Home Mercado Fonográfico

0 534

Pra quem despertou do sono nestes dias recentes, as transformações que estamos vivenciando nas relações interpessoais com a proliferação de aplicativos e redes sociais ou mesmo na relação do consumidor com a música, com a mudança nos formatos e canais de acesso, podem parecer algo incrível, inimaginável, uma autêntica revolução de hábitos e costumes. Mas a verdade é que estas mudanças já vêm acontecendo há pelo menos uma década, portanto não há nada mais fora de sintonia do que surpreender-se com estas ‘novidades’.

E por serem consideradas por muitos como ‘novidades’ boa parte destas mudanças não foram compreendidas e interpretadas corretamente como deveriam. E justamente é neste momento que surgem alguns ‘facilitadores’ que se beneficiam da ignorância e inocência generalizada e realizam ações que, bastando um mínimo de entendimento e conhecimento, seriam simplesmente ignoradas pelo mercado.

Já comentei em outros posts sobre a importância do artista valorizar novos números e objetivos. Sai de cena o foco em se angariar ‘followers’ (muitos inclusive desembestaram em ‘conquistar/comprar seguidores e hoje ficaram com um autêntico ‘mico na mão’) nas redes sociais e agora busca-se os ‘seguidores’ dos perfis nos canais de audio e video streaming. O objetivo é ter um número relevante de seguidores no YouTube e nas playlists do artista no Spotify, Deezer e AppleMusic, consequentemente ter número consistente e crescente de streamings nestas mesmas plataformas.

Mas é aí que quero concentrar minhas próximas linhas neste post – que surpreendentemente não está sendo escrito num saguão de aeroporto ou durante algum vôo – e espero contar com sua leitura. Diariamente pesquiso sobre a performance de artistas utilizando-me de ferramentas da web. Hoje em dia há uma série de informações que busco quando quero analisar o posicionamento do artista junto ao público, seu alcance e relevância. E entre tantos números, sem dúvida, o número de seguidores em canais de streaming e a performance nas visualizações têm papel de destaque. E, de forma surpreendente, percebo que muitos artistas do primeiro time do mainstream gospel simplesmente não possuem canais oficiais de vídeos porque a gravadora em que estão vinculados concentra todo os conteúdos em um canal único, institucional, corporativo. Em rápidas palavras, em vez de postar os vídeos do artista X em um canal exclusivo, dedicado ao próprio artista, a gravadora optou (pensei em outros termos, mas vou manter a fleuma …) em colocar todos os vídeos de seu cast num único canal, administrado pela própria empresa. Em outros tempos, em que eu simplesmente falava de forma mais direta e sem papas na língua, eu diria que estamos diante de um autêntico estelionato digital, mas com a idade tornei-me mais leve e comedido em minhas observações, então posso afirmar que estamos diante de um possível erro por desconhecimento da nova conjuntura … mais eufemístico, impossível …

Todo o conteúdo artístico deve estar publicado no canal do próprio artista. Não há nenhuma razão plausível que justifique uma gravadora concentrar no seu canal os conteúdos do artista, ou melhor, dos artistas de seu cast, lembrando que o artista não é propriedade de gravadora alguma, ele apenas mantém uma relação comercial, contratual com a empresa. Para o artista é fundamental que o seu canal de conteúdo tenha o maior número de seguidores. Não se justifica e entendo como sendo algo contraditório que um canal reúna pessoas que curtem pop rock e música pentecostal, ou seja, um canal de conteúdos de uma gravadora neste formato (miscelânea) foge completamente ao conceito da segmentação. Além do fato do próprio artista correr um sério (seriíssimo!) risco de ter suas monetizações sobre streaming colocadas todas num único balaio, o que certamente irá dificultar bastante os relatórios e posteriores pagamentos.

É inadmissível alguns artistas ‘gigantes’ em redes sociais com milhões de seguidores, ter minguados 10, 20 mil seguidores em seu canal de vídeos ou nas plataformas de audio streaming. É importante que os artistas entendam a importância destes canais e que busquem estratégias para potencializar os resultados. De igual forma, é fundamental que os artistas procurem entender o quanto antes sobre este novo universo digital, suas oportunidades, demandas e mudanças de atitudes.

Fica a dica!

Mauricio Soares, publicitário, consultor, jornalista, diretor artístico, 27 anos de mercado gospel. Editor do Observatório Cristão, palestrante e torcedor do Fluminense.

Ainda quero falar sobre um tema que me surgiu à mente em função dos recentes dias em que estive no Ceará por ocasião da Expo Evangélica. Como comentou um dos membros da Banda Bálsamo, certamente os dias naquele evento serviriam para trazer assuntos para serem posteriormente publicados no Observatório Cristão. E, de verdade, boa parte de meus insights surgem exatamente em viagens, shows, eventos que participo pelo país e exterior. E desta vez não foi diferente. Considero-me um observador privilegiado das transformações que o mercado fonográfico e cristão vem atravessando nas últimas quase 3 décadas e muitas das vezes tenho que tentar me desligar de uma visão analítica dos fatos para simplesmente curtir de uma forma leve e sem compromisso um show, evento ou algo do tipo. A verdade é que por trabalhar nesta área, minha visão sempre é profissional, crítica, distanciada. Não sei se isso é bom, ruim, neurótica … mas enfim, é o que me cabe e tenho que simplesmente seguir em frente.

No último post, a palavra em destaque foi MUDANÇA. Confesso que entre os itens que destaquei neste último post até comecei a escrever sobre o assunto que iremos comentar hoje, mas por se tratar de algo mais denso e que permitiria uma maior análise, optei em manter exclusivo num texto totalmente dedicado ao tema. Vamos a ele.

Até algum tempo atrás, os artistas em suas apresentações, entrevistas, e praticamente em toda oportunidade que surgisse, faziam questão de lembrar ao público de que seu CD (os mais antigos diriam LPs e até cassetes) encontravam-se à venda nas lojas (geralmente as melhores lojas, mas me parece que nas lojas ruins também, rs). Muitos artistas tinham o péssimo hábito de em suas apresentações, inclusive em púlpitos nas igrejas ficarem por muitos minutos divulgando seus CDs no melhor estilo balcão de vendas, sem o mínimo pudor fazendo longos discursos destacando preços, promoções e se colocando à disposição para dar autógrafos (de preferência no próprio CD, nada de papelzinho, Bíblia e coisas do tipo).

Os tempos mudaram e os discursos devem seguir estas novas tendências. Mas me parece que especificamente neste quesito, a classe artística gospel (e mesmo a secular) ainda não se apercebeu sobre a importância de novas abordagens. Nos últimos anos, não foram poucas as vezes em que vi artistas conclamando o público para seguirem suas redes sociais. Tornou-se meio que um selo de popularidade o artista ter números consistentes em sua fanpage, Twitter, Instagram, Snapchat e outras redes sociais. E concordo plenamente que quanto mais seguidores, mais o artista poderá potencializar a divulgação de seu trabalho. A questão é que os artistas estão focando apenas em metade do processo que verdadeiramente interessa neste momento. De nada adianta um determinado artista ter milhões de seguidores em redes sociais porque efetivamente nestes canais não há monetização sobre resultados. Em rápidas palavras, as redes sociais não devem jamais ser o objetivo final para os artistas, mas uma ferramenta eficiente para se alcançar algo mais significativo que é a remuneração das plataformas de streaming de áudio e vídeo, além da tradicional venda de produtos físicos.

Por exemplo, há vários artistas com enorme popularidade no meio gospel que jamais alcançaram o primeiro lugar no iTunes. Mesmo se tratando de uma modalidade em queda – a venda de conteúdo a la carte – o ranking de mais vendidos do iTunes serve como uma importante referência de resultados. Há 3 ou 4 anos atrás, alcançar o topo de vendas desta plataforma significava algo incrível e isto foi uma conquista bem rara em se tratando de artistas gospel. Lembrando que o primeiro artista religioso a ficar na liderança do iTunes foi Leonardo Gonçalves, fato repetido por ele em outras ocasiões. Artistas como Os Arrais, Paulo César Baruk, Gabriela Rocha, Mariana Valadão, e mais recentemente Estêvão Queiroga podem se orgulhar por tal feito que muito (a esmagadora maioria, por sinal) ‘medalhão’ gospel jamais alcançou.

Os números que de verdade importam neste momento são os seguidores dos canais de vídeo, seguidores de playlists no Spotify, Deezer ou Apple Music, número de visualizações de clipes, Lyric Videos e todo tipo de conteúdo em vídeo, número de streamings de áudio (publiquei recentemente um texto falando sobre esta questão. Vale a pena rever este post) e número de assinantes dos serviços de áudio mobile – operadoras de telefonia.

E aí, volto a uns parágrafos acima pra comentar sobre o ‘novo discurso’ que deve ser apresentado pelos artistas em todo contato com o público. Não se deve mais só lembrar da existência do CD pra ser comprado ao fim do culto ou do show, o artista deve principalmente incentivar o público a continuar a experiência de ter contato com sua arte através das plataformas de streaming. Lembrando que algumas destas plataformas possuem opções gratuitas como o Spotify e, melhor ainda, que todas possuem preços absolutamente acessíveis para assinaturas – em média R$ 14,90/mês para ter acesso a um catálogo de mais de 30 milhões de músicas. Não se trata de substituir uma mídia física pelo acesso digital ao conteúdo, mas sim de ampliar as formas de contato com o público com a música.

Temos um grande desafio neste momento que é tornar cada vez mais popular o acesso e utilização dos milhões de cristãos às plataformas de streaming disponíveis.

Estamos diante de uma mudança de hábito e cultura e isto só ocorre através da mobilização dos formadores de opinião, que neste caso são as gravadoras, mídias e principalmente artistas. E, sem dúvida, uma excelente oportunidade que os artistas têm para apresentar estas novas opções de relacionamento do público e os novos canais, se dá nos cultos, shows, entrevistas e, ainda, através de suas próprias redes sociais. Se você é artista e ainda não tem assinatura em uma destas plataformas, saiba que você já está atrasado, ou melhor, muito atrasado!

É fundamental que neste momento, velhas estratégias e expectativas sejam reformuladas. Estamos diante de um momento em que a indústria fonográfica mundial volta novamente a crescer e a tornar-se muito relevante, em que as oportunidades são ilimitadas e as receitas voltam a crescer exponencialmente, no entanto, também é um momento de uma nova mentalidade e, principalmente, de novas atitudes.

Enjoy!
Mauricio Soares, publicitário, peladeiro de fim de semana, observador contumaz, estudioso do mercado cristão e alguém que está cada vez mais empolgado com as oportunidades do mundo digital.

3 1599

E seguimos com produção intensa de textos em nossa mini-turnê latina por estes dias. Pra quem não sabe, estou por uma semana em viagem pelo México e EUA a fim de apresentar maiores detalhes e informações do segmento musical cristão na América Latina, especialmente nos países de língua espanhola. Com o sucesso do projeto que desenvolvemos no Brasil nestes últimos anos, outras filiais de nossa empresa na América Latina demonstraram grande interesse em também contar com o segmento gospel entre suas prioridades e estou justamente por estes dias participando de reuniões neste sentido. Como o fuso horário me faz acordar por volta das 5 da manhã no horário local, resolvi tornar minha manhã mais produtiva e por isso, teremos uma fartura maior de textos pelos próximos dias.

Começo meu texto já adiantando que não é prática usual aqui no blog comentar diretamente sobre projetos em que participo ativamente. Entendo que o Observatório Cristão deve ser um espaço neutro, isento de maiores preocupações em expor o resultado de projetos conduzidos por mim ou minha equipe. Mas dou a mim o direito de usar este espaço e contar com a audiência qualificada de meus 66 leitores para falar um pouco mais a respeito do projeto que vem conquistando a cada dia mais relevância e destaque no meio gospel e também fora das cercanias da igreja, sendo comentado por profissionais do segmento fonográfico, artistas, jogadores de futebol, pessoas de outras crenças e mesmo gente comum que não tem o hábito de frequentar os bancos das igrejas pelo país. Estou falando do case Preto no Branco, que hoje é uma verdadeira febre em todo o país e em especial nas redes sociais e plataformas digitais.

Não vou analisar o projeto em si, do ponto de vista artístico. É claro que tudo decorre da qualidade musical, poética, criativa e visual do projeto magistralmente conduzido pelo amigo Alex Passos, owner manager da Balaio Music e que contou com a inspiração dos integrantes do Preto no Branco. Meu foco neste momento tem a ver com a estratégia utilizada para que o projeto em tão pouco tempo tornasse referência no meio gospel em todo o país.

Posso afirmar com segurança que o Preto no Branco é hoje um projeto de sucesso fruto da condução perfeita em ações de estratégia digital. E longe de querer vangloriar-me por este sucesso! O resultado deve-se ao envolvimento dos profissionais da área de marketing digital da gravadora em perfeita sintonia com o escritório do artista e, mesmo os próprios integrantes do Preto no Branco que entenderam a importância de suas respectivas participações no processo como um todo.

Cerca de 3 meses antes do projeto chegar às lojas e plataformas digitais, o PNB contou com uma maciça campanha nas redes sociais apresentando o conceito do projeto em si e os vídeos que destacavam a qualidade da música nele contida. Os vídeos foram exaustivamente trabalhados, divulgados, impulsionados e dia a dia o número de visualizações cresceu exponencialmente. Em paralelo a isso, o escritório do artista começou a estruturar sua equipe de management, contratando profissionais com larga experiência na área de booking de artistas sertanejos, ou seja, gente com experiência na venda de shows, logística e promoção.

Quando o produto foi oficialmente lançado, o projeto já contava com milhares de seguidores nas redes sociais, em especial no canal exclusivo do artista na plataforma e video streaming, YouTube/VEVO, o que acabou favorecendo absurdamente todas as ações de promoção e divulgação, criando uma enorme expectativa junto ao público e ao mesmo tempo, aquecendo o interesse na agenda do artista. Com o lançamento do projeto, diversas ações de marketing digital foram realizadas, incluindo destaque nas plataformas como Spotify e Deezer. As músicas passaram a ser enviadas para as rádios do segmento, inúmeras entrevistas foram programadas para o grupo, enfim, um trabalho intenso se realizou pelos 3 meses seguintes ao lançamento do projeto.

E durante todo este tempo, o número de visualizações dos vídeos, especialmente lançados dentro do projeto Sony Music Live, foram crescendo e superando a marca de 10 milhões de views … depois de algum tempo ultrapassou 20 milhões e atualmente conta com mais de 32 milhões de views e 200 mil seguidores no canal de vídeos do projeto. Sucesso! Não se espantem se daqui uns meses esta marca superar 50 milhões de visualizações.

Em paralelo ao trabalho digital, o escritório do PNB vem investindo na apresentação do grupo pelas cidades e principais regiões do país. Mini-turnês foram programadas e realizadas com grande êxito. Mesmo em regiões não tão tradicionais em eventos como o sul do país, onde a passagem do PNB por Porto Alegre, Joinville, Florianópolis, Curitiba, os shows foram sucesso absoluto com vários eventos Sold Out. O trabalho de ‘degustação’ que o PNB tem feito pelo país tem facilitado absurdamente o fechamento de novas datas para os próximos meses. Parcerias com rádios locais e promotores regionais de eventos também têm sido uma importante atitude dos gestores da carreira do PNB.

Uma nova leva de vídeos e episódios do Preto no Branco para o Sony Music Live já está programada para os próximos meses, o que deve aumentar sensivelmente o alcance do marketing digital e do projeto em si junto ao público fomentando não só as vendas físicas digitais como também a agenda de shows e turnês. O projeto Preto no Branco tem como um ativo e diferencial, uma estratégia forte de produção visual. Não por coincidência, Alex Passos é reconhecido pelo mercado por sua qualidade na produção de clipes, DVDs, vídeos. Todo esta expertise do profissional está sendo largamente utilizada neste momento no projeto PNB com resultados incríveis. E aí, quero trazer ao nosso texto algumas importantes reflexões:

  1. A música no atual contexto deixa de ser ‘apenas’ áudio e transforma-se em um ativo áudio/visual. Ou seja, a música tem um upgrade considerável quando esta vem acompanhada por uma versão em vídeo. Ultimamente tenho batido muito nesta tecla, de que não adianta lançar um single se a música não tem um clipe, Lyric Video ou algo do tipo. Boa parte do sucesso do Preto no Branco está justamente na linguagem e nos conteúdos de vídeo. Inclusive nos mini-documentários que relatam as viagens e apresentações do grupo pelas diversas cidades do país. Há uma fartura considerável de conteúdos de qualidade sobre o grupo à disposição do público na web.
  2. Há uma sinergia, cumplicidade e parceria permanente entre a equipe da gravadora e o escritório que gerencia a carreira do grupo. As ações pensadas e planejadas pela equipe de marketing digital da gravadora são executadas à risca pelo escritório e os próprios artistas num sincronismo muito raro de se ver no meio artístico, especialmente no meio gospel nacional. Não há espaço pra arrogância, auto-suficiência ou como tem sido muito falado por aí nas redes sociais, ‘mimimi’ … O foco é resultado!
  3. Outro detalhe que explica o sucesso do projeto tem a ver com a visão e capacidade de investimento, tanto da gravadora, mas especialmente do escritório do artista. Em pouco mais de 27 anos de mercado, poucas vezes vivenciei uma condução e gestão de carreira com metas e estratégias bem definidas. O fato de contratarem profissionais (de fato e com resultados) já demonstra um diferencial em meio a tantos ‘cunhados, pais, irmãos, amigos’ que constantemente nos deparamos como managers dos artistas em nosso meio. Além disso, o investimento também se dá ao colocar na estrada por mais de 60 dias um dos membros da equipe exclusivamente para selar parcerias, conhecer os mercados locais e visitar lideranças e mídias. Estamos falando de planejamento a médio e longo prazos, algo que no nosso meio praticamente inexiste!
    É muito bom ver que projetos planejados lá atrás, na verdade sonhados, há mais de 2 anos, tornaram-se realidade e hoje são um case de sucesso. Felizmente em minha carreira tenho alguns projetos que me trouxeram orgulho, resultados eloquentes e muita satisfação, mas acredito que nenhum destes em tão pouco tempo e tão baseados nas ações digitais. Ou seja, se alguém ainda tinha dúvidas da força do marketing digital, está aí mais uma prova incontestável de que sem um bom plano de ações tudo fica mais complicado.

Finalizo este texto fazendo um pequeno adendo a tudo o que já foi dito acima. De nada adiantaria ter a melhor estrutura de marketing digital, os melhores profissionais, um budget enorme para investimento, uma mega empresa dando suporte, pessoas comprometidas, se a qualidade da música não estivesse à altura de toda esta operação. Não temos como fabricar o sucesso. Toda esta estrutura, estratégias, ações técnicas podem até dar alguns resultados efêmeros, de curta duração, mas o que faz a diferença e garante um projeto longevo está efetivamente na qualidade da arte que apresentamos ao público. Então, antes de seguir linha a linha todas as ações exemplificadas aqui, a prioridade máxima deve ser a busca incessante pela música! Um grande projeto sempre irá começar e se perpetuar pela qualidade da música.

Mestre Tom Jobim que não nos deixa mentir!

Mauricio Soares, simplesmente um profissional em busca da qualidade, que não tem medo em acreditar em sonhos mirabolantes e que curte muito quem sonha junto, jornalista, publicitário, consultor de marketing.

0 1004

Por questões técnicas o blog permaneceu fora do ar por alguns longos dias. Como não tivemos manifestações nas ruas, campanhas nas redes sociais ou mesmo algum pronunciamento oficial do Planalto, estas não-atitudes me fazem perceber que este período inativo não fez falta a ninguém, nem mesmo aos meus tradicionais 66 leitores do blog, que imagino ainda estejam firmes na trincheira desta luta hercúlea de trazer conteúdo diferenciado às mentes do mundinho gospel ou não. Problema solucionado, agora é hora de voltar à carga trazendo muito conteúdo inédito, relevante e quem sabe, que possa contribuir para um melhor entendimento do universo artístico e fonográfico tupiniquim e global.

E vamos atualizar os nossos leitores com informações extremamente importantes e recentes do mercado mundial da música. A IFPI, entidade que reúne as principais empresas do meio fonográfico e detém as informações oficiais do segmento liberou dias atrás o relatório anual com dados do mercado, performance, tendências e tudo mais. É um calhamaço com mais de 150 páginas que dão um approach bastante aprofundado sobre como andam as coisas no meio musical em todo o mundo. Vou destacar algumas informações entre as que achei mais importantes neste momento para compartilhar aqui com vocês.

O mercado mundial da música voltou a crescer depois de décadas de declínio. O ano de 2015 registrou crescimento de 3,2% em todo o mundo, algo que contradiz por completo a tendência de anos anteriores e principalmente o pessimismo do mercado e a visão da imprensa e do senso comum de que a indústria fonográfica era um segmento moribundo à beira do abismo. Ufa! Finalmente depois de anos e anos amargando declínio nos números, finalmente a curva virou no sentido oposto e já projetamos crescimento maduro e contínuo para os próximos anos. No Brasil, o crescimento do mercado foi 10,65%, ou seja, pouco mais de 3 vezes ao registrado mundialmente. Ressalte-se que chegamos a este incrível resultado mesmo tendo que lidar com uma das crises mais agudas do país nos últimos 20 anos, ou seja, se a presidANTA Dilma e a quadrilha do PT não estivessem ‘ajudando’ tanto a fazer com que nossa economia retrocedesse 20 a 30 anos, muito certamente este percentual de crescimento seria ainda bem maior.

Mercados da Europa e EUA são reconhecidos como mais maduros, do ponto de vista do consumo de música. Então para estas regiões a expectativa de crescimento será sempre mais conservadora e é exatamente isto o que temos observado nos últimos anos. Já a América Latina, alguns países da Ásia e principalmente o Brasil, ainda temos um mercado em franca evolução, com enorme potencial de consumo e questões estruturais como a qualidade da banda larga e questões econômicas a resolver, portanto ainda poderemos ter por muitos anos crescimento acima de dois dígitos para o mercado da música.

O consumo de música pelo formato digital cresceu em todo o mundo em 10,2%, seguindo tendência de crescimento e expansão para os próximos anos. Só pra efeito de exemplificação, há no mundo mais de 200 plataformas de streaming atuando neste momento em diferentes países e regiões. No Brasil, ainda temos poucas plataformas deste serviço, sendo que destacam-se apenas 3, a saber: Spotify, Deezer e AppleMusic. Os canais de vídeo como YouTube e Vevo seguem crescendo em relevância e tornando-se importante fonte de consumo da música. Apesar de que no caso do YouTube, há uma menor concentração do interesse sobre música por parte do público, muito em função de que a plataforma vem sendo utilizada para muitos outros objetivos como tutoriais, humor, culinária e tudo mais. Se antes, a música correspondia a 70% das buscas do YouTube, hoje chega perto de 30%. Em contrapartida, a plataforma VEVO, exclusiva para conteúdo musical, vem crescendo substancialmente em relevância nos últimos anos e deve chegar em mais alguns anos à hegemonia na utilização dos usuários que buscam por música na web. No Brasil, o mercado digital cresceu incríveis 45%, muito acima da média mundial, o que somente comprova a mudança de hábito dos consumidores de música no país. Atualmente o mercado de música no Brasil conta com 62% de vendas digitais contra 38% de vendas físicas, que caíram neste último ano em torno de 18% sobre as vendas do ano anterior, seguindo uma tendência mundial de retração.

Especificamente na área gospel, acredito que ainda teremos um delay na mudança dos hábitos de consumo retardando um pouco mais a hegemonia das vendas digitais sobre as físicas, ou mantendo um percentual maior para as vendas físicas do que o observado no meio secular. Tradicionalmente o meio gospel reage de forma mais lenta a algumas mudanças, o que de fato não foi o que ocorreu quando da mudança do formato LP pra CD, que aconteceu em pouco mais de 1 ano, tornando peça de museu vitrolas, 3 em 1 e equipamentos afins. No entanto, neste momento, acho que a venda de discos seguirá relativamente presente no meio por mais alguns anos.

Na semana passada realizamos 2 treinamentos sobre oportunidades do meio digital, plataformas e, em especial audio streaming, voltados aos artistas de nosso cast e seus respectivos assessores. Foi excelente! Uma iniciativa super louvável e que teve adesão maciça dos artistas. Entre tantas dicas e informações ficou muito claro pra mim que o artista não precisa ser o maior expert de plataformas e marketing digital, no entanto, é fundamental que este entenda o mínimo possível deste ambiente. E entendendo que o artista não tenha talvez uma aptidão natural para esta área é indispensável que ele compreenda a importância de se ter uma assessoria que maneje e administre com foco e seriedade suas redes e ações no mundo digital.  E aí quando falamos de assessoria de marketing digital, estamos falando de um profissional com perfil analítico, que saiba colher e interpretar informações, que saiba desenvolver ações e estratégias após ter acesso às informações, ou seja, muito diferente do que aquele jovenzinho com espinha no rosto, recém entrando na puberdade e que é ‘expert’ em fazer flyers com versículos e frases de efeito. Marketing digital é muito mais do que isso! Mas isso é tema pra outro post.

Até a próxima!

 

Mauricio Soares, jornalista, publicitário, entusiasta das novas oportunidades, novas tecnologias e alguém que não tem receio em dividir conhecimento

Qual tipo de profissão permite que um jovem sem qualquer experiência anterior possa de uma noite pra outra tornar-se conhecido muito além do seu bairro, quarteirão ou mesmo cidade? Neste momento não me ocorre muitas outras opções para responder a esta questão além da carreira artística. Sim! Munido de um violão, uma câmera, talento, carisma e uma boa dose de entendimento de tecnologia e noções de marketing digital, além, é claro, de um repertório selecionado, jovens de qualquer lugar do planeta podem seguir os mesmos passos de Justin Bieber, viralizando na web, angariando milhões de views, outros tantos milhões de seguidores, tornar-se referência e, ao fim, ser convidado por uma major a integrar o cast da gravadora. Mesmo na área esportiva onde cada vez mais nos deparamos com meninos e meninas alcançando destaque em meio a marmanjos, é necessário que este atleta tenha alguns anos de treinamento, acompanhamento e muito foco. Então, sigo confiante de que neste momento a área artística, especialmente a musical, pode ser uma catapulta potente para que um jovem talento queime etapas, pule degraus e no menor tempo possível torne-se um grande sucesso.

Neste momento estamos diante de uma mudança no meio artístico tão radical e tão impressionante que podemos nos deparar com pop stars surgindo em poucos meses, quando estes mesmos, tempos atrás estes eram ilustres desconhecidos no mais absoluto anonimato. Com o advento da internet e das inúmeras plataformas de rede sociais, cada vez fica mais democrático e inesperado o Olimpo artístico. Se até poucos anos atrás, um artista para tornar-se conhecido nacionalmente deveria ser obrigatoriamente divulgado em grandes centros urbanos como São Paulo, Belo Horizonte, Salvador e principalmente, Rio de Janeiro, hoje em dia, a questão territorial literalmente cai por terra. Há algumas semanas atrás comecei a acompanhar o trabalho de uma jovem de 16 anos que vem crescendo dia a dia em relevância nas redes sociais e nas plataformas de video streaming. Sua desenvoltura em frente às câmeras, sua simpatia, talento e principalmente sua empatia junto ao público teen e jovem de diferentes regiões do país, chamou-me a atenção a ponto de fazer algo que há muito tempo não fazia, ou seja, pegar o telefone e fazer contato com uma jovem artista. Esta menina não reside numa capital do país, muito pelo contrário! mas isso, de verdade, de nada importa neste contexto atual. O que importa é que ela tem uma proposta musical de qualidade, está antenada nas redes sociais, seus vídeos têm milhões de visualizações, seus canais têm milhões de seguidores e ela tem o DNA digital, ou seja, é parte de uma geração que vive, pensa, age, se relaciona através da tecnologia e seus diferentes ambientes.

Na verdade, hoje em dia podemos ter celebridades web em função do talento, de uma boa música, mas também pelo oposto, pela bizarrice, pela falta de bom senso e do ridículo. Nestes casos a vida artística é bem fugaz, os vídeos surgem viralizando na rede e no whatsapp e somem na mesma velocidade com que surgem. A dupla “Para Nossa Alegria” que chegou até a lançar um álbum e assinar contrato com uma gravadora, ficou no passado distante em completo ostracismo. Vou ater-me exclusivamente aos cases de sucesso. Melhor assim.

Estamos diante de uma época muito interessante, onde as mudanças de comportamento, hábitos e do contato cotidiano com a música estão em profunda transformação. Outro dia atrás, conversando com um amigo, que por sinal é músico também, destaquei que no meu entendimento hoje temos 3 categorias de artistas convivendo num mesmo cosmos. Há uma turma que viveu o auge do mercado fonográfico com a venda de CDs, DVDs e alguns até com os LPs, e que acreditam na manutenção das demandas atuais por mais algumas décadas à frente. Estes resistem o quanto podem à adaptarem-se às novas realidades, tecnologias, estratégias, hábitos e ações. Para estes, sempre haverá público para os produtos no formato físico e não há necessidade alguma de mudar antigos conceitos e atitudes. A minha visão, que é constantemente explicitada, inclusive aqui no Observatório Cristão, é de que muito possivelmente teremos uma estagnação das vendas físicas daqui alguns anos. Não creio no desaparecimento das mídias físicas, o que realmente acredito é que este mercado irá encolher pelos próximos anos chegando a um nível de 10 a 15% da receita da indústria fonográfica e neste caso, os CDs se somariam aos LPs como um mercado único, do formato físico. O que observaremos nos próximos 3 anos é uma mudança paulatina de consumidores físicos migrando para as plataformas de streaming.

Outro perfil de artista neste momento é aquele que já se deu conta das mudanças, mas que ainda não pensa e age totalmente dentro da realidade digital. É literalmente aquele personagem que está no meio do caminho, que sabe que é necessário seguir viagem mas não tem coragem de deixar o conforto e a segurança da casa dos pais. Ele sabe que as vendas físicas irão cada dia diminuir, mas ainda não tomou coragem de se organizar a ponto de pensar com a mentalidade digital. Como toda mudança, é necessário desamarrar-se de antigas ‘cordas’, é fundamental buscar novos conceitos, novas atitudes, novos profissionais de apoio, novas expectativas e metas. O terceiro modelo de artista que encontro neste atual estágio é justamente aquele que encara de frente as transformações e já pensa e age de acordo com as novas demandas. Este artista é antenado, geralmente tem uma boa equipe de apoio (geralmente formada por ‘experientes’ profissionais de 18, 20 anos de idade), é heavy user das redes sociais, conhece profundamente cada plataforma, pensa digitalmente, é ágil, observa os demais artistas na rede (e aprende com outras eles), e tem número crescente de seguidores nas redes sociais.

Em 27 anos de mercado (como estou ficando velho!) nunca vivenciei uma época como esta onde me parece que tudo está zerado, ou seja, tanto medalhões e artistas jovens, grandes vendedores de discos e adolescentes que nunca encararam um estúdio pela frente, artistas que viajaram por vários países e aqueles que conhecem o mundo exclusivamente pela web, todos estão partindo de um mesmo patamar. Tornar-se um artista relevante digital neste momento é relativamente possível e acessível tanto para artistas renomados (e que entendam a necessidade de se reciclarem!) como para os novatos que estão ‘entrando no ônibus’ agora. Só que esta fase, não irá durar muito tempo! Não mesmo! Em muito pouco tempo, talvez não mais do que 1 ano ou 2 anos no máximo os artistas ‘digitais’ estarão estabilizados e assentados nomainstream. Aí vai ficar mais difícil pra quem chegar atrasado garantir seu lugar de destaque em meio à concorrência. Portanto, é mais do que urgente repensar posicionamentos, atitudes e estratégias. É bem verdade que estamos diante de uma geração absurdamente volúvel onde os modismos mudam na velocidade da luz e o que é in hoje, amanhã já pode ser out. Com isso é até possível que determinados artistas que chegaram a um bom destaque no meio, por motivos diversos, voltem ao fim da fila novamente e desta forma, abram espaço para novos artistas e propostas. A verdade é que como numa brincadeira de dança das cadeiras, na vida artística pouquíssimos são os astros que conseguem ter uma carreira de sucesso, longeva e não sujeita a intempéries. O mais comum é que todo aquele que levanta pra entrar na roda, corre o risco de ficar sem lugar pra se sentar. A concorrência no meio artístico é cruel …

As cartas estão na mesa. Preparem-se porque o jogo vai começar!

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista. Finalizo este texto em um estúdio em São Paulo em meio à gravação do projeto Lado B com a Discopraise. Que por sinal, é uma banda completamente antenada nas novidades, que vem crescendo absurdamente em relevância, agenda e musicalmente. Nota 10 rapaziada!

Geralmente escrevo meus textos em saguões de aeroportos ou mesmo durante voos. No entanto, creio que nunca escrevi estando dentro do avião em plena pista aguardando a liberação do aeroporto de destino. Neste momento estou por mais de uma hora pacientemente aguardando na pista do aeroporto de São José dos Pinhais, PR, para que meu avião decole no sentido do aeroporto de Santos Dumont, Rio de Janeiro. O problema é que neste instante cai um verdadeiro dilúvio na Cidade Maravilhosa. Então para tornar um pouco produtiva minha espera, estarei escrevendo o texto a seguir.

Especialmente nas últimas 3 semanas tenho falado muito sobre tendências do mercado fonográfico. Pra quem acompanha este blog, pelo menos há uns 4 a 5 anos, este incansável editor vem falando sobre a mudança de comportamento do consumidor de música pelo advento da web e especialmente das novas plataformas digitais. Desde muito tempo alerto para o fato de que num momento estaríamos diante da substituição ou alteração radical do formato de consumo de música. As mídias físicas, CDs e DVDs perderiam a cada dia mais espaço para diferentes plataformas como YouTube, AppleMusic, Deezer, Vevo, Spotify, Google Play, entre outras, até que num dia deixassem de ser a principal forma de consumo de música.

Já faz um bom tempo que venho alertando para que artistas e principalmente gravadoras estejam preparadas para as grandes transformações. E agora, oficialmente as vendas digitais entre as majors atuantes no Brasil já superaram as vendas tradicionais. Mais especificamente, o mercado da música no Brasil encontra-se com 60% de vendas digitais contra 40% de vendas de discos. Esta tendência segue de igual forma na esmagadora maioria de regiões em todo o mundo. Esta curva é irreversível e a grande dúvida neste momento é quando e onde irá se estabilizar. Na minha modesta opinião e ciente do grau de ‘achismo’ ou ‘profetada’, imagino que as vendas físicas em até 3 anos chegarão num patamar de 15 a 20% das vendas do mercado fonográfico no país. Na Suécia, país símbolo da mudança digital, as vendas atualmente já são 98% do faturamento total do mercado fonográfico. Um verdadeiro assombro, mas longe de representar a realidade de nosso mercado, nem mesmo daqui algumas décadas. Portanto, algo mais aceitável é acreditar que daqui uns anos, as vendas digitais no Brasil ficarão com 80 a 85% do faturamento.

Interessante neste momento é a volta do mercado de vinis, os famosos LPs, a ponto de gravadoras ressuscitarem departamentos e selos específicos para atender a este nicho de mercado. Mas acredito nesta tendência mais como uma excentricidade e oportunismo, do que verdadeiramente um caminho consistente e pródigo. Ainda mais em se tratando de mercado gospel, esta tendência não vejo com a mínima possibilidade de se consolidar, primeiro pelo perfil do público e segundo, pelas próprias gravadoras do segmento que se destacam pela falta de audácia em suas atividades e estratégias. É assustador nos depararmos com a falta de um cuidado com a história da música cristã no Brasil. Mesmo em tempos de mundo digital onde o catálogo de raridades ganha força nas plataformas de streaming, é praticamente inexistente a presença de álbuns lançados nas décadas de 70, 80 e até mesmo 90. Ou seja, somos um segmento praticamente sem memória … infelizmente!

No meio digital a bola da vez é o streaming que tomou o lugar das plataformas de vídeo como principal canal de monetização. No recente passado, a rentabilidade de vídeos no YouTube e Vevo era superior às demais plataformas. Isso se dava em função do grande número de empresas investindo em publicidade nestes canais, especialmente em ano de Copa do Mundo no país. Com a retração na economia (graças a anos de incompetência petista e ladroagem desenfreada desta corja que está no poder há mais de uma década) no país, o mercado publicitário recolheu seus investimentos nas plataformas de vídeo. Com isso, as plataformas de streaming tornaram-se o espaço mais rentável para artistas e gravadoras.

Com esta mudança, as estratégias também devem ser alteradas num movimento que comprova a importância de se ter sempre acompanhamento, pesquisa e análise crítica de tendências do mercado. Se até algum tempo atrás, as gravadoras focavam na produção em escala de vídeos, clipes e Lyric Videos, o momento agora é totalmente voltado à criação e divulgação de playlists. Pra quem ainda não está ambientado com os termos técnicos, playlist nada mais é do que uma seleção de músicas para facilitar a experiência do consumidor. Boa parte das playlists são criadas de acordo com temas específicos, como por exemplo, o melhor da música pop dos anos 70, ou uma seleção de reggae roots, músicas para meditação, uma seleção de músicas para queimar calorias em academias de ginástica (esta é uma das mais populares em todo o mundo!) e por aí em diante. A playlist é uma facilitadora para o consumidor de música e pode ser seguida pelos assinantes das plataformas como uma espécie de mídia social. É muito comum que formadores de opinião criem suas playlists e que arrebanhem centenas de milhares de seguidores. Ou seja, estamos diante de uma verdadeira transformação de costumes e possibilidades para o mercado da música.

Entre as plataformas de streaming há diversos pacotes de assinatura e utilização. Há contas gratuitas com inserção de publicidade entre a veiculação de músicas, há contas premium com acesso ilimitado de músicas sem qualquer interferência de publicidade, há o serviço de conta “família” onde mais de uma pessoa pode acessar à plataforma simultaneamente em diferentes canais. Em suma, há opções para todos os tipos e bolsos e particularmente optei por uma assinatura do Spotify onde tenho acesso a mais de 30 milhões de músicas. Minha relação com a experiência musical mudou significativamente com o advento das plataformas de streaming. Hoje praticamente fico on line durante boa parte do dia e minha curiosidade por novos sons, novos nomes e novos estilos aguçou-se ao nível máximo.

Depois de horas de espera, eis que o piloto já avisou sobre o procedimento de descida no Rio de Janeiro. O recado está dado! Sugiro aos 66 leitores do Observatório Cristão que pesquisem sobre estas novidades do meio digital. Enjoy!

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista. Este texto quero dedicar especialmente ao meu pai que descansou no Senhor exatamente no momento em que eu estava chegando ao Rio de Janeiro e finalizando este texto. Com ele aprendi a ser uma pessoa melhor, a buscar meus objetivos sem precisar negociar a ética e a valorizar a família, amigos e Deus. Siga em paz. Saudades.

2 826

Semana curta, já começando com um super bem vindo feriado logo na segunda-feira e logo no meio da agenda, uma viagem para a capital goiana onde participarei da segunda edição da Gospel Fair, evento que reúne alguns dos principais players do mercado gospel nacional em diferentes áreas de atuação. E depois de Goiás, um pit stop rápido no Rio de Janeiro e já no domingo partirei para o Rio Grande do Sul onde participarei da Festa Nacional da Música na cidade de Canela. Ou seja, serão dias de muita correria, muitos encontros, reuniões e quem sabe, oportunidade para a criação de novos textos para o blog.

Na edição da Revista Veja (08/Out) o cantor cearense Wesley Safadão, um dos fenômenos de popularidade do momento com shows abarrotados em todo o país, comenta em uma pequena entrevista exclusiva sobre o valor de seu cachê que hoje está entre os maiores do Brasil. De forma muito tranquila ele destaca de que sua produção de shows em nada fica a dever para os grandes astros e de que recentemente ele investiu mais de 1 milhão de reais em equipamentos, além de contar com muitos músicos, bailarinas, um equipe enorme de apoio.

Uma das queixas dos artistas do universo gospel é justamente o tratamento diferenciado que recebem dos contratantes, principalmente prefeituras, em se tratando dos valores de cachês. Muitos destes artistas fazem questão de destacar que em contraponto aos valores tímidos de contrato, os shows de artistas evangélicos costumam ser os de maior apelo e presença do público. E isso, em parte, é verdade! Já estive em festas de cidades onde os shows de música gospel reuniram maior público do que sertanejos ou roqueiros. Além disso, os shows de música gospel geralmente são absurdamente mais ordeiros, menos danosos ao patrimônio público e demandam menores investimentos em mídia.

A grande questão neste assunto – e que nunca é mencionado pelos artistas gospel – é a abissal distância entre a qualidade de produção de um show do segmento religioso e dos seus congêneres do secular. Enquanto os sertanejos e artistas populares investem em palcos cinematográficos, carretas, aparelhagens de som, vídeo e luz, bailarinas, cenografia e tudo mais, os artistas do meio evangélico seguem a dinâmica do minimalismo artístico, onde a própria presença e um discurso emocionante do artista já são mais do que suficientes para garantir o sucesso do evento.

Jamais podemos incorrer no erro de comparar eventos religiosos com seculares, mas não atentar para alguns detalhes nesta área acarreta distorções e, sem dúvida, atrapalha num maior e melhor reconhecimento e valorização por parte dos contratantes. Em primeiro lugar, é fundamental definir as expectativas de um evento. Vamos levar em consideração de que a partir de agora iremos tratar apenas dos shows realizados para prefeituras. Quando uma prefeitura contrata um show ela está preocupada tão somente em entreter sua população. Geralmente a prefeitura não tem um estilo musical único de sua preferência e precisa contemplar os diferentes públicos que compõem seus moradores (e, principalmente eleitores!). Então nestes eventos temos atrações dos mais variados gêneros, do pagode ao clássico, do sertanejo ao rock e, cada vez mais comum, do público católico ao evangélico. No entanto, independente do estilo musical, o objetivo destes eventos é tão somente entretenimento.

O grande problema é que muitos artistas do meio gospel querem cada vez mais estar presentes nos eventos de prefeitura e garantirem assim bons cachês, porém não observam este detalhe, ou seja, de que o motivo da presença deles nestes eventos é basicamente promover uma ação de entretenimento e como tal, oferecer ao público presente não um culto, mas um show. É óbvio que espera-se de um artista religioso muito mais do que simplesmente apresentar uma boa música, mas daí a transformar o palco num púlpito onde o artista prega por longos minutos e diante de uma platéia eclética, aí já é falta de bom senso mesmo!

Entender a real expectativa do contratante é um passo importante para que a avaliação da apresentação do artista seja positiva.

Entendendo esta expectativa, o artista precisa ‘entregar’ ao contratante e ao público um evento realmente de qualidade e atraente. E é justamente nesta questão que os artistas religiosos despencam na comparação com o show business secular na mesma proporção de nossa moeda perante ao dólar. Excetuando-se André Valadão, DJ PV e mais um ou outro gato pingado gospel poucos são os artistas do segmento religioso que investem na qualidade de suas apresentações. A esmagadora maioria dos artistas do segmento muito mal se contentam em levar uma banda completa nos seus shows para prefeituras. Não há preocupação com conteúdo para os telões, repertório adequado para grandes públicos, efeitos especiais, programação de luz, e muitas vezes a banda parece que foi acordada às pressas para subir ao palco, sem tempo para vestir um figurino legal. Já estive em evento que o músico se apresentava com um chaveiro repleto de 20 chaves penduradas, além de um Nextel reluzente no cinto. Triste cena!

Seguindo com os exemplos, já tive o desprazer e vergonha alheia de assistir a um show promovido por uma prefeitura do Estado de São Paulo onde o artista gospel teve a cara-de-pau-ungida de se apresentar com voz e violão, quando na verdade, o contratante pagou por um show completo e cachê de mega produção. O palco deste evento era daqueles gigantes, cheio de movie lights, mega estrutura de som e vídeo e onde durante a semana se apresentariam vários artistas do primeiro time da MPB em diferentes estilos. A distância entre o show gospel e os populares foi gritante! A ponto do prefeito chamar o pastor-presidente do conselho de pastores local para uma conversa ao pé-do-ouvido questionando se aquele era mesmo o show que a classe havia tanto pleiteado à prefeitura. Vergonha Alheia – Parte 2. O pior disto tudo é que depois já no backstage o artista suando em bicas verdadeiramente achava que havia feito um grande show. E pela reação da plateia antes e depois do show a impressão era realmente de que a noite havia sido fantástica! Diante deste fato fiquei na dúvida se o público havia gostado do show porque não tinha outras referências ou porque o artista realmente era tão carismático a ponto de atender às expectativas. De qualquer forma, o público ali presente era 99% formado por evangélicos, ou seja, o evento tornou-se puramente entretenimento gospel e não atingiu a objetivos mais nobres de evangelizar não-convertidos.

Muitos artistas do meio gospel já têm em seus currículos a gravação de DVDs. No meio sertanejo, em especial, e na maior parte dos artistas populares de outros gêneros, o DVD serve como uma material de apresentação do ‘show de estrada’. E é impressionante a capacidade destes artistas em transformar a super produção de um DVD no show itinerante. Em média, 80% do cenário e estrutura do DVD segue para a turnê pelo país. Já no meio gospel, a esmagadora (pra não dizer totalidade) maioria dos projetos de DVD resumem-se a aquela única noite de gravação. Isso soa meio como a estória da Cinderela, em que tudo acaba à meia noite transformando uma linda carruagem em abóbora. É o que acontece com os artistas do segmento gospel … planejam uma mega produção para a gravação do DVD e tudo ali começa e termina naquelas pouquíssimas horas. Do ponto de vista de investimento, estes projetos são uma perda megalomaníaca de dinheiro, uma espécie de ‘prejuízo ostentação’. Isso para não falar em determinados artistas que investem em DVDs como se fossem a realização de um sonho e depois de gravado, abandonam o projeto de lado, alcançando vendagens, divulgação e alcance pífios.

É importante que os artistas do segmento gospel revejam urgentemente suas expectativas e principalmente suas atitudes. Se os artistas querem melhorar a relação com os contratantes seculares de shows, devem imediatamente investir na qualidade da produção dos shows que levam para a estrada. Também devem investir urgentemente em profissionais que cuidam da parte de negociação e agenda. Já fui procurado por empresários do show business se queixando da qualidade (péssima!!!!) do atendimento da assessoria de alguns pop stars do meio evangélico. Inclusive alguns destes contratantes e até mesmo prefeituras simplesmente desistiram de manter relacionamento com o meio gospel porque se frustraram e se irritaram inúmeras vezes. É fundamental que o mercado de shows gospel profissionalize-se o quanto antes oferecendo uma contrapartida à altura das expectativas. Somente assim, os contratantes irão investir no segmento e dar o devido valor. Quem quer ser respeitado, sempre deve fazer-se respeitado. Simples assim.

Em tempo de crise, jacaré é tronco.

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, peladeiro de fim de semana e alguém que torce pela mudança urgente dos rumos da política e economia de nosso país.

Algumas práticas no meu dia a dia como executivo de uma gravadora, por mais que pareçam óbvias, efetivamente assumiram uma importância maior para mim somente nesta última fase de minha vida profissional. Estas novas práticas que hoje encaro como verdades absolutas, talvez sejam o maior ganho que tive nos últimos anos dentro do upgrade que conquistei do ponto de vista profissional. Aos mais próximos e amigos não tenho constrangimento algum de confessar que mesmo reconhecendo que no meio gospel sempre tive um certo destaque entre meus pares, especialmente nestes últimos anos considero que consegui ter um ganho de no mínimo uns 80% em minha expertise. Isto apenas comprova como o game no meio secular é completamente outro em comparação com o que vivenciamos no mercado gospel tupiniquim. E arrisco a dizer que este abismo entre estes dois mundos tende cada vez a aumentar mais.

Duas práticas em especial posso destacar entre estas novas atitudes que para mim tornaram-se fundamentais. A primeira é a questão – como já falei antes, é vergonhosamente óbvia, mas também verdadeira – de que todo projeto deve ser analisado criteriosamente sobre sua viabilidade econômica e comercial. Até então, todo projeto ou mesmo contratação era simplesmente analisado do ponto de vista do empírico: Vende ou não vende? Tem ou não tem mercado? Tem ou não tem potencial? Convenhamos que este tipo de análise meio Mãe Dinah, ainda mais nestes tempos bicudos que vivemos no Brasil em decorrência de uma política econômica desastrosa dos gênios (só que não!) petistas. A verdade é que o atual momento do mercado, em especial, do segmento fonográfico, não se permite futurologismos, achismos, sorte ou coisas do tipo. Todo projeto ou investimento deve ser devidamente planejado, analisado com critérios realistas onde as margens de erros e surpresas devam ser mínimas. É fato também que nenhum diretor artístico por mais genial que seja pode determinar categoricamente que este ou aquele artista será um sucesso estrondoso ou de que uma música se tornará um hit meses depois de ser lançada.

Como já escrevi há alguns anos aqui mesmo no blog, posso tranquilamente elencar várias atitudes e estratégias que farão com que um artista ou projeto chegue ao sucesso. No entanto, mesmo que todas estas ações sejam realizadas, não podemos de forma alguma garantir o êxito completo. Já em contrapartida, posso de igual forma destacar 10 passos para um rotundo fracaso e neste caso, garanto que a simples execução de um destes passos podem levar o incauto ao mais absoluto desastre. O risco é iminente na área artística, porém jamais deve servir como desculpa para vôos cegos onde o fator sorte é mais do que determinante para o sucesso de um projeto. Saber planejar, projetar, calcular, entender os caminhos do mercado, tendências e oportunidades é fundamental na análise sobre a viabilidade de um artista ou disco. E neste momento de transição, em especial, analisar e observar detalhes é vital. Por exemplo, artistas que até tempos atrás tinham uma boa vendagem de discos, mas que hoje têm baixa ou nenhuma força nas plataformas digitais merece atenção dobrada. As possibilidades deste mesmo artista manter-se vigoroso nas vendas físicas são bastante reduzidas. Então, claramente os investimentos projetados há 3 ou 4 anos atrás devem ser revistos dentro de uma nova realidade.

Ao longo dos últimos anos tenho alguns casos em que aparentemente o projeto deveria ser interessante do ponto de vista do investimento, mas que após análises e projeções mais técnicas optamos em não seguir adiante. No passado avaliava-se o histórico do artista em vendas. Hoje em dia avalia-se as projeções futuras de resultados dentro de uma nova ótica. Ou seja, antigamente nos processos de análise de viabilidade econômica o foco era no passado. Neste momento, este foco é alterado radicalmente e passamos a analisar o que está à frente. E neste caso, é importante que a própria classe artística entenda que estamos diante de um novo momento e que expectativas precisam ser repensadas dentro deste cenário atual. Muitos artistas ainda acreditam (ou preferem enganar-se) de que continuarão a ter vendas expressivas de discos pelos próximos anos. Querem manter seus status, suas regalias e principalmente o modelo antigo de relação com suas gravadoras onde tudo cai na conta da empresa e aos artistas, só os benefícios.

Hoje em dia os artistas precisam ser mais participantes do negócio e passar também a dividir com as gravadoras de forma mais equilibrada as despesas e receitas.

É óbvio que quando se fala em dividir o bolo, qualquer ser humano se retrai, mas a realidade é que neste momento (e tudo indica que será assim de agora em diante) os artistas precisarão ter postura de sócios e não de empregados. Esta mudança de cultura não é simples, não será feita sem traumas e dores, mas como todo ajuste inevitável, deverá acontecer mais dia, menos dia.

E antes de seguir para meu segundo ponto, quero esclarecer que não estamos diante de uma recessão no mercado fonográfico. Muito pelo contrário, o que acontece neste momento é uma fase de ruptura com práticas passadas e o início de uma nova etapa no processo. E como qualquer mudança, há insegurança, incerteza, mas também há oportunidades enormes pela frente.

Quem primeiro entender e decifrar este novo mercado certamente sairá na frente da concorrência e afirmo isto não somente às gravadoras, mas muito também aos artistas.

Assim como a análise de viabilidade financeira tornou-se fundamental no processo de investimento em projetos e artistas, outro aspecto mudou radicalmente nos últimos tempos e que também tem a ver com o processo de análise para contratação. Se em tempos atrás um artista era avaliado basicamente por seu histórico de vendas, no caso de artistas com algum tempo de mercado, ou por seu talento, carisma, perfil ou aspectos mais subjetivos, hoje em dia os critérios são outros e bem mais amplos do que os de até então. No passado a pergunta geralmente girava em torno de quantos discos aquele determinado artista vendera do último projeto. Depois a esta pergunta incluía-se a dúvida sobre a quantidade de shows. O artista tem uma agenda de eventos intensa? Tempos depois, já no início da era digital havia mais uma fonte de pesquisa. Além de informar-se sobre vendas e shows, o diretor artístico pesquisava a respeito das visualizações de clipes, imagens de shows e afins. O YouTube passou a ser mais uma importante fonte de pesquisa.

Hoje em dia, dentro do rigor e assertividade no processo decisório para se investir, as gravadoras passaram a analisar vendas físicas, agenda de eventos, quantidade de visualizações nos canais de vídeos, presença e relevância nas redes sociais do artista, resultados de vendas digitais, número de seguidores nas redes sociais e respectiva relevância de suas postagens. Neste item em especial reside boa parte da análise no momento, pois não necessariamente artistas com alto número de seguidores significa relevância junto ao público. Há casos clássicos de artistas com milhões de seguidores onde suas postagens são compartilhadas por míseros seguidores e outros artistas com menor número de fãs e altíssimo alcance de suas postagens.

Atualmente é bem mais comum gravadoras investindo em artistas sem discos lançados que tornaram-se conhecidos nas plataformas de vídeo. No meu caso, em especial, um jovem artista que possui alto número de visualizações e bom engajamento nas redes sociais passa a ser analisado de uma forma bem diferente. Recentemente temos dois casos que exemplificam perfeitamente este novo momento da música e do mercado. Por exatos 5 dias consecutivos, Os Arrais e Priscilla Alcântara figuraram no topo de vendas do iTunes no Brasil. O frisson que estes 2 produtos causaram nas redes sociais deram uma noção da enorme expectativa do público pela chegada destes produtos às plataformas e prateleiras das lojas. Tanto Arrais como Priscilla são artistas que sabem lidar muito bem com o marketing digital e trabalharam em sintonia fina com a equipe de marketing e planejamento da gravadora. O resultado foi fantástico! E engana-se quem imagina que este sucesso limita-se apenas ao universo digital. Ledo engano. As respectivas tiragens de “Paisagens Conhecidas” e “Até Sermos Um” já esgotaram-se no formato físico apenas poucos dias depois de entrarem no estoque da gravadora. Ou seja, neste momento as mídias físicas e digitais se completam fomentando-se uma a outra numa simbiose perfeita! Além disso, Os Arrais terão uma mini-turnê por 6 capitais no Brasil nas próximas semanas e todos os ingressos (Isso mesmo! Todos os ingressos. Sold Out) encontram-se esgotados. De igual forma, a agenda de Priscilla Alcântara está lotada de compromissos em todo o Brasil. Nas próximas semanas a espevitada e super bem humorada cantora estará por Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo, Recife, Fortaleza, Goiânia, Brasília e outras dezenas e dezenas de cidades. Ou seja, estamos diante de dois artistas jovens, que até então eram desconhecidos do grande público e que através de uma boa estratégia e planejamento utilizando o mundo digital, tornaram-se relevantes no mundo físico.

Vou me despedindo a partir daqui porque já estou chegando à capital federal para um dia inteiro de reuniões e muito trabalho. Para quem ainda não conferiu os novos projetos de Os Arrais e Priscilla Alcântara fica aqui minha sugestão. Aproveitando o momento #FicaaDica quero incentivar aos 66 leitores a clicarem no espaço de vídeos de nosso blog para conferir o clipe do talentosíssimo Wesley Santos do Hora Nona. Fiquem ligados nessa turma!
Abraços a todos!

 

Mauricio Soares, jornalista, marqueteiro, blogueiro, tricolor e torcedor pela saída do PT e sua quadrilha do governo.