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Breve resumo do que vale a pena fazer neste momento

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Depois de quase uma semana na maravilhosa capital cearense, começo a escrever este texto já no caminho de retorno para casa. Teremos cerca de 3 horas de viagem pela frente e como prefiro aproveitar este momento para torná-lo produtivo, resolvi trocar o descanso por algum tempo de atualização dos textos do blog. Há fases em que começo vários textos de diferentes temas e assuntos e, por algum bloqueio inconsciente, não os concluo em definitivo. Os textos vão sendo digitalmente engavetados até que num momento qualquer possam ser devidamente concluídos (ou não!) um a um. Nestes últimos dias iniciei 4 textos, sem que um único sequer chegue ao processo definitivo e posterior publicação por aqui. Vamos esperar que com este seja diferente! Esta é a minha torcida neste momento.

Esta foi a décima segunda edição da Expo Evangélica em Fortaleza. Participo como apoiador desde a primeira edição e, confesso, orgulho-me profundamente por isto. Na verdade, tenho um idealismo que me impulsiona a apoiar diferentes iniciativas que fomentem o mercado cristão, seja através de feiras como esta ou mesmo shows, festivais e eventos do tipo. Creio que nas últimas 4 ou 5 edições eu tenha não só apoiado à Expo, mas também marcado presença fisicamente. A experiência de estar lado a lado com os artistas atendendo ao público, às mídias, entrevistas, demandas e mesmo nos momentos de confraternização com artistas e amigos, é algo que nos revitaliza bastante! Por mais que sejam dias e dias de horas mal dormidas, cansaço extremo, deslocamentos constantes e uma agenda frenética, a verdade é que isto tudo é muito bom!

Na edição 2017 da Expo tive várias experiências muito marcantes. Em primeiro lugar eu gostaria de destacar como definitivamente a “chave” do digital foi virada, não somente entre as gravadoras, mas também entre os artistas, mídias e o próprio público. O cantor-amigo-pagodeiro-boa-praça Waguinho, em meio à sua apresentação no palco principal perguntou ao público sobre quantos ali já tinham aplicativos de áudio streaming e, para minha surpresa, cerca de 60% das pessoas levantaram efusivamente as mãos. Confesso que no primeiro momento me surpreendi pela resposta do povo … mas analisando melhor o perfil daqueles presentes, posso arriscar dizer que a imensa maioria do público era formado por jovens entre 14 a 25 anos, portanto, dentro do perfil nacional de usuários da plataformas digitais. Outro detalhe interessante, esta foi a Expo em que volto para casa sem ter um único CD em minha bagagem. Tudo bem que tenho deixado claro que receber CDs ou DVDs em mãos já não faz parte de meu dia a dia, mas ainda assim, me impressionei como os próprios artistas e postulantes também eliminaram o produto e não levam materiais sequer para promoções, sorteios ou afins. A mídia física simplesmente desapareceu … agora todos os artistas falam de Deezer, Spotify, impulsionamento, redes sociais … isso é uma mudança de comportamento fantástica!

Entre os stands mais movimentados da Expo, sem dúvida, o espaço da Deezer foi dos mais concorridos. A ação de marketing foi perfeita com os artistas revezando-se no pequeno palco e auditório montados na feira. Filas enormes seguiam-se dia a dia na espera de pocket shows de artistas do primeiro time como Novo Som, Daniela Araújo, Kemuel, Seo Fernandes, Preto no Branco, entre outros. Arrisco a dizer que o número de assinantes da Deezer em Fortaleza cresceu significativamente nestes últimos dias. Ainda assim, com todo este crescimento do ambiente digital, tive algumas experiências emblemáticas por estes dias. Entre um e outro papo com amigos, profissionais e artistas, tive a oportunidade de conversar com um mega artista que alcançou o sucesso no mundo secular, músico de primeira linha, inovador, compositor, uma pessoa que viveu o auge do sucesso na indústria da música tempos atrás e que depois de anos converteu-se e seguiu firme e forte na música, só que desta vez como artista cristão. Conversamos longamente sobre este novo momento da música e todas as novas demandas. Ele me perguntou se seria difícil entrar para o cast da minha gravadora, mesmo que para uma simples distribuição digital … imediatamente respondi que o processo para ele seria extremamente simples, mas que ele próprio precisaria fazer alguns ajustes adaptando-se a este novo cenário digital. De forma direta perguntei-o sobre qual plataforma digital ele costumava usar … silêncio absoluto … 5, 6, 7 … 10 segundos … percebi que ele não estava entendendo muito o que eu estava questionando naquele momento e pra facilitar sua compreensão, resolvi ajudar … “Deezer?” … “Spotify?”… qual é a plataforma que você usa? – repeti mais uma vez. O silêncio da morte se prolongou mais alguns segundos e depois de minha cara de susto, ele respondeu: nenhuma!

Resumindo esta história, orientei-o sobre antes de mais nada a ser usuário de alguma destas plataformas. Na verdade, eu fui mais além, peguei seu smartphone e eu mesmo criei uma conta para ele. Em poucos segundos apresentei-lhe ao universo digital … daqui uns dias vou entrar em contato com este artista para ter um feedback sobre como tem sido sua nova relação com a música baseada no app de streaming. Espero que ele desenvolva-se urgentemente nesta novidade! Durante a Expo, fui convidado a dar uma pequena palestra a artistas independentes sobre a importância do mercado digital. Entre as informações que fiz questão de levar naquele rápido momento de apresentação, quero destacar as seguintes:

– Todo artista precisa ter contato com as plataformas digitais. Se a ideia é ter uma carreira artística, o primeiro passo é manusear algum aplicativo de streaming e tornar-se íntimo deste novo ambiente de consumo de música. Como tenho feito habitualmente, perguntei aos presentes quais já possuíam algum destes aplicativos em seus smartphones e a resposta foi de cerca de 60 a 70% dos presentes. Em se tratando de um ambiente totalmente formado por artistas, este percentual deveria ser outro, ou seja, 100% dos presentes. O uso contínuo de aplicativos de música por parte dos artistas é uma questão tão natural como a escolha de repertório, o trabalho de fonoaudiologia e técnicas de respiração e coisas do tipo. Uma coisa não se dissocia da outra, são atos contínuos e inerentes.

– Todo artista precisa ter o suporte de uma assessoria de marketing digital. E neste caso, como já falei por aqui inclusive, não se pode confundir design, criação de peças publicitárias, flyers e coisas do tipo, com um trabalho elaborado de marketing digital. Além disso, fiz questão de ressaltar sobre a importância de se buscar por profissionais que efetivamente entregam o que prometem, ou seja, que não sejam os manjados ‘contadores de estórias’, personagem bastante comum em nosso meio nestes dias. Frisei também que no processo de contratação de artistas na empresa em que participo, contar com o suporte de marketing digital é uma questão sine qua non, ou seja, é uma condição obrigatória! Sem alguém para cuidar desta área, as possibilidades de contratação diminuem drasticamente. Inclusive, no caso de artistas já contratados, temos desenvolvido campanhas específicas para que todos tenham este suporte e arrisco a dizer que na Sony Music, na área gospel, 90% ou mais do cast possui este tipo de assessoria. Coincidência ou não (definitivamente não!) os artistas do nosso cast destacam-se perante os demais sobre os resultados digitais. Não é um auto-elogio, mas uma simples constatação! Simples assim …

– O modelo de produção de conteúdo baseado no formato CD ou DVD não é mais o padrão do mercado. Ou seja, a necessidade de se gravar um projeto com 14 faixas tornou-se obsoleto e completamente desnecessário! A ordem agora é buscar a melhor música, a melhor produção, o hit e lançá-lo como um single, reunindo todos os investimentos no impulsionamento e divulgação de uma única canção e não mais aquele projeto longo de tempos atrás. A estratégia do momento é lançar single após single, focar toda a atenção na divulgação de uma faixa e investir maciçamente em ações de marketing digital. Nada mais de meses e meses produzindo um disco em que no final as faixas ficarão esquecidas no meio do repertório … além de poupar dinheiro na produção do álbum pela otimização do tempo e recursos, esta nova estratégia permite ao artista uma agilidade incrível para apresentar novos conteúdos e propostas artísticas.

– A música deixa de ser uma experiência auditiva e passa a ser visual. Com isto, os clipes, vídeos, Live Sessions, assumem papel de preponderância nas estratégias de marketing, promoção e divulgação dos artistas e seus respectivos projetos musicais. O que fiz questão de deixar claro na mini-palestra é que não se deve lançar a música se esta não chegar ao mercado acompanhada de sua versão em vídeo. O alcance da música sem seu paralelo em vídeo é reduzido drasticamente nestes casos. Também ressaltei que os clipes não precisam ser mega produções que inviabilizem a produção dos conteúdos. Neste caso, um bom filtro, um bom equipamento, apuro estético, bom roteiro, luz e principalmente bom senso já ajudam bastante!

– As redes sociais passam a ser meio e não fim. Ainda me deparo com artistas fazendo campanhas para a aquisição de novos seguidores, mesmo já contando com uma boa base de fãs. Esta fase de ‘seguidores-ostentação’ onde os artistas ficavam disputando quem alcançava o maior número de seguidores, definitivamente, já passou. Hoje o objetivo maior de todo artista deve ser o crescimento no número de seguidores nas plataformas de áudio e vídeo streaming, sendo a primeira opção, a mais importante. As redes sociais são atualmente importantes ferramentas para que o público migre para as plataformas de conteúdo e nada muito além do que isso! De nada adianta ter 5 milhões de fãs na fanpage e ter uns gatos pingados nos perfis oficiais da Deezer, Spotify ou YouTube. A meta agora é crescer os seguidores nestas plataformas e aumentar consideravelmente o número de streams e ouvintes mensais.

– É fundamental investir no alcance dos conteúdos digitais. Se em tempos atrás era fundamental reservar um budget para divulgação em rádios, revistas, materiais promocionais e afins, hoje em dia, o foco no investimento deve ser totalmente direcionado para as ações de marketing digital, o tão propalado impulsionamento de conteúdos, ressaltando-se que esta ação deve ser feita com muito critério (que isso fique bem claro! com critério e assertividade!) para que tenha o alcance que se espera. Neste caso, reforço mais uma vez a necessidade de se contar com o suporte de profissionais capacitados! Atenção total!

– O mercado digital é presente! Não mais o futuro! Talvez este tenha sido um dos últimos aspectos que abordei em nossa palestra a jato em meio a um stand apinhado de pessoas das mais diferentes realidades e expectativas. Quis deixar ainda mais claro que estamos vivenciando um novo momento, irreversível e que vem sendo preparado e estudado há pelo menos os últimos 7 anos. Deixei claro que no nosso caso, não há surpresa alguma, pelo contrário! Já vivemos o ambiente digital plenamente e temos investido constantemente na capacitação de nossos artistas. Também fiz questão de dividir a responsabilidade pela popularização deste novo universo digital com os próprios artistas, que são importantes formadores de opinião. A tarefa de apresentar as plataformas como a principal forma de consumo de música é de responsabilidade não só das gravadoras, mas principalmente dos próprios artistas. Quanto mais os artistas se envolverem nesta campanha, melhor e mais rápido atingiremos resultados relevantes nas plataformas digitais.

Creio que estes foram os principais pontos citados … aqui foi o resumo do que falamos em corridos 50 minutos de palestra. Ao longo da feira, encontrei-me com vários dos artistas que participaram deste momento e tive oportunidade de receber feedbacks muito entusiasmados. De um artista presente recebi, até com um pouco de surpresa, o relato de que a palestra mudou completamente sua visão do meio. Ele me fez entender o quanto curtiu as informações e de que já estaria colocando em prática várias daquelas sugestões e dicas. Muito bom isso!

Por hoje é só!

Mauricio Soares, jornalista, publicitário, consultor de marketing, alguém que comeu alguns quilos de camarão e castanha nos dias em que esteve na capital cearense e que sequer pisou na areia de qualquer praia da região. Que pecado!

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  • Carlos Henricky

    AAAAAAAAAAAA ESSE TEXTO VEIO A EXISTIR GRAÇAS A DEUS

  • William Lima

    Glória Deus, que benção, esse tópicos abriram demais os meus olhos e me trouxe um novo frescor. Deus te abençoe e não pare de postar nunca, você não tem noção de como seus artigos são bençãos em nossas vidas.

  • Eric Castro

    Maurício, realmente o antigo formato de cd/dvd se tornou obsoleto no novo mercado digital.
    No entanto, certos nichos da nossa música (como grupos de louvor e cantores pentecostais) ainda trabalham com álbum/repertório ao invés de Eps e singles. Como as gravadoras trabalham junto a essa demanda?

    Ps: Parabéns pela contratação da Aline Barros ao casting da Sony Music.Excelente!

  • Eric Castro

    Maurício, realmente o antigo formato de cd/dvd se tornou obsoleto no novo mercado digital.
    No entanto, certos nichos da nossa música (como grupos de louvor e cantores pentecostais) ainda trabalham com álbum/repertório ao invés de Eps e singles. Como as gravadoras trabalham junto a essa demanda?

    Ps: Parabéns pela contratação da Aline Barros ao casting da Sony Music.Excelente!

  • Eric Castro

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    No entanto, certos nichos da nossa música (como grupos de louvor e cantores pentecostais) ainda trabalham com álbum/repertório ao invés de Eps e singles. Como as gravadoras trabalham junto a essa demanda?

    Ps: Parabéns pela contratação da Aline Barros ao casting da Sony Music.Excelente!

  • Eric Castro

    Maurício, realmente o antigo formato de cd/dvd se tornou obsoleto no novo mercado digital.
    No entanto, certos nichos da nossa música (como grupos de louvor e cantores pentecostais) ainda trabalham com álbum/repertório ao invés de Eps e singles. Como as gravadoras trabalham junto a essa demanda?

    Ps: Parabéns pela contratação da Aline Barros ao casting da Sony Music.Excelente!

  • Eric Castro

    Maurício, realmente o antigo formato de cd/dvd se tornou obsoleto no novo mercado digital.
    No entanto, certos nichos da nossa música (como grupos de louvor e cantores pentecostais) ainda trabalham com álbum/repertório ao invés de Eps e singles. Como as gravadoras trabalham junto a essa demanda?

    Ps: Parabéns pela contratação da Aline Barros ao casting da Sony Music.Excelente!

  • Eric Castro

    Realmente o modelo de produção baseado em cd/dvd se tornou obsoleto no novo mercado.
    No entanto,certo nichos da nossa música (como grupos de louvor e cantores pentecostais) possuem uma necessidade maior de trabalhar com álbum/repertório ao invés de Eps e singles.
    Como as gravadoras trabalham junto a essa demanda?

    Ps: Parabéns pela excelente contratação da Aline Barros no casting Sony Music.Benção!