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Na semana passada publicamos o primeiro texto após o meu momento sabático de 3 meses … e aí conforme esperado, a vontade de seguir publicando mais textos chegou de forma mansa, tranquila, mas chegou, ainda que num ritmo bem low profile. Recebi de uns 4 a 5 amigos mensagens de felicitações pela volta do blog com textos inéditos … pelo visto, o nosso tradicional quórum de 69 leitores precisa ser recuperado. Então vamos caprichar. Tenho pela frente 2h20 de vôo entre o Rio de Janeiro e Recife. Vamos lá … apertem os cintos!

Dias atrás em conversa com a equipe de Label na empresa em que trabalho, ouvi o comentário de que em comparação à quantidade de pedidos de versões solicitadas por artistas seculares, o nosso núcleo gospel era imbatível na proporção de 30 por 1 … ouvi atentamente o comentário tentando alguma resposta mais coerente, mas no fim, apenas concordei com a cabeça deixando claro de que nesta questão não há o que se explicar, apenas aceitar (ou não!).

Hoje cedo eu fiz este mesmo comentário com os grupos que temos pelo whatsapp junto aos artistas de nosso cast. E aí incluí não só o relato da conversa descrita acima, mas também minha posição a respeito. A grande questão é que a música gospel, desde os anos 80 no Brasil vem bebendo freneticamente da fonte de intermináveis versões de canções internacionais, especialmente norte-americanas. O cantor e compositor, o excelente letrista, Fábio Sampaio, front man da Tanlan comentou que “Este é um tema bastante pertinente e até, porque não dizer, controverso em nosso meio. Estudando a história da música cristã brasileira fica evidente que, por diversas razões, produzir versões se tornou o ethos da música gospel. Fábio continua com sua excelente intervenção destacando que pode haver até uma explicação histórica para essa cultura de versões. “Isso acontece, principalmente, mas não exclusivamente pelo fato de que o Evangelho chegou ao Brasil através de missionários estrangeiros (norte americanos e europeus). Muitos tinham como metodologia a exclusão da cultura local e imposição de sua própria cultura. E isso perpetuou-se nos dias atuais. Outro fator curioso é que não há como definir qual estilo seria o “brasileiro”, criando um terreno fértil para as versões, já que assim, padronizamos a estética sem muito esforço, já que nos apoiamos em fórmulas pré-estabelecidas e comprovadamente de ‘sucesso’”.

Tentando prosseguir na rota apresentada pelo Fábio Sampaio acredito que a música cristã brasileira de fato não criou uma identidade cultural forte. Se na cultura nacional, o samba e a bossa nova representam o que temos de mais expoente na música produzida no país e percebida no exterior, no tocante ao que chamamos de música gospel, esta identidade ainda é bastante fluida, incipiente, para não dizer inexistente. Talvez alguns possam dizer que a música ‘pentecostal’ possa ser considerada como um estilo essencialmente nacional, específica de nosso meio, mas para tornar-se uma referência cultural este estilo deve ser percebido não somente pelo próprio segmento como também pela sociedade como um todo e, convenhamos que no exterior, a música gospel produzida no país ainda não consegue avançar além fronteiras. Então, do ponto de vista técnico, seguimos carentes de uma identidade cultural gospel definida.

Voltando ao contato que tive com os artistas pelo app de conversas, escrevi um pequeno texto para validar o que eu penso a respeito da profusão de versões internacionais em nosso meio. Neste texto além de expor a impressão de nossa equipe de Label, deixei claro que devemos dedicar mais tempo ao processo de produção de músicas. E que este tempo de dedicação deve vir acompanhado de muitas atitudes bastante definidas. Em primeiro lugar, boa parte do processo de criação de uma música demanda de tempo, atenção, foco e dedicação. Casos clássicos em que a melodia e letra surgem num piscar de olhos, devem ser tratados como exceção e como tal, não se tem qualquer controle a respeito. Simplesmente a inspiração, surge do nada e … pronto! O sucesso está nas mãos, mas quem garante isso? Ninguém! Não mesmo! Então, para não depender do acaso, o que se deve fazer é trabalhar, trabalhar, trabalhar … em primeiro lugar, não creio que possamos oferecer algo se não temos posse do conteúdo. Em outras palavras, se no nosso meio as canções falam de questões espirituais, relacionados à Palavra de Deus, como podemos escrever sobre estes temas se não tivermos vida e intimidade com Ele? Já recebi muitas músicas … incontáveis composições … e posso garantir que é sistemático … ao ter contato com algumas destas canções, muitas das vezes fica a sensação de bla bla bla … com infindáveis chavões, palavras de efeito, referências repetidas … ou seja, mais do mesmo … e aí, ao pesquisar sobre os autores, não me surpreendo em perceber que o que a caneta registra, não significa que a vida representa. Entenderam ou preciso ser mais claro?

Quando tratamos de assuntos espirituais, conhecimento e experiência, vivência e intimidade fazem total diferença.

Entendendo que esta questão básica de intimidade com Deus é ponto pacífico, podemos seguir para outros aspectos. Seguindo no mesmo conceito de que só podemos dar aquilo sobre o que temos, sempre entendi que o processo de composição é um grande trabalho braçal, mental, demanda dedicação e este trabalho consiste também e, ou principalmente na busca por conteúdos. Então, como poder trabalhar com a palavra se a leitura é pouca? Sinceramente não consigo entender como algumas pessoas se julgam compositores se ao menos não têm controle sobre a própria língua natal. Recebo constantemente composições, inclusive tenho um grupo de whatsapp somente com compositores e sendo um Diretor A&R, este trabalho é uma das bases de meu ofício cotidiano (pra quem não está ambientando à sigla, A&R significa “Artístico & Repertório”, já traduzido ao português). E aí posso garantir que ao menos 50% das músicas que recebo, contém erros grosseiros de português – isso é inadmissível! Então, para aqueles que pretendem seguir na carreira de compositor, minha dica ou clamor mesmo, é que dediquem tempo, muito tempo mesmo! para a leitura … livros, revistas, textos … não importa, o que conta é buscar referências, informações, estilo, ampliar consideravelmente o conteúdo, o estofo cultural … isso é fundamental. Na minha última viagem em família, como forma de passar o tempo na estrada, propus aos meus filhos uma simples brincadeira … eu falava uma palavra e pedia que eles explicassem o respectivo significado, um simples exercício como este pode fazer uma diferença e tanto! Uma das lembranças que tenho de minha infância era justamente os jogos que fazia com meu pai neste mesmo sentido. Diariamente eu lia o dicionário e comentava com ele o significado … até hoje algumas palavras trago em minha memória.

Leitura é fundamental. Buscar conhecimento é tarefa cotidiana e algo a ser perseguido todo o tempo.

O trabalho de composição é algo que demanda tempo e pode ser feito de forma individual, em parcerias ou até mesmo no estilo colaborativo ou cooperativo com a participação de um grupo criativo. Esta é uma questão bastante pessoal … há casos de compositores que só trabalham solitários, outros encontram parceiros ideais … às vezes pode se contar com a ajuda de um ‘colador’ de frases soltas, alguém que consegue organizar ideias e transformá-las em algo de qualidade. O processo de composição é algo muito interessante porque não segue regras ou formatos determinados. O importante é conhecer seu processo próprio de criação, respeitá-lo e dedicar-se a ele da melhor forma.

Outra característica do processo de composição tem a ver com a ideia de erro e tentativa, acerto e tentativa … ou seja, é praticamente impossível que se ache a ‘música’ numa única vez. O processo de composição exige tempo, senso crítico e bom senso. Outra forma de avaliação é a consulta a terceiros. Sempre que possível, apresente sua música para que outras pessoas possam escutar e opinar a respeito. No entanto, neste caso, saber escolher os ‘ouvidos’ faz parte do processo de análise criteriosa. Não adianta mostrar as composições pra mãezinha querida ou aquela tia que acha tudo perfeito o que você faz desde os primeiros dias de vida. Não busque a aprovação imediata, como um diamante, burile, lapide ao máximo sua produção.

Não há regras, formatos ou atalhos para se encontrar o hit.

Especialmente no exterior, a figura do “cantautor” é algo extremamente valorizado, algo como se fosse um patamar acima do intérprete ou mesmo do compositor. Para quem não está familiarizado com a expressão, “cantautor” significa o compositor que canta ou vice-versa. Esta valorização deve-se ao fato de que uma pessoa ter 2 talentos artísticos – cantar e escrever – seja algo a ser destacado. No Brasil, não somente no meio gospel, mas também secular, a figura do compositor não raras as vezes é algo colocada em segundo plano. Basta olharmos o ranking do Top 20 ou 30 das músicas mais executadas no país neste momento ou nos últimos anos … se conseguirmos identificar os autores de 10% das canções, podemos nos considerar como profundos entendedores deste mundo da música. Mas não quero trazer a responsabilidade sobre a baixa valorização aos compositores no nosso país a questões simplistas … é fato que o reconhecimento ao compositor se dá não somente pela produção de um único hit, mas especialmente de um conjunto de hits, uma obra completa. Vejamos o que aconteceu com Sullivan e Massadas nas décadas de 80 e 90, a grande quantidade de sucessos em sequência, transformou-os em referência de hits na MPB, colocando-os no Olimpo dos compositores do país. No nosso caso, compositores mais antigos como Josué Teodoro, Jorge Raeder, João Alexandre, Nelson Bomilcar, marcaram lugar de destaque no meio gospel, sendo seguidos décadas depois por nomes como Anderson Freire, Tony Ricardo, Clóvis Pinho, entre outros.

É fato que a estratégia de versões internacionais é um atalho tentador, afinal a música já foi testada e se chamou a atenção para contar com uma versão em português é porque de fato alcançou o sucesso. A questão é que seguindo esta toada, estaremos cada dia mais dependentes de conteúdo estrangeiro, iremos diminuir a força da produção local e adiaremos por mais anos e anos, a criação de uma identidade cultural sólida e reconhecida. Hoje em dia é muito claro que temos um cenário relevante de intérpretes. Isso é muito notório e repercutido por toda a classe artística secular … é impressionante os relatos entusiasmados que recebo sobre os cantores de música gospel brasileira de artistas do universo sertanejo, funk e mesmo da MPB. Entre meus pares na gravadora, o mesmo acontece … são elogios rasgados à qualidade das músicas, extensão vocal e técnicas da turma gospel e isso, é motivo de orgulho.

O nosso último grande hit que atravessou todos os limites, números, recordes … talvez tenha sido a música “Ninguém Explica Deus” de autoria de Clóvis Pinho. A música está prestes a alcançar 200 milhões de views no YouTube, foi regravada por alguns artistas seculares e gospel no Brasil, entrou na playlists de celebridades da TV, da música e da web … ou seja, transformou-se num grande sucesso. Isto é muito gratificante! E, sem dúvida, esta composição abriu um enorme caminho ao artista, intérprete e compositor. Precisamos de mais hits … precisamos de mais sucessos … precisamos de novos temas, novas propostas musicais …

Não estou dizendo que devemos promover um caça às bruxas ou um boicote ao que vem de fora. Longe de mim lançar um discurso xenófobo, mas o que eu quero incentivar através deste texto é para que a produção local seja fortalecida, respeitada e propagada cada vez mais. No entanto, não quero propor um sistema de reserva de mercado como o que vivemos nas décadas de 70 e 80 que proibia o acesso à tecnologia estrangeira, colocando o Brasil num atraso absurdo por décadas. Minha proposta é de que os artistas, ao buscarem repertórios, que dêem prioridade aos compositores locais … que deixem a tentação de buscar atalhos e versões de sucessos internacionais que muitas das vezes (a grande maioria) não conseguem ter o mesmo sucesso por aqui como têm por lá. Tenham paciência e disposição para buscar parceiros de composição, para contatar compositores e dar-lhes alguns caminhos a seguir, que tenham vontade de buscar sempre a excelência. Em contrapartida, que os compositores também façam o máximo esforço em oferecer cada vez mais conteúdos melhores e de qualidade. Invistam tempo e principalmente atenção ao processo criativo. Atentem-se aos detalhes, à poesia, à criatividade, ao novo, ao diferente … busquem novas referências. Aproveitem que nos apps de streaming há milhões de músicas para dar um ‘reset’ nas suas próprias referências musicais. Conheça novas propostas. Por fim, leve-se a sério e aja como tal, dando a devida importância onde o verdadeiro sucesso começa sempre: na música.

Não há artista de sucesso sem música. Buscamos o hit sempre e valorizemos as etapas, detalhes e aspectos do sucesso.

Ufa! A comissária de bordo acaba de anunciar nossa chegada ao Recife. Consegui iniciar e finalizar um texto numa pegada só … parece que estou voltando ao pique de antes. Quero me despedir e indicar a vocês uma música muito especial e que vem alcançando excelente repercussão nestes dias: Inteiro, faixa composta por Priscilla Alcântara uma jovem de 21 anos. Ou seja, nada melhor para ilustrar tudo aquilo que comentamos acima.

Divirtam-se!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, consultor de marketing e alguém que segue freneticamente em busca de novos hits.

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Se não me engano, desde o fim de 2017 não publico algo novo por aqui no blog … e de uma forma muito humilde quero justificar-me que o ofício de escrever, de publicar meus textos, seja aqui mesmo ou em outros veículos de comunicação, sempre foi encarado por mim muito mais como um lazer, um hobby ou principalmente, um prazer pessoal, do que algo mais oficial ou uma obrigação. Há momentos em que minha produção de textos é intensa … já em outras oportunidades, por falta de tempo e mesmo de inspiração, vivenciei períodos de estiagens intensas. No entanto, uma pausa tão longa como a que tivemos nestes últimos 90 dias, creio que seja algo inédito nos 11 anos de existência do Observatório Cristão e minha grande justificativa, até por respeito aos nossos diletos 69 leitores, é única, a saber: absoluta falta de vontade de escrever algo relevante mesmo tendo muitos insights e temas pensados ao longo deste período.

Dias atrás entreguei um texto para uma revista digital que será lançada em breve. O editor desta revista havia feito o convite a mim desde o fim do ano passado e pelas mesmas justificativas citadas acima, protelei ao máximo a entrega do texto inédito, até que por insistência do editor, me impus parar tudo e atender ao pedido. No texto dei um rápido resumo sobre o que vivemos no mercado da música em 2017 com a efetiva transição do consumo físico para digital. A experiência de sentar-me à frente da tela do computador, talvez tenha sido o estopim para que neste momento, a bordo de um voo entre o Rio de Janeiro, em plena intervenção federal, e a capital mineira, eu esteja teclando este texto … que na verdade, confesso, ainda não sei qual tema irei discorrer nas próximas linhas. O importante é que de alguma forma, parece-me que a vontade de romper com o ócio criativo está sendo combatido neste momento. É pra aplaudir de pé igreja!

Ainda sobre este tempo de escassez de textos, me surpreendi (continuo achando que minha relevância e audiência no blog são bem abaixo do que a realidade insiste em demonstrar) com a enorme quantidade de mensagens de amigos, alguns conhecidos e até mesmo gente que só conheço virtualmente, me perguntando sobre a ausência de novos textos ou ainda, relatando a necessidade de atualizações do blog. Confesso que este interesse me deixou bastante feliz e até mesmo lisonjeado. Desde quando começamos a publicar nossos textos há mais de uma década, a intenção do blog sempre foi de contribuir de alguma forma para um melhor entendimento do mercado e temas relacionados ao marketing, comunicação, vendas e estratégias. Nos últimos 3 anos, tive a grata oportunidade de contribuir com 9 projetos de TCC e já em 2018, recebi o pedido de mais 2 formandos. Ou seja, creio que o Observatório Cristão de forma direta ou indireta vem contribuindo para um melhor entendimento, especialmente sobre o mercado da música como um todo.

Então, aproveitando o texto que escrevi ontem, gostaria de seguir este novo post – com uma enorme introdução, me desculpem! – abordando alguns aspectos que me chamaram a atenção no último ano. Em primeiro lugar, creio que daqui 10 anos, quando olharmos os livros de história ou textos jornalísticos, o ano de 2017 poderá ser considerado como o marco oficial da transição do consumo de música. Efetivamente foi neste ano em que houve o grande salto do consumo da música pelos aplicativos de áudio streaming revertendo de uma vez por todas o modelo de consumo por parte do público. Estima-se que no mercado brasileiro, cerca de 97% do faturamento entre as majors – principais gravadoras – será proveniente de operações digitais em contraste às vendas físicas de CDs e DVDs. Falando de meu dia a dia, no ano de 2017 tivemos a oportunidade de lançar apenas 2 produtos físicos e 238 projetos exclusivamente digitais, ou seja, a disparidade entre os formatos é absoluta e irrevogável.

Então, o que era apenas futuro, tornou-se presente! A música agora é oficialmente digital!

Com esta nova cultura, podemos observar mudanças profundas no meio fonográfico e porque não dizer, no ambiente artístico como um todo. Gostaria de aproveitar para destacar alguns destes novos aspectos. Em primeiro lugar, a forma de apresentação dos conteúdos para o mercado e público sofreram várias mudanças. Sai o álbum com 12, 14 faixas para dar lugar a singles e EPs … tudo sempre acompanhado da versão em vídeo, seja através de clipes, Lyric Videos, Live Sessions ou mesmo Pseudo Vídeos (quando é só a capa estática do produto). Com isso o ritmo de produção e mesmo o intervalo entre os lançamentos é alterado sistematicamente, pois se antes uma produção demorava em média 6 meses e outros 18 meses de trabalho, neste atual cenário, o tempo de produção pode chegar a dias, em caso de um single e o tempo de divulgação demanda não mais do que 90 dias, em raríssimas exceções. Agora o artista não pode se dar ao luxo de grandes espaços sem novidades … a necessidade de constantemente lançar conteúdos torna o trabalho muito mais intenso (um dos meus últimos textos aqui publicados trata bem deste assunto, vale a leitura!).

Eis que tudo se fez novo … de novo! Atualize-se urgentemente para não correr o risco de ficar para a história ou mesmo no mais puro ostracismo e esquecimento!

Uma mudança neste novo cenário e que merece destaque neste momento tem a ver com a democratização em nomes, geografia e estilos. Tentando resumir esta afirmação, acho melhor dissecá-la, então explicando, até alguns anos atrás vivíamos uma escassez de novos talentos, basicamente em função dos altos custos para transformar uma promessa em sucesso, pela própria característica reativa e pouco audaciosa de boa parte das gravadoras do segmento gospel no país e, ainda pela falta de disposição de emissoras de rádio em abrir espaço para novos nomes e novas propostas musicais. Ou seja, vivíamos um círculo vicioso sempre com os mesmos artistas no topo, os mesmos estilos musicais repetidos à exaustão, mesmos produtores musicais, mesmos compositores e assim seguia a mesma toada numa falta de novidades irritante. Basta lembrar que o último artista que surgiu nos últimos anos, com nova proposta musical, foi o cantor Thalles Roberto no longínquo ano de 2008/09. Em comparação com os dois ou três últimos anos, tivemos uma profusão de novidades de estilos e de nomes, de propostas musicais e sonoridades. Isto deve-se basicamente ao novo formato de consumo através dos aplicativos de vídeo e áudio streaming.

Hoje é muito mais fácil tornar-se conhecido e relevante. As tecnologias aproximam as pessoas, encurtam os caminhos e têm capacidade de transformar uma carreira. No entanto, talento, qualidade e conhecimento técnico são indispensáveis, sempre, estejam atentos a isto!

A democratização não se limitou ao estilo ou mesmo aos artistas, mas também alargou substancialmente as fronteiras, ou melhor, o digital eliminou por completo as barreiras, tornando o consumo global e de igual forma, as chances de artistas de regiões fora do eixo Rio-São Paulo tornaram-se reais, algo inconcebível tempos atrás. Para ilustrar esta afirmação neste momento tenho trabalhado com artistas do sul do país, assim bem como artistas do Centro Oeste, inclusive residindo em Palmas, Tocantins. Trabalho ainda com artistas do interior da Bahia, de Aracaju, interior de São Paulo e até mesmo em Seattle, EUA, caso de Arthur Calazans, front man do Ministério CFC. Enfim, não há mais dificuldades na distância porque as distâncias simplesmente inexistem neste momento. E isso é fantástico!

Não há mais distância ou grandes entraves! O que impede um artista atingir seu público é qualidade de conteúdo e investimento da forma correta!

Outra questão que observamos em 2017 e que merece atenção é o encolhimento de alguns artistas. É notório que alguns medalhões do meio gospel estão vivenciando tempos estranhos com o advento do mercado digital. A grande maioria destes artistas que viveram o ápice na carreira atrelada à venda de discos carece da vontade em se readequar a um novo cenário, aliada a uma falta de profissionais capacitados à volta e mesmo um estímulo extra, por parte de suas respectivas gravadoras. Outro dia parei para analisar números de vários artistas no tocante a streams e o susto foi grande. Artistas com 3 anos de carreira superando outros com 20 anos de estrada … e o mais impressionante é que este fenômeno já passa a ser percebido também no line up dos grandes shows de música gospel pelo país, ou nas programações das emissoras de rádio. Enfim, quem imaginava que teria uma carreira longeva e tranquila no melhor ‘céu de brigadeiro’ após ter alcançado o sucesso anos atrás, é bom mudar este conceito, arregaçar as mangas, tirar o ‘escorpião do bolso’ – em bom português, investir mesmo! – e se atualizar sobre ferramentas e estratégias. Ou seja, trabalhar com foco, simples assim.

Vamos trabalhar! Chega de ficar no sofá da sala achando que as coisas acontecerão normalmente!

Ou seja, o mercado da música está talvez num dos seus melhores momentos das últimas décadas. Como profissional do segmento há alguns anos, vivo hoje uma experiência incrível de mesmo após tanto tempo de mercado, ainda aprender e sentir-me estimulado a crescer e a trabalhar mais e mais. Vejo claramente que há artistas que estão vibrando com este cenário, que estão trabalhando muito e, consequentemente estão colhendo resultados incríveis. Já outros estão literalmente ‘correndo atrás’ … não do prejuízo, até porque não sei quem cunhou esta expressão tão louca … afinal, devemos correr atrás é do lucro, porque do prejuízo corre-se dele e não para ele, mas enfim … há artistas que estão buscando adaptar-se às novas demandas e outros que simplesmente resolveram aposentar as chuteiras e deixarem-se se levar pela correnteza ladeira abaixo … o recado está dado! Vamos trabalhar e colocar a música gospel de fato no local em que deveria estar no mundo digital nos últimos tempos.

Finalizo este texto com uma boa notícia e uma mensagem de parabéns. O excelente trabalho que Lincoln Baena, editor de música cristã da Deezer Brasil vem realizando nos últimos anos chamou a atenção do board da companhia no mundo e desde o início de 2018, o editor brazuca assumiu o posto de editor da Deezer na América Latina para o mercado cristão. Agora, Baena coordena 20 países dentro da plataforma. Parabéns!

Enjoy!

Mauricio Soares, diretor artístico da Sony Music, publicitário, jornalista e palestrante. Agora, voltando com tudo para o blog!

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A impressão que tenho neste momento de últimos dias de dezembro é que o ano de 2017 já começou e que 2016 ainda insiste em existir! Pois é … já estamos trabalhando ativamente pelos lançamentos de janeiro e fevereiro do próximo ano como se não tivéssemos aquele período de recesso, descanso e respiro tão comum em anos anteriores. E o motivo disso não tem a ver com a crise econômica, com a crise política do país, com a camada de ozônio ou a falência dos estados como Rio de Janeiro ou Minas Gerais, nem mesmo com a eleição do Trump lá na terra do Tio Sam … a razão desta sequência interminável de trabalho é que estamos vivenciando mais uma mudança dos tempos digitais.

Nos últimos anos, em especial, neste ano de 2016 venho repetidamente falando sobre a transição do mercado físico para o digital, falamos muito sobre os novos hábitos de consumo, as novas plataformas digitais, a mudança de estratégias, metas e objetivos que realmente importam … e agora identifico mais uma mudança significativa, a saber, os lançamentos de projetos, EPs, singles, vídeos, não se baseiam mais em datas especiais ou períodos específicos, ou seja, todo dia é dia para se lançar conteúdos.

Por exemplo, no dia 23 de dezembro, às vésperas do Natal, teremos o lançamento de um novo single. Na semana seguinte, um dia antes do Reveillon, lançaremos outro projeto. Nem bem nos recuperamos das rabanadas e na sequência lançaremos mais 2 projetos na primeira semana de janeiro. E esta rotina seguirá intensa semana após semana numa maratona sem fim. E esta ‘produção em série’ faz parte deste novo contexto do mercado fonográfico. Vale aqui um outro comentário que tem a ver com esta quantidade de lançamentos. No dia 09 de dezembro, lançamos pela Sony Music 4 produtos simultaneamente – Gabriela Rocha, Samuel Mizhary, André e Felipe e Irmão Lázaro. Cada um destes produtos tem públicos distintos, apresentam propostas artísticas e musicais bem definidas, em outras palavras, não se sobrepõem. E justamente por estas características, todos os 4 lançamentos performaram com grande resultados. Gabriela Rocha chegou à posição 4 entre os produtos mais vendidos no iTunes Brasil naquele dia. Samuel Mizhary chegou à nona posição, André e Felipe alcançou a vigésima posição e Irmão Lázaro alcançou a posição de número 118. Ou seja, os 4 lançamentos figuraram no Top 150 do iTunes Brasil, algo inédito até então. Vale lembrar que neste mesmo dia tivemos ainda a presença de mais 5 projetos de catálogo da Sony Music neste chart de mais vendidos.

Se tempos atrás os A&R das gravadoras corriam atrás dos ‘grandes vendedores de discos’ e trabalhavam de forma cirúrgica buscando aqueles artistas que sozinhos garantiam boa parte das vendas, hoje, em tempos digitais, cada vez mais esta busca se torna intensa, no entanto, o leque de opções artísticas para a gravadora se amplia consideravelmente. Atualmente cerca de 80% das vendas digitais dão-se através do produtos de catálogo e apenas 20% sobre lançamentos. Cabe aqui uma explicação, bem didática, considera-se produto de catálogo todo projeto com mais de 18 meses de lançamento. Projetos antes deste prazo, são considerados lançamentos.

A partir de agora, iremos ouvir muito uma determinada palavra: ESCALA. É verdade, saímos da fase da assertividade e passamos para a fase da amplitude. Traduzindo: as gravadoras deixarão de focar apenas em poucos artistas que podem trazer grandes resultados de vendas e se dedicarão a ter o maior número de artistas e projetos em seu cast. Isto porque no mundo de consumo digital, tudo precisa ser gigante! E quando digo gigante, é gigante mesmo! Clipes com menos de 2 dígitos em milhões de visualizações não trarão remuneração suficiente sequer para recuperar o valor de investimento na produção. Uma faixa de áudio sem milhões de streamings também não fará nem cócegas … No chart semanal de streamings – relatório de desempenho de faixa a faixa nas principais plataformas de audio streaming no Brasil – o líder do ranking sempre ultrapassa 1,5 milhão de streamings semanais, quando não ultrapassa a marca de 2 milhões. Entre o Top 200 desta lista, os últimos integrantes deste seleto grupo, em média têm 300 mil streamings semanais. A título de informação, até hoje não tivemos um único representante da música gospel presente neste chart de streaming no Brasil. Este é, sem dúvida, o grande desafio que teremos em 2017 em se tratando de música gospel no país.

É assustador perceber que ainda temos artistas e gravadoras trabalhando de forma completamente desfocada neste novo ambiente de negócios e consumo. A mudança é ampla, geral e irrestrita e a necessidade por conhecimento é total! Vale ressaltar que não existe segmento, estilo ou público que não seja passível de entender estas mudanças e se engajar neste novo contexto. Não costumo usar muitos exemplos de projetos de meu dia a dia aqui para o blog, mas permito-me destacar os recentes resultados que estamos tendo no projeto da cantora Damares. Todos temos ciência de que o público que consome conteúdo pentecostal tem menos adequação às plataformas digitais do que de outros artistas como Gabriela Rocha, Priscilla Alcantara ou Leonardo Gonçalves. No entanto, em conjunto com a equipe de Digital Sales e de Digital Marketing da companhia elaboramos uma série de ações e estratégias para que o enorme público das redes sociais da cantora de alguma forma migrasse para as plataformas de audio streaming e mesmo outros canais digitais. Depois de algumas semanas de intenso trabalho constatamos crescimento de 300% na performance de Damares na Deezer e Spotify e em 66% em assinaturas de RingBackTone nas operadoras de telefonia. Sucesso!

Meu desejo é que cada vez mais o nosso meio esteja engajado neste novo momento tecnológico e de consumo. E para esta adequação é importante a busca do conhecimento e a vontade pela mudança. Espero que os 69 leitores deste blog curtam e exercitem tudo o que têm aprendido por aqui. Que venha 2017 … que 2016 se vá o quanto antes!

Mauricio Soares, jornalista, publicitário, consultor de marketing e gerenciamento de carreiras, tricolor, carecendo por férias … pé na areia … mente na lua …

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Nas últimas semanas o nosso blog esteve mais parado do que o de costume, afinal não temos hábito ficar mais de 2 semanas sem textos e postagens inéditas. Em função de alguns contratempos, mesmo com alguns textos já finalizados e prontos para a publicação, ficamos sem novidades no blog, mas pra compensar este hiato, acabamos liberando de uma única vez logo os 3 últimos textos publicados recentemente. E tudo é uma questão de hábito, de repente me peguei numa tremenda falta de escrever mais textos, sem muito estímulo pra continuar dedicando alguns minutos, horas talvez, pra criação de novos conteúdos … confesso que estava quase sucumbindo à tentação de tirar umas férias prolongadas (tipo o Leonardo Gonçalves pra 2017) sem data de retorno. No entanto, bastaram uns dias fora das quatro paredes do escritório, em contato com pessoas que nem sempre tenho oportunidade de conviver no meu dia a dia, para que o desejo de seguir em frente publicando novos textos ressurgisse novamente.

Durante uns dias em Goiânia tive oportunidade de conversar com muitas pessoas, na verdade, revi alguns amigos e conheci dezenas de outras pessoas que até então não conhecia. E boa parte destas pessoas fazia questão de dizer que eram leitores do Observatório Cristão, que curtiam nossos textos, seguiam nossas dicas e que até mudavam sua forma de pensar e agir baseados em informações que recebiam pelo blog. Este tipo de contato é fantástico pra mim! Serve mesmo como um grande estímulo pra seguir adiante mesmo após quase 9 anos de publicações ininterruptas.

E quero aproveitar um pouco mais dos próximos minutos de sua preciosa atenção para comentar sobre algo que tenho falado muito nas últimas semanas. Vale lembrar que boa parte dos temas e assuntos aqui publicados são, na verdade, oriundos do meu cotidiano como profissional da área de música, de experiências vividas e observações acuradas de meu dia a dia. E especialmente nestes dias tenho falado (e ouvido muito) sobre o sucesso ‘meteórico’ do projeto Preto no Branco. Pra quem não os conhece ainda, vou apresentá-los … o Preto no Branco é uma criação do engenhoso, dinâmico e criativo Alex Passos, sócio-diretor-faz-tudo da Balaio Music. Há 2 anos e pouco atrás ele me procurou pra dividir algumas ideias de um projeto musical. Durante muitos anos, Alex Passos foi o apresentador do programa de TV Balaio, transmitido pela Rede Super de Televisão, canal da Igreja Batista da Lagoinha de BH. Ele me apresentou o projeto, aprovei na hora e a partir dali seguimos cuidando de todos os detalhes. O Preto no Branco é o encontro de 4 artistas solistas, multi-instrumentistas, compositores e extremamente talentosos. O grupo inicialmente era formado por Wesley Santos, Juninho Black e Clóvis e contava com a participação especial de Eli Soares. No fim de 2014 eles se reuniram para gravar um projeto inédito e este projeto só chegou ao mercado no fim do ano seguinte. Agora, já quase no fim de 2016, portanto com menos de 12 meses de seu lançamento, o Preto no Branco é um verdadeiro fenômeno de popularidade superando 100 milhões de visualizações de seus vídeos, algo bastante raro no meio gospel tupiniquim, principalmente em se tratando de um projeto tão recente.

Mudança de cena …

Recentemente Leonardo Gonçalves gravou uma música que tornou-se tema para o filme “Você Acredita?”, que foi um sucesso estrondoso nos cinemas pelo Brasil. A música “Acredito”, versão de uma canção da banda norte-americana New Boys (We Believe) está com mais de 25 milhões de visualizações tendo sido lançada cerca de 1 ano atrás. A versão original, com 2 anos de publicada, conta com 18 milhões de views, ou seja, um caso raríssimo de versão que suplantou em popularidade a canção original. Esta música em português interpretada brilhantemente por Leonardo Gonçalves talvez fosse a cereja do bolo que faltava para coroar de vez o sucesso e unanimidade de reconhecimento que o artista precisava após lançar seu projeto “Princípio”, DVD que marcou em definitivo a carreira do Leonardo Gonçalves. Esta música entrou no repertório do cantor a ponto de rivalizar em preferência com outras canções tradicionais do artista como Getsêmani e Sublime, apenas para citar duas músicas.

Nova mudança de cena …

No mês de julho deste ano estava em Fortaleza participando da Expo Evangélica, hoje seguramente a maior feira de produtos evangélicos do país. Lembro-me que vi esta feira crescer há 11 anos atrás, ainda num espaço que comportava (muito quente e apertado) no máximo umas 2 mil pessoas e hoje me deparo com um Centro de Convenções climatizado e com capacidade para 15 mil pessoas completamente abarrotado. Que felicidade ver um projeto crescer, acreditar onde ninguém via nada e depois deparar-me com algo sólido e confiável. Mas voltando ao mês de julho, como apoiador da Expo, fiz questão de levar uma quantidade enorme de artistas de meu cast, de diferentes estilos, de diferentes públicos e de diferentes etapas no estágio da carreira artística. Todos os nossos artistas tiveram oportunidade de cantar no palco principal da feira e pra minha grata (e enorme) surpresa, o público cantava a plenos pulmões cada uma das canções ali interpretadas. E não era no refrão ou no fim das frases, o povo cantava tudo, inclusive com vocais, voltinhas, melismas e tudo mais! Mas aí você deve estar pensando: a gravadora investiu um caminhão de dinheiro nas rádios de Fortaleza pra garantir toda esta popularidade!

Concluindo a cena …

Mas o que tem em comum Preto no Branco com Leonardo Gonçalves e ainda a Expo Evangélica de Fortaleza com os queridos cearenses fazendo dueto com os artistas? Muito simples! Nem o Preto no Branco, nem a canção “Acredito” do Leonardo Gonçalves ou mesmo os artistas do cast que se apresentaram na Expo Evangélica, tiveram seus trabalhos divulgados prioritariamente nas FMs evangélicas pelo país. Ou seja, nestes 3 casos (mas poderia listar outros mais) o caminho da música e seu respectivo reconhecimento do grande público não se deu pelo tradicional caminho de tocar nas rádios do segmento. Se até alguns anos atrás as rádios tinham a primazia (quase uma ditadura!) no sucesso de um determinado artista ou canção, hoje em dia, em tempos digitais e de mobilidade plena, as rádios perderam sua hegemonia no processo de se criar o sucesso. Não estou dizendo que as rádios não são importantes! Não mesmo! O que estou dizendo é que elas não são mais o caminho exclusivo e hoje dividem em importância com a internet e as plataformas digitais. E isso, é muito saudável porque traz para os artistas, gravadoras e principalmente o público a oportunidade de ter acesso a conteúdos diferenciados que até então não tinham espaço nas grades de programação das rádios. Aí cabe até uma puxada de orelha gospel … no nosso meio religioso esta democratização, sem dúvida, desestabilizou algumas emissoras que até então se jactavam de deter a hegemonia em suas regiões. Não posso deixar de comentar sobre determinada rádio de um grande centro do país que só tocava artistas que atendiam suas demandas próprias como eventos na igreja ou outras parcerias comerciais. O dono daquela emissora gostava de alardear aos quatro ventos de que naquela região se quisesse ser conhecido deveria pagar o pedágio a ele … algo mais feudal, impossível!

Em suma, vivemos um momento único na área musical como um todo. Através destes novos canais de consumo de música, artistas até então ligados a determinados nichos (sem acesso às grandes mídias) foram sendo descobertos por novos públicos e ampliaram consideravelmente o alcance de sua mensagem e arte. Especialmente as plataformas de audio streaming contribuíram muito para esta maior interação entre diferentes estilos, públicos e artistas porque todo este conteúdo está num mesmo local entre 30 a 40 milhões de músicas ao simples alcance de uma busca.

Tanto “Acredito” como Preto no Branco são fenômenos da internet que depois foram ‘descobertos’ pela grande mídia. Tive recentemente contato com um diretor de uma grande rádio que me confidenciou não conhecer o Preto no Branco mesmo eles já contando com milhões de views na web, agenda lotada pelo Brasil e milhares de seguidores em suas redes sociais e canais oficiais. Ouvindo este comentário, só pude dizer que as coisas estavam mudando e que os programadores de rádio deveriam incluir buscas na internet como atividades corriqueiras para entender o que o público estava escutando naquele momento. Não só ele entendeu o recado como já vem trabalhando diretamente junto ao YouTube, redes sociais e as plataformas de audio streaming acompanhando os números diariamente.

Pra concluir, vivemos um tempo de grandes transformações. De novos hábitos, novas expectativas, novas estratégias. É fundamental que os artistas, principalmente a nova geração, saiba que hoje todos estão praticamente num mesmo nível, não importando se possui uns poucos anos de estrada ou décadas de música gospel nas costas … a verdade é que tudo voltou à estaca zero e por isso, todos têm capacidade para se estabelecer com sucesso e vigor no cenário artístico gospel. O mesmo digo para os medalhões, artistas que viveram o auge do mercado fonográfico … não adianta de nada anos e anos de estrada se não entenderem que tudo mudou e que é necessário se reeducar, reinventar, adquirir novos hábitos, buscar conhecimento. Uma das provas desta mudança é esta mesma que eu citei nas linhas acima, pois quem imaginaria que artistas surgiriam atropelando tudo sem que suas músicas sequer tocassem nas rádios? A internet está aí … o mundo digital é realidade … novos nomes estão surgindo no cenário musical … tudo novo!

Pra bom entendedor …

Mauricio Soares, blogueiro, profissional de marketing, jornalista e observador de novas tendências.

Ainda quero falar sobre um tema que me surgiu à mente em função dos recentes dias em que estive no Ceará por ocasião da Expo Evangélica. Como comentou um dos membros da Banda Bálsamo, certamente os dias naquele evento serviriam para trazer assuntos para serem posteriormente publicados no Observatório Cristão. E, de verdade, boa parte de meus insights surgem exatamente em viagens, shows, eventos que participo pelo país e exterior. E desta vez não foi diferente. Considero-me um observador privilegiado das transformações que o mercado fonográfico e cristão vem atravessando nas últimas quase 3 décadas e muitas das vezes tenho que tentar me desligar de uma visão analítica dos fatos para simplesmente curtir de uma forma leve e sem compromisso um show, evento ou algo do tipo. A verdade é que por trabalhar nesta área, minha visão sempre é profissional, crítica, distanciada. Não sei se isso é bom, ruim, neurótica … mas enfim, é o que me cabe e tenho que simplesmente seguir em frente.

No último post, a palavra em destaque foi MUDANÇA. Confesso que entre os itens que destaquei neste último post até comecei a escrever sobre o assunto que iremos comentar hoje, mas por se tratar de algo mais denso e que permitiria uma maior análise, optei em manter exclusivo num texto totalmente dedicado ao tema. Vamos a ele.

Até algum tempo atrás, os artistas em suas apresentações, entrevistas, e praticamente em toda oportunidade que surgisse, faziam questão de lembrar ao público de que seu CD (os mais antigos diriam LPs e até cassetes) encontravam-se à venda nas lojas (geralmente as melhores lojas, mas me parece que nas lojas ruins também, rs). Muitos artistas tinham o péssimo hábito de em suas apresentações, inclusive em púlpitos nas igrejas ficarem por muitos minutos divulgando seus CDs no melhor estilo balcão de vendas, sem o mínimo pudor fazendo longos discursos destacando preços, promoções e se colocando à disposição para dar autógrafos (de preferência no próprio CD, nada de papelzinho, Bíblia e coisas do tipo).

Os tempos mudaram e os discursos devem seguir estas novas tendências. Mas me parece que especificamente neste quesito, a classe artística gospel (e mesmo a secular) ainda não se apercebeu sobre a importância de novas abordagens. Nos últimos anos, não foram poucas as vezes em que vi artistas conclamando o público para seguirem suas redes sociais. Tornou-se meio que um selo de popularidade o artista ter números consistentes em sua fanpage, Twitter, Instagram, Snapchat e outras redes sociais. E concordo plenamente que quanto mais seguidores, mais o artista poderá potencializar a divulgação de seu trabalho. A questão é que os artistas estão focando apenas em metade do processo que verdadeiramente interessa neste momento. De nada adianta um determinado artista ter milhões de seguidores em redes sociais porque efetivamente nestes canais não há monetização sobre resultados. Em rápidas palavras, as redes sociais não devem jamais ser o objetivo final para os artistas, mas uma ferramenta eficiente para se alcançar algo mais significativo que é a remuneração das plataformas de streaming de áudio e vídeo, além da tradicional venda de produtos físicos.

Por exemplo, há vários artistas com enorme popularidade no meio gospel que jamais alcançaram o primeiro lugar no iTunes. Mesmo se tratando de uma modalidade em queda – a venda de conteúdo a la carte – o ranking de mais vendidos do iTunes serve como uma importante referência de resultados. Há 3 ou 4 anos atrás, alcançar o topo de vendas desta plataforma significava algo incrível e isto foi uma conquista bem rara em se tratando de artistas gospel. Lembrando que o primeiro artista religioso a ficar na liderança do iTunes foi Leonardo Gonçalves, fato repetido por ele em outras ocasiões. Artistas como Os Arrais, Paulo César Baruk, Gabriela Rocha, Mariana Valadão, e mais recentemente Estêvão Queiroga podem se orgulhar por tal feito que muito (a esmagadora maioria, por sinal) ‘medalhão’ gospel jamais alcançou.

Os números que de verdade importam neste momento são os seguidores dos canais de vídeo, seguidores de playlists no Spotify, Deezer ou Apple Music, número de visualizações de clipes, Lyric Videos e todo tipo de conteúdo em vídeo, número de streamings de áudio (publiquei recentemente um texto falando sobre esta questão. Vale a pena rever este post) e número de assinantes dos serviços de áudio mobile – operadoras de telefonia.

E aí, volto a uns parágrafos acima pra comentar sobre o ‘novo discurso’ que deve ser apresentado pelos artistas em todo contato com o público. Não se deve mais só lembrar da existência do CD pra ser comprado ao fim do culto ou do show, o artista deve principalmente incentivar o público a continuar a experiência de ter contato com sua arte através das plataformas de streaming. Lembrando que algumas destas plataformas possuem opções gratuitas como o Spotify e, melhor ainda, que todas possuem preços absolutamente acessíveis para assinaturas – em média R$ 14,90/mês para ter acesso a um catálogo de mais de 30 milhões de músicas. Não se trata de substituir uma mídia física pelo acesso digital ao conteúdo, mas sim de ampliar as formas de contato com o público com a música.

Temos um grande desafio neste momento que é tornar cada vez mais popular o acesso e utilização dos milhões de cristãos às plataformas de streaming disponíveis.

Estamos diante de uma mudança de hábito e cultura e isto só ocorre através da mobilização dos formadores de opinião, que neste caso são as gravadoras, mídias e principalmente artistas. E, sem dúvida, uma excelente oportunidade que os artistas têm para apresentar estas novas opções de relacionamento do público e os novos canais, se dá nos cultos, shows, entrevistas e, ainda, através de suas próprias redes sociais. Se você é artista e ainda não tem assinatura em uma destas plataformas, saiba que você já está atrasado, ou melhor, muito atrasado!

É fundamental que neste momento, velhas estratégias e expectativas sejam reformuladas. Estamos diante de um momento em que a indústria fonográfica mundial volta novamente a crescer e a tornar-se muito relevante, em que as oportunidades são ilimitadas e as receitas voltam a crescer exponencialmente, no entanto, também é um momento de uma nova mentalidade e, principalmente, de novas atitudes.

Enjoy!
Mauricio Soares, publicitário, peladeiro de fim de semana, observador contumaz, estudioso do mercado cristão e alguém que está cada vez mais empolgado com as oportunidades do mundo digital.

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Confesso que tem ficado cada vez mais complicado reservar alguns minutos para dedicar-me ao ofício de escrever alguns textos aqui para nosso blog. Muitas viagens, intermináveis reuniões, compromissos, corre corre desenfreado, relatórios, audições, deslocamentos em cidades cada vez neurotizantes com trânsito caótico … enfim, não tem sido nada fácil minha vida nas últimas semanas. Mas, como bom brasileiro que sou, não desisto (que ditado mais cafona, meu Deus!) e sigo na disposição de manter o blog minimamente atualizado.
Tempos atrás todo cantor obrigatoriamente tinha um assessor-faz-tudo ao seu lado. O dito cujo cuidava da agenda, logística das viagens, dos pagamentos, recebimentos, refeições, músicos, ensaios, atendimento dos contratantes, negociações, atuava como segurança, atendia os fãs enlouquecidos por um autógrafo, cuidava da som e do playback nos eventos e ainda era obrigado a carregar a bolsa da cantora quando esta demonstrava cansaço. Hoje em dia, este santo-que-andava-ao-lado-dos-artistas ainda pode ser encontrado perambulando pelos aeroportos do país junto à entourage de alguns artistas. No entanto, com o crescimento e profissionalização da classe artística gospel, algumas destas atividades foram transferidas para outros assessores e equipe de apoio.
Todo artista, ou melhor, a grande maioria da classe em questão tem uma pessoa de suporte, que podemos formalmente chamá-lo de manager, mesmo entendendo que raríssimos são os artistas de nosso meio que contam com os serviços de um manager de fato! Mas com muita boa vontade podemos considerar que aquele rapazinho que atende o telefone, negocia cachês e agenda, entre outras atividades, pode ser tratado como tal. E neste momento, apenas um manager já não é mais suficiente para uma carreira que pretende ser sólida no meio artístico. Outros profissionais são fundamentais neste momento em que vivemos tantas transições e demandas que até então sequer existiam. Neste post quero me ater a estes profissionais e detalhar um pouco do que cada um pode contribuir no sucesso de um artista.
Neste momento em que as redes sociais e o mercado digital crescem exponencialmente, a figura do profissional de marketing digital é indispensável. Mas engana-se quem atribui a este profissional a função de criar aqueles flyers bonitinhos, cheios de arabescos e uma frase de efeito ou algo do tipo. Não! Definitivamente não! Esta não é a função do ‘marqueteiro digital’, na verdade, estas artes simpáticas são atribuição do designer, que via de regra não tem muito a tendência de analisar números, relatórios, tendências e afins. O ambiente do profissional de marketing digital está repleto de planilhas, gráficos, informações, tendências e muito espírito de observação, interpretação e estratégias.
E este tipo de profissional, que para muitos é algo desconhecido ainda, infelizmente é algo meio raro no mundinho gospel tupiniquim. O profissional de marketing digital hoje é ainda mais importante do que um assessor de imprensa, o que para muitos era até então parte essencial do staff. Não desmerecendo jamais a relevância do profissional de imprensa, o que quero dizer é que dentro do conceito “demanda x necessidade”, um assessor de marketing digital é praticamente indispensável no momento em que lidamos com a realidade digital. E aí temos uma oportunidade fantástica pela frente! Se você é um jovem que curte o universo digital, das redes sociais, tecnologia e novidades, e procura por um direcionamento em sua carreira, então está diante de um mercado crescente, emergente, extremamente promissor. Mas, engana-se quem imagina que nesta nova profissão há espaço para improviso, falta de dedicação ou ‘jeitinho’. Este é um tipo de profissão que exige conhecimento e atualização constante em função da permanente chegada de novas ferramentas, plataformas, aplicativos, modismos e tudo mais!  Estudo, pesquisa e dedicação são pré-requisitos indispensáveis para os profissionais deste segmento. O profissional de marketing digital, entre outras atribuições deve ser capaz de potencializar ao máximo os conteúdos do seu cliente. E não necessariamente impulsionando com verba de investimento os vídeos, postagens e tudo relacionado ao artista, mas estabelecendo estratégias, definindo assuntos, formas, horários e ações onde o alcance e relevância dos conteúdos atinjam melhor e em maior número o público que se defina como alvo.
É importante salientar que um dos grandes erros que observamos no dia a dia tem a ver com a padronização dos conteúdos nas plataformas sociais. Ou seja, o artista posta um conteúdo, por exemplo, no Facebook e o replica automaticamente no Instagram e Twitter. Este é um erro dos mais comuns e que precisa ser repensada a estratégia imediatamente, afinal cada canal de relacionamento possui especificidades muito determinantes. O Twitter é um ambiente mais adequado para pensamentos, opiniões pessoais e afins. Nos últimos 2 anos, o Twitter reverteu a tendência de queda e vem novamente tornando-se bastante relevante. O Facebook é o varejo das redes sociais, atinge um número maior de pessoas, há uma cultura do compartilhamento e do feedback, uma interação bem maior que as outras redes sociais e, por isso, funciona principalmente como canal de divulgação, campanhas, lançamento de vídeos, entre outras ações. Já o Instagram vem crescendo a cada dia em importância e serve para apresentar um pouco do dia a dia do artista. É um canal muito pessoal e que, de verdade, aproxima o artista ao público se for usado de forma inteligente. O SnapChat é o queridinho do momento, o canal de vídeos vem crescendo em popularidade e tem sido bastante usado pelos artistas como um diário de bordo onde o humor é a tônica. Há artistas que, de verdade, se revelaram bem mais leves e bem humorados do que observávamos nas outras redes sociais. Cada qual, tem uma peculiaridade e deve ser tratado com muita atenção e esta é mais uma das atribuições do profissional de marketing digital.
Hoje em dia, plataformas como o Spotify, possuem ferramentas de análise de dados absurdamente completas. Recentemente promovi para os artistas de nosso cast, treinamentos sobre as plataformas de audio streaming, com ênfase no Spotify e Deezer. A apresentação dos relatórios disponíveis para os artistas é impressionante, uma verdadeira Disneylandia pra quem curte tendências, números, resultados, projeções e muita, mas muita informação. Agora, de nada adianta estas ferramentas se não há um profissional com apuro e senso de análise para decifrar as informações. Esta função cabe ao profissional de marketing digital.
O piloto acaba de anunciar o procedimento de descida. Espero poder voltar a tratar deste assunto em outra oportunidade. Também espero poder ter um pouco mais de tempo para atualizar o blog. Este texto foi escrito na viagem de ida e finalizado no retorno ao Rio de Janeiro, após uma rápida viagem até Salvador. E por falar em Salvador, no dia 24 de setembro acontece no Pavilhão de Eventos da capital, a décima edição do Clama Bahia, o maior evento de música gospel do Nordeste. Em setembro retorno pra lá!
Boa semana!
 
Mauricio Soares, publicitário, palestrante, jornalista, casado, pai de 3 rapazes de 16, 13 e 4 anos, todos completamente inseridos no mundo digital. 

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Neste momento o relógio já indica que passamos de meia noite e meia de uma quinta-feira na cidade de São Paulo. Estou na cidade há menos 7 horas e vivi uma das noites mais espetaculares e emocionantes dos meus últimos meses. Mesmo muito cansado depois de tanto trabalho, muitas viagens e um dia intenso de atividades, me sinto estimulado a colocar-me de frente ao meu computador para escrever algumas linhas sobre a experiência maravilhosa que vivi poucas horas antes.

No dia de hoje, a cantora Soraya Moraes, considerada uma das mais belas vozes do cancioneiro gospel tupiniquim, vencedora de inúmeros prêmios, inclusive o Grammy Latino, lançou na plataforma YouTube/Vevo o clipe da versão nacional da música “Happy”, sucesso de Pharell Williams, pop star mundial. A explicação para Soraya Moraes ter gravado essa música é bastante simples. Ela queria trazer uma mensagem de ânimo, de incentivo, de estímulo às pessoas num momento tão difícil pelo qual o nosso país atravessa. Só que o foco não seria necessariamente o povo brasileiro que vem enfrentando estas dificuldades, mas especialmente um grupo específico de brasileirinhos e brasileirinhas que enfrentam diariamente algo bem mais trágico do que qualquer cidadão comum. Estou falando das crianças e adolescentes vítimas de males causados pelo câncer.

O vídeo da música “Feliz” terá seus direitos revertidos ao GRAACC, hospital privado localizado em São Paulo e que cuida de crianças e adolescentes com câncer. Este hospital é referência no mundo com mais de 70% de sucesso no tratamento, quando na verdade, no país esse índice é de apenas 40%. A cidadã Soraya Moraes já mantém vínculo com este projeto há muitos anos e resolveu fazer um pouco além doando os royalties do vídeo diretamente para a instituição.

Vim a São Paulo especificamente para participar da coletiva de imprensa do lançamento do vídeo. Já na chegada fiquei bem impressionado com a beleza e a sofisticação do lugar. Tudo muito bonito, moderno, agradável e principalmente, colorido, algo bastante incomum para um ambiente hospitalar. Dirigi-me à recepção e ali já fui festivamente recepcionado por 2 senhores de meia idade com camisetas do GRAACC com os dizeres “Cerimonial Voluntário”. Percebi de cara de que estaria entrando num lugar onde a solidariedade se faz presente. Subi ao sexto andar e lá fui recepcionado por Soraya e seu esposo, o querido Marcão. Em poucos minutos fui apresentado ao coordenador de relações institucionais do GRAACC, o dinâmico e solícito ‘Serginho’. Em menos de 30 segundos de conversa ele ‘sequestrou-me’ levando-me para uma visita guiada pelos diversos andares do hospital. O que eu vi foi uma aula de bom uso dos recursos em prol de algo nobre e necessário em nossa sociedade. A estrutura do hospital foi totalmente adaptada a atender às necessidades de crianças e adolescentes em pleno tratamento médico de uma forma lúdica, criativa, agradável e principalmente respeitosa!

Confesso que me emocionei diversas vezes visitando aquelas salas onde crianças lutam pela sobrevivência e pelo reestabelecimento pleno. Já de volta ao local da coletiva de imprensa curti muito por ver uma grande presença de profissionais de mídia. O evento se iniciou e logo a gerente geral de desenvolvimento institucional, Tammy Allersdorfer, apresentou um belo vídeo do GRAACC. Em seguida fui convidado a dar uma rápida palavra e ainda emocionado fiz questão de frisar que o vídeo “Feliz” era algo muito menor perante a relevância do projeto do GRAACC e que todas as mídias deveriam se engajar nesta campanha.

Já no fim do pequeno evento, pedi a palavra mais uma vez para comentar algo que naquele momento me incomodava bastante. Mais cedo, ainda pela manhã comecei a ler alguns dos comentários postados no YouTube a respeito do clipe. Em meio a muitas manifestações positivas pelo vídeo e pela música, alguns comentários chegavam cheios de rancor, agressividade e uma dose de acidez e santarronice, pelo fato de uma música ‘secular’ ter sido versionada para um conceito cristão. Depois de ter visitado as instalações do GRAACC e de entender as motivações da cidadã Soraya Moraes na empreitada, algo me incomodava profundamente e foi isso o que eu quis externar ao fim da coletiva. Como já falei antes, a qualidade da música , a coreografia dos dançarinos, a profundidade da versão, a performance dos muitos artistas que participaram, da qualidade das imagens e locações … de verdade, nada disso importa neste momento! O que faz esse vídeo especial não é o que assistimos, mas verdadeiramente o que podemos ajudar à GRAACC através da monetização dos views. Sinceramente eu não estou preocupado nem mesmo com as opiniões, sejam positivas ou negativas. O que me importa é que o vídeo seja assistido e re-assistido e novamente assistido tantas e tantas vezes possível porq        ue somente assim podemos de alguma forma contribuir para aquela instituição e diretamente salvar as vidas daquelas crianças e adolescentes em tratamento.

Minha palavra neste momento é de incentivo. Que os 66 leitores deste blog possam clicar quantas vezes for possível neste vídeo e assim ajudarem ao GRAACC. Que estes mesmos 66 leitores possam divulgar em suas redes sociais, entre seus amigos e familiares este material. Não me importa se este clipe ou esta música não irão ganhar nenhum prêmio do mercado, ou mesmo se na área destinada aos comentários alguns obtusos escrevam mensagens não muito simpáticas. O que vale a pena neste caso é que simplesmente as pessoas cliquem no vídeo. Só isso já irá ajudar centenas de crianças e famílias que dependem do trabalho do GRAACC.

O GRAACC é mantido essencialmente por contribuições de pessoas físicas, empresas e patrocinadores. As verbas públicas não ultrapassam 25% das receitas da instituição. Nas paredes do hospital há diversas placas com nomes de mantenedores do projeto. Numa rápida pesquisa infelizmente não me deparei com nenhuma editora, gravadora ou empresa do mercado gospel entre estes doadores. Nem mesmo igrejas! Pra quebrar essa ‘cultura’ nas próximas semanas estarei à frente de algumas ações especiais relacionadas à música e arte, contando inclusive com a participação de artistas numa grande visitação às crianças e famílias do GRAACC. Vamos fazer nossa parte!

E pra quem quiser conhecer um pouco mais do GRAACC e contribuir com essa causa, basta clicar www.graacc.org.br

Vamos agir!

 

Mauricio Soares, jornalista, publicitário e a partir de agora, voluntário-consultor-de-marketing do GRAACC.