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Em minha história profissional tenho alguns cases interessantes que ajudaram a criar uma trajetória diferenciada neste mercado. O trabalho de reformulação da Line Records reposicionando-a entre as grandes empresas do segmento, depois a passagem pelo Toque no Altar após o terremoto de Nova Iguaçu ou ainda, a formatação da Graça Music e mesmo mais recente o projeto gospel na Sony Music. No entanto, uma das marcas que mais me orgulho ao longo de quase 25 anos de atividade neste mercado é justamente o lançamento de alguns jovens artistas que anos depois tornaram-se nomes de destaque no cenário gospel nacional.

Neste time destaco nomes como Jamily que contratei aos 9 anos de idade e onde pudemos fazer um projeto completo de lançamento de uma jovem artista para o mercado nacional e outros como Tino, Gisele Nascimento, Régis Danese, Brenda, Thalles, Marcela Taís, Mariana Valadão, Joe Vasconcelos, Gabriela Rocha, Daniela Araújo, Tanlan, Gui Rebustini, Disco Praise. Estes são alguns dos nomes que pude lançar no segmento e que hoje posso me orgulhar de ter acreditado e investido. Outros nomes, como Soraya Moraes, Damares, Mara Maravilha, André Valadão desenvolvemos vitoriosos projetos de reposicionamento e ampliação do alcance de seus trabalhos.

Decidir qual artista jovem deve-se investir é algo muito dif’ícil. Há, sem dúvida, uma questão pessoal, particular, um feeling que influencia e impulsiona pela tomada de decisão por este ou aquele talento. Não chega a ser uma loteria, mas aproxima-se muito a isto. O diretor artístico precisa conciliar sua expertise profissional com senso apurado de oportunidade, uma capacidade de analisar as tendências e demandas do mercado naquele momento e, sem dúvida, precisa ter uma boa pitada de sorte. Como dizem por aí, quanto mais eu trabalho, mais acredito em minha sorte! Mas, de verdade, há necessidade de um pouco de sorte sim e, sem dúvida, de trabalhar, trabalhar muito!

Algumas perguntas faço para mim mesmo com grande frequência. – Quem será a próxima bola da vez? De onde vai sair o próximo sucesso? Qual a nova moda que surgirá? Qual estilo de música agradará o público no próximo verão? Realmente me pergunto isso quase que diariamente e como um olheiro em busca do novo Neymar, pesquiso sites, assisto vídeos, participo de eventos, converso com pessoas, ouço opiniões, fico atento a movimentos e tendências. Não é um trabalho fácil. Não mesmo! É cansativo e não há qualquer garantia de que todo este esforço será recompensado, mas sinceramente, não aprendi até hoje uma outra forma de descobrir talentos.

Quando resolvi investir no Thalles, boa parte das mídias, lideranças e lojistas torciam o nariz para aquele negão de óculos escuros que cantava uma música boa, mas diferente do status quo que convencionamos chamar de música gospel brasileira. Bastou algum tempo, muito esforço e boas alianças para que este artista se tornasse um dos maiores fenômenos do mercado nos últimos tempos. Meu desafio hoje é encontrar o próximo fenômeno e ele está aí em algum canto deste país buscando por uma oportunidade. Esse novo fenômeno hoje está escondido em alguma igreja, participando de algum ministério de louvor ou mesmo já até gravou um CD ou faz parte de alguma gravadora … o certo é que Deus está preparando alguém neste momento para em breve assumir lugar de destaque na música gospel tupiniquim. Meu desafio é regular bem meu GPS e localizar esse talento.

Ontem conversando com Soraya Moraes, que acabamos de contratar para o nosso cast, falamos muito de repertório e aproveitamos o tempo para ouvir algumas músicas e referências. Num determinado momento nos deparamos com um artista norteamericano. Aquele estilo de música era algo que estávamos procurando. Uma música onde a qualidade da letra e, principalmente a qualidade interpretativa ficavam evidenciados. Comentei com Soraya que já havia um bom tempo em que não ouvia nada parecido com aquilo. Era um som limpo, bem arranjado, com destaque para a interpretação do artista, algo que realmente emocionava, arrepiava … há quanto tempo não vivia aquela sensação!

Não sei se a próxima onda no meio gospel vai ser um retorno às músicas mais intensas no sentido da emoção, mas creio que depois de tantas guitarras distorcidas estilo Hillsong/Cold Play e muitas palavras de ordem, a tendência possa ser um revival às músicas grandiosas que nos levam ao ápice com temas mais espirituais. Por incrível que possa parecer, também creio no crescimento da música eletrônica no nosso segmento e em breve estarei anunciando algumas novidades nesta área. Seguindo nessa linha de “achismo profético musical” também afirmo categoricamente que a música pentecostal permanecerá em alta nos próximos anos e mais uma vez me arrisco a dizer que Damares saiu na frente das demais trazendo um novo formato, um novo conceito para este estilo com o lançamento de seu mais recente trabalho.

O certo é que estamos à procura do novo nome e investindo bastante em alguns artistas com potencial enorme de crescimento e neste aspecto, creio que posso destacar neste rol, as jovens Mariana Valadão e Daniela Araújo. Cada qual com um estilo e características próprias têm muito a evoluir artisticamente nos próximos anos. Vamos aguardar e conferir se os prognósticos se confirmam.

Se você é um jovem artista e almeja ser esse novo fenômeno, sugiro que faça uma boa pesquisa nos textos aqui publicados ao longo destes últimos 4 anos. Sem dúvida, temos muitas dicas e informações interessantes para o desenvolvimento de sua carreira. Mas além da leitura, nossa dica é que você mantenha os joelhos no chão buscando unção e orientação de Deus. Sem isso, todo o seu esforço será inútil. Aliado ao fortalecimento espiritual, busque o aprimoramento de seus talentos naturais. Estude. Estude. Estude muito! Procure assistir ao máximos de vídeos, shows, eventos. Busque referencias, mas não confunda com tornar-se genérico! Descubra e desenvolva sua identidade, seu diferencial. Estabeleça suas metas. Busque seus objetivos. Procure o melhor repertório. Cerque-se de pessoas de confiança e profissionais de qualidade. Não creia em milagres, faça o seu milagre! Trabalhe!

Se você traçar esse caminho … quem sabe não poderá ser o próximo ‘bola da vez’? E se isto acontecer, quem sabe a gente não se encontra por aí?

 

Mauricio Soares, profissional de marketing, olheiro, publicitário, alguém que ouve com carinho dezenas de músicas por semana.

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No painel sobre música gospel promovido durante a Festa Nacional da Música realizado recentemente em Canela/RS, tive oportunidade de falar sobre diferentes assuntos relacionados ao tema proposto juntamente com os cantores Asaph Borba e PG, o gerente comercial da MK Music, Carlos Knust e, ainda, o jornalista e promotor de eventos, Oziel Alves.

Particularmente acho muito louvável esse tipo de evento. Sinceramente acho que em nosso meio são raríssimas as oportunidades para se discutir sobre questões importantes do mercado fonográfico, tendências, novas tecnologias e mesmo uma análise mais aprofundada de nossa história como movimento artístico nacional. Então, quando sou convidado a participar de qualquer iniciativa deste tipo, sempre procuro ajustar meus compromissos para marcar presença.

E neste painel, um dos assuntos mais abordados pelos participantes foi justamente a definição do que é música gospel. Todos foram unânimes em afirmar que o termo “música gospel” mais confunde do que esclarece, criando uma imagem distorcida para o mercado como se este movimento fosse algo único, coeso, definido.

Quando falamos de música gospel, muito mais do que um estilo musical, na verdade, definimos uma linguagem peculiar. O que une os mais diferentes estilos musicais sob a bandeira do gospel não é sua sonoridade ou linha melódica como a bossa nova, o pop, a música clássica, para citar apenas alguns, mas justamente a mensagem que este tipo de manifestação artística costuma seguir.

Na miscelânea de estilos que tornou-se a ”música gospel” temos o pop rock, reggae, rock progressivo, MPB, balada, hip hop e mais uma infinidade de sons variados debaixo de um mesmo guarda-chuva cultural. O único estilo realmente genuíno entre todos os sub estilos da música gospel nacional é justamente o que chamamos de “música pentecostal”. Este estilo é algo próprio da cultura evangélica brasileira e não há qualquer similaridade em qualquer outro país.

Tendo contato permanente com vários profissionais leigos em termos de mercado religioso no meu dia a dia, definir o que seria “música pentecostal” torna-se um exercício permanente de criatividade. Para estes costumo explicar que essa música é uma espécie de simbiose entre a música sertaneja de raiz com influências da cultura musical nordestina com elementos como o baião, o forró e até mesmo o xote. Mas ouvindo alguns trabalhos mais recentes de artistas do segmento, fica ainda mais evidente que hoje podemos ampliar este espectro para a música pop sertaneja, o arrocha e o brega, ou seja, a música pentecostal também começa a passar por mudanças onde o que irá determinar o seu estilo não mais será a sua sonoridade, mas sim, sua mensagem, recheada de passagens bíblicas e metáforas do cotidiano do crente.

Analisando o universo artístico gospel neste momento, fica nítido que alguns estilos e fórmulas estão desgastados, necessitando buscar novas influências e caminhos. Há alguns anos atrás, a cantora Cassiane introduziu um novo estilo à música pentecostal que passou a ser seguido por 10 entre 10 artistas do segmento. Tempos depois, o ministério Diante do Trono trouxe uma inovação ao louvor congregacional que transformou e catapultou a música gospel no país. Tivemos o louvor extravagante, o louvor G12, o ‘adorador sem face’, o mantra gospel … depois vieram artistas como Fernandinho que mesclou o pop rock com o louvor e André Valadão, representante-mor do pop adoração balada. Mais recentemente incluímos em nosso seleto rol de estilos e tendências, a black groove pop adoração do performático e carismático Thalles.

Em paralelo a todas estas novidades e modismos, hoje temos também o movimento que tive a liberdade de denominar como Nova Música Cristã Brasileira que é um som mais influenciado pelo folk sulista norteamericano mesclado com a sonoridade tipicamente presente na MPB. Tudo muito leve, muito cru, sem tantos elementos, bastante despojado e onde a interpretação do artista e principalmente a criatividade e poesia das letras assumem destaque no conjunto da obra. Talvez, penso eu, estes sejam hoje os artistas com maior possibilidade do tão sonhado movimento de crossover ampliando a atuação da música gospel para além-fronteiras do próprio segmento.

E entre tantos novos artistas deste novo estilo que tem tudo para crescer nos próximos anos, destaco em especial, dois jovens artistas, que passaram recentemente a fazer parte do cast da gravadora onde trabalho, estou falando dos gaúchos da Tanlan e da brasiliense-adotada, Marcela Taís. Dificilmente uso esse espaço do blog para falar de artistas com quem mantenho relação profissional estreita, mas neste caso, abrirei esta exceção porque realmente acho que o projeto destes artistas merece uma análise um pouco mais profunda.

Comecemos por Marcela Taís, uma jovem cantora nascida no Mato Grosso do Sul, pertíssimo do pantanal e hoje radicada na frenética e intensa capital federal. Conheci o som desta menina por indicação de algum amigo pelo twitter. Cliquei no link e me deparei com o clipe da canção “Cabelo Solto”, uma música leve, agradável, boa mesmo de se ouvir … ela falava de coisas de Deus sem precisar falar de doutrina ou coisas do tipo. Gostei! Indiquei-a no blog, nas redes sociais … conheci-a pessoalmente tempos depois. Mantivemos uma relação de amigos, consultor, pupila … e durante muito tempo passei a conhecer mais o seu trabalho, seus projetos, suas ideias e ambições. Tempos depois, recebo mais uma canção inédita, “Escolhi Te Esperar”, e mais uma vez fui arrebatado pela proposta, que música! Mais umas semanas depois e eis que me chega às mãos o clipe desta mesma canção. Fantástico!

O som de Marcela Taís foge do lugar comum! Sua poesia, suas ideias, sua forma de lidar com as coisas de Deus de um jeito todo próprio, trazem uma lufada de ar fresco para nosso segmento. Mas aí você pode me perguntar com aquele ar de ceticismo tão comum quando nos deparamos com algo novo:

“ – Mas esse tipo de música vende? Tem mercado para essa nova proposta artística em nosso meio?” – o que imediatamente me vem à mente quando sou confrontado por esse tipo de questionamento é justamente a lembrança de quando comecei a divulgar o trabalho do Thalles pelas rádios do país. “ – Muito bom! Mas isso vende? Hummmm … não sei não!”, o resultado desses questionamentos vemos todos os dias com shows sold out em todo o país.

Na mesma contramão da obviedade, temos a Tanlan – incrível porque até agora não perguntei aos meninos o significado desse nome, mas vou descobrir em breve e contarei a todos vocês, meus seletos 44 leitores – uma banda do sul do país que toca um pop rock de enorme qualidade. O som é muito bom, de verdade, mas o que me chama ainda mais atenção é justamente a qualidade das letras dessa turma que tem o Fábio Sampaio como vocalista e principal letrista.

Muita gente torceu o nariz e fez cara de espanto quando anunciei a contratação da banda. Apenas alguns mais iniciados de nosso meio conheciam o trabalho dessa turma dos Pampas. Aqui mesmo no blog escrevi há algum tempo atrás sobre a dificuldade de encontrarmos novos artistas e bandas no cenário pop rock gospel. Recordo-me que falei sobre a necessidade de termos mais artistas do gênero para dividir o palco com Oficina G3 e Resgate. E depois de tanta procura, análise e mesmo expectativa, pude ouvir o CD inédito da Tanlan numa tarde descompromissada no meu escritório no Rio de Janeiro onde recebi justamente o Fábio Sampaio para uma visita de cortesia. Ouvimos o CD juntos antes da masterização, analisamos alguns detalhes, conversamos muito sobre o projeto em si e ao fim, fiquei com uma cópia do CD. Levei este CD para meu carro e ouvi-o por umas 10 a 15 vezes nos dias seguintes.

A Tanlan é uma banda que no cenário gaúcho já passeia na seara gospel-secular participando de festivais, shows, eventos sem necessariamente levar o carimbo de banda gospel. Os meninos tocam música! E música de qualidade! Música com conceitos cristãos com letras inteligentes e muita poesia. O desafio agora é romper com as fronteiras do Rio Grande e apresentar esta proposta ao Brasil continental. Numa primeira oportunidade meses atrás, a Tanlan participou do Congresso Oxigênio em Recife e foi aclamada pelo público. Creio que nas próximas semanas, com o lançamento do seu primeiro projeto pela Sony Music, a banda inicie uma extensa agenda de eventos pelo país.

Este texto escrevo no vôo entre Recife e Rio de Janeiro. Deveria ser entre Recife e Porto Alegre para que no fim do dia eu pudesse assistir ao show de lançamento do novo trabalho da Tanlan, mas infelizmente a Azul Linhas Aéreas simplesmente cancelou minha reserva e não consegui nenhum vôo que pudesse chegar a tempo de assistir o show. Sem dúvida, sinto-me frustrado por não honrar um compromisso assumido, mas principalmente por perder a oportunidade de assistir à performance da Tanlan ao vivo.

Neste texto falamos de muitos assuntos em sequência … sobre o que é música gospel, sobre os diferentes estilos de um mesmo conceito artístico, sobre modismos e tendências, sobre o mais recente movimento que percebemos tomar forma na música cristã tupiniquim e, por fim, das propostas inovadoras e de qualidade das obras de Marcela Taís e Tanlan. Música gospel é isso tudo! É algo muito intenso e rico. O importante é que sempre estejamos com ouvidos atentos e abertos para novos sons, novos nomes e novas propostas. A vida é um moinho … vamos pensar diferente, sempre! Antes de despedir-me, sugiro que vocês busquem no YouTube e na web, informações sobre os trabalhos de Marcela Taís e Tanlan. Até a próxima! Bye!

Mauricio Soares, alguém que detesta sanduíches servidos pelas companhias aéreas. Um indivíduo que está sempre disposto a conhecer novos lugares, novos sons, novas pessoas. Publicitário, jornalista, blogueiro.

 

 

 

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Recentemente na cidade de Caicó/RN foram descobertas notas de 3 reais. Isso pode ser piada, mas realmente aconteceu e virou notícia. O tema deste texto escrito em uma viagem para São Sebastião, uma belíssima cidade do litoral norte do Estado de São Paulo, é sobre a necessidade de fazermos uma música gospel com maior qualidade, maior autenticidade. A notícia da nota de  3 reais foi uma das motivadoras para esse texto, mas não foi a única.

Conversando com o Marcos Hermes, considerado um dos melhores fotógrafos do país, com um portifólio que vai de Padre Marcelo a  Paul McCartney passando por Roberto Carlos e mais recentemente Cassiane e Aline Barros, falávamos sobre “atitude “, autenticidade, marca própria que todo artista deve ter pra se destacar em meio à multidão.

É muito bom poder conversar com pessoas de sucesso em suas profissões e, particularmente gosto de trocar informações e pontos de vista com gente de fora de nosso mundinho gospel. E nesse papo com o Marcos Hermes ele me disse que achava os artistas de música gospel meio parecidos nos seus estilos. Com muito cuidado nas palavras, ele disse que mesmo sem conhecer profundamente o segmento, percebia que havia uma certa uniformidade no meio. Na verdade, aquele comentário não era uma crítica, mas o reconhecimento de que os artistas gospel têm muito mais potencial do que vem sendo apresentado nos nossos dias.

Depois de uns segundos meditando naquele comentário pude ver o quanto de verdade havia naquelas palavras. Realmente, mesmo tendo uma riqueza de subestilos no que denominamos no país como música gospel, o certo é que dentro destes subestilos, temos muita gente repetindo fórmulas no melhor formato Control C Control V.

Tentando ilustrar esse fato, basta analisarmos o estilo pentecostal. É uma repetição de arranjos, temas, acordes e mesmo produtores musicais! Se um determinado artista vem com uma proposta um pouco mais pop, simplesmente é massacrado pelos puristas do “reteté-pé-de-fogo”!!!!! A impressão é de que boa parte dos artistas fica encarcerado a um estilo “vendedor” e mesmo querendo gravar algo diferente, para não correr o risco de ser ‘apedrejado ‘ em praça pública, permanece mantendo-se fiel às tradições e convenções do estilo. Mas essa repetição de fórmulas não é exclusividade do pentecostal, basta vermos a “produção em série” na adoração e louvor, na música sertaneja e por aí vai …

Sei que estamos neste momento passando por uma época das mais importantes da música gospel em toda sua história no Brasil. Jamais a música gospel teve tanta atenção, boa vontade e interesse por parte da mídia e mesmo do público não-evangélico. E neste período precisamos repensar o que será da música gospel para os próximos anos e essa reflexão passa também por novas propostas artísticas e modelos não-convencionais.

Mas entendo que essa transição não pode ser responsabilidade apenas dos artistas, apesar de também creditar a eles a parte mais importante e determinante do processo. A verdade é que essa mudança deve ter participação das gravadoras, mídias e mesmo do público.

As gravadoras precisam ser OUSADAS! É necessária uma boa dose de inovação e mesmo de experimentação. Infelizmente em nosso meio as gravadoras ainda são muito tradicionais, pouco inspiradas. Gosto muito da proposta da Salluz que vem abrindo espaço para uma turma que vem fazendo um som diferenciado em nosso meio. Particularmente tenho orgulho de projetos como da Daniela Araújo e Leonardo Gonçalves.

Já as mídias, em especial, as rádios de programação evangélica, também precisam ser mais abertas a novidades. Não dá pra ficar torcendo o nariz quando chegar às mãos do programador um CD com boa qualidade mas com uma proposta diferente do status quo reinante no mercado. Sempre fiz questão de ressaltar que música só existem duas: a boa e a ruim! Então se a música for boa, mas um pouco “diferente” do padrão, vale a pena fazer um teste!

O público precisa também se abrir a novas propostas musicais. Não pode simplesmente ser refratário às novidades e sons diferentes. Infelizmente nosso consumidor médio de música ainda é muito influenciado pelo que é apresentado pelas rádios do segmento – que nem sempre nos proporciona uma música verdadeiramente de qualidade. Com a popularização da web, cada vez fica mais fácil termos acesso a propostas diferenciadas de música, novos nomes, novos estilos, sonoridades e tudo mais. Com boa vontade, pesquisa e  disposição dá pra conhecer novos ares musicais.

Mas, finalizando este post, é de suma importância que os artistas também queiram essas mudanças! Um artista precisa valorizar sua autenticidade artística, sua identidade própria. Quem não pensar em criar e manter uma marca pessoal, simplesmente corre o risco de simplesmente desaparecer ao longo do tempo. O momento é de aumentar a dose de experimentações, mesmo que ainda seja em doses homeopáticas.

Já usei esse exemplo em alguns de meus posts anteriores, mas vou permitir-me citá-lo mais uma vez por ser ele o grande nome do mercado gospel neste momento. Estou falando do Thalles e de sua música. Quando ele surgiu há 3 anos atrás, muita gente “torceu o nariz” para aquele som esquisito. Muita gente “torceu o nariz” pelo visual daquele rapaz. Aquele cabelo meio black power, aquelas roupas meio coloridas demais. E aquela capa do CD com um óculos escuro? Seria alguma menção ao Stevie Wonder ou Ray Charles?

Só que nesse projeto, teve uma gravadora que resolveu investir em algo diferente. As rádios, no início, mantiveram-se arredias mas com o tempo, acabaram cedendo espaço para aquela música diferente. O público também resolveu abrir os ouvidos para uma nova proposta musical. E o artista, ele simplesmente transmitiu sua arte sem preocupar-se com as limitações do segmento, até porque, como um neófito no mercado, Thalles simplesmente desconhecia todas estas regras, amarras, preconceitos e limitações do mercado. É como aquela frase de Jean Cocteau: Não sabendo que era impossível, foi lá e fez!

Espero sinceramente que os artistas expressem sua arte de forma mais pessoal, visceral, autêntica! Temos condições de apresentar uma música gospel de melhor qualidade e riqueza, mas para isso, precisamos de uma pequena dose de ousadia, coragem e respeito por sua própria arte.

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, profissional de marketing e também alguém que recicla seu lixo, economiza água e se empenha por um mundo melhor.

Grande parte dos meus textos do blog são colhidos de conversas com amigos no dia a dia. Muitas das vezes, uma simples frase mencionada sem qualquer preocupação acaba se transformando num belo insight para que depois eu desenvolva a idéia e a apresente aos leitores do Observatório Cristão. E foi numa destas conversas com minha mui leal e competente Cláudia Fontes, responsável pelo marketing em minha equipe de trabalho, que surgiu o tema que irei apresentar. Estávamos jantando depois de um dia de reuniões e muito trabalho, já no último dia em Nashville, antes de regressarmos ao Brasil, e comentei sobre diferenças no mercado brasileiro e norte americano. Falava sobre como certas posturas, estratégias, estruturas e mentalidades da maior gravadora gospel do mundo, neste caso a Provident, chocavam-se com o que víamos e vivenciamos várias vezes em nosso país.
Questionei sobre como poderia uma empresa fazer tanta coisa errada, seguir por estratégias tão diferentes, não ter em sua estrutura profissionais realmente entendidos do que é ser uma gravadora e, ainda assim, essa empresa sobreviver num mercado tão competitivo? E aí Cláudia disse uma frase que será o pontapé inicial do texto de hoje. Ela afirmou, enquanto desfrutava de um Prime Rib meio diferente – geralmente volto dos EUA uns 2 a 3 quilos mais magro, mas acho que dessa vez devo ter emagrecido ainda mais. Amo esse país, mas a comida daqui é um sufoco só! My God! – a seguinte frase: “O problema é que todo mundo foi ensinado dessa forma. A coisa começou errado e tornou-se padrão no Brasil. Infelizmente eles não têm acesso ao que é feito em outros lugares e acaba achando que dessa forma é o certo!”
Havia uma cidade, no meio do nada. Ali moravam não mais do que 300 pessoas. Luz elétrica não havia, apenas geradores a diesel. Uma vez por mês surgia por lá alguém que trazia as novidades do mundo exterior, além de comida, combustível, remédios. Não se tinha acesso à TV, internet, jornais, revistas … nada disso! O isolamento era absoluto e ninguém questionava nada, afinal sempre viveram ali e quem saía de lá, jamais voltava. Certamente haviam sido devorados por algum monstro ou coisa que o valha. Num certo dia, esse caixeiro viajante comprou na capital, todo o estoque de roupas que haviam acabado de chegar no armazém. Por um preço em conta, bastante vantajoso, aquele rapaz comprou 300 camisetas amarelas nos mais variados tamanhos. Quando chegou na cidade isolada, reuniu toda a população e anunciou: “Pessoal, acabo de trazer a maior novidade de todos os tempos!”, com expectativa e curiosidade todos se aglomeravam para ver o que era essa tal de novidade. “Consegui, com muito esforço e boa dose de inteligência, as roupas mais bonitas de todo o nosso país! Venham ver e comprar!”, e em poucos minutos todo o seu estoque foi vendido.
Percebendo que sua estratégia havia dado certo, em toda viagem à capital vinha ele trazendo mais e mais ‘novidades’. Numa determinada vez, o caixeiro viajante comprou todo um lote de casacos de neve. E mesmo sendo a cidade isolada, instalada numa área quase desértica, ele comprou todo o estoque e seguiu no rumo para mais uma viagem de boas vendas. Chegando na cidade, como de costume, ele convocou a todos os moradores. Imediatamente todos reunidos e atentos às novidades. “Trago desta vez, a salvação para nossa cidade! Fui informado de que muito em breve teremos uma chuva de meteoritos em nossa região e somente com esses casacos iremos sobreviver à radiação! Venham todos comprar esses casacos!” E assim foi sendo formada uma nova cultura naquela cidade. Tudo o que o caixeiro viajante dizia, o povo cegamente seguia sem ao menos questionar nada, mesmo as questões mais estranhas.
Anos depois, aquela cidade foi adquirindo hábitos estranhos, vestindo-se de forma diferente, criando uma cultura própria de falar, de comer. Até que um dia chegou um visitante da capital. “Nossa, que estranho! Que povo é esse? Que roupas são estas? Por que esse casaco no meio do deserto?”, ele ficou ali, parado, olhando um povo diferente, em casas diferentes, com uma forma toda própria de falar, vestir, de entender o mundo. Ele caminhou mais um pouco pela cidade até que encontrou alguém que não havia fugido de sua presença ao ver uma pessoa tão esquisita (no caso, o próprio visitante). “Meu amigo, por favor. Qual a razão de vocês se vestirem assim? Por que as pessoas têm TVs e geladeiras em suas casas se até hoje não há energia elétrica na cidade e nada funciona como deveria? É tudo tão diferente?”, com cara de mesmo espanto, o rapaz da cidade respondeu: “Mas eu também acho que você é estranho! Eu cresci aqui, sempre vivi aqui. Se tem algo ou alguém errado aqui, é você e não nós!”
Esse é o risco de nos mantermos isolados do mundo. Isso é o que acontece quando achamos que o nosso mundo é o melhor, o único, o perfeito. Quando simplesmente repetimos fórmulas, o resultado é: atraso, perda de competividade, estagnação. Durante muitos anos seguimos um modelo imposto por pessoas que não necessariamente conheciam o que era o melhor para o mercado. Temos um mercado gospel influenciado por muitas pessoas que sequer conhecem o que acontece do lado de fora de seus confortáveis e climatizados escritórios. Hoje vejo muito claro que esse isolamento acabou por trazer uma cultura ultrapassada, mesquinha, bizonha, muitas das vezes. Recordo-me que há alguns anos atrás um determinado artista que àquela época despontava como um dos mais importantes de nosso mercado, exigiu da gravadora numa possível contratação, que se colocasse em contrato 3.000 bonés, chaveiros, cartazes, postais … Lembro-me até hoje o comentário do presidente da gravadora: “O que esse rapaz quer fazer com tanto boné? Será que ele acha que alguém vai querer usar um boné hoje em dia? Que coisa mais ultrapassada!”
No mercado gospel brasileiro ainda hoje convivemos com alguns padrões que nos foram impostos há anos atrás. Se realmente quisermos ser enxergados com respeito e alcançar vôos mais altos, boa parte de nossa cultura precisa ser repensada. Digo isso com muita calma porque conheço hoje os dois lados do mercado fonográfico. Se o mercado gospel continuar a repetir fórmulas e atitudes do passado, iremos perder o melhor e mais prodigioso momento de nossa história em todos os tempos. Não podemos mais fingir que nada mudou e que não seremos atingidos pelas mudanças do mercado e da sociedade. Não podemos ter a “estratégia do avestruz”, simplesmente escondendo sua cabeça no buraco com o medo do que está pra chegar!
No meu dia a dia vejo algumas atitudes de artistas que não condizem mais com o atual estágio do mercado fonográfico. Vejo também atitudes de empresas isolando-se cada vez mais para tentar manter o pouco que ainda lhes resta. O mundo mudou. Não podemos ficar isolados. Temos que abrir nossos horizontes. Rever por completo nossas ações e estratégias. Ainda dá tempo, mas cada vez temos menos tempo!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, alguém que busca por informação e novidades dia a dia e, ainda um entusiasta de um novo mercado cristão no Brasil

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Observando as manchetes mais recentes dos sites no mundinho gospel fica claro que estamos vivendo uma fase de muitas mudanças em relação ao cast das gravadoras. E isso posso afirmar categoricamente que é algo absolutamente saudável e mais do que isso, deveria ser bem mais natural e frequente. Como já comentei em algum outro texto publicado por aqui, sou completamente avesso ao chavão ultra super piegas de “família + nome de gravadora”, simplesmente porque em relações familiares não há necessidade de contratos comerciais. Já numa relação entre artista e gravadora, é correto que haja um contrato e que este estabeleça direitos e deveres de cada parte.

Estamos neste momento vivendo o início do campeonato brasileiro de futebol e diariamente vemos jogadores se transferindo deste para aquele clube. Há jogadores que ao longo de 15 anos de carreira chegaram a vestir (e a beijar os escudos jurando fidelidade eterna) 8, 10, 12 camisas. Neste momento também temos o término dos campeonatos europeus e a banca de negócios e transferências vive um momento efervescente. E no mundo artístico essa mesma dinâmica se mantém, ou seja, um artista que até ontem gravava por uma determinada gravadora, no momento seguinte já assina com outra empresa e vida que segue.

O que me assusta é ver alguns comentários (cada vez tenho dedicado menos meu tempo a ler comentários de terceiros e isso tem me feito um bem tremendo!) como se o artista não tivesse liberdade de trocar de gravadora. Também nunca se leva em questão se aquela determinada gravadora também não ficou satisfeita com os resultados do artista ou mesmo no lidar com ele ao longo do tempo do contrato. Quando determinado artista gospel divulga que estará deixando a gravadora Y para assinar com a empresa X, alguns “experts” já começam logo a denegrir o artista, a gravadora ou ainda pior, aos dois simultaneamente!

Os contratos artísticos estabelecem tempo de duração e número de obras. A relação entre o artista e a gravadora tem o tempo certo de começar e acabar. A renovação (salvo em alguns contratos estranhos) nunca é automática devendo ambas as partes avaliar se o resultado do período anterior foi satisfatório. Neste momento, a análise por parte do artista deve ser prioritariamente a liberdade de trabalho, a questão financeira, a divulgação de sua marca/obra, o nível de respeito e a qualidade da relação com a gravadora e sua equipe. Por parte da gravadora, a análise prioritariamente deve ser pautada no retorno financeiro do investimento, no retorno de exposição e fortalecimento da marca, no atendimento às estratégias da empresa e também na relação com o próprio artista.

Todos estes itens devem ser avaliados cuidadosamente e dependendo do resultado, o artista e a gravadora devem optar em seguir o processo ou simplesmente interrompê-lo de forma civilizada. Simples assim! O que infelizmente constato em nosso meio é que um contrato de 3 anos acaba virando uma “algema” de 9 anos onde o artista fica inteiramente à mercê do bel prazer da gravadora em querer ou não lançar as obras em tempo determinado por contrato. Além disso, um rompimento, ou melhor, uma não renovação de contrato é determinante para que o artista (antes amado, da “família” e bla bla bla) passe a ser execrado por sua antiga empregadora, onde muitas das vezes sua obra é simplesmente banida como naquelas fotos históricas da URSS onde os desafetos de Stalin simplesmente eram apagados dos registros.

Mas o nível de retaliações não se resume ao desaparecimento do artista da história da empresa. Como muitas rádios de nosso meio são ligadas diretamente às gravadoras, o artista que tem a petulância de dizer: muito obrigado mas vou seguir por outro caminho! Este acaba desaparecendo também da playlist das FMs, dos programas e eventos daquele determinado grupo. Então, realmente o artista precisa ter muita coragem para tomar esse tipo de decisão, né?

Assim como no futebol, um determinado jogador encaixa bem numa equipe e já em outra, às vezes até mais estruturada e com maior torcida, o futebol do atleta não surte tanto efeito, na área artística também acontece esse mesmo fenômeno. Um artista que teve um CD de sucesso numa determinada gravadora não necessariamente pode conseguir manter o resultado elevado numa nova gravadora. Estamos falando de arte, de algo completamente irracional, então não dá para seguir uma cartilha, um livro de receitas e garantir que o resultado final será exatamente o esperado.

Já tive casos em que um determinado artista lançou 1, 2 .. 4 CDs e apenas no quinto trabalho realmente alcançou o sucesso. Em contrapartida, já tive casos em que um artista saiu do zero, sem qualquer histórico e já no primeiro CD detonou em vendas. Depois desse sucesso meteórico, ainda teve mais uns 2 ou 3 anos de sucesso até sumir no mais completo ostracismo. Ou seja, não há regras para o sucesso e a permanência de determinado artista num cast de gravadora.

O que quero dizer claramente aos 45 e ½ leitores do Observatório (Sim! Descobri que entre os leitores há até um anão, ou melhor, um ser desprovido de altura pra ficar mais politicamente correto ) é que o troca troca entre gravadoras, mesmo no meio gospel, é algo extremamente saudável. E que também nenhum artista é obrigado a manter uma relação de anos e anos com uma determinada gravadora. A mudança de um artista de gravadora não significa que ele é traidor, mercenário ou que está em pecado. Nem tampouco que a gravadora é incompetente, amadora, incapaz ou algo do tipo. Em meus 23 anos de trabalho nesse mundinho já trabalhei com boa parte dos artistas desse mercado. Fico feliz de manter amizade com boa parte deles. Com alguns tive oportunidade de trabalhar em mais de uma gravadora por onde atuei. Ou seja, a relação de amizade entre pessoas é uma questão. Já a relação profissional, comercial já é outro aspecto, independente.

Mais uma vez quero deixar minha satisfação ao ver artistas do meio gospel saindo de gravadoras e começando um novo trabalho numa nova empresa. Fico feliz em perceber que boa parte das gravadoras de nosso meio segue investindo em novas contratações, novos artistas. Isso é reflexo claro e inequívoco de que estamos atuando num mercado emergente e em franca ebulição.

Para sermos ainda mais corretos, talvez ainda falte apenas uma mudança de mentalidade dos donos e executivos de gravadoras em aceitar a decisão soberana do artista em não mais querer seguir no mesmo barco. Que estes profissionais entendam que o artista pode querer respirar novos ares, sem que com isso sejam obrigados a sofrer a mão pesada de quem tem o poder, a caneta, o cheque, os contatos e mídias nas mãos. Um artista que deixa uma gravadora sempre deixa uma obra por onde passa e não há lógica em simplesmente colocar essa obra num canto escuro do estoque ou, pior ainda, denegrir a imagem do artista perante o mercado. Assim a gravadora acaba perdendo literalmente todo o investimento feito na carreira e obra do artista e isso é sinônimo claro de falta de inteligência.

Por fim, posso garantir que no futuro cada vez menos teremos players atuando nesse mercado. Então, se você é artista analise muito criteriosamente as opções reais antes de decidir-se por uma nova empresa. Mas também jamais tenha medo de não conseguir sobreviver fora das amarras e da estrutura de sua empresa caso não esteja sentindo-se feliz. Se você está infeliz, a pior opção é permanecer no mesmo lugar pelo simples fato do medo do exterior. Confie em sua capacidade e talento!

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, jogador de fim de semana, observador do mercado gospel, consultor de marketing.

Outro dia conversando com um produtor musical em meio a um intenso dia de reuniões começamos a elencar alguns nomes de destaque na música gospel nacional. Em um determinado momento começamos a falar do cenário pop rock cristão e chegamos à conclusão de que algo de novo precisa acontecer nesse segmento. E começo esse texto justamente com uma pergunta que nos fizemos, inclusive comentando que este seria um título interessante para o Observatório Cristão.

Por que não temos novidades no cenário pop rock gospel brasileiro?

É interessante este questionamento porque nos últimos 10, 15 anos, simplesmente não temos grandes novidades neste estilo musical em nosso país. Os nossos maiores representantes neste segmento continuam sendo Oficina G3, PG, Resgate e, porque não incluir, Catedral que mantém uma linha de crossover entre gospel e popular. Tirando esses pouco representantes do pop rock gospel, não há nada mais de novo no cenário nos últimos anos e, convenhamos, isso é muito pouco!

Há tempos atrás contávamos com Metal Nobre, Militantes, Fruto Sagrado, Banda Azul e até o inovador Rebanhão, mas todas estas bandas simplesmente ficaram pelo caminho ou hoje se encontram muito distantes do que já foram no passado. Há anos atrás, a Gospel Records, gravadora paulistana ligada à Igreja Renascer, era o celeiro de onde brotavam nomes como Katsbarnea, Praise Machine, Brother Simion e muitos outros nomes.

E por qual motivo hoje a música gospel está tão carente de novidades no pop rock? Longe de querer trazer uma definição pétrea sobre esse fenômeno, me arrisco a dizer que o rock gospel foi simplesmente “atropelado” pelo pop rock congregacional que saiu da Austrália e simplesmente tomou de assalto as praias, cidades e interiores deste nosso país. A influência do Hillsong e do próprio rock inglês defendido entre outros pela rapaziada do ColdPlay simplesmente transformou o espírito roqueiro em algo muito mais leve e contemplativo.

O efeito desta influência foi devastador porque simplesmente não houve uma fusão de estilos, mas sim um transformação radical do pop rock gospel renegando todas as demais vertentes musicais. Hoje, seguramente posso apontar pouquíssimos nomes como os verdadeiros bastiões do puro rock gospel tupiniquim, pois o que vemos hoje em grande parte é um mix de louvor congregacional com guitarras distorcidas e postura de roqueiro de shopping center com muitas caras, bocas e gritinhos de júbilo.

Com a mudança da indústria fonográfica dos últimos anos o processo de contratação tornou-se algo cada vez mais criterioso. Atualmente há menos gravadoras dispostas a “fazer” um artista novato, pois os riscos são enormes e os investimentos maiores ainda. As rádios de programação evangélica também têm uma parcela de participação por este rareamento de bandas pop rock por terem limitado ao máximo este estilo em suas playlist e priorizando cada vez mais os hits pentecostais e os mantras de adoração e louvor. Mas efetivamente creio que o maior responsável pelo pop rock entrar na categoria de “extinção” são justamente os músicos que há muito tempo não trazem algo verdadeiramente diferenciado, inovador e que tenha apelo popular.

Já imagino os e-mails, comentários e tweets que receberei de bandas de garagem gospel pleiteando por um espaço no radar das gravadoras. Deus me acuda! É óbvio que há bandas fazendo algo interessante nesse país continental, mas mesmo um profissional super antenado como este que vos escreve, sente a escassez de algo interessante no pop rock cristão no país. E para finalizar, já que em mais alguns minutos estaremos em procedimento de descida na capital goiana, quero incentivar a você que pretende levar mais a sério a carreira artística e curte pop rock ou qualquer outra ramificação do rock, busque referências e não torne-se uma cópia! E quero deixar claro que buscar referências quer dizer ouvir de tudo, mas é tudo mesmo! Não importa se é rock inglês, dinamarquês, argentino, japonês, ianque, brasileiro … amplie seu conhecimento musical! Ainda mais agora com a popularização da informação pela web, só vive isolado na oca global quem quer!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, incentivador das diversas manifestações culturais e alguém que até hoje curte o LP “Brothers in Arms” do Dire Straights lançado no século passado. Também figura na minha lista de CDs antológicos, o álbum “Ainda Não é o Último” da Banda Resgate.

 

Algumas vezes me perguntam sobre como faço para escolher os temas que escrevo no blog ou mesmo nas colunas que mantenho em algumas revistas. Geralmente os temas surgem de observações do dia a dia. Procuro sempre ter um olhar crítico e analítico sobre tudo que me ronda. É quase uma paranoia, uma coisa meio psicótica talvez, mas o certo é que a partir de um determinado ponto de minha vida, passei a questionar mais a respeito das coisas. É interessante que analisando minha infância e até mesmo o início de minha adolescência esta não era uma de minhas características mais marcantes, talvez até fosse o oposto disso, numa postura mais intimista, fechada, recolhida.

Mas eis que num determinado momento de minha adolescência, justamente quando adquiri e desenvolvi o hábito da leitura, essa nova postura surgiu e venho convivendo com ela em fases mais ou menos intensas. E justamente em função desse exercício de questionar o que está à minha volta é que por alguns dias venho sendo estimulado a escrever sobre um tema que nos últimos dias aproveitei para conversar com algumas pessoas e colher também suas impressões.

Certamente, “O mercado gospel no Brasil” é uma das expressões que mais falei, ouvi e li nos últimos anos. É impressionante como certos jargões são absorvidos pelo nosso linguajar e são repetidos exaustivamente sem que realmente façamos uma análise mais clara do seu real significado.

 

E o que é o “mercado gospel no Brasil?

 

Rapidamente alguém pode responder que o mercado gospel no Brasil é o conjunto de consumidores evangélicos. Ou ainda, a reunião de livreiros evangélicos, gravadoras, editoras, fornecedores especializados. Não podemos esquecer dos artistas, autores, palestrantes, formadores de opinião. Outros dirão que as mídias como rádios, sites, revistas do segmento também representam esse mercado. Em rápidas palavras, o mercado gospel no Brasil pode ser considerado a soma de todos estes atores mencionados, ou seja, fornecedores, indústria, mídias, canais de distribuição, entre outros, cada qual desempenhando seu papel nesse picadeiro mercadológico.

 

Na minha modesta concepção, algo para ser rotulado de mercado deve ser no mínimo, consistente, formatado, ter regras claras, ser realmente algo consistente. Sinto afirmar e até mesmo decepcionar alguns dos 44 leitores assíduos do Observatório Cristão que, do meu ponto de vista, estamos muito longe de ter um mercado gospel no Brasil de acordo com este conceito.

 

Tentando analisar cada um destes participantes do que chamamos de mercado gospel começo observando os livreiros evangélicos em atividade no país. Qual é o perfil do lojista médio no nosso Brasil? Qual é na realidade o tamanho deste mercado distribuidor? Onde estão? Quem são? Simplesmente não há um único profissional do meio que possa responder categoricamente a cada uma destas indagações! E afirmo isso porque não há um único cadastro atualizado de livrarias e pontos de venda. Os números são ”evangelásticos” na proporção de 300 a 30.000. Não! Não me confundi e nem usei de nenhuma hipérbole! É exatamente essa a distorção! O número de lojas e pontos de distribuição no universo gospel varia de 300 a 30.000. Estes números já foram ditos a mim em conversas com diferentes profissionais. Em algumas ocasiões perguntei a pessoas do meio sobre qual universo de clientes trabalhavam e ouvi que estas empresas trabalhavam numa base de 300, outras de 1,5 mil (a maioria) e até mesmo 30.000 cadastros.

 

E por que esta distorção tão absurda? Simplesmente porque NUNCA, eu digo, NUNCA houve uma pesquisa nacional para catalogar estas lojas. Jamais foi realizada uma pesquisa para conhecer e definir o perfil destes empreendedores. O que vemos na realidade são empresas trabalhando de forma independente tentando a todo custo (elevadíssimo em grande parte!) manter contato com os canais de distribuição.

 

Deixando de lado as lojas especializadas, passemos a analisar o universo consumidor. Entenda-se como “consumidor evangélico” aquela pessoa que frequenta os cultos das milhares de igrejas e denominações espalhadas pelo país. Podemos incluir também neste nicho, os simpatizantes do evangelho, muitos dos quais, membros de igrejas católicas. Quem é o evangélico brasileiro? Quantos somos verdadeiramente? Podemos confiar nas notícias de que já há 50 milhões de brasileiros evangélicos? Outras fontes apontam para 25, 30, 40 milhões de evangélicos. Ou seja, a distorção pode chegar a mais de 100%, algo absolutamente inaceitável! Que o segmento vem crescendo exponencialmente nos últimos anos é fato. Isso é notório, sensível, perceptível, mas alguém pode garantir um número seguro de evangélicos no Brasil? A resposta é simples: NÃO! Ninguém pode cravar certeiramente quantos brasileiros cerram fileiras no segmento gospel e mais uma vez por um motivo simples: a ausência de dados estatísticos confiáveis! Não há uma única pesquisa realmente oficial!

 

Falando agora das mídias, não vou nem enfocar na dúvida sobre quantas emissoras de rádios evangélicas há no país. Também não questionarei quantos jornais, sites, programas de TV, canais ou mesmo revistas atuam nesse segmento. Mais uma vez a resposta será na base do “chutômetro” porque também neste caso carecemos de pesquisas, cadastros, informações. Sobre as mídias, prefiro destacar a necessidade de atitudes mais profissionais. Este é um mercado em sua grande parte “dirigido” por pastores, bispos, apóstolos, patriarcas e coisas do tipo. Estes líderes têm o poder de decidir o que fazer, falar, divulgar e sem exceções, decidem baseados em seus próprios interesses. As mídias evangélicas, em sua quase totalidade, sequer têm uma visão comercial, estas basicamente atendem a objetivos denominacionais e, aí não vem ao caso, se estes interesses eclesiásticos, institucionais são os mesmos objetivos da fé. Não entrarei neste mérito! A questão é que precisamos ter uma mídia cristã bem mais independente e profissional.

 

Conversando com dois amigos recentemente, falei destas minhas impressões e chegamos à conclusão de que o “mercado gospel” ainda está mais para uma “feira de Istambul” (não me pergunte se já fui até Istambul, foi a primeira cidade que me veio à mente!) onde cada vendedor procura destacar sua mercadoria na base do grito! Imagina a cena de centenas de pessoas gritando, disputando os consumidores literalmente no gogó … pois é essa a imagem que ainda tenho do mercado gospel.

 

E nós, profissionais desse mercado trabalhamos não baseados em dados, estatísticas, planejamento, mas em grande parte através da INTUIÇÃO e EXPERIÊNCIA. Confesso que a intuição já me traiu por diversas vezes! Já a minha experiência vem sendo forjada por acertos e erros ao longo destes últimos 23 anos. Talvez até por causa dessa ‘escola’ eu tenha tanta vontade de dividir essas minhas experiências, seja através de palestras, seminários, colunas em revistas ou aqui mesmo no Observatório Cristão. Confesso que acredito muito nesse nosso segmento, mas não me iludo acreditando que somos um mercado de verdade. Por enquanto estamos todos gritando no meio da feira … acreditando intuitivamente que nossas estratégias e ações serão as mais acertadas, ainda vivemos o tempo do “Deus nos acuda!”. Quem sabe, este panorama mude a partir de agora!

Mauricio Soares, jornalista, alguém que crê no potencial do mercado gospel, entusiasta por mudanças, profissional de marketing. Comecei a escrever este texto em mais uma ponte aérea e agora acabo em minha sala no alto da Torre do Rio Sul com a Baía de Guanabara ao fundo ouvindo o maravilhoso CD “Decades of Worship” uma antologia dos louvores mais importantes dos últimos anos de Michael W. Smith. Sensacional!

 

 

Outro dia conversando com uma jovem profissional do mercado gospel falamos a respeito de algumas questões relativas ao comprometimento. Na verdade, tivemos um bom momento de avaliação sobre as questões que envolvem o “vestir a camisa da empresa” e o assumir a personalidade da empresa, incluindo aí suas mazelas e defeitos.

Em cima deste bate papo, resolvi dedicar alguns minutos para expor minhas opiniões sobre esta questão que pode servir como parâmetro importante para os jovens leitores do Observatório Cristão. Sei que grande parte dos 46 leitores deste blog são jovens a caminho do mercado de trabalho. Como já mencionei em outro texto, um dos meus maiores objetivos neste blog é colaborar, mesmo de forma absolutamente humilde, para a formação profissional, principalmente para aqueles que pretendem um dia ter algum envolvimento no potencial e emergente mercado gospel.

Mas vamos ao que interessa. No decorrer deste bom papo, começamos a falar de determinadas pessoas que confundiram “comprometimento” com o que defini num bom português de “ranço”. Isso mesmo! Palavrinha das mais feias do nosso vocabulário, mas que em toda sua plenitude linguística-estética, denota com primor o seu real sentido. No Wikipédia, a palavra ranço é definida da seguinte forma:

Ranço ou rançoso é o nome dado a um alimento quando este apresenta uma alteração de sabor produzida pelo contato com o ar nas substâncias gordurosas. O ranço se caracteriza pela presença de um odor forte e sabor amargo ou acre. Normalmente esse sabor está ligado à formação de ácido butanoico no alimento, devido à oxidação.

Parafraseando esta definição, eu diria que o “profissional rançoso” é aquele que apresenta uma alteração de comportamento, discurso, indumentária, cor do cabelo, penteado, gosto pessoal e até mesmo atributos físico-psicológicos pelo contato com chefes, superiores e mesmo cultura de uma empresa. O ranço profissional se caracteriza pela exacerbação dos defeitos, falhas, ideologias, cacoetes, pensamentos e até mesmo presunção de que aquele é o nirvana máximo da condição profissional.

Particularmente sou uma pessoa de comprometimentos muito fortes, não só nas questões profissionais como também em questões pessoais! Pra quem acompanha minha trajetória ao longo destes 20 e poucos anos, já deve ter percebido que sou um profissional intenso nos meus projetos. Não consigo me envolver com nenhum projeto sem viver intensamente e buscar os melhores resultados. No entanto, sempre busquei manter minha identidade própria e meus conceitos bem claros.

Infelizmente percebo claramente que algumas pessoas confundem “comprometimento” com a perda de senso crítico! E isso pode gerar problemas seriíssimos no futuro de uma carreira e mesmo na rede de relacionamentos pessoais. Vejo que algumas pessoas vestem não somente a camisa, mas trocam a própria pele e o cérebro para amoldarem-se à cultura de determinada empresa. Isso é muito triste e imagino que muitas pessoas neste perfil acabam fechando as portas para si no mercado.

O mercado é feito de relacionamentos, de parcerias, de respeito mútuo. Quando determinado profissional assume as questões corporativas como pessoais, sinceramente, imagino como uma pessoa apostando todas as suas economias na Grécia. Qual a segurança nesta estratégia? Nenhuma! Infelizmente vejo algumas pessoas confundindo as estações! As pessoas precisam entender que independente das empresas, há uma relação pessoal no mercado e isso deve ser preservado e incentivado.

Todos precisamos defender nossos empregos. Temos que buscar sempre o melhor para nós como profissionais e para nossos empregadores. No entanto, nunca devemos nos esquecer de que a sua marca pessoal é tão ou mais importante que a marca de uma empresa.

Faço estas ponderações com conhecimento de causa. Sou um entusiasta do mercado gospel no país. Nunca me furto de participar de eventos que sirvam para debater o mercado ou mesmo em palestras e eventos em prol de uma maior capacitação dos profissionais do meio. Dias atrás estive participando de um evento sobre o segmento evangélico no Brasil e lá pelas tantas, fui abordado por uma pessoa que jamais havia visto antes. Com muita educação e polidez, esta pessoa se apresentou como consultor de empresas e fez questão de me parabenizar por estar doando meu tempo para aquele evento. Longe de querer jactar-me por este fato, apenas uso esta experiência para reafirmar meu compromisso pessoal de dividir conhecimento e ampliar as relações interpessoais.

Com estes anos de estrada posso elencar inúmeras pessoas que confundiram-se entre comprometimento e ranço. Em sua avassaladora maioria, estas pessoas simplesmente desapareceram do mercado catapultadas por sua antipatia perante todo o meio. Então, fica aqui uma dica: trabalhe com afinco, determinação, honestidade, foco e principalmente comprometimento pelos resultados, mas jamais incorpore a personalidade de uma empresa como sendo a sua, principalmente as falhas que esta empresa venha a ter. Mantenha sua imagem própria independente da empresa. Mantenha seus relacionamentos e contatos devidamente próximos independente da empresa. Enfim, viva sua vida e não confunda-se com a vida dos donos ou gestores de sua empresa. Cada um tem seus objetivos muito claros. Defina os seus objetivos pessoais e mãos à obra!

 Mauricio Soares, consultor, publicitário, jornalista. E saiba que um simples bate papo informal com este ”observador” pode ser utilizado como idéia básica para um texto no Observatório Cristão. Portanto, muito cuidado com as palavras!