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Belém tem mais do que a deliciosa culinária amazônica!

Tive o prazer de retornar à capital paraense depois de quase 3 anos sem pisar naquela cidade. Berço do pentecostalismo no Brasil, o Estado mantém um ritmo acelerado de crescimento do segmento evangélico. A região é, sem dúvida, uma das principais áreas de concentração da população evangélica no país, assim como São Paulo, Rondônia, Goiás, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Por 2 dias intensos participei de reuniões, encontros, visitas a lojas e ainda tive tempo para contemplar a bela Baía de Guajará e ali desfrutar um belo prato regional acompanhado de alguns amigos. E durante este curto período fui convidado a participar de um encontro com alguns artistas locais. Confesso que cheguei ao Teatro do Gasômetro, belíssimo espaço cultural encravado no centro de Belém, sem saber ao certo do que se trataria aquele encontro. Já na chegada fui recebido por simpáticos sorrisos, apertos de mãos, abraços num clima agradável e despojado. Observei que haviam instrumentos musicais, sistema de som e um farto café da manhã sendo servido aos presentes.

Aquele encontro matutino em plena terça-feira reunia alguns dos artistas que fazem a música gospel paraense. Tive a grata surpresa de reencontrar o vocalista da banda Conexão Direta, expoente da música gospel local com 25 anos de estrada e que sempre buscou incluir os ritmos locais como o carimbó no repertório de seus discos. Também conheci jovens talentos, outros tantos nem tão jovens e buscando seu espaço no cenário artístico local e nacional. Foi sem dúvida, um encontro inesperado mas absolutamente agradável.

Depois das apresentações iniciais do promotor do evento, o querido Luiz Porto, os artistas foram se revezando um a um na defesa de suas canções. Aquilo virou uma espécie de sarau onde informalmente cada artista apresentava sua canção e todos participavam de alguma forma. A motivação maior deste encontro foi a ideia de se lançar um disco, uma coletânea, que reúna os artistas locais e artistas reconhecidos nacionalmente. Seria uma espécie de intercâmbio entre os artistas paraenses e os artistas do sul e sudeste que já possuem carreiras de sucesso no segmento.

Ouvindo com atenção cada um dos artistas ali presentes observei alguns aspectos bem interessantes. O primeiro é que a música gospel é uma manifestação artística riquíssima em estilos. Naquela manhã ouvi pentecostal pop, MPB, adoração congregacional, um quarteto a capella, um autêntico pop e até um som mais regional com muito suingue e tempero. Entre todos os que se apresentaram encontrei artistas muito bem resolvidos, praticamente prontos para saltos mais altos. E isso realmente me impressiona! A música no meio gospel é recheada de talentos.

Outro aspecto que me chamou a atenção foi a dificuldade que estes artistas têm em se destacar na própria região apesar, repito, do grande talento que possuem! A ideia de que ninguém é profeta em sua casa é perfeita neste ponto em questão. Ouvi relatos de que rádios locais não dão a devida atenção aos artistas locais. Que os grandes eventos priorizam artistas do sul. Que as igrejas não apoiam artistas da região e que mesmo os ministérios de louvor preferem cantar músicas importadas de outras regiões do país. Que o sudeste é um pólo de influência artística para todo o restante do país é um fato! O Rio de Janeiro, em especial, como capital federal por muito tempo e depois com o alcance da Rádio Nacional e posteriormente da Rede Globo, mantém a hegemonia cultural e de influência para todo o restante do país. É engraçado ver jovens em Macapá usando gírias e repetindo a moda dos descolados do Leblon ou Ipanema. Para reforçar ainda mais esta observação, vale ressaltar que todas as principais gravadoras do meio secular e gospel encontram-se na capital fluminense.

Após as apresentações fui convidado a dar uma rápida palavra (mal sabia o anfitrião que nestes casos não consigo ser tão prolixo e desatei a falar numa mini-palestra) a todos os presentes. Como não poderia deixar de ser externei minha profunda surpresa e satisfação em deparar-me com tantos talentos. E comecei a dar algumas dicas importantes sobre mercado digital, a mudança do ambiente artístico, a importância em se investir cada vez mais em vídeos, a questão das redes sociais e também sobre a estratégia dos círculos concêntricos de atuação, algo que já mencionei outras vezes aqui mesmo no blog. Fiz uma rápida explanação do que poderia ser o projeto da coletânea e de pronto sugeri que todos aqueles presentes passassem a trabalhar num sistema de cooperativa buscando em conjunto aumentar a visibilidade da música cristã produzida no Estado do Pará. Creio que dali já saíram outras ideias como a de se gravar clipes ou mesmo um DVD para popularizar a produção local.

Não de forma empolgada, mas com bastante seriedade comprometi-me a ajuda-los como uma espécie de mentor na busca de soluções e ações visando esse upgrade na produção local. Percebi que ao fim da reunião havia um novo ânimo naquela turma. Depois durante o dia fui conferindo postagens nas redes sociais dos participantes e tive a certeza de que aquele simples encontro havia causado um alento para todos os que estiveram presentes. Confesso que me senti muito feliz em poder de alguma forma trazer essa nova visão sobre alguns aspectos, mas principalmente em animá-los a seguir em frente!

Em um texto publicado no blog já há alguns anos atrás comentei sobre a necessidade de termos mais pessoas dividindo suas experiências para a turma mais jovem. Neste texto destaquei que no início de minha caminhada no segmento gospel tive pouquíssimos mentores e que boa parte do que aprendi e desenvolvi foi a base de observação, tentativas, erros e acertos. Vejo que boa parte dos artistas de nosso segmento, mesmo aqueles que de alguma forma alcançaram alguma relevância no meio, são carentes de profissionais que os orientem sobre os procedimentos mais corretos a se seguir. Ainda em Belém, já no fim de um dia exaustivo, tive a oportunidade de conhecer um jovem pastor e por mais de uma hora batemos um papo muito animado. Entre tantos assuntos, ele me perguntou sobre um ou outro artista, como haviam alcançado o sucesso, como seriam as carreiras de alguns nos próximos anos, entre outras questões. A conclusão é de que boa parte dos artistas têm falhado porque falta-lhes alguém para orientá-los, identificar possíveis erros de rota, apontar soluções e gerenciar efetivamente suas carreiras.

Há pouco mais de 6 anos lancei de forma descompromissada o blog Observatório Cristão. Minha intenção era analisar fatos e notícias do meio editorial, fonográfico e mesmo de comportamento no segmento evangélico do ponto de vista de um profissional de marketing. Aos poucos seguimos para uma linha editorial predominantemente focada na área artística e suas vertentes. Muito do que escrevo por aqui é fruto de experiências do meu dia a dia. Inclusive alguns amigos até brincam querendo descobrir qual artista ou fato específico refiro-me em alguns dos meus textos. Como não consigo estar mais próximo dos artistas ou postulantes a um espaço no cenário artístico, utilizo-me do blog para de alguma forma ajudar e orientar toda esta turma. Costumo sempre brincar que temos 66 leitores assíduos, mas por minhas andanças pelo Brasil sei que temos muito mais do que isso. Encaro o blog como uma pequena contribuição de minha parte aos leitores e também como uma obrigação de minha parte em dividir o conhecimento com o máximo de pessoas. Isso é o mínimo que posso fazer como forma de agradecer a oportunidade que Deus me deu em seguir esta profissão por tanto tempo.

Finalizo este texto já preparando-me para aterrissar na Cidade Maravilhosa. Gostaria de incentivar aos artistas fora do eixo Rio-São Paulo a de alguma forma seguirem o exemplo da turma do Pará. Que tal juntarem forças para divulgar melhor os trabalhos de artistas regionais? Também gostaria de incentivar aos pastores e profissionais de rádio a darem mais atenção às “pratas da casa”. Todo mundo precisa de um apoio no início da jornada e com os jovens artistas isso não é diferente! E a todos, continuo incentivando a leitura do Observatório Cristão e inclusive gostaria de convidá-los a ler textos publicados há 2, 3 anos atrás. Temos muitos textos interessantes publicados e que para não tornarmo-nos repetitivos não voltamos ao assunto apesar de sua relevância. Então, que tal navegar com bastante calma nos textos mais antigos?

Boa leitura!

Mauricio Soares, jornalista, publicitário, consultor de marketing, palestrante. Quero aproveitar e agradecer ao imenso carinho que recebi dos paraenses nestes dias. Foi muito bom enfrentar esse enorme calor amazônico com a receptividade da turma local!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.

One Comment

  • Marcello Farias

    09/09/2014 at 09:28

    Bacana..o café foi mt legal..e tem muita gnt boa que sequer esteve la ainda..tem muito a ser “explorada’ nossa musica e cultura paraense. Volte sempre!

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