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Não foram uma ou duas vezes que falamos aqui sobre o advento da música digital, em outras tantas vezes afirmávamos que não se tratava de uma tendência mas de uma realidade. Ontem no final da tarde o portal UOL publicou uma interessante matéria direto da 50ª edição do Mercado Internacional do Disco e da Edição Musical ratificando isso.

Segue a matéria na integra, vale a pena conferir!

 

Serviços de streaming impõem uma nova era na indústria fonográfica

Javier Herrero | Cannes (França)

O streaming chegou para ficar. Após empurrar em 2015 a indústria musical a seu primeiro crescimento significativo em 20 anos, com uma alta de 3,2%, o modelo de negócio em torno da venda de CDs se dilui para se adaptar rapidamente às formas e rotinas de uma inédita era digital.

“Criar música é cada vez mais barato e acessível e isso vai fazer com que no futuro haja mais artistas vivendo da música, em um mercado em crescimento”, previu Íñigo Zabala, presidente da Warner Music para a América Latina.

As declarações de Zabala foram feitas durante a 50ª edição do Mercado Internacional do Disco e da Edição Musical (MIDEM), que termina nesta segunda-feira em Cannes (França), após reunir mais de quatro mil participantes de 85 países, segundo números da organização.

Com as mais “democráticas” vias de acesso à música de serviços, como Spotify, Deezer e YouTube, esse universo significa maior concorrência e maior necessidade de aparecer.

“As plataformas de streaming não são caixas mágicas onde se posta uma canção e senta esperando que as pessoas as reproduzam”, disse um dos conferentes do MIDEM, Rami Zeidan, diretor de um desses serviços no Oriente Médio, Anghami.

Toda reprodução conta. A Associação da Indústria de Gravação da América (RIAA) determinou que 150 escutas ou visualizações de uma música equivalem a um download. Dessa forma, qualquer faixa reproduzida 300 vezes por uma mesma pessoa equivaleria a ter sido comprada duas vezes.

Nesse sistema, o usuário paga o mesmo e a indústria recebe um reembolso potencialmente maior em relação ao modelo tradicional, baseado na compra de CD.

O objetivo, então, passa por alongar pelo maior tempo possível a vida de uma música e pela revitalização do catálogos de uma gravadora, que neste tipo de serviços tem mais presença que as novidades (70%).

Para isso, é importante “estabelecer a marca do artista e envolver o maior número de fãs a um artista em uma conexão constante”, analisou Zabala.

Dos dados resultantes de cada escuta (“big data”) é possível ter um melhor conhecimento do “que as pessoas gostam”. Um algoritmo se revela assim capaz de propor ao usuário músicas similares.

Na busca por reproduções também têm relevância especial as playlists, isto é, listas de músicas montadas pelos usuários, algumas apoiadas por suas próprias plataformas de streaming.

Entrar em uma lista de sucesso muito seguida pelos usuários pode representar um salto de “8 reproduções diárias para 24 mil”, como explicou outro palestrante, James Farrelly, da Believe Digital, sobre a evolução de uma música que conseguiu entrar na seleção oficial de novidades emergentes do Spotify.

“As estrelas de hoje vão viver com maior nível de exigência do que as de 10 anos atrás. Antes era lançado um álbum a cada dois anos, fazia-se uma turnê e descansava-se antes de voltar a começar. Agora é preciso concorrer constantemente e os hits, que ultrapassam fronteiras com maior facilidade, podem vir de qualquer lugar”, ressaltou Zabala.

Este tipo de escuta tão fragmentada representa uma aposta por um mercado de simples. “O álbum não desaparecerá, mas deve chegar como uma experiência nova e integral, como um novo conceito; não fará sentido como uma mera soma de canções”, opinou o diretor da Warner Music.

Neste sentido, cabe destacar o último disco de Beyoncé, “Lemonade”, no qual ao longo de seu repertório narra a experiência (própria) da infidelidade, passando pela suspeita, a confirmação e a resolução final do conflito de casal.

Este álbum foi lançado em primeiro lugar exclusivamente através do Tidal. Com esta estratégia, conseguiu recrutar 1,2 milhão de novos inscritos para este serviço de streaming do qual o marido da cantora, Jay-Z, é sócio.

Outros seguiram os passos de Beyoncé assinando contratos de lançamento exclusivos, como Drake, um tremendo trunfo com 32 milhões de seguidores mensais no Spotify. Enquanto isso, músicos como os da banda Radiohead continuam a se mostrar contra o que consideram uma baixa compensação pelas reproduções de suas músicas.

“É um erro. O povo se pronunciou. O streaming veio para ficar e vai ser a forma de levar a música às pessoas no futuro”, acredita Zabala sobre “um negócio potencialmente enorme, muito eficiente em distribuição, mas ainda muito menor do que tínhamos antes”.

 

Fonte: UOL Música | Link da Matéria 

Tentando recuperar o enorme tempo sem novidades no blog estaremos postando nos próximos dias, diversos posts sobre os mais variados assuntos. Na verdade, precisamos tentar recuperar a atenção dos 66 leitores habituais de nosso blog.
Nestes dias recebi o email de um escritório de assessoria de um artista solicitando a liberação do pagamento do ECAD para um determinado evento. É impressionante como alguns detalhes de como funcionam as coisas no meio artístico fogem à ciência dos artistas e das pessoas envolvidas neste mesmo mercado. Quando recebo uma solicitação como esta e da forma como isso é feito, fica evidente a completa ignorância de como funcionam as engrenagens do direito autoral e dos procedimentos de arrecadação.
Então, de forma bem simples e didática irei explicar um pouco sobre como funciona o processo de edição de músicas e sua respectiva remuneração aos autores. Quando um artista escolhe uma determinada música para ser gravada é necessário que o autor desta obra dê a autorização para sua utilização no repertório do disco. Esta autorização pode ser remunerada ou não. Geralmente o compositor recebe um percentual pro-rata (uma espécie de rateio entre o número de obras) sobre a vendagem da obra, seja ela física ou digital. Há uma prática ainda em vigor entre os compositores no meio gospel de ‘vender’ a autorização para a gravação. Na verdade, esta é uma deturpação do processo de autorização porque ninguém pode ‘vender’ uma composição. O máximo que se pode fazer neste caso é pedir um adiantamento em cima da projeção de remuneração desta obra. Por exemplo, uma música tem uma expectativa de que o seu autor venha receber 2 mil reais ao longo dos próximos anos na vendagem do disco. O compositor então, pede ao artista (geralmente independente) que este adiante este valor. Simples assim, mas como já disse anteriormente, esta é uma prática fora dos padrões das grandes gravadoras.
O ideal é que o compositor tenha sua obra vinculada a uma publisher que nada mais é do que uma empresa com foco em proteger o uso correto da obra, garantindo assim o recebimento do compositor. Cabe à publisher, além de acompanhar a arrecadação da obra junto às gravadoras, rádios, eventos, liberar a autorização para o seu uso por artistas, agências de publicidade, sincronização, entre outras atividades. Para este serviço, a publisher geralmente cobra um percentual de 25% sobre os recebimentos do autor. Outro importante serviço que uma publisher desenvolve é justamente trabalhar como manager no sentido de procurar para o autor oportunidades para o uso de sua obra. No meio gospel, 99% das publishers ligadas às respectivas gravadoras subvertem este princípio básico do negócio e transformam-se em reserva de conteúdo, ou seja, em vez de saírem para o mercado oferecendo músicas de seus autores, estas fecham-se em si mesmas garantindo apenas que os artistas ligados ao seu cast utilizem músicas dos compositores ligados à sua publisher. Este conceito literalmente é míope, mesquinho e não beneficia em nada os compositores porque no fim das contas, estes se tornam dependentes da própria gravadora e o mais absurdo: a empresa que deveria cobrar por seus direitos é a mesma empresa que deve pagá-lo corretamente. Algo bem kafkaniano …
Um compositor tem diferentes fontes de receita, mas sempre baseadas na arrecadação pelo uso de sua obra. Esta arrecadação junto a eventos, casas de festas, veículos de comunicação como emissoras de rádio ou TV, bares e restaurantes, é realizada através dos escritórios regionais do ECAD. As associações musicais como ABRAMUS, SOCIMPRO, AMAR são responsáveis por resgatarem junto ao ECAD as remunerações dos artistas, músicos e compositores vinculadas a elas. A publisher vai cuidar especialmente da arrecadação dos compositores junto às associações. Com o crescimento do mercado digital, dos serviços de streaming, downloads e afins, estes órgãos de arrecadação e acompanhamento são fundamentais e estão em constante desenvolvimento de novas ferramentas e até mesmo em colaborar com os legisladores para melhorar e adaptar as leis às novas realidades e demandas.
Quando um promotor de shows pede ao artista a liberação do ECAD, na verdade, ele está pedindo para que o artista pressione os compositores de seu projeto a abrirem mão de um recebimento que lhes é assegurado por lei. Em se tratando do próprio artista como compositor, neste caso pode parecer uma decisão pessoal e simples. Se o artista/compositor estiver vinculado a uma publisher, ele precisa entender que possui os direitos de 75% de sua obra e que o restante está administrado por contrato pela empresa que o representa. Se houver acordo entre ele e sua publisher nestes casos de livre decisão pela liberação dos direitos, aí tudo bem, mas se não tiver este acordo, é importante que o artista entenda que não responde integralmente por sua obra.
Voltando à questão do promotor de eventos, ele precisa colocar o pagamento de ECAD na mesma planilha de despesas como segurança, palco, som, luz, cachê dos artistas, transporte, alimentação, impostos, entre outros. Acho muito interessante quando um promotor de eventos acha correto pagar a todos os fornecedores e na hora de pagar os direitos sobre a execução da música julgar que esta é uma despesa menos devida. Deixa eu ver se entendi … os profissionais de luz, palco, o público, a mídia … todos estão motivados e efetivamente presentes ao evento porque num determinado momento a música os chamou a atenção, os emocionou, os incentivou a reunirem-se para conferir ao vivo esta obra. Em outras palavras, tudo começou a partir de uma música e justamente o autor, aquele que teve a inspiração (e muitas vezes transpiração) para compor aquela obra, na hora de receber sua fatia do bolo, acaba ficando de prato vazio nas mãos!?!?!? É justo isso? Definitivamente que não! Este mesmo conceito se aplica quando lidamos com promotores de eventos (muitos dos quais pastores!) que na hora de pagar o cachê aos artistas inventam um milhão de justificativas para o não cumprimento do pré-acordo. O mais absurdo é quando recebo ligação de alguns destes ‘promotores’ dizendo que alimentação, hospedagem e transporte, além da divulgação na cidade, ficam por conta do evento … entendi … quer dizer que o artista está desabrigado precisando de uma hospedagem, está faminto precisando de um prato de comida e está entediado de ficar em casa e qualquer oportunidade para sair de sua rotina deve ser comemorada como uma carta de alforria …
Ontem mesmo recebi um relatório que havia solicitado fazia mais de 4 meses sobre o status de pagamento das rádios do segmento evangélico no Brasil com relação à veiculação. Por lei, as emissoras de rádio e TV são obrigadas a enviar um relatório sobre a utilização e veiculação de obras musicais em suas respectivas programações ao ECAD. Para minha tristeza, o relatório tinha muito mais empresas inadimplentes do que adimplentes, ou seja, a esmagadora maioria das mídias do segmento gospel no país não recolhem devidamente os impostos e tributos referentes a utilização de conteúdos musicais prejudicando drasticamente o recebimento dos compositores e artistas. Ou seja, os compositores são de certa forma fundamentais no mercado artístico pois é a partir de suas obras que se inicia o sucesso e nem por isso são respeitados e remunerados como deveriam. Acho que não preciso lembrar que em muitos casos nem mesmo as gravadoras do segmento remuneram corretamente os compositores. Posso dizer isso como parte integrante do processo porque nas poucas músicas que tenho gravadas, receber por elas é quase um calvário.
Em resumo, o que quero dizer neste post é que é muito importante que todos recebam devidamente o que lhes é devido, sejam os artistas, músicos ou compositores. É fundamental que todos tenham noção clara do que lhes cabe, seus direitos, deveres, participações e afins. Para isso existem profissionais e empresas dispostos a contribuir pelo entendimento de todos estes processos. Minha sugestão é que, principalmente os autores, procurem publishers para cuidarem de suas obras e que estudem profundamente sobre este universo tão peculiar e ao mesmo tempo, tão cheio de possibilidades.
Me perdoem, leitores do OBC se fui extenso demais neste primeiro texto pós-férias forçadas. Aos poucos vou recuperando meu poder de síntese. Até a próxima!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista e atualmente audiência do maior número de mesas redondas, quadradas, retangulares e bate papo de futebol.

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Não! Você não acessou a um site ou blog errado! Sim! Você está diante do novo Observatório Cristão que agora segue num novo visual, novos quadros, muitas novidades, mais interativo e atraente, mas sem mudar o seu objetivo primordial desde quando surgiu há longínquos 6 anos atrás, ou seja, trazer uma visão diferenciada sobre o mercado gospel, especialmente na área fonográfica, e outros temas como marketing, design, tecnologia, comportamento, vídeos e toda a miscelânea de assuntos, sempre do ponto de vista cristão e mantendo uma boa dose de bom humor para digerir isso tudo!

Nesta nova fase ganhamos a adesão de mais um componente para o blog, nosso amigo Jeferson Baick, publicitário dos pampas gaúchos radicado na terra do pequi, a intensa Goiânia, terra das oportunidades e hoje um dos principais centros do mercado gospel tupiniquim. Nesta parceria, toda a gestão do blog passa pelas mãos competentes da equipe de profissionais da Eudesign, agência de publicidade, negócios e oportunidades. Teremos muitas novidades para apresentar aos 66 leitores assíduos de nosso blog e nossa expectativa é de que com estas mudanças possamos aumentar nossa audiência para uns 70, 80 leitores talvez… vamos trabalhar fortemente para isso! Com esta nova adesão, contaremos com 3 editores full time para o blog e espero que alguns outros colaboradores surjam para contribuir com nossa safra semanal de textos.

Em ano de Copa do Mundo no Brasil, a desculpa é a mesma: Ih! Vai ser difícil, pois nada acontece no Brasil nesse ano, né? Então contrariando esta máxima, estamos trazendo um novo Observador Cristão que virá nesta nova versão ainda mais intenso, criativo e produtivo. Nossa intenção é semanalmente trazer conteúdos novos, interessantes e de acordo com a demanda de nossos leitores. Espero que consigamos manter o pique e que você, amigo(a) leitor(a) nos ajude divulgando a novidade!

Boa leitura!

Começo a escrever este texto como tenho feito nos últimos tempos, ou seja, a bordo de mais um voo cruzando o país. Desta vez, retornando ao Rio de Janeiro diretamente da capital capixaba e após 7 dias intensos de muito trabalho. Nesta semana estive em Goiânia, Brasília, Fortaleza e agora por fim, Vitória. Neste período tivemos contato com mais de 30 mídias, entre veículos do segmento gospel e seculares. Esta foi, sem dúvida, uma experiência marcante e que irá determinar uma série de decisões e estratégias daqui em diante.

O Brasil realmente é um continente e como uma enorme extensão geográfica possui diferentes climas, culturas, pessoas, hábitos e linguagens. Me delicio de ouvir os sotaques do povo lá de cima, especialmente do Ceará com suas gírias, neologismos, ritmo e humor inigualáveis. Acho fantástico o jeito meio caipira, meio non sense dos goianos divididos entre os costumes mineiros, nordestinos e o da própria terra no meio do Brasil. Estes foram dias muito especiais e certamente ficarão marcados em minha história por diversos aspectos e experiências únicas.

E no fim, já no último dia de viagem, tive o prazer de reencontrar um amigo dos tempos de adolescência de Igreja Batista de Niterói e que especialmente nos últimos anos passei a acompanhá-lo à distância, vendo o seu sucesso, recebendo notícias de sua família, mas que efetivamente por diversos motivos não tive oportunidades de encontrá-lo pessoalmente. Este amigo foi o preletor principal de um evento que reuniu lideranças evangélicas, políticos e algumas mídias da Grande Vitória. Em sua palestra, entre outros temas, o preletor destacou sobre o verdadeiro papel da igreja cristã na sociedade como agente transformador.

Este é um assunto que vem me incomodando especialmente nos últimos dias. Talvez por ter tido a oportunidade de conhecer diferentes ministérios, diferentes líderes, diferentes correntes de pensamento e atitudes no meio evangélico nos recentes dias, ouvir uma palestra desafiadora como a que tivemos neste último dia apenas sirva para dar um fecho final a tudo o que venho meditando e matutando até então.

Hoje no Brasil estima-se que cerca de 40 milhões de pessoas se intitulem ‘evangélicos’. Talvez possa ser um pouco menos ou um pouco mais dependendo de como se queira ‘vender o peixe’. O certo é que o segmento evangélico hoje é uma parcela muito representativa em nosso país. Especialmente na última campanha política para presidente que elegeu Dilma Roussef, os mega-ultra-caciques-evangélicos foram tratados com toda a pompa e circunstância como se tivessem o poder de influenciar o voto de seu rebanho (ou seria manada?). Mas a verdade é que este voto de cabresto espiritual já não tem a mesma força de tempos atrás. Nem mesmo nas igrejas pentecostais ou neo-pentecostais onde alguns líderes ainda se julgam senhores feudais com plenos poderes!

Mas o caminho que eu quero seguir neste texto não tem a ver com uma análise política e a força do segmento evangélico ou coisas do tipo. Eu gostaria de enfocar sobre outra ótica e que também tem a ver com poder, sociedade, força, resultados. As grandes revoluções não começaram grandes! Pelo contrário, as grandes mudanças na sociedade mundial surgiram a partir de pequenos grupos liderados por grandes homens, mesmo que estes homens tenham usado seus potenciais para coisas nem sempre positivas. Mas efetivamente começaram pequenas, suas ideias contagiaram poucas pessoas, depois foram crescendo, tomando espaço, até que num determinado momento, tornaram-se tão grandes e intensas que transformaram a sociedade e a história mundial.

Hoje somos 40 milhões de evangélicos no país, talvez. Mas seguramente somos um grupo bastante representativo, sem dúvida. Em algumas regiões, cerca de 40% da população é evangélica. Em determinadas cidades, as mídias evangélicas dominam e rivalizam com os veículos seculares em audiência e relevância. E aí me pergunto: por que será que a igreja evangélica brasileira não consegue influenciar positivamente a sociedade de nosso país?

Esta pergunta vem me assolando e incomodando muito nos últimos dias e confesso que quanto mais eu discuto e analiso sobre este tema, mais me vem uma profunda angústia e tristeza por constatar que estamos distantes de mudar este panorama. Se estudarmos a história da igreja iremos encontrar inúmeros personagens, épocas e fatos que comprovam a importância da fé cristã alterando rumos da sociedade. Basta conhecermos a história de John Wesley que transformou positivamente toda uma sociedade para constatarmos que, sim, é possível que a igreja evangélica transforme o seu ambiente à volta. Mais recentemente temos o exemplo de dois países que foram profundamente transformados pela força do Evangelho, a saber: nossos vizinhos continentais, a Colômbia e a distante Coréia do Sul. Mesmo os países europeus com seus padrões elevadíssimos de qualidade de vida, segurança, educação e outros indicadores, só atingiram estes patamares pela influência da fé protestante e os ensinamentos calvinistas, entre outros, em sua história.

Então, do que se jactam os líderes evangélicos de nosso país gritando a plenos pulmões de que hoje somos a maior nação cristã do mundo? Por que estamos comemorando ufanisticamente de que em alguns anos poderemos ser maioria religiosa em nosso Brasil? De que tem adiantado ver que o número de igrejas evangélicas tem crescido exponencialmente ano a ano?

A violência tem diminuído em nosso país ou os presídios estão cheios de Isaques, Matusaléns, Enoques, Lucas e tantos outros delinquentes com nomes bíblicos? Se fizermos um censo nas cadeias certamente ficaremos estarrecidos pela quantidade de filhos de crentes que se desviaram para uma vida de crimes porque seus pais não deram a educação e exemplos dos mais corretos! Ou mesmo porque as igrejas em vez de acolhê-los pesou a mão expulsando-os do convívio. Triste realidade!

Outras perguntas continuam me incomodando. A ética tem sido característica de nosso país e população? Mesmo (ou principalmente) entre os evangélicos? As práticas e padrões bíblicos têm se disseminado na sociedade brasileira? Temos influenciado positivamente nossa sociedade? Na política, a bancada evangélica tem sido um bloco de defesa da família, dos bons costumes, da ética e da moral ou os pastores-políticos tornaram-se apenas um bando ávido por benesses, concessões de rádio e cargos públicos?

Confesso que as respostas a estes questionamentos são em sua esmagadora maioria, nada positivas! Não mesmo! E isso me causa repulsa, tristeza, vergonha e até mesmo, cansaço … não me acho um idealista, um sonhador, apenas acredito que o Evangelho tem um papel transformador e isto para mim é real. Então, por isso e somente por isso, ainda acredito que o nosso país possa ser mudado. A esperança, como dizem, é a última que morre … mas hoje, sem dúvida, o seu estado é crítico na UTI.

Ajamos!

Nestes dias estou em meio a uma intensa maratona de divulgação com a cantora Damares por 4 cidades. Começamos por Goiânia, fizemos uma rápida passagem por Brasília e neste momento sigo direto para Fortalezaonde ficaremos por mais 3 dias e de lá seguiremos para Vitória com mais 2 dias de trabalho. Me impressionei com a quantidade de mídias segmentadas na terra do pequi. Antigamente pensava que em Goiânia tínhamos apenas duplas sertanejas, mas hoje posso incluir outra categoria de personagens, os apresentadores de TV. É impressionante a quantidade de programas de conteúdo cristão nas TVs locais. Com isso, fica ainda mais evidente a importância desta região no cenário gospel, inclusive com a realização da primeira edição da Gospel Fair, feira de negócios que será realizada no mês de abril na capital goiana.

Ainda sobre Goiânia, destaque para a diversidade de emissoras de rádio atingindo diferentes públicos, cada qual desenvolvendo um bom trabalho na região. Na verdade, não há nenhum outro lugar do país que possui tamanha opção de emissoras de rádio evangélicas. Por fim, aproveito este espaço para agradecer ao apoio da equipe da Live.com Assessoria e suas incansáveis sócias Karlla Karize e Janaína. Se você pretende desenvolver umprojeto na área artística gospel, especialmente no centro-oeste, o caminho mais fácil é justamente através do apoio destas meninas!

Passado o momento Milton Merchan Neves, vamos seguir com o texto de hoje. Dias atrás estava eu entretido em meus afazeres profissionais, entre e-mails, textos, planilhas e ligações, dei uma rápida espiada em algumas redes sociais. Diariamente, ao ligar meu computador, imediatamente clico em alguns sites de notícias e ato contínuo abro os links de meu instagram, facebook e twitter. E num destes momentos de olhadela para ver o que estava acontecendo nas redes sociais, eis que me deparo com um pequeno papo virtual entre os editores do site Gospel Musikas e Casa Gospel, os amigos Danilo e Alex Eduardo. Como um intruso curioso, observei a troca de comentários entre os dois a respeito de artistas que acreditavam ser a solução para suas carreiras o simples fato de terem seus projetos sendo distribuídos por gravadoras nos ambientes virtuais.

Aproveitando este gancho, resolvi dedicar estes meus momentos de vôo até Fortaleza, completamente espremido na poltrona, assim meio torto, meio de lado, para escrever um pouco mais sobre este tema levantado pelos editores citados anteriormente.

Efetivamente o crescimento do mercado digital é uma realidade e irreversível. Mesmo para os mais céticos, inclusive no mercado gospel, este é um fato consumado! Neste ano fiscal, acredito que 30% do faturamento líquido de minha operação já será creditada aos parceiros digitais. No mercado secular brasileiro, tudo indica que em 2013 as vendas digitais significaram algo próximo aos 40% das receitas das gravadoras. Nos EUA e emalguns outros países, as vendas digitais superaram 50% do resultado e seguem em franco crescimento. Ou seja, a venda de CDs ainda poderá se manter forte nos próximos anos, mas efetivamente a cada período a tendência é de que as vendas digitais seguirão em crescimento. Talvez a grande dúvida hoje seja sobre o tempo de vida útil  da mídia física. Ou por quanto tempo estas vendas físicas se manterão relevantes dentro do resultado das gravadoras, mas de uma coisa ninguém duvida: as vendas digitais se tornarão absolutamente relevantes e transformarão os hábitos de consumo de conteúdo.

Somente nestes 3 dias em que estive por Goiânia recebi 8 CDs e mais 3 DVDs. Conheci muitos jovens artistas locais, ouvi referências elogiosas de muitos nomes. Ou seja, duvido que ao retornar ao Rio de Janeiro não traga em minha bagagem ao menos 25 CDs e outros tantos DVDs. E posso assegurar que muitos destes produtos e artistas estão prontos para ingressarem numa gravadora e serem trabalhados de forma mais profissional, mas como atender a toda esta demanda? Simplesmente é impossível, do ponto de vista do planejamento, de investimentos ou mesmo de atenção necessária ao artista e ao projeto. Não tem como uma gravadora desenvolver um projeto de qualidade para dezenas de artistas. O cast realmente precisa ser reduzido e as decisões sobre contratações devem ser tomadas de forma muito fria e racional.

Há algum tempo atrás li um artigo publicado numa revista norte-americana sobre um estudo realizado entre as gravadoras. Na pesquisa, comprovava-se que para um artista de sucesso, cerca de 800 outroseram avaliados e investidos. É quase como ganhar na Megasena da Virada apostando-se apenas um cartão! Em minha carreira já tive alguns projetos que viraram sucessos retumbantes, mas a lista de artistas que ficaram pelo caminho também é muito extensa, na verdade, bem maior do que a anterior. O que podegarantir um projeto de sucesso? Simplesmente nada! Mas eis que estamos diante de uma novidade para o mercado fonográfico e que de alguma forma, diminui sensivelmente os riscos de se apostar em promessas. Estou falando da distribuição digital de conteúdo.

Hoje as gravadoras estão apostando em artistas que possuem relevância nas redes sociais, além de visibilidade em seus vídeos e que conseguem se destacar em meio a todo este frenesi que se tornou a web. Se um artista tem um vídeo com milhares, às vezes milhões de views, já há um forte indício de que temos algo interessante à frente. Antigamente o A&R tinha que correr por bares, festivais, shows em pequenas casas à procura de um artista promissor. Hoje em dia, este profissional tem a web como sua forte aliada. Basta fazer uma pesquisa no YouTube, nas redes sociais ou mesmo no Google para se certificar se estamosdiante de um novo fenômeno ou não.

O primeiro passo hoje para que um A&R arrisque menos no investimento de jovens artistas é justamente utilizar-se da distribuição digital. Em 2013, a Sony Music lançou um novo projeto, o Sony Music Digital, como o próprio nome sugere, trata-se de um projeto piloto em que o artista passa a ter todo o seu conteúdo em áudio e vídeo distribuídos comexclusividade pela gravadora. Nesta parceria, o artista passa a ter não somente o seu disco e vídeos nas plataformas digitais como iTunes, VEVO, operadoras de telefonia, Deezer, entre outros, como ainda passa a ser trabalhado maciçamente nas redes sociais da gravadora, além de ter suporte da equipe da empresa para seus próprios canais. Aparentemente é a redenção para as gravadoras e mesmopara os artistas que passam a fazer parte e ter acesso a todo o ambiente tecnológico sem maiores investimentos ou entraves. Sim, esta é uma parte donegócio, mas engana-se que apenas isto já basta para ter milhares de álbuns vendidos, agenda lotada de eventos ou singles de sucesso.

Como comentaram, Alex e Danilo, nossos parceiros de mídia gospel, erra redondamente o artista que pensa ter atingido o nirvana apenas porque agora faz parte de um selo digital. Neste tipo de parceria, oartista tem papel fundamental para o sucesso da empreitada. É necessário que o artista incremente e trabalhe de forma focada e profissional suas redes sociais. Um artista que tem 10 mil seguidores notwitter ou na fanpage não terá muita relevância para resultados expressivos na venda de álbuns ou singles no iTunes. Observem que o iTunes é como uma enorme biblioteca de conteúdos com milhares e milhares de discos, músicas, conteúdos, cada um buscando a atenção do consumidor. Se o artista não é relevante do ponto de vista de seguidores, as chances do produto ficar criando teias de aranha virtual são enormes! Então, o primeiro passo é incrementar as redes sociais!

Outra questão importante é municiar de conteúdo os canais próprios, principalmente na questão dos vídeos. Quando falamos de vídeos, vamos desde os tradicionais clipes aos Web Vídeos (só o áudio e umaimagem fixa), Lyric Vídeos (áudio e letras em movimento sincronizado), ensaios em estúdio, vídeos tutoriais ou gravações de eventos, só para citar alguns. Quando um artista faz parte de um selo digital é criado um canal exclusivo nas plataformas de vídeo, seja YouTube ou Vevo como no caso da Sony Music Digital. E nestes canais exclusivos, o artista deve incluir farto material para justamente manter ativo e atraente ao público, aumentando assim a visibilidade de seus vídeos e consequentemente a monetização dos mesmos. Além dos vídeos, o artista pode criar álbuns ou singles exclusivos em áudio. Muitas das vezes pode-se gravar uma versão acústica de uma determinada canção ou mesmo uma versão remix. O certo é que plataformas como o iTunes permitem que o artista não refreie sua capacidade de criação e produção, pelo contrário, tudo o que é produzido, mantendo a qualidade é claro!, pode ser lançado nas plataformas. O segundo passo é investir na criação de conteúdo!

Agora, não é porque sua produção é digital que o artista precisa se trancar no quarto de sua casa para conectar-se com o mundo exterior! Nada disso! A estratégia tradicional de ‘ir aonde o povo está’ mantém-se firme e forte mesmo em tempos digitais. Ou seja, nada substitui ocontato pessoal. Nada substitui o trabalho de cantar nas igrejas, de ralar dia a dia à procura de espaços para se mostrar o talento. Já falei nisso antes e repito agora. Muito mal comparando, a igreja é como o barzinho para os cantores seculares! Um artista que não gosta de cantar em igrejas, que está à procura apenas de grandes palcos, está literalmente fadado ao insucesso. Além disso, um artista ‘digital’ precisa trabalhar em sua divulgação da mesma forma que um artista ‘físico’, ou seja, focado no relacionamento com as mídias, especialmente as rádios e programas de TV. E neste caso, até por se tratar do mesmo ambiente, um artista ‘digital’ precisa ter uma grande estrutura de mídia e promoção na web. Hoje em dia já há algumas empresas que se propõe a assessorar os artistas nas mídias sociais. Vale a pena analisar esta possibilidade, mas com muito critério porque há uma enxurrada de jovens “açessores” prometendo ajuda nesta área mas que na verdade só ficam tuitando o dia inteiro. Em terceiro lugar, não deixe de trabalhar nos moldes tradicionais! Vá para a estrada, não escolha agenda, trabalhe muito e também foque na comunicação de forma profissional!

Dependendo do acordo com o label digital, veja a possibilidade de produzir algum material físico, seja um CD promocional ou mesmo um DVD com release e clipes. Há muitos artistas que optam por lançar um CD com embalagem ‘envelope, uma versão mais simples do que o digipack ou jewelcase, a caixinha tradicional de acrílico. Com este material, o artista pode em suas apresentações ter algumtipo de remuneração na venda dos produtos ao público, além de servir como um importante material de divulgação. Mas neste caso, é fundamental que o artista incentive ao máximo a compra do conteúdo digital. O CD promocional tem que ser apenas uma degustação do que o público encontrará na versão digital. Crie uma opção física para incrementar avenda digital.

Se o artista digital conseguir trabalhar de forma organizada estes aspectos, as chances de conseguir bons resultados é bem maior. No entanto, é importante ressaltar, por mais que pareça óbvio, que o artista precisa ter qualidade! O que faz toda a diferença, seja num projeto físico como digital, é a música! A música pode transformar um adolescente do interior num astro pop mundial. Então, antes mesmo de buscar o espaço num selo digital, o fundamental é que o artista tenha conteúdo de qualidade, que tenha relevância, talento e uma boa dose de perseverança! Há inúmeros casos de artistas que foram lançados em selos digitais e que em pouco tempo tornaram-se artistas nos moldes tradicionais de gravadoras como a jovem Marcela Taís e a banda gaúcha Tanlan, atualmente no cast da Sony Music.Fica a dica!

Chego ao fim do texto com meu pescoço doendo horrores, minha coluna ‘gritando’ e minhas pernas formigando. Que coisa! Preciso de uma cama bem confortável e um relaxante muscular urgente! E a senhorinha do meulado roncando a plenos pulmões … que fase!

Obrigado Danilo e Alex Eduardo pelo insight. Vamos em frente!

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, necessitando do auxílio de um acupunturista cearense, torcedor do Fluminense e já sonhando com os camarões, lagostas e todas as iguarias dos próximos dias!

A esmagadora maioria dos textos publicados por aqui no blog são fruto de conversas com amigos, profissionais ou mesmo em encontrosfortuitos com pessoas que vão surgindo em nosso caminho. Este novo post é baseado em uma rápida conversa que tive o prazer de manter com 2 simpáticas pessoas que sequer conhecia até então. Elas foram as responsáveis em recepcionar-me no aeroporto em uma de minhas últimas viagens. No trajeto entre o aeroporto e o destino final fomos conversando sobre os mais variados assuntos até que surgiu o assunto que irei desenvolver a partir de agora.

O sucesso é bom. Muita gente persegue o sucesso. O sucesso pode ter diferentes significados, dependendo do ponto de vista. O sucesso é fruto de trabalho árduo. O sucesso abre portas. O sucesso não é democrático, ele é extremamente seletivo. O sucesso é um risco em si. Podemos ter sucesso de diferentes formas! O que é sucesso para uns, não significa nada para outros.

Sucesso …

Muito me perguntam sobre o que se fazer para alcançar o sucesso. A minha resposta é sempre a mesma, ou seja, acredito que há alguns aspectos que devem ser observados com atenção para alcançar estes objetivos. Do ponto de vista artístico há uma série de pontos que somados podem contribuir para uma carreira de sucesso. Carisma, talento, disposição, inteligência, disponibilidade financeira, estrutura de apoio, visão, conhecimento em marketing, boa apresentação, repertório, entre outras coisas. Mas a ressalva também sempre é a mesma, apesar da conjunção destes fatores, nada garante osucesso. Em contrapartida, para alcançar o fracasso retumbante também há uma série de fatores que somados podem acarretar no verdadeiro desastre. A diferença é que a soma de todos ou mesmo alguns destes fatores, garantem plenamente alcançar-se o fiasco absoluto. Sugiro que vocês leiam um texto publicado aqui mesmo no Observatório um texto sobre este assunto. Segue o link http://www.observatoriocristao.com/site/?p=1321

Como já dissemos anteriormente o sucesso é bom. Mas ele também é uma tragédia se não for bem administrado. E é aí que volto à conversa citada na introdução deste texto. Conversa vai, conversa vem, eis que surge o assunto sobre um determinado cantor de sucesso. Poucos segundos de iniciado este novo tema em nossa conversa, a pessoa foi logo dizendo que aquele artista tinha fechado todas as portas em sua denominação. Não quis me aprofundar no que havia acontecido para o ‘fechar de portas’, mas complementei de que em minhas andanças pelo país este era um fato que se repetia com umaaltíssima frequência. O que por si só já era temerário!

Também em outro texto publicado aqui mesmo no blog, comentei sobre a necessidade de observarmos os exemplos de outros personagens para aprendermos justamente com estas experiências e pouparmo-nos de eventuais problemas. Neste texto inclusive fiz menção ao erro trágico de Hitler de invadir a URSS na 2a Grande Guerra Mundial, em pleno inverno, fato que também havia acontecido na campanha napoleônica e que em ambas ocasiõesacarretaram na derrota dos respectivos exércitos. No ambiente artístico sãoinúmeros os casos de fenômenos que conheceram o sucesso e posteriormente tornaram-se fracassos avassaladores. A sucessão de casos é tão grande que chega a causar espanto como que as pessoas não alertam de que aquela história pode se repetir com si próprio.

O sucesso é bom, mas ele não aceita desaforos. Um dos maiores riscos para quem alcança o sucesso é acreditar que ele é fruto puro e simplesmente de seu próprio esforço ou talento. Não existe sucesso independente! Ninguém alcança o sucesso sozinho. Parece óbvio, mas muitos artistas fazem questão de creditar o seu próprio sucesso a si mesmo. Acho que uma das contra-indicações do sucesso é justamente a perda de memória. Interessante mesmo! Outra mudança comportamental fruto do sucesso é a crença de que tudo o que o artista faz é certo! É impressionante como tem gente (a lista é grande!) que crê que tem algo sobrenatural que o permite fazer as maiores loucuras e ainda imaginar que estas atitudes não terão repercussão negativa para a própria carreira. Como costumo dizer, quando um artista faz sucesso ele veementemente acredita que até o seu suor corporal tem cheiro de perfume francês … oh Lord! (na voz do Lázaro).

Seguindo com a lista de contra-indicações, o sucesso além da perda de memória e da auto-estima exagerada, também gera um pseudo aumento de QI nas mais variadas áreas. É impressionante como que o sucesso parece ampliar do dia para a noite a capacidade intelectual de certas pessoas. O dito cujo que estudou até a quinta série com muita dificuldade, ao alcançar o sucesso, age como se tivesse pós-doutorado em Harvard com especialização emmarketing, administração, design, mídia digital, dress code, fotografia, decoração, culinária, teologia (como tem pastor e pastores no meio artístico, só não sei em qual seminário estudaram ou qual igreja estão atuando, mas que tem, isso tem!!!) e um monte de outras matérias. Ou seja, o sucesso deve trazer o conhecimento por osmose ou simples milagre.

O sucesso também amplia consideravelmente o rol de amizades. O cara de sucesso está sempre rodeado de amigos, todos muito sorridentes. Tudo bem que até tornar-se sucesso, muita gente torceu o narizpara aquele rapaz. Teve gente até que ajudou a bloquear o caminho daquele promissor artista rumo ao estrelato, mas que tempos depois, não perde a oportunidade de sair nas fotos com aquele sorriso largo, fazendo algum gesto característico.  Fotos devidamente postadas e com legendas do tipo “o meu querido irmão”, “o meu amigo do peito” e loas constantes ao sucesso do referido artista são constantes. É fundamental demonstrar intimidade, então apelidos são muito bem vindos!

O sucesso, sem dúvida, melhora o humor! Já viu como o cara que alcançou o ápice da carreira ri de tudo? O cara posta fotos no avião sorrindo … posta fotos diante daquele prato de camarões empanados com todos os seus dentes à mostra … posta fotos fazendo careta mesmo em manifestações públicas de caráter absolutamente sérias … o indefectível KKKKKKKKKKK fazparte de 90% das legendas de seusposts nas redes sociais. O sucesso deve aumentar a produção de endorfina no organismo. Quem sabe?

O sucesso é bom, mas ele é perigoso. Ele pode trazer uma falsa unanimidade. Pode induzir à idéia de que o artista realmente tem o apoio integral de todo o público e isto é uma das maiores mentiras da história. O público não aceita deslizes, mesmo de seus queridos artistas. Da mesma forma que o público se identifica com a arte e o talento daquele determinado intérprete, ele muda de lado ao perceber a transformação do caráter inicial do artista. É muito comum ouvirmos a expressão de que aquele artista era bom até ter o seu trabalho reconhecido em larga escala. O sucesso transforma e em boa parte das vezes, para pior, muito pior. Só não percebe isso quem está inebriado pelo poder deste mesmo sucesso e geralmente a percepção, o bom senso só sãorecobrados quando a água já está no pescoço!

O sucesso é bom. Confesso que trabalho constantemente por alcançar o sucesso em minha profissão. Ele é motivador, instigante, me estimula a buscar conhecimento, a ampliar horizontes. Acho que podemos elencar três pilares fundamentais para o sucesso pleno. O mais comum é associarmos o sucesso às questões profissionais e consequentemente financeiras. Neste caso, foco, determinação, talento, conhecimento, escolhas certas são alguns aspectos que devemos observar com critério. Outro pilar do sucesso pleno é a família. De que adianta ter o sucesso profissional e ser um fracasso no lar? Infelizmente temos inúmeros casos de pessoas extremamente bem sucedidas no âmbito profissional que vivem e viveram catástrofes na família. Nada deve ser maisimportante do que a paz, a saúde, o amor e a dedicação no meio familiar. Osempregos se vão. As empresas se vão. As relações comerciais se vão … os laços familiares permanecem. Busque o sucesso na sua família! Por fim, o terceiro e mais importante pilar, o sucesso espiritual. Propositadamente elenquei os 3pilares em ordem crescente, ou seja, do menos importante para o mais relevante. Nada será mais importante para a eternidade do que uma relação saudável, transparente e de sucesso com o Criador. Podemos ser fracassados profissionalmente, ou até ter uma vida familiar conturbada, mas jamais podemos imaginar uma vida de pobreza na relação com Deus. Sucesso pleno é conquistar os objetivos profissionais mantendo o equilíbrio e a saúde nas relações familiares e mantendo uma vida espiritual intensa e comprometida com Deus. Isso sim é sucesso!

O sucesso é bom … e especialmente no âmbito artístico gospel ele pode ser perpetrado por muitos anos. Basta manter as portas abertas, viver com simplicidade, respeitando-se a todos à sua volta,buscando conhecimento e apoio de profissionais, lideranças e amigos de verdade. Trabalhe como se nunca tivesse conquistado nada! Seja gentil. Nunca creia que as suas conquistas foram fruto somente de seu próprio esforço. Reconheça quem te ajudou no passado. Reconheça o carinho e cuidado de Deus. Jamais caia natentação de caminhar sozinho! Ou seja, siga como um autêntico cristão. Simples assim. O resto é consequência.

 

Boa semana!

Mauricio Soares, jornalista, conversador inveterado e alguém que já conviveu com muitos artistas que alcançaram o sucesso. Uns souberam conduzir muito bem com esta fase e outros nem tanto … mas o sucesso é bom!

Talvez eu esteja sofrendo pela falta de rotina em publicar novos textos por aqui no blog. Este deve ser o quinto ou sexto texto que inicio para ser publicado no Observatório Cristão desde a minha última postagem, o que ocorreu no fim de 2013. Os demais, por enquanto, não julguei à altura dos textos publicados até hoje no blog e por isso mesmo permanecem em stand by até que uma lufada de inspiração e criatividade surjam.

 

Como os atletas em início de ano imagino que esteja vivendo aquele período de recondicionamento físico, neste caso, criativo. Então, para não criar nenhuma tensão desnecessária, vou dar-me o direito deescrever neste post, pequenos textos, comentários e afins. Talvez assim eu possa me animar e voltar a escrever textos mais elaborados.

 

Retorno de uma viagem curta para a capital paranaense. Durante o dia inteiro tive a companhia constante dos amigos do Megafone, banda que vem se destacando bastante no cenário artístico gospel no país. Entre tantas atividades na abafadíssima e quente Curitiba deste dia, pude visitar a Rádio Gospel FM. Como sempre, fui muito bem recebido por toda a equipe, mas o que me chamou a atenção foi um excelente papo com o diretor artístico da emissora, Fabiano Lazarino. Entre tantos temas, destaque para a forma como ele lida com alguns aspectos importantes no seu dia-a-dia. A questão da escolha de seu play list merece registro. Para Lazarino, o importante é valorizar o seu público, portanto, a preocupação émanter a programação sempre atualizada com os mais recentes lançamentos. A prioridade é a audiência, o ouvinte! Música para os meus ouvidos! Ah! Como seria outra a história nos arraiais gospel se todas as demais emissoras e mídias seguissem esta mesma (básica) estratégia! Em apenas 7 anos de estrada, a emissora saltou do absoluto ostracismo para a terceira posição entre as FMs mais escutadas de Curitiba, rivalizando com duas das mais populares rádios da capital. Ou seja, priorizou a qualidade da plástica e da programação e colheu resultados consistentes. Óbvio demais? Pois é, mas por que tanta ‘diretor’ e ‘dono de rádio’ gospel prefere seguir outra linha? Vai saber …

 

Aproveitando este gancho, não posso deixar de complementar este assunto sem mencionar algo que me incomoda há muito tempo e que surgiu em meio a uma conversa com um grande amigo e profissional que seguramente é um dos caras que mais conhece sobre rádio gospel pelo Brasil.Neste papo ele me dizia da dificuldade que encontrava em divulgar um determinado artista que já àquele momento figurava no cenário gospel como um sucesso nacional. Ele dizia: “Recebo ligações de diretores de rádio me pressionando por agendas para shows ou mesmo apresentações em igrejas. Eles me oferecem permutas para tocar nossa música ou como dizem ‘pra estourar o artista na região’. Aí atendemos ao convite. E muitas das vezes somos mal recebidos, ficamos em hotéis sem conforto algum, temos de nos apresentar em 2, 3 cultos num mesmo dia. Naquele período que antecede nossa apresentação, a música fica na liderança entre as mais pedidas. Só que no dia seguinte de participarmos do evento, a música simplesmente é abduzida da programação. A música some … assim do nada …”

 

Seguindo na conversa ele também comenta que quando um “convite” (só que não!) como este não é aceito porque a data estava ocupada ou algo do tipo, a represália sobre o seu artista é fortíssima! A rádio não só não toca mais nada como fazem questão de ‘queimar’ o artista junto aos pastores da região e até mesmo de outras emissoras. Ou seja, terror total!

 

Completando esse papo, lembramos daqueles donos de emissoras ou programas na TV, geralmente mega-ultra-blaster-líderes que diariamente vão aos seus canais de mídia pedir ajuda aos contribuintes, membros, patrocinadores e coisas do tipo. Quase chorando (alguns até chorando de fato, se debulhando em lágrimas, oh! quanta tristeza!) pedindo pela ajuda para pagar os investimentos de se manter o programa no ar. E aí, 100% das vezes o argumento fatídico é de que devemos contribuir para o REINO, afinal ele está ali para anunciar as boas novas (também para vender pacotes para Israel, livros, DVDs, seguro de vida, auxílio funeral, plano odontológico e o que mais surgir pela frente). A grande verdade é que eu nestes anos todos de estrada, desconheço veementemente que ‘reino’ é este … na verdade, o que vejo de verdade é cada um cuidando do seu próprio reino, ou feudo ou qualquer coisa do tipo.

 

Dias atrás o meu divulgador em São Paulo me mandou um email comemorando o agendamento de uma artista em pleno período de divulgação de seu novo trabalho em um programa de TV. O email dizia: Muito bom! Acabamos de agendar a artista XXXX no programa YYYYY. Exatos 5 minutos depois, outroemail surge em minha caixa postal. O mesmo divulgador me manda outra mensagem dizendo: Foi desmarcada a participação da cantora XXXXX no programa YYYYY. O motivo alegado é de que ela é ex-artista da gravadora ligada ao grupo empresarial – também conhecido como reino. E também porque ela agora faz parte da gravadora concorrente … o que eu posso responder numa situação destas? Simplesmente nada! Vamos viver!

 

Então, para concluir, até quando iremos ter que conviver com estas práticas? Quando vejo cristãos reclamando pelo pouco espaço para a música gospel nos canais seculares, o que me vem à mente de imediato é como podemos exigir melhor tratamento e maior espaço por parte dos ‘gentios’ se nem ao menos os nossos ‘domésticos da fé’, os líderes e grandes denominações evangélicas abrem espaço e tratam com o devido respeito os artistas do segmento?

 

Acho que cabe a nós um exercício mais analítico de tudo o que vem acontecendo no segmento evangélico brasileiro nestes tempos. não dá para simplesmente aceitar um monte de gororoba, de práticas abusivas, decoisas mal explicadas, de atitudes nada condizentes com os preceitos e doutrinas cristãs. Espero que 2014 seja melhor do que 2013, especialmente na questão de valorização da música cristã pelos líderes e ‘profissionais’ que estão à frente das mídias do segmento.

 

Pronto! Procedimento de descida iniciado. Até que a inspiração veio … deve ter sido o ar rarefeito … e outros temas já me vieram à mente. Que bom … parece que agora vai! Aproveito para agradecer o carinho de tantas pessoas que encontrei durante meu período de férias! Gente que confessou ler este blog e utilizá-lo como ferramenta de trabalho. É muito bom receber este feed back porquemuitas das vezes tenho a clara sensação de que escrevo e me comunico simplesmente comigo mesmo, o que não é de todo ruim! Desejo aos 66 (se é que eles ainda existem!) leitores um ano novo de muita paz, amor, bom humor e boa música!

 

Desligando o computador em 5, 4, 3, 2, 1 …

Mauricio Soares, publicitário, amante de bons papos, coach, jornalista, pai do Fernando, Leonardo e Benjamim, meu trio de ouro!

P.S. – Já tendo finalizado este texto, recebo um link do vídeo do Jonathan Nemer. Tomo a liberdade de inserir este vídeo neste post porque de alguma forma está ligado a alguns aspectos mencionados acima.

http://www.youtube.com/watch?v=KrqAvvN1TWA&feature=c4-overview&list=UUOOkCYthHdrpCZdytAT63GQ