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Outro dia destes, um amigo de twitter me perguntou se seria verdadeira a informação de que eu estaria contratando uma determinada cantora. Achei estranha a pergunta e retruquei-lhe o porquê desta dúvida, afinal eu nem sequer havia dado alguma indicação a este respeito. Aresposta foi imediata e direta: pessoas próximas a artista e um blog haviamdivulgado a notícia como certa!

 

Estiquei a conversa por DM e fiz questão de deixar claro a negativa nesta contratação. Comentei ainda que fazia uns 2 meses, minha timeline foi invadida como num ataque ensandecido de abelhas africanas para que estareferida cantora fosse por mim contratada. Eu nunca conversei com esta jovem! Acho que, no máximo, ela me entregou um CD para ‘ouvir com carinho’ durante a última feira, nada além disso!

 

O texto de hoje é uma tentativa para alertar aos jovens artistas sobre o que se deve fazer para chamar a atenção de uma gravadora e o que efetivamente deve ser evitado a todo custo!

 

Em primeiro lugar, campanhas como “Queremos” devem ser banidas da estratégia! Não existe coisa mais chata do que acordar cedo, ligar o computador e deparar-se com 856 mensagens retuitadas com a mensagem “Queremos a cantora Elisinha Pé de Fogo na gravadora Reteté Music!”. Outro dia sofri esse ataque inflamado. Como nunca havia ouvido falar de uma determinada artista, resolvi pesquisar um pouco mais a respeito destas pessoas que participavam da manifestação digital. Era um tal de perfil com 2, 3, 5 seguidores e tantos outros sem qualquer seguidor, que me veio a impressão de que se tratavam em sua maioria de perfis fake, ou no bom português, falsos, inventados, paraguaios mesmo!

 

Como diz o meu amigo e parceiro de longa jornada, Sidnei Gomes: “Quem aceita pressão é time pequeno!” E é isso mesmo! Quem em sã consciência acredita que pelo fato de uns gatos pingados ficarem repetindo e poluindo a timelinealheia, terão suas ‘sugestões’ acatadas, deve refazer seu check up anual. O que pode acontecer, na verdade, é o inverso, ou seja, a determinada artista assumir uma imagem negativa perante a gravadora e as portas para ela simplesmente se fecharem.

 

Então, em primeiro lugar, não utilize-se de pressões via twitter! Campanhas como o fatídico “Queremos” devem ser abolidas!

 

Ainda com relação às redes sociais, outro erro grotesco é você implorar para ser adicionado na página do Facebook do (a) executivo (a) da gravadora se esta é restrita. Você precisa entender que se a página é reservada, possivelmente este será um espaço para amigos e familiares e não, um ambiente profissional. Falo isso com experiência própria, pois tanto meuInstagram como meu Facebook são restritos e destinados apenas a pessoas que eu realmente conheço de carne e osso (alguns, até com bastante carne, por sinal, rs)!

 

Não utilize estes espaços para solicitar ao profissional para assistir seus vídeos, clipes, conhecer sua trajetória, suas músicas. Se o ambiente é restrito, então entenda que esta não é uma área profissional, mas de cunho pessoal e isto deve ser respeitado! Já tive um dito cujo, que por 2 meses, quase que diariamente me solicitava amizade em minha página, todas devidamente negadas. Não sei o que ele entendia com estas negativas de minha parte, mas certamente demorou um bom tempo para ele compreender que ali não era um fórum adequado para apresentar seus projetos.

 

“Não bata à porta onde você não foi convidado! Tenha bom senso!”

 

twitter pode até ser um canal interessante para chamar a atenção de alguém da indústria fonográfica, mas deve ser tratado com muito bom senso. Não adianta insistir para que seu vídeo seja conferido com mensagens a cada duas horas durante 3 semanas. E o pior, tenha cuidado com o tipo de material que você irá indicar para ser analisado! Conheço vários casos em que o artista insistiu pela atenção e quando fui conferir oclipe, o material era tão ruim, que não consegui assistir mais do que 1 minuto. Ou seja, oportunidade desperdiçada!

 

“Cuidado com o que você quer mostrar, pois em alguns casos, realmente a primeira impressão é a que fica!”

 

Outra questão importante: dados e informações hoje são facilmente checados, portanto não infle seus números, não invente estórias, não queira transparecer o quevocê realmente não é. Nada de se autoproclamar “o maior sucesso da música gospel do Nordeste” quando na verdade, você hoje só é conhecida na periferia de Teresina. Ser a música mais executada pela Rádio Ibitirama FM não significa que você está na Crowley ou na Billboard. Ser a filha do pastor-presidente do campo de Sinop não significa que tem acesso a todas asigrejas do país. Ou ainda, ter uma agenda lotada de compromissos não determina que você é um sucesso por onde passa.

 

Tempos atrás quando pesquisava sobre um ou outro artista, corria imediatamente para sua página oficial do twitter, facebook, seus vídeos. Hoje em dia, continuo utilizando-me destas referências, mas aprofundando-me um pouco mais a pesquisa, pois infelizmente temos muita gente se utilizando (e iludindo-se) com táticas não-convencionais de aquisição deviews e seguidores. Nesta pesquisa mais detalhada damos uma análise em quem são estas pessoas que estão ‘seguindo’ o determinado artista. E aí, nos deparamos que o artista não é seguido apenas por pessoas do Brasil, mas gente do Mali, Botswana, Afeganistão, Coréia do Sul, Nigéria, Guatemala, Chechênia e por aí vai, ou seja, este perfil é mais verdadeiro do que nota de 3 reais.

  

“Não infle seus números! Você pode explodir!”

  

Vamos seguindo com o texto que está sendo criado em um vôo Rio/Buenos Aires. Terei pela frente uma semana inteira de curso! Certamente teremos muitas boas novidades para o blog pela frente!

 

O envio de material para uma gravadora é uma atitude inócua! Imagine-se numa sala com 800 a 2000 CDs para avaliação e num fim de tarde de uma semana intensa,chega o seu envelope para um A&R.

 

Opção 1 – O envelope com seu CD será entregue ao A&R e ficará numa caixa com outros 300 envelopes aguardando que um dia alguém o retire de lá;

 

Opção 2 – O envelope será imediatamente aberto, o A&R irá avaliar a capa do CD, irá ler a carta anexa e depois colocará junto a uma pilha de 300 CDs aguardando para audição;

 

Opção 3 – O envelope será aberto, a camiseta-brinde será posta de lado e depois presenteada a alguém, o cartão de visita, o release com as suas matérias publicadas no Diário de Caicó, as fotos e tudo o mais do “kit” serão descartados, exceto o CD que irá para a pilha dos 300 CDs aguardando audição;

 

Opção 4 – O CD irá para a caixa de 300 CDs diretamente.

  

“Não perca o seu tempo enviando um CD para a gravadora se isto não for solicitado pela própria. Mais direto do que isso impossível, certo?”

 

Mas voltando ao nosso texto,  até aqui destacamos algumas ações que devem ser evitadas no processo de chamar a atenção de um A&R. De agora em diante vamos elencar algumas atitudes positivas para esta estratégia.

 

Cada vez mais a web tem sido aliada para os jovens artistas. E sabendo utilizar-se de forma inteligente, esta ferramenta pode dinamizar carreiras e encurtar sensivelmente alguns degraus rumo à uma gravadora ou o reconhecimento do grande público.

 

Partindo da premissa de que você tem uma grande música e talento, priorize a produção de um clipe de qualidade. Em seguida, tenha uma fanpage atualizada, dinâmica, interessante. Crie também um web site personalizado com seu último projeto.Seja clean, direto, mantenha este espaço sempre atualizado. Mantenha-se ativo nas redes sociais. Potencialize a divulgação de seu projeto nas mídias do segmento.

 

Se possível, contrate um profissional de assessoria de imprensa que também possa coordenar a atualização de seus perfis nas redes sociais. Alguns destes profissionais de imprensa possuem bom acesso aos A&R das gravadoras. Através deles talvez seja mais fácil ter contato com as gravadoras.

 

Com um bom vídeo, uma boa música, uma fanpage agradável e ativa, um bom número de seguidores nas diferentes plataformas sociais, uma boa assessoria de imprensa e promoção, as possibilidades de sedestacar em meio à concorrência começam a crescer. Então de uma forma bem clara e didática, vamos destacar o que é analisado por uma gravadora num processo de seleção:

 

1)   Talento, diferencial, qualidade – estes são os pilares para que um artista realmente seja levado em questão por um A&R. Se você ainda não tem um projeto de qualidade, talvez seja melhor adiar seu contato com uma gravadora. A concorrência não permite riscos. As gravadoras querem projetos realmente consistentes;

 

2)   Proposta artística e demanda no cast – em determinados momentos, um A&R foca sua procura em alguns nichos e segmentos específicos. Digamos que no cast de determinada gravadora tenha uma lacuna de artista pop rock, naquele momentotodos os artistas deste estilo passam a ser analisados com maior intensidade pela gravadora. Procure estar atento à estas demandas!

 

3)   Tapes finalizados – cada vez mais as gravadoras estarão interessadas em projetos prontos para simplesmente cuidar das atividades de marketing e distribuição. O licenciamento de tapes hoje é uma prática muito comum e incentivada pelo mercado;

 

 

4)   Relevância – como já comentado neste texto, informações como número de views de clipes, seguidores do twitter, fanpage, instagram, são dados importantes na avaliação de relevância do artista. Esteja muito atento a isto! Confesso que me assusta conversar com artistas que confessam que ainda não dão a devida importância para estas ferramentas;

 

5)   Agenda Intensa – um artista que trabalha pouco, que tem uma agenda fraca, significa que ainda tem muito a fazer ou que realmente não gosta de trabalhar! Um artista que trabalha muito, que está constantemente na estrada é um parceiro da gravadora no processo de divulgação;

 

6)   Disposição e disponibilidade para trabalhar em parceria – um artista que demonstra vontade de atuar lado a lado com a gravadora é um grande diferencial. Já foi se o tempo em que tudo caía nas contas da gravadora e o artista ficava refastelado em sua confortável poltrona recebendo todas as benesses. Os tempos são outros! Hoje, o artista deve assumir certas ações que até pouco tempo atrás estavamunicamente ligadas à gravadora. Muitos investimentos de mídia e marketing devem ser assumidos pelo artista. Mentalidade participativa é fundamental!

 

 

O piloto já informa o início do procedimento de descida em Ezeiza. Vamos ficando por aqui! Espero que este texto tenha contribuído de alguma forma no entendimento do que um A&R espera encontrar num artista e seu projeto e de como você poderá usar das melhores estratégias para chamar sua atenção.

 

E vamos degustar as parrillas!

 

 

Mauricio Soares, jornalista, publicitário. Agora você também encontra meus textos nosite Garagem Gospel.

Lendo uma revista de bordo me deparei com uma matéria sobre o jornalista Joel da Silveira que por cerca de 60 anos registrou com precisão e senso crítico, além de uma rara sensibilidade, boa parte da sociedade brasileira e fatos do cotidiano. Até hoje, é considerado um dos maiores nomes do jornalismo brasileiro.

Uma das reportagens que o catapultaram a destaque no meio jornalístico foi escrita em 1943 e retratava o dia a dia da alta sociedade paulistana – “Eram assim os grã-finos de São Paulo”, intitulava-se a matéria publicada na revistaDiretrizes.

Outro dia publiquei em minha conta no Instagram um micro texto onde deixava claro que preferia ser penalizado por minhas convicções do que me esconder na meio da patuléia sem opinião. O texto não era este exatamente, mas o conceito da mensagem sim.

Conferindo essa matéria sobre a vida e principalmente a forma incisiva de analisar e posicionar-se sobre diferentes assuntos, me veio à mente a sugestão do tema que iremos discorrer na sequência. É impressionante e, confesso, desestimulante – pra ficar em adjetivos mais eufemísticos – ver como o meio evangélicobrasileiro é carente de pessoas que se expressam de maneira crítica, sensata e coerente suas opiniões sobre os mais diferentes temas. Infelizmente temos muito poucos líderes, jornalistas ou pensadores no segmento protestante nacional capazes de se posicionarem sobre assuntos que nos dizem diretamente a respeito ou mesmo onde se torna importante um posicionamento do ponto de vista cristão, bíblico, doutrinário.

O perfil evangélico no Brasil hoje é algo absolutamente diferente do que era há 15, 20 anos atrás. As práticas, estratégias e posturas das igrejas evangélicas e de seus líderes assumiram uma largueza de pensamentos, filosofias e discursos, que fica até difícil estabelecer o que de fato as une e faz com que sejam colocadas todas num mesmo segmento. A distância entre as igrejas históricas e as comunidades neo-neo-pentecostais é abissal, clara e evidente. E pela falta de pessoas que marquem posição perante a mídia e a sociedade, estamos todos sendo colocados no mesmo balaio e o resultado disso para a imagem da igreja evangélica brasileira tem sido devastador!

Vivemoso tempo das caretas, dos sorrisos, da festa, do triunfalismo, do auto-elogio, dos flashes … parece que realmente estamos no País das Maravilhas, onde tudo está perfeito, maravilhoso. A falta de senso crítico e de vozes que se posicionem junto ao meio evangélico nacional está trazendo prejuízos muito significativos.

Vivemoso tempo em que a unanimidade precisa ser cultivada ao extremo. Não se aceitam críticas! Não se aceitam pontos de vista diferentes. Se alguém reza (ou orapara ficar no linguajar mais adequado!) fora da cartilha é porque tem outros interesses ou está sendo usado pelo satanás! (sic) Pensar diferente significa não estar na mesma visão do reino (sim, com r minúsculo!).

Vivemoso tempo em que se retuita elogios e se bloqueia críticos. Apesar de que em certos casos, o bloqueio é mais do que necessário. Não há espaço para o diálogo. Não há espaço para a exposição e o debate de ideias. Está tudo padronizado, engessado, tiranicamente tabulado! A imprensa do segmento, em sua esmagadora maioria, simplesmente reproduz o texto oficial. Não há margem para questionamentos. E aí é interessante perceber que as redações dos grandes veículos de comunicação do país estão cheias de profissionais cristãos e muitos destes, começaram na atividade jornalística trabalhando em mídias evangélicas. Boa parte, entretanto, não teve condições de manter uma postura profissional e acabou migrando para a mídia secular.

Precisamos de mais pessoas falando, mais pessoas pensando, mais pessoas se posicionando, mais pessoas analisando de forma equilibrada o momento pelo qual passamos. Não precisamos de pessoas que gritam para defender suas opiniões, mesmo que comrazão em certos momentos. A fala pode ser mansa, mas incisiva, coerente, sensata. Não precisamos de pessoas que digam que estão nos defendendo quando estas não têm procuração da maioria e não atuam de acordo com os conceitos cristãos, nosso maior e mais importante código de conduta. Não precisamos de pessoas que se apresentam como líderes públicos e que se beneficiam no privado!

Acho que precisamos de mais pessoas como Joel da Silveira, um arguto observador de seu tempo, capaz inclusive de arriscar sua vida no front da Segunda Guerra Mundial acompanhando os pracinhas brasileiros na Itália.

Este blog tem um pouco dessa função. Não só de ensinar, de dividir conhecimento, mas de alguma forma provocar reações nas pessoas. Não falo de criar polêmicas, mas sim de provocar o livre pensar. Não falo de arrumar inimizades, mas sim de estabelecer padrões e não negociá-los por um simples clima de imposta e falsa cordialidade. Sinceramente creio que devemos mudar esse panorama.

Não curto líderes que se cercam de pessoas bajuladoras que sempre concordam comsuas opiniões. Particularmente prefiro muito mais uma amizade que aponta para os meus erros e me ajuda a crescer, do que ‘amigos’ que aplaudem sempre. É no plano das ideias e no debate que a sociedade cresce e se desenvolve. Sinceramente creio que o segmento evangélico no Brasil carece, e muito, de um debate de ideias buscando um aprimoramento e amadurecimento. Quando isto acontecer, certamente rotas serão corrigidas, detalhes serão observados e oReino (o com “R”maiúsculo) será honrado e valorizado de verdade.

Vamos em frente! Sempre!

Mauricio Soares, observador, debatedor por natureza, jornalista, alguém que tem muita esperança por dias melhores, buscando o aprimoramento, pai, publicitário.

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Confesso que não é muito fácil manter a qualidade dos textos aqui publicados e mesmo encontrar temas interessantes depois de mais de 4 anos mantendo ativo este blog. Já tentei por inúmeras vezes convidar amigos para escrever no Observatório, mas raríssimas foram as contribuições que recebemos de terceiros nestes anos.

E aí paira uma dúvida, será que o blog é tão desinteressante que meus convites acabam tornando-se insultos para aqueles que foram convidados?

Ou será que simplesmente meus amigos são ainda mais ocupados do que eu e é impossível que dediquem alguns minutos de suas vidas para escrever algumas linhas para o blog? Sinceramente não sei qual a verdadeira razão dessa escassez de contribuições alheias, mas enquanto isso, sigo na minha labuta cotidiana tentando manter viva a audiência deste espaço com algumas novidades e textos inéditos.

Estou escrevendo este post a caminho de Porto Alegre. Já me informei de que por lá encontrarei a máxima de 6 graus, ou seja, para um autêntico carioca praiano, estou seguindo rumo ao continente antártico esperando ser recepcionado por leões marinhos, focas e pinguins simpáticos com seus fraques sempre alinhados.

Além do frio glacial, outra novidade é que nesta viagem estarei contando com a companhia de meu filho primogênito. Resolvi mostrar a ele in loco como é o dia a dia do seu pai em meio às reuniões, visitas e eventos. Pra mim a viagem já é uma delícia, mas para ele imagino que seja um pouco entediante. De qualquer forma, vou tentar que seja o melhor possível para que ele me acompanhe em outras oportunidades.

Já embarcado comecei a pensar qual deveria ser o texto que deveria escrever enquanto estivesse no ar. Me vieram algumas ideias à mente e entre todas, uma me aguçou a vontade. E sobre ela iremos tratar a seguir.

De 10 reuniões que tenho com artistas em processo de contratação, pelo menos 9 deles me falam sobre o desejo de gravar um projeto em DVD. É impressionante como ainda temos artistas, alguns já bem consagrados, que não têm um histórico rico de produções em vídeo.

Até bem pouco tempo atrás, tive a felicidade de gravar o primeiro clipe oficial e profissional da cantora Shirley Carvalhaes. Com mais de 35 anos de carreira é de se surpreender que uma artista do porte dela ainda não tivesse tido a oportunidade de gravar um clipe musical. Mesmo em DVD, se não me engano, a grande dama da música pentecostal tem apenas uma única produção e isso deve ter se realizado há pelo menos uns 10 anos atrás.

Assim como a minha querida Shirley, outros grandes nomes carecem por mais registros visuais de suas obras. Em contrapartida, há uma série de artistas que fazem questão de gravar um DVD para cada lançamento em DVD como se isto fosse absolutamente normal e necessário. Há artistas com pouco mais de 10 anos de carreira com 8, 9 projetos em DVD já lançados. Isso é demais!

Então, pra começo de conversa, é bom que todo artista compreenda que um projeto em DVD é importante para a sua carreira artística, mas que como um registro histórico, deve ser tratado de uma forma mais parcimoniosa.

Levando em consideração o exemplo de artistas internacionais populares, a regra é mais ou menos de 4 a 5 lançamentos em CD para uma gravação de DVD. No Brasil, especialmente no meio sertanejo, esta regra não se aplica. Geralmente os cantores deste segmento costumam gravar 2 CDs para 1 DVD e às vezes chegam à loucura de gravar um DVD para cada lançamento. Mas a única justificativa para essa produção em massa nestes casos, é que os artistas sertanejos utilizam estes DVDs como um importante portifólio para a venda de shows para prefeituras, festas agropecuárias e rodeios por todo o Brasil. Além disso, estes artistas costumam gravar os projetos a cada 2 a 3 anos, que é em média o tempo de uma turnê completa pelo país.

No meio gospel, poucos são os artistas que utilizam-se do conceito de turnês ligadas especificamente a projetos musicais. Geralmente um show gospel é composto de músicas de sucesso da carreira e mais algumas músicas do último trabalho. No meio secular, a turnê de um projeto conta com o repertório maciço do mais recente trabalho – que dá inclusive nome à turnê – com algumas canções de sucesso pinçadas no repertório histórico do artista. Então, o argumento dos artistas gospel de que o DVD será uma ferramenta para a venda do mesmo show para prefeituras é parcialmente aceito, pois na verdade, quando o artista vai mesmo para a estrada, pouca coisa ou praticamente nada do que se vê no DVD é reproduzido na turnê.

Seguindo nesta toada, vale ressaltar que os artistas seculares conseguem reproduzir na estrada os seus DVDs com toda aquela mega produção de som, cenários, luz e efeitos, porque os valores de seus shows são bastante elevados, contrapondo por completo o que observamos no meio gospel. Hoje uma dupla sertaneja de médio porte tem cachês vendidos a 50 mil reais e realizam cerca de 20 eventos por mês. Artistas do primeiro time têm cachês em torno de 150 a 250 mil reais. Hoje, com raríssimas exceções, boa parte dos artistas de nível médio e alto na música gospel trabalham com cachês de aproximadamente 20 a 25 mil reais e participam de 5 grandes shows por mês, na mais otimista das hipóteses! A diferença entre estes dois mundos já começa por aí!

Falando de repertório de um DVD, o ideal é que o público participe ativamente a cada canção apresentada no show. E isso só é possível quando a música é amplamente trabalhada nas rádios, os discos tenham alcançado boas vendagens ou então, depois de um grande trabalho de massificação do artista na região onde o projeto seja gravado. E isto, em qualquer uma das 3 hipóteses, só se alcança com o tempo. Portanto, apresento mais uma justificativa para que um DVD reúna ao menos as canções de 3 discos anteriormente lançados.

Ainda sobre o repertório de um DVD, se o artista pretende que este produto tenha vida útil prolongada, então é fundamental que junto aos grandes sucessos, ao menos 3 canções inéditas sejam incluídas no projeto. É comprovado na história do mercado fonográfico que DVDs que reúnam apenas os hits de um determinado artista não conseguem mais do que 6 meses de destaque nas

vendas e no interesse do público. As músicas inéditas permitem que o disco seja trabalhado nas rádios por pelo menos mais 1 ano e com isso, aumentam consideravelmente o apelo do produto. Mesmo em projetos diferenciados como releituras acústicas de antigos sucessos, a inclusão de algo novo, de algumas músicas inéditas é bastante saudável.

No mercado secular é prática comum que a gravadora contribua com uma parte dos custos da produção do DVD e que o artista e seu empresário participem com outro montante dos custos. Esta ‘parceria’ é coerente porque boa parte do retorno financeiro do projeto se dará através da venda de shows do artista e em muitos dos casos, as gravadoras não recebem nenhum percentual de participação na agenda do artista, ficando tão somente com as vendas físicas e digitais provenientes do produto, o que em muitas vezes se torna insuficiente para a recuperação dos investimentos. Este mesmo conceito já vem sendo difundido no meio das gravadoras do meio gospel. Não se sustenta mais que apenas as gravadoras custeiam todo o projeto de DVD de seu cast, porque efetivamente a possibilidade de recuperação do investimento é baixíssima!

E aí vou destacar um dado muito interessante. É notório que o público evangélico não consome com a mesma volúpia dos consumidores seculares, os projetos lançados no formato DVD. Não sei o porquê desta cultura de não-compra de DVD no meio gospel tupiniquim. Já tentei pesquisar, analisar, avaliar, mas até hoje não consegui chegar a um veredito final sobre os reais motivos desta falta de empatia do público gospel para este tipo de produto. No meio secular brasileiro se dá uma tendência inversa ao do mercado gospel.

A venda de DVDs é bastante considerável ao contrário da venda de CDs que vem caindo sistematicamente. Em lançamentos de um mesmo projeto no formato CD e DVD, a venda do formato áudio/vídeo supera em mais de 60% os resultados do formato áudio somente.

No meio gospel é bem diferente. Em média, de cada 100 CDs vendidos de um projeto, apenas 20 ou no máximo 30 serão no formato DVD. Ou seja, as vendas de DVD no mercado gospel são muito baixas se comparadas ao mercado secular.

Com isso, cada vez menos as gravadoras do segmento gospel têm investido neste tipo de projeto. Numa rápida pesquisa, isso é facilmente comprovado.

Basta analisar-se os lançamentos em DVD nos últimos 10 anos e veremos claramente a tendência na queda de lançamentos nos 2 a 3 anos mais recentes.

Outra preocupação que se deve ter em relação à gravação de um DVD tem a ver com o apelo do projeto em si. A impressão de deja vu é recorrente, especialmente no meio artístico gospel. Faltam projetos diferenciados, criativos e com roteiros que surpreendam o público. Posso enumerar uma lista interminável de DVDs gravados em igrejas com painéis de LED ao fundo, músicos se espremendo e lutando por espaço no palco, 89 vocais enfileirados cada qual fazendo uma infinidade de caras e bocas, naipes de cordas disfarçando que estão tocando alguma coisa, quando na verdade, 99% são apenas fake.

Artistas gritando palavras de ordem como: Dê um grito de júbiloooooooooooooooooooo! Ou ainda: Vire-se para o seu irmão e diga blá blá blá blá … ou seja, mais do mesmo, sempre!

Se é para gravar um DVD, então invista todo o tempo necessário para buscar cenários diferenciados. Saia do lugar comum! Um dos DVDs mais bonitos que assisti nos últimos tempos foi o projeto do Natirutis gravado no alto de uma comunidade do Rio de Janeiro (favela hoje em dia é comunidade!) com toda a paisagem deslumbrante da cidade maravilhosa. O DVD começou a ser gravado no meio da tarde e prosseguiu com um pôr do sol fantástico e se estendeu até o anoitecer. Não havia ali mais do que 300 felizardos cantando todas as músicas e sendo premiados com um cenário extasiante.

Acho que faltam ao nosso meio, DVDs gravados em lugares inusitados ou que tenham propostas diferenciadas. Não vejo como fundamental que todo DVD tenha público gigante, milhares de pessoas. Particularmente prefiro projetos mais intimistas. Quando sento para assistir a um DVD, minha expectativa é de conhecer melhor o artista e sua arte. Não me preocupo muito com efeitos e multidão. É óbvio que um belo e grandioso cenário impressionam, mas no meu caso, o efeito disso é bem efêmero. Prefiro ver o artista, conhecer seu talento, ouvi-lo falar. Observo detalhes. Não me prendo no macro, prefiro o menos.

Um dos DVDs mais vendidos do meio secular no Brasil foi um projeto intimista, bem de estúdio. Os Tribalistas, que contou com a parceria de Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Carlinhos Brown, foi um projeto simples, despretensioso, mas que atingiu resultados fantásticos. Outro case de sucesso, foi o projeto Barzinho e Violão que reuniu diversos artistas da MPB interpretando músicas extremamente populares. O conceito era reproduzir o ambiente de um boteco onde amigos pegariam o violão e saiam cantarolando. Este projeto vendeu milhões de exemplares e gerou mais de 20 títulos em diferentes gêneros e parcerias. Uma ideia. Somente uma boa ideia. Nada de pirotecnia. Tenho algumas metas em minha vida profissional. E entre estas, sem dúvida, se encontram alguns projetos em DVD. Alguns projetos são bastante audaciosos, meio diferentes do que temos por aí. A maior dificuldade nem é executar estas ideias, mas encontrar um artista que a compre junto comigo. Com persistência e uma boa dose de papo eu creio que em breve conseguirei tirar do papel e de minha cabeça alguns destes projetos.

Já chegando ao fim deste texto, vale registrar alguns DVDs de nosso segmento que merecem registro especial. O Diante do Trono acaba de gravar um projeto no interior nordestino sob a direção do meu amigo e profissional da maior qualidade Alex Passos. Imagino que teremos boas novidades vindas daí como tem sido boa parte das produções que eles produzem. Outro DVD que merece atenção é o último trabalho do Juliano Son gravado na Igreja Bola de Neve em São Paulo. Com direção musical de Ruben di Souza e direção de vídeo de Hugo Pessoa, este projeto é um dos melhores já lançados no meio gospel em todos os tempos. Particularmente gosto muito do projeto Fé gravado por André Valadão em Vila Velha/ES. Participei ativamente deste DVD e orgulho-me do resultado deste projeto como um todo.

Um projeto que aguardo com muita expectativa é o DVD Princípio do Leonardo Gonçalves gravado recentemente no Teatro Bradesco em São Paulo, sob a direção de Hugo Pessoa. Em se tratando de Leonardo Gonçalves sempre esperamos um produto final de extrema qualidade e como pude participar de todo o processo de produção e gravação, já conferi que tudo ali está em primeira linha. Outro DVD especial, recentemente lançado é o novo projeto do Fernandinho gravado no HSBC Arena no Rio com a direção de Alex Passos. Ainda não pude assistir ao material, mas soube que está fantástico! Outro DVD que chegará ao mercado ‘causando’ é o primeiro registro em vídeo dus manos do Ao Cubo. No melhor estilo Black Eyed Peas com muitos figurinos modernosos, tecnologia em profusão, efeitos, figurantes e postura no palco, o quarteto fantástico da zona leste paulistana prepara um super produto que chegará às lojas nos próximos 2 meses.

Então, recapitulando um pouco do que comentamos neste texto, gostaria de destacar alguns aspectos para a análise e meditação dos meus diletos (e poucos, penso eu!) leitores.

– Cuidado para não banalizar seus projetos em DVD. Um DVD é um registro histórico e deve ser tratado como tal. O ideal é lançar ao menos 3 discos para cada DVD;

– Indispensável a inclusão de músicas inéditas no repertório;

– Cuidado com o orçamento do projeto. Boa parte dos investimentos em

DVD no meio gospel não são recuperáveis! Bom senso e canja de galinha não fazem mal a ninguém!

– Saia do lugar comum! Invista em projetos, ideias, locações e propostas diferenciadas para seu projeto em DVD. Neste caso, a participação de profissionais para dirigir o projeto da melhor forma, é fundamental!

Inicialmente pensei que este tema não fosse render tanto, mas me surpreendi.

Ainda há muita coisa para se comentar sobre DVDs, mas vou poupá-los por enquanto. Prometo retornar com esse assunto em outra oportunidade.

Vou despedindo-me neste momento com a aproximação dos pampas gaúchos. O piloto já iniciou o procedimento de descida e daqui já começo a pensar no meu almoço que certamente será um autêntico churrasco gaúcho. Também vou aproveitar a oportunidade e rever meus amigos da Tanlan. Mais uma vez insisto para todos os meus leitores para que conheçam o som dessa turma do sul.

Abraço a todos!

 Mauricio Soares, jornalista, publicitário, pai em tempo integral, completando em 2013 nada mais, nada menos do que 25 anos de labuta no mercado gospel. Um autêntico highlander!

Já faz um bom tempo que não posto nada de novo no Observatório. E a justificativa para essa sequidão literária não é outra além do simples fato de não ter tempo disponível nestes últimos dias. Coincidentemente tenho permanecido muito mais tempo em solo do que o habitual e isso, significa menos tempo de espera em saguões de aeroportos e menos tempo deslocando-me em vôos longos por nosso país.

Então, aproveitando um vôo entre Belo Horizonte e o Rio de Janeiro, tentarei ao menos iniciar um texto para ser publicado em data ainda incerta. Estive em Beagá participando de mais um evento promovido pela Sony Music visando a maior integração entre lojistas, mídias e os artistas do cast. E mais uma vez, o resultado foi estupendo! Foi uma noite muito especial, sem dúvida! E para minha supresa, pude conhecer mais alguns leitores do Observatório Cristão, gente que realmente acompanha os textos, aprende e se diverte muito por aqui. Fico feliz com esse feedback.

Mas entre alguns assuntos que me vêm à mente para discorrer nos próximos minutos, um em especial vem assumindo lugar de maior destaque entre minhas prioridades e será sobre ele que iremos falar daqui em diante. O assunto de hoje é: ESCOLHAS.

Durante as 24 horas do dia exercemos nosso poder de escolha e decisão. Começamos já no momento em que acordamos e decidimos se vamos nos levantar e enfrentar o dia ou se iremos permanecer mais tempo refastelados entre lençóis e edredons. Algumas pessoas optam por já ficar nesse marasmo durante boa parte do dia, mas não serão estes os personagens que vamos focar, é melhor deixarmos por lá mesmo dormindo nos braços de Morfeu.

Então, retornando ao nosso tema proposto, vivemos de escolhas. E na vida artística, profissional, pessoal, … , serão estas escolhas que irão definir nosso futuro e que trarão, sem sombra de dúvidas, o resultado positivo ou não sobre nosso cotidiano. Enfocando somente na questão artística, o processo de escolha é fundamental para que um determinado artista tenha ou não um carreira longeva. Já é usual em meu discurso a necessidade do artista de cuidar de sua carreira para que ela seja o mais consistente, equilibrada e duradoura possível. E essa longevidade está intrinsicamente ligada à capacidade de se fazer as melhoras escolhas.

Em quase 24 anos de estrada nesse mercado já tive oportunidade de trabalhar, conhecer e relacionar-me com dezenas, centenas de artistas dos mais diversos estilos, grandeza, importância. Enfim, tive chance de conhecer artistas com grande potencial que simplesmente “ficaram pelo caminho”. Outros que mesmo sem tanta qualidade artística me surpreenderam pela capacidade de se manterem firmes num mercado altamente competitivo. É muito comum vermos artistas de um segundo ou terceiro escalão dentro do jet set gospel que mantêm suas vidas confortavelmente através de agendas intensas.

Se formos analisar individualmente a carreira de 10, 20, 30 artistas do meio gospel tupiniquim poderemos traçar uma linha muito clara entre decisões e resultados. Outro dia resolvi fazer esse exercício elencando 10 artistas entre aqueles que alcançaram o sucesso e se mantém firmes hoje em dia comparando com outros que hoje estão literalmente em condições desfavoráveis. E é impressionante como todos tiveram momentos decisivos em suas carreiras! E essas decisões, é bom destacar, não significam um código de conduta, ou seja, uma regra que todos devem seguir para atingir o Nirvana. Não! Nada disso … cada decisão é individual e os resultados também o são.

Entre estes artistas, algumas decisões são recorrentes como a manutenção ou troca de gravadora, a escolha do estilo musical, continuidade ou não da parceria com determinado produtor musical e compositores, a definição do foco do trabalho entre “igrejas” e “shows de prefeituras”, por exemplo. E analisando de forma distante e crítica, posso ver como determinados artistas conduziram de forma equivocada suas carreiras por justamente escolherem de forma errada em momentos cruciais de suas vidas. E a partir de agora vou tentar listar alguns dos erros mais comuns de “escolha” na carreira artística.

“Escolhi ser o astro maior da música gospel nacional! Tudo gira em torno de mim! Não preciso de ajuda! Eu sei tudo!” – este é um erro muito comum no mundinho das celebridades do meio gospel. O artista teve sucesso por um tempo, de repente acertou numa música, conseguiu uma certa relevância e destaque no meio e por isso mesmo, escolhe acreditar em seu feeling pessoal. Ou seja, o dito cujo escolhe seguir sozinho sem a ajuda de profissionais, amigos! Ele acha que sabe mais do que todo mundo! Ele escolhe ter o controle único, uma espécie de “chavismo artístico” onde suas escolhas são (ele crê piamente nisso!) a própria emanação da vontade suprema. Esse sujeito se afasta das pessoas! Ele arruma briga com todos que ousam discutir suas decisões! Ele escolhe conduzir sua carreira e o resultado é sempre o mesmo: queda de qualidade no trabalho, ostracismo, isolamento, perdas!

Conheço muitos artistas que (mesmo sem o mínimo conhecimento técnico) ousam discutir de igual para igual sobre os assuntos mais díspares como tecnologia, teologia, marketing estratégico, comunicação, produção, design, figurino, cenografia, iluminação, culinária, educação de filhos, web marketing, administração, legislação autoral, meio ambiente, política cambial, artesanato, técnicas vocais, fonoaudiologia, como tirar manchas de tecido, masterização e outros temas mais ou menos palpitantes. Isso deve-se ao fato de que simplesmente o artista-que-se-acha-o-tal escolheu seguir sozinho em sua caminhada e escolheu que ele tudo sabe de tudo!

 “Escolhi seguir numa gravadora onde serei o único TOP a ter que dividir minha luz e glamour com outros artistas concorrentes!” – este não é um pensamento raro em nosso meio. Não mesmo! Muitas das vezes, artistas optam por uma ou outra gravadora pelo simples fato de que em uma determinada empresa este poderá ter todos os holofotes para si, mesmo que essa gravadora seja conhecida como a “Fundo de Quintal Records”.

Há alguns anos atrás procurei uma artista para ingressar no cast da gravadora em que trabalhava. As negociações iam de vento em popa, até mesmo com certa tranquilidade quando no meio do processo, fui surpreendido com a mudança de pensamento da cantora pelo simples fato de que naqueles dias anunciei a contratação de outros artistas importantes. Tive que ouvir do marido cantora que ela não queria concorrência interna e que preferiria seguir para outra empresa onde seria a maior estrela do cast. Pra resumir a história, anos depois e já completamente em baixa no mercado pelo péssimo trabalho da gravadora que ela havia escolhido, o mesmo marido me procurou ensandecido querendo um lugar no meu cast. Só que anos depois, a força daquela artista, até mesmo para negociação, havia diminuído abruptamente e sua relevância para entrar no cast não era mais tão elevada.

Particularmente, escolho estar sempre entre os melhores! Seja no futebol, na profissão, onde quer que seja. Estar entre os melhores sempre nos incentiva a tornar-me um deles. Só para ilustrar este fato, hoje estou no meio de profissionais do mais alto gabarito no mercado fonográfico. Gente com mais de 40 anos de estrada e com inúmeros cases de sucesso. Minha expertise do mercado fonográfico nestes últimos anos cresceu absurdamente! Hoje creio que estou melhor preparado 70, 80% acima de que quando comecei a trabalhar nesta empresa e esse crescimento se deu justamente pelo convívio com profissionais mais gabaritados!

 

 “Escolhi manter meu estilo próprio! Escolhi manter minha equipe de trabalho! Escolhi manter meus músicos e compositores!” – o ditado diz que “em time que está ganhando não se mexe!”, mas sem querer ir de encontro à sabedoria popular, em termos artísticos essa máxima não se aplica! Arte é constante mudança! Arte é constante evolução! Arte é movimento! Arte é inovação!

Vários artistas que escolherem seguir nessa inércia criativa viram suas obras perdendo força ao longo do tempo. Isso é fato! Um artista que não se renova, não se recicla, está fadado à mesmice, ou seja, ao suicídio artístico. Infelizmente temos muitos artistas que mantém um pacto eterno com produtores, músicos, compositores, estilos. Alguns por questões de afinidade, outros por questões familiares, mas o certo é que um artista que não busca por novos caminhos, acaba seguindo uma rota certa de perda de qualidade e consequentemente de queda em sua carreira artística no meio.

Por fim, quero relembrar uma conversa que tive nesta mesma viagem de Belo Horizonte com meu amigo Marcus Salles. Falávamos sobre escolhas, decisões, sobre a racionalidade da fé. O Marcus Salles faz questão de dizer em suas apresentações e em muitas de suas pregações, que o testemunho de vida e fé dele é algo tranquilo. “Não sou ex-nada! Fui criado na igreja, sou filho de pastor, nunca me afastei dos caminhos de Deus. Simplesmente porque escolhi que Deus tinha e tem o melhor para a minha vida. Simples assim! Este mesmo sentimento é o que eu tenho em se tratando de minha fé. Simplesmente escolhi seguir a Deus, mesmo a despeito das decepções, das opiniões contrárias, das inúmeras tentações. Escolhi ser um profissional buscando aprimoramento contínuo. Escolhi fazer o melhor pelo bem estar das pessoas. Escolhi manter minha opinião e postura mesmo quando todos se omitem ao meu redor. Escolhi ser cristão! E isso traz para mim uma responsabilidade enorme de ser reconhecido como alguém que segue Aquele que sempre foi o melhor.

Esta mesma forma de lidar com minha fé, optei por seguir em minha vida em família. Quantas e quantas vezes ouvimos que o casamento é uma questão de escolha? E é dessa forma que eu creio também! Eu escolhi ser casado. Escolhi ser um pai para meus filhos, seguindo como exemplo de cidadania, hombridade, ética, bondade. Nem sempre é fácil ser exemplo, mas eu escolhi seguir nessa busca incessante.

A vida é feita de escolhas. Na carreira artística existe uma série de decisões importantes que precisam ser sempre tomadas. Com muita humildade espero que os artistas entendam a importância sobre as escolhas certas. Escolha ser apoiado por profissionais e amigos. Escolha seguir a voz e orientação do seu pastor. Escolha por buscar sempre a inovação. Escolha ser correto em todas as suas atitudes, Escolha tratar bem as pessoas. Escolha reconhecer todos que o ajudam. Escolha em ser menos impulsivo. Escolha por orar e meditar muito antes de decidir por suas escolhas. E por fim, escolha ser do bem. Escolha seguir a Cristo e tê-lo como maior alvo e exemplo a ser seguido.

Mauricio Soares, jornalista, publicitário, alguém que escolheu fazer diferença não importando o ambiente. Aproveitando o tema, quero indicar o projeto “Escolhi Esperar” que trata sobre as questões de namoro, casamento e tudo ligado à área afetiva. Vale a pena conhecer melhor esse projeto ao som da lindíssima canção da Marcela Taís que está na seção de vídeos do Observatório Cristão.

 


Quem vai na frente tem a responsabilidade de mostrar o caminho e, se não o faz, peca por omissão e sonega o bem mais precioso que pode ter: a informação.

Cansado de ouvir as reclamações e desabafos de colegas de profissão, e pensando numa nova geração de criadores que é boa de técnica mas desconhece legislação ou sofre de “ingenuidade seletiva”, quero prestar um serviço aqui neste espaço, escrevendo sobre algo que me parece de extrema urgência nesses dias.

O assunto é seríssimo e merece toda atenção, sobretudo dos cantores, compositores, corais, ministérios, duplas, trios, quartetos, quintetos… enfim, de todos os profissionais do ramo musical, que levaram anos para construir uma reputação e que podem ver, sem mais nem menos, seus nomes envolvidos numa enorme confusão, com conseqüências seríssimas em todas as esferas judiciais.

Pouco antes de partir deste mundo, o poeta e tradutor Haroldo de Campos (1929-2003) concedeu sua última entrevista para tv.

Lembro-me muito bem: mal se via a cabeça do velho, que aparecia entrincheirado atrás de pilhas e mais pilhas de livros, fotos, anotações e dicionários.

O ponto culminante do programa foi a explicação que o poeta deu para manter não apenas uma, mas duas salas caóticas, praticamente iguais, repletas de tanta papelada: “Estou traduzindo Homero e Goethe, e eles dois não se dão. Então, pra não me prejudicar, Goethe fica nesta sala e Homero na outra.”

Sim, um cara desses tinha mulher: mas isso é pra outro post.

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Se você tem o desprazer de me seguir no twitter, já deve ter ouvido falar sobre minhas recorrentes idas ao #CCBB, Centro Cultural Banco do Brasil, espécie de enclave europeu no Centro do Rio, onde se encontram as melhores exposições e as pessoas mais estranhamente adoráveis da #CidadeMaravilhosa.

Foi numa dessas idas, em 2008, que revisitei o trabalho da Família Ferrez, numa exposição montada com cerca de 400 fotos, todas elas extraídas de um acervo de 8 mil negativos — acervo que foi doado pela família ao #ArquivoNacional, que tem sua sede no #RiodeJaneiro.

As fotos, boa parte delas do final do século XIX, são de uma beleza indescritível.

Neste post estarei invadindo a seara de meu nobre amigo e co-editor do Observatório Cristão, Carlos André. O assunto desse post é sobre a importância de se observar com muito cuidado o processo de captação de imagens para o projeto gráfico de um CD. Em outras palavras, prestar atenção na escolha do profissional, figurino, locação e tudo concernente às fotografias que irão compor o projeto gráfico do encarte do CD.