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Estas últimas 3 semanas em especial, mas os últimos 2 meses como um todo, foram muito intensos e desgastantes para mim. Para ficar apenas entre o fim de abril e o início do mês de maio estive por uma semana em convenção na Cidade do Panamá às margens do Pacífico, depois passei por 2 dias numa maratona de divulgação em Porto Alegre e neste momento estou iniciando a produção deste texto a bordo de um jato Embraer com destino à capital norte americana da música, Nashville. Antes disso, passei 4 dias em Miami participando da Expolit, mais importante e tradicional evento do mercado cristão hispano que reúne mídias, gravadoras, livreiros, editoras, lideranças eclesiásticas, artistas e todo mundo que de alguma forma se envolve no desenvolvimento deste segmento.

E durante estes mais recentes dias pude ter contato com muitos profissionais e artistas do mercado hispano. Confesso que me surpreendi positivamente com a feira em si, pois nas últimas edições em que estive presente a sensação de desânimo entre os players do mercado era latente e tudo ali apontava para um futuro nada promissor. Então, dentro de um projeto que estou desenvolvendo para a região, estar na Expolit era algo bastante importante e estratégico, mas ao mesmo tempo, sem muitas expectativas. Eis que me deparo com uma feira bem animada, com um bom número de expositores, artistas e principalmente com um clima de que o pior já passou e que hoje estamos diante de um cenário bastante alvissareiro pela frente.

Nos 3 dias em que estive presente na feira em Miami conversei com profissionais de eventos, mídias, artistas e gente ligado à área musical e editorial. O clima de derrotismo de anos atrás parece ter ficado no retrovisor e todos apostavam de que um novo momento, especialmente para a música, está prestes a acontecer. Confesso que do ponto de vista artístico, não me enche os olhos (e principalmente os ouvidos!) a qualidade do que o mundo latino gospel vem apresentando nos últimos anos. Me parece, e aí não há qualquer sentimento de arrogância ou mesmo de xenofobia, de que a música gospel no Brasil está alguns anos à frente do que vem sendo produzido por nuestros hermanos. E aí, com muito cuidado, a cada conversa que tive com pessoas ligadas a esta área, fiz questão de trazer esta opinião pessoal até para poder provocar algum tipo de reação mais contundente. E em todos os casos a resposta foi de que realmente a música latina neste momento está carecendo de novos ares.

Especialmente numa conversa com um grande profissional da área de música e eventos ele me relatou sobre a dificuldade em fazer grandes concertos porque efetivamente há uma carência muito grande de novos artistas. O meio gospel latino ainda se restringe a poucos nomes de peso. A cada conversa sempre fiz questão de perguntar sobre quem seriam os grandes artistas do segmento e as respostas se repetiam numa monotonia de assustar – Marcos Witt, Danilo Montero, Jesus Adrian Romero, Alex Campos, Marco Barrientos e ficava por aí mesmo com mais um ou dois outros nomes pinçados com muito esforço. Ao longo destes dias procurei assistir a muitos concertos, principalmente de artista novos e confesso que não me entusiasmei muito com o que vi nestes dias, exceção para um grupo formado por irmãos argentinos que hoje residem em Miami e atendem pelo nome de Montreal. O som deles tem pop, adoração, música urbana e um pouco de ritmos latinos. Ainda precisam se desenvolver bastante em termos artísticos, mas me parecem talentosos e contam com uma boa equipe de apoio, o que já é uma diferença e tanto. Outra artista que me impressionou bastante foi Cristina D’Clario, uma jovem portoriquenha que hoje reside no Texas e que de todos que pude ver foi aquela que me causou uma excelente expectativa.

E em meio a tantos e tantos latinos, eis que me deparo pelos corredores da feira com André Valadão que estava por ali lançando oficialmente o projeto Fortaleza em Espanhol. No penúltimo dia de feira, AV acompanhado de uma competente banda local se apresentou para um bom público e ministrou com muita qualidade em cerca de 30 a 40 minutos de showcase. Por mais que os chatos e sem noção dos seguranças com seus fones de ouvido, paramentos e traquitanas mil, sentindo-se os próprios Clint Eastwood, querendo a todo custo impedir o público de pular, dançar e ficar mais perto do palco, a interação entre Valadão e o público foi total. Ali ficou ainda mais evidenciado para este humildes observador a diferença de nível entre o que alguns artistas brasileiros hoje se encontram e os demais artistas gospel latinos. Mesmo sem ainda ter controle total da língua, André Valadão cantou, ministrou, chamou o público para participar e fez todo mundo cantar junto algumas de suas canções.

Já na quinta-feira à noite, primeiro dia do evento, também tive a oportunidade de assistir à apresentação do cantor-pressão Thalles Roberto que da mesma forma que se destacou no Brasil de forma meteórica, me parece buscar o mesmo para o mercado latino. Em algumas revistas que tive acesso no evento me deparei com diversas entrevistas publicadas, fotos em materiais promocionais da feira e mesmo música tocando na principal FM de Miami (La Nueva), ou seja, o mineiro chegou com tudo ao mercado latino. No show, a mesma performance que o público brasileiro está acostumado a ver, muito gingado, muita intensidade, muita pressão, sonoridade diferenciada, carisma e como não poderia deixar de ser alguns decibéis além da conta pra manter a tradição. Assistindo a reação do público que mais uma vez veio até a frente do palco pra interagir de mais perto com o artista (sendo novamente rechaçados pelos Charlie Bronson fakes, seguranças chatos que só!!!) me parece que a receptividade por esta nova proposta sonora está em alta.

Também merece registro que tanto Thalles como André Valadão convidaram artistas latinos para participarem de seus discos de estréia no mercado hispano. Golaço! E me parece que estamos diante de um momento bem interessante para uma maior integração entre os artistas e a música brasileira com o continente latino que por muitos e muitos anos se mostrou como algo muito distante e por vezes desimportante para nós. Outro fato que merece registro é que Aline Barros continua absurdamente conhecida em todo o meio hispano. A cantora que foi a pioneira em iniciar uma carreira paralela para o mercado hispano (infelizmente tivemos um monte de artistas gravando em portunhol achando que só isso seria necessário para conquistar as Américas! Triste engano!), ainda hoje tem seu nome reconhecido na região. Já no primeiro dia em Miami pude ouvir na La Nueva FM uma música de Aline Barros sendo executada normalmente na programação.

Um dos meus trabalhos por estes dias foi apresentar para o maior número de pessoas, justamente o mais novo trabalho de Aline Barros e o primeiro disco em espanhol da turma do Trazendo a Arca. A receptividade ao projeto de Aline Barros foi tremenda e já nos próximos dias certamente teremos suas músicas sendo executadas nas FMs latinas. Já a respeito do disco do Trazendo a Arca, especialmente 3 profissionais de rádio puderam ouvir pessoalmente ao meu lado e todos, sem exceção destacaram a qualidade da produção, da pronúncia e principalmente das músicas. Me parece que a sonoridade mais congregacional deste disco tem tudo pra cair no gosto da região.

Particularmente sempre fui muito ressabiado (só pra manter um adjetivo bem polido, porque o certo seria usar algo um pouco mais intenso) quando ouvia determinados artistas declarando em alto e bom som de que Deus tem uma promessa de uma carreira internacional. “Ele me deu uma palavra de que eu iria levar sua Palavra aos 4 cantos da terra! Oh Glórias!” Só que depois destes dias e analisando alguns outros fatores importantes como a própria questão da distribuição que hoje é um problema menor em função do crescimento das plataformas digitais, já começo a ver com bons olhos uma maior expansão de artistas brasileiros cristãos rumo às Américas. Agora, é fundamental que este tipo de projeto seja levado com a devida responsabilidade e seriedade com que deve ser tratado.

✔ É fundamental ter o controle da língua hispana! Se você pretende desenvolver uma carreira no exterior, especialmente no mercado latino comece hoje mesmo a estudar! É engraçado como todo brasileiro acha que sabe falar naturalmente a língua espanhola como se fosse um celular com 2 chips já embutidos no DNA. Não! Não é simplesmente enrolar a língua e começar a falar português com milongas portenhas no melhor estilo “La Garantia Soy Yo”. Se você não pretende se dedicar em horas e horas de estudo, então é melhor ficar por aqui mesmo!

✔ Também é fundamental tempo dedicado ao projeto! Não dá para gravar um disco em espanhol, participar de uma Expolit e depois sumir do mapa dedicando sua agenda integralmente ao país. Conheço muitos artistas que seguiram esta “estratégia”e como era de se esperar não foram a lugar algum, ou melhor, foram sim, aproveitaram a passagem por Miami pra fazer umas comprinhas porque ningém é de ferro! Pelo menos a cada 4 meses ou até menos é fundamental que o artista esteja presente na região e aí é bom frisar também que mercado latino não é Ciudad de Leste no Paraguai ou Buenos Aires, Bariloche ou Santiago. São muitos países, muitas viagens, muitos eventos sem estrutura, muitos aeroportos diminutos, muitos eventos em que você será obrigado a dormir na casa do pastor e por aí vai … ou seja, é ralação, dedicação e foco!

✔ Ainda falando de agenda … não se engane! O valor dos cachês do mercado hispano (principalmente pra quem está começando na região) está longe de manter o mesmo nível do Brasil. Então se você pensa em desenvolver um ministério na América Latina pra passar a ganhar em dólar e aumentar seus ganhos, pode mudar de expectativas! Na região latina a agenda dos artistas gospel é 90% formada de apresentações em igrejas, congressos e uns poucos shows ingressados. Também vale ressaltar que não há praticamente em país algum da região, o mercado de shows para prefeituras.

✔ Não tenha dúvida, o caminho deve ser o mesmo do início da carreira no Brasil. Ou seja, muito tempo dedicado a entrevistas, promoção, viagens, assessoria de imprensa e transpiração. Não se ilude achando que sendo o tal no Brasil as portas se abrirão no mercado latino. Isso simplesmente não irá acontecer, nem mesmo para os artistas seculares. Então se você já está cansado, não tem disposição pra enfrentar toda a maratona do início de sua jornada no meio gospel de anos atrás, então é melhor manter-se na zona de conforto e deixar para curtir a região latina em períodos de vacaciones.

E seguindo nesta linha, uma das grandes diferenças do meio gospel brasileiro para o seu similar latino é de que as mídias são absurdamente receptivas aos artistas. Por lei nos EUA toda rádio é proibida de fazer qualquer contrato comercial para executar qualquer tipo de conteúdo musical. Quanta diferença não é mesmo?

E como já falei algumas linhas acima, o momento é mais favorável aos artistas brasileiros agora também pelo fato de que a internet e as novas tecnologias possibilitam um alcance maior, com menores custos de investimento e maior agilidade. Uma dica aos artistas que hoje estão neste novo desafio é para que invistam ao máximo em vídeos e conteúdo visual.

Já vou saindo de cena porque o piloto já avisou que estamos chegando em Nashville. Abraço a todos os 66 leitores e preparem-se porque a safra de novos textos está bem intensa!

 

Mauricio Soares, jornalista, publicitário. Aproveito este espaço para parabenizar a torcida vascaína por após mais de 10 anos sem título algum ter conquistado a Champions League … ah! Não foi a Champions?!?!? Foi só o carioquinha? Então … deixa prá lá! 

 

P.S. – leve provocação baseada em tweet do flamenguista Marcus Salles. Fica o registro!

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Começo a escrever este texto a caminho de mais uma convenção internacional da qual tenho o prazer de participar. Agora é a vez de seguirmos rumo à Cidade do Panamá onde pelos próximos 5 dias terei acesso ao que vem acontecendo de mais atual no mercado fonográfico mundial, em especial, no mundo latino e ibérico. Como serão dias muito intensos pela frente, quero aproveitar ao máximo para escrever o maior número de textos para que os abnegados 66 leitores de nosso blog possam sentir-se prestigiados e estimulados a manter-se fiéis na leitura do Observatório Cristão. E por falar no blog, a nossa última novidade é a inclusão de uma ferramenta de busca por temas publicados ao longo destes 8 anos de existência. A partir de agora, com uma simples palavra-tema o leitor poderá ter acesso aos textos antigos aqui publicados. Esta ferramenta é uma lupa (bem discreta, por sinal) colocada no canto alto à esquerda. Basta clicar, digitar a palavra-tema e em seguida todos os textos publicados que contenham esta palavra ou assunto surgirão numa lista para consulta imediata. Assim facilitamos a procura e principalmente incentivamos àqueles que são mais recentes ‘observadores’ a conhecer os textos mais antigos postados por aqui.

Sem maiores delongas, até porque temos que aproveitar ao máximo as 6h40 de vôo entre a Cidade Maravilhosa e Panamá City, vamos direto ao tema deste post. Nesta semana recente, o narrador esportivo Galvão Bueno lançou um livro contando sua trajetória profissional baseada nos fatos por ele narrado em décadas de trabalho. Por mais que seja um personagem muitas das vezes contestado, é fato que Galvão Bueno é o narrador esportivo mais importante da TV brasileira e que teve acesso a momentos marcantes de nossa história esportiva. Acompanhando algumas matérias sobre seu lançamento em uma importante livraria no Rio de Janeiro e, que reuniu centenas de pessoas na fila – muitos dos quais, celebridades do mundo esportivo e jornalístico, em determinado momento Galvão Bueno comentou de como se sentia ao receber pessoas que viajaram mais de 200 quilômetros de distância, enfrentaram mais de 1 hora e meia de fila, para receber uma simples dedicatória. Galvão dizia, emocionado, de que não podia simplesmente carimbar uma assinatura de forma mecânica, mas que mesmo contrariando o bom senso, deveria dar toda atenção ao público, não só autografando mas também tirando fotos e até mesmo dedicando alguns minutos para uma pequena prosa.

O craque Junior, hoje comentarista de futebol, comentou também que para as pessoas que Galvão não conhecia, ele dedicaria uns 10 minutos de atenção. Já para os seus amigos, este tempo aumentaria para 16, 18 minutos de atendimento. Um dos mais importantes jornalistas esportivos do país, Tino Marcos, também fez questão de prestigiar o amigo Galvão e também destacar que a espera de mais de 1 hora na fila foram compensados não só com o autógrafo mas principalmente pelo carinho do autor, mesmo sendo eles extremamente próximos e cotidianamente se encontrando.

Este fato, da noite de autógrafos do Galvão Bueno serviu como um bom insight para o texto que irei desenvolver a partir de agora e que tem a ver com a realização de eventos especiais de promoção de um lançamento. O motivo deste insight é justamente porque ultimamente temos recuperado esta tradição que foi muito usada por mim em outras companhias quando do lançamento de um determinado álbum. Há uns 10, 15 anos atrás realizávamos cerca de 30 eventos como tardes ou noites de autógrafos pelo Brasil. Com o tempo, este tipo de ação foi caindo em desuso pela baixa presença do público em muitos destes eventos. De uma forma muito surpreendente, nos últimos dois anos, em especial, as tardes de autógrafo voltaram com força total e hoje são ações recorrentes em nossos planos estratégicos de marketing.

Recentemente realizamos tardes de autógrafos com 500, 800 pessoas prestigiando o artista. Em Recife, por exemplo, tivemos mais de mil pessoas comparecendo ao evento com Leonardo Gonçalves na Livraria Luz e Vida que espartanamente atendeu a todos em mais de 4 horas de evento. Só que lendo alguns comentários na fanpage da gravadora onde fazemos tradicionalmente a divulgação destes eventos, percebo como tem gente que critica a realização destas tardes de autógrafos. Os comentários vão de um simples: não tenho tempo pra ficar esperando em fila aos mais raivosos e santarrões comentários de que um artista gospel deve orar, evangelizar e não ficar distribuindo autógrafos.

 

Muda o pano …

Semana passada estive participando do programa “Antenados Pergunta” na Rede Boas Novas com a apresentação de Lincoln Lira e convidados. Em determinado momento um dos co-apresentadores me questionou se o fato de um artista gospel assinar contrato com uma empresa secular seria considerado algo como meramente profissional ou mercantilista, distante de uma visão mais purista. A minha resposta foi direta e firme, onde não via qualquer problema em trabalhar numa empresa onde todos os impostos são devidamente pagos, os artistas são respeitados e valorizados e todas as condições são oferecidas para que o trabalho deste artista fosse devidamente divulgada e propagada. E aí eu emendei a resposta dizendo que o maior problema, ou um dos grandes problemas de nosso meio tem a ver com a semântica, com o uso das palavras. E pra exemplificar lembrei que o termo artista não pode ser considerado como algo pejorativo ou de menor importância. Um músico trabalha com arte, sempre! E quem trabalha com arte é denominado “artista” e não adorador, levita, ministro ou algo do tipo. Infelizmente, creio eu, os próprios artistas do meio gospel fazem questão de reforçar o conceito de que o termo ‘artista’ não os representa. Ultimamente, depois de se auto-intitularem como adoradores, muitos passaram a um novo nível hierárquico, buscando o título de pastores como se assim conseguissem uma espécie de ISO 9000 da Santidade Suprema.

 

Voltando aos autógrafos …

A minha vontade ao ler os comentários da turma que levita e que tem asas mas que adora ficar fuxicando nas redes sociais é de sair respondendo a todos, mas o senso de auto-preservação e principalmente a mais absoluta falta de tempo não me permitem esta atitude. Não sei muitos destes ‘santarrões’ já tiveram a oportunidade de participar de um textos eventos. A minha sincera impressão é de que nunca pisaram em uma livraria para participar deste tipo de oportunidade. Uma tarde de autógrafos nada mais é do uma chance do público poder expressar seu carinho e admiração ao referido artista. É a chance de pessoas que muitas das vezes sequer tiveram a oportunidade de participar de um show (ops, culto, ministração, pra não ferir os sentimentos dos santarrões) ou evento para conhecer mais de perto um artista pelo qual possuem admiração. Nestes eventos, o que menos importa, de verdade, é o resultado econômico da operação. Geralmente as vendas numa tarde de autógrafos de muito sucesso é de 80 a 100 CDs e/ou DVDs, ou seja, uma quantidade ínfima que não irá cobrir os custos de viagem, alimentação, deslocamento, hospedagem e divulgação. Quando uma gravadora propõe uma ação como tardes de autógrafos a intenção é muito mais promocionar o artista e seu lançamento do que efetivamente fomentar vendas. Em contrapartida, um artista quando aceita participar de um evento deste tipo o que ele quer mesmo é sentir o carinho do público.

Em eventos como tardes de autógrafos o artista fica sentado numa cadeira desconfortável muitas das vezes, tendo que sorrir todo o tempo, dar atenção às pessoas que nunca viu na vida, assinando com dedicatórias inúmeros CDs, DVDs e até mesmo LPs, além de agendas, marca-páginas, papel de embrulho e tudo que possa garantir o resgistro daquele momento. Com a popularização das fotos digitais, os artistas são clicados no ritmo de um flash a cada 0,3 segundos o que invariavelmente produz fotos as mais bizarras possíveis que depois muitas das vezes serão compartilhadas nas redes sociais. Ou seja, alguém em sã consciência acha mesmo que há algum outro motivo de gravadoras e artistas realizarem e participarem de eventos desta natureza que não seja prestigiar o público? Só mesmo uma pessoa muito distante da realidade e que tem como objetivo simplesmente criticar para acreditar que uma tarde de autógrafos seja algo para incensar o ego de alguém ou para gerar receitas extras em vendas.

Além das tradicionais tardes de autógrafos muitas gravadoras e artistas também tem promovido pocket shows para incrementar ainda mais o evento em si. E este tipo de evento ainda é bem mais custoso para as gravadoras e mesmo para as lojas onde se realiza o evento, ou seja, qual a lógica disso que não seja proporcionar ao público uma experiência diferente e agradável? Para os santarrões de plantão iremos criar um evento especial que será denominado “Encontros Especiais de Dedicatórias dos Levitas e Adoradores com Ministrações Acústicas e Oportunidade para Registros Digitais”, também conhecido como tardes de autógrafos com pocket shows onde todos poderão clicar à vontade.

 

Voltando ao Galvão …

Só pra terminar por aqui esse assunto … certamente o Galvão Bueno é um dos profissionais mais bem pagos da TV brasileira. Além de jornalista ele mantém diversos negócios em paralelo e possui uma condição financeira privilegiada que o permitiria passar o resto dos anos longe do trabalho (talvez até mais umas 4 gerações pela frente!). E aí o que ele faz? Resolve enfrentar uma longa fila de pessoas para atendê-las da melhor forma possível por horas e horas. Ao fim, deve ter vendido uns 300, 500 livros, talvez. Certamente não é pela questão financeira que o Galvão dedicou seu tempo naquela noite.

 

Mais uma vez voltando aos autógrafos …

E pra zerar de vez esse assunto, só para deixar bem claro aos santarrões de plantão que pululam pelas redes sociais, quando um artistas assina um pedaço de papel ou até mesmo uma capa de um CD, a pessoa que está recebendo aquele gesto na verdade, sequer se preocupa com o valor daquela dedicatória. O que importa de verdade é a oportunidade, mesmo que durante poucos segundos, de estar próximo a alguém que ele admira, que curte sua música, que serve como exemplo ou coisas do tipo. Muitos sequer vão para uma tarde de autógrafos com discos ou papéis para receberem dedicatórias, mas para terem uma foto, uma recordação daquele artista. E para o artista, momentos especiais de carinho explícito fazem toda a diferença no dia a dia que geralmente é tão cansativo, intenso e estafante.

Lembro-me que uma vez, estava parado do lado de fora de um stand durante a Expo Cristã e um jovem se aproximou de mim. Timidamente me perguntou se eu era o Mauricio Soares. Disse que sim e aí o rapaz começou a chorar, simplesmente me pediu um abraço e disse que estava viajando desde Vitória da Conquista na Bahia para que pudesse me conhecer de perto. Me disse que era leitor do blog e que os meus textos ajudaram decisivamente para algumas tomadas de decisão em sua vida. Eu, que não tenho traquejo algum com manifestações como esta, me emocionei e tentei mudar o rumo da conversa dizendo que na verdade ele estava ali para ver os artistas e curtir a feira. E ele, imediatamente me desmentiu, ratificando que o real motivo dele ter andado tantos quilômetros era porque sabia que eu estaria no evento e que teria a oportunidade de conhecer-me pessoalmente. Este tipo de manifestação não tem preço! Até hoje guardo entre minhas lembranças aquele momento tão marcante e especial. O rapazinho me abraçou mais uma vez, trocou algumas impressões sobre a música, os artistas, a feira e saiu de cena, da mesma forma como surgiu … assim do nada!

Finalizando o texto, também quero aproveitar para orientar aos artistas de que eventos desta natureza ou mesmo uma simples abordagem em meio ao shopping, na igreja, no backstage de eventos, o público deve ser tratado com máximo respeito. Negar-se a tirar uma foto, a conceder um abraço ou mesmo a dar uma pequena atenção a um comentário é um erro gravíssimo e que deve ser evitado a todo custo. Todo artista precisa do público e deve esforçar-se para manter uma relação saudável de respeito e carinho. Lembre-se disso!

 

E vamos em frente!

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, consultor de marketing e alguém que vive diuturnamente pelo crescimento da música gospel. Por falar nisso, quero registrar minha gratidão à mídia goiana (e de outras regiões) que participou do Encontro de Mídias e Lojistas promovido recentemente. Em breve faremos em São Paulo, preparem-se!

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Na música Geni e o Zepelim, grande sucesso na voz de Chico Buarque, o autor nos conta a história de uma mulher que sempre foi “a desprezada da cidade”, porém em certo momento, atendendo ao clamor popular, esta foi a responsável pela salvação da mesma cidade que sempre a desprezou, mas passada a situação na qual se fez útil, voltou a sofrer com o preconceito e discriminação.

Feita essa pequena introdução, farei aqui com todo respeito devido, um paralelo dessa situação com a relação entre o mercado de eventos evangélicos e investidores.

Temos sido nos últimos anos responsáveis por grande parte do faturamento do mercado musical e editorial produzido no Brasil. Somos consumidores engajados, com excelente e crescente poder de consumo, consumimos internet, TV a cabo, compramos carros, televisores, geladeiras e tudo mais que há disponível no mercado e além disso ainda geramos valores sociais.

Assisti certa vez ao vídeo de apresentação do braço de eventos ligado a um grande grupo fonográfico, já no seu inicio um famoso cantor dizia: “O mercado de Live Music, cresce em média 20% ao ano, o Brasil entrou de vez no roteiro dos grandes shows internacionais e festivais, com isso é cada vez mais importante as empresas buscarem mídias alternativas em relação a publicidade tradicional e os números provam que o que mais cresce é o PATROCÍNIO”.

Em 2011 o investimento em patrocínios, globalmente falando, foi de aproximadamente U$ 48.7 bilhões e cresce em média 6% ao ano. As marcas tem se atentado a isso, pois mesmo que um produto não seja diretamente ligado a música, seu público alvo pode ser mobilizado por ela.

Em uma matéria recente do portal Meio & Mensagem, que me foi indicada por Maurício Soares como base dessa postagem, podemos ver a seguinte chamada: “Lollapalooza 2015, show de conteúdo | Ativações de patrocinadores do festival oferecem mais entretenimento, diversão e conexão com as marcas”. Outro case nesse mesmo segmento é o Planeta Atlântida que tem mais de 100 produtos licenciados com a marca do festival, entre eles uma linha de roupas que é produzida pelas lojas Renner há mais de 10 anos.

Já a nossa realidade é outra. Certa vez vi um evento que tinha o patrocínio, não desmerecendo o patrocinador que viu a oportunidade e não ficou de fora, de um lava-jato e não duvido que a veiculação de sua marca tenha acontecido à base de permuta, e olha que o evento não era pequeno!

Diante de tudo isso me faço algumas perguntas: Por que mesmo com todo o percentual societário e de consumo que representamos ainda temos que mendigar ajudas de pequenos e médios empresários para nossos eventos? Por que nossos eventos não entram na mira de campanhas publicitárias? Veicular a marca de sua empresa a eventos onde, sabidamente, bebidas e drogas rolam soltas é bacana, mas a um evento que apregoa valores não? Paradoxo absurdo!

Agora creio que meu paralelo com Geni e o Zepelim, tenha ficado mais claro. Somos bons só como consumidores mas como geradores de opinião não? Por que a partir de determinado ponto aproximar-se do Gospel não é tão bacana? Por que atrelar sua marca ou empresa a esse público parece ser nocivo?

Sei que ainda temos um longo caminho a percorrer para chegar ao porte de um Lollapalooza, Planeta Atlantida, Festival de Salvador ou outro grande evento secular, mas temos que nos movimentar, buscar qualificação, gerar conteúdo e oportunidades para que esse preconceito caia de uma vez por todas e possamos parar de ouvir “joga pedra na Geni!”.

 

Jeferson Baick – esperançoso de um dia ver grandes marcas olhando de igual para nossos eventos.

PS.: Obrigado Maurício pelo agregado ao texto!

Boa parte dos meus textos publicados aqui no blog são fruto de conversas ou fatos que vivencio. Um dos caras que ultimamente tem ocupado boa parte de meu tempo para papos profundos e inteligentes é o super competente diretor Hugo Pessoa. Apesar de sua juventude, Pessoa é alguém muito experiente, viajado, com aguçado senso crítico e uma leveza bem peculiar, característica de quem sabe o que quer e para onde vai.
E dias desses estávamos em São Paulo degustando um café num fim de tarde quando o assunto se encaminhou para a questão de oportunidade e oportunismo. E claro, por lidarmos com artistas em nosso dia a dia, o foco não poderia ser outro que não fosse a relação dos artistas gospel com o tema em questão. Falávamos sobre como alguns artistas ao longo dos últimos anos optaram por caminhos que no fim se configuraram em opções erradas. Também sobre como em alguns momentos o caminho que aparentemente é o mais fácil ou até mesmo o mais lógico acaba sendo o mais desastroso para a vida artística. Entre um e outro gole de café fomos listando alguns destes casos para ilustrar o que conversávamos naquele momento.

Sempre ouvi um ditado que diz que quando um cavalo passa encilhado não podemos deixar de subir nele. A idéia é de que a oportunidade quando passa à nossa frente precisamos ser ágeis, termos senso de oportunidade. Boa parte dos ditos populares carregam em si boa dose de sabedoria, mas também podemos considerar que nem sempre o senso comum é imune a erros grotescos. No caso do cavalo encilhado ninguém se ateve a questionar o que ele faz solto no pasto ou na estrada (!?!?). Será que ele não derrubou seu cavaleiro momentos antes? Longe de querer iniciar uma nova polêmica hípica, a verdade é que nem sempre o que se apresenta num primeiro momento como oportunidade ‘imperdível’ pode se configurar como tal após algumas análises mais aprofundadas.
E é aí que reside o cerne do nosso post de hoje. Quero me ater nos próximos minutos sobre o que é oportunismo e oportunidade na carreira artística. Prometo que tentarei ser o mais sucinto possível, apesar do assunto poder render bastante.

Em 25 anos de carreira e lidando com muitos artistas posso assegurar que já pude vivenciar experiências as mais diversas. Especialmente em nosso meio gospel, temos uma profusão de artistas talentosos. Talvez esta até seja uma das características mais marcantes de nosso meio, a absurda qualidade musical de nossos artistas. Posso assegurar que temos alguns dos mais talentosos músicos e intérpretes no meio gospel nacional. Só que talento apenas não assegura o sucesso de ninguém! Nem mesmo com muita oração, jejum, monte, campanhas … nada disso é suficiente para fazer uma carreira sólida, longeva e de sucesso. Não foram poucas as vezes em que pude conversar com artistas alertando-os sobre as transformações do mercado fonográfico … horas e horas de muita informação, muito conteúdo, dicas, sugestões, para no fim eu perceber que apenas perdi meu precioso e raro tempo!

O artista deve antes de mais nada, buscar uma carreira sólida e isso só se consegue com muito planejamento, sabedoria e senso crítico. Infelizmente alguns artistas padecem de ansiedade crônica onde todas as decisões e principalmente os resultados devem vir de imediato. Para estes, resultados de longo prazo devem aparecer em 90 dias ou antes disso!!!!! Podemos listar com muita facilidade artistas do meio gospel nacional que possuem enorme talento, que tinham enorme possibilidade de seguirem numa carreira sólida, mas que fruto desta ansiedade se deixaram levar por promessas descabidas e que os resultados foram catastróficos. Se analisarmos o histórico destes artistas iremos constatar que praticamente todos estes erraram em um determinado momento de suas vidas ao se decidirem pelo caminho do oportunismo e não pela oportunidade.
Oportunismo é antes de mais nada a chance mais fantástica de se alcançar grandes objetivos com o menor esforço. Aparentemente é tudo perfeito, mas se aprofundarmos um pouco mais a análise dos fatos iremos notar que o risco da empreitada é bem considerável. Quantos artistas optaram por assinar contrato com uma determinada gravadora porque esta prometeu presença em programas de TV? Ou então por conta de um adiantamento de royalties? Ou ainda, pela promessa de uma grande campanha de marketing? Como em todo negócio, o mercado fonográfico trabalha sobre números, projeções, realidade … duvide de promessas mirabolantes e estórias ufanistas, cheias de alegorias, sonhos … tudo muito maravilhoso! Muitas das vezes se acorda deste sonho em meio a um terrível pesadelo!

Assim como não há almoço grátis, também não há milagre em investimentos. Quem investe almeja retorno e trabalha para isso. Me assusta ainda hoje, em pleno 2015 ouvir de artistas evangélicos discursos no melhor estilo “Poliana de ser” como se vivêssemos no mundo ideal. Não há espaço para isso! Na verdade, nunca houve e hoje em dia, uma gravadora precisa antes de mais nada, fazer contas e caminhar de forma segura em suas apostas. Não há lugar para amadores neste meio! E é justamente aí que reside a diferença entre aqueles que querem ter uma carreira sólida, adequada às novas demandas e realidades do mercado, adaptada aos novos consumidores, ciente das novas ferramentas e ações estratégicas e aqueles que querem insistir em mentalidades arcaicas e defasadas.

Oportunidade é sobretudo ter capacidade de analisar diferentes aspectos para se alcançar uma posição coerente para o futuro. Quem tem poder crítico para analisar oportunidades certamente terá resultados muito mais consistentes em todos os aspectos da vida pessoal e profissional. Quem tem senso de oportunidade não se impressiona com o destino final, mas procura conhecer melhor a rota para se alcançar a este destino. Não importa se esta estrada é de difícil acesso, mas procura saber, de verdade, o que irá encontrar no fim da viagem. E falando em termos artísticos, a grande graça de tudo é justamente prolongar ao máximo sua capacidade inventiva e criativa. É tão interessante ouvir de grandes artistas sobre o prazer que estes têm em estar no palco depois de anos e anos de carreira. Este prazer só tem aquele que soube conduzir saudavelmente sua trajetória.

Se é você é um jovem artista ou mesmo um decano das artes, cada dia se torna mais primordial a forma como se lida com as oportunidades. Não opte em seguir caminhos fáceis. Não dê ouvidos a promessas vazias. Antes de mais nada, analise se a fonte das promessas tem em seu portifólio grandes realizações. O que te leva a pensar que mesmo errando em todas as outras oportunidades, com outros artistas, justamente contigo será diferente? Não se iluda … até porque o maior prejudicado neste caso, será justamente você mesmo! Não transfira a responsabilidade do seu sucesso para terceiros! Isso é bem comum no meio gospel e acabamos lidando com uma geração de artistas-que-reclamam-de-tudo-e-que-nunca-têm-culpa-de-nada!

Não curto muito a estratégia de alguns artistas de ficarem trocando de gravadora a cada novo contrato. Sinceramente não vi um único artista se dar bem ao se utilizar desta tática ao longo destes anos todos de estrada. Geralmente estes vão perdendo força, vão se enfraquecendo no mercado, vêem suas obras sendo tratadas como produtos de segunda linha por parte das empresas e pelo próprio mercado, enfim, literalmente prejudicam-se absurdamente num autêntico harakiri artístico. Em 99% dos casos, estes artistas foram tomados pelo senso de oportunismo, buscando promessas e fatos que iriam transformar suas vidas. Ilusão. Pura ilusão! A boa oportunidade é aquela que traz responsabilidade, que apresenta resultados sólidos e de longa duração. Qualquer coisa diferente disse será apenas estória e disso já estamos todos fartos! Pelo menos eu …

Mais seriedade e mais resultados! Mais oportunidade e menos oportunismos. Mais profissionais e menos oportunistas. É só o que eu espero!

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista e cada vez mais focado em fazer diferença no mercado, mesmo que para isso eu venha perder algumas oportunidades.

O Observatório Cristão sempre foi um projeto que levei com muita tranquilidade. Jamais impus a mim mesmo qualquer tipo de obrigação, cobrança ou algo do tipo. Na verdade, a única regra que procurei seguir desde sempre, foi com relação à qualidade dos textos publicados. Nestes mais de 7 anos de atuação criamos um bom ‘estoque’ de posts que de alguma forma servem para traduzir o que de fato aconteceu em nosso meio nestes últimos anos.

O fim de 2014 foi frenético pra mim. A impressão foi de que as portas se fecharam e tive que sair correndo para não ter o risco de ser deixado do lado de fora e, nesta necessidade de ‘correr’ acabei deixando de lado a obrigatoriedade de manter atualizado este blog. Portanto, peço desculpas e tento justificar essa enorme ausência de conteúdos inéditos nestas longas semanas. A verdade também é que acabei sendo atingido por uma sensação moribunda pós-eleições que me tirou o ânimo para muitas coisas e entre elas, o hábito de escrever e mesmo de exercitar minha verve humorística e sarcástica, tão presentes por aqui.

Não começo o novo ano renovado, esperançoso ou mesmo descansado. Os acontecimentos extremistas recentes com terroristas muçulmanos (ou melhor, ignorantes, até porque isso não tem nada a ver com religião!) cortando cabeças ou matando civis inocentes não me trazem qualquer espírito de renovação e esperança neste momento, não mesmo! Além disso, dia a dia recebendo notícias sobre a grave situação econômica de nosso país e os sucessivos escândalos políticos também não contribuem em nada para criar um ambiente e expectativas tão festivas para 2015. Ou seja, o ano começa pesado e as nuvens no horizonte não são nada alvissareiras, pelo contrário, são bastante tensas!

E em termos de mercado fonográfico gospel tupiniquim o novo ano deve trazer algumas novidades já que em 2014 não consigo destacar grandes projetos que fizeram grande diferença em nossos arraiais. Talvez a grande ‘novidade’ do ano que passou foi o crescimento do cantor e compositor Anderson Freire tornando-se um dos mais requisitados em eventos e com grande resultado de vendas de seus projetos nas lojas. O capixaba conseguiu colocar-se num novo patamar no mercado gospel onde já se encontram nomes como Aline Barros, Damares, Fernandinho, Thalles e mais uns 2 ou 3 artistas. O ano de 2014 no Brasil foi mesmo focado na Copa do Mundo e nas eleições … nada muito além disso!

Pra não ser injusto, também preciso incluir nos destaques de 2014, Leonardo Gonçalves que reposicionou sua carreira em uma nova categoria. O projeto “principio” alavancou a carreira do talentoso artista e ele chegou ao fim do ano como o DVD mais vendido no segmento em todo o país.  Quem ainda não conferiu este projeto, não deve perder mais tempo e se deliciar com um dos melhores projetos já lançados em nosso mercado em todos os tempos. Padrão internacional!

Para 2015 entre os grandes lançamentos, um dos mais aguardados será, sem dúvida, o novo DVD da cantora Damares que deve chegar às lojas em março deste ano. Uma megaprodução com direção de Hugo Pessoa, o projeto conta com a participação especial de Thalles e uma super estrutura de luz, palco e som. A produção musical ficou a cargo do competente Melk Carvalhedo. Já assisti à edição do projeto e posso assegurar que com este projeto a música pentecostal seguirá um novo rumo e tendência a partir de então. É esperar e conferir!

Não sou muito afeito a apostas, a exercícios de projeção, ou em termos mais pentecostais, em ‘profecias’ ou ‘profetadas’. Mas vou me arriscar e apontar um nome que tem tudo para ser o grande artista de 2015. Na minha modesta opinião, este ano que se inicia veremos a cantora Gabriela Rocha como maior destaque da música gospel no país. Seu talento, belo trabalho recém-lançado, sua performance, seu carisma e principalmente sua incrível capacidade de interpretar farão toda a diferença neste ano em nosso meio. Em seu segundo trabalho, o álbum “Pra Onde Iremos?”, com produção de Daniela e Jorginho Araújo, Gabriela Rocha se apresenta como uma intérprete madura, segura de si, com muita unção, sabendo lidar com todo seu potencial vocal, com excelente repertório e muita vontade de trabalhar! Com enorme força nas redes sociais, Gabriela vem se destacando em diferentes regiões do país e como reflexo, sua agenda está completamente abarrotada de compromissos já no início do ano. Se você ainda não teve contato com este álbum, vale a pena conferir! A boa notícia é que nesta semana, seu primeiro clipe deste trabalho estreou no canal da artista na VEVO. Você confere esse vídeo aqui mesmo no blog!

Como ainda estou meio “enferrujado” vou ficando por aqui. Prometo voltar nos próximos dias como mais posts inéditos.

 

Mauricio Soares, jornalista, publicitário

Há poucos dias atrás recebi as masters do CD e DVD “principio” – Sim! Em minúsculo e sem acento, solicitações do próprio artista, não me pergunte a explicação – projeto do absurdamente talentoso amigo Leonardo Gonçalves. Para quem não tem conhecimento deste projeto, o DVD foi gravado em junho de 2013 no Teatro Bradesco em São Paulo. Inicialmente programado para acontecer em uma única sessão, as gravações foram realizadas em 2 noites em função da meteórica venda de ingressos (poucas horas, sold out!).

Certamente que os 66 assíduos leitores deste blog irão concordar que é absolutamente rara a oportunidade em que utilizo este espaço para falar de projetos de artistas e, principalmente se estes são lançados pela empresa em que atuo. Definitivamente não utilizo este espaço para auto-promoção ou para ações de merchandising. Nestes mais de 7 anos de publicação, que eu me recorde, apenas escrevi por aqui a respeito do projeto “Os Arrais”, um dos álbuns que eu mais me orgulho de ter acreditado e lançado em 25 anos de estrada. Pois agora, sinto-me mais uma vez incentivado a dedicar meu tempo e este espaço tão importante (para mim, pelo menos!) para falar um pouco deste projeto que chegará às lojas em poucas semanas.

Antes de mais nada, vale aqui o registro de que a demora no lançamento do DVD se deveu única e exclusivamente pela forma criteriosa e perfeccionista com que o Leonardo Gonçalves trata de suas produções. Se não me engano, em setembro do ano passado tive a oportunidade de conferir boa parte do DVD em companhia do diretor (e não menos talentoso!) Hugo Pessoa. Só que algumas pessoas são perfeccionistas, no caso do Leo, a questão é bem mais grave! O rapaz tem uma espécie de TOC, o que o torna uma pessoa atenta a detalhes que nem o mais arguto observador consegue identificar. E nessa obsessão em achar a sonoridade, o acabamento perfeito, o artista alongou por alguns (muitos!) meses o processo de finalização. E depois de tudo, creio que se alguém perguntar a ele se realmente o projeto está finalizado, certamente receberá como resposta algo do tipo: eu não terminei, apenas o abandonei … nada mais típico!

Espero que o Leonardo Gonçalves não leia esse texto, acho que ele não está entre os meus 66 leitores … então posso confessar que assistindo e ouvindo o projeto tanto em DVD como CD, a sensação é de que a espera valeu cada dia porque o resultado final é simplesmente assombroso! Se ele, por algum descuido ler esse meu comentário, corro o risco do próximo projeto dele levar mais uns 5 anos …

Falar do projeto “principio” é muito simples. Primeiro, delete todos os conceitos de qualidade, sofisticação, modernidade e sonoridade que você tem até hoje dia. Desopile-se completamente! Zere tudo! Aperte o botão de Reset e busque uma posição confortável em sua poltrona para começar a ser impactado por algo até então inédito nos arraiais da música gospel nacional, sem dúvida, e talvez até mesmo internacional.

Este texto eu comecei a escrever em minha recente viagem para Maringá. Como quase sempre acontece, finalizo o texto em outra oportunidade ou viagem. Neste momento estou em Curitiba para 4 dias de muitas reuniões, visitas e compromissos pessoais. Quando tenho o insight de um tema para publicar no blog, praticamente todo o escopo do texto já vem à minha mente. Neste caso específico o insight surgiu pelo impacto assombroso pelo qual fui acometido ao assistir este projeto. Hoje cerca de uma semana após receber a máster confesso que já assisti a este DVD nada menos do que 6 vezes na íntegra. Algo muito incomum para mim, principalmente pela absoluta escassez de tempo disponível!

Então, na semana passada comecei a escrever uma espécie de release deste projeto trazendo comentários faixa a faixa. Só que me faltaram adjetivos e percebi que o meu texto estava ficando muito repetitivo. Além do mais, na área de Extras, Leonardo inova mais uma vez colocando a opção de ‘música comentada’ ou algo do tipo, que nada mais é do que o próprio artista em companhia do diretor Hugo Pessoa, comentando cada um dos momentos do DVD. Esta iniciativa é uma espécie de bate papo entre estes dois criativos profissionais explicando todo o projeto. Vale muito a pena conferir também esta versão! Dessa forma, minha linha de texto mais voltada ao release do produto tornou-se inócua e com toda a humildade, paupérrima diante de comentários dos próprios mentores do projeto.

Sendo assim, este meu texto servirá tão somente para destacar alguns aspectos que me chamaram a atenção neste projeto. O primeiro que me salta aos olhos é justamente a simplicidade do projeto. O DVD não conta com painéis de alta definição de imagens, cenário moderno, elementos cenográficos, diferentes níveis de palco, fumaça, iluminação frenética ou algo do tipo. Tudo ali é meticulosamente cool, a começar pelo figurino dos músicos, do próprio artista e mesmo do cenário que nada mais é do que o próprio backstage do palco. O projeto de ”principio” é totalmente baseado no conceito sofisticação. O próprio ambiente do teatro Bradesco já traz essa aura de qualidade e sofisticação ao projeto facilitando e indicando caminhos para o projeto em si.

A iluminação é outro forte destaque do DVD. A cargo do competente Marcos Olívio, a iluminação traz o tom certo para que a fotografia mantenha o conceito de sofisticação. Esqueça cores e movimentos frenéticos. Ali tudo é levemente tratado a criar ambiência para cada momento do projeto. Trajando um elegante terno, Leonardo Gonçalves nos faz lembrar os antigos crooners à frente de orquestras de jazz band dos anos 50. Em determinado momento pode até se imaginar que o cantor irá deslizar pelo palco em alguns passos a la Fred Astaire, mas isso não acontece. O que o intérprete prefere ao longo do DVD é trazer pequenas intervenções onde de alguma forma expõe conceitos e mensagens sobre o Reino de Deus. Mesmo nesta hora, Leonardo tem o timing correto sem se alongar por longos e intermináveis momentos de ministração. Mais um ponto a seu favor!

Outro destaque do DVD são as duas participações especiais de Daniela Araújo. Na primeira entrada, a pequena cantora chega “com faca nos dentes” e defende sua canção com uma energia e vitalidade de tirar o fôlego. É impossível assistir a música “Verdade” e permanecer incólume, impassível. Pelo menos para os mortais e amantes da boa música. Na última canção do DVD, Daniela retorna ao palco numa versão bem mais contida. Suave. Profunda. O dueto em “Princípio e Fim” fecha com maestria todo o projeto e deixa a todos uma sensação de êxtase por estar diante de um projeto fantástico! O DVD também conta com a participação de Sir Edward Tambasco, como Leonardo anunciou. Quem não ligou o nome à pessoa, trata-se de Duca Tambasco, baixista do Oficina G3 que participa tocando baixo acústico na canção “There”.

O repertório do projeto reúne grandes sucessos dos trabalhos lançados pelo cantor, com maior ênfase no mais recente, “Princípio e Fim” e ainda algumas canções inéditas. Há espaço para uma canção do projeto hebraico Avinu Malkenu, para canções dos primeiros projetos e ainda, como não poderia deixar de ser, para a canção Getsêmani, talvez um dos seus maiores sucessos de carreira. Nesta música, Leonardo recebe no palco uma seleção de craques que participam de boa parte das produções musicais nos backing vocals e em algumas vezes até mesmo em alguns duetos. Por falar em Getsêmani, o vídeo desta canção acaba de ser liberado no iTunes e em menos de 24h já chegou ao topo (feito pela segunda vez alcançado por Leonardo Gonçalves e só ele fez isso até hoje no segmento gospel) do ranking de vendas do iTunes.

Como este texto vem sendo escrito há alguns dias e creio que somente agora conseguirei finalizá-lo, nesta ocasião já na rota Rio de Janeiro x Vitória, cabe ainda informar aos meus diletos 66 leitores do Observatório que no dia 21 de novembro foi liberada a pré-venda do álbum “principio” no iTunes com faixa bônus e tudo mais. A expectativa pelo lançamento deste projeto está tão alta, que em pouco tempo como já mencionei no parágrafo anterior o vídeo assumiu o topo do ranking, mas não para por aí, porque o álbum já se colocou na lista dos mais vendidos alçando à quarta posição entre todos os lançamentos e assumiu a liderança isolada nos produtos de pré-venda, ou seja, Leonardo segue quebrando recordes, estabelecendo novos padrões e conquistando cada vez mais o respeito de todo o mercado, secular inclusive.

Ao longo de minha trajetória profissional tenho alguns projetos que se destacam no meu currículo e dos quais tenho muito orgulho de ter coordenado ou participado e, sem dúvida, “principio” encontra-se neste seletíssimo ranking. Este não é um projeto de tempo determinado, sinceramente creio que daqui há 10 anos ele se manterá atualíssimo, interessante, diferenciado. Tenho que publicamente destacar o talento e dedicação de seu principal personagem, Leonardo Gonçalves, um artista que tem muito a progredir pelos próximos anos e de quem certamente teremos muito a ouvir e a falar de sua arte. E também, registrar minha admiração pelo profissionalismo, dinamismo, criatividade e qualidade do diretor Hugo Pessoa. Esta dupla certamente tem muito a nos presentear ainda pelos próximos anos!

Se você ainda não teve a oportunidade de conferir ao menos uma parte deste projeto, sugiro que o faça o quanto antes. O CD “principio” chega às lojas nos próximos dias e sua versão em DVD estará disponível no formato físico por volta do dia 04 de novembro em todo o mercado. A pré-venda digital já está disponível e neste caso, com faixa bônus e tudo mais.

Aproveitem!

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, alguém que curte a boa arte e que neste próximo domingo votará por reais mudanças no país e isso significa claramente #ForaPT #ForaDilma #ChegadeCorrupção !!!

Na semana passada um renomado produtor musical me apresentou o trabalho de uma jovem artista. Em se tratando de um projeto por aquele profissional tão conceituado e principalmente por ele ter se esforçado em me apresentar, é óbvio que a atenção com o referido disco deveria ser diferente do usual. O recebi em meu escritório, reservei boa parte de minha agenda e ainda ouvi atentamente cada uma das canções daquele CD. Em determinado momento ele começou a elencar o time de compositores e já foi adiantando que todas as músicas tinham contrato de exclusividade de interpretação por 5 anos, devidamente pagos aos seus respectivos autores.

Coincidência ou não, já na segunda canção, identifiquei-a como tendo sido gravada anteriormente por 2 artistas há alguns anos atrás. À época inclusive, as duas cantoras usaram a mesma música como single e os lançamentos de ambas foram feitos em períodos iguais. Ou seja, frustração por todos os lados.

Na tarde de hoje, antes de embarcar para São Paulo onde terei 1 noite e 1 dia intenso de trabalho, participei da audição de um novo projeto que lançaremos em breve. Depois de conferir todo o trabalho (excelente por sinal!) ouvi da cantora a decepção por ter gravado uma canção que até então julgava ser inédita e que na verdade, também havia sido gravado por outra artista independente que também estará lançando um novo disco nas próximas semanas. Inclusive esta artista não só apostava suas fichas nesta canção como colocara o título do CD sendo o mesmo desta música.

Se fizermos uma pesquisa sobre fatos como este no meio dos artistas gospel, veremos que isto acontece com relativa frequência e se repete especialmente com determinados compositores medalhões de nosso circuito. Há uma lista de compositores já bem conhecidos que “venderam” suas músicas para 4, 5, 6 artistas gravarem no melhor estilo produção em série. Há alguns anos atrás, quando artistas regionais ficavam muitas das vezes restritos a algumas cidades ou estados, e assim esta prática da “venda de músicas no atacado” se mantinha com relativa tranquilidade. Afinal, até determinado artista do norte do país ter conhecimento de que outro cantor lá de Santa Catarina também havia gravado a mesma música isso poderia demorar anos ou nem mesmo acontecer.

No entanto, hoje em dia, com o advento da web e da comunicação instantânea, ficou muito mais difícil ‘camuflar’ esta  multiplicação de artistas gravando as mesmas músicas. Ou seja, em pouco tempo artistas isolados quilômetros de distância têm conhecimento de que acabaram de cair no “conto da exclusividade” e, assim, automaticamente entram no rol de frustrados e decepcionados pela falta de palavra e comprometimento  por parte dos seus amados compositores.

Depois de muitas histórias como esta, os artistas resolveram criar alguns artifícios para sua auto-proteção. Entre as mais usuais está o contrato de uso exclusivo por tempo limitado. Ou seja, o artista firma um contrato com o compositor onde este se compromete a não ceder para outro a referida canção. Estes contratos geralmente têm cláusulas de multas e penalidades e todo tipo de regras bem claras. O problema é que há compositores assinando a torto e a direito estes contratos e mesmo assim, liberando suas canções “exclusivas” para o primeiro que assinar a folha de cheque. Absurdo dos absurdos!

Tenho orientado os artistas a agirem de duas formas nestes casos. O primeiro é fazer valer o que está em contrato. E neste caso é fundamental que o contrato seja redigido por um advogado capacitado e esteja de acordo com a nossa legislação.  Todo contrato apresenta direitos e deveres e se o artista está dentro de seus direitos que o faça valer integralmente. Confesso que não me recordo até hoje um único caso de compositor que tenha sido acionado judicialmente por algum artista que se sentiu prejudicado nesta área. Esta falta de uma ação mais incisiva apenas  estimula este tipo de compositor-mercador a continuar ludibriando sua clientela.

A outra opção, e esta sim julgo ainda mais incisiva, é simplesmente não gravar músicas destes compositores-camelôs que se julgam indispensáveis. De acordo com as próprias leis que regem o comércio, a falta de demanda automaticamente impõe mudanças drásticas na condução do negócio. Ou seja, se estes compositores são colocados na geladeira dos artistas, a expectativa geral é de que eles mudem a própria conduta tornando-se mais ciosos de suas atitudes.

É importante frisar que um compositor não garante o sucesso de um projeto. Me impressiona como no meio gospel há modismos até na questão de compositores ou mesmo produtores. Quando um determinado compositor assina um hit, todos os produtores e artistas passam a assediar esse compositor como se tivessem achado uma mina de ouro e dali brotassem pepitas do minério a toda hora. É claro que em determinados um compositor ‘acerta a mão’ e vive uma fase próspera de boas letras e melodias, mas isso não se dá como se estivéssemos diante de uma produção em série da Fiat produzindo bólidos de minuto a minuto. Geralmente um compositor tem algumas boas canções e quando ele realmente vira uma celebridade, sua produção já está reservada por um artista medalhão. Quando artistas independentes e de menor expressão o descobrem, na absoluta maioria das vezes têm acesso a músicas de qualidade inferior ou então recebem músicas que já foram enviadas para outros 50 artistas.

Muitos artistas optam em incluir músicas destes compositores hitmakers em seus repertórios como se assim estivessem garantindo um bom repertório. Ledo engano. O que garante um bom projeto artístico é uma minuciosa e criteriosa pesquisa. Sem transpiração, não há inspiração. Não há nada mais importante num projeto musical do que o repertório. Coloco esta última afirmação em negrito, mas o ideal seria colocar em letras garrafais! O sucesso de um disco começa e termina na boa escolha das canções que irão fazer parte do repertório. Todo o mais será um complemento para destacar a qualidade das músicas selecionadas.

Conversando com o mesmo produtor citado no início deste texto, lembramos de que na pré-produção de um determinado projeto, a artista passou mais de 1 ano coletando canções e ao fim selecionou pouco mais de 50 músicas. Estas, uma a uma foi conferida atentamente por todos nós para que ao fim do processo de seleção chegássemos no repertório final do CD. A última fase de seleção, aconteceu na casa da artista por volta das 3 horas da manhã quando todos estávamos completamente exaustos, mas completamente cientes de que tínhamos em mãos um grande repertório. Coincidência ou não, este tornou-se um dos maiores lançamentos do mercado nos últimos tempos.

Concluindo, dê a devida importância na seleção do repertório. Não opte por caminhos mais fáceis e ágeis. Escolha de repertório não impõe prazos, mas responsabilidade e critério. Um repertório mal escolhido irá definitivamente produzir um disco fraco! E por fim, não torne-se refém de compositores da moda. Pesquisando bem, sempre iremos encontrar novos compositores, com novas propostas e quem sabe, grandes sucessos!

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, alguém que já ouviu bizarrices estrondosas na seleção de repertórios e ao mesmo tempo, também teve enorme prazer em ver surgir grandes sucessos em processos exaustivos de pesquisa.

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O mês de setembro é, sem dúvida, um período especial em meio a todos os outros meses do ano. É no mês de setembro que comemoramos a chegada da primavera, estação do ano que nos traz uma sensação de renascimento, de frescor, da mudança da natureza, em especial do desabrochar das flores, do esplendor das plantas e tudo mais. É um período onde, especialmente em outras regiões do planeta onde o inverno é bem rigoroso, a mudança do clima e a sensação de que o verão está prestes a chegar mudam os ânimos de todos.

Também acho que a partir deste mês é que nos damos conta de que boa parte do ano já se foi e de que a partir de agora começa oficialmente a contagem regressiva para as festas natalinas, o novo ano que se avizinha.

E antes que os atentos 66 leitores deste blog comecem a pensar que meu calendário está confuso porque este texto está sendo publicado em pleno mês de outubro, me adianto a explicar que o início da criação deste post se deu dias atrás, ainda no mês de setembro, entre uma viagem do Rio de Janeiro para a capital paulista. Agora finalizo este mesmo texto no saguão do aeroporto Santos Dumont onde daqui a pouco sigo para uma viagem bate e volta até Campinas. Como não vi necessidade de mudar o lead do texto, sigo escrevendo incensando o mês de setembro.

Vamos de volta ao texto …

Nos últimos 10 anos e um pouco mais, o mês de setembro também significou no mercado evangélico do Brasil o período dos grandes lançamentos, fossem eles na área fonográfica, editorial ou mesmo de confecções e afins. Afinal, era justamente no mês de setembro que todos os anos acontecia a Expo Cristã, que na verdade surgiu sob o nome de FICOC – Feira Internacional do Consumidor Cristã. Tenho orgulho de ter participado de todas as edições deste evento como expositor, em diferentes empresas. A primeira edição foi no ExpoMart Center, na Vila Guilherme, em São Paulo, uma espécie de shopping desativado. Um local meio esquisito, mas que acabou atendendo às metas estabelecidas. Já na primeira edição a presença de expositores, lojistas e até mesmo público consumidor foi bem interessante e serviu de estímulo para novas edições nos anos seguintes.

A tristeza neste momento é porque emprego o verbo “acontecer” no passado, afinal a Expo Cristã não aconteceu em 2013 e novamente neste ano não foi realizada. Em 2013 foi realizada a primeira edição da FIC promovida pela Geo Eventos, mas assim como a própria organizadora do evento, a feira não sobreviveu a uma segunda edição. Ou seja, o mercado ficou órfão de uma feira oficial do mercado reunindo os grandes players em diferentes setores. E pelo andar dos acontecimentos e a tradicional falta de coesão reinante no mercado, a possibilidade de não termos mais uma feira nos moldes anteriores é bem real.

Todo grande ramo de negócios tem uma feira oficial a cada um ou dois anos. Isso acontece na área de molas de caminhão, de produtos de segurança, de games, de produtos fisioterápicos, de turismo, indústria automobilística, informática e por aí vai … então como pode um mercado que vem crescendo em número de consumidores ano a ano, que possui importantes players em diferentes áreas, mídias segmentadas, canais de distribuição próprios, não ter uma única feira em nível nacional?

Para não ser injusto ou mesmo tendencioso, cabe registrar que a ASEC, entidade que reúne as principais editoras do segmento evangélico no país, realizou nos últimos anos a FLIC, espécie de Expo Cristã exclusiva para o mercado editorial – entre outras justificativas, o fato de não contarem com a presença de gravadoras neste evento era porque assim não teria barulho! Realmente, na primeira e última vez em que estive neste evento, o silêncio era absoluto, quase sepulcral. Só que em 2014, a ASEC resolveu juntar suas forças (e silêncio!) com o Salão Internacional Cristão, outra feira que foi realizada nos últimos anos sem ter conseguido muita relevância no mercado e principalmente de público e expositores.

Coincidentemente estava em São Paulo na época em que este evento reunindo as 2 feiras aconteceu em São Paulo, no Espaço Imigrantes. O evento aconteceu faz 2 ou 3 semanas atrás e a minha expectativa era a menor possível, afinal mesmo sendo uma pessoa bastante atenta às novidades, notícias e tudo o que ocorre no meio, até então não havia recebido informação alguma do evento. Ou seja, a possibilidade de não me deparar com uma feira nos moldes da Expo Cristã era real e de fato foi o que encontrei numa visita que não durou mais do que 50 minutos. Sim! Em parcos minutos consegui dar uma olhada panorâmica em toda a feira, conferi os stands, revi alguns amigos e pude conferir tudo com muita tranquilidade, pois afinal a presença do público naquele local era a menor possível. Ainda assim acabei recebendo 6 CDs (para ouvir com carinho, sempre!), conversei com uns 2 artistas independentes e tirei umas 2 ou 3 fotos. Ou seja, frustração geral, irrestrita, absoluta.

Recordo-me que em meus tempos de Line Records, com um stand de mais de 400 metros quadrados (quase um latifúndio!), montamos uma estrutura que contava com massagistas atendendo aos lojistas em pausas relaxantes, máquina de chocolate derretido distribuído a todos os visitantes e ainda, um touro mecânico. Pra completar, para o stand levamos a impressionante quantidade de 220 mil CDs e DVDs para serem comercializados em 6 dias de feira. Montamos uma verdadeira Muralha da China com caixas e mais caixas empilhadas pelo stand e corredor da feira. Artistas, lojistas, mídias, público de todo o Brasil marcavam presença na feira. Era uma grande festa, uma oportunidade para rever amigos, fazer novos contatos e principalmente divulgar e fazer bons negócios. Numa destas edições, já pela Graça Music, lembro-me que lançamos 16 títulos diferentes durante a feira, o que garantia sempre visibilidade e muito movimento no stand.

O clima nem sempre era amistoso. Tínhamos constantes embates com a organização da feira, principalmente pela questão da poluição sonora (e que barulho!) dos stands cada qual competindo em muitos decibéis para ter a atenção do público e sobrepujar a concorrência. Meninice absoluta! Algumas edições depois, pessoalmente percebi que essa babel sonora não levava a lugar algum e mais afugentava do que aproximava os clientes. Então, a partir desta constatação, nos nossos stands nem aparelho portátil de som levávamos. Mas além do barulho, a feira também era conhecida pelo enorme afluxo de pessoas. No sábado, em especial, as hordas de adolescentes, jovens, gente de todo tipo, idade, denominação e estilo se acotovelavam pelos cada vez mais estreitos corredores da feira. No fim do dia, a imagem era dantesca com pilhas e pilhas de lixos amontoados nos corredores típico do “Lixão de Gramacho” em Duque de Caxias.

Antes mesmo do início da feira a tensão era clara com a organização e principalmente as montadoras que não cumpriam prazos e sempre atrasavam a entrega dos stands para os expositores. Até uma certa fase, havia uma clara disputa entre os expositores para ter o mais nababesco espaço na feira. Alguns stands traziam projetos carnavalescos com 2 andares, muita suntuosidade, o que poderíamos hoje definir como o stand-ostentação. Ao fim da feira, na hora do desmonte dos stands, sempre me batia uma tristeza, uma angústia ao ver que aquela ‘casa’ que nos acolheu por 6 dias não existiria mais daqui alguns minutos. Muito interessante como, mesmo com cansaço absurdo, ainda sentia falta daquele tumulto alguns dias depois.

A Expo Cristã não era para amadores. Definitivamente não! Tinha muitos problemas de gestão, muitos ajustes a se fazer … sem dúvida! No entanto, o mercado evangélico se tornou órfão com a descontinuidade deste projeto. E infelizmente não vejo muita chance desta situação ser revertida nos anos mais próximos. O nosso meio sempre foi marcado pela absoluta falta de visão de grupo, de associação, de interesses mútuos em prol de algo mais relevante. Faltam lideranças, executivos, empreendedores que tenham disposição para fazer algo que realmente beneficie o mercado. No melhor estilo haraquiri, o próprio mercado vem contribuindo para o enfraquecimento deste ambiente de negócios.

Como forma de tentar suprir esta perda da Expo Cristã, algumas promotores de eventos regionais investiram na realização de feiras similares. Neste ano tivemos a Gospel Fair em Goiânia que tem tudo para se firmar no calendário pelos próprios anos. A Expo Evangélica de Fortaleza segue forte depois de 10 anos de realização e se consagra como a principal feira cristã do Nordeste do país. Para 2015 já foi lançada uma feira em Natal/RN com a organização da equipe da boa revista Propagar. E ainda em 2014, o Vale do Paraíba em São Paulo, às margens da Via Dutra, comemora a realização da Expo Vale em São José dos Campos, evento que por sinal, estarei conferindo pessoalmente. Todas estas iniciativas são válidas, mas estão anos luz de distância do que já foi a Expo Cristã!

Meu desejo é de que um dia possamos ter novamente uma feira que conte democraticamente com editoras, mídias, gravadoras, promotores de eventos, empresas de suprimentos para igrejas, confecções e todo tipo de empreendimento que contribua para uma melhora do mercado gospel e da própria igreja evangélica brasileira. Esta é minha expectativa.

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, alguém que já carregou muitas caixas de CDs nas costas, que recebeu em torno de 2 mil CDs, DVDs, pastas, releases, fotos, CDRs e afins durante anos e anos de feira.

P.S. – Este texto é dedicado ao grande amigo Eduardo Berzin, empreendedor do mercado gospel que teve a coragem de investir na realização da feira e que hoje faz muita falta a todos nós.