Home Destaques

Outro dia destes, um amigo de twitter me perguntou se seria verdadeira a informação de que eu estaria contratando uma determinada cantora. Achei estranha a pergunta e retruquei-lhe o porquê desta dúvida, afinal eu nem sequer havia dado alguma indicação a este respeito. Aresposta foi imediata e direta: pessoas próximas a artista e um blog haviamdivulgado a notícia como certa!

 

Estiquei a conversa por DM e fiz questão de deixar claro a negativa nesta contratação. Comentei ainda que fazia uns 2 meses, minha timeline foi invadida como num ataque ensandecido de abelhas africanas para que estareferida cantora fosse por mim contratada. Eu nunca conversei com esta jovem! Acho que, no máximo, ela me entregou um CD para ‘ouvir com carinho’ durante a última feira, nada além disso!

 

O texto de hoje é uma tentativa para alertar aos jovens artistas sobre o que se deve fazer para chamar a atenção de uma gravadora e o que efetivamente deve ser evitado a todo custo!

 

Em primeiro lugar, campanhas como “Queremos” devem ser banidas da estratégia! Não existe coisa mais chata do que acordar cedo, ligar o computador e deparar-se com 856 mensagens retuitadas com a mensagem “Queremos a cantora Elisinha Pé de Fogo na gravadora Reteté Music!”. Outro dia sofri esse ataque inflamado. Como nunca havia ouvido falar de uma determinada artista, resolvi pesquisar um pouco mais a respeito destas pessoas que participavam da manifestação digital. Era um tal de perfil com 2, 3, 5 seguidores e tantos outros sem qualquer seguidor, que me veio a impressão de que se tratavam em sua maioria de perfis fake, ou no bom português, falsos, inventados, paraguaios mesmo!

 

Como diz o meu amigo e parceiro de longa jornada, Sidnei Gomes: “Quem aceita pressão é time pequeno!” E é isso mesmo! Quem em sã consciência acredita que pelo fato de uns gatos pingados ficarem repetindo e poluindo a timelinealheia, terão suas ‘sugestões’ acatadas, deve refazer seu check up anual. O que pode acontecer, na verdade, é o inverso, ou seja, a determinada artista assumir uma imagem negativa perante a gravadora e as portas para ela simplesmente se fecharem.

 

Então, em primeiro lugar, não utilize-se de pressões via twitter! Campanhas como o fatídico “Queremos” devem ser abolidas!

 

Ainda com relação às redes sociais, outro erro grotesco é você implorar para ser adicionado na página do Facebook do (a) executivo (a) da gravadora se esta é restrita. Você precisa entender que se a página é reservada, possivelmente este será um espaço para amigos e familiares e não, um ambiente profissional. Falo isso com experiência própria, pois tanto meuInstagram como meu Facebook são restritos e destinados apenas a pessoas que eu realmente conheço de carne e osso (alguns, até com bastante carne, por sinal, rs)!

 

Não utilize estes espaços para solicitar ao profissional para assistir seus vídeos, clipes, conhecer sua trajetória, suas músicas. Se o ambiente é restrito, então entenda que esta não é uma área profissional, mas de cunho pessoal e isto deve ser respeitado! Já tive um dito cujo, que por 2 meses, quase que diariamente me solicitava amizade em minha página, todas devidamente negadas. Não sei o que ele entendia com estas negativas de minha parte, mas certamente demorou um bom tempo para ele compreender que ali não era um fórum adequado para apresentar seus projetos.

 

“Não bata à porta onde você não foi convidado! Tenha bom senso!”

 

twitter pode até ser um canal interessante para chamar a atenção de alguém da indústria fonográfica, mas deve ser tratado com muito bom senso. Não adianta insistir para que seu vídeo seja conferido com mensagens a cada duas horas durante 3 semanas. E o pior, tenha cuidado com o tipo de material que você irá indicar para ser analisado! Conheço vários casos em que o artista insistiu pela atenção e quando fui conferir oclipe, o material era tão ruim, que não consegui assistir mais do que 1 minuto. Ou seja, oportunidade desperdiçada!

 

“Cuidado com o que você quer mostrar, pois em alguns casos, realmente a primeira impressão é a que fica!”

 

Outra questão importante: dados e informações hoje são facilmente checados, portanto não infle seus números, não invente estórias, não queira transparecer o quevocê realmente não é. Nada de se autoproclamar “o maior sucesso da música gospel do Nordeste” quando na verdade, você hoje só é conhecida na periferia de Teresina. Ser a música mais executada pela Rádio Ibitirama FM não significa que você está na Crowley ou na Billboard. Ser a filha do pastor-presidente do campo de Sinop não significa que tem acesso a todas asigrejas do país. Ou ainda, ter uma agenda lotada de compromissos não determina que você é um sucesso por onde passa.

 

Tempos atrás quando pesquisava sobre um ou outro artista, corria imediatamente para sua página oficial do twitter, facebook, seus vídeos. Hoje em dia, continuo utilizando-me destas referências, mas aprofundando-me um pouco mais a pesquisa, pois infelizmente temos muita gente se utilizando (e iludindo-se) com táticas não-convencionais de aquisição deviews e seguidores. Nesta pesquisa mais detalhada damos uma análise em quem são estas pessoas que estão ‘seguindo’ o determinado artista. E aí, nos deparamos que o artista não é seguido apenas por pessoas do Brasil, mas gente do Mali, Botswana, Afeganistão, Coréia do Sul, Nigéria, Guatemala, Chechênia e por aí vai, ou seja, este perfil é mais verdadeiro do que nota de 3 reais.

  

“Não infle seus números! Você pode explodir!”

  

Vamos seguindo com o texto que está sendo criado em um vôo Rio/Buenos Aires. Terei pela frente uma semana inteira de curso! Certamente teremos muitas boas novidades para o blog pela frente!

 

O envio de material para uma gravadora é uma atitude inócua! Imagine-se numa sala com 800 a 2000 CDs para avaliação e num fim de tarde de uma semana intensa,chega o seu envelope para um A&R.

 

Opção 1 – O envelope com seu CD será entregue ao A&R e ficará numa caixa com outros 300 envelopes aguardando que um dia alguém o retire de lá;

 

Opção 2 – O envelope será imediatamente aberto, o A&R irá avaliar a capa do CD, irá ler a carta anexa e depois colocará junto a uma pilha de 300 CDs aguardando para audição;

 

Opção 3 – O envelope será aberto, a camiseta-brinde será posta de lado e depois presenteada a alguém, o cartão de visita, o release com as suas matérias publicadas no Diário de Caicó, as fotos e tudo o mais do “kit” serão descartados, exceto o CD que irá para a pilha dos 300 CDs aguardando audição;

 

Opção 4 – O CD irá para a caixa de 300 CDs diretamente.

  

“Não perca o seu tempo enviando um CD para a gravadora se isto não for solicitado pela própria. Mais direto do que isso impossível, certo?”

 

Mas voltando ao nosso texto,  até aqui destacamos algumas ações que devem ser evitadas no processo de chamar a atenção de um A&R. De agora em diante vamos elencar algumas atitudes positivas para esta estratégia.

 

Cada vez mais a web tem sido aliada para os jovens artistas. E sabendo utilizar-se de forma inteligente, esta ferramenta pode dinamizar carreiras e encurtar sensivelmente alguns degraus rumo à uma gravadora ou o reconhecimento do grande público.

 

Partindo da premissa de que você tem uma grande música e talento, priorize a produção de um clipe de qualidade. Em seguida, tenha uma fanpage atualizada, dinâmica, interessante. Crie também um web site personalizado com seu último projeto.Seja clean, direto, mantenha este espaço sempre atualizado. Mantenha-se ativo nas redes sociais. Potencialize a divulgação de seu projeto nas mídias do segmento.

 

Se possível, contrate um profissional de assessoria de imprensa que também possa coordenar a atualização de seus perfis nas redes sociais. Alguns destes profissionais de imprensa possuem bom acesso aos A&R das gravadoras. Através deles talvez seja mais fácil ter contato com as gravadoras.

 

Com um bom vídeo, uma boa música, uma fanpage agradável e ativa, um bom número de seguidores nas diferentes plataformas sociais, uma boa assessoria de imprensa e promoção, as possibilidades de sedestacar em meio à concorrência começam a crescer. Então de uma forma bem clara e didática, vamos destacar o que é analisado por uma gravadora num processo de seleção:

 

1)   Talento, diferencial, qualidade – estes são os pilares para que um artista realmente seja levado em questão por um A&R. Se você ainda não tem um projeto de qualidade, talvez seja melhor adiar seu contato com uma gravadora. A concorrência não permite riscos. As gravadoras querem projetos realmente consistentes;

 

2)   Proposta artística e demanda no cast – em determinados momentos, um A&R foca sua procura em alguns nichos e segmentos específicos. Digamos que no cast de determinada gravadora tenha uma lacuna de artista pop rock, naquele momentotodos os artistas deste estilo passam a ser analisados com maior intensidade pela gravadora. Procure estar atento à estas demandas!

 

3)   Tapes finalizados – cada vez mais as gravadoras estarão interessadas em projetos prontos para simplesmente cuidar das atividades de marketing e distribuição. O licenciamento de tapes hoje é uma prática muito comum e incentivada pelo mercado;

 

 

4)   Relevância – como já comentado neste texto, informações como número de views de clipes, seguidores do twitter, fanpage, instagram, são dados importantes na avaliação de relevância do artista. Esteja muito atento a isto! Confesso que me assusta conversar com artistas que confessam que ainda não dão a devida importância para estas ferramentas;

 

5)   Agenda Intensa – um artista que trabalha pouco, que tem uma agenda fraca, significa que ainda tem muito a fazer ou que realmente não gosta de trabalhar! Um artista que trabalha muito, que está constantemente na estrada é um parceiro da gravadora no processo de divulgação;

 

6)   Disposição e disponibilidade para trabalhar em parceria – um artista que demonstra vontade de atuar lado a lado com a gravadora é um grande diferencial. Já foi se o tempo em que tudo caía nas contas da gravadora e o artista ficava refastelado em sua confortável poltrona recebendo todas as benesses. Os tempos são outros! Hoje, o artista deve assumir certas ações que até pouco tempo atrás estavamunicamente ligadas à gravadora. Muitos investimentos de mídia e marketing devem ser assumidos pelo artista. Mentalidade participativa é fundamental!

 

 

O piloto já informa o início do procedimento de descida em Ezeiza. Vamos ficando por aqui! Espero que este texto tenha contribuído de alguma forma no entendimento do que um A&R espera encontrar num artista e seu projeto e de como você poderá usar das melhores estratégias para chamar sua atenção.

 

E vamos degustar as parrillas!

 

 

Mauricio Soares, jornalista, publicitário. Agora você também encontra meus textos nosite Garagem Gospel.

Muito se fala de que o mercado gospel é protegido da prática de pirataria pela natural e bíblica ética dos seus consumidores. Realmente, se formos comparar a tragédia do que ocorreu com o mercado fonográfico secular onde a pirataria diminuiu em mais de 50% as vendas, é verdade que o mercado gospel neste sentido é bem mais saudável. No entanto, engana-se quem imagina que esta prática ilegal e pecaminosa passa ao largo do nosso meio. Infelizmente, engana-se redondamente!

 

Visitando algumas lojas e regiões pelo Brasil recentemente, me deparei com vendedoresambulantes gritando a plenos pulmões, bem em frente a algumas livrarias evangélicas, suas ‘mercadorias genéricas’ com naturalidade (cara de pau mesmo!) impressionante.

 

“- Olha aí freguês! CD lançamento, na minha mão apenas 5 reais! DVD de filme … muito bom! Apenas 5 reais …”

 

A loucura neste caso é ainda maior com o argumento do vendedor de que o CD é uma bênção! O filme vai emocionar a família e coisas do tipo. E pior ainda é a desfaçatez do irmão de terninho apertado, sapato de verniz, Bíblia embaixo do braço, parado em frente à banca de produtos piratas escolhendo tranquilamente qual produto irá levar para abençoá-lo!

 

Este CD ou DVD vendido abertamente na rua, com capa de quinta categoria, muitas vezes uma simples reprodução em papel, mídia roxa ou algo do tipo e preços ‘acessíveis’ são o típico  produto made in Paraguai. Quem compra um produto deste naipe, por mais que seja alguém distraído, absorto, autista, que literalmente viva no mundo da lua, míope ou sofra de alguma síndrome de consumismo desenfreado, não tem a mínima desculpa para dizer que comprou ‘gato por lebre’ sem perceber. A diferença entre um produto original e este tipo de genérico é gritante. Então, não há nada que justifique um cristão de comprar e estimular este tipo de comércio. Simplesmente não há argumentos e ponto final.

 

No entanto, nos últimos 2 anos em especial, uma nova modalidade de pirataria vem crescendo absurdamente no meio gospel e esta tem causado danos enormes aos artistas, lojistas e gravadoras. A pirataria em questão não é mais grotescacomo a que encontramos nos tabuleiros de ambulantes em algumas das principais cidades do país. Neste momento convivemos com a pirataria clonada, ou seja, uma cópia mais bem acabada do produto original. Em alguns casos, encontramos produtos clonados com embalagens no formato digipack que é aquela caixa de CDs e DVDs em papelão, portanto, algo mais difícil de ser reproduzido.

 

Estes produtos clonados estão sendo produzidos em fabriquetas de fundo de quintal e principalmente em algumas fábricas onde o controle e a ética estão longe demarcar presença. Boa parte destas fábricas encontram-se em São Paulo e é justamente este mercado o centro de distribuição destes produtos clonados. O assustador é que já são encontrados produtos clonados em algumas livrarias do segmento e grandes distribuidores. Creio fielmente que alguns lojistas desconhecem que estão adquirindo produtos clonados e acabam participando doesquema fraudulento sem ter conhecimento do ilícito. No entanto, há hoje emdia, alguns importantes players do mercado gospel atuando neste mercado ilegal.

 

Recentemente algumas gravadoras do meio gospel iniciaram ações individuais para coibir essa prática. É sabido que infelizmente não há uma associação que reúna as principais empresas do setor e nestes momentos, esta individualidade acaba trazendo ainda maiores prejuízos ao mercado. Confesso que já tentei por algumas vezes promover reuniões e encontros de aproximação entre as gravadoras do segmento, mas todas as ações foram infrutíferas.

 

Os produtos clonados – e já tive oportunidade de ter em mãos alguns destes exemplares – são realmente muito parecidos com o original, mas basta apenas alguns segundos de observação mais apurada para se ter uma noção clara da diferença entre o original e o falso. Geralmente o material gráfico clonado tem acabamento mais simples. Quando um original tem aplicação de hot stamping (aquele detalhe dourado ou prateado aplicado na capa), no clonado encontramos uma reprodução dourada em off set, algo menos brilhoso. Quando a embalagem do original é em digipack, é bem comum que a embalagem clonada mantenha o formato digipack, mas este geralmente se apresenta em gramaturas inferiores. O digipack clonado é sempre mais leve que o original.

 

Outra diferença entre original e clonado é observado no próprio disco, comumente chamada de bolacha. Todo CD original tem números de registro da fábrica em que foram prensados. É uma espécie de código de identificação de cada disco. Como seria de se esperar, no caso dos clonados, esse número simplesmente não existe ou se repete em todos os discos.

 

Então, na sua próxima compra de um CD de música gospel, procure avaliar com bastante atenção as características do produto em si. Na mínima dúvida, procure contato com a gravadora do CD em questão e solicite maiores informações. Neste momento uma série de ações estão sendo planejadas para combater essa ilegalidade e em breve teremos algumas novidades.

 

Aproveitando o tema, não posso deixar de incluir os sites “gospel” de downloads ilegais. Nos últimos meses, especialmente no caso da empresa em que atuo, conseguimos derrubar diversos sites que ofereciam gratuitamente ao público o que não ospertencia. Muitos sites de downloads ilegais foram bloqueados e derrubados recentemente. E esta estratégia segue a pleno vapor, inclusive com ações mais rigorosas por parte da justiça. É importante salientar que cada vez mais o território livre que se conhecia como internet, passa a contar com leis e controles duríssimos. Quem pensa que está agindo na ilegalidade em meio à multidão, saiba que o cerco vem se fechando e a situação de liberalidade está bem próxima ao fim.

 

Mas em paralelo às questões jurídicas, é importante que os consumidores de música gospel também entrem nessa campanha contra os sites de downloads ilegais. Há algum tempo atrás, a grande desculpa era de que as gravadoras não possuíam plataformas de venda de música digital para atender à demanda. No entanto, hoje em dia, não só boa parte das empresas estão inseridas no meio digital, como o processo de aquisição de conteúdo está cada vez mais facilitado e acessível. Portanto, não há justificativa plausível para que se consuma música, seja em áudio como em vídeo, de forma ilegal.

 

Conto com a participação de todos!

 

 

Mauricio Soares, publicitário, blogueiro, tricolor, jornalista, cristão, palestrante, consultor de marketing e leitorcontumaz de tudo que surge pela frente, de bula de remédio a biografias.