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No dia 20 de janeiro de 2012, o relatório da Crowley aponta a música “Someone Like You” da cantora inglesa Adele como a mais executada pelas rádios do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Ribeirão Preto, Campinas, Salvador, Recife, Curitiba. Apenas em Porto Alegre, Adele figura no quarto lugar entre as mais executadas, perdendo a liderança para “Ai Se Eu Te Pego” do Michel Teló. A cantora, que inclusive já foi muito comentada no Observatório Cristão e chegou inclusive a ter destaque como vídeo clipe, é a principal artista em todo o mundo rompendo os recordes de vendas, seja no mercado físico como digital e, lidera as paradas de sucesso das FMs em todo o Brasil.
Para quem não sabe, a Crowley é uma empresa de pesquisa multinacional e no país tem um trabalho específico de averiguação de veiculação de músicas nas rádios das principais cidades do país. Seria uma espécie de Ibope da música no Brasil. Esta ferramenta de pesquisa é largamente utilizada pelas gravadoras, mídias e profissionais do mercado da música e show business. A lista da Crowley é o principal termômetro do que é sucesso no país aferindo dia a dia o que é executado nas principais rádios de norte a sul.
Analisando uma pesquisa da Crowley temos um retrato fiel do mercado musical de cidade para cidade. É impressionante como podemos analisar o perfil do ouvinte, por conseguinte das emissoras de rádio e mesmo da cultura musical de determinada região apenas conferindo o playlist, artistas e estilos musicais. No mesmo dia em que comento sobre o sucesso avassalador de Adele, no Rio de Janeiro, a lista destaca as canções de Thiaguinho, Belo, Seu Jorge, Bruno Mars, Michel Teló, Sorriso Maroto e Mumuzinho. Destes, quatro artistas representam o samba/pagode e os demais, a MPB, Internacional e Sertanejo.
Já em São Paulo, após Adele, surgem Michel Teló, Britney Spears, Bruno Mars, Maroon e Christina Aguilera, David Guetta, Leonardo, Will.I.AM. Neste caso, fica evidenciada a força da música internacional numa cidade cosmopolita como a capital paulista, contando apenas com 2 sertanejos entre tantos astros mundiais. Em Belo Horizonte, a disputa segue entre sertanejos e internacionais. Em Brasília, Luan Santana e Michel Teló dividem a atenção com Adele, mas contam com as participações de Bruno & Marrone, Leonardo, Fernando e Sorocaba, João Neto e Frederico, ou seja, a capital federal é totalmente sertaneja!
Analisar esse relatório é um exercício muito interessante pela riqueza de detalhes, de informações e principalmente pelas tendências. Diariamente dedico alguns minutos para ler e interpretar esses relatórios, mesmo não tendo qualquer relação com o universo da música gospel, mas pelo simples fato de compreender a dinâmica de uma mercado em constante mudança.
E se tivéssemos uma pesquisa como essa sendo realizada entre as rádios evangélicas do país? Como seria o relatório e as interpretações provenientes destas pesquisas? 
Sinceramente, arrisco a dizer que teríamos informações muito interessantes, mas que também teríamos distorções muito claras entre o que é sucesso natural pelo apelo junto ao público e o que é fabricado, imposto por interesses os mais diversos. E por qual motivo teríamos distorções? Muito simples! Apenas pelo fato de que em algumas praças do país, emissoras de programação evangélica mantêm vínculo com denominações religiosas ou gravadoras. Nestes casos, a programação do playlist está diretamente influenciada pelos interesses do dono ou do grupo gestor da emissora. É muito interessante observar que nestas emissoras, alguns artistas despontam na liderança entre os mais executados e sequer aparecem em qualquer outra emissora pelo país! Isso é o que chamamos de “audiência de cabresto”, onde o público cativo apenas tem acesso a um grupo limitado de artistas de interesse do ‘dono da emissora’. Além disto, algumas emissoras evangélicas possuem programações sublocadas, ou seja, o horário não é integral da emissora, mas repartido entre locutores, patrocinadores, políticos e principalmente pastores. Neste caso, temos a cada programa, um estilo musical totalmente diferenciado, isto nos casos em que o programa ainda abre espaço para música porque em grande parte, o tempo é dedicado exclusivamente a mensagens e muitos pedidos de ofertas e contribuições.
Ainda creio que temos muito a evoluir na questão de rádios evangélicas e suas respectivas programações. A Rádio Melodia FM no Rio de Janeiro é um exemplo clássico de emissora focada no seu público e na programação. A emissora é líder de audiência no Rio de Janeiro há alguns anos e sua programação é prioritariamente voltada às classes C e D do Grande Rio, preponderantemente pentecostal. Em algumas outras regiões do país também temos exemplos de uma boa condução da questão “playlist x público ouvinte”, mas arrisco a dizer que estamos distantes de um melhor entendimento e condução deste assunto em boa parte das rádios evangélicas pelo país.
Infelizmente ainda temos emissoras no meio gospel em que determinado artista é catapultado para fora da playlist simplesmente porque a sua respectiva gravadora deixou de manter contrato comercial ou parceria de promoção. No mercado popular, as gravadoras mantêm parcerias e realizam promoções com as emissoras de rádio por 30 a 60 dias, em média. Naquele período pré-estabelecido a música precisa ter empatia junto ao público. É o que chamamos de “virar a música”, ou seja, o single do artista ser pedido espontaneamente pelo público. Depois deste período de parceria, a música se destacando, “virando” naturalmente, será mantida na programação da emissora simplesmente porque o público a aprovou! Em algumas emissoras evangélicas, a música simplesmente é “abduzida” no dia seguinte ao término do período de promoção. Isso é uma atitude clássica de desrespeito ao ouvinte e ao artista!
Ainda tem uma questão nesse universo de rádio evangélica tupiniquim que é bastante interessante, quando determinado artista deixa de atender a um convite para participar da vigília da igreja … “onde já se viu não atender ao convite do Bispo XYZ !!!! Tira as músicas do cantor da programação! Ele vai ver como é que a coisa funciona!”. Fica muito claro que nestes casos, a parte menos importante é justamente o ouvinte, o público!
Dentro do processo de amadurecimento do segmento gospel em suas diversas áreas, imagino que a relação “público x emissoras de rádio” ainda pode ser melhorada visando um melhor entrosamento entre os interesses mútuos. É importante que as emissoras de música gospel mudem seus conceitos de trabalho e objetivos a fim de valorizar o seu público, consequentemente trazendo maior audiência, fidelidade e contratos publicitários.

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, ouvinte de rádio contumaz, torcedor do Fluminense e durante quase 5 anos, apresentador, redator, faz-tudo do programa “Line Music” na Rede Aleluia. 

É impressionante como toda vez em que a grande mídia faz uma abordagem sobre o mercado fonográfico, a introdução da matéria sempre traz uma abordagem sobre a queda do mercado fonográfico. Não importa o viés da matéria, sempre usa-se o bordão “mercado em crise” e coisas do tipo. O cerne da matéria pode ser positivo, mas sempre há um contraponto negativo do tipo: “Mesmo em crise, artista “X” vende milhões de CD”.

No Brasil, os dois últimos anos foram de crescimento no mercado fonográfico. Dados preliminares apontam que 2011 chega ao fim comemorando mais um ano de crescimento em vendas, sendo que alguns artistas como Padre Marcelo Rossi e Paula Fernandes superaram a marca de 1,5 milhão de unidades vendidas. Estamos falando em crescimento na venda física de CDs, atente-se para isso! O mercado de shows está super aquecido, inclusive colocando definitivamente o país no circuito dos grandes astros da música internacional. Neste ano, tivemos o retorno do Rock in Rio ao país e mais outra edição do SWU e de diversos outros festivais.

Particularmente discordo com essa tendência pejorativa na abordagem da mídia quando se refere ao mercado fonográfico. É óbvio que a pujança de vendas de CDs de décadas atrás não temos e não teremos mais no mercado. Também é notório que os canais de venda de música em lojas especializadas praticamente ficaram reduzidas a grandes redes de varejo. Mas isso não significa que o mercado fonográfico é um ser moribundo!

O que estamos vivendo neste momento, em especial no Brasil, é uma mudança radical do processo de consumo do bem “música”. A transição do LP para o CD se deu a partir do momento em que as indústrias de eletroeletrônicos aposentaram a vitrola e passaram somente a produzir aparelhos com tocadores de CD. Essa transição completa não durou mais do que 2 anos e foi realizada automaticamente, onde saíram a vitrola, o LP e a agulha de diamante (lembram-se disso?) e entraram o CD, o 3 em 1 e o disc-man. Já a transição entre o CD físico e o mundo digital não aconteceu de forma linear. É nítido que vivemos um hiato entre o consumo de produtos físicos e digitais. Neste hiato, nem mesmo a indústria fonográfica conseguiu interpretar perfeitamente as tendências e caminhos que o mercado acabaria seguindo. E imagino que esse “medo do desconhecido” acabou provocando um pânico generalizado e até mesmo uma letargia inercial. Daí a ideia que a mídia vem constantemente atribuindo como “a crise do mercado fonográfico”.

 

Na verdade, o mercado digital amplifica e muito os canais de distribuição para a música. Se antes tínhamos cerca de 3 mil pontos de venda de música no país, hoje temos 200 milhões de celulares para comercializar conteúdo. Com a ampliação e melhoria da banda larga no Brasil, outros milhões de usuários da internet passarão a ter acesso ilimitado a arquivos com milhões e milhões de músicas. Hoje há inúmeros canais de comercialização de música no universo digital na web ou mesmo através das operadoras de TV a cabo ou empresas de telefonia. Com a chegada do iTunes tão comemorada nos últimos dias definitivamente ingressamos na nova era digital. Outras plataformas como Power Music Club, Rdio, GVT, Sonora democratizam o acesso à música. Enfim, não há crise no mercado fonográfico! O que há neste momento é uma gama ilimitada de possibilidades para a comercialização de conteúdo no mundo digital.

E posso adiantar que 2012 será o ano da virada do mercado fonográfico no meio digital! Não sou nenhum adepto das profecias de Nostradamus, muito menos estudioso do calendário maia ou mesmo um profeta pentecostal, mas podem me cobrar em 31 de dezembro de 2012 sobre esta minha última afirmação. Teremos grandes novidades no mercado digital a partir dos próximos meses. Uma infinidade de canais de comercialização de conteúdos digitais estarão disponíveis ao consumidor brasileiro daqui em diante.

Poucos são os profissionais que já conseguem vislumbrar todos os desdobramentos do mercado digital para os próximos 10 anos (isso é quase um século em termos de tecnologia!), então o momento é de busca incessante pelo conhecimento, pelo aprimoramento e principalmente pelo planejamento e mudança de estratégias. Neste momento é fundamental que as gravadoras estejam preparadas para essa nova conjuntura do mercado fonográfico! Infelizmente ainda vejo empresas e ‘profissionais’ de gravadoras apenas mirando no mercado físico como único caminho. Na verdade, não consigo pensar em melhor imagem neste caso do que de um trem se aproximando no horizonte, enquanto uma despreocupada pessoa passeia por entre os trilhos degustando um delicioso sorvete. O trem pode até demorar a chegar, mas numa determinada hora ele vai passar por cima do “degustador de sorvete”. E já posso adiantar, que esse trem aí é do tipo que a torcida do Vasco costuma cantar nos estádios … é um autêntico trem bala! O atropelamento é inevitável!

Então, toda vez que alguém comentar que o mercado fonográfico está em crise … ah! manda ler esse artigo … não precisa entrar em nenhuma confusão! Este é um mercado de oportunidades! Mas é fundamental que se esteja preparado para enfrentar e aproveitar as múltiplas opções de negócio … o que não vale é ficar na cadeira de balanço, reclamando da chegada de players profissionais, preparados e focados no futuro do mercado. A concorrência é livre e que venham as novidades!

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, casado, pai de dois meninos que já nasceram tecnológicos e digitais. “Papai no seu tempo a TV era em preto e branco? Mas já era em 3D?”

 

Dias atrás tive a agradabilíssima experiência de visitar a sede da empresa Achou Gospel na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. A Achou Gospel é uma das mais, se não a mais, importantes agências de management de artistas do meio gospel. E em meio a conversas, muitos causos, troca de experiências e acima de tudo, um bom papo descontraído com os dois sócios da empresa, Eduardo Custódio e seu irmão Fabinho, começamos a comentar sobre erros e acertos de alguns artistas ao longo de suas trajetórias.

Vivendo, todos os três interlocutores, 24 horas próximo ao cotidiano de artistas, seria mais do que natural de que esse tipo de conversa surgisse em meio a de tantos outros assuntos. E aí, no meio do bom papo, Fabinho me perguntou se haveria uma guia para o sucesso ou algo do tipo. Num relance respondi-o que não deveria existir um manual, um guia para o sucesso, mas que certamente haveria uma série de regras elementares para o fracasso. E foi com esse insight que começo a mais uma escrever um texto para nosso blog que a cada dia vem tornando-se mais e mais relevante no meio gospel.

Efetivamente não há regra para o sucesso. Se houvesse, não teríamos tantos artistas talentosos sem alcançar o merecido Olimpo em suas carreiras.

Bastaria apenas seguir criteriosamente cada quesito do manual do sucesso e em questão de pouco tempo, a glória, a fama, a pompa e tudo mais, seriam alcançados! Mas em contrapartida, entendo que há um conjunto de ações e regras que possibilitam o fracasso, ostracismo, decepção e infortúnio. Como dizem na linguagem popular: “É tiro e queda! Funciona que é uma beleza!”

Então, se você pretende errar fragorosamente em sua carreira artística ou mesmo fechar todas as portas para o sucesso, então anote e pratique com máximo afinco cada uma destas dicas que elencaremos na sequência. É importante frisar que para você alcançar os objetivos do insucesso você deverá ter muito foco, determinação, disposição e principalmente perseverança!

Uma das principais regras para o insucesso, sem dúvida, é a auto-imagem. Sim! Você precisa ter uma excelente imagem de seu talento, de seu perfil, de sua categoria e principalmente de sua absoluta superioridade acima de todos os demais artistas do universo. Você é demais! A música, na verdade, se divide entre antes e depois de você nascer, nascer não! De você estrear e abrilhantar o mundo com seu carisma e genialidade! Você é o máximo! Simplesmente não há nada que se compare a você!

Assim bem como você está léguas à frente de todos os demais, é importante também frisar que não há mais nada que você precisa aprender para desenvolver seu talento ou conhecimentos. Você é a pessoa mais inteligente que há no mercado! Você realmente sabe de tudo! Marketing, produção musical designer gráfico, publicidade, jornalismo, expressão corporal, astronomia, cinema, literatura, composição, xadrez, moda, filosofia, culinária, psicologia, teologia, física quântica, engenharia mecatrônica … nada!

Absolutamente nada escapa ao seu intelecto de personalidade super dotada! Então, saiba que você sabe tudo e não precisa de ninguém para ensiná- la o que fazer!

Seguindo o conceito do “eu me basto!”, você jamais, nunca, em tempo algum, deve permitir que um mero produtorzinho que tenha ganho alguns prêmios por aí assuma o controle de sua obra musical! Quem além de você poderá entender toda sua genialidade?

Difícil hein?!?!? O certo é que você jamais busque ajuda externa em seus projetos musicais. Nunca deixe que um profissional diga o que você deve ou não gravar! E, caso você tenha algum produtor que consiga atender sua necessidade, mantenha-o ao seu lado nos próximos 30 anos. Nem pense em trocar de produtor, afinal todos sabemos que “em time que se está ganhando não se pode mexer!” (mais um ditado! Que falta de criatividade!) O ideal mesmo é você sempre se auto-produzir! Além de mais econômico, te poupará de ficar negociando o que é inegociável, ou seja, a sua opinião!

Uma outra dica importante para que você alcance plenamente o insucesso é jamais ousar! Pra que ficar inventando moda se todo mundo quer ouvir a mesma coisa? Nada de novidades! Apenas repita as fórmulas de sucesso que pululam nas programações das rádios pelo país. Se a moda é falar de perseguição e humilhação, então faça um repertório recheado de canções que contem histórias de pessoas ultrajadas, açoitadas, constrangidas, amarguradas, pisoteadas, amordaçadas, que comiam marmita fria e coisas do tipo. Se a moda for “voar sobre as nuvens”, então prepare sua roupinha de superman e saia por aí voando pela fé, saracoteando em cima do mar ao lado de anjos, querubins, serafins, severinos e arcanjos! O importante é sempre seguir as tendências, principalmente se estas tornaram-se sucesso nos últimos 5 anos!

Não acredite nos profetas do futuro! Essa história de que a web e a tecnologia são o futuro do mundo são “histórias para boi dormir!”(mais um ditado, eita!) e você com um ser supremo jamais irá acreditar nisso, certo? Mantenha-se umbilicalmente ligado às tradições! Não invista em um site próprio, atualizado, cheio de ferramentas e novidades. Tenha apenas um aparelho de fax, nem mesmo um computador, nada disso! Outra dica que vale a pena: não perca seu tempo investindo em redes sociais, isso é coisa de gente mexeriqueira e sem ter o que fazer! Esconda-se do público! Mantenha-se no melhor estilo “eremita das cavernas” e jamais caia na tentação de contratar uma assessoria de imprensa. Mais uma vez: quem melhor do que você para falar de si? Então não invista em nada além! O seu talento e carisma são suficientes para sua carreira!

Com relação aos músicos, nunca pense em montar uma banda de apoio! Você e seu playback a tira colo são mais do que suficientes! Imagina você ter que aturar aqueles músicos com suas manias!?!?!

E como eles comem não? Parece um bando de famélicos somalis atacando os lanches após cada apresentação nas igrejas e eventos! Ô que povinho!

O ideal é você ter apenas o bom e velho playback do lado. Playback no CD mesmo, nada de computador ou outra traquitana mais moderna. Se o CD pular, você começa a falar, profetizar … enrolar a platéia até que um novo playback surja nas mãos do sonoplasta.

Mais uma vez quero reforçar a dica! Não creia em profissionais! Eles querem apenas tungar oseu suado dinheirinho! Não contrate assessor de imprensa, manager, fonoaudiólogo, web designer, fotógrafo ou qualquer outro consultor.

No campo dos investimentos, para que você conquiste o seu objetivo de não fazer sucesso nacarreira artística a melhor opção é direcionar seus recursos em automóveis e roupas. Como todos sabemos, automóveis são um investimento seguro, de alta liquidez e de rentabilidade absurda! Como um artista conhecido por muitas pessoas você precisa sempre preocupar-se com o que os outros pensarão de você, portanto, mesmo que o automóvel seja comprado em suaves 72 prestações com 328% de ágio, o importante é estar com um carrão do ano! E o seu guarda-roupas deve ser completíssimo!

Não esqueça-se daquele casaco de pele para aguentar as baixas temperaturas do verão brasileiro. Além do mais, o casaco de peles protegerá sua garganta de alguma lufada mais intensa de ar! Proteja-se!

Outra dica importante: procure lançar o seu CD a cada 9 a 10 meses. Hoje em dia o povo é muito volúvel né? É tão imediatista! E para atender a essa “demanda” não dê importância à escolha do repertório. Apenas se preocupe naquela canção “carro-chefe”, afinal depois que inventaram essa história de single, um CD precisa mesmo só de uma única música boa pra “puxar o trabalho”.  De preferência essa música deve ser daquele compositor que emplacou sucessos para 583 cantoras e tem que ter aquele refrão bem “chiclete”, sabe?

E a relação com o público? Ah! Isso é uma ciência que deve ser tratada com máxima atenção! Não atenda-os nunca após os eventos. Imagina?!?!

Aquelas pessoinhas suadas, querendo tirar fotos, pedindo autógrafos em qualquer pedaço de papel e que sempre tem algo super engraçado pra contar!!!

Ah! Não dá né? Procure cercar-se de seguranças mal encarados, daqueles treinados pelo BOPE, Hezbollah ou o Mossad, tanto faz! Se você é mais sofisticado e tem um produtor de palco, então oriente-o a brigar com toda a equipe de produção local. Que ele coloque esses seres inferiores no lugarzinho deles!

Atender ao conselho de pastores, prefeito ou mesmo à filha do empresário que pagou tudo, nem pensar! Que eles te assistam na área VIP que já está bom demais!

Povinho no seu devido lugar e você , o TOP of TOP do Show Business Gospel, devidamente isolado em uma distância segura!

Se você é chique e tem um assessor para agenda. Oriente-o da seguinte forma: marque 3 compromissos num mesmo dia. Atenda o telefone apenas quando realmente não tiver mais nada a fazer. Pergunte logo sobre quanto será o cachê! Nada de “oferta de amor”. Pagamento só com 6 meses de adiantamento! Num primeiro contato, finja que a agenda está lotada! Especule sobre melhores cachês!

Mude de “tabela de cachê” de acordo com a “cara do cliente”. Treine-o numa escola de arte cênica. “Vá que” ele precise criar uma história de que você sofreu uma parada cardio respiratória durante um sequestro relâmpago nos dias em que você não tem a mínima vontade de trabalhar, isso sempre funciona!

Outra importante dica é seguir os conceitos de uma pseudo-celebridade-casada-com-alguém-realmente- famoso que proclamou uma releitura da Bíblia onde esta, descarta a necessidade de se frequentar uma igreja. Na verdade, por que ir à igreja? Por que ficar sentada no meio da platéia se o seu lugar é sempre o palco? Por que sujeitar-se aos puxões de orelha de um pastorzinho? Por que abrir mão de algumas horas de descanso para assistir cultos ou pregações?

Já estou prestes a aterrissar em mais um vôo e com isso vou me despedindo por aqui. Imagino que se você realmente pretende se esforçar para alcançar o insucesso, estas dicas que listamos acima, irão contribuir positivamente para alcançar seus objetivos. É óbvio que outras ações de auto-sabotagem podem ser incluídas neste nosso manual que não tem a mínima pretensão de ser um tratado definitivo, afinal, sabemos que a raça humana é pródiga em novas conquistas e superação. Feliz insucesso!

Mauricio Soares, blogueiro, colecionador de miniaturas de bicicletas e de casos espetaculares no meio artístico gospel tupiniquim.