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Tentando recuperar o enorme tempo sem novidades no blog estaremos postando nos próximos dias, diversos posts sobre os mais variados assuntos. Na verdade, precisamos tentar recuperar a atenção dos 66 leitores habituais de nosso blog.
Nestes dias recebi o email de um escritório de assessoria de um artista solicitando a liberação do pagamento do ECAD para um determinado evento. É impressionante como alguns detalhes de como funcionam as coisas no meio artístico fogem à ciência dos artistas e das pessoas envolvidas neste mesmo mercado. Quando recebo uma solicitação como esta e da forma como isso é feito, fica evidente a completa ignorância de como funcionam as engrenagens do direito autoral e dos procedimentos de arrecadação.
Então, de forma bem simples e didática irei explicar um pouco sobre como funciona o processo de edição de músicas e sua respectiva remuneração aos autores. Quando um artista escolhe uma determinada música para ser gravada é necessário que o autor desta obra dê a autorização para sua utilização no repertório do disco. Esta autorização pode ser remunerada ou não. Geralmente o compositor recebe um percentual pro-rata (uma espécie de rateio entre o número de obras) sobre a vendagem da obra, seja ela física ou digital. Há uma prática ainda em vigor entre os compositores no meio gospel de ‘vender’ a autorização para a gravação. Na verdade, esta é uma deturpação do processo de autorização porque ninguém pode ‘vender’ uma composição. O máximo que se pode fazer neste caso é pedir um adiantamento em cima da projeção de remuneração desta obra. Por exemplo, uma música tem uma expectativa de que o seu autor venha receber 2 mil reais ao longo dos próximos anos na vendagem do disco. O compositor então, pede ao artista (geralmente independente) que este adiante este valor. Simples assim, mas como já disse anteriormente, esta é uma prática fora dos padrões das grandes gravadoras.
O ideal é que o compositor tenha sua obra vinculada a uma publisher que nada mais é do que uma empresa com foco em proteger o uso correto da obra, garantindo assim o recebimento do compositor. Cabe à publisher, além de acompanhar a arrecadação da obra junto às gravadoras, rádios, eventos, liberar a autorização para o seu uso por artistas, agências de publicidade, sincronização, entre outras atividades. Para este serviço, a publisher geralmente cobra um percentual de 25% sobre os recebimentos do autor. Outro importante serviço que uma publisher desenvolve é justamente trabalhar como manager no sentido de procurar para o autor oportunidades para o uso de sua obra. No meio gospel, 99% das publishers ligadas às respectivas gravadoras subvertem este princípio básico do negócio e transformam-se em reserva de conteúdo, ou seja, em vez de saírem para o mercado oferecendo músicas de seus autores, estas fecham-se em si mesmas garantindo apenas que os artistas ligados ao seu cast utilizem músicas dos compositores ligados à sua publisher. Este conceito literalmente é míope, mesquinho e não beneficia em nada os compositores porque no fim das contas, estes se tornam dependentes da própria gravadora e o mais absurdo: a empresa que deveria cobrar por seus direitos é a mesma empresa que deve pagá-lo corretamente. Algo bem kafkaniano …
Um compositor tem diferentes fontes de receita, mas sempre baseadas na arrecadação pelo uso de sua obra. Esta arrecadação junto a eventos, casas de festas, veículos de comunicação como emissoras de rádio ou TV, bares e restaurantes, é realizada através dos escritórios regionais do ECAD. As associações musicais como ABRAMUS, SOCIMPRO, AMAR são responsáveis por resgatarem junto ao ECAD as remunerações dos artistas, músicos e compositores vinculadas a elas. A publisher vai cuidar especialmente da arrecadação dos compositores junto às associações. Com o crescimento do mercado digital, dos serviços de streaming, downloads e afins, estes órgãos de arrecadação e acompanhamento são fundamentais e estão em constante desenvolvimento de novas ferramentas e até mesmo em colaborar com os legisladores para melhorar e adaptar as leis às novas realidades e demandas.
Quando um promotor de shows pede ao artista a liberação do ECAD, na verdade, ele está pedindo para que o artista pressione os compositores de seu projeto a abrirem mão de um recebimento que lhes é assegurado por lei. Em se tratando do próprio artista como compositor, neste caso pode parecer uma decisão pessoal e simples. Se o artista/compositor estiver vinculado a uma publisher, ele precisa entender que possui os direitos de 75% de sua obra e que o restante está administrado por contrato pela empresa que o representa. Se houver acordo entre ele e sua publisher nestes casos de livre decisão pela liberação dos direitos, aí tudo bem, mas se não tiver este acordo, é importante que o artista entenda que não responde integralmente por sua obra.
Voltando à questão do promotor de eventos, ele precisa colocar o pagamento de ECAD na mesma planilha de despesas como segurança, palco, som, luz, cachê dos artistas, transporte, alimentação, impostos, entre outros. Acho muito interessante quando um promotor de eventos acha correto pagar a todos os fornecedores e na hora de pagar os direitos sobre a execução da música julgar que esta é uma despesa menos devida. Deixa eu ver se entendi … os profissionais de luz, palco, o público, a mídia … todos estão motivados e efetivamente presentes ao evento porque num determinado momento a música os chamou a atenção, os emocionou, os incentivou a reunirem-se para conferir ao vivo esta obra. Em outras palavras, tudo começou a partir de uma música e justamente o autor, aquele que teve a inspiração (e muitas vezes transpiração) para compor aquela obra, na hora de receber sua fatia do bolo, acaba ficando de prato vazio nas mãos!?!?!? É justo isso? Definitivamente que não! Este mesmo conceito se aplica quando lidamos com promotores de eventos (muitos dos quais pastores!) que na hora de pagar o cachê aos artistas inventam um milhão de justificativas para o não cumprimento do pré-acordo. O mais absurdo é quando recebo ligação de alguns destes ‘promotores’ dizendo que alimentação, hospedagem e transporte, além da divulgação na cidade, ficam por conta do evento … entendi … quer dizer que o artista está desabrigado precisando de uma hospedagem, está faminto precisando de um prato de comida e está entediado de ficar em casa e qualquer oportunidade para sair de sua rotina deve ser comemorada como uma carta de alforria …
Ontem mesmo recebi um relatório que havia solicitado fazia mais de 4 meses sobre o status de pagamento das rádios do segmento evangélico no Brasil com relação à veiculação. Por lei, as emissoras de rádio e TV são obrigadas a enviar um relatório sobre a utilização e veiculação de obras musicais em suas respectivas programações ao ECAD. Para minha tristeza, o relatório tinha muito mais empresas inadimplentes do que adimplentes, ou seja, a esmagadora maioria das mídias do segmento gospel no país não recolhem devidamente os impostos e tributos referentes a utilização de conteúdos musicais prejudicando drasticamente o recebimento dos compositores e artistas. Ou seja, os compositores são de certa forma fundamentais no mercado artístico pois é a partir de suas obras que se inicia o sucesso e nem por isso são respeitados e remunerados como deveriam. Acho que não preciso lembrar que em muitos casos nem mesmo as gravadoras do segmento remuneram corretamente os compositores. Posso dizer isso como parte integrante do processo porque nas poucas músicas que tenho gravadas, receber por elas é quase um calvário.
Em resumo, o que quero dizer neste post é que é muito importante que todos recebam devidamente o que lhes é devido, sejam os artistas, músicos ou compositores. É fundamental que todos tenham noção clara do que lhes cabe, seus direitos, deveres, participações e afins. Para isso existem profissionais e empresas dispostos a contribuir pelo entendimento de todos estes processos. Minha sugestão é que, principalmente os autores, procurem publishers para cuidarem de suas obras e que estudem profundamente sobre este universo tão peculiar e ao mesmo tempo, tão cheio de possibilidades.
Me perdoem, leitores do OBC se fui extenso demais neste primeiro texto pós-férias forçadas. Aos poucos vou recuperando meu poder de síntese. Até a próxima!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista e atualmente audiência do maior número de mesas redondas, quadradas, retangulares e bate papo de futebol.

Começo a escrever este texto como tenho feito nos últimos tempos, ou seja, a bordo de mais um voo cruzando o país. Desta vez, retornando ao Rio de Janeiro diretamente da capital capixaba e após 7 dias intensos de muito trabalho. Nesta semana estive em Goiânia, Brasília, Fortaleza e agora por fim, Vitória. Neste período tivemos contato com mais de 30 mídias, entre veículos do segmento gospel e seculares. Esta foi, sem dúvida, uma experiência marcante e que irá determinar uma série de decisões e estratégias daqui em diante.

O Brasil realmente é um continente e como uma enorme extensão geográfica possui diferentes climas, culturas, pessoas, hábitos e linguagens. Me delicio de ouvir os sotaques do povo lá de cima, especialmente do Ceará com suas gírias, neologismos, ritmo e humor inigualáveis. Acho fantástico o jeito meio caipira, meio non sense dos goianos divididos entre os costumes mineiros, nordestinos e o da própria terra no meio do Brasil. Estes foram dias muito especiais e certamente ficarão marcados em minha história por diversos aspectos e experiências únicas.

E no fim, já no último dia de viagem, tive o prazer de reencontrar um amigo dos tempos de adolescência de Igreja Batista de Niterói e que especialmente nos últimos anos passei a acompanhá-lo à distância, vendo o seu sucesso, recebendo notícias de sua família, mas que efetivamente por diversos motivos não tive oportunidades de encontrá-lo pessoalmente. Este amigo foi o preletor principal de um evento que reuniu lideranças evangélicas, políticos e algumas mídias da Grande Vitória. Em sua palestra, entre outros temas, o preletor destacou sobre o verdadeiro papel da igreja cristã na sociedade como agente transformador.

Este é um assunto que vem me incomodando especialmente nos últimos dias. Talvez por ter tido a oportunidade de conhecer diferentes ministérios, diferentes líderes, diferentes correntes de pensamento e atitudes no meio evangélico nos recentes dias, ouvir uma palestra desafiadora como a que tivemos neste último dia apenas sirva para dar um fecho final a tudo o que venho meditando e matutando até então.

Hoje no Brasil estima-se que cerca de 40 milhões de pessoas se intitulem ‘evangélicos’. Talvez possa ser um pouco menos ou um pouco mais dependendo de como se queira ‘vender o peixe’. O certo é que o segmento evangélico hoje é uma parcela muito representativa em nosso país. Especialmente na última campanha política para presidente que elegeu Dilma Roussef, os mega-ultra-caciques-evangélicos foram tratados com toda a pompa e circunstância como se tivessem o poder de influenciar o voto de seu rebanho (ou seria manada?). Mas a verdade é que este voto de cabresto espiritual já não tem a mesma força de tempos atrás. Nem mesmo nas igrejas pentecostais ou neo-pentecostais onde alguns líderes ainda se julgam senhores feudais com plenos poderes!

Mas o caminho que eu quero seguir neste texto não tem a ver com uma análise política e a força do segmento evangélico ou coisas do tipo. Eu gostaria de enfocar sobre outra ótica e que também tem a ver com poder, sociedade, força, resultados. As grandes revoluções não começaram grandes! Pelo contrário, as grandes mudanças na sociedade mundial surgiram a partir de pequenos grupos liderados por grandes homens, mesmo que estes homens tenham usado seus potenciais para coisas nem sempre positivas. Mas efetivamente começaram pequenas, suas ideias contagiaram poucas pessoas, depois foram crescendo, tomando espaço, até que num determinado momento, tornaram-se tão grandes e intensas que transformaram a sociedade e a história mundial.

Hoje somos 40 milhões de evangélicos no país, talvez. Mas seguramente somos um grupo bastante representativo, sem dúvida. Em algumas regiões, cerca de 40% da população é evangélica. Em determinadas cidades, as mídias evangélicas dominam e rivalizam com os veículos seculares em audiência e relevância. E aí me pergunto: por que será que a igreja evangélica brasileira não consegue influenciar positivamente a sociedade de nosso país?

Esta pergunta vem me assolando e incomodando muito nos últimos dias e confesso que quanto mais eu discuto e analiso sobre este tema, mais me vem uma profunda angústia e tristeza por constatar que estamos distantes de mudar este panorama. Se estudarmos a história da igreja iremos encontrar inúmeros personagens, épocas e fatos que comprovam a importância da fé cristã alterando rumos da sociedade. Basta conhecermos a história de John Wesley que transformou positivamente toda uma sociedade para constatarmos que, sim, é possível que a igreja evangélica transforme o seu ambiente à volta. Mais recentemente temos o exemplo de dois países que foram profundamente transformados pela força do Evangelho, a saber: nossos vizinhos continentais, a Colômbia e a distante Coréia do Sul. Mesmo os países europeus com seus padrões elevadíssimos de qualidade de vida, segurança, educação e outros indicadores, só atingiram estes patamares pela influência da fé protestante e os ensinamentos calvinistas, entre outros, em sua história.

Então, do que se jactam os líderes evangélicos de nosso país gritando a plenos pulmões de que hoje somos a maior nação cristã do mundo? Por que estamos comemorando ufanisticamente de que em alguns anos poderemos ser maioria religiosa em nosso Brasil? De que tem adiantado ver que o número de igrejas evangélicas tem crescido exponencialmente ano a ano?

A violência tem diminuído em nosso país ou os presídios estão cheios de Isaques, Matusaléns, Enoques, Lucas e tantos outros delinquentes com nomes bíblicos? Se fizermos um censo nas cadeias certamente ficaremos estarrecidos pela quantidade de filhos de crentes que se desviaram para uma vida de crimes porque seus pais não deram a educação e exemplos dos mais corretos! Ou mesmo porque as igrejas em vez de acolhê-los pesou a mão expulsando-os do convívio. Triste realidade!

Outras perguntas continuam me incomodando. A ética tem sido característica de nosso país e população? Mesmo (ou principalmente) entre os evangélicos? As práticas e padrões bíblicos têm se disseminado na sociedade brasileira? Temos influenciado positivamente nossa sociedade? Na política, a bancada evangélica tem sido um bloco de defesa da família, dos bons costumes, da ética e da moral ou os pastores-políticos tornaram-se apenas um bando ávido por benesses, concessões de rádio e cargos públicos?

Confesso que as respostas a estes questionamentos são em sua esmagadora maioria, nada positivas! Não mesmo! E isso me causa repulsa, tristeza, vergonha e até mesmo, cansaço … não me acho um idealista, um sonhador, apenas acredito que o Evangelho tem um papel transformador e isto para mim é real. Então, por isso e somente por isso, ainda acredito que o nosso país possa ser mudado. A esperança, como dizem, é a última que morre … mas hoje, sem dúvida, o seu estado é crítico na UTI.

Ajamos!

Conversando dias atrás com o produtor Dudu Borges, considerado hoje o melhor profissional em sua área no segmento sertanejo, falamos sobre a realidade do mercado gospel. Para quem não sabe, Dudu Borges fez parte da banda Resgate, inclusive produzindo o clássico disco “Ainda Não é o Último”, o primeiro projeto lançado pela Sony Music no projeto gospel. Na área sertaneja, Dudu é responsável pelos últimos grandes hits aferidos pela Crowley nos últimos anos como “Chora Me Liga” da dupla João Bosco e Vinícius, “Ai Se Eu Te Pego” com Michel Telló, sucessos de Luan Santana, do recente fenômeno Lucas Lucco e de outra dezena de artistas do gênero. Ou seja, Borges é sem dúvida, o “cara” do sertanejo e merece todo o sucesso!

Mas voltando ao nosso bate papo pelos corredores da gravadora, Dudu questionava o porquê da música gospel ainda não ter se consolidado no cenário nacional, especialmente em relação às grandes festividades de prefeituras e feiras agropecuárias. Tentei justificar com alguns aspectos e no fim chegamos à conclusão de que ainda temos barreiras a vencer pela frente e outros ajustes para fazer no âmbito interno.

É com base neste papo descompromissado que seguirei de agora em diante neste post. Na verdade irei juntar algumas questões mencionadas neste encontro com outras observações que venho tendo nos últimos meses. Então, nas próximas linhas faremos uma pequena dissertação sobre os desafios que a música gospel tem pela frente no país. Espero que eu consiga ter a devida atenção dos meus 66 leitores fiéis (ou não!?!?!?!) daqui em diante.

É inegável que o boom da música gospel na TV brasileira aconteceu entre os anos de 2011 e 2012 e que no ano seguinte observamos uma forte retração ao segmento. Se formos analisar e relembrar, inúmeros artistas gospel povoaram os programas da TV brasileira numa frequência jamais alcançada até então nestes anos recentes. Chegamos a ter determinados dias com artistas gospel participando em programas de TV em diferentes emissoras nos mesmos horários. A concorrência entre as produções dos programas acirrou-se de uma tal forma que estas se antecipavam no agendamento das atrações gospel. A disputa era enorme e constantemente víamos os artistas de música gospel na telinha participando de programas em emissoras que até então restringiam ao máximo estas participações. Só que a alegria durou pouco! Especialmente em 2013 foram raras as participações dos artistas de música gospel nos programas de TV e esta tendência deve se seguir em 2014 onde a pauta notoriamente será direcionada para esportes em função da Copa do Mundo no Brasil.

Quando um artista do calibre do sertanejo Leonardo, Jota Quest ou Roberto Carlos, por exemplo, lançam seus respectivos projetos, toda a mídia é contatada e responde de forma muito receptiva e amigável. Em pouco tempo os programas de TV agendam as suas participações, muitas das vezes até mesmo com uma certa disputa entre os veículos. A mídia impressa e eletrônica destacam em suas pautas os respectivos lançamentos, ou seja, em pouco tempo, o projeto passa a ser conhecido nacionalmente. As emissoras derádio tocam os singles com destaque na programação, entrevistas são agendadas, promoções são criadas e muita badalação sobre o artista e seu novo projeto agitam o ambiente.

Definitivamente não é isto o que acontece com a música gospel. Não temos veículos de comunicação de massa em nível nacional. Não há redes de televisão com conteúdo cristão em nosso país e nas poucas emissoras de TV do segmento, o espaço para a música ainda é bem acanhado perdendo de goleada para os programas evangelísticos e de variedades. Também não temos uma rede de emissoras de rádio evangélica que favoreça os grandes artistas ou lançamentos. A maior rede de rádios do país coincidente faz parte do segmento evangélico, a Rede Aleluia, mas ela está longe de ser uma referência em termos de programação musical. A playlist musical desta emissora baseia-se em hits dos longínquos anos 90 ou ainda mais distantes.

Outra característica de nossas mídias é a relação visceral com denominações religiosas, cada qual com interesses e características muito específicas. Isto também dificulta absurdamente a divulgação de um projeto no meio gospel, pois estas emissoras e veículos nem sempre têm como prioridade trabalhar de forma profissional, focando na satisfação de seus clientes. Com isso, alguns artistas e gravadoras são prejudicados em determinadas regiões do país pela falta de espaço nas mídias locais.

Desta forma, um projeto no meio gospel no Brasil passa por uma série de obstáculos para sua divulgação. Não temos muitas mídias demassa. Muitos veículos são restritos e refratários à novidades e mesmo a determinados estilos musicais ou artísticos. Assim, é notório que para ‘estourar’ em nível nacional, um artista e sua respectiva gravadora precisam utilizar-se de diversas estratégias e altos investimentos. Entre as principais estratégias de divulgação, sem dúvida, destacamos a necessidade de uma verdadeira maratona de entrevistas nas mídias locais. Por mais cansativo e dispendioso que esta operação seja, é comprovada sua eficácia! Existem algumas cidades importantes em nosso mercado e efetivamente são estas que devem constar do roteiro de divulgação. Praças como Beagá, Recife, Goiânia, São Paulo, Rio de Janeiro, Belém e Fortaleza são indispensáveis para o artista que pretende ter seu trabalho reconhecido pelo grande público.

Outra importante estratégia para uma divulgação maciça de um projeto tem a ver com a web. O brasileiro é reconhecido mundialmente por ser um heavy user em tudo relacionado à tecnologia. E, sem dúvida, a internet é uma importante ferramenta e ambiente para a divulgação de conteúdos artísticos. São muitos sites, blogs, rádios on line fanpages dedicadas à música e notícias gospel. Então, nada mais acertado do que manter contato permanente com estes veículos fornecendo farto material, notícias, vídeos, conteúdos diversos. Neste caso, torna-se fundamental a contratação de serviços e profissionais especializados para tal atividade.

Em resumo, não há facilidade para os artistas do segmento gospel e suas gravadoras. Os entraves são muitos e não apenas os citados por aqui neste texto. Lançar um novo projeto nacionalmente é um exercício de muita paciência, altos investimentos, dedicação e transpiração! Esta constatação apenas reforça duas outras características peculiares deste nicho. A primeira é que como o produto ‘demora’ a ser divulgado nos quatro cantos do país por todos os motivos já citados, o tempo de vida útil do projeto é bem maior do que um projeto secular de um artista do primeiro time. Com isso, a estratégia utilizada por alguns artistas, especialmente a turma do segmento pentecostal, de lançar um novo projeto a cada ano, torna-se claramente uma decisão equivocada, pois é impossível que neste curto espaço de tempo, todo o país conheça o seu último trabalho.

Este texto foi iniciado em um vôo entre Curitiba e o Rio de Janeiro. Depois foi retomado no trecho entre Goiânia e Fortaleza e agora é finalizado a caminho de Vitória, capital capixaba. Durante os últimos dias exercitei plenamente o que acabo de escrever, ou seja, visitar algumas das mais importantes cidades do país divulgando o projeto (lançado em abril de 2013) “O Maior Troféu” com a cantora Damares. Observe-se que estamos falando da artista de maior vendagem do mercado gospel nos últimos anos. Se uma artista como ela dedica seu tempo para este tipo de trabalho então está mais do que na hora da turma arrumar as malas e partir pra estrada!

Vamos em frente!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.  

Nestes dias estou em meio a uma intensa maratona de divulgação com a cantora Damares por 4 cidades. Começamos por Goiânia, fizemos uma rápida passagem por Brasília e neste momento sigo direto para Fortalezaonde ficaremos por mais 3 dias e de lá seguiremos para Vitória com mais 2 dias de trabalho. Me impressionei com a quantidade de mídias segmentadas na terra do pequi. Antigamente pensava que em Goiânia tínhamos apenas duplas sertanejas, mas hoje posso incluir outra categoria de personagens, os apresentadores de TV. É impressionante a quantidade de programas de conteúdo cristão nas TVs locais. Com isso, fica ainda mais evidente a importância desta região no cenário gospel, inclusive com a realização da primeira edição da Gospel Fair, feira de negócios que será realizada no mês de abril na capital goiana.

Ainda sobre Goiânia, destaque para a diversidade de emissoras de rádio atingindo diferentes públicos, cada qual desenvolvendo um bom trabalho na região. Na verdade, não há nenhum outro lugar do país que possui tamanha opção de emissoras de rádio evangélicas. Por fim, aproveito este espaço para agradecer ao apoio da equipe da Live.com Assessoria e suas incansáveis sócias Karlla Karize e Janaína. Se você pretende desenvolver umprojeto na área artística gospel, especialmente no centro-oeste, o caminho mais fácil é justamente através do apoio destas meninas!

Passado o momento Milton Merchan Neves, vamos seguir com o texto de hoje. Dias atrás estava eu entretido em meus afazeres profissionais, entre e-mails, textos, planilhas e ligações, dei uma rápida espiada em algumas redes sociais. Diariamente, ao ligar meu computador, imediatamente clico em alguns sites de notícias e ato contínuo abro os links de meu instagram, facebook e twitter. E num destes momentos de olhadela para ver o que estava acontecendo nas redes sociais, eis que me deparo com um pequeno papo virtual entre os editores do site Gospel Musikas e Casa Gospel, os amigos Danilo e Alex Eduardo. Como um intruso curioso, observei a troca de comentários entre os dois a respeito de artistas que acreditavam ser a solução para suas carreiras o simples fato de terem seus projetos sendo distribuídos por gravadoras nos ambientes virtuais.

Aproveitando este gancho, resolvi dedicar estes meus momentos de vôo até Fortaleza, completamente espremido na poltrona, assim meio torto, meio de lado, para escrever um pouco mais sobre este tema levantado pelos editores citados anteriormente.

Efetivamente o crescimento do mercado digital é uma realidade e irreversível. Mesmo para os mais céticos, inclusive no mercado gospel, este é um fato consumado! Neste ano fiscal, acredito que 30% do faturamento líquido de minha operação já será creditada aos parceiros digitais. No mercado secular brasileiro, tudo indica que em 2013 as vendas digitais significaram algo próximo aos 40% das receitas das gravadoras. Nos EUA e emalguns outros países, as vendas digitais superaram 50% do resultado e seguem em franco crescimento. Ou seja, a venda de CDs ainda poderá se manter forte nos próximos anos, mas efetivamente a cada período a tendência é de que as vendas digitais seguirão em crescimento. Talvez a grande dúvida hoje seja sobre o tempo de vida útil  da mídia física. Ou por quanto tempo estas vendas físicas se manterão relevantes dentro do resultado das gravadoras, mas de uma coisa ninguém duvida: as vendas digitais se tornarão absolutamente relevantes e transformarão os hábitos de consumo de conteúdo.

Somente nestes 3 dias em que estive por Goiânia recebi 8 CDs e mais 3 DVDs. Conheci muitos jovens artistas locais, ouvi referências elogiosas de muitos nomes. Ou seja, duvido que ao retornar ao Rio de Janeiro não traga em minha bagagem ao menos 25 CDs e outros tantos DVDs. E posso assegurar que muitos destes produtos e artistas estão prontos para ingressarem numa gravadora e serem trabalhados de forma mais profissional, mas como atender a toda esta demanda? Simplesmente é impossível, do ponto de vista do planejamento, de investimentos ou mesmo de atenção necessária ao artista e ao projeto. Não tem como uma gravadora desenvolver um projeto de qualidade para dezenas de artistas. O cast realmente precisa ser reduzido e as decisões sobre contratações devem ser tomadas de forma muito fria e racional.

Há algum tempo atrás li um artigo publicado numa revista norte-americana sobre um estudo realizado entre as gravadoras. Na pesquisa, comprovava-se que para um artista de sucesso, cerca de 800 outroseram avaliados e investidos. É quase como ganhar na Megasena da Virada apostando-se apenas um cartão! Em minha carreira já tive alguns projetos que viraram sucessos retumbantes, mas a lista de artistas que ficaram pelo caminho também é muito extensa, na verdade, bem maior do que a anterior. O que podegarantir um projeto de sucesso? Simplesmente nada! Mas eis que estamos diante de uma novidade para o mercado fonográfico e que de alguma forma, diminui sensivelmente os riscos de se apostar em promessas. Estou falando da distribuição digital de conteúdo.

Hoje as gravadoras estão apostando em artistas que possuem relevância nas redes sociais, além de visibilidade em seus vídeos e que conseguem se destacar em meio a todo este frenesi que se tornou a web. Se um artista tem um vídeo com milhares, às vezes milhões de views, já há um forte indício de que temos algo interessante à frente. Antigamente o A&R tinha que correr por bares, festivais, shows em pequenas casas à procura de um artista promissor. Hoje em dia, este profissional tem a web como sua forte aliada. Basta fazer uma pesquisa no YouTube, nas redes sociais ou mesmo no Google para se certificar se estamosdiante de um novo fenômeno ou não.

O primeiro passo hoje para que um A&R arrisque menos no investimento de jovens artistas é justamente utilizar-se da distribuição digital. Em 2013, a Sony Music lançou um novo projeto, o Sony Music Digital, como o próprio nome sugere, trata-se de um projeto piloto em que o artista passa a ter todo o seu conteúdo em áudio e vídeo distribuídos comexclusividade pela gravadora. Nesta parceria, o artista passa a ter não somente o seu disco e vídeos nas plataformas digitais como iTunes, VEVO, operadoras de telefonia, Deezer, entre outros, como ainda passa a ser trabalhado maciçamente nas redes sociais da gravadora, além de ter suporte da equipe da empresa para seus próprios canais. Aparentemente é a redenção para as gravadoras e mesmopara os artistas que passam a fazer parte e ter acesso a todo o ambiente tecnológico sem maiores investimentos ou entraves. Sim, esta é uma parte donegócio, mas engana-se que apenas isto já basta para ter milhares de álbuns vendidos, agenda lotada de eventos ou singles de sucesso.

Como comentaram, Alex e Danilo, nossos parceiros de mídia gospel, erra redondamente o artista que pensa ter atingido o nirvana apenas porque agora faz parte de um selo digital. Neste tipo de parceria, oartista tem papel fundamental para o sucesso da empreitada. É necessário que o artista incremente e trabalhe de forma focada e profissional suas redes sociais. Um artista que tem 10 mil seguidores notwitter ou na fanpage não terá muita relevância para resultados expressivos na venda de álbuns ou singles no iTunes. Observem que o iTunes é como uma enorme biblioteca de conteúdos com milhares e milhares de discos, músicas, conteúdos, cada um buscando a atenção do consumidor. Se o artista não é relevante do ponto de vista de seguidores, as chances do produto ficar criando teias de aranha virtual são enormes! Então, o primeiro passo é incrementar as redes sociais!

Outra questão importante é municiar de conteúdo os canais próprios, principalmente na questão dos vídeos. Quando falamos de vídeos, vamos desde os tradicionais clipes aos Web Vídeos (só o áudio e umaimagem fixa), Lyric Vídeos (áudio e letras em movimento sincronizado), ensaios em estúdio, vídeos tutoriais ou gravações de eventos, só para citar alguns. Quando um artista faz parte de um selo digital é criado um canal exclusivo nas plataformas de vídeo, seja YouTube ou Vevo como no caso da Sony Music Digital. E nestes canais exclusivos, o artista deve incluir farto material para justamente manter ativo e atraente ao público, aumentando assim a visibilidade de seus vídeos e consequentemente a monetização dos mesmos. Além dos vídeos, o artista pode criar álbuns ou singles exclusivos em áudio. Muitas das vezes pode-se gravar uma versão acústica de uma determinada canção ou mesmo uma versão remix. O certo é que plataformas como o iTunes permitem que o artista não refreie sua capacidade de criação e produção, pelo contrário, tudo o que é produzido, mantendo a qualidade é claro!, pode ser lançado nas plataformas. O segundo passo é investir na criação de conteúdo!

Agora, não é porque sua produção é digital que o artista precisa se trancar no quarto de sua casa para conectar-se com o mundo exterior! Nada disso! A estratégia tradicional de ‘ir aonde o povo está’ mantém-se firme e forte mesmo em tempos digitais. Ou seja, nada substitui ocontato pessoal. Nada substitui o trabalho de cantar nas igrejas, de ralar dia a dia à procura de espaços para se mostrar o talento. Já falei nisso antes e repito agora. Muito mal comparando, a igreja é como o barzinho para os cantores seculares! Um artista que não gosta de cantar em igrejas, que está à procura apenas de grandes palcos, está literalmente fadado ao insucesso. Além disso, um artista ‘digital’ precisa trabalhar em sua divulgação da mesma forma que um artista ‘físico’, ou seja, focado no relacionamento com as mídias, especialmente as rádios e programas de TV. E neste caso, até por se tratar do mesmo ambiente, um artista ‘digital’ precisa ter uma grande estrutura de mídia e promoção na web. Hoje em dia já há algumas empresas que se propõe a assessorar os artistas nas mídias sociais. Vale a pena analisar esta possibilidade, mas com muito critério porque há uma enxurrada de jovens “açessores” prometendo ajuda nesta área mas que na verdade só ficam tuitando o dia inteiro. Em terceiro lugar, não deixe de trabalhar nos moldes tradicionais! Vá para a estrada, não escolha agenda, trabalhe muito e também foque na comunicação de forma profissional!

Dependendo do acordo com o label digital, veja a possibilidade de produzir algum material físico, seja um CD promocional ou mesmo um DVD com release e clipes. Há muitos artistas que optam por lançar um CD com embalagem ‘envelope, uma versão mais simples do que o digipack ou jewelcase, a caixinha tradicional de acrílico. Com este material, o artista pode em suas apresentações ter algumtipo de remuneração na venda dos produtos ao público, além de servir como um importante material de divulgação. Mas neste caso, é fundamental que o artista incentive ao máximo a compra do conteúdo digital. O CD promocional tem que ser apenas uma degustação do que o público encontrará na versão digital. Crie uma opção física para incrementar avenda digital.

Se o artista digital conseguir trabalhar de forma organizada estes aspectos, as chances de conseguir bons resultados é bem maior. No entanto, é importante ressaltar, por mais que pareça óbvio, que o artista precisa ter qualidade! O que faz toda a diferença, seja num projeto físico como digital, é a música! A música pode transformar um adolescente do interior num astro pop mundial. Então, antes mesmo de buscar o espaço num selo digital, o fundamental é que o artista tenha conteúdo de qualidade, que tenha relevância, talento e uma boa dose de perseverança! Há inúmeros casos de artistas que foram lançados em selos digitais e que em pouco tempo tornaram-se artistas nos moldes tradicionais de gravadoras como a jovem Marcela Taís e a banda gaúcha Tanlan, atualmente no cast da Sony Music.Fica a dica!

Chego ao fim do texto com meu pescoço doendo horrores, minha coluna ‘gritando’ e minhas pernas formigando. Que coisa! Preciso de uma cama bem confortável e um relaxante muscular urgente! E a senhorinha do meulado roncando a plenos pulmões … que fase!

Obrigado Danilo e Alex Eduardo pelo insight. Vamos em frente!

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, necessitando do auxílio de um acupunturista cearense, torcedor do Fluminense e já sonhando com os camarões, lagostas e todas as iguarias dos próximos dias!

Nos próximos dias certamente teremos muitos textos em produção, afinal depois de muito tempo farei algo que há muitos anos não consegui realizar como em outras épocas, ou seja, voltar a trabalhar diretamente em campo junto às mídias e lojistas locais. Nos próximos 7 diasestarei numa intensa turnê viajando por Goiânia, Brasília, Fortaleza e Vitória. E por conseguinte, certamente teremos muitos insights e algum tempo disponível, mesmo que dentro de algum avião como agora.

Nos últimos dias tenho repetido uma pequena estória, na verdade, uma alegoria para ilustrar algo que me chama a atenção neste momento. Um médico e um veterinário são profissionais com muitas similaridades. Ambos têm muitas matérias comuns na faculdade. Algumas técnicas utilizadas atualmente na medicina, na verdade, foram iniciadas em animais e desenvolvidas por veterinários. Além disso, diversos medicamentos que inicialmente era direcionados ao tratamento veterinário foram adaptados ao uso humano. Ou seja, são duas profissões distintas, mas ambas seguem um conceito muito semelhante e procuram resultados iguais, o bem estar do paciente, seja ele um ser humano ou um animal.

Os dois profissionais têm seu valor e importância primordial na sociedade. No entanto, mesmo diante de tantas semelhanças e concordando que dependendo da necessidade, um veterinário pode até mesmo ser uma boa solução diante de um problema, por qual dos dois profissionais vocêpreferiria ser atendido? Imagino que a resposta esmagadora, senão absoluta,seja pela opção do médico. Isso é o natural! No entanto, neste momento parece-me que em determinadas situações e circunstâncias, certas pessoas têm optado pelo veterinário.

Um dos ditados que constantemente são repetidos em se tratando de aviões e pilotos é aquele que contrapõe experiência versus modernidade. O ditado afirma que é melhor você ter um piloto velho em um avião novo do que justamente o oposto, ou seja, um piloto jovem com um avião velho. O conceito deste ditado é de que a melhor junção é aquela que une tecnologia de ponta com experiência de anos e anos. E confesso, que com tantas e tantas horas de vôo, fico bem mais tranquilo ao embarcar quando me deparo com um comandante com seus cabelos grisalhos e uma aeronave bem moderna.

No dia a dia esta mesma junção precisa ser sempre observada, seja numa simples oficina mecânica ou numa academia de fitness ou seja lá o que for. Experiência, conhecimento da atividade, currículo, cases de sucesso, resultados, conquistas, prêmios, reconhecimento do mercado e dos profissionais, respeito, entre outros, aliados a outros requisitos como modernidade, visão, adequação às novas dinâmicas e exigências do ambiente de negócios, estrutura financeira, competitividade, valorização dos funcionários e clientes, só para citar alguns, são aspectos que devem ser analisados na escolha por este ou aquele prestador de serviços, parceiro oumesmo um contrato comercial.

Estes dois casos ilustram um pouco do que tenho falado e observado nos últimos tempos. O mercado fonográfico talvez seja uma das áreas de negócios que mais se transformou nas últimas décadas. Sem dúvida, é o mercado que mais vezes foi decretado o seu fim apocalíptico e como o Íbis da mitologia grega, sempre vem se reinventando e saindo em meio às cinzas. Em nove de cada dez textos publicados na imprensa a respeito do mercado fonográficosempre há alguma menção às dificuldades enfrentadas pela indústria nos últimos anos. Seja a pirataria, os impostos, as novas tecnologias, a concorrência de outras formas de entretenimento, tudo isto é citado como um entrave à calmaria no mercado fonográfico. E realmente todos estes aspectos causaram um verdadeiro tsunami na indústria nas últimas duas décadas, mas especialmente nos últimos anos, o próprio mercado vem crescendo, buscando novos caminhos e apontando para novas tendências.

O certo é que neste momento, em se tratando de mercado fonográfico, não dá para se arriscar e ser atendido por ‘veterinários’ ou ‘pilotos de avião adolescentes’ que sequer concluíram o segundo grau. Também não podemos optar por profissionais experientes, mas desatualizados que preferem seguir no lema de que em time que se está ganhando não se mexe. Até porque as regras do jogo já mudaram, os campos mudaram, o ambiente mudou … por mais que alguns profissionais ainda insistam em negar as mudanças do mercado, elas efetivamente já aconteceram e irão prosseguir pelos próximos anos.

Especialmente em se tratando de mercado fonográfico, os artistas precisam analisar mais friamente antes da tomada de decisões. Até porque uma decisão em médio e curto prazos podem determinar o sucesso ou fracasso retumbantes! No nosso meio temos muita gente contando estória … e quando estes ‘Monteiros Lobatos’ se encontram com alguns artistas que gostam de ouvir estórias … aí o resultado é terrível! O correto é analisar uma série de fatores e ponderar com equilíbrio se o artista prefere que sua carreira seja cuidada por um “médico” ou um “veterinário”, mesmo que este veterinário possa significar alguns benefícios que aparentemente são interessantes.

Do ponto de vista do mercado gospel estas questões são ainda mais peculiares e determinantes. Nestes últimos dias reuni-me com duas empresas que estarão iniciando atividades comerciais focadas no segmento religioso no Brasil. Ambas empresas de outros países que através de pesquisa decidiram desenvolver projetos específicos para o mercado religioso em nossa região. Ouvi atentamente sobre cada um dos projetos, impressionei-me com a quantidade de informações das pesquisas, com a visão empresarial do negócio em si e, definitivamente achei interessante todo o case. A única dúvida que eu fiz questão de ressaltar aos interlocutores era sobre quem iria desenvolver o projeto com a visão, a mentalidade, a cultura, os contatos deste nicho tão particular. Silêncio absoluto.

Finalizando, gostaria de concluir dizendo que assim como na escolha de um profissional para cuidar de nossa saúde, devemos ter critérios e atenção redobrada na decisão com quem iremos caminhar em nossa jornada profissional.  Aproveitando, quero mais uma vez incentivar aos jovens leitores deste blog para que procurem analisar oportunidades no mercado religioso brasileiro. Sem dúvida, há uma enorme demanda por jovens criativos, novos profissionais, novos players para este mercado em franco crescimento. Precisamos de empreendedores, profissionais de marketing, administradores, publicitários, jornalistas e muito mais! Semdúvida, este é um mercado que precisa de mais “médicos” e neste caso não temos como importar mão de obra de Cuba.

E para completar, gostaria de apresentar o vídeo do presidente da Sony Music em entrevista para O Globo, falando sobre experiências, mercado fonográfico e a experiência da gravadora no segmento gospel.

http://oglobo.globo.com/economia/emprego/3x4o-futuro-o-mercado-de-assinaturas-diz-presidente-da-sony-brasil-11460760

 

Mauricio Soares, publicitário, sobrevivente, consultor de marketing, highlander. 

 

A esmagadora maioria dos textos publicados por aqui no blog são fruto de conversas com amigos, profissionais ou mesmo em encontrosfortuitos com pessoas que vão surgindo em nosso caminho. Este novo post é baseado em uma rápida conversa que tive o prazer de manter com 2 simpáticas pessoas que sequer conhecia até então. Elas foram as responsáveis em recepcionar-me no aeroporto em uma de minhas últimas viagens. No trajeto entre o aeroporto e o destino final fomos conversando sobre os mais variados assuntos até que surgiu o assunto que irei desenvolver a partir de agora.

O sucesso é bom. Muita gente persegue o sucesso. O sucesso pode ter diferentes significados, dependendo do ponto de vista. O sucesso é fruto de trabalho árduo. O sucesso abre portas. O sucesso não é democrático, ele é extremamente seletivo. O sucesso é um risco em si. Podemos ter sucesso de diferentes formas! O que é sucesso para uns, não significa nada para outros.

Sucesso …

Muito me perguntam sobre o que se fazer para alcançar o sucesso. A minha resposta é sempre a mesma, ou seja, acredito que há alguns aspectos que devem ser observados com atenção para alcançar estes objetivos. Do ponto de vista artístico há uma série de pontos que somados podem contribuir para uma carreira de sucesso. Carisma, talento, disposição, inteligência, disponibilidade financeira, estrutura de apoio, visão, conhecimento em marketing, boa apresentação, repertório, entre outras coisas. Mas a ressalva também sempre é a mesma, apesar da conjunção destes fatores, nada garante osucesso. Em contrapartida, para alcançar o fracasso retumbante também há uma série de fatores que somados podem acarretar no verdadeiro desastre. A diferença é que a soma de todos ou mesmo alguns destes fatores, garantem plenamente alcançar-se o fiasco absoluto. Sugiro que vocês leiam um texto publicado aqui mesmo no Observatório um texto sobre este assunto. Segue o link http://www.observatoriocristao.com/site/?p=1321

Como já dissemos anteriormente o sucesso é bom. Mas ele também é uma tragédia se não for bem administrado. E é aí que volto à conversa citada na introdução deste texto. Conversa vai, conversa vem, eis que surge o assunto sobre um determinado cantor de sucesso. Poucos segundos de iniciado este novo tema em nossa conversa, a pessoa foi logo dizendo que aquele artista tinha fechado todas as portas em sua denominação. Não quis me aprofundar no que havia acontecido para o ‘fechar de portas’, mas complementei de que em minhas andanças pelo país este era um fato que se repetia com umaaltíssima frequência. O que por si só já era temerário!

Também em outro texto publicado aqui mesmo no blog, comentei sobre a necessidade de observarmos os exemplos de outros personagens para aprendermos justamente com estas experiências e pouparmo-nos de eventuais problemas. Neste texto inclusive fiz menção ao erro trágico de Hitler de invadir a URSS na 2a Grande Guerra Mundial, em pleno inverno, fato que também havia acontecido na campanha napoleônica e que em ambas ocasiõesacarretaram na derrota dos respectivos exércitos. No ambiente artístico sãoinúmeros os casos de fenômenos que conheceram o sucesso e posteriormente tornaram-se fracassos avassaladores. A sucessão de casos é tão grande que chega a causar espanto como que as pessoas não alertam de que aquela história pode se repetir com si próprio.

O sucesso é bom, mas ele não aceita desaforos. Um dos maiores riscos para quem alcança o sucesso é acreditar que ele é fruto puro e simplesmente de seu próprio esforço ou talento. Não existe sucesso independente! Ninguém alcança o sucesso sozinho. Parece óbvio, mas muitos artistas fazem questão de creditar o seu próprio sucesso a si mesmo. Acho que uma das contra-indicações do sucesso é justamente a perda de memória. Interessante mesmo! Outra mudança comportamental fruto do sucesso é a crença de que tudo o que o artista faz é certo! É impressionante como tem gente (a lista é grande!) que crê que tem algo sobrenatural que o permite fazer as maiores loucuras e ainda imaginar que estas atitudes não terão repercussão negativa para a própria carreira. Como costumo dizer, quando um artista faz sucesso ele veementemente acredita que até o seu suor corporal tem cheiro de perfume francês … oh Lord! (na voz do Lázaro).

Seguindo com a lista de contra-indicações, o sucesso além da perda de memória e da auto-estima exagerada, também gera um pseudo aumento de QI nas mais variadas áreas. É impressionante como que o sucesso parece ampliar do dia para a noite a capacidade intelectual de certas pessoas. O dito cujo que estudou até a quinta série com muita dificuldade, ao alcançar o sucesso, age como se tivesse pós-doutorado em Harvard com especialização emmarketing, administração, design, mídia digital, dress code, fotografia, decoração, culinária, teologia (como tem pastor e pastores no meio artístico, só não sei em qual seminário estudaram ou qual igreja estão atuando, mas que tem, isso tem!!!) e um monte de outras matérias. Ou seja, o sucesso deve trazer o conhecimento por osmose ou simples milagre.

O sucesso também amplia consideravelmente o rol de amizades. O cara de sucesso está sempre rodeado de amigos, todos muito sorridentes. Tudo bem que até tornar-se sucesso, muita gente torceu o narizpara aquele rapaz. Teve gente até que ajudou a bloquear o caminho daquele promissor artista rumo ao estrelato, mas que tempos depois, não perde a oportunidade de sair nas fotos com aquele sorriso largo, fazendo algum gesto característico.  Fotos devidamente postadas e com legendas do tipo “o meu querido irmão”, “o meu amigo do peito” e loas constantes ao sucesso do referido artista são constantes. É fundamental demonstrar intimidade, então apelidos são muito bem vindos!

O sucesso, sem dúvida, melhora o humor! Já viu como o cara que alcançou o ápice da carreira ri de tudo? O cara posta fotos no avião sorrindo … posta fotos diante daquele prato de camarões empanados com todos os seus dentes à mostra … posta fotos fazendo careta mesmo em manifestações públicas de caráter absolutamente sérias … o indefectível KKKKKKKKKKK fazparte de 90% das legendas de seusposts nas redes sociais. O sucesso deve aumentar a produção de endorfina no organismo. Quem sabe?

O sucesso é bom, mas ele é perigoso. Ele pode trazer uma falsa unanimidade. Pode induzir à idéia de que o artista realmente tem o apoio integral de todo o público e isto é uma das maiores mentiras da história. O público não aceita deslizes, mesmo de seus queridos artistas. Da mesma forma que o público se identifica com a arte e o talento daquele determinado intérprete, ele muda de lado ao perceber a transformação do caráter inicial do artista. É muito comum ouvirmos a expressão de que aquele artista era bom até ter o seu trabalho reconhecido em larga escala. O sucesso transforma e em boa parte das vezes, para pior, muito pior. Só não percebe isso quem está inebriado pelo poder deste mesmo sucesso e geralmente a percepção, o bom senso só sãorecobrados quando a água já está no pescoço!

O sucesso é bom. Confesso que trabalho constantemente por alcançar o sucesso em minha profissão. Ele é motivador, instigante, me estimula a buscar conhecimento, a ampliar horizontes. Acho que podemos elencar três pilares fundamentais para o sucesso pleno. O mais comum é associarmos o sucesso às questões profissionais e consequentemente financeiras. Neste caso, foco, determinação, talento, conhecimento, escolhas certas são alguns aspectos que devemos observar com critério. Outro pilar do sucesso pleno é a família. De que adianta ter o sucesso profissional e ser um fracasso no lar? Infelizmente temos inúmeros casos de pessoas extremamente bem sucedidas no âmbito profissional que vivem e viveram catástrofes na família. Nada deve ser maisimportante do que a paz, a saúde, o amor e a dedicação no meio familiar. Osempregos se vão. As empresas se vão. As relações comerciais se vão … os laços familiares permanecem. Busque o sucesso na sua família! Por fim, o terceiro e mais importante pilar, o sucesso espiritual. Propositadamente elenquei os 3pilares em ordem crescente, ou seja, do menos importante para o mais relevante. Nada será mais importante para a eternidade do que uma relação saudável, transparente e de sucesso com o Criador. Podemos ser fracassados profissionalmente, ou até ter uma vida familiar conturbada, mas jamais podemos imaginar uma vida de pobreza na relação com Deus. Sucesso pleno é conquistar os objetivos profissionais mantendo o equilíbrio e a saúde nas relações familiares e mantendo uma vida espiritual intensa e comprometida com Deus. Isso sim é sucesso!

O sucesso é bom … e especialmente no âmbito artístico gospel ele pode ser perpetrado por muitos anos. Basta manter as portas abertas, viver com simplicidade, respeitando-se a todos à sua volta,buscando conhecimento e apoio de profissionais, lideranças e amigos de verdade. Trabalhe como se nunca tivesse conquistado nada! Seja gentil. Nunca creia que as suas conquistas foram fruto somente de seu próprio esforço. Reconheça quem te ajudou no passado. Reconheça o carinho e cuidado de Deus. Jamais caia natentação de caminhar sozinho! Ou seja, siga como um autêntico cristão. Simples assim. O resto é consequência.

 

Boa semana!

Mauricio Soares, jornalista, conversador inveterado e alguém que já conviveu com muitos artistas que alcançaram o sucesso. Uns souberam conduzir muito bem com esta fase e outros nem tanto … mas o sucesso é bom!

A tecnologia deveria facilitar a vida do ser humano e realmente em muitos dos casos é exatamente isso o que acontece. Só que em outros aspectos, esta mesma tecnologia acaba nos tornando pessoas ansiosas, ultra atarefadas e muitas das vezes psicóticas. Me incluo na lista de pessoas que não conseguem se desligar do mundo externo e por conseguinte, dos neuróticos crônicos que não podem deixar de ler as mensagens eletrônicas que insistem em marcar presença em nossa caixa postal, mesmo que isso aconteça em plena madrugada.

Durante o tempo em que acordava nas madrugadas para atender ao choro intenso de meu bebê clamando por uma boa mamada noturna, sempre aproveitava o momento de súbito acordar para conferir se alguma grande notícia havia chegado enquanto eu dormia. Sei … é uma psicose, mas estou me tratando …

Hoje em dia recebo em média 180 a 200 emails em minha caixa postal. Destes, cerca de 50% são relativos diretamente às minhas atividades profissionais. Outros 10% são spams, propagandas diversas e correntes de prosperidade e coisas do tipo. Já os outros 40% são mensagens de pessoas pedindo por algum apoio artístico. Os assuntos vão desde compositores querendo apresentar seus trabalhos até jovens artistas pedindo por atenção da gravadora.

Não sei se há pela web algum site oferecendo dicas ou mesmo textos prontos sobre como se deve abordar um A&R de gravadora. Digo isto porque é impressionante como os temas e abordagens se repetem de forma padronizada.

Há os textos compreensivos … “Sei que o senhor é uma pessoa muito ocupada, mas garanto que não irá se arrepender se dedicar apenas alguns minutos para conhecer a artista …”

Outros que também estão sempre presentes são os descobridores de fenômenos … “O senhor precisa conhecer a cantora Gladyslivia Gomes, ela é um sucesso aqui em Araguaína! Sua música está entre as mais pedidas da rádio online Louvor FM.Contrate-a antes que outra gravadora o faça, fica a dica!”

Mas, sem dúvida, uma das abordagens que mais me chamam a atenção são justamente aquelas que apelam para as questões espirituais. E aí, posso elencar algumas estratégias bem claras e vou me deter em poucas opções para que este texto não fique muito extenso.

“Eu quero muito louvar a Deus! Quero muito falar do seu amor para todas as pessoas. Eu sou uma adoradora e preciso demais que o senhor me apoie neste propósito! Preciso gravar logo um CD!”

Em sua Palavra, Deus nos ensina que ele busca por adoradores, que o adorem em espírito e em verdade! Em outro texto o salmista exalta para que todo ser que respire louve ao Senhor! Em nenhum momento a Bíblia nos ensina ou indica que para tornarmo-nos adoradores devemos entrar em estúdio e gravar um disco!?!?!?!? Não há qualquer relação entre o processo de louvar e adorar a Deus com a necessidade de se ingressar num projeto artístico! E ainda bem por isso! Graças a Deus porque nos permite achegarmos a Ele semmaiores dificuldades, basta apenas um coração puro, contrito, disposto a manter uma relação íntima com o Criador.

É importante que os meus 66 leitores do blog tenham ciência de que adorar a Deus é maravilhoso e um processo individualizado, sem filtros, uma experiência realmente sobrenatural e marcante! Já uma carreiraartística é algo absurdamente trabalhoso, árduo, difícil, um processo de entrega constante, com enormes riscos de insucesso, ou seja, é algo muito, mas muito complicado!

Você já parou para pensar como deve ser entediante cantar as mesmas músicas por longos 18 meses, às vezes muito mais do que isso? Outro dia encontrei um cantor que repetia a mesma canção por (pasmem!) 20 anos! Haja inspiração! Ou então, de como deve ser difícil abrir mão de fins de semana com a família?

Isso para não falar das viagens! Alguns me encontram por aí e dizem na maior cara de pau: “Você nasceu virado para a Lua! Como deve ser bom viver viajando, nos aeroportos,conhecendo pessoas, lugares … ô vidão!” Neste momento escrevo este texto às 21h15 de uma sexta-feira a bordo de um avião com destino à capital federal. Neste próximo sábado estarei conferindo a gravação de um DVD de um artista que sequer faz parte do cast de minha gravadora. Deixei em casa meus 3 filhos eesposa, retornando ao convívio com eles somente na parte da tarde do domingo. Alguém acha que prefiro estar fora de casa, sem meus familiares, tendo que trabalhar em pleno fim de semana? Pois é exatamente isso o que acontece quando você se torna um artista profissional.

Ainda com relação às viagens, é importante salientar que nem sempre se viaja de avião e se hospeda em grandes hotéis. Mesmo artistas do primeiro time como Damares, Shirley Carvalhaes, Mariana Valadão e tantos outros, vez ou outra são ‘surpreendidos’ com hotéis 5 estrelas cadentes, em cima de postos de gasolina, com banheiro coletivo e outras maravilhas pentecostais. Isso sem falar com os banquetes de cachorro quente e coxinhas de frango frias que mais parecem bolas de pingue pongue. Ah! já ia me esquecendo … tem também as ‘pegadinhas’ quando o contratante te diz que depois do aeroporto, ainda vai ser preciso fazer um pequeno trajeto por estrada (de terra) … só uns quilômetros (mais 3 horas de sacolejos!).

Ou seja, não confunda sua vontade de adorar, de louvar, cantar, de ter uma vida dedicada às questões espirituais com a necessidade de lançar-se numa carreira artística! Deus não está à procura de cantores, discos de ouro ou hits empolgantes! Ele quer adoradores e isso inclui cada um de nós, sem exceção, e nesta lista até incluímos os cantores e cantoras, sem distinção!

Outra abordagem tem a ver com uma palavra que ganhou notoriedade surreal nos últimos anos – promessa. É impressionante como as pessoas atualmente se agarram em promessas como se Deus estivesse ali assinando uma nota promissória! Não quero entrar numa discussão teológica, mas efetivamente tenho muitas ressalvas com o uso que as pessoas têm feito deste assunto. Boa parte das mensagens que recebo diariamente têm a citação de que “Deus me deu esta promessa! De que eu gravaria um CD, de que eu teria um ministério”. Como profissional o que eu posso analisar é se o referido indivíduo tem adequação com uma carreira artística, se tem talento, se tem um diferencial, enfim, minhas análises são estritamente baseadas em critérios técnicos, nada além disso! Agora, se Deus realmente te escolheu para levar a Palavra aos quatro cantos do planeta … então, com talento ou não, Ele simplesmente irá fazer isso! É uma questão simples de soberania. Ele tudo pode! E não é um A&Rzinho que irá barrar esta decisão. Não mesmo!

Sempre uso como exemplo o que aconteceu com o Irmão Lázaro. Se há tempos atrás o disco dele caísse em minhas mãos para ser avaliado, as chances de eu contratá-lo são as mais remotas possíveis! Tecnicamente, o disco que o catapultou ao estrelato no meio gospel anos atrás era de uma simplicidade absurda! Mas aí, entra um fator que nem eu nem qualquer profissional do mercado tem qualquer ingerência, a soberana vontade de Deus. Ele quis … simples assim! Resultado: mais de 1,5 milhão de discos vendidos de forma independente. O resto é história!

Então, já concluindo este texto, se você pretende seguir uma carreira artística saiba que a estrada é longa e muito difícil! Muito melhor e mais prazerosa é a opção de simplesmente sermos adoradores do Deus Vivo. Ele não nos pede nada, nem disco, nem estratégia, nem técnica, nem mesmo talento ou afinação, somente sinceridade em nossos lábios!

Vamos adorar, sempre!

Mauricio Soares, jornalista, consultor de marketing, adorador sem nunca ter gravado um CD, pai, blogueiro e um recém apaixonado pelas belezas naturais de Santa Catarina. Simplesmente top!

Chego ao fim de 2013 com todas as minhas baterias pedindo socorro! Precisam ser recarregadas imediatamente com risco total de pararem de uma hora para outra! Sem dúvida, este foi um ano de grandes desafios, muito trabalho, grandes mudanças e muito, mas muito stress e tensão. Mas como Deus sempre tem um carinho especial (completamente imerecido, que fique bem claro!), chego ao fim deste ano com a sensação clara de que os resultados foram muito além do que esperava e almejava.

As grandes transformações que eram esperadas e mesmo planejadas no mercado fonográfico definitivamente aconteceram a partir de 2013. É impressionante como podemos confirmar tendências que foram percebidas há 2, 3 anos atrás que neste ano se tornaram realidade. Uma das mais visíveis, sem dúvida, é o crescimento do mercado digital e o afunilamento do mercado em se tratando do número de players. Chegamos ao fim de 2013 comemorando mais 2 contratos de parceria onde passamos a assumir todo o processo de distribuição de labels. Agora, já são em 5 o número de gravadoras que passam a ser administradas pela Sony Music, sendo a mais recente, a gravadora Dos3 Music.
Nesta época do ano sempre nos deparamos com as listas dos mais mais do ano … é um tal de lista do mais chique, do mais mala, do maior mico do ano, das grandes catástrofes, as grandes tragédias, os grandes sucessos e por aí vai. Então, para não ficar nesta mesma tendência, este post (certamente um dos últimos de 2013) irá elencar não os grandes fatos de 2013, mas destacar alguns dos prováveis nomes que poderão se destacar no mercado gospel nos próximos anos. Este é um exercício de análise e projeção. Preste atenção! Não se trata de nenhuma ‘profecia’, ‘uma palavra liberada’, ‘mãe Dinah gospel’ ou qualquer outra coisa que se assemelhe. Apenas vou de forma muito light, destacar alguns jovens artistas que eu creio e torço para que se destaquem num futuro não muito distante.

O ano de 2013, sem dúvida, foi o ano do boom de um jovem artista gospel de Goiânia. Ele não canta, não dança, mas justamente põe todo mundo pra se mexer ao som de seus loops, bate estacas e elevados decibéis. Estou falando de DJ PV, que em minha modesta opinião, é o que de mais criativo e novo surgiu no meio gospel nos últimos 3 anos. O rapaz chegou com toda sua estrutura, foco e atitude e tomou conta do pedaço, sendo hoje a maior referência de música eletrônica no segmento gospel em todo o país. Não tenho a menor dúvida de que 2013 foi o ano de posicionamento deste artista no meio. Mas efetivamente aposto todas as minhas fichas de que em 2014 será o ano da consolidação e popularização deste artista em todo o cenário nacional.

E de Goiânia vem mais duas boas apostas para 2014. Em 2013, o Ministério Pedras Vivas decidiu-se por ampliar sua área de atuação para além de Goiás e de forma muito organizada e atuante, suas canções tiveram excelente repercussão em praças competitivas como São Paulo e Minas Gerais. O CD Oceano de Amor vem conquistando excelente repercussão nas mídias, igrejas e junto ao público. Num universo onde por anos reinaram as músicas do Ministério Diante do trono e Renascer Praise, é importante perceber o surgimento de mais uma opção no meio da música congregacional. Outro artista jovem de Goiânia que estou curtindo e acreditando ser uma boa promessa no futuro é Léo Brandão que recentemente lançou o álbum “Infinito Amor”. O rapaz mescla um honesto som pop com bases eletrônicas, algo bem moderno e agradável. A proposta é bem teen com influências bem contemporâneas. Vale a pena conferir um clipe que lançou meses atrás da canção “Teu Amor Não Tem Fim”.

Saindo do Centro-Oeste, sigo em direção à São Paulo e me deparo com uma jovem cantora que conheci recentemente e que me impressionou muito pela qualidade de seu disco. Estou falando de Sarah Renata com seu projeto “Princípio” (IVC). Não consegui obter muitas informações sobre sua carreira, perfil ou mesmo clipes. Acho que isso ainda pode ser melhorado bastante daqui em diante, mas o que pude ter acesso ao seu projeto (e talento) já me chamou muito a atenção. Este disco foi produzido por Lito (não sei é o Atalaia) e contou com participações de Felipe Valente, Baruk, Rachel Novaes e Nayane Soares. Ainda em São Paulo, outra artista que vem me chamando especial atenção e que eu torço pelo sucesso é a jovemRoberta Spitaletti. Inclusive já a mencionei em algum texto publicado aqui mesmo no Observatório Cristão meses atrás. Esta é uma cantora que me surpreende a cada novo vídeo ou apresentação. Além de cantar e compor de forma diferenciada, ainda toca violão com grande eloqüência. Vale a pena conhecer um pouco mais desta artista.  Seguindo ainda por Sampa, tenho acompanhado à distância o crescimento de Jéssica Augusto. A cantora que se destacou em grupos corais, hoje é considerada como uma das mais promissoras artistas mesclando pop, pentecostal e black music. Potência e carisma à flor da pele! Um dos eventos que mais me doeu não ter marcado presença foi justamente a gravação de um projeto com esta cantora durante a Semana de Arte Cristã promovida pela Salluz.

Assim como o DJ PV, mencionado no início deste texto, outro artista que consolidou-se em 2013 e certamente dará um salto ainda maior em 2014 é a dupla André e Felipe. De forma contundente, essa dupla que veio com força a partir de Joinvile/SC tomou conta do segmento pentecostal sertanejo chegando ao ponto de 22 eventos em único mês. Algo realmente impressionante! Opinião unânime entre locutores, lojistas, músicos e profissionais do segmento, André e Felipe estão alguns degraus acima dos demais em se tratando de música sertaneja no meio gospel. E seguindo esta mesma toada, os irmãos talentosos e simpáticos, bem estilosos, têm tudo para fazer 2014 com enorme sucesso!
Como alertei anteriormente, este post não seria um tratado final. Seria apenas uma análise bem light do que está acontecendo e do que pode acontecer de positivo na carreira de alguns artistas no próximo ano. Certamente poderemos incluir alguns nomes em outros textos mais à frente. É o que temos pelo momento!
Um grande Natal e um 2014 de muita paz, amor, saúde, música de qualidade e como já mencionei em meu Instagram dias atrás, com menos decibéis! Chega de tanta gritaria no meio gospel.


Mauricio Soares, publicitário, jornalista, palestrante e um profundo observador do mercado fonográfico. Aproveito este espaço para agradecer ao departamento jurídico da Portuguesa por ter feito tanta trapalhada a ponto de permitir que o meu Fluminense permanecesse na primeira divisão.