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Foram divulgados recentemente os números atualizados do mercado da música no mundo através da IFPI, órgão que reúne os principais players do segmento fonográfico. E mais uma vez, o mercado registra crescimento, estancando a tendência de queda que permaneceu constante por mais de uma década. O mercado mundial de música gravada cresceu 5,9% em 2016, a maior taxa desde que a IFPI começou a acompanhar o mercado em 1997. A receitas totais para 2016 foram de US$ 15,7 bilhões.

No final de 2016 havia 112 milhões de usuários de assinaturas de streaming de música pagos, impulsionando o crescimento de receita em streaming ano a ano de 60,4%. Este crescimento é, sem dúvida, um dos maiores entre os diferente setores de negócios na área de entretenimento em todo o mundo. A receita digital no ano passado representou a metade da receita anual da indústria mundial de música gravada pela primeira vez. O crescimento no streaming mais do que compensou uma queda de 20,5% nos downloads e um declínio de 7,6% na receita física.
O streaming está ajudando a impulsionar o crescimento nos mercados de música em desenvolvimento, com destaques para China (+ 20,3%), Índia (+ 26,2%) e México (+ 23,6%) vendo forte crescimento de receita.

As gravadoras alimentaram esse crescimento de receita através de investimentos contínuos, não apenas nos artistas, mas também nos sistemas que suportam plataformas digitais, o que permitiu o licenciamento de mais de 40 milhões de faixas em centenas de serviços. Vale ressaltar que o mercado digital baseia-se no conceito de escalabilidade, ou seja, grande quantidade de conteúdos disponíveis nas plataformas de áudio e vídeo streaming.

A indústria está agora trabalhando para um retorno ao crescimento sustentável após um período de 15 anos durante o qual as receitas caíram quase 40%. O sucesso requer a resolução da distorção do mercado conhecida como “diferença de valor” – o crescente descompasso entre o valor que os serviços de upload de usuários, como o YouTube, extraem da música e a receita devolvida àqueles que criam e investem na música. Há neste momento uma série discussão entre o YouTube e os grandes players geradores de conteúdos que entendem que a baixa remuneração desta operação precisa ser revertida o quanto antes. Não se assustem se em alguns meses, os conteúdos musicais das majors deixem de ser veiculados no YouTube.

Frances Moore, diretor-executivo da IFPI, comentou: “O crescimento da indústria segue anos de investimento e inovação das empresas de música em um esforço para impulsionar um mercado de música digital robusto e dinâmico. O potencial da música é ilimitado, mas para que esse crescimento se torne sustentável – para que os investimentos em artistas sejam mantidos e para que o mercado continue a evoluir e a se desenvolver – é preciso fazer mais para salvaguardar o valor da música e recompensar a criatividade. Toda a comunidade musical está se unindo em seu esforço para fazer campanha por uma correção legislativa para a lacuna de valor e estamos chamando os políticos a fazer isso. Para a música prosperar em um mundo digital, deve haver um mercado digital justo.”

Números consolidados e importantes no mercado global da música:
• Crescimento da receita global: + 5,9%
• Parcela digital da receita global: 50%
• Crescimento das receitas digitais: + 17,7%
• Crescimento da receita de streaming: + 60,4%
• Receitas físicas: -7,6%
• Receita de download: -20.5%

Os números do Brasil estão prestes a ser divulgados, mas tudo indica que teremos um crescimento das vendas digitais na ordem de 22% e uma queda vertiginosa das vendas físicas na casa de 43%, o que irá impactar negativamente no resultado de 2016 do mercado fonográfico no Brasil com queda estimada de 3%. Para 2017, há uma expectativa de que o mercado digital represente cerca de 95% do montante das receitas no país, contra apenas 5% de receitas físicas. No primeiro trimestre de 2017, as vendas físicas caíram 75% e as vendas digitais cresceram 20%. Para quem ainda acredita que o digital é o futuro, estes números apenas comprovam de que quem crê neste pensamento é porque, de verdade, está no passado! Ou seja, o mercado da música já é digital, gostando ou não, aceitando ou não a novidade!

Contra fatos, não há argumentos!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, tricolor, observador do mercado da música, de gente, do cotidiano e dos números!

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Quarta-feira de cinzas. Somente agora, numa manhã nublada na Região dos Lagos no Rio de Janeiro pego meu computador para tentar escrever algumas linhas para nosso laureado blog. Nos últimos dias muitos temas vieram à mente … alguns ainda permanecem no meu HD pessoal, outros se perderam na minha memória e sinceramente espero que um dia voltem para contribuir com a diversidade e qualidade dos assuntos abordados por aqui. Por mais que eu tente me distrair, distanciar-me do dia a dia da música e especialmente do mercado fonográfico, confesso que vivo em uma relação tão impregnada que fica difícil fazer ‘cara de paisagem’. Em função dos anos de mercado – já partindo para minha vigésima oitava primavera – tenho condições de analisar alguns fatos do ponto de vista privilegiado. E será a partir de algumas observações que gostaria de tecer as próximas linhas, que sinceramente espero sejam capazes de manter a atenção dos nossos 69 (seriam 71?) leitores assíduos.

Com a mudança do formato de consumo da música em todo o mundo através da transição do físico para o digital, observamos muitas outras novidades além da decadência do CD ou o crescimento das plataformas digitais. Mudaram também as estratégias das gravadoras, o relacionamento entre o consumidor e artista, o modelo de produção artística, o marketing, expectativas, a relação artista e gravadoras, enfim, numa verdadeira tsunami tudo que antes era tido como ‘imexível’ foi revolvido e tornou-se diferente … e quando digo diferente, é muito diferente mesmo!

Vamos nos ater neste momento a uma destas revoluções. Tenho pensado (e falado!) muito sobre a mudança no perfil do cast artístico em tempos digitais. Há algumas semanas atrás fiz uma pesquisa sobre os 10 maiores artistas do cast na gravadora onde trabalho do ponto de vista de resultados em faturamento e relevância digital. Para minha surpresa (ou nem tanto assim) dos 10 mais importantes artistas por estes critérios, incríveis 9 artistas possuíam carreiras artísticas relativamente recentes com 3 a 4 discos lançados até então. De fato, todos estes 9 artistas efetivamente tiveram maior destaque para o grande público a partir da relação com a gravadora atual, ou seja, são sucessos recentes, entre 5 a 7 anos de estrada.

Outro dado bastante interessante sobre esta pequena pesquisa: estes mesmos 9 artistas, coincidência ou não, são todos jovens, na faixa entre 20 e 30 anos com algumas poucas exceções. Com isso chegamos à conclusão de que estes jovens artistas também fazem parte do contingente de pessoas que se utilizam das ferramentas, aplicativos e redes sociais como qualquer jovem ou adolescente do país. E esta análise apenas corrobora para a tese de que não se pode falar o que não se vive. Em suma, estes artistas vivenciam no dia a dia as novas tendências, tecnologias, ferramentas e tudo de novo de uma forma muito natural e isso repercute diretamente em seu posicionamento artístico. Para os artistas com um pouco mais de idade e que não estão tão familiarizados com o ambiente tecnológico a urgência em se adequar e ‘a correr atrás do prejuízo’ (nunca entendi esta expressão, não deveria ser correr atrás do lucro? mas enfim …) é uma questão de sobrevivência e não se ele entende ou não entende, se gosta ou não gosta, como se fossem opções reais. Não! Simplesmente ou o artista se adequa e passa a entender e agir digitalmente ou vai aos poucos ver sua carreira minguando em relevância pouco a pouco (às vezes nem tão pouco assim, pode se surpreender com a velocidade desta transição).

Voltando ao primeiro ponto que apontei, sobre as carreiras curtas que em pouco tempo tornaram-se referências no atual momento do mercado fonográfico, vale ressaltar que vivemos um momento único na indústria da música. Nunca vivenciamos uma fase de tantas oportunidades para o surgimento de novos artistas, novas propostas musicais, estilos e sonoridades. Se formos recuar aos anos 80, 90 e mesmo 2000, os grandes nomes da música gospel resumiam-se a um punhado de não mais do que 10 artistas. Vivemos neste momento a fase dos artistas-arrasa-quarteirão, um seleto grupo dos grandes vendedores de discos agrupados em 2 a 3 estilos musicais. Esta “ditadura” foi estremecida apenas ali pelos idos dos anos 90 com a chegada dos ministérios de louvor que reverteram a tendência única da música pentecostal e o pop gospel. Nomes como Diante do Trono, ministério Paixão, Fogo e Glória (David Quinlan), Toque no Altar, Ludmila Ferber, entre outros, surgiram exatamente neste período e davam a sensação de que seriam um novo modismo com grandes chances de permanecer no mainstream gospel tupiniquim. Então, excetuando-se esta fase mais democrática, a música gospel manteve-se atrelada a nomes tradicionais como Aline Barros, Cassiane, Shirley Carvalhaes, Rose Nascimento, Cristina Mel, artistas consagrados com muitos anos de carreira e discografias de muitos e muitos álbuns.

E aí, eis que o mundo digital chegou e com ele uma série de dogmas foram caindo como um castelo de cartas … uma a uma, as leis que regiam o segmento da música, especialmente a música gospel foram caindo em desuso numa velocidade incrível a ponto de atingir várias pessoas, lojistas, mídias, artistas e gravadoras de forma intensa e profunda. A imagem de um tsunami nos moldes do que vimos na Ásia anos atrás é a mais perfeita representação do momento que vivenciamos na indústria fonográfica no Brasil e no mundo.

Para as gravadoras, investir em jovens artistas era algo dispendioso em termos de investimento, demandavam bastante paciência porque eram projetos de médio e longo prazo e, sem qualquer garantia de retorno, ou seja, artistas jovens eram apostas difíceis de serem bancadas pelas companhias de música. Com isso, vivemos por muitos anos uma verdadeira escassez de novos nomes no meio gospel. Tive a oportunidade de descobrir, lançar e investir alguns dos artistas que anos depois tornaram-se grandes em nosso meio, mas confesso que não fiz isso por mérito ou uma visão altruísta, poética e lúdica … muito pelo contrário, para concorrer com as gravadoras que colocavam cheques vultosos na mesa de negociação perante os artistas, não tive muitas opções porque sempre estive à frente de gravadoras que não seguiam esta forma de trabalho. Com isso precisava de outros argumentos para convencer os artistas a optarem por nossa empresa e muitos destes, eram jovens promessas que não traziam interesse algum para as grandes gravadoras. Recordo-me que ali pelos anos 90 surgiram de todos os cantos, gravadoras no meio gospel. Um empresário que vendia muitos carros aos artistas do meio gospel, observou que ali corria muito dinheiro e do dia para a noite criou uma gravadora. Outro empresário atuava na área de construção civil e começou a vender muitas casas e apartamentos para os artistas de música gospel. Resultado: além de vender casas ou dito cujo resolveu montar seu próprio selo. E estes empreendedores ajudaram a inflacionar o meio gospel oferecendo carros, casas, muito dinheiro para ter os artistas em seu ‘abençoado’ cast artístico. Com isso, vivemos um período de leilão entre artistas e gravadoras, com muito dinheiro circulando de um lado para o outro, só que sempre envolvendo apenas os ‘medalhões do mundo gospel’, para os jovens artistas não sobrava nada, nada mesmo!

Felizmente o momento digital dá espaço para diferentes estilos musicais, diferentes nomes, diferentes propostas artísticas. Vale muito a pena fazermos um simples exercício para descrever melhor este cenário. O jovem goiano, empreendedor e talentoso DJ PV surgiu no meio gospel nacional com maior destaque a partir de sua entrada na Sony Music. E ele foi ‘descoberto’ a partir de seus vídeos com grande número de views no canal YouTube. Antes disso, a música eletrônica gospel era um estilo de poucos iniciados. Com o advento do mercado digital, o estilo eletrônico assumiu posição de destaque entre os jovens e hoje DJ PV é praticamente unanimidade nos eventos voltados aos jovens. O rapaz saiu do gueto diretamente para o line up dos grandes eventos de música gospel no país.

Outro artista que vivenciou o boom do meio digital é justamente o grupo Preto no Branco. Em 28 anos de carreira nunca vivenciei um projeto tornar-se sucesso nacional em tão pouco tempo e isto deve-se especialmente ao ambiente digital. Não canso de comentar que muitas rádios importantes do meio gospel passaram a executar as músicas do Preto no Branco apenas depois deles terem milhões e milhões de visualizações no canal de vídeos. Ou seja, eles são artistas essencialmente digitais que subverteram a ordem natural do reconhecimento do público e do mercado em si. Hoje, o Preto no Branco supera 700 mil followers em seu canal de vídeos na VEVO Brasil, além de serem a música mais executada nas rádios do segmento em 2016 e ser o nono vídeo mais assistido na mesma VEVO Brasil em 2016 (somente 2 artistas brasileiros participaram do Top10 em 2016).

Neste novo momento nos deparamos com o surgimento de tantos nomes de destaque no meio gospel que me arrisco a indicar apenas alguns porque a lista seria enorme. Vale listar alguns destes novos nomes que no momento se destacam na música gospel advindos do ambiente digital: Marcela Taís, Luma Elpídio, Gabriela Rocha (maior artista gospel na VEVO Brasil em número de views), Priscilla Alcântara, Laura Souguellis, Gabriel Guedes, Coral Kemuel, André e Felipe, Fornalha, Os Arrais, entre outros.

Enfim, particularmente creio que ainda teremos muitas mudanças de estratégias, prioridades e ações no meio fonográfico nos próximos anos, até mesmo nos próximos meses já que este é um ambiente de mudanças profundas e muito rápidas. Vale lembrar que mesmo no meio digital estamos vivendo a segunda fase deste universo, onde a queda do download é absurda e constante em contraponto ao crescimento vertiginoso do streaming. A boa notícia neste momento é que está aberta a temporada de ‘caça aos jovens e promissores talentos’… cada vez mais as gravadoras (que estão atentas ao novo ambiente) estarão abertas a investir no novo. É fundamental que os artistas já tenham um DNA digital, pois estes certamente se destacarão em meio à multidão. Para os ‘medalhões’ a fase é de atenção e reciclagem imediata. Há uns 3 anos atrás busquei contratar um grande cantor do meio gospel com uma proposta bastante agressiva à época. O tempo passou, não conseguimos chegar a um acordo e hoje, este mesmo artista segue à deriva em busca de um novo contrato e saiu em definitivo de meu radar, ou seja, a fila andou …

Pra bom entendedor …

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, consultor de marketing e alguém que acredita na força da boa música, mesmo em meio aos modismos que insistem no contrário.

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Ecad ganha ação contra a OI FM que contestava a cobrança de direitos autorais de execução pública por músicas veiculadas no ambiente digital

O julgamento da ação movida pelo Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) contra a OI FM teve seu encerramento ontem (08/02) no Superior Tribunal de Justiça. A ação corria na 2ª seção do STJ e o Ecad saiu vitorioso com ampla vantagem: 8 votos a 1. A vitória do escritório central gera novas (e boas) perspectivas para a cobrança de direitos autorais de execução pública no ambiente digital. A decisão concluiu que a transmissão de músicas por ‘webcasting’, ‘simulcasting’, ‘streaming’ e ‘streaming interativo’ encontram-se integradas ao conceito de execução púbica definido pela Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610/98), sendo devida a cobrança por parte do Ecad. O escritório representa milhares de autores, músicos, intérpretes, produtores e editores.

Outros usuários, como Napster, Deezer, Google, You Tube, também não têm realizado o pagamento dos direitos de execução pública por falta deste entendimento, mas, agora, com a orientação do STJ, não poderão resistir ou protelar o reconhecimento dos direitos autorais. A expectativa é que a decisão de ontem contribua para o fim desta questão, pacifique o mercado digital e acabe com a aflição (e dor de cabeça) dos titulares de direitos autorais que não veem seus rendimentos chegarem por falta de pagamento por parte destes usuários. A decisão também deve aumentar significativamente a receita da arrecadação no ambiente digital, setor que vêm a cada ano crescendo em faturamento e audiência.

O julgamento corria no tribunal desde 2015 e estava parado desde o dia 9 de novembro de 2016 quando o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva pediu ‘vista’ (pedido de um tempo a mais para julgar) do processo.

Veja abaixo o que é cada modalidade de transmissão via internet:

Webcasting: Transmissão de áudio ou vídeo pela internet via streaming. Deriva do termo ‘broadcasting’, algo como ‘transmissão de radiodifusão’ na língua portuguesa

Streaming: Vídeo ou áudio transmitido através da internet em que o arquivo fica armazenado na ‘nuvem’ sem a necessidade de realizar download para consumir o conteúdo. O termo ‘streaming interativo’ é aplicado para definir plataformas como Deezer e Spotify que permite o público escolher quando e qual o conteúdo deseja consumir.

Simulcasting: Quando o conteúdo é transmitido por emissora de televisão ou rádio em simultâneo com aplicativo ou site da internet. ”

Fonte: UBC

Começo a escrever este texto logo nos primeiros minutos de vôo entre Rio de Janeiro e Salvador. Tudo indica que será minha última viagem de 2016, num ano em que fiz muitos giros internacionais e dezenas de deslocamentos pelo Brasil. E como sempre, aproveito estes minutos, às vezes horas de vôo para colocar em dia os textos publicados para deleite dos 69 assíduos, abnegados, fiéis, companheiros e atentos leitores deste blog. Ano que vem completaremos 10 anos de existência deste blog e é impressionante como algo que começou de forma absolutamente despretensiosa segue da mesma forma tempos depois, afinal – faço questão de sempre repetir – este projeto é apenas um agradável hobby onde me divirto a cada texto publicado e principalmente pelo feedback que recebo de tantas e tantas pessoas pelo país e até do exterior, que incluem-se como um dos nossos 69 leitores.

Todo fim de ano começam a pintar as listas de fatos e acontecimentos de destaque naquele período. Dizem por aí que o ano de 2016 foi tão intenso de catástrofes, escândalos, mortes, acidentes, fatos marcantes na política e na economia, Lava Jato, prisão de celebridades do cacife do ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral e empresarial, entre outros assuntos, que o programa de restropectiva da Globo irá começar neste ano e acabar lá por dia 2 ou 3 de janeiro somente. E como tenho feito por alguns anos, resolvi elencar alguns fatos que, em minha opinião, merecem destaque no blog no ano de 2016. Irei listar alguns destes acontecimentos, deixando claro que não seguirei uma ordem de importância ou relevância e como não anotei numa folha nada do que irei pontuar nesta lista, vou crer apenas em minha mente … o que ultimamente e pelo avançado da idade, pode falhar e me causar alguma falha de mérito.

Em primeiro lugar, acho que não poderia começar a lista sem falar de algo que tem se tornado tema recorrente em meu dia a dia, em minhas conversas, palestras e, principalmente, nos textos publicados por aqui no blog. Definitivamente vivenciamos a transição do formato físico para o digital no mercado da música gospel no Brasil. Acho que 2015 tivemos a consolidação do mercado digital no Brasil como um todo e, o ano seguinte foi especialmente de transição para o segmento gospel tupiniquim. Creio que 2016 foi o ano do entendimento deste novo momento do mercado da música entre os artistas e principalmente público consumidor. Palavras como streaming, playlist, Spotify, Deezer, passaram a fazer parte do vocabulário e principalmente do dia a dia das pessoas do segmento gospel no Brasil. Não por coincidência, dias atrás o Spotify em seu site de notícias publicou um balanço de atividades em 2016 e entre o ranking de 10 gêneros musicais de maior crescimento na plataforma durante o ano, a ”Brazilian Gospel Music” apareceu na nona posição no mundo todo! Isto é incrível e merece ser aplaudido de pé, igreja! Definitivamente vivenciamos um novo momento para a música gospel e em 2016, me parece que todos acordaram para esta nova realidade!

Outra novidade que parece ter chegado com força a partir deste ano foi a mudança na mentalidade de artistas, produtores de eventos e público. Sim! O ano de 2016 vai ser conhecido pela expansão da música gospel para fora das quatro paredes das igrejas e invadindo casas de espetáculos e teatros pelo Brasil. Na história da música gospel jamais tivemos tantas turnês, shows, atividades em teatros, tradicionais casas de eventos e até mesmo lugares inusitados como hamburguerias e parques pelo país. Artistas como Marcela Taís, Leonardo Gonçalves, Resgate, Tanlan, Cristina Mel, Paulo César Baruk, Priscilla Alcântara, Pamela, Estêvão Queiroga e o projeto Loop Session, lotaram teatros e casas de shows em diferentes cidades do Brasil. Isto mostra uma saudável tendência de valorização do público ao trabalho do artista. Também mostra uma mudança de mentalidade por parte dos artistas querendo oferecer ao público algo mais bem acabado, melhor elaborado e que seja também uma saudável modalidade de entretenimento cristão. Para representar esta nova fase, posso destacar os 33 shows em teatros e casas de espetáculos da turnê “Princípio”, protagonizada pelo talentoso Leonardo Gonçalves e sua magnífica banda, muitos com ingressos esgotados e sessões extras. Os últimos shows desta turnê reuniram quase 8 mil pessoas no Rio de Janeiro, com shows Sold Out no Teatro Bradesco e VIVO RIO.

Este ano será lembrado (pelo menos para mim!) pelos projetos fantásticos de Deise Jacinto, Estêvão Queiroga, Alexandre Magnani e uma turma que está chegando ao mainstream nos apresentando uma música de muita qualidade!

Seguindo com nossa lista e voltando ao tema ‘digital’ acho que vale a pena o registro sobre a mudança de atitude dos players deste mercado perante o mercado gospel. Hoje quando se fala de música gospel junto às plataformas digitais, a reação não é mais de nariz torcido ou aquele semblante de ‘cara de paisagem’ esperando que se mude de assunto. Não mais! O que observamos é uma atenção, um interesse e principalmente uma atitude pró-ativa querendo trabalhar em conjunto pelos melhores resultados. Acho que em 2016 tivemos a consolidação da presença do conteúdo cristão nas plataformas, especialmente Deezer – que conta com o primeiro curador de música gospel em sua equipe – e o Spotify que não tem medido esforços para ampliar o alcance dos artistas e seus respectivos conteúdos no meio digital.

Em termos artísticos, ninguém tira dois nomes entre os de maior destaque no ano. É óbvio que Leonardo Gonçalves tornou-se, ou melhor, consolidou-se como o maior nome do meio gospel no Brasil, inclusive ultrapassando as fronteiras e já conquistando espaço na América Latina, mas este processo vem sendo fortalecido nos últimos 3 anos em especial e acredito que 2016 foi só a ‘cereja do bolo’. No entanto, quem cresceu vertiginosamente neste ano, em minha opinião (irei sempre reforçar que este texto se trata de algo pessoal, isento de maiores dados ou pesquisas, é minha percepção e pronto!) foram Gabriela Rocha e a turma do Preto no Branco. A primeira, jovem talentosíssima e com um carisma impressionante. Ninguém passa incólume a uma ministração de Gabriela Rocha … não mesmo! E a pequena e intensa cantora que não pára nunca no palco, começou o ano gravando seu primeiro DVD e termina 2016 justamente lançando este trabalho depois de meses de espera do público. Enquanto isso, Gabi trabalhou e trabalhou muito, chegando a ter 20 apresentações por mês, algo incrível num ano de tantas crises e dificuldades no nosso país. Para mim, Gabriela Rocha tornou-se em 2016 a mais destacada cantora de música gospel no país e, em especial, a principal ‘ministra de louvor’ do meio cristão, posto que já foi ocupado por gente do quilate de Ana Paula Valadão, Ludmila Ferber, Nívea Soares, só pra sentir como esta mocinha no auge de seus poucos 20 anos conseguiu progredir em sua carreira nos últimos anos! O outro artista que quero incluir entre os destaques deste ano é o Preto no Branco, que em 27 anos de mercado que tenho, deve assumir seguramente a posição de projeto de crescimento mais meteórico com que tive contato. Em pouco mais de 1 ano, o Brasil inteiro, crente ou ateu, cristão ou secular, conheceu e cantou as músicas do Preto no Branco. A turma chegou a ter 23 apresentações em 26 dias de turnê pelo país e por onde passaram colocou todo mundo pra dançar, cantar e se emocionar. Impressionante mesmo! Coincidência ou não, tanto Preto no Branco como Gabriela Rocha, fecham o ano sendo os 2 artistas de maior visibilidade nas plataformas YouTube/VEVO entre todos os artistas do segmento no Brasil, ambos superaram 100 milhões de views em seus canais de vídeo. Sucesso absoluto!

Ainda no tema ‘música’ creio que em 2016 vivenciamos uma democratização nos estilos musicais dentro do cenário artístico gospel. Este fato deve-se muito mais à popularização do consumo de música através dos meios digitais do que propriamente a um boom criativo no segmento. Tempos atrás, onde o CD e DVD ditavam as regras do mercado fonográfico, especialmente no meio gospel, as gravadoras optavam por poucos nomes, poucos estilos. Tínhamos uma limitação entre os estilos pop e pentecostal, os mais vendáveis até então. Esta padronização em função de interesses comerciais limitava o surgimento de novos artistas e principalmente de novos estilos. Com a chegada do digital, novos artistas passaram a se destacar e com eles, uma nova modalidade de estilos musicais. Na época dos CDs, dificilmente artistas como Os Arrais, Deise Jacinto, DJ PV, Paulo Nazareth, Gerson Borges, teriam espaço em gravadoras do mainstream. Pois bem, agora não só estes artistas e suas propostas musicais estão ao alcance de qualquer pessoa, como efetivamente tornaram-se importantes dentro deste novo contexto.

Quando em 2015 lançamos o projeto Sony Music Live muita gente ficou sem entender muito bem a proposta daqueles vídeos semanais com diferentes artistas, em diferentes cenários e locações, com produções simples (não simplórias!) porém chiques … de verdade, recebi alguns questionamentos sobre a estratégia e expectativa daquele projeto. Passados 2 anos e mais de 150 milhões de views depois, inclusive incluindo conteúdos de música secular ao projeto, percebemos claramente uma tendência entre gravadoras e artistas no mundinho gospel. O ano de 2016 foi uma profusão de live sessions, algumas nem tão live assim … mas que efetivamente consolidaram o projeto piloto lançado pela área do A&R Gospel da Sony Music e criaram toda uma cultura de conteúdo de vídeo para não só divulgar o artista e seu trabalho, mas principalmente abrir uma nova fonte de receita para artistas e gravadoras.

Por falar em vídeo, destaque para o clipe ‘Jeremias’ do Gabriel Iglesias … top das galáxias! E o recém lançado clipe de Priscilla Alcântara, “Sou Escolhido”, dirigido por Hugo Pessoa e que em pouco menos de 48h no ar passou de 250 mil visualizações. Entre os Lyric Videos, vale conferir os materiais produzidos pela Deise Jacinto e a banda Tanlan.

Especialmente no fim deste ano, observei que tivemos várias premiações destacando artistas de música gospel entre sites, blogs e eventos como o Troféu Ouro e o mais recente, Troféu Gerando Salvação. Temos o tradicional Grammy Latino, na categoria ‘música cristã em língua portuguesa’, que me parece algo completamente distante da realidade do que acontece em nosso meio com suas escolhas estapafúrdias, desconexas com a realidade e absolutamente sem critério … sobre este prêmio prefiro nem tecer muitos comentários a respeito. Verdadeiramente sinto falta de uma premiação que seja no mínimo criteriosa, porque no fim das contas, justiça não chega a ser um componente muito presente em questões subjetivas. A boa notícia, dada por quem esteve presente ao evento (infelizmente não pude ir!), é de que o Troféu Gerando Salvação teve uma produção impecável, uma noite mesmo muito especial. Espero que em 2017 este prêmio se consolide e que seja mais reconhecido por todos do segmento e público.

Em termos de mídia, especialmente, rádio, a medalha de honra ao mérito vai para a Rádio Melodia 97,5 FM que chega ao fim de 2016 consolidada na liderança entre as emissoras do Rio de Janeiro e entre as 3 mais importantes em todo o país. Congratulations!

Já entre resultados de vendas, “Obra Prima”, novo projeto de Damares, fechou o ano na liderança de vendas do mercado com mais de 60 mil cópias vendidas. Importante salientar que Damares também se destaca como a artista gospel brasileira com maior número de assinantes dos serviços de ring back tone, algo em torno de 1,6 milhão de inscritos. Ainda sobre números, Leonardo Gonçalves se firma como artista gospel brasileiro com maior relevância nas plataformas de audio streaming possuindo, apenas no Spotify, mais de 320 mil playlists no mundo, com ao menos uma música sua inserida. Entre as músicas mais executadas e ouvidas nas rádios e plataformas de audio streaming, destaque para “Ninguém Explica Deus” com Preto no Branco e participação de Gabriela Rocha, sem dúvida, a grande canção de 2016.

Já vou finalizando este texto. Para aqueles que consideraram os destaques muito chapa-branca, muito relacionados ao cast ou projetos da gravadora na qual trabalho, o que posso afirmar em minha auto-defesa é que quem discordar, basta elaborar sua própria lista. Este blog sempre foi um espaço bem personalista, pessoal, quase confessional … e de forma muito leve e tranquila, acredito piamente em todos estes destaques que listei acima. Talvez tenha falhado deixando algo ou alguém de fora, mas também a respeito disso já adiantei logo nas primeiras linhas que esta lista era algo feito ‘de cabeça’, sem maiores estudos, pesquisas ou qualquer aprofundamento técnico.

O ano que parece não querer acabar, no campo pessoal foi muito difícil para mim. Tive a perda doída (como me faz falta!) de meu pai no início do ano e isso repercutiu muito ao longo de 2016, inclusive me fazendo rever e repensar algumas atitudes e prioridades. Mas também tive grandes conquistas e em especial, o início das atividades do projeto de música cristã junto à Sony Music México seguindo por completo o modelo do projeto que implantamos por aqui no Brasil. Tive oportunidade de fazer muitas viagens internacionais, inúmeras nacionais (muitas mesmo!) … conheci muita gente interessante, trabalhamos demais (como sempre!), encontramos artistas fantásticos, aprendemos muito, dividimos nosso conhecimento e chegamos ao fim do ano completamente no limite das forças físicas. Mas agradeço imensamente a Deus por ter me sustentado até aqui e por ele insistir em usar uma pessoa tão imperfeita pra trabalhar em seu Reino e realizar coisas tão grandes. Não poderia finalizar este texto, sentado no saguão do aeroporto de Salvador, retornando para casa em pleno domingo, em minha última viagem a trabalho de 2016 recordando-me (e ouvindo) a canção “Princípio e Fim” com Leonardo Gonçalves.

“Quando penso em desistir, lembro que Você, insistiu em mim”

Que venha o novo ano … e com ele melhores notícias para o povo brasileiro, porque confesso que foi difícil aturar 2016 com tantas notícias ruins …

Mauricio Soares, jornalista, pai, esposo, publicitário e um brasileiro que não desiste quase nunca!

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Quando adolescente recordo-me que nada era mais importante para mim do que praticar esporte, neste caso, o handebol. Treinava de segunda a sábado, no mínimo 3 horas por dia, algumas vezes complementando os treinos com sessões de natação e corrida. A imensa maioria não sabe deste meu lado desportista, mas em termos estudantis e amador, conquistei muitos e muitos títulos, alguns de forma consecutiva após anos. Neste período, é claro, também dedicava-me aos estudos, à música na igreja e ao namoro com a mulher que hoje é minha esposa e com quem tenho 3 meninos lindos (graças à mãe, registre-se!). No entanto, a minha prioridade máxima naqueles tempos era justamente o handebol. Nada superava em importância aquele esporte.

Hoje meu primogênito segue os passos do pai e de igual forma vive intensamente a prática de esportes, só que neste caso, apesar de sua habilidade no volei e handebol, a preferência dele é pelo esporte bretão, independente do piso, seja no campo, sintético ou mesmo na quadra. O rapazinho, hoje com 16 anos pode disputar 3 campeonatos simultâneos, jogar uma partida pela manhã e estar devidamente apto e bem disposto a jogar outra pelada à tarde. A prioridade dele (e é bom que aproveite esta fase da vida!) é pelo futebol e por esta, não mede esforços e contusões. Já o meu segundo filho, resolveu seguir a tradição herdada pelo pai e tornou-se campeão municipal de handebol neste último ano. Meu craque!

Já na vida adulta, surgem outras prioridades. Lembro-me que num determinado momento de minha vida, recém casado, quis ter a experiência de morar um tempo em São Paulo. Como bom fluminense (nascidos no Estado do Rio são chamados de fluminenses. Não confunda com cariocas, que são aqueles nascidos na cidade do Rio) sempre ouvi dizer que o melhor lugar do mundo era justamente o Rio de Janeiro e que São Paulo seria um lugar apenas para trabalhar, ganhar dinheiro. De forma muito própria, sempre tive grande carinho pela cidade de São Paulo, onde praticamente marcava presença ao menos 1 a 2 vezes por mês, mas mudar de cidade era algo muito radical. Pois bem, coloquei esta questão como prioridade em minha vida, orei muito, fiz um trato com Deus (tenho muitas experiências fantásticas nesta relação de ’melhor decisão’ com participação dEle no comando, um dia falarei mais sobre isto!), conversei com minha esposa e poucos meses depois estava mudando de ares, primeiro um período de adaptação em Atibaia e poucos meses depois, já estava desembarcando na grande capital paulista onde permaneci por quase 4 anos.

Especialmente minha vida profissional foi (e está sendo) movida por planejamento e prioridades. É interessante, depois de mais de 25 anos de estrada, observar que minha trajetória foi sendo delineada de uma forma bem constante e crescente. Vejo como experiências que tive lá no início serviram para que eu pudesse ter melhor performance e desempenho muitos anos depois. Entre minhas prioridades como profissional, sempre esteve o crescimento, aprendizado e uma visão panorâmica das diferentes atividades. Trabalhei como diretor de programa de TV, como gerente comercial, apresentador de programa de rádio, roteirista, marqueteiro, jornalista, embalador de caixas (isso é fato! Em tempos de muitas vendas e pouco prazo de entrega, cansei de ir ao estoque separar pedidos), palestrante, consultor, organizador de eventos … enfim, um monte de coisas!

Dias atrás conversando com um querido pastor e amigo ele me perguntou sobre como eu me via daqui 10 anos. A pergunta pegou-me de surpresa, mas com a certeza de que a ideia já está bem consolidada em minha mente, respondi que me via exatamente onde me encontro atualmente, à frente do projeto de música cristã na companhia em que trabalho desde 2010 (minha maior passagem de tempo num único emprego), talvez ampliando um pouco mais minha atuação, não restringindo-me ao Brasil somente. Esta é minha meta, meu objetivo, minha prioridade. Talvez uma entre outras prioridades, mas neste momento é a que me vem à lembrança de forma mais contundente.

E como estamos na fase das grandes decisões de fim de ano em que costumamos listar algumas metas para o próximo período. Resolvi aproveitar esta oportunidade para listar algumas prioridades para quem pretende seguir ou que se encontra em meio a uma carreira artística.

A prioridade número 1 para um artista em 2017 deve ser definitivamente se inserir no contexto do mundo digital. Se você não está entre os experts das ferramentas, tecnologias e atitudes no mundo digital, então, até por uma questão de sobrevivência, é fundamental que no próximo ano esta inércia seja rompida de vez! E aí vale apelar pra tudo quanto é lado … vale fazer curso, participar de treinamentos, fazer pesquisa na internet, ler muito, ouvir muito, procurar ajuda do primo, vizinho, amigo e principalmente buscar a ajuda de profissionais do meio. Sempre digo que o artista não precisa ser o Steve Jobs, mas um mínimo deste universo digital precisa entender e, mais do que isso, precisa contar com a ajuda de profissionais para esta área. E aí, vale a pena pesquisar pelos melhores profissionais e empresas na área de marketing digital. Lembrando que qualidade não está diretamente ligada a baixos investimentos. Pelo contrário! Para se ter ajuda dos melhores profissionais é preciso entender que precisa investir à altura. E, neste quesito nunca é demais lembrar que estamos falando de carreira, de sobrevivência, de posicionamento, questões cruciais como são importantes manter-se em dia o freio, pneus, faróis e outros itens de segurança em automóvel. São questões inegociáveis!

Ainda com relação ao mundo digital, priorize aumentar o número de seguidores nos canais de streaming, seja áudio ou vídeo. Não se iluda com números estrondosos em suas redes sociais. Prefira ter seguidores nas suas playlists, nos canais de vídeo, nos seus perfis do Spotify e Deezer, por exemplo. Efetivamente de nada adianta ter milhões de seguidores no Facebook e não manter uma quantidade relevante de streamings semanais nas plataformas de audio streaming. Priorize aumentar o número de seguidores e em seguida, que estes seguidores acessem maciçamente seus conteúdos digitais. Para isto, é fundamental que você entenda a dinâmica destes canais, mantendo-os constantemente atualizados e atraentes para seu público. Em um texto recentemente publicado por aqui, abordei muito sobre a importância do artista primeiro entender e utilizar as plataformas streamings para somente depois começar a divulgar e incentivar seu público a consumir seu conteúdo.

Outra importante prioridade para 2017 para aqueles que ainda não entenderam a importância do vídeo na propagação e popularização de seus conteúdos, marca, imagem. Coloque como meta para o próximo ano produzir o máximo de conteúdo em vídeo, seja clipes, live session ou mesmo covers, o que importa é você estar à frente da câmera mandando o seu recado! Tão importante como buscar o melhor estúdio, os melhores músicos, o arranjo adequado, deve ser a produção de conteúdo em vídeo. Na verdade, vejo que além da mixagem e masterização de uma faixa ou disco, a produção de conteúdo em vídeo assume igual importância das outras etapas. Não se deve lançar música sem o correspondente visual. Não se lança um álbum, sem ao menos ter 3 vídeos preparados para se disponibilizar em sequência. Simples assim!

Outra prioridade para 2017 é estar aberto a novas experiências. No meio musical, a máxima de que “em time que está ganhando não se mexe”, definitivamente não se aplica! Nas 2 últimas semanas, em conversas com artistas, coincidentemente 3 cantoras me disseram que para o novo projeto estão pensando em mudar seu estilo musical, caminhando num sentido oposto de até então. Todas as 3 artistas também comentaram sobre a busca por novos compositores e principalmente, produtores. Isso é fantástico! Sempre busquei dar liberdade aos artistas com quem trabalho e incentivei-os na busca pelo novo e muitas vezes ouvia deles a ladainha de que estava bom daquele jeito, então ‘mudar pra que?’. Só que o público está cada vez mais à procura de novidades, novas sonoridades, novas letras, novos temas e novas performances! Não dá para repetir fórmulas! Especialmente no nosso meio gospel tupiniquim temos uma cultura de repetir os cases de sucesso. Se um determinado compositor ‘estourou’ um hit … todo mundo pede música a ele até secar por completo a fonte no melhor estilo Serra Pelada. Se um diretor de vídeo faz um clipe criativo, corre todo mundo pra ele e o dito cujo acaba se achando o próprio Quentin Tarantino. O mesmo ocorre para os produtores, fotógrafos, assessorias de marketing e imprensa e por aí vai.

Ainda sobre o tema acima, posso citar mais um assunto relacionado, que vem a ser a mudança no conceito de relação entre o artista e o formato de seu trabalho. Em outras palavras, já não há mais necessidade de se trabalhar apenas com o formato CD ou DVD. Hoje a tendência é que tenhamos muito mais singles e EPs, Live Session e projetos especiais. Então, entre as prioridades de 2017, incluiria a opção de experimentar novos formatos de exposição de sua arte, de seu conteúdo! Se até bem pouco tempo atrás a tendência dos DVDs era ostentar ao máximo com palcos gigantescos, efeitos mirabolantes e milhares e milhares de pessoas à frente do palco se espremendo, suadas, com celulares em punho e nem sempre no melhor padrão de beleza, acredito que este tipo de projeto caminhará para algo bem mais simples, intimista e que apresente o artista de uma forma mais crua, sem necessariamente descambar para as produções pífias, pelo contrário! imagino tudo mais chique, onde o menos é mais! O mesmo posso dizer com relação às produções musicais, para os próximos tempos, imagino mais acústicos, menos orquestrações, mais bases eletrônicas. Esta experimentação que proponho inclui a forma do artista apresentar seu conteúdo ao público diminuindo a quantidade de músicas e especialmente, a periodicidade de novos conteúdos. Exemplificando: se antigamente era padrão o artista lançar um disco de 14 faixas a cada 1 ano e meio a 2 anos, agora a tendência é pelo número reduzido de faixas, entre 3 a 5 por projeto e num período a cada 6 ou 10 meses.

Vou parando por aqui, já em procedimento de descida após um dia em São Paulo em que tive muitas reuniões e a oportunidade de assistir ao primeiro show da turnê “Diálogo Número 1” do super talentoso Estêvão Queiroga. Quem ainda não teve acesso a este projeto, sugiro que faça de imediato! É um disco pra se ouvir repetidas vezes e surpreender-se igualmente, a cada audição.

Este texto é dedicado a todos que se emocionaram com a tragédia de Chapecó e que se solidarizaram com a dor da família, moradores, torcedores, amigos, profissionais.

Mauricio Soares

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O Observatório Cristão está prestes a comemorar 9 anos de existência e se você é um dos assíduos 69 leitores deste abnegado blog nos últimos 6 anos, certamente já terá percebido o quanto este ambiente informativo vem falando sistematicamente das transformações que a indústria da música passa nesta última década em especial. Com mais de 25 anos de mercado, boa parte de minha vida profissional dedicada à área fonográfica, especialmente estes últimos anos têm sido de mudanças radicais de conceitos, ações, estratégias e principalmente de muito aprendizado. É até interessante reconhecer que mesmo depois de quase 3 décadas trabalhando no mercado, boa parte do conhecimento e expertise foram conquistados nos últimos anos e isto certamente me tira da zona do conforto e ao mesmo tempo, dá um ânimo a mais por entender que tenho muito a crescer pela frente.

Nas últimas 3 semanas participei de palestras, reuniões, treinamentos e muitas discussões com profissionais do mercado, especialmente gente ligada às plataformas de áudio e vídeo streaming. Por mais que eu faça parte de uma equipe e de uma estrutura que está à frente dos acontecimentos, ao lado de profissionais ultra gabaritados e tendo acesso ao que há de mais atual em tendências, estudos e pesquisas, o fato é que sempre descubro algo novo nestas ocasiões … seja uma nova ferramenta, um novo olhar sobre o comportamento do consumidor, alguma nova tática ou estratégia, enfim, não há tempo perdido nestes encontros, o que há é uma constante reciclagem de ideias.

Em contato com muitos artistas do meio gospel tenho percebido um certo, pra não dizer enorme, atraso no entendimento deste novo mundo digital. E se considerarmos que o mundo gospel tupiniquim já tem naturalmente um delay nas mudanças e adaptações, em novos hábitos, o desconhecimento deste universo ou sua adequação às novas tendências poderá gerar um atraso que dure algumas décadas até ser recuperado. Sim! Tenho como opinião de que se os artistas do mundo musical gospel não começarem a desde já entender e se adequar a este novo momento, o abismo entre o mundo secular e o gospel será monumental e isto poderá gerar consequências bastante danosas, sendo a principal, o desinteresse por parte das plataformas em atender e dar a devida atenção ao segmento. Para corroborar com esta minha opinião basta ver o que vem acontecendo com o afastamento de um dos maiores grupos de mídia do país perante o segmento evangélico por não conseguir entender e decifrar a cultura deste nicho de mercado.

Em conversa com uma executiva destas plataformas de áudio streaming ela me comentou sobre algumas questões que precisam ser rapidamente observadas pela classe artística, não só do meio gospel, mas como um todo.

Em primeiro lugar, o artista precisa entender onde está o seu fã.

Em outras palavras, hoje há dois ambientes digitais e muitas plataformas de streaming e, cada artista tem seu público mais identificado com alguns destes universos. Para ser ainda mais claro e didático … há artistas que concentram seu público no YouTube (geralmente pessoas de classes mais populares), já outros artistas contam com maior audiência entre seus fãs no Spotify ou Deezer, por exemplo. Especificamente o Deezer, por ter no Brasil uma parceria com a operadora de telefonia Tim, tem uma cobertura mais nacional e um pouco mais popular. Já os usuários da Apple Music, teoricamente são consumidores de um nível social mais elevado, justamente por terem acesso aos equipamentos e ambiente Apple. Dito isto, é fundamental que os artistas tenham uma noção clara de onde poderão encontrar e comunicar com o seu público. Esta história de “Você encontra nas plataformas digitais” ao fim dos anúncios, flyers ou mesmo textos nas redes sociais é tão inócuo como a massacrada e surrada frase “À venda nas melhores lojas”, como assim melhores lojas? Nas ruins não tem o produto? E o que é, na verdade, o conceito de “melhor loja”? Portanto, é fundamental que o artista comunique diretamente com seu público incentivando-o a consumir seu conteúdo diretamente no Spotify, Deezer, YouTube ou seja lá qual plataforma seja, mas que isso se dê de forma direcionada!

Um determinado artista do pop rock Brasil, dias atrás começou a postar em suas redes sociais de que ele havia criado uma playlist específica em determinada plataforma de audio streaming. Os fãs começaram a interagir, ele observou os comentários, fez ainda alguns ajustes, adicionou algumas faixas na playlist, ou seja, manteve um relação intensa com os fãs e os números acompanharam esta iniciativa. O número de seguidores de seu canal cresceu 354%, o número de streamings mais do que quintuplicou e a partir de então ele passou a conhecer um pouco mais do que seu fã espera e deseja do ponto de vista musical.

Ainda em cima deste exemplo real, outro detalhe foi citado na conversa com a executiva do mercado digital. Além de identificar onde está concentrado o seu fã, este artista deu claro entendimento de que ele mesmo era habitué daquele ambiente, daquela plataforma digital.

O artista precisa OBRIGATORIAMENTE ser usuário e entendedor de alguma plataforma de audio streaming!

Sabe aquele ditado: “Faça o que eu digo, não faça o que eu faço”? Pois bem, neste caso há muitos artistas que divulgam as plataformas digitais, em suas entrevistas falam sobre a mudança do mercado, sabem sobre a necessidade de se adequar a este novo ambiente, colocam flyers de divulgação em suas redes sociais, fazem questão de mostrar modernos e antenados com as novas tecnologias e … continuam agindo como se eles próprios não necessitassem viver neste novo mundo! Isto é o cúmulo da hipocrisia (teria alguns outros adjetivos neste momento, mas prefiro que vocês imaginem …), pois como o artista pode querer que se público aprenda a lidar com Apple Music, Deezer ou Spotify se ele mesmo não tem contato diário com estas plataformas? Se ele ainda ouve música somente na rádio ou através do CD ou DVD, como pode querer que seu público migre para novos ambientes. Não há nada mais falso do que você ouvir uma pessoa falando de algo que verdadeiramente não entende, não vive, não utiliza! Você já teve a experiência de participar de um evento onde o palestrante não tem profundidade e conhecimento do assunto exposto? Ou já participou de algum treinamento onde o coaching não teve nenhuma experiência real no mundo dos negócios? Em todos estes casos, o interlocutor simplesmente não tem estofo, consistência para se fazer crível em sua explanação. Pois o mesmo acontece neste momento quando o artista quer que seu público tenha contato com este novo ambiente e ele mesmo não o domina ou pior, sequer participa.

E neste caso não falo sem conhecimento de causa. Durante um bom tempo eu fui como boa parte dos artistas, ou seja, falando sobre o mercado digital sem que fosse um usuário contumaz das plataformas. Não é fácil mesmo mudar o chip … dormir analógico e acordar digital. Esta transição, este aprendizado se faz dia a dia, mas não foi assim também que você se acostumou com o Facebook, Instagram, Twitter e mesmo o falecido Orkut? Ninguém precisa ser um P.H.D de audio streaming, mas o básico de conhecimento e o consumo através de uma plataforma é OBRIGATÓRIO (sim, em letras garrafais para que não deixe dúvidas de sua importância!) para todo aquele que lida com o mundo da música profissionalmente, seja o próprio artista, músico, jornalista, produtor musical etc. Ainda em cima de minha experiência pessoal, durante algumas semanas dediquei algumas horas de meu dia para pesquisar as ferramentas, entender a questão dos algoritmos, aprimorar a questão das playlists e de verdade, entender e aprofundar-me no universo do audio streaming. Hoje meu contato com minha plataforma de preferência é algo bem natural, faz parte das minhas atividades cotidianas e prosaicas. Tornou-se efetivamente algo prazeroso e comum.

Ainda sobre o uso e relação dos artistas com estas plataformas é importante que os conceitos estejam e sejam bem entendidos. Temas como playlists, followers, streamings, observação sobre hábitos dos fãs, entre outras questões é fundamental que sejam compreendidos. Especialmente quando o assunto for playlist, é necessário que o artista esteja bem íntímo do tema. O artista deve criar sua playlist, não necessariamente apenas com seu conteúdo mas também com os artistas e estilos que servem como referência para a criação de seu próprio perfil artístico.

E o último aspecto que gostaria de destacar sobre a relação artista e plataformas de áudio streaming, na verdade é mais uma dica do que uma conjectura.

É importante que o artista, mas basicamente qualquer usuário destas plataformas, passem a encarar e a utilizar estas ferramentas não só como um canal de consumo de música, mas efetivamente como mais uma rede social.

O artista é um formador de opinião por natureza. As plataformas de áudio streaming possuem diversas ferramentas que fazem a função de promover a interação entre as pessoas. Há ferramentas de compartilhamento de conteúdo, as playlists e os artistas podem ser seguidos, há ainda o perfil aberto onde os seguidores conseguem visualizar que tipo de música o usuário está consumindo on line, ou seja, há uma série de ações para que o artista possa se relacionar diretamente com seu público.

Ou seja, não dá pra ficar da janela observando as coisas acontecendo. Neste momento é fundamental entender as novas modalidades de consumo e relacionamento com a música. Como tenho dito em outros textos aqui publicados e principalmente em meu dia a dia, vivemos um momento histórico e emblemático onde democraticamente todos têm chances iguais de conquistar uma posição de maior destaque no concorrido meio artístico. Só para destacar alguns artistas que podem exemplificar com perfeição tudo o que foi dito neste texto de hoje, gostaria de citar Leonardo Gonçalves, Priscilla Alcantara e Gabriela Rocha como artistas que são usuários contumazes de música, assinantes e ativos nas plataformas de áudio streaming e heavy user das redes sociais. Não por coincidência, todos os 3 artistas citados têm conquistado excelentes performances neste novo mundo digital.

Finalizo este post parabenizando o Deezer pela iniciativa em ter um curador de playlist e suporte de marketing específico para o segmento e conteúdo gospel. É a primeira plataforma no Brasil a caminhar neste sentido e isto demonstra a importância do segmento para o mercado. Recentemente eles lançaram uma grande campanha de adesão e assinatura exclusiva para os consumidores do segmento. Sucesso!

Mauricio Soares, jornalista, publicitário, consultor de marketing e alguém que vem curtindo muito o som de Estêvão Queiroga, Jimmy Needham e Evan Craft, vale a pena conferir!

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A algumas semanas, a Revista EXAME publicou uma matéria sobre o mercado da música no mundo. Resolvi publicá-la na íntegra em nosso blog para que vocês tenham informação de qualidade e atualizada. Nos próximos dias teremos muitos textos especificamente tratando do mercado digital, em especial ao formato de streaming.

Lucas Shaw, da Bloomberg

Após quase duas décadas de declínio implacável causado pela pirataria e pela queda dos preços, a indústria musical desfruta de uma frágil recuperação graças ao crescimento de serviços de streaming pagos, como Spotify e Apple Music.

Os gastos no varejo com músicas gravadas cresceu 8,1 por cento, para US$ 3,4 bilhões, no primeiro semestre de 2016, segundo a versão preliminar de um relatório semestral da Associação da Indústria Fonográfica dos EUA (RIAA, na sigla em inglês) obtido pela Bloomberg News.

Isso significa que a indústria dos EUA caminha para um segundo ano consecutivo de expansão — primeiro período de dois anos de crescimento desde 1998-1999.

O mérito é do streaming — os serviços de internet que oferecem ao público acesso sem propagandas a milhões de músicas em troca de uma tarifa mensal, ou gratuitamente, se o usuário estiver disposto a escutar anúncios.

A receita com streaming cresceu 57 por cento nos EUA, para US$ 1,6 bilhão, no primeiro semestre de 2016, e respondeu por quase metade das vendas do setor, mais que compensando a queda nas aquisições de álbuns e singles.

As assinaturas totalizaram US$ 1,01 bilhão, segundo dados da RIAA.

“Estamos começando a ver o streaming de música sob demanda não mais como coisa de universitários hipsters e de jovens”, disse Larry Miller, ex-executivo do setor, atualmente professor de Negócios da Música na Universidade de Nova York.

A RIAA não respondeu a um pedido de comentário.

Os resultados podem ser observados nas finanças das grandes empresas fonográficas. A Universal Music, que pertence à Vivendi, divulgou crescimento no primeiro semestre, e as vendas da Warner Music, de propriedade do bilionário Len Blavatnik, cresceram 8,5 por cento no período de nove meses que terminou em 30 de junho, para US$ 2,41 bilhões, segundo relatórios.

A Sony Music Entertainment também informou ganhos em seu último trimestre.

Com cautela

O setor reluta em declarar vitória. As vendas anuais ficaram em torno de US$ 7 bilhões por seis anos, menos da metade do pico registrado em 1999, segundo dados da RIAA. As gravadoras, por sua vez, ainda negociam novos contratos com o YouTube, do Google, e com o Spotify, dois dos maiores provedores de músicas gratuitas do mundo. Embora as receitas do streaming com anúncios e sob demanda tenham crescido 24 por cento no primeiro semestre de 2016, para US$ 195 milhões, segundo o relatório da RIAA, esses serviços não estão se esforçando o suficiente para convencer as pessoas a pagar pela música e não captam dinheiro suficiente dos usuários que optam pelo serviço gratuito, dizem as gravadoras.

Enquanto isso, a aquisição de músicas, seja por meio de download ou em CD, continua em queda livre. As receitas com músicas em mídia física caíram 14 por cento e os downloads também encolheram a uma porcentagem de dois dígitos.

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Dias atrás recebi a informação de que o Salão Internacional Gospel seria cancelado e isso, se confirmou faltando apenas alguns dias para a realização do evento. Acho que este evento já estaria indo para sua quinta edição e mesmo assim não sobreviveu a mais um ano. Já é de notório conhecimento a descontinuidade da Expo Cristã que por mais de 10 anos reuniu boa parte do mercado religioso no Brasil. Na sequência, outra feira surgiu com organização da Geo Eventos e não durou mais do que uma única edição. Em 2016 também tivemos boa parte das edições do Festival Promessas promovido pela Rede Globo simplesmente cancelados. Vale lembrar que o Troféu Promessas também promovido pelo mesmo grupo empresarial foi cancelado há alguns anos atrás, faltando pouco tempo para sua realização deixando milhares de pessoas sem entender a real situação daquele fato e decisão. Alguns festivais que foram realizados em cidades pelo país, também deram o último suspiro e se foram. No ano passado (ou retrasado, agora não me lembro!) houve um evento gigante realizado no interior de São Paulo no melhor estilo “Rock in Rio” que não reuniu mais do que 5 mil pessoas e deixou um prejuízo na casa do milhão de reais aos seus organizadores. Resultado: nada de segunda edição do evento.

No mercado fonográfico vemos cada vez mais empresas que até então eram fortes, tradicionais e atuantes, diminuírem sensivelmente sua presença e atividade no segmento. Tínhamos há 10 anos atrás pelo menos umas 20 gravadoras e selos bem atuantes no meio gospel, hoje talvez (com muita boa vontade!) contamos nos dedos de uma única mão do Lula as empresas que realmente estão trabalhando forte no segmento. No mercado editorial percebo a mesma concentração de players, ainda mais com a chegada dos grandes grupos editoriais internacionais e seculares. Recentemente recebi a informação de que a revista Cristianismo Hoje, após mais de 80 edições, deixou de ser publicada, mantendo-se até o presente momento, apenas disponível em sua versão eletrônica. Já nesta semana soube do fim das atividades da Editora e Distribuidora SOCEP, gigante da distribuição editorial dos anos 80 e 90, localizada na cidade de Santa Bárbara do Oeste, interior paulista. Mais uma perda significativa para o mercado.

A outrora fervilhante Rua Conde de Sarzedas no centro de São Paulo chegou a movimentar milhões de reais por mês lá nos idos do fim dos ano 90 e 2000. Por ali pessoas e comerciantes oriundos de todos os cantos do país compravam de tudo um pouco para abastecer os seus comércios locais. Recordo-me de clientes distribuidores comprando 30 mil unidades de um único lançamento de CD para abastecer ao mercado num período de 30 dias somente. Por ali circulava muito dinheiro, pessoas e histórias, muitas histórias, boa parte nada condizente com o que se espera de um lugar apinhado por cristãos, mas enfim … a pitoresca rua do passado hoje é apenas uma esmaecida imagem dos tempos fulgurantes e intensos do passado. Os grandes distribuidores que no auge eram entre 8 a 10 empresários, hoje estão reduzidos a 2 ou 3 persistentes comerciantes. Os clientes locais que iam por lá periodicamente se abastecer das novidades, também se escassearam e muitos passaram a comprar por telefone ou mesmo diretamente nos próprios fornecedores.

O antes aguardado Troféu Talento promovido pela Rede Aleluia, grupo ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, foi interrompido e de lá para cá nenhuma outra premiação conseguiu substituí-lo em relevância e grandiosidade. Hoje em dia, para o mercado fonográfico há apenas um evento do tipo, Troféu de Ouro, que por mais boa vontade que eu tenha em tentar entender os critérios nos processos de tudo que o cerca, é impossível levá-lo a sério tamanha falta de lógica e coerência de todo o processo, portanto, de verdade, não temos mais um único evento de premiação que mereça atenção.

Os canais de distribuição do segmento, as conhecidas livrarias evangélicas, que na verdade são autênticas lojas de conveniência do meio cristão, permanecem na batalha cotidiana de sobrevivência. Em algumas praças o crescimento deste mercado é visível como na Grande Recife, capitaneada pela Livraria Luz e Vida, ou em Fortaleza por conta das lojas Bíblia e Opções e Casa da Bíblia, mas em outras praças o mercado se retraiu bastante nos últimos anos com diminuição das operações e mesmo fechamento de lojas. As grandes redes de livrarias do segmento hoje são a CPAD e Luz e Vida, mas ambas não possuem mais do que 15 filiais em todo o Brasil, algo bem tímido se comparado à capilaridade de redes seculares como Saraiva, Cultura, Leitura, entre outras.

Antes que você ache que estamos num barco à deriva, gostaria de direcionar meu post para uma rota que será o norte de nosso texto de hoje. Em meio a tantas notícias nada alvissareiras, o mercado gospel ainda merece ser encarado como promissor, potencial e interessante do ponto de vista comercial, de investimento e mesmo profissional? Vou tentar responder a este questionamento elecando diversas questões e a partir daí poderemos definir uma posição final sobre esta questão.

O Brasil evangélico explodiu demograficamente nos últimos 15 a 20 anos. Ou seja, do ponto de vista histórico, este grupo social é bastante recente e como tal, sujeito a transformações, ajustes, definições do que de verdade é ou será pelos próximos anos. É importante que tenhamos este entendimento! Poucas são as atividades do meio gospel que podemos apontar como definitivas, poucas mesmo! E como tal, precisamos de mais tempo de estrada pra criar raízes e definirmos nossas características próprias. Este aspecto nos traz dois caminhos. O primeiro é creditar a este pouco tempo de vida boa parte das práticas equivocadas, amadoras e muitas das vezes até mesmo infantis. Confesso que algumas atitudes (ou falta delas) em nosso meio me soam como absolutamente incríveis. A falta de estratégias, planejamento, conhecimento, metas e objetivos claros e de médio/longo prazos, são características de um meio ainda muito imaturo e, por conseguinte, os resultados são muito aquém às suas possibilidades. Ou seja, falta preparo e conhecimento técnico!

O outro aspecto é enxergar esse amadorismo do mercado como uma oportunidade única. Em meio aos amadores e suas práticas, os verdadeiros profissionais, como se diz popularmente, ‘lavam a égua’ – não sei a origem desta expressão, na verdade nunca imaginei que dar um banho na senhora equina fosse algo positivo, mas ela significa que a pessoa se dá muito bem em meio a tudo que o cerca. E é em cima deste conceito que particularmente tenho me mantido firme e forte no meio gospel nos últimos 20 anos. Longe de querer jactar-me, autoelogiar-me ou algo do tipo, tenho recebido alguns convites para migrar de área profissional, e o que me mantém neste mercado nos últimos anos tem sido especialmente o senso de oportunidade, por entender o potencial do mercado religioso no Brasil e a falta de profissionais na área. Por exemplo, em função desta minha decisão, especialmente nas últimas 3 semanas comecei a desenvolver projetos e curadoria artística para algumas plataformas de audio streaming com conteúdo de música gospel. Isso deve-se ao fato de que faltam especialistas na área. Está faltando profissionais no mercado gospel brasileiro!

Não temos uma pesquisa atual e definitiva sobre o tamanho do mercado cristão no Brasil. Há matérias que apontam para 30% da população brasileira sendo evangélica, o que daria uns 60 milhões de pessoas. Outros institutos são mais tímidos e cravam para 20% o montante dos evangélicos no Brasil, o que daria uns 40 milhões de brasileiros. Particularmente prefiro imaginar que o segmento evangélico no Brasil hoje esteja entre 40 a 50 milhões de brasileiros, sendo que o mercado gospel seria algo maior, pois os produtos – editorial e fonográfico – são consumidos não somente por autênticos evangélicos como também por católicos, cristãos não vinculados a uma igreja e simpatizantes. Ou seja, não importa se são 40, 50 ou 60 milhões, a verdade é que o mercado gospel é gigante, maior do que boa parte dos países pelo mundo. Então por que mesmo com tantos os consumidores neste segmento, as empresas que atuam neste mercado estão passando por tantas dificuldades? Na minha modesta opinião, a resposta está destacada nos dois parágrafos acima. Há uma clara falha na formação de profissionais especializados e nas estruturas das empresas (e mesmo instituições religiosas, denominacionais) que lidam com este público.

As gravadoras do segmento gospel, em sua grande maioria estão passando por dificuldades porque, entre outras questões, demoraram a se adaptar ao mercado digital. Muitas destas gravadoras são meramente um apêndice musical da instituição a que estão vinculadas e isso determina o foco, objetivos e mesmo razão de ser. Entre as editoras não é diferente, mesmo que a questão digital ainda hoje não tenha se tornado popular entre os consumidores provocando a onda migratória observada na música. No meio editorial gospel, percebe-se que as práticas comerciais tornaram-se obsoletas, assim como as estratégias de marketing, promoção e divulgação. A impressão que tenho deste mercado é de uma absoluta inércia, o que tem seu preço, sem dúvida! As livrarias evangélicas estão passando por dificuldades? Nada mais natural afinal muitas destas lojas até bem pouco tempo atrás tinham administrações medievais. Livrarias sujas, mal abastecidas, funcionários mal vestidos, desestimulados, sem conhecimento dos lançamentos do mercado. O resultado não poderia ser outro …

Especialmente neste ano percebemos uma tendência de shows de música gospel pelos teatros do país. A esmagadora maioria destes shows tem contado com no mínimo 80% de ingressos vendidos, sucesso absoluto! O que diferencia os shows em teatros dos demais realizados pelo país, muitos destes com fracassos retumbantes na venda de ingressos? Basicamente os eventos realizados em teatros têm contado com equipes de produtores competentes e profissionais. Simples assim. Os eventos em teatros pelo país têm trazido uma característica e imagem positivas junto ao público e este se sente muito valorizado ao perceber o apuro na produção destes eventos. Nem mesmo os tickets com valor médio acima de 50 reais tem sido impedimento para a presença do público. Vale a pena investir num ingresso mais caro para os padrões do segmento se houver a certeza de que o evento terá qualidade artística num ambiente de conforto e segurança. O cantor Leonardo Gonçalves, precussor de eventos em teatros, tinha uma expectativa de 10 shows neste formato em 2016, vai fechar o ano com 33 apresentações em teatros do país, muitos dos quais em sessões extras tamanha a procura do público pelos ingressos.

Qualidade + Profissionalismo = Sucesso

Já estou em processo de descida para a cidade de Salvador. Continuo acreditando muito no potencial do mercado cristão brasileiro, mas cada vez estou mais convicto de que teremos cada vez menos players atuando junto ao segmento promovendo uma concentração entre poucas marcas, seja no mercado fonográfico, editorial, canais de distribuição, plataformas digitais e outras atividades. O momento é de território livre onde quem primeiro chegar com foco, planejamento, competência, networking, conteúdo relevante e investimento a médio e longo prazos terá grande chances de se estabelecer e fincar bandeira. No mercado fonográfico, por exemplo, não creio que teremos num prazo de até 5 anos, mais do que 3 a 4 grandes gravadoras nacionais. Na área editorial, talvez este número chegue a 5 ou 6 editoras, talvez um pouco mais devido às empresas vinculadas a ministérios, mas a realidade é que a concentração de players é uma questão inequívoca. Como numa autêntica brincadeira pueril de dança das cadeiras, o momento é de correr e garantir o seu assento.

Mauricio Soares, publicitário, consultor de marketing, palestrante, simplesmente alguém buscando seu espaco neste concorrido universo gospel.