preste atenção nesta dica! Converse muito com seu produtor. Mostre a ele todas as suas referências e elabore um repertório que te deixe à vontade para interpretá-lo! Nada de gravar este ou aquele estilo só porque está na moda neste momento! Lembre-se que você terá que cantar esse repertório por pelo menos, os próximos 12 a 24 meses em diante, portanto, não se martirize e foque num repertório que realmente o agrade antes qualquer outra pessoa.

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, blogueiro e alguém que neste momento tem cerca de 900 CDs para audição abarrotando as estantes de sua sala. 

Dias atrás participei de um evento promovido pela Editora Espetáculo, o Expo Show Business que reuniu profissionais do mercado fonográfico nas mais diversas áreas para 2 dias de intensos debates, conversas, reencontros e workshops.

Já no segundo dia participei de uma mesa de debates sobre o mercado religioso com mediação de Mônica Cintra, publisher da revista Show Gospel. Foi interessante perceber o interesse de promotores de eventos e outros profissionais neste mercado que vem crescendo e tornando-se cada vez mais relevante na indústria fonográfica.

Já à noite, voltei ao Teatro Banespa para participar da segunda parte do evento naquele dia: a noite de premiação aos empresários que atuam diretamente no show business. Foi uma premiação bastante longa com mais de 130 premiados, alguns rápidos discursos, muitos flashes e uma constelação de profissionais. Ali conheci empresários de artistas do primeiro time como Bruno & Marrone, Frejat, Victor e Leo, Kid Abelha, só para citar alguns.

Lá pelo fim da lista, fui chamado ao palco para receber meu prêmio. Confesso que fiquei meio deslocado no meio de tanta gente do cenário artístico empresarial, afinal sou um A&R e não um manager, mas enfim, creio que a organização do evento quis incluir alguém para representar o meio gospel e na falta de uma pessoa conhecida, acabaram me premiando com representante da classe.

Antes de subir ao palco para receber meu prêmio, sozinho, fiquei pensando se deveria fazer um pequeno discurso ou simplesmente subir, sorrir, pegar meu prêmio, fotografar e sumir (…) Fiquei pensando o que deveria falar para aquela platéia de tantos profissionais da área de shows, gente com 30, 40 anos de show business. Pra encurtar esta história, já adianto que não fiz discurso algum, apenas subi ao palco para receber meu prêmio e segui de volta ao meu assento, mas imagino que se tivesse falado alguma coisa, eu deveria dizer àqueles profissionais o quanto o mercado de música religiosa tem crescido e de como estamos carentes de managers de qualidade!

Ao ver Lecy Brandão subir ao palco e tecer loas ao seu empresário, de como ela mantém uma relação de amizade e companheirismo por mais de 15 anos com seu manager, fiquei imaginando como isso é raro no meio gospel tupiniquim. Gente como Roberta Miranda, que no dia de seu próprio aniversário, fez questão de participar do evento para agradecer sua empresária pela forma como ela conduz sua carreira ou as Irmãs Galvão que há mais de 40 anos mantêm contato com o mesmo escritório artístico (…) todos estes depoimentos apenas me reforçaram a idéia de como ainda precisamos da participação profissional de managers no meio gospel.

E o que é ou o que faz verdadeiramente um manager profissional? Primeiro, vamos ao que não é função de um manager e depois daremos algumas atribuições desta profissão.

1)     Manager não é babá, psicólogo, contador de histórias ou mecenas! – não confundir todas estas profissões e atribuições com o dia a dia de um profissional do show business. Apesar de todas estas funções estarem reunidas no cotidiano de um manager, nenhuma destas atribuições devem ser determinantes.

2)     Manager não é um simples organizador de agendas, cobrador, produtor de palco, leão de chácara, segurança – a função de um manager é muito mais do que uma pessoa que atende o telefone, confere a disponibilidade da agenda, trata dos shows e todos os seus detalhes com o contratante, atua como pára-raios ou mesmo cordão de isolamento para o artista.

No meio gospel,  o manager é, em sua grande maioria, o similar ao secretário-faz-tudo do artista. Muitas das vezes também é aquele que somente atende telefones e que negocia a agenda do artista. Confesso que raríssimos são os artistas do meio gospel que possuem um manager de verdade. E talvez seja esse um dos grandes empecilhos para uma maior profissionalização e o alcance de maiores resultados artísticos da música gospel, em especial, na área de shows e eventos.

Apenas para ilustrar a importância de um manager na vida de um artista, na recente história do mercado fonográfico, uma determinada artista sertaneja estourou nas paradas de sucesso e alcançou marcas expressivas de vendas. Além do talento e do carisma da artista, uma outra questão foi determinante para o seu sucesso: o investimento de mais de 2 milhões de reais de seu empresário na divulgação do projeto.

Com o sucesso da artista, o empresário já recuperou com enorme folga esse seu investimento aparentemente monstruoso. Mas é isso o que está faltando no meio gospel! Falta empresários com visão para investir em artistas de talento no meio gospel. E aí reside uma enorme oportunidade para o mercado! Há uma demanda considerável de managers no meio artístico gospel! Mas esta oportunidade não deve ser tratada como uma diversificação do negócio em si porque traz uma série de ajustes e adaptações à cultura evangélica.

Há espaço para profissionais do show business no meio gospel? Sim, há! No entanto, estes profissionais precisam se cercar de pessoas, consultores, produtores que entendam a cultura evangélica. Assim como no meio fonográfico, as gravadoras estão buscando por profissionais do mercado gospel, também na área de show business é fundamental essa mescla entre profissionais do mercado com profissionais do meio gospel. Somente com essa sinergia entre as duas áreas poderemos alcançar resultados positivos no menor espaço de tempo.

Participando da Expo Show Business, vi o interesse de grandes empresários em entender melhor esse nicho. Acho que poderemos ter novidades nesta área nos próximos meses. Já para os atuais managers evangélicos, sugiro que procurem o máximo de aprendizado, desenvolvimento profissional e conhecimento. Sem dúvida, esta expertise será bastante valorizada daqui em diante nos próximos anos.

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, palestrante, observador atento das novidades do meio fonográfico e da área de entretenimento. 

Pronto! Finalizamos nossa décima participação na maior feira de negócios do mercado cristão da América Latina. Em 2011, a Expo Cristã comemorou seu décimo ano de realização e este blogueiro, extenuado após 7 dias intensos de muito trabalho, comemora igual número de participações.

 

Volto para casa certo de que fizemos o melhor possível nestes dias intensos!

Sem dúvida, o stand onde apresentamos as últimas novidades do mercado fonográfico para mídias, lojistas e o público em geral, foi um dos espaços mais concorridos da feira e também um dos mais receptivos e atenciosos também.

 

Antes de desenvolver meu primeiro tema sobre a Expo Cristã, não posso deixar de agradecer aos inúmeros leitores deste blog pela forma carinhosa com que me abordaram nestes últimos dias. Realmente percebo o quanto este espaço tem sido importante para a instrução, formação ou mesmo entretenimento de tantas e tantas pessoas dos mais variados rincões deste país. A quantidade de pessoas no stand ou mesmo nos corredores que simplesmente me procurou para dizer que liam o blog, foi algo muito surpreendente (Acho que temos mesmo um pouco mais do que 44 leitores) e às vezes até mesmo emocionante!

 

Agradeço a todos os leitores que me cumprimentaram, tiraram fotos ou simplesmente deram um rápido aceno. Acho que depois destes 6 dias, poderei ficar mais uns 6 meses sem precisar participar de alguma sessão de terapia. Muito obrigado pelo carinho de todos vocês!

 

Mas a Expo Cristã é um evento muito pitoresco! Vai das bizarrices mais esdrúxulas como alguns stands vendendo sapatinhos (de fogo) pentecostais bicolores a um homem de lata andando pelos corredores ou mesmo um gringo super simpático com uma cobra gigante enrolada no pescoço. No entanto neste espaço (sem ar condicionado) democrático convivem as mais diferentes vertentes do que denominamos meio evangélico brasileiro. E mesmo sendo aguardados alguns embates mais acalorados, no fim das contas tudo terminou

relativamente bem, exceto pela quantidade enorme de furtos de computadores, telefones, Blackberries e carteiras, entre outros bens.

 

No primeiro post sobre a Expo Cristã (difícil escolher por onde começar!) vamos comentar as frases e assuntos mais comentados na semana, não necessariamente pela ordem de importância ou incidência.

 

99% versus 1% – a Expo começou quente com os comentários sobre a infeliz declaração do líder-mor da IURD de que 99% dos artistas evangélicos são endemoninhados! Não sei baseado em qual órgão de pesquisa o BM chegou a estes números, mas a realidade é que a sua declaração foi (nada mais natural!) extremamente mal recebida pela comunidade evangélica e em especial pelos artistas e gravadoras. Em conversas nos corredores, pude apurar que nem mesmo entre membros da própria IURD essa declaração teve aceitação plena.

 

Haja vista a quantidade de gente da Força Jovem correndo atrás de fotos e autógrafos dos artistas na Expo.

 

Silas versus Macedo – como uma levantada na rede magistralmente efetuada pelo Bruno da seleção brasileira de voleibol para uma cortada violentíssima do talentoso Giba completamente sem bloqueio. Assim podemos exemplificar de forma figurativa a declaração do BM para a reação do Pastor Silas. Muita gente acredita que o Pastor Silas é um polemista nato, alguém que gosta de manter-se indefinitivamente sob a luz dos holofotes, mas convenhamos que esta polêmica foi como “tirar doce da mão de uma criança”. Então, nos primeiros dias, este foi o assunto que monopolizou grande parte das rodinhas de conversas na ExpoCristã.

 

A pergunta que não quer calar – ainda sobre o mesmo tema descrito acima, não custa nada perguntar e quem tiver a resposta, por favor, divida-a com todos nós. Se 99% dos artistas são endemoninhados, quem são os correspondentes ao 1% de santos?

 

Você vai ouvir com carinho? – conversando com o amigo Daian Alencar (também leitor do OBC, chique não?) comentei sobre esta que foi a frase mais ouvida por mim durante os 6 dias de Expo buscando uma explicação plausível. De cada 10, pelo menos 8 pessoas ao finalizar a conversa e me entregar o CD, diziam a indefectível frase: “Mas você vai ouvir com carinho?”

 

Confesso que não sei o que significa “ouvir com carinho” (…) talvez seja ouvir acariciando o disco ou mesmo o encarte (…) Não! Isso eu me recuso a fazer! Como vou ficar  acariciando mais de 800 CDs? Poderei correr o risco até mesmo de perder minhas digitais de tanto ficar esfregando! O que deve ser isso então?!?

 

Como profissional tenho certa experiência de detectar o que deve ser ouvido com mais ou menos atenção. Mas efetivamente todos os produtos entregues são devidamente ouvidos, alguns por míseros 30 segundos, mas já o suficiente para que não tomem minha atenção por tempo desnecessário. Numa outra oportunidade voltarei a este tema.

 

Quebrado o recorde! – no ano passado regressei para o Rio de Janeiro com 268 CDs/DVDs/CDRs e afins. Neste ano, seguramente retorno à Cidade Maravilhosa com mais de 300 produtos! Entre tantos materiais recolhidos, me chamou atenção a pequena participação de compositores apresentando seus materiais (algo como 6 ou um pouco além disso) e a enorme quantidade de MCs, Rappers e coisas do gênero.

 

Como sempre, as capas, nomes e propostas são as mais variadas e porque não dizer, assustadoras! É um tal de nome de artista ou de banda sem qualquer significado inteligível que muitas das vezes pedi para o artista dizer o que estava escrito no CD. É uma profusão de letras, siglas, consoantes, coisas sem nada a ver que mais parece um estudo de numerologia. Sobre este assunto, também falarei mais à frente em outras oportunidades.

 

Anhembi versus Expo Center Norte – outro assunto que dominou boa parte das conversas, principalmente entre os expositores foi sobre a mudança do local de realização da ExpoCristã, estreando neste ano no tradicional Pavilhão do Anhembi. Confesso que pelo nome do local e toda sua tradição, esperava bem mais deste local e saio da Expo Cristã completamente frustrado pelas condições do Anhembi. Sem dúvida alguma, a mudança do Expo Center Norte para o Anhembi foi uma regressão absurda em termos de conforto, segurança, acessibilidade e economia.

 

A falta de um sistema de ar condicionado transformou os primeiros dias da ExpoCristã numa sauna onde só faltava a essência de eucalipto. Clientes suando em bicas querendo resolver o quanto antes suas compras acabaram prejudicando os expositores. Os custos de estacionamento e a ausência de uma política que beneficiasse os expositores também foi absurdamente tema de reclamações.

 

As montadoras dos stands tiveram trabalho dobrado para nivelar o piso de suas construções. Nos corredores era notório o desnível no piso provocando inclusive algumas quedas de pessoas desavisadas.

 

A ausência de latas de lixo, de segurança durante a feira nos corredores e a péssima qualidade do atendimento da equipe de bombeiros foi outro ponto negativo! Por falar em bombeiros, eles deram o ar da graça apenas no primeiro e último dia. No primeiro, para alugar extintores de incêndio. No último dia, para recolherem os extintores alugados. No stand da Bompastor, um pequeno princípio de incêndio foi resolvido pela própria equipe da Editora. Os bombeiros chamados ao local imediatamente, até o desmonte do stand, não apareceram por lá.

 

E os banheiros? Ah! Que maravilha! Onde já se viu fazer um evento sem que existam banheiros? A solução foi alugar estruturas de banheiros em caixotes gigantes como aqueles enviados em navios de carga. Como não tive a felicidade de usufruir dos serviços desta engenhoca, não posso dizer se serviam ou não, mas como disseram alguns “consumidores” o banheirão metálico” não era 5 estrelas … “

 

O único benefício para a mudança de local foi a proximidade do Pavilhão para o hotel Holliday In, mas convenhamos que isso atendeu a poucos expositores, então nem pode ser levado em questão.

 

Cordão de Isolamento versus Pode Chegar – outro assunto bastante comentado, principalmente pelas mídias, foi o livre (ou não!) acesso aos artistas presentes durante a Expo. Entendo que a feira é a melhor oportunidade de aproximação entre a gravadora, artistas, produtos, lojistas, mídias e público em geral. Nos 6 dias de feira temos a oportunidade raríssima de reunir mídias de todo o país para contato direto com artistas que constantemente estão em deslocamento pelo país e mais raramente ainda, encontram-se todos reunidos num mesmo ambiente.

 

Então qual a explicação para que as gravadoras criem empecilhos para que as mídias se aproximem dos seus artistas para entrevistas? Sinceramente não consigo encontrar qualquer argumento justificável para tal atitude. É óbvio que devemos sempre manter a integridade física do artista e mesmo respeitar seu cansaço, mas daí a colocar o artista numa abóboda isolado do mundo, também já é outra história!

 

O público quer apenas tirar uma foto, demonstrar seu carinho com o artista. A mídia quer apenas entrevistar, gerar material de trabalho, que nada mais é do que a divulgação do próprio artista, produto e gravadora. Infelizmente tivemos casos absurdos de hordas de seguranças em volta do artista proibindo acesso do público e da mídia. Uma das cenas que mais me chocaram foi um séquito de 8 a 10 seguranças correndo pelos corredores com uma artista se esquivando do público. Chegaram até mesmo a atropelar uma inocente lata de lixo!

 

Detalhe: ninguém corria atrás da artista naquele instante, ou seja, eles imaginavam que haveria tumulto na saída do stand, mas o público simplesmente ignorou a artista e todo seu aparato de isolamento.

 

Em contrapartida, algumas gravadoras souberam aproveitar bem a oportunidade e deram total atenção ao público e mídias com relação à presença do seu cast na feira. Bons kits de imprensa, atenção, respeito, simpatia e locais adequados para a realização de entrevistas marcaram pontos a favor de algumas empresas.

 

Figuraças da Expo Cristã – não entendi o que fazia um senhor nos corredores do Anhembi andando com um equipamento de alpinismo e uma bandeira do Brasil e Israel. Tudo bem que o chão estava desnivelado, mas ali não tínhamos nenhum Pico da Neblina, Everest ou Kilimanjaro.

 

Já falei na introdução a respeito do Homem de Lata. Certamente aquele ser metálico deveria se referir a algum lançamento ou projeto, mas devia ser uma tortura caminhar pela Expo com aquela indumentária. Por falar em indumentária, a Expo foi um desfile democrático de moda com tendências do estilo Penteca Reteté Fashion ao Emo Gospel. Teve espaço para todas as manifestações fashionistas, cafonistas, streetwear, sertanejas e “mudernas”.

 

Outra figuraça, ou melhor, figuraças, são aqueles “caçadores de celebridades” com suas máquinas digitais sempre à mão para tirar uma foto com alguém importante. Muitas das vezes eles nem sabem com quem estão tirando foto, o importante é clicar! Basta uma ou duas pessoas tirando um foto com alguém ao lado para esses figuraças entrarem na fila e também pediram para ser fotografados.

 

Aí vai uma dica: se você quer que um jovem e desconhecido artista receba a atenção das pessoas, basta posicioná-lo num lugar de destaque me frente ao stand, chame mais uma duas pessoas e comece a tirar fotos. Se em até 5 minutos não se formar uma pequena aglomeração, então desista! Esse artista tem tudo para manter-se no mais absoluto ostracismo!

 

Ainda sobre as fotos, eu mesmo sei que hoje deve ter muita gente revendo o arquivo de imagens e se perguntando: “Quem é esse carequinha risonho ao meu lado? Ah! Vou apagar! Delete”

 

Já chegando ao fim desse post quero destacar o stand do grupo teatral Jeová Nissi pela perfeita adequação entre funcionalidade e objetivo. Também o sempre funcional stand da Editora Mundo Cristão. Ainda, o stand da Salluz por sempre abrir espaço para a cena alternativa gospel com muito bom gosto na decoração. Outro stand que merece destaque pela beleza e grandiosidade foi

o da IVC. Mesmo correndo o risco da auto-promoção, o stand da Sony Music seguramente destacou-se pela presença do público, conforto, atendimento às mídias e pela decoração com as guitarras Heavens, os chocolates Premium, o buffet e a máquina de café que atendeu muitas pessoas, inclusive expositores concorrentes.

 

Sobre as ausências de algumas empresas na Expo, o que posso dizer é que se não estiveram presentes é porque devem ter tido algum motivo significativo pela decisão. É o máximo que podemos dizer (…)

 

Mauricio Soares ou o que sobrou de mim após 7 dias de intenso trabalho, jornalista, publicitário e alguém que ouve com carinho os CDs. Agradeço ainda aos prêmios de CD Nacional + Vendido (Diamante/Damares) e CD Internacional + Vendido (Wonder/Michael W Smith) conferido pela Revista Consumidor Cristão e também o Prêmio Destaque Expo Cristã pelos 10 Anos de participação da Feira.

O leitor de número 38 do Observatório Cristão, Sr. Junior Neguebe, através do twitter me sugeriu que comentasse sobre o que um artista independente deve fazer, como agir, o que comer, como se vestir e outras atitudes durante a Expo Cristã. Achei a sugestão dele tão pertinente que estou dedicando alguns minutos no meio de uma enorme correria de pré-Expo para escrever algumas dicas que julgo bastante necessárias e que ao longo das 9 edições anteriores em que participei me deram estofo suficiente para dizer o que deve ou não ser feito em meio à Expo Cristã.
  1. Saiba que o objetivo de 99% dos stands presentes é simplesmente VENDER. As despesas e os investimentos para se participar da Expo Cristã são bastante elevados, portanto, o objetivo primordial de cada expositor ou ao menos este deveria ser a grande meta, é fazer excelentes negócios. Com isso você precisa entender que o foco dos funcionários durante a Expo não é parar tudo o que estão fazendo para atendê-lo em longas conversas;
  2.  Caso você consiga ser atendido por algum diretor artístico de gravadora, seja o mais direto possível! Fale de seu trabalho, presenteie seu interlocutor com seu material de apresentação, peça um cartão de visitas para contato posterior e aproveite ao máximo seus 340 segundos de atenção exclusiva! Procure ouvir o diretor artístico sobre as expectativas da gravadora na montagem de seu cast, isso é muito importante! Não adianta você ser um cantor pentecostal e a gravadora naquele momento estar procurando por uma banda de pop rock progressivo;

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O Caminho do Êxodo…

O Ponto de Partida para a rota do Êxôdo segundo a bíblia teria sido a cidade de Ramessés próximo ao Canal de Suez. No entanto, estudos geográficos mostram que o Canal de Suez era controlado por Faraó e que o único caminho viável e possível para a saída do povo hebreu seria o Golfo de Ácaba, o caminho mais próximo ao litoral, onde ao chegar, o exército hebreu os alcançou

Ex:14-9 E os egípcios perseguiram-nos, todos os cavalos e carros de Faraó, e os seus cavaleiros e o seu exército, e alcançaram-nos acampados junto ao mar”

E o mar se abriu…

“Então Moisés estendeu a sua mão sobre o mar, e o Senhor fez retirar o mar por um forte vento oriental toda aquela noite; e o mar tornou-se em seco, e as águas foram partidas. E os filhos de Israel entraram pelo meio do mar em seco; e as águas foram-lhes como muro à sua direita e à sua esquerda.” Ex 14:21-22

Cientificamente é possível ocorrer um fenômeno assim. Um forte vento, como a bíblia descreve, pode ter o induzido.

O Mar Vermelho na verdade não é um mar, e sim um grande rio, e teria várias irregularidades em seu leito. Um fortíssimo vento poderia ter exposto o leito do rio fazendo com que as águas na parte mais rasa retrocedessem, e dessa forma, os hebreus puderam passar, e ao regredir o vento, o “mar” voltou a se fechar e então o exército de faraó teria sido extirpado.

Segundo um dos pesquisadores responsáveis pelo estudo, Carl Drews, do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica dos EUA, a simulação bate com a situação apresentada pelo Livro do Êxodo – desde que um vento leste forte tenha soprado durante algum tempo.

Estudos geológicos não revelam irregularidades no nível do mar hoje, no entanto, há 3.000 anos as condições poderiam ser diferentes.

O Monte Sinai…

Da longa lista de acampamentos no deserto, Kades-Barnea e Ezion-geber são os únicos que podem ser identificados com segurança, mas não indicaram nenhum traço dos nômades israelitas, assim como não há nenhuma evidência arqueológica da ocupação do monte Sinai, onde depois de atravessar o Mar Vermelho Moisés teria levado o povo de Israel e onde teria recebido os dez mandamentos.

Segundo estudos geográficos esta afirmação é incorreta. O Monte Sinai está localizado na Península do Sinai, e é considerado o monte bíblico, no entanto, se Moisés e o povo hebreu saiu da terra do Egito pelo Golfo de Ácaba o Monte Sinai estaria a 250 km de distância. Em Dt 1:2 diz que Kades-Barnéia estava a 11 dias de distância do Monte Sinai, caminhando 6 km/dia como é suposto que eles tenham feito, considerando que levavam animais, crianças, velhos e muita carga e, por isso, caminhavam lentamente, em 11 dias caminhariam 66 km, isso mostra que o destino não foi o Monte Sinai, porém estudos mostram que o monte Bedr na Arábia Saudita, com as mesmas características descritas na bíblia está a 11 dias de Kades-Barnéa caminhando na velocidade que se supunha eles teriam caminhado. Portanto, Moisés não teria recebido os dez mandamentos no Monte Sinai.

Outro fato que embazaria esse pensamento de que o Monte Sinai seria na verdade o monte Bedr:

Ex:13:21 “E o Senhor ia adiante deles, de dia numa coluna de nuvem para os guiar pelo caminho, e de noite numa coluna de fogo para os iluminar, para que caminhassem de dia e de noite”

Cientistas explicam que a nuvem de fumaça de dia e o fogo à noite se referia a um fenômeno natural, com uma representação simples, um vulcão. De dia sua fumaça densa e grossa, à noite suas chamas, geológicamente não há vulcões no Monte Sinai, porém foram encontrados vulcões ativos na Arábia Saudita, e um precisamente no Monte Bedr, onde acreditam os historiadores ter sido o local onde Moisés recebeu os dez mandamentos.

Estudos arqueológicos e mostram que muitos reinos e locais citados na jornada de Moisés e do povo hebreu pelo deserto não existiam no século XIII a.C., quando o Êxodo teria ocorrido. Esses locais só viriam a existir 500 anos depois, no período dos escribas deuteronômicos.

O maná no deserto…

Ex 16:14 – Disse-lhes Moisés: “Este é o pão que o Senhor lhes deu para comer. O povo de Israel chamou de maná àquele pão.”

Árvores do gênero dos tamariscos, que ainda hoje ocorrem na região da Arábia Saudita, produzem uma seiva doce que serve de alimento para alguns tipos de insetos. O pão que os judeus chamam de maná seriam gotículas de secreção produzidas por insetos que se alimentam da seiva, que caem como pequenos flocos cristalizados, semelhantes aos descritos no Êxodo. Rica em carboidratos, a seiva dos tamariscos fazia do maná uma fonte de energia essencial para uma multidão que caminhava dia e noite no deserto.

Para a comunidade científica, o Êxodo não aconteceu na época e da forma descrita na Bíblia, e parece irrefutável quando examina-se a evidência de sítios específicos, onde os filhos de Israel supostamente acamparam por longos períodos, durante sua caminhada pelo deserto (Números 33), e onde alguma indicação arqueológica – se existente – , é quase certo, seria encontrada, afinal eles teriam vagado pelo deserto por 40 anos.

Há historiadores que garantem que não houve um único e grande Êxodo, mas vários pequenos êxodos, no tempo de Moisés.

Sabemos que arqueologia é uma peça importante para auxiliar na história, mas não ferramenta decisiva.

O fato é que a história de um povo que ultrapassa milênios, e ainda hoje permanece viva e suscita mistérios é a narrativa de uma nação guiada por algo superior, que os faz permanecer, ainda que perdidos, lutando por um sonho. Moisés compartilha a história narrada ao longo dos livros de Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio.

Enfim são histórias do Velho Testamento, onde a justificativa espiritual estaria acima das verdades históricas.

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Ana M. de Souza Lopes
Departamento de Fisiologia e Biofísica do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo