Home Mercado Fonográfico

1 2475

O Observatório Cristão está prestes a comemorar 9 anos de existência e se você é um dos assíduos 69 leitores deste abnegado blog nos últimos 6 anos, certamente já terá percebido o quanto este ambiente informativo vem falando sistematicamente das transformações que a indústria da música passa nesta última década em especial. Com mais de 25 anos de mercado, boa parte de minha vida profissional dedicada à área fonográfica, especialmente estes últimos anos têm sido de mudanças radicais de conceitos, ações, estratégias e principalmente de muito aprendizado. É até interessante reconhecer que mesmo depois de quase 3 décadas trabalhando no mercado, boa parte do conhecimento e expertise foram conquistados nos últimos anos e isto certamente me tira da zona do conforto e ao mesmo tempo, dá um ânimo a mais por entender que tenho muito a crescer pela frente.

Nas últimas 3 semanas participei de palestras, reuniões, treinamentos e muitas discussões com profissionais do mercado, especialmente gente ligada às plataformas de áudio e vídeo streaming. Por mais que eu faça parte de uma equipe e de uma estrutura que está à frente dos acontecimentos, ao lado de profissionais ultra gabaritados e tendo acesso ao que há de mais atual em tendências, estudos e pesquisas, o fato é que sempre descubro algo novo nestas ocasiões … seja uma nova ferramenta, um novo olhar sobre o comportamento do consumidor, alguma nova tática ou estratégia, enfim, não há tempo perdido nestes encontros, o que há é uma constante reciclagem de ideias.

Em contato com muitos artistas do meio gospel tenho percebido um certo, pra não dizer enorme, atraso no entendimento deste novo mundo digital. E se considerarmos que o mundo gospel tupiniquim já tem naturalmente um delay nas mudanças e adaptações, em novos hábitos, o desconhecimento deste universo ou sua adequação às novas tendências poderá gerar um atraso que dure algumas décadas até ser recuperado. Sim! Tenho como opinião de que se os artistas do mundo musical gospel não começarem a desde já entender e se adequar a este novo momento, o abismo entre o mundo secular e o gospel será monumental e isto poderá gerar consequências bastante danosas, sendo a principal, o desinteresse por parte das plataformas em atender e dar a devida atenção ao segmento. Para corroborar com esta minha opinião basta ver o que vem acontecendo com o afastamento de um dos maiores grupos de mídia do país perante o segmento evangélico por não conseguir entender e decifrar a cultura deste nicho de mercado.

Em conversa com uma executiva destas plataformas de áudio streaming ela me comentou sobre algumas questões que precisam ser rapidamente observadas pela classe artística, não só do meio gospel, mas como um todo.

Em primeiro lugar, o artista precisa entender onde está o seu fã.

Em outras palavras, hoje há dois ambientes digitais e muitas plataformas de streaming e, cada artista tem seu público mais identificado com alguns destes universos. Para ser ainda mais claro e didático … há artistas que concentram seu público no YouTube (geralmente pessoas de classes mais populares), já outros artistas contam com maior audiência entre seus fãs no Spotify ou Deezer, por exemplo. Especificamente o Deezer, por ter no Brasil uma parceria com a operadora de telefonia Tim, tem uma cobertura mais nacional e um pouco mais popular. Já os usuários da Apple Music, teoricamente são consumidores de um nível social mais elevado, justamente por terem acesso aos equipamentos e ambiente Apple. Dito isto, é fundamental que os artistas tenham uma noção clara de onde poderão encontrar e comunicar com o seu público. Esta história de “Você encontra nas plataformas digitais” ao fim dos anúncios, flyers ou mesmo textos nas redes sociais é tão inócuo como a massacrada e surrada frase “À venda nas melhores lojas”, como assim melhores lojas? Nas ruins não tem o produto? E o que é, na verdade, o conceito de “melhor loja”? Portanto, é fundamental que o artista comunique diretamente com seu público incentivando-o a consumir seu conteúdo diretamente no Spotify, Deezer, YouTube ou seja lá qual plataforma seja, mas que isso se dê de forma direcionada!

Um determinado artista do pop rock Brasil, dias atrás começou a postar em suas redes sociais de que ele havia criado uma playlist específica em determinada plataforma de audio streaming. Os fãs começaram a interagir, ele observou os comentários, fez ainda alguns ajustes, adicionou algumas faixas na playlist, ou seja, manteve um relação intensa com os fãs e os números acompanharam esta iniciativa. O número de seguidores de seu canal cresceu 354%, o número de streamings mais do que quintuplicou e a partir de então ele passou a conhecer um pouco mais do que seu fã espera e deseja do ponto de vista musical.

Ainda em cima deste exemplo real, outro detalhe foi citado na conversa com a executiva do mercado digital. Além de identificar onde está concentrado o seu fã, este artista deu claro entendimento de que ele mesmo era habitué daquele ambiente, daquela plataforma digital.

O artista precisa OBRIGATORIAMENTE ser usuário e entendedor de alguma plataforma de audio streaming!

Sabe aquele ditado: “Faça o que eu digo, não faça o que eu faço”? Pois bem, neste caso há muitos artistas que divulgam as plataformas digitais, em suas entrevistas falam sobre a mudança do mercado, sabem sobre a necessidade de se adequar a este novo ambiente, colocam flyers de divulgação em suas redes sociais, fazem questão de mostrar modernos e antenados com as novas tecnologias e … continuam agindo como se eles próprios não necessitassem viver neste novo mundo! Isto é o cúmulo da hipocrisia (teria alguns outros adjetivos neste momento, mas prefiro que vocês imaginem …), pois como o artista pode querer que se público aprenda a lidar com Apple Music, Deezer ou Spotify se ele mesmo não tem contato diário com estas plataformas? Se ele ainda ouve música somente na rádio ou através do CD ou DVD, como pode querer que seu público migre para novos ambientes. Não há nada mais falso do que você ouvir uma pessoa falando de algo que verdadeiramente não entende, não vive, não utiliza! Você já teve a experiência de participar de um evento onde o palestrante não tem profundidade e conhecimento do assunto exposto? Ou já participou de algum treinamento onde o coaching não teve nenhuma experiência real no mundo dos negócios? Em todos estes casos, o interlocutor simplesmente não tem estofo, consistência para se fazer crível em sua explanação. Pois o mesmo acontece neste momento quando o artista quer que seu público tenha contato com este novo ambiente e ele mesmo não o domina ou pior, sequer participa.

E neste caso não falo sem conhecimento de causa. Durante um bom tempo eu fui como boa parte dos artistas, ou seja, falando sobre o mercado digital sem que fosse um usuário contumaz das plataformas. Não é fácil mesmo mudar o chip … dormir analógico e acordar digital. Esta transição, este aprendizado se faz dia a dia, mas não foi assim também que você se acostumou com o Facebook, Instagram, Twitter e mesmo o falecido Orkut? Ninguém precisa ser um P.H.D de audio streaming, mas o básico de conhecimento e o consumo através de uma plataforma é OBRIGATÓRIO (sim, em letras garrafais para que não deixe dúvidas de sua importância!) para todo aquele que lida com o mundo da música profissionalmente, seja o próprio artista, músico, jornalista, produtor musical etc. Ainda em cima de minha experiência pessoal, durante algumas semanas dediquei algumas horas de meu dia para pesquisar as ferramentas, entender a questão dos algoritmos, aprimorar a questão das playlists e de verdade, entender e aprofundar-me no universo do audio streaming. Hoje meu contato com minha plataforma de preferência é algo bem natural, faz parte das minhas atividades cotidianas e prosaicas. Tornou-se efetivamente algo prazeroso e comum.

Ainda sobre o uso e relação dos artistas com estas plataformas é importante que os conceitos estejam e sejam bem entendidos. Temas como playlists, followers, streamings, observação sobre hábitos dos fãs, entre outras questões é fundamental que sejam compreendidos. Especialmente quando o assunto for playlist, é necessário que o artista esteja bem íntímo do tema. O artista deve criar sua playlist, não necessariamente apenas com seu conteúdo mas também com os artistas e estilos que servem como referência para a criação de seu próprio perfil artístico.

E o último aspecto que gostaria de destacar sobre a relação artista e plataformas de áudio streaming, na verdade é mais uma dica do que uma conjectura.

É importante que o artista, mas basicamente qualquer usuário destas plataformas, passem a encarar e a utilizar estas ferramentas não só como um canal de consumo de música, mas efetivamente como mais uma rede social.

O artista é um formador de opinião por natureza. As plataformas de áudio streaming possuem diversas ferramentas que fazem a função de promover a interação entre as pessoas. Há ferramentas de compartilhamento de conteúdo, as playlists e os artistas podem ser seguidos, há ainda o perfil aberto onde os seguidores conseguem visualizar que tipo de música o usuário está consumindo on line, ou seja, há uma série de ações para que o artista possa se relacionar diretamente com seu público.

Ou seja, não dá pra ficar da janela observando as coisas acontecendo. Neste momento é fundamental entender as novas modalidades de consumo e relacionamento com a música. Como tenho dito em outros textos aqui publicados e principalmente em meu dia a dia, vivemos um momento histórico e emblemático onde democraticamente todos têm chances iguais de conquistar uma posição de maior destaque no concorrido meio artístico. Só para destacar alguns artistas que podem exemplificar com perfeição tudo o que foi dito neste texto de hoje, gostaria de citar Leonardo Gonçalves, Priscilla Alcantara e Gabriela Rocha como artistas que são usuários contumazes de música, assinantes e ativos nas plataformas de áudio streaming e heavy user das redes sociais. Não por coincidência, todos os 3 artistas citados têm conquistado excelentes performances neste novo mundo digital.

Finalizo este post parabenizando o Deezer pela iniciativa em ter um curador de playlist e suporte de marketing específico para o segmento e conteúdo gospel. É a primeira plataforma no Brasil a caminhar neste sentido e isto demonstra a importância do segmento para o mercado. Recentemente eles lançaram uma grande campanha de adesão e assinatura exclusiva para os consumidores do segmento. Sucesso!

Mauricio Soares, jornalista, publicitário, consultor de marketing e alguém que vem curtindo muito o som de Estêvão Queiroga, Jimmy Needham e Evan Craft, vale a pena conferir!

0 1012

A algumas semanas, a Revista EXAME publicou uma matéria sobre o mercado da música no mundo. Resolvi publicá-la na íntegra em nosso blog para que vocês tenham informação de qualidade e atualizada. Nos próximos dias teremos muitos textos especificamente tratando do mercado digital, em especial ao formato de streaming.

Lucas Shaw, da Bloomberg

Após quase duas décadas de declínio implacável causado pela pirataria e pela queda dos preços, a indústria musical desfruta de uma frágil recuperação graças ao crescimento de serviços de streaming pagos, como Spotify e Apple Music.

Os gastos no varejo com músicas gravadas cresceu 8,1 por cento, para US$ 3,4 bilhões, no primeiro semestre de 2016, segundo a versão preliminar de um relatório semestral da Associação da Indústria Fonográfica dos EUA (RIAA, na sigla em inglês) obtido pela Bloomberg News.

Isso significa que a indústria dos EUA caminha para um segundo ano consecutivo de expansão — primeiro período de dois anos de crescimento desde 1998-1999.

O mérito é do streaming — os serviços de internet que oferecem ao público acesso sem propagandas a milhões de músicas em troca de uma tarifa mensal, ou gratuitamente, se o usuário estiver disposto a escutar anúncios.

A receita com streaming cresceu 57 por cento nos EUA, para US$ 1,6 bilhão, no primeiro semestre de 2016, e respondeu por quase metade das vendas do setor, mais que compensando a queda nas aquisições de álbuns e singles.

As assinaturas totalizaram US$ 1,01 bilhão, segundo dados da RIAA.

“Estamos começando a ver o streaming de música sob demanda não mais como coisa de universitários hipsters e de jovens”, disse Larry Miller, ex-executivo do setor, atualmente professor de Negócios da Música na Universidade de Nova York.

A RIAA não respondeu a um pedido de comentário.

Os resultados podem ser observados nas finanças das grandes empresas fonográficas. A Universal Music, que pertence à Vivendi, divulgou crescimento no primeiro semestre, e as vendas da Warner Music, de propriedade do bilionário Len Blavatnik, cresceram 8,5 por cento no período de nove meses que terminou em 30 de junho, para US$ 2,41 bilhões, segundo relatórios.

A Sony Music Entertainment também informou ganhos em seu último trimestre.

Com cautela

O setor reluta em declarar vitória. As vendas anuais ficaram em torno de US$ 7 bilhões por seis anos, menos da metade do pico registrado em 1999, segundo dados da RIAA. As gravadoras, por sua vez, ainda negociam novos contratos com o YouTube, do Google, e com o Spotify, dois dos maiores provedores de músicas gratuitas do mundo. Embora as receitas do streaming com anúncios e sob demanda tenham crescido 24 por cento no primeiro semestre de 2016, para US$ 195 milhões, segundo o relatório da RIAA, esses serviços não estão se esforçando o suficiente para convencer as pessoas a pagar pela música e não captam dinheiro suficiente dos usuários que optam pelo serviço gratuito, dizem as gravadoras.

Enquanto isso, a aquisição de músicas, seja por meio de download ou em CD, continua em queda livre. As receitas com músicas em mídia física caíram 14 por cento e os downloads também encolheram a uma porcentagem de dois dígitos.

0 936

Dias atrás recebi a informação de que o Salão Internacional Gospel seria cancelado e isso, se confirmou faltando apenas alguns dias para a realização do evento. Acho que este evento já estaria indo para sua quinta edição e mesmo assim não sobreviveu a mais um ano. Já é de notório conhecimento a descontinuidade da Expo Cristã que por mais de 10 anos reuniu boa parte do mercado religioso no Brasil. Na sequência, outra feira surgiu com organização da Geo Eventos e não durou mais do que uma única edição. Em 2016 também tivemos boa parte das edições do Festival Promessas promovido pela Rede Globo simplesmente cancelados. Vale lembrar que o Troféu Promessas também promovido pelo mesmo grupo empresarial foi cancelado há alguns anos atrás, faltando pouco tempo para sua realização deixando milhares de pessoas sem entender a real situação daquele fato e decisão. Alguns festivais que foram realizados em cidades pelo país, também deram o último suspiro e se foram. No ano passado (ou retrasado, agora não me lembro!) houve um evento gigante realizado no interior de São Paulo no melhor estilo “Rock in Rio” que não reuniu mais do que 5 mil pessoas e deixou um prejuízo na casa do milhão de reais aos seus organizadores. Resultado: nada de segunda edição do evento.

No mercado fonográfico vemos cada vez mais empresas que até então eram fortes, tradicionais e atuantes, diminuírem sensivelmente sua presença e atividade no segmento. Tínhamos há 10 anos atrás pelo menos umas 20 gravadoras e selos bem atuantes no meio gospel, hoje talvez (com muita boa vontade!) contamos nos dedos de uma única mão do Lula as empresas que realmente estão trabalhando forte no segmento. No mercado editorial percebo a mesma concentração de players, ainda mais com a chegada dos grandes grupos editoriais internacionais e seculares. Recentemente recebi a informação de que a revista Cristianismo Hoje, após mais de 80 edições, deixou de ser publicada, mantendo-se até o presente momento, apenas disponível em sua versão eletrônica. Já nesta semana soube do fim das atividades da Editora e Distribuidora SOCEP, gigante da distribuição editorial dos anos 80 e 90, localizada na cidade de Santa Bárbara do Oeste, interior paulista. Mais uma perda significativa para o mercado.

A outrora fervilhante Rua Conde de Sarzedas no centro de São Paulo chegou a movimentar milhões de reais por mês lá nos idos do fim dos ano 90 e 2000. Por ali pessoas e comerciantes oriundos de todos os cantos do país compravam de tudo um pouco para abastecer os seus comércios locais. Recordo-me de clientes distribuidores comprando 30 mil unidades de um único lançamento de CD para abastecer ao mercado num período de 30 dias somente. Por ali circulava muito dinheiro, pessoas e histórias, muitas histórias, boa parte nada condizente com o que se espera de um lugar apinhado por cristãos, mas enfim … a pitoresca rua do passado hoje é apenas uma esmaecida imagem dos tempos fulgurantes e intensos do passado. Os grandes distribuidores que no auge eram entre 8 a 10 empresários, hoje estão reduzidos a 2 ou 3 persistentes comerciantes. Os clientes locais que iam por lá periodicamente se abastecer das novidades, também se escassearam e muitos passaram a comprar por telefone ou mesmo diretamente nos próprios fornecedores.

O antes aguardado Troféu Talento promovido pela Rede Aleluia, grupo ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, foi interrompido e de lá para cá nenhuma outra premiação conseguiu substituí-lo em relevância e grandiosidade. Hoje em dia, para o mercado fonográfico há apenas um evento do tipo, Troféu de Ouro, que por mais boa vontade que eu tenha em tentar entender os critérios nos processos de tudo que o cerca, é impossível levá-lo a sério tamanha falta de lógica e coerência de todo o processo, portanto, de verdade, não temos mais um único evento de premiação que mereça atenção.

Os canais de distribuição do segmento, as conhecidas livrarias evangélicas, que na verdade são autênticas lojas de conveniência do meio cristão, permanecem na batalha cotidiana de sobrevivência. Em algumas praças o crescimento deste mercado é visível como na Grande Recife, capitaneada pela Livraria Luz e Vida, ou em Fortaleza por conta das lojas Bíblia e Opções e Casa da Bíblia, mas em outras praças o mercado se retraiu bastante nos últimos anos com diminuição das operações e mesmo fechamento de lojas. As grandes redes de livrarias do segmento hoje são a CPAD e Luz e Vida, mas ambas não possuem mais do que 15 filiais em todo o Brasil, algo bem tímido se comparado à capilaridade de redes seculares como Saraiva, Cultura, Leitura, entre outras.

Antes que você ache que estamos num barco à deriva, gostaria de direcionar meu post para uma rota que será o norte de nosso texto de hoje. Em meio a tantas notícias nada alvissareiras, o mercado gospel ainda merece ser encarado como promissor, potencial e interessante do ponto de vista comercial, de investimento e mesmo profissional? Vou tentar responder a este questionamento elecando diversas questões e a partir daí poderemos definir uma posição final sobre esta questão.

O Brasil evangélico explodiu demograficamente nos últimos 15 a 20 anos. Ou seja, do ponto de vista histórico, este grupo social é bastante recente e como tal, sujeito a transformações, ajustes, definições do que de verdade é ou será pelos próximos anos. É importante que tenhamos este entendimento! Poucas são as atividades do meio gospel que podemos apontar como definitivas, poucas mesmo! E como tal, precisamos de mais tempo de estrada pra criar raízes e definirmos nossas características próprias. Este aspecto nos traz dois caminhos. O primeiro é creditar a este pouco tempo de vida boa parte das práticas equivocadas, amadoras e muitas das vezes até mesmo infantis. Confesso que algumas atitudes (ou falta delas) em nosso meio me soam como absolutamente incríveis. A falta de estratégias, planejamento, conhecimento, metas e objetivos claros e de médio/longo prazos, são características de um meio ainda muito imaturo e, por conseguinte, os resultados são muito aquém às suas possibilidades. Ou seja, falta preparo e conhecimento técnico!

O outro aspecto é enxergar esse amadorismo do mercado como uma oportunidade única. Em meio aos amadores e suas práticas, os verdadeiros profissionais, como se diz popularmente, ‘lavam a égua’ – não sei a origem desta expressão, na verdade nunca imaginei que dar um banho na senhora equina fosse algo positivo, mas ela significa que a pessoa se dá muito bem em meio a tudo que o cerca. E é em cima deste conceito que particularmente tenho me mantido firme e forte no meio gospel nos últimos 20 anos. Longe de querer jactar-me, autoelogiar-me ou algo do tipo, tenho recebido alguns convites para migrar de área profissional, e o que me mantém neste mercado nos últimos anos tem sido especialmente o senso de oportunidade, por entender o potencial do mercado religioso no Brasil e a falta de profissionais na área. Por exemplo, em função desta minha decisão, especialmente nas últimas 3 semanas comecei a desenvolver projetos e curadoria artística para algumas plataformas de audio streaming com conteúdo de música gospel. Isso deve-se ao fato de que faltam especialistas na área. Está faltando profissionais no mercado gospel brasileiro!

Não temos uma pesquisa atual e definitiva sobre o tamanho do mercado cristão no Brasil. Há matérias que apontam para 30% da população brasileira sendo evangélica, o que daria uns 60 milhões de pessoas. Outros institutos são mais tímidos e cravam para 20% o montante dos evangélicos no Brasil, o que daria uns 40 milhões de brasileiros. Particularmente prefiro imaginar que o segmento evangélico no Brasil hoje esteja entre 40 a 50 milhões de brasileiros, sendo que o mercado gospel seria algo maior, pois os produtos – editorial e fonográfico – são consumidos não somente por autênticos evangélicos como também por católicos, cristãos não vinculados a uma igreja e simpatizantes. Ou seja, não importa se são 40, 50 ou 60 milhões, a verdade é que o mercado gospel é gigante, maior do que boa parte dos países pelo mundo. Então por que mesmo com tantos os consumidores neste segmento, as empresas que atuam neste mercado estão passando por tantas dificuldades? Na minha modesta opinião, a resposta está destacada nos dois parágrafos acima. Há uma clara falha na formação de profissionais especializados e nas estruturas das empresas (e mesmo instituições religiosas, denominacionais) que lidam com este público.

As gravadoras do segmento gospel, em sua grande maioria estão passando por dificuldades porque, entre outras questões, demoraram a se adaptar ao mercado digital. Muitas destas gravadoras são meramente um apêndice musical da instituição a que estão vinculadas e isso determina o foco, objetivos e mesmo razão de ser. Entre as editoras não é diferente, mesmo que a questão digital ainda hoje não tenha se tornado popular entre os consumidores provocando a onda migratória observada na música. No meio editorial gospel, percebe-se que as práticas comerciais tornaram-se obsoletas, assim como as estratégias de marketing, promoção e divulgação. A impressão que tenho deste mercado é de uma absoluta inércia, o que tem seu preço, sem dúvida! As livrarias evangélicas estão passando por dificuldades? Nada mais natural afinal muitas destas lojas até bem pouco tempo atrás tinham administrações medievais. Livrarias sujas, mal abastecidas, funcionários mal vestidos, desestimulados, sem conhecimento dos lançamentos do mercado. O resultado não poderia ser outro …

Especialmente neste ano percebemos uma tendência de shows de música gospel pelos teatros do país. A esmagadora maioria destes shows tem contado com no mínimo 80% de ingressos vendidos, sucesso absoluto! O que diferencia os shows em teatros dos demais realizados pelo país, muitos destes com fracassos retumbantes na venda de ingressos? Basicamente os eventos realizados em teatros têm contado com equipes de produtores competentes e profissionais. Simples assim. Os eventos em teatros pelo país têm trazido uma característica e imagem positivas junto ao público e este se sente muito valorizado ao perceber o apuro na produção destes eventos. Nem mesmo os tickets com valor médio acima de 50 reais tem sido impedimento para a presença do público. Vale a pena investir num ingresso mais caro para os padrões do segmento se houver a certeza de que o evento terá qualidade artística num ambiente de conforto e segurança. O cantor Leonardo Gonçalves, precussor de eventos em teatros, tinha uma expectativa de 10 shows neste formato em 2016, vai fechar o ano com 33 apresentações em teatros do país, muitos dos quais em sessões extras tamanha a procura do público pelos ingressos.

Qualidade + Profissionalismo = Sucesso

Já estou em processo de descida para a cidade de Salvador. Continuo acreditando muito no potencial do mercado cristão brasileiro, mas cada vez estou mais convicto de que teremos cada vez menos players atuando junto ao segmento promovendo uma concentração entre poucas marcas, seja no mercado fonográfico, editorial, canais de distribuição, plataformas digitais e outras atividades. O momento é de território livre onde quem primeiro chegar com foco, planejamento, competência, networking, conteúdo relevante e investimento a médio e longo prazos terá grande chances de se estabelecer e fincar bandeira. No mercado fonográfico, por exemplo, não creio que teremos num prazo de até 5 anos, mais do que 3 a 4 grandes gravadoras nacionais. Na área editorial, talvez este número chegue a 5 ou 6 editoras, talvez um pouco mais devido às empresas vinculadas a ministérios, mas a realidade é que a concentração de players é uma questão inequívoca. Como numa autêntica brincadeira pueril de dança das cadeiras, o momento é de correr e garantir o seu assento.

Mauricio Soares, publicitário, consultor de marketing, palestrante, simplesmente alguém buscando seu espaco neste concorrido universo gospel.

0 577

Pra quem despertou do sono nestes dias recentes, as transformações que estamos vivenciando nas relações interpessoais com a proliferação de aplicativos e redes sociais ou mesmo na relação do consumidor com a música, com a mudança nos formatos e canais de acesso, podem parecer algo incrível, inimaginável, uma autêntica revolução de hábitos e costumes. Mas a verdade é que estas mudanças já vêm acontecendo há pelo menos uma década, portanto não há nada mais fora de sintonia do que surpreender-se com estas ‘novidades’.

E por serem consideradas por muitos como ‘novidades’ boa parte destas mudanças não foram compreendidas e interpretadas corretamente como deveriam. E justamente é neste momento que surgem alguns ‘facilitadores’ que se beneficiam da ignorância e inocência generalizada e realizam ações que, bastando um mínimo de entendimento e conhecimento, seriam simplesmente ignoradas pelo mercado.

Já comentei em outros posts sobre a importância do artista valorizar novos números e objetivos. Sai de cena o foco em se angariar ‘followers’ (muitos inclusive desembestaram em ‘conquistar/comprar seguidores e hoje ficaram com um autêntico ‘mico na mão’) nas redes sociais e agora busca-se os ‘seguidores’ dos perfis nos canais de audio e video streaming. O objetivo é ter um número relevante de seguidores no YouTube e nas playlists do artista no Spotify, Deezer e AppleMusic, consequentemente ter número consistente e crescente de streamings nestas mesmas plataformas.

Mas é aí que quero concentrar minhas próximas linhas neste post – que surpreendentemente não está sendo escrito num saguão de aeroporto ou durante algum vôo – e espero contar com sua leitura. Diariamente pesquiso sobre a performance de artistas utilizando-me de ferramentas da web. Hoje em dia há uma série de informações que busco quando quero analisar o posicionamento do artista junto ao público, seu alcance e relevância. E entre tantos números, sem dúvida, o número de seguidores em canais de streaming e a performance nas visualizações têm papel de destaque. E, de forma surpreendente, percebo que muitos artistas do primeiro time do mainstream gospel simplesmente não possuem canais oficiais de vídeos porque a gravadora em que estão vinculados concentra todo os conteúdos em um canal único, institucional, corporativo. Em rápidas palavras, em vez de postar os vídeos do artista X em um canal exclusivo, dedicado ao próprio artista, a gravadora optou (pensei em outros termos, mas vou manter a fleuma …) em colocar todos os vídeos de seu cast num único canal, administrado pela própria empresa. Em outros tempos, em que eu simplesmente falava de forma mais direta e sem papas na língua, eu diria que estamos diante de um autêntico estelionato digital, mas com a idade tornei-me mais leve e comedido em minhas observações, então posso afirmar que estamos diante de um possível erro por desconhecimento da nova conjuntura … mais eufemístico, impossível …

Todo o conteúdo artístico deve estar publicado no canal do próprio artista. Não há nenhuma razão plausível que justifique uma gravadora concentrar no seu canal os conteúdos do artista, ou melhor, dos artistas de seu cast, lembrando que o artista não é propriedade de gravadora alguma, ele apenas mantém uma relação comercial, contratual com a empresa. Para o artista é fundamental que o seu canal de conteúdo tenha o maior número de seguidores. Não se justifica e entendo como sendo algo contraditório que um canal reúna pessoas que curtem pop rock e música pentecostal, ou seja, um canal de conteúdos de uma gravadora neste formato (miscelânea) foge completamente ao conceito da segmentação. Além do fato do próprio artista correr um sério (seriíssimo!) risco de ter suas monetizações sobre streaming colocadas todas num único balaio, o que certamente irá dificultar bastante os relatórios e posteriores pagamentos.

É inadmissível alguns artistas ‘gigantes’ em redes sociais com milhões de seguidores, ter minguados 10, 20 mil seguidores em seu canal de vídeos ou nas plataformas de audio streaming. É importante que os artistas entendam a importância destes canais e que busquem estratégias para potencializar os resultados. De igual forma, é fundamental que os artistas procurem entender o quanto antes sobre este novo universo digital, suas oportunidades, demandas e mudanças de atitudes.

Fica a dica!

Mauricio Soares, publicitário, consultor, jornalista, diretor artístico, 27 anos de mercado gospel. Editor do Observatório Cristão, palestrante e torcedor do Fluminense.

Ainda quero falar sobre um tema que me surgiu à mente em função dos recentes dias em que estive no Ceará por ocasião da Expo Evangélica. Como comentou um dos membros da Banda Bálsamo, certamente os dias naquele evento serviriam para trazer assuntos para serem posteriormente publicados no Observatório Cristão. E, de verdade, boa parte de meus insights surgem exatamente em viagens, shows, eventos que participo pelo país e exterior. E desta vez não foi diferente. Considero-me um observador privilegiado das transformações que o mercado fonográfico e cristão vem atravessando nas últimas quase 3 décadas e muitas das vezes tenho que tentar me desligar de uma visão analítica dos fatos para simplesmente curtir de uma forma leve e sem compromisso um show, evento ou algo do tipo. A verdade é que por trabalhar nesta área, minha visão sempre é profissional, crítica, distanciada. Não sei se isso é bom, ruim, neurótica … mas enfim, é o que me cabe e tenho que simplesmente seguir em frente.

No último post, a palavra em destaque foi MUDANÇA. Confesso que entre os itens que destaquei neste último post até comecei a escrever sobre o assunto que iremos comentar hoje, mas por se tratar de algo mais denso e que permitiria uma maior análise, optei em manter exclusivo num texto totalmente dedicado ao tema. Vamos a ele.

Até algum tempo atrás, os artistas em suas apresentações, entrevistas, e praticamente em toda oportunidade que surgisse, faziam questão de lembrar ao público de que seu CD (os mais antigos diriam LPs e até cassetes) encontravam-se à venda nas lojas (geralmente as melhores lojas, mas me parece que nas lojas ruins também, rs). Muitos artistas tinham o péssimo hábito de em suas apresentações, inclusive em púlpitos nas igrejas ficarem por muitos minutos divulgando seus CDs no melhor estilo balcão de vendas, sem o mínimo pudor fazendo longos discursos destacando preços, promoções e se colocando à disposição para dar autógrafos (de preferência no próprio CD, nada de papelzinho, Bíblia e coisas do tipo).

Os tempos mudaram e os discursos devem seguir estas novas tendências. Mas me parece que especificamente neste quesito, a classe artística gospel (e mesmo a secular) ainda não se apercebeu sobre a importância de novas abordagens. Nos últimos anos, não foram poucas as vezes em que vi artistas conclamando o público para seguirem suas redes sociais. Tornou-se meio que um selo de popularidade o artista ter números consistentes em sua fanpage, Twitter, Instagram, Snapchat e outras redes sociais. E concordo plenamente que quanto mais seguidores, mais o artista poderá potencializar a divulgação de seu trabalho. A questão é que os artistas estão focando apenas em metade do processo que verdadeiramente interessa neste momento. De nada adianta um determinado artista ter milhões de seguidores em redes sociais porque efetivamente nestes canais não há monetização sobre resultados. Em rápidas palavras, as redes sociais não devem jamais ser o objetivo final para os artistas, mas uma ferramenta eficiente para se alcançar algo mais significativo que é a remuneração das plataformas de streaming de áudio e vídeo, além da tradicional venda de produtos físicos.

Por exemplo, há vários artistas com enorme popularidade no meio gospel que jamais alcançaram o primeiro lugar no iTunes. Mesmo se tratando de uma modalidade em queda – a venda de conteúdo a la carte – o ranking de mais vendidos do iTunes serve como uma importante referência de resultados. Há 3 ou 4 anos atrás, alcançar o topo de vendas desta plataforma significava algo incrível e isto foi uma conquista bem rara em se tratando de artistas gospel. Lembrando que o primeiro artista religioso a ficar na liderança do iTunes foi Leonardo Gonçalves, fato repetido por ele em outras ocasiões. Artistas como Os Arrais, Paulo César Baruk, Gabriela Rocha, Mariana Valadão, e mais recentemente Estêvão Queiroga podem se orgulhar por tal feito que muito (a esmagadora maioria, por sinal) ‘medalhão’ gospel jamais alcançou.

Os números que de verdade importam neste momento são os seguidores dos canais de vídeo, seguidores de playlists no Spotify, Deezer ou Apple Music, número de visualizações de clipes, Lyric Videos e todo tipo de conteúdo em vídeo, número de streamings de áudio (publiquei recentemente um texto falando sobre esta questão. Vale a pena rever este post) e número de assinantes dos serviços de áudio mobile – operadoras de telefonia.

E aí, volto a uns parágrafos acima pra comentar sobre o ‘novo discurso’ que deve ser apresentado pelos artistas em todo contato com o público. Não se deve mais só lembrar da existência do CD pra ser comprado ao fim do culto ou do show, o artista deve principalmente incentivar o público a continuar a experiência de ter contato com sua arte através das plataformas de streaming. Lembrando que algumas destas plataformas possuem opções gratuitas como o Spotify e, melhor ainda, que todas possuem preços absolutamente acessíveis para assinaturas – em média R$ 14,90/mês para ter acesso a um catálogo de mais de 30 milhões de músicas. Não se trata de substituir uma mídia física pelo acesso digital ao conteúdo, mas sim de ampliar as formas de contato com o público com a música.

Temos um grande desafio neste momento que é tornar cada vez mais popular o acesso e utilização dos milhões de cristãos às plataformas de streaming disponíveis.

Estamos diante de uma mudança de hábito e cultura e isto só ocorre através da mobilização dos formadores de opinião, que neste caso são as gravadoras, mídias e principalmente artistas. E, sem dúvida, uma excelente oportunidade que os artistas têm para apresentar estas novas opções de relacionamento do público e os novos canais, se dá nos cultos, shows, entrevistas e, ainda, através de suas próprias redes sociais. Se você é artista e ainda não tem assinatura em uma destas plataformas, saiba que você já está atrasado, ou melhor, muito atrasado!

É fundamental que neste momento, velhas estratégias e expectativas sejam reformuladas. Estamos diante de um momento em que a indústria fonográfica mundial volta novamente a crescer e a tornar-se muito relevante, em que as oportunidades são ilimitadas e as receitas voltam a crescer exponencialmente, no entanto, também é um momento de uma nova mentalidade e, principalmente, de novas atitudes.

Enjoy!
Mauricio Soares, publicitário, peladeiro de fim de semana, observador contumaz, estudioso do mercado cristão e alguém que está cada vez mais empolgado com as oportunidades do mundo digital.

3 1655

E seguimos com produção intensa de textos em nossa mini-turnê latina por estes dias. Pra quem não sabe, estou por uma semana em viagem pelo México e EUA a fim de apresentar maiores detalhes e informações do segmento musical cristão na América Latina, especialmente nos países de língua espanhola. Com o sucesso do projeto que desenvolvemos no Brasil nestes últimos anos, outras filiais de nossa empresa na América Latina demonstraram grande interesse em também contar com o segmento gospel entre suas prioridades e estou justamente por estes dias participando de reuniões neste sentido. Como o fuso horário me faz acordar por volta das 5 da manhã no horário local, resolvi tornar minha manhã mais produtiva e por isso, teremos uma fartura maior de textos pelos próximos dias.

Começo meu texto já adiantando que não é prática usual aqui no blog comentar diretamente sobre projetos em que participo ativamente. Entendo que o Observatório Cristão deve ser um espaço neutro, isento de maiores preocupações em expor o resultado de projetos conduzidos por mim ou minha equipe. Mas dou a mim o direito de usar este espaço e contar com a audiência qualificada de meus 66 leitores para falar um pouco mais a respeito do projeto que vem conquistando a cada dia mais relevância e destaque no meio gospel e também fora das cercanias da igreja, sendo comentado por profissionais do segmento fonográfico, artistas, jogadores de futebol, pessoas de outras crenças e mesmo gente comum que não tem o hábito de frequentar os bancos das igrejas pelo país. Estou falando do case Preto no Branco, que hoje é uma verdadeira febre em todo o país e em especial nas redes sociais e plataformas digitais.

Não vou analisar o projeto em si, do ponto de vista artístico. É claro que tudo decorre da qualidade musical, poética, criativa e visual do projeto magistralmente conduzido pelo amigo Alex Passos, owner manager da Balaio Music e que contou com a inspiração dos integrantes do Preto no Branco. Meu foco neste momento tem a ver com a estratégia utilizada para que o projeto em tão pouco tempo tornasse referência no meio gospel em todo o país.

Posso afirmar com segurança que o Preto no Branco é hoje um projeto de sucesso fruto da condução perfeita em ações de estratégia digital. E longe de querer vangloriar-me por este sucesso! O resultado deve-se ao envolvimento dos profissionais da área de marketing digital da gravadora em perfeita sintonia com o escritório do artista e, mesmo os próprios integrantes do Preto no Branco que entenderam a importância de suas respectivas participações no processo como um todo.

Cerca de 3 meses antes do projeto chegar às lojas e plataformas digitais, o PNB contou com uma maciça campanha nas redes sociais apresentando o conceito do projeto em si e os vídeos que destacavam a qualidade da música nele contida. Os vídeos foram exaustivamente trabalhados, divulgados, impulsionados e dia a dia o número de visualizações cresceu exponencialmente. Em paralelo a isso, o escritório do artista começou a estruturar sua equipe de management, contratando profissionais com larga experiência na área de booking de artistas sertanejos, ou seja, gente com experiência na venda de shows, logística e promoção.

Quando o produto foi oficialmente lançado, o projeto já contava com milhares de seguidores nas redes sociais, em especial no canal exclusivo do artista na plataforma e video streaming, YouTube/VEVO, o que acabou favorecendo absurdamente todas as ações de promoção e divulgação, criando uma enorme expectativa junto ao público e ao mesmo tempo, aquecendo o interesse na agenda do artista. Com o lançamento do projeto, diversas ações de marketing digital foram realizadas, incluindo destaque nas plataformas como Spotify e Deezer. As músicas passaram a ser enviadas para as rádios do segmento, inúmeras entrevistas foram programadas para o grupo, enfim, um trabalho intenso se realizou pelos 3 meses seguintes ao lançamento do projeto.

E durante todo este tempo, o número de visualizações dos vídeos, especialmente lançados dentro do projeto Sony Music Live, foram crescendo e superando a marca de 10 milhões de views … depois de algum tempo ultrapassou 20 milhões e atualmente conta com mais de 32 milhões de views e 200 mil seguidores no canal de vídeos do projeto. Sucesso! Não se espantem se daqui uns meses esta marca superar 50 milhões de visualizações.

Em paralelo ao trabalho digital, o escritório do PNB vem investindo na apresentação do grupo pelas cidades e principais regiões do país. Mini-turnês foram programadas e realizadas com grande êxito. Mesmo em regiões não tão tradicionais em eventos como o sul do país, onde a passagem do PNB por Porto Alegre, Joinville, Florianópolis, Curitiba, os shows foram sucesso absoluto com vários eventos Sold Out. O trabalho de ‘degustação’ que o PNB tem feito pelo país tem facilitado absurdamente o fechamento de novas datas para os próximos meses. Parcerias com rádios locais e promotores regionais de eventos também têm sido uma importante atitude dos gestores da carreira do PNB.

Uma nova leva de vídeos e episódios do Preto no Branco para o Sony Music Live já está programada para os próximos meses, o que deve aumentar sensivelmente o alcance do marketing digital e do projeto em si junto ao público fomentando não só as vendas físicas digitais como também a agenda de shows e turnês. O projeto Preto no Branco tem como um ativo e diferencial, uma estratégia forte de produção visual. Não por coincidência, Alex Passos é reconhecido pelo mercado por sua qualidade na produção de clipes, DVDs, vídeos. Todo esta expertise do profissional está sendo largamente utilizada neste momento no projeto PNB com resultados incríveis. E aí, quero trazer ao nosso texto algumas importantes reflexões:

  1. A música no atual contexto deixa de ser ‘apenas’ áudio e transforma-se em um ativo áudio/visual. Ou seja, a música tem um upgrade considerável quando esta vem acompanhada por uma versão em vídeo. Ultimamente tenho batido muito nesta tecla, de que não adianta lançar um single se a música não tem um clipe, Lyric Video ou algo do tipo. Boa parte do sucesso do Preto no Branco está justamente na linguagem e nos conteúdos de vídeo. Inclusive nos mini-documentários que relatam as viagens e apresentações do grupo pelas diversas cidades do país. Há uma fartura considerável de conteúdos de qualidade sobre o grupo à disposição do público na web.
  2. Há uma sinergia, cumplicidade e parceria permanente entre a equipe da gravadora e o escritório que gerencia a carreira do grupo. As ações pensadas e planejadas pela equipe de marketing digital da gravadora são executadas à risca pelo escritório e os próprios artistas num sincronismo muito raro de se ver no meio artístico, especialmente no meio gospel nacional. Não há espaço pra arrogância, auto-suficiência ou como tem sido muito falado por aí nas redes sociais, ‘mimimi’ … O foco é resultado!
  3. Outro detalhe que explica o sucesso do projeto tem a ver com a visão e capacidade de investimento, tanto da gravadora, mas especialmente do escritório do artista. Em pouco mais de 27 anos de mercado, poucas vezes vivenciei uma condução e gestão de carreira com metas e estratégias bem definidas. O fato de contratarem profissionais (de fato e com resultados) já demonstra um diferencial em meio a tantos ‘cunhados, pais, irmãos, amigos’ que constantemente nos deparamos como managers dos artistas em nosso meio. Além disso, o investimento também se dá ao colocar na estrada por mais de 60 dias um dos membros da equipe exclusivamente para selar parcerias, conhecer os mercados locais e visitar lideranças e mídias. Estamos falando de planejamento a médio e longo prazos, algo que no nosso meio praticamente inexiste!
    É muito bom ver que projetos planejados lá atrás, na verdade sonhados, há mais de 2 anos, tornaram-se realidade e hoje são um case de sucesso. Felizmente em minha carreira tenho alguns projetos que me trouxeram orgulho, resultados eloquentes e muita satisfação, mas acredito que nenhum destes em tão pouco tempo e tão baseados nas ações digitais. Ou seja, se alguém ainda tinha dúvidas da força do marketing digital, está aí mais uma prova incontestável de que sem um bom plano de ações tudo fica mais complicado.

Finalizo este texto fazendo um pequeno adendo a tudo o que já foi dito acima. De nada adiantaria ter a melhor estrutura de marketing digital, os melhores profissionais, um budget enorme para investimento, uma mega empresa dando suporte, pessoas comprometidas, se a qualidade da música não estivesse à altura de toda esta operação. Não temos como fabricar o sucesso. Toda esta estrutura, estratégias, ações técnicas podem até dar alguns resultados efêmeros, de curta duração, mas o que faz a diferença e garante um projeto longevo está efetivamente na qualidade da arte que apresentamos ao público. Então, antes de seguir linha a linha todas as ações exemplificadas aqui, a prioridade máxima deve ser a busca incessante pela música! Um grande projeto sempre irá começar e se perpetuar pela qualidade da música.

Mestre Tom Jobim que não nos deixa mentir!

Mauricio Soares, simplesmente um profissional em busca da qualidade, que não tem medo em acreditar em sonhos mirabolantes e que curte muito quem sonha junto, jornalista, publicitário, consultor de marketing.

0 1071

Por questões técnicas o blog permaneceu fora do ar por alguns longos dias. Como não tivemos manifestações nas ruas, campanhas nas redes sociais ou mesmo algum pronunciamento oficial do Planalto, estas não-atitudes me fazem perceber que este período inativo não fez falta a ninguém, nem mesmo aos meus tradicionais 66 leitores do blog, que imagino ainda estejam firmes na trincheira desta luta hercúlea de trazer conteúdo diferenciado às mentes do mundinho gospel ou não. Problema solucionado, agora é hora de voltar à carga trazendo muito conteúdo inédito, relevante e quem sabe, que possa contribuir para um melhor entendimento do universo artístico e fonográfico tupiniquim e global.

E vamos atualizar os nossos leitores com informações extremamente importantes e recentes do mercado mundial da música. A IFPI, entidade que reúne as principais empresas do meio fonográfico e detém as informações oficiais do segmento liberou dias atrás o relatório anual com dados do mercado, performance, tendências e tudo mais. É um calhamaço com mais de 150 páginas que dão um approach bastante aprofundado sobre como andam as coisas no meio musical em todo o mundo. Vou destacar algumas informações entre as que achei mais importantes neste momento para compartilhar aqui com vocês.

O mercado mundial da música voltou a crescer depois de décadas de declínio. O ano de 2015 registrou crescimento de 3,2% em todo o mundo, algo que contradiz por completo a tendência de anos anteriores e principalmente o pessimismo do mercado e a visão da imprensa e do senso comum de que a indústria fonográfica era um segmento moribundo à beira do abismo. Ufa! Finalmente depois de anos e anos amargando declínio nos números, finalmente a curva virou no sentido oposto e já projetamos crescimento maduro e contínuo para os próximos anos. No Brasil, o crescimento do mercado foi 10,65%, ou seja, pouco mais de 3 vezes ao registrado mundialmente. Ressalte-se que chegamos a este incrível resultado mesmo tendo que lidar com uma das crises mais agudas do país nos últimos 20 anos, ou seja, se a presidANTA Dilma e a quadrilha do PT não estivessem ‘ajudando’ tanto a fazer com que nossa economia retrocedesse 20 a 30 anos, muito certamente este percentual de crescimento seria ainda bem maior.

Mercados da Europa e EUA são reconhecidos como mais maduros, do ponto de vista do consumo de música. Então para estas regiões a expectativa de crescimento será sempre mais conservadora e é exatamente isto o que temos observado nos últimos anos. Já a América Latina, alguns países da Ásia e principalmente o Brasil, ainda temos um mercado em franca evolução, com enorme potencial de consumo e questões estruturais como a qualidade da banda larga e questões econômicas a resolver, portanto ainda poderemos ter por muitos anos crescimento acima de dois dígitos para o mercado da música.

O consumo de música pelo formato digital cresceu em todo o mundo em 10,2%, seguindo tendência de crescimento e expansão para os próximos anos. Só pra efeito de exemplificação, há no mundo mais de 200 plataformas de streaming atuando neste momento em diferentes países e regiões. No Brasil, ainda temos poucas plataformas deste serviço, sendo que destacam-se apenas 3, a saber: Spotify, Deezer e AppleMusic. Os canais de vídeo como YouTube e Vevo seguem crescendo em relevância e tornando-se importante fonte de consumo da música. Apesar de que no caso do YouTube, há uma menor concentração do interesse sobre música por parte do público, muito em função de que a plataforma vem sendo utilizada para muitos outros objetivos como tutoriais, humor, culinária e tudo mais. Se antes, a música correspondia a 70% das buscas do YouTube, hoje chega perto de 30%. Em contrapartida, a plataforma VEVO, exclusiva para conteúdo musical, vem crescendo substancialmente em relevância nos últimos anos e deve chegar em mais alguns anos à hegemonia na utilização dos usuários que buscam por música na web. No Brasil, o mercado digital cresceu incríveis 45%, muito acima da média mundial, o que somente comprova a mudança de hábito dos consumidores de música no país. Atualmente o mercado de música no Brasil conta com 62% de vendas digitais contra 38% de vendas físicas, que caíram neste último ano em torno de 18% sobre as vendas do ano anterior, seguindo uma tendência mundial de retração.

Especificamente na área gospel, acredito que ainda teremos um delay na mudança dos hábitos de consumo retardando um pouco mais a hegemonia das vendas digitais sobre as físicas, ou mantendo um percentual maior para as vendas físicas do que o observado no meio secular. Tradicionalmente o meio gospel reage de forma mais lenta a algumas mudanças, o que de fato não foi o que ocorreu quando da mudança do formato LP pra CD, que aconteceu em pouco mais de 1 ano, tornando peça de museu vitrolas, 3 em 1 e equipamentos afins. No entanto, neste momento, acho que a venda de discos seguirá relativamente presente no meio por mais alguns anos.

Na semana passada realizamos 2 treinamentos sobre oportunidades do meio digital, plataformas e, em especial audio streaming, voltados aos artistas de nosso cast e seus respectivos assessores. Foi excelente! Uma iniciativa super louvável e que teve adesão maciça dos artistas. Entre tantas dicas e informações ficou muito claro pra mim que o artista não precisa ser o maior expert de plataformas e marketing digital, no entanto, é fundamental que este entenda o mínimo possível deste ambiente. E entendendo que o artista não tenha talvez uma aptidão natural para esta área é indispensável que ele compreenda a importância de se ter uma assessoria que maneje e administre com foco e seriedade suas redes e ações no mundo digital.  E aí quando falamos de assessoria de marketing digital, estamos falando de um profissional com perfil analítico, que saiba colher e interpretar informações, que saiba desenvolver ações e estratégias após ter acesso às informações, ou seja, muito diferente do que aquele jovenzinho com espinha no rosto, recém entrando na puberdade e que é ‘expert’ em fazer flyers com versículos e frases de efeito. Marketing digital é muito mais do que isso! Mas isso é tema pra outro post.

Até a próxima!

 

Mauricio Soares, jornalista, publicitário, entusiasta das novas oportunidades, novas tecnologias e alguém que não tem receio em dividir conhecimento

0 1045

Qual tipo de profissão permite que um jovem sem qualquer experiência anterior possa de uma noite pra outra tornar-se conhecido muito além do seu bairro, quarteirão ou mesmo cidade? Neste momento não me ocorre muitas outras opções para responder a esta questão além da carreira artística. Sim! Munido de um violão, uma câmera, talento, carisma e uma boa dose de entendimento de tecnologia e noções de marketing digital, além, é claro, de um repertório selecionado, jovens de qualquer lugar do planeta podem seguir os mesmos passos de Justin Bieber, viralizando na web, angariando milhões de views, outros tantos milhões de seguidores, tornar-se referência e, ao fim, ser convidado por uma major a integrar o cast da gravadora. Mesmo na área esportiva onde cada vez mais nos deparamos com meninos e meninas alcançando destaque em meio a marmanjos, é necessário que este atleta tenha alguns anos de treinamento, acompanhamento e muito foco. Então, sigo confiante de que neste momento a área artística, especialmente a musical, pode ser uma catapulta potente para que um jovem talento queime etapas, pule degraus e no menor tempo possível torne-se um grande sucesso.

Neste momento estamos diante de uma mudança no meio artístico tão radical e tão impressionante que podemos nos deparar com pop stars surgindo em poucos meses, quando estes mesmos, tempos atrás estes eram ilustres desconhecidos no mais absoluto anonimato. Com o advento da internet e das inúmeras plataformas de rede sociais, cada vez fica mais democrático e inesperado o Olimpo artístico. Se até poucos anos atrás, um artista para tornar-se conhecido nacionalmente deveria ser obrigatoriamente divulgado em grandes centros urbanos como São Paulo, Belo Horizonte, Salvador e principalmente, Rio de Janeiro, hoje em dia, a questão territorial literalmente cai por terra. Há algumas semanas atrás comecei a acompanhar o trabalho de uma jovem de 16 anos que vem crescendo dia a dia em relevância nas redes sociais e nas plataformas de video streaming. Sua desenvoltura em frente às câmeras, sua simpatia, talento e principalmente sua empatia junto ao público teen e jovem de diferentes regiões do país, chamou-me a atenção a ponto de fazer algo que há muito tempo não fazia, ou seja, pegar o telefone e fazer contato com uma jovem artista. Esta menina não reside numa capital do país, muito pelo contrário! mas isso, de verdade, de nada importa neste contexto atual. O que importa é que ela tem uma proposta musical de qualidade, está antenada nas redes sociais, seus vídeos têm milhões de visualizações, seus canais têm milhões de seguidores e ela tem o DNA digital, ou seja, é parte de uma geração que vive, pensa, age, se relaciona através da tecnologia e seus diferentes ambientes.

Na verdade, hoje em dia podemos ter celebridades web em função do talento, de uma boa música, mas também pelo oposto, pela bizarrice, pela falta de bom senso e do ridículo. Nestes casos a vida artística é bem fugaz, os vídeos surgem viralizando na rede e no whatsapp e somem na mesma velocidade com que surgem. A dupla “Para Nossa Alegria” que chegou até a lançar um álbum e assinar contrato com uma gravadora, ficou no passado distante em completo ostracismo. Vou ater-me exclusivamente aos cases de sucesso. Melhor assim.

Estamos diante de uma época muito interessante, onde as mudanças de comportamento, hábitos e do contato cotidiano com a música estão em profunda transformação. Outro dia atrás, conversando com um amigo, que por sinal é músico também, destaquei que no meu entendimento hoje temos 3 categorias de artistas convivendo num mesmo cosmos. Há uma turma que viveu o auge do mercado fonográfico com a venda de CDs, DVDs e alguns até com os LPs, e que acreditam na manutenção das demandas atuais por mais algumas décadas à frente. Estes resistem o quanto podem à adaptarem-se às novas realidades, tecnologias, estratégias, hábitos e ações. Para estes, sempre haverá público para os produtos no formato físico e não há necessidade alguma de mudar antigos conceitos e atitudes. A minha visão, que é constantemente explicitada, inclusive aqui no Observatório Cristão, é de que muito possivelmente teremos uma estagnação das vendas físicas daqui alguns anos. Não creio no desaparecimento das mídias físicas, o que realmente acredito é que este mercado irá encolher pelos próximos anos chegando a um nível de 10 a 15% da receita da indústria fonográfica e neste caso, os CDs se somariam aos LPs como um mercado único, do formato físico. O que observaremos nos próximos 3 anos é uma mudança paulatina de consumidores físicos migrando para as plataformas de streaming.

Outro perfil de artista neste momento é aquele que já se deu conta das mudanças, mas que ainda não pensa e age totalmente dentro da realidade digital. É literalmente aquele personagem que está no meio do caminho, que sabe que é necessário seguir viagem mas não tem coragem de deixar o conforto e a segurança da casa dos pais. Ele sabe que as vendas físicas irão cada dia diminuir, mas ainda não tomou coragem de se organizar a ponto de pensar com a mentalidade digital. Como toda mudança, é necessário desamarrar-se de antigas ‘cordas’, é fundamental buscar novos conceitos, novas atitudes, novos profissionais de apoio, novas expectativas e metas. O terceiro modelo de artista que encontro neste atual estágio é justamente aquele que encara de frente as transformações e já pensa e age de acordo com as novas demandas. Este artista é antenado, geralmente tem uma boa equipe de apoio (geralmente formada por ‘experientes’ profissionais de 18, 20 anos de idade), é heavy user das redes sociais, conhece profundamente cada plataforma, pensa digitalmente, é ágil, observa os demais artistas na rede (e aprende com outras eles), e tem número crescente de seguidores nas redes sociais.

Em 27 anos de mercado (como estou ficando velho!) nunca vivenciei uma época como esta onde me parece que tudo está zerado, ou seja, tanto medalhões e artistas jovens, grandes vendedores de discos e adolescentes que nunca encararam um estúdio pela frente, artistas que viajaram por vários países e aqueles que conhecem o mundo exclusivamente pela web, todos estão partindo de um mesmo patamar. Tornar-se um artista relevante digital neste momento é relativamente possível e acessível tanto para artistas renomados (e que entendam a necessidade de se reciclarem!) como para os novatos que estão ‘entrando no ônibus’ agora. Só que esta fase, não irá durar muito tempo! Não mesmo! Em muito pouco tempo, talvez não mais do que 1 ano ou 2 anos no máximo os artistas ‘digitais’ estarão estabilizados e assentados nomainstream. Aí vai ficar mais difícil pra quem chegar atrasado garantir seu lugar de destaque em meio à concorrência. Portanto, é mais do que urgente repensar posicionamentos, atitudes e estratégias. É bem verdade que estamos diante de uma geração absurdamente volúvel onde os modismos mudam na velocidade da luz e o que é in hoje, amanhã já pode ser out. Com isso é até possível que determinados artistas que chegaram a um bom destaque no meio, por motivos diversos, voltem ao fim da fila novamente e desta forma, abram espaço para novos artistas e propostas. A verdade é que como numa brincadeira de dança das cadeiras, na vida artística pouquíssimos são os astros que conseguem ter uma carreira de sucesso, longeva e não sujeita a intempéries. O mais comum é que todo aquele que levanta pra entrar na roda, corre o risco de ficar sem lugar pra se sentar. A concorrência no meio artístico é cruel …

As cartas estão na mesa. Preparem-se porque o jogo vai começar!

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista. Finalizo este texto em um estúdio em São Paulo em meio à gravação do projeto Lado B com a Discopraise. Que por sinal, é uma banda completamente antenada nas novidades, que vem crescendo absurdamente em relevância, agenda e musicalmente. Nota 10 rapaziada!