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Por questões técnicas o blog permaneceu fora do ar por alguns longos dias. Como não tivemos manifestações nas ruas, campanhas nas redes sociais ou mesmo algum pronunciamento oficial do Planalto, estas não-atitudes me fazem perceber que este período inativo não fez falta a ninguém, nem mesmo aos meus tradicionais 66 leitores do blog, que imagino ainda estejam firmes na trincheira desta luta hercúlea de trazer conteúdo diferenciado às mentes do mundinho gospel ou não. Problema solucionado, agora é hora de voltar à carga trazendo muito conteúdo inédito, relevante e quem sabe, que possa contribuir para um melhor entendimento do universo artístico e fonográfico tupiniquim e global.

E vamos atualizar os nossos leitores com informações extremamente importantes e recentes do mercado mundial da música. A IFPI, entidade que reúne as principais empresas do meio fonográfico e detém as informações oficiais do segmento liberou dias atrás o relatório anual com dados do mercado, performance, tendências e tudo mais. É um calhamaço com mais de 150 páginas que dão um approach bastante aprofundado sobre como andam as coisas no meio musical em todo o mundo. Vou destacar algumas informações entre as que achei mais importantes neste momento para compartilhar aqui com vocês.

O mercado mundial da música voltou a crescer depois de décadas de declínio. O ano de 2015 registrou crescimento de 3,2% em todo o mundo, algo que contradiz por completo a tendência de anos anteriores e principalmente o pessimismo do mercado e a visão da imprensa e do senso comum de que a indústria fonográfica era um segmento moribundo à beira do abismo. Ufa! Finalmente depois de anos e anos amargando declínio nos números, finalmente a curva virou no sentido oposto e já projetamos crescimento maduro e contínuo para os próximos anos. No Brasil, o crescimento do mercado foi 10,65%, ou seja, pouco mais de 3 vezes ao registrado mundialmente. Ressalte-se que chegamos a este incrível resultado mesmo tendo que lidar com uma das crises mais agudas do país nos últimos 20 anos, ou seja, se a presidANTA Dilma e a quadrilha do PT não estivessem ‘ajudando’ tanto a fazer com que nossa economia retrocedesse 20 a 30 anos, muito certamente este percentual de crescimento seria ainda bem maior.

Mercados da Europa e EUA são reconhecidos como mais maduros, do ponto de vista do consumo de música. Então para estas regiões a expectativa de crescimento será sempre mais conservadora e é exatamente isto o que temos observado nos últimos anos. Já a América Latina, alguns países da Ásia e principalmente o Brasil, ainda temos um mercado em franca evolução, com enorme potencial de consumo e questões estruturais como a qualidade da banda larga e questões econômicas a resolver, portanto ainda poderemos ter por muitos anos crescimento acima de dois dígitos para o mercado da música.

O consumo de música pelo formato digital cresceu em todo o mundo em 10,2%, seguindo tendência de crescimento e expansão para os próximos anos. Só pra efeito de exemplificação, há no mundo mais de 200 plataformas de streaming atuando neste momento em diferentes países e regiões. No Brasil, ainda temos poucas plataformas deste serviço, sendo que destacam-se apenas 3, a saber: Spotify, Deezer e AppleMusic. Os canais de vídeo como YouTube e Vevo seguem crescendo em relevância e tornando-se importante fonte de consumo da música. Apesar de que no caso do YouTube, há uma menor concentração do interesse sobre música por parte do público, muito em função de que a plataforma vem sendo utilizada para muitos outros objetivos como tutoriais, humor, culinária e tudo mais. Se antes, a música correspondia a 70% das buscas do YouTube, hoje chega perto de 30%. Em contrapartida, a plataforma VEVO, exclusiva para conteúdo musical, vem crescendo substancialmente em relevância nos últimos anos e deve chegar em mais alguns anos à hegemonia na utilização dos usuários que buscam por música na web. No Brasil, o mercado digital cresceu incríveis 45%, muito acima da média mundial, o que somente comprova a mudança de hábito dos consumidores de música no país. Atualmente o mercado de música no Brasil conta com 62% de vendas digitais contra 38% de vendas físicas, que caíram neste último ano em torno de 18% sobre as vendas do ano anterior, seguindo uma tendência mundial de retração.

Especificamente na área gospel, acredito que ainda teremos um delay na mudança dos hábitos de consumo retardando um pouco mais a hegemonia das vendas digitais sobre as físicas, ou mantendo um percentual maior para as vendas físicas do que o observado no meio secular. Tradicionalmente o meio gospel reage de forma mais lenta a algumas mudanças, o que de fato não foi o que ocorreu quando da mudança do formato LP pra CD, que aconteceu em pouco mais de 1 ano, tornando peça de museu vitrolas, 3 em 1 e equipamentos afins. No entanto, neste momento, acho que a venda de discos seguirá relativamente presente no meio por mais alguns anos.

Na semana passada realizamos 2 treinamentos sobre oportunidades do meio digital, plataformas e, em especial audio streaming, voltados aos artistas de nosso cast e seus respectivos assessores. Foi excelente! Uma iniciativa super louvável e que teve adesão maciça dos artistas. Entre tantas dicas e informações ficou muito claro pra mim que o artista não precisa ser o maior expert de plataformas e marketing digital, no entanto, é fundamental que este entenda o mínimo possível deste ambiente. E entendendo que o artista não tenha talvez uma aptidão natural para esta área é indispensável que ele compreenda a importância de se ter uma assessoria que maneje e administre com foco e seriedade suas redes e ações no mundo digital.  E aí quando falamos de assessoria de marketing digital, estamos falando de um profissional com perfil analítico, que saiba colher e interpretar informações, que saiba desenvolver ações e estratégias após ter acesso às informações, ou seja, muito diferente do que aquele jovenzinho com espinha no rosto, recém entrando na puberdade e que é ‘expert’ em fazer flyers com versículos e frases de efeito. Marketing digital é muito mais do que isso! Mas isso é tema pra outro post.

Até a próxima!

 

Mauricio Soares, jornalista, publicitário, entusiasta das novas oportunidades, novas tecnologias e alguém que não tem receio em dividir conhecimento

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Qual tipo de profissão permite que um jovem sem qualquer experiência anterior possa de uma noite pra outra tornar-se conhecido muito além do seu bairro, quarteirão ou mesmo cidade? Neste momento não me ocorre muitas outras opções para responder a esta questão além da carreira artística. Sim! Munido de um violão, uma câmera, talento, carisma e uma boa dose de entendimento de tecnologia e noções de marketing digital, além, é claro, de um repertório selecionado, jovens de qualquer lugar do planeta podem seguir os mesmos passos de Justin Bieber, viralizando na web, angariando milhões de views, outros tantos milhões de seguidores, tornar-se referência e, ao fim, ser convidado por uma major a integrar o cast da gravadora. Mesmo na área esportiva onde cada vez mais nos deparamos com meninos e meninas alcançando destaque em meio a marmanjos, é necessário que este atleta tenha alguns anos de treinamento, acompanhamento e muito foco. Então, sigo confiante de que neste momento a área artística, especialmente a musical, pode ser uma catapulta potente para que um jovem talento queime etapas, pule degraus e no menor tempo possível torne-se um grande sucesso.

Neste momento estamos diante de uma mudança no meio artístico tão radical e tão impressionante que podemos nos deparar com pop stars surgindo em poucos meses, quando estes mesmos, tempos atrás estes eram ilustres desconhecidos no mais absoluto anonimato. Com o advento da internet e das inúmeras plataformas de rede sociais, cada vez fica mais democrático e inesperado o Olimpo artístico. Se até poucos anos atrás, um artista para tornar-se conhecido nacionalmente deveria ser obrigatoriamente divulgado em grandes centros urbanos como São Paulo, Belo Horizonte, Salvador e principalmente, Rio de Janeiro, hoje em dia, a questão territorial literalmente cai por terra. Há algumas semanas atrás comecei a acompanhar o trabalho de uma jovem de 16 anos que vem crescendo dia a dia em relevância nas redes sociais e nas plataformas de video streaming. Sua desenvoltura em frente às câmeras, sua simpatia, talento e principalmente sua empatia junto ao público teen e jovem de diferentes regiões do país, chamou-me a atenção a ponto de fazer algo que há muito tempo não fazia, ou seja, pegar o telefone e fazer contato com uma jovem artista. Esta menina não reside numa capital do país, muito pelo contrário! mas isso, de verdade, de nada importa neste contexto atual. O que importa é que ela tem uma proposta musical de qualidade, está antenada nas redes sociais, seus vídeos têm milhões de visualizações, seus canais têm milhões de seguidores e ela tem o DNA digital, ou seja, é parte de uma geração que vive, pensa, age, se relaciona através da tecnologia e seus diferentes ambientes.

Na verdade, hoje em dia podemos ter celebridades web em função do talento, de uma boa música, mas também pelo oposto, pela bizarrice, pela falta de bom senso e do ridículo. Nestes casos a vida artística é bem fugaz, os vídeos surgem viralizando na rede e no whatsapp e somem na mesma velocidade com que surgem. A dupla “Para Nossa Alegria” que chegou até a lançar um álbum e assinar contrato com uma gravadora, ficou no passado distante em completo ostracismo. Vou ater-me exclusivamente aos cases de sucesso. Melhor assim.

Estamos diante de uma época muito interessante, onde as mudanças de comportamento, hábitos e do contato cotidiano com a música estão em profunda transformação. Outro dia atrás, conversando com um amigo, que por sinal é músico também, destaquei que no meu entendimento hoje temos 3 categorias de artistas convivendo num mesmo cosmos. Há uma turma que viveu o auge do mercado fonográfico com a venda de CDs, DVDs e alguns até com os LPs, e que acreditam na manutenção das demandas atuais por mais algumas décadas à frente. Estes resistem o quanto podem à adaptarem-se às novas realidades, tecnologias, estratégias, hábitos e ações. Para estes, sempre haverá público para os produtos no formato físico e não há necessidade alguma de mudar antigos conceitos e atitudes. A minha visão, que é constantemente explicitada, inclusive aqui no Observatório Cristão, é de que muito possivelmente teremos uma estagnação das vendas físicas daqui alguns anos. Não creio no desaparecimento das mídias físicas, o que realmente acredito é que este mercado irá encolher pelos próximos anos chegando a um nível de 10 a 15% da receita da indústria fonográfica e neste caso, os CDs se somariam aos LPs como um mercado único, do formato físico. O que observaremos nos próximos 3 anos é uma mudança paulatina de consumidores físicos migrando para as plataformas de streaming.

Outro perfil de artista neste momento é aquele que já se deu conta das mudanças, mas que ainda não pensa e age totalmente dentro da realidade digital. É literalmente aquele personagem que está no meio do caminho, que sabe que é necessário seguir viagem mas não tem coragem de deixar o conforto e a segurança da casa dos pais. Ele sabe que as vendas físicas irão cada dia diminuir, mas ainda não tomou coragem de se organizar a ponto de pensar com a mentalidade digital. Como toda mudança, é necessário desamarrar-se de antigas ‘cordas’, é fundamental buscar novos conceitos, novas atitudes, novos profissionais de apoio, novas expectativas e metas. O terceiro modelo de artista que encontro neste atual estágio é justamente aquele que encara de frente as transformações e já pensa e age de acordo com as novas demandas. Este artista é antenado, geralmente tem uma boa equipe de apoio (geralmente formada por ‘experientes’ profissionais de 18, 20 anos de idade), é heavy user das redes sociais, conhece profundamente cada plataforma, pensa digitalmente, é ágil, observa os demais artistas na rede (e aprende com outras eles), e tem número crescente de seguidores nas redes sociais.

Em 27 anos de mercado (como estou ficando velho!) nunca vivenciei uma época como esta onde me parece que tudo está zerado, ou seja, tanto medalhões e artistas jovens, grandes vendedores de discos e adolescentes que nunca encararam um estúdio pela frente, artistas que viajaram por vários países e aqueles que conhecem o mundo exclusivamente pela web, todos estão partindo de um mesmo patamar. Tornar-se um artista relevante digital neste momento é relativamente possível e acessível tanto para artistas renomados (e que entendam a necessidade de se reciclarem!) como para os novatos que estão ‘entrando no ônibus’ agora. Só que esta fase, não irá durar muito tempo! Não mesmo! Em muito pouco tempo, talvez não mais do que 1 ano ou 2 anos no máximo os artistas ‘digitais’ estarão estabilizados e assentados nomainstream. Aí vai ficar mais difícil pra quem chegar atrasado garantir seu lugar de destaque em meio à concorrência. Portanto, é mais do que urgente repensar posicionamentos, atitudes e estratégias. É bem verdade que estamos diante de uma geração absurdamente volúvel onde os modismos mudam na velocidade da luz e o que é in hoje, amanhã já pode ser out. Com isso é até possível que determinados artistas que chegaram a um bom destaque no meio, por motivos diversos, voltem ao fim da fila novamente e desta forma, abram espaço para novos artistas e propostas. A verdade é que como numa brincadeira de dança das cadeiras, na vida artística pouquíssimos são os astros que conseguem ter uma carreira de sucesso, longeva e não sujeita a intempéries. O mais comum é que todo aquele que levanta pra entrar na roda, corre o risco de ficar sem lugar pra se sentar. A concorrência no meio artístico é cruel …

As cartas estão na mesa. Preparem-se porque o jogo vai começar!

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista. Finalizo este texto em um estúdio em São Paulo em meio à gravação do projeto Lado B com a Discopraise. Que por sinal, é uma banda completamente antenada nas novidades, que vem crescendo absurdamente em relevância, agenda e musicalmente. Nota 10 rapaziada!

Geralmente escrevo meus textos em saguões de aeroportos ou mesmo durante voos. No entanto, creio que nunca escrevi estando dentro do avião em plena pista aguardando a liberação do aeroporto de destino. Neste momento estou por mais de uma hora pacientemente aguardando na pista do aeroporto de São José dos Pinhais, PR, para que meu avião decole no sentido do aeroporto de Santos Dumont, Rio de Janeiro. O problema é que neste instante cai um verdadeiro dilúvio na Cidade Maravilhosa. Então para tornar um pouco produtiva minha espera, estarei escrevendo o texto a seguir.

Especialmente nas últimas 3 semanas tenho falado muito sobre tendências do mercado fonográfico. Pra quem acompanha este blog, pelo menos há uns 4 a 5 anos, este incansável editor vem falando sobre a mudança de comportamento do consumidor de música pelo advento da web e especialmente das novas plataformas digitais. Desde muito tempo alerto para o fato de que num momento estaríamos diante da substituição ou alteração radical do formato de consumo de música. As mídias físicas, CDs e DVDs perderiam a cada dia mais espaço para diferentes plataformas como YouTube, AppleMusic, Deezer, Vevo, Spotify, Google Play, entre outras, até que num dia deixassem de ser a principal forma de consumo de música.

Já faz um bom tempo que venho alertando para que artistas e principalmente gravadoras estejam preparadas para as grandes transformações. E agora, oficialmente as vendas digitais entre as majors atuantes no Brasil já superaram as vendas tradicionais. Mais especificamente, o mercado da música no Brasil encontra-se com 60% de vendas digitais contra 40% de vendas de discos. Esta tendência segue de igual forma na esmagadora maioria de regiões em todo o mundo. Esta curva é irreversível e a grande dúvida neste momento é quando e onde irá se estabilizar. Na minha modesta opinião e ciente do grau de ‘achismo’ ou ‘profetada’, imagino que as vendas físicas em até 3 anos chegarão num patamar de 15 a 20% das vendas do mercado fonográfico no país. Na Suécia, país símbolo da mudança digital, as vendas atualmente já são 98% do faturamento total do mercado fonográfico. Um verdadeiro assombro, mas longe de representar a realidade de nosso mercado, nem mesmo daqui algumas décadas. Portanto, algo mais aceitável é acreditar que daqui uns anos, as vendas digitais no Brasil ficarão com 80 a 85% do faturamento.

Interessante neste momento é a volta do mercado de vinis, os famosos LPs, a ponto de gravadoras ressuscitarem departamentos e selos específicos para atender a este nicho de mercado. Mas acredito nesta tendência mais como uma excentricidade e oportunismo, do que verdadeiramente um caminho consistente e pródigo. Ainda mais em se tratando de mercado gospel, esta tendência não vejo com a mínima possibilidade de se consolidar, primeiro pelo perfil do público e segundo, pelas próprias gravadoras do segmento que se destacam pela falta de audácia em suas atividades e estratégias. É assustador nos depararmos com a falta de um cuidado com a história da música cristã no Brasil. Mesmo em tempos de mundo digital onde o catálogo de raridades ganha força nas plataformas de streaming, é praticamente inexistente a presença de álbuns lançados nas décadas de 70, 80 e até mesmo 90. Ou seja, somos um segmento praticamente sem memória … infelizmente!

No meio digital a bola da vez é o streaming que tomou o lugar das plataformas de vídeo como principal canal de monetização. No recente passado, a rentabilidade de vídeos no YouTube e Vevo era superior às demais plataformas. Isso se dava em função do grande número de empresas investindo em publicidade nestes canais, especialmente em ano de Copa do Mundo no país. Com a retração na economia (graças a anos de incompetência petista e ladroagem desenfreada desta corja que está no poder há mais de uma década) no país, o mercado publicitário recolheu seus investimentos nas plataformas de vídeo. Com isso, as plataformas de streaming tornaram-se o espaço mais rentável para artistas e gravadoras.

Com esta mudança, as estratégias também devem ser alteradas num movimento que comprova a importância de se ter sempre acompanhamento, pesquisa e análise crítica de tendências do mercado. Se até algum tempo atrás, as gravadoras focavam na produção em escala de vídeos, clipes e Lyric Videos, o momento agora é totalmente voltado à criação e divulgação de playlists. Pra quem ainda não está ambientado com os termos técnicos, playlist nada mais é do que uma seleção de músicas para facilitar a experiência do consumidor. Boa parte das playlists são criadas de acordo com temas específicos, como por exemplo, o melhor da música pop dos anos 70, ou uma seleção de reggae roots, músicas para meditação, uma seleção de músicas para queimar calorias em academias de ginástica (esta é uma das mais populares em todo o mundo!) e por aí em diante. A playlist é uma facilitadora para o consumidor de música e pode ser seguida pelos assinantes das plataformas como uma espécie de mídia social. É muito comum que formadores de opinião criem suas playlists e que arrebanhem centenas de milhares de seguidores. Ou seja, estamos diante de uma verdadeira transformação de costumes e possibilidades para o mercado da música.

Entre as plataformas de streaming há diversos pacotes de assinatura e utilização. Há contas gratuitas com inserção de publicidade entre a veiculação de músicas, há contas premium com acesso ilimitado de músicas sem qualquer interferência de publicidade, há o serviço de conta “família” onde mais de uma pessoa pode acessar à plataforma simultaneamente em diferentes canais. Em suma, há opções para todos os tipos e bolsos e particularmente optei por uma assinatura do Spotify onde tenho acesso a mais de 30 milhões de músicas. Minha relação com a experiência musical mudou significativamente com o advento das plataformas de streaming. Hoje praticamente fico on line durante boa parte do dia e minha curiosidade por novos sons, novos nomes e novos estilos aguçou-se ao nível máximo.

Depois de horas de espera, eis que o piloto já avisou sobre o procedimento de descida no Rio de Janeiro. O recado está dado! Sugiro aos 66 leitores do Observatório Cristão que pesquisem sobre estas novidades do meio digital. Enjoy!

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista. Este texto quero dedicar especialmente ao meu pai que descansou no Senhor exatamente no momento em que eu estava chegando ao Rio de Janeiro e finalizando este texto. Com ele aprendi a ser uma pessoa melhor, a buscar meus objetivos sem precisar negociar a ética e a valorizar a família, amigos e Deus. Siga em paz. Saudades.

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Semana curta, já começando com um super bem vindo feriado logo na segunda-feira e logo no meio da agenda, uma viagem para a capital goiana onde participarei da segunda edição da Gospel Fair, evento que reúne alguns dos principais players do mercado gospel nacional em diferentes áreas de atuação. E depois de Goiás, um pit stop rápido no Rio de Janeiro e já no domingo partirei para o Rio Grande do Sul onde participarei da Festa Nacional da Música na cidade de Canela. Ou seja, serão dias de muita correria, muitos encontros, reuniões e quem sabe, oportunidade para a criação de novos textos para o blog.

Na edição da Revista Veja (08/Out) o cantor cearense Wesley Safadão, um dos fenômenos de popularidade do momento com shows abarrotados em todo o país, comenta em uma pequena entrevista exclusiva sobre o valor de seu cachê que hoje está entre os maiores do Brasil. De forma muito tranquila ele destaca de que sua produção de shows em nada fica a dever para os grandes astros e de que recentemente ele investiu mais de 1 milhão de reais em equipamentos, além de contar com muitos músicos, bailarinas, um equipe enorme de apoio.

Uma das queixas dos artistas do universo gospel é justamente o tratamento diferenciado que recebem dos contratantes, principalmente prefeituras, em se tratando dos valores de cachês. Muitos destes artistas fazem questão de destacar que em contraponto aos valores tímidos de contrato, os shows de artistas evangélicos costumam ser os de maior apelo e presença do público. E isso, em parte, é verdade! Já estive em festas de cidades onde os shows de música gospel reuniram maior público do que sertanejos ou roqueiros. Além disso, os shows de música gospel geralmente são absurdamente mais ordeiros, menos danosos ao patrimônio público e demandam menores investimentos em mídia.

A grande questão neste assunto – e que nunca é mencionado pelos artistas gospel – é a abissal distância entre a qualidade de produção de um show do segmento religioso e dos seus congêneres do secular. Enquanto os sertanejos e artistas populares investem em palcos cinematográficos, carretas, aparelhagens de som, vídeo e luz, bailarinas, cenografia e tudo mais, os artistas do meio evangélico seguem a dinâmica do minimalismo artístico, onde a própria presença e um discurso emocionante do artista já são mais do que suficientes para garantir o sucesso do evento.

Jamais podemos incorrer no erro de comparar eventos religiosos com seculares, mas não atentar para alguns detalhes nesta área acarreta distorções e, sem dúvida, atrapalha num maior e melhor reconhecimento e valorização por parte dos contratantes. Em primeiro lugar, é fundamental definir as expectativas de um evento. Vamos levar em consideração de que a partir de agora iremos tratar apenas dos shows realizados para prefeituras. Quando uma prefeitura contrata um show ela está preocupada tão somente em entreter sua população. Geralmente a prefeitura não tem um estilo musical único de sua preferência e precisa contemplar os diferentes públicos que compõem seus moradores (e, principalmente eleitores!). Então nestes eventos temos atrações dos mais variados gêneros, do pagode ao clássico, do sertanejo ao rock e, cada vez mais comum, do público católico ao evangélico. No entanto, independente do estilo musical, o objetivo destes eventos é tão somente entretenimento.

O grande problema é que muitos artistas do meio gospel querem cada vez mais estar presentes nos eventos de prefeitura e garantirem assim bons cachês, porém não observam este detalhe, ou seja, de que o motivo da presença deles nestes eventos é basicamente promover uma ação de entretenimento e como tal, oferecer ao público presente não um culto, mas um show. É óbvio que espera-se de um artista religioso muito mais do que simplesmente apresentar uma boa música, mas daí a transformar o palco num púlpito onde o artista prega por longos minutos e diante de uma platéia eclética, aí já é falta de bom senso mesmo!

Entender a real expectativa do contratante é um passo importante para que a avaliação da apresentação do artista seja positiva.

Entendendo esta expectativa, o artista precisa ‘entregar’ ao contratante e ao público um evento realmente de qualidade e atraente. E é justamente nesta questão que os artistas religiosos despencam na comparação com o show business secular na mesma proporção de nossa moeda perante ao dólar. Excetuando-se André Valadão, DJ PV e mais um ou outro gato pingado gospel poucos são os artistas do segmento religioso que investem na qualidade de suas apresentações. A esmagadora maioria dos artistas do segmento muito mal se contentam em levar uma banda completa nos seus shows para prefeituras. Não há preocupação com conteúdo para os telões, repertório adequado para grandes públicos, efeitos especiais, programação de luz, e muitas vezes a banda parece que foi acordada às pressas para subir ao palco, sem tempo para vestir um figurino legal. Já estive em evento que o músico se apresentava com um chaveiro repleto de 20 chaves penduradas, além de um Nextel reluzente no cinto. Triste cena!

Seguindo com os exemplos, já tive o desprazer e vergonha alheia de assistir a um show promovido por uma prefeitura do Estado de São Paulo onde o artista gospel teve a cara-de-pau-ungida de se apresentar com voz e violão, quando na verdade, o contratante pagou por um show completo e cachê de mega produção. O palco deste evento era daqueles gigantes, cheio de movie lights, mega estrutura de som e vídeo e onde durante a semana se apresentariam vários artistas do primeiro time da MPB em diferentes estilos. A distância entre o show gospel e os populares foi gritante! A ponto do prefeito chamar o pastor-presidente do conselho de pastores local para uma conversa ao pé-do-ouvido questionando se aquele era mesmo o show que a classe havia tanto pleiteado à prefeitura. Vergonha Alheia – Parte 2. O pior disto tudo é que depois já no backstage o artista suando em bicas verdadeiramente achava que havia feito um grande show. E pela reação da plateia antes e depois do show a impressão era realmente de que a noite havia sido fantástica! Diante deste fato fiquei na dúvida se o público havia gostado do show porque não tinha outras referências ou porque o artista realmente era tão carismático a ponto de atender às expectativas. De qualquer forma, o público ali presente era 99% formado por evangélicos, ou seja, o evento tornou-se puramente entretenimento gospel e não atingiu a objetivos mais nobres de evangelizar não-convertidos.

Muitos artistas do meio gospel já têm em seus currículos a gravação de DVDs. No meio sertanejo, em especial, e na maior parte dos artistas populares de outros gêneros, o DVD serve como uma material de apresentação do ‘show de estrada’. E é impressionante a capacidade destes artistas em transformar a super produção de um DVD no show itinerante. Em média, 80% do cenário e estrutura do DVD segue para a turnê pelo país. Já no meio gospel, a esmagadora (pra não dizer totalidade) maioria dos projetos de DVD resumem-se a aquela única noite de gravação. Isso soa meio como a estória da Cinderela, em que tudo acaba à meia noite transformando uma linda carruagem em abóbora. É o que acontece com os artistas do segmento gospel … planejam uma mega produção para a gravação do DVD e tudo ali começa e termina naquelas pouquíssimas horas. Do ponto de vista de investimento, estes projetos são uma perda megalomaníaca de dinheiro, uma espécie de ‘prejuízo ostentação’. Isso para não falar em determinados artistas que investem em DVDs como se fossem a realização de um sonho e depois de gravado, abandonam o projeto de lado, alcançando vendagens, divulgação e alcance pífios.

É importante que os artistas do segmento gospel revejam urgentemente suas expectativas e principalmente suas atitudes. Se os artistas querem melhorar a relação com os contratantes seculares de shows, devem imediatamente investir na qualidade da produção dos shows que levam para a estrada. Também devem investir urgentemente em profissionais que cuidam da parte de negociação e agenda. Já fui procurado por empresários do show business se queixando da qualidade (péssima!!!!) do atendimento da assessoria de alguns pop stars do meio evangélico. Inclusive alguns destes contratantes e até mesmo prefeituras simplesmente desistiram de manter relacionamento com o meio gospel porque se frustraram e se irritaram inúmeras vezes. É fundamental que o mercado de shows gospel profissionalize-se o quanto antes oferecendo uma contrapartida à altura das expectativas. Somente assim, os contratantes irão investir no segmento e dar o devido valor. Quem quer ser respeitado, sempre deve fazer-se respeitado. Simples assim.

Em tempo de crise, jacaré é tronco.

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, peladeiro de fim de semana e alguém que torce pela mudança urgente dos rumos da política e economia de nosso país.

Algumas práticas no meu dia a dia como executivo de uma gravadora, por mais que pareçam óbvias, efetivamente assumiram uma importância maior para mim somente nesta última fase de minha vida profissional. Estas novas práticas que hoje encaro como verdades absolutas, talvez sejam o maior ganho que tive nos últimos anos dentro do upgrade que conquistei do ponto de vista profissional. Aos mais próximos e amigos não tenho constrangimento algum de confessar que mesmo reconhecendo que no meio gospel sempre tive um certo destaque entre meus pares, especialmente nestes últimos anos considero que consegui ter um ganho de no mínimo uns 80% em minha expertise. Isto apenas comprova como o game no meio secular é completamente outro em comparação com o que vivenciamos no mercado gospel tupiniquim. E arrisco a dizer que este abismo entre estes dois mundos tende cada vez a aumentar mais.

Duas práticas em especial posso destacar entre estas novas atitudes que para mim tornaram-se fundamentais. A primeira é a questão – como já falei antes, é vergonhosamente óbvia, mas também verdadeira – de que todo projeto deve ser analisado criteriosamente sobre sua viabilidade econômica e comercial. Até então, todo projeto ou mesmo contratação era simplesmente analisado do ponto de vista do empírico: Vende ou não vende? Tem ou não tem mercado? Tem ou não tem potencial? Convenhamos que este tipo de análise meio Mãe Dinah, ainda mais nestes tempos bicudos que vivemos no Brasil em decorrência de uma política econômica desastrosa dos gênios (só que não!) petistas. A verdade é que o atual momento do mercado, em especial, do segmento fonográfico, não se permite futurologismos, achismos, sorte ou coisas do tipo. Todo projeto ou investimento deve ser devidamente planejado, analisado com critérios realistas onde as margens de erros e surpresas devam ser mínimas. É fato também que nenhum diretor artístico por mais genial que seja pode determinar categoricamente que este ou aquele artista será um sucesso estrondoso ou de que uma música se tornará um hit meses depois de ser lançada.

Como já escrevi há alguns anos aqui mesmo no blog, posso tranquilamente elencar várias atitudes e estratégias que farão com que um artista ou projeto chegue ao sucesso. No entanto, mesmo que todas estas ações sejam realizadas, não podemos de forma alguma garantir o êxito completo. Já em contrapartida, posso de igual forma destacar 10 passos para um rotundo fracaso e neste caso, garanto que a simples execução de um destes passos podem levar o incauto ao mais absoluto desastre. O risco é iminente na área artística, porém jamais deve servir como desculpa para vôos cegos onde o fator sorte é mais do que determinante para o sucesso de um projeto. Saber planejar, projetar, calcular, entender os caminhos do mercado, tendências e oportunidades é fundamental na análise sobre a viabilidade de um artista ou disco. E neste momento de transição, em especial, analisar e observar detalhes é vital. Por exemplo, artistas que até tempos atrás tinham uma boa vendagem de discos, mas que hoje têm baixa ou nenhuma força nas plataformas digitais merece atenção dobrada. As possibilidades deste mesmo artista manter-se vigoroso nas vendas físicas são bastante reduzidas. Então, claramente os investimentos projetados há 3 ou 4 anos atrás devem ser revistos dentro de uma nova realidade.

Ao longo dos últimos anos tenho alguns casos em que aparentemente o projeto deveria ser interessante do ponto de vista do investimento, mas que após análises e projeções mais técnicas optamos em não seguir adiante. No passado avaliava-se o histórico do artista em vendas. Hoje em dia avalia-se as projeções futuras de resultados dentro de uma nova ótica. Ou seja, antigamente nos processos de análise de viabilidade econômica o foco era no passado. Neste momento, este foco é alterado radicalmente e passamos a analisar o que está à frente. E neste caso, é importante que a própria classe artística entenda que estamos diante de um novo momento e que expectativas precisam ser repensadas dentro deste cenário atual. Muitos artistas ainda acreditam (ou preferem enganar-se) de que continuarão a ter vendas expressivas de discos pelos próximos anos. Querem manter seus status, suas regalias e principalmente o modelo antigo de relação com suas gravadoras onde tudo cai na conta da empresa e aos artistas, só os benefícios.

Hoje em dia os artistas precisam ser mais participantes do negócio e passar também a dividir com as gravadoras de forma mais equilibrada as despesas e receitas.

É óbvio que quando se fala em dividir o bolo, qualquer ser humano se retrai, mas a realidade é que neste momento (e tudo indica que será assim de agora em diante) os artistas precisarão ter postura de sócios e não de empregados. Esta mudança de cultura não é simples, não será feita sem traumas e dores, mas como todo ajuste inevitável, deverá acontecer mais dia, menos dia.

E antes de seguir para meu segundo ponto, quero esclarecer que não estamos diante de uma recessão no mercado fonográfico. Muito pelo contrário, o que acontece neste momento é uma fase de ruptura com práticas passadas e o início de uma nova etapa no processo. E como qualquer mudança, há insegurança, incerteza, mas também há oportunidades enormes pela frente.

Quem primeiro entender e decifrar este novo mercado certamente sairá na frente da concorrência e afirmo isto não somente às gravadoras, mas muito também aos artistas.

Assim como a análise de viabilidade financeira tornou-se fundamental no processo de investimento em projetos e artistas, outro aspecto mudou radicalmente nos últimos tempos e que também tem a ver com o processo de análise para contratação. Se em tempos atrás um artista era avaliado basicamente por seu histórico de vendas, no caso de artistas com algum tempo de mercado, ou por seu talento, carisma, perfil ou aspectos mais subjetivos, hoje em dia os critérios são outros e bem mais amplos do que os de até então. No passado a pergunta geralmente girava em torno de quantos discos aquele determinado artista vendera do último projeto. Depois a esta pergunta incluía-se a dúvida sobre a quantidade de shows. O artista tem uma agenda de eventos intensa? Tempos depois, já no início da era digital havia mais uma fonte de pesquisa. Além de informar-se sobre vendas e shows, o diretor artístico pesquisava a respeito das visualizações de clipes, imagens de shows e afins. O YouTube passou a ser mais uma importante fonte de pesquisa.

Hoje em dia, dentro do rigor e assertividade no processo decisório para se investir, as gravadoras passaram a analisar vendas físicas, agenda de eventos, quantidade de visualizações nos canais de vídeos, presença e relevância nas redes sociais do artista, resultados de vendas digitais, número de seguidores nas redes sociais e respectiva relevância de suas postagens. Neste item em especial reside boa parte da análise no momento, pois não necessariamente artistas com alto número de seguidores significa relevância junto ao público. Há casos clássicos de artistas com milhões de seguidores onde suas postagens são compartilhadas por míseros seguidores e outros artistas com menor número de fãs e altíssimo alcance de suas postagens.

Atualmente é bem mais comum gravadoras investindo em artistas sem discos lançados que tornaram-se conhecidos nas plataformas de vídeo. No meu caso, em especial, um jovem artista que possui alto número de visualizações e bom engajamento nas redes sociais passa a ser analisado de uma forma bem diferente. Recentemente temos dois casos que exemplificam perfeitamente este novo momento da música e do mercado. Por exatos 5 dias consecutivos, Os Arrais e Priscilla Alcântara figuraram no topo de vendas do iTunes no Brasil. O frisson que estes 2 produtos causaram nas redes sociais deram uma noção da enorme expectativa do público pela chegada destes produtos às plataformas e prateleiras das lojas. Tanto Arrais como Priscilla são artistas que sabem lidar muito bem com o marketing digital e trabalharam em sintonia fina com a equipe de marketing e planejamento da gravadora. O resultado foi fantástico! E engana-se quem imagina que este sucesso limita-se apenas ao universo digital. Ledo engano. As respectivas tiragens de “Paisagens Conhecidas” e “Até Sermos Um” já esgotaram-se no formato físico apenas poucos dias depois de entrarem no estoque da gravadora. Ou seja, neste momento as mídias físicas e digitais se completam fomentando-se uma a outra numa simbiose perfeita! Além disso, Os Arrais terão uma mini-turnê por 6 capitais no Brasil nas próximas semanas e todos os ingressos (Isso mesmo! Todos os ingressos. Sold Out) encontram-se esgotados. De igual forma, a agenda de Priscilla Alcântara está lotada de compromissos em todo o Brasil. Nas próximas semanas a espevitada e super bem humorada cantora estará por Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo, Recife, Fortaleza, Goiânia, Brasília e outras dezenas e dezenas de cidades. Ou seja, estamos diante de dois artistas jovens, que até então eram desconhecidos do grande público e que através de uma boa estratégia e planejamento utilizando o mundo digital, tornaram-se relevantes no mundo físico.

Vou me despedindo a partir daqui porque já estou chegando à capital federal para um dia inteiro de reuniões e muito trabalho. Para quem ainda não conferiu os novos projetos de Os Arrais e Priscilla Alcântara fica aqui minha sugestão. Aproveitando o momento #FicaaDica quero incentivar aos 66 leitores a clicarem no espaço de vídeos de nosso blog para conferir o clipe do talentosíssimo Wesley Santos do Hora Nona. Fiquem ligados nessa turma!
Abraços a todos!

 

Mauricio Soares, jornalista, marqueteiro, blogueiro, tricolor e torcedor pela saída do PT e sua quadrilha do governo.

No dia 20 de outubro a gravadora Sony Music lançou um projeto inédito e inovador, uma nova forma de lidar com a música dentro do conceito de divulgação e entretenimento através da web. O projeto Sony Music Live é uma grande aposta da empresa e tem tudo para ser também implantado nas filiais da companhia em outros países. A expectativa pelo sucesso do projeto é enorme e levando-se em conta os primeiros resultados e impressões de quem já conferiu e entendeu a iniciativa, as projeções são as mais positivas. O projeto que começou junto à área de música gospel já foi devidamente incorporado para toda a empresa, ou seja, nas próximas semanas teremos episódios do Sony Music Live com artistas cristãos e seculares em diferentes dias da semana.

O insight para este projeto surgiu durante minha última visita à sede da Provident, braço de música cristã da Sony Music localizada em Nashville, EUA. Numa reunião com os executivos da companhia questionei-os sobre a ausência de lançamentos de projetos de DVDs e a resposta deles foi categórica: “Não gravamos mais DVDs! Não há mercado mais para este formato. O DVD além de muito custoso rapidamente é disponibilizado na web. Ou seja, ficou um projeto inviável economicamente. Temos investido cada vez mais em conteúdo para a internet!” Ouvi atentamente aquela explicação e passei a pesquisar mais a respeito desta mudança no formato.

Nas semanas seguintes passei a freneticamente pesquisar modelos de clipes e afins, uma infinidade de conteúdos artísticos disponíveis na web. Percebi que nem sempre os clipes mais elaborados eram os mais acessados. Há um vídeo emblemático que sempre cito quando conto às pessoas sobre todo meu processo de pesquisa. Um determinado artista pop do primeiro time da música mundial, ganhador de diversos prêmios, com milhões de discos vendidos, inúmeros hits no topo da parada de rádios, pois bem esse mega pop star tem alguns vídeos quase caseiros, um dos quais gravado numa pequena livraria, com apenas uma câmera, sendo acompanhado por 2 músicos, inclusive o tecladista com uma mochila pendurada às costas. Em suma, a preocupação com a produção em si era a menor possível, o conceito é apresentar o artista e principalmente, sua arte em primeiro plano. Este vídeo tem mais de 50 milhões de views. Isso mesmo! Mais de 50 milhões de visualizações, o que certamente trouxe uma monetização absurda, tornando aquele simples vídeo uma ferramenta não só de divulgação, mas principalmente de geração de receita.

Em paralelo à pesquisa na web, comecei a estudar os números do mercado digital e observando linha a linha as receitas que aferimos em nosso projeto local constatei de que mais de 60% da receita digital de minha área era proveniente das plataformas YouTube/Vevo. Algo interessante começava a tomar forma naquele momento. Muitas reuniões depois com a equipe de New Business da gravadora comecei a formatar o projeto com meu parceiro de ‘viagens criativas’, Hugo Pessoa. Chegamos a uma ideia mais elaborada e apresentamos o projeto à gravadora com embasamentos técnicos, criativos e principalmente econômicos. Projeto e budget aprovados partimos para uma terceira fase, a realização do projeto em si e aí mais uma vez analisamos quais deveriam ser os artistas mais adequados para uma primeira fase do projeto. A dúvida era entre artistas muito populares ou artistas com relevância nas redes sociais e visualizações. Listas e seleções feitas, chegamos a um cast inicial de 10 nomes.

Mais reuniões, mais análises, muitas ideias foram surgindo nas reuniões de brainstorming com a equipe de Marketing Digital e New Business até que chegamos ao formato final que irá disponiblizar conteúdo inédito sempre às terças-feiras a partir das 18h no canal Sony Music Live no YouTube. Após acessar ao canal, o público irá migrar automaticamente para a plataforma VEVO onde ficarão os vídeos alocados nas páginas dos respectivos artistas. Por semana serão lançados entre 3 a 4 novos vídeos de um mesmo artista. A cada semana um novo artista será apresentado com episódios inéditos. Gabriela Rocha, Paulo César Baruk, Salomão do Reggae, Marcela Taís, Trazendo a Arca, Priscilla Alcântara, Leonardo Gonçalves, Os Arrais, são alguns dos artistas já confirmados na série que conecta pessoas e artistas dentro e fora dos palcos. O processo de seleção dos artistas passa prioritiariamente pelo grau de potencial de visualizações que cada artista traz em si. Neste item, alguns jovens nomes saem bem à frente se comparados com alguns medalhões do mainstream gospel.

Sony Music Live não é um DVD e muito menos um clipe. A cada episódio a série é gravada em um cenário inédito e exclusivo que nunca se repetem. Cada artista tem um conceito próprio e isso é respeitado pelos diretores de cada episódio, ou seja, manter uma proposta artística de acordo com o estilo de cada intérprete. Então, a cada semana o público sempre terá surpresas e muitas novidades. Após a estréia, cada episódio ficará disponível no canal oficial da série no YouTube e também nos canais exclusivos de cada artista na VEVO.

Sony Music Live é uma nova forma da indústria fonográfica lidar com as novas culturas, novas tecnologias, novos hábitos. Uma nova experiência se apresenta onde o público terá oportunidade de assistir a conteúdo de qualidade de uma forma diferente. Não costumo usar o blog para falar de projetos pessoais, mas neste caso abro mão de minha própria regra, afinal este é, sem dúvida, um projeto que tem tudo para sinalizar um caminho bastante interessante no mercado fonográfico, nada mais pertinente para o espírito deste blog.

Tenho me repetido muito ultimamente e batido sempre na tecla de que a música hoje em dia é totalmente visual. A própria expressão “você ouviu?” já foi alterada para “você assistiu?” tamanha a importância do vídeo na experiência do público com a música. Esta nova relação é o conceito gênese do projeto Sony Music Live, proporcionar ao público uma mudança no contato com o artista e sua música. Se você ainda não conferiu este projeto, fica a dica!

Enjoy!

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, diretor artístico e alguém ainda apaixonado pela música em suas diferentes formas e ambientes. Viva a boa música! Sempre!

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Nestes últimos dias venho tentando escrever algum texto que valha a pena ser publicado por aqui. O nível de exigência de meus 66 leitores é relativamente alto, então preciso sempre me empenhar em merecer tal atenção desta turma que me segue nos últimos 8 anos. Neste exato instante tenho 4 textos inacabados. Há um momento em que o meu nível de criatividade está próximo ao da popularidade da presidente Dilma, então como não tenho o recurso das pedaladas fiscais, a única opção é parar com tudo e esperar que num momento qualquer a inspiração retorne com força. O problema é que na contramão da alta do dólar, meus insights estão lá embaixo.

Nestas horas o melhor a se fazer é justamente não fazer nada. E de repente num papo informal e despretensioso pode surgir uma assunto, uma ideia e aí tudo flui numa naturalidade assombrosa. E ontem, em meio a uma reunião importante, anotei dois temas que poderiam servir como mote para um novo texto. Vou optar por um dos assuntos e tentarei nos próximos minutos seguir com o texto. Espero que ao fim, tenhamos um post à altura de tantos outros aqui publicados.

Lá no meio do século passado, as gravadoras trabalhavam muito com o lançamento de discos com singles. A gravadora produzia um disco, muitas das vezes com conteúdo apenas em um lado da bolacha, às vezes até o mesmo conteúdo em ambos os lados, para testar junto ao público consumidor a força da canção. Algumas vezes eram discos sazonais, como por exemplo, as animadas marchinhas de carnaval. O senso de oportunidade na época era algo que norteava muitos destes lançamentos. Se de repente um fato marcante na política chamava a atenção da opinião pública, imediatamente a gravadora mobilizava seus músicos e artistas – sim, as gravadoras tinham estúdios, artistas e mesmo músicos próprios dedicados – e rapidamente sacava uma canção para ser lançada ao mercado.

Nesta época a rádio tinha o poder de comunicação de massa mais eficiente. Especialmente a Rádio Nacional localizada na capital federal, Rio de Janeiro, ditava a moda, lançava os grandes artistas, transformava uma canção em sucesso nacional. O sonho de todo artista de então, era poder participar dos programas de auditório ao vivo e interpretar suas canções que poderiam do dia para a noite tornarem-se o grande hit do país.

Depois as gravadoras foram abandonando esta estratégia de lançamento de singles, a bolacha passou a ter mais canções. O trabalho de divulgação aos poucos foi migrando do rádio para a TV e tudo se transformou décadas depois. Aí veio o CD e a música voltou a ter seu consumo aumentado em escalas inimagináveis. A possibilidade de uma melhor portabilidade, qualidade, durabilidade e mesmo a sensação de uma inovação tecnológica acabaram mais uma vez transformando a realidade do mercado. Quando todos imaginavam que as coisas estavam perfeitas, eis que nos deparamos com mais uma mudança radical com a chegada do mundo digital.

E é a partir de agora que quero seguir no tema central do post. Além das mudanças na forma de consumo, da portabilidade, na popularização do conteúdo, uma das mudanças mais radicais neste novo ambiente é justamente um revival ao formato que foi amplamente utilizado há décadas atrás, o single. Se antigamente atrás os artistas e mesmo o público consumidor valorizava a quantidade de faixas em cada disco, o atual momento aponta para o caminho oposto onde a obra passa a ser individualizada, única, uma experiência diferenciada de todo o contexto de um álbum. Em suma, a música assume uma força exclusiva que antes era diluída em meio a um repertório.

Cerca de 6 semanas atrás lançamos a música “Acredito” com o fenomenal Leonardo Gonçalves. Pra quem esteve no leste europeu ou nos rincões da Ásia nestas semanas e não sabe do que se trata essa canção, informo que esta música faz parte da trilha do filme “Você Acredita?” que está nos cinemas de todo o país e conseguiu a proeza de levar mais de 300 mil pessoas às salas, configurando o recorde de bilheteria de um filme cristão no país. Pois bem, esta única música alcançou o topo de vendas do iTunes no Brasil, tanto no período de pré-vendas como no seu lançamento. A versão em clipe também ficou no topo da mesma plataforma. A faixa teve mais de 58 mil streamings no Spotify em uma semana, um sucesso absoluto! Agora, o vídeo está prestes a superar 2 milhões de views no YouTube/Vevo. A música também está entre as mais executadas nas FMs do segmento no país. Ou seja, bastou apenas uma música de qualidade, interpretada por um artista de qualidade e relevância, com o suporte de uma gravadora que desempenha com maestria o marketing digital e tradicional (modéstia à parte!) para que os resultado fossem alcançados.

O lado positivo desta mudança está justamente em alguns dos mesmos fatores de quando a indústria fonográfica trabalhava com as bolachas de vinil. A facilidade em colocar uma canção no momento certo dá ao artista uma agilidade e senso de oportunidade maior. Não precisa mais que o artista hiberne por meses dentro de um estúdio para reunir 12, 14, 16 canções naquele repertório que ele julga como sendo o definitivo em sua carreira. Isso é desnecessário hoje em dia! Com a facilidade de produção, o artista pode reunir sua ‘tropa’ e gravar um single (o ideal é que este single seja lançado já com um clipe!) colocando-o nas plataformas digitais dias depois. Isso é simplesmente fantástico!

Se a fase for boa e criativa, não há impedimento algum que este single se torne um EP com mais 2 ou 3 outras faixas. O importante é que o artista entenda esta nova configuração do mercado e principalmente do público consumidor. O serviço digital que mais cresce no mundo é justamente o streaming, com destaque para o Spotify, e neste ambiente, o que impera são as playlists, ou seja, uma seleção de singles de diferentes artistas ou não, divididos por temas ou segmentos. Ou seja, mais uma vez o conceito de single chega com força!

Então, se você ainda é daqueles que estão esperando reunir um monte de músicas para lançar um álbum, que tal poupar esforço, tempo e dinheiro e começar a trabalhar de uma forma diferente e atual? Pense seriamente na possibilidade de lançar singles ou EPs, deixando claro que todo lançamento deve vir acompanhado de uma estratégia intensa de marketing digital. Ultimamente tenho conversado com artistas que colocaram seus projetos nas plataformas digitais através de agregadores como se isto fosse a parte mais importante do processo. Ledo engano. Colocar sua música no Spotify entre outras 30 milhões de canções sem um trabalho específico de promoção é mais ou menos como a ideia da agulha no palheiro, ou seja, praticamente impossível que alguém consiga encontrar seus conteúdos. Então, além de mudar o formato do trabalho, as estratégias e ações também precisam ser reavaliadas.

Ufa! Consegui chegar até o fim. Mais um texto para o deleite (ou não) dos 66 leitores.

Antes de finalizar este post quero incentivar a todos aqueles que curtem música de qualidade para estarem atentos ao dia 02 de outubro. Nesta data estaremos lançando as pré-vendas no iTunes dos novos álbuns de Os Arrais (EP Paisagens Conhecidas) e Priscilla Alcântara (Até Sermos Um). Uma semana depois, oficialmente em todas as plataformas digitais estes produtos estarão disponíveis. Como A&R que sou, conto com o privilégio de conferir estes projetos antecipadamente e posso garantir que são fenomenais!
Mauricio Soares, jornalista, publicitário, profissional de marketing, blogueiro, palestrante, diretor artístico, pai, marido, precisando de férias urgente!

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Impactado com o enorme alcance do último texto demorei-me um pouco mais para escrever um post inédito porque meu nível de exigência fica em grau máximo depois de publicar algo que realmente foi bem aceito por meus 66 leitores do blog. Mesmo não tendo muitos comentários na área destinada para este fim no próprio blog, este último texto foi pródigo em comentários nas redes sociais, emails, telefones e mesmo bate papos ao vivo e a cores. Alguns dos mais chegados disseram inclusive de que eu estaria dando ideias para a concorrência e afins, mas neste caso prefiro olhar pela ótica de que o que escrevi ali já está mais do que claro a quem realmente trabalha com seriedade e competência no meio, então aqueles que já não haviam atentado para os ‘toques’ dados na consultoria 0800 é porque não merecem muita atenção mesmo, certamente continuarão na mesma toada de sempre.

Mas quero falar de um assunto que já faz muito tempo deveria virar um post aqui no Observatório Cristão. Por motivos que fogem ao meu controle alguns assuntos demoram semanas, até meses para oficialmente estrearem no blog. E este é um caso clássico de “deixado para trás”. Há uns 4 ou 5 anos escrevi aqui no blog sobre a necessidade de termos mentores, pessoas com um pouco mais de experiência que serviriam como ‘professores’, ‘líderes’, ‘exemplos a serem seguidos’ e de como infelizmente em boa parte de minha trajetória profissional fui tolido de ter esta oportunidade. Praticamente tornei-me um auto-didata do meio fonográfico gospel pela mais absoluta falta de profissionais que servissem como mentores em minha área.

E talvez por esse ‘trauma’ pessoal eu tenha tanto prazer em dividir um pouco de meu conhecimento e experiências. Vez ou outra quando viajo para algumas cidades sou convidado a encontrar com jovens músicos, estudantes de comunicação ou mesmo amigos para poder dar dicas, tirar dúvidas e coisas do tipo. Mesmo em meio a viagens estafantes este tipo de convite jamais foi negado por mim pelo simples fato de eu gostar demais destes eventos e por entender a importância de momentos como este na formação profissional de jovens. A própria existência deste blog nada mais é do que um exercício permanente de troca de experiência e doação de meu tempo para o crescimento intelectual e informativo dos leitores. Portanto, creio na importância de termos exemplos e facilitadores em nossa vida pessoal e profissional.

E aí, analisando o meio artístico gospel, percebo que esta prática não é em nada disseminada. Qual artista jovem foi apoiado intensamente por outro artista já estabelecido no meio gospel tupiniquim nos últimos 10 anos? Me esforço para pensar em alguns nomes e confesso que nem um único nome me vem à mente. Talvez vocês possam me ajudar e indicar algum artista do segmento que tenha ‘aberto portas’ para outro artista iniciante no meio gospel, porque eu mesmo não consigo elencar um único nome. E por que essa falta de atitudes neste sentido?

O ‘apadrinhamento’ não é raro no meio artístico secular. O hoje consolidado Zeca Pagodinho foi lançado e cuidado por sua mentora Beth Carvalho, grande dama do samba. Nomes como Ivone Lara, Luan Santana, Seu Jorge, Lulu Santos foram apoiados por ‘padrinhos’ até conquistarem o seu espaço no cenário artístico. Atualmente a banda Donica e Mosquito são duas recentes novidades que contam com o apoio de ninguém menos do que Caetano Veloso.

Há uns 3 ou 4 anos atrás surgiu uma jovem cantora no meio gospel que participara de um DVD de um grande astro do meio. Ali poderia ter surgido um apadrinhamento clássico de um artista consolidado abrindo espaço para uma jovem promessa, mas bastaram uns 2 a 3 shows juntos para que a parceria se desfizesse sem maiores explicações. Não sei se o que falta no nosso meio é apenas esse alerta ou se realmente os medalhões estão realmente só focados em seu próprio projeto, ou pra usar o jargão do evangeliquês, seu ministério.

A verdade é que precisamos de mais padrinhos na música gospel. Imagine só um artista que chegasse ao mercado com o apoio e respaldo de um artista do naipe de Aline Barros, André Valadão, Fernandinho, Damares, Shirley Carvalhaes, Cassiane, entre outros. No mínimo este apadrinhamento traria uma espécie de selo de qualidade e enorme expectativa do público pelo trabalho do jovem artista. Precisamos de mais mentores em nosso meio! Precisamos que os artistas consolidados ajudem a quem está chegando a romper com alguns obstáculos!

Da parte dos contratantes acho que não teria problema algum em fechar o pacote do grande nome e do jovem artista apadrinhado. Geralmente estes jovens artistas estão na estrada em busca de experiência e divulgação, então os custos extras certamente não serão impeditivos aos contratantes. E para o artista top, o fato de ter uma banda ou artista fixo abrindo seus shows garante uma série de vantagens como por exemplo a diminuição de estresses entre as equipes técnicas. Além disso há um claro benefício na imagem do artista consolidado dando força para artistas da nova geração. Isso é fato! Isso sem falar nas questões econômicas onde o escritório do artista consolidado pode também administrar os shows e cachês do apadrinhado, o que é algo absolutamente natural. Ou seja, só vejo vantagens nesta ação entre amigos.

O meio artístico é naturalmente competitivo. Não tem como negar isso! Pode até mesmo ser considerada uma característica inerente entre pessoas deste estilo, mas o despojamento e altruísmo também é aspecto comum neste ambiente. Sinceramente acho que no meio gospel este comportamento ainda não se tornou mais comum pela falta de um ‘estalo’ talvez … quem sabe?

Então considere esse texto como um alerta, um ‘se liga irmão!’, um ‘estalo’ … vai que funciona?

Boa semana!

 

Mauricio Soares, publicitário, bom de papo, jornalista, consultor de marketing.