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No dia 20 de outubro a gravadora Sony Music lançou um projeto inédito e inovador, uma nova forma de lidar com a música dentro do conceito de divulgação e entretenimento através da web. O projeto Sony Music Live é uma grande aposta da empresa e tem tudo para ser também implantado nas filiais da companhia em outros países. A expectativa pelo sucesso do projeto é enorme e levando-se em conta os primeiros resultados e impressões de quem já conferiu e entendeu a iniciativa, as projeções são as mais positivas. O projeto que começou junto à área de música gospel já foi devidamente incorporado para toda a empresa, ou seja, nas próximas semanas teremos episódios do Sony Music Live com artistas cristãos e seculares em diferentes dias da semana.

O insight para este projeto surgiu durante minha última visita à sede da Provident, braço de música cristã da Sony Music localizada em Nashville, EUA. Numa reunião com os executivos da companhia questionei-os sobre a ausência de lançamentos de projetos de DVDs e a resposta deles foi categórica: “Não gravamos mais DVDs! Não há mercado mais para este formato. O DVD além de muito custoso rapidamente é disponibilizado na web. Ou seja, ficou um projeto inviável economicamente. Temos investido cada vez mais em conteúdo para a internet!” Ouvi atentamente aquela explicação e passei a pesquisar mais a respeito desta mudança no formato.

Nas semanas seguintes passei a freneticamente pesquisar modelos de clipes e afins, uma infinidade de conteúdos artísticos disponíveis na web. Percebi que nem sempre os clipes mais elaborados eram os mais acessados. Há um vídeo emblemático que sempre cito quando conto às pessoas sobre todo meu processo de pesquisa. Um determinado artista pop do primeiro time da música mundial, ganhador de diversos prêmios, com milhões de discos vendidos, inúmeros hits no topo da parada de rádios, pois bem esse mega pop star tem alguns vídeos quase caseiros, um dos quais gravado numa pequena livraria, com apenas uma câmera, sendo acompanhado por 2 músicos, inclusive o tecladista com uma mochila pendurada às costas. Em suma, a preocupação com a produção em si era a menor possível, o conceito é apresentar o artista e principalmente, sua arte em primeiro plano. Este vídeo tem mais de 50 milhões de views. Isso mesmo! Mais de 50 milhões de visualizações, o que certamente trouxe uma monetização absurda, tornando aquele simples vídeo uma ferramenta não só de divulgação, mas principalmente de geração de receita.

Em paralelo à pesquisa na web, comecei a estudar os números do mercado digital e observando linha a linha as receitas que aferimos em nosso projeto local constatei de que mais de 60% da receita digital de minha área era proveniente das plataformas YouTube/Vevo. Algo interessante começava a tomar forma naquele momento. Muitas reuniões depois com a equipe de New Business da gravadora comecei a formatar o projeto com meu parceiro de ‘viagens criativas’, Hugo Pessoa. Chegamos a uma ideia mais elaborada e apresentamos o projeto à gravadora com embasamentos técnicos, criativos e principalmente econômicos. Projeto e budget aprovados partimos para uma terceira fase, a realização do projeto em si e aí mais uma vez analisamos quais deveriam ser os artistas mais adequados para uma primeira fase do projeto. A dúvida era entre artistas muito populares ou artistas com relevância nas redes sociais e visualizações. Listas e seleções feitas, chegamos a um cast inicial de 10 nomes.

Mais reuniões, mais análises, muitas ideias foram surgindo nas reuniões de brainstorming com a equipe de Marketing Digital e New Business até que chegamos ao formato final que irá disponiblizar conteúdo inédito sempre às terças-feiras a partir das 18h no canal Sony Music Live no YouTube. Após acessar ao canal, o público irá migrar automaticamente para a plataforma VEVO onde ficarão os vídeos alocados nas páginas dos respectivos artistas. Por semana serão lançados entre 3 a 4 novos vídeos de um mesmo artista. A cada semana um novo artista será apresentado com episódios inéditos. Gabriela Rocha, Paulo César Baruk, Salomão do Reggae, Marcela Taís, Trazendo a Arca, Priscilla Alcântara, Leonardo Gonçalves, Os Arrais, são alguns dos artistas já confirmados na série que conecta pessoas e artistas dentro e fora dos palcos. O processo de seleção dos artistas passa prioritiariamente pelo grau de potencial de visualizações que cada artista traz em si. Neste item, alguns jovens nomes saem bem à frente se comparados com alguns medalhões do mainstream gospel.

Sony Music Live não é um DVD e muito menos um clipe. A cada episódio a série é gravada em um cenário inédito e exclusivo que nunca se repetem. Cada artista tem um conceito próprio e isso é respeitado pelos diretores de cada episódio, ou seja, manter uma proposta artística de acordo com o estilo de cada intérprete. Então, a cada semana o público sempre terá surpresas e muitas novidades. Após a estréia, cada episódio ficará disponível no canal oficial da série no YouTube e também nos canais exclusivos de cada artista na VEVO.

Sony Music Live é uma nova forma da indústria fonográfica lidar com as novas culturas, novas tecnologias, novos hábitos. Uma nova experiência se apresenta onde o público terá oportunidade de assistir a conteúdo de qualidade de uma forma diferente. Não costumo usar o blog para falar de projetos pessoais, mas neste caso abro mão de minha própria regra, afinal este é, sem dúvida, um projeto que tem tudo para sinalizar um caminho bastante interessante no mercado fonográfico, nada mais pertinente para o espírito deste blog.

Tenho me repetido muito ultimamente e batido sempre na tecla de que a música hoje em dia é totalmente visual. A própria expressão “você ouviu?” já foi alterada para “você assistiu?” tamanha a importância do vídeo na experiência do público com a música. Esta nova relação é o conceito gênese do projeto Sony Music Live, proporcionar ao público uma mudança no contato com o artista e sua música. Se você ainda não conferiu este projeto, fica a dica!

Enjoy!

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, diretor artístico e alguém ainda apaixonado pela música em suas diferentes formas e ambientes. Viva a boa música! Sempre!

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Neste momento o relógio já indica que passamos de meia noite e meia de uma quinta-feira na cidade de São Paulo. Estou na cidade há menos 7 horas e vivi uma das noites mais espetaculares e emocionantes dos meus últimos meses. Mesmo muito cansado depois de tanto trabalho, muitas viagens e um dia intenso de atividades, me sinto estimulado a colocar-me de frente ao meu computador para escrever algumas linhas sobre a experiência maravilhosa que vivi poucas horas antes.

No dia de hoje, a cantora Soraya Moraes, considerada uma das mais belas vozes do cancioneiro gospel tupiniquim, vencedora de inúmeros prêmios, inclusive o Grammy Latino, lançou na plataforma YouTube/Vevo o clipe da versão nacional da música “Happy”, sucesso de Pharell Williams, pop star mundial. A explicação para Soraya Moraes ter gravado essa música é bastante simples. Ela queria trazer uma mensagem de ânimo, de incentivo, de estímulo às pessoas num momento tão difícil pelo qual o nosso país atravessa. Só que o foco não seria necessariamente o povo brasileiro que vem enfrentando estas dificuldades, mas especialmente um grupo específico de brasileirinhos e brasileirinhas que enfrentam diariamente algo bem mais trágico do que qualquer cidadão comum. Estou falando das crianças e adolescentes vítimas de males causados pelo câncer.

O vídeo da música “Feliz” terá seus direitos revertidos ao GRAACC, hospital privado localizado em São Paulo e que cuida de crianças e adolescentes com câncer. Este hospital é referência no mundo com mais de 70% de sucesso no tratamento, quando na verdade, no país esse índice é de apenas 40%. A cidadã Soraya Moraes já mantém vínculo com este projeto há muitos anos e resolveu fazer um pouco além doando os royalties do vídeo diretamente para a instituição.

Vim a São Paulo especificamente para participar da coletiva de imprensa do lançamento do vídeo. Já na chegada fiquei bem impressionado com a beleza e a sofisticação do lugar. Tudo muito bonito, moderno, agradável e principalmente, colorido, algo bastante incomum para um ambiente hospitalar. Dirigi-me à recepção e ali já fui festivamente recepcionado por 2 senhores de meia idade com camisetas do GRAACC com os dizeres “Cerimonial Voluntário”. Percebi de cara de que estaria entrando num lugar onde a solidariedade se faz presente. Subi ao sexto andar e lá fui recepcionado por Soraya e seu esposo, o querido Marcão. Em poucos minutos fui apresentado ao coordenador de relações institucionais do GRAACC, o dinâmico e solícito ‘Serginho’. Em menos de 30 segundos de conversa ele ‘sequestrou-me’ levando-me para uma visita guiada pelos diversos andares do hospital. O que eu vi foi uma aula de bom uso dos recursos em prol de algo nobre e necessário em nossa sociedade. A estrutura do hospital foi totalmente adaptada a atender às necessidades de crianças e adolescentes em pleno tratamento médico de uma forma lúdica, criativa, agradável e principalmente respeitosa!

Confesso que me emocionei diversas vezes visitando aquelas salas onde crianças lutam pela sobrevivência e pelo reestabelecimento pleno. Já de volta ao local da coletiva de imprensa curti muito por ver uma grande presença de profissionais de mídia. O evento se iniciou e logo a gerente geral de desenvolvimento institucional, Tammy Allersdorfer, apresentou um belo vídeo do GRAACC. Em seguida fui convidado a dar uma rápida palavra e ainda emocionado fiz questão de frisar que o vídeo “Feliz” era algo muito menor perante a relevância do projeto do GRAACC e que todas as mídias deveriam se engajar nesta campanha.

Já no fim do pequeno evento, pedi a palavra mais uma vez para comentar algo que naquele momento me incomodava bastante. Mais cedo, ainda pela manhã comecei a ler alguns dos comentários postados no YouTube a respeito do clipe. Em meio a muitas manifestações positivas pelo vídeo e pela música, alguns comentários chegavam cheios de rancor, agressividade e uma dose de acidez e santarronice, pelo fato de uma música ‘secular’ ter sido versionada para um conceito cristão. Depois de ter visitado as instalações do GRAACC e de entender as motivações da cidadã Soraya Moraes na empreitada, algo me incomodava profundamente e foi isso o que eu quis externar ao fim da coletiva. Como já falei antes, a qualidade da música , a coreografia dos dançarinos, a profundidade da versão, a performance dos muitos artistas que participaram, da qualidade das imagens e locações … de verdade, nada disso importa neste momento! O que faz esse vídeo especial não é o que assistimos, mas verdadeiramente o que podemos ajudar à GRAACC através da monetização dos views. Sinceramente eu não estou preocupado nem mesmo com as opiniões, sejam positivas ou negativas. O que me importa é que o vídeo seja assistido e re-assistido e novamente assistido tantas e tantas vezes possível porq        ue somente assim podemos de alguma forma contribuir para aquela instituição e diretamente salvar as vidas daquelas crianças e adolescentes em tratamento.

Minha palavra neste momento é de incentivo. Que os 66 leitores deste blog possam clicar quantas vezes for possível neste vídeo e assim ajudarem ao GRAACC. Que estes mesmos 66 leitores possam divulgar em suas redes sociais, entre seus amigos e familiares este material. Não me importa se este clipe ou esta música não irão ganhar nenhum prêmio do mercado, ou mesmo se na área destinada aos comentários alguns obtusos escrevam mensagens não muito simpáticas. O que vale a pena neste caso é que simplesmente as pessoas cliquem no vídeo. Só isso já irá ajudar centenas de crianças e famílias que dependem do trabalho do GRAACC.

O GRAACC é mantido essencialmente por contribuições de pessoas físicas, empresas e patrocinadores. As verbas públicas não ultrapassam 25% das receitas da instituição. Nas paredes do hospital há diversas placas com nomes de mantenedores do projeto. Numa rápida pesquisa infelizmente não me deparei com nenhuma editora, gravadora ou empresa do mercado gospel entre estes doadores. Nem mesmo igrejas! Pra quebrar essa ‘cultura’ nas próximas semanas estarei à frente de algumas ações especiais relacionadas à música e arte, contando inclusive com a participação de artistas numa grande visitação às crianças e famílias do GRAACC. Vamos fazer nossa parte!

E pra quem quiser conhecer um pouco mais do GRAACC e contribuir com essa causa, basta clicar www.graacc.org.br

Vamos agir!

 

Mauricio Soares, jornalista, publicitário e a partir de agora, voluntário-consultor-de-marketing do GRAACC. 

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Começo a escrever este texto sob o impacto de assistir a um determinado vídeo de um, até então, pop star do meio artístico gospel. Em poucos minutos o referido cantor simplesmente detona o universo artístico gospel, se coloca acima da média dos demais, profere um monte de baboseiras, mistura egocentrismo com determinação divina, fala, fala, fala … até que o vídeo acaba. Imagino que aquela cena tenha se estendido por muitos e muitos minutos e confesso que nem imagino como tenha sido concluída. Também tenho enorme curiosidade de saber sobre a reação do público, mas imagino que todos tenham ficado perplexos com o discurso-nada-a-ver-muito-doido daquele artista ali presente.

Sobre a reação do público, lendo alguns comentários nas redes sociais percebo que a interpretação deles não foi nada alvissareira, nem um pouco positiva, longe de se comemorar. Os impropérios vão dos mais intensos, alguns impublicáveis, até aqueles mais comedidos que simplesmente se dizem chocados ou outros mais ‘espirituais’ que apenas mencionam: Oremos! O certo é que se o cantor tinha uma estratégia de chocar, nisso pode comemorar soltando fogos, porque suas palavras e atitudes certamente contribuirão ainda mais para atrapalhar sua imagem perante o mundinho gospel. É o que eu chamo de estratégia harakiri artístico, seguindo o ritual de suicídio, algo comum na cultura japonesa. Triste fim.

Hoje em dia tudo é filmado, fotografado, registrado, ou seja, não existe mais aquela sensação de que as informações, os fatos, os comentários ficarão restritos aos poucos (ou nem tanto) presentes. A informação segue numa velocidade impressionante e as distâncias simplesmente desaparecem. O que acontece em Cabrobó, em pleno sertão de Pernambuco, pode em poucos segundos ser assistido em Okinawa, do outro lado do mundo.

Só no Brasil temos hoje mais de 280 milhões de aparelhos de celulares. Muitos dos quais com câmeras, acesso web, aplicativos, redes sociais, ou seja, são milhões de potenciais ‘jornalistas’ com ferramentas em mão para viralizar imagens e notícias em tempo praticamente real. Muitas notícias que estampam jornais ou mesmo são publicadas e veiculadas em sites, rádios e TVs surgiram a partir de registros de cidadãos comuns que simplesmente sacaram seus celulares na hora certa, no lugar certo onde a notícia surgia. A partir de um registro, muitas das vezes despretensioso, uma série de desdobramentos se iniciam alcançando enorme repercussão na mídia e na sociedade.

Voltando o foco para o universo artístico gospel, observo que muitos artistas do segmento parecem não entender que as coisas mudaram. E como mudaram! Hoje em dia não se pode mais simplesmente sair por aí falando o que ‘der na telha’ como se não houvesse consequências. Ampliando ainda mais, não se pode falar e nem postar fotos como se somente os mais ‘íntimos’ tivessem acesso àquele conteúdo. O problema é que o artista hoje tira a foto e coloca imediatamente o conteúdo em suas redes sociais sem uma melhor análise se aquela imagem, texto ou vídeo realmente podem ser colocados em público. Melhor do que ser ágil em retirar das redes sociais uma foto que não convém é simplesmente não postar nada!

Atualmente há profissionais que dão assessoria de comunicação para atletas, políticos, artistas. Ainda não muito comum no meio gospel, media trainning é uma importante ferramenta que deve ser cada vez mais utilizada em tempos de redes sociais e micos descomunais! Pra quem não está familiarizado ao termo, media trainning , nada mais é do que um treinamento promovido por um profissional, geralmente um jornalista ou relações-públicas, que orienta seu cliente na forma correta de agir, responder, portar-se diante de câmeras e entrevistas. E engana-se quem pensa que este profissional apenas poupa o cliente de falar besteiras, muito pelo contrário! Este tipo de consultoria serve prioritariamente para que o cliente aproveite ao máximo as oportunidades que surgirem. Por exemplo, no caso de um locutor de rádio (algo bem comum no nosso meio) não conseguir fazer com que a entrevista flua com qualidade, um artista bem treinado poderá de forma espontânea e segura fazer uma grande entrevista sem necessariamente contar com a participação do rapazinho outro lado da mesa.

Na verdade, todo tipo de ajuda e orientação é bem vinda desde que feita por um profissional gabaritado. Agora, de nada adiantará estar rodeado de profissionais se o próprio artista não entender a importância de ser orientado. O artista precisa ter humildade suficiente para atender às indicações de seu staff. Hoje em dia com a grande concorrência que temos no mundo artístico quanto menos se complicar melhor será.

Pra bom entendendor, pingo é letra …

Mauricio Soares.

A ideia é aproveitar ao máximo a oportunidade destes dias onde estarei fora do meu escritório em meio a mais uma convenção internacional. O ritmo de produção para o blog está frenético e durante os próximos dias teremos uma periodicidade de um texto inédito a cada 2 ou 3 dias sendo publicados, algo bem diferente de nossa realidade habitual. Isso, se nosso editor-censor, Jeferson Baick, permitir que tudo o que está sendo produzido realmente chegue ao conhecimento dos nossos 66 leitores.

Recentemente postei um texto que falava sobre a falta de sensibilidade de alguns criticos que detonavam a realização de eventos promocionais como tardes de autógrafos e afins. Infelizmente para aqueles leitores que curtem o blog pelas dicas artísticas e de marketing que aqui são publicadas, confesso que estou numa fase mais beligerante, tendo que lidar com alguns aspectos e temas que vêm me incomodando muito nos últimos tempos. Há algumas semanas atrás, em meio a um feriado e diante de um tempo em que não tinha nada, absolutamente nada a fazer ou para me distrair, resolvi dar uma navegada em sites, blogs e fanpages. Em determinado momento de minha viagem internética me vi diante de uma postagem na fanpage de uma empresa do segmento fonográfico. Li o texto institucional que divulgava o lançamento de um determinado projeto. Agora não me recordo se era um CD ou um DVD, mas era um lançamento, disso não tenho dúvida. Comecei a ler em seguida alguns dos comentários do público e é a partir daí que quero dedicar algumas linhas neste novo texto.

João Lira – Ah, essa cantora já deu! Prefiro muito mais a XXXXXXXXX que é uma cantora do poder! Affff …

Melquiades Lino – Que capa horrorosa! O disco é bom, mas que foto é essa!

Joana Machadão – Artista? E onde está a adoradora? Meu Deus, como a música gospel mudou nestes anos!!!

Kelvin Jones – Alô gravadora XXXXXXX você precizam se ligar. Istamos quereno saber mais notísias da cantora XXXXXX. Depois não reclamem se ela for para a XXXXXXXXXXX

Jorge Nunes – Linda! Maravilhosa! Diva! Meu sonho é tirar uma foto contigo! Beijo, me liga!

Luis Cascaes – Vai te converter minha irma sucesso jesus não e isso pintura vaidade e mundo converta XXXXXXXXXX

Clotilde Silva – Os arranjos são fracos! A letra é fora da doutrina bíblica! Os riffs de guitarra são pobres …

Carlinhos Fogo Santo – Essa turma só quer vender! Só quer ganhar dinheiro! Quero ver cantar na minha cidade de graça!

* Todos estes textos acima os nomes são fictícios. Já os comentários são todos baseados em fatos, inclusive a forma não ortodoxa do que conhecemos como língua portuguesa.

Ao me deparar com alguns destes comentários nada amigáveis e outros de teor meio duvidoso, aproveitando meu tempo ocioso e de verdade, sem ter nenhuma pena de mim mesmo, resolvi aprofundar-me na pesquisa a respeito daquelas pessoas que pareciam tão cheias de si, tão profundamente experientes, cheias de santidade, de senso estético e principalmente, de opinião. Aí fui um a um destes perfis para conhecer um pouco mais daquelas pessoas. E a impressão é de que o perfil destes críticos se repete a ponto de podermos estabelecer um modelo-padrão. Esta experiência pude compartilhar em meu perfil pessoal no Facebook e fiquei impressionado com a resposta que obtive aos meus comentários. Como meu perfil é restrito aos amigos, minhas postagens não recebem mais do que 3 ou 4 comentários (sempre das mesmas pessoas, rs) e especialmente naquele dia passou de 30 mensagens a respeito de minha ‘pesquisa’.

De acordo com o Data-Soares, cerca de 89% das pessoas que usam as redes sociais para atacar determinadas artistas do universo gospel passam mais de 12 horas conectadas na web por dia, o que me faz pensar que efetivamente não trabalham, não estudam ou que não tem nada a fazer além do que ficar enchendo a paciência alheia. São os chatos on line que se divertem simplesmente atacando a tudo e a todos indistintamente.

Destes chatos on line, há um subgrupo que são os membros de fã-clubes. Neste subgrupo, tudo o que é relacionado à artista (ou ao artista) venerada é maravilhoso, surreal, fantástico, mesmo os figurinos assustadores cheios de babados, cores vibrantes e cortes psicodélicos, isso sem falar da profusão de adereços insólitos. Se é da diva, o feio torna-se lindo, o estranho se torna sofisiticado e até os filhos com carinha de flagelados da seca, são fofos, lindos, um charme! Haja falta de bom senso, my God! Em contrapartida, se esta ‘diva’ tem alguma concorrente à altura ou que trabalhe no mesmo universo artístico, aí esta é taxada de inimiga mortal e merece ser queimada como uma Joana D’Arc em praça pública. Os chatos-fãs vão infernizar a vida da ‘concorrente’ postando mensagens agressivas, injuriosas, criando fatos negativos e tudo mais que venha a atrapalhar. Muitas das artistas que sofreram esse tipo de ataque acabam parando em terapeutas, partindo para o contra-ataque nas redes sociais transformando a web num ringue de TeleCatch, ou melhor de Web-Catch ou ainda, optando pelo simples bloqueio (pra mim o método mais eficaz) daqueles que a atacam nas redes sociais.

Dos críticos pesquisados, cerca de 78% residem em cidades com menos de 100 mil habitantes. O que me faz imaginar que estejam muitas das vezes acessando a web através de Lan Houses onde a diversão é simplesmente exercitar o poder democrático da opinião. Pelos perfis analisados, mais de 90% destes residem em cidades onde a livraria evangélica mais próxima está localizada há uns 200 qulômetros de distância, o que também nos faz crer que não são consumidores tão vorazes de produtos originais. E por falar nisso, alguns dos perfis pesquisados comentam abertamente em suas postagens que têm como hábito visitar sites de downloads ilegais de conteúdo. Nada mais a comentar neste assunto …

Do ponto de vista etário, os comentários são feitos em sua grande maioria por experientes seres de 12 a 24 anos, ou seja, trata-se de um grupo social bem jovem e isto nos traz um paradoxo, afinal sendo tão jovens como estes personagens possuem tanta experiência para expressar opiniões profundas em diferentes assuntos como design, música, moda, teologia, física quântica, comportamento, marketing, mercado digital, administração, tendências e outros assuntos? Estamos diante de um verdadeiro enigma e não me arrisco a decifrá-lo. Talvez um dia eu peça opinião destes mesmos experts em tudo para que solucionem esse problema!

Neste grupo de críticos há outra característica que se repete com muita frequência. Boa parte da turma é formada por adolescentes, rapagotes que adoram fazer selfies com trejeitos, muitos biquinhos, camisetas apertadinhas, vez ou outra com brincos em suas orelhinhas e entre as preferências pessoais, ao lado de cantoras pentecostais, nos deparamos com uma seleção eclética que vai de Beyoncé (A poderosa!), Rihana (A atrevida!), Mariah Carey (A Diva!), Madonna (A Top!), Whitney Houston (A insuperável!), Cláudia Leitte (Divina!), Ivete Sangalo (Arraso total!) só para citar algumas. Em meio a estas selfies, os meninos ainda postam mensagens com versículos bíblicos, fotos com suas divas gospel, fotos com seus amigos e alguns vídeos em que cantam os sucessos de suas artistas. Alguns destes inclusive se aventuram numa carreira artística sonhando com um dia em que também terão seu séquito de seguidores.

Seguindo com os dados estatísticos, cerca de 62% dos comentários são redigidos em um dialeto todo próprio com uma leve influência do que conhecemos como língua portuguesa. Palavras como ANCIOSO, BENÇA e coisas do tipo são bastante comuns. Outra característica deste grupo são mensagens absolutamente sem pé e nem cabeça, quase um enigma que precisa ser decifrado. O cara vai pensando e do jeito que vai digitando a mensagem é enviada, algo como uma coisa meio psicografada no melhor estilo Chico Xavier. Talvez seja isso mesmo, alguns destes seres estão em pleno momento de transe e o resultado desta epilepsia mental pode ser conferido on line nos comentários postados nas redes sociais. Uma coisa de outro mundo mesmo!

Uma característica entre os entendidos e críticos dos projetos gráficos é que boa parte deles são auto-denominados designers. São jovens que fizeram algum curso na internet ou por correspondência e que já se acham aptos a dar palpite no trabalho alheio. Alguns são prodígios e sequer tiveram um tipo de preparo técnico, são autênticos auto-didatas. O problema é que entre estes não encontrei nenhum tipo de trabalho mais relevante produzido. Algumas poucas capas para cantores independentes que lançaram seus projetos em mídia roxa na região de Mococa e arredores, no interior de São Paulo. Nada contra Mococa, por favor! Alguns destes críticos-designers se divertem produzindo capas alternativas para mostrarem às gravadoras como o projeto poderia ficar melhor, são os autênticos engenheiros de obra pronta. Ou seja, pessoas de fino trato, éticos e que na verdade, estão buscando uma oportunidade e optam em atacar os outros profissionais do seu segmento.

Entre os comentários virulentos, especialmente aqueles que trazem uma conotação de Santa Inquisição, cerca de 98% é formada por jovens que almejam no futuro se tornar pastores ou algo envolvido ao ensino teológico. Percebi que muitos destes, em seus perfis pessoais gostam de postar mensagens em vídeo daqueles líderes que adoram bravejar e gritar frases de efeito, quando não sapateiam e dão giros no púlpito como aquela roleta do Silvio Santos. Tem que ter poder! Eita … é muita glória mermão! Outra característica desta turma é que eles têm como hábito fazer um verdadeiro périplo por igrejas e eventos. Uma espécie de Tour do Reteté … ao fim, postam suas selfies, dão testemunhos da noite de poder e voltam para a web a fim de encontrar e denunciar os infiéis que insistem em deturpar os santos ensinamentos e doutrinas. Fogo neles!

Entre estes santarrões há um sub-sub-grupo que foca principalmente seus comentários nas questões sócio-econômicas. É usual vê-los cobrando por parte dos artistas que estes doem seus cachês, que cantem em reuniões de oração, que subam os morros e se apresentem em igrejas de 20 membros, que doem todos os seus bens, que distribuam de graça seus discos e que mantenham instituições de caridade. Na concepção destas pessoas, os artistas de música gospel deveriam ser hippies vivendo de artesanato comercializado nas portas das igrejas, sobrevivendo da caridade alheia, afinal de graça recebei, de graça dai …

E entre estes experts há duas categorias que merecem toda atenção e nas quais farei questão de mencionar finalizando este texto. O primeiro grupo dos experts é formado por estudiosos da música, gente que estagiou com Tom Jobim, fez especialização em Berkeley, trabalhou na Broadway, compôs para os filmes da Disney e que de lambuja ainda trabalhou como jurado do X-Factor, ou seja, experiência plena na área musical. Estes seres são mais presentes em blogs que hoje surgem como praga na web. As opiniões apresentadas em textos jornalísticos (KKKKKK … não contive a gargalhada!) ou na área de comentários são prodigiosas. Sinceramente mesmo com mais de 25 anos de estrada no segmento me sinto um estagiário ao deparar-me com a riqueza de análises desta turma referente às músicas produzidas no nosso segmento. Quem lê um destes textos imagina estar diante de uma Bárbara Heliodora (recém-falecida crítica de teatro, maior especialista da obra de Shakespare no país) da música gospel. Em 93% dos casos, estes críticos não sabem tocar um único instrumento musical, não compuseram uma única música ou têm algum envolvimento com o mercado fonográfico. Ou seja, é melhor eu não falar mais nada …

Mas nem só de música essa turma que critica livremente na web está focada, não mesmo! Muitos destes também se aventuram em analisar as estratégias de marketing das gravadoras e dos artistas. Em minha mesopotâmica pesquisa, deparei-me com Washington Olivettos em profusão, com Jack Welchs aos borbotões, em Steve Jobs pra dar com o pau! O grande problema, ou melhor, o grande paradoxo (mais um, incrível!) é que 99,78% destes críticos que entendem de tudo de marketing, estratégia, promoção, planejamento e marketing digital também não possuem um único case de sucesso ao longo de suas prodigiosas carreiras. Ou melhor, sequer possuem carreiras profisisonais, pois muitos ou ainda são estudantes ou estão desempregados ou trabalham em outras áreas de negócios. Procuro ler todos estes comentários com especial atenção, afinal aprender é um ato contínuo para toda a vida. Estes críticos querem definir o tempo certo de liberação de um single para as rádios, também o momento ideal para se liberar (gratuitamente) uma música pro povão, a divulgação de uma capa e até mesmo o programa de TV em que se deve agendar a ida do artista. Neste caso, especialmente, é só uma questão da gravadora obrigar a produção do programa de TV para convidar o artista, simples assim.

Enfim, a web tornou-se território livre e democrático onde todos podem expor suas opiniões, desejos, postar suas fotos, expor suas vidas, comunicar-se com os amigos, e por isso mesmo, estamos sujeitos a ter que lidar com todo tipo de gente e situações. Já vivi uma fase em que me importava bastante com os comentários destes críticos, mas hoje em dia prefiro tratá-los simplesmente como uma turma de personagens inseguros que na verdade apenas gostariam de ter um pouco mais de atenção. Quando um destes comentários ultrapassam o limite mínimo de educação, respeito e bom senso, simplesmente uso a ferramenta de bloqueio ou de catapultar o referido personagem para fora de minha área. Se no mundo real isso configuraria em algum delito ou algo mais grave, no mundo cibernético é algo normal e, pra falar a verdade, bastante saudável.

Nos últimos anos tive que acudir alguns artistas que não souberam lidar bem com as críticas e acabaram entrando em crise. Devemos separar a crítica, aquela que é feita de forma educada, coerente e através de alguém que merece nosso crédito, dos simples ataques ácidos, covardes e tendenciosos. Neste caso, jamais devemos levar a sério algo que não merece ser tratado como tal. Respire, conte até 20 e depois simplesmente delete!

Vou ficando por aqui. Daqui a pouco desembarco na Cidade de Panamá onde coincidentemente neste momento está havendo a Cúpula das Américas com a presença da digníssima senhora presidente Dilma Roussef e boa parte de seus asseclas do PT. Espero sinceramente não encontrá-la deitada na praia curtindo o sol caribenho. Seria uma imagem que poderia trazer sérios transtornos à minha mente pelos próximos anos!

Enjoy!

 

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, pai, tricolor e para que não restem dúvidas: EU não votei na Dilma!!!!

Nestes dias estou em meio a uma intensa maratona de divulgação com a cantora Damares por 4 cidades. Começamos por Goiânia, fizemos uma rápida passagem por Brasília e neste momento sigo direto para Fortalezaonde ficaremos por mais 3 dias e de lá seguiremos para Vitória com mais 2 dias de trabalho. Me impressionei com a quantidade de mídias segmentadas na terra do pequi. Antigamente pensava que em Goiânia tínhamos apenas duplas sertanejas, mas hoje posso incluir outra categoria de personagens, os apresentadores de TV. É impressionante a quantidade de programas de conteúdo cristão nas TVs locais. Com isso, fica ainda mais evidente a importância desta região no cenário gospel, inclusive com a realização da primeira edição da Gospel Fair, feira de negócios que será realizada no mês de abril na capital goiana.

Ainda sobre Goiânia, destaque para a diversidade de emissoras de rádio atingindo diferentes públicos, cada qual desenvolvendo um bom trabalho na região. Na verdade, não há nenhum outro lugar do país que possui tamanha opção de emissoras de rádio evangélicas. Por fim, aproveito este espaço para agradecer ao apoio da equipe da Live.com Assessoria e suas incansáveis sócias Karlla Karize e Janaína. Se você pretende desenvolver umprojeto na área artística gospel, especialmente no centro-oeste, o caminho mais fácil é justamente através do apoio destas meninas!

Passado o momento Milton Merchan Neves, vamos seguir com o texto de hoje. Dias atrás estava eu entretido em meus afazeres profissionais, entre e-mails, textos, planilhas e ligações, dei uma rápida espiada em algumas redes sociais. Diariamente, ao ligar meu computador, imediatamente clico em alguns sites de notícias e ato contínuo abro os links de meu instagram, facebook e twitter. E num destes momentos de olhadela para ver o que estava acontecendo nas redes sociais, eis que me deparo com um pequeno papo virtual entre os editores do site Gospel Musikas e Casa Gospel, os amigos Danilo e Alex Eduardo. Como um intruso curioso, observei a troca de comentários entre os dois a respeito de artistas que acreditavam ser a solução para suas carreiras o simples fato de terem seus projetos sendo distribuídos por gravadoras nos ambientes virtuais.

Aproveitando este gancho, resolvi dedicar estes meus momentos de vôo até Fortaleza, completamente espremido na poltrona, assim meio torto, meio de lado, para escrever um pouco mais sobre este tema levantado pelos editores citados anteriormente.

Efetivamente o crescimento do mercado digital é uma realidade e irreversível. Mesmo para os mais céticos, inclusive no mercado gospel, este é um fato consumado! Neste ano fiscal, acredito que 30% do faturamento líquido de minha operação já será creditada aos parceiros digitais. No mercado secular brasileiro, tudo indica que em 2013 as vendas digitais significaram algo próximo aos 40% das receitas das gravadoras. Nos EUA e emalguns outros países, as vendas digitais superaram 50% do resultado e seguem em franco crescimento. Ou seja, a venda de CDs ainda poderá se manter forte nos próximos anos, mas efetivamente a cada período a tendência é de que as vendas digitais seguirão em crescimento. Talvez a grande dúvida hoje seja sobre o tempo de vida útil  da mídia física. Ou por quanto tempo estas vendas físicas se manterão relevantes dentro do resultado das gravadoras, mas de uma coisa ninguém duvida: as vendas digitais se tornarão absolutamente relevantes e transformarão os hábitos de consumo de conteúdo.

Somente nestes 3 dias em que estive por Goiânia recebi 8 CDs e mais 3 DVDs. Conheci muitos jovens artistas locais, ouvi referências elogiosas de muitos nomes. Ou seja, duvido que ao retornar ao Rio de Janeiro não traga em minha bagagem ao menos 25 CDs e outros tantos DVDs. E posso assegurar que muitos destes produtos e artistas estão prontos para ingressarem numa gravadora e serem trabalhados de forma mais profissional, mas como atender a toda esta demanda? Simplesmente é impossível, do ponto de vista do planejamento, de investimentos ou mesmo de atenção necessária ao artista e ao projeto. Não tem como uma gravadora desenvolver um projeto de qualidade para dezenas de artistas. O cast realmente precisa ser reduzido e as decisões sobre contratações devem ser tomadas de forma muito fria e racional.

Há algum tempo atrás li um artigo publicado numa revista norte-americana sobre um estudo realizado entre as gravadoras. Na pesquisa, comprovava-se que para um artista de sucesso, cerca de 800 outroseram avaliados e investidos. É quase como ganhar na Megasena da Virada apostando-se apenas um cartão! Em minha carreira já tive alguns projetos que viraram sucessos retumbantes, mas a lista de artistas que ficaram pelo caminho também é muito extensa, na verdade, bem maior do que a anterior. O que podegarantir um projeto de sucesso? Simplesmente nada! Mas eis que estamos diante de uma novidade para o mercado fonográfico e que de alguma forma, diminui sensivelmente os riscos de se apostar em promessas. Estou falando da distribuição digital de conteúdo.

Hoje as gravadoras estão apostando em artistas que possuem relevância nas redes sociais, além de visibilidade em seus vídeos e que conseguem se destacar em meio a todo este frenesi que se tornou a web. Se um artista tem um vídeo com milhares, às vezes milhões de views, já há um forte indício de que temos algo interessante à frente. Antigamente o A&R tinha que correr por bares, festivais, shows em pequenas casas à procura de um artista promissor. Hoje em dia, este profissional tem a web como sua forte aliada. Basta fazer uma pesquisa no YouTube, nas redes sociais ou mesmo no Google para se certificar se estamosdiante de um novo fenômeno ou não.

O primeiro passo hoje para que um A&R arrisque menos no investimento de jovens artistas é justamente utilizar-se da distribuição digital. Em 2013, a Sony Music lançou um novo projeto, o Sony Music Digital, como o próprio nome sugere, trata-se de um projeto piloto em que o artista passa a ter todo o seu conteúdo em áudio e vídeo distribuídos comexclusividade pela gravadora. Nesta parceria, o artista passa a ter não somente o seu disco e vídeos nas plataformas digitais como iTunes, VEVO, operadoras de telefonia, Deezer, entre outros, como ainda passa a ser trabalhado maciçamente nas redes sociais da gravadora, além de ter suporte da equipe da empresa para seus próprios canais. Aparentemente é a redenção para as gravadoras e mesmopara os artistas que passam a fazer parte e ter acesso a todo o ambiente tecnológico sem maiores investimentos ou entraves. Sim, esta é uma parte donegócio, mas engana-se que apenas isto já basta para ter milhares de álbuns vendidos, agenda lotada de eventos ou singles de sucesso.

Como comentaram, Alex e Danilo, nossos parceiros de mídia gospel, erra redondamente o artista que pensa ter atingido o nirvana apenas porque agora faz parte de um selo digital. Neste tipo de parceria, oartista tem papel fundamental para o sucesso da empreitada. É necessário que o artista incremente e trabalhe de forma focada e profissional suas redes sociais. Um artista que tem 10 mil seguidores notwitter ou na fanpage não terá muita relevância para resultados expressivos na venda de álbuns ou singles no iTunes. Observem que o iTunes é como uma enorme biblioteca de conteúdos com milhares e milhares de discos, músicas, conteúdos, cada um buscando a atenção do consumidor. Se o artista não é relevante do ponto de vista de seguidores, as chances do produto ficar criando teias de aranha virtual são enormes! Então, o primeiro passo é incrementar as redes sociais!

Outra questão importante é municiar de conteúdo os canais próprios, principalmente na questão dos vídeos. Quando falamos de vídeos, vamos desde os tradicionais clipes aos Web Vídeos (só o áudio e umaimagem fixa), Lyric Vídeos (áudio e letras em movimento sincronizado), ensaios em estúdio, vídeos tutoriais ou gravações de eventos, só para citar alguns. Quando um artista faz parte de um selo digital é criado um canal exclusivo nas plataformas de vídeo, seja YouTube ou Vevo como no caso da Sony Music Digital. E nestes canais exclusivos, o artista deve incluir farto material para justamente manter ativo e atraente ao público, aumentando assim a visibilidade de seus vídeos e consequentemente a monetização dos mesmos. Além dos vídeos, o artista pode criar álbuns ou singles exclusivos em áudio. Muitas das vezes pode-se gravar uma versão acústica de uma determinada canção ou mesmo uma versão remix. O certo é que plataformas como o iTunes permitem que o artista não refreie sua capacidade de criação e produção, pelo contrário, tudo o que é produzido, mantendo a qualidade é claro!, pode ser lançado nas plataformas. O segundo passo é investir na criação de conteúdo!

Agora, não é porque sua produção é digital que o artista precisa se trancar no quarto de sua casa para conectar-se com o mundo exterior! Nada disso! A estratégia tradicional de ‘ir aonde o povo está’ mantém-se firme e forte mesmo em tempos digitais. Ou seja, nada substitui ocontato pessoal. Nada substitui o trabalho de cantar nas igrejas, de ralar dia a dia à procura de espaços para se mostrar o talento. Já falei nisso antes e repito agora. Muito mal comparando, a igreja é como o barzinho para os cantores seculares! Um artista que não gosta de cantar em igrejas, que está à procura apenas de grandes palcos, está literalmente fadado ao insucesso. Além disso, um artista ‘digital’ precisa trabalhar em sua divulgação da mesma forma que um artista ‘físico’, ou seja, focado no relacionamento com as mídias, especialmente as rádios e programas de TV. E neste caso, até por se tratar do mesmo ambiente, um artista ‘digital’ precisa ter uma grande estrutura de mídia e promoção na web. Hoje em dia já há algumas empresas que se propõe a assessorar os artistas nas mídias sociais. Vale a pena analisar esta possibilidade, mas com muito critério porque há uma enxurrada de jovens “açessores” prometendo ajuda nesta área mas que na verdade só ficam tuitando o dia inteiro. Em terceiro lugar, não deixe de trabalhar nos moldes tradicionais! Vá para a estrada, não escolha agenda, trabalhe muito e também foque na comunicação de forma profissional!

Dependendo do acordo com o label digital, veja a possibilidade de produzir algum material físico, seja um CD promocional ou mesmo um DVD com release e clipes. Há muitos artistas que optam por lançar um CD com embalagem ‘envelope, uma versão mais simples do que o digipack ou jewelcase, a caixinha tradicional de acrílico. Com este material, o artista pode em suas apresentações ter algumtipo de remuneração na venda dos produtos ao público, além de servir como um importante material de divulgação. Mas neste caso, é fundamental que o artista incentive ao máximo a compra do conteúdo digital. O CD promocional tem que ser apenas uma degustação do que o público encontrará na versão digital. Crie uma opção física para incrementar avenda digital.

Se o artista digital conseguir trabalhar de forma organizada estes aspectos, as chances de conseguir bons resultados é bem maior. No entanto, é importante ressaltar, por mais que pareça óbvio, que o artista precisa ter qualidade! O que faz toda a diferença, seja num projeto físico como digital, é a música! A música pode transformar um adolescente do interior num astro pop mundial. Então, antes mesmo de buscar o espaço num selo digital, o fundamental é que o artista tenha conteúdo de qualidade, que tenha relevância, talento e uma boa dose de perseverança! Há inúmeros casos de artistas que foram lançados em selos digitais e que em pouco tempo tornaram-se artistas nos moldes tradicionais de gravadoras como a jovem Marcela Taís e a banda gaúcha Tanlan, atualmente no cast da Sony Music.Fica a dica!

Chego ao fim do texto com meu pescoço doendo horrores, minha coluna ‘gritando’ e minhas pernas formigando. Que coisa! Preciso de uma cama bem confortável e um relaxante muscular urgente! E a senhorinha do meulado roncando a plenos pulmões … que fase!

Obrigado Danilo e Alex Eduardo pelo insight. Vamos em frente!

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, necessitando do auxílio de um acupunturista cearense, torcedor do Fluminense e já sonhando com os camarões, lagostas e todas as iguarias dos próximos dias!

Chego ao fim de 2013 com todas as minhas baterias pedindo socorro! Precisam ser recarregadas imediatamente com risco total de pararem de uma hora para outra! Sem dúvida, este foi um ano de grandes desafios, muito trabalho, grandes mudanças e muito, mas muito stress e tensão. Mas como Deus sempre tem um carinho especial (completamente imerecido, que fique bem claro!), chego ao fim deste ano com a sensação clara de que os resultados foram muito além do que esperava e almejava.

As grandes transformações que eram esperadas e mesmo planejadas no mercado fonográfico definitivamente aconteceram a partir de 2013. É impressionante como podemos confirmar tendências que foram percebidas há 2, 3 anos atrás que neste ano se tornaram realidade. Uma das mais visíveis, sem dúvida, é o crescimento do mercado digital e o afunilamento do mercado em se tratando do número de players. Chegamos ao fim de 2013 comemorando mais 2 contratos de parceria onde passamos a assumir todo o processo de distribuição de labels. Agora, já são em 5 o número de gravadoras que passam a ser administradas pela Sony Music, sendo a mais recente, a gravadora Dos3 Music.
Nesta época do ano sempre nos deparamos com as listas dos mais mais do ano … é um tal de lista do mais chique, do mais mala, do maior mico do ano, das grandes catástrofes, as grandes tragédias, os grandes sucessos e por aí vai. Então, para não ficar nesta mesma tendência, este post (certamente um dos últimos de 2013) irá elencar não os grandes fatos de 2013, mas destacar alguns dos prováveis nomes que poderão se destacar no mercado gospel nos próximos anos. Este é um exercício de análise e projeção. Preste atenção! Não se trata de nenhuma ‘profecia’, ‘uma palavra liberada’, ‘mãe Dinah gospel’ ou qualquer outra coisa que se assemelhe. Apenas vou de forma muito light, destacar alguns jovens artistas que eu creio e torço para que se destaquem num futuro não muito distante.

O ano de 2013, sem dúvida, foi o ano do boom de um jovem artista gospel de Goiânia. Ele não canta, não dança, mas justamente põe todo mundo pra se mexer ao som de seus loops, bate estacas e elevados decibéis. Estou falando de DJ PV, que em minha modesta opinião, é o que de mais criativo e novo surgiu no meio gospel nos últimos 3 anos. O rapaz chegou com toda sua estrutura, foco e atitude e tomou conta do pedaço, sendo hoje a maior referência de música eletrônica no segmento gospel em todo o país. Não tenho a menor dúvida de que 2013 foi o ano de posicionamento deste artista no meio. Mas efetivamente aposto todas as minhas fichas de que em 2014 será o ano da consolidação e popularização deste artista em todo o cenário nacional.

E de Goiânia vem mais duas boas apostas para 2014. Em 2013, o Ministério Pedras Vivas decidiu-se por ampliar sua área de atuação para além de Goiás e de forma muito organizada e atuante, suas canções tiveram excelente repercussão em praças competitivas como São Paulo e Minas Gerais. O CD Oceano de Amor vem conquistando excelente repercussão nas mídias, igrejas e junto ao público. Num universo onde por anos reinaram as músicas do Ministério Diante do trono e Renascer Praise, é importante perceber o surgimento de mais uma opção no meio da música congregacional. Outro artista jovem de Goiânia que estou curtindo e acreditando ser uma boa promessa no futuro é Léo Brandão que recentemente lançou o álbum “Infinito Amor”. O rapaz mescla um honesto som pop com bases eletrônicas, algo bem moderno e agradável. A proposta é bem teen com influências bem contemporâneas. Vale a pena conferir um clipe que lançou meses atrás da canção “Teu Amor Não Tem Fim”.

Saindo do Centro-Oeste, sigo em direção à São Paulo e me deparo com uma jovem cantora que conheci recentemente e que me impressionou muito pela qualidade de seu disco. Estou falando de Sarah Renata com seu projeto “Princípio” (IVC). Não consegui obter muitas informações sobre sua carreira, perfil ou mesmo clipes. Acho que isso ainda pode ser melhorado bastante daqui em diante, mas o que pude ter acesso ao seu projeto (e talento) já me chamou muito a atenção. Este disco foi produzido por Lito (não sei é o Atalaia) e contou com participações de Felipe Valente, Baruk, Rachel Novaes e Nayane Soares. Ainda em São Paulo, outra artista que vem me chamando especial atenção e que eu torço pelo sucesso é a jovemRoberta Spitaletti. Inclusive já a mencionei em algum texto publicado aqui mesmo no Observatório Cristão meses atrás. Esta é uma cantora que me surpreende a cada novo vídeo ou apresentação. Além de cantar e compor de forma diferenciada, ainda toca violão com grande eloqüência. Vale a pena conhecer um pouco mais desta artista.  Seguindo ainda por Sampa, tenho acompanhado à distância o crescimento de Jéssica Augusto. A cantora que se destacou em grupos corais, hoje é considerada como uma das mais promissoras artistas mesclando pop, pentecostal e black music. Potência e carisma à flor da pele! Um dos eventos que mais me doeu não ter marcado presença foi justamente a gravação de um projeto com esta cantora durante a Semana de Arte Cristã promovida pela Salluz.

Assim como o DJ PV, mencionado no início deste texto, outro artista que consolidou-se em 2013 e certamente dará um salto ainda maior em 2014 é a dupla André e Felipe. De forma contundente, essa dupla que veio com força a partir de Joinvile/SC tomou conta do segmento pentecostal sertanejo chegando ao ponto de 22 eventos em único mês. Algo realmente impressionante! Opinião unânime entre locutores, lojistas, músicos e profissionais do segmento, André e Felipe estão alguns degraus acima dos demais em se tratando de música sertaneja no meio gospel. E seguindo esta mesma toada, os irmãos talentosos e simpáticos, bem estilosos, têm tudo para fazer 2014 com enorme sucesso!
Como alertei anteriormente, este post não seria um tratado final. Seria apenas uma análise bem light do que está acontecendo e do que pode acontecer de positivo na carreira de alguns artistas no próximo ano. Certamente poderemos incluir alguns nomes em outros textos mais à frente. É o que temos pelo momento!
Um grande Natal e um 2014 de muita paz, amor, saúde, música de qualidade e como já mencionei em meu Instagram dias atrás, com menos decibéis! Chega de tanta gritaria no meio gospel.


Mauricio Soares, publicitário, jornalista, palestrante e um profundo observador do mercado fonográfico. Aproveito este espaço para agradecer ao departamento jurídico da Portuguesa por ter feito tanta trapalhada a ponto de permitir que o meu Fluminense permanecesse na primeira divisão.

Acho muito interessante como de tempos em tempos me pego repetindo mesmos assuntos para diferentes momentos e interlocutores. Me parece que há alguns temas que se tornam mais relevantes em determinadas épocas e com isso acabo sempre voltando ao tema em conversas com amigos. Talvez euseja mesmo repetitivo …

Ultimamente tenho falado muito sobre a diferença entre ‘fenômenos’ e artistas consolidados. Creio que pelo menos nas duas últimas semanas tive umas 5 ou 6 conversas especificamente para tratar deste tema. E com tantos subsídios, tomarei a liberdade para expor um pouco mais sobre esse assunto nas próximas linhas deste texto. Texto por sinal, escrito durante o voo entre a capital fluminense e Curitiba onde irei participar de algumas reuniões e à noite prestigiarei a inauguração de mais uma filial da Livraria Luz e Vida. Fico muito feliz em ver novos canais de venda sendo inaugurados, isso demonstra que estamos diante de um mercado em ebulição e franco crescimento.

A carreira artística talvez seja uma das mais inconstantes profissões que temos conhecimento. Longe da tranquilidade e estabilidade de um serviço público, a vida artística é algo mais instável do que ações da Bolsa após crises econômicas mundiais. Um artista vive essencialmente de sua capacidade de se reinventar e de trazer algo realmente interessante e atraente ao público, mídia e mercado. Temos inúmeros casos de artistas de “uma música só”, compositores que escreveram um único sucesso, cantores de uma determinada época e coisas do tipo. Se analisarmos alguns casos de sucesso não continuado poderemos perceber que boa parte destes tem uma similaridade em suas trajetórias de sucesso avassalador e fracassos retumbantes. Sem dúvida, a falta de um novo projeto artístico de qualidade na sequência é um fator bastante recorrente. É impressionante como determinados artistas e compositores foram capazes de interpretar e criar músicas antológicas, lançarem discos fantásticos e logo em seguida, decepcionarem atodos com uma nova produção sofrível. E para isso há uma série de aspectos que podem ser elencados de forma muito clara, tais como: arrogância pelo sucesso, erro na avaliação de um novo repertório, mudança radical de estilo, deslumbre, falta de estrutura de apoio, entre outros.

Mas além da questão artística propriamente dita, um outro aspecto precisa ser analisado em se tratando de uma carreira efêmera ou sólida. Talvez o planejamento de uma carreira artística seja tão ou mais importante do que a escolha de um repertório, produtor musical ou a parceria com uma gravadora. Em minhas andanças pelo país e conversando com centenas de cantores e aspirantes ao estrelato, percebo claramente a falta de um plano de ação para médio e longo prazos. Em geral, estes artistas não conseguem planejar mais do que 12 meses pela frente e, em geral, esse planejamento ‘de longo prazo’ (só que não!) está relacionado à data de lançamento de um novo CD. Nada a ver com investimentos, metas, objetivos, planos! E esta falta de avaliação das possibilidades futuras tem levado muitos artistas, especialmente do segmento gospel, a encurtarem sensivelmente as suas carreiras e seus respectivos potenciais de sucesso.

 

Uma decisão mal feita tem resultadosdiretos e muitas das vezes a curto, médio e longo prazos!

 

O grande desafio hoje em dia para um artista no meio gospel é primeiramente se destacar em meio a tantos outros. A ‘concorrência’ atualmente é típica de vestibular de medicina para faculdades federais. É muita gente querendo seu lugar no palco dos grandes eventos, igrejas, festividades. Recebo em média, 15 a 20 CDs por semana para avaliação. É gente de todo canto do Brasil e muitas das vezes de outros países. Pelo correio eletrônico de contato da gravadora, são em média 20 a 30 mensagens de apresentação por dia! É muita gente querendo ter uma carreira artística. E o mais interessante nestes casos são as estratégias e mensagens que recebo. Confesso que muitas das vezes dou gargalhadas intensas com as mensagens que nos chegam. Ontem mesmo recebi uma mensagem de um postulante a cantor que no título do e-mail estava em letrasgarrafais: “Sou o que vocês precisam!” – simplesmente fantástico! Um dia irei escrever um texto somente sobre essas ‘abordagens’.

Ultrapassado o desafio de romper com o anonimato, o artista está longe de ter alcançado o nirvana. Pelo contrário! A partir de um mínimo reconhecimento por parte do público e da mídia, o artista deve superar todas as expectativas e realmente mostrar o seu diferencial. Hoje em dia não adianta ter só talento, o artista precisa ter um diferencial, uma proposta própria que o destaque dos demais. Além de buscar sempre o melhor repertório, o artista tem que investir em sua carreira e divulgação. E aí é outro problema enorme, pois geralmente os investimentos são altos e a garantia de retorno inexiste. A contribuição de pessoas experientes no meio é fundamental para poupar de ações infrutíferas e dinheiro desperdiçado. Corra dos ‘vendedores de facilidades e ilusões’! Então, mesmo que você seja um jovem artista, a necessidade de um planejamento de carreira é fundamental. Estabeleça suas metas, prazos, avalie seus pontos fracos e fortes, pense sua carreira!

Hoje em dia o artista não precisa ter ‘só’ o talento. É necessário um diferencial!

A diferença entre um artista ‘fenômeno’ e ‘consolidado’ reside basicamente na forma de condução de sua carreira. Um artista ‘fenômeno’ geralmente é aquele que alcançou o sucesso num tempo menor do que o habitual. E por isso mesmo, muito do aprendizado que se adquire com o tempo é deixado de lado e com isso, muitos erros são cometidos ao longo do caminho. Há artistas neste naipe que conseguiram alcançar o sucesso em pouco tempo e nesta mesma velocidade conseguiram fechar portas com pastores, mídias, lojistas, promotores de shows e mais uma fila de gente. O alerta que semprefaço é de que o sucesso faz com que as pessoas acatem essa ou aquela falha do artista, afinal naquele momento ‘ele é o cara!’. Mas basta uma pequena oscilação ou mesmo queda de popularidade deste mesmo artista para que todosaqueles que simplesmente ‘engoliram’ o estrelismo do pop star, passem a deixá-lo de lado e mesmo fechar portas e oportunidades, no melhor estilo ‘roda gigante’.

O artista ‘fenômeno’ não pode se iludir imaginando que os tempos de ‘vacas gordas’ durarão ad eternum. Conversando com o cantor Leonardo Gonçalves e alguns amigos curitibanos em meio a um jantar super especial, justamente este tema veio àbaila. E uma das frases do Leonardo que me chamou a atenção foi justamente o tempo ‘de vida útil’ de um artista. Na opinião dele, uma carreira de um cantor dura em média uns 15 anos e das mulheres um tempo bem maior. E acreditando nisso, o próprio Leonardo já vem desde já se preparando para esta segunda fase de sua carreira. Isso é planejamento!

Ainda nesta mesma conversa, o próprio Gonçalves também comentou que o artista se ilude com o sucesso achando que isso ocorre basicamente por seu próprio desempenho. E de acordo com ele – e nisto eu concordo plenamente! – o sucesso se dá pela melodia, pela qualidade musical. Basta analisarmos alguns cases recentes de sucesso para chegar à conclusão de que a música tornou-se sucesso, muitas das vezes até mesmo, apesar do seu intérprete. Então, neste caso, fica ainda mais perceptível de que para um artista tornar-se consolidado, a preocupação na escolha das melhores músicas é questão de sobrevivência. Por isso, é injustificável que o artista inicie um disco sem ter o melhor repertório que possa selecionar. Não entendo como existem artistas que preocupam-se com o figurino, com as cordas de Praga, com o fotógrafo, com o designer e, em contrapartida, dão tão pouca importância ao processo de seleção de músicas para o repertório.

Especialmente no meio gospel, um artista consolidado é aquele que possui agenda intensa, com eventos em igrejas e grandes shows. Engana-se o artista que se jacta por ter apenas shows vendidos para prefeituras ou grandes festas. Nestes locais, o artista é apenas entretenimento, ou seja, é apenas uma atração. O lugar onde se forma público, onde se conquista respeito e admiração é justamente nas igrejas, independente se estas são megatemplos ou diminutas congregações de periferia. Ainda sobre a questão da agenda, o artista consolidado é aquele que deixa as portas abertas por onde passa. Diferente de alguns que simplesmente deixam um rastro por onde passam, ou seja, criam tantos problemas e inimizades que jamais pisarão novamente naquela cidade ou região. Isso é como um rastilho de pólvora! Um pastor ou promotor de evento maltratado, desrespeitado, não medirá esforços para divulgar e propagar a respeito da performance ou atitudes daquele determinado artista. Uma fama negativa em nada contribui para tornar um artista em consolidado.

Neste momento, o mercado fonográfico passa por profundas transformações. Especialmente no segmento gospel há uma série de alterações no quadro que merece muita atenção. Há um claro movimento de concentração de labels em parceria com grandes gravadoras. Também é perceptível a mudança de prioridades e postura de determinadas gravadoras, especialmente àquelas ligadas a denominações. Algumas destas gravadoras simplesmente estão sendo descontinuadas, outras mudaram o foco deixando de ser competitivas e priorizando apenas o consumo interno de seus fiéis e líderes. Há ainda empresas que insistem em seguir com estratégias que funcionaram muito bem no século passado, mas que hoje são absolutamente obsoletas e anacrônicas. Ou seja, cada vez teremos menos players neste mercado e também é motivo de atenção ao artista que pretende se tornar consolidado, saber optar pela melhor parceria com quem caminhar.

 

Fique atento às mudanças do mercado.Observe e antecipe-se às grandes transformações!

Este texto começou a ser escrito durante o voo para Curitiba e agora finalizo-o no saguão de embarque retornando à Cidade Maravilhosa. Um grande abraço a todos e espero contar com sua visita nos próximos dias!

 Mauricio Soares, publicitário, palestrante, consultor de marketing

Muita chuva no Rio. Aeroporto lotado. Vôos cancelados (inclusive o meu!). Filas enormes. Remarcação de vôo. Aeroporto fechado para pousos e decolagens. E eis que depois de muita espera finalmente começo a escrever este texto seguindo na direção de Campinas, São Paulo.

Ontem tive uma reunião com uma jovem cantora. Na verdade, foi mais uma consultoria, um trabalho de coaching orientando-a sobre estratégias, carreira, mercado fonográfico e tudo mais. Em dado momento de nossa conversa ela me mostrou um Lyric Video que havia produzido há algum tempo atrás. Aproveitei a oportunidade e também fiz questão de apresentar o nosso mais recente Lyric Video da canção “Só Uma Frase”, single do novo álbum de Mariana Valadão.

Os dois projetos são muito bons! A qualidade visual ficou excelente e cada cena apresentada realmente demonstra muita preocupação com o produto final. No entanto, os dois Lyric Videos têmpropostas e resultados bem distintos. E sem perder muito tempo vou comentarneste post algumas ferramentas interessantes e inovadoras que o mercado fonográfico vem utilizando ultimamente.

Então, começando pelo Lyric Video este projeto nada mais é do que um vídeo onde a música é divulgada no áudio original acompanhada pela letra da própria música. Em muito grosso modo, seria uma espécie de karaokê onde se tem a música e o acompanhamento simultâneo da letra.

Depois de entender do que se trata, partimos para os detalhes. O Lyric Video tem como principal objetivo divulgar uma música, emgeral o single do álbum já nos primeiros dias de lançamento do projeto. Não adianta lançar um Lyric Video depois de meses e meses da música ter sido lançada no mercado. Esta ferramenta é uma forma de oferecer ao público uma ‘degustação’ da música muito antes de se conseguir produzir e lançar um vídeo clipe oficial. Então, a função do Lyric primordialmente é divulgar uma música no mais curto espaço de tempo de lançamento do projeto. E como ferramenta de divulgação, o projeto deve seguir o projeto visual do próprio álbum. As fotos internas, capa, tipologia, tudo isso deve ser usado como background do vídeo.

E neste caso, é importante que fique claro para todos que o Lyric não precisa ser em 4D, ter telas mirabolantes, animações,nada disso! A proposta é tão somente agilizar a divulgação de uma canção. Afixação da imagem do álbum, do artista e da letra da canção são os objetivos reais desta ferramenta.

Uma outra opção semelhante ao Lyric Video é o Pseudo Video. Neste caso, o processo é ainda mais simples. Apenas constam no vídeo, a imagem estática do CD e o áudio da canção. É a versão mais simples desta ferramenta. EM alguns casos, o Pseudo pode ter a letra acompanhando o áudio, mas ainda assim de uma forma mais simples e estática.

Mais uma vertente é o Lyric Video com Cifras. Neste caso, temos a mesma proposta do Lyric Video tradicional com a inclusão das cifras. Para os músicos, é uma ferramenta e tanto de aprendizagem. Ainda há poucos vídeos deste formato na web, mas com uma busca um pouco mais refinada podemos encontrar alguns destes vídeos.

Verdadeira febre há tempos atrás no meio dos artistas, a twitcam agora passa a ter outra opção de interação com o público. O HangOut é uma ferramenta baseada no Google Plus e que vem crescendo bastante nos últimos tempos. A grande diferença neste novo modelo é que o vídeo automaticamente fica arquivado no canal oficial exclusivo do artista no YouTube. No HangOut, outra diferença importante, o tempo de realização da ação leva em média entre 20 a 30 minutos. Há possibilidade da duração se estender, mas a indicação dos próprios gestores do projeto é que o tempo ideal deste tipo de ação seja mesmo até os 30 minutos.

Uma ferramenta, até relativamente óbvia, mas ainda pouco utilizada pelos artistas do meio gospel é o vídeo tutorial. O que em poucas palavras é um músico e/ou o próprio artista ensinando em detalhes como se executa uma canção. Basicamente é uma câmera na mão, uma idéia simples na cabeça e paciência e clareza na explicação de cada acorde da música. Geralmente estes vídeos são gravados em estúdios, mas nada impede que seja gravado no jardim, na praça, na igreja ou até mesmo no quarto. Pra ilustrar bem esse projeto, sugiro que você pesquise no YouTube o vídeo em que Samuel Rosa do Skank ensina o público a tocar a música “Sutilmente”. Em tempo, esta canção foi um dos grandes sucessos recentes da banda e este vídeo, em especial, está próximo a 500 mil views.

No meio gospel, em especial, o sucesso de uma música pode ser medido a partir do momento em que esta passa a ser executada nas igrejas pelo país. Isto pode acontecer até mesmo antes de ouvirmos tocando esta mesma música nas rádios. Quando uma música ‘emplaca’ entre os hinos que são ministrados nas igrejas, aí temos um grande indicativo de que esta música tem chances de se tornar sucesso nacional. E é justamente para que as igrejas, o público e até mesmo a mídia, conheçamesta canção, que estas ferramentas citadas neste post devem ser exaustivamente utilizadas.

O lançamento de um single ou mesmo um vídeo nas plataformas digitais, antes da chegada do álbum no mercado, também é uma mudança importante no mercado fonográfico, mas neste caso, falamos mais de estratégia do que de ferramentas. Então voudeixar este tema para um outro post que espero poder escrever em breve e publicar aqui no Observatório Cristão.

Confesso que tive ultimamente uma falta de criatividade aguda aliada a uma terrível falta de tempo e por isso a escassez de textos inéditos no blog. Espero que nas próximas semanas eu consiga reverter essa tendência de baixa produtividade.

 

Um grande abraço aos 66 leitores assíduos!

 Mauricio Soares, publicitário, jornalista, consultor.