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Dias atrás recebi a informação de que o Salão Internacional Gospel seria cancelado e isso, se confirmou faltando apenas alguns dias para a realização do evento. Acho que este evento já estaria indo para sua quinta edição e mesmo assim não sobreviveu a mais um ano. Já é de notório conhecimento a descontinuidade da Expo Cristã que por mais de 10 anos reuniu boa parte do mercado religioso no Brasil. Na sequência, outra feira surgiu com organização da Geo Eventos e não durou mais do que uma única edição. Em 2016 também tivemos boa parte das edições do Festival Promessas promovido pela Rede Globo simplesmente cancelados. Vale lembrar que o Troféu Promessas também promovido pelo mesmo grupo empresarial foi cancelado há alguns anos atrás, faltando pouco tempo para sua realização deixando milhares de pessoas sem entender a real situação daquele fato e decisão. Alguns festivais que foram realizados em cidades pelo país, também deram o último suspiro e se foram. No ano passado (ou retrasado, agora não me lembro!) houve um evento gigante realizado no interior de São Paulo no melhor estilo “Rock in Rio” que não reuniu mais do que 5 mil pessoas e deixou um prejuízo na casa do milhão de reais aos seus organizadores. Resultado: nada de segunda edição do evento.

No mercado fonográfico vemos cada vez mais empresas que até então eram fortes, tradicionais e atuantes, diminuírem sensivelmente sua presença e atividade no segmento. Tínhamos há 10 anos atrás pelo menos umas 20 gravadoras e selos bem atuantes no meio gospel, hoje talvez (com muita boa vontade!) contamos nos dedos de uma única mão do Lula as empresas que realmente estão trabalhando forte no segmento. No mercado editorial percebo a mesma concentração de players, ainda mais com a chegada dos grandes grupos editoriais internacionais e seculares. Recentemente recebi a informação de que a revista Cristianismo Hoje, após mais de 80 edições, deixou de ser publicada, mantendo-se até o presente momento, apenas disponível em sua versão eletrônica. Já nesta semana soube do fim das atividades da Editora e Distribuidora SOCEP, gigante da distribuição editorial dos anos 80 e 90, localizada na cidade de Santa Bárbara do Oeste, interior paulista. Mais uma perda significativa para o mercado.

A outrora fervilhante Rua Conde de Sarzedas no centro de São Paulo chegou a movimentar milhões de reais por mês lá nos idos do fim dos ano 90 e 2000. Por ali pessoas e comerciantes oriundos de todos os cantos do país compravam de tudo um pouco para abastecer os seus comércios locais. Recordo-me de clientes distribuidores comprando 30 mil unidades de um único lançamento de CD para abastecer ao mercado num período de 30 dias somente. Por ali circulava muito dinheiro, pessoas e histórias, muitas histórias, boa parte nada condizente com o que se espera de um lugar apinhado por cristãos, mas enfim … a pitoresca rua do passado hoje é apenas uma esmaecida imagem dos tempos fulgurantes e intensos do passado. Os grandes distribuidores que no auge eram entre 8 a 10 empresários, hoje estão reduzidos a 2 ou 3 persistentes comerciantes. Os clientes locais que iam por lá periodicamente se abastecer das novidades, também se escassearam e muitos passaram a comprar por telefone ou mesmo diretamente nos próprios fornecedores.

O antes aguardado Troféu Talento promovido pela Rede Aleluia, grupo ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, foi interrompido e de lá para cá nenhuma outra premiação conseguiu substituí-lo em relevância e grandiosidade. Hoje em dia, para o mercado fonográfico há apenas um evento do tipo, Troféu de Ouro, que por mais boa vontade que eu tenha em tentar entender os critérios nos processos de tudo que o cerca, é impossível levá-lo a sério tamanha falta de lógica e coerência de todo o processo, portanto, de verdade, não temos mais um único evento de premiação que mereça atenção.

Os canais de distribuição do segmento, as conhecidas livrarias evangélicas, que na verdade são autênticas lojas de conveniência do meio cristão, permanecem na batalha cotidiana de sobrevivência. Em algumas praças o crescimento deste mercado é visível como na Grande Recife, capitaneada pela Livraria Luz e Vida, ou em Fortaleza por conta das lojas Bíblia e Opções e Casa da Bíblia, mas em outras praças o mercado se retraiu bastante nos últimos anos com diminuição das operações e mesmo fechamento de lojas. As grandes redes de livrarias do segmento hoje são a CPAD e Luz e Vida, mas ambas não possuem mais do que 15 filiais em todo o Brasil, algo bem tímido se comparado à capilaridade de redes seculares como Saraiva, Cultura, Leitura, entre outras.

Antes que você ache que estamos num barco à deriva, gostaria de direcionar meu post para uma rota que será o norte de nosso texto de hoje. Em meio a tantas notícias nada alvissareiras, o mercado gospel ainda merece ser encarado como promissor, potencial e interessante do ponto de vista comercial, de investimento e mesmo profissional? Vou tentar responder a este questionamento elecando diversas questões e a partir daí poderemos definir uma posição final sobre esta questão.

O Brasil evangélico explodiu demograficamente nos últimos 15 a 20 anos. Ou seja, do ponto de vista histórico, este grupo social é bastante recente e como tal, sujeito a transformações, ajustes, definições do que de verdade é ou será pelos próximos anos. É importante que tenhamos este entendimento! Poucas são as atividades do meio gospel que podemos apontar como definitivas, poucas mesmo! E como tal, precisamos de mais tempo de estrada pra criar raízes e definirmos nossas características próprias. Este aspecto nos traz dois caminhos. O primeiro é creditar a este pouco tempo de vida boa parte das práticas equivocadas, amadoras e muitas das vezes até mesmo infantis. Confesso que algumas atitudes (ou falta delas) em nosso meio me soam como absolutamente incríveis. A falta de estratégias, planejamento, conhecimento, metas e objetivos claros e de médio/longo prazos, são características de um meio ainda muito imaturo e, por conseguinte, os resultados são muito aquém às suas possibilidades. Ou seja, falta preparo e conhecimento técnico!

O outro aspecto é enxergar esse amadorismo do mercado como uma oportunidade única. Em meio aos amadores e suas práticas, os verdadeiros profissionais, como se diz popularmente, ‘lavam a égua’ – não sei a origem desta expressão, na verdade nunca imaginei que dar um banho na senhora equina fosse algo positivo, mas ela significa que a pessoa se dá muito bem em meio a tudo que o cerca. E é em cima deste conceito que particularmente tenho me mantido firme e forte no meio gospel nos últimos 20 anos. Longe de querer jactar-me, autoelogiar-me ou algo do tipo, tenho recebido alguns convites para migrar de área profissional, e o que me mantém neste mercado nos últimos anos tem sido especialmente o senso de oportunidade, por entender o potencial do mercado religioso no Brasil e a falta de profissionais na área. Por exemplo, em função desta minha decisão, especialmente nas últimas 3 semanas comecei a desenvolver projetos e curadoria artística para algumas plataformas de audio streaming com conteúdo de música gospel. Isso deve-se ao fato de que faltam especialistas na área. Está faltando profissionais no mercado gospel brasileiro!

Não temos uma pesquisa atual e definitiva sobre o tamanho do mercado cristão no Brasil. Há matérias que apontam para 30% da população brasileira sendo evangélica, o que daria uns 60 milhões de pessoas. Outros institutos são mais tímidos e cravam para 20% o montante dos evangélicos no Brasil, o que daria uns 40 milhões de brasileiros. Particularmente prefiro imaginar que o segmento evangélico no Brasil hoje esteja entre 40 a 50 milhões de brasileiros, sendo que o mercado gospel seria algo maior, pois os produtos – editorial e fonográfico – são consumidos não somente por autênticos evangélicos como também por católicos, cristãos não vinculados a uma igreja e simpatizantes. Ou seja, não importa se são 40, 50 ou 60 milhões, a verdade é que o mercado gospel é gigante, maior do que boa parte dos países pelo mundo. Então por que mesmo com tantos os consumidores neste segmento, as empresas que atuam neste mercado estão passando por tantas dificuldades? Na minha modesta opinião, a resposta está destacada nos dois parágrafos acima. Há uma clara falha na formação de profissionais especializados e nas estruturas das empresas (e mesmo instituições religiosas, denominacionais) que lidam com este público.

As gravadoras do segmento gospel, em sua grande maioria estão passando por dificuldades porque, entre outras questões, demoraram a se adaptar ao mercado digital. Muitas destas gravadoras são meramente um apêndice musical da instituição a que estão vinculadas e isso determina o foco, objetivos e mesmo razão de ser. Entre as editoras não é diferente, mesmo que a questão digital ainda hoje não tenha se tornado popular entre os consumidores provocando a onda migratória observada na música. No meio editorial gospel, percebe-se que as práticas comerciais tornaram-se obsoletas, assim como as estratégias de marketing, promoção e divulgação. A impressão que tenho deste mercado é de uma absoluta inércia, o que tem seu preço, sem dúvida! As livrarias evangélicas estão passando por dificuldades? Nada mais natural afinal muitas destas lojas até bem pouco tempo atrás tinham administrações medievais. Livrarias sujas, mal abastecidas, funcionários mal vestidos, desestimulados, sem conhecimento dos lançamentos do mercado. O resultado não poderia ser outro …

Especialmente neste ano percebemos uma tendência de shows de música gospel pelos teatros do país. A esmagadora maioria destes shows tem contado com no mínimo 80% de ingressos vendidos, sucesso absoluto! O que diferencia os shows em teatros dos demais realizados pelo país, muitos destes com fracassos retumbantes na venda de ingressos? Basicamente os eventos realizados em teatros têm contado com equipes de produtores competentes e profissionais. Simples assim. Os eventos em teatros pelo país têm trazido uma característica e imagem positivas junto ao público e este se sente muito valorizado ao perceber o apuro na produção destes eventos. Nem mesmo os tickets com valor médio acima de 50 reais tem sido impedimento para a presença do público. Vale a pena investir num ingresso mais caro para os padrões do segmento se houver a certeza de que o evento terá qualidade artística num ambiente de conforto e segurança. O cantor Leonardo Gonçalves, precussor de eventos em teatros, tinha uma expectativa de 10 shows neste formato em 2016, vai fechar o ano com 33 apresentações em teatros do país, muitos dos quais em sessões extras tamanha a procura do público pelos ingressos.

Qualidade + Profissionalismo = Sucesso

Já estou em processo de descida para a cidade de Salvador. Continuo acreditando muito no potencial do mercado cristão brasileiro, mas cada vez estou mais convicto de que teremos cada vez menos players atuando junto ao segmento promovendo uma concentração entre poucas marcas, seja no mercado fonográfico, editorial, canais de distribuição, plataformas digitais e outras atividades. O momento é de território livre onde quem primeiro chegar com foco, planejamento, competência, networking, conteúdo relevante e investimento a médio e longo prazos terá grande chances de se estabelecer e fincar bandeira. No mercado fonográfico, por exemplo, não creio que teremos num prazo de até 5 anos, mais do que 3 a 4 grandes gravadoras nacionais. Na área editorial, talvez este número chegue a 5 ou 6 editoras, talvez um pouco mais devido às empresas vinculadas a ministérios, mas a realidade é que a concentração de players é uma questão inequívoca. Como numa autêntica brincadeira pueril de dança das cadeiras, o momento é de correr e garantir o seu assento.

Mauricio Soares, publicitário, consultor de marketing, palestrante, simplesmente alguém buscando seu espaco neste concorrido universo gospel.

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Pra quem despertou do sono nestes dias recentes, as transformações que estamos vivenciando nas relações interpessoais com a proliferação de aplicativos e redes sociais ou mesmo na relação do consumidor com a música, com a mudança nos formatos e canais de acesso, podem parecer algo incrível, inimaginável, uma autêntica revolução de hábitos e costumes. Mas a verdade é que estas mudanças já vêm acontecendo há pelo menos uma década, portanto não há nada mais fora de sintonia do que surpreender-se com estas ‘novidades’.

E por serem consideradas por muitos como ‘novidades’ boa parte destas mudanças não foram compreendidas e interpretadas corretamente como deveriam. E justamente é neste momento que surgem alguns ‘facilitadores’ que se beneficiam da ignorância e inocência generalizada e realizam ações que, bastando um mínimo de entendimento e conhecimento, seriam simplesmente ignoradas pelo mercado.

Já comentei em outros posts sobre a importância do artista valorizar novos números e objetivos. Sai de cena o foco em se angariar ‘followers’ (muitos inclusive desembestaram em ‘conquistar/comprar seguidores e hoje ficaram com um autêntico ‘mico na mão’) nas redes sociais e agora busca-se os ‘seguidores’ dos perfis nos canais de audio e video streaming. O objetivo é ter um número relevante de seguidores no YouTube e nas playlists do artista no Spotify, Deezer e AppleMusic, consequentemente ter número consistente e crescente de streamings nestas mesmas plataformas.

Mas é aí que quero concentrar minhas próximas linhas neste post – que surpreendentemente não está sendo escrito num saguão de aeroporto ou durante algum vôo – e espero contar com sua leitura. Diariamente pesquiso sobre a performance de artistas utilizando-me de ferramentas da web. Hoje em dia há uma série de informações que busco quando quero analisar o posicionamento do artista junto ao público, seu alcance e relevância. E entre tantos números, sem dúvida, o número de seguidores em canais de streaming e a performance nas visualizações têm papel de destaque. E, de forma surpreendente, percebo que muitos artistas do primeiro time do mainstream gospel simplesmente não possuem canais oficiais de vídeos porque a gravadora em que estão vinculados concentra todo os conteúdos em um canal único, institucional, corporativo. Em rápidas palavras, em vez de postar os vídeos do artista X em um canal exclusivo, dedicado ao próprio artista, a gravadora optou (pensei em outros termos, mas vou manter a fleuma …) em colocar todos os vídeos de seu cast num único canal, administrado pela própria empresa. Em outros tempos, em que eu simplesmente falava de forma mais direta e sem papas na língua, eu diria que estamos diante de um autêntico estelionato digital, mas com a idade tornei-me mais leve e comedido em minhas observações, então posso afirmar que estamos diante de um possível erro por desconhecimento da nova conjuntura … mais eufemístico, impossível …

Todo o conteúdo artístico deve estar publicado no canal do próprio artista. Não há nenhuma razão plausível que justifique uma gravadora concentrar no seu canal os conteúdos do artista, ou melhor, dos artistas de seu cast, lembrando que o artista não é propriedade de gravadora alguma, ele apenas mantém uma relação comercial, contratual com a empresa. Para o artista é fundamental que o seu canal de conteúdo tenha o maior número de seguidores. Não se justifica e entendo como sendo algo contraditório que um canal reúna pessoas que curtem pop rock e música pentecostal, ou seja, um canal de conteúdos de uma gravadora neste formato (miscelânea) foge completamente ao conceito da segmentação. Além do fato do próprio artista correr um sério (seriíssimo!) risco de ter suas monetizações sobre streaming colocadas todas num único balaio, o que certamente irá dificultar bastante os relatórios e posteriores pagamentos.

É inadmissível alguns artistas ‘gigantes’ em redes sociais com milhões de seguidores, ter minguados 10, 20 mil seguidores em seu canal de vídeos ou nas plataformas de audio streaming. É importante que os artistas entendam a importância destes canais e que busquem estratégias para potencializar os resultados. De igual forma, é fundamental que os artistas procurem entender o quanto antes sobre este novo universo digital, suas oportunidades, demandas e mudanças de atitudes.

Fica a dica!

Mauricio Soares, publicitário, consultor, jornalista, diretor artístico, 27 anos de mercado gospel. Editor do Observatório Cristão, palestrante e torcedor do Fluminense.

Ainda quero falar sobre um tema que me surgiu à mente em função dos recentes dias em que estive no Ceará por ocasião da Expo Evangélica. Como comentou um dos membros da Banda Bálsamo, certamente os dias naquele evento serviriam para trazer assuntos para serem posteriormente publicados no Observatório Cristão. E, de verdade, boa parte de meus insights surgem exatamente em viagens, shows, eventos que participo pelo país e exterior. E desta vez não foi diferente. Considero-me um observador privilegiado das transformações que o mercado fonográfico e cristão vem atravessando nas últimas quase 3 décadas e muitas das vezes tenho que tentar me desligar de uma visão analítica dos fatos para simplesmente curtir de uma forma leve e sem compromisso um show, evento ou algo do tipo. A verdade é que por trabalhar nesta área, minha visão sempre é profissional, crítica, distanciada. Não sei se isso é bom, ruim, neurótica … mas enfim, é o que me cabe e tenho que simplesmente seguir em frente.

No último post, a palavra em destaque foi MUDANÇA. Confesso que entre os itens que destaquei neste último post até comecei a escrever sobre o assunto que iremos comentar hoje, mas por se tratar de algo mais denso e que permitiria uma maior análise, optei em manter exclusivo num texto totalmente dedicado ao tema. Vamos a ele.

Até algum tempo atrás, os artistas em suas apresentações, entrevistas, e praticamente em toda oportunidade que surgisse, faziam questão de lembrar ao público de que seu CD (os mais antigos diriam LPs e até cassetes) encontravam-se à venda nas lojas (geralmente as melhores lojas, mas me parece que nas lojas ruins também, rs). Muitos artistas tinham o péssimo hábito de em suas apresentações, inclusive em púlpitos nas igrejas ficarem por muitos minutos divulgando seus CDs no melhor estilo balcão de vendas, sem o mínimo pudor fazendo longos discursos destacando preços, promoções e se colocando à disposição para dar autógrafos (de preferência no próprio CD, nada de papelzinho, Bíblia e coisas do tipo).

Os tempos mudaram e os discursos devem seguir estas novas tendências. Mas me parece que especificamente neste quesito, a classe artística gospel (e mesmo a secular) ainda não se apercebeu sobre a importância de novas abordagens. Nos últimos anos, não foram poucas as vezes em que vi artistas conclamando o público para seguirem suas redes sociais. Tornou-se meio que um selo de popularidade o artista ter números consistentes em sua fanpage, Twitter, Instagram, Snapchat e outras redes sociais. E concordo plenamente que quanto mais seguidores, mais o artista poderá potencializar a divulgação de seu trabalho. A questão é que os artistas estão focando apenas em metade do processo que verdadeiramente interessa neste momento. De nada adianta um determinado artista ter milhões de seguidores em redes sociais porque efetivamente nestes canais não há monetização sobre resultados. Em rápidas palavras, as redes sociais não devem jamais ser o objetivo final para os artistas, mas uma ferramenta eficiente para se alcançar algo mais significativo que é a remuneração das plataformas de streaming de áudio e vídeo, além da tradicional venda de produtos físicos.

Por exemplo, há vários artistas com enorme popularidade no meio gospel que jamais alcançaram o primeiro lugar no iTunes. Mesmo se tratando de uma modalidade em queda – a venda de conteúdo a la carte – o ranking de mais vendidos do iTunes serve como uma importante referência de resultados. Há 3 ou 4 anos atrás, alcançar o topo de vendas desta plataforma significava algo incrível e isto foi uma conquista bem rara em se tratando de artistas gospel. Lembrando que o primeiro artista religioso a ficar na liderança do iTunes foi Leonardo Gonçalves, fato repetido por ele em outras ocasiões. Artistas como Os Arrais, Paulo César Baruk, Gabriela Rocha, Mariana Valadão, e mais recentemente Estêvão Queiroga podem se orgulhar por tal feito que muito (a esmagadora maioria, por sinal) ‘medalhão’ gospel jamais alcançou.

Os números que de verdade importam neste momento são os seguidores dos canais de vídeo, seguidores de playlists no Spotify, Deezer ou Apple Music, número de visualizações de clipes, Lyric Videos e todo tipo de conteúdo em vídeo, número de streamings de áudio (publiquei recentemente um texto falando sobre esta questão. Vale a pena rever este post) e número de assinantes dos serviços de áudio mobile – operadoras de telefonia.

E aí, volto a uns parágrafos acima pra comentar sobre o ‘novo discurso’ que deve ser apresentado pelos artistas em todo contato com o público. Não se deve mais só lembrar da existência do CD pra ser comprado ao fim do culto ou do show, o artista deve principalmente incentivar o público a continuar a experiência de ter contato com sua arte através das plataformas de streaming. Lembrando que algumas destas plataformas possuem opções gratuitas como o Spotify e, melhor ainda, que todas possuem preços absolutamente acessíveis para assinaturas – em média R$ 14,90/mês para ter acesso a um catálogo de mais de 30 milhões de músicas. Não se trata de substituir uma mídia física pelo acesso digital ao conteúdo, mas sim de ampliar as formas de contato com o público com a música.

Temos um grande desafio neste momento que é tornar cada vez mais popular o acesso e utilização dos milhões de cristãos às plataformas de streaming disponíveis.

Estamos diante de uma mudança de hábito e cultura e isto só ocorre através da mobilização dos formadores de opinião, que neste caso são as gravadoras, mídias e principalmente artistas. E, sem dúvida, uma excelente oportunidade que os artistas têm para apresentar estas novas opções de relacionamento do público e os novos canais, se dá nos cultos, shows, entrevistas e, ainda, através de suas próprias redes sociais. Se você é artista e ainda não tem assinatura em uma destas plataformas, saiba que você já está atrasado, ou melhor, muito atrasado!

É fundamental que neste momento, velhas estratégias e expectativas sejam reformuladas. Estamos diante de um momento em que a indústria fonográfica mundial volta novamente a crescer e a tornar-se muito relevante, em que as oportunidades são ilimitadas e as receitas voltam a crescer exponencialmente, no entanto, também é um momento de uma nova mentalidade e, principalmente, de novas atitudes.

Enjoy!
Mauricio Soares, publicitário, peladeiro de fim de semana, observador contumaz, estudioso do mercado cristão e alguém que está cada vez mais empolgado com as oportunidades do mundo digital.

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E seguimos com produção intensa de textos em nossa mini-turnê latina por estes dias. Pra quem não sabe, estou por uma semana em viagem pelo México e EUA a fim de apresentar maiores detalhes e informações do segmento musical cristão na América Latina, especialmente nos países de língua espanhola. Com o sucesso do projeto que desenvolvemos no Brasil nestes últimos anos, outras filiais de nossa empresa na América Latina demonstraram grande interesse em também contar com o segmento gospel entre suas prioridades e estou justamente por estes dias participando de reuniões neste sentido. Como o fuso horário me faz acordar por volta das 5 da manhã no horário local, resolvi tornar minha manhã mais produtiva e por isso, teremos uma fartura maior de textos pelos próximos dias.

Começo meu texto já adiantando que não é prática usual aqui no blog comentar diretamente sobre projetos em que participo ativamente. Entendo que o Observatório Cristão deve ser um espaço neutro, isento de maiores preocupações em expor o resultado de projetos conduzidos por mim ou minha equipe. Mas dou a mim o direito de usar este espaço e contar com a audiência qualificada de meus 66 leitores para falar um pouco mais a respeito do projeto que vem conquistando a cada dia mais relevância e destaque no meio gospel e também fora das cercanias da igreja, sendo comentado por profissionais do segmento fonográfico, artistas, jogadores de futebol, pessoas de outras crenças e mesmo gente comum que não tem o hábito de frequentar os bancos das igrejas pelo país. Estou falando do case Preto no Branco, que hoje é uma verdadeira febre em todo o país e em especial nas redes sociais e plataformas digitais.

Não vou analisar o projeto em si, do ponto de vista artístico. É claro que tudo decorre da qualidade musical, poética, criativa e visual do projeto magistralmente conduzido pelo amigo Alex Passos, owner manager da Balaio Music e que contou com a inspiração dos integrantes do Preto no Branco. Meu foco neste momento tem a ver com a estratégia utilizada para que o projeto em tão pouco tempo tornasse referência no meio gospel em todo o país.

Posso afirmar com segurança que o Preto no Branco é hoje um projeto de sucesso fruto da condução perfeita em ações de estratégia digital. E longe de querer vangloriar-me por este sucesso! O resultado deve-se ao envolvimento dos profissionais da área de marketing digital da gravadora em perfeita sintonia com o escritório do artista e, mesmo os próprios integrantes do Preto no Branco que entenderam a importância de suas respectivas participações no processo como um todo.

Cerca de 3 meses antes do projeto chegar às lojas e plataformas digitais, o PNB contou com uma maciça campanha nas redes sociais apresentando o conceito do projeto em si e os vídeos que destacavam a qualidade da música nele contida. Os vídeos foram exaustivamente trabalhados, divulgados, impulsionados e dia a dia o número de visualizações cresceu exponencialmente. Em paralelo a isso, o escritório do artista começou a estruturar sua equipe de management, contratando profissionais com larga experiência na área de booking de artistas sertanejos, ou seja, gente com experiência na venda de shows, logística e promoção.

Quando o produto foi oficialmente lançado, o projeto já contava com milhares de seguidores nas redes sociais, em especial no canal exclusivo do artista na plataforma e video streaming, YouTube/VEVO, o que acabou favorecendo absurdamente todas as ações de promoção e divulgação, criando uma enorme expectativa junto ao público e ao mesmo tempo, aquecendo o interesse na agenda do artista. Com o lançamento do projeto, diversas ações de marketing digital foram realizadas, incluindo destaque nas plataformas como Spotify e Deezer. As músicas passaram a ser enviadas para as rádios do segmento, inúmeras entrevistas foram programadas para o grupo, enfim, um trabalho intenso se realizou pelos 3 meses seguintes ao lançamento do projeto.

E durante todo este tempo, o número de visualizações dos vídeos, especialmente lançados dentro do projeto Sony Music Live, foram crescendo e superando a marca de 10 milhões de views … depois de algum tempo ultrapassou 20 milhões e atualmente conta com mais de 32 milhões de views e 200 mil seguidores no canal de vídeos do projeto. Sucesso! Não se espantem se daqui uns meses esta marca superar 50 milhões de visualizações.

Em paralelo ao trabalho digital, o escritório do PNB vem investindo na apresentação do grupo pelas cidades e principais regiões do país. Mini-turnês foram programadas e realizadas com grande êxito. Mesmo em regiões não tão tradicionais em eventos como o sul do país, onde a passagem do PNB por Porto Alegre, Joinville, Florianópolis, Curitiba, os shows foram sucesso absoluto com vários eventos Sold Out. O trabalho de ‘degustação’ que o PNB tem feito pelo país tem facilitado absurdamente o fechamento de novas datas para os próximos meses. Parcerias com rádios locais e promotores regionais de eventos também têm sido uma importante atitude dos gestores da carreira do PNB.

Uma nova leva de vídeos e episódios do Preto no Branco para o Sony Music Live já está programada para os próximos meses, o que deve aumentar sensivelmente o alcance do marketing digital e do projeto em si junto ao público fomentando não só as vendas físicas digitais como também a agenda de shows e turnês. O projeto Preto no Branco tem como um ativo e diferencial, uma estratégia forte de produção visual. Não por coincidência, Alex Passos é reconhecido pelo mercado por sua qualidade na produção de clipes, DVDs, vídeos. Todo esta expertise do profissional está sendo largamente utilizada neste momento no projeto PNB com resultados incríveis. E aí, quero trazer ao nosso texto algumas importantes reflexões:

  1. A música no atual contexto deixa de ser ‘apenas’ áudio e transforma-se em um ativo áudio/visual. Ou seja, a música tem um upgrade considerável quando esta vem acompanhada por uma versão em vídeo. Ultimamente tenho batido muito nesta tecla, de que não adianta lançar um single se a música não tem um clipe, Lyric Video ou algo do tipo. Boa parte do sucesso do Preto no Branco está justamente na linguagem e nos conteúdos de vídeo. Inclusive nos mini-documentários que relatam as viagens e apresentações do grupo pelas diversas cidades do país. Há uma fartura considerável de conteúdos de qualidade sobre o grupo à disposição do público na web.
  2. Há uma sinergia, cumplicidade e parceria permanente entre a equipe da gravadora e o escritório que gerencia a carreira do grupo. As ações pensadas e planejadas pela equipe de marketing digital da gravadora são executadas à risca pelo escritório e os próprios artistas num sincronismo muito raro de se ver no meio artístico, especialmente no meio gospel nacional. Não há espaço pra arrogância, auto-suficiência ou como tem sido muito falado por aí nas redes sociais, ‘mimimi’ … O foco é resultado!
  3. Outro detalhe que explica o sucesso do projeto tem a ver com a visão e capacidade de investimento, tanto da gravadora, mas especialmente do escritório do artista. Em pouco mais de 27 anos de mercado, poucas vezes vivenciei uma condução e gestão de carreira com metas e estratégias bem definidas. O fato de contratarem profissionais (de fato e com resultados) já demonstra um diferencial em meio a tantos ‘cunhados, pais, irmãos, amigos’ que constantemente nos deparamos como managers dos artistas em nosso meio. Além disso, o investimento também se dá ao colocar na estrada por mais de 60 dias um dos membros da equipe exclusivamente para selar parcerias, conhecer os mercados locais e visitar lideranças e mídias. Estamos falando de planejamento a médio e longo prazos, algo que no nosso meio praticamente inexiste!
    É muito bom ver que projetos planejados lá atrás, na verdade sonhados, há mais de 2 anos, tornaram-se realidade e hoje são um case de sucesso. Felizmente em minha carreira tenho alguns projetos que me trouxeram orgulho, resultados eloquentes e muita satisfação, mas acredito que nenhum destes em tão pouco tempo e tão baseados nas ações digitais. Ou seja, se alguém ainda tinha dúvidas da força do marketing digital, está aí mais uma prova incontestável de que sem um bom plano de ações tudo fica mais complicado.

Finalizo este texto fazendo um pequeno adendo a tudo o que já foi dito acima. De nada adiantaria ter a melhor estrutura de marketing digital, os melhores profissionais, um budget enorme para investimento, uma mega empresa dando suporte, pessoas comprometidas, se a qualidade da música não estivesse à altura de toda esta operação. Não temos como fabricar o sucesso. Toda esta estrutura, estratégias, ações técnicas podem até dar alguns resultados efêmeros, de curta duração, mas o que faz a diferença e garante um projeto longevo está efetivamente na qualidade da arte que apresentamos ao público. Então, antes de seguir linha a linha todas as ações exemplificadas aqui, a prioridade máxima deve ser a busca incessante pela música! Um grande projeto sempre irá começar e se perpetuar pela qualidade da música.

Mestre Tom Jobim que não nos deixa mentir!

Mauricio Soares, simplesmente um profissional em busca da qualidade, que não tem medo em acreditar em sonhos mirabolantes e que curte muito quem sonha junto, jornalista, publicitário, consultor de marketing.

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Por questões técnicas o blog permaneceu fora do ar por alguns longos dias. Como não tivemos manifestações nas ruas, campanhas nas redes sociais ou mesmo algum pronunciamento oficial do Planalto, estas não-atitudes me fazem perceber que este período inativo não fez falta a ninguém, nem mesmo aos meus tradicionais 66 leitores do blog, que imagino ainda estejam firmes na trincheira desta luta hercúlea de trazer conteúdo diferenciado às mentes do mundinho gospel ou não. Problema solucionado, agora é hora de voltar à carga trazendo muito conteúdo inédito, relevante e quem sabe, que possa contribuir para um melhor entendimento do universo artístico e fonográfico tupiniquim e global.

E vamos atualizar os nossos leitores com informações extremamente importantes e recentes do mercado mundial da música. A IFPI, entidade que reúne as principais empresas do meio fonográfico e detém as informações oficiais do segmento liberou dias atrás o relatório anual com dados do mercado, performance, tendências e tudo mais. É um calhamaço com mais de 150 páginas que dão um approach bastante aprofundado sobre como andam as coisas no meio musical em todo o mundo. Vou destacar algumas informações entre as que achei mais importantes neste momento para compartilhar aqui com vocês.

O mercado mundial da música voltou a crescer depois de décadas de declínio. O ano de 2015 registrou crescimento de 3,2% em todo o mundo, algo que contradiz por completo a tendência de anos anteriores e principalmente o pessimismo do mercado e a visão da imprensa e do senso comum de que a indústria fonográfica era um segmento moribundo à beira do abismo. Ufa! Finalmente depois de anos e anos amargando declínio nos números, finalmente a curva virou no sentido oposto e já projetamos crescimento maduro e contínuo para os próximos anos. No Brasil, o crescimento do mercado foi 10,65%, ou seja, pouco mais de 3 vezes ao registrado mundialmente. Ressalte-se que chegamos a este incrível resultado mesmo tendo que lidar com uma das crises mais agudas do país nos últimos 20 anos, ou seja, se a presidANTA Dilma e a quadrilha do PT não estivessem ‘ajudando’ tanto a fazer com que nossa economia retrocedesse 20 a 30 anos, muito certamente este percentual de crescimento seria ainda bem maior.

Mercados da Europa e EUA são reconhecidos como mais maduros, do ponto de vista do consumo de música. Então para estas regiões a expectativa de crescimento será sempre mais conservadora e é exatamente isto o que temos observado nos últimos anos. Já a América Latina, alguns países da Ásia e principalmente o Brasil, ainda temos um mercado em franca evolução, com enorme potencial de consumo e questões estruturais como a qualidade da banda larga e questões econômicas a resolver, portanto ainda poderemos ter por muitos anos crescimento acima de dois dígitos para o mercado da música.

O consumo de música pelo formato digital cresceu em todo o mundo em 10,2%, seguindo tendência de crescimento e expansão para os próximos anos. Só pra efeito de exemplificação, há no mundo mais de 200 plataformas de streaming atuando neste momento em diferentes países e regiões. No Brasil, ainda temos poucas plataformas deste serviço, sendo que destacam-se apenas 3, a saber: Spotify, Deezer e AppleMusic. Os canais de vídeo como YouTube e Vevo seguem crescendo em relevância e tornando-se importante fonte de consumo da música. Apesar de que no caso do YouTube, há uma menor concentração do interesse sobre música por parte do público, muito em função de que a plataforma vem sendo utilizada para muitos outros objetivos como tutoriais, humor, culinária e tudo mais. Se antes, a música correspondia a 70% das buscas do YouTube, hoje chega perto de 30%. Em contrapartida, a plataforma VEVO, exclusiva para conteúdo musical, vem crescendo substancialmente em relevância nos últimos anos e deve chegar em mais alguns anos à hegemonia na utilização dos usuários que buscam por música na web. No Brasil, o mercado digital cresceu incríveis 45%, muito acima da média mundial, o que somente comprova a mudança de hábito dos consumidores de música no país. Atualmente o mercado de música no Brasil conta com 62% de vendas digitais contra 38% de vendas físicas, que caíram neste último ano em torno de 18% sobre as vendas do ano anterior, seguindo uma tendência mundial de retração.

Especificamente na área gospel, acredito que ainda teremos um delay na mudança dos hábitos de consumo retardando um pouco mais a hegemonia das vendas digitais sobre as físicas, ou mantendo um percentual maior para as vendas físicas do que o observado no meio secular. Tradicionalmente o meio gospel reage de forma mais lenta a algumas mudanças, o que de fato não foi o que ocorreu quando da mudança do formato LP pra CD, que aconteceu em pouco mais de 1 ano, tornando peça de museu vitrolas, 3 em 1 e equipamentos afins. No entanto, neste momento, acho que a venda de discos seguirá relativamente presente no meio por mais alguns anos.

Na semana passada realizamos 2 treinamentos sobre oportunidades do meio digital, plataformas e, em especial audio streaming, voltados aos artistas de nosso cast e seus respectivos assessores. Foi excelente! Uma iniciativa super louvável e que teve adesão maciça dos artistas. Entre tantas dicas e informações ficou muito claro pra mim que o artista não precisa ser o maior expert de plataformas e marketing digital, no entanto, é fundamental que este entenda o mínimo possível deste ambiente. E entendendo que o artista não tenha talvez uma aptidão natural para esta área é indispensável que ele compreenda a importância de se ter uma assessoria que maneje e administre com foco e seriedade suas redes e ações no mundo digital.  E aí quando falamos de assessoria de marketing digital, estamos falando de um profissional com perfil analítico, que saiba colher e interpretar informações, que saiba desenvolver ações e estratégias após ter acesso às informações, ou seja, muito diferente do que aquele jovenzinho com espinha no rosto, recém entrando na puberdade e que é ‘expert’ em fazer flyers com versículos e frases de efeito. Marketing digital é muito mais do que isso! Mas isso é tema pra outro post.

Até a próxima!

 

Mauricio Soares, jornalista, publicitário, entusiasta das novas oportunidades, novas tecnologias e alguém que não tem receio em dividir conhecimento

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Qual tipo de profissão permite que um jovem sem qualquer experiência anterior possa de uma noite pra outra tornar-se conhecido muito além do seu bairro, quarteirão ou mesmo cidade? Neste momento não me ocorre muitas outras opções para responder a esta questão além da carreira artística. Sim! Munido de um violão, uma câmera, talento, carisma e uma boa dose de entendimento de tecnologia e noções de marketing digital, além, é claro, de um repertório selecionado, jovens de qualquer lugar do planeta podem seguir os mesmos passos de Justin Bieber, viralizando na web, angariando milhões de views, outros tantos milhões de seguidores, tornar-se referência e, ao fim, ser convidado por uma major a integrar o cast da gravadora. Mesmo na área esportiva onde cada vez mais nos deparamos com meninos e meninas alcançando destaque em meio a marmanjos, é necessário que este atleta tenha alguns anos de treinamento, acompanhamento e muito foco. Então, sigo confiante de que neste momento a área artística, especialmente a musical, pode ser uma catapulta potente para que um jovem talento queime etapas, pule degraus e no menor tempo possível torne-se um grande sucesso.

Neste momento estamos diante de uma mudança no meio artístico tão radical e tão impressionante que podemos nos deparar com pop stars surgindo em poucos meses, quando estes mesmos, tempos atrás estes eram ilustres desconhecidos no mais absoluto anonimato. Com o advento da internet e das inúmeras plataformas de rede sociais, cada vez fica mais democrático e inesperado o Olimpo artístico. Se até poucos anos atrás, um artista para tornar-se conhecido nacionalmente deveria ser obrigatoriamente divulgado em grandes centros urbanos como São Paulo, Belo Horizonte, Salvador e principalmente, Rio de Janeiro, hoje em dia, a questão territorial literalmente cai por terra. Há algumas semanas atrás comecei a acompanhar o trabalho de uma jovem de 16 anos que vem crescendo dia a dia em relevância nas redes sociais e nas plataformas de video streaming. Sua desenvoltura em frente às câmeras, sua simpatia, talento e principalmente sua empatia junto ao público teen e jovem de diferentes regiões do país, chamou-me a atenção a ponto de fazer algo que há muito tempo não fazia, ou seja, pegar o telefone e fazer contato com uma jovem artista. Esta menina não reside numa capital do país, muito pelo contrário! mas isso, de verdade, de nada importa neste contexto atual. O que importa é que ela tem uma proposta musical de qualidade, está antenada nas redes sociais, seus vídeos têm milhões de visualizações, seus canais têm milhões de seguidores e ela tem o DNA digital, ou seja, é parte de uma geração que vive, pensa, age, se relaciona através da tecnologia e seus diferentes ambientes.

Na verdade, hoje em dia podemos ter celebridades web em função do talento, de uma boa música, mas também pelo oposto, pela bizarrice, pela falta de bom senso e do ridículo. Nestes casos a vida artística é bem fugaz, os vídeos surgem viralizando na rede e no whatsapp e somem na mesma velocidade com que surgem. A dupla “Para Nossa Alegria” que chegou até a lançar um álbum e assinar contrato com uma gravadora, ficou no passado distante em completo ostracismo. Vou ater-me exclusivamente aos cases de sucesso. Melhor assim.

Estamos diante de uma época muito interessante, onde as mudanças de comportamento, hábitos e do contato cotidiano com a música estão em profunda transformação. Outro dia atrás, conversando com um amigo, que por sinal é músico também, destaquei que no meu entendimento hoje temos 3 categorias de artistas convivendo num mesmo cosmos. Há uma turma que viveu o auge do mercado fonográfico com a venda de CDs, DVDs e alguns até com os LPs, e que acreditam na manutenção das demandas atuais por mais algumas décadas à frente. Estes resistem o quanto podem à adaptarem-se às novas realidades, tecnologias, estratégias, hábitos e ações. Para estes, sempre haverá público para os produtos no formato físico e não há necessidade alguma de mudar antigos conceitos e atitudes. A minha visão, que é constantemente explicitada, inclusive aqui no Observatório Cristão, é de que muito possivelmente teremos uma estagnação das vendas físicas daqui alguns anos. Não creio no desaparecimento das mídias físicas, o que realmente acredito é que este mercado irá encolher pelos próximos anos chegando a um nível de 10 a 15% da receita da indústria fonográfica e neste caso, os CDs se somariam aos LPs como um mercado único, do formato físico. O que observaremos nos próximos 3 anos é uma mudança paulatina de consumidores físicos migrando para as plataformas de streaming.

Outro perfil de artista neste momento é aquele que já se deu conta das mudanças, mas que ainda não pensa e age totalmente dentro da realidade digital. É literalmente aquele personagem que está no meio do caminho, que sabe que é necessário seguir viagem mas não tem coragem de deixar o conforto e a segurança da casa dos pais. Ele sabe que as vendas físicas irão cada dia diminuir, mas ainda não tomou coragem de se organizar a ponto de pensar com a mentalidade digital. Como toda mudança, é necessário desamarrar-se de antigas ‘cordas’, é fundamental buscar novos conceitos, novas atitudes, novos profissionais de apoio, novas expectativas e metas. O terceiro modelo de artista que encontro neste atual estágio é justamente aquele que encara de frente as transformações e já pensa e age de acordo com as novas demandas. Este artista é antenado, geralmente tem uma boa equipe de apoio (geralmente formada por ‘experientes’ profissionais de 18, 20 anos de idade), é heavy user das redes sociais, conhece profundamente cada plataforma, pensa digitalmente, é ágil, observa os demais artistas na rede (e aprende com outras eles), e tem número crescente de seguidores nas redes sociais.

Em 27 anos de mercado (como estou ficando velho!) nunca vivenciei uma época como esta onde me parece que tudo está zerado, ou seja, tanto medalhões e artistas jovens, grandes vendedores de discos e adolescentes que nunca encararam um estúdio pela frente, artistas que viajaram por vários países e aqueles que conhecem o mundo exclusivamente pela web, todos estão partindo de um mesmo patamar. Tornar-se um artista relevante digital neste momento é relativamente possível e acessível tanto para artistas renomados (e que entendam a necessidade de se reciclarem!) como para os novatos que estão ‘entrando no ônibus’ agora. Só que esta fase, não irá durar muito tempo! Não mesmo! Em muito pouco tempo, talvez não mais do que 1 ano ou 2 anos no máximo os artistas ‘digitais’ estarão estabilizados e assentados nomainstream. Aí vai ficar mais difícil pra quem chegar atrasado garantir seu lugar de destaque em meio à concorrência. Portanto, é mais do que urgente repensar posicionamentos, atitudes e estratégias. É bem verdade que estamos diante de uma geração absurdamente volúvel onde os modismos mudam na velocidade da luz e o que é in hoje, amanhã já pode ser out. Com isso é até possível que determinados artistas que chegaram a um bom destaque no meio, por motivos diversos, voltem ao fim da fila novamente e desta forma, abram espaço para novos artistas e propostas. A verdade é que como numa brincadeira de dança das cadeiras, na vida artística pouquíssimos são os astros que conseguem ter uma carreira de sucesso, longeva e não sujeita a intempéries. O mais comum é que todo aquele que levanta pra entrar na roda, corre o risco de ficar sem lugar pra se sentar. A concorrência no meio artístico é cruel …

As cartas estão na mesa. Preparem-se porque o jogo vai começar!

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista. Finalizo este texto em um estúdio em São Paulo em meio à gravação do projeto Lado B com a Discopraise. Que por sinal, é uma banda completamente antenada nas novidades, que vem crescendo absurdamente em relevância, agenda e musicalmente. Nota 10 rapaziada!

Geralmente escrevo meus textos em saguões de aeroportos ou mesmo durante voos. No entanto, creio que nunca escrevi estando dentro do avião em plena pista aguardando a liberação do aeroporto de destino. Neste momento estou por mais de uma hora pacientemente aguardando na pista do aeroporto de São José dos Pinhais, PR, para que meu avião decole no sentido do aeroporto de Santos Dumont, Rio de Janeiro. O problema é que neste instante cai um verdadeiro dilúvio na Cidade Maravilhosa. Então para tornar um pouco produtiva minha espera, estarei escrevendo o texto a seguir.

Especialmente nas últimas 3 semanas tenho falado muito sobre tendências do mercado fonográfico. Pra quem acompanha este blog, pelo menos há uns 4 a 5 anos, este incansável editor vem falando sobre a mudança de comportamento do consumidor de música pelo advento da web e especialmente das novas plataformas digitais. Desde muito tempo alerto para o fato de que num momento estaríamos diante da substituição ou alteração radical do formato de consumo de música. As mídias físicas, CDs e DVDs perderiam a cada dia mais espaço para diferentes plataformas como YouTube, AppleMusic, Deezer, Vevo, Spotify, Google Play, entre outras, até que num dia deixassem de ser a principal forma de consumo de música.

Já faz um bom tempo que venho alertando para que artistas e principalmente gravadoras estejam preparadas para as grandes transformações. E agora, oficialmente as vendas digitais entre as majors atuantes no Brasil já superaram as vendas tradicionais. Mais especificamente, o mercado da música no Brasil encontra-se com 60% de vendas digitais contra 40% de vendas de discos. Esta tendência segue de igual forma na esmagadora maioria de regiões em todo o mundo. Esta curva é irreversível e a grande dúvida neste momento é quando e onde irá se estabilizar. Na minha modesta opinião e ciente do grau de ‘achismo’ ou ‘profetada’, imagino que as vendas físicas em até 3 anos chegarão num patamar de 15 a 20% das vendas do mercado fonográfico no país. Na Suécia, país símbolo da mudança digital, as vendas atualmente já são 98% do faturamento total do mercado fonográfico. Um verdadeiro assombro, mas longe de representar a realidade de nosso mercado, nem mesmo daqui algumas décadas. Portanto, algo mais aceitável é acreditar que daqui uns anos, as vendas digitais no Brasil ficarão com 80 a 85% do faturamento.

Interessante neste momento é a volta do mercado de vinis, os famosos LPs, a ponto de gravadoras ressuscitarem departamentos e selos específicos para atender a este nicho de mercado. Mas acredito nesta tendência mais como uma excentricidade e oportunismo, do que verdadeiramente um caminho consistente e pródigo. Ainda mais em se tratando de mercado gospel, esta tendência não vejo com a mínima possibilidade de se consolidar, primeiro pelo perfil do público e segundo, pelas próprias gravadoras do segmento que se destacam pela falta de audácia em suas atividades e estratégias. É assustador nos depararmos com a falta de um cuidado com a história da música cristã no Brasil. Mesmo em tempos de mundo digital onde o catálogo de raridades ganha força nas plataformas de streaming, é praticamente inexistente a presença de álbuns lançados nas décadas de 70, 80 e até mesmo 90. Ou seja, somos um segmento praticamente sem memória … infelizmente!

No meio digital a bola da vez é o streaming que tomou o lugar das plataformas de vídeo como principal canal de monetização. No recente passado, a rentabilidade de vídeos no YouTube e Vevo era superior às demais plataformas. Isso se dava em função do grande número de empresas investindo em publicidade nestes canais, especialmente em ano de Copa do Mundo no país. Com a retração na economia (graças a anos de incompetência petista e ladroagem desenfreada desta corja que está no poder há mais de uma década) no país, o mercado publicitário recolheu seus investimentos nas plataformas de vídeo. Com isso, as plataformas de streaming tornaram-se o espaço mais rentável para artistas e gravadoras.

Com esta mudança, as estratégias também devem ser alteradas num movimento que comprova a importância de se ter sempre acompanhamento, pesquisa e análise crítica de tendências do mercado. Se até algum tempo atrás, as gravadoras focavam na produção em escala de vídeos, clipes e Lyric Videos, o momento agora é totalmente voltado à criação e divulgação de playlists. Pra quem ainda não está ambientado com os termos técnicos, playlist nada mais é do que uma seleção de músicas para facilitar a experiência do consumidor. Boa parte das playlists são criadas de acordo com temas específicos, como por exemplo, o melhor da música pop dos anos 70, ou uma seleção de reggae roots, músicas para meditação, uma seleção de músicas para queimar calorias em academias de ginástica (esta é uma das mais populares em todo o mundo!) e por aí em diante. A playlist é uma facilitadora para o consumidor de música e pode ser seguida pelos assinantes das plataformas como uma espécie de mídia social. É muito comum que formadores de opinião criem suas playlists e que arrebanhem centenas de milhares de seguidores. Ou seja, estamos diante de uma verdadeira transformação de costumes e possibilidades para o mercado da música.

Entre as plataformas de streaming há diversos pacotes de assinatura e utilização. Há contas gratuitas com inserção de publicidade entre a veiculação de músicas, há contas premium com acesso ilimitado de músicas sem qualquer interferência de publicidade, há o serviço de conta “família” onde mais de uma pessoa pode acessar à plataforma simultaneamente em diferentes canais. Em suma, há opções para todos os tipos e bolsos e particularmente optei por uma assinatura do Spotify onde tenho acesso a mais de 30 milhões de músicas. Minha relação com a experiência musical mudou significativamente com o advento das plataformas de streaming. Hoje praticamente fico on line durante boa parte do dia e minha curiosidade por novos sons, novos nomes e novos estilos aguçou-se ao nível máximo.

Depois de horas de espera, eis que o piloto já avisou sobre o procedimento de descida no Rio de Janeiro. O recado está dado! Sugiro aos 66 leitores do Observatório Cristão que pesquisem sobre estas novidades do meio digital. Enjoy!

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista. Este texto quero dedicar especialmente ao meu pai que descansou no Senhor exatamente no momento em que eu estava chegando ao Rio de Janeiro e finalizando este texto. Com ele aprendi a ser uma pessoa melhor, a buscar meus objetivos sem precisar negociar a ética e a valorizar a família, amigos e Deus. Siga em paz. Saudades.

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Semana curta, já começando com um super bem vindo feriado logo na segunda-feira e logo no meio da agenda, uma viagem para a capital goiana onde participarei da segunda edição da Gospel Fair, evento que reúne alguns dos principais players do mercado gospel nacional em diferentes áreas de atuação. E depois de Goiás, um pit stop rápido no Rio de Janeiro e já no domingo partirei para o Rio Grande do Sul onde participarei da Festa Nacional da Música na cidade de Canela. Ou seja, serão dias de muita correria, muitos encontros, reuniões e quem sabe, oportunidade para a criação de novos textos para o blog.

Na edição da Revista Veja (08/Out) o cantor cearense Wesley Safadão, um dos fenômenos de popularidade do momento com shows abarrotados em todo o país, comenta em uma pequena entrevista exclusiva sobre o valor de seu cachê que hoje está entre os maiores do Brasil. De forma muito tranquila ele destaca de que sua produção de shows em nada fica a dever para os grandes astros e de que recentemente ele investiu mais de 1 milhão de reais em equipamentos, além de contar com muitos músicos, bailarinas, um equipe enorme de apoio.

Uma das queixas dos artistas do universo gospel é justamente o tratamento diferenciado que recebem dos contratantes, principalmente prefeituras, em se tratando dos valores de cachês. Muitos destes artistas fazem questão de destacar que em contraponto aos valores tímidos de contrato, os shows de artistas evangélicos costumam ser os de maior apelo e presença do público. E isso, em parte, é verdade! Já estive em festas de cidades onde os shows de música gospel reuniram maior público do que sertanejos ou roqueiros. Além disso, os shows de música gospel geralmente são absurdamente mais ordeiros, menos danosos ao patrimônio público e demandam menores investimentos em mídia.

A grande questão neste assunto – e que nunca é mencionado pelos artistas gospel – é a abissal distância entre a qualidade de produção de um show do segmento religioso e dos seus congêneres do secular. Enquanto os sertanejos e artistas populares investem em palcos cinematográficos, carretas, aparelhagens de som, vídeo e luz, bailarinas, cenografia e tudo mais, os artistas do meio evangélico seguem a dinâmica do minimalismo artístico, onde a própria presença e um discurso emocionante do artista já são mais do que suficientes para garantir o sucesso do evento.

Jamais podemos incorrer no erro de comparar eventos religiosos com seculares, mas não atentar para alguns detalhes nesta área acarreta distorções e, sem dúvida, atrapalha num maior e melhor reconhecimento e valorização por parte dos contratantes. Em primeiro lugar, é fundamental definir as expectativas de um evento. Vamos levar em consideração de que a partir de agora iremos tratar apenas dos shows realizados para prefeituras. Quando uma prefeitura contrata um show ela está preocupada tão somente em entreter sua população. Geralmente a prefeitura não tem um estilo musical único de sua preferência e precisa contemplar os diferentes públicos que compõem seus moradores (e, principalmente eleitores!). Então nestes eventos temos atrações dos mais variados gêneros, do pagode ao clássico, do sertanejo ao rock e, cada vez mais comum, do público católico ao evangélico. No entanto, independente do estilo musical, o objetivo destes eventos é tão somente entretenimento.

O grande problema é que muitos artistas do meio gospel querem cada vez mais estar presentes nos eventos de prefeitura e garantirem assim bons cachês, porém não observam este detalhe, ou seja, de que o motivo da presença deles nestes eventos é basicamente promover uma ação de entretenimento e como tal, oferecer ao público presente não um culto, mas um show. É óbvio que espera-se de um artista religioso muito mais do que simplesmente apresentar uma boa música, mas daí a transformar o palco num púlpito onde o artista prega por longos minutos e diante de uma platéia eclética, aí já é falta de bom senso mesmo!

Entender a real expectativa do contratante é um passo importante para que a avaliação da apresentação do artista seja positiva.

Entendendo esta expectativa, o artista precisa ‘entregar’ ao contratante e ao público um evento realmente de qualidade e atraente. E é justamente nesta questão que os artistas religiosos despencam na comparação com o show business secular na mesma proporção de nossa moeda perante ao dólar. Excetuando-se André Valadão, DJ PV e mais um ou outro gato pingado gospel poucos são os artistas do segmento religioso que investem na qualidade de suas apresentações. A esmagadora maioria dos artistas do segmento muito mal se contentam em levar uma banda completa nos seus shows para prefeituras. Não há preocupação com conteúdo para os telões, repertório adequado para grandes públicos, efeitos especiais, programação de luz, e muitas vezes a banda parece que foi acordada às pressas para subir ao palco, sem tempo para vestir um figurino legal. Já estive em evento que o músico se apresentava com um chaveiro repleto de 20 chaves penduradas, além de um Nextel reluzente no cinto. Triste cena!

Seguindo com os exemplos, já tive o desprazer e vergonha alheia de assistir a um show promovido por uma prefeitura do Estado de São Paulo onde o artista gospel teve a cara-de-pau-ungida de se apresentar com voz e violão, quando na verdade, o contratante pagou por um show completo e cachê de mega produção. O palco deste evento era daqueles gigantes, cheio de movie lights, mega estrutura de som e vídeo e onde durante a semana se apresentariam vários artistas do primeiro time da MPB em diferentes estilos. A distância entre o show gospel e os populares foi gritante! A ponto do prefeito chamar o pastor-presidente do conselho de pastores local para uma conversa ao pé-do-ouvido questionando se aquele era mesmo o show que a classe havia tanto pleiteado à prefeitura. Vergonha Alheia – Parte 2. O pior disto tudo é que depois já no backstage o artista suando em bicas verdadeiramente achava que havia feito um grande show. E pela reação da plateia antes e depois do show a impressão era realmente de que a noite havia sido fantástica! Diante deste fato fiquei na dúvida se o público havia gostado do show porque não tinha outras referências ou porque o artista realmente era tão carismático a ponto de atender às expectativas. De qualquer forma, o público ali presente era 99% formado por evangélicos, ou seja, o evento tornou-se puramente entretenimento gospel e não atingiu a objetivos mais nobres de evangelizar não-convertidos.

Muitos artistas do meio gospel já têm em seus currículos a gravação de DVDs. No meio sertanejo, em especial, e na maior parte dos artistas populares de outros gêneros, o DVD serve como uma material de apresentação do ‘show de estrada’. E é impressionante a capacidade destes artistas em transformar a super produção de um DVD no show itinerante. Em média, 80% do cenário e estrutura do DVD segue para a turnê pelo país. Já no meio gospel, a esmagadora (pra não dizer totalidade) maioria dos projetos de DVD resumem-se a aquela única noite de gravação. Isso soa meio como a estória da Cinderela, em que tudo acaba à meia noite transformando uma linda carruagem em abóbora. É o que acontece com os artistas do segmento gospel … planejam uma mega produção para a gravação do DVD e tudo ali começa e termina naquelas pouquíssimas horas. Do ponto de vista de investimento, estes projetos são uma perda megalomaníaca de dinheiro, uma espécie de ‘prejuízo ostentação’. Isso para não falar em determinados artistas que investem em DVDs como se fossem a realização de um sonho e depois de gravado, abandonam o projeto de lado, alcançando vendagens, divulgação e alcance pífios.

É importante que os artistas do segmento gospel revejam urgentemente suas expectativas e principalmente suas atitudes. Se os artistas querem melhorar a relação com os contratantes seculares de shows, devem imediatamente investir na qualidade da produção dos shows que levam para a estrada. Também devem investir urgentemente em profissionais que cuidam da parte de negociação e agenda. Já fui procurado por empresários do show business se queixando da qualidade (péssima!!!!) do atendimento da assessoria de alguns pop stars do meio evangélico. Inclusive alguns destes contratantes e até mesmo prefeituras simplesmente desistiram de manter relacionamento com o meio gospel porque se frustraram e se irritaram inúmeras vezes. É fundamental que o mercado de shows gospel profissionalize-se o quanto antes oferecendo uma contrapartida à altura das expectativas. Somente assim, os contratantes irão investir no segmento e dar o devido valor. Quem quer ser respeitado, sempre deve fazer-se respeitado. Simples assim.

Em tempo de crise, jacaré é tronco.

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, peladeiro de fim de semana e alguém que torce pela mudança urgente dos rumos da política e economia de nosso país.