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Mauricio Soares

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Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.

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Durante os festejos momescos em que eu e minha família optamos em nos isolar numa casa de praia, entre um mergulho e outro, entre uma relaxante ducha, banhos de piscina, um tempinho de sauna, almoços e jantares mega agradáveis com amigos e toda minha prole, dei-me a incumbência de dedicar algum tempo de meu dia para conferir canais que normalmente não assisto em meu pacote de TV por assinatura. A casa em que me hospedei tinha uma ‘assinatura’ (entre aspas mesmo!) de alguma operadora que além dos canais abertos tradicionais contava com outras opções não tão ortodoxas e atrativas como diversos canais rurais com uma enxurrada de propagandas de defensivos agrícolas e equipamentos e uma infinidade de outros canais de programação religiosa, a saber: católica e evangélica. Nada de filmes, séries, documentários … um suplício!
Fiquei durante uns 3 dias revezando-me entre Datena, Marcelo Rezende, William Bonner e uma saga interminável de pastores, missionários, bispos, querubins, apóstolos e outros santíssimos com suas vozes roucas, ternos mal cortados, mãos endurecidas, discursos rasos, sudorese em extremo, cabelos com gel e teologias estranhas que tirariam qualquer Lutero ou Calvino do sério! É impressionante como durante estes dias não consegui encontrar um único pregador que, de verdade, me chamasse a atenção a ponto de manter-me interessado por alguns minutos. Confesso que minha boa vontade foi além da conta, até porque em meio ao carnaval as opções na TV são pra lá de escassas pra quem não quer ficar com o baticundum chacoalhando na mente.
Assisti de tudo. Tudo mesmo! Fui de um missionário cearense com cara de índio boliviano que usava uma túnica dourada e um chapéu tibetano com pontas para cima aos tradicionais pastores que se revezam com suas vozes roucas divulgando onde estarão com suas reuniões milagrosas do poder pelos próximos dias. Este tal missionário cearense que parecia o Evo Morales em seus trajes cerimonialistas, que mais parecia um gárgula de filme de terror falava coisas desconexas para um público ainda mais estranho com seus roupões e suas fisionomias cansadas como de seguidores de Antônio Conselheiro em Canudos. Ele pregava sobre o fim dos tempos, sobre o Anti-Cristo e de como a sociedade devia mudar, inclusive deixando de ser influenciada pela TV – mas ele mesmo estava se usando deste expediente para, como assim dizer, influenciar as pessoas. As imagens que mais pareciam ter sido gravadas em VHS com seus tons desbotados e falta de sincronização entre o som e o vídeo conseguiam transmitir o ambiente tosco e esquisito daquele lugar que se auto-denominava como sede mundial daquela igreja. Consegui ficar naquele canal por uns 20 minutos e depois fui obrigado a mudar assim que começaram os cânticos … a música era apresentada por uma senhora de 1,50m, vestida com uma túnica verde claro, coque no alto da cabeça, 8 dentes na boca e que entoava alguma coisa entre uma ladainha das carpideiras do Nordeste e o Hino da Harpa Cristã no ritmo das benzedeiras da região do Jequitinhonha, Minas Gerais.
Segui em meu propósito e mudando de canal me encontrei com uns bonecos gigantes, sem expressão facial, ou melhor, com seus rostos congelados, cabeças completamente desproporcionais, personagens estereotipados (o boneco negro era jogador de futebol e vestia amarelo com azul), se remexendo como se estivessem numa rave matinal ensandecida e frenética. Aqueles personagens deveriam animar as crianças … deveriam porque na verdade, causavam pânico! Chamei meu filho caçula pra dar seu veredicto e ele candidamente disse: Bonecos feios! Eles não mexem a cara não? Prefiro a Patrulha Canina! Em meio aos personagens tinha um boneco ‘adulto’ com terno e gravata, mega adequado ao universo infantil #sqn … o dito cujo mais parecia com aqueles bonecos gigantes do carnaval de Olinda … por mim já deu … muda de canal …
No canal seguinte voltamos ao script tradicional com um pastor, este já com um terno mais bem cortado, uma barba bem feita, dando todos os indicativos de que foi abençoado e prosperou acima dos demais. Este pastor começa a conclamar as pessoas a estarem com ele numa reunião onde “Os milagres vão acontecer! Quem bebe vai deixar de beber! Quem fuma vai deixar de fumar! Quem está falido, vai ver a maré mudar! Basta você ir na igreja XYZ que é onde o Deus Vivo está presente! Onde as coisas acontecem de verdade! E aí ele quebra tudo! Vou tentar ser o mais literal possível. “Aqui na igreja XYZ está a verdadeira unção. As outras podem te prometer um monte de bênçãos mas aqui na XYZ nós prometemos e cumprimos porque o nosso Deus não nos deixa na mão! A gente determina e ele cumpre!” Assim mesmo, como se Deus fosse apenas um mero atendente das vontades, caprichos e desejos dos líderes daquela determinada denominação. No fim, o mesmo pastor se dirige com voz grutural, gestos cênicos e muita emoção para conclamar a todos participarem da obra que não pode parar! Contribua através do Bradesco, Banco do Brasil, Caixa Econômica, Itaú, Santander, Rede Shop, Visa, CitiBank, carnê mensal, toalhinha ungida ou diretamente em uma de nossas filiais espalhadas por todo o país …
Comecei a sentir falta das notícias de assalto, sequestro, acidentes do Cidade Alerta e seus programas correlatos … corta pra 18!
Mas ainda tinha mais. Em outra troca à procura de novos canais, deparei-me com um canal voltado à juventude cristã. Que lindo! Ufa! Agora vai … teremos uma programação mais moderna, mais leve e dinâmica … na volta do intervalo vejo imagens do que deveria ser um congresso de jovens em alguma grande igreja de São Paulo. Os jovens presentes, todos, essencialmente TODOS vestidos com a mesma camiseta alusiva ao próprio congresso. Nada mais estranho do que ver jovens e adolescentes uniformizados! Mas ok, tudo bem … vamos seguir assistindo … no palco, 8 ou 10 meninas fazendo a coreografia de uma música do querido DJ PV que agora não me recordo mais qual seria, mas era do PV, sem dúvida. A coreografia era uma espécie de street dance ou algo do tipo. Como cada uma fazia num tempo próprio, não sei se seria uma coreografia com delay ou se era apenas falta de ensaio e sincronismo mesmo. Dei um tempo, fui até a cozinha pegar algo pra comer e quando retornei a coreografia havia acabado. Naquele momento, um jovem de seus 30 e poucos anos assumia o microfone e começava a pregar a respeito do papel do jovem na sociedade e sua relação com Deus. Completamente desconcertado o jovem pregador tentava de todas as formas manter um clima ameno, com piadinhas pra lá de sem graça, alguns trejeitos estranhos e colocações que pudessem trazer aquele texto bíblico para a realidade daqueles jovens. Quando a câmera focava os jovens, a impressão era de que estavam diante de um professor de física quântica tamanha a impressão de que ninguém estava entendendo absolutamente nada! Eu também não estava entendendo nada e depois de alguns minutos desliguei a TV e fui viver minha vida.
Por 3 dias seguidos fiz este exercício. Em um dia específico fiquei à cata de musicais nestes canais de TV e aí pude assistir também a alguns programas católicos. A experiência não foi das melhores. Vi uns grupos tocando uma espécie de axé com letras religiosas (devia ser por influência do carnaval), alguns padres cantando umas músicas de arranjos simples, quase uma toada e, no fim, vi um esforçado cantor tentando animar a plateia formada essencialmente por jovens de 60 a 70 anos. Como tenho conhecido cada vez mais o universo da música católica produzida no Brasil, reconheço que ali na TV não pude constatar o que há de melhor neste segmento. Artistas como Tony Allison, Rosa de Saron, Ziza Fernandes, Olivia Ferreira, Diego Fernandes e a novata Lucimare têm se esforçado (e conseguido!) em apresentar uma música católica de maior qualidade. No entanto, o que vemos habitualmente nos canais do segmento tem sido um desfile de qualidade duvidosa em se tratando de música.
Nesta busca por algo de qualidade, especialmente na área musical, assisti ao Caixa de Música, programa tradicional da Rede Novo Tempo. Entre um ou outro artista da própria gravadora da casa, pude conferir clipes de Os Arrais, Estêvão Queiroga, Felipe Valente, Deise Jacinto, Gabriel Iglesias … alguns nomes internacionais que eu nem conhecia, enfim, uma boa lufada de qualidade em meio ao desfile de musicais de gosto discutível. Respeitando a filosofia do canal, o senão fica apenas pela falta de alguns artistas de outras linhas na programação da emissora.
Como ainda insisti em seguir na minha campanha hercúlea enfrentando as programações religiosas na TV durante meu tempo de descanso, o destino me levou a mais um canal onde um tal pastor pregava sobre conceitos bíblicos, uma espécie de Escola Bíblica Dominical no ar … a questão nem consistia no conteúdo apresentado, mas na qualidade das imagens. Como na verdade a Palavra de Deus não muda, o tal pregador resolveu aproveitar seus vídeos gravados nos longínquos anos 80, com suas costeletas, gravatas enormes e grafismos psicodélicos. Era uma espécie assim de Túnel do Tempo … como o vintage está na moda, talvez esse programa retrô tenha seu charme … ou não.
No mais, muita campanha, muito sacrifício, muita toalha ungida, óleo ungido, sabonete ungido, símbolos da cultura judaica, danças estranhas, apelos por ofertas, sapatos de bico fino, gravatas espalhafatosas e lenços combinados, muito gel na cabeça, apelos por ofertas, camisas com marca de pizza embaixo do braço, interpretações estranhas da Bíblia, linguajar todo próprio criando quase um dialeto particular, apelos por ofertas, testemunhos, música incidental de terror e tensão, verdadeiros assassinatos à língua portuguesa, principalmente na concordância (como gostam de comer o “S”, oh Lord!), choros em demasia, relatos emocionantes, pregações exclusivamente sobre o Velho Testamento (não sei o que esta turma tem contra Jesus e o Novo Testamento!), teologias próprias, apelos por ofertas, música ruim, artistas sem expressão, clipes toscos (assisti um tiozão cantando para uma plateia especialmente formada por pessoas da terceira idade. Ele cantava uma canção num ritmo que tentava chegar a uma bachata ou algo mais latino. Talvez esta tenha sido a tentativa original. O tiozão parecia o boneco do posto se saracoteando num ritmo too próprio e estranho), vinhetas da década de 70, imagens amareladas e apelos por ofertas.
Ou seja, sinceramente acho que está tudo muito confuso. Há alguns anos atrás, um amigo me pediu algumas indicações de programa de TV ou mesmo alguma igreja para em palavras próprias: entender um pouco de Jesus. Pensei por alguns segundos e dei-lhe uma primeira dica: pra começar, não assista a nenhum destes programas da TV … esta dica eu dei já faz uns 7 a 8 anos e acho que se ele novamente me pedisse uma ajuda neste sentido, muito possivelmente minha resposta seria a mesma. Em minha modesta opinião, creio que teríamos um país muito melhor, muito mais justo, muito mais amoroso, ético, acolhedor, pacífico e humanizado se efetivamente a mensagem libertadora da graça de Jesus fosse pregada não só nos púlpitos das igrejas pelo país como também nas telas das TVs e mesmo pela web que cada vez assume mais papel de destaque dentro da comunicação de massa. Perde-se muito tempo em defesa das instituições, no levantamento de recursos e campanhas de arrecadação, na venda de produtos (outro dia cronometrei 18 minutos de ‘vendas’ num programa de 30 minutos de duração, ou seja, mais de 50% do tempo útil do programa) e, pasmem, na rixa entre esta ou aquela liderança, entre esta e aquela igreja. Isso é terrível, triste e melancólico!
Minha esperança e torcida é para que a comunicação no meio evangélico no Brasil seja transformada nos próximos anos. Que a qualidade seja uma busca incessante. Que a mensagem seja embasada na verdadeira e simples mensagem da Cruz. Que esta mensagem alcance e seja compreendida pelas pessoas. Que os interesses pessoais sejam sobrepostos pelo bem comum e maior. Que o Evangelho pregado em nosso país seja verdadeiramente a Boa Nova que muda a vida das pessoas e que influencie positivamente nossa sociedade como um todo.
Voltando ao Jornal Nacional em 3, 2, 1 …

Mauricio Soares, formado em Comunicação Social, bacharelado em Jornalismo e Propaganda & Publicidade, atuando há 28 anos no mercado gospel no Brasil e sobrevivente após algumas horas assistindo a programas religiosos na TV durante o feriado do Carnaval.

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Estava revendo alguns textos bem antigos publicados por aqui no Observatório Cristão e é bastante interessante constatar as mudanças ao longo destes últimos quase 9 anos de existência do blog. Algumas das dicas e análises que fizemos lá pelos idos de 2009 ou alguns anos à frente, soam hoje como informações paleolíticas, completamente defasadas, fora de contexto … ou seja, hoje são apenas instantâneos, fotos de um passado que aparentemente soam como longínquos mas que na verdade distam apenas alguns poucos anos.

As mudanças que vivenciamos e ainda convivemos neste momento atual são enormes, profundas e intensas. O que era importante alguns anos atrás, hoje soa como obsoleto ou desnecessário. O que antes sequer existia, hoje é fundamental, primordial, essencial. O mundo do entretenimento sofreu transformações radicais. O mercado fonográfico se reinventou e ganhou novos ares absolutamente alvissareiros, afinal durante mais de 20 anos a indústria da música em todo o mundo conviveu com o cataclisma da pirataria física, depois com a pirataria digital que assolou o mercado, provocou rupturas gigantescas, quebrou um monte de gravadoras, encerrou projetos. Especialmente neste período a indústria da música conviveu com o aposto, mercado em declínio, sempre citado em 10 de cada dez matérias publicadas na imprensa alusivas às gravadoras. E aí, eis que depois de anos e anos de queda, o mercado fonográfico voltou a crescer a partir de 2015, seguiu em alta em 2016 e certamente tem prognósticos muito positivos pelos anos seguintes.

Sempre gosto de citar que até alguns anos, no Brasil tínhamos cerca de 2 mil pontos de venda de discos no mercado gospel, entre livrarias, igrejas, sites, distribuidores, lojas de conveniência. Boa parte destas lojas encontravam-se nos grandes centros do país como Rio de Janeiro ou São Paulo. Em cidades do interior do país, encontrar uma loja com produtos evangélicos era um trabalho digno de um Indiana Jones, tamanha falta de opções. Pois bem, com as plataformas digitais, o mercado da música passa a contar não mais com poucos milhares de canais de consumo de música e sim com mais de 250 milhões de aparelhos celulares, outros tantos milhões de computadores com acesso à internet de qualidade, enfim, o consumo da música tornou-se global, democrático, portátil e muito mais ágil, afinal não se demoram dias até que o álbum chegue em rincões do sul ou norte do país, bastou que o conteúdo seja postado em alguma plataforma de audio ou video streaming para que imediatamente esteja disponível em todo o planeta.

Em minhas leituras do blog, deparei-me com um texto que listava algumas atitudes que certamente levariam o artista a ser um retumbante fracasso. O texto em questão era “Dicas Infalíveis para seu inSucesso” e ali eu dissecava sobre as várias atitudes que garantiriam ao artista-suicida um resultado catastrófico. Recentemente um jovem cantor me perguntou insistentemente sobre as 10 dicas para o sucesso e eu respondi-lhe muito tranquilamente que poderia listar várias atitudes que poderiam, juntas, transformar um projeto qualquer em sucesso, mas frisei que nem mesmo fazendo todas estas ações da melhor forma possível, eu teria condições de garantir o sucesso. O sucesso é intangível! Não se baseia em fórmulas! Mas é óbvio que algumas atitudes podem colaborar para uma melhor performance. De forma bem simples e direta resolvi elencar algumas dicas para os nossos 69 assíduos leitores do blog.

Em primeiro lugar, é importante que o artista entenda que a forma de pensar, agir e planejar hoje é completamente diferente de anos atrás. Não adianta se basear no sucesso de artistas que militavam na cena musical na década de 90 porque efetivamente hoje, nada do que eles fizeram no passado se aplicará nos dias atuais. Então, é fundamental trocar o ‘chip’ físico, analógico, pelo novo, digital.

E com isso, muita coisa muda também. Sai a necessidade de se apresentar ao mercado com um álbum completo de 14 faixas. Agora o artista precisa de uma única canção, também conhecido como “Single” ou um punhado de músicas, 3 ou até 5 faixas, o que chamamos de EP. A necessidade da versão em vídeo aumenta significativamente. Se antigamente o artista ou gravadora lançavam um clipe “da música de trabalho” apenas após meses e meses de lançamento do álbum, hoje em dia, o lançamento do Single é simultâneo à disponibilização de sua versão em vídeo. E, em muitos dos casos, a finalização do clipe irá inclusive determinar o melhor momento de lançamento da música. Ou seja, lançar uma canção sem vídeo é como comer macarrão sem molho … entendeu?

Entendendo que tudo é novo, partimos para as ações. O artista precisa ser usuário das plataformas de audio streaming. Não importa se você é habitué de novas tecnologias ou não, porque se você é do ramo da música e das artes, ter uma assinatura do Spotify, Deezer ou Apple Music, não é questão de luxo, mas de sobrevivência. Procure se tornar íntimo da plataforma de audio streaming de seu gosto assim como o Facebook ou o Instagram eram coisas que você não tinha intimidade alguma e tornaram-se tão próximos e vitais a ponto de você sofrer de crises de abstinência pela distância. Crie suas playlists. Conheça as ferramentas. Ambiente-se com as novidades. Confesso que hoje não consigo sequer me relacionar com um CD sabendo que aquele mesmo conteúdo está disponível na minha plataforma preferida.

É fundamental que o artista tenha uma assessoria de marketing digital. Antigamente (3 anos atrás) eu tinha muita dificuldade em indicar profissionais ou empresas de marketing digital para os artistas de nosso cast. Eram caros demais ou eram baratos demais e prestavam serviços de quinta categoria. Durante um bom tempo limitei-me a indicar uma única empresa. Só que hoje em dia esta situação mudou, para alívio dos artistas e da própria gravadora que hoje consegue desenvolver projetos e campanhas em parceria com as assessorias dos artistas. Felizmente já tenho entre 5 a 8 empresas para indicar nesta área, cada qual com uma performance, preço de investimento e foco muito distinto.

Semanalmente recebo 10, 15 contatos de artistas querendo ingressar no cast de nossa empresa. Especialmente neste momento em que as gravadoras desenvolvem seus labels digitais como incubadoras de jovens artistas, a demanda de artistas é enorme. E confesso que mesmo artistas de reconhecido talento e até com algum nome no mercado, quando nos procuram e estes não possuem uma mínima estrutura de marketing digital por detrás, o interesse da gravadora praticamente é desfeito. Em contrapartida, se um artista chega na gravadora para apresentar seu projeto e já vem acompanhado de números digitais relevantes e de uma assessoria de marketing digital, o tratamento é completamente outro. Fique ligado nesta questão!

Outra atitude importante é o artista ser intenso nas redes sociais divulgando não aquele prato de camarão internacional do Coco Bambu (olha o merchan aí pessoal!) na orla de Fortaleza, mas sua agenda e principalmente suas canções e conteúdos nas plataformas de audio streaming. Se até bem pouco atrás os artistas concorriam entre si para ver quem tinha maior número de seguidores na fanpage, Instagram ou Twitter, hoje em dia o importante é buscar aumentar o número de seguidores nas plataformas de video e audio. É inconcebível um artista de 3 milhões de seguidores no Facebook e minguados 10 mil seguidores no seu canal oficial de vídeos. Desastre total! Ou o artista ter 500 mil seguidores no Twitter e seus vídeos não passarem de 1 milhão de visualizações e suas playlists sequer terem seguidores ou uma quantidade consistente de streamings. Que fique bem claro! O que importa são os números de visualizações de vídeos e o número de vezes que as pessoas ouvirão suas músicas nas plataformas como Spotify, Deezer e AppleMusic. Agora é a hora dos milhões de acessos, em contraponto aos milhares de discos … compreende?

No momento vou parando por aqui. Espero retornar com conteúdo inédito nos próximos dias. O exercício de escrever no blog deve ser natural, mas de vez em quando preciso dar uma ‘forçada’ como fiz hoje após semanas de ócio criativo. Espero que a criatividade chegue com força em breve. Obrigado por sua companhia.

Mauricio Soares, sobrevivente do mercado fonográfico e gospel completando 28 anos de atuação no segmento. Um verdadeiro Highlander …jornalista, publicitário, consultor, palestrante e tricolor!

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Ecad ganha ação contra a OI FM que contestava a cobrança de direitos autorais de execução pública por músicas veiculadas no ambiente digital

O julgamento da ação movida pelo Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) contra a OI FM teve seu encerramento ontem (08/02) no Superior Tribunal de Justiça. A ação corria na 2ª seção do STJ e o Ecad saiu vitorioso com ampla vantagem: 8 votos a 1. A vitória do escritório central gera novas (e boas) perspectivas para a cobrança de direitos autorais de execução pública no ambiente digital. A decisão concluiu que a transmissão de músicas por ‘webcasting’, ‘simulcasting’, ‘streaming’ e ‘streaming interativo’ encontram-se integradas ao conceito de execução púbica definido pela Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610/98), sendo devida a cobrança por parte do Ecad. O escritório representa milhares de autores, músicos, intérpretes, produtores e editores.

Outros usuários, como Napster, Deezer, Google, You Tube, também não têm realizado o pagamento dos direitos de execução pública por falta deste entendimento, mas, agora, com a orientação do STJ, não poderão resistir ou protelar o reconhecimento dos direitos autorais. A expectativa é que a decisão de ontem contribua para o fim desta questão, pacifique o mercado digital e acabe com a aflição (e dor de cabeça) dos titulares de direitos autorais que não veem seus rendimentos chegarem por falta de pagamento por parte destes usuários. A decisão também deve aumentar significativamente a receita da arrecadação no ambiente digital, setor que vêm a cada ano crescendo em faturamento e audiência.

O julgamento corria no tribunal desde 2015 e estava parado desde o dia 9 de novembro de 2016 quando o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva pediu ‘vista’ (pedido de um tempo a mais para julgar) do processo.

Veja abaixo o que é cada modalidade de transmissão via internet:

Webcasting: Transmissão de áudio ou vídeo pela internet via streaming. Deriva do termo ‘broadcasting’, algo como ‘transmissão de radiodifusão’ na língua portuguesa

Streaming: Vídeo ou áudio transmitido através da internet em que o arquivo fica armazenado na ‘nuvem’ sem a necessidade de realizar download para consumir o conteúdo. O termo ‘streaming interativo’ é aplicado para definir plataformas como Deezer e Spotify que permite o público escolher quando e qual o conteúdo deseja consumir.

Simulcasting: Quando o conteúdo é transmitido por emissora de televisão ou rádio em simultâneo com aplicativo ou site da internet. ”

Fonte: UBC

Começo a escrever este texto logo nos primeiros minutos de vôo entre Rio de Janeiro e Salvador. Tudo indica que será minha última viagem de 2016, num ano em que fiz muitos giros internacionais e dezenas de deslocamentos pelo Brasil. E como sempre, aproveito estes minutos, às vezes horas de vôo para colocar em dia os textos publicados para deleite dos 69 assíduos, abnegados, fiéis, companheiros e atentos leitores deste blog. Ano que vem completaremos 10 anos de existência deste blog e é impressionante como algo que começou de forma absolutamente despretensiosa segue da mesma forma tempos depois, afinal – faço questão de sempre repetir – este projeto é apenas um agradável hobby onde me divirto a cada texto publicado e principalmente pelo feedback que recebo de tantas e tantas pessoas pelo país e até do exterior, que incluem-se como um dos nossos 69 leitores.

Todo fim de ano começam a pintar as listas de fatos e acontecimentos de destaque naquele período. Dizem por aí que o ano de 2016 foi tão intenso de catástrofes, escândalos, mortes, acidentes, fatos marcantes na política e na economia, Lava Jato, prisão de celebridades do cacife do ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral e empresarial, entre outros assuntos, que o programa de restropectiva da Globo irá começar neste ano e acabar lá por dia 2 ou 3 de janeiro somente. E como tenho feito por alguns anos, resolvi elencar alguns fatos que, em minha opinião, merecem destaque no blog no ano de 2016. Irei listar alguns destes acontecimentos, deixando claro que não seguirei uma ordem de importância ou relevância e como não anotei numa folha nada do que irei pontuar nesta lista, vou crer apenas em minha mente … o que ultimamente e pelo avançado da idade, pode falhar e me causar alguma falha de mérito.

Em primeiro lugar, acho que não poderia começar a lista sem falar de algo que tem se tornado tema recorrente em meu dia a dia, em minhas conversas, palestras e, principalmente, nos textos publicados por aqui no blog. Definitivamente vivenciamos a transição do formato físico para o digital no mercado da música gospel no Brasil. Acho que 2015 tivemos a consolidação do mercado digital no Brasil como um todo e, o ano seguinte foi especialmente de transição para o segmento gospel tupiniquim. Creio que 2016 foi o ano do entendimento deste novo momento do mercado da música entre os artistas e principalmente público consumidor. Palavras como streaming, playlist, Spotify, Deezer, passaram a fazer parte do vocabulário e principalmente do dia a dia das pessoas do segmento gospel no Brasil. Não por coincidência, dias atrás o Spotify em seu site de notícias publicou um balanço de atividades em 2016 e entre o ranking de 10 gêneros musicais de maior crescimento na plataforma durante o ano, a ”Brazilian Gospel Music” apareceu na nona posição no mundo todo! Isto é incrível e merece ser aplaudido de pé, igreja! Definitivamente vivenciamos um novo momento para a música gospel e em 2016, me parece que todos acordaram para esta nova realidade!

Outra novidade que parece ter chegado com força a partir deste ano foi a mudança na mentalidade de artistas, produtores de eventos e público. Sim! O ano de 2016 vai ser conhecido pela expansão da música gospel para fora das quatro paredes das igrejas e invadindo casas de espetáculos e teatros pelo Brasil. Na história da música gospel jamais tivemos tantas turnês, shows, atividades em teatros, tradicionais casas de eventos e até mesmo lugares inusitados como hamburguerias e parques pelo país. Artistas como Marcela Taís, Leonardo Gonçalves, Resgate, Tanlan, Cristina Mel, Paulo César Baruk, Priscilla Alcântara, Pamela, Estêvão Queiroga e o projeto Loop Session, lotaram teatros e casas de shows em diferentes cidades do Brasil. Isto mostra uma saudável tendência de valorização do público ao trabalho do artista. Também mostra uma mudança de mentalidade por parte dos artistas querendo oferecer ao público algo mais bem acabado, melhor elaborado e que seja também uma saudável modalidade de entretenimento cristão. Para representar esta nova fase, posso destacar os 33 shows em teatros e casas de espetáculos da turnê “Princípio”, protagonizada pelo talentoso Leonardo Gonçalves e sua magnífica banda, muitos com ingressos esgotados e sessões extras. Os últimos shows desta turnê reuniram quase 8 mil pessoas no Rio de Janeiro, com shows Sold Out no Teatro Bradesco e VIVO RIO.

Este ano será lembrado (pelo menos para mim!) pelos projetos fantásticos de Deise Jacinto, Estêvão Queiroga, Alexandre Magnani e uma turma que está chegando ao mainstream nos apresentando uma música de muita qualidade!

Seguindo com nossa lista e voltando ao tema ‘digital’ acho que vale a pena o registro sobre a mudança de atitude dos players deste mercado perante o mercado gospel. Hoje quando se fala de música gospel junto às plataformas digitais, a reação não é mais de nariz torcido ou aquele semblante de ‘cara de paisagem’ esperando que se mude de assunto. Não mais! O que observamos é uma atenção, um interesse e principalmente uma atitude pró-ativa querendo trabalhar em conjunto pelos melhores resultados. Acho que em 2016 tivemos a consolidação da presença do conteúdo cristão nas plataformas, especialmente Deezer – que conta com o primeiro curador de música gospel em sua equipe – e o Spotify que não tem medido esforços para ampliar o alcance dos artistas e seus respectivos conteúdos no meio digital.

Em termos artísticos, ninguém tira dois nomes entre os de maior destaque no ano. É óbvio que Leonardo Gonçalves tornou-se, ou melhor, consolidou-se como o maior nome do meio gospel no Brasil, inclusive ultrapassando as fronteiras e já conquistando espaço na América Latina, mas este processo vem sendo fortalecido nos últimos 3 anos em especial e acredito que 2016 foi só a ‘cereja do bolo’. No entanto, quem cresceu vertiginosamente neste ano, em minha opinião (irei sempre reforçar que este texto se trata de algo pessoal, isento de maiores dados ou pesquisas, é minha percepção e pronto!) foram Gabriela Rocha e a turma do Preto no Branco. A primeira, jovem talentosíssima e com um carisma impressionante. Ninguém passa incólume a uma ministração de Gabriela Rocha … não mesmo! E a pequena e intensa cantora que não pára nunca no palco, começou o ano gravando seu primeiro DVD e termina 2016 justamente lançando este trabalho depois de meses de espera do público. Enquanto isso, Gabi trabalhou e trabalhou muito, chegando a ter 20 apresentações por mês, algo incrível num ano de tantas crises e dificuldades no nosso país. Para mim, Gabriela Rocha tornou-se em 2016 a mais destacada cantora de música gospel no país e, em especial, a principal ‘ministra de louvor’ do meio cristão, posto que já foi ocupado por gente do quilate de Ana Paula Valadão, Ludmila Ferber, Nívea Soares, só pra sentir como esta mocinha no auge de seus poucos 20 anos conseguiu progredir em sua carreira nos últimos anos! O outro artista que quero incluir entre os destaques deste ano é o Preto no Branco, que em 27 anos de mercado que tenho, deve assumir seguramente a posição de projeto de crescimento mais meteórico com que tive contato. Em pouco mais de 1 ano, o Brasil inteiro, crente ou ateu, cristão ou secular, conheceu e cantou as músicas do Preto no Branco. A turma chegou a ter 23 apresentações em 26 dias de turnê pelo país e por onde passaram colocou todo mundo pra dançar, cantar e se emocionar. Impressionante mesmo! Coincidência ou não, tanto Preto no Branco como Gabriela Rocha, fecham o ano sendo os 2 artistas de maior visibilidade nas plataformas YouTube/VEVO entre todos os artistas do segmento no Brasil, ambos superaram 100 milhões de views em seus canais de vídeo. Sucesso absoluto!

Ainda no tema ‘música’ creio que em 2016 vivenciamos uma democratização nos estilos musicais dentro do cenário artístico gospel. Este fato deve-se muito mais à popularização do consumo de música através dos meios digitais do que propriamente a um boom criativo no segmento. Tempos atrás, onde o CD e DVD ditavam as regras do mercado fonográfico, especialmente no meio gospel, as gravadoras optavam por poucos nomes, poucos estilos. Tínhamos uma limitação entre os estilos pop e pentecostal, os mais vendáveis até então. Esta padronização em função de interesses comerciais limitava o surgimento de novos artistas e principalmente de novos estilos. Com a chegada do digital, novos artistas passaram a se destacar e com eles, uma nova modalidade de estilos musicais. Na época dos CDs, dificilmente artistas como Os Arrais, Deise Jacinto, DJ PV, Paulo Nazareth, Gerson Borges, teriam espaço em gravadoras do mainstream. Pois bem, agora não só estes artistas e suas propostas musicais estão ao alcance de qualquer pessoa, como efetivamente tornaram-se importantes dentro deste novo contexto.

Quando em 2015 lançamos o projeto Sony Music Live muita gente ficou sem entender muito bem a proposta daqueles vídeos semanais com diferentes artistas, em diferentes cenários e locações, com produções simples (não simplórias!) porém chiques … de verdade, recebi alguns questionamentos sobre a estratégia e expectativa daquele projeto. Passados 2 anos e mais de 150 milhões de views depois, inclusive incluindo conteúdos de música secular ao projeto, percebemos claramente uma tendência entre gravadoras e artistas no mundinho gospel. O ano de 2016 foi uma profusão de live sessions, algumas nem tão live assim … mas que efetivamente consolidaram o projeto piloto lançado pela área do A&R Gospel da Sony Music e criaram toda uma cultura de conteúdo de vídeo para não só divulgar o artista e seu trabalho, mas principalmente abrir uma nova fonte de receita para artistas e gravadoras.

Por falar em vídeo, destaque para o clipe ‘Jeremias’ do Gabriel Iglesias … top das galáxias! E o recém lançado clipe de Priscilla Alcântara, “Sou Escolhido”, dirigido por Hugo Pessoa e que em pouco menos de 48h no ar passou de 250 mil visualizações. Entre os Lyric Videos, vale conferir os materiais produzidos pela Deise Jacinto e a banda Tanlan.

Especialmente no fim deste ano, observei que tivemos várias premiações destacando artistas de música gospel entre sites, blogs e eventos como o Troféu Ouro e o mais recente, Troféu Gerando Salvação. Temos o tradicional Grammy Latino, na categoria ‘música cristã em língua portuguesa’, que me parece algo completamente distante da realidade do que acontece em nosso meio com suas escolhas estapafúrdias, desconexas com a realidade e absolutamente sem critério … sobre este prêmio prefiro nem tecer muitos comentários a respeito. Verdadeiramente sinto falta de uma premiação que seja no mínimo criteriosa, porque no fim das contas, justiça não chega a ser um componente muito presente em questões subjetivas. A boa notícia, dada por quem esteve presente ao evento (infelizmente não pude ir!), é de que o Troféu Gerando Salvação teve uma produção impecável, uma noite mesmo muito especial. Espero que em 2017 este prêmio se consolide e que seja mais reconhecido por todos do segmento e público.

Em termos de mídia, especialmente, rádio, a medalha de honra ao mérito vai para a Rádio Melodia 97,5 FM que chega ao fim de 2016 consolidada na liderança entre as emissoras do Rio de Janeiro e entre as 3 mais importantes em todo o país. Congratulations!

Já entre resultados de vendas, “Obra Prima”, novo projeto de Damares, fechou o ano na liderança de vendas do mercado com mais de 60 mil cópias vendidas. Importante salientar que Damares também se destaca como a artista gospel brasileira com maior número de assinantes dos serviços de ring back tone, algo em torno de 1,6 milhão de inscritos. Ainda sobre números, Leonardo Gonçalves se firma como artista gospel brasileiro com maior relevância nas plataformas de audio streaming possuindo, apenas no Spotify, mais de 320 mil playlists no mundo, com ao menos uma música sua inserida. Entre as músicas mais executadas e ouvidas nas rádios e plataformas de audio streaming, destaque para “Ninguém Explica Deus” com Preto no Branco e participação de Gabriela Rocha, sem dúvida, a grande canção de 2016.

Já vou finalizando este texto. Para aqueles que consideraram os destaques muito chapa-branca, muito relacionados ao cast ou projetos da gravadora na qual trabalho, o que posso afirmar em minha auto-defesa é que quem discordar, basta elaborar sua própria lista. Este blog sempre foi um espaço bem personalista, pessoal, quase confessional … e de forma muito leve e tranquila, acredito piamente em todos estes destaques que listei acima. Talvez tenha falhado deixando algo ou alguém de fora, mas também a respeito disso já adiantei logo nas primeiras linhas que esta lista era algo feito ‘de cabeça’, sem maiores estudos, pesquisas ou qualquer aprofundamento técnico.

O ano que parece não querer acabar, no campo pessoal foi muito difícil para mim. Tive a perda doída (como me faz falta!) de meu pai no início do ano e isso repercutiu muito ao longo de 2016, inclusive me fazendo rever e repensar algumas atitudes e prioridades. Mas também tive grandes conquistas e em especial, o início das atividades do projeto de música cristã junto à Sony Music México seguindo por completo o modelo do projeto que implantamos por aqui no Brasil. Tive oportunidade de fazer muitas viagens internacionais, inúmeras nacionais (muitas mesmo!) … conheci muita gente interessante, trabalhamos demais (como sempre!), encontramos artistas fantásticos, aprendemos muito, dividimos nosso conhecimento e chegamos ao fim do ano completamente no limite das forças físicas. Mas agradeço imensamente a Deus por ter me sustentado até aqui e por ele insistir em usar uma pessoa tão imperfeita pra trabalhar em seu Reino e realizar coisas tão grandes. Não poderia finalizar este texto, sentado no saguão do aeroporto de Salvador, retornando para casa em pleno domingo, em minha última viagem a trabalho de 2016 recordando-me (e ouvindo) a canção “Princípio e Fim” com Leonardo Gonçalves.

“Quando penso em desistir, lembro que Você, insistiu em mim”

Que venha o novo ano … e com ele melhores notícias para o povo brasileiro, porque confesso que foi difícil aturar 2016 com tantas notícias ruins …

Mauricio Soares, jornalista, pai, esposo, publicitário e um brasileiro que não desiste quase nunca!

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A impressão que tenho neste momento de últimos dias de dezembro é que o ano de 2017 já começou e que 2016 ainda insiste em existir! Pois é … já estamos trabalhando ativamente pelos lançamentos de janeiro e fevereiro do próximo ano como se não tivéssemos aquele período de recesso, descanso e respiro tão comum em anos anteriores. E o motivo disso não tem a ver com a crise econômica, com a crise política do país, com a camada de ozônio ou a falência dos estados como Rio de Janeiro ou Minas Gerais, nem mesmo com a eleição do Trump lá na terra do Tio Sam … a razão desta sequência interminável de trabalho é que estamos vivenciando mais uma mudança dos tempos digitais.

Nos últimos anos, em especial, neste ano de 2016 venho repetidamente falando sobre a transição do mercado físico para o digital, falamos muito sobre os novos hábitos de consumo, as novas plataformas digitais, a mudança de estratégias, metas e objetivos que realmente importam … e agora identifico mais uma mudança significativa, a saber, os lançamentos de projetos, EPs, singles, vídeos, não se baseiam mais em datas especiais ou períodos específicos, ou seja, todo dia é dia para se lançar conteúdos.

Por exemplo, no dia 23 de dezembro, às vésperas do Natal, teremos o lançamento de um novo single. Na semana seguinte, um dia antes do Reveillon, lançaremos outro projeto. Nem bem nos recuperamos das rabanadas e na sequência lançaremos mais 2 projetos na primeira semana de janeiro. E esta rotina seguirá intensa semana após semana numa maratona sem fim. E esta ‘produção em série’ faz parte deste novo contexto do mercado fonográfico. Vale aqui um outro comentário que tem a ver com esta quantidade de lançamentos. No dia 09 de dezembro, lançamos pela Sony Music 4 produtos simultaneamente – Gabriela Rocha, Samuel Mizhary, André e Felipe e Irmão Lázaro. Cada um destes produtos tem públicos distintos, apresentam propostas artísticas e musicais bem definidas, em outras palavras, não se sobrepõem. E justamente por estas características, todos os 4 lançamentos performaram com grande resultados. Gabriela Rocha chegou à posição 4 entre os produtos mais vendidos no iTunes Brasil naquele dia. Samuel Mizhary chegou à nona posição, André e Felipe alcançou a vigésima posição e Irmão Lázaro alcançou a posição de número 118. Ou seja, os 4 lançamentos figuraram no Top 150 do iTunes Brasil, algo inédito até então. Vale lembrar que neste mesmo dia tivemos ainda a presença de mais 5 projetos de catálogo da Sony Music neste chart de mais vendidos.

Se tempos atrás os A&R das gravadoras corriam atrás dos ‘grandes vendedores de discos’ e trabalhavam de forma cirúrgica buscando aqueles artistas que sozinhos garantiam boa parte das vendas, hoje, em tempos digitais, cada vez mais esta busca se torna intensa, no entanto, o leque de opções artísticas para a gravadora se amplia consideravelmente. Atualmente cerca de 80% das vendas digitais dão-se através do produtos de catálogo e apenas 20% sobre lançamentos. Cabe aqui uma explicação, bem didática, considera-se produto de catálogo todo projeto com mais de 18 meses de lançamento. Projetos antes deste prazo, são considerados lançamentos.

A partir de agora, iremos ouvir muito uma determinada palavra: ESCALA. É verdade, saímos da fase da assertividade e passamos para a fase da amplitude. Traduzindo: as gravadoras deixarão de focar apenas em poucos artistas que podem trazer grandes resultados de vendas e se dedicarão a ter o maior número de artistas e projetos em seu cast. Isto porque no mundo de consumo digital, tudo precisa ser gigante! E quando digo gigante, é gigante mesmo! Clipes com menos de 2 dígitos em milhões de visualizações não trarão remuneração suficiente sequer para recuperar o valor de investimento na produção. Uma faixa de áudio sem milhões de streamings também não fará nem cócegas … No chart semanal de streamings – relatório de desempenho de faixa a faixa nas principais plataformas de audio streaming no Brasil – o líder do ranking sempre ultrapassa 1,5 milhão de streamings semanais, quando não ultrapassa a marca de 2 milhões. Entre o Top 200 desta lista, os últimos integrantes deste seleto grupo, em média têm 300 mil streamings semanais. A título de informação, até hoje não tivemos um único representante da música gospel presente neste chart de streaming no Brasil. Este é, sem dúvida, o grande desafio que teremos em 2017 em se tratando de música gospel no país.

É assustador perceber que ainda temos artistas e gravadoras trabalhando de forma completamente desfocada neste novo ambiente de negócios e consumo. A mudança é ampla, geral e irrestrita e a necessidade por conhecimento é total! Vale ressaltar que não existe segmento, estilo ou público que não seja passível de entender estas mudanças e se engajar neste novo contexto. Não costumo usar muitos exemplos de projetos de meu dia a dia aqui para o blog, mas permito-me destacar os recentes resultados que estamos tendo no projeto da cantora Damares. Todos temos ciência de que o público que consome conteúdo pentecostal tem menos adequação às plataformas digitais do que de outros artistas como Gabriela Rocha, Priscilla Alcantara ou Leonardo Gonçalves. No entanto, em conjunto com a equipe de Digital Sales e de Digital Marketing da companhia elaboramos uma série de ações e estratégias para que o enorme público das redes sociais da cantora de alguma forma migrasse para as plataformas de audio streaming e mesmo outros canais digitais. Depois de algumas semanas de intenso trabalho constatamos crescimento de 300% na performance de Damares na Deezer e Spotify e em 66% em assinaturas de RingBackTone nas operadoras de telefonia. Sucesso!

Meu desejo é que cada vez mais o nosso meio esteja engajado neste novo momento tecnológico e de consumo. E para esta adequação é importante a busca do conhecimento e a vontade pela mudança. Espero que os 69 leitores deste blog curtam e exercitem tudo o que têm aprendido por aqui. Que venha 2017 … que 2016 se vá o quanto antes!

Mauricio Soares, jornalista, publicitário, consultor de marketing e gerenciamento de carreiras, tricolor, carecendo por férias … pé na areia … mente na lua …

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Quando adolescente recordo-me que nada era mais importante para mim do que praticar esporte, neste caso, o handebol. Treinava de segunda a sábado, no mínimo 3 horas por dia, algumas vezes complementando os treinos com sessões de natação e corrida. A imensa maioria não sabe deste meu lado desportista, mas em termos estudantis e amador, conquistei muitos e muitos títulos, alguns de forma consecutiva após anos. Neste período, é claro, também dedicava-me aos estudos, à música na igreja e ao namoro com a mulher que hoje é minha esposa e com quem tenho 3 meninos lindos (graças à mãe, registre-se!). No entanto, a minha prioridade máxima naqueles tempos era justamente o handebol. Nada superava em importância aquele esporte.

Hoje meu primogênito segue os passos do pai e de igual forma vive intensamente a prática de esportes, só que neste caso, apesar de sua habilidade no volei e handebol, a preferência dele é pelo esporte bretão, independente do piso, seja no campo, sintético ou mesmo na quadra. O rapazinho, hoje com 16 anos pode disputar 3 campeonatos simultâneos, jogar uma partida pela manhã e estar devidamente apto e bem disposto a jogar outra pelada à tarde. A prioridade dele (e é bom que aproveite esta fase da vida!) é pelo futebol e por esta, não mede esforços e contusões. Já o meu segundo filho, resolveu seguir a tradição herdada pelo pai e tornou-se campeão municipal de handebol neste último ano. Meu craque!

Já na vida adulta, surgem outras prioridades. Lembro-me que num determinado momento de minha vida, recém casado, quis ter a experiência de morar um tempo em São Paulo. Como bom fluminense (nascidos no Estado do Rio são chamados de fluminenses. Não confunda com cariocas, que são aqueles nascidos na cidade do Rio) sempre ouvi dizer que o melhor lugar do mundo era justamente o Rio de Janeiro e que São Paulo seria um lugar apenas para trabalhar, ganhar dinheiro. De forma muito própria, sempre tive grande carinho pela cidade de São Paulo, onde praticamente marcava presença ao menos 1 a 2 vezes por mês, mas mudar de cidade era algo muito radical. Pois bem, coloquei esta questão como prioridade em minha vida, orei muito, fiz um trato com Deus (tenho muitas experiências fantásticas nesta relação de ’melhor decisão’ com participação dEle no comando, um dia falarei mais sobre isto!), conversei com minha esposa e poucos meses depois estava mudando de ares, primeiro um período de adaptação em Atibaia e poucos meses depois, já estava desembarcando na grande capital paulista onde permaneci por quase 4 anos.

Especialmente minha vida profissional foi (e está sendo) movida por planejamento e prioridades. É interessante, depois de mais de 25 anos de estrada, observar que minha trajetória foi sendo delineada de uma forma bem constante e crescente. Vejo como experiências que tive lá no início serviram para que eu pudesse ter melhor performance e desempenho muitos anos depois. Entre minhas prioridades como profissional, sempre esteve o crescimento, aprendizado e uma visão panorâmica das diferentes atividades. Trabalhei como diretor de programa de TV, como gerente comercial, apresentador de programa de rádio, roteirista, marqueteiro, jornalista, embalador de caixas (isso é fato! Em tempos de muitas vendas e pouco prazo de entrega, cansei de ir ao estoque separar pedidos), palestrante, consultor, organizador de eventos … enfim, um monte de coisas!

Dias atrás conversando com um querido pastor e amigo ele me perguntou sobre como eu me via daqui 10 anos. A pergunta pegou-me de surpresa, mas com a certeza de que a ideia já está bem consolidada em minha mente, respondi que me via exatamente onde me encontro atualmente, à frente do projeto de música cristã na companhia em que trabalho desde 2010 (minha maior passagem de tempo num único emprego), talvez ampliando um pouco mais minha atuação, não restringindo-me ao Brasil somente. Esta é minha meta, meu objetivo, minha prioridade. Talvez uma entre outras prioridades, mas neste momento é a que me vem à lembrança de forma mais contundente.

E como estamos na fase das grandes decisões de fim de ano em que costumamos listar algumas metas para o próximo período. Resolvi aproveitar esta oportunidade para listar algumas prioridades para quem pretende seguir ou que se encontra em meio a uma carreira artística.

A prioridade número 1 para um artista em 2017 deve ser definitivamente se inserir no contexto do mundo digital. Se você não está entre os experts das ferramentas, tecnologias e atitudes no mundo digital, então, até por uma questão de sobrevivência, é fundamental que no próximo ano esta inércia seja rompida de vez! E aí vale apelar pra tudo quanto é lado … vale fazer curso, participar de treinamentos, fazer pesquisa na internet, ler muito, ouvir muito, procurar ajuda do primo, vizinho, amigo e principalmente buscar a ajuda de profissionais do meio. Sempre digo que o artista não precisa ser o Steve Jobs, mas um mínimo deste universo digital precisa entender e, mais do que isso, precisa contar com a ajuda de profissionais para esta área. E aí, vale a pena pesquisar pelos melhores profissionais e empresas na área de marketing digital. Lembrando que qualidade não está diretamente ligada a baixos investimentos. Pelo contrário! Para se ter ajuda dos melhores profissionais é preciso entender que precisa investir à altura. E, neste quesito nunca é demais lembrar que estamos falando de carreira, de sobrevivência, de posicionamento, questões cruciais como são importantes manter-se em dia o freio, pneus, faróis e outros itens de segurança em automóvel. São questões inegociáveis!

Ainda com relação ao mundo digital, priorize aumentar o número de seguidores nos canais de streaming, seja áudio ou vídeo. Não se iluda com números estrondosos em suas redes sociais. Prefira ter seguidores nas suas playlists, nos canais de vídeo, nos seus perfis do Spotify e Deezer, por exemplo. Efetivamente de nada adianta ter milhões de seguidores no Facebook e não manter uma quantidade relevante de streamings semanais nas plataformas de audio streaming. Priorize aumentar o número de seguidores e em seguida, que estes seguidores acessem maciçamente seus conteúdos digitais. Para isto, é fundamental que você entenda a dinâmica destes canais, mantendo-os constantemente atualizados e atraentes para seu público. Em um texto recentemente publicado por aqui, abordei muito sobre a importância do artista primeiro entender e utilizar as plataformas streamings para somente depois começar a divulgar e incentivar seu público a consumir seu conteúdo.

Outra importante prioridade para 2017 para aqueles que ainda não entenderam a importância do vídeo na propagação e popularização de seus conteúdos, marca, imagem. Coloque como meta para o próximo ano produzir o máximo de conteúdo em vídeo, seja clipes, live session ou mesmo covers, o que importa é você estar à frente da câmera mandando o seu recado! Tão importante como buscar o melhor estúdio, os melhores músicos, o arranjo adequado, deve ser a produção de conteúdo em vídeo. Na verdade, vejo que além da mixagem e masterização de uma faixa ou disco, a produção de conteúdo em vídeo assume igual importância das outras etapas. Não se deve lançar música sem o correspondente visual. Não se lança um álbum, sem ao menos ter 3 vídeos preparados para se disponibilizar em sequência. Simples assim!

Outra prioridade para 2017 é estar aberto a novas experiências. No meio musical, a máxima de que “em time que está ganhando não se mexe”, definitivamente não se aplica! Nas 2 últimas semanas, em conversas com artistas, coincidentemente 3 cantoras me disseram que para o novo projeto estão pensando em mudar seu estilo musical, caminhando num sentido oposto de até então. Todas as 3 artistas também comentaram sobre a busca por novos compositores e principalmente, produtores. Isso é fantástico! Sempre busquei dar liberdade aos artistas com quem trabalho e incentivei-os na busca pelo novo e muitas vezes ouvia deles a ladainha de que estava bom daquele jeito, então ‘mudar pra que?’. Só que o público está cada vez mais à procura de novidades, novas sonoridades, novas letras, novos temas e novas performances! Não dá para repetir fórmulas! Especialmente no nosso meio gospel tupiniquim temos uma cultura de repetir os cases de sucesso. Se um determinado compositor ‘estourou’ um hit … todo mundo pede música a ele até secar por completo a fonte no melhor estilo Serra Pelada. Se um diretor de vídeo faz um clipe criativo, corre todo mundo pra ele e o dito cujo acaba se achando o próprio Quentin Tarantino. O mesmo ocorre para os produtores, fotógrafos, assessorias de marketing e imprensa e por aí vai.

Ainda sobre o tema acima, posso citar mais um assunto relacionado, que vem a ser a mudança no conceito de relação entre o artista e o formato de seu trabalho. Em outras palavras, já não há mais necessidade de se trabalhar apenas com o formato CD ou DVD. Hoje a tendência é que tenhamos muito mais singles e EPs, Live Session e projetos especiais. Então, entre as prioridades de 2017, incluiria a opção de experimentar novos formatos de exposição de sua arte, de seu conteúdo! Se até bem pouco tempo atrás a tendência dos DVDs era ostentar ao máximo com palcos gigantescos, efeitos mirabolantes e milhares e milhares de pessoas à frente do palco se espremendo, suadas, com celulares em punho e nem sempre no melhor padrão de beleza, acredito que este tipo de projeto caminhará para algo bem mais simples, intimista e que apresente o artista de uma forma mais crua, sem necessariamente descambar para as produções pífias, pelo contrário! imagino tudo mais chique, onde o menos é mais! O mesmo posso dizer com relação às produções musicais, para os próximos tempos, imagino mais acústicos, menos orquestrações, mais bases eletrônicas. Esta experimentação que proponho inclui a forma do artista apresentar seu conteúdo ao público diminuindo a quantidade de músicas e especialmente, a periodicidade de novos conteúdos. Exemplificando: se antigamente era padrão o artista lançar um disco de 14 faixas a cada 1 ano e meio a 2 anos, agora a tendência é pelo número reduzido de faixas, entre 3 a 5 por projeto e num período a cada 6 ou 10 meses.

Vou parando por aqui, já em procedimento de descida após um dia em São Paulo em que tive muitas reuniões e a oportunidade de assistir ao primeiro show da turnê “Diálogo Número 1” do super talentoso Estêvão Queiroga. Quem ainda não teve acesso a este projeto, sugiro que faça de imediato! É um disco pra se ouvir repetidas vezes e surpreender-se igualmente, a cada audição.

Este texto é dedicado a todos que se emocionaram com a tragédia de Chapecó e que se solidarizaram com a dor da família, moradores, torcedores, amigos, profissionais.

Mauricio Soares