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Neste momento estou em um quarto de hotel na cidade de Saint Louis, estado do Missouri, EUA. Estou participando de mais uma convenção da CBA, a associação de livreiros e mercado cristão norte americana. Esta é a minha oitava participação neste evento que ao longo destes anos viveu a opulência da economia da terra do Obama e mais recentemente sofre com as dificuldades que praticamente estagnaram o país nos últimos 3 anos.
A feira em si, mantém-se no mesmo perfil de tempos anteriores. É interessante como os stands são práticos e simples. Não há por aqui nenhum espírito de competição entre os expositores. Basicamente os espaços são de 20 a 30 metros quadrados, tudo muito frugal, direto, desprovido daquelas megaestruturas que vemos nas feiras do segmento pelo Brasil, algo meio carnavalesco e kitsch até. Basicamente, a CBA é uma feira de negócios e o objetivo único de boa parte dos participantes é apresentar seu produto e realizar bons negócios. As reuniões acontecem a todo momento e é interessante ver o corre corre pelas ruas da CBA de pessoas seguindo de uma para outra reunião. Os brasileiros em especial chamam a atenção porque cria-se neles uma preocupação quanto à pontualidade, algo que sinceramente não vemos o mesmo acontecendo no nosso país.
E seguindo essa mesma cultura de várias reuniões durante a CBA, no primeiro dia do evento participei de alguns encontros. E entre tantas conversas, uma em especial me chamou a atenção e será o mote do texto que iremos desenvolver nessa manhã ensolarada na cidade onde se forma o Rio Mississipi, o segundo maior em extensão dos Estados Unidos. A reunião em questão foi com dois representantes de uma empresa de assessoria a artistas. Uma espécie de empresa de management, responsável por cuidar da carreira e principalmente da agenda de shows e eventos de artistas. No cast, cerca de 25 artistas dos mais variados tamanhos e estilos. A lista tem nomes como Leeland, Casting Crowns, Britt Nicolle, Kari Jobe, Sandi Patty, Twilla Paris, Building 429, Newsboys, entre outros.
E a reunião basicamente foi focada em como poderemos trabalhar em conjunto para que estes artistas possam ter presença mais constante no Brasil. E, ressalte-se, shows com maior organização, qualidade e resultados favoráveis. É notório que o Brasil vem exercendo uma atenção cada vez maior aos artistas do segmento gospel. O mesmo fenômeno já se percebe no show business secular nos últimos 5 anos com a presença constante em nossas terras de artistas do primeiro time da música mundial. A maior reclamação dos managers dos artistas gospel internacionais tem a ver com a organização dos eventos realizados no Brasil. Ficou claro que eles pretendem cada vez mais marca presença em nosso país, mas neste momento eles estão à procura de produtores locais que garantam o mínimo de segurança e qualidade em suas turnês. E este é um problema que realmente temos em nosso país.
Então, temos uma oportunidade neste momento para quem pretende seguir na área de realização de grandes shows internacionais e turnês. Os artistas querem trabalhar mais forte em nosso país. Só precisam ter segurança de que temos condições de desenvolver algo mais profissional e organizado. E essa ‘profissionalização’ do mercado de eventos no meio gospel brasileiro não depende tão somente dos promotores, mas em boa parte do próprio público cristão. Digo isto porque criou-se uma cultura – que julgo estar sendo modificada pouco a pouco – onde evento gospel não pode ter custo superior a 15 reais de ingresso, quando não, ser mesmo com entrada franca. E este conceito acaba criando um círculo vicioso onde o público paga pouco e recebe em troca, artistas de menor expressão, muitas das vezes sem qualquer estrutura de show, iluminação, palco, segurança … tudo extremamente simples e sem qualidade. E essa cultura acaba emperrando o desenvolvimento de um conceito de eventos de melhor qualidade no melhor estilo “efeito tostines” onde o público paga pouco e recebe em troca shows pobres e os shows são pobres porque o público paga pouco!
Precisamos romper com essa cultura de não-valorização para os eventos de música gospel! E este rompimento passa diretamente por uma maior disposição do público em investir em eventos com tickets mais caros e em contrapartida, nos promotores em oferecer melhores estruturas para acolher os consumidores, na melhor apresentação dos palcos, divulgação e principalmente na escolha das atrações. O mercado publicitário também precisa estar atento a esta nova oportunidade. Não podemos esquecer que o segmento evangélico continua crescendo no país e é hoje um importante mercado consumidor. E não somente de produtos direcionados, mas também de serviços e bens de consumo. É impressionante como as empresas de telefonia móvel e de refrigerantes, para citar apenas algumas, insistem em fechar os olhos para este público.
Como terei mais uma maratona de reuniões neste segundo dia, vou despedindo-me agora. Se tiver disposição, hoje ainda irei escrever um pouco mais sobre a figura do manager. Acho que os artistas do meio gospel brasileiro precisam urgentemente mudar suas mentalidades e passarem a considerar com máxima urgência a presença de um profissional de gerenciamento de carreira em suas respectivas estruturas, mas isso é papo para outro texto.
Abraços,

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador.

Em minha história profissional tenho alguns cases interessantes que ajudaram a criar uma trajetória diferenciada neste mercado. O trabalho de reformulação da Line Records reposicionando-a entre as grandes empresas do segmento, depois a passagem pelo Toque no Altar após o terremoto de Nova Iguaçu ou ainda, a formatação da Graça Music e mesmo mais recente o projeto gospel na Sony Music. No entanto, uma das marcas que mais me orgulho ao longo de quase 25 anos de atividade neste mercado é justamente o lançamento de alguns jovens artistas que anos depois tornaram-se nomes de destaque no cenário gospel nacional.

Neste time destaco nomes como Jamily que contratei aos 9 anos de idade e onde pudemos fazer um projeto completo de lançamento de uma jovem artista para o mercado nacional e outros como Tino, Gisele Nascimento, Régis Danese, Brenda, Thalles, Marcela Taís, Mariana Valadão, Joe Vasconcelos, Gabriela Rocha, Daniela Araújo, Tanlan, Gui Rebustini, Disco Praise. Estes são alguns dos nomes que pude lançar no segmento e que hoje posso me orgulhar de ter acreditado e investido. Outros nomes, como Soraya Moraes, Damares, Mara Maravilha, André Valadão desenvolvemos vitoriosos projetos de reposicionamento e ampliação do alcance de seus trabalhos.

Decidir qual artista jovem deve-se investir é algo muito dif’ícil. Há, sem dúvida, uma questão pessoal, particular, um feeling que influencia e impulsiona pela tomada de decisão por este ou aquele talento. Não chega a ser uma loteria, mas aproxima-se muito a isto. O diretor artístico precisa conciliar sua expertise profissional com senso apurado de oportunidade, uma capacidade de analisar as tendências e demandas do mercado naquele momento e, sem dúvida, precisa ter uma boa pitada de sorte. Como dizem por aí, quanto mais eu trabalho, mais acredito em minha sorte! Mas, de verdade, há necessidade de um pouco de sorte sim e, sem dúvida, de trabalhar, trabalhar muito!

Algumas perguntas faço para mim mesmo com grande frequência. – Quem será a próxima bola da vez? De onde vai sair o próximo sucesso? Qual a nova moda que surgirá? Qual estilo de música agradará o público no próximo verão? Realmente me pergunto isso quase que diariamente e como um olheiro em busca do novo Neymar, pesquiso sites, assisto vídeos, participo de eventos, converso com pessoas, ouço opiniões, fico atento a movimentos e tendências. Não é um trabalho fácil. Não mesmo! É cansativo e não há qualquer garantia de que todo este esforço será recompensado, mas sinceramente, não aprendi até hoje uma outra forma de descobrir talentos.

Quando resolvi investir no Thalles, boa parte das mídias, lideranças e lojistas torciam o nariz para aquele negão de óculos escuros que cantava uma música boa, mas diferente do status quo que convencionamos chamar de música gospel brasileira. Bastou algum tempo, muito esforço e boas alianças para que este artista se tornasse um dos maiores fenômenos do mercado nos últimos tempos. Meu desafio hoje é encontrar o próximo fenômeno e ele está aí em algum canto deste país buscando por uma oportunidade. Esse novo fenômeno hoje está escondido em alguma igreja, participando de algum ministério de louvor ou mesmo já até gravou um CD ou faz parte de alguma gravadora … o certo é que Deus está preparando alguém neste momento para em breve assumir lugar de destaque na música gospel tupiniquim. Meu desafio é regular bem meu GPS e localizar esse talento.

Ontem conversando com Soraya Moraes, que acabamos de contratar para o nosso cast, falamos muito de repertório e aproveitamos o tempo para ouvir algumas músicas e referências. Num determinado momento nos deparamos com um artista norteamericano. Aquele estilo de música era algo que estávamos procurando. Uma música onde a qualidade da letra e, principalmente a qualidade interpretativa ficavam evidenciados. Comentei com Soraya que já havia um bom tempo em que não ouvia nada parecido com aquilo. Era um som limpo, bem arranjado, com destaque para a interpretação do artista, algo que realmente emocionava, arrepiava … há quanto tempo não vivia aquela sensação!

Não sei se a próxima onda no meio gospel vai ser um retorno às músicas mais intensas no sentido da emoção, mas creio que depois de tantas guitarras distorcidas estilo Hillsong/Cold Play e muitas palavras de ordem, a tendência possa ser um revival às músicas grandiosas que nos levam ao ápice com temas mais espirituais. Por incrível que possa parecer, também creio no crescimento da música eletrônica no nosso segmento e em breve estarei anunciando algumas novidades nesta área. Seguindo nessa linha de “achismo profético musical” também afirmo categoricamente que a música pentecostal permanecerá em alta nos próximos anos e mais uma vez me arrisco a dizer que Damares saiu na frente das demais trazendo um novo formato, um novo conceito para este estilo com o lançamento de seu mais recente trabalho.

O certo é que estamos à procura do novo nome e investindo bastante em alguns artistas com potencial enorme de crescimento e neste aspecto, creio que posso destacar neste rol, as jovens Mariana Valadão e Daniela Araújo. Cada qual com um estilo e características próprias têm muito a evoluir artisticamente nos próximos anos. Vamos aguardar e conferir se os prognósticos se confirmam.

Se você é um jovem artista e almeja ser esse novo fenômeno, sugiro que faça uma boa pesquisa nos textos aqui publicados ao longo destes últimos 4 anos. Sem dúvida, temos muitas dicas e informações interessantes para o desenvolvimento de sua carreira. Mas além da leitura, nossa dica é que você mantenha os joelhos no chão buscando unção e orientação de Deus. Sem isso, todo o seu esforço será inútil. Aliado ao fortalecimento espiritual, busque o aprimoramento de seus talentos naturais. Estude. Estude. Estude muito! Procure assistir ao máximos de vídeos, shows, eventos. Busque referencias, mas não confunda com tornar-se genérico! Descubra e desenvolva sua identidade, seu diferencial. Estabeleça suas metas. Busque seus objetivos. Procure o melhor repertório. Cerque-se de pessoas de confiança e profissionais de qualidade. Não creia em milagres, faça o seu milagre! Trabalhe!

Se você traçar esse caminho … quem sabe não poderá ser o próximo ‘bola da vez’? E se isto acontecer, quem sabe a gente não se encontra por aí?

 

Mauricio Soares, profissional de marketing, olheiro, publicitário, alguém que ouve com carinho dezenas de músicas por semana.

Numa conversa entre profissionais da área artística – na verdade, uma oportunidade maravilhosa de aprendizado – falávamos sobre as novas tendências da música, do mercado fonográfico e principalmente tentávamos esquadrinhar o que pode ser o novo modelo de produção, marketing e lançamento dos produtos na era digital.
É bem verdade que hoje não temos qualquer definição do que será o mercado da música para os próximos 5 anos. Nem mesmo o mais visionário estudioso do assunto pode afirmar categoricamente como será este mercado que vem sofrendo transformações profundas nas últimas décadas. O que é ponto comum entre as opiniões dos profissionais e estudiosos neste segmento é que num tempo bem curto, o mercado digital chegará com força e mudará por completo os hábitos de consumo e a relação entre o público e a música como produto.
Há uns 2 ou 3 anos atrás imaginávamos que o mercado digital cresceria no Brasil de forma ainda lenta. Naquele momento, um dos grandes entraves para o desenvolvimento do mercado digital era justamente a qualidade da conexão da internet no país. Longe de termos uma qualidade 4G no Brasil, podemos concordar que cada vez mais a cobertura digital está alcançando os rincões do país e tornando-se item comum no nosso dia a dia. Se há tempos atrás boa parte da conexão era discada, hoje temos uma grande disponibilidade de conexão a cabo com uma boa qualidade – mesmo que em boa parte dos casos, bem abaixo do anunciado nestas propagandas que invadiram a TV e toda mídia em geral.
Especificamente no meio gospel, esperava-se que estas mudanças aconteceriam, como de hábito, de uma forma ainda mais lenta. Até aquele momento entendia-se que o maior contingente de consumidores ‘gospel’ encontrava-se nas classes CD, predominantemente entre as igrejas pentecostais e neo-pentecostais. Mais um grande erro! É Impressionante como a população de menor poder aquisitivo se rendeu às maravilhas e traquitanas tecnológicas em nosso país. Não é nada raro vermos pessoas humildes com aparelhos celulares em mãos tendo acesso à web, baixando músicas, assistindo vídeos. E como prova dessa adesão da classe CD ao mercado digital vale ressaltar que em qualquer ranking de serviços na área mobile, artistas e conteúdo pentecostal encontram-se sempre no topo das listas. Mais uma prova de que o povo do reteté está antenado nas tendências.
O brasileiro é conhecido mundialmente por ser um heavy user em termos de novidades tecnológicas, e neste caso, vale destacar a impressionante adesão dos brazucas aos modismos das redes sociais como o finado Orkut, o beligerante twitter, instagram, flickR, entre outros. E a adesão do brasileiro, em especial do povo evangélico a este novo formato de consumo de conteúdo, tem sido surpreendente e intensa.
No meu dia a dia, o crescimento da área digital foi de cerca de 300% em apenas um ano. Mesmo considerando que os patamares iniciais eram baixos, a velocidade na mudança do negócio é algo que não pode ser desconsiderado de forma alguma. Hoje o mercado digital já representa uma significativa fatia do faturamento mensal e importante foco para o negócio em que estou à frente.
Mas toda essa introdução apontando sobre a pujança do mercado digital, na verdade, tem como objetivo destacar uma das grandes constatações daquela conversa entre os A&R mencionada no início deste post. Entre tantas idéias, sugestões, muitas indagações e uma boa dose de análise sobre a atual realidade e o que nos espera à frente, a verdade é que de forma unânime todos concordaram que em nosso meio, o que faz toda a diferença é o HIT. Isso mesmo! A boa música é determinante para o sucesso de um projeto, seja ele no formato físico, digital ou o que mais surgir pela frente.
Foi com um hit que o Brasil se envolveu por inteiro com o grande lançamento de 2012, a música “Esse Cara Sou Eu” do Roberto Carlos. Esta música caiu no gosto popular e tomou de assalto todo o país, tornando-se um ícone, trazendo ao mercado uma vendagem de mais de 2 milhões de unidades de um EP contendo apenas 4 faixas. A música se tornou sucesso alavancando inúmeras brincadeiras na web, sendo integrada aos bordões do verão, enfim, não há uma viva alma nesse país que não tenha pronunciado a frase: Esse Cara Sou Eu! Isso é sucesso!
Não podemos deixar de lembrar o hit “Faz Um Milagre em Mim” do Régis Danese ou as canções do Toque no Altar, Irmão Lázaro, Damares e mais recentemente, o onipresente Thalles. Todos estes são exemplos claros de artistas que foram catapultados para o sucesso através de um hit. Aqui mesmo no blog já escrevi algumas vezes sobre a importância de saber escolher o repertório antes mesmo de qualquer iniciativa na gravação de um projeto. Muitos artistas estão mais preocupados com as fotos, com o estúdio, com a escolha do produtor e músicos e não dão a devida atenção e importância ao que é de mais fundamental na criação de um sucesso: o repertório, o hit.
E o que é um hit? Ou como se faz um hit? Primeiramente, a música deve ter uma melodia de fácil assimilação. Seu estilo deve estar de acordo com a tendência do mercado naquele momento. Um refrão marcante também é um bom aspecto para a criação de um hit. A música deve ficar ressoando na cabeça das pessoas. Isso é um detalhe que para mim é determinante num projeto. É impressionante como em poucas audições uma determinada música fica ressoando na minha mente … geralmente a melodia é mais forte até do que a letra o que acaba me obrigando a criar uma versão pessoal, mas logo procuro aprender a letra original. Me assusta quando eu ouço um CD duas, três, cinco vezes e a impressão é de que nada chamou a minha atenção. Isso é um sinal nada alvissareiro sobre a possibilidade de encontrarmos um hit naquele projeto.
Pra finalizar, é óbvio que todos devemos estar atentos e preparados para as mudanças no mercado fonográfico. Creio que nos próximos 2 anos viveremos uma transformação radical dos hábitos de consumo e mesmo no formato da ‘embalagem’ do produto música em nosso país. No entanto, não podemos jamais deixar de nos lembrar que o que faz toda a diferença e deve ser perseguido como o Santo Graal é o HIT. Vamos à busca destes tesouros!

Mauricio Soares, publicitário, blogueiro, palestrante, consultor de marketing e entre outras atividades, um incansável Indiana Jones à procura do próximo hit.

A IFPI, Federação Internacional da Indústria Fonográfica, entidade que reúne os principais players do mercado fonográfico no mundo divulgou nestes dias o resultado de 2012 registrando crescimento após 13 anos de sucessivas quedas. Mais do que uma reversão no processo de queda do mercado fonográfico esta notícia aponta para a capacidade de reinvenção do segmento que durante muitos anos foi assolado por perspectivas nada promissoras.
O motivo de reproduzirmos essa notícia publicada na Folha de São Paulo nesta terça-feira (26) é para alertar a todos os envolvidos neste mercado de que estamos diante de um novo modelo de negócio. É fundamental que todos os envolvidos neste segmento tenham plena consciência de que o formato, contratos, formas de consumo, marketing, distribuição e tudo mais relacionado ao mercado fonográfico está em franca mutação. Não há como opor-se às mudanças e possibilidades desse novo mercado!
Especialmente o mercado digital tende a crescer exponencialmente nos próximos anos e cada vez mais torna-se prioritário que todos entendam e estejam aptos a estas novidades. Confira um pouco mais do que está acontecendo no mercado mundial fonográfico conferindo a matéria abaixo.

Pela primeira vez em 13 anos, indústria fonográfica apresenta crescimento

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

A indústria fonográfica, responsável pelas vendas de discos, cds, cassetes e música on-line, cresceu 0,3% em 2012 no mundo todo, o primeiro aumento registrado desde 1999, apesar da crise mundial e da pirataria digital, segundo informou nesta terça-feira (26) a Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI).

Na apresentação de seu relatório anual em Londres, a conselheira delegada da IFPI, Frances Moore, disse que as receitas chegaram a US$ 16,5 bilhões (cerca de R$ 32,4 bi) no ano passado e a indústria musical “se dirige agora rumo à recuperação”, impulsionada pelo auge digital.

As previsões são positivas para 2013, graças à expansão dos novos serviços digitais surgidos nos últimos anos como iTunes, Spotify e Deezer, que, se em 2011 estavam presentes apenas em 20 países, hoje se encontram em mais de cem, entre eles mercados emergentes como Brasil, Índia e Rússia.

Os formatos digitais reportaram em 2012 renda no mundo todo de US$ 5,6 bilhões (ou R$ 11 bi), 9% a mais do consumo digital de 2011.

A Espanha fica distante dessa tendência com um crescimento de apenas 4% no formato digital, devido ao persistente empecilho da pirataria.

No total, a renda das companhias de disco por consumo digital em modalidades como downloads, subscrições, música e vídeos em “streaming” e serviços gratuitos financiados por publicidade já representam 34% do total de seu faturamento.

Segundo Frances, este auge digital permitiu que nove dos 20 principais mercados do mundo apresentem um balanço positivo frente aos dados de 2011: Canadá, Austrália, Brasil, México, Índia, Japão, Noruega, Suécia e Estados Unidos.

Além disso, na Índia, Noruega, Suécia e EUA, o consumo digital de música supera já o de suportes físicos.

Também são promissores os dados sobre as práticas de pirataria, um dos temas que mais preocuparam o mundo da música digital nos últimos anos, uma seção em que o IFPI destacou a expansão dos provedores de digitais nos cinco continentes.

“As músicas ilegais continuam prejudicando o mercado, e neste campo ainda ficam muitos desafios para enfrentar. Os governos deveriam fazer ainda mais esforços”, advertiu Frances.

Em geral, a IFPI considerou que o negócio da música digital está globalizando com rapidez graças à proliferação dos “smartphones”, dos tablets e dos novos serviços musicais com licença.

Se no início de 2011 o consumo de música legal pela internet era possível em 23 países, dois anos depois esses serviços já se encontram em mais de cem países, com mais de 500 serviços legais de música por todo o mundo, que oferecem aos usuários acesso a cerca de 30 milhões de canções.

Li dias atrás em uma revista do segmento gospel uma matéria falando sobre o mercado digital e sua relação com o universo dos artistas independentes. Entre várias informações sobre como funciona o mercado digital, a matéria sugeria para que os artistas seguissem de forma independente, abrindo mão do suporte das gravadoras. Longe de querer ser uma matéria isenta, como deve ser pautado o jornalismo, aquele texto era uma nítida publicidade mal disfarçada. Particularmente sonho com um dia em que teremos um jornalismo em nosso meio sendo praticado de forma profissional, isenta e de acordo com os mais éticos padrões da boa escrita e conduta. Infelizmente o que vemos (e na Expo isso fica ainda mais evidenciado!) é um jornalismo chapa-branca ou mesmo um jornalismo-de-negócios.

Folheando algumas das revistas e jornais que recebi na Expo, me esforcei em encontrar uma única matéria interessante e bem escrita. O que vi em demasia foram revistas com matérias pagas elogiando rasgadamente o personagem-tema. Muitas das quais com anúncios espelhando as matérias ‘jornalísticas’ no melhor estilo ‘me engana que eu gosto’. Poucas são as revistas e jornais em nosso meio que valorizam os seus leitores mantendo uma imparcialidade e um mínimo de qualidade em seus textos. Cheguei a folhear um jornal onde todas as “matérias” eram textos destacando os ‘ministérios’ de cura, libertação, descarrego, clarividência e coisas do tipo no melhor estilo ‘trago a pessoa amada em 7 dias’ … Misericórdia!

Precisamos valorizar a inteligência do povo evangélico! Precisamos investir mais na qualidade de nossos veículos impressos e digitais. Precisamos valorizar os profissionais de jornalismo e deixar de lado o amadorismo onde qualquer pessoa sem a mínima condição sai escrevendo sobre os mais diferentes assuntos. Precisamos criar condições para que os profissionais tenham liberdade de agir, de publicar, de investigar, de provocar o debate, sem que estejam amarrados a contratos comerciais ou a ter que bajular este ou aquele mega-ultra-super-líder ou instituição.

 

Mas na verdade, o tema deste post não é sobre o jornalismo no meio gospel tupiniquim. Acabei seguindo por esse caminho já na introdução porque efetivamente é algo que me incomoda muito. Me incomoda ver a falta de respeito de certas pessoas com o povo evangélico, onde insistem tratá-los como simples massa de manobra. O que gostaria de comentar nesse post é justamente sobre o tema da matéria comentada no início deste texto. Será que com o crescimento do mercado digital os artistas poderão dispensar o trabalho das gravadoras?

Sem querer influenciar na resposta pelo simples fato da posição em que ocupo atualmente e onde estive presente nas últimas duas décadas, o certo é que em pouco tempo teremos apenas duas formas de trabalho no meio artístico, a saber: o artista independente e o artista numa gravadora de grande porte. Em minha modesta opinião e baseado nas observações dos últimos anos no mercado fonográfico, a tendência é de que as gravadoras de médio porte serão absorvidas gradativamente pelas grandes corporações ou então definharão a um ponto em que atuarão basicamente como selos ou mesmo projetos independentes. Não haverá espaço para empresas medianas no mercado fonográfico!

A chegada do mercado digital realmente está transformando o segmento fonográfico. Falo muito sobre essas mudanças no meu texto anterior publicado aqui mesmo no blog. Vale a pena dar uma conferida. Mas essa democratização através dos canais digitais não são garantia de que qualquer artista poderá alcançar resultados expressivos. Na verdade, colocar um CD no iTunes, por exemplo, é razoavelmente simples. Mas o fato de disponibilizá-lo por lá não é a mínima garantia de sucesso, pois o produto ficará em meio a milhões de artistas, projetos, álbuns, singles, vídeos … sem uma ação efetiva de divulgação, o produto ficará ali vagando na nuvem … ou melhor, na órbita terrestre como aqueles lixos espaciais.

 

No entanto, mesmo um artista independente deve ter postura de gravadora. Ele precisa entender que existem diversas ações que deverão ser tomadas, seja uma gravadora multinacional ou um artista independente. Organização, zelo na administração de impostos, regularização junto aos órgãos federais, estaduais e municipais, emissão de nota fiscal, processo de compra e venda, investimento em marketing, planejamento estratégico e tudo mais. E assim, fica a dúvida sobre o que deve ser o caminho a seguir na carreira artística. Ter uma atitude independente assumindo todas as atividades, riscos e compromissos, ou dividir responsabilidades com uma gravadora?

O grande mercado que deve ser focado para qualquer artista no meio gospel é justamente a sua agenda. Seja esta agenda pautada em igrejas, grandes shows ou eventos promovidos por contratantes e/ou prefeituras. A venda de CDs físicos, além de gerar uma enorme demanda de impostos, papéis, compromissos, funcionários, estoque e tudo mais, tem uma tendência claríssima de queda para os próximos anos. O correto é que cada vez mais os artistas estejam focados única e exclusivamente em sua produção artística e na administração de sua agenda. E para as gravadoras, cada vez mais será interessante que os artistas contem com suas estruturas de marketing e distribuição numa parceria de resultados e muito foco.

O mercado digital e o seu crescimento são uma tendência irreversível! Nos EUA, já em 2011, as vendas digitais superaram as vendas físicas. Este fenômeno deverá também ocorrer no Brasil já nos próximos 2 a 3 anos. E por mais que um artista independente seja antenado neste mercado digital e suas ferramentas, o certo é que apenas as grandes gravadoras terão condições de otimizar ao máximo as possibilidades de negócios no formato digital. E neste panorama, além das gravadoras, surgirão empresas facilitadoras que atuarão justamente na distribuição física e digital. Além destes, imagino que muito em breve teremos escritórios específicos para assessoria de marketing para esses artistas independentes. Esta é uma tendência que já estamos observando no Brasil, mas ainda carecemos de empresas e profissionais de maior expressão. Enfim, o mercado está em franca reformulação. É muito importante que todos entendam que o modelo tradicional de mercado fonográfico e seus congêneres está fadado ao desaparecimento e isso se dará no menor tempo possível, mas sobre esse choque nos modelos tradicionais e no que há de vir é assunto para outro texto que pretendo publicar em breve. No momento, resumindo esse post, o que posso destacar é que os artistas precisam preparar-se para um novo formato de negócios – artista independente com ajuda de diversos profissionais e empresas x artista numa parceria/contrato com uma grande gravadora.

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, consultor de marketing, desportista de fim de semana, pai do Fernando, Leonardo e Benjamim. Atualmente exímio trocador de fraldas, hipnotizador de bebês que não querem dormir e alguém que pretende melhorar mais a cada dia como profissional, pai, esposo, cristão e principalmente, ser humano.

 

Todos os meses em nossa empresa temos comemoração dos aniversariantes. A equipe de nosso RH realmente se empenha ao máximo para valorizar os funcionários e promover ações que aumentem a interação entre a equipe. E nestas comemorações nos últimos meses temos sempre recebido artistas do cast da gravadora para incrementar ainda mais o espírito festivo. Neste último mês tivemos a presença mais do que ilustre da dupla Vitor & Leo, uma das mais importantes da MPB e considerados por muitos como os mais criativos e talentosos também.
Antes da festa, propriamente dita, podíamos ver tanto o Vitor como seu irmão, andando livremente pela gravadora cumprimentando a todos, parando para conversar, brincando com os funcionários, ou seja, nada de estrelismo, nada de distanciamento, simplesmente pessoais normais. Era perceptível que aquela camaradagem era natural! Nada de uma simpatia, fria, falsa ou de interesses, tudo muito tranqüilo.
Começou o pocket show e todos os funcionários se aglomeraram entre as estações de trabalho, mesas … o ambiente normal de trabalho se transformou num improvisado espaço de eventos. Todos cantando junto, muita interação com os cantores, um clima realmente bastante familiar. A cada canção, muitas piadas, descontração, equipe cantando … num momento o Leo chama uma funcionária para cantar. Apupos, palmas, muita festa!
Já no fim da apresentação, antes de seguirem para mais um show no CityBank Hall no Rio de Janeiro com ingressos esgotados, Vitor fez questão de agradecer ao carinho de todos e frisou a parceria entre eles e a gravadora, em especial, os funcionários. Uma das frases que mais me chamou a atenção e que é o tema principal desse post foi quando ele disse que a cada prêmio recebido, que a cada sucesso nas rádios, que a cada grande show realizado, que a cada DVD ou CD gravado, que a cada conquista deles, havia sempre uma participação fundamental da equipe da gravadora. Em maior ou menor proporção, em todas as conquistas, havia sempre uma parcela de dedicação da equipe da gravadora.
Confesso que esse reconhecimento por parte de artistas ao empenho dos funcionários de gravadoras é sempre bem raro. Geralmente os artistas não têm o costume de reconhecer e destacar a participação de outras pessoas em seus respectivos projetos e resultados positivos. O mais comum, infelizmente, é justamente o contrário desta atitude. É bastante usual que os artistas transfiram seus insucessos para a gravadora, para o clima, a economia mundial, a taxa de câmbio, o mercado, os pastores, as mídias … ou seja, tudo que o cerca!
Reconhecer as pessoas que contribuem e contribuíram para nosso sucesso é um aspecto fundamental para qualquer indivíduo! E reconhecer, significa falar abertamente sobre a contribuição destas pessoas! Vejo entrevistas de artistas em que a impressão que estes dão é de que simplesmente conquistaram o sucesso sozinhos! Uma grande mentira! Não há uma única pessoa que tenha crescido pessoal ou profissionalmente sem receber o apoio de terceiros. Por mais que muitos artistas não entendam e insistam em acreditar nisso, mais uma vez, repito: é impossível!
A cada projeto, conquista, empenho extra de minha equipe, faço questão de reconhecer publicamente o esforço e sucesso de todos! Em nossa empresa, isso também é bastante difundido! Sempre recebemos mensagens elogiosas dos gestores de áreas enaltecendo um ou outro projeto na empresa. Infelizmente tenho experiências traumáticas de trabalhar com líderes que simplesmente ignoravam essa prática no dia a dia. É muito ruim você se empenhar, conseguir atingir e superar os objetivos e não receber um único parabéns por seu esforço. Nesta empresa, simplesmente revolucionamos toda a cultura da empresa. Conseguimos transformar uma empresa tida no mercado como algo completamente inexpressivo em uma das gravadoras mais relevantes do mercado. E, triste constatação, jamais recebemos qualquer menção elogiosa pelo nosso trabalho. Depois de algum tempo, optamos por seguir por novos desafios e recordo-me desse líder comentando: “mas você nunca me disse de sua insatisfação!”, e aí eu pergunto, precisava? Óbvio que não!
Este texto não é um desabafo! Muito longe disso! Na verdade é apenas um alerta às pessoas, em especial, aos artistas. Ninguém é sucesso sem o apoio de terceiros! Outro dia estive num show de um artista muito conhecido em nosso meio. Podemos dizer que é um dos artistas de grande sucesso no mercado gospel na atualidade. Fui encontrá-lo no hotel, viemos conversando no carro até o local do show e chegando no backstage, antes de seguir para o camarim, o artista desceu do carro e quase de imediato foi cercado por pessoas querendo autógrafos, fotos ou simplesmente um alô.
Fiquei à distância observando a atitude do artista. Fiquei feliz em ver que ele parou para falar com cada uma das pessoas. Ele olhava nos olhos de seus interlocutores. Parecia prestar atenção a cada palavra, a cada comentário proferido. Não demonstrava qualquer pressa em isolar-se no camarim. Ficou ali, atendendo aos pedidos de fotos, conversando, ouvindo, sorrindo, abraçando … tudo muito tranqüilo mesmo! Quando todos estavam satisfeitos, devidamente atendidos, ele pediu licença e caminhou calmamente para o seu camarim. Fiquei ainda mais alguns minutos do lado de for a observando a reação das pessoas. Os comentários eram os melhores possíveis! Todos ficaram impressionados com a simpatia do artista, mesmo sabendo de sua maratona recente de eventos.
Reconhecer o valor no outro não é só elogiar. É também mostrar-se disposto a ouvir, a sorrir. É tratar bem àquele que é motivo de seu sucesso, seja ele um funcionário de rádio, um profissional de gravadora, um pastor, ou mesmo, aquela pessoa que comprou um CD e fez questão de receber uma dedicatória. Todas estas pessoas fazem parte de nosso sucesso, não importando o grau de importância.
Em contrapartida a esta experiência, também há tempos atrás, participei de um grande evento onde um determinado artista subiu ao palco com uma enorme estrutura de som, luz, inúmeros profissionais envolvidos. Ele chegou, estacionou seu carro no backstage e só saiu do veículo após sua assessoria garantir o acesso direto ao camarim. Foi feito um cordão de isolamento e o artista correu para o aconchego e privacidade de seu camarim. Ficou por lá por uns 30 minutos e não atendeu ninguém. Subiu ao palco, cantou, ministrou, trouxe umas palavras de incentivo, agitou o público … faltando uma música para o fim do evento, sua equipe já posicionou o carro na saída. O artista, antes mesmo de terminar a música, dirigiu-se para o fundo do palco e de lá para o carro já com motor ligado prestes a zarpar. O artista sumiu, escafedeu-se, não atendeu a ninguém, não agradeceu a ninguém, manteve-se isolado de todos … e hoje este mesmo artista é um daqueles ex-grande-artista-gospel-que-viveu-o-sucesso-e-hoje-encontra-se-no-quase-ostracismo.
Reconhecer. Valorizar. Compartilhar. São palavras muito importantes para quem quer alcançar e manter o sucesso. Pense nisso!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, com pouco mais de 23 anos de experiência profissional e que reconhece a importância fundamental da família, de amigos e de parceiros como Sidnei Gomes, meu fiel escudeiro de anos e anos, empresas e empresas. 

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Recentemente na cidade de Caicó/RN foram descobertas notas de 3 reais. Isso pode ser piada, mas realmente aconteceu e virou notícia. O tema deste texto escrito em uma viagem para São Sebastião, uma belíssima cidade do litoral norte do Estado de São Paulo, é sobre a necessidade de fazermos uma música gospel com maior qualidade, maior autenticidade. A notícia da nota de  3 reais foi uma das motivadoras para esse texto, mas não foi a única.

Conversando com o Marcos Hermes, considerado um dos melhores fotógrafos do país, com um portifólio que vai de Padre Marcelo a  Paul McCartney passando por Roberto Carlos e mais recentemente Cassiane e Aline Barros, falávamos sobre “atitude “, autenticidade, marca própria que todo artista deve ter pra se destacar em meio à multidão.

É muito bom poder conversar com pessoas de sucesso em suas profissões e, particularmente gosto de trocar informações e pontos de vista com gente de fora de nosso mundinho gospel. E nesse papo com o Marcos Hermes ele me disse que achava os artistas de música gospel meio parecidos nos seus estilos. Com muito cuidado nas palavras, ele disse que mesmo sem conhecer profundamente o segmento, percebia que havia uma certa uniformidade no meio. Na verdade, aquele comentário não era uma crítica, mas o reconhecimento de que os artistas gospel têm muito mais potencial do que vem sendo apresentado nos nossos dias.

Depois de uns segundos meditando naquele comentário pude ver o quanto de verdade havia naquelas palavras. Realmente, mesmo tendo uma riqueza de subestilos no que denominamos no país como música gospel, o certo é que dentro destes subestilos, temos muita gente repetindo fórmulas no melhor formato Control C Control V.

Tentando ilustrar esse fato, basta analisarmos o estilo pentecostal. É uma repetição de arranjos, temas, acordes e mesmo produtores musicais! Se um determinado artista vem com uma proposta um pouco mais pop, simplesmente é massacrado pelos puristas do “reteté-pé-de-fogo”!!!!! A impressão é de que boa parte dos artistas fica encarcerado a um estilo “vendedor” e mesmo querendo gravar algo diferente, para não correr o risco de ser ‘apedrejado ‘ em praça pública, permanece mantendo-se fiel às tradições e convenções do estilo. Mas essa repetição de fórmulas não é exclusividade do pentecostal, basta vermos a “produção em série” na adoração e louvor, na música sertaneja e por aí vai …

Sei que estamos neste momento passando por uma época das mais importantes da música gospel em toda sua história no Brasil. Jamais a música gospel teve tanta atenção, boa vontade e interesse por parte da mídia e mesmo do público não-evangélico. E neste período precisamos repensar o que será da música gospel para os próximos anos e essa reflexão passa também por novas propostas artísticas e modelos não-convencionais.

Mas entendo que essa transição não pode ser responsabilidade apenas dos artistas, apesar de também creditar a eles a parte mais importante e determinante do processo. A verdade é que essa mudança deve ter participação das gravadoras, mídias e mesmo do público.

As gravadoras precisam ser OUSADAS! É necessária uma boa dose de inovação e mesmo de experimentação. Infelizmente em nosso meio as gravadoras ainda são muito tradicionais, pouco inspiradas. Gosto muito da proposta da Salluz que vem abrindo espaço para uma turma que vem fazendo um som diferenciado em nosso meio. Particularmente tenho orgulho de projetos como da Daniela Araújo e Leonardo Gonçalves.

Já as mídias, em especial, as rádios de programação evangélica, também precisam ser mais abertas a novidades. Não dá pra ficar torcendo o nariz quando chegar às mãos do programador um CD com boa qualidade mas com uma proposta diferente do status quo reinante no mercado. Sempre fiz questão de ressaltar que música só existem duas: a boa e a ruim! Então se a música for boa, mas um pouco “diferente” do padrão, vale a pena fazer um teste!

O público precisa também se abrir a novas propostas musicais. Não pode simplesmente ser refratário às novidades e sons diferentes. Infelizmente nosso consumidor médio de música ainda é muito influenciado pelo que é apresentado pelas rádios do segmento – que nem sempre nos proporciona uma música verdadeiramente de qualidade. Com a popularização da web, cada vez fica mais fácil termos acesso a propostas diferenciadas de música, novos nomes, novos estilos, sonoridades e tudo mais. Com boa vontade, pesquisa e  disposição dá pra conhecer novos ares musicais.

Mas, finalizando este post, é de suma importância que os artistas também queiram essas mudanças! Um artista precisa valorizar sua autenticidade artística, sua identidade própria. Quem não pensar em criar e manter uma marca pessoal, simplesmente corre o risco de simplesmente desaparecer ao longo do tempo. O momento é de aumentar a dose de experimentações, mesmo que ainda seja em doses homeopáticas.

Já usei esse exemplo em alguns de meus posts anteriores, mas vou permitir-me citá-lo mais uma vez por ser ele o grande nome do mercado gospel neste momento. Estou falando do Thalles e de sua música. Quando ele surgiu há 3 anos atrás, muita gente “torceu o nariz” para aquele som esquisito. Muita gente “torceu o nariz” pelo visual daquele rapaz. Aquele cabelo meio black power, aquelas roupas meio coloridas demais. E aquela capa do CD com um óculos escuro? Seria alguma menção ao Stevie Wonder ou Ray Charles?

Só que nesse projeto, teve uma gravadora que resolveu investir em algo diferente. As rádios, no início, mantiveram-se arredias mas com o tempo, acabaram cedendo espaço para aquela música diferente. O público também resolveu abrir os ouvidos para uma nova proposta musical. E o artista, ele simplesmente transmitiu sua arte sem preocupar-se com as limitações do segmento, até porque, como um neófito no mercado, Thalles simplesmente desconhecia todas estas regras, amarras, preconceitos e limitações do mercado. É como aquela frase de Jean Cocteau: Não sabendo que era impossível, foi lá e fez!

Espero sinceramente que os artistas expressem sua arte de forma mais pessoal, visceral, autêntica! Temos condições de apresentar uma música gospel de melhor qualidade e riqueza, mas para isso, precisamos de uma pequena dose de ousadia, coragem e respeito por sua própria arte.

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, profissional de marketing e também alguém que recicla seu lixo, economiza água e se empenha por um mundo melhor.

Prestes a enfrentar mais uma Expo Cristã, exatamente a décima em meu currículo, vou desde já preparando-me mentalmente para os 6 dias intensos de muitos tapas nas costas, sorrisos, bate papos, fotos, entrevistas, contatos comerciais e os intermináveis contatos com postulantes a contratados por alguma gravadora devidamente munidos de CDs, DVDs, chaveiros, bonés, releases, fotos, cartões e tudo mais em mãos para ao fim ter que ouvir a indefectível pergunta: Mas você promete que vai ouvir com carinho?

 

Já falei sobre essa experiência em outro post aqui publicado. Então prometo que não estarei mais uma vez abordando essa experiência inenarrável. Vou falar de uma outra questão que assola boa parte dos artistas em nosso meio. Como sempre, boa parte dos assuntos aqui mencionados são fruto de minhas experiências profissionais e pessoais ao longo destes anos de labuta.

 

Outro dia um amigo, que agora não me recordo bem quem tenha sido, comentou que todo artista é normal até assinar o primeiro autógrafo! Voltando à Expo Cristã, vejo como tem gente que se empenha por causa de um objetivo, de uma meta! Há dois ou três anos atrás recebi no stand um jovem leitor do Observatório Cristão (quando ainda devíamos ter uns 15 a 18 leitores somente!) que viera de Vitória da Conquista/BA, de ônibus, simplesmente porque se sentiu estimulado por um de meu textos falando da feira. O rapaz me abordou e contou sua história. Disse que era uma jovem cantor em busca de oportunidades. Assim como esse baiano, centenas de outros postulantes ao estrelato vão de mala e cuia para o Pavilhão do Anhembi simplesmente para terem um contato mais próximo com as mídias e principalmente, os responsáveis pelas gravadoras. É um esforço enorme e que muitas das vezes não traz o devido retorno – até porque as expectativas são em sua grande maioria muito além da realidade.

 

Ao longo desses meus anos de trabalho, já tive oportunidade de contratar muitos artistas. Tive oportunidade de conhecer muita gente talentosa. Já tive também, muitas promessas em mãos. E entre tantos aspectos que foram determinantes para o sucesso deste ou daquele artista, posso assegurar com extrema segurança de que a disponibilidade e disposição para o trabalho de divulgação estão entre os mais importantes. Infelizmente, boa parte dos artistas vão perdendo o empenho de trabalhar a sua própria divulgação ao longo dos anos.  Um artista que mantém a disposição de trabalhar sua divulgação com a mesma garra dos jovens artistas que circulam pelos corredores quentes e apertados da Expo Cristã à cata de um fotógrafo, radialista ou blogueiro, certamente consegue muito mais espaço na mídia e no segmento como um todo.

 

Já contei a vocês minha experiência de subir a mais de 3,6 mil metros de altitude numa cratera vulcânica na Colômbia e lá, no meio do nada, deparar-me com uma propaganda da Coca-Cola. Também já mencionei outras vezes o trabalho que pessoalmente desenvolvi com grandes artistas nas maratonas de divulgação onde atendíamos a todas as mídias possíveis, inclusive rádios comunitárias onde o ‘estúdio’ localizava-se na cozinha da casa do radialista. Em suma, toda e qualquer mídia deve ser sempre tratada com a mais reverente importância!

 

Infelizmente conheço artistas (não poucos!) que ao mínimo sinal da fumaça do sucesso, simplesmente preferem ficar em casa a ter que investir seu tempo para atender às mídias. Particularmente me irrito com esta postura e tento de todas as formas fazer com que o artista entenda sobre a importância de estar na mídia preenchendo todo o espaço disponível. Mas, confesso, que muitos artistas simplesmente dão de ombros a esta questão e preferem seguir no mais completo distanciamento em se tratando de mídias e do trabalho árduo de divulgação.

 

Recebo periodicamente entrevistas de sites ou revistas. Muitas das vezes as perguntas são óbvias, fracas, desinteressantes, mas nem por isso deixo de atendê-las. Muitas das vezes o tempo entre o recebimento da entrevista e sua resposta, não ultrapassa alguns minutos. Procuro sempre ser o mais solícito possível em termos de atendimento às mídias. Mas em contrapartida, vejo e recebo muitas reclamações de jornalistas que simplesmente são deixados ao relento por seus entrevistados num autêntico “chá de cadeira”. Isso, para mim, além de desrespeito ao próximo é um claro sinal de amadorismo.

 

Geralmente o tempo mais intenso de trabalho de um artista compreende o período de 15 dias antes do lançamento do CD e mais uns 60 a 90 dias após a chegada do produto ao mercado, no máximo! Neste período, o artista deve fazer o máximo de entrevistas para Tvs, Rádios, Sites e Revistas. Neste tempo também deve fazer visitas aos lojistas, atender a alguns convites estratégicos e … nada mais! Pessoalmente curto demais essa época do trabalho de uma campanha de lançamento. Gosto desse clima de rolo compressor atropelando tudo, preenchendo espaços na mídia … chamo essa época de Blitzkrieg! Mas infelizmente vejo que muitos artistas literalmente criam dificuldades pelo simples fato já mencionado em um outro texto meu recentemente publicado no blog: a preguiça.

 

Com isso, todo o esforço da equipe de vendas e de marketing da gravadora vão se esvaindo aos poucos e o projeto acaba perdendo forças e após uma saída intensa e de muito boa possibilidade de resultados grandiosos, simplesmente fica bem abaixo do esperado. Se o artista não entender que este período de lançamento ele deve “colar” na sua gravadora, infelizmente, o seu projeto irá literalmente ‘morrer na praia’.

 

Então, pra finalizar, vou deixar uma dica. Pelo menos 15 dias antes de lançar um novo projeto, o artista deve ir numa clínica e fazer um check up completo. Veja se é necessária alguma reposição hormonal e prepare-se para uma maratona não de 42 quilômetros, mas para uma corrida de 60 a 90 dias em média de muito trabalho. Neste espaço de tempo, será proibido dizer as seguintes palavras e expressões: Estou cansado! Será que vale a pena mesmo? Preciso responder essa entrevista hoje? Alguém assiste a este programa? Pode ser amanhã? Aproveite e veja como está seu humor! É imprescindível que você tenha paciência, jogo de cintura, mansidão, sorriso aberto! Nada de biquinho, beicinho, chororô, desmaios, chiliques, birras ou qualquer outra atitude menos nobre! O momento é de foco, disposição e muita atividade!

 

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, pseudo-psicólogo, pseudo-terapeuta.