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Na Revista O Globo, suplemento dominical do Jornal O Globo, há uma seção que sempre leio antes de folhear toda a revista. Sigo rapidamente para a página da Seção Entre Ouvidos, uma espécie de registro sobre frases engraçadas, pitorescas, perspicazes docotidiano carioca. Ali tem espaço para o feirante filósofo, para a dona de casa, para o cobrador de ônibus, para a dondoca da zona sul, a aspirante a celebridade, o vendedor de mate nas areias da praia e por aí vai.

Então, como não consigodormir de jeito nenhum neste vôo de volta para o Brasil, resolvi reunir algumas frases que acho interessantes, outras que ouvi e ouço constantemente e ainda algumas pérolas …

“O som é algo meio Hillsong! Tem uma pegada bem pop rock gringa, saca?”– frase proferida por 11 entre 10 jovens artistas que querem impressionar dando a sensação de que estão fazendo algo absurdamente inovador, moderno e diferenciado. Geralmente o som não tem nada de inovador, mas um simples arremedo de tudo que já ouvimos por aí.

“Não ligue para mim. Se eu realmente gostar de seu trabalho, irei atrás de você!”  – tem coisa mais chata do que uma pessoa te entregar um CD e depois ficar ligando insistentemente para saber se já ouviu com ‘carinho’? Geralmente a cobrança vem acompanhada da frase: Eu sei que você deve receber dezenas de discos, tem muito trabalho … mas …” A verdade é que ao receber um CD ou DVD, automaticamente deveria ser entregue um cartão com a frase em destaque. Ou será que alguém tem dúvida de que se o artista realmente for diferenciado, um A&R vai deixar passar a oportunidade? O chato é ter que responder (sempre com educação) de que o referido projeto está aquém do critério ou perfil da gravadora.

“Eu estava pensando …” – se esta frase é proferida por um artista, prepare-se porque vem algo mirabolante pela frente e na verdade não tem nada de “pensando”, o fundo, ele está te dizendo: ”eu quero fazer isso, fazer aquilo” e a possibilidade da gravadora ter que arcar com os custos desta ideia é tão certa como pegar um engarrafamento na Marginal do Tietê às 10 da manhã em plena segunda-feira.

“Meu CD foi produzido por João Ouvido de Ouro, esse cara produziu Joana do Reteté, Maria do Monte, Dedé de Jeová … os grandes nomes da música gospel. Os músicos foram … o fotógrafo foi aquelesuper conceituado … clicou todas as grandes artistas e modelos … o projeto gráfico foi com Rangs Donner, conhece? E a masterização fiz lá em Nova Iorque com o mesmo engenheiro que fez Madonna, Beyoncé, Adele, Lady Gaga, Carmem Miranda, só gente fera!”– quando o artista fala mais da ficha técnica do que as suas músicas ou do projeto em si, é sinal de que realmente tem muito pouco a dizer!

“Não é pelo dinheiro! Eu quero uma proposta pra minha carreira, quero ver o que a gravadora pode fazer por meuministério. Se Deus confirmar, estou em paz!” – quando o artista começa com esta primeira frase, esqueça! Você pode ter um curso de oratória, experiência em negociações entre árabes e judeus, ter todo um projeto estratégico com slides, animações, vídeos, gráficos, ou demonstrar claramente que o mercado mudou, que não tem mais essa opção … nada! O dito cujo só vai querer mesmo ouvir o quanto de din-din irá tilintar em seu cofrinho! Não perca seu tempo!

“Tenho um artista que preciso te apresentar antes de mostrar para a gravadora XYZ … “ – geralmente essa é uma frase daquele cara que você não fala há uns dois anos e que te liga no fim de uma tarde de sexta-feira.Depois de alguns segundos ele te assegura que o artista tem alguém disposto a investir, que o artista está ‘arrebentando’ na região, que o menino é o novo Thalles Roberto e que ele está me dando essa indicação porque é meu amigo e no futuro irei agradecê-lo por este presente estupendo! Em 25 anos de labuta, raríssimos foram os ‘fenômenos’ que descobri desta forma. Na verdade, só 1 ou 2 … nada além disso!

“Todo mundo tem seu valor. Alguns têm até etiqueta de preço!” – me impressiona como tem gente que … deixa pra lá!

“Eu tenho já algumas propostas. A dona Clotilde Ferreira já me chamou pra conversar. O pastor Agamenon também …” – como na adolescência, o menino de espinha no nariz quer se sentir pretendido por todas as menininhas. Na minha remota adolescência lembro-me que disputávamos para saber quem tinha mais pretendentes e possibilidades de engatar num namoro. Meninices! Este é um approach pra lá de manjado e confesso que em meu caso, cansei de perguntar, o porquê dele estar na minha frente tendo tantas propostas interessantes. Geralmente o interlocutor disfarça, muda de assunto e acaba com a justificativa mais ‘cara de pau’ de que na verdade, acredita muito no nosso trabalho e blá blá blá …

“Quem tá feliz dá um grito de júúúúúúbilo” – frase gritada pelo artista quando este quer ouvir a participação do público. É uma espécie de mantra!

“Eu queria gravar um DVD … é o meu sonho!” – assim como tenho o sonho de ver meu Fluminense ser campeão da Libertadores e do Mundial da FIFA. Ou seja, no tempo certo o sonho pode virar realidade … ou não …

“Posso dar uma olhadinha nas fotos?” – esqueça! O que o artista quer te informar é que na verdade ele quer dirigir todo o projeto de desenvolvimento da capa. Na sequência, definir o single, criar a estratégia de marketing, decidir a tiragem inicial, estabelecer as ações digitais, fazer uma turnê no Brasil e no exterior e decidir quais programas de TV irá gravar. Ah! Já ia me esquecendo … temtambém a criação do roteiro do clipe, a escolha das locações, do figurino, a edição  das imagens e a coordenação de toda equipe de captação das imagens. É só pra dar uma ajudinha, viu?

“Eu mesmo me produzi. As composições são todas minhas. Se pudesse, tirava as fotos também!”  – alerta vermelho no mais alto grau! Chama o GATE, o Esquadrão Anti-Bombas. A possibilidade de nada dar certo é enorme! Tem gente que quando se olha no espelho se apaixona pela própria imagem, é mais ou menos por aí!

“Meu site? Estou reformulando. Minha fanpage? Já estamos fazendo” – como uma operadora de telemarketing falando tudo no gerúndio, quando nos deparamos com alguém nesse estilo isso quer dizer que nada está sendo feito. Pelo menos até agora, mas já vamos estar providenciando.

“Vou fazer uma turnê nos Estados Unidos! Pregar, evangelizar! Exercer o Ide … Ô glórias!” – balela! Vai fazer outlet todos os dias! Vai se empanturrar no Cheesecake Factory, alugar aquele carrão maneiro. Vai nos parques de Orlando, passear na International Drive e à noite cantar numa igrejinha para 50 pessoas porque precisa faturar uns trocadinhos para comprar aquela bolsa da Michael Kors … que bênção!

“Agora vira pro irmão do lado e diga …”  – esta é a versão gospel da antiga brincadeira “macaco mandou …”

“Trabalhando muito! Minha agenda está cheia até 2018!” – leia-se: estou cantando em tudo quanto é evento. É o autêntico: Me chama que eu vou! Enterro de anão, casamento de cachorro, grupo de senhoras, visita ao Lar do Idoso, não importa! O que está valendo é encher a agenda do site com um evento atrás do outro. É preciso passar a ideia de que todo mundo quer sua participação noseventos. É o sucesso! Teve um cantor que ficou tanto tempo fora de casa quequando retornou, o filho disse: Mãe tem um homem na sala!

“Quantos CDs você vendeu do último trabalho? Ah, não sei …” – em outras palavras: Vendi pouco, mas dessa vez tenho certeza de que vou vender 1 milhão de cópias! Eu tenho a promessa né? Não morrerei enquanto ela não se cumprir … Oh Aleluias!

“Ah, eu estou sim aberto a propostas. A desafios … acho que lá na gravadora onde estou não irei mais crescer. Além do mais, tudo é sempre para aqueles escolhidos, para os protegidos sabe?” – aí você conversa, conversa, conversa, faz uma proposta de trabalho. O artista coloca no Instagram, passa a te seguir em todas as redes sociais, curte suas fotos, manda mensagens engraçadinhas na timeline e dias depois, renova seu contrato com a antiga gravadora ganhando algum bônus extra. A tática é mais conhecida do que andar em pé e ainda funciona!

“Meu sonho um dia é gravar em espanhol ou inglês … eu tenho uma promessa de que eu teria minha voz nos quatro cantos deste planeta!” – posso afirmar categoricamente que a esmagadora maioria dos artistas que têm esse objetivopensam que é só entrar em estúdio e gravar um CD no autêntico portunhol ou embromation tipo Joel Santana. A grande maioria não tem sequer noção do que um trabalho no mercado latino significa e de quanto tempo de dedicação exclusiva o projeto internacional demanda.

“Já estou super feliz de estar entre os 500 indicados de minha categoria!” – traduzindo: o que eu quero de verdade é desbancar todo mundo e ganhar esse prêmio! Eu mereço! Se eu perder vou dizer pra quem quiser ouvir que é uma marmelada!

“Oi … alô … quem? (mudança de voz) … sim é o assessor dele … Euclides … “– cantor fingindo ser o assessor para atender a convites de agenda por telefone.

“Nós fomos cantar …” – marido de cantora se incluindo no ‘ministério’ como se ele e a esposa fossem uma mesma pessoa. Alguns psicólogos podem explicaresse fenômeno.

“Tenho mais de 300 composições. Vou mandar tudo pra você ouvir!” – ameaça real e perigosa de compositores que nunca conseguiram ter uma única música gravada por algum pop star. Está tudo catalogado, registrado … prontinho!

“Estou te mandando uma música maravilhosa! Sim! Ela é exclusiva pra você! Fiz pensando em você! Você me dá tantos mil reais e eu assino todos os documentos liberando pra você. Um monte de artista me pediu essa música, mas é sua! Você depois vai me agradecer por isto que estou fazendo pra você!” – um mês depois de gravar o CD e de escolher essa canção feita sob medida para ser o single nas rádios, você encontra uma, duas, três, … seis artistas que gravaram a mesma música! E quando esta música cai no repertório de um medalhão, descobre que a canção está editada (algumas vezes com data retroativa, mas isso é outra história) e que você pode até ter o risco de sofrer retaliações. Muy amigo!

“Agora só vocês …” – recurso do cantor que não alcança a nota ou que já não tem mais voz durante o show … e o povo segue cantando …

“E qual a expectativa por esse seu novo trabalho?” – indagação de boa parte dos jornalistas quando o estoque de perguntas chega perto do fim em meio à entrevista 

“E como você concilia tantas atividades? Pai, pastor, compositor, artista, voluntário de ONG, líder de caravana para a Terra Santa, marido, palestrante … seguida da indefectível e onipresente resposta: Ah! Deus é quem nos capacita! Temos um chamado, então isso tudo agente faz feliz né? É a obra! – outra pergunta indispensável numa entrevista.

“Estou anciosa para ouvir seu CD! Vai ser uma bença!” – declaração de fã nas redes sociais fazendo questão de ressaltar toda a admiração pelo artista e seu total desprezo para com nossa língua pátria! Temos ainda “trofél”, “cecular”, “adimiro”, mas de verdade, nada supera o “ancioso”!

“Me segue que eu te sigo de volta!” – é a nova versão digital da síndrome de perseguição. Tem coisa mais sem noção do que você ficar implorando pela atenção alheia como se sua vida fosse realmente interessante, empolgante e importante para os demais? É impressionante como tem gente que se humilha clamando para ser seguida, curtida, adicionada … se nem teu namorado te segue, você acha mesmo que está com essa bola toda?

Já estamos sobrevoando o estado de São Paulo. Não consegui dormir nem 10 minutos. Pelo menos aproveitei o tempo para escrever mais este texto. Quem tiver mais frases neste estilo pode contribuir na área de comentários. Tenho certeza de que algumas pérolas foram deixadas de lado.

 

Mauricio Soares, publicitário, observador do cotidiano, jornalista.

Muito se fala de que o mercado gospel é protegido da prática de pirataria pela natural e bíblica ética dos seus consumidores. Realmente, se formos comparar a tragédia do que ocorreu com o mercado fonográfico secular onde a pirataria diminuiu em mais de 50% as vendas, é verdade que o mercado gospel neste sentido é bem mais saudável. No entanto, engana-se quem imagina que esta prática ilegal e pecaminosa passa ao largo do nosso meio. Infelizmente, engana-se redondamente!

 

Visitando algumas lojas e regiões pelo Brasil recentemente, me deparei com vendedoresambulantes gritando a plenos pulmões, bem em frente a algumas livrarias evangélicas, suas ‘mercadorias genéricas’ com naturalidade (cara de pau mesmo!) impressionante.

 

“- Olha aí freguês! CD lançamento, na minha mão apenas 5 reais! DVD de filme … muito bom! Apenas 5 reais …”

 

A loucura neste caso é ainda maior com o argumento do vendedor de que o CD é uma bênção! O filme vai emocionar a família e coisas do tipo. E pior ainda é a desfaçatez do irmão de terninho apertado, sapato de verniz, Bíblia embaixo do braço, parado em frente à banca de produtos piratas escolhendo tranquilamente qual produto irá levar para abençoá-lo!

 

Este CD ou DVD vendido abertamente na rua, com capa de quinta categoria, muitas vezes uma simples reprodução em papel, mídia roxa ou algo do tipo e preços ‘acessíveis’ são o típico  produto made in Paraguai. Quem compra um produto deste naipe, por mais que seja alguém distraído, absorto, autista, que literalmente viva no mundo da lua, míope ou sofra de alguma síndrome de consumismo desenfreado, não tem a mínima desculpa para dizer que comprou ‘gato por lebre’ sem perceber. A diferença entre um produto original e este tipo de genérico é gritante. Então, não há nada que justifique um cristão de comprar e estimular este tipo de comércio. Simplesmente não há argumentos e ponto final.

 

No entanto, nos últimos 2 anos em especial, uma nova modalidade de pirataria vem crescendo absurdamente no meio gospel e esta tem causado danos enormes aos artistas, lojistas e gravadoras. A pirataria em questão não é mais grotescacomo a que encontramos nos tabuleiros de ambulantes em algumas das principais cidades do país. Neste momento convivemos com a pirataria clonada, ou seja, uma cópia mais bem acabada do produto original. Em alguns casos, encontramos produtos clonados com embalagens no formato digipack que é aquela caixa de CDs e DVDs em papelão, portanto, algo mais difícil de ser reproduzido.

 

Estes produtos clonados estão sendo produzidos em fabriquetas de fundo de quintal e principalmente em algumas fábricas onde o controle e a ética estão longe demarcar presença. Boa parte destas fábricas encontram-se em São Paulo e é justamente este mercado o centro de distribuição destes produtos clonados. O assustador é que já são encontrados produtos clonados em algumas livrarias do segmento e grandes distribuidores. Creio fielmente que alguns lojistas desconhecem que estão adquirindo produtos clonados e acabam participando doesquema fraudulento sem ter conhecimento do ilícito. No entanto, há hoje emdia, alguns importantes players do mercado gospel atuando neste mercado ilegal.

 

Recentemente algumas gravadoras do meio gospel iniciaram ações individuais para coibir essa prática. É sabido que infelizmente não há uma associação que reúna as principais empresas do setor e nestes momentos, esta individualidade acaba trazendo ainda maiores prejuízos ao mercado. Confesso que já tentei por algumas vezes promover reuniões e encontros de aproximação entre as gravadoras do segmento, mas todas as ações foram infrutíferas.

 

Os produtos clonados – e já tive oportunidade de ter em mãos alguns destes exemplares – são realmente muito parecidos com o original, mas basta apenas alguns segundos de observação mais apurada para se ter uma noção clara da diferença entre o original e o falso. Geralmente o material gráfico clonado tem acabamento mais simples. Quando um original tem aplicação de hot stamping (aquele detalhe dourado ou prateado aplicado na capa), no clonado encontramos uma reprodução dourada em off set, algo menos brilhoso. Quando a embalagem do original é em digipack, é bem comum que a embalagem clonada mantenha o formato digipack, mas este geralmente se apresenta em gramaturas inferiores. O digipack clonado é sempre mais leve que o original.

 

Outra diferença entre original e clonado é observado no próprio disco, comumente chamada de bolacha. Todo CD original tem números de registro da fábrica em que foram prensados. É uma espécie de código de identificação de cada disco. Como seria de se esperar, no caso dos clonados, esse número simplesmente não existe ou se repete em todos os discos.

 

Então, na sua próxima compra de um CD de música gospel, procure avaliar com bastante atenção as características do produto em si. Na mínima dúvida, procure contato com a gravadora do CD em questão e solicite maiores informações. Neste momento uma série de ações estão sendo planejadas para combater essa ilegalidade e em breve teremos algumas novidades.

 

Aproveitando o tema, não posso deixar de incluir os sites “gospel” de downloads ilegais. Nos últimos meses, especialmente no caso da empresa em que atuo, conseguimos derrubar diversos sites que ofereciam gratuitamente ao público o que não ospertencia. Muitos sites de downloads ilegais foram bloqueados e derrubados recentemente. E esta estratégia segue a pleno vapor, inclusive com ações mais rigorosas por parte da justiça. É importante salientar que cada vez mais o território livre que se conhecia como internet, passa a contar com leis e controles duríssimos. Quem pensa que está agindo na ilegalidade em meio à multidão, saiba que o cerco vem se fechando e a situação de liberalidade está bem próxima ao fim.

 

Mas em paralelo às questões jurídicas, é importante que os consumidores de música gospel também entrem nessa campanha contra os sites de downloads ilegais. Há algum tempo atrás, a grande desculpa era de que as gravadoras não possuíam plataformas de venda de música digital para atender à demanda. No entanto, hoje em dia, não só boa parte das empresas estão inseridas no meio digital, como o processo de aquisição de conteúdo está cada vez mais facilitado e acessível. Portanto, não há justificativa plausível para que se consuma música, seja em áudio como em vídeo, de forma ilegal.

 

Conto com a participação de todos!

 

 

Mauricio Soares, publicitário, blogueiro, tricolor, jornalista, cristão, palestrante, consultor de marketing e leitorcontumaz de tudo que surge pela frente, de bula de remédio a biografias.

Dias atrás a fanpage da Sony Music na área gospel superou 2 milhões de seguidores. Esta é uma marca incrível, ainda mais se comparada com as demais fanpages de empresas do setor, seja no Brasil ou mesmo no exterior. Pouquíssimas são as empresas do mercado gospel que contam com mais de 1 milhão de seguidores, então chegar à marca de 2 milhões realmente é algo a se comemorar e muito! E como parte destas comemorações, a equipe de marketing digital colocou um post na fanpage agradecendo aos fãs pelo resultado incrível. Tudo muito natural, muito normal …

Algumas horas depois desta postagem e também comemorando o resultado, atrevi-me a conferir os comentários das pessoas sobre essa notícia. Não precisei rolar muito a tela para perceber que a esmagadora maioria dos comentários não faziam a menor referência ao assunto em si, mas na palavra “fã” que foi inserida no post. Vi comentários ‘talibanescos’ de dar medo, outros tantos comentários santarrões apareceram e me criaram uma curiosidade por saber como que um anjo ou um ser tão purificado fazia naquele momento lendo a fanpage. Os comentários faziam estudos apologéticos, escatológicos, sociais, psicológicos e toda sorte de análises. Ou seja, o que deveria ser um simples post comemorativo acabou tornando-se um debate acalorado sobre o uso das palavras.

Há alguns anos atrás, publiquei um texto aqui mesmo no blog, que falava sobre o uso de termos e expressões ‘gospelmente corretas’ seguindo o conceito do politicamente correto. Um cantor para tornar-se adequado com o segmento deve ser tratado de levita. Um artista, para ser considerado puro, deve ser tratado como adorador. Show não é show! No máximo um culto de louvor e adoração. Uma apoteose espiritual! Cachê? Nunca, jamais! Isso é coisa de comerciante! O correto é dizer “oferta” e se for “oferta de amor”, aí é lindo! Divinal! O palestrante que segue viajando de norte a sul do país participando de reuniões e cultos (e recebendo por isso) é o pregador ou pastor itinerante. Ou seja, as funções são as mesmas, o que muda é simplesmente o linguajar, sua forma.

Outro dia ouvi de um pastor a máxima: “Não gosto que chamem meu filho de artista! Artista é artista! Meu filho é cantor!” Entendendo e aceitando a simplicidade daquele senhor, é óbvio que todo aquele que faz e sobrevive de sua arte, deve ser chamado de artista. Simples assim. o problema é que em nosso meio, muitas das vezes a Bíblia é usada como justificativa para pontos de vista pessoais. Isso é fato! A língua, como um organismo vivo e dinâmico se altera com o passar dos tempos. Se no tempo do Brasil Colônia as pessoas se relacionavam com o “vosmecê”, hoje em dia existem diversas outras formas de tratamento.

Em tempos de web, diversas palavras passaram a fazer parte do cotidiano das pessoas. Quem imaginaria que um dia, fiasco seria sinônimo de ‘flopar’? Ou então, que ‘curtir’ significaria uma espécie de aprovação coletiva? A língua é dinâmica! A comunicação entre as pessoas muda de acordo com as inovações e transformações da sociedade.
É óbvio que todo segmento tem sua linguagem própria. Acho hilariante quando participo de reuniões com a equipe de negócios digitais. A quantidade de termos em inglês ou específicos da área tornam a conversa interessante e muitas das vezes preciso recorrer ao google para entender o que aquilo de verdade significa. O mesmo acontece quando estamos em meio ao pessoal do financeiro, do marketing, entre músicos … enfim, cada um tem seu idioma próprio, seus termos específicos, suas expressões e até mesmo, suas piadas próprias! Então é aceitável que no meio gospel também tenhamos uma linguagem própria. O que me tira do sério é perceber que o dito cujo não concebe a idéia de que uma palavra possa ter algum significado diferente daquele que foi estabelecido há séculos atrás! Isso é o mais claro pensamento reacionário lingüístico que podemos encarar! Não sei muitas das vezes se isso é um tradicionalismo puro e simples ou se é mesmo uma mente obtusa que não consegue interpretar o que não é completamente explícito! Há controvérsias …

Não consigo acreditar que uma pessoa em sã consciência realmente acredite que a palavra ‘adore’ signifique tão somente ajoelhar-se diante de algo ou alguém. Ou então que a palavra ‘adore’ signifique que aquele ou aquilo realmente têm poder de substituir nosso amor e devoção a Deus. Quando eu afirmo que adoro viajar, será que estou dizendo que fazer turismo é mais importante do que minha relação com Deus? É isso mesmo produção? Eu acho patético quando vejo ‘santarrões’ encherem os espaços de comentários em sites ou coisas do tipo tecendo opiniões raivosas sobre o uso de palavras e termos que no vernáculo ‘gospelmente correto’ teriam outro significado. Sinceramente gostaria de conferir se estes mesmos ‘santarrões’ são tão cientes e observadores dos ensinamentos bíblicos em seus respectivos dia-a-dia. Imagino que não sejam nem tanto assim, afinal poderiam estar aproveitando melhor o tempo que dedicam a visitar a web fazendo trabalhos comunitários, evangelizando ou simplesmente orando e lendo a Bíblia.

Convencionou-se que a página dedicada a divulgar as notícias de uma empresa, artista, ministério, projeto ou algo do tipo, através do Facebook seja chamada de fanpage. E aquelas pessoas que optaram em acompanhar de perto esta fanpage, foram denominados fãs ou seguidores. Não há nada de anormal nestes termos! Será que para aplacar a ira dos santarrões, devemos chamar a fanpage de “página onde se reúnem os adoradores santificados” e que estes não sejam fãs, mas “adoradores web purificados”?

Sinceramente estou farto de tanta hipocrisia e de tanta gente chata se preocupando com questões menores! Não vejo ninguém se mobilizar de forma séria contra a existência de fã-clubes de artistas evangélicas. Isso é uma distorção e que até pouco tempo atrás não existia nos arraiais do mundinho gospel tupiniquim. Também não vejo mobilizações de pessoas contra o mercantilismo da fé, esse absurdo balcão de negócios que virou boa parte da igreja evangélica no país com pastores vendendo água do Jordão, óleo de Israel, toalhinha do líder supremo, sabonete contra o mau-olhado e outras macumbarias gospel. Realmente eu creio que temos muito a amadurecer, muito a evoluir e principalmente, muito a avaliar sobre o que realmente é importante para o Reino. Não quero perder tempo com o que não me levará a lugar algum. Simples assim!

Abraços!
Mauricio Soares, publicitário, jornalista, racional, amante da língua portuguesa, cristão e torcedor do Fluminense. 

De vez em quando aproveito algum texto que julgo interessante e pertinente para o OBC e acabo publicando-o por aqui. Depois de uma viagem-relâmpago até a capital mineira, encontrei o texto a seguir. Vamos conhecer um pouco da opinião de João Marcelo Boscolli, profissional que tive o prazer de conhecer em uma reunião do comitê do Grammy Latino há alguns anos atrás.
A Máquina que pune o talento
O Auto-Tune é o Photoshop da voz. O cantor está desafinado? Auto-Tune nele. O software corrige a afinação criou, no campo da música, a recompensa sem o devido esforço, algo que a maioria dos humanos incessantemente, levando à falência qualquer método de ensino. Dane-se o mérito. Às favas a vocação. É como se o Ronaldinho Gaúcho usasse uma chuteira que o fizesse sempre acertar o gol. Treinar pra que?
O talento perdeu um pouco de sua importância, outrora vital. O ordinário e o extraordinário tornaram-se equivalentes. E o pior: com sua precisão matemática irreal, resultado de ordenadas e abscissas higienistas, o Auto-Tune transforma características singulares da voz humana em defeitos.
O estabelecimento de um padrão inatingível é a grande preocupação. Foi o que o Photoshop fez com a pele humana. Poros, rugas de expressão, pêlos e outras características passaram a ser classificados como defeitos. Isso gera uma gigantesca carga de frustrações, tristezas, sofrimentos e culpas. A quem interessa isso? A favor de quem é isso?
Seguindo a lógica do Auto-Tune, Nat King Cole, Aretha Franklin, Maria Callas, Elis Regina, Paulinho da Viola, Louis Armstrong e João Gilberto são desafinados. Simples assim. Mais do que a falência da meritocracia, o software pune o talento. Qual é o problema de cantar assim? Tenho uma lista enorme de cantores repletos de ‘imperfeições’ e que, ainda assim, me emocionam.
Se você encontrar Gisele Bündchen ao vivo perceberá que ela tem poros, marcas de expressão e que sua beleza e seu movimento ainda estão lá. Se assistir a Stevie Wonder ao vivo, ouvirá ‘imperfeições’ e igualmente sentirá que sua emoção, sua genialidade e seu carisma existem – sem o software de afinação. Por outro lado, é comum notarmos a decepção da platéia quando ouve ao vivo um cantor que gravou digitalmente dopado, com a voz corrigida pelo computador.
Gosto muito do Auto-Tune quando usado às clara, como efeito na voz, a serviço da música, assim como aprecio a utilização do Photoshop como ferramenta artística, ambos criando imagens e sons inéditos. Em arte, ao contrário da medicina, por exemplo, a liberdade deve ser total.  Mas sem fraude. Uma coisa é usar a tecnologia como extensão do talento de determinado artista; outra é usá-la  para esconder a falta de talento. Este texto e’, antes de tudo, uma defesa do ser humano, parte fundamental e determinante da natureza. Com mérito e liberdade, sem retoques.
João Marcelo Bôscoli é empresário e produtor musical.
Nota do Editor – Existem certos textos que reconheço humildemente de que gostaria de ter escrito. Talvez este texto acima possa entrar nesta categoria. O tema e a abordagem deste post do João Marcelo é absolutamente atual e importante para quem ama a verdadeira música e o talento. Nada substitui o talento. E a maior decepção para o público é deparar que o artista ‘perfeito’ do disco não é o mesmo do palco. Minha última solicitação é para que tanto designers e fotógrafos sejam o mais coerentes no uso do Photoshop como os produtores sejam bastante parcimoniosos no uso do Auto-Tune. Simples assim.

Lendo uma revista de bordo me deparei com uma matéria sobre o jornalista Joel da Silveira que por cerca de 60 anos registrou com precisão e senso crítico, além de uma rara sensibilidade, boa parte da sociedade brasileira e fatos do cotidiano. Até hoje, é considerado um dos maiores nomes do jornalismo brasileiro.

Uma das reportagens que o catapultaram a destaque no meio jornalístico foi escrita em 1943 e retratava o dia a dia da alta sociedade paulistana – “Eram assim os grã-finos de São Paulo”, intitulava-se a matéria publicada na revistaDiretrizes.

Outro dia publiquei em minha conta no Instagram um micro texto onde deixava claro que preferia ser penalizado por minhas convicções do que me esconder na meio da patuléia sem opinião. O texto não era este exatamente, mas o conceito da mensagem sim.

Conferindo essa matéria sobre a vida e principalmente a forma incisiva de analisar e posicionar-se sobre diferentes assuntos, me veio à mente a sugestão do tema que iremos discorrer na sequência. É impressionante e, confesso, desestimulante – pra ficar em adjetivos mais eufemísticos – ver como o meio evangélicobrasileiro é carente de pessoas que se expressam de maneira crítica, sensata e coerente suas opiniões sobre os mais diferentes temas. Infelizmente temos muito poucos líderes, jornalistas ou pensadores no segmento protestante nacional capazes de se posicionarem sobre assuntos que nos dizem diretamente a respeito ou mesmo onde se torna importante um posicionamento do ponto de vista cristão, bíblico, doutrinário.

O perfil evangélico no Brasil hoje é algo absolutamente diferente do que era há 15, 20 anos atrás. As práticas, estratégias e posturas das igrejas evangélicas e de seus líderes assumiram uma largueza de pensamentos, filosofias e discursos, que fica até difícil estabelecer o que de fato as une e faz com que sejam colocadas todas num mesmo segmento. A distância entre as igrejas históricas e as comunidades neo-neo-pentecostais é abissal, clara e evidente. E pela falta de pessoas que marquem posição perante a mídia e a sociedade, estamos todos sendo colocados no mesmo balaio e o resultado disso para a imagem da igreja evangélica brasileira tem sido devastador!

Vivemoso tempo das caretas, dos sorrisos, da festa, do triunfalismo, do auto-elogio, dos flashes … parece que realmente estamos no País das Maravilhas, onde tudo está perfeito, maravilhoso. A falta de senso crítico e de vozes que se posicionem junto ao meio evangélico nacional está trazendo prejuízos muito significativos.

Vivemoso tempo em que a unanimidade precisa ser cultivada ao extremo. Não se aceitam críticas! Não se aceitam pontos de vista diferentes. Se alguém reza (ou orapara ficar no linguajar mais adequado!) fora da cartilha é porque tem outros interesses ou está sendo usado pelo satanás! (sic) Pensar diferente significa não estar na mesma visão do reino (sim, com r minúsculo!).

Vivemoso tempo em que se retuita elogios e se bloqueia críticos. Apesar de que em certos casos, o bloqueio é mais do que necessário. Não há espaço para o diálogo. Não há espaço para a exposição e o debate de ideias. Está tudo padronizado, engessado, tiranicamente tabulado! A imprensa do segmento, em sua esmagadora maioria, simplesmente reproduz o texto oficial. Não há margem para questionamentos. E aí é interessante perceber que as redações dos grandes veículos de comunicação do país estão cheias de profissionais cristãos e muitos destes, começaram na atividade jornalística trabalhando em mídias evangélicas. Boa parte, entretanto, não teve condições de manter uma postura profissional e acabou migrando para a mídia secular.

Precisamos de mais pessoas falando, mais pessoas pensando, mais pessoas se posicionando, mais pessoas analisando de forma equilibrada o momento pelo qual passamos. Não precisamos de pessoas que gritam para defender suas opiniões, mesmo que comrazão em certos momentos. A fala pode ser mansa, mas incisiva, coerente, sensata. Não precisamos de pessoas que digam que estão nos defendendo quando estas não têm procuração da maioria e não atuam de acordo com os conceitos cristãos, nosso maior e mais importante código de conduta. Não precisamos de pessoas que se apresentam como líderes públicos e que se beneficiam no privado!

Acho que precisamos de mais pessoas como Joel da Silveira, um arguto observador de seu tempo, capaz inclusive de arriscar sua vida no front da Segunda Guerra Mundial acompanhando os pracinhas brasileiros na Itália.

Este blog tem um pouco dessa função. Não só de ensinar, de dividir conhecimento, mas de alguma forma provocar reações nas pessoas. Não falo de criar polêmicas, mas sim de provocar o livre pensar. Não falo de arrumar inimizades, mas sim de estabelecer padrões e não negociá-los por um simples clima de imposta e falsa cordialidade. Sinceramente creio que devemos mudar esse panorama.

Não curto líderes que se cercam de pessoas bajuladoras que sempre concordam comsuas opiniões. Particularmente prefiro muito mais uma amizade que aponta para os meus erros e me ajuda a crescer, do que ‘amigos’ que aplaudem sempre. É no plano das ideias e no debate que a sociedade cresce e se desenvolve. Sinceramente creio que o segmento evangélico no Brasil carece, e muito, de um debate de ideias buscando um aprimoramento e amadurecimento. Quando isto acontecer, certamente rotas serão corrigidas, detalhes serão observados e oReino (o com “R”maiúsculo) será honrado e valorizado de verdade.

Vamos em frente! Sempre!

Mauricio Soares, observador, debatedor por natureza, jornalista, alguém que tem muita esperança por dias melhores, buscando o aprimoramento, pai, publicitário.

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Confesso que não é muito fácil manter a qualidade dos textos aqui publicados e mesmo encontrar temas interessantes depois de mais de 4 anos mantendo ativo este blog. Já tentei por inúmeras vezes convidar amigos para escrever no Observatório, mas raríssimas foram as contribuições que recebemos de terceiros nestes anos.

E aí paira uma dúvida, será que o blog é tão desinteressante que meus convites acabam tornando-se insultos para aqueles que foram convidados?

Ou será que simplesmente meus amigos são ainda mais ocupados do que eu e é impossível que dediquem alguns minutos de suas vidas para escrever algumas linhas para o blog? Sinceramente não sei qual a verdadeira razão dessa escassez de contribuições alheias, mas enquanto isso, sigo na minha labuta cotidiana tentando manter viva a audiência deste espaço com algumas novidades e textos inéditos.

Estou escrevendo este post a caminho de Porto Alegre. Já me informei de que por lá encontrarei a máxima de 6 graus, ou seja, para um autêntico carioca praiano, estou seguindo rumo ao continente antártico esperando ser recepcionado por leões marinhos, focas e pinguins simpáticos com seus fraques sempre alinhados.

Além do frio glacial, outra novidade é que nesta viagem estarei contando com a companhia de meu filho primogênito. Resolvi mostrar a ele in loco como é o dia a dia do seu pai em meio às reuniões, visitas e eventos. Pra mim a viagem já é uma delícia, mas para ele imagino que seja um pouco entediante. De qualquer forma, vou tentar que seja o melhor possível para que ele me acompanhe em outras oportunidades.

Já embarcado comecei a pensar qual deveria ser o texto que deveria escrever enquanto estivesse no ar. Me vieram algumas ideias à mente e entre todas, uma me aguçou a vontade. E sobre ela iremos tratar a seguir.

De 10 reuniões que tenho com artistas em processo de contratação, pelo menos 9 deles me falam sobre o desejo de gravar um projeto em DVD. É impressionante como ainda temos artistas, alguns já bem consagrados, que não têm um histórico rico de produções em vídeo.

Até bem pouco tempo atrás, tive a felicidade de gravar o primeiro clipe oficial e profissional da cantora Shirley Carvalhaes. Com mais de 35 anos de carreira é de se surpreender que uma artista do porte dela ainda não tivesse tido a oportunidade de gravar um clipe musical. Mesmo em DVD, se não me engano, a grande dama da música pentecostal tem apenas uma única produção e isso deve ter se realizado há pelo menos uns 10 anos atrás.

Assim como a minha querida Shirley, outros grandes nomes carecem por mais registros visuais de suas obras. Em contrapartida, há uma série de artistas que fazem questão de gravar um DVD para cada lançamento em DVD como se isto fosse absolutamente normal e necessário. Há artistas com pouco mais de 10 anos de carreira com 8, 9 projetos em DVD já lançados. Isso é demais!

Então, pra começo de conversa, é bom que todo artista compreenda que um projeto em DVD é importante para a sua carreira artística, mas que como um registro histórico, deve ser tratado de uma forma mais parcimoniosa.

Levando em consideração o exemplo de artistas internacionais populares, a regra é mais ou menos de 4 a 5 lançamentos em CD para uma gravação de DVD. No Brasil, especialmente no meio sertanejo, esta regra não se aplica. Geralmente os cantores deste segmento costumam gravar 2 CDs para 1 DVD e às vezes chegam à loucura de gravar um DVD para cada lançamento. Mas a única justificativa para essa produção em massa nestes casos, é que os artistas sertanejos utilizam estes DVDs como um importante portifólio para a venda de shows para prefeituras, festas agropecuárias e rodeios por todo o Brasil. Além disso, estes artistas costumam gravar os projetos a cada 2 a 3 anos, que é em média o tempo de uma turnê completa pelo país.

No meio gospel, poucos são os artistas que utilizam-se do conceito de turnês ligadas especificamente a projetos musicais. Geralmente um show gospel é composto de músicas de sucesso da carreira e mais algumas músicas do último trabalho. No meio secular, a turnê de um projeto conta com o repertório maciço do mais recente trabalho – que dá inclusive nome à turnê – com algumas canções de sucesso pinçadas no repertório histórico do artista. Então, o argumento dos artistas gospel de que o DVD será uma ferramenta para a venda do mesmo show para prefeituras é parcialmente aceito, pois na verdade, quando o artista vai mesmo para a estrada, pouca coisa ou praticamente nada do que se vê no DVD é reproduzido na turnê.

Seguindo nesta toada, vale ressaltar que os artistas seculares conseguem reproduzir na estrada os seus DVDs com toda aquela mega produção de som, cenários, luz e efeitos, porque os valores de seus shows são bastante elevados, contrapondo por completo o que observamos no meio gospel. Hoje uma dupla sertaneja de médio porte tem cachês vendidos a 50 mil reais e realizam cerca de 20 eventos por mês. Artistas do primeiro time têm cachês em torno de 150 a 250 mil reais. Hoje, com raríssimas exceções, boa parte dos artistas de nível médio e alto na música gospel trabalham com cachês de aproximadamente 20 a 25 mil reais e participam de 5 grandes shows por mês, na mais otimista das hipóteses! A diferença entre estes dois mundos já começa por aí!

Falando de repertório de um DVD, o ideal é que o público participe ativamente a cada canção apresentada no show. E isso só é possível quando a música é amplamente trabalhada nas rádios, os discos tenham alcançado boas vendagens ou então, depois de um grande trabalho de massificação do artista na região onde o projeto seja gravado. E isto, em qualquer uma das 3 hipóteses, só se alcança com o tempo. Portanto, apresento mais uma justificativa para que um DVD reúna ao menos as canções de 3 discos anteriormente lançados.

Ainda sobre o repertório de um DVD, se o artista pretende que este produto tenha vida útil prolongada, então é fundamental que junto aos grandes sucessos, ao menos 3 canções inéditas sejam incluídas no projeto. É comprovado na história do mercado fonográfico que DVDs que reúnam apenas os hits de um determinado artista não conseguem mais do que 6 meses de destaque nas

vendas e no interesse do público. As músicas inéditas permitem que o disco seja trabalhado nas rádios por pelo menos mais 1 ano e com isso, aumentam consideravelmente o apelo do produto. Mesmo em projetos diferenciados como releituras acústicas de antigos sucessos, a inclusão de algo novo, de algumas músicas inéditas é bastante saudável.

No mercado secular é prática comum que a gravadora contribua com uma parte dos custos da produção do DVD e que o artista e seu empresário participem com outro montante dos custos. Esta ‘parceria’ é coerente porque boa parte do retorno financeiro do projeto se dará através da venda de shows do artista e em muitos dos casos, as gravadoras não recebem nenhum percentual de participação na agenda do artista, ficando tão somente com as vendas físicas e digitais provenientes do produto, o que em muitas vezes se torna insuficiente para a recuperação dos investimentos. Este mesmo conceito já vem sendo difundido no meio das gravadoras do meio gospel. Não se sustenta mais que apenas as gravadoras custeiam todo o projeto de DVD de seu cast, porque efetivamente a possibilidade de recuperação do investimento é baixíssima!

E aí vou destacar um dado muito interessante. É notório que o público evangélico não consome com a mesma volúpia dos consumidores seculares, os projetos lançados no formato DVD. Não sei o porquê desta cultura de não-compra de DVD no meio gospel tupiniquim. Já tentei pesquisar, analisar, avaliar, mas até hoje não consegui chegar a um veredito final sobre os reais motivos desta falta de empatia do público gospel para este tipo de produto. No meio secular brasileiro se dá uma tendência inversa ao do mercado gospel.

A venda de DVDs é bastante considerável ao contrário da venda de CDs que vem caindo sistematicamente. Em lançamentos de um mesmo projeto no formato CD e DVD, a venda do formato áudio/vídeo supera em mais de 60% os resultados do formato áudio somente.

No meio gospel é bem diferente. Em média, de cada 100 CDs vendidos de um projeto, apenas 20 ou no máximo 30 serão no formato DVD. Ou seja, as vendas de DVD no mercado gospel são muito baixas se comparadas ao mercado secular.

Com isso, cada vez menos as gravadoras do segmento gospel têm investido neste tipo de projeto. Numa rápida pesquisa, isso é facilmente comprovado.

Basta analisar-se os lançamentos em DVD nos últimos 10 anos e veremos claramente a tendência na queda de lançamentos nos 2 a 3 anos mais recentes.

Outra preocupação que se deve ter em relação à gravação de um DVD tem a ver com o apelo do projeto em si. A impressão de deja vu é recorrente, especialmente no meio artístico gospel. Faltam projetos diferenciados, criativos e com roteiros que surpreendam o público. Posso enumerar uma lista interminável de DVDs gravados em igrejas com painéis de LED ao fundo, músicos se espremendo e lutando por espaço no palco, 89 vocais enfileirados cada qual fazendo uma infinidade de caras e bocas, naipes de cordas disfarçando que estão tocando alguma coisa, quando na verdade, 99% são apenas fake.

Artistas gritando palavras de ordem como: Dê um grito de júbiloooooooooooooooooooo! Ou ainda: Vire-se para o seu irmão e diga blá blá blá blá … ou seja, mais do mesmo, sempre!

Se é para gravar um DVD, então invista todo o tempo necessário para buscar cenários diferenciados. Saia do lugar comum! Um dos DVDs mais bonitos que assisti nos últimos tempos foi o projeto do Natirutis gravado no alto de uma comunidade do Rio de Janeiro (favela hoje em dia é comunidade!) com toda a paisagem deslumbrante da cidade maravilhosa. O DVD começou a ser gravado no meio da tarde e prosseguiu com um pôr do sol fantástico e se estendeu até o anoitecer. Não havia ali mais do que 300 felizardos cantando todas as músicas e sendo premiados com um cenário extasiante.

Acho que faltam ao nosso meio, DVDs gravados em lugares inusitados ou que tenham propostas diferenciadas. Não vejo como fundamental que todo DVD tenha público gigante, milhares de pessoas. Particularmente prefiro projetos mais intimistas. Quando sento para assistir a um DVD, minha expectativa é de conhecer melhor o artista e sua arte. Não me preocupo muito com efeitos e multidão. É óbvio que um belo e grandioso cenário impressionam, mas no meu caso, o efeito disso é bem efêmero. Prefiro ver o artista, conhecer seu talento, ouvi-lo falar. Observo detalhes. Não me prendo no macro, prefiro o menos.

Um dos DVDs mais vendidos do meio secular no Brasil foi um projeto intimista, bem de estúdio. Os Tribalistas, que contou com a parceria de Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Carlinhos Brown, foi um projeto simples, despretensioso, mas que atingiu resultados fantásticos. Outro case de sucesso, foi o projeto Barzinho e Violão que reuniu diversos artistas da MPB interpretando músicas extremamente populares. O conceito era reproduzir o ambiente de um boteco onde amigos pegariam o violão e saiam cantarolando. Este projeto vendeu milhões de exemplares e gerou mais de 20 títulos em diferentes gêneros e parcerias. Uma ideia. Somente uma boa ideia. Nada de pirotecnia. Tenho algumas metas em minha vida profissional. E entre estas, sem dúvida, se encontram alguns projetos em DVD. Alguns projetos são bastante audaciosos, meio diferentes do que temos por aí. A maior dificuldade nem é executar estas ideias, mas encontrar um artista que a compre junto comigo. Com persistência e uma boa dose de papo eu creio que em breve conseguirei tirar do papel e de minha cabeça alguns destes projetos.

Já chegando ao fim deste texto, vale registrar alguns DVDs de nosso segmento que merecem registro especial. O Diante do Trono acaba de gravar um projeto no interior nordestino sob a direção do meu amigo e profissional da maior qualidade Alex Passos. Imagino que teremos boas novidades vindas daí como tem sido boa parte das produções que eles produzem. Outro DVD que merece atenção é o último trabalho do Juliano Son gravado na Igreja Bola de Neve em São Paulo. Com direção musical de Ruben di Souza e direção de vídeo de Hugo Pessoa, este projeto é um dos melhores já lançados no meio gospel em todos os tempos. Particularmente gosto muito do projeto Fé gravado por André Valadão em Vila Velha/ES. Participei ativamente deste DVD e orgulho-me do resultado deste projeto como um todo.

Um projeto que aguardo com muita expectativa é o DVD Princípio do Leonardo Gonçalves gravado recentemente no Teatro Bradesco em São Paulo, sob a direção de Hugo Pessoa. Em se tratando de Leonardo Gonçalves sempre esperamos um produto final de extrema qualidade e como pude participar de todo o processo de produção e gravação, já conferi que tudo ali está em primeira linha. Outro DVD especial, recentemente lançado é o novo projeto do Fernandinho gravado no HSBC Arena no Rio com a direção de Alex Passos. Ainda não pude assistir ao material, mas soube que está fantástico! Outro DVD que chegará ao mercado ‘causando’ é o primeiro registro em vídeo dus manos do Ao Cubo. No melhor estilo Black Eyed Peas com muitos figurinos modernosos, tecnologia em profusão, efeitos, figurantes e postura no palco, o quarteto fantástico da zona leste paulistana prepara um super produto que chegará às lojas nos próximos 2 meses.

Então, recapitulando um pouco do que comentamos neste texto, gostaria de destacar alguns aspectos para a análise e meditação dos meus diletos (e poucos, penso eu!) leitores.

– Cuidado para não banalizar seus projetos em DVD. Um DVD é um registro histórico e deve ser tratado como tal. O ideal é lançar ao menos 3 discos para cada DVD;

– Indispensável a inclusão de músicas inéditas no repertório;

– Cuidado com o orçamento do projeto. Boa parte dos investimentos em

DVD no meio gospel não são recuperáveis! Bom senso e canja de galinha não fazem mal a ninguém!

– Saia do lugar comum! Invista em projetos, ideias, locações e propostas diferenciadas para seu projeto em DVD. Neste caso, a participação de profissionais para dirigir o projeto da melhor forma, é fundamental!

Inicialmente pensei que este tema não fosse render tanto, mas me surpreendi.

Ainda há muita coisa para se comentar sobre DVDs, mas vou poupá-los por enquanto. Prometo retornar com esse assunto em outra oportunidade.

Vou despedindo-me neste momento com a aproximação dos pampas gaúchos. O piloto já iniciou o procedimento de descida e daqui já começo a pensar no meu almoço que certamente será um autêntico churrasco gaúcho. Também vou aproveitar a oportunidade e rever meus amigos da Tanlan. Mais uma vez insisto para todos os meus leitores para que conheçam o som dessa turma do sul.

Abraço a todos!

 Mauricio Soares, jornalista, publicitário, pai em tempo integral, completando em 2013 nada mais, nada menos do que 25 anos de labuta no mercado gospel. Um autêntico highlander!

Não há como negar que a JMJ realizada dias atrás no Rio de Janeiro trouxe novos ares na igreja católica brasileira.

A chegada do Papa Francisco com um discurso bem mais adequado com a realidade do povo também é algo que merece atenção.

Especialmente na área musical, é notório que o meio católico precisa dar uma guinada, dar uma boa sacudida. Assistindo a alguns shows, eventos, ouvindo alguns discos de artistas católicos, é bem claro que uma nova concepção artística precisa ser desenvolvida. E entre algumas boas novidades neste segmento, encontrei duas boas lufadas de ar puro …

Lucimare Nascimento, uma jovem multimídia bastante engajada no meio e que em breve entrará em estúdio para gravar seu primeiro projeto e Aline Brasil, outra jovem promessa. Outro nome que esteve na JMJ e que faz parte do cast da Provident é o cantor Matt Maher. Ele é considerado um dos mais importantes artistas do segmento e vale a pena conhecer profundamente o trabalho deste artista. Em breve vou tentar escrever um pouco mais a respeito da música católica, especialmente a brasileira.

Confiram os vídeos destes 3 artistas citados:

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O maior sucesso do mercado fonográfico em 2012 foi um disco de apenas 4 faixas do cantor Roberto Carlos. Este tipo de projeto, chamamos de EP, que significa Extended Play, ou seja, é um disco mais extenso que um single e menor que um tradicional CD. Ancorado no hit “Esse Cara Sou Eu”, este projeto vendeu a impressionante marca de 2,5 milhões de unidades e figurou na lista de músicas mais executadas nas rádios do país durante semanas. Se você esteve no Brasil no fim do ano passado, eu duvido que passou imune ao refrão “Esse Cara Sou Eu …”

Na época do vinil, muitas gravadoras utilizavam a prática de lançar discos com apenas 2 faixas. Esse projeto tinha como objetivo apresentar de forma antecipada duas das principais canções do álbum do artista. Dependendo do impacto e performance do EP, as equipes de A&R e marketing faziam um ou outro ajuste, ou na melhor das hipóteses, intensificava ainda mais as ações de lançamento do álbum. Com a substituição do vinil pelo CD, essa prática caiu em desuso. Os CDs passaram a ser lançados no formato original, contendo em média 14 faixas.

O mercado fonográfico talvez seja uma das indústrias mais dinâmicas do planeta. As mudanças de hábito dos clientes é constante. O que é sucesso hoje, amanhã torna-se um perfeito artigo de museu. A volatilidade neste mercado atinge graus inimagináveis! E especialmente, ainda, é um mercado, uma indústria visceralmente influenciada pelas novidades tecnológicas. Muito mais do que uma mudança de hábito por parte dos consumidores, o fator determinante da substituição do vinil pelo CD deu-se em função da indústria de eletro-eletrônicos. Quando estes decidiram parar de fabricar as vitrolas e investir em aparelhos de reprodução de CD, ali estava determinado o fim do vinil. Neste momento temos algo semelhante acontecendo. Algumas montadoras de automóveis no mundo já aboliram a inclusão de um tocador de CD no sistema de sonorização de seus veículos. Os aparelhos de CD passam a ser substituídos por conexões HDMI ou afins. Se isto tornar-se padrão na indústria automobilística, aí definitivamente a transição entre mercado físico e digital será ainda mais rápida do que o esperado. As mudanças neste segmento são muito intensas!

Com o fortalecimento do iTunes no mundo, as gravadoras voltaram a trabalhar o conceito de singles e mesmo EPs digitais. Hoje em dia, boa parte das gravadora já utiliza a estratégia de lançar o single do álbum físico no formato digital com algumas semanas de antecedência. E aí surge uma nova tendência no meio físico por influência do mercado digital. As gravadoras hoje em dia estão voltando a lançar projetos no formato EP. Especialmente no Brasil, depois do avassalador sucesso de Roberto Carlos, todo o mercado mudou rapidamente os seus conceitos.

Antes de prosseguir neste texto, sendo redigido em meio a insistentes avisos sonoros estridentes no saguão de embarque do aeroporto de Brasília (haja concentração!!!), quero registrar que a sugestão para este tema partiu do amigo Alex Eduardo, editor do site Casa Gospel. Registrada a devida fonte deste texto, seguimos com mais algumas informações…

Um dos maiores problemas de um A&R no momento de fechamento e definição de repertório com um artista é justamente manter firme a posição quanto ao número de faixas a serem gravadas. Se depender de alguns artistas, o CD seria uma espécie de Ben Hur musical distribuído em 3 ou 4 discos, uma verdadeira epopéia! Particularmente acho que 10 faixas são o ideal para um disco. Como todos sabem, um disco comporta até 73 minutos de áudio, mesmo que muitos artistas acreditem que isso é lenda e que é possível espremer um pouco mais como se o disco fosse uma espécie de mala retornando de Orlando … sempre cabe mais um pouquinho … não! Não é! Mesmo comportando 73 minutos, penso que manter hoje em dia alguém com a devida atenção para um CD por mais de 60 minutos é algo absolutamente impensável. Então, por que arriscar e, principalmente, gastar além da conta no projeto de produção de um CD com 14, 16 faixas?

Já fiquei sabendo que uma determinada gravadora gospel estabeleceu como padrão, a gravação de 10 faixas em cada projeto. Caso o artista insista em incluir mais músicas, a conta fica para o próprio artista. Sinceramente acho uma posição um tanto radical, mas de algum modo é bastante coerente essa decisão. Se um artista não consegue passar sua mensagem em 10 músicas, será que irá conseguir em 12, 14 … 16 faixas? Acho impossível! Ainda nesta questão, é importante que o artista entenda que o mercado está em franca transformação e de que o controle orçamentário de um projeto é tão ou mais importante do que o planejamento estratégico de marketing. Então, gravar mais uma faixa só para agradar ao compositor ou porque a música é ‘bonitinha’ … É algo impensável hoje em dia.

Os hábitos de consumo no meio fonográfico estão mudando radicalmente. Com a chegada do mercado digital, a facilidade de compra permite que o consumidor opte em comprar faixas, em lugar de um álbum completo. E neste caso, o artista de uma música só corre um sério risco de vender tão somente o single e se deparar com o ‘encalhe’ das demais faixas. Tentando exercitar meu lado futurólogo, creio que cada vez mais os artistas lançarão EPs, sejam digitais ou físicos. Uma das minhas apostas é que o artista diminuirá o tempo entre o lançamento de projetos inéditos que hoje gira em torno de 18 a 24 meses, para períodos de 6 a 10 meses.

Uma das principais vantagens do EP é justamente ter um projeto enxuto, com músicas realmente fortes! Caso a tendência de lançar-se novos discos em menos tempo, a possibilidade de termos singles de divulgação também aumenta bastante. Hoje em dia, boa parte dos projetos lançados tem apenas um único single – por questões de qualidade e principalmente de fôlego financeiro por parte das gravadoras e artistas. Se o EP for lançado a cada 6 meses, por exemplo, é bem provável que o artista tenha um single sendo executado para cada novo semestre. Ou seja, a vitalidade de seu trabalho aumenta consideravelmente.

Particularmente sou bastante favorável ao lançamento de EPs, mas também reconheço que esta é uma mudança cultural bastante sensível que afeta não só os consumidores, mas também os lojistas e os próprios artistas. Um primeiro passo já foi dado e agora cabe somente saber quem irá seguí-lo. Observemos!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, colecionador de bikes em miniatura, tricolor, entusiasta das inovações do mercado fonográfico.