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A impressão que tenho neste momento de últimos dias de dezembro é que o ano de 2017 já começou e que 2016 ainda insiste em existir! Pois é … já estamos trabalhando ativamente pelos lançamentos de janeiro e fevereiro do próximo ano como se não tivéssemos aquele período de recesso, descanso e respiro tão comum em anos anteriores. E o motivo disso não tem a ver com a crise econômica, com a crise política do país, com a camada de ozônio ou a falência dos estados como Rio de Janeiro ou Minas Gerais, nem mesmo com a eleição do Trump lá na terra do Tio Sam … a razão desta sequência interminável de trabalho é que estamos vivenciando mais uma mudança dos tempos digitais.

Nos últimos anos, em especial, neste ano de 2016 venho repetidamente falando sobre a transição do mercado físico para o digital, falamos muito sobre os novos hábitos de consumo, as novas plataformas digitais, a mudança de estratégias, metas e objetivos que realmente importam … e agora identifico mais uma mudança significativa, a saber, os lançamentos de projetos, EPs, singles, vídeos, não se baseiam mais em datas especiais ou períodos específicos, ou seja, todo dia é dia para se lançar conteúdos.

Por exemplo, no dia 23 de dezembro, às vésperas do Natal, teremos o lançamento de um novo single. Na semana seguinte, um dia antes do Reveillon, lançaremos outro projeto. Nem bem nos recuperamos das rabanadas e na sequência lançaremos mais 2 projetos na primeira semana de janeiro. E esta rotina seguirá intensa semana após semana numa maratona sem fim. E esta ‘produção em série’ faz parte deste novo contexto do mercado fonográfico. Vale aqui um outro comentário que tem a ver com esta quantidade de lançamentos. No dia 09 de dezembro, lançamos pela Sony Music 4 produtos simultaneamente – Gabriela Rocha, Samuel Mizhary, André e Felipe e Irmão Lázaro. Cada um destes produtos tem públicos distintos, apresentam propostas artísticas e musicais bem definidas, em outras palavras, não se sobrepõem. E justamente por estas características, todos os 4 lançamentos performaram com grande resultados. Gabriela Rocha chegou à posição 4 entre os produtos mais vendidos no iTunes Brasil naquele dia. Samuel Mizhary chegou à nona posição, André e Felipe alcançou a vigésima posição e Irmão Lázaro alcançou a posição de número 118. Ou seja, os 4 lançamentos figuraram no Top 150 do iTunes Brasil, algo inédito até então. Vale lembrar que neste mesmo dia tivemos ainda a presença de mais 5 projetos de catálogo da Sony Music neste chart de mais vendidos.

Se tempos atrás os A&R das gravadoras corriam atrás dos ‘grandes vendedores de discos’ e trabalhavam de forma cirúrgica buscando aqueles artistas que sozinhos garantiam boa parte das vendas, hoje, em tempos digitais, cada vez mais esta busca se torna intensa, no entanto, o leque de opções artísticas para a gravadora se amplia consideravelmente. Atualmente cerca de 80% das vendas digitais dão-se através do produtos de catálogo e apenas 20% sobre lançamentos. Cabe aqui uma explicação, bem didática, considera-se produto de catálogo todo projeto com mais de 18 meses de lançamento. Projetos antes deste prazo, são considerados lançamentos.

A partir de agora, iremos ouvir muito uma determinada palavra: ESCALA. É verdade, saímos da fase da assertividade e passamos para a fase da amplitude. Traduzindo: as gravadoras deixarão de focar apenas em poucos artistas que podem trazer grandes resultados de vendas e se dedicarão a ter o maior número de artistas e projetos em seu cast. Isto porque no mundo de consumo digital, tudo precisa ser gigante! E quando digo gigante, é gigante mesmo! Clipes com menos de 2 dígitos em milhões de visualizações não trarão remuneração suficiente sequer para recuperar o valor de investimento na produção. Uma faixa de áudio sem milhões de streamings também não fará nem cócegas … No chart semanal de streamings – relatório de desempenho de faixa a faixa nas principais plataformas de audio streaming no Brasil – o líder do ranking sempre ultrapassa 1,5 milhão de streamings semanais, quando não ultrapassa a marca de 2 milhões. Entre o Top 200 desta lista, os últimos integrantes deste seleto grupo, em média têm 300 mil streamings semanais. A título de informação, até hoje não tivemos um único representante da música gospel presente neste chart de streaming no Brasil. Este é, sem dúvida, o grande desafio que teremos em 2017 em se tratando de música gospel no país.

É assustador perceber que ainda temos artistas e gravadoras trabalhando de forma completamente desfocada neste novo ambiente de negócios e consumo. A mudança é ampla, geral e irrestrita e a necessidade por conhecimento é total! Vale ressaltar que não existe segmento, estilo ou público que não seja passível de entender estas mudanças e se engajar neste novo contexto. Não costumo usar muitos exemplos de projetos de meu dia a dia aqui para o blog, mas permito-me destacar os recentes resultados que estamos tendo no projeto da cantora Damares. Todos temos ciência de que o público que consome conteúdo pentecostal tem menos adequação às plataformas digitais do que de outros artistas como Gabriela Rocha, Priscilla Alcantara ou Leonardo Gonçalves. No entanto, em conjunto com a equipe de Digital Sales e de Digital Marketing da companhia elaboramos uma série de ações e estratégias para que o enorme público das redes sociais da cantora de alguma forma migrasse para as plataformas de audio streaming e mesmo outros canais digitais. Depois de algumas semanas de intenso trabalho constatamos crescimento de 300% na performance de Damares na Deezer e Spotify e em 66% em assinaturas de RingBackTone nas operadoras de telefonia. Sucesso!

Meu desejo é que cada vez mais o nosso meio esteja engajado neste novo momento tecnológico e de consumo. E para esta adequação é importante a busca do conhecimento e a vontade pela mudança. Espero que os 69 leitores deste blog curtam e exercitem tudo o que têm aprendido por aqui. Que venha 2017 … que 2016 se vá o quanto antes!

Mauricio Soares, jornalista, publicitário, consultor de marketing e gerenciamento de carreiras, tricolor, carecendo por férias … pé na areia … mente na lua …

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Nas últimas semanas o nosso blog esteve mais parado do que o de costume, afinal não temos hábito ficar mais de 2 semanas sem textos e postagens inéditas. Em função de alguns contratempos, mesmo com alguns textos já finalizados e prontos para a publicação, ficamos sem novidades no blog, mas pra compensar este hiato, acabamos liberando de uma única vez logo os 3 últimos textos publicados recentemente. E tudo é uma questão de hábito, de repente me peguei numa tremenda falta de escrever mais textos, sem muito estímulo pra continuar dedicando alguns minutos, horas talvez, pra criação de novos conteúdos … confesso que estava quase sucumbindo à tentação de tirar umas férias prolongadas (tipo o Leonardo Gonçalves pra 2017) sem data de retorno. No entanto, bastaram uns dias fora das quatro paredes do escritório, em contato com pessoas que nem sempre tenho oportunidade de conviver no meu dia a dia, para que o desejo de seguir em frente publicando novos textos ressurgisse novamente.

Durante uns dias em Goiânia tive oportunidade de conversar com muitas pessoas, na verdade, revi alguns amigos e conheci dezenas de outras pessoas que até então não conhecia. E boa parte destas pessoas fazia questão de dizer que eram leitores do Observatório Cristão, que curtiam nossos textos, seguiam nossas dicas e que até mudavam sua forma de pensar e agir baseados em informações que recebiam pelo blog. Este tipo de contato é fantástico pra mim! Serve mesmo como um grande estímulo pra seguir adiante mesmo após quase 9 anos de publicações ininterruptas.

E quero aproveitar um pouco mais dos próximos minutos de sua preciosa atenção para comentar sobre algo que tenho falado muito nas últimas semanas. Vale lembrar que boa parte dos temas e assuntos aqui publicados são, na verdade, oriundos do meu cotidiano como profissional da área de música, de experiências vividas e observações acuradas de meu dia a dia. E especialmente nestes dias tenho falado (e ouvido muito) sobre o sucesso ‘meteórico’ do projeto Preto no Branco. Pra quem não os conhece ainda, vou apresentá-los … o Preto no Branco é uma criação do engenhoso, dinâmico e criativo Alex Passos, sócio-diretor-faz-tudo da Balaio Music. Há 2 anos e pouco atrás ele me procurou pra dividir algumas ideias de um projeto musical. Durante muitos anos, Alex Passos foi o apresentador do programa de TV Balaio, transmitido pela Rede Super de Televisão, canal da Igreja Batista da Lagoinha de BH. Ele me apresentou o projeto, aprovei na hora e a partir dali seguimos cuidando de todos os detalhes. O Preto no Branco é o encontro de 4 artistas solistas, multi-instrumentistas, compositores e extremamente talentosos. O grupo inicialmente era formado por Wesley Santos, Juninho Black e Clóvis e contava com a participação especial de Eli Soares. No fim de 2014 eles se reuniram para gravar um projeto inédito e este projeto só chegou ao mercado no fim do ano seguinte. Agora, já quase no fim de 2016, portanto com menos de 12 meses de seu lançamento, o Preto no Branco é um verdadeiro fenômeno de popularidade superando 100 milhões de visualizações de seus vídeos, algo bastante raro no meio gospel tupiniquim, principalmente em se tratando de um projeto tão recente.

Mudança de cena …

Recentemente Leonardo Gonçalves gravou uma música que tornou-se tema para o filme “Você Acredita?”, que foi um sucesso estrondoso nos cinemas pelo Brasil. A música “Acredito”, versão de uma canção da banda norte-americana New Boys (We Believe) está com mais de 25 milhões de visualizações tendo sido lançada cerca de 1 ano atrás. A versão original, com 2 anos de publicada, conta com 18 milhões de views, ou seja, um caso raríssimo de versão que suplantou em popularidade a canção original. Esta música em português interpretada brilhantemente por Leonardo Gonçalves talvez fosse a cereja do bolo que faltava para coroar de vez o sucesso e unanimidade de reconhecimento que o artista precisava após lançar seu projeto “Princípio”, DVD que marcou em definitivo a carreira do Leonardo Gonçalves. Esta música entrou no repertório do cantor a ponto de rivalizar em preferência com outras canções tradicionais do artista como Getsêmani e Sublime, apenas para citar duas músicas.

Nova mudança de cena …

No mês de julho deste ano estava em Fortaleza participando da Expo Evangélica, hoje seguramente a maior feira de produtos evangélicos do país. Lembro-me que vi esta feira crescer há 11 anos atrás, ainda num espaço que comportava (muito quente e apertado) no máximo umas 2 mil pessoas e hoje me deparo com um Centro de Convenções climatizado e com capacidade para 15 mil pessoas completamente abarrotado. Que felicidade ver um projeto crescer, acreditar onde ninguém via nada e depois deparar-me com algo sólido e confiável. Mas voltando ao mês de julho, como apoiador da Expo, fiz questão de levar uma quantidade enorme de artistas de meu cast, de diferentes estilos, de diferentes públicos e de diferentes etapas no estágio da carreira artística. Todos os nossos artistas tiveram oportunidade de cantar no palco principal da feira e pra minha grata (e enorme) surpresa, o público cantava a plenos pulmões cada uma das canções ali interpretadas. E não era no refrão ou no fim das frases, o povo cantava tudo, inclusive com vocais, voltinhas, melismas e tudo mais! Mas aí você deve estar pensando: a gravadora investiu um caminhão de dinheiro nas rádios de Fortaleza pra garantir toda esta popularidade!

Concluindo a cena …

Mas o que tem em comum Preto no Branco com Leonardo Gonçalves e ainda a Expo Evangélica de Fortaleza com os queridos cearenses fazendo dueto com os artistas? Muito simples! Nem o Preto no Branco, nem a canção “Acredito” do Leonardo Gonçalves ou mesmo os artistas do cast que se apresentaram na Expo Evangélica, tiveram seus trabalhos divulgados prioritariamente nas FMs evangélicas pelo país. Ou seja, nestes 3 casos (mas poderia listar outros mais) o caminho da música e seu respectivo reconhecimento do grande público não se deu pelo tradicional caminho de tocar nas rádios do segmento. Se até alguns anos atrás as rádios tinham a primazia (quase uma ditadura!) no sucesso de um determinado artista ou canção, hoje em dia, em tempos digitais e de mobilidade plena, as rádios perderam sua hegemonia no processo de se criar o sucesso. Não estou dizendo que as rádios não são importantes! Não mesmo! O que estou dizendo é que elas não são mais o caminho exclusivo e hoje dividem em importância com a internet e as plataformas digitais. E isso, é muito saudável porque traz para os artistas, gravadoras e principalmente o público a oportunidade de ter acesso a conteúdos diferenciados que até então não tinham espaço nas grades de programação das rádios. Aí cabe até uma puxada de orelha gospel … no nosso meio religioso esta democratização, sem dúvida, desestabilizou algumas emissoras que até então se jactavam de deter a hegemonia em suas regiões. Não posso deixar de comentar sobre determinada rádio de um grande centro do país que só tocava artistas que atendiam suas demandas próprias como eventos na igreja ou outras parcerias comerciais. O dono daquela emissora gostava de alardear aos quatro ventos de que naquela região se quisesse ser conhecido deveria pagar o pedágio a ele … algo mais feudal, impossível!

Em suma, vivemos um momento único na área musical como um todo. Através destes novos canais de consumo de música, artistas até então ligados a determinados nichos (sem acesso às grandes mídias) foram sendo descobertos por novos públicos e ampliaram consideravelmente o alcance de sua mensagem e arte. Especialmente as plataformas de audio streaming contribuíram muito para esta maior interação entre diferentes estilos, públicos e artistas porque todo este conteúdo está num mesmo local entre 30 a 40 milhões de músicas ao simples alcance de uma busca.

Tanto “Acredito” como Preto no Branco são fenômenos da internet que depois foram ‘descobertos’ pela grande mídia. Tive recentemente contato com um diretor de uma grande rádio que me confidenciou não conhecer o Preto no Branco mesmo eles já contando com milhões de views na web, agenda lotada pelo Brasil e milhares de seguidores em suas redes sociais e canais oficiais. Ouvindo este comentário, só pude dizer que as coisas estavam mudando e que os programadores de rádio deveriam incluir buscas na internet como atividades corriqueiras para entender o que o público estava escutando naquele momento. Não só ele entendeu o recado como já vem trabalhando diretamente junto ao YouTube, redes sociais e as plataformas de audio streaming acompanhando os números diariamente.

Pra concluir, vivemos um tempo de grandes transformações. De novos hábitos, novas expectativas, novas estratégias. É fundamental que os artistas, principalmente a nova geração, saiba que hoje todos estão praticamente num mesmo nível, não importando se possui uns poucos anos de estrada ou décadas de música gospel nas costas … a verdade é que tudo voltou à estaca zero e por isso, todos têm capacidade para se estabelecer com sucesso e vigor no cenário artístico gospel. O mesmo digo para os medalhões, artistas que viveram o auge do mercado fonográfico … não adianta de nada anos e anos de estrada se não entenderem que tudo mudou e que é necessário se reeducar, reinventar, adquirir novos hábitos, buscar conhecimento. Uma das provas desta mudança é esta mesma que eu citei nas linhas acima, pois quem imaginaria que artistas surgiriam atropelando tudo sem que suas músicas sequer tocassem nas rádios? A internet está aí … o mundo digital é realidade … novos nomes estão surgindo no cenário musical … tudo novo!

Pra bom entendedor …

Mauricio Soares, blogueiro, profissional de marketing, jornalista e observador de novas tendências.

Ainda quero falar sobre um tema que me surgiu à mente em função dos recentes dias em que estive no Ceará por ocasião da Expo Evangélica. Como comentou um dos membros da Banda Bálsamo, certamente os dias naquele evento serviriam para trazer assuntos para serem posteriormente publicados no Observatório Cristão. E, de verdade, boa parte de meus insights surgem exatamente em viagens, shows, eventos que participo pelo país e exterior. E desta vez não foi diferente. Considero-me um observador privilegiado das transformações que o mercado fonográfico e cristão vem atravessando nas últimas quase 3 décadas e muitas das vezes tenho que tentar me desligar de uma visão analítica dos fatos para simplesmente curtir de uma forma leve e sem compromisso um show, evento ou algo do tipo. A verdade é que por trabalhar nesta área, minha visão sempre é profissional, crítica, distanciada. Não sei se isso é bom, ruim, neurótica … mas enfim, é o que me cabe e tenho que simplesmente seguir em frente.

No último post, a palavra em destaque foi MUDANÇA. Confesso que entre os itens que destaquei neste último post até comecei a escrever sobre o assunto que iremos comentar hoje, mas por se tratar de algo mais denso e que permitiria uma maior análise, optei em manter exclusivo num texto totalmente dedicado ao tema. Vamos a ele.

Até algum tempo atrás, os artistas em suas apresentações, entrevistas, e praticamente em toda oportunidade que surgisse, faziam questão de lembrar ao público de que seu CD (os mais antigos diriam LPs e até cassetes) encontravam-se à venda nas lojas (geralmente as melhores lojas, mas me parece que nas lojas ruins também, rs). Muitos artistas tinham o péssimo hábito de em suas apresentações, inclusive em púlpitos nas igrejas ficarem por muitos minutos divulgando seus CDs no melhor estilo balcão de vendas, sem o mínimo pudor fazendo longos discursos destacando preços, promoções e se colocando à disposição para dar autógrafos (de preferência no próprio CD, nada de papelzinho, Bíblia e coisas do tipo).

Os tempos mudaram e os discursos devem seguir estas novas tendências. Mas me parece que especificamente neste quesito, a classe artística gospel (e mesmo a secular) ainda não se apercebeu sobre a importância de novas abordagens. Nos últimos anos, não foram poucas as vezes em que vi artistas conclamando o público para seguirem suas redes sociais. Tornou-se meio que um selo de popularidade o artista ter números consistentes em sua fanpage, Twitter, Instagram, Snapchat e outras redes sociais. E concordo plenamente que quanto mais seguidores, mais o artista poderá potencializar a divulgação de seu trabalho. A questão é que os artistas estão focando apenas em metade do processo que verdadeiramente interessa neste momento. De nada adianta um determinado artista ter milhões de seguidores em redes sociais porque efetivamente nestes canais não há monetização sobre resultados. Em rápidas palavras, as redes sociais não devem jamais ser o objetivo final para os artistas, mas uma ferramenta eficiente para se alcançar algo mais significativo que é a remuneração das plataformas de streaming de áudio e vídeo, além da tradicional venda de produtos físicos.

Por exemplo, há vários artistas com enorme popularidade no meio gospel que jamais alcançaram o primeiro lugar no iTunes. Mesmo se tratando de uma modalidade em queda – a venda de conteúdo a la carte – o ranking de mais vendidos do iTunes serve como uma importante referência de resultados. Há 3 ou 4 anos atrás, alcançar o topo de vendas desta plataforma significava algo incrível e isto foi uma conquista bem rara em se tratando de artistas gospel. Lembrando que o primeiro artista religioso a ficar na liderança do iTunes foi Leonardo Gonçalves, fato repetido por ele em outras ocasiões. Artistas como Os Arrais, Paulo César Baruk, Gabriela Rocha, Mariana Valadão, e mais recentemente Estêvão Queiroga podem se orgulhar por tal feito que muito (a esmagadora maioria, por sinal) ‘medalhão’ gospel jamais alcançou.

Os números que de verdade importam neste momento são os seguidores dos canais de vídeo, seguidores de playlists no Spotify, Deezer ou Apple Music, número de visualizações de clipes, Lyric Videos e todo tipo de conteúdo em vídeo, número de streamings de áudio (publiquei recentemente um texto falando sobre esta questão. Vale a pena rever este post) e número de assinantes dos serviços de áudio mobile – operadoras de telefonia.

E aí, volto a uns parágrafos acima pra comentar sobre o ‘novo discurso’ que deve ser apresentado pelos artistas em todo contato com o público. Não se deve mais só lembrar da existência do CD pra ser comprado ao fim do culto ou do show, o artista deve principalmente incentivar o público a continuar a experiência de ter contato com sua arte através das plataformas de streaming. Lembrando que algumas destas plataformas possuem opções gratuitas como o Spotify e, melhor ainda, que todas possuem preços absolutamente acessíveis para assinaturas – em média R$ 14,90/mês para ter acesso a um catálogo de mais de 30 milhões de músicas. Não se trata de substituir uma mídia física pelo acesso digital ao conteúdo, mas sim de ampliar as formas de contato com o público com a música.

Temos um grande desafio neste momento que é tornar cada vez mais popular o acesso e utilização dos milhões de cristãos às plataformas de streaming disponíveis.

Estamos diante de uma mudança de hábito e cultura e isto só ocorre através da mobilização dos formadores de opinião, que neste caso são as gravadoras, mídias e principalmente artistas. E, sem dúvida, uma excelente oportunidade que os artistas têm para apresentar estas novas opções de relacionamento do público e os novos canais, se dá nos cultos, shows, entrevistas e, ainda, através de suas próprias redes sociais. Se você é artista e ainda não tem assinatura em uma destas plataformas, saiba que você já está atrasado, ou melhor, muito atrasado!

É fundamental que neste momento, velhas estratégias e expectativas sejam reformuladas. Estamos diante de um momento em que a indústria fonográfica mundial volta novamente a crescer e a tornar-se muito relevante, em que as oportunidades são ilimitadas e as receitas voltam a crescer exponencialmente, no entanto, também é um momento de uma nova mentalidade e, principalmente, de novas atitudes.

Enjoy!
Mauricio Soares, publicitário, peladeiro de fim de semana, observador contumaz, estudioso do mercado cristão e alguém que está cada vez mais empolgado com as oportunidades do mundo digital.

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Confesso que tem ficado cada vez mais complicado reservar alguns minutos para dedicar-me ao ofício de escrever alguns textos aqui para nosso blog. Muitas viagens, intermináveis reuniões, compromissos, corre corre desenfreado, relatórios, audições, deslocamentos em cidades cada vez neurotizantes com trânsito caótico … enfim, não tem sido nada fácil minha vida nas últimas semanas. Mas, como bom brasileiro que sou, não desisto (que ditado mais cafona, meu Deus!) e sigo na disposição de manter o blog minimamente atualizado.
Tempos atrás todo cantor obrigatoriamente tinha um assessor-faz-tudo ao seu lado. O dito cujo cuidava da agenda, logística das viagens, dos pagamentos, recebimentos, refeições, músicos, ensaios, atendimento dos contratantes, negociações, atuava como segurança, atendia os fãs enlouquecidos por um autógrafo, cuidava da som e do playback nos eventos e ainda era obrigado a carregar a bolsa da cantora quando esta demonstrava cansaço. Hoje em dia, este santo-que-andava-ao-lado-dos-artistas ainda pode ser encontrado perambulando pelos aeroportos do país junto à entourage de alguns artistas. No entanto, com o crescimento e profissionalização da classe artística gospel, algumas destas atividades foram transferidas para outros assessores e equipe de apoio.
Todo artista, ou melhor, a grande maioria da classe em questão tem uma pessoa de suporte, que podemos formalmente chamá-lo de manager, mesmo entendendo que raríssimos são os artistas de nosso meio que contam com os serviços de um manager de fato! Mas com muita boa vontade podemos considerar que aquele rapazinho que atende o telefone, negocia cachês e agenda, entre outras atividades, pode ser tratado como tal. E neste momento, apenas um manager já não é mais suficiente para uma carreira que pretende ser sólida no meio artístico. Outros profissionais são fundamentais neste momento em que vivemos tantas transições e demandas que até então sequer existiam. Neste post quero me ater a estes profissionais e detalhar um pouco do que cada um pode contribuir no sucesso de um artista.
Neste momento em que as redes sociais e o mercado digital crescem exponencialmente, a figura do profissional de marketing digital é indispensável. Mas engana-se quem atribui a este profissional a função de criar aqueles flyers bonitinhos, cheios de arabescos e uma frase de efeito ou algo do tipo. Não! Definitivamente não! Esta não é a função do ‘marqueteiro digital’, na verdade, estas artes simpáticas são atribuição do designer, que via de regra não tem muito a tendência de analisar números, relatórios, tendências e afins. O ambiente do profissional de marketing digital está repleto de planilhas, gráficos, informações, tendências e muito espírito de observação, interpretação e estratégias.
E este tipo de profissional, que para muitos é algo desconhecido ainda, infelizmente é algo meio raro no mundinho gospel tupiniquim. O profissional de marketing digital hoje é ainda mais importante do que um assessor de imprensa, o que para muitos era até então parte essencial do staff. Não desmerecendo jamais a relevância do profissional de imprensa, o que quero dizer é que dentro do conceito “demanda x necessidade”, um assessor de marketing digital é praticamente indispensável no momento em que lidamos com a realidade digital. E aí temos uma oportunidade fantástica pela frente! Se você é um jovem que curte o universo digital, das redes sociais, tecnologia e novidades, e procura por um direcionamento em sua carreira, então está diante de um mercado crescente, emergente, extremamente promissor. Mas, engana-se quem imagina que nesta nova profissão há espaço para improviso, falta de dedicação ou ‘jeitinho’. Este é um tipo de profissão que exige conhecimento e atualização constante em função da permanente chegada de novas ferramentas, plataformas, aplicativos, modismos e tudo mais!  Estudo, pesquisa e dedicação são pré-requisitos indispensáveis para os profissionais deste segmento. O profissional de marketing digital, entre outras atribuições deve ser capaz de potencializar ao máximo os conteúdos do seu cliente. E não necessariamente impulsionando com verba de investimento os vídeos, postagens e tudo relacionado ao artista, mas estabelecendo estratégias, definindo assuntos, formas, horários e ações onde o alcance e relevância dos conteúdos atinjam melhor e em maior número o público que se defina como alvo.
É importante salientar que um dos grandes erros que observamos no dia a dia tem a ver com a padronização dos conteúdos nas plataformas sociais. Ou seja, o artista posta um conteúdo, por exemplo, no Facebook e o replica automaticamente no Instagram e Twitter. Este é um erro dos mais comuns e que precisa ser repensada a estratégia imediatamente, afinal cada canal de relacionamento possui especificidades muito determinantes. O Twitter é um ambiente mais adequado para pensamentos, opiniões pessoais e afins. Nos últimos 2 anos, o Twitter reverteu a tendência de queda e vem novamente tornando-se bastante relevante. O Facebook é o varejo das redes sociais, atinge um número maior de pessoas, há uma cultura do compartilhamento e do feedback, uma interação bem maior que as outras redes sociais e, por isso, funciona principalmente como canal de divulgação, campanhas, lançamento de vídeos, entre outras ações. Já o Instagram vem crescendo a cada dia em importância e serve para apresentar um pouco do dia a dia do artista. É um canal muito pessoal e que, de verdade, aproxima o artista ao público se for usado de forma inteligente. O SnapChat é o queridinho do momento, o canal de vídeos vem crescendo em popularidade e tem sido bastante usado pelos artistas como um diário de bordo onde o humor é a tônica. Há artistas que, de verdade, se revelaram bem mais leves e bem humorados do que observávamos nas outras redes sociais. Cada qual, tem uma peculiaridade e deve ser tratado com muita atenção e esta é mais uma das atribuições do profissional de marketing digital.
Hoje em dia, plataformas como o Spotify, possuem ferramentas de análise de dados absurdamente completas. Recentemente promovi para os artistas de nosso cast, treinamentos sobre as plataformas de audio streaming, com ênfase no Spotify e Deezer. A apresentação dos relatórios disponíveis para os artistas é impressionante, uma verdadeira Disneylandia pra quem curte tendências, números, resultados, projeções e muita, mas muita informação. Agora, de nada adianta estas ferramentas se não há um profissional com apuro e senso de análise para decifrar as informações. Esta função cabe ao profissional de marketing digital.
O piloto acaba de anunciar o procedimento de descida. Espero poder voltar a tratar deste assunto em outra oportunidade. Também espero poder ter um pouco mais de tempo para atualizar o blog. Este texto foi escrito na viagem de ida e finalizado no retorno ao Rio de Janeiro, após uma rápida viagem até Salvador. E por falar em Salvador, no dia 24 de setembro acontece no Pavilhão de Eventos da capital, a décima edição do Clama Bahia, o maior evento de música gospel do Nordeste. Em setembro retorno pra lá!
Boa semana!
 
Mauricio Soares, publicitário, palestrante, jornalista, casado, pai de 3 rapazes de 16, 13 e 4 anos, todos completamente inseridos no mundo digital. 

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Neste momento o relógio já indica que passamos de meia noite e meia de uma quinta-feira na cidade de São Paulo. Estou na cidade há menos 7 horas e vivi uma das noites mais espetaculares e emocionantes dos meus últimos meses. Mesmo muito cansado depois de tanto trabalho, muitas viagens e um dia intenso de atividades, me sinto estimulado a colocar-me de frente ao meu computador para escrever algumas linhas sobre a experiência maravilhosa que vivi poucas horas antes.

No dia de hoje, a cantora Soraya Moraes, considerada uma das mais belas vozes do cancioneiro gospel tupiniquim, vencedora de inúmeros prêmios, inclusive o Grammy Latino, lançou na plataforma YouTube/Vevo o clipe da versão nacional da música “Happy”, sucesso de Pharell Williams, pop star mundial. A explicação para Soraya Moraes ter gravado essa música é bastante simples. Ela queria trazer uma mensagem de ânimo, de incentivo, de estímulo às pessoas num momento tão difícil pelo qual o nosso país atravessa. Só que o foco não seria necessariamente o povo brasileiro que vem enfrentando estas dificuldades, mas especialmente um grupo específico de brasileirinhos e brasileirinhas que enfrentam diariamente algo bem mais trágico do que qualquer cidadão comum. Estou falando das crianças e adolescentes vítimas de males causados pelo câncer.

O vídeo da música “Feliz” terá seus direitos revertidos ao GRAACC, hospital privado localizado em São Paulo e que cuida de crianças e adolescentes com câncer. Este hospital é referência no mundo com mais de 70% de sucesso no tratamento, quando na verdade, no país esse índice é de apenas 40%. A cidadã Soraya Moraes já mantém vínculo com este projeto há muitos anos e resolveu fazer um pouco além doando os royalties do vídeo diretamente para a instituição.

Vim a São Paulo especificamente para participar da coletiva de imprensa do lançamento do vídeo. Já na chegada fiquei bem impressionado com a beleza e a sofisticação do lugar. Tudo muito bonito, moderno, agradável e principalmente, colorido, algo bastante incomum para um ambiente hospitalar. Dirigi-me à recepção e ali já fui festivamente recepcionado por 2 senhores de meia idade com camisetas do GRAACC com os dizeres “Cerimonial Voluntário”. Percebi de cara de que estaria entrando num lugar onde a solidariedade se faz presente. Subi ao sexto andar e lá fui recepcionado por Soraya e seu esposo, o querido Marcão. Em poucos minutos fui apresentado ao coordenador de relações institucionais do GRAACC, o dinâmico e solícito ‘Serginho’. Em menos de 30 segundos de conversa ele ‘sequestrou-me’ levando-me para uma visita guiada pelos diversos andares do hospital. O que eu vi foi uma aula de bom uso dos recursos em prol de algo nobre e necessário em nossa sociedade. A estrutura do hospital foi totalmente adaptada a atender às necessidades de crianças e adolescentes em pleno tratamento médico de uma forma lúdica, criativa, agradável e principalmente respeitosa!

Confesso que me emocionei diversas vezes visitando aquelas salas onde crianças lutam pela sobrevivência e pelo reestabelecimento pleno. Já de volta ao local da coletiva de imprensa curti muito por ver uma grande presença de profissionais de mídia. O evento se iniciou e logo a gerente geral de desenvolvimento institucional, Tammy Allersdorfer, apresentou um belo vídeo do GRAACC. Em seguida fui convidado a dar uma rápida palavra e ainda emocionado fiz questão de frisar que o vídeo “Feliz” era algo muito menor perante a relevância do projeto do GRAACC e que todas as mídias deveriam se engajar nesta campanha.

Já no fim do pequeno evento, pedi a palavra mais uma vez para comentar algo que naquele momento me incomodava bastante. Mais cedo, ainda pela manhã comecei a ler alguns dos comentários postados no YouTube a respeito do clipe. Em meio a muitas manifestações positivas pelo vídeo e pela música, alguns comentários chegavam cheios de rancor, agressividade e uma dose de acidez e santarronice, pelo fato de uma música ‘secular’ ter sido versionada para um conceito cristão. Depois de ter visitado as instalações do GRAACC e de entender as motivações da cidadã Soraya Moraes na empreitada, algo me incomodava profundamente e foi isso o que eu quis externar ao fim da coletiva. Como já falei antes, a qualidade da música , a coreografia dos dançarinos, a profundidade da versão, a performance dos muitos artistas que participaram, da qualidade das imagens e locações … de verdade, nada disso importa neste momento! O que faz esse vídeo especial não é o que assistimos, mas verdadeiramente o que podemos ajudar à GRAACC através da monetização dos views. Sinceramente eu não estou preocupado nem mesmo com as opiniões, sejam positivas ou negativas. O que me importa é que o vídeo seja assistido e re-assistido e novamente assistido tantas e tantas vezes possível porq        ue somente assim podemos de alguma forma contribuir para aquela instituição e diretamente salvar as vidas daquelas crianças e adolescentes em tratamento.

Minha palavra neste momento é de incentivo. Que os 66 leitores deste blog possam clicar quantas vezes for possível neste vídeo e assim ajudarem ao GRAACC. Que estes mesmos 66 leitores possam divulgar em suas redes sociais, entre seus amigos e familiares este material. Não me importa se este clipe ou esta música não irão ganhar nenhum prêmio do mercado, ou mesmo se na área destinada aos comentários alguns obtusos escrevam mensagens não muito simpáticas. O que vale a pena neste caso é que simplesmente as pessoas cliquem no vídeo. Só isso já irá ajudar centenas de crianças e famílias que dependem do trabalho do GRAACC.

O GRAACC é mantido essencialmente por contribuições de pessoas físicas, empresas e patrocinadores. As verbas públicas não ultrapassam 25% das receitas da instituição. Nas paredes do hospital há diversas placas com nomes de mantenedores do projeto. Numa rápida pesquisa infelizmente não me deparei com nenhuma editora, gravadora ou empresa do mercado gospel entre estes doadores. Nem mesmo igrejas! Pra quebrar essa ‘cultura’ nas próximas semanas estarei à frente de algumas ações especiais relacionadas à música e arte, contando inclusive com a participação de artistas numa grande visitação às crianças e famílias do GRAACC. Vamos fazer nossa parte!

E pra quem quiser conhecer um pouco mais do GRAACC e contribuir com essa causa, basta clicar www.graacc.org.br

Vamos agir!

 

Mauricio Soares, jornalista, publicitário e a partir de agora, voluntário-consultor-de-marketing do GRAACC. 

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Começo a escrever este texto sob o impacto de assistir a um determinado vídeo de um, até então, pop star do meio artístico gospel. Em poucos minutos o referido cantor simplesmente detona o universo artístico gospel, se coloca acima da média dos demais, profere um monte de baboseiras, mistura egocentrismo com determinação divina, fala, fala, fala … até que o vídeo acaba. Imagino que aquela cena tenha se estendido por muitos e muitos minutos e confesso que nem imagino como tenha sido concluída. Também tenho enorme curiosidade de saber sobre a reação do público, mas imagino que todos tenham ficado perplexos com o discurso-nada-a-ver-muito-doido daquele artista ali presente.

Sobre a reação do público, lendo alguns comentários nas redes sociais percebo que a interpretação deles não foi nada alvissareira, nem um pouco positiva, longe de se comemorar. Os impropérios vão dos mais intensos, alguns impublicáveis, até aqueles mais comedidos que simplesmente se dizem chocados ou outros mais ‘espirituais’ que apenas mencionam: Oremos! O certo é que se o cantor tinha uma estratégia de chocar, nisso pode comemorar soltando fogos, porque suas palavras e atitudes certamente contribuirão ainda mais para atrapalhar sua imagem perante o mundinho gospel. É o que eu chamo de estratégia harakiri artístico, seguindo o ritual de suicídio, algo comum na cultura japonesa. Triste fim.

Hoje em dia tudo é filmado, fotografado, registrado, ou seja, não existe mais aquela sensação de que as informações, os fatos, os comentários ficarão restritos aos poucos (ou nem tanto) presentes. A informação segue numa velocidade impressionante e as distâncias simplesmente desaparecem. O que acontece em Cabrobó, em pleno sertão de Pernambuco, pode em poucos segundos ser assistido em Okinawa, do outro lado do mundo.

Só no Brasil temos hoje mais de 280 milhões de aparelhos de celulares. Muitos dos quais com câmeras, acesso web, aplicativos, redes sociais, ou seja, são milhões de potenciais ‘jornalistas’ com ferramentas em mão para viralizar imagens e notícias em tempo praticamente real. Muitas notícias que estampam jornais ou mesmo são publicadas e veiculadas em sites, rádios e TVs surgiram a partir de registros de cidadãos comuns que simplesmente sacaram seus celulares na hora certa, no lugar certo onde a notícia surgia. A partir de um registro, muitas das vezes despretensioso, uma série de desdobramentos se iniciam alcançando enorme repercussão na mídia e na sociedade.

Voltando o foco para o universo artístico gospel, observo que muitos artistas do segmento parecem não entender que as coisas mudaram. E como mudaram! Hoje em dia não se pode mais simplesmente sair por aí falando o que ‘der na telha’ como se não houvesse consequências. Ampliando ainda mais, não se pode falar e nem postar fotos como se somente os mais ‘íntimos’ tivessem acesso àquele conteúdo. O problema é que o artista hoje tira a foto e coloca imediatamente o conteúdo em suas redes sociais sem uma melhor análise se aquela imagem, texto ou vídeo realmente podem ser colocados em público. Melhor do que ser ágil em retirar das redes sociais uma foto que não convém é simplesmente não postar nada!

Atualmente há profissionais que dão assessoria de comunicação para atletas, políticos, artistas. Ainda não muito comum no meio gospel, media trainning é uma importante ferramenta que deve ser cada vez mais utilizada em tempos de redes sociais e micos descomunais! Pra quem não está familiarizado ao termo, media trainning , nada mais é do que um treinamento promovido por um profissional, geralmente um jornalista ou relações-públicas, que orienta seu cliente na forma correta de agir, responder, portar-se diante de câmeras e entrevistas. E engana-se quem pensa que este profissional apenas poupa o cliente de falar besteiras, muito pelo contrário! Este tipo de consultoria serve prioritariamente para que o cliente aproveite ao máximo as oportunidades que surgirem. Por exemplo, no caso de um locutor de rádio (algo bem comum no nosso meio) não conseguir fazer com que a entrevista flua com qualidade, um artista bem treinado poderá de forma espontânea e segura fazer uma grande entrevista sem necessariamente contar com a participação do rapazinho outro lado da mesa.

Na verdade, todo tipo de ajuda e orientação é bem vinda desde que feita por um profissional gabaritado. Agora, de nada adiantará estar rodeado de profissionais se o próprio artista não entender a importância de ser orientado. O artista precisa ter humildade suficiente para atender às indicações de seu staff. Hoje em dia com a grande concorrência que temos no mundo artístico quanto menos se complicar melhor será.

Pra bom entendendor, pingo é letra …

Mauricio Soares.

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No último texto publicado comentei a respeito da profunda escassez de insights para a produção de novos textos para o nosso blog. Eis que em menos de 24 horas consegui produzir dois posts inéditos que tentam assim, minimizar os danos causados pela falta de novidades no blog. Espero com isso recuperar a atenção dos meus distintos 66 leitores assíduos deste espaço que insisto em manter nos últimos 8 anos. Imagino que os bons ares cearenses estejam contribuindo para esse momento criativo. Se realmente for este o motivo, aceito convites para temporadas maiores por esta região tão linda de nosso país. Especialmente na alta temporada do verão!

Mas o que é fato e não posso deixar de registrar é que boa parte dos meus textos são fruto de momentos de conversas descompromissadas onde às vezes uma única frase acaba sendo o estopim para um tema do blog. E foi numa destas conversas de fim de noite diante de uma peixada cearense que surgiu o tema deste novo post. A conversa desta noite abordava entre outras coisas, a respeito de algumas atitudes não-convencionais de algumas pessoas de nosso meio. Falamos sobre um determinado pastor que fugia ao estereótipo padrão do terno e gravata, que seu discurso era recheado de citações do dia a dia, que se vestia de forma bastante informal, moderno e que vez ou outra criava alguma situação diferente pra chamar a atenção de reuniões e cultos especiais. Todos concordamos, até por conhecer a boa índole e caráter deste pastor e, principalmente os frutos de seu ministério, que para se pregar o Evangelho hoje em dia, em meio a tanta ‘concorrência’ do mundo, se fazia necessário criar um diferencial, algo que realmente criasse a curiosidade por parte dos incautos e a partir daí estes terem contato com a verdade da Palavra.

Depois surgiu sobre este mesmo assunto, falando de inovação, modernidade e ousadia, o fato de um determinado artista que vem de tempos em tempos apresentando algumas novidades consideradas um tanto ousadas, mesmo para alguns com mente bem aberta. E é a partir deste fato é que quero seguir pelas próximas linhas e espero poder contar com sua especial atenção pelos próximos minutos. Mas antes de falar deste artista em específico, quero voltar no tempo, mas especificamente para uns 12 anos atrás. Por volta do ano de 2003 a música gospel assumiu um papel de destaque na sociedade brasileira como jamais havia alcançado antes. Naquele momento, a ABPD, associação que reúne as principais gravadoras seculares do país, apontava em sua recente pesquisa que a música religiosa tinha importante papel nas vendas de discos naquele momento. O estilo “música religiosa” correspondia ao segundo segmento de maior vendagem no país, ficando atrás apenas da música sertaneja e muito à frente do samba/pagode, pop rock, funk e outras manifestações artísticas. Então nada mais do que normal, que esta pesquisa alertasse às majors, principais gravadoras do mercado nacional sobre a importância de entender e se possível trabalhar com este segmento.

A partir de então, as grandes gravadoras passaram a buscar uma maior aproximação com a música evangélica no Brasil. Lembro-me de algumas reuniões entre estas grandes empresas e gravadoras gospel, alguns contatos diretos com artistas, algumas tentativas de parceria, ou seja, o mercado secular entendia a importância do mercado gospel e queria de alguma maneira caminhar junto. Nesta época alguns ‘despachantes de ilusões’ venderam para estas grandes corporações a ideia de que o mercado gospel era amador e que com pouco suor poderiam assumir o controle deste enorme mercado consumidor. Como era de se esperar, 10 entre 10 projetos apresentados não conseguiram sequer causar algum impacto no meio gospel. Todas as tentativas foram frustradas e frustrantes …

Passaram-se mais alguns anos e uma grande gravadora nacional contratou um artista de ponta do meio gospel. Mas o projeto que tinha tudo para ser uma goleada, acabou ficando no um a zero magrinho, sem empolgar muito a torcida. Eles imaginaram que somente tendo um grande artista seria suficiente para conquistar o mercado. Ledo engano. Somente depois, em 2010 uma gravadora multinacional resolveu não somente fazer uma aproximação, mas como eu gosto muito de dizer, engravidar do projeto gospel e implantou uma área exclusiva para este segmento, contando com profissionais evangélicos que entendessem da linguagem, da cultura, do ambiente gospel tupiniquim. E em pouco mais de 2 anos, esta empresa passou a colher os resultados super positivos desta empreitada, superando em muito as expectativas mais otimistas na implantação do projeto.

O mercado gospel, assim como o mercado católico, possui símbolos, conceitos, linguagens muito peculiares e para se ter sucesso nestas áreas é fundamental que tenhamos profundo entendimento desta cultura toda própria. Voltando ao artista que acredita que ele pode mudar toda uma cultura só porque em determinado sua estratégia deu certo no passado, a possibilidade dele pôr tudo a perder por uma falha de entendimento é real e, arrisco a dizer, inevitável. O mercado evangélico brasileiro é um caldo de diferentes sub culturas que vivem num ambiente muito característico, eu diria que até bem esquizofrênico, onde as interpretações de um mesmo assunto assumem resultados improváveis dependendo do receptor da mensagem. E é fundamental que os artistas entendam estas peculiaridades, buscando manter um senso comum, especialmente um conceito bíblico mais conservador, sem muitas novas teologias ou inovações.

Em tempos de redes sociais muitas das vezes caímos no risco de exagerar na audácia de uma postagem ou na inocência por compartilhar sobre fatos que não deveríamos fazer ao grande público. Lembro-me que quando eu estava na fase mais hardcore do twitter e surgiu a notícia de que o ex-goleiro do Flamengo, Bruno, havia supostamente assassinado a Elisa Samudio, fiz algum tipo de piada sobre o assunto que hoje nem me recordo mais o que seria. Passados alguns segundos uma pessoa que nunca havia visto no mundo real questionou minha brincadeira como formador de opinião e principalmente como cristão. Na hora respondi alguma coisa meio atravessada ao rapaz, bloqueei-o e segui minha vidinha. Tempos depois vi que realmente eu havia errado naquela piada de mau gosto e que eu deveria ter muito mais cuidado com meus comentários. Quando lidamos com o mercado cristão, não podemos simplesmente achar que todo discurso pode ser transmitido e pronto! Não! Pelo contrário! Há uma série de questionamentos que devemos fazer antes de assumirmos algumas posições ou tomarmos determinadas atitudes porque corremos o risco de ir de encontro com culturas muito próprias. Engana-se quem ao ler estes meus comentários imagina que eu esteja incentivando que as pessoas não tenham opiniões ou que sigam na correnteza, seguindo ao lado de todos. Não é isto o que estou dizendo aqui, mas quero fazer um alerta especial para os artistas e profissionais do meio de que devemos sempre avaliar nossas atitudes, estratégias e principalmente comunicação.

Sou um profissional de marketing e nos últimos anos venho trabalhando de forma mais intensa o trabalho de consultor. A esmagadora maioria de trabalhos que desenvolvi nestes últimos anos foi justamente tentar decifrar para empresas, profissionais e artistas os segredos e linguagens do mercado gospel nacional. É impressionante o nível de ignorância que estas grandes empresas possuem a respeito do meio evangélico nacional, de sua cultura, de seus conceitos, símbolos, linguagem. Particularmente creio que abre-se neste momento um importante ramo de consultoria e coaching para esta área no Brasil e é importante que todos estejamos muito atentos e cientes da importância de se conhecer melhor os hábitos, pensamentos, tendências e expectativas deste segmento. Se você é artista, mesmo que tenha sido ‘nascido e criado’ na igreja, é importante que tenha em mente a importância de se manter atualizado e atento para estes detalhes.

Enjoy!

 

Mauricio Soares, torcedor do tricolor das Laranjeiras, fã de suco de graviola e castanha de caju, jornalista, diretor artístico, observador do meio gospel há pouco mais de 25 anos.