Home Maurício Soares

Acho muito interessante como de tempos em tempos me pego repetindo mesmos assuntos para diferentes momentos e interlocutores. Me parece que há alguns temas que se tornam mais relevantes em determinadas épocas e com isso acabo sempre voltando ao tema em conversas com amigos. Talvez euseja mesmo repetitivo …

Ultimamente tenho falado muito sobre a diferença entre ‘fenômenos’ e artistas consolidados. Creio que pelo menos nas duas últimas semanas tive umas 5 ou 6 conversas especificamente para tratar deste tema. E com tantos subsídios, tomarei a liberdade para expor um pouco mais sobre esse assunto nas próximas linhas deste texto. Texto por sinal, escrito durante o voo entre a capital fluminense e Curitiba onde irei participar de algumas reuniões e à noite prestigiarei a inauguração de mais uma filial da Livraria Luz e Vida. Fico muito feliz em ver novos canais de venda sendo inaugurados, isso demonstra que estamos diante de um mercado em ebulição e franco crescimento.

A carreira artística talvez seja uma das mais inconstantes profissões que temos conhecimento. Longe da tranquilidade e estabilidade de um serviço público, a vida artística é algo mais instável do que ações da Bolsa após crises econômicas mundiais. Um artista vive essencialmente de sua capacidade de se reinventar e de trazer algo realmente interessante e atraente ao público, mídia e mercado. Temos inúmeros casos de artistas de “uma música só”, compositores que escreveram um único sucesso, cantores de uma determinada época e coisas do tipo. Se analisarmos alguns casos de sucesso não continuado poderemos perceber que boa parte destes tem uma similaridade em suas trajetórias de sucesso avassalador e fracassos retumbantes. Sem dúvida, a falta de um novo projeto artístico de qualidade na sequência é um fator bastante recorrente. É impressionante como determinados artistas e compositores foram capazes de interpretar e criar músicas antológicas, lançarem discos fantásticos e logo em seguida, decepcionarem atodos com uma nova produção sofrível. E para isso há uma série de aspectos que podem ser elencados de forma muito clara, tais como: arrogância pelo sucesso, erro na avaliação de um novo repertório, mudança radical de estilo, deslumbre, falta de estrutura de apoio, entre outros.

Mas além da questão artística propriamente dita, um outro aspecto precisa ser analisado em se tratando de uma carreira efêmera ou sólida. Talvez o planejamento de uma carreira artística seja tão ou mais importante do que a escolha de um repertório, produtor musical ou a parceria com uma gravadora. Em minhas andanças pelo país e conversando com centenas de cantores e aspirantes ao estrelato, percebo claramente a falta de um plano de ação para médio e longo prazos. Em geral, estes artistas não conseguem planejar mais do que 12 meses pela frente e, em geral, esse planejamento ‘de longo prazo’ (só que não!) está relacionado à data de lançamento de um novo CD. Nada a ver com investimentos, metas, objetivos, planos! E esta falta de avaliação das possibilidades futuras tem levado muitos artistas, especialmente do segmento gospel, a encurtarem sensivelmente as suas carreiras e seus respectivos potenciais de sucesso.

 

Uma decisão mal feita tem resultadosdiretos e muitas das vezes a curto, médio e longo prazos!

 

O grande desafio hoje em dia para um artista no meio gospel é primeiramente se destacar em meio a tantos outros. A ‘concorrência’ atualmente é típica de vestibular de medicina para faculdades federais. É muita gente querendo seu lugar no palco dos grandes eventos, igrejas, festividades. Recebo em média, 15 a 20 CDs por semana para avaliação. É gente de todo canto do Brasil e muitas das vezes de outros países. Pelo correio eletrônico de contato da gravadora, são em média 20 a 30 mensagens de apresentação por dia! É muita gente querendo ter uma carreira artística. E o mais interessante nestes casos são as estratégias e mensagens que recebo. Confesso que muitas das vezes dou gargalhadas intensas com as mensagens que nos chegam. Ontem mesmo recebi uma mensagem de um postulante a cantor que no título do e-mail estava em letrasgarrafais: “Sou o que vocês precisam!” – simplesmente fantástico! Um dia irei escrever um texto somente sobre essas ‘abordagens’.

Ultrapassado o desafio de romper com o anonimato, o artista está longe de ter alcançado o nirvana. Pelo contrário! A partir de um mínimo reconhecimento por parte do público e da mídia, o artista deve superar todas as expectativas e realmente mostrar o seu diferencial. Hoje em dia não adianta ter só talento, o artista precisa ter um diferencial, uma proposta própria que o destaque dos demais. Além de buscar sempre o melhor repertório, o artista tem que investir em sua carreira e divulgação. E aí é outro problema enorme, pois geralmente os investimentos são altos e a garantia de retorno inexiste. A contribuição de pessoas experientes no meio é fundamental para poupar de ações infrutíferas e dinheiro desperdiçado. Corra dos ‘vendedores de facilidades e ilusões’! Então, mesmo que você seja um jovem artista, a necessidade de um planejamento de carreira é fundamental. Estabeleça suas metas, prazos, avalie seus pontos fracos e fortes, pense sua carreira!

Hoje em dia o artista não precisa ter ‘só’ o talento. É necessário um diferencial!

A diferença entre um artista ‘fenômeno’ e ‘consolidado’ reside basicamente na forma de condução de sua carreira. Um artista ‘fenômeno’ geralmente é aquele que alcançou o sucesso num tempo menor do que o habitual. E por isso mesmo, muito do aprendizado que se adquire com o tempo é deixado de lado e com isso, muitos erros são cometidos ao longo do caminho. Há artistas neste naipe que conseguiram alcançar o sucesso em pouco tempo e nesta mesma velocidade conseguiram fechar portas com pastores, mídias, lojistas, promotores de shows e mais uma fila de gente. O alerta que semprefaço é de que o sucesso faz com que as pessoas acatem essa ou aquela falha do artista, afinal naquele momento ‘ele é o cara!’. Mas basta uma pequena oscilação ou mesmo queda de popularidade deste mesmo artista para que todosaqueles que simplesmente ‘engoliram’ o estrelismo do pop star, passem a deixá-lo de lado e mesmo fechar portas e oportunidades, no melhor estilo ‘roda gigante’.

O artista ‘fenômeno’ não pode se iludir imaginando que os tempos de ‘vacas gordas’ durarão ad eternum. Conversando com o cantor Leonardo Gonçalves e alguns amigos curitibanos em meio a um jantar super especial, justamente este tema veio àbaila. E uma das frases do Leonardo que me chamou a atenção foi justamente o tempo ‘de vida útil’ de um artista. Na opinião dele, uma carreira de um cantor dura em média uns 15 anos e das mulheres um tempo bem maior. E acreditando nisso, o próprio Leonardo já vem desde já se preparando para esta segunda fase de sua carreira. Isso é planejamento!

Ainda nesta mesma conversa, o próprio Gonçalves também comentou que o artista se ilude com o sucesso achando que isso ocorre basicamente por seu próprio desempenho. E de acordo com ele – e nisto eu concordo plenamente! – o sucesso se dá pela melodia, pela qualidade musical. Basta analisarmos alguns cases recentes de sucesso para chegar à conclusão de que a música tornou-se sucesso, muitas das vezes até mesmo, apesar do seu intérprete. Então, neste caso, fica ainda mais perceptível de que para um artista tornar-se consolidado, a preocupação na escolha das melhores músicas é questão de sobrevivência. Por isso, é injustificável que o artista inicie um disco sem ter o melhor repertório que possa selecionar. Não entendo como existem artistas que preocupam-se com o figurino, com as cordas de Praga, com o fotógrafo, com o designer e, em contrapartida, dão tão pouca importância ao processo de seleção de músicas para o repertório.

Especialmente no meio gospel, um artista consolidado é aquele que possui agenda intensa, com eventos em igrejas e grandes shows. Engana-se o artista que se jacta por ter apenas shows vendidos para prefeituras ou grandes festas. Nestes locais, o artista é apenas entretenimento, ou seja, é apenas uma atração. O lugar onde se forma público, onde se conquista respeito e admiração é justamente nas igrejas, independente se estas são megatemplos ou diminutas congregações de periferia. Ainda sobre a questão da agenda, o artista consolidado é aquele que deixa as portas abertas por onde passa. Diferente de alguns que simplesmente deixam um rastro por onde passam, ou seja, criam tantos problemas e inimizades que jamais pisarão novamente naquela cidade ou região. Isso é como um rastilho de pólvora! Um pastor ou promotor de evento maltratado, desrespeitado, não medirá esforços para divulgar e propagar a respeito da performance ou atitudes daquele determinado artista. Uma fama negativa em nada contribui para tornar um artista em consolidado.

Neste momento, o mercado fonográfico passa por profundas transformações. Especialmente no segmento gospel há uma série de alterações no quadro que merece muita atenção. Há um claro movimento de concentração de labels em parceria com grandes gravadoras. Também é perceptível a mudança de prioridades e postura de determinadas gravadoras, especialmente àquelas ligadas a denominações. Algumas destas gravadoras simplesmente estão sendo descontinuadas, outras mudaram o foco deixando de ser competitivas e priorizando apenas o consumo interno de seus fiéis e líderes. Há ainda empresas que insistem em seguir com estratégias que funcionaram muito bem no século passado, mas que hoje são absolutamente obsoletas e anacrônicas. Ou seja, cada vez teremos menos players neste mercado e também é motivo de atenção ao artista que pretende se tornar consolidado, saber optar pela melhor parceria com quem caminhar.

 

Fique atento às mudanças do mercado.Observe e antecipe-se às grandes transformações!

Este texto começou a ser escrito durante o voo para Curitiba e agora finalizo-o no saguão de embarque retornando à Cidade Maravilhosa. Um grande abraço a todos e espero contar com sua visita nos próximos dias!

 Mauricio Soares, publicitário, palestrante, consultor de marketing

Dias atrás um compositor comentou comigo pelo twitter a respeito de uma música escolhida como single de uma determinada artista. No comentário ele fez questão de destacar a qualidade dos mais recentes singles lançados por nós e vibrava com o ‘acerto’ de mais uma escolha. A minha resposta de imediato foi agradecer pelo carinho, mas em seguida fiz questão de frisar de que aquela era somente mais uma etapa de um processo muito mais prolongado. E, por fim, fiz questão de comentar sobre a dificuldade que temos em nosso meio de ‘estourar hits’ nas mídias evangélicas.

Esta troca de mensagens nas redes sociais é o insight inicial para este post. Confesso que além da falta de tempo, tenho sofrido um pouco com a escassez de temas interessantes para o blog. Como sou muito crítico e criterioso, não saio publicando qualquer coisa, pois mesmo entendendo que apenas meus 60 e poucos leitores assíduos anseiam por novos textos, devo tratá-los com toda a atenção e carinho. Afinal, são os meus 60 leitores!

Estou no mercado evangélico já faz pouco mais de 24 anos, destes, pelo menos 18 anos dedicado exclusivamente à área artística musical. Tenho algumas centenas de produções em meu currículo, entre discos e DVDs. Poucos são os artistas de primeira linha que não tiveram uma relação de trabalho comigo nestes anos e isso me orgulha muito. E ao longo destes anos, sem dúvida, o momento crucial de qualquer projeto é justamente a fase de escolha de repertório. Isso simplesmente não muda! Pode ser na época do vinil ou agora em tempos de downloads e todas as modernidades da época digital. Tanto faz! O que torna um artista ou um projeto em sucesso, é justamente a música e sua qualidade, sua proposta, sua execução, sua performance. Uma música precisa emocionar. Arrepiar. Mostrar sua força e realmente mudar o ambiente. Isso é sucesso e só se encontra música deste naipe através de muita pesquisa. Muito trabalho. Muita transpiração.

Um A&R, profissional especializado na escolha de repertórios e na condução de projetos artísticos, está diuturnamente à caça de hits. Está sempre à procura de uma música especial, diferenciada. E confesso que ainda hoje, quando me deparo com um hit, a sensação é a mesma de anos atrás. Simplesmente a música ‘cola na pele’, nos traz uma sensação de que há algo diferente, especial naquelas notas, palavras, sonoridade. Ter um hit nas mãos é algo mágico! É impressionante em meio a uma audição perceber as reações das pessoas ao terem contato com um hit. Os semblantes se modificam, a música é acompanhada pelos dedos frenéticos como se necessitasse de percussão, as pessoas balbuciam a letra da música como se íntimas já fossem daquela canção. Como já disse anteriormente, o hit muda o ambiente.

Também recentemente vi em uma troca de mensagens no Twitter ou Facebook (não me lembro bem) uma determinada pessoa comentando que a música de um  artista tinha unção, arranjos especiais, algo diferente … e que nem sempre as músicas dos Top 10 das rádios eram as que tinham maior qualidade. Lendo estes comentários, mais uma vez me veio oinsight para este texto. A verdade é que hoje temos uma produção musical no meio gospel nacional bastante diferente do que temos ouvido nas FMs pelo país. E aí, volto à troca de mensagens citada no início deste texto. A gravadora, o artista, o produtor, todos estão empenhados em produzir e oferecer músicas de qualidade para o público. O problema é que nem sempre as rádios, maiores parceiras de divulgação da música, estão empenhadas em abrir espaço para os artistas e canções que realmente têm qualidade! Já escrevi um texto aqui mesmo no blog comentando os critérios (e a falta deles) na seleção das “mais tocadas” ou mesmo das músicas selecionadas para se executar nas rádios gospel pelo país. Vale a pena pesquisar no blog e conferir este texto.

Basta uma simples audição em algumas emissoras de rádio nas principais cidades do país para se observar que a playlistnão necessariamente dá espaço aos artistas com as melhores canções. Entendo que cada região tem sua peculiaridade, seus gostos, sua cultura e não posso querer uma padronização artística nacional, mas em contrapartida, também precisamos concordar que não temos no meio artístico gospel, artistas regionais como há na música secular, como por exemplo, a música gaúcha, carimbó, frevo e outras manifestações artísticas. A música gospel brasileira é basicamente pentecostal, MPB, pop, rock, adoração e dois ou mais poucos estilos, ou seja, as diferenças regionais são muito pequenas. E isso apenas reafirma que boa parte dos artistas e músicas no nosso meio devem seguir alguma lógica, uma certa tendência, uma playlist um pouco mais comum, mas não é isso o que observamos por estas plagas.

Hoje em dia, no meio gospel, os artistas consagrados, detentores de uma longa estrada no segmento, não têm acesso facilitado em boa parte das emissoras de rádio. Muitas das vezes, estes grandes nomes são tratados como qualquer outro artista iniciante. Ou seja, no meio gospel, entre boa parte das rádios, antiguidade não é posto, contradizendo o dito popular. Como podem artistas do calibre de Shirley Carvalhaes, Cassiane, Fernanda Brum, Aline Barros, Fernandinho, Damares, Lázaro, Kléber Lucas e tantos outros, terem que ter algum tipo de investimento para que suas músicas sejam executadas na programação de emissoras de rádio? Também entendo que nem sempre o single proposto pela gravadora é a melhor opção para uma ou outra emissora e região, mas não posso acreditar que entre 10, 12, 14 músicas de um disco, de artistas deste calibre, não tenham uma mísera canção que possa ser executada nestas emissoras! E se para os artistas mais reconhecidos já é difícil, imagina então para os jovens iniciantes?!?!? Aí já é um suplício total!

Com o crescimento da web, cada vez mais as rádios terão concorrência e o poder de decidir se esta ou aquela canção será sucesso, será diminuído sensivelmente. Isto é fato! Hoje temos artistas que se tornaram sucesso, inclusive no meio gospel, sem necessariamente que suas músicas entrassem na programação de emissoras de rádios. Atualmente já temos artistas que foram contratados por gravadoras e que são divulgados essencialmente pelo trabalho realizado na internet. Mas ainda assim, a força de massificação e promoção da rádio mantém-se muito forte! E minha campanha é para que as emissoras do meio gospel mudem a forma de lidar com a música e os artistas. Não dá mais para fechar os olhos para esta realidade! Audiência se consegue com músicas de qualidade, se conquista com uma programação bem feita, adequada ao perfil do ouvinte, do consumidor.

Me entristece muito ter tanto esforço em conseguir produzir um trabalho, em selecionar uma música de qualidade e muitas das vezes esta mesma música não estar entre as playlists de algumas emissoras do segmento pelo país pelo simples fato de uma vontade própria do dono da emissora ou de algum acordo em especial. Por causa desta política errônea, o povo evangélico está sendo penalizado a consumir muitas das vezes uma sub-música, um sub-produto de qualidade nada duvidosa. Mas ainda assim, a palavra que eu deixo a todos os profissionais envolvidos com a arte, com a música, sejam artistas, produtores, compositores ou mesmo A&R e gente do mercado: não deixem de investir na boa música, na qualidade, na criatividade, na poesia, no talento! Não podemos nos amoldar às tendências e aceitar simplesmente de forma passiva às exigências impostas por esta ou aquela empresa ou grupo. Temos um objetivo maior e que não pode ser deixado de lado, jamais! Nossa missão é levar a Palavra de Deus através da música e de fazer isso como adoração a Deus. E como tal, Ele merece o nosso melhor, sempre, mesmo que a mídia não dê espaço para o seu trabalho. Não desanime e não perca o foco: qualidade sempre!

Então, pra finalizar, quero completar este texto relembrando a conversa com meu amigo compositor. A escolha de umsingle é apenas mais uma fase do processo. Trabalhamos muito para que a boa música chegue ao público e isto demanda boa parte de nossos esforços como profissionais. Mas esta é uma batalha cotidiana, diária e em muitas das vezes, temos conseguido romper com todas as barreiras e fazer que esta canção alcance o maior número de pessoas. Vamos em frente!

Mauricio Soares, publicitário, alguém que diariamente luta pela divulgação e distribuição da boa música, jornalista, pai de 3 rapazes, consultor de marketing. Atualmente ouvindo muito o mais recente disco de Mariana Valadão, “Santo” , “Paz e Amor” com André e Felipe e Kelly Clarkson  com “Wrapped in”. Fica a dica!

Muita chuva no Rio. Aeroporto lotado. Vôos cancelados (inclusive o meu!). Filas enormes. Remarcação de vôo. Aeroporto fechado para pousos e decolagens. E eis que depois de muita espera finalmente começo a escrever este texto seguindo na direção de Campinas, São Paulo.

Ontem tive uma reunião com uma jovem cantora. Na verdade, foi mais uma consultoria, um trabalho de coaching orientando-a sobre estratégias, carreira, mercado fonográfico e tudo mais. Em dado momento de nossa conversa ela me mostrou um Lyric Video que havia produzido há algum tempo atrás. Aproveitei a oportunidade e também fiz questão de apresentar o nosso mais recente Lyric Video da canção “Só Uma Frase”, single do novo álbum de Mariana Valadão.

Os dois projetos são muito bons! A qualidade visual ficou excelente e cada cena apresentada realmente demonstra muita preocupação com o produto final. No entanto, os dois Lyric Videos têmpropostas e resultados bem distintos. E sem perder muito tempo vou comentarneste post algumas ferramentas interessantes e inovadoras que o mercado fonográfico vem utilizando ultimamente.

Então, começando pelo Lyric Video este projeto nada mais é do que um vídeo onde a música é divulgada no áudio original acompanhada pela letra da própria música. Em muito grosso modo, seria uma espécie de karaokê onde se tem a música e o acompanhamento simultâneo da letra.

Depois de entender do que se trata, partimos para os detalhes. O Lyric Video tem como principal objetivo divulgar uma música, emgeral o single do álbum já nos primeiros dias de lançamento do projeto. Não adianta lançar um Lyric Video depois de meses e meses da música ter sido lançada no mercado. Esta ferramenta é uma forma de oferecer ao público uma ‘degustação’ da música muito antes de se conseguir produzir e lançar um vídeo clipe oficial. Então, a função do Lyric primordialmente é divulgar uma música no mais curto espaço de tempo de lançamento do projeto. E como ferramenta de divulgação, o projeto deve seguir o projeto visual do próprio álbum. As fotos internas, capa, tipologia, tudo isso deve ser usado como background do vídeo.

E neste caso, é importante que fique claro para todos que o Lyric não precisa ser em 4D, ter telas mirabolantes, animações,nada disso! A proposta é tão somente agilizar a divulgação de uma canção. Afixação da imagem do álbum, do artista e da letra da canção são os objetivos reais desta ferramenta.

Uma outra opção semelhante ao Lyric Video é o Pseudo Video. Neste caso, o processo é ainda mais simples. Apenas constam no vídeo, a imagem estática do CD e o áudio da canção. É a versão mais simples desta ferramenta. EM alguns casos, o Pseudo pode ter a letra acompanhando o áudio, mas ainda assim de uma forma mais simples e estática.

Mais uma vertente é o Lyric Video com Cifras. Neste caso, temos a mesma proposta do Lyric Video tradicional com a inclusão das cifras. Para os músicos, é uma ferramenta e tanto de aprendizagem. Ainda há poucos vídeos deste formato na web, mas com uma busca um pouco mais refinada podemos encontrar alguns destes vídeos.

Verdadeira febre há tempos atrás no meio dos artistas, a twitcam agora passa a ter outra opção de interação com o público. O HangOut é uma ferramenta baseada no Google Plus e que vem crescendo bastante nos últimos tempos. A grande diferença neste novo modelo é que o vídeo automaticamente fica arquivado no canal oficial exclusivo do artista no YouTube. No HangOut, outra diferença importante, o tempo de realização da ação leva em média entre 20 a 30 minutos. Há possibilidade da duração se estender, mas a indicação dos próprios gestores do projeto é que o tempo ideal deste tipo de ação seja mesmo até os 30 minutos.

Uma ferramenta, até relativamente óbvia, mas ainda pouco utilizada pelos artistas do meio gospel é o vídeo tutorial. O que em poucas palavras é um músico e/ou o próprio artista ensinando em detalhes como se executa uma canção. Basicamente é uma câmera na mão, uma idéia simples na cabeça e paciência e clareza na explicação de cada acorde da música. Geralmente estes vídeos são gravados em estúdios, mas nada impede que seja gravado no jardim, na praça, na igreja ou até mesmo no quarto. Pra ilustrar bem esse projeto, sugiro que você pesquise no YouTube o vídeo em que Samuel Rosa do Skank ensina o público a tocar a música “Sutilmente”. Em tempo, esta canção foi um dos grandes sucessos recentes da banda e este vídeo, em especial, está próximo a 500 mil views.

No meio gospel, em especial, o sucesso de uma música pode ser medido a partir do momento em que esta passa a ser executada nas igrejas pelo país. Isto pode acontecer até mesmo antes de ouvirmos tocando esta mesma música nas rádios. Quando uma música ‘emplaca’ entre os hinos que são ministrados nas igrejas, aí temos um grande indicativo de que esta música tem chances de se tornar sucesso nacional. E é justamente para que as igrejas, o público e até mesmo a mídia, conheçamesta canção, que estas ferramentas citadas neste post devem ser exaustivamente utilizadas.

O lançamento de um single ou mesmo um vídeo nas plataformas digitais, antes da chegada do álbum no mercado, também é uma mudança importante no mercado fonográfico, mas neste caso, falamos mais de estratégia do que de ferramentas. Então voudeixar este tema para um outro post que espero poder escrever em breve e publicar aqui no Observatório Cristão.

Confesso que tive ultimamente uma falta de criatividade aguda aliada a uma terrível falta de tempo e por isso a escassez de textos inéditos no blog. Espero que nas próximas semanas eu consiga reverter essa tendência de baixa produtividade.

 

Um grande abraço aos 66 leitores assíduos!

 Mauricio Soares, publicitário, jornalista, consultor. 

 

Depois de quatro dias intensos de curso em Buenos Aires, regresso ao meu país com a certeza de que estou no lugar certo e convicto de que ainda posso contribuir muito para o crescimento da música, especialmente da música cristã em toda a América Latina. Estes últimos diasforam muito cansativos. Acordávamos pouco depois das 6 da manhã e já às 7 estávamos todos ‘dispostos’ para uma sessão intensa de exercícios físicos. Um dos pilares deste curso é o conceito de que para desenvolver-se profissionalmente, antes de mais nada precisamos cuidar de nossa saúde. E é impressionante como praticamente todos os 21 participantes do curso reclamaram de dores, estavam fora de forma e acima do peso ideal. Como é fácil deixar de cuidar de si mesmo e focar todas as atenções para a carreira profissional e outras atividades!Particularmente me conscientizei de que preciso mudar urgentemente meus hábitos sedentários e passar a praticar atividades aeróbicas e mais saudáveis. Espero que esta consciência permaneça após desembarcar de volta ao Brasil! A maratona diária acabava por volta de meia-noite e chegávamos ao quarto do hotel completamente exaustos.

 

Para este curso foram selecionados 21 profissionais de diferentes áreas – marketing, finanças, artístico, operacional – e de diferentes países da região Latin Iberia. Fiquei extremamente lisonjeado por fazer parte deste seletíssimo grupo e ainda mais satisfeito pelos resultados do curso em si. Durante estes dias falamos muito sobre liderança, objetivos e desenvolvemos técnicas para reuniões e alcance de metas, soluções de problemas e coisas do tipo. Espero utilizar muito do que aprendi nestes dias. É muito importante aproveitar estas oportunidades para analisar suas ações e principalmente reciclar ideias. Sempre descobrimos coisas novas, temos acesso às últimas tendências e tecnologias. Nosso segmento vem sendo transformado sistematicamente pelas novas tecnologias, mudando radicalmente hábitos, tendências e apontando para novos caminhos. No entanto, um dos grandes momentos e destaques destes dias não tem a ver com o frescor da juventude, com a intensidade do moderno, com tendências ou inovações.

 

Entre os 21 escolhidos, tínhamos uma mescla muito interessante de ‘dinossauros’ da indústria com jovens promissores e, ainda alguns outros profissionais com uma certa experiência de mercado e entre estes me incluo, gente com 15, 20 anos de estrada. Entre os mais experientes, 2 me chamaram a atenção, em especial. O primeiro é meu companheiro de trabalho no Brasil, Sergio Bittencourt, um profissional com quase 45 anos de atuação naindústria fonográfica e atualmente Vice-Presidente A&R da Sony Music noBrasil. Tenho o prazer de atuar lado a lado com este ícone do mercado, um profissional que trabalhou e trabalha diretamente com nomes do quilate de Zezé di Camargo e Luciano, Roberto Carlos, Tom Jobim, Elis Regina, Victor e Leo,Joanna, Milton Nascimento, Gonzaguinha, Djavan, Legião Urbana, entre outros e outros e outros! Sempre que posso, paro para ouvir as histórias, visão do negócio, experiências e tudo mais contado por Serginho, que é como carinhosamente todos o chamamos. Para mim é uma oportunidade inigualável ter acesso a tudo diretamente na fonte.

 

Outro personagem é Manuel Cuevas, Vice-Presidente de vendas da Sony Music México com mais de 20 anos de companhia e a grande lenda de toda a região latina quando se trata de negócios e projetos de sucesso. Tive o enorme prazer de fazer parte do grupo de trabalho com ele durante este curso. Tanto Cuevas como Serginho, em determinados momentos destacaram um sentimento que é indispensável para o sucesso de quem trabalha neste mercado, seja ele um divulgador de rádio, um diretor de marketing ou mesmo um artista. Acima de qualquer investimento. Acima de qualquer plano estratégico. Acima de qualquer nova tecnologia. Em se tratando de música, é necessário que se tenha PAIXÃO! Sim, paixão pela música, pela mensagem, pela poesia, pelo sentimento.

 

A arte sem paixão é apenas entretenimento fugaz. Um artista sem paixão é apenas um executor de seu ofício. Um poeta que não ama a palavra é apenas um organizador de letras. Um artista sem paixão torna-se meramente um burocrata.

 

É frustrante ver como muitos artistas têm lidado de forma fria e calculista com a arte. Já tive oportunidade de participar de reuniões com cantores onde o que menos se importava eram as questões artísticas, só se falava de dinheiro, investimentos, percentuais, interesses pessoais e coisas do tipo. A impressão nestas horas é de que você está à frente de uma pessoa que distanciou-se de uma tal forma da paixão pela arte que esta não deveria sequer ser chamada de artista.

 

Paixão nos dá a ideia de algo fugaz, intenso mas passageiro. Mas neste caso específico, esta intensidade deve ser renovada de tempos em tempos. Não há nada mais frustrante e desanimador quando percebemos que um determinado profissional tornou-se meramente um repetidor de atividades, algo frio, mecânico, sem vida. Confesso que tenho meus momentos de cansaço, de tristeza, de reavaliação de vida e tudo mais. É  verdade que ao longo destas duas décadas e um pouco mais de tempo trabalhando neste mercado já tive momentos de insatisfação onde repensei seriamente meu papel e prioridades na minha vida profissional. Mas também confesso, que tenho uma relação profunda com a música e a indústria fonográfica a ponto de sempre dar-me uma nova chance para recuperar as esperanças, forças e principalmente, a paixão.

 

Este sentimento intenso, que conhecemos como paixão é o que realmente me motiva dia a dia a fazer sempre o melhor! Me orgulho quando ouço de um produtor musical com uma coleção de Grammys na estante da sala adeclaração de que tenho um gosto refinado musicalmente falando. Fico especialmente feliz ao ver que nomes como Daniela Araújo, Os Arrais, Marcela Taís e Leonardo Gonçalves tem seus trabalhos reconhecidos e divulgados por minha contribuição.

 

A vida é muito curta! E ainda tem gente que insiste em torná-la curta e desinteressante! Sem paixão, não há vida, não há prazer, não há alegria. Que consigamos encontrar o que realmente nos motiva e emociona. Que haja paixão em nosso cotidiano, mesmo que seja em coisas absolutamente simples e frugais. Que assim seja!

 

 

Mauricio Soares, apaixonado pela família, pelo trabalho, pelos desafios. Jornalista, publicitário, profissional de marketing.

Outro dia destes, um amigo de twitter me perguntou se seria verdadeira a informação de que eu estaria contratando uma determinada cantora. Achei estranha a pergunta e retruquei-lhe o porquê desta dúvida, afinal eu nem sequer havia dado alguma indicação a este respeito. Aresposta foi imediata e direta: pessoas próximas a artista e um blog haviamdivulgado a notícia como certa!

 

Estiquei a conversa por DM e fiz questão de deixar claro a negativa nesta contratação. Comentei ainda que fazia uns 2 meses, minha timeline foi invadida como num ataque ensandecido de abelhas africanas para que estareferida cantora fosse por mim contratada. Eu nunca conversei com esta jovem! Acho que, no máximo, ela me entregou um CD para ‘ouvir com carinho’ durante a última feira, nada além disso!

 

O texto de hoje é uma tentativa para alertar aos jovens artistas sobre o que se deve fazer para chamar a atenção de uma gravadora e o que efetivamente deve ser evitado a todo custo!

 

Em primeiro lugar, campanhas como “Queremos” devem ser banidas da estratégia! Não existe coisa mais chata do que acordar cedo, ligar o computador e deparar-se com 856 mensagens retuitadas com a mensagem “Queremos a cantora Elisinha Pé de Fogo na gravadora Reteté Music!”. Outro dia sofri esse ataque inflamado. Como nunca havia ouvido falar de uma determinada artista, resolvi pesquisar um pouco mais a respeito destas pessoas que participavam da manifestação digital. Era um tal de perfil com 2, 3, 5 seguidores e tantos outros sem qualquer seguidor, que me veio a impressão de que se tratavam em sua maioria de perfis fake, ou no bom português, falsos, inventados, paraguaios mesmo!

 

Como diz o meu amigo e parceiro de longa jornada, Sidnei Gomes: “Quem aceita pressão é time pequeno!” E é isso mesmo! Quem em sã consciência acredita que pelo fato de uns gatos pingados ficarem repetindo e poluindo a timelinealheia, terão suas ‘sugestões’ acatadas, deve refazer seu check up anual. O que pode acontecer, na verdade, é o inverso, ou seja, a determinada artista assumir uma imagem negativa perante a gravadora e as portas para ela simplesmente se fecharem.

 

Então, em primeiro lugar, não utilize-se de pressões via twitter! Campanhas como o fatídico “Queremos” devem ser abolidas!

 

Ainda com relação às redes sociais, outro erro grotesco é você implorar para ser adicionado na página do Facebook do (a) executivo (a) da gravadora se esta é restrita. Você precisa entender que se a página é reservada, possivelmente este será um espaço para amigos e familiares e não, um ambiente profissional. Falo isso com experiência própria, pois tanto meuInstagram como meu Facebook são restritos e destinados apenas a pessoas que eu realmente conheço de carne e osso (alguns, até com bastante carne, por sinal, rs)!

 

Não utilize estes espaços para solicitar ao profissional para assistir seus vídeos, clipes, conhecer sua trajetória, suas músicas. Se o ambiente é restrito, então entenda que esta não é uma área profissional, mas de cunho pessoal e isto deve ser respeitado! Já tive um dito cujo, que por 2 meses, quase que diariamente me solicitava amizade em minha página, todas devidamente negadas. Não sei o que ele entendia com estas negativas de minha parte, mas certamente demorou um bom tempo para ele compreender que ali não era um fórum adequado para apresentar seus projetos.

 

“Não bata à porta onde você não foi convidado! Tenha bom senso!”

 

twitter pode até ser um canal interessante para chamar a atenção de alguém da indústria fonográfica, mas deve ser tratado com muito bom senso. Não adianta insistir para que seu vídeo seja conferido com mensagens a cada duas horas durante 3 semanas. E o pior, tenha cuidado com o tipo de material que você irá indicar para ser analisado! Conheço vários casos em que o artista insistiu pela atenção e quando fui conferir oclipe, o material era tão ruim, que não consegui assistir mais do que 1 minuto. Ou seja, oportunidade desperdiçada!

 

“Cuidado com o que você quer mostrar, pois em alguns casos, realmente a primeira impressão é a que fica!”

 

Outra questão importante: dados e informações hoje são facilmente checados, portanto não infle seus números, não invente estórias, não queira transparecer o quevocê realmente não é. Nada de se autoproclamar “o maior sucesso da música gospel do Nordeste” quando na verdade, você hoje só é conhecida na periferia de Teresina. Ser a música mais executada pela Rádio Ibitirama FM não significa que você está na Crowley ou na Billboard. Ser a filha do pastor-presidente do campo de Sinop não significa que tem acesso a todas asigrejas do país. Ou ainda, ter uma agenda lotada de compromissos não determina que você é um sucesso por onde passa.

 

Tempos atrás quando pesquisava sobre um ou outro artista, corria imediatamente para sua página oficial do twitter, facebook, seus vídeos. Hoje em dia, continuo utilizando-me destas referências, mas aprofundando-me um pouco mais a pesquisa, pois infelizmente temos muita gente se utilizando (e iludindo-se) com táticas não-convencionais de aquisição deviews e seguidores. Nesta pesquisa mais detalhada damos uma análise em quem são estas pessoas que estão ‘seguindo’ o determinado artista. E aí, nos deparamos que o artista não é seguido apenas por pessoas do Brasil, mas gente do Mali, Botswana, Afeganistão, Coréia do Sul, Nigéria, Guatemala, Chechênia e por aí vai, ou seja, este perfil é mais verdadeiro do que nota de 3 reais.

  

“Não infle seus números! Você pode explodir!”

  

Vamos seguindo com o texto que está sendo criado em um vôo Rio/Buenos Aires. Terei pela frente uma semana inteira de curso! Certamente teremos muitas boas novidades para o blog pela frente!

 

O envio de material para uma gravadora é uma atitude inócua! Imagine-se numa sala com 800 a 2000 CDs para avaliação e num fim de tarde de uma semana intensa,chega o seu envelope para um A&R.

 

Opção 1 – O envelope com seu CD será entregue ao A&R e ficará numa caixa com outros 300 envelopes aguardando que um dia alguém o retire de lá;

 

Opção 2 – O envelope será imediatamente aberto, o A&R irá avaliar a capa do CD, irá ler a carta anexa e depois colocará junto a uma pilha de 300 CDs aguardando para audição;

 

Opção 3 – O envelope será aberto, a camiseta-brinde será posta de lado e depois presenteada a alguém, o cartão de visita, o release com as suas matérias publicadas no Diário de Caicó, as fotos e tudo o mais do “kit” serão descartados, exceto o CD que irá para a pilha dos 300 CDs aguardando audição;

 

Opção 4 – O CD irá para a caixa de 300 CDs diretamente.

  

“Não perca o seu tempo enviando um CD para a gravadora se isto não for solicitado pela própria. Mais direto do que isso impossível, certo?”

 

Mas voltando ao nosso texto,  até aqui destacamos algumas ações que devem ser evitadas no processo de chamar a atenção de um A&R. De agora em diante vamos elencar algumas atitudes positivas para esta estratégia.

 

Cada vez mais a web tem sido aliada para os jovens artistas. E sabendo utilizar-se de forma inteligente, esta ferramenta pode dinamizar carreiras e encurtar sensivelmente alguns degraus rumo à uma gravadora ou o reconhecimento do grande público.

 

Partindo da premissa de que você tem uma grande música e talento, priorize a produção de um clipe de qualidade. Em seguida, tenha uma fanpage atualizada, dinâmica, interessante. Crie também um web site personalizado com seu último projeto.Seja clean, direto, mantenha este espaço sempre atualizado. Mantenha-se ativo nas redes sociais. Potencialize a divulgação de seu projeto nas mídias do segmento.

 

Se possível, contrate um profissional de assessoria de imprensa que também possa coordenar a atualização de seus perfis nas redes sociais. Alguns destes profissionais de imprensa possuem bom acesso aos A&R das gravadoras. Através deles talvez seja mais fácil ter contato com as gravadoras.

 

Com um bom vídeo, uma boa música, uma fanpage agradável e ativa, um bom número de seguidores nas diferentes plataformas sociais, uma boa assessoria de imprensa e promoção, as possibilidades de sedestacar em meio à concorrência começam a crescer. Então de uma forma bem clara e didática, vamos destacar o que é analisado por uma gravadora num processo de seleção:

 

1)   Talento, diferencial, qualidade – estes são os pilares para que um artista realmente seja levado em questão por um A&R. Se você ainda não tem um projeto de qualidade, talvez seja melhor adiar seu contato com uma gravadora. A concorrência não permite riscos. As gravadoras querem projetos realmente consistentes;

 

2)   Proposta artística e demanda no cast – em determinados momentos, um A&R foca sua procura em alguns nichos e segmentos específicos. Digamos que no cast de determinada gravadora tenha uma lacuna de artista pop rock, naquele momentotodos os artistas deste estilo passam a ser analisados com maior intensidade pela gravadora. Procure estar atento à estas demandas!

 

3)   Tapes finalizados – cada vez mais as gravadoras estarão interessadas em projetos prontos para simplesmente cuidar das atividades de marketing e distribuição. O licenciamento de tapes hoje é uma prática muito comum e incentivada pelo mercado;

 

 

4)   Relevância – como já comentado neste texto, informações como número de views de clipes, seguidores do twitter, fanpage, instagram, são dados importantes na avaliação de relevância do artista. Esteja muito atento a isto! Confesso que me assusta conversar com artistas que confessam que ainda não dão a devida importância para estas ferramentas;

 

5)   Agenda Intensa – um artista que trabalha pouco, que tem uma agenda fraca, significa que ainda tem muito a fazer ou que realmente não gosta de trabalhar! Um artista que trabalha muito, que está constantemente na estrada é um parceiro da gravadora no processo de divulgação;

 

6)   Disposição e disponibilidade para trabalhar em parceria – um artista que demonstra vontade de atuar lado a lado com a gravadora é um grande diferencial. Já foi se o tempo em que tudo caía nas contas da gravadora e o artista ficava refastelado em sua confortável poltrona recebendo todas as benesses. Os tempos são outros! Hoje, o artista deve assumir certas ações que até pouco tempo atrás estavamunicamente ligadas à gravadora. Muitos investimentos de mídia e marketing devem ser assumidos pelo artista. Mentalidade participativa é fundamental!

 

 

O piloto já informa o início do procedimento de descida em Ezeiza. Vamos ficando por aqui! Espero que este texto tenha contribuído de alguma forma no entendimento do que um A&R espera encontrar num artista e seu projeto e de como você poderá usar das melhores estratégias para chamar sua atenção.

 

E vamos degustar as parrillas!

 

 

Mauricio Soares, jornalista, publicitário. Agora você também encontra meus textos nosite Garagem Gospel.

Relendo alguns dos textos publicados aqui no blog há uns 2 ou 3 anos atrás fico muito impressionado com algumas expectativas à época tornaram-se realidade tempos depois. Longe de querer para mim um título de Mãe Dinah do mercado fonográfico, o certo é que muitos dos prognósticos apontados em alguns textos se configuraram em fatos indiscutíveis na sequência. Especialmente no tocante ao crescimento do mercado digital de forma avassaladora no Brasil e no mundo, as tendências de antes hoje são algo bemperceptível.

 

Outra possibilidade que já venho falando há pelo menos 10 anos e que hoje é uma realidade tem a ver com o afunilamento das empresas no mercado fonográfico. Recordo-me que quando ainda era diretor na Line Records, já comentava com alguns amigos e outros profissionais do mercado que num futuro não muito distante não teríamos muitos players na indústria fonográfica. Jánaqueles tempos imaginava que, especialmente as empresas médias seriam tragadas pela competitividade aguçada, a necessidade de grandes investimentos e por dificuldades administrativas.

 

Por volta dos anos 2000 vivíamos o boom do mercado gospel no Brasil. Qualquer ministeriozinho com nome diferente lançava um disco e suas vendas chegavam aos milhares, quando não centenas de milhares e até mesmo milhão de unidades. Esta foi a época em que os cantores começaram a se tornar pastores e a terem um ministério. Parecia que naquela fase não bastava ser simplesmente um cantor, um artista, para ser mais respeitado, estes profissionais se autodenominaram ‘ministérios’ e também nesta época, a criatividade nos nomes destes ajudaram a proliferar pérolas como “Som da Noiva”, “Crer e Ouvir”, “Rasgando os Céus”, “Chuva de Glória”, “Vai que é Tua!”, “Tocar no Manto”, “Olhos Flamejantes” e coisas do tipo.

 

N.E. – é óbvio que estes nomes são todos fictícios, porque não quero causar nenhum tipo de constrangimento, mas quem quiser conferir alguns nomes esdrúxulos, uma simples pesquisa irá poder saciá-lo nesta área. Divirta-se! E se quiser postar nos comentários alguns destes nomes, fique à vontade!

 

Voltando ao texto, nesta época surgiram muitas pequenas gravadoras, outros tantos artistas independentes ou ‘ministérios’ para quem assim preferir e também alguma pequenas gravadoras puderam viver as ‘vacas gordas’ e assim tornaram-se médias empresas. Esta foi a época das grandes feiras de negócios. Recordo-me que a Expo Cristã tinha praticamente um pavilhão inteiro somente dedicado a gravadoras e o mercado fonográfico e musical. Este foi o tempo dos grandes stands, suntuosos, com metragens latifundiárias e aassustadora poluição sonora onde cada expositor buscava ter a aparelhagem de som mais potente e o palco mais movimentado. Era o Armagedon da música gospel em plena cercanias do Tietê.

 

Nesta fase, qualquer pastor de uma pequena igreja se julgava o Bill Gates, o Steve Jobs da música. Cada um acreditava ter descoberto a grande fórmula para o sucesso. Também nesta época, donos de agências de automóveis ao perceberem que os artistas de música gospel compravam seus bólidos cada vez mais incrementados e frequentes, entenderam que vender CD era uma atividade extremamente rentável. E como a maré era de grandes negócios, até mesmo alguns pequenos lojistas, comerciantes, verdureiros, bancários aposentados, entre outros,  resolveram investir em alguns artistas que trocavam matrizes por carros, kitnets, jet-ski, auxílio funeral, viagens ao exterior e todo tipo de barganha que parecesse interessante. Ou seja, o mercado foi inundado de produtos, de artistas, de selos e gravadoras.

 

Passada a euforia, todo mundo sentiu o baque das mudanças nos hábitos de consumo, na recessão do mercado, no aumento da pirataria (tão hipocritamente alardeada como algo que não afetaria o mercado gospel, mentira danada!), no maior controle dos órgãos públicos sobre as receitas – sim! muitos lojistas e gravadoras trabalhavam diuturnamente na sonegação de impostos, na diminuição sensível do números de lojistas e distribuidores, entre outros empecilhos. A verdade é que naquela época era relativamente fácil entrar neste mercado, mas tempos depois já era necessário ter uma nova postura, mais estratégica, equilibrada, profissional e aí, literalmente faltou brejo pra tanta vaca!

 

Nos Estados Unidos, para ilustrar ainda mais esta história, este fenômeno se repetiu, só que aconteceu bem antes do que observamos no Brasil. Muitos selos passaram a ser administrados por gravadoras e grupos econômicos muito poderosos. Atualmente, a Provident, uma das mais importantes gravadoras norte-americanas, tem em seu catálogo, produtos de mais de 20 pequenos e médios selos. Mesmo na Sony Music hoje, na área gospel já temos 2 selos sendo administrados e outros 2 já estão a caminho. E esta tendência está apenas começando em nosso meio!

 

Em pouco tempo teremos notícia de muitas gravadoras pequenas, medianas e mesmo artistas independentes migrarem seus catálogos para os grandes conglomerados. Escrevo este texto exatamente sobre a região de Porto Velho, extremo norte do país, após deixar a Colômbia onde desenvolvo neste momento um projeto especial para o mercado latino. Uma de nossas reuniões por lá, foi justamente assumir todo o catálogo de um grande artista. Outros dois artistas já firmaram contrato para que a nossa empresa tome conta de seus respectivos produtos.

 

Seja no Japão, nos Estados Unidos, Brasil ou Colômbia, a tendência segue a mesma! Com o crescimento dos formatos digitais e das grandes plataformas de negócios, fica cada vez menos acessível para os pequenos selos, ter acesso às novidades, aos grandes contratos e aos novos modelos de consumo. Numa grande empresa, com volume de produtos e catálogo, os números se tornam mais interessantes. É importante ressaltar que no mercado digital falamos de escala e não mais de rentabilidade de um único produto. Esmiuçando o que acabo de falar, no meio digital as pequenas vendas individuais se somampara alcançar resultados consistentes. E isto só se consegue tendo um número grande de títulos e produtos, é o que chamamos de escala.

 

Este novo formato da indústria fonográfica tem dois pilares. O primeiro é o modelo de negócio que baseia-se no licenciamento detapes, uma espécie de aluguel por tempo determinado, uma autorização pelo uso da obra por terceiros. E neste caso, o detentor da obra, o dono do tape, recebe um percentual fixo sobre os resultados de vendas. Outro aspecto é a divisãodefinida de tarefas, onde a gravadora foca seus esforços na administração, distribuição e, em algumas vezes, no marketing. O selo licenciado tem como trabalho principal, a produção artística, captação de projetos, o desenvolvimento de artistas.

 

Cada vez menos teremos gravadoras investindo na produção artística. O Net Talent – custo de gravação – é um dos mais pesados e arriscados componentes de um projeto. Já é praxe em algumas gravadoras a utilização do conceito de “Custo de Gravação Recuperável” onde o artista participa do processo de investimento no tape e em parceria da gravadora, elimina esta despesa para o projeto. Em suma, o mercado já há muito tempo vive mudanças e transformações profundas e não adianta fazer beicinho, bater o pezinho ou sair correndo em desvario porque é algo que não tem como não acontecer! Mesmo que ainda tenhamos algumas pessoas, gravadoras ou ministérios que acreditem que antigas fórmulas trarão resultados novos ( e que Papai Noel existe!), a verdade é que estas tendências já são realidade.

 

Se você é artista independente ou tem um pequeno selo, já está passando da hora de repensar suas estratégias. Junte seus produtos,seus projetos e busque o suporte e parceria de uma grande (e competente!) empresa. Quem avisa amigo é!

 

 

Mauricio Soares, jornalista, publicitário, 25 anos de mercado, insone, mesmo depois de 3 dias de muito trabalho na altitude. Ainda assim não consegue relaxar e dormir durante o vôo. Que dureza! E a passageira ao meu lado não para de fazer o sinal da cruz … misericórdia!

Na Revista O Globo, suplemento dominical do Jornal O Globo, há uma seção que sempre leio antes de folhear toda a revista. Sigo rapidamente para a página da Seção Entre Ouvidos, uma espécie de registro sobre frases engraçadas, pitorescas, perspicazes docotidiano carioca. Ali tem espaço para o feirante filósofo, para a dona de casa, para o cobrador de ônibus, para a dondoca da zona sul, a aspirante a celebridade, o vendedor de mate nas areias da praia e por aí vai.

Então, como não consigodormir de jeito nenhum neste vôo de volta para o Brasil, resolvi reunir algumas frases que acho interessantes, outras que ouvi e ouço constantemente e ainda algumas pérolas …

“O som é algo meio Hillsong! Tem uma pegada bem pop rock gringa, saca?”– frase proferida por 11 entre 10 jovens artistas que querem impressionar dando a sensação de que estão fazendo algo absurdamente inovador, moderno e diferenciado. Geralmente o som não tem nada de inovador, mas um simples arremedo de tudo que já ouvimos por aí.

“Não ligue para mim. Se eu realmente gostar de seu trabalho, irei atrás de você!”  – tem coisa mais chata do que uma pessoa te entregar um CD e depois ficar ligando insistentemente para saber se já ouviu com ‘carinho’? Geralmente a cobrança vem acompanhada da frase: Eu sei que você deve receber dezenas de discos, tem muito trabalho … mas …” A verdade é que ao receber um CD ou DVD, automaticamente deveria ser entregue um cartão com a frase em destaque. Ou será que alguém tem dúvida de que se o artista realmente for diferenciado, um A&R vai deixar passar a oportunidade? O chato é ter que responder (sempre com educação) de que o referido projeto está aquém do critério ou perfil da gravadora.

“Eu estava pensando …” – se esta frase é proferida por um artista, prepare-se porque vem algo mirabolante pela frente e na verdade não tem nada de “pensando”, o fundo, ele está te dizendo: ”eu quero fazer isso, fazer aquilo” e a possibilidade da gravadora ter que arcar com os custos desta ideia é tão certa como pegar um engarrafamento na Marginal do Tietê às 10 da manhã em plena segunda-feira.

“Meu CD foi produzido por João Ouvido de Ouro, esse cara produziu Joana do Reteté, Maria do Monte, Dedé de Jeová … os grandes nomes da música gospel. Os músicos foram … o fotógrafo foi aquelesuper conceituado … clicou todas as grandes artistas e modelos … o projeto gráfico foi com Rangs Donner, conhece? E a masterização fiz lá em Nova Iorque com o mesmo engenheiro que fez Madonna, Beyoncé, Adele, Lady Gaga, Carmem Miranda, só gente fera!”– quando o artista fala mais da ficha técnica do que as suas músicas ou do projeto em si, é sinal de que realmente tem muito pouco a dizer!

“Não é pelo dinheiro! Eu quero uma proposta pra minha carreira, quero ver o que a gravadora pode fazer por meuministério. Se Deus confirmar, estou em paz!” – quando o artista começa com esta primeira frase, esqueça! Você pode ter um curso de oratória, experiência em negociações entre árabes e judeus, ter todo um projeto estratégico com slides, animações, vídeos, gráficos, ou demonstrar claramente que o mercado mudou, que não tem mais essa opção … nada! O dito cujo só vai querer mesmo ouvir o quanto de din-din irá tilintar em seu cofrinho! Não perca seu tempo!

“Tenho um artista que preciso te apresentar antes de mostrar para a gravadora XYZ … “ – geralmente essa é uma frase daquele cara que você não fala há uns dois anos e que te liga no fim de uma tarde de sexta-feira.Depois de alguns segundos ele te assegura que o artista tem alguém disposto a investir, que o artista está ‘arrebentando’ na região, que o menino é o novo Thalles Roberto e que ele está me dando essa indicação porque é meu amigo e no futuro irei agradecê-lo por este presente estupendo! Em 25 anos de labuta, raríssimos foram os ‘fenômenos’ que descobri desta forma. Na verdade, só 1 ou 2 … nada além disso!

“Todo mundo tem seu valor. Alguns têm até etiqueta de preço!” – me impressiona como tem gente que … deixa pra lá!

“Eu tenho já algumas propostas. A dona Clotilde Ferreira já me chamou pra conversar. O pastor Agamenon também …” – como na adolescência, o menino de espinha no nariz quer se sentir pretendido por todas as menininhas. Na minha remota adolescência lembro-me que disputávamos para saber quem tinha mais pretendentes e possibilidades de engatar num namoro. Meninices! Este é um approach pra lá de manjado e confesso que em meu caso, cansei de perguntar, o porquê dele estar na minha frente tendo tantas propostas interessantes. Geralmente o interlocutor disfarça, muda de assunto e acaba com a justificativa mais ‘cara de pau’ de que na verdade, acredita muito no nosso trabalho e blá blá blá …

“Quem tá feliz dá um grito de júúúúúúbilo” – frase gritada pelo artista quando este quer ouvir a participação do público. É uma espécie de mantra!

“Eu queria gravar um DVD … é o meu sonho!” – assim como tenho o sonho de ver meu Fluminense ser campeão da Libertadores e do Mundial da FIFA. Ou seja, no tempo certo o sonho pode virar realidade … ou não …

“Posso dar uma olhadinha nas fotos?” – esqueça! O que o artista quer te informar é que na verdade ele quer dirigir todo o projeto de desenvolvimento da capa. Na sequência, definir o single, criar a estratégia de marketing, decidir a tiragem inicial, estabelecer as ações digitais, fazer uma turnê no Brasil e no exterior e decidir quais programas de TV irá gravar. Ah! Já ia me esquecendo … temtambém a criação do roteiro do clipe, a escolha das locações, do figurino, a edição  das imagens e a coordenação de toda equipe de captação das imagens. É só pra dar uma ajudinha, viu?

“Eu mesmo me produzi. As composições são todas minhas. Se pudesse, tirava as fotos também!”  – alerta vermelho no mais alto grau! Chama o GATE, o Esquadrão Anti-Bombas. A possibilidade de nada dar certo é enorme! Tem gente que quando se olha no espelho se apaixona pela própria imagem, é mais ou menos por aí!

“Meu site? Estou reformulando. Minha fanpage? Já estamos fazendo” – como uma operadora de telemarketing falando tudo no gerúndio, quando nos deparamos com alguém nesse estilo isso quer dizer que nada está sendo feito. Pelo menos até agora, mas já vamos estar providenciando.

“Vou fazer uma turnê nos Estados Unidos! Pregar, evangelizar! Exercer o Ide … Ô glórias!” – balela! Vai fazer outlet todos os dias! Vai se empanturrar no Cheesecake Factory, alugar aquele carrão maneiro. Vai nos parques de Orlando, passear na International Drive e à noite cantar numa igrejinha para 50 pessoas porque precisa faturar uns trocadinhos para comprar aquela bolsa da Michael Kors … que bênção!

“Agora vira pro irmão do lado e diga …”  – esta é a versão gospel da antiga brincadeira “macaco mandou …”

“Trabalhando muito! Minha agenda está cheia até 2018!” – leia-se: estou cantando em tudo quanto é evento. É o autêntico: Me chama que eu vou! Enterro de anão, casamento de cachorro, grupo de senhoras, visita ao Lar do Idoso, não importa! O que está valendo é encher a agenda do site com um evento atrás do outro. É preciso passar a ideia de que todo mundo quer sua participação noseventos. É o sucesso! Teve um cantor que ficou tanto tempo fora de casa quequando retornou, o filho disse: Mãe tem um homem na sala!

“Quantos CDs você vendeu do último trabalho? Ah, não sei …” – em outras palavras: Vendi pouco, mas dessa vez tenho certeza de que vou vender 1 milhão de cópias! Eu tenho a promessa né? Não morrerei enquanto ela não se cumprir … Oh Aleluias!

“Ah, eu estou sim aberto a propostas. A desafios … acho que lá na gravadora onde estou não irei mais crescer. Além do mais, tudo é sempre para aqueles escolhidos, para os protegidos sabe?” – aí você conversa, conversa, conversa, faz uma proposta de trabalho. O artista coloca no Instagram, passa a te seguir em todas as redes sociais, curte suas fotos, manda mensagens engraçadinhas na timeline e dias depois, renova seu contrato com a antiga gravadora ganhando algum bônus extra. A tática é mais conhecida do que andar em pé e ainda funciona!

“Meu sonho um dia é gravar em espanhol ou inglês … eu tenho uma promessa de que eu teria minha voz nos quatro cantos deste planeta!” – posso afirmar categoricamente que a esmagadora maioria dos artistas que têm esse objetivopensam que é só entrar em estúdio e gravar um CD no autêntico portunhol ou embromation tipo Joel Santana. A grande maioria não tem sequer noção do que um trabalho no mercado latino significa e de quanto tempo de dedicação exclusiva o projeto internacional demanda.

“Já estou super feliz de estar entre os 500 indicados de minha categoria!” – traduzindo: o que eu quero de verdade é desbancar todo mundo e ganhar esse prêmio! Eu mereço! Se eu perder vou dizer pra quem quiser ouvir que é uma marmelada!

“Oi … alô … quem? (mudança de voz) … sim é o assessor dele … Euclides … “– cantor fingindo ser o assessor para atender a convites de agenda por telefone.

“Nós fomos cantar …” – marido de cantora se incluindo no ‘ministério’ como se ele e a esposa fossem uma mesma pessoa. Alguns psicólogos podem explicaresse fenômeno.

“Tenho mais de 300 composições. Vou mandar tudo pra você ouvir!” – ameaça real e perigosa de compositores que nunca conseguiram ter uma única música gravada por algum pop star. Está tudo catalogado, registrado … prontinho!

“Estou te mandando uma música maravilhosa! Sim! Ela é exclusiva pra você! Fiz pensando em você! Você me dá tantos mil reais e eu assino todos os documentos liberando pra você. Um monte de artista me pediu essa música, mas é sua! Você depois vai me agradecer por isto que estou fazendo pra você!” – um mês depois de gravar o CD e de escolher essa canção feita sob medida para ser o single nas rádios, você encontra uma, duas, três, … seis artistas que gravaram a mesma música! E quando esta música cai no repertório de um medalhão, descobre que a canção está editada (algumas vezes com data retroativa, mas isso é outra história) e que você pode até ter o risco de sofrer retaliações. Muy amigo!

“Agora só vocês …” – recurso do cantor que não alcança a nota ou que já não tem mais voz durante o show … e o povo segue cantando …

“E qual a expectativa por esse seu novo trabalho?” – indagação de boa parte dos jornalistas quando o estoque de perguntas chega perto do fim em meio à entrevista 

“E como você concilia tantas atividades? Pai, pastor, compositor, artista, voluntário de ONG, líder de caravana para a Terra Santa, marido, palestrante … seguida da indefectível e onipresente resposta: Ah! Deus é quem nos capacita! Temos um chamado, então isso tudo agente faz feliz né? É a obra! – outra pergunta indispensável numa entrevista.

“Estou anciosa para ouvir seu CD! Vai ser uma bença!” – declaração de fã nas redes sociais fazendo questão de ressaltar toda a admiração pelo artista e seu total desprezo para com nossa língua pátria! Temos ainda “trofél”, “cecular”, “adimiro”, mas de verdade, nada supera o “ancioso”!

“Me segue que eu te sigo de volta!” – é a nova versão digital da síndrome de perseguição. Tem coisa mais sem noção do que você ficar implorando pela atenção alheia como se sua vida fosse realmente interessante, empolgante e importante para os demais? É impressionante como tem gente que se humilha clamando para ser seguida, curtida, adicionada … se nem teu namorado te segue, você acha mesmo que está com essa bola toda?

Já estamos sobrevoando o estado de São Paulo. Não consegui dormir nem 10 minutos. Pelo menos aproveitei o tempo para escrever mais este texto. Quem tiver mais frases neste estilo pode contribuir na área de comentários. Tenho certeza de que algumas pérolas foram deixadas de lado.

 

Mauricio Soares, publicitário, observador do cotidiano, jornalista.

Muito se fala de que o mercado gospel é protegido da prática de pirataria pela natural e bíblica ética dos seus consumidores. Realmente, se formos comparar a tragédia do que ocorreu com o mercado fonográfico secular onde a pirataria diminuiu em mais de 50% as vendas, é verdade que o mercado gospel neste sentido é bem mais saudável. No entanto, engana-se quem imagina que esta prática ilegal e pecaminosa passa ao largo do nosso meio. Infelizmente, engana-se redondamente!

 

Visitando algumas lojas e regiões pelo Brasil recentemente, me deparei com vendedoresambulantes gritando a plenos pulmões, bem em frente a algumas livrarias evangélicas, suas ‘mercadorias genéricas’ com naturalidade (cara de pau mesmo!) impressionante.

 

“- Olha aí freguês! CD lançamento, na minha mão apenas 5 reais! DVD de filme … muito bom! Apenas 5 reais …”

 

A loucura neste caso é ainda maior com o argumento do vendedor de que o CD é uma bênção! O filme vai emocionar a família e coisas do tipo. E pior ainda é a desfaçatez do irmão de terninho apertado, sapato de verniz, Bíblia embaixo do braço, parado em frente à banca de produtos piratas escolhendo tranquilamente qual produto irá levar para abençoá-lo!

 

Este CD ou DVD vendido abertamente na rua, com capa de quinta categoria, muitas vezes uma simples reprodução em papel, mídia roxa ou algo do tipo e preços ‘acessíveis’ são o típico  produto made in Paraguai. Quem compra um produto deste naipe, por mais que seja alguém distraído, absorto, autista, que literalmente viva no mundo da lua, míope ou sofra de alguma síndrome de consumismo desenfreado, não tem a mínima desculpa para dizer que comprou ‘gato por lebre’ sem perceber. A diferença entre um produto original e este tipo de genérico é gritante. Então, não há nada que justifique um cristão de comprar e estimular este tipo de comércio. Simplesmente não há argumentos e ponto final.

 

No entanto, nos últimos 2 anos em especial, uma nova modalidade de pirataria vem crescendo absurdamente no meio gospel e esta tem causado danos enormes aos artistas, lojistas e gravadoras. A pirataria em questão não é mais grotescacomo a que encontramos nos tabuleiros de ambulantes em algumas das principais cidades do país. Neste momento convivemos com a pirataria clonada, ou seja, uma cópia mais bem acabada do produto original. Em alguns casos, encontramos produtos clonados com embalagens no formato digipack que é aquela caixa de CDs e DVDs em papelão, portanto, algo mais difícil de ser reproduzido.

 

Estes produtos clonados estão sendo produzidos em fabriquetas de fundo de quintal e principalmente em algumas fábricas onde o controle e a ética estão longe demarcar presença. Boa parte destas fábricas encontram-se em São Paulo e é justamente este mercado o centro de distribuição destes produtos clonados. O assustador é que já são encontrados produtos clonados em algumas livrarias do segmento e grandes distribuidores. Creio fielmente que alguns lojistas desconhecem que estão adquirindo produtos clonados e acabam participando doesquema fraudulento sem ter conhecimento do ilícito. No entanto, há hoje emdia, alguns importantes players do mercado gospel atuando neste mercado ilegal.

 

Recentemente algumas gravadoras do meio gospel iniciaram ações individuais para coibir essa prática. É sabido que infelizmente não há uma associação que reúna as principais empresas do setor e nestes momentos, esta individualidade acaba trazendo ainda maiores prejuízos ao mercado. Confesso que já tentei por algumas vezes promover reuniões e encontros de aproximação entre as gravadoras do segmento, mas todas as ações foram infrutíferas.

 

Os produtos clonados – e já tive oportunidade de ter em mãos alguns destes exemplares – são realmente muito parecidos com o original, mas basta apenas alguns segundos de observação mais apurada para se ter uma noção clara da diferença entre o original e o falso. Geralmente o material gráfico clonado tem acabamento mais simples. Quando um original tem aplicação de hot stamping (aquele detalhe dourado ou prateado aplicado na capa), no clonado encontramos uma reprodução dourada em off set, algo menos brilhoso. Quando a embalagem do original é em digipack, é bem comum que a embalagem clonada mantenha o formato digipack, mas este geralmente se apresenta em gramaturas inferiores. O digipack clonado é sempre mais leve que o original.

 

Outra diferença entre original e clonado é observado no próprio disco, comumente chamada de bolacha. Todo CD original tem números de registro da fábrica em que foram prensados. É uma espécie de código de identificação de cada disco. Como seria de se esperar, no caso dos clonados, esse número simplesmente não existe ou se repete em todos os discos.

 

Então, na sua próxima compra de um CD de música gospel, procure avaliar com bastante atenção as características do produto em si. Na mínima dúvida, procure contato com a gravadora do CD em questão e solicite maiores informações. Neste momento uma série de ações estão sendo planejadas para combater essa ilegalidade e em breve teremos algumas novidades.

 

Aproveitando o tema, não posso deixar de incluir os sites “gospel” de downloads ilegais. Nos últimos meses, especialmente no caso da empresa em que atuo, conseguimos derrubar diversos sites que ofereciam gratuitamente ao público o que não ospertencia. Muitos sites de downloads ilegais foram bloqueados e derrubados recentemente. E esta estratégia segue a pleno vapor, inclusive com ações mais rigorosas por parte da justiça. É importante salientar que cada vez mais o território livre que se conhecia como internet, passa a contar com leis e controles duríssimos. Quem pensa que está agindo na ilegalidade em meio à multidão, saiba que o cerco vem se fechando e a situação de liberalidade está bem próxima ao fim.

 

Mas em paralelo às questões jurídicas, é importante que os consumidores de música gospel também entrem nessa campanha contra os sites de downloads ilegais. Há algum tempo atrás, a grande desculpa era de que as gravadoras não possuíam plataformas de venda de música digital para atender à demanda. No entanto, hoje em dia, não só boa parte das empresas estão inseridas no meio digital, como o processo de aquisição de conteúdo está cada vez mais facilitado e acessível. Portanto, não há justificativa plausível para que se consuma música, seja em áudio como em vídeo, de forma ilegal.

 

Conto com a participação de todos!

 

 

Mauricio Soares, publicitário, blogueiro, tricolor, jornalista, cristão, palestrante, consultor de marketing e leitorcontumaz de tudo que surge pela frente, de bula de remédio a biografias.