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Blá Blá Blá …

Dias atrás a fanpage da Sony Music na área gospel superou 2 milhões de seguidores. Esta é uma marca incrível, ainda mais se comparada com as demais fanpages de empresas do setor, seja no Brasil ou mesmo no exterior. Pouquíssimas são as empresas do mercado gospel que contam com mais de 1 milhão de seguidores, então chegar à marca de 2 milhões realmente é algo a se comemorar e muito! E como parte destas comemorações, a equipe de marketing digital colocou um post na fanpage agradecendo aos fãs pelo resultado incrível. Tudo muito natural, muito normal …

Algumas horas depois desta postagem e também comemorando o resultado, atrevi-me a conferir os comentários das pessoas sobre essa notícia. Não precisei rolar muito a tela para perceber que a esmagadora maioria dos comentários não faziam a menor referência ao assunto em si, mas na palavra “fã” que foi inserida no post. Vi comentários ‘talibanescos’ de dar medo, outros tantos comentários santarrões apareceram e me criaram uma curiosidade por saber como que um anjo ou um ser tão purificado fazia naquele momento lendo a fanpage. Os comentários faziam estudos apologéticos, escatológicos, sociais, psicológicos e toda sorte de análises. Ou seja, o que deveria ser um simples post comemorativo acabou tornando-se um debate acalorado sobre o uso das palavras.

Há alguns anos atrás, publiquei um texto aqui mesmo no blog, que falava sobre o uso de termos e expressões ‘gospelmente corretas’ seguindo o conceito do politicamente correto. Um cantor para tornar-se adequado com o segmento deve ser tratado de levita. Um artista, para ser considerado puro, deve ser tratado como adorador. Show não é show! No máximo um culto de louvor e adoração. Uma apoteose espiritual! Cachê? Nunca, jamais! Isso é coisa de comerciante! O correto é dizer “oferta” e se for “oferta de amor”, aí é lindo! Divinal! O palestrante que segue viajando de norte a sul do país participando de reuniões e cultos (e recebendo por isso) é o pregador ou pastor itinerante. Ou seja, as funções são as mesmas, o que muda é simplesmente o linguajar, sua forma.

Outro dia ouvi de um pastor a máxima: “Não gosto que chamem meu filho de artista! Artista é artista! Meu filho é cantor!” Entendendo e aceitando a simplicidade daquele senhor, é óbvio que todo aquele que faz e sobrevive de sua arte, deve ser chamado de artista. Simples assim. o problema é que em nosso meio, muitas das vezes a Bíblia é usada como justificativa para pontos de vista pessoais. Isso é fato! A língua, como um organismo vivo e dinâmico se altera com o passar dos tempos. Se no tempo do Brasil Colônia as pessoas se relacionavam com o “vosmecê”, hoje em dia existem diversas outras formas de tratamento.

Em tempos de web, diversas palavras passaram a fazer parte do cotidiano das pessoas. Quem imaginaria que um dia, fiasco seria sinônimo de ‘flopar’? Ou então, que ‘curtir’ significaria uma espécie de aprovação coletiva? A língua é dinâmica! A comunicação entre as pessoas muda de acordo com as inovações e transformações da sociedade.
É óbvio que todo segmento tem sua linguagem própria. Acho hilariante quando participo de reuniões com a equipe de negócios digitais. A quantidade de termos em inglês ou específicos da área tornam a conversa interessante e muitas das vezes preciso recorrer ao google para entender o que aquilo de verdade significa. O mesmo acontece quando estamos em meio ao pessoal do financeiro, do marketing, entre músicos … enfim, cada um tem seu idioma próprio, seus termos específicos, suas expressões e até mesmo, suas piadas próprias! Então é aceitável que no meio gospel também tenhamos uma linguagem própria. O que me tira do sério é perceber que o dito cujo não concebe a idéia de que uma palavra possa ter algum significado diferente daquele que foi estabelecido há séculos atrás! Isso é o mais claro pensamento reacionário lingüístico que podemos encarar! Não sei muitas das vezes se isso é um tradicionalismo puro e simples ou se é mesmo uma mente obtusa que não consegue interpretar o que não é completamente explícito! Há controvérsias …

Não consigo acreditar que uma pessoa em sã consciência realmente acredite que a palavra ‘adore’ signifique tão somente ajoelhar-se diante de algo ou alguém. Ou então que a palavra ‘adore’ signifique que aquele ou aquilo realmente têm poder de substituir nosso amor e devoção a Deus. Quando eu afirmo que adoro viajar, será que estou dizendo que fazer turismo é mais importante do que minha relação com Deus? É isso mesmo produção? Eu acho patético quando vejo ‘santarrões’ encherem os espaços de comentários em sites ou coisas do tipo tecendo opiniões raivosas sobre o uso de palavras e termos que no vernáculo ‘gospelmente correto’ teriam outro significado. Sinceramente gostaria de conferir se estes mesmos ‘santarrões’ são tão cientes e observadores dos ensinamentos bíblicos em seus respectivos dia-a-dia. Imagino que não sejam nem tanto assim, afinal poderiam estar aproveitando melhor o tempo que dedicam a visitar a web fazendo trabalhos comunitários, evangelizando ou simplesmente orando e lendo a Bíblia.

Convencionou-se que a página dedicada a divulgar as notícias de uma empresa, artista, ministério, projeto ou algo do tipo, através do Facebook seja chamada de fanpage. E aquelas pessoas que optaram em acompanhar de perto esta fanpage, foram denominados fãs ou seguidores. Não há nada de anormal nestes termos! Será que para aplacar a ira dos santarrões, devemos chamar a fanpage de “página onde se reúnem os adoradores santificados” e que estes não sejam fãs, mas “adoradores web purificados”?

Sinceramente estou farto de tanta hipocrisia e de tanta gente chata se preocupando com questões menores! Não vejo ninguém se mobilizar de forma séria contra a existência de fã-clubes de artistas evangélicas. Isso é uma distorção e que até pouco tempo atrás não existia nos arraiais do mundinho gospel tupiniquim. Também não vejo mobilizações de pessoas contra o mercantilismo da fé, esse absurdo balcão de negócios que virou boa parte da igreja evangélica no país com pastores vendendo água do Jordão, óleo de Israel, toalhinha do líder supremo, sabonete contra o mau-olhado e outras macumbarias gospel. Realmente eu creio que temos muito a amadurecer, muito a evoluir e principalmente, muito a avaliar sobre o que realmente é importante para o Reino. Não quero perder tempo com o que não me levará a lugar algum. Simples assim!

Abraços!
Mauricio Soares, publicitário, jornalista, racional, amante da língua portuguesa, cristão e torcedor do Fluminense. 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.

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