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Antes que um dos nossos 69 leitores imagine que estamos passando por algum surto psicótico de produção em série de textos para o blog, antecipo-me explicando que durante o período sabático (falta de vontade mesmo de escrever!) anotava vários insights, temas e assuntos que posteriormente poderiam tornar-se textos. Alguns temas chegaram a ser razoavelmente desenvolvidos no período de ócio e agora começo a resgatá-los e dar-lhes vida aqui no blog. Quero agradecer às inúmeras mensagens, comentários e relatos de pessoas a respeito deste modesto espaço do livre pensar que acabou de comemorar 11 anos de existência … isso mesmo! O Observatório Cristão surgiu de forma despretensiosa, foi crescendo e hoje é algo acompanhado sofregamente por ao menos 69 leitores … um sucesso estelar!

E por falar em ‘sucesso’ começo a escrita deste post retornando para minha casa após 3 intensos dias na Capital Federal onde tive inúmeras reuniões e a oportunidade maravilhosa de participar como jurado no Eagle Festival, evento voltado a descobrir novos talentos da música gospel. Fiquei impressionado com a qualidade dos participantes, com a performance de muitos ali presentes, com a organização do evento, a estrutura e principalmente, a vontade de todos em buscar a excelência. E durante este festival ficou muito claro como temos possibilidades do surgimento de grandes nomes para a música gospel em pouco tempo. No entanto, alguns detalhes devem ser observados por todos aqueles participantes do festival, assim como boa parte dos artistas já inseridos no mainstream ou que atuam de forma independente no mercado artístico.

Falando especificamente de festivais (já que estão na moda neste momento entre nosso segmento) uma dica importante tem a ver com a qualidade do repertório definido para a apresentação perante os jurados. Se a ideia é fazer com que o candidato se destaque entre os outros tantos postulantes ao prêmio máximo, então nada melhor do que escolher um música que traga a melhor impressão possível. Então, busque selecionar canções que sejam confortáveis para sua voz (cuidado com os excessos!), com seu estilo pessoal e principalmente, que tenha qualidade suficiente para que sua apresentação deixe aquela sensação de “WOW! Que demais!”. Cantar um hino da Harpa Cristã mega popular, uma música de arranjo simples, sem grande empolgação, ou mesmo uma faixa que já foi exaustivamente gravada e executada no meio, definitivamente não aparenta ser uma boa decisão. E seguindo o que falamos no texto anterior que mencionava a questão das versões internacionais, escolher uma versão que está ‘bombada’ nem sempre se mostra como a decisão mais acertada justamente pela saturação da própria música e/ou pelo risco de outro candidato também interpretar a mesma canção causando comparações e aquela sensação de déja vu, o que não contribui em nada para a consolidação da imagem do candidato.

Um detalhe que parece não ter tanta importância, mas que configura um erro muitas das vezes trágico, é com relação ao figurino do candidato. Nem tão extravagante que pareça estar na passarela da São Paulo Fashion Week ou tão simplório que pareça que você estava a caminho da padaria e de repente resolveu passar por ali e cantar. Bom senso é fundamental. Roupas apertadas muitas das vezes são empecilho para uma melhor performance. Já tive oportunidade de participar de eventos em que uma determinada cantora não sabia se segurava o microfone ou abaixava a saia que insistia em subir, especialmente no momento em que as notas eram mais altas … bastante tenso! Muito mesmo! Atenção ao figurino! Roupas confortáveis, estilo, bom gosto e cuidado para que o visual não chame mais atenção do que a própria música e a interpretação da mesma. Um dia vou escrever especificamente a respeito desta questão de figurinos, mas já adianto que artista tem que se vestir como artista, sempre com algum detalhe, algum item especial. O artista tem uma certa liberalidade inerente à função que faz com que ele tem esse aval de ousar não só em sua arte, mas também em seu visual e é importante que todos façam uso deste requisito.

Neste último festival que participei percebi que muitos candidatos interpretavam suas canções de olhos fechados. Instintivamente esta atitude pode ter a ver com uma insegurança ou mesmo um mecanismo para que possa se ouvir melhor, se concentrar mais ou simplesmente sentir-se melhor diante dos jurados e da plateia. Tive a liberdade de fazer alguns insights entre as apresentações para fazer comentários sobre os candidatos, as músicas, as apresentações e esta questão dos “olhos fechados” recordo-me que abordei em determinada ocasião. E aí vai a dica: quando o cantor fecha os olhos é como se a conexão que existisse entre ele e a plateia fosse interrompida e isso não é algo positivo. O cantor não pode ficar de forma autista num mundo próprio diante do público, pelo contrário, ele precisa estabelecer conexões e se comunicar com todos. A isto chamamos de carisma, entrosamento, empatia entre o artista e o público. Isto não se consegue de olhos fechados! Se você é daqueles que se sentem inseguros diante de uma plateia a dica é encontrar no meio do público aquela pessoa que te parece simpática (sempre há ao menos uma pessoa!) e focar todo o tempo nela! Aquele sorriso, aquela cara de aprovação irá te motivar e deixar bastante seguro. Tente identificar na plateia ao menos umas 3 a 5 pessoas com este perfil e reveze-se entre elas. Isso sempre funciona!

O gestual também é algo que conta e muito! Uma determinada candidata entrou no palco como se estivesse diante do Rodeio de Barretos animando a galera presente! O nível de entusiasmo era tão grande que passou do ponto e se tornou algo caricato, ou seja, não favoreceu em nada! Não me lembro o que ela cantou, mas recordo-me da dancinha (um pouco fora de ritmo), da roupa de vaqueira e da animação nível Hard … Em contrapartida, o candidato não pode ficar que nem um daqueles ventiladores girando compassadamente da esquerda para a direita e vice-versa. Precisa passar segurança e sentir-se seguro … precisa preencher o palco com sua presença, por maior que seja a área. De vez em quando olhar para os jurados … interagir corporalmente com a música, enfim, precisa sentir a música e expressar este sentimento através de sua linguagem corporal. E para esta parte, minha sugestão é para que o candidato treine sua apresentação diante do espelho ou mesmo que grave em vídeo sua performance. Este simples recurso é infalível já que evidencia trejeitos e algumas posturas instintivas que muitas vezes não são tão favoráveis e perceptíveis ao candidato.

Outra dica é treinar exaustivamente a música da apresentação e se possível até mesmo o que vai se dizer, como cumprimentar os jurados ou a plateia. Quanto mais treino, mais possibilidade de tornar tudo muito mais natural. Muita gente pensa justamente ao contrário! De que quando se tem muito ensaio, perde-se a espontaneidade, mas não é assim que funciona, pois quando mais se treina, mais se tem controle sobre toda a situação e melhor capacidade de se lidar com as surpresas. Segurança se consegue à medida que se treina e se conhece os assuntos.

Um dos candidatos me fez a seguinte pergunta: Música autoral é um risco que merece ser assumido? Boa pergunta e a resposta que me vem à mente é muito simples! Se a música autoral tem qualidade, então é um risco que vale a pena correr. No entanto, é importante que o candidato deixe esta informação clara de todos, especialmente dos jurados. Falo por mim … sou um profissional que valorizo demais aqueles artistas que exercitam o dom da composição. E, neste caso, se um jovem postulante à carreira artística resolve se apresentar como intérprete tendo que defender uma canção autoral e esta tem qualidade, então a pontuação deste candidato aumenta consideravelmente. Ainda sobre o repertório, muitos destes concursos são divididos em etapas. Alguns têm fase seletiva, depois outras eliminatórias e no fim, uma grande apresentação para a escolha do vencedor. Muita atenção na escolha das canções (mais uma vez atenção para o alerta da escolha do repertório!) porque em cada fase é como se o candidato estivesse sendo avaliado unicamente por aquele momento e não pelo conjunto da obra. Recentemente um dos festivais em que participei, alguns candidatos que foram muito bem numa primeira seletiva, literalmente se afundaram numa segunda oportunidade e isto deveu-se na escolha equivocada da canção. Entendendo que a cada fase, o nível dos candidatos vai aumentando, o ideal é que as canções mais espetaculares sejam guardadas para as fases finais.

O piloto já avisou sobre o procedimento de descida. Preciso me antecipar e finalizar, ressaltando que boa parte desta dicas que direcionamos a jovens candidatos a festivais também são adequadas a artistas já estabelecidos. É impressionante como nos deparamos com artistas com alguns anos de estrada cometendo erros banais que são aceitos apenas para jovens e iniciantes.

Vamos em frente!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, palestrante, profissional atento a novos artistas, novos estilos, novas propostas. Esteja sempre preparado a dar o melhor de si, quem sabe um dia a gente não se esbarra por aí …

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Tenho reunido muitos insights para futuros textos no Observatório Cristão, mas por absoluta falta de tempo, não tenho conseguido trazer à vida todos os temas que neste momento estão apenas estocados em minhas anotações. Meu dia a dia tem sido muito intenso e isto deve-se também às mudanças no formato de trabalho digital. Se antigamente tínhamos 3 a 4 lançamentos por mês, nos longínquos anos em que trabalhávamos com projetos físicos, hoje em dia chegamos a ter 40 lançamentos em um único mês, muitas das vezes, 5 a 8 projetos simultâneos chegando ao mercado em uma única sexta-feira.

Mas para não deixar os 69 leitores com a sensação de abandono, reservei alguns minutos em meio a um vôo entre Beagá e Barreiras, o aeroporto mais perto de meu destino final, a cidade de Luís Eduardo Magalhães, no Estado da Bahia, para escrever um texto para o blog. E entre os tantos temas possíveis, escolhi uma frase que anotei durante uma reunião em que participei dias atrás. Em meio a tantas informações, comentários, novidades, uma frase proferida por um dos participantes me chamou a atenção a ponto de escrevê-la em meu caderno de anotações.

“O artista precisa entender que ele não vive um estado de espírito! Ser artista é antes de tudo, ter uma profissão!”

Para contextualizar esta frase, vale a pena comentar que estávamos diante de uma conversa entre profissionais da indústria fonográfica sobre como artistas que encaram a vida artística como uma profissão, alcançam resultados potencialmente superiores do que aqueles que a enxergam como uma qualidade, uma característica pessoal, algo etéreo, sobrenatural ou quase um destino.

Especialmente no ambiente evangélico esta definição de vida artística como profissão suscita debates acalorados, muito preconceito, muitas baboseiras, muita santarronice e raros momentos de lucidez. Em nosso segmento, a questão do chamado ministerial, introduz mais um componente nas discussões sobre o tema. Outro dia assisti a um debate com pastores-intelectuais-da-esquerda-festiva em que aqueles doutos detonavam os artistas e seus cachês. A impressão que tive era de estar diante de pessoas completamente santas, que viviam a cada dia o milagre do maná … o problema é que boa parte dos participantes daquela mesa, era de pessoas que já conheço faz muitos e muitos anos … e posso garantir de que todos, sem exceção possuem bons carros, propriedades, viajam constantemente ao exterior e têm seus soldos pagos por igrejas, instituições ou na venda de livros, camisetas e se sustentam à base de ofertas. De vez em quando um destes sites deploráveis de fofocas gospel lança matérias sobre cachês e exigências de artistas. Ou seja, há muita opinião a respeito do tema – o profissional de música cristã.

Mas o caminho que eu quero seguir não é por esta rota. Até porque já expus em diversos outros posts nas redes sociais e mesmo aqui no Observatório Cristão, o que penso sobre esta questão e minha falta de paciência nestes debates. O que eu quero falar a partir de agora tem a ver com a necessidade do artista de música gospel deixar de lado o amadorismo e passar a encarar seu ministério/trabalho como algo efetivamente braçal, estratégico, técnico, com mais transpiração do que só inspiração. Recentemente promovi um grande treinamento digital junto ao cast da gravadora em que estou à frente. Por mais de 8h tivemos um intenso dia de treinamento, conteúdo, palestras, apresentações, enfim, invertemos a posição dos personagens, onde os artistas ficaram na plateia (muitos atentamente anotando tudo!) e os profissionais assumiram o microfone. Confesso que havia momentos em que me impressionava com o nível de atenção dos artistas – mais de 50 presentes – e de todos os participantes do treinamento (algo em torno de 300 pessoas). Foi especialmente inspirador perceber, caneta e bloco de anotação à mão, uma decana como Aline Barros atentamente participando de tudo com um foco impressionante. Ou ainda ver artistas como Nívea Silva (que até uns meses atrás sequer sabia o que eram os apps de áudio streaming) ou Sandro Nazireu (outro também que até meses atrás não sabia se era de comer ou beber … completamente perdido) participando das palestras, interagindo e até sendo apresentados como cases, modelos a se seguir pelos demais.

Durante os dias que se seguiram ao treinamento, a mudança de postura dos artistas presentes foi surreal. A transformação chegou a ponto de nossa equipe escolher alguns dos participantes para serem monitorados pelos próximos meses, com o foco na performance digital. Alguns casos, em apenas 5 dias, cresceram mais de 60% no número de streamings. Outros, em pouco tempo aumentaram em mais de 1.000% o número de fãs nos perfis oficiais. Ou seja, com apenas algumas mudanças de atitudes e postura, os resultados cresceram exponencialmente.

Nestas 3 últimas semanas, coincidentemente fui entrevistado por algumas mídias e todas com foco no crescimento do consumo de música gospel nos aplicativos de áudio streaming. No caderno Ilustrada da Folha de São Paulo (mega destaque de capa) fui perguntado pela repórter sobre os motivos do atraso na transição do consumo de música gospel. É notório que ainda nem 5% do enorme contingente de evangélicos no Brasil (cerca de 60 milhões) já usufruem conteúdo gospel pelos apps de streamings. Minha resposta foi simples e direta. A culpa deste delay deve-se especialmente às gravadoras do segmento que demoraram a entender as mudanças da indústria e do consumo e, também a própria classe artística que manteve uma postura distanciada perante às transformações. O público consumidor, em minha opinião, não tem culpa alguma por este atraso monumental. Na verdade, os vejo muito mais como vítimas do que co-responsáveis por qualquer problema neste assunto.

Então, o foco no texto de hoje é estimular à classe artística a romper com este autismo, esta inércia endêmica. Hoje ao artista não é mais permitida a opção do “não mexo com isso!” ou “não entendo nada destas coisas de digital” – simplesmente não há mais espaço para esta postura! O artista precisa antes de mais nada entender que neste momento aqueles que manejam bem suas redes sociais e estabelecem estratégias e planos de ação, sairão à frente dos demais e muito seguramente manterão o posto de destaque entre o segmento musical.

E o que deve ser priorizado? O que o artista precisa fazer e focar para ter uma melhor performance em tempos digitais?

Adaptando um pouco do que apresentamos em nosso último treinamento, vou elencar algumas ações fundamentais para o artista neste momento a partir de questionamentos que temos recebido por parte de artistas nos últimos tempos. Então, prepare-se, vamos a um intensivo a partir das próximas linhas! Mas antes de destacar algumas ações, é fundamental que o artista se aprofunde no uso dos apps de áudio streaming. Não existe essa estória de divulgar o que de fato não se aplica ou não se conhece. Ao artista, neste momento, ter conhecimento sobre o universo digital é questão de sobrevivência.

O que eu devo priorizar? Aumentar o número de seguidores em redes sociais ou os perfis dos aplicativos de streaming?

Em primeiro lugar é importante deixar claro que uma prioridade não exclui a outra, ou seja, o ideal é que as estratégias sejam trabalhadas em paralelo. No entanto, se tivermos que optar (principalmente pela escassez de recursos para investimento) entre um ou outro foco, a opção em incrementar os perfis nos apps deve ser levada mais a sério. Esta opção aplica-se ainda mais aos artistas que já possuem bons números de seguidores nas redes sociais. O tempo do “me segue lá na rede social tal” já passou e agora o objetivo é incrementar o número de fãs nos perfis da Deezer, Apple Music ou Spotify, por exemplo. No caso de artistas iniciantes, sem tanta relevância nas redes sociais, o trabalho deve ser dobrado, porque não há lógica estimular seguidores nos perfis de áudio streamings se, este artista não possui uma boa base nas redes sociais.

Como venho falando sistematicamente, todo artista precisa contar com uma assessoria de marketing digital, porque este profissional irá estabelecer ações, estratégias, metas e objetivos para que o artista torne-se mais relevante nas redes sociais e, principalmente junto aos apps. E aqui, permito-me um comentário: é fundamental que o artista tenha uma postura participativa em todo este processo. Transferir a responsabilidade na aquisição de fãs para impulsionamentos ou estratégias de marketing e remarketing irá atrasar em muito tempo o alcance dos resultados. O artista precisa engajar-se neste processo, ou seja, falar todo o tempo sobre a importância de que os seus fãs o sigam nos perfis digitais.

O valor de monetização de vídeos caiu assustadoramente nos últimos anos. Ainda assim vale a pena investir em conteúdos de vídeos e em investimentos de impulsionamento?

Sim, sem dúvida! A música passou a ser visual e por isso, é fundamental que a produção de conteúdos em vídeo seja intensa e permanente. Se tem condições de lançar um single com clipe, perfeito! Se a grana e tempo não permitem, então invista ao menos em um Lyric Video e, se ainda assim, não for possível, ao menos coloque no ar um pseudo vídeo, lembrando que em todos os casos, é fundamental que o artista esteja monetizando sobre o número de views.

Há uma certa miopia neste momento quando se fala de investimentos digitais, especialmente no tocante ao impulsionamento de vídeos. Inclusive escrevi um texto a respeito meses atrás falando a respeito do conceito de organicidade, ou em um bom português, quando o resultado vem de forma natural, sem investimentos para um maior alcance. Se o artista acredita no potencial de sua canção, o mínimo que ele almeja é que sua produção seja assistida pelo maior número de pessoas e, portanto, nada mais natural que seja feito um investimento para que aquele conteúdo vá o mais longe possível. Então, não há nada de irregular em fazer investimentos! As pessoas confundem impulsionamento com a compra de seguidores (o famoso me engana que eu gosto!). O investimento digital é algo completamente normal, inteligente, estratégico (quando feito de forma profissional, técnica) e que comprovadamente dá muito resultado. Então, sobre este tema, mas uma vez reforço a necessidade de todo artista contar com a assessoria de um profissional de marketing digital. Não neglicencie esta dica!

As redes sociais são ferramentas de incremento ao consumo de música pelos apps?

Muito! Talvez sejam o melhor ambiente para que o artista comunique com seu público incentivando-o a consumir música no ambiente e formato correto. Infelizmente tenho observado (sim! me dou ao trabalho de pesquisar as redes sociais de vários artistas do segmento gospel, inclusive de artistas que não trabalhem comigo diretamente) que a imensa maioria dos artistas não faz uma única menção aos apps de áudio streaming. E isto é simplesmente assustador! Acho que a palavra certa não seria “assustador”, mas estarrecedor tamanha miopia da classe em sua própria sobrevivência. Os artistas gospel se identificam muito em fazer ações de merchandising de barbearias, cabelereiros, restaurantes, clínicas de estética, dentistas e afins … tudo na base descarada do “me tratou bem, divulgo em minhas redes”, mas pouquíssimos são aqueles que fazem campanhas para que o consumo da música (inclusive seu próprio conteúdo!) seja feito nas plataformas digitais. E aí tenho que relembrar que o ambiente correto de se ouvir são os apps de áudio streaming e não o YouTube (infelizmente o ambiente de consumo de música mais usual para boa parte do público gospel).

O distanciamento dos artistas gospel das plataformas digitais é algo que vem trazendo prejuízos grandes para o segmento como um todo, para artistas, em especial que não conseguiram se posicionar no ambiente digital e, de alguma forma, para o público consumidor que não enxerga e compreende a transição do formato de consumo de música para o digital. Este atraso, deve ser combatido e, sem dúvida, o principal campo de batalha, são as redes sociais.

Eu devo escolher uma plataforma e massificar minha comunicação direcionando tudo a este app?

Jamais! O artista não pode limitar-se a uma única plataforma de app de áudio streaming. É fundamental que o artista possua ao menos 2 contas nos apps em que o seu público esteja mais presente. É óbvio que no dia a dia, temos predileções por esta ou aquela plataforma, no entanto, a comunicação deve ser sempre direcionada a cada um dos públicos que estão presentes nos diferentes apps. Ou seja, esta frase manjada de “Em todas as Plataformas Digitais” tão usada nos flyers em redes sociais, deve ser substituída em divulgações separadas, pois quem consome música pela Deezer tem um perfil próprio, assim como Apple Music ou Spotify, apenas para citar as 3 principais. É fundamental que o artista mantenha atualizado cada um dos seus perfis. Há casos clássicos de artistas que sequer divulgam outra plataforma que não seja a que se relaciona como consumidor, com isso, ele abandona seus fãs à própria sorte e, sempre, os resultados de streamings ficam muito abaixo do potencial.

O artista precisa atualizar suas playlists, além de possuir conteúdos específicos para cada app. Isso dá trabalho? Sim, pode até dar pra quem ainda não encara esse processo como algo prazeroso, mas sendo trabalho ou deleite, a verdade é que todo artista precisa arregaçar as mangas e trabalhar! Sim, trabalhar! E assim encerro meu texto iniciado e finalizado em uma viagem para a cidade de Luís Eduardo Magalhães, no extremo oeste do Estado da Bahia onde fui palestrar a respeito justamente do mercado digital, música, estratégias e números. Fiquei especialmente surpreso ao me deparar com dezenas de pessoas, de diferentes idades, expectativas e estilos presentes na palestra promovida no meio de uma tarde ensolarada no meio do cerrado baiano. E mais ainda surpreso ao constatar que mais de 80% dos presentes já tinham uma conta em algum dos apps de áudio streaming. Isso é fantástico e cada vez mais estou convicto de que em mais pouco tempo teremos um número substancial de usuários digitais dentro do público evangélico no Brasil.

O resumo deste texto é que o artista precisa ser mais participativo. Precisa ser mais braçal e menos ‘dolce far niente’. Precisa se envolver com os processos e deixar de ficar assistindo a banda passar. Precisa divulgar e estimular o público a se engajar no novo formato de consumo de música. Precisa contar com profissionais capacitados à sua volta. Precisa entender que sem o suporte de uma gravadora com acesso às plataformas digitais, será como remando sozinho contra uma forte correnteza. Precisa, em outras palavras, trabalhar! Trabalhar. Trabalhar e, pra não restar dúvidas, trabalhar!

Então, não perca tempo, arregace as mangas e vamos trabalhar!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, consultor de marketing, alguém que neste momento não vê a hora de merecidas férias. Que venham logo, please!

No dia 20 de outubro a gravadora Sony Music lançou um projeto inédito e inovador, uma nova forma de lidar com a música dentro do conceito de divulgação e entretenimento através da web. O projeto Sony Music Live é uma grande aposta da empresa e tem tudo para ser também implantado nas filiais da companhia em outros países. A expectativa pelo sucesso do projeto é enorme e levando-se em conta os primeiros resultados e impressões de quem já conferiu e entendeu a iniciativa, as projeções são as mais positivas. O projeto que começou junto à área de música gospel já foi devidamente incorporado para toda a empresa, ou seja, nas próximas semanas teremos episódios do Sony Music Live com artistas cristãos e seculares em diferentes dias da semana.

O insight para este projeto surgiu durante minha última visita à sede da Provident, braço de música cristã da Sony Music localizada em Nashville, EUA. Numa reunião com os executivos da companhia questionei-os sobre a ausência de lançamentos de projetos de DVDs e a resposta deles foi categórica: “Não gravamos mais DVDs! Não há mercado mais para este formato. O DVD além de muito custoso rapidamente é disponibilizado na web. Ou seja, ficou um projeto inviável economicamente. Temos investido cada vez mais em conteúdo para a internet!” Ouvi atentamente aquela explicação e passei a pesquisar mais a respeito desta mudança no formato.

Nas semanas seguintes passei a freneticamente pesquisar modelos de clipes e afins, uma infinidade de conteúdos artísticos disponíveis na web. Percebi que nem sempre os clipes mais elaborados eram os mais acessados. Há um vídeo emblemático que sempre cito quando conto às pessoas sobre todo meu processo de pesquisa. Um determinado artista pop do primeiro time da música mundial, ganhador de diversos prêmios, com milhões de discos vendidos, inúmeros hits no topo da parada de rádios, pois bem esse mega pop star tem alguns vídeos quase caseiros, um dos quais gravado numa pequena livraria, com apenas uma câmera, sendo acompanhado por 2 músicos, inclusive o tecladista com uma mochila pendurada às costas. Em suma, a preocupação com a produção em si era a menor possível, o conceito é apresentar o artista e principalmente, sua arte em primeiro plano. Este vídeo tem mais de 50 milhões de views. Isso mesmo! Mais de 50 milhões de visualizações, o que certamente trouxe uma monetização absurda, tornando aquele simples vídeo uma ferramenta não só de divulgação, mas principalmente de geração de receita.

Em paralelo à pesquisa na web, comecei a estudar os números do mercado digital e observando linha a linha as receitas que aferimos em nosso projeto local constatei de que mais de 60% da receita digital de minha área era proveniente das plataformas YouTube/Vevo. Algo interessante começava a tomar forma naquele momento. Muitas reuniões depois com a equipe de New Business da gravadora comecei a formatar o projeto com meu parceiro de ‘viagens criativas’, Hugo Pessoa. Chegamos a uma ideia mais elaborada e apresentamos o projeto à gravadora com embasamentos técnicos, criativos e principalmente econômicos. Projeto e budget aprovados partimos para uma terceira fase, a realização do projeto em si e aí mais uma vez analisamos quais deveriam ser os artistas mais adequados para uma primeira fase do projeto. A dúvida era entre artistas muito populares ou artistas com relevância nas redes sociais e visualizações. Listas e seleções feitas, chegamos a um cast inicial de 10 nomes.

Mais reuniões, mais análises, muitas ideias foram surgindo nas reuniões de brainstorming com a equipe de Marketing Digital e New Business até que chegamos ao formato final que irá disponiblizar conteúdo inédito sempre às terças-feiras a partir das 18h no canal Sony Music Live no YouTube. Após acessar ao canal, o público irá migrar automaticamente para a plataforma VEVO onde ficarão os vídeos alocados nas páginas dos respectivos artistas. Por semana serão lançados entre 3 a 4 novos vídeos de um mesmo artista. A cada semana um novo artista será apresentado com episódios inéditos. Gabriela Rocha, Paulo César Baruk, Salomão do Reggae, Marcela Taís, Trazendo a Arca, Priscilla Alcântara, Leonardo Gonçalves, Os Arrais, são alguns dos artistas já confirmados na série que conecta pessoas e artistas dentro e fora dos palcos. O processo de seleção dos artistas passa prioritiariamente pelo grau de potencial de visualizações que cada artista traz em si. Neste item, alguns jovens nomes saem bem à frente se comparados com alguns medalhões do mainstream gospel.

Sony Music Live não é um DVD e muito menos um clipe. A cada episódio a série é gravada em um cenário inédito e exclusivo que nunca se repetem. Cada artista tem um conceito próprio e isso é respeitado pelos diretores de cada episódio, ou seja, manter uma proposta artística de acordo com o estilo de cada intérprete. Então, a cada semana o público sempre terá surpresas e muitas novidades. Após a estréia, cada episódio ficará disponível no canal oficial da série no YouTube e também nos canais exclusivos de cada artista na VEVO.

Sony Music Live é uma nova forma da indústria fonográfica lidar com as novas culturas, novas tecnologias, novos hábitos. Uma nova experiência se apresenta onde o público terá oportunidade de assistir a conteúdo de qualidade de uma forma diferente. Não costumo usar o blog para falar de projetos pessoais, mas neste caso abro mão de minha própria regra, afinal este é, sem dúvida, um projeto que tem tudo para sinalizar um caminho bastante interessante no mercado fonográfico, nada mais pertinente para o espírito deste blog.

Tenho me repetido muito ultimamente e batido sempre na tecla de que a música hoje em dia é totalmente visual. A própria expressão “você ouviu?” já foi alterada para “você assistiu?” tamanha a importância do vídeo na experiência do público com a música. Esta nova relação é o conceito gênese do projeto Sony Music Live, proporcionar ao público uma mudança no contato com o artista e sua música. Se você ainda não conferiu este projeto, fica a dica!

Enjoy!

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, diretor artístico e alguém ainda apaixonado pela música em suas diferentes formas e ambientes. Viva a boa música! Sempre!

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Neste momento o relógio já indica que passamos de meia noite e meia de uma quinta-feira na cidade de São Paulo. Estou na cidade há menos 7 horas e vivi uma das noites mais espetaculares e emocionantes dos meus últimos meses. Mesmo muito cansado depois de tanto trabalho, muitas viagens e um dia intenso de atividades, me sinto estimulado a colocar-me de frente ao meu computador para escrever algumas linhas sobre a experiência maravilhosa que vivi poucas horas antes.

No dia de hoje, a cantora Soraya Moraes, considerada uma das mais belas vozes do cancioneiro gospel tupiniquim, vencedora de inúmeros prêmios, inclusive o Grammy Latino, lançou na plataforma YouTube/Vevo o clipe da versão nacional da música “Happy”, sucesso de Pharell Williams, pop star mundial. A explicação para Soraya Moraes ter gravado essa música é bastante simples. Ela queria trazer uma mensagem de ânimo, de incentivo, de estímulo às pessoas num momento tão difícil pelo qual o nosso país atravessa. Só que o foco não seria necessariamente o povo brasileiro que vem enfrentando estas dificuldades, mas especialmente um grupo específico de brasileirinhos e brasileirinhas que enfrentam diariamente algo bem mais trágico do que qualquer cidadão comum. Estou falando das crianças e adolescentes vítimas de males causados pelo câncer.

O vídeo da música “Feliz” terá seus direitos revertidos ao GRAACC, hospital privado localizado em São Paulo e que cuida de crianças e adolescentes com câncer. Este hospital é referência no mundo com mais de 70% de sucesso no tratamento, quando na verdade, no país esse índice é de apenas 40%. A cidadã Soraya Moraes já mantém vínculo com este projeto há muitos anos e resolveu fazer um pouco além doando os royalties do vídeo diretamente para a instituição.

Vim a São Paulo especificamente para participar da coletiva de imprensa do lançamento do vídeo. Já na chegada fiquei bem impressionado com a beleza e a sofisticação do lugar. Tudo muito bonito, moderno, agradável e principalmente, colorido, algo bastante incomum para um ambiente hospitalar. Dirigi-me à recepção e ali já fui festivamente recepcionado por 2 senhores de meia idade com camisetas do GRAACC com os dizeres “Cerimonial Voluntário”. Percebi de cara de que estaria entrando num lugar onde a solidariedade se faz presente. Subi ao sexto andar e lá fui recepcionado por Soraya e seu esposo, o querido Marcão. Em poucos minutos fui apresentado ao coordenador de relações institucionais do GRAACC, o dinâmico e solícito ‘Serginho’. Em menos de 30 segundos de conversa ele ‘sequestrou-me’ levando-me para uma visita guiada pelos diversos andares do hospital. O que eu vi foi uma aula de bom uso dos recursos em prol de algo nobre e necessário em nossa sociedade. A estrutura do hospital foi totalmente adaptada a atender às necessidades de crianças e adolescentes em pleno tratamento médico de uma forma lúdica, criativa, agradável e principalmente respeitosa!

Confesso que me emocionei diversas vezes visitando aquelas salas onde crianças lutam pela sobrevivência e pelo reestabelecimento pleno. Já de volta ao local da coletiva de imprensa curti muito por ver uma grande presença de profissionais de mídia. O evento se iniciou e logo a gerente geral de desenvolvimento institucional, Tammy Allersdorfer, apresentou um belo vídeo do GRAACC. Em seguida fui convidado a dar uma rápida palavra e ainda emocionado fiz questão de frisar que o vídeo “Feliz” era algo muito menor perante a relevância do projeto do GRAACC e que todas as mídias deveriam se engajar nesta campanha.

Já no fim do pequeno evento, pedi a palavra mais uma vez para comentar algo que naquele momento me incomodava bastante. Mais cedo, ainda pela manhã comecei a ler alguns dos comentários postados no YouTube a respeito do clipe. Em meio a muitas manifestações positivas pelo vídeo e pela música, alguns comentários chegavam cheios de rancor, agressividade e uma dose de acidez e santarronice, pelo fato de uma música ‘secular’ ter sido versionada para um conceito cristão. Depois de ter visitado as instalações do GRAACC e de entender as motivações da cidadã Soraya Moraes na empreitada, algo me incomodava profundamente e foi isso o que eu quis externar ao fim da coletiva. Como já falei antes, a qualidade da música , a coreografia dos dançarinos, a profundidade da versão, a performance dos muitos artistas que participaram, da qualidade das imagens e locações … de verdade, nada disso importa neste momento! O que faz esse vídeo especial não é o que assistimos, mas verdadeiramente o que podemos ajudar à GRAACC através da monetização dos views. Sinceramente eu não estou preocupado nem mesmo com as opiniões, sejam positivas ou negativas. O que me importa é que o vídeo seja assistido e re-assistido e novamente assistido tantas e tantas vezes possível porq        ue somente assim podemos de alguma forma contribuir para aquela instituição e diretamente salvar as vidas daquelas crianças e adolescentes em tratamento.

Minha palavra neste momento é de incentivo. Que os 66 leitores deste blog possam clicar quantas vezes for possível neste vídeo e assim ajudarem ao GRAACC. Que estes mesmos 66 leitores possam divulgar em suas redes sociais, entre seus amigos e familiares este material. Não me importa se este clipe ou esta música não irão ganhar nenhum prêmio do mercado, ou mesmo se na área destinada aos comentários alguns obtusos escrevam mensagens não muito simpáticas. O que vale a pena neste caso é que simplesmente as pessoas cliquem no vídeo. Só isso já irá ajudar centenas de crianças e famílias que dependem do trabalho do GRAACC.

O GRAACC é mantido essencialmente por contribuições de pessoas físicas, empresas e patrocinadores. As verbas públicas não ultrapassam 25% das receitas da instituição. Nas paredes do hospital há diversas placas com nomes de mantenedores do projeto. Numa rápida pesquisa infelizmente não me deparei com nenhuma editora, gravadora ou empresa do mercado gospel entre estes doadores. Nem mesmo igrejas! Pra quebrar essa ‘cultura’ nas próximas semanas estarei à frente de algumas ações especiais relacionadas à música e arte, contando inclusive com a participação de artistas numa grande visitação às crianças e famílias do GRAACC. Vamos fazer nossa parte!

E pra quem quiser conhecer um pouco mais do GRAACC e contribuir com essa causa, basta clicar www.graacc.org.br

Vamos agir!

 

Mauricio Soares, jornalista, publicitário e a partir de agora, voluntário-consultor-de-marketing do GRAACC. 

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Começo a escrever este texto sob o impacto de assistir a um determinado vídeo de um, até então, pop star do meio artístico gospel. Em poucos minutos o referido cantor simplesmente detona o universo artístico gospel, se coloca acima da média dos demais, profere um monte de baboseiras, mistura egocentrismo com determinação divina, fala, fala, fala … até que o vídeo acaba. Imagino que aquela cena tenha se estendido por muitos e muitos minutos e confesso que nem imagino como tenha sido concluída. Também tenho enorme curiosidade de saber sobre a reação do público, mas imagino que todos tenham ficado perplexos com o discurso-nada-a-ver-muito-doido daquele artista ali presente.

Sobre a reação do público, lendo alguns comentários nas redes sociais percebo que a interpretação deles não foi nada alvissareira, nem um pouco positiva, longe de se comemorar. Os impropérios vão dos mais intensos, alguns impublicáveis, até aqueles mais comedidos que simplesmente se dizem chocados ou outros mais ‘espirituais’ que apenas mencionam: Oremos! O certo é que se o cantor tinha uma estratégia de chocar, nisso pode comemorar soltando fogos, porque suas palavras e atitudes certamente contribuirão ainda mais para atrapalhar sua imagem perante o mundinho gospel. É o que eu chamo de estratégia harakiri artístico, seguindo o ritual de suicídio, algo comum na cultura japonesa. Triste fim.

Hoje em dia tudo é filmado, fotografado, registrado, ou seja, não existe mais aquela sensação de que as informações, os fatos, os comentários ficarão restritos aos poucos (ou nem tanto) presentes. A informação segue numa velocidade impressionante e as distâncias simplesmente desaparecem. O que acontece em Cabrobó, em pleno sertão de Pernambuco, pode em poucos segundos ser assistido em Okinawa, do outro lado do mundo.

Só no Brasil temos hoje mais de 280 milhões de aparelhos de celulares. Muitos dos quais com câmeras, acesso web, aplicativos, redes sociais, ou seja, são milhões de potenciais ‘jornalistas’ com ferramentas em mão para viralizar imagens e notícias em tempo praticamente real. Muitas notícias que estampam jornais ou mesmo são publicadas e veiculadas em sites, rádios e TVs surgiram a partir de registros de cidadãos comuns que simplesmente sacaram seus celulares na hora certa, no lugar certo onde a notícia surgia. A partir de um registro, muitas das vezes despretensioso, uma série de desdobramentos se iniciam alcançando enorme repercussão na mídia e na sociedade.

Voltando o foco para o universo artístico gospel, observo que muitos artistas do segmento parecem não entender que as coisas mudaram. E como mudaram! Hoje em dia não se pode mais simplesmente sair por aí falando o que ‘der na telha’ como se não houvesse consequências. Ampliando ainda mais, não se pode falar e nem postar fotos como se somente os mais ‘íntimos’ tivessem acesso àquele conteúdo. O problema é que o artista hoje tira a foto e coloca imediatamente o conteúdo em suas redes sociais sem uma melhor análise se aquela imagem, texto ou vídeo realmente podem ser colocados em público. Melhor do que ser ágil em retirar das redes sociais uma foto que não convém é simplesmente não postar nada!

Atualmente há profissionais que dão assessoria de comunicação para atletas, políticos, artistas. Ainda não muito comum no meio gospel, media trainning é uma importante ferramenta que deve ser cada vez mais utilizada em tempos de redes sociais e micos descomunais! Pra quem não está familiarizado ao termo, media trainning , nada mais é do que um treinamento promovido por um profissional, geralmente um jornalista ou relações-públicas, que orienta seu cliente na forma correta de agir, responder, portar-se diante de câmeras e entrevistas. E engana-se quem pensa que este profissional apenas poupa o cliente de falar besteiras, muito pelo contrário! Este tipo de consultoria serve prioritariamente para que o cliente aproveite ao máximo as oportunidades que surgirem. Por exemplo, no caso de um locutor de rádio (algo bem comum no nosso meio) não conseguir fazer com que a entrevista flua com qualidade, um artista bem treinado poderá de forma espontânea e segura fazer uma grande entrevista sem necessariamente contar com a participação do rapazinho outro lado da mesa.

Na verdade, todo tipo de ajuda e orientação é bem vinda desde que feita por um profissional gabaritado. Agora, de nada adiantará estar rodeado de profissionais se o próprio artista não entender a importância de ser orientado. O artista precisa ter humildade suficiente para atender às indicações de seu staff. Hoje em dia com a grande concorrência que temos no mundo artístico quanto menos se complicar melhor será.

Pra bom entendendor, pingo é letra …

Mauricio Soares.

A ideia é aproveitar ao máximo a oportunidade destes dias onde estarei fora do meu escritório em meio a mais uma convenção internacional. O ritmo de produção para o blog está frenético e durante os próximos dias teremos uma periodicidade de um texto inédito a cada 2 ou 3 dias sendo publicados, algo bem diferente de nossa realidade habitual. Isso, se nosso editor-censor, Jeferson Baick, permitir que tudo o que está sendo produzido realmente chegue ao conhecimento dos nossos 66 leitores.

Recentemente postei um texto que falava sobre a falta de sensibilidade de alguns criticos que detonavam a realização de eventos promocionais como tardes de autógrafos e afins. Infelizmente para aqueles leitores que curtem o blog pelas dicas artísticas e de marketing que aqui são publicadas, confesso que estou numa fase mais beligerante, tendo que lidar com alguns aspectos e temas que vêm me incomodando muito nos últimos tempos. Há algumas semanas atrás, em meio a um feriado e diante de um tempo em que não tinha nada, absolutamente nada a fazer ou para me distrair, resolvi dar uma navegada em sites, blogs e fanpages. Em determinado momento de minha viagem internética me vi diante de uma postagem na fanpage de uma empresa do segmento fonográfico. Li o texto institucional que divulgava o lançamento de um determinado projeto. Agora não me recordo se era um CD ou um DVD, mas era um lançamento, disso não tenho dúvida. Comecei a ler em seguida alguns dos comentários do público e é a partir daí que quero dedicar algumas linhas neste novo texto.

João Lira – Ah, essa cantora já deu! Prefiro muito mais a XXXXXXXXX que é uma cantora do poder! Affff …

Melquiades Lino – Que capa horrorosa! O disco é bom, mas que foto é essa!

Joana Machadão – Artista? E onde está a adoradora? Meu Deus, como a música gospel mudou nestes anos!!!

Kelvin Jones – Alô gravadora XXXXXXX você precizam se ligar. Istamos quereno saber mais notísias da cantora XXXXXX. Depois não reclamem se ela for para a XXXXXXXXXXX

Jorge Nunes – Linda! Maravilhosa! Diva! Meu sonho é tirar uma foto contigo! Beijo, me liga!

Luis Cascaes – Vai te converter minha irma sucesso jesus não e isso pintura vaidade e mundo converta XXXXXXXXXX

Clotilde Silva – Os arranjos são fracos! A letra é fora da doutrina bíblica! Os riffs de guitarra são pobres …

Carlinhos Fogo Santo – Essa turma só quer vender! Só quer ganhar dinheiro! Quero ver cantar na minha cidade de graça!

* Todos estes textos acima os nomes são fictícios. Já os comentários são todos baseados em fatos, inclusive a forma não ortodoxa do que conhecemos como língua portuguesa.

Ao me deparar com alguns destes comentários nada amigáveis e outros de teor meio duvidoso, aproveitando meu tempo ocioso e de verdade, sem ter nenhuma pena de mim mesmo, resolvi aprofundar-me na pesquisa a respeito daquelas pessoas que pareciam tão cheias de si, tão profundamente experientes, cheias de santidade, de senso estético e principalmente, de opinião. Aí fui um a um destes perfis para conhecer um pouco mais daquelas pessoas. E a impressão é de que o perfil destes críticos se repete a ponto de podermos estabelecer um modelo-padrão. Esta experiência pude compartilhar em meu perfil pessoal no Facebook e fiquei impressionado com a resposta que obtive aos meus comentários. Como meu perfil é restrito aos amigos, minhas postagens não recebem mais do que 3 ou 4 comentários (sempre das mesmas pessoas, rs) e especialmente naquele dia passou de 30 mensagens a respeito de minha ‘pesquisa’.

De acordo com o Data-Soares, cerca de 89% das pessoas que usam as redes sociais para atacar determinadas artistas do universo gospel passam mais de 12 horas conectadas na web por dia, o que me faz pensar que efetivamente não trabalham, não estudam ou que não tem nada a fazer além do que ficar enchendo a paciência alheia. São os chatos on line que se divertem simplesmente atacando a tudo e a todos indistintamente.

Destes chatos on line, há um subgrupo que são os membros de fã-clubes. Neste subgrupo, tudo o que é relacionado à artista (ou ao artista) venerada é maravilhoso, surreal, fantástico, mesmo os figurinos assustadores cheios de babados, cores vibrantes e cortes psicodélicos, isso sem falar da profusão de adereços insólitos. Se é da diva, o feio torna-se lindo, o estranho se torna sofisiticado e até os filhos com carinha de flagelados da seca, são fofos, lindos, um charme! Haja falta de bom senso, my God! Em contrapartida, se esta ‘diva’ tem alguma concorrente à altura ou que trabalhe no mesmo universo artístico, aí esta é taxada de inimiga mortal e merece ser queimada como uma Joana D’Arc em praça pública. Os chatos-fãs vão infernizar a vida da ‘concorrente’ postando mensagens agressivas, injuriosas, criando fatos negativos e tudo mais que venha a atrapalhar. Muitas das artistas que sofreram esse tipo de ataque acabam parando em terapeutas, partindo para o contra-ataque nas redes sociais transformando a web num ringue de TeleCatch, ou melhor de Web-Catch ou ainda, optando pelo simples bloqueio (pra mim o método mais eficaz) daqueles que a atacam nas redes sociais.

Dos críticos pesquisados, cerca de 78% residem em cidades com menos de 100 mil habitantes. O que me faz imaginar que estejam muitas das vezes acessando a web através de Lan Houses onde a diversão é simplesmente exercitar o poder democrático da opinião. Pelos perfis analisados, mais de 90% destes residem em cidades onde a livraria evangélica mais próxima está localizada há uns 200 qulômetros de distância, o que também nos faz crer que não são consumidores tão vorazes de produtos originais. E por falar nisso, alguns dos perfis pesquisados comentam abertamente em suas postagens que têm como hábito visitar sites de downloads ilegais de conteúdo. Nada mais a comentar neste assunto …

Do ponto de vista etário, os comentários são feitos em sua grande maioria por experientes seres de 12 a 24 anos, ou seja, trata-se de um grupo social bem jovem e isto nos traz um paradoxo, afinal sendo tão jovens como estes personagens possuem tanta experiência para expressar opiniões profundas em diferentes assuntos como design, música, moda, teologia, física quântica, comportamento, marketing, mercado digital, administração, tendências e outros assuntos? Estamos diante de um verdadeiro enigma e não me arrisco a decifrá-lo. Talvez um dia eu peça opinião destes mesmos experts em tudo para que solucionem esse problema!

Neste grupo de críticos há outra característica que se repete com muita frequência. Boa parte da turma é formada por adolescentes, rapagotes que adoram fazer selfies com trejeitos, muitos biquinhos, camisetas apertadinhas, vez ou outra com brincos em suas orelhinhas e entre as preferências pessoais, ao lado de cantoras pentecostais, nos deparamos com uma seleção eclética que vai de Beyoncé (A poderosa!), Rihana (A atrevida!), Mariah Carey (A Diva!), Madonna (A Top!), Whitney Houston (A insuperável!), Cláudia Leitte (Divina!), Ivete Sangalo (Arraso total!) só para citar algumas. Em meio a estas selfies, os meninos ainda postam mensagens com versículos bíblicos, fotos com suas divas gospel, fotos com seus amigos e alguns vídeos em que cantam os sucessos de suas artistas. Alguns destes inclusive se aventuram numa carreira artística sonhando com um dia em que também terão seu séquito de seguidores.

Seguindo com os dados estatísticos, cerca de 62% dos comentários são redigidos em um dialeto todo próprio com uma leve influência do que conhecemos como língua portuguesa. Palavras como ANCIOSO, BENÇA e coisas do tipo são bastante comuns. Outra característica deste grupo são mensagens absolutamente sem pé e nem cabeça, quase um enigma que precisa ser decifrado. O cara vai pensando e do jeito que vai digitando a mensagem é enviada, algo como uma coisa meio psicografada no melhor estilo Chico Xavier. Talvez seja isso mesmo, alguns destes seres estão em pleno momento de transe e o resultado desta epilepsia mental pode ser conferido on line nos comentários postados nas redes sociais. Uma coisa de outro mundo mesmo!

Uma característica entre os entendidos e críticos dos projetos gráficos é que boa parte deles são auto-denominados designers. São jovens que fizeram algum curso na internet ou por correspondência e que já se acham aptos a dar palpite no trabalho alheio. Alguns são prodígios e sequer tiveram um tipo de preparo técnico, são autênticos auto-didatas. O problema é que entre estes não encontrei nenhum tipo de trabalho mais relevante produzido. Algumas poucas capas para cantores independentes que lançaram seus projetos em mídia roxa na região de Mococa e arredores, no interior de São Paulo. Nada contra Mococa, por favor! Alguns destes críticos-designers se divertem produzindo capas alternativas para mostrarem às gravadoras como o projeto poderia ficar melhor, são os autênticos engenheiros de obra pronta. Ou seja, pessoas de fino trato, éticos e que na verdade, estão buscando uma oportunidade e optam em atacar os outros profissionais do seu segmento.

Entre os comentários virulentos, especialmente aqueles que trazem uma conotação de Santa Inquisição, cerca de 98% é formada por jovens que almejam no futuro se tornar pastores ou algo envolvido ao ensino teológico. Percebi que muitos destes, em seus perfis pessoais gostam de postar mensagens em vídeo daqueles líderes que adoram bravejar e gritar frases de efeito, quando não sapateiam e dão giros no púlpito como aquela roleta do Silvio Santos. Tem que ter poder! Eita … é muita glória mermão! Outra característica desta turma é que eles têm como hábito fazer um verdadeiro périplo por igrejas e eventos. Uma espécie de Tour do Reteté … ao fim, postam suas selfies, dão testemunhos da noite de poder e voltam para a web a fim de encontrar e denunciar os infiéis que insistem em deturpar os santos ensinamentos e doutrinas. Fogo neles!

Entre estes santarrões há um sub-sub-grupo que foca principalmente seus comentários nas questões sócio-econômicas. É usual vê-los cobrando por parte dos artistas que estes doem seus cachês, que cantem em reuniões de oração, que subam os morros e se apresentem em igrejas de 20 membros, que doem todos os seus bens, que distribuam de graça seus discos e que mantenham instituições de caridade. Na concepção destas pessoas, os artistas de música gospel deveriam ser hippies vivendo de artesanato comercializado nas portas das igrejas, sobrevivendo da caridade alheia, afinal de graça recebei, de graça dai …

E entre estes experts há duas categorias que merecem toda atenção e nas quais farei questão de mencionar finalizando este texto. O primeiro grupo dos experts é formado por estudiosos da música, gente que estagiou com Tom Jobim, fez especialização em Berkeley, trabalhou na Broadway, compôs para os filmes da Disney e que de lambuja ainda trabalhou como jurado do X-Factor, ou seja, experiência plena na área musical. Estes seres são mais presentes em blogs que hoje surgem como praga na web. As opiniões apresentadas em textos jornalísticos (KKKKKK … não contive a gargalhada!) ou na área de comentários são prodigiosas. Sinceramente mesmo com mais de 25 anos de estrada no segmento me sinto um estagiário ao deparar-me com a riqueza de análises desta turma referente às músicas produzidas no nosso segmento. Quem lê um destes textos imagina estar diante de uma Bárbara Heliodora (recém-falecida crítica de teatro, maior especialista da obra de Shakespare no país) da música gospel. Em 93% dos casos, estes críticos não sabem tocar um único instrumento musical, não compuseram uma única música ou têm algum envolvimento com o mercado fonográfico. Ou seja, é melhor eu não falar mais nada …

Mas nem só de música essa turma que critica livremente na web está focada, não mesmo! Muitos destes também se aventuram em analisar as estratégias de marketing das gravadoras e dos artistas. Em minha mesopotâmica pesquisa, deparei-me com Washington Olivettos em profusão, com Jack Welchs aos borbotões, em Steve Jobs pra dar com o pau! O grande problema, ou melhor, o grande paradoxo (mais um, incrível!) é que 99,78% destes críticos que entendem de tudo de marketing, estratégia, promoção, planejamento e marketing digital também não possuem um único case de sucesso ao longo de suas prodigiosas carreiras. Ou melhor, sequer possuem carreiras profisisonais, pois muitos ou ainda são estudantes ou estão desempregados ou trabalham em outras áreas de negócios. Procuro ler todos estes comentários com especial atenção, afinal aprender é um ato contínuo para toda a vida. Estes críticos querem definir o tempo certo de liberação de um single para as rádios, também o momento ideal para se liberar (gratuitamente) uma música pro povão, a divulgação de uma capa e até mesmo o programa de TV em que se deve agendar a ida do artista. Neste caso, especialmente, é só uma questão da gravadora obrigar a produção do programa de TV para convidar o artista, simples assim.

Enfim, a web tornou-se território livre e democrático onde todos podem expor suas opiniões, desejos, postar suas fotos, expor suas vidas, comunicar-se com os amigos, e por isso mesmo, estamos sujeitos a ter que lidar com todo tipo de gente e situações. Já vivi uma fase em que me importava bastante com os comentários destes críticos, mas hoje em dia prefiro tratá-los simplesmente como uma turma de personagens inseguros que na verdade apenas gostariam de ter um pouco mais de atenção. Quando um destes comentários ultrapassam o limite mínimo de educação, respeito e bom senso, simplesmente uso a ferramenta de bloqueio ou de catapultar o referido personagem para fora de minha área. Se no mundo real isso configuraria em algum delito ou algo mais grave, no mundo cibernético é algo normal e, pra falar a verdade, bastante saudável.

Nos últimos anos tive que acudir alguns artistas que não souberam lidar bem com as críticas e acabaram entrando em crise. Devemos separar a crítica, aquela que é feita de forma educada, coerente e através de alguém que merece nosso crédito, dos simples ataques ácidos, covardes e tendenciosos. Neste caso, jamais devemos levar a sério algo que não merece ser tratado como tal. Respire, conte até 20 e depois simplesmente delete!

Vou ficando por aqui. Daqui a pouco desembarco na Cidade de Panamá onde coincidentemente neste momento está havendo a Cúpula das Américas com a presença da digníssima senhora presidente Dilma Roussef e boa parte de seus asseclas do PT. Espero sinceramente não encontrá-la deitada na praia curtindo o sol caribenho. Seria uma imagem que poderia trazer sérios transtornos à minha mente pelos próximos anos!

Enjoy!

 

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, pai, tricolor e para que não restem dúvidas: EU não votei na Dilma!!!!

Nestes dias estou em meio a uma intensa maratona de divulgação com a cantora Damares por 4 cidades. Começamos por Goiânia, fizemos uma rápida passagem por Brasília e neste momento sigo direto para Fortalezaonde ficaremos por mais 3 dias e de lá seguiremos para Vitória com mais 2 dias de trabalho. Me impressionei com a quantidade de mídias segmentadas na terra do pequi. Antigamente pensava que em Goiânia tínhamos apenas duplas sertanejas, mas hoje posso incluir outra categoria de personagens, os apresentadores de TV. É impressionante a quantidade de programas de conteúdo cristão nas TVs locais. Com isso, fica ainda mais evidente a importância desta região no cenário gospel, inclusive com a realização da primeira edição da Gospel Fair, feira de negócios que será realizada no mês de abril na capital goiana.

Ainda sobre Goiânia, destaque para a diversidade de emissoras de rádio atingindo diferentes públicos, cada qual desenvolvendo um bom trabalho na região. Na verdade, não há nenhum outro lugar do país que possui tamanha opção de emissoras de rádio evangélicas. Por fim, aproveito este espaço para agradecer ao apoio da equipe da Live.com Assessoria e suas incansáveis sócias Karlla Karize e Janaína. Se você pretende desenvolver umprojeto na área artística gospel, especialmente no centro-oeste, o caminho mais fácil é justamente através do apoio destas meninas!

Passado o momento Milton Merchan Neves, vamos seguir com o texto de hoje. Dias atrás estava eu entretido em meus afazeres profissionais, entre e-mails, textos, planilhas e ligações, dei uma rápida espiada em algumas redes sociais. Diariamente, ao ligar meu computador, imediatamente clico em alguns sites de notícias e ato contínuo abro os links de meu instagram, facebook e twitter. E num destes momentos de olhadela para ver o que estava acontecendo nas redes sociais, eis que me deparo com um pequeno papo virtual entre os editores do site Gospel Musikas e Casa Gospel, os amigos Danilo e Alex Eduardo. Como um intruso curioso, observei a troca de comentários entre os dois a respeito de artistas que acreditavam ser a solução para suas carreiras o simples fato de terem seus projetos sendo distribuídos por gravadoras nos ambientes virtuais.

Aproveitando este gancho, resolvi dedicar estes meus momentos de vôo até Fortaleza, completamente espremido na poltrona, assim meio torto, meio de lado, para escrever um pouco mais sobre este tema levantado pelos editores citados anteriormente.

Efetivamente o crescimento do mercado digital é uma realidade e irreversível. Mesmo para os mais céticos, inclusive no mercado gospel, este é um fato consumado! Neste ano fiscal, acredito que 30% do faturamento líquido de minha operação já será creditada aos parceiros digitais. No mercado secular brasileiro, tudo indica que em 2013 as vendas digitais significaram algo próximo aos 40% das receitas das gravadoras. Nos EUA e emalguns outros países, as vendas digitais superaram 50% do resultado e seguem em franco crescimento. Ou seja, a venda de CDs ainda poderá se manter forte nos próximos anos, mas efetivamente a cada período a tendência é de que as vendas digitais seguirão em crescimento. Talvez a grande dúvida hoje seja sobre o tempo de vida útil  da mídia física. Ou por quanto tempo estas vendas físicas se manterão relevantes dentro do resultado das gravadoras, mas de uma coisa ninguém duvida: as vendas digitais se tornarão absolutamente relevantes e transformarão os hábitos de consumo de conteúdo.

Somente nestes 3 dias em que estive por Goiânia recebi 8 CDs e mais 3 DVDs. Conheci muitos jovens artistas locais, ouvi referências elogiosas de muitos nomes. Ou seja, duvido que ao retornar ao Rio de Janeiro não traga em minha bagagem ao menos 25 CDs e outros tantos DVDs. E posso assegurar que muitos destes produtos e artistas estão prontos para ingressarem numa gravadora e serem trabalhados de forma mais profissional, mas como atender a toda esta demanda? Simplesmente é impossível, do ponto de vista do planejamento, de investimentos ou mesmo de atenção necessária ao artista e ao projeto. Não tem como uma gravadora desenvolver um projeto de qualidade para dezenas de artistas. O cast realmente precisa ser reduzido e as decisões sobre contratações devem ser tomadas de forma muito fria e racional.

Há algum tempo atrás li um artigo publicado numa revista norte-americana sobre um estudo realizado entre as gravadoras. Na pesquisa, comprovava-se que para um artista de sucesso, cerca de 800 outroseram avaliados e investidos. É quase como ganhar na Megasena da Virada apostando-se apenas um cartão! Em minha carreira já tive alguns projetos que viraram sucessos retumbantes, mas a lista de artistas que ficaram pelo caminho também é muito extensa, na verdade, bem maior do que a anterior. O que podegarantir um projeto de sucesso? Simplesmente nada! Mas eis que estamos diante de uma novidade para o mercado fonográfico e que de alguma forma, diminui sensivelmente os riscos de se apostar em promessas. Estou falando da distribuição digital de conteúdo.

Hoje as gravadoras estão apostando em artistas que possuem relevância nas redes sociais, além de visibilidade em seus vídeos e que conseguem se destacar em meio a todo este frenesi que se tornou a web. Se um artista tem um vídeo com milhares, às vezes milhões de views, já há um forte indício de que temos algo interessante à frente. Antigamente o A&R tinha que correr por bares, festivais, shows em pequenas casas à procura de um artista promissor. Hoje em dia, este profissional tem a web como sua forte aliada. Basta fazer uma pesquisa no YouTube, nas redes sociais ou mesmo no Google para se certificar se estamosdiante de um novo fenômeno ou não.

O primeiro passo hoje para que um A&R arrisque menos no investimento de jovens artistas é justamente utilizar-se da distribuição digital. Em 2013, a Sony Music lançou um novo projeto, o Sony Music Digital, como o próprio nome sugere, trata-se de um projeto piloto em que o artista passa a ter todo o seu conteúdo em áudio e vídeo distribuídos comexclusividade pela gravadora. Nesta parceria, o artista passa a ter não somente o seu disco e vídeos nas plataformas digitais como iTunes, VEVO, operadoras de telefonia, Deezer, entre outros, como ainda passa a ser trabalhado maciçamente nas redes sociais da gravadora, além de ter suporte da equipe da empresa para seus próprios canais. Aparentemente é a redenção para as gravadoras e mesmopara os artistas que passam a fazer parte e ter acesso a todo o ambiente tecnológico sem maiores investimentos ou entraves. Sim, esta é uma parte donegócio, mas engana-se que apenas isto já basta para ter milhares de álbuns vendidos, agenda lotada de eventos ou singles de sucesso.

Como comentaram, Alex e Danilo, nossos parceiros de mídia gospel, erra redondamente o artista que pensa ter atingido o nirvana apenas porque agora faz parte de um selo digital. Neste tipo de parceria, oartista tem papel fundamental para o sucesso da empreitada. É necessário que o artista incremente e trabalhe de forma focada e profissional suas redes sociais. Um artista que tem 10 mil seguidores notwitter ou na fanpage não terá muita relevância para resultados expressivos na venda de álbuns ou singles no iTunes. Observem que o iTunes é como uma enorme biblioteca de conteúdos com milhares e milhares de discos, músicas, conteúdos, cada um buscando a atenção do consumidor. Se o artista não é relevante do ponto de vista de seguidores, as chances do produto ficar criando teias de aranha virtual são enormes! Então, o primeiro passo é incrementar as redes sociais!

Outra questão importante é municiar de conteúdo os canais próprios, principalmente na questão dos vídeos. Quando falamos de vídeos, vamos desde os tradicionais clipes aos Web Vídeos (só o áudio e umaimagem fixa), Lyric Vídeos (áudio e letras em movimento sincronizado), ensaios em estúdio, vídeos tutoriais ou gravações de eventos, só para citar alguns. Quando um artista faz parte de um selo digital é criado um canal exclusivo nas plataformas de vídeo, seja YouTube ou Vevo como no caso da Sony Music Digital. E nestes canais exclusivos, o artista deve incluir farto material para justamente manter ativo e atraente ao público, aumentando assim a visibilidade de seus vídeos e consequentemente a monetização dos mesmos. Além dos vídeos, o artista pode criar álbuns ou singles exclusivos em áudio. Muitas das vezes pode-se gravar uma versão acústica de uma determinada canção ou mesmo uma versão remix. O certo é que plataformas como o iTunes permitem que o artista não refreie sua capacidade de criação e produção, pelo contrário, tudo o que é produzido, mantendo a qualidade é claro!, pode ser lançado nas plataformas. O segundo passo é investir na criação de conteúdo!

Agora, não é porque sua produção é digital que o artista precisa se trancar no quarto de sua casa para conectar-se com o mundo exterior! Nada disso! A estratégia tradicional de ‘ir aonde o povo está’ mantém-se firme e forte mesmo em tempos digitais. Ou seja, nada substitui ocontato pessoal. Nada substitui o trabalho de cantar nas igrejas, de ralar dia a dia à procura de espaços para se mostrar o talento. Já falei nisso antes e repito agora. Muito mal comparando, a igreja é como o barzinho para os cantores seculares! Um artista que não gosta de cantar em igrejas, que está à procura apenas de grandes palcos, está literalmente fadado ao insucesso. Além disso, um artista ‘digital’ precisa trabalhar em sua divulgação da mesma forma que um artista ‘físico’, ou seja, focado no relacionamento com as mídias, especialmente as rádios e programas de TV. E neste caso, até por se tratar do mesmo ambiente, um artista ‘digital’ precisa ter uma grande estrutura de mídia e promoção na web. Hoje em dia já há algumas empresas que se propõe a assessorar os artistas nas mídias sociais. Vale a pena analisar esta possibilidade, mas com muito critério porque há uma enxurrada de jovens “açessores” prometendo ajuda nesta área mas que na verdade só ficam tuitando o dia inteiro. Em terceiro lugar, não deixe de trabalhar nos moldes tradicionais! Vá para a estrada, não escolha agenda, trabalhe muito e também foque na comunicação de forma profissional!

Dependendo do acordo com o label digital, veja a possibilidade de produzir algum material físico, seja um CD promocional ou mesmo um DVD com release e clipes. Há muitos artistas que optam por lançar um CD com embalagem ‘envelope, uma versão mais simples do que o digipack ou jewelcase, a caixinha tradicional de acrílico. Com este material, o artista pode em suas apresentações ter algumtipo de remuneração na venda dos produtos ao público, além de servir como um importante material de divulgação. Mas neste caso, é fundamental que o artista incentive ao máximo a compra do conteúdo digital. O CD promocional tem que ser apenas uma degustação do que o público encontrará na versão digital. Crie uma opção física para incrementar avenda digital.

Se o artista digital conseguir trabalhar de forma organizada estes aspectos, as chances de conseguir bons resultados é bem maior. No entanto, é importante ressaltar, por mais que pareça óbvio, que o artista precisa ter qualidade! O que faz toda a diferença, seja num projeto físico como digital, é a música! A música pode transformar um adolescente do interior num astro pop mundial. Então, antes mesmo de buscar o espaço num selo digital, o fundamental é que o artista tenha conteúdo de qualidade, que tenha relevância, talento e uma boa dose de perseverança! Há inúmeros casos de artistas que foram lançados em selos digitais e que em pouco tempo tornaram-se artistas nos moldes tradicionais de gravadoras como a jovem Marcela Taís e a banda gaúcha Tanlan, atualmente no cast da Sony Music.Fica a dica!

Chego ao fim do texto com meu pescoço doendo horrores, minha coluna ‘gritando’ e minhas pernas formigando. Que coisa! Preciso de uma cama bem confortável e um relaxante muscular urgente! E a senhorinha do meulado roncando a plenos pulmões … que fase!

Obrigado Danilo e Alex Eduardo pelo insight. Vamos em frente!

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, necessitando do auxílio de um acupunturista cearense, torcedor do Fluminense e já sonhando com os camarões, lagostas e todas as iguarias dos próximos dias!

Chego ao fim de 2013 com todas as minhas baterias pedindo socorro! Precisam ser recarregadas imediatamente com risco total de pararem de uma hora para outra! Sem dúvida, este foi um ano de grandes desafios, muito trabalho, grandes mudanças e muito, mas muito stress e tensão. Mas como Deus sempre tem um carinho especial (completamente imerecido, que fique bem claro!), chego ao fim deste ano com a sensação clara de que os resultados foram muito além do que esperava e almejava.

As grandes transformações que eram esperadas e mesmo planejadas no mercado fonográfico definitivamente aconteceram a partir de 2013. É impressionante como podemos confirmar tendências que foram percebidas há 2, 3 anos atrás que neste ano se tornaram realidade. Uma das mais visíveis, sem dúvida, é o crescimento do mercado digital e o afunilamento do mercado em se tratando do número de players. Chegamos ao fim de 2013 comemorando mais 2 contratos de parceria onde passamos a assumir todo o processo de distribuição de labels. Agora, já são em 5 o número de gravadoras que passam a ser administradas pela Sony Music, sendo a mais recente, a gravadora Dos3 Music.
Nesta época do ano sempre nos deparamos com as listas dos mais mais do ano … é um tal de lista do mais chique, do mais mala, do maior mico do ano, das grandes catástrofes, as grandes tragédias, os grandes sucessos e por aí vai. Então, para não ficar nesta mesma tendência, este post (certamente um dos últimos de 2013) irá elencar não os grandes fatos de 2013, mas destacar alguns dos prováveis nomes que poderão se destacar no mercado gospel nos próximos anos. Este é um exercício de análise e projeção. Preste atenção! Não se trata de nenhuma ‘profecia’, ‘uma palavra liberada’, ‘mãe Dinah gospel’ ou qualquer outra coisa que se assemelhe. Apenas vou de forma muito light, destacar alguns jovens artistas que eu creio e torço para que se destaquem num futuro não muito distante.

O ano de 2013, sem dúvida, foi o ano do boom de um jovem artista gospel de Goiânia. Ele não canta, não dança, mas justamente põe todo mundo pra se mexer ao som de seus loops, bate estacas e elevados decibéis. Estou falando de DJ PV, que em minha modesta opinião, é o que de mais criativo e novo surgiu no meio gospel nos últimos 3 anos. O rapaz chegou com toda sua estrutura, foco e atitude e tomou conta do pedaço, sendo hoje a maior referência de música eletrônica no segmento gospel em todo o país. Não tenho a menor dúvida de que 2013 foi o ano de posicionamento deste artista no meio. Mas efetivamente aposto todas as minhas fichas de que em 2014 será o ano da consolidação e popularização deste artista em todo o cenário nacional.

E de Goiânia vem mais duas boas apostas para 2014. Em 2013, o Ministério Pedras Vivas decidiu-se por ampliar sua área de atuação para além de Goiás e de forma muito organizada e atuante, suas canções tiveram excelente repercussão em praças competitivas como São Paulo e Minas Gerais. O CD Oceano de Amor vem conquistando excelente repercussão nas mídias, igrejas e junto ao público. Num universo onde por anos reinaram as músicas do Ministério Diante do trono e Renascer Praise, é importante perceber o surgimento de mais uma opção no meio da música congregacional. Outro artista jovem de Goiânia que estou curtindo e acreditando ser uma boa promessa no futuro é Léo Brandão que recentemente lançou o álbum “Infinito Amor”. O rapaz mescla um honesto som pop com bases eletrônicas, algo bem moderno e agradável. A proposta é bem teen com influências bem contemporâneas. Vale a pena conferir um clipe que lançou meses atrás da canção “Teu Amor Não Tem Fim”.

Saindo do Centro-Oeste, sigo em direção à São Paulo e me deparo com uma jovem cantora que conheci recentemente e que me impressionou muito pela qualidade de seu disco. Estou falando de Sarah Renata com seu projeto “Princípio” (IVC). Não consegui obter muitas informações sobre sua carreira, perfil ou mesmo clipes. Acho que isso ainda pode ser melhorado bastante daqui em diante, mas o que pude ter acesso ao seu projeto (e talento) já me chamou muito a atenção. Este disco foi produzido por Lito (não sei é o Atalaia) e contou com participações de Felipe Valente, Baruk, Rachel Novaes e Nayane Soares. Ainda em São Paulo, outra artista que vem me chamando especial atenção e que eu torço pelo sucesso é a jovemRoberta Spitaletti. Inclusive já a mencionei em algum texto publicado aqui mesmo no Observatório Cristão meses atrás. Esta é uma cantora que me surpreende a cada novo vídeo ou apresentação. Além de cantar e compor de forma diferenciada, ainda toca violão com grande eloqüência. Vale a pena conhecer um pouco mais desta artista.  Seguindo ainda por Sampa, tenho acompanhado à distância o crescimento de Jéssica Augusto. A cantora que se destacou em grupos corais, hoje é considerada como uma das mais promissoras artistas mesclando pop, pentecostal e black music. Potência e carisma à flor da pele! Um dos eventos que mais me doeu não ter marcado presença foi justamente a gravação de um projeto com esta cantora durante a Semana de Arte Cristã promovida pela Salluz.

Assim como o DJ PV, mencionado no início deste texto, outro artista que consolidou-se em 2013 e certamente dará um salto ainda maior em 2014 é a dupla André e Felipe. De forma contundente, essa dupla que veio com força a partir de Joinvile/SC tomou conta do segmento pentecostal sertanejo chegando ao ponto de 22 eventos em único mês. Algo realmente impressionante! Opinião unânime entre locutores, lojistas, músicos e profissionais do segmento, André e Felipe estão alguns degraus acima dos demais em se tratando de música sertaneja no meio gospel. E seguindo esta mesma toada, os irmãos talentosos e simpáticos, bem estilosos, têm tudo para fazer 2014 com enorme sucesso!
Como alertei anteriormente, este post não seria um tratado final. Seria apenas uma análise bem light do que está acontecendo e do que pode acontecer de positivo na carreira de alguns artistas no próximo ano. Certamente poderemos incluir alguns nomes em outros textos mais à frente. É o que temos pelo momento!
Um grande Natal e um 2014 de muita paz, amor, saúde, música de qualidade e como já mencionei em meu Instagram dias atrás, com menos decibéis! Chega de tanta gritaria no meio gospel.


Mauricio Soares, publicitário, jornalista, palestrante e um profundo observador do mercado fonográfico. Aproveito este espaço para agradecer ao departamento jurídico da Portuguesa por ter feito tanta trapalhada a ponto de permitir que o meu Fluminense permanecesse na primeira divisão.