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É impressionante como toda vez em que a grande mídia faz uma abordagem sobre o mercado fonográfico, a introdução da matéria sempre traz uma abordagem sobre a queda do mercado fonográfico. Não importa o viés da matéria, sempre usa-se o bordão “mercado em crise” e coisas do tipo. O cerne da matéria pode ser positivo, mas sempre há um contraponto negativo do tipo: “Mesmo em crise, artista “X” vende milhões de CD”.

No Brasil, os dois últimos anos foram de crescimento no mercado fonográfico. Dados preliminares apontam que 2011 chega ao fim comemorando mais um ano de crescimento em vendas, sendo que alguns artistas como Padre Marcelo Rossi e Paula Fernandes superaram a marca de 1,5 milhão de unidades vendidas. Estamos falando em crescimento na venda física de CDs, atente-se para isso! O mercado de shows está super aquecido, inclusive colocando definitivamente o país no circuito dos grandes astros da música internacional. Neste ano, tivemos o retorno do Rock in Rio ao país e mais outra edição do SWU e de diversos outros festivais.

Particularmente discordo com essa tendência pejorativa na abordagem da mídia quando se refere ao mercado fonográfico. É óbvio que a pujança de vendas de CDs de décadas atrás não temos e não teremos mais no mercado. Também é notório que os canais de venda de música em lojas especializadas praticamente ficaram reduzidas a grandes redes de varejo. Mas isso não significa que o mercado fonográfico é um ser moribundo!

O que estamos vivendo neste momento, em especial no Brasil, é uma mudança radical do processo de consumo do bem “música”. A transição do LP para o CD se deu a partir do momento em que as indústrias de eletroeletrônicos aposentaram a vitrola e passaram somente a produzir aparelhos com tocadores de CD. Essa transição completa não durou mais do que 2 anos e foi realizada automaticamente, onde saíram a vitrola, o LP e a agulha de diamante (lembram-se disso?) e entraram o CD, o 3 em 1 e o disc-man. Já a transição entre o CD físico e o mundo digital não aconteceu de forma linear. É nítido que vivemos um hiato entre o consumo de produtos físicos e digitais. Neste hiato, nem mesmo a indústria fonográfica conseguiu interpretar perfeitamente as tendências e caminhos que o mercado acabaria seguindo. E imagino que esse “medo do desconhecido” acabou provocando um pânico generalizado e até mesmo uma letargia inercial. Daí a ideia que a mídia vem constantemente atribuindo como “a crise do mercado fonográfico”.

 

Na verdade, o mercado digital amplifica e muito os canais de distribuição para a música. Se antes tínhamos cerca de 3 mil pontos de venda de música no país, hoje temos 200 milhões de celulares para comercializar conteúdo. Com a ampliação e melhoria da banda larga no Brasil, outros milhões de usuários da internet passarão a ter acesso ilimitado a arquivos com milhões e milhões de músicas. Hoje há inúmeros canais de comercialização de música no universo digital na web ou mesmo através das operadoras de TV a cabo ou empresas de telefonia. Com a chegada do iTunes tão comemorada nos últimos dias definitivamente ingressamos na nova era digital. Outras plataformas como Power Music Club, Rdio, GVT, Sonora democratizam o acesso à música. Enfim, não há crise no mercado fonográfico! O que há neste momento é uma gama ilimitada de possibilidades para a comercialização de conteúdo no mundo digital.

E posso adiantar que 2012 será o ano da virada do mercado fonográfico no meio digital! Não sou nenhum adepto das profecias de Nostradamus, muito menos estudioso do calendário maia ou mesmo um profeta pentecostal, mas podem me cobrar em 31 de dezembro de 2012 sobre esta minha última afirmação. Teremos grandes novidades no mercado digital a partir dos próximos meses. Uma infinidade de canais de comercialização de conteúdos digitais estarão disponíveis ao consumidor brasileiro daqui em diante.

Poucos são os profissionais que já conseguem vislumbrar todos os desdobramentos do mercado digital para os próximos 10 anos (isso é quase um século em termos de tecnologia!), então o momento é de busca incessante pelo conhecimento, pelo aprimoramento e principalmente pelo planejamento e mudança de estratégias. Neste momento é fundamental que as gravadoras estejam preparadas para essa nova conjuntura do mercado fonográfico! Infelizmente ainda vejo empresas e ‘profissionais’ de gravadoras apenas mirando no mercado físico como único caminho. Na verdade, não consigo pensar em melhor imagem neste caso do que de um trem se aproximando no horizonte, enquanto uma despreocupada pessoa passeia por entre os trilhos degustando um delicioso sorvete. O trem pode até demorar a chegar, mas numa determinada hora ele vai passar por cima do “degustador de sorvete”. E já posso adiantar, que esse trem aí é do tipo que a torcida do Vasco costuma cantar nos estádios … é um autêntico trem bala! O atropelamento é inevitável!

Então, toda vez que alguém comentar que o mercado fonográfico está em crise … ah! manda ler esse artigo … não precisa entrar em nenhuma confusão! Este é um mercado de oportunidades! Mas é fundamental que se esteja preparado para enfrentar e aproveitar as múltiplas opções de negócio … o que não vale é ficar na cadeira de balanço, reclamando da chegada de players profissionais, preparados e focados no futuro do mercado. A concorrência é livre e que venham as novidades!

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, casado, pai de dois meninos que já nasceram tecnológicos e digitais. “Papai no seu tempo a TV era em preto e branco? Mas já era em 3D?”

 

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Nesta semana precisei ficar uns dias em repouso em função de uma gripe fortíssima. Quando já não agüentava mais assistir a filmes, documentários e programas na TV, corria para a internet a fim de me inteirar sobre as novidades.

Fico muito feliz ao entrar nas redes sociais e observar como esse blog tem sido lido e servido como material de consulta e aprendizado. O que realmente começou como uma grande curtição vem tornando-se algo sério e que num futuro não muito distante poderá inclusive virar um livro.

Mas estes dias de repouso e de navegação descompromissada na web foram proveitosos para ler, assistir e meditar sobre alguns temas que poderão servir como texto no Observatório Cristão. Entre assuntos sérios e outros nem tanto, me peguei assistindo alguns vídeos indicados por pessoas nas redes sociais e outros encontrados no meio da web.

O tema deste texto tem a ver com algo que vez ou outra me acomete: VERGONHA ALHEIA. Confesso que morro de constrangimento ao ver que determinada pessoa está fazendo um papel que não a favorece perante uma platéia. A vontade que me dá nestas ocasiões é de sacar uma arma e desintegrar a pessoa para que ela pare de servir de chacota para os outros. E infelizmente, em determinados momentos, se fosse possível esse meu desejo, talvez tornasse-me o próprio Billy The Kid dando saraivadas de tiros desintegrantes a torto e a direito.

Meu dia-a-dia é repleto de reuniões, audições, ligações, decisões, conversas, viagens, ou seja, cada minuto é devidamente valorizado como algo realmente escasso. Mas nem por isso deixo de atender pessoas nas redes sociais, através de emails ou mesmo telefonemas. Se há uma característica que tento manter é minha acessibilidade. Acredito que pelo cargo que ocupo, posso ser considerado uma pessoa relativamente acessível e disponível.

O problema é que grande parte das pessoas não tem um componente em seus DNAs e isso acaba detonando toda a cadeia lógica. Falo da falta de noção de determinadas pessoas, o que num bom português, denominamos de “Sem Noção”. É isso mesmo! Diariamente recebo pelo correio CDs e DVDs de artistas. Além disso, pelas redes sociais quase que diariamente recebo indicações e solicitações do tipo: “se tiver um tempinho, assiste aí …”. E ainda têm aqueles que vêm na empresa sem aviso prévio ou outros que insistem em ter uma reunião “que poderá interessar-lhe muito!”

Posso garantir que grande parte dos produtos que recebo, seja física ou digitalmente, são bem abaixo da crítica. O problema é que o cidadão sonhou em ser artista. Uma irmãzinha de coque na igreja profetizou que ele cantaria nos 4 cantos da Terra. Ou então, que todo mundo de sua família disse que ele tem talento e merece uma chance! Ou seja, embarcam num sonho em que jamais se darão bem! E o ônus de alertá-lo sobre esse absurdo em grande parte recai sobre alguém de gravadora, incluindo esse abnegado blogueiro.

Assistindo uns vídeos do programa Ídolos na web, vi o cantor e compositor Peninha dizer a uma jovem postulante ao estrelato que ela deveria parar por ali mesmo e se poupar de futuras decepções. Com uma sinceridade e principalmente, sensibilidade, Peninha disse-lhe que aquele sonho ela não teria capacidade de alcançar e que quando mais rápido mudasse de objetivos menos problemas e decepções ela teria para si.

E exatamente isso o que tenho a dizer para muitos e muitos que me procuraram nos últimos anos. Não se iluda com um talento que você efetivamente não possui. Não é pelo fato de gostar de cantar que você precisa ser um astro da música. Gostar é uma coisa. Viver com qualidade, fruto de seu talento é outra coisa completamente diferente!

Como já estamos chegando ao fim de mais um ano, normalmente usamos essa época para fazer nossas listas, mudar nossos objetivos, traçar novos planos, enfim, promover um autêntico rebuliço em nossa vida. Que tal você incluir entre seus objetivos para 2012 repensar sua intenção de viver da arte?

Como já mencionei aqui, recebo dezenas e dezenas de CDs. Creio que neste ano, bem mais de mil produtos tenham chegado às minhas mãos e sabe quantos realmente me chamaram a atenção? Uns 2 ou 3, no máximo! Mas não que eu seja um cara exigente ou rabugento, mas sim pela falta de adequação de grande parte dos artistas. É até constrangedor atender uma pessoa na Expo Cristã com seu CD em mãos me pedindo por uma chance na gravadora. Sabe as chances de aquela conversa gerar algum contrato? Zero!

Tenho pilhas de CDs com capas horrorosas que dariam para fazer um Museu do Espanto! Minha sala ainda reúne trabalhos de artistas que não teriam a mínima chance de tocar nem em rádio comunitária! O que não consigo entender é porque um cidadão não se inscreve num concurso de juiz de direito se não tem o segundo grau e sem quaisquer atributos técnicos ou artísticos ele busca um espaço numa gravadora ou mesmo no mercado?

O que quero dizer é que percebo que há muita gente em nosso meio perdendo tempo, dinheiro e transformando sonhos em frustração! Só para ilustrar meu drama, nestes dias recebi um contato pelo twitter de alguém me pedindo meu email. Por DM passei-lhe meu email. Já no dia seguinte recebi uma mensagem. O problema é que tive que ler e reler o texto umas 4 vezes até conseguir decifrar o que aquela pessoa queria me dizer. E o mais incrível é que essa mensagem havia sido enviada por um assessor da cantora! Fui vasculhar a “obra” dessa artista na web e o que vi foram vídeos assustadores, músicas deprimentes e um figurino de arrepiar! Ou seja, mais uma pra galeria dos “Sem Noção”.

Não quero ser um “enterrador de sonhos”, mas que este post sirva como alerta para que em 2012 você realmente repense seus alvos e objetivos com muito bom senso! Se preciso for, converse com amigos, terapeutas, profissionais e veja se realmente vale a pena prosseguir neste projeto. Fica a dica!

 

Mauricio Soares, jornalista, blogueiro, publicitário, consultor e dono de um acervo de mais de mil CDs e DVDs dignos de serem arremessados pela janela. Como meu escritório fica no 40º andar e as janelas não se abrem, acabo colecionando essas “raridades”. Acho que posso ser considerado um daqueles casos de colecionismo compulsivo … preciso de tratamento!

A noite de 29 de novembro foi muito especial. Naquele dia aconteceu a primeira edição do Troféu Promessas premiando alguns dos maiores destaques da música gospel em 2011. O evento reuniu boa parte da imprensa gospel, algumas mídias seculares, artistas, profissionais, lideranças, pastores e convidados.

O evento em si, seguiu o padrão do roteiro de premiações com um âncora tentando animar a plateia, artistas revezando-se no palco apresentando os indicados nas diversas categorias, os concorrentes da categoria de Melhor Música defendendo suas músicas, auditório animado, ou seja, tudo normal. Ao fim de todos os envelopes abertos, o resultado das premiações foi razoavelmente justo em se tratando de uma eleição onde o público decide os vencedores, o que nem sempre se mostra realmente justo em termos de qualidade e critérios técnicos. Mas o Troféu Promessas foi uma excelente iniciativa e tudo indica que em 2012, muitas novidades virão pelo frente.

Mas, longe de querer comentar sobre o evento, os artistas ou mesmo as premiações, o que me motiva escrever este texto aconteceu justamente na parte final do evento. Num determinado momento, após todos os vencedores terem sido devidamente divulgados, o ator global e mestre de cerimônias chama ao palco o ministro de louvor Asaph Borba completando 35 anos de ministério e influenciando gerações no Brasil e no mundo com suas canções e principalmente, exemplos de vida.

Depois de assistirmos a depoimentos de amigos, pastores, artistas e parentes, Asaph Borba recebeu das mãos do Pastor Silas Malafaia e Marco Antônio Peixoto, o troféu em homenagem por tudo que ele fez ao longo destes anos. Ao lado de sua esposa, Rosana, Asaph visivelmente emocionado dirigiu-se aos artistas presentes e fez questão de falar sobre a longevidade de sua carreira. Para Asaph, grande parte do seu sucesso ministerial estava baseado no conceito de “Alianças” e ele seguiu elencando as 5 alianças necessárias para uma carreira na fé com longevidade. Em nenhum momento, Asaph falou de carreira artística, mas somente na relação homem e Deus.

A primeira aliança que Asaph destacou é a que devemos ter com Deus. É com Ele, por Ele, para Ele que devemos sempre nos guiar, pautar, respirar e principalmente focar nossos objetivos. Nossa relação íntima com Deus, a verdadeira aliança deve ser mantida e cultivada acima de qualquer outra coisa. Nada deve substituir a sua relação de aliança com o Pai, com onosso Deus.

A segunda aliança deve ser com a Igreja. Não há melhor lugar para estarmos do que no meio do povo de Deus! Não há nada que substitua o papel da igreja como local de crescimento na Palavra e na vivência das coisas de Deus. Não há a menor chance de termos intimidade com Deus se não tivermos intimidade com o próximo, com a sua igreja! Neste momento, automaticamente me vem à mente de como existem artistas que sequer têm uma igreja local. Simplesmente apresentam-se em igrejas, mas não pertencem a uma igreja. Isso faz toda a diferença!

A terceira aliança é aquela firmada com seus pastores e líderes. Asaph fez questão de relembrar a figura do seu pastor, alguém que o conhece há 36 anos, com quem tem íntima relação, mas principalmente respeito e humildade de seguir seus conselhos e orientações. Como vemos em nosso meio,artistas que se amotinam de suas lideranças. Artistas sem pastores para orientá-los ou cobri-los em oração. Asaph, que na verdade, diferentemente do que muitos imaginam, não é pastor ordenado, mesmo praticamente exercendo o ministério pastoral, jamais deixou de se subordinar à sua liderança local por entender a importância de manter suas alianças.

A quarta aliança é firmada com a família. Asaph, mesmo viajando grande parte do ano, é alguém dedicado à sua família. Sua esposa Rosana, constantemente é presença nas viagens e compromissos de Asaph pelo país e pelo mundo. É impossível não associar a imagem de Asaph sem que esteja acompanhada a figura de sua esposa e filhos. Família. Aliança indivisível! Infelizmente temos nos deparado com cantores com casamentos fracassados, alguns até com mais de uma experiência de separação.

A quinta e última aliança, aquela firmada com o seu chamado! Como é importante não abandonar o chamado onde tudo se inicia! Como percebemos pessoas bem intencionadas deturpando seus objetivos, seu chamado, sendo tragadas pelo pecado! Como profissional da área artística, infelizmente, vejo todos os dias pessoas distantes do chamado. Vejo claramente pessoas preocupadas na auto-imagem, no dinheiro, no conforto, no benefício próprio em detrimento do próximo … todas estas pessoas começaram com boas intenções, mas afastaram-se do chamado puro e genuíno.

Ao ouvir esse breve discurso de alguém que conheço há mais de 20 anos, imediatamente me veio a vontade de escrever esse post. Nãoconsigo, reconheço, nestas linhas reproduzir todo o sentimento e impacto das palavras proferidas por Asaph Borba naquela noite de festa, mas de alguma forma gostaria de fazê-lo refletir, não sobre sua carreira artística, mas principalmente por sua carreira na fé! Jamais deixe de cuidar das 5 alianças fundamentais para uma vida saudável ao lado de Cristo, a saber: a aliança com Deus, com a Igreja, com os Pastores e Líderes, com a Família e por fim, com o seu Chamado.

Pra bom entendedor, até mesmo um texto simples como este já é um bom aviso! Portanto, reafirme suas alianças!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, alguém em processo de crescimento e melhoria a cada dia, buscando reforçar dia a dia as alianças e que ficou extremamente feliz com o prêmio de Melhor CD conferido à Damares no Troféu Promessas. Parabéns também aos amigos André Valadão e Thalles, pelos respectivos prêmios.

Na minha modesta opinião existem apenas dois tipos de artista independente. O primeiro é aquele que está independente por falta de oportunidade em uma gravadora e o outro é aquele que realmente quer ter o controle absoluto de sua carreira e todas as responsabilidades de um caminho solo no meio fonográfico. Neste texto irei tentar descrever algumas peculiaridades destes personagens e analisar alguns fatos e dicas importantes deste universo. Vamos lá!

Ultimamente (ou melhor, nos últimos 10, 15 anos) sou abordado por artistas independentes em busca de uma chance em uma gravadora. Em sua grande maioria o discurso é assim:“Eu já vendi 100 mil cópias como independente, mas isso está muito ruim pra mim, é muito cansativo e chato administrar tudo, então estou (desesperadamente) buscando uma gravadora para cuidar de minha carreira!” Dando sequência à conversa costumo perguntar sobre a agenda do artista e a resposta costuma seguir um certo padrão. “Está excelente! Não consigo atender à metade dos convites que eu tenho. Estou viajando nos quatro cantos deste planeta (nunca entendi essa expressão sendo a Terra redonda) … Tá uma loucura!” 

De forma bastante direta e franca, se realmente você é um tipo de artista independente que sobrevive (e bem) com sua agenda e venda de produtos, então não há do que se preocupar e desesperar. Jamais almeje algo que você não poderá atender. Então por que se você já não tem espaço na agenda ainda pretende viajar mais ou se tornar ainda mais famoso? Não é todo artista gospel que necessariamente precisa figurar no cast de uma gravadora de grande porte. O que você deve é organizar sua carreira, adequar-se às demandas do mercado e principalmente planejar sua vida para os próximos anos. Existem muitos artistas que não fazem atualmente ou mesmo nunca fizeram parte do cast de uma gravadora que conseguem ter uma vida intensa, de sucesso financeiro, reconhecimento ministerial e carreira sólida. Posso citar para ilustrar essa afirmação o queridíssimo Asaph Borba. Se formos listar os 10 artistas mais relevantes no jet set gospel, certamente o Asaph não estará nesta lista. Talvez na lista dos 20 também … mas o Asaph é um dos poucos artistas brasileiros do mundo gospel com uma carreira sólida internacionalmente. Suas canções mais recentes não estão no playlist das principais rádios Fms do Brasil, mas ele não passa mais de 2 anos sem lançar um projeto inédito. Ou seja, com uma organização, visão clara do seu chamado ministerial e principalmente, bastante humildade e disposição, Asaph Borba está há mais de 30 anos na estrada, vivendo de música gospel e da pregação da Palavra sem maiores solavancos.

Há uns dois anos atrás recebi uma mensagem desesperada de uma cantora que havia anos tentava ingressar numa gravadora. Ela relatava que aquela seria sua última tentativa junto às gravadoras. Com muita frieza e sinceridade, disse-lhe que havia muitas outras artistas com maiores chances de chamar a atenção de uma gravadora do que ela. Completei ainda afirmando de que tempo de estrada não significa melhoria ou potencialização do talento. O talento é natural e pode ser aprimorado com estudos e experiência, mas antes de tudo, ele era algo inerente à pessoa. Expliquei-lhe que entrar numa gravadora não significaria que ela passaria a um novo patamar artístico. Talvez aquilo fosse até ruim para sua carreira, pois a concorrência interna de uma gravadora é tão grande como fora dela. Sugeri-lhe que reorganizasse sua vida e carreira partindo do princípio de que seguiria numa carreira independente. Durante a Expo Cristã reencontrei essa mesma artista. Semblante leve, bem vestida, muito simpática, a agora animada cantora me disse que estava super feliz com sua vida depois de ter mudado de foco. Hoje ela tem uma pequena estrutura de apoio à carreira, mantém uma intensa agenda de eventos pelo país e que em breve lançaria mais um novo trabalho.

Ela não mudou em nada seu estilo musical, apenas mudou de foco e entendeu que ter uma vida de artista independente também tem seus benefícios. Simples assim!

Agora, digamos que você realmente tem como objetivo investir na sua carreira e num futuro, quem sabe, chamar a atenção de uma gravadora de grande porte. Então você deve trabalhar como se nunca pretendesse justamente ingressar numa gravadora. Não se iluda! Gravadora alguma irá interessar-se por seu trabalho se você já não tiver alguma relevância no mercado! Você precisa fazer a diferença para destacar-se da concorrência e isso se faz apenas trabalhando com qualidade, independente de fazer parte do cast de uma empresa. Então, você precisa investir na sua carreira. Na qualidade da produção do seu CD ou DVD. Precisa manter contato permanente com as mídias. Precisa ter uma agenda intensa de apresentações. Precisa ter muito critério na seleção do repertório e na escolha dos músicos e, principalmente do produtor musical. Precisa investir num clipe e postá-lo na web. Precisa saber utilizar-se das ferramentas tecnológicas, principalmente nas redes sociais. Enfim, você precisa trabalhar! Precisa focar sua carreira! E aí … quem sabe? Até uma gravadora poderá interessar-se por seu trabalho.

 

E imaginemos que você atingiu o Nirvana … ou seja, chamou a atenção do A&R de uma gravadora e foi contratado! Wow! Que maravilha! Acertou na mega-sena! … Nada disso! Tudo o que você já fazia como independente, a partir de agora você terá que se empenhar ainda mais! Não imagine que sua gravadora irá fazer tudo que você fazia antes! Não mesmo! A partir de agora você terá que caminhar ao lado da gravadora apoiando-a nas ações de marketing, promoção e divulgação. Atenção! Eu disse “caminhar ao lado” e não, “ficar sentado enquanto eles trabalham!”. Este é um erro muito comum com artistas que ingressam numa gravadora. Principalmente os novatos!

O que eu quero frisar com este texto é que o trabalho nunca pára! Nunca mesmo! Estou cansado de ver grandes nomes do meio gospel reclamando da gravadora numa cantilena sem fim, mas que sequer atualizam seus próprios sites. Uns (cúmulo dos cúmulos) sequer possuem site oficial ou utilizam-se das redes sociais! Isso é o fim! O tempo do paternalismo (se é que existiu tempos atrás!) simplesmente acabou! Hoje o mote é “arregaçar as mangas e vamos JUNTOS trabalhar!” A realidade do mercado fonográfico é completamente diferente de 5 anos atrás e a tendência é de que nos próximos 2 anos, especialmente no Brasil, seja totalmente diferente do que é hoje! Fiquem atentos a estas palavras! Não digo isso como “puxão de orelhas”, mas como alerta de que os números do passado, principalmente em termos de vendas, jamais voltarão no presente ou no futuro!

Então, já finalizando meu texto, gostaria de incentivá-lo a levar a sério sua carreira, seja ela independente ou vinculada à uma gravadora. Trabalhe sempre com a mentalidade e postura de artista independente. Se você tem uma gravadora ao lado, continue trabalhando como independente e una seus esforços em prol de um bem comum. Jamais transfira suas responsabilidades para sua gravadora! Pense nisso!

P.S. – Para quem ficou curioso em saber o que significava a expressão “JACI” citada no texto sobre a relação entre Fã-Clubes e gravadoras … informo que “JACI” significa “ser que tem o terrível e inconveniente hábito de interferir em assuntos alheios, também conhecido como JACI meteu” … Hummm

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, peladeiro de fins de semana e mais novo torcedor do Figueirense.

 

Recém-lançado nas principais salas de cinema pelo país, o filme “O Palhaço” roteirizado, dirigido e interpretado por Selton Melo é uma história simples que de tão bem contada se torna algo muito especial. A base de tudo desta história magistralmente bem apresentada tem a ver com a vida de um palhaço que imagina simplesmente ter perdido sua graça. E o que é um palhaço sem graça?

Na verdade, o caráter do filme é bem mais existencial. Trata-se de um momento na vida em que praticamente todo profissional repensa sua trajetória, objetivos, performance e disposição de prosseguir na carreira.

Confesso que já passei por esta fase muitas e muitas vezes! Acho que, na verdade, continuo tendo estes momentos de reavaliação em ciclos bastante periódicos nos últimos 5 anos. Como profissional de marketing muitas possibilidades se abrem para mim em diferentes áreas de negócios, pois esta é uma área bastante presente, seja na indústria fonográfica, editorial, farmacêutica, esportiva, enfim, o marketing está presente em quase todas as atividades. Mas por diferentes formas de avaliação, tenho optado por continuar no mercado fonográfico. Não posso dizer que isso é como uma “cachaça” pra mim porque não pus um pingo da ‘marvada’ na goela, mas que eu amo estar nesse mercado, ah! Isso é a mais pura verdade!

Não querendo transformar esse texto numa auto-análise, foco a partir de agora num outro personagem, na verdade, alguém que vira e mexe está presente em meu dia-a-dia e, em especial, em meus textos deste espaço blogueiro: artistas e profissionais da música.

Da mesma forma que o personagem do filme parou para reavaliar sua vida, imagino que muita gente deva proceder de igual forma. Adaptando ao nosso ambiente musical, quantos e quantos produtores não precisam dar um tempo em suas rotinas estressantes com arranjos, instrumentos, cronogramas e cobranças?

Além da análise pessoal, cabe aqui uma análise profunda da questão profissional. Não só devemos analisar se o que estamos fazendo nos traz alegrias como também se o que fazemos estamos desempenhando da melhor forma! Isso é muito importante! Devemos nos esforçar ao máximo para obter crescimento pessoal e profissional e nunca cair na mesmice inercial do dia-a-dia.

Estou cansado de ver grandes profissionais do mercado artístico trabalhando no “automático”, simplesmente repetindo algumas fórmulas que deram certo no passado. Ou ainda, outros que se perpetuam por projetos vitoriosos de anos atrás. Para ilustrar e enriquecer mais essa crítica, recordo-me de um produtor musical que durante anos conseguiu realizar excelentes projetos com alguns dos mais relevantes nomes do cenário artístico evangélico. O jovem produtor ia ao exterior pelo menos 2 a 3 vezes por ano simplesmente para se inteirar das novidades por lá. Aí vieram os primeiros prêmios, o sucesso, as tentações, a fama, a unanimidade, enfim, o que seria uma bênção acabou transformando-se num problema, afetando inclusive sua vida pessoal.

E então começaram a surgir muitos convites de produção, não somente de grandes nomes, mas de artistas independentes que viam na assinatura do produtor, uma espécie de pedigree para seus trabalhos. E resumindo a história, no afã de pegar vários projetos e aumentar seus rendimentos, o produtor foi se enrolando, enrolando (…) até o ponto de passar a atrasar seus projetos, a ter problemas com os artista, chegando ao ponto da qualidade de seus projetos simplesmente decair num nível assustador!

E a esta história do produtor posso incluir também vários artistas que encontraram um fórmula de sucesso e depois de um tempo, passaram a plagiar-se a si mesmo. Ou seja, não progrediram, não se reinventaram, não buscaram novos caminhos, simplesmente seguiram com o conceito de que “em time que está ganhando não se mexe”, mas nem sempre esse ditado se aplica à vida, em especial, na carreira artística onde criatividade é a mola propulsora de tudo!

Ao longo destes meus 20 e poucos anos de profissão, já tive vários momentos de avaliação de minha vida. Já tive momentos (não raros) em que pensei largar o mercado fonográfico para atuar junto à área de tecnologia. Já tive momentos em que avaliei convites para trabalhar na área de veículos de comunicação. Em algumas oportunidades, a idéia de abrir um negócio próprio ou mesmo seguir com consultoria, também se mostraram presentes em minha mente.

Em todas estas oportunidades, as perguntas que me faço são: Eu ainda sou importante para o mercado? Ainda posso contribuir para melhorar alguma coisa neste mercado? Tenho prazer em fazer as coisas que tenho feito? De que forma eu ainda posso aprender e melhorar como pessoa e profissional mantendo-me neste mercado?

Por enquanto tenho encontrado respostas que me incentivam a continuar nesta trajetória. Uma das questões que me incentivam a manter-me, sem dúvida, é a certeza de que posso ainda contribuir bastante para a melhoria deste mercado e também que tenho ainda muito a aprender e a ensinar. Ser relevante é algo que me impulsiona e motiva.

Sinceramente espero que os profissionais que atuam neste mercado, com tanto potencial e de tantas oportunidades, possam ter um momento de reavaliação de suas vidas e momento profissional. Precisamos ter um upgrade em nosso meio para que as mudanças sejam reais, intensas e profundas e isto só conseguiremos alcançar se houver uma nova forma de trabalhar, de criar, de produzir, de se expressar. Livrem-se do “piloto automático” e reinventem-se! Todos nós agradecemos! Comece esse momento especial, assistindo ao filme “O Palhaço”. Cinema sempre é uma excelente opção de lazer!

P.S. – Depois de quase dois anos fazendo parte da equipe do Observatório Cristão, nosso nobre, exótico, psicodélico e bom de papo, amigo Carlos André, reavaliou sua vida e decidiu por dar um tempo na participação deste projeto. Agradecemos imensamente à colaboração deste personagem tão diferenciado do mundinho do design e esperamos contar com suas prestigiosas participações com textos, opiniões e críticas em outras oportunidades. Carlos, valeu! Vamos que vamos!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista e só.

Pronto! Finalizamos nossa décima participação na maior feira de negócios do mercado cristão da América Latina. Em 2011, a Expo Cristã comemorou seu décimo ano de realização e este blogueiro, extenuado após 7 dias intensos de muito trabalho, comemora igual número de participações.

 

Volto para casa certo de que fizemos o melhor possível nestes dias intensos!

Sem dúvida, o stand onde apresentamos as últimas novidades do mercado fonográfico para mídias, lojistas e o público em geral, foi um dos espaços mais concorridos da feira e também um dos mais receptivos e atenciosos também.

 

Antes de desenvolver meu primeiro tema sobre a Expo Cristã, não posso deixar de agradecer aos inúmeros leitores deste blog pela forma carinhosa com que me abordaram nestes últimos dias. Realmente percebo o quanto este espaço tem sido importante para a instrução, formação ou mesmo entretenimento de tantas e tantas pessoas dos mais variados rincões deste país. A quantidade de pessoas no stand ou mesmo nos corredores que simplesmente me procurou para dizer que liam o blog, foi algo muito surpreendente (Acho que temos mesmo um pouco mais do que 44 leitores) e às vezes até mesmo emocionante!

 

Agradeço a todos os leitores que me cumprimentaram, tiraram fotos ou simplesmente deram um rápido aceno. Acho que depois destes 6 dias, poderei ficar mais uns 6 meses sem precisar participar de alguma sessão de terapia. Muito obrigado pelo carinho de todos vocês!

 

Mas a Expo Cristã é um evento muito pitoresco! Vai das bizarrices mais esdrúxulas como alguns stands vendendo sapatinhos (de fogo) pentecostais bicolores a um homem de lata andando pelos corredores ou mesmo um gringo super simpático com uma cobra gigante enrolada no pescoço. No entanto neste espaço (sem ar condicionado) democrático convivem as mais diferentes vertentes do que denominamos meio evangélico brasileiro. E mesmo sendo aguardados alguns embates mais acalorados, no fim das contas tudo terminou

relativamente bem, exceto pela quantidade enorme de furtos de computadores, telefones, Blackberries e carteiras, entre outros bens.

 

No primeiro post sobre a Expo Cristã (difícil escolher por onde começar!) vamos comentar as frases e assuntos mais comentados na semana, não necessariamente pela ordem de importância ou incidência.

 

99% versus 1% – a Expo começou quente com os comentários sobre a infeliz declaração do líder-mor da IURD de que 99% dos artistas evangélicos são endemoninhados! Não sei baseado em qual órgão de pesquisa o BM chegou a estes números, mas a realidade é que a sua declaração foi (nada mais natural!) extremamente mal recebida pela comunidade evangélica e em especial pelos artistas e gravadoras. Em conversas nos corredores, pude apurar que nem mesmo entre membros da própria IURD essa declaração teve aceitação plena.

 

Haja vista a quantidade de gente da Força Jovem correndo atrás de fotos e autógrafos dos artistas na Expo.

 

Silas versus Macedo – como uma levantada na rede magistralmente efetuada pelo Bruno da seleção brasileira de voleibol para uma cortada violentíssima do talentoso Giba completamente sem bloqueio. Assim podemos exemplificar de forma figurativa a declaração do BM para a reação do Pastor Silas. Muita gente acredita que o Pastor Silas é um polemista nato, alguém que gosta de manter-se indefinitivamente sob a luz dos holofotes, mas convenhamos que esta polêmica foi como “tirar doce da mão de uma criança”. Então, nos primeiros dias, este foi o assunto que monopolizou grande parte das rodinhas de conversas na ExpoCristã.

 

A pergunta que não quer calar – ainda sobre o mesmo tema descrito acima, não custa nada perguntar e quem tiver a resposta, por favor, divida-a com todos nós. Se 99% dos artistas são endemoninhados, quem são os correspondentes ao 1% de santos?

 

Você vai ouvir com carinho? – conversando com o amigo Daian Alencar (também leitor do OBC, chique não?) comentei sobre esta que foi a frase mais ouvida por mim durante os 6 dias de Expo buscando uma explicação plausível. De cada 10, pelo menos 8 pessoas ao finalizar a conversa e me entregar o CD, diziam a indefectível frase: “Mas você vai ouvir com carinho?”

 

Confesso que não sei o que significa “ouvir com carinho” (…) talvez seja ouvir acariciando o disco ou mesmo o encarte (…) Não! Isso eu me recuso a fazer! Como vou ficar  acariciando mais de 800 CDs? Poderei correr o risco até mesmo de perder minhas digitais de tanto ficar esfregando! O que deve ser isso então?!?

 

Como profissional tenho certa experiência de detectar o que deve ser ouvido com mais ou menos atenção. Mas efetivamente todos os produtos entregues são devidamente ouvidos, alguns por míseros 30 segundos, mas já o suficiente para que não tomem minha atenção por tempo desnecessário. Numa outra oportunidade voltarei a este tema.

 

Quebrado o recorde! – no ano passado regressei para o Rio de Janeiro com 268 CDs/DVDs/CDRs e afins. Neste ano, seguramente retorno à Cidade Maravilhosa com mais de 300 produtos! Entre tantos materiais recolhidos, me chamou atenção a pequena participação de compositores apresentando seus materiais (algo como 6 ou um pouco além disso) e a enorme quantidade de MCs, Rappers e coisas do gênero.

 

Como sempre, as capas, nomes e propostas são as mais variadas e porque não dizer, assustadoras! É um tal de nome de artista ou de banda sem qualquer significado inteligível que muitas das vezes pedi para o artista dizer o que estava escrito no CD. É uma profusão de letras, siglas, consoantes, coisas sem nada a ver que mais parece um estudo de numerologia. Sobre este assunto, também falarei mais à frente em outras oportunidades.

 

Anhembi versus Expo Center Norte – outro assunto que dominou boa parte das conversas, principalmente entre os expositores foi sobre a mudança do local de realização da ExpoCristã, estreando neste ano no tradicional Pavilhão do Anhembi. Confesso que pelo nome do local e toda sua tradição, esperava bem mais deste local e saio da Expo Cristã completamente frustrado pelas condições do Anhembi. Sem dúvida alguma, a mudança do Expo Center Norte para o Anhembi foi uma regressão absurda em termos de conforto, segurança, acessibilidade e economia.

 

A falta de um sistema de ar condicionado transformou os primeiros dias da ExpoCristã numa sauna onde só faltava a essência de eucalipto. Clientes suando em bicas querendo resolver o quanto antes suas compras acabaram prejudicando os expositores. Os custos de estacionamento e a ausência de uma política que beneficiasse os expositores também foi absurdamente tema de reclamações.

 

As montadoras dos stands tiveram trabalho dobrado para nivelar o piso de suas construções. Nos corredores era notório o desnível no piso provocando inclusive algumas quedas de pessoas desavisadas.

 

A ausência de latas de lixo, de segurança durante a feira nos corredores e a péssima qualidade do atendimento da equipe de bombeiros foi outro ponto negativo! Por falar em bombeiros, eles deram o ar da graça apenas no primeiro e último dia. No primeiro, para alugar extintores de incêndio. No último dia, para recolherem os extintores alugados. No stand da Bompastor, um pequeno princípio de incêndio foi resolvido pela própria equipe da Editora. Os bombeiros chamados ao local imediatamente, até o desmonte do stand, não apareceram por lá.

 

E os banheiros? Ah! Que maravilha! Onde já se viu fazer um evento sem que existam banheiros? A solução foi alugar estruturas de banheiros em caixotes gigantes como aqueles enviados em navios de carga. Como não tive a felicidade de usufruir dos serviços desta engenhoca, não posso dizer se serviam ou não, mas como disseram alguns “consumidores” o banheirão metálico” não era 5 estrelas … “

 

O único benefício para a mudança de local foi a proximidade do Pavilhão para o hotel Holliday In, mas convenhamos que isso atendeu a poucos expositores, então nem pode ser levado em questão.

 

Cordão de Isolamento versus Pode Chegar – outro assunto bastante comentado, principalmente pelas mídias, foi o livre (ou não!) acesso aos artistas presentes durante a Expo. Entendo que a feira é a melhor oportunidade de aproximação entre a gravadora, artistas, produtos, lojistas, mídias e público em geral. Nos 6 dias de feira temos a oportunidade raríssima de reunir mídias de todo o país para contato direto com artistas que constantemente estão em deslocamento pelo país e mais raramente ainda, encontram-se todos reunidos num mesmo ambiente.

 

Então qual a explicação para que as gravadoras criem empecilhos para que as mídias se aproximem dos seus artistas para entrevistas? Sinceramente não consigo encontrar qualquer argumento justificável para tal atitude. É óbvio que devemos sempre manter a integridade física do artista e mesmo respeitar seu cansaço, mas daí a colocar o artista numa abóboda isolado do mundo, também já é outra história!

 

O público quer apenas tirar uma foto, demonstrar seu carinho com o artista. A mídia quer apenas entrevistar, gerar material de trabalho, que nada mais é do que a divulgação do próprio artista, produto e gravadora. Infelizmente tivemos casos absurdos de hordas de seguranças em volta do artista proibindo acesso do público e da mídia. Uma das cenas que mais me chocaram foi um séquito de 8 a 10 seguranças correndo pelos corredores com uma artista se esquivando do público. Chegaram até mesmo a atropelar uma inocente lata de lixo!

 

Detalhe: ninguém corria atrás da artista naquele instante, ou seja, eles imaginavam que haveria tumulto na saída do stand, mas o público simplesmente ignorou a artista e todo seu aparato de isolamento.

 

Em contrapartida, algumas gravadoras souberam aproveitar bem a oportunidade e deram total atenção ao público e mídias com relação à presença do seu cast na feira. Bons kits de imprensa, atenção, respeito, simpatia e locais adequados para a realização de entrevistas marcaram pontos a favor de algumas empresas.

 

Figuraças da Expo Cristã – não entendi o que fazia um senhor nos corredores do Anhembi andando com um equipamento de alpinismo e uma bandeira do Brasil e Israel. Tudo bem que o chão estava desnivelado, mas ali não tínhamos nenhum Pico da Neblina, Everest ou Kilimanjaro.

 

Já falei na introdução a respeito do Homem de Lata. Certamente aquele ser metálico deveria se referir a algum lançamento ou projeto, mas devia ser uma tortura caminhar pela Expo com aquela indumentária. Por falar em indumentária, a Expo foi um desfile democrático de moda com tendências do estilo Penteca Reteté Fashion ao Emo Gospel. Teve espaço para todas as manifestações fashionistas, cafonistas, streetwear, sertanejas e “mudernas”.

 

Outra figuraça, ou melhor, figuraças, são aqueles “caçadores de celebridades” com suas máquinas digitais sempre à mão para tirar uma foto com alguém importante. Muitas das vezes eles nem sabem com quem estão tirando foto, o importante é clicar! Basta uma ou duas pessoas tirando um foto com alguém ao lado para esses figuraças entrarem na fila e também pediram para ser fotografados.

 

Aí vai uma dica: se você quer que um jovem e desconhecido artista receba a atenção das pessoas, basta posicioná-lo num lugar de destaque me frente ao stand, chame mais uma duas pessoas e comece a tirar fotos. Se em até 5 minutos não se formar uma pequena aglomeração, então desista! Esse artista tem tudo para manter-se no mais absoluto ostracismo!

 

Ainda sobre as fotos, eu mesmo sei que hoje deve ter muita gente revendo o arquivo de imagens e se perguntando: “Quem é esse carequinha risonho ao meu lado? Ah! Vou apagar! Delete”

 

Já chegando ao fim desse post quero destacar o stand do grupo teatral Jeová Nissi pela perfeita adequação entre funcionalidade e objetivo. Também o sempre funcional stand da Editora Mundo Cristão. Ainda, o stand da Salluz por sempre abrir espaço para a cena alternativa gospel com muito bom gosto na decoração. Outro stand que merece destaque pela beleza e grandiosidade foi

o da IVC. Mesmo correndo o risco da auto-promoção, o stand da Sony Music seguramente destacou-se pela presença do público, conforto, atendimento às mídias e pela decoração com as guitarras Heavens, os chocolates Premium, o buffet e a máquina de café que atendeu muitas pessoas, inclusive expositores concorrentes.

 

Sobre as ausências de algumas empresas na Expo, o que posso dizer é que se não estiveram presentes é porque devem ter tido algum motivo significativo pela decisão. É o máximo que podemos dizer (…)

 

Mauricio Soares ou o que sobrou de mim após 7 dias de intenso trabalho, jornalista, publicitário e alguém que ouve com carinho os CDs. Agradeço ainda aos prêmios de CD Nacional + Vendido (Diamante/Damares) e CD Internacional + Vendido (Wonder/Michael W Smith) conferido pela Revista Consumidor Cristão e também o Prêmio Destaque Expo Cristã pelos 10 Anos de participação da Feira.

O Observatório Cristão tem se tornado um guia prático para artistas iniciantes e mesmo nem tão novatos assim, mas que buscam dar um upgrade em suas carreiras dentro das novas tendências do mainstream. Recentemente tivemos a oportunidade de participar de um mega evento voltado para o mercado religioso no país e naquela oportunidade, pude conversar com muitas pessoas a respeito das tendências do mercado fonográfico, sobre as novidades tecnológicas, os avanços da mídia digital, o futuro da mídia física e entre tantos assuntos, um que obteve mais destaque e se tornou bastante recorrente foi “o que devo priorizar para fazer em minha carreira?”

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Recebi do meu amigo e cantor André Valadão um texto bem humorado abordando a questão da “arte da negociação”. O texto me fez refletir como ainda precisamos aprender e desenvolver melhor as técnicas de vendas e argumentação no meio gospel. Infelizmente muitos dos lojistas do mercado evangélico estão muito mais preocupados com o preço final do produto do que na margem de lucratividade e principalmente no giro de vendas.

Atualmente, o conceito de um bom produto no tocante às vendas tem a ver preponderantemente com a margem de lucro e sua velocidade de giro, afinal estoque é algo que na maior parte das vezes representa dinheiro parado. Na época de inflação a 80% ao mês (eu vivi e sobrevivi a este período do Brasil, meu Deus!) o comerciante ter estoque de mercadorias significava saúde financeira, afinal quanto mais estoque, mais margem de lucro e a possibilidade de ganhos extras na ciranda financeira.

A partir de agora, iremos postar mais informações, dicas e comentários voltados aos lojistas do mercado evangélico. Na verdade, este era o foco inicial quando falávamos em criar um blog para o mercado, mas por diversos motivos acabamos seguindo uma trajetória para abordar mais assuntos relacionados à música. Então com este post oficialmente iremos dar atenção aos lojistas que atuam no mercado gospel. Enquanto isso, divirta-se com essa história bem humorada mas nem por isso menos interessante!
A ARTE DE NEGOCIAR

PAI – escolhi uma ótima moça para você casar.
FILHO – Mas, pai, eu prefiro escolher a minha mulher.
PAI – Meu filho, ela é filha do Bill Gates…
FILHO – Bem, neste caso, eu aceito.
Então, o pai negociador vai encontrar o Bill Gates.

PAI – Bill, eu tenho o marido para a sua filha!
BILL GATES – Mas a minha filha é muito jovem para casar!
PAI – Mas este jovem é vice-presidente do Banco Mundial…
BILL GATES – Neste caso, tudo bem.

Finalmente, o pai negociador vai ao Presidente do Banco Mundial.
PAI – Senhor Presidente, eu tenho um jovem recomendado para ser vice-presidente do Banco Mundial.
PRES. BANCO MUNDIAL – Mas eu já tenho muitos vice-presidentes, mais do que o necessário.
PAI – Mas, senhor, este jovem é genro do Bill Gates.
PRES. BANCO MUNDIAL – Neste caso ele pode começar amanhã mesmo!

Moral da história:Não existe negociação perdida. Tudo depende da estratégia. “Se um dia disserem que seu trabalho não é o de um profissional, lembre-se:
A Arca de Noé foi construída por amadores; profissionais construíram o Titanic”.

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Mauricio Soares