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De tempos em tempos há algumas perguntas que costumam ser repetidas numa frequência recorrente e de alguma forma reproduzem fases específicas de minha vida ou do mercado, apenas para citar 2 momentos bem distintos. Me lembro que enquanto namorava minha futura esposa (um namoro que se estendeu por alguns anos) as pessoas nos perguntavam constantemente sobre quando nos casaríamos. Depois de subirmos ao altar, bastaram apenas alguns poucos meses para que as primeiras cobranças pela chegada do primeiro filho começassem a surgir. Passados quase 6 anos depois, veio a notícia da gravidez de minha esposa e aí as inevitáveis perguntas: prefere menino ou menina? Quando saiu o resultado da chegada do Fernando, meu primogênito, festa de todos, muitas felicitações e já de bate pronto a inevitável pergunta: mas e aí? Não vão parar em um filho só, né? Tempos depois recebemos a notícia da chegada do Leonardo, nosso segundo filho e com ele as perguntas seguiram sobre os assuntos mais diversos como a preferência do sexo (agora é um casal?), o nome do bebê, a continuidade do processo reprodutivo (fechou a fábrica?) e coisas afins. É impressionante a falta de noção das pessoas em, na verdade, não se preocuparem com as respostas, mas sim em dar a sua própria opinião a respeito das coisas que não lhe dizem respeito e, principalmente a ausência de criatividade, principalmente nas piadas que geralmente seguem um script padrão do tipo: que bom que puxou à mãe, salvou a família!

Trazendo esta realidade para o nosso mercado, há alguns anos atrás eu repetidamente era questionado sobre o tempo de vida útil dos CDs … projeções as mais descabidas surgiam e constantemente as pessoas me perguntavam sobre este assunto. Tempos depois a pergunta já focava especificamente para o mercado gospel: tudo bem que no meio secular a transição entre o físico e o digital está indo rápida, mas no meio gospel o digital vai crescer tanto mesmo? Em quanto tempo teremos o mercado consumindo música exclusivamente no digital? Recordo-me que sempre respondi a este questionamento com a certeza de que mais tempo ou menos tempo, o mercado se renderia ao digital. A questão para mim não era o “se”, mas o “quando”. E ainda hoje, mesmo com a transição do mercado fonográfico acontecendo de forma mais intensa nos últimos 3 anos, sou questionado sobre esta mudança dos hábitos de consumo de música entre o público evangélico tupiniquim.

E ontem, conversando com alguns amigos, o assunto desta transição surgiu mais uma vez. Particularmente gosto muito de números, dados, estatísticas, tendências, enfim, trabalho com informações e costumo usá-las sempre quando me deparo com algum tipo de debate ou questionamentos. Então, no meio deste bate papo tendo a Baía de Guanabara ao fundo, esplendorosa, maravilhosa … comentei aos amigos de que hoje 96% de nosso faturamento na empresa refere-se às vendas digitais contra apenas 4% de produtos físicos. Apresento os números do crescimento do mercado fonográfico no Brasil e no exterior, a tendência de crescimento para os próximos 5 anos, comento sobre a queda de mais de 70% nas vendas físicas no país em 2017 e ainda, uma visão pessoal (ressalto aqui, uma opinião própria desprovida de maior profundidade ou números estatísticos!) de que o mercado digital ainda não atingiu a grande parcela do público cristão no Brasil. Especificamente junto aos apps de áudio streaming, o DataSoares especula que não mais do que 5% (talvez até menos do que isso!) do que consideramos como consumidor evangélico nacional esteja vinculado às plataformas. Resumindo, em minha opinião, Spotify, Deezer ou AppleMusic hoje estão atingindo uma pequena parcela dos mais de 60 milhões de brasileiros evangélicos, ou seja, se as coisas estão boas, imagine quando 20, 30, 40% da população passar a usar os serviços destes apps. Será uma revolução!

Seguindo com esta perspectiva, as possibilidades do mercado digital são, de fato, impensáveis, incalculáveis! Temos que levar em questão que a partir dos apps de áudio streaming, diferentes públicos terão acesso a conteúdos de música gospel e, não necessariamente apenas o próprio segmento. O que quero dizer neste caso é que, se antigamente era bem mais difícil que uma pessoa não-evangélica entrasse numa livraria específica para comprar um disco da Damares, Diante do Trono ou Aline Barros, hoje em dia, esta mesma pessoa pode tranquilamente criar sua playlist de músicas gospel ou mesmo ouvir a nova canção do Preto no Branco por um destes apps de áudio streaming. Ou seja, o acesso tornou-se muito mais democrático, facilitado e é natural que atinja muito mais pessoas (não só no Brasil, mas em escala global!), diferentemente do que vivíamos na época dos CDs e DVDs.

Então, neste momento sigo com a mesma dúvida de tempos atrás. Não estou preocupado se o enorme contingente de evangélicos no Brasil passarão a consumir música pelos apps de áudio streaming, isso já é fato consumado! A questão que me aflige neste momento é quanto tempo as pessoas evangélicas se engajarão de fato nos aplicativos. E neste caso, nos aplicativos e canais corretos, porque quando se fala em consumo de música, o ambiente correto para esta prática são os apps de áudio streaming e não necessariamente o YouTube. Frise-se bem esta informação. Irei até repetir para que não reste a menor dúvida. Se você pretende aprender a desentupir a pia da cozinha, a tirar mancha de molho de tomate da roupa ou mesmo assistir a uma linda mensagem devocional, o ambiente correto para estas questões chama-se YouTube. Agora, se a sua intenção é ouvir música, ter acesso a um catálogo com mais de 40 milhões de músicas, criar suas playlists pessoais, compartilhar canções e estar sempre antenado com as novidades ou mesmo ter acesso à discografia de seu artista favorito em simples navegação, então, o ambiente correto são os aplicativos de áudio streaming, Deezer, Apple Music, Spotify, entre outros. Sem falar nas outras peculiaridades do serviço como ter acesso às canções no modo off line, a própria qualidade de áudio e várias ferramentas específicas.

Para tentar diminuir um pouco mais este delay na inserção do público gospel junto aos apps de streaming, de forma histórica, algumas gravadoras do segmento gospel têm se reunido nas últimas semanas com o objetivo único de criar ações em prol do áudio streaming no meio evangélico nacional. Entre as pautas, a principal é estimular o povo evangélico a aderir o quanto antes às plataformas de áudio streaming e para isto, uma grande campanha com a participação de muitos artistas de destaque no segmento será lançada em breve. Entre as gravadoras deste movimento, a saber: Som Livre, Universal Music, Sony Music, Musile Records, Oni Music, Mess Entretenimento e Central Gospel.

Creio que entre outras razões, este atraso do segmento gospel no tocante aos aplicativos digitais deve-se principalmente ao desconhecimento e interesse de boa parte da classe artística e em maior parte, pela inércia das gravadoras do segmento que imaginaram que o processo de transição seria bem mais lento do que de fato foi … ou seja, neste momento temos que literalmente correr para recuperar o tempo perdido e promover o quanto antes a transição dos hábitos tradicionais de consumo de música para o ambiente digital. Então, finalizo este texto com a frase de um destes amigos que recebi ontem para um papo … “Numa hora vai!”

E que venha o quanto antes!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, palestrante, consultor de gerenciamento de carreira, tricolor, pai de 3 meninos que sempre quiseram ser meninos e casado com uma mulher que sempre quis ser tratada como princesa! Simples assim

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Nos próximos dias tentarei atualizar ao máximo este blog com muitos textos, pois estarei viajando e como sempre faço, aproveitando ao máximo horas de voo e de espera em saguões de aeroportos para escrever o quanto for possível e minha criatividade e disposição resistirem. Neste momento sigo para mais uma edição da Expolit, a mais importante feira do mercado cristão da América Latina. Confesso que não tenho mais noção da quantidade de vezes que participei deste evento, mas estimo que esta seja minha décima quarta edição ou algo próximo a isso. Felizmente minhas últimas participações têm sido bastante produtivas com o início e ampliação do projeto de música cristã em parceria com os escritórios da Sony Music na região. Neste ano estaremos apresentando oficialmente o projeto em espanhol do DJ PV e imagino que esta edição da Expolit será determinante para os artistas cristãos brasileiros na América Latina. Espero que já em 2018 tenhamos mais artistas brasileiros apresentando seus projetos ao mercado cristão hispano.

Dando sequência ao nosso texto propriamente dito, tenho observado atentamente alguns aspectos do consumo de música após a mudança nos formatos, meios e na indústria da música em si. Quando comecei a lidar com o mundo digital, isso lá pelos idos dos anos 2010, tudo parecia uma grande aposta, uma tendência que demoraria alguns anos até se consolidar, especialmente no Brasil ou na América Latina. Recordo-me que em toda oportunidade de viagem ao exterior, especialmente aos EUA, carregávamos o cartão para consumo do iTunes, porque o serviço não dava demonstrações de quando chegaria de fato a Terra Brasilis. Por muito tempo ouvíamos (e torcíamos) sobre possíveis datas do desembarque da plataforma de downloads no país e enquanto aquilo não se tornava em realidade, seguíamos focados nas vendas de CDs, DVDs e no combate à pirataria – engana-se quem imaginou que o mercado gospel se manteve alheio às mazelas da pirataria. Tivemos casos comprovados de clonagem de discos derramados no mercado, especialmente no Estado de São Paulo, que afetaram negativamente muitas gravadoras. Quando, finalmente, o iTunes chegou ao Brasil, oficialmente o país entrou no circuito mundial de consumo digital. Por estar numa companhia multinacional, automaticamente todo o conteúdo de nosso catálogo gospel estreou no iTunes exatamente no minuto zero da existência da plataforma no país, o que para algumas gravadoras do segmento demorou até anos para que o processo se concretizasse (algumas demoraram tanto a enxergar e agir que acabaram entrando no iTunes apenas quando esta modalidade de consumo digital já havia entrado em queda pela chegada do streaming).

Quando o iTunes desembarcou em praias brasileiras o Top Chart de vendas foi povoado por muito tempo exclusivamente por artistas internacionais. A música brasileira no primeiro momento simplesmente foi colocada à margem no consumo de downloads pelo iTunes. Sertanejos, funk, MPB e, claro, o gospel surgiam raramente no Chart50, vez ou outra no Chart100. Quando Leonardo Gonçalves tornou-se o primeiro artista religioso do país a figurar no topo do Chart de vendas do Brasil a comemoração foi digna de um Oscar ou algo do tipo! Feito repetido depois por Os Arrais, Gabriela Rocha, Mariana Valadão, Paulo César Baruk, entre outros. Vale um “registro-ostentação” destacando a Sony Music como a gravadora a ter o maior número de artistas do cast entre o Top 5 de melhor performance na história do iTunes no Brasil. Durante muito tempo o iTunes foi um território exclusivo de artistas e conteúdos internacionais e não por coincidência, este tipo de consumo refletia o estilo de usuários do serviço, notadamente um público das classes AB, com perfil mais sofisticado, antenado com as tendências do exterior.

Com a expansão do consumo, a popularização do consumo (note-se de que nunca no Brasil o iTunes foi popular, até porque sua política de preços sempre manteve-se atrelada ao dólar e ao cartão de crédito internacional) e um maior entendimento dos artistas nacionais, a exclusividade de artistas e projetos internacionais passa a ser diluída, dividindo as atenções com artistas nacionais, especialmente uma turma da nova MPB e os sertanejos. Antes mesmo do iTunes tornar-se um canal de consumo popular, chegou ao país as plataformas de streaming, primeiramente o Deezer, sendo seguido pelo Spotify e tempos depois pela Apple Music. No início, estes aplicativos vivenciaram a mesma tendência histórica do iTunes, ou seja, conteúdos internacionais, especialmente a música eletrônica, monopolizavam a atenção do público. Nada de sertanejo, funk, samba, pagode ou gospel … no entanto, com o crescimento dos serviços, a parceria entre a Deezer e a operadora de telefonia Tim, a popularização das marcas e o aumento do consumo por parte de diferentes públicos, o perfil de consumo nas plataformas digitais também sofreram transformações sensíveis incluindo novos estilos que até então se mantinham à margem do consumo digital ou, melhor, distantes do universo streaming. Entre estes estilos, destaque para o funk – especialmente o som produzido nas periferias paulistanas – que assumiu lugar entre o sertanejo, pop internacional e eletrônico.

Atualmente no Top 10 Semanal de Streamings no Brasil encontramos sempre dois a três MCs ‘qualquer coisa’ ladeando com nomes como Matheus e Kauan, Marília Mendonça, Anitta e Ed Sheran. E é basicamente a respeito deste ponto que irei seguir pelos próximos minutos, imaginando que ainda terei a atenção de ao menos nossos 69 leitores abnegados e atentos do Observatório Cristão. O advento da música digital, especialmente nas plataformas de áudio streaming, vem promovendo uma mudança significativa na indústria da música e na escala de prioridades dos A&R em termos de contratações. Se em tempos atrás o funk ficava restrito às periferias, sempre à margem do mainstream, distante das rádios e programas de TV, atualmente os artistas deste segmento garantem importantes pontos de Market Share e passam a ser buscados avidamente pelos profissionais das gravadoras. A grande questão é que esta novidade, esta mudança de estilo que vem crescendo em importância no cenário musical tupiniquim, deixou de lado qualquer pudor, senso estético ou qualidade. Nem é preciso dedicar alguns minutos para se ouvir o que vem sendo produzido por esta turma do funk, basta atentar-se aos títulos das músicas onde “Bumbum Granada” passa a ser um dos títulos mais sutis entre o cardápio oferecido. Outro dia parei para analisar uma playlist de funk e antes de chegar à décima faixa, já decidi nem arriscar-me a ouvir nada tamanha agressividade nos títulos das ditas ‘obras musicais’. Tempos depois ainda soube que há uma categoria ainda mais HardCore com os “proibidões” que seguem uma linha ainda mais pornô-explícita-agressiva que define o sexo feminino como qualquer coisa … algo deplorável ao extremo. Não sou sociólogo e por isso mesmo nem me atreverei a fazer uma análise sobre os motivos que corroboram para este cenário musical, mas o que sei neste momento é que o ambiente digital trouxe à baila uma música de baixíssima qualidade, feita em escala industrial (há escritórios de funk lançando 6 a 10 faixas inéditas por dia!), que ultrapassou os limites da periferia e hoje performam com destaque no YouTube e nos aplicativos de áudio streaming.

Em contrapartida, este mesmo ambiente digital provocou outra mudança radical na área da música gospel nacional e que merece ser comemorada por todos! Enquanto no secular, o digital trouxe o funk, pelos lados da música cristã observamos uma chegada de artistas e propostas musicais de extrema qualidade que até então não tinham espaço no concorrido mainstream ocupado por poucas gravadoras do segmento. Há 10 anos atrás, a música gospel era representada por Aline Barros, Damares, Fernandinho, Cassiane, Diante do Trono e mais uns 5 a 10 outros nomes com relevância nacional. Entre os estilos, nada de um reggae brilhantemente apresentado por um Salomão ou a vibrante e dançante música de um DJ PV, por exemplo. A música gospel de então, limitava-se ao surrado pentecostal com seus trinados, arranjos triunfantes, letras enormes ou aos tradicionais estilos pop adoração ou louvor congregacional, nada muito além disso! Com a chegada das plataformas digitais, os artistas que até então eram considerados underground ou de nichos menores, passaram a ter espaço e a conquistar a atenção do público. Público, que por sinal, já dá sinais claros de que vem crescendo no consumo de música comemorando o fim do monopólio das rádios do segmento onde nem sempre a qualidade da programação era, de fato, o forte das emissoras.

Meses atrás fiz uma pesquisa interna e deparei-me que entre os 10 artistas de melhor performance em resultados de minha companhia na área gospel, cerca de 80% haviam se destacado nos últimos 5 anos, muitos destes com tempo de carreira inferior a 7 anos, ou seja, uma turma jovem, com propostas musicais bem diferenciadas e de acordo com o novo perfil de consumo no segmento, destacava-se demonstrando um novo caminho para a música gospel no país. Nomes como Amanda Rodrigues, Gabriela Rocha, Ministério Morada, Deise Jacinto, Priscilla Alcântara, Pier49, Marcela Taís, Os Arrais, Estêvão Queiroga, Preto no Branco, Paulo Nazareth, Isadora Pompeo, Arianne, Tanlan, ou os já citados, DJ PV e Salomão, já são artistas de relevância no segmento, demonstrando a enorme diversidade de estilos, propostas musicais e alcance nacional.

Estamos vivendo um momento muito especial no mercado da música no Brasil, especialmente no segmento gospel e considero que estamos sabendo aproveitar esta oportunidade para valorizar o que temos de melhor. Por muitos anos fomos reconhecidos externamente pela força em vendas, pela pujança do mercado gospel, mas não necessariamente pela qualidade de nossas produções ou artistas. Hoje em dia posso assegurar que esta característica vem sendo transformada com muita força e velocidade. Como trabalho num ambiente profissional e não confessional, tenho acesso a visões e observações muito sinceras sobre o atual estágio da música gospel produzida no país e confesso que tenho me orgulhado muito com o que tenho ouvido ultimamente. Tem sido bastante recorrente receber entusiasmados feedbacks de colegas de trabalho destacando músicas como “Retrovisor” de Deise Jacinto ou “Deserto” de Os Arrais ou ainda, “Creio em Ti” com Aline Barros. Estes comentários têm sido cada vez mais comuns e enfáticos contrastando com o que se dizia no passado: Vende muito né? Muito bom …

Vamos em frente! Produzindo e investindo na qualidade de nossa música!

Mauricio Soares, jornalista, diretor artístico que busca a qualidade sempre, publicitário, editor do blog Observatório Cristão, casado, pai do Fernando, Leonardo e Benjamim.

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Recebi hoje esta matéria publicada pela Nielsen, importante instituto de pesquisa de consumo e resolvi traduzi-la e publicar para nossos 69 leitores. O crescimento do consumo de música através das plataformas de streaming segue num ritmo intenso e no Brasil, em especial, os números crescem vertiginosamente. Vamos à matéria:

Demanda de streaming tem resultado recorde

Os streamings de áudio atingiram mais de 184 bilhões até o momento em 2017, um aumento considerável de 62,4% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com o relatório Nielsen’s Mid-Year 2017.

Enquanto isso, os streamings de áudio e vídeo superaram os 284 bilhões este ano, um aumento de 36,4% em relação ao mesmo período de 2016. No entanto, houve uma diminuição nas vendas de álbuns (-18,3%), álbuns + TEA (Títulos de álbuns equivalentes) (-19,9%), vendas de álbuns digitais (-19,9%) e venda de álbuns físicos (-17%), destacando os hábitos de escuta do consumidor e o foco da indústria em lançamentos únicos.

O lançamento do álbum de Ed Sheeran em 3 de março deste ano pode ter contribuído para o aumento das transmissões de streams semanais para a semana que terminou em 9 de março e que superou 7 bilhões pela primeira vez na “Shape of You” de Sheeran dos EUA. É a música mais transmitida de 2017 até o momento, com 690 milhões streams até a data, incluindo 354 milhões de streams de áudio e 336 milhões em vídeo. É também a música com as vendas de trilhas mais digitais: mais de dois milhões até agora este ano.

“No primeiro semestre de 2017, tivemos alguns novos benchmarks incríveis para a indústria da música”, disse Dave Bakula, SVP Insights, Nielsen Music. “A rápida adoção de plataformas de streaming pelos consumidores gerou engajamento com música em uma escala que nunca antes vimos”.

Fluxos de músicas dos EUA de meio ano 2017

O lançamento de Drake de “More Life”, em 18 de março, também estabeleceu um recorde de streams de áudio em uma semana com 385 milhões de execuções, superando o recorde anterior de seu álbum de 2016, “Views”, que registrou 245 milhões de streams em sua primeira semana.

A maior música no meio do ano, em termos de atividade total (vendas e equivalentes de transmissão de áudio combinados), é “Shape of You” de Ed Sheeran, com 361 milhões. A faixa também toca os gráficos de vendas de músicas digitais, com mais de 2 milhões até agora este ano.

Nota do blog: acompanho semanalmente a performance dos artistas de nosso segmento em termos de número de ouvintes/streams e é notório o crescimento de artistas que estão focados neste novo formato de consumo de música. O crescimento recente de artistas como Os Arrais, Gabriela Rocha, Priscilla Alcântara é uma prova incontestável do sucesso do binômio foco e ação.

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Depois de quase uma semana na maravilhosa capital cearense, começo a escrever este texto já no caminho de retorno para casa. Teremos cerca de 3 horas de viagem pela frente e como prefiro aproveitar este momento para torná-lo produtivo, resolvi trocar o descanso por algum tempo de atualização dos textos do blog. Há fases em que começo vários textos de diferentes temas e assuntos e, por algum bloqueio inconsciente, não os concluo em definitivo. Os textos vão sendo digitalmente engavetados até que num momento qualquer possam ser devidamente concluídos (ou não!) um a um. Nestes últimos dias iniciei 4 textos, sem que um único sequer chegue ao processo definitivo e posterior publicação por aqui. Vamos esperar que com este seja diferente! Esta é a minha torcida neste momento.

Esta foi a décima segunda edição da Expo Evangélica em Fortaleza. Participo como apoiador desde a primeira edição e, confesso, orgulho-me profundamente por isto. Na verdade, tenho um idealismo que me impulsiona a apoiar diferentes iniciativas que fomentem o mercado cristão, seja através de feiras como esta ou mesmo shows, festivais e eventos do tipo. Creio que nas últimas 4 ou 5 edições eu tenha não só apoiado à Expo, mas também marcado presença fisicamente. A experiência de estar lado a lado com os artistas atendendo ao público, às mídias, entrevistas, demandas e mesmo nos momentos de confraternização com artistas e amigos, é algo que nos revitaliza bastante! Por mais que sejam dias e dias de horas mal dormidas, cansaço extremo, deslocamentos constantes e uma agenda frenética, a verdade é que isto tudo é muito bom!

Na edição 2017 da Expo tive várias experiências muito marcantes. Em primeiro lugar eu gostaria de destacar como definitivamente a “chave” do digital foi virada, não somente entre as gravadoras, mas também entre os artistas, mídias e o próprio público. O cantor-amigo-pagodeiro-boa-praça Waguinho, em meio à sua apresentação no palco principal perguntou ao público sobre quantos ali já tinham aplicativos de áudio streaming e, para minha surpresa, cerca de 60% das pessoas levantaram efusivamente as mãos. Confesso que no primeiro momento me surpreendi pela resposta do povo … mas analisando melhor o perfil daqueles presentes, posso arriscar dizer que a imensa maioria do público era formado por jovens entre 14 a 25 anos, portanto, dentro do perfil nacional de usuários da plataformas digitais. Outro detalhe interessante, esta foi a Expo em que volto para casa sem ter um único CD em minha bagagem. Tudo bem que tenho deixado claro que receber CDs ou DVDs em mãos já não faz parte de meu dia a dia, mas ainda assim, me impressionei como os próprios artistas e postulantes também eliminaram o produto e não levam materiais sequer para promoções, sorteios ou afins. A mídia física simplesmente desapareceu … agora todos os artistas falam de Deezer, Spotify, impulsionamento, redes sociais … isso é uma mudança de comportamento fantástica!

Entre os stands mais movimentados da Expo, sem dúvida, o espaço da Deezer foi dos mais concorridos. A ação de marketing foi perfeita com os artistas revezando-se no pequeno palco e auditório montados na feira. Filas enormes seguiam-se dia a dia na espera de pocket shows de artistas do primeiro time como Novo Som, Daniela Araújo, Kemuel, Seo Fernandes, Preto no Branco, entre outros. Arrisco a dizer que o número de assinantes da Deezer em Fortaleza cresceu significativamente nestes últimos dias. Ainda assim, com todo este crescimento do ambiente digital, tive algumas experiências emblemáticas por estes dias. Entre um e outro papo com amigos, profissionais e artistas, tive a oportunidade de conversar com um mega artista que alcançou o sucesso no mundo secular, músico de primeira linha, inovador, compositor, uma pessoa que viveu o auge do sucesso na indústria da música tempos atrás e que depois de anos converteu-se e seguiu firme e forte na música, só que desta vez como artista cristão. Conversamos longamente sobre este novo momento da música e todas as novas demandas. Ele me perguntou se seria difícil entrar para o cast da minha gravadora, mesmo que para uma simples distribuição digital … imediatamente respondi que o processo para ele seria extremamente simples, mas que ele próprio precisaria fazer alguns ajustes adaptando-se a este novo cenário digital. De forma direta perguntei-o sobre qual plataforma digital ele costumava usar … silêncio absoluto … 5, 6, 7 … 10 segundos … percebi que ele não estava entendendo muito o que eu estava questionando naquele momento e pra facilitar sua compreensão, resolvi ajudar … “Deezer?” … “Spotify?”… qual é a plataforma que você usa? – repeti mais uma vez. O silêncio da morte se prolongou mais alguns segundos e depois de minha cara de susto, ele respondeu: nenhuma!

Resumindo esta história, orientei-o sobre antes de mais nada a ser usuário de alguma destas plataformas. Na verdade, eu fui mais além, peguei seu smartphone e eu mesmo criei uma conta para ele. Em poucos segundos apresentei-lhe ao universo digital … daqui uns dias vou entrar em contato com este artista para ter um feedback sobre como tem sido sua nova relação com a música baseada no app de streaming. Espero que ele desenvolva-se urgentemente nesta novidade! Durante a Expo, fui convidado a dar uma pequena palestra a artistas independentes sobre a importância do mercado digital. Entre as informações que fiz questão de levar naquele rápido momento de apresentação, quero destacar as seguintes:

– Todo artista precisa ter contato com as plataformas digitais. Se a ideia é ter uma carreira artística, o primeiro passo é manusear algum aplicativo de streaming e tornar-se íntimo deste novo ambiente de consumo de música. Como tenho feito habitualmente, perguntei aos presentes quais já possuíam algum destes aplicativos em seus smartphones e a resposta foi de cerca de 60 a 70% dos presentes. Em se tratando de um ambiente totalmente formado por artistas, este percentual deveria ser outro, ou seja, 100% dos presentes. O uso contínuo de aplicativos de música por parte dos artistas é uma questão tão natural como a escolha de repertório, o trabalho de fonoaudiologia e técnicas de respiração e coisas do tipo. Uma coisa não se dissocia da outra, são atos contínuos e inerentes.

– Todo artista precisa ter o suporte de uma assessoria de marketing digital. E neste caso, como já falei por aqui inclusive, não se pode confundir design, criação de peças publicitárias, flyers e coisas do tipo, com um trabalho elaborado de marketing digital. Além disso, fiz questão de ressaltar sobre a importância de se buscar por profissionais que efetivamente entregam o que prometem, ou seja, que não sejam os manjados ‘contadores de estórias’, personagem bastante comum em nosso meio nestes dias. Frisei também que no processo de contratação de artistas na empresa em que participo, contar com o suporte de marketing digital é uma questão sine qua non, ou seja, é uma condição obrigatória! Sem alguém para cuidar desta área, as possibilidades de contratação diminuem drasticamente. Inclusive, no caso de artistas já contratados, temos desenvolvido campanhas específicas para que todos tenham este suporte e arrisco a dizer que na Sony Music, na área gospel, 90% ou mais do cast possui este tipo de assessoria. Coincidência ou não (definitivamente não!) os artistas do nosso cast destacam-se perante os demais sobre os resultados digitais. Não é um auto-elogio, mas uma simples constatação! Simples assim …

– O modelo de produção de conteúdo baseado no formato CD ou DVD não é mais o padrão do mercado. Ou seja, a necessidade de se gravar um projeto com 14 faixas tornou-se obsoleto e completamente desnecessário! A ordem agora é buscar a melhor música, a melhor produção, o hit e lançá-lo como um single, reunindo todos os investimentos no impulsionamento e divulgação de uma única canção e não mais aquele projeto longo de tempos atrás. A estratégia do momento é lançar single após single, focar toda a atenção na divulgação de uma faixa e investir maciçamente em ações de marketing digital. Nada mais de meses e meses produzindo um disco em que no final as faixas ficarão esquecidas no meio do repertório … além de poupar dinheiro na produção do álbum pela otimização do tempo e recursos, esta nova estratégia permite ao artista uma agilidade incrível para apresentar novos conteúdos e propostas artísticas.

– A música deixa de ser uma experiência auditiva e passa a ser visual. Com isto, os clipes, vídeos, Live Sessions, assumem papel de preponderância nas estratégias de marketing, promoção e divulgação dos artistas e seus respectivos projetos musicais. O que fiz questão de deixar claro na mini-palestra é que não se deve lançar a música se esta não chegar ao mercado acompanhada de sua versão em vídeo. O alcance da música sem seu paralelo em vídeo é reduzido drasticamente nestes casos. Também ressaltei que os clipes não precisam ser mega produções que inviabilizem a produção dos conteúdos. Neste caso, um bom filtro, um bom equipamento, apuro estético, bom roteiro, luz e principalmente bom senso já ajudam bastante!

– As redes sociais passam a ser meio e não fim. Ainda me deparo com artistas fazendo campanhas para a aquisição de novos seguidores, mesmo já contando com uma boa base de fãs. Esta fase de ‘seguidores-ostentação’ onde os artistas ficavam disputando quem alcançava o maior número de seguidores, definitivamente, já passou. Hoje o objetivo maior de todo artista deve ser o crescimento no número de seguidores nas plataformas de áudio e vídeo streaming, sendo a primeira opção, a mais importante. As redes sociais são atualmente importantes ferramentas para que o público migre para as plataformas de conteúdo e nada muito além do que isso! De nada adianta ter 5 milhões de fãs na fanpage e ter uns gatos pingados nos perfis oficiais da Deezer, Spotify ou YouTube. A meta agora é crescer os seguidores nestas plataformas e aumentar consideravelmente o número de streams e ouvintes mensais.

– É fundamental investir no alcance dos conteúdos digitais. Se em tempos atrás era fundamental reservar um budget para divulgação em rádios, revistas, materiais promocionais e afins, hoje em dia, o foco no investimento deve ser totalmente direcionado para as ações de marketing digital, o tão propalado impulsionamento de conteúdos, ressaltando-se que esta ação deve ser feita com muito critério (que isso fique bem claro! com critério e assertividade!) para que tenha o alcance que se espera. Neste caso, reforço mais uma vez a necessidade de se contar com o suporte de profissionais capacitados! Atenção total!

– O mercado digital é presente! Não mais o futuro! Talvez este tenha sido um dos últimos aspectos que abordei em nossa palestra a jato em meio a um stand apinhado de pessoas das mais diferentes realidades e expectativas. Quis deixar ainda mais claro que estamos vivenciando um novo momento, irreversível e que vem sendo preparado e estudado há pelo menos os últimos 7 anos. Deixei claro que no nosso caso, não há surpresa alguma, pelo contrário! Já vivemos o ambiente digital plenamente e temos investido constantemente na capacitação de nossos artistas. Também fiz questão de dividir a responsabilidade pela popularização deste novo universo digital com os próprios artistas, que são importantes formadores de opinião. A tarefa de apresentar as plataformas como a principal forma de consumo de música é de responsabilidade não só das gravadoras, mas principalmente dos próprios artistas. Quanto mais os artistas se envolverem nesta campanha, melhor e mais rápido atingiremos resultados relevantes nas plataformas digitais.

Creio que estes foram os principais pontos citados … aqui foi o resumo do que falamos em corridos 50 minutos de palestra. Ao longo da feira, encontrei-me com vários dos artistas que participaram deste momento e tive oportunidade de receber feedbacks muito entusiasmados. De um artista presente recebi, até com um pouco de surpresa, o relato de que a palestra mudou completamente sua visão do meio. Ele me fez entender o quanto curtiu as informações e de que já estaria colocando em prática várias daquelas sugestões e dicas. Muito bom isso!

Por hoje é só!

Mauricio Soares, jornalista, publicitário, consultor de marketing, alguém que comeu alguns quilos de camarão e castanha nos dias em que esteve na capital cearense e que sequer pisou na areia de qualquer praia da região. Que pecado!

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Coisa rara em meu dia a dia é ter um tempinho sem nenhum compromisso, sem filhos por perto, absolutamente nada pra fazer ou me preocupar. Pois bem, neste momento estou sentado à frente do meu computador lendo notícias, atualizando as manchetes, pesquisando alguns vídeos, lendo alguns textos publicados … tudo na mais santa paz, algo muito difícil de acontecer. Estou em meio ao fim de semana com alguns compromissos na capital paulistana e nesta manhã fria, completamente sozinho, no quarto de hotel, dei-me ao luxo de ficar rolando na cama, descansando o corpo e principalmente a mente … e como pra mim, escrever é uma atividade absolutamente prazerosa, vou dedicar alguns minutos desta manhã, antes de partir para uma palestra à tarde, a fim de escrever algum texto para o nosso blog.

Ao longo dos meus 29 anos de estrada profissional, boa parte destes dedicado ao mundo de música, deparei-me com inúmeros artistas em início de carreira. Independente de estilo, capacidade, talento ou condições financeiras, o artista iniciante enfrenta dificuldades inerentes a qualquer aprendiz, seja de qual profissão que for. E neste momento em que vivemos um radical processo de transformação na indústria fonográfica e nas práticas do mercado e consumo de música, há uma série de detalhes que precisam ser muito observados com atenção.

Em primeiro lugar, o artista iniciante precisa saber que tudo decorre de prática. Não se alcança a excelência vivendo de teoria somente. Na verdade, a teoria, o estudo, o preparo, o planejamento são parte de um todo do processo, mas que por si só não garantem resultados satisfatórios. Quem privilegia somente a prática em detrimento ao teórico também incorre num sério risco de errar em questões primordiais e, de igual forma, não alcançará os resultados com a excelência que se espera. Colocando as coisas no seu devido lugar, todo profissional deve dedicar o início de sua trajetória ao estudo e na sequência, buscar a prática. Adaptando ao universo artístico musical cristão, é fundamental que o artista tenha tempo de “banco de igreja”, ou seja, que tenha intimidade com Deus e com a Palavra. Não se pode querer entrar numa carreira de cantor gospel se o dito cujo sequer consegue encontrar o livro de Romanos sem recorrer nervosamente ao índice. Lembre-se, só damos aquilo que temos em demasia. Como pode alguém querer ministrar se está vazio, oco do conhecimento de Deus?

Passado o período de preparação, o caminho natural é colocar em prática todo o conhecimento. E a prática só se consegue praticando! WOW, quanta genialidade! Pois é, parece e é de fato, óbvio, não mesmo? Mas você meu seletíssimo e queridíssimo leitor do Observatório Cristão acredita que tem muito artista por aí acreditando que pode ‘ganhar as nações’ (Oh! Aleluias!) sem, ao menos cantar em sua igreja local? Sem sequer ter enfrentado cultos vazios, aparelhagens de som de quinta categoria ou mesmo horários nada nobres para sua participação? É aquele caso do jogador que quer jogar no Flamengo sem ter passado pelo Olaria ou algo do tipo. Nada disso! Todo artista deve começar praticando independente do local, da plateia, da estrutura, simplesmente trabalhe! Dias atrás encontrei um cantor bastante iniciante … e aí, papo vai, papo vem, ele começou a me perguntar sobre dicas e tudo mais. Sem respondê-lo diretamente comecei a fazer-lhe algumas perguntas do tipo: qual a periodicidade de sua agenda? Quantos eventos por semana ele havia participado? E aí ele calmamente disse que estava fazendo uma média de 4 apresentações por mês e eu imediatamente respondi de que este número era muito fraco e que ele deveria começar a focar justamente nesta área, aumentando a carga de trabalho. Na maior inocência ele me disse que recusava cantar em igrejas pequenas porque isso poderia dar uma ‘desvalorizada’ no trabalho dele … de que ele focava apenas cantar em grandes oportunidades.

Recordo-me que há alguns anos atrás lancei um artista e meu recado a ele foi o seguinte: cante de manhã, tarde, noite e nas vigílias da madrugada. Cante até não aguentar mais! Cante em casamento de anão! Cante em velório de cachorro, mas cante! Somente assim você vai ser reconhecido e as portas se abrirão para você porque talento você tem, mas as pessoas não sabem disso! Então vamos mostrar a eles isso! Anos depois tornou-se um dos maiores nomes da música gospel em todos os tempos. Mas o sucesso começou humilde, bem pequeno, com muito trabalho, muita transpiração! Não teve moleza!

Outro importante detalhe neste processo de maturação do artista iniciante tem a ver com saber em lidar com o tempo. E mais do que o tempo, com a própria ansiedade! Uma das expressões que falamos muito no nosso dia a dia na gravadora é justamente: gerenciar as expectativas. Ou seja, como o artista está organizado mentalmente para lidar com o processo lento e contínuo de uma construção de carreira. Arrisco a dizer que muitos artistas perdem o rumo justamente neste momento. Para exemplificar e, particularmente gosto de trazer a vocês alguns “causos” que vivenciei ao longo dos anos para tornar minha exposição ainda mais clara, posso listar alguns artistas que acreditei demais no potencial de carreira, mas que por justamente não saberem lidar com a ansiedade, simplesmente puseram os pés pelas mãos e sucumbiram na carreira artística. Há casos de artistas que vivenciaram processos de maturação com o lançamento de um primeiro CD (lembram-se disso, aquela bolacha metalizada que os antigos colocavam no carro, em seus aparelhos 3 em 1 … pois é, coisa ancestral mesmo!), passavam mais um tempo, lançavam um segundo CD e aí … deixavam tudo que estava programado pela gravadora e passavam a agir por conta própria, muitos dos quais, deixavam o cast da gravadora e partiam em carreira-solo. Não conheço um que tenha dado certo! Simplesmente porque quiseram queimar etapas e no fim saíram chamuscados, alguns incinerados!

Outros julgaram-se preparados e jogaram-se em projetos nacionais. Deixaram de focar determinadas regiões e aí resolveram que deveriam dominar o Brasil. Convocavam um ‘açessor’ que iria abrir as portas das rádios, das igrejas, dos grandes eventos pelo país, investiam tempo e principalmente uma grana forte e … água! Tiro n’água! Retumbante! Não saíram de lugar algum ou como costumo dizer, retrocederem várias casas atrás no tabuleiro. Tem um caso clássico de um jovem-filhinho-de-pastor que gastou tubos de dinheiro com rádios e promoção, quis gerenciar sozinho sua carreira, saiu de uma grande gravadora e depois de anos de muito investimento, muitos Tops de lista de execução nas rádios e muita expectativa pessoal, não foi a lugar algum, ou pior, virou exemplo de artista fake ou balão japonês, aquele que sobe rapidinho e cai apagadinho por aí …

Gerenciar expectativas. Traçar objetivos. Planejar as ações. Determinar o cronograma. Estabelecer as prioridades. Trabalhar. Investir na hora e lugar certo. Buscar as boas parcerias. Encontrar profissionais capacitados e com portifólio de sucesso. Trabalhar. Buscar conhecimento. Adequar-se às novas realidades e demandas. Ter paciência. Rever seus ideais. Estar no centro da vontade de Deus. Trabalhar. Saber ouvir. Reciclar-se. Buscar referências musicais de qualidade. Trabalhar. Respirar.

Acho que é isso! Seguindo estas dicas … acho que pode rolar algo.
Valeu! Chegou minha hora. Até a próxima!

Mauricio Soares, consultor, jornalista, publicitário, palestrante e editor deste blog que segue firme com os 69 leitores! Obrigado pessoal!

P.S. – Meus parabéns ao escritório da Deezer no Brasil por acreditar no potencial da música gospel do país e ser a única plataforma de áudio streaming a contar com um editor de conteúdo cristão em suas fileiras. Parabéns pelo belo evento recente promovido no Rio de Janeiro! Todo sucesso a vocês! E aproveito para dar os parabéns para Gabriela Rocha, mesmo jovem cantora, já entre os 3 artistas gospel do país com o maior número de streams na Deezer. Você vai longe pequena! #TrocoLikesporStreams

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Seguindo rumo a São Paulo para mais uma maratona de reuniões, encontros e muito trabalho. O fim de semana será de muito trabalho. Tentando aproveitar ao máximo o tempo e tentando colocar as postagens do blog em dia, sigo me ‘distraindo’ e escrevendo alguns textos para deleite dos 69 leitores do Observatório Cristão. Às vezes tenho tantos insights, tantas ideias de temas que acabo ficando paralisado e não produzindo nada efetivamente porque sempre me paira uma dúvida sobre qual assunto devo abordar … e, aí na falta de uma decisão mais contundente, mantenho-me no estado inercial. Então pra romper essa paralisia produtiva, vou comentar a respeito de um fato ocorrido na última noite e madrugada dos dias 18 para 19 de maio, a saber: o vídeo da canção “Ninguém Explica Deus” do Preto no Branco ultrapassou a incrível marca de 100 milhões de visualizações, algo até então inédito no segmento de música gospel em todo o mundo na plataforma VEVO. É pra aplaudir de pé igreja!!!!!

Como já comentei outras vezes, esta canção é o exemplo mais bem acabado de uma música gospel que rompeu todos as barreiras do próprio gueto, atingindo pessoas não-evangélicas, ou o que comumente chamamos de mercado gospel. De uma hora para outra, pessoas que não têm contato com o segmento evangélico, com a música gospel, passaram a cantarolar os versos desta canção … “do crente ao ateu, ninguém explica Deus”. Postagens nas redes sociais, vídeos de artistas como Luan Santana, Wesley Safadão, Nego do Borel, a dupla Mateus e Kauan, o YouYuber Whinderson, todo mundo cantando e se emocionando com a força desta canção. “Ninguém Explica Deus” entra no seleto grupo dos hits da música gospel que de fato fizeram o autêntico crossover, ou seja, ultrapassaram os limites do mercado gospel, sendo reconhecida como um hit popular. Neste grupo, podemos reunir não mais do que umas 5 canções interpretadas por Lázaro, Aline Barros, Thalles, Régis Danese e agora, Preto no Branco. No entanto, não quero comentar sobre este sucesso fenomenal, fruto do talento dos intérpretes Clóvis Pinho e Gabriela Rocha. Ou ainda, da perfeita simbiose entre qualidade e estratégia desenvolvida por toda a equipe de profissionais envolvida no projeto, tornando o Preto no Branco a mais perfeita produção de um artista gospel em tempos e formato digitais até então. O tema que quero desenvolver pelas próximas linhas surgiu através da indagação de um profissional de marketing digital em um dos inúmeros grupos de whatsapp de que participo atualmente.

Já há alguns dias estávamos acompanhando com muita atenção a performance deste vídeo nas plataformas de vídeo streaming. Quando ainda faltavam cerca de 8 milhões de views para a marca dos 100 milhões, nosso alerta já estava ligado e projeções eram feitas imaginando a data em que romperíamos a meta proposta. E aí, justamente no grupo de profissionais de marketing digital dividi minha alegria pela proximidade do grande feito. Muitos emoticons de sorrisos, aplausos, olhos esbugalhados, comentários efusivos e impressionados dos participantes e em meio a tudo isso, uma pergunta que servirá de mote principal para este post, a saber: Mas este resultado é impulsionado ou orgânico?

Para quem não está muito ambientado aos termos e jargões do marketing digital, o que o jovem profissional queria saber era se houve de nossa parte algum investimento para aumentar a visualização do vídeo ou se este resultado foi espontâneo, natural, ou como falamos hoje no linguajar mais técnico, orgânico. Antes mesmo de eu responder ao questionamento, outro profissional do mesmo grupo imediatamente entrou na conversa e tratou de opinar com a seguinte palavra: Independente de orgânico ou impulsionado, a verdade é que o resultado é incrível, que milhões e milhões de pessoas assistiram e que o clipe e a estratégia funcionaram perfeitamente. A realidade é que a música se tornou um hit!

Esta conversa virtual gerou vários insights sobre este mesmo assunto. A realidade é que tem muita gente confundindo resultados fakes com alcances estratégicos devido a investimentos realizados com extrema eficácia e assertividade. Não podemos confundir investimento para alcance do maior número de pessoas com aqueles aplicativos e ferramentas que potencializavam em escala astronômica os seguidores de redes sociais. Do dia para a noite o cantor do interior de Mato Grosso saía do absoluto anonimato para incríveis 500, 800, 1 milhão de fãs … e mais do que isso, com amigos em todas as partes do mundo como Chechênia, Butão ou Croácia, São Gabriel das Missões. O cara ganhava mais amigos do dia para a noite do que vencedor da Mega Sena da Virada! Incrível!

Quando se fala em impulsionamento de música ou de vídeo o objetivo é que aquele conteúdo alcance o maior número de pessoas para que estas mesmas pessoas contribuam com a divulgação da canção, aí sim, de forma espontânea e orgânica. É assim que as coisas funcionam! Se a música tiver qualidade, a possibilidade de depois de um ‘empurrão’ a faixa tornar-se viral é absurdamente grande! Em contrapartida, em meio a tantos conteúdos que hoje contam com estes investimentos, a chance de uma música crescer e se tornar conhecida de forma natural, no boca a boca é bastante limitada porque diariamente as pessoas são impactadas por diferentes conteúdos e aí, de fato, não sobra muito espaço para quem não faz investimentos.

O mundo artístico tem algumas questões que constantemente precisam ser ajustadas. Hoje mais cedo conversei com um cantor que participa de um ministério de louvor de uma igreja bastante relevante no país. O material deles tem muita qualidade em vídeo, produção e repertório. Mas o resultado efetivo está longe de ser comemorado. Aí bem cedo este artista me direcionou uma troca de mensagens entre seu pastor e ele. Resumindo a história, o pastor questionava sobre o que estava faltando ao seu ministério para que não alcançasse os resultados esperados já que em termos de qualidade julgavam-se dentro de um bom nível. Minha resposta a esta indagação foi bastante simples e direta: faltava o marketing digital, os investimentos nas plataformas. Só assim, aquele conteúdo teria alcance e relevância junto ao público que interessava. Ressalte-se que esta é uma questão inequívoca e que não traz em si nenhum juízo de qualidade, pelo contrário, tanto as produções de alto apuro estético quanto outras músicas ruins do ponto de vista artístico (vide a enxurrada de hits vindos do funk paulista que estão no ranking de streamings no Brasil) seguem tornando-se sucesso devido aos investimentos em marketing digital.

Piloto avisando de nossa chegada…

Antes que o comissário me peça para fechar a mesa e desligar o computador gostaria de dizer que neste momento, contar com a assessoria de um profissional de marketing digital passa a ser tão importante como investir naquele produtor top de linha ou no diretor de vídeo com prêmios em Cannes … se não tiver alguém pra divulgar corretamente seu conteúdo será mais ou menos como aquele ditado do nadar, nadar e morrer na praia … bem por aí …

O comissário vem se aproximando …

Bye!

Mauricio Soares, publicitário, consultor de marketing, jornalista e pai … neste momento curtindo muito o novo single de Priscilla Alcântara (Tanto Faz) e o álbum “Lado B” da Discopraise … todo meu respeito aos rapazes do Planalto Central!!!!

Para quem me acompanha em alguma das inúmeras redes sociais em que divido parte de meu dia a dia, deve ter percebido que recentemente participei de uma mega convenção em Miami com alguns dos mais importantes profissionais do mercado artístico e fonográfico. E nos próximos textos que irei postar por aqui, tentarei esmiuçar um pouco mais de tudo o que foi comentado, apresentado, informado naqueles dias tão intensos. O objetivo de nosso blog desde sua criação há quase 10 anos atrás sempre foi de dividir um pouco de nosso conhecimento ajudando na capacitação dos artistas, mídias, profissionais que gravitam em torno do mercado cristão musical.

Os assuntos são vários e irei postá-los sem necessariamente seguir uma ordem de importância. Anotei vários insights, informações, dicas e observações sobre o que está acontecendo e o que provavelmente acontecerá nos próximos anos no exterior e no mercado brasileiro e sobre estas questões é que iremos tratar daqui em diante. Vasculhando meu caderno me deparo com um destes insights e literalmente o que escrevi ali foi “Atenção para a importância do repertório. Ideia de cooperativa ou criação colaborativa, pessoas reunidas especificamente para composição de hits”.

Este assunto surgiu em uma das apresentações dos países que participaram de nossa convenção. O projeto tinha como objetivo juntar alguns dos mais ativos e renomados compositores, arranjadores, produtores e a equipe do A&R da gravadora em sessões de brainstorming em busca de hits. O resultado desta iniciativa que mereceu destaque foi uma fusão de estilos, produção de qualidade e uma grande interação entre os profissionais que atuam num mesmo objetivo, mas que não necessariamente caminhavam juntos. Em poucas semanas de trabalho, algumas canções foram escritas, produzidas e apresentadas aos grandes artistas da companhia que se encontravam em fase de seleção de repertório. Já posso adiantar que alguns dos hits que tocarão exaustivamente nas rádios e playlists do mundo, serão fruto deste trabalho inovador.

Mudando o foco para o nosso dia a dia no mercado da música cristã no Brasil, vejo o quanto necessitamos de atitudes como esta proposta descrita acima. Falando em tom pessoal, vejo como é difícil selecionar repertórios de qualidade para artistas de nosso meio neste momento de certa escassez criativa e autoral. Tenho casos clássicos em que o artista e seu produtor nos apresentaram mais de 200 canções para no fim, serem selecionadas 2 a 3 canções de forma convicta e mais umas 2 ou 3 outras faixas sem tanta empolgação. Basta analisarmos as fichas técnicas dos mais recentes projetos dos grandes nomes do jet set gospel pra percebermos a escassez de novidades entre os nomes dos compositores e, principalmente, de temas, assuntos, propostas artísticas. Somos um meio em que um grande sucesso acaba influenciando por anos e anos os demais artistas, estilos e produções. Vale lembrar que quando Fernandinho estourou com “Faz Chover”, todo mundo gravou em seguida falando de ‘águas’, ‘chuvas’ e por aí vai … o mesmo aconteceu quando o Toque no Altar explodiu com “Restitui” e aí o assunto se tornou assunto recorrente rivalizando com o Leão do Imposto de Renda. Ter uma música de Anderson Freire no repertório de um disco significava um atestado ISO9002 de Sucesso, o que na verdade não se tornava realidade tamanha quantidade de músicas semelhantes sendo gravadas por artistas de norte a sul do país.

Os artistas precisam entender de uma vez por todas é que TODO projeto de sucesso se inicia através de uma boa música! O grande hitmaker Michael Sullivan repete sempre a mesma cantilena de que no fim, tudo se baseia na música! E eu concordo plenamente nisso! Não adianta ter uma estratégia bem elaborada, bons contatos, agenda intensa de shows e nem mesmo muita grana pra se investir e não ter a música! Há o caso recente de um artista que investiu muito dinheiro em rádios, em estrutura de shows, bom networking, produção no exterior, e tudo mais, para no fim não chegar a lugar algum! Especificamente neste caso, além da ausência de um hit, também considero a falta de carisma como o grande responsável pelo não sucesso do projeto, mas isto é tema para outro post.

Ações como esta cooperativa de compositores é uma iniciativa muito bem vinda em nosso meio. Melhor ainda é o conceito de produtores trabalhando lado a lado com estes profissionais. Na verdade, os produtores do meio gospel precisam rever suas respectivas atuações e forma de trabalho, pois em sua imensa maioria o que temos na verdade são arranjadores e não produtores que pensam de forma estratégica e analítica seus projetos. E, de verdade, acho que ultimamente (ou desde sempre) as tendências em nosso meio artístico gospel seguem de uma forma muito natural, ou pra usar a expressão da moda, de forma orgânica. Pouco se pensa. Pouco se analisa. Pouco se observa. Nada ou quase nada se pesquisa e busca por novas referências. E esta inércia acaba afetando diretamente o que se é produzido em nosso segmento. Até pouco tempo atrás, o estilo Cold Play (ops!), Hillsong de misturar louvor congregacional com rifs de guitarras, pop rock londrino e ministrações em meio a momentos de profundo mantra, tornou-se mais comum do que ouvir o depoimento do Senhor Excelentíssimo Ex-Presidente Lula afirmando que não sabia de nada.

Nestes dias de convenção, tive acesso a artistas do Leste Europeu, da Inglaterra, Alemanha, Áustria, dos Estados Unidos, Espanha, Portugal, Itália e, claro de nossos hermanos latinos do México, Colômbia, Uruguai, Chile, Argentina, Porto Rico, República Dominicana e tantos outros países, culturas e influências. À medida que tinha contato com seus trabalhos, anotava atentamente quais artistas de nosso cast gospel no Brasil tinham alguma sinergia com aquele artista internacional. Em alguns casos, mandava os links no próprio momento dos seus pocket shows ou apresentações. Esta troca de experiências, referências, sonoridades, é o que faz com que o artista cresça e torne-se relevante em meio ao marasmo criativo ululante da cena cultural.

Já postei aqui pelo blog alguns textos falando a respeito da importância da produção, do cuidado na escolha do repertório. Uma das minhas dicas sempre é investir no conhecimento, na cultura geral, e em nosso caso específico, no conhecimento da Palavra. Compositor que não tem o hábito da leitura é como guarda vidas que não sabe nadar, as coisas não se encaixam perfeitamente. Meu incentivo com este post é para que valorizemos a criatividade, a qualidade, novos sons, novas propostas musicais e artistas. Que a palavra seja valorizada em detrimento aos refrões de fácil assimilação. Que a poesia esteja presente e faça as pessoas pensarem e, principalmente, se emocionarem. Que os profissionais deste segmento valorizem encontros em busca de algo melhor, mais bem acabado e que atenda às demandas do público, do mercado, do segmento como um todo.

Fica a dica!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista e atualmente curtindo os sons de James Arthur, Os Arrais (novo projeto que já estou tendo o prazer de ouvir de forma exclusiva), Monsieur Periné e o novo single do DJ PV ft. Mauro Henrique.

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Foram divulgados recentemente os números atualizados do mercado da música no mundo através da IFPI, órgão que reúne os principais players do segmento fonográfico. E mais uma vez, o mercado registra crescimento, estancando a tendência de queda que permaneceu constante por mais de uma década. O mercado mundial de música gravada cresceu 5,9% em 2016, a maior taxa desde que a IFPI começou a acompanhar o mercado em 1997. A receitas totais para 2016 foram de US$ 15,7 bilhões.

No final de 2016 havia 112 milhões de usuários de assinaturas de streaming de música pagos, impulsionando o crescimento de receita em streaming ano a ano de 60,4%. Este crescimento é, sem dúvida, um dos maiores entre os diferente setores de negócios na área de entretenimento em todo o mundo. A receita digital no ano passado representou a metade da receita anual da indústria mundial de música gravada pela primeira vez. O crescimento no streaming mais do que compensou uma queda de 20,5% nos downloads e um declínio de 7,6% na receita física.
O streaming está ajudando a impulsionar o crescimento nos mercados de música em desenvolvimento, com destaques para China (+ 20,3%), Índia (+ 26,2%) e México (+ 23,6%) vendo forte crescimento de receita.

As gravadoras alimentaram esse crescimento de receita através de investimentos contínuos, não apenas nos artistas, mas também nos sistemas que suportam plataformas digitais, o que permitiu o licenciamento de mais de 40 milhões de faixas em centenas de serviços. Vale ressaltar que o mercado digital baseia-se no conceito de escalabilidade, ou seja, grande quantidade de conteúdos disponíveis nas plataformas de áudio e vídeo streaming.

A indústria está agora trabalhando para um retorno ao crescimento sustentável após um período de 15 anos durante o qual as receitas caíram quase 40%. O sucesso requer a resolução da distorção do mercado conhecida como “diferença de valor” – o crescente descompasso entre o valor que os serviços de upload de usuários, como o YouTube, extraem da música e a receita devolvida àqueles que criam e investem na música. Há neste momento uma série discussão entre o YouTube e os grandes players geradores de conteúdos que entendem que a baixa remuneração desta operação precisa ser revertida o quanto antes. Não se assustem se em alguns meses, os conteúdos musicais das majors deixem de ser veiculados no YouTube.

Frances Moore, diretor-executivo da IFPI, comentou: “O crescimento da indústria segue anos de investimento e inovação das empresas de música em um esforço para impulsionar um mercado de música digital robusto e dinâmico. O potencial da música é ilimitado, mas para que esse crescimento se torne sustentável – para que os investimentos em artistas sejam mantidos e para que o mercado continue a evoluir e a se desenvolver – é preciso fazer mais para salvaguardar o valor da música e recompensar a criatividade. Toda a comunidade musical está se unindo em seu esforço para fazer campanha por uma correção legislativa para a lacuna de valor e estamos chamando os políticos a fazer isso. Para a música prosperar em um mundo digital, deve haver um mercado digital justo.”

Números consolidados e importantes no mercado global da música:
• Crescimento da receita global: + 5,9%
• Parcela digital da receita global: 50%
• Crescimento das receitas digitais: + 17,7%
• Crescimento da receita de streaming: + 60,4%
• Receitas físicas: -7,6%
• Receita de download: -20.5%

Os números do Brasil estão prestes a ser divulgados, mas tudo indica que teremos um crescimento das vendas digitais na ordem de 22% e uma queda vertiginosa das vendas físicas na casa de 43%, o que irá impactar negativamente no resultado de 2016 do mercado fonográfico no Brasil com queda estimada de 3%. Para 2017, há uma expectativa de que o mercado digital represente cerca de 95% do montante das receitas no país, contra apenas 5% de receitas físicas. No primeiro trimestre de 2017, as vendas físicas caíram 75% e as vendas digitais cresceram 20%. Para quem ainda acredita que o digital é o futuro, estes números apenas comprovam de que quem crê neste pensamento é porque, de verdade, está no passado! Ou seja, o mercado da música já é digital, gostando ou não, aceitando ou não a novidade!

Contra fatos, não há argumentos!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, tricolor, observador do mercado da música, de gente, do cotidiano e dos números!