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Começo a escrever este texto sob o impacto de assistir a um determinado vídeo de um, até então, pop star do meio artístico gospel. Em poucos minutos o referido cantor simplesmente detona o universo artístico gospel, se coloca acima da média dos demais, profere um monte de baboseiras, mistura egocentrismo com determinação divina, fala, fala, fala … até que o vídeo acaba. Imagino que aquela cena tenha se estendido por muitos e muitos minutos e confesso que nem imagino como tenha sido concluída. Também tenho enorme curiosidade de saber sobre a reação do público, mas imagino que todos tenham ficado perplexos com o discurso-nada-a-ver-muito-doido daquele artista ali presente.

Sobre a reação do público, lendo alguns comentários nas redes sociais percebo que a interpretação deles não foi nada alvissareira, nem um pouco positiva, longe de se comemorar. Os impropérios vão dos mais intensos, alguns impublicáveis, até aqueles mais comedidos que simplesmente se dizem chocados ou outros mais ‘espirituais’ que apenas mencionam: Oremos! O certo é que se o cantor tinha uma estratégia de chocar, nisso pode comemorar soltando fogos, porque suas palavras e atitudes certamente contribuirão ainda mais para atrapalhar sua imagem perante o mundinho gospel. É o que eu chamo de estratégia harakiri artístico, seguindo o ritual de suicídio, algo comum na cultura japonesa. Triste fim.

Hoje em dia tudo é filmado, fotografado, registrado, ou seja, não existe mais aquela sensação de que as informações, os fatos, os comentários ficarão restritos aos poucos (ou nem tanto) presentes. A informação segue numa velocidade impressionante e as distâncias simplesmente desaparecem. O que acontece em Cabrobó, em pleno sertão de Pernambuco, pode em poucos segundos ser assistido em Okinawa, do outro lado do mundo.

Só no Brasil temos hoje mais de 280 milhões de aparelhos de celulares. Muitos dos quais com câmeras, acesso web, aplicativos, redes sociais, ou seja, são milhões de potenciais ‘jornalistas’ com ferramentas em mão para viralizar imagens e notícias em tempo praticamente real. Muitas notícias que estampam jornais ou mesmo são publicadas e veiculadas em sites, rádios e TVs surgiram a partir de registros de cidadãos comuns que simplesmente sacaram seus celulares na hora certa, no lugar certo onde a notícia surgia. A partir de um registro, muitas das vezes despretensioso, uma série de desdobramentos se iniciam alcançando enorme repercussão na mídia e na sociedade.

Voltando o foco para o universo artístico gospel, observo que muitos artistas do segmento parecem não entender que as coisas mudaram. E como mudaram! Hoje em dia não se pode mais simplesmente sair por aí falando o que ‘der na telha’ como se não houvesse consequências. Ampliando ainda mais, não se pode falar e nem postar fotos como se somente os mais ‘íntimos’ tivessem acesso àquele conteúdo. O problema é que o artista hoje tira a foto e coloca imediatamente o conteúdo em suas redes sociais sem uma melhor análise se aquela imagem, texto ou vídeo realmente podem ser colocados em público. Melhor do que ser ágil em retirar das redes sociais uma foto que não convém é simplesmente não postar nada!

Atualmente há profissionais que dão assessoria de comunicação para atletas, políticos, artistas. Ainda não muito comum no meio gospel, media trainning é uma importante ferramenta que deve ser cada vez mais utilizada em tempos de redes sociais e micos descomunais! Pra quem não está familiarizado ao termo, media trainning , nada mais é do que um treinamento promovido por um profissional, geralmente um jornalista ou relações-públicas, que orienta seu cliente na forma correta de agir, responder, portar-se diante de câmeras e entrevistas. E engana-se quem pensa que este profissional apenas poupa o cliente de falar besteiras, muito pelo contrário! Este tipo de consultoria serve prioritariamente para que o cliente aproveite ao máximo as oportunidades que surgirem. Por exemplo, no caso de um locutor de rádio (algo bem comum no nosso meio) não conseguir fazer com que a entrevista flua com qualidade, um artista bem treinado poderá de forma espontânea e segura fazer uma grande entrevista sem necessariamente contar com a participação do rapazinho outro lado da mesa.

Na verdade, todo tipo de ajuda e orientação é bem vinda desde que feita por um profissional gabaritado. Agora, de nada adiantará estar rodeado de profissionais se o próprio artista não entender a importância de ser orientado. O artista precisa ter humildade suficiente para atender às indicações de seu staff. Hoje em dia com a grande concorrência que temos no mundo artístico quanto menos se complicar melhor será.

Pra bom entendendor, pingo é letra …

Mauricio Soares.

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No último texto publicado comentei a respeito da profunda escassez de insights para a produção de novos textos para o nosso blog. Eis que em menos de 24 horas consegui produzir dois posts inéditos que tentam assim, minimizar os danos causados pela falta de novidades no blog. Espero com isso recuperar a atenção dos meus distintos 66 leitores assíduos deste espaço que insisto em manter nos últimos 8 anos. Imagino que os bons ares cearenses estejam contribuindo para esse momento criativo. Se realmente for este o motivo, aceito convites para temporadas maiores por esta região tão linda de nosso país. Especialmente na alta temporada do verão!

Mas o que é fato e não posso deixar de registrar é que boa parte dos meus textos são fruto de momentos de conversas descompromissadas onde às vezes uma única frase acaba sendo o estopim para um tema do blog. E foi numa destas conversas de fim de noite diante de uma peixada cearense que surgiu o tema deste novo post. A conversa desta noite abordava entre outras coisas, a respeito de algumas atitudes não-convencionais de algumas pessoas de nosso meio. Falamos sobre um determinado pastor que fugia ao estereótipo padrão do terno e gravata, que seu discurso era recheado de citações do dia a dia, que se vestia de forma bastante informal, moderno e que vez ou outra criava alguma situação diferente pra chamar a atenção de reuniões e cultos especiais. Todos concordamos, até por conhecer a boa índole e caráter deste pastor e, principalmente os frutos de seu ministério, que para se pregar o Evangelho hoje em dia, em meio a tanta ‘concorrência’ do mundo, se fazia necessário criar um diferencial, algo que realmente criasse a curiosidade por parte dos incautos e a partir daí estes terem contato com a verdade da Palavra.

Depois surgiu sobre este mesmo assunto, falando de inovação, modernidade e ousadia, o fato de um determinado artista que vem de tempos em tempos apresentando algumas novidades consideradas um tanto ousadas, mesmo para alguns com mente bem aberta. E é a partir deste fato é que quero seguir pelas próximas linhas e espero poder contar com sua especial atenção pelos próximos minutos. Mas antes de falar deste artista em específico, quero voltar no tempo, mas especificamente para uns 12 anos atrás. Por volta do ano de 2003 a música gospel assumiu um papel de destaque na sociedade brasileira como jamais havia alcançado antes. Naquele momento, a ABPD, associação que reúne as principais gravadoras seculares do país, apontava em sua recente pesquisa que a música religiosa tinha importante papel nas vendas de discos naquele momento. O estilo “música religiosa” correspondia ao segundo segmento de maior vendagem no país, ficando atrás apenas da música sertaneja e muito à frente do samba/pagode, pop rock, funk e outras manifestações artísticas. Então nada mais do que normal, que esta pesquisa alertasse às majors, principais gravadoras do mercado nacional sobre a importância de entender e se possível trabalhar com este segmento.

A partir de então, as grandes gravadoras passaram a buscar uma maior aproximação com a música evangélica no Brasil. Lembro-me de algumas reuniões entre estas grandes empresas e gravadoras gospel, alguns contatos diretos com artistas, algumas tentativas de parceria, ou seja, o mercado secular entendia a importância do mercado gospel e queria de alguma maneira caminhar junto. Nesta época alguns ‘despachantes de ilusões’ venderam para estas grandes corporações a ideia de que o mercado gospel era amador e que com pouco suor poderiam assumir o controle deste enorme mercado consumidor. Como era de se esperar, 10 entre 10 projetos apresentados não conseguiram sequer causar algum impacto no meio gospel. Todas as tentativas foram frustradas e frustrantes …

Passaram-se mais alguns anos e uma grande gravadora nacional contratou um artista de ponta do meio gospel. Mas o projeto que tinha tudo para ser uma goleada, acabou ficando no um a zero magrinho, sem empolgar muito a torcida. Eles imaginaram que somente tendo um grande artista seria suficiente para conquistar o mercado. Ledo engano. Somente depois, em 2010 uma gravadora multinacional resolveu não somente fazer uma aproximação, mas como eu gosto muito de dizer, engravidar do projeto gospel e implantou uma área exclusiva para este segmento, contando com profissionais evangélicos que entendessem da linguagem, da cultura, do ambiente gospel tupiniquim. E em pouco mais de 2 anos, esta empresa passou a colher os resultados super positivos desta empreitada, superando em muito as expectativas mais otimistas na implantação do projeto.

O mercado gospel, assim como o mercado católico, possui símbolos, conceitos, linguagens muito peculiares e para se ter sucesso nestas áreas é fundamental que tenhamos profundo entendimento desta cultura toda própria. Voltando ao artista que acredita que ele pode mudar toda uma cultura só porque em determinado sua estratégia deu certo no passado, a possibilidade dele pôr tudo a perder por uma falha de entendimento é real e, arrisco a dizer, inevitável. O mercado evangélico brasileiro é um caldo de diferentes sub culturas que vivem num ambiente muito característico, eu diria que até bem esquizofrênico, onde as interpretações de um mesmo assunto assumem resultados improváveis dependendo do receptor da mensagem. E é fundamental que os artistas entendam estas peculiaridades, buscando manter um senso comum, especialmente um conceito bíblico mais conservador, sem muitas novas teologias ou inovações.

Em tempos de redes sociais muitas das vezes caímos no risco de exagerar na audácia de uma postagem ou na inocência por compartilhar sobre fatos que não deveríamos fazer ao grande público. Lembro-me que quando eu estava na fase mais hardcore do twitter e surgiu a notícia de que o ex-goleiro do Flamengo, Bruno, havia supostamente assassinado a Elisa Samudio, fiz algum tipo de piada sobre o assunto que hoje nem me recordo mais o que seria. Passados alguns segundos uma pessoa que nunca havia visto no mundo real questionou minha brincadeira como formador de opinião e principalmente como cristão. Na hora respondi alguma coisa meio atravessada ao rapaz, bloqueei-o e segui minha vidinha. Tempos depois vi que realmente eu havia errado naquela piada de mau gosto e que eu deveria ter muito mais cuidado com meus comentários. Quando lidamos com o mercado cristão, não podemos simplesmente achar que todo discurso pode ser transmitido e pronto! Não! Pelo contrário! Há uma série de questionamentos que devemos fazer antes de assumirmos algumas posições ou tomarmos determinadas atitudes porque corremos o risco de ir de encontro com culturas muito próprias. Engana-se quem ao ler estes meus comentários imagina que eu esteja incentivando que as pessoas não tenham opiniões ou que sigam na correnteza, seguindo ao lado de todos. Não é isto o que estou dizendo aqui, mas quero fazer um alerta especial para os artistas e profissionais do meio de que devemos sempre avaliar nossas atitudes, estratégias e principalmente comunicação.

Sou um profissional de marketing e nos últimos anos venho trabalhando de forma mais intensa o trabalho de consultor. A esmagadora maioria de trabalhos que desenvolvi nestes últimos anos foi justamente tentar decifrar para empresas, profissionais e artistas os segredos e linguagens do mercado gospel nacional. É impressionante o nível de ignorância que estas grandes empresas possuem a respeito do meio evangélico nacional, de sua cultura, de seus conceitos, símbolos, linguagem. Particularmente creio que abre-se neste momento um importante ramo de consultoria e coaching para esta área no Brasil e é importante que todos estejamos muito atentos e cientes da importância de se conhecer melhor os hábitos, pensamentos, tendências e expectativas deste segmento. Se você é artista, mesmo que tenha sido ‘nascido e criado’ na igreja, é importante que tenha em mente a importância de se manter atualizado e atento para estes detalhes.

Enjoy!

 

Mauricio Soares, torcedor do tricolor das Laranjeiras, fã de suco de graviola e castanha de caju, jornalista, diretor artístico, observador do meio gospel há pouco mais de 25 anos.

Estas últimas 3 semanas em especial, mas os últimos 2 meses como um todo, foram muito intensos e desgastantes para mim. Para ficar apenas entre o fim de abril e o início do mês de maio estive por uma semana em convenção na Cidade do Panamá às margens do Pacífico, depois passei por 2 dias numa maratona de divulgação em Porto Alegre e neste momento estou iniciando a produção deste texto a bordo de um jato Embraer com destino à capital norte americana da música, Nashville. Antes disso, passei 4 dias em Miami participando da Expolit, mais importante e tradicional evento do mercado cristão hispano que reúne mídias, gravadoras, livreiros, editoras, lideranças eclesiásticas, artistas e todo mundo que de alguma forma se envolve no desenvolvimento deste segmento.

E durante estes mais recentes dias pude ter contato com muitos profissionais e artistas do mercado hispano. Confesso que me surpreendi positivamente com a feira em si, pois nas últimas edições em que estive presente a sensação de desânimo entre os players do mercado era latente e tudo ali apontava para um futuro nada promissor. Então, dentro de um projeto que estou desenvolvendo para a região, estar na Expolit era algo bastante importante e estratégico, mas ao mesmo tempo, sem muitas expectativas. Eis que me deparo com uma feira bem animada, com um bom número de expositores, artistas e principalmente com um clima de que o pior já passou e que hoje estamos diante de um cenário bastante alvissareiro pela frente.

Nos 3 dias em que estive presente na feira em Miami conversei com profissionais de eventos, mídias, artistas e gente ligado à área musical e editorial. O clima de derrotismo de anos atrás parece ter ficado no retrovisor e todos apostavam de que um novo momento, especialmente para a música, está prestes a acontecer. Confesso que do ponto de vista artístico, não me enche os olhos (e principalmente os ouvidos!) a qualidade do que o mundo latino gospel vem apresentando nos últimos anos. Me parece, e aí não há qualquer sentimento de arrogância ou mesmo de xenofobia, de que a música gospel no Brasil está alguns anos à frente do que vem sendo produzido por nuestros hermanos. E aí, com muito cuidado, a cada conversa que tive com pessoas ligadas a esta área, fiz questão de trazer esta opinião pessoal até para poder provocar algum tipo de reação mais contundente. E em todos os casos a resposta foi de que realmente a música latina neste momento está carecendo de novos ares.

Especialmente numa conversa com um grande profissional da área de música e eventos ele me relatou sobre a dificuldade em fazer grandes concertos porque efetivamente há uma carência muito grande de novos artistas. O meio gospel latino ainda se restringe a poucos nomes de peso. A cada conversa sempre fiz questão de perguntar sobre quem seriam os grandes artistas do segmento e as respostas se repetiam numa monotonia de assustar – Marcos Witt, Danilo Montero, Jesus Adrian Romero, Alex Campos, Marco Barrientos e ficava por aí mesmo com mais um ou dois outros nomes pinçados com muito esforço. Ao longo destes dias procurei assistir a muitos concertos, principalmente de artista novos e confesso que não me entusiasmei muito com o que vi nestes dias, exceção para um grupo formado por irmãos argentinos que hoje residem em Miami e atendem pelo nome de Montreal. O som deles tem pop, adoração, música urbana e um pouco de ritmos latinos. Ainda precisam se desenvolver bastante em termos artísticos, mas me parecem talentosos e contam com uma boa equipe de apoio, o que já é uma diferença e tanto. Outra artista que me impressionou bastante foi Cristina D’Clario, uma jovem portoriquenha que hoje reside no Texas e que de todos que pude ver foi aquela que me causou uma excelente expectativa.

E em meio a tantos e tantos latinos, eis que me deparo pelos corredores da feira com André Valadão que estava por ali lançando oficialmente o projeto Fortaleza em Espanhol. No penúltimo dia de feira, AV acompanhado de uma competente banda local se apresentou para um bom público e ministrou com muita qualidade em cerca de 30 a 40 minutos de showcase. Por mais que os chatos e sem noção dos seguranças com seus fones de ouvido, paramentos e traquitanas mil, sentindo-se os próprios Clint Eastwood, querendo a todo custo impedir o público de pular, dançar e ficar mais perto do palco, a interação entre Valadão e o público foi total. Ali ficou ainda mais evidenciado para este humildes observador a diferença de nível entre o que alguns artistas brasileiros hoje se encontram e os demais artistas gospel latinos. Mesmo sem ainda ter controle total da língua, André Valadão cantou, ministrou, chamou o público para participar e fez todo mundo cantar junto algumas de suas canções.

Já na quinta-feira à noite, primeiro dia do evento, também tive a oportunidade de assistir à apresentação do cantor-pressão Thalles Roberto que da mesma forma que se destacou no Brasil de forma meteórica, me parece buscar o mesmo para o mercado latino. Em algumas revistas que tive acesso no evento me deparei com diversas entrevistas publicadas, fotos em materiais promocionais da feira e mesmo música tocando na principal FM de Miami (La Nueva), ou seja, o mineiro chegou com tudo ao mercado latino. No show, a mesma performance que o público brasileiro está acostumado a ver, muito gingado, muita intensidade, muita pressão, sonoridade diferenciada, carisma e como não poderia deixar de ser alguns decibéis além da conta pra manter a tradição. Assistindo a reação do público que mais uma vez veio até a frente do palco pra interagir de mais perto com o artista (sendo novamente rechaçados pelos Charlie Bronson fakes, seguranças chatos que só!!!) me parece que a receptividade por esta nova proposta sonora está em alta.

Também merece registro que tanto Thalles como André Valadão convidaram artistas latinos para participarem de seus discos de estréia no mercado hispano. Golaço! E me parece que estamos diante de um momento bem interessante para uma maior integração entre os artistas e a música brasileira com o continente latino que por muitos e muitos anos se mostrou como algo muito distante e por vezes desimportante para nós. Outro fato que merece registro é que Aline Barros continua absurdamente conhecida em todo o meio hispano. A cantora que foi a pioneira em iniciar uma carreira paralela para o mercado hispano (infelizmente tivemos um monte de artistas gravando em portunhol achando que só isso seria necessário para conquistar as Américas! Triste engano!), ainda hoje tem seu nome reconhecido na região. Já no primeiro dia em Miami pude ouvir na La Nueva FM uma música de Aline Barros sendo executada normalmente na programação.

Um dos meus trabalhos por estes dias foi apresentar para o maior número de pessoas, justamente o mais novo trabalho de Aline Barros e o primeiro disco em espanhol da turma do Trazendo a Arca. A receptividade ao projeto de Aline Barros foi tremenda e já nos próximos dias certamente teremos suas músicas sendo executadas nas FMs latinas. Já a respeito do disco do Trazendo a Arca, especialmente 3 profissionais de rádio puderam ouvir pessoalmente ao meu lado e todos, sem exceção destacaram a qualidade da produção, da pronúncia e principalmente das músicas. Me parece que a sonoridade mais congregacional deste disco tem tudo pra cair no gosto da região.

Particularmente sempre fui muito ressabiado (só pra manter um adjetivo bem polido, porque o certo seria usar algo um pouco mais intenso) quando ouvia determinados artistas declarando em alto e bom som de que Deus tem uma promessa de uma carreira internacional. “Ele me deu uma palavra de que eu iria levar sua Palavra aos 4 cantos da terra! Oh Glórias!” Só que depois destes dias e analisando alguns outros fatores importantes como a própria questão da distribuição que hoje é um problema menor em função do crescimento das plataformas digitais, já começo a ver com bons olhos uma maior expansão de artistas brasileiros cristãos rumo às Américas. Agora, é fundamental que este tipo de projeto seja levado com a devida responsabilidade e seriedade com que deve ser tratado.

✔ É fundamental ter o controle da língua hispana! Se você pretende desenvolver uma carreira no exterior, especialmente no mercado latino comece hoje mesmo a estudar! É engraçado como todo brasileiro acha que sabe falar naturalmente a língua espanhola como se fosse um celular com 2 chips já embutidos no DNA. Não! Não é simplesmente enrolar a língua e começar a falar português com milongas portenhas no melhor estilo “La Garantia Soy Yo”. Se você não pretende se dedicar em horas e horas de estudo, então é melhor ficar por aqui mesmo!

✔ Também é fundamental tempo dedicado ao projeto! Não dá para gravar um disco em espanhol, participar de uma Expolit e depois sumir do mapa dedicando sua agenda integralmente ao país. Conheço muitos artistas que seguiram esta “estratégia”e como era de se esperar não foram a lugar algum, ou melhor, foram sim, aproveitaram a passagem por Miami pra fazer umas comprinhas porque ningém é de ferro! Pelo menos a cada 4 meses ou até menos é fundamental que o artista esteja presente na região e aí é bom frisar também que mercado latino não é Ciudad de Leste no Paraguai ou Buenos Aires, Bariloche ou Santiago. São muitos países, muitas viagens, muitos eventos sem estrutura, muitos aeroportos diminutos, muitos eventos em que você será obrigado a dormir na casa do pastor e por aí vai … ou seja, é ralação, dedicação e foco!

✔ Ainda falando de agenda … não se engane! O valor dos cachês do mercado hispano (principalmente pra quem está começando na região) está longe de manter o mesmo nível do Brasil. Então se você pensa em desenvolver um ministério na América Latina pra passar a ganhar em dólar e aumentar seus ganhos, pode mudar de expectativas! Na região latina a agenda dos artistas gospel é 90% formada de apresentações em igrejas, congressos e uns poucos shows ingressados. Também vale ressaltar que não há praticamente em país algum da região, o mercado de shows para prefeituras.

✔ Não tenha dúvida, o caminho deve ser o mesmo do início da carreira no Brasil. Ou seja, muito tempo dedicado a entrevistas, promoção, viagens, assessoria de imprensa e transpiração. Não se ilude achando que sendo o tal no Brasil as portas se abrirão no mercado latino. Isso simplesmente não irá acontecer, nem mesmo para os artistas seculares. Então se você já está cansado, não tem disposição pra enfrentar toda a maratona do início de sua jornada no meio gospel de anos atrás, então é melhor manter-se na zona de conforto e deixar para curtir a região latina em períodos de vacaciones.

E seguindo nesta linha, uma das grandes diferenças do meio gospel brasileiro para o seu similar latino é de que as mídias são absurdamente receptivas aos artistas. Por lei nos EUA toda rádio é proibida de fazer qualquer contrato comercial para executar qualquer tipo de conteúdo musical. Quanta diferença não é mesmo?

E como já falei algumas linhas acima, o momento é mais favorável aos artistas brasileiros agora também pelo fato de que a internet e as novas tecnologias possibilitam um alcance maior, com menores custos de investimento e maior agilidade. Uma dica aos artistas que hoje estão neste novo desafio é para que invistam ao máximo em vídeos e conteúdo visual.

Já vou saindo de cena porque o piloto já avisou que estamos chegando em Nashville. Abraço a todos os 66 leitores e preparem-se porque a safra de novos textos está bem intensa!

 

Mauricio Soares, jornalista, publicitário. Aproveito este espaço para parabenizar a torcida vascaína por após mais de 10 anos sem título algum ter conquistado a Champions League … ah! Não foi a Champions?!?!? Foi só o carioquinha? Então … deixa prá lá! 

 

P.S. – leve provocação baseada em tweet do flamenguista Marcus Salles. Fica o registro!

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Começo a escrever este texto a caminho de mais uma convenção internacional da qual tenho o prazer de participar. Agora é a vez de seguirmos rumo à Cidade do Panamá onde pelos próximos 5 dias terei acesso ao que vem acontecendo de mais atual no mercado fonográfico mundial, em especial, no mundo latino e ibérico. Como serão dias muito intensos pela frente, quero aproveitar ao máximo para escrever o maior número de textos para que os abnegados 66 leitores de nosso blog possam sentir-se prestigiados e estimulados a manter-se fiéis na leitura do Observatório Cristão. E por falar no blog, a nossa última novidade é a inclusão de uma ferramenta de busca por temas publicados ao longo destes 8 anos de existência. A partir de agora, com uma simples palavra-tema o leitor poderá ter acesso aos textos antigos aqui publicados. Esta ferramenta é uma lupa (bem discreta, por sinal) colocada no canto alto à esquerda. Basta clicar, digitar a palavra-tema e em seguida todos os textos publicados que contenham esta palavra ou assunto surgirão numa lista para consulta imediata. Assim facilitamos a procura e principalmente incentivamos àqueles que são mais recentes ‘observadores’ a conhecer os textos mais antigos postados por aqui.

Sem maiores delongas, até porque temos que aproveitar ao máximo as 6h40 de vôo entre a Cidade Maravilhosa e Panamá City, vamos direto ao tema deste post. Nesta semana recente, o narrador esportivo Galvão Bueno lançou um livro contando sua trajetória profissional baseada nos fatos por ele narrado em décadas de trabalho. Por mais que seja um personagem muitas das vezes contestado, é fato que Galvão Bueno é o narrador esportivo mais importante da TV brasileira e que teve acesso a momentos marcantes de nossa história esportiva. Acompanhando algumas matérias sobre seu lançamento em uma importante livraria no Rio de Janeiro e, que reuniu centenas de pessoas na fila – muitos dos quais, celebridades do mundo esportivo e jornalístico, em determinado momento Galvão Bueno comentou de como se sentia ao receber pessoas que viajaram mais de 200 quilômetros de distância, enfrentaram mais de 1 hora e meia de fila, para receber uma simples dedicatória. Galvão dizia, emocionado, de que não podia simplesmente carimbar uma assinatura de forma mecânica, mas que mesmo contrariando o bom senso, deveria dar toda atenção ao público, não só autografando mas também tirando fotos e até mesmo dedicando alguns minutos para uma pequena prosa.

O craque Junior, hoje comentarista de futebol, comentou também que para as pessoas que Galvão não conhecia, ele dedicaria uns 10 minutos de atenção. Já para os seus amigos, este tempo aumentaria para 16, 18 minutos de atendimento. Um dos mais importantes jornalistas esportivos do país, Tino Marcos, também fez questão de prestigiar o amigo Galvão e também destacar que a espera de mais de 1 hora na fila foram compensados não só com o autógrafo mas principalmente pelo carinho do autor, mesmo sendo eles extremamente próximos e cotidianamente se encontrando.

Este fato, da noite de autógrafos do Galvão Bueno serviu como um bom insight para o texto que irei desenvolver a partir de agora e que tem a ver com a realização de eventos especiais de promoção de um lançamento. O motivo deste insight é justamente porque ultimamente temos recuperado esta tradição que foi muito usada por mim em outras companhias quando do lançamento de um determinado álbum. Há uns 10, 15 anos atrás realizávamos cerca de 30 eventos como tardes ou noites de autógrafos pelo Brasil. Com o tempo, este tipo de ação foi caindo em desuso pela baixa presença do público em muitos destes eventos. De uma forma muito surpreendente, nos últimos dois anos, em especial, as tardes de autógrafo voltaram com força total e hoje são ações recorrentes em nossos planos estratégicos de marketing.

Recentemente realizamos tardes de autógrafos com 500, 800 pessoas prestigiando o artista. Em Recife, por exemplo, tivemos mais de mil pessoas comparecendo ao evento com Leonardo Gonçalves na Livraria Luz e Vida que espartanamente atendeu a todos em mais de 4 horas de evento. Só que lendo alguns comentários na fanpage da gravadora onde fazemos tradicionalmente a divulgação destes eventos, percebo como tem gente que critica a realização destas tardes de autógrafos. Os comentários vão de um simples: não tenho tempo pra ficar esperando em fila aos mais raivosos e santarrões comentários de que um artista gospel deve orar, evangelizar e não ficar distribuindo autógrafos.

 

Muda o pano …

Semana passada estive participando do programa “Antenados Pergunta” na Rede Boas Novas com a apresentação de Lincoln Lira e convidados. Em determinado momento um dos co-apresentadores me questionou se o fato de um artista gospel assinar contrato com uma empresa secular seria considerado algo como meramente profissional ou mercantilista, distante de uma visão mais purista. A minha resposta foi direta e firme, onde não via qualquer problema em trabalhar numa empresa onde todos os impostos são devidamente pagos, os artistas são respeitados e valorizados e todas as condições são oferecidas para que o trabalho deste artista fosse devidamente divulgada e propagada. E aí eu emendei a resposta dizendo que o maior problema, ou um dos grandes problemas de nosso meio tem a ver com a semântica, com o uso das palavras. E pra exemplificar lembrei que o termo artista não pode ser considerado como algo pejorativo ou de menor importância. Um músico trabalha com arte, sempre! E quem trabalha com arte é denominado “artista” e não adorador, levita, ministro ou algo do tipo. Infelizmente, creio eu, os próprios artistas do meio gospel fazem questão de reforçar o conceito de que o termo ‘artista’ não os representa. Ultimamente, depois de se auto-intitularem como adoradores, muitos passaram a um novo nível hierárquico, buscando o título de pastores como se assim conseguissem uma espécie de ISO 9000 da Santidade Suprema.

 

Voltando aos autógrafos …

A minha vontade ao ler os comentários da turma que levita e que tem asas mas que adora ficar fuxicando nas redes sociais é de sair respondendo a todos, mas o senso de auto-preservação e principalmente a mais absoluta falta de tempo não me permitem esta atitude. Não sei muitos destes ‘santarrões’ já tiveram a oportunidade de participar de um textos eventos. A minha sincera impressão é de que nunca pisaram em uma livraria para participar deste tipo de oportunidade. Uma tarde de autógrafos nada mais é do uma chance do público poder expressar seu carinho e admiração ao referido artista. É a chance de pessoas que muitas das vezes sequer tiveram a oportunidade de participar de um show (ops, culto, ministração, pra não ferir os sentimentos dos santarrões) ou evento para conhecer mais de perto um artista pelo qual possuem admiração. Nestes eventos, o que menos importa, de verdade, é o resultado econômico da operação. Geralmente as vendas numa tarde de autógrafos de muito sucesso é de 80 a 100 CDs e/ou DVDs, ou seja, uma quantidade ínfima que não irá cobrir os custos de viagem, alimentação, deslocamento, hospedagem e divulgação. Quando uma gravadora propõe uma ação como tardes de autógrafos a intenção é muito mais promocionar o artista e seu lançamento do que efetivamente fomentar vendas. Em contrapartida, um artista quando aceita participar de um evento deste tipo o que ele quer mesmo é sentir o carinho do público.

Em eventos como tardes de autógrafos o artista fica sentado numa cadeira desconfortável muitas das vezes, tendo que sorrir todo o tempo, dar atenção às pessoas que nunca viu na vida, assinando com dedicatórias inúmeros CDs, DVDs e até mesmo LPs, além de agendas, marca-páginas, papel de embrulho e tudo que possa garantir o resgistro daquele momento. Com a popularização das fotos digitais, os artistas são clicados no ritmo de um flash a cada 0,3 segundos o que invariavelmente produz fotos as mais bizarras possíveis que depois muitas das vezes serão compartilhadas nas redes sociais. Ou seja, alguém em sã consciência acha mesmo que há algum outro motivo de gravadoras e artistas realizarem e participarem de eventos desta natureza que não seja prestigiar o público? Só mesmo uma pessoa muito distante da realidade e que tem como objetivo simplesmente criticar para acreditar que uma tarde de autógrafos seja algo para incensar o ego de alguém ou para gerar receitas extras em vendas.

Além das tradicionais tardes de autógrafos muitas gravadoras e artistas também tem promovido pocket shows para incrementar ainda mais o evento em si. E este tipo de evento ainda é bem mais custoso para as gravadoras e mesmo para as lojas onde se realiza o evento, ou seja, qual a lógica disso que não seja proporcionar ao público uma experiência diferente e agradável? Para os santarrões de plantão iremos criar um evento especial que será denominado “Encontros Especiais de Dedicatórias dos Levitas e Adoradores com Ministrações Acústicas e Oportunidade para Registros Digitais”, também conhecido como tardes de autógrafos com pocket shows onde todos poderão clicar à vontade.

 

Voltando ao Galvão …

Só pra terminar por aqui esse assunto … certamente o Galvão Bueno é um dos profissionais mais bem pagos da TV brasileira. Além de jornalista ele mantém diversos negócios em paralelo e possui uma condição financeira privilegiada que o permitiria passar o resto dos anos longe do trabalho (talvez até mais umas 4 gerações pela frente!). E aí o que ele faz? Resolve enfrentar uma longa fila de pessoas para atendê-las da melhor forma possível por horas e horas. Ao fim, deve ter vendido uns 300, 500 livros, talvez. Certamente não é pela questão financeira que o Galvão dedicou seu tempo naquela noite.

 

Mais uma vez voltando aos autógrafos …

E pra zerar de vez esse assunto, só para deixar bem claro aos santarrões de plantão que pululam pelas redes sociais, quando um artistas assina um pedaço de papel ou até mesmo uma capa de um CD, a pessoa que está recebendo aquele gesto na verdade, sequer se preocupa com o valor daquela dedicatória. O que importa de verdade é a oportunidade, mesmo que durante poucos segundos, de estar próximo a alguém que ele admira, que curte sua música, que serve como exemplo ou coisas do tipo. Muitos sequer vão para uma tarde de autógrafos com discos ou papéis para receberem dedicatórias, mas para terem uma foto, uma recordação daquele artista. E para o artista, momentos especiais de carinho explícito fazem toda a diferença no dia a dia que geralmente é tão cansativo, intenso e estafante.

Lembro-me que uma vez, estava parado do lado de fora de um stand durante a Expo Cristã e um jovem se aproximou de mim. Timidamente me perguntou se eu era o Mauricio Soares. Disse que sim e aí o rapaz começou a chorar, simplesmente me pediu um abraço e disse que estava viajando desde Vitória da Conquista na Bahia para que pudesse me conhecer de perto. Me disse que era leitor do blog e que os meus textos ajudaram decisivamente para algumas tomadas de decisão em sua vida. Eu, que não tenho traquejo algum com manifestações como esta, me emocionei e tentei mudar o rumo da conversa dizendo que na verdade ele estava ali para ver os artistas e curtir a feira. E ele, imediatamente me desmentiu, ratificando que o real motivo dele ter andado tantos quilômetros era porque sabia que eu estaria no evento e que teria a oportunidade de conhecer-me pessoalmente. Este tipo de manifestação não tem preço! Até hoje guardo entre minhas lembranças aquele momento tão marcante e especial. O rapazinho me abraçou mais uma vez, trocou algumas impressões sobre a música, os artistas, a feira e saiu de cena, da mesma forma como surgiu … assim do nada!

Finalizando o texto, também quero aproveitar para orientar aos artistas de que eventos desta natureza ou mesmo uma simples abordagem em meio ao shopping, na igreja, no backstage de eventos, o público deve ser tratado com máximo respeito. Negar-se a tirar uma foto, a conceder um abraço ou mesmo a dar uma pequena atenção a um comentário é um erro gravíssimo e que deve ser evitado a todo custo. Todo artista precisa do público e deve esforçar-se para manter uma relação saudável de respeito e carinho. Lembre-se disso!

 

E vamos em frente!

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, consultor de marketing e alguém que vive diuturnamente pelo crescimento da música gospel. Por falar nisso, quero registrar minha gratidão à mídia goiana (e de outras regiões) que participou do Encontro de Mídias e Lojistas promovido recentemente. Em breve faremos em São Paulo, preparem-se!

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Na música Geni e o Zepelim, grande sucesso na voz de Chico Buarque, o autor nos conta a história de uma mulher que sempre foi “a desprezada da cidade”, porém em certo momento, atendendo ao clamor popular, esta foi a responsável pela salvação da mesma cidade que sempre a desprezou, mas passada a situação na qual se fez útil, voltou a sofrer com o preconceito e discriminação.

Feita essa pequena introdução, farei aqui com todo respeito devido, um paralelo dessa situação com a relação entre o mercado de eventos evangélicos e investidores.

Temos sido nos últimos anos responsáveis por grande parte do faturamento do mercado musical e editorial produzido no Brasil. Somos consumidores engajados, com excelente e crescente poder de consumo, consumimos internet, TV a cabo, compramos carros, televisores, geladeiras e tudo mais que há disponível no mercado e além disso ainda geramos valores sociais.

Assisti certa vez ao vídeo de apresentação do braço de eventos ligado a um grande grupo fonográfico, já no seu inicio um famoso cantor dizia: “O mercado de Live Music, cresce em média 20% ao ano, o Brasil entrou de vez no roteiro dos grandes shows internacionais e festivais, com isso é cada vez mais importante as empresas buscarem mídias alternativas em relação a publicidade tradicional e os números provam que o que mais cresce é o PATROCÍNIO”.

Em 2011 o investimento em patrocínios, globalmente falando, foi de aproximadamente U$ 48.7 bilhões e cresce em média 6% ao ano. As marcas tem se atentado a isso, pois mesmo que um produto não seja diretamente ligado a música, seu público alvo pode ser mobilizado por ela.

Em uma matéria recente do portal Meio & Mensagem, que me foi indicada por Maurício Soares como base dessa postagem, podemos ver a seguinte chamada: “Lollapalooza 2015, show de conteúdo | Ativações de patrocinadores do festival oferecem mais entretenimento, diversão e conexão com as marcas”. Outro case nesse mesmo segmento é o Planeta Atlântida que tem mais de 100 produtos licenciados com a marca do festival, entre eles uma linha de roupas que é produzida pelas lojas Renner há mais de 10 anos.

Já a nossa realidade é outra. Certa vez vi um evento que tinha o patrocínio, não desmerecendo o patrocinador que viu a oportunidade e não ficou de fora, de um lava-jato e não duvido que a veiculação de sua marca tenha acontecido à base de permuta, e olha que o evento não era pequeno!

Diante de tudo isso me faço algumas perguntas: Por que mesmo com todo o percentual societário e de consumo que representamos ainda temos que mendigar ajudas de pequenos e médios empresários para nossos eventos? Por que nossos eventos não entram na mira de campanhas publicitárias? Veicular a marca de sua empresa a eventos onde, sabidamente, bebidas e drogas rolam soltas é bacana, mas a um evento que apregoa valores não? Paradoxo absurdo!

Agora creio que meu paralelo com Geni e o Zepelim, tenha ficado mais claro. Somos bons só como consumidores mas como geradores de opinião não? Por que a partir de determinado ponto aproximar-se do Gospel não é tão bacana? Por que atrelar sua marca ou empresa a esse público parece ser nocivo?

Sei que ainda temos um longo caminho a percorrer para chegar ao porte de um Lollapalooza, Planeta Atlantida, Festival de Salvador ou outro grande evento secular, mas temos que nos movimentar, buscar qualificação, gerar conteúdo e oportunidades para que esse preconceito caia de uma vez por todas e possamos parar de ouvir “joga pedra na Geni!”.

 

Jeferson Baick – esperançoso de um dia ver grandes marcas olhando de igual para nossos eventos.

PS.: Obrigado Maurício pelo agregado ao texto!

Boa parte dos meus textos publicados aqui no blog são fruto de conversas ou fatos que vivencio. Um dos caras que ultimamente tem ocupado boa parte de meu tempo para papos profundos e inteligentes é o super competente diretor Hugo Pessoa. Apesar de sua juventude, Pessoa é alguém muito experiente, viajado, com aguçado senso crítico e uma leveza bem peculiar, característica de quem sabe o que quer e para onde vai.
E dias desses estávamos em São Paulo degustando um café num fim de tarde quando o assunto se encaminhou para a questão de oportunidade e oportunismo. E claro, por lidarmos com artistas em nosso dia a dia, o foco não poderia ser outro que não fosse a relação dos artistas gospel com o tema em questão. Falávamos sobre como alguns artistas ao longo dos últimos anos optaram por caminhos que no fim se configuraram em opções erradas. Também sobre como em alguns momentos o caminho que aparentemente é o mais fácil ou até mesmo o mais lógico acaba sendo o mais desastroso para a vida artística. Entre um e outro gole de café fomos listando alguns destes casos para ilustrar o que conversávamos naquele momento.

Sempre ouvi um ditado que diz que quando um cavalo passa encilhado não podemos deixar de subir nele. A idéia é de que a oportunidade quando passa à nossa frente precisamos ser ágeis, termos senso de oportunidade. Boa parte dos ditos populares carregam em si boa dose de sabedoria, mas também podemos considerar que nem sempre o senso comum é imune a erros grotescos. No caso do cavalo encilhado ninguém se ateve a questionar o que ele faz solto no pasto ou na estrada (!?!?). Será que ele não derrubou seu cavaleiro momentos antes? Longe de querer iniciar uma nova polêmica hípica, a verdade é que nem sempre o que se apresenta num primeiro momento como oportunidade ‘imperdível’ pode se configurar como tal após algumas análises mais aprofundadas.
E é aí que reside o cerne do nosso post de hoje. Quero me ater nos próximos minutos sobre o que é oportunismo e oportunidade na carreira artística. Prometo que tentarei ser o mais sucinto possível, apesar do assunto poder render bastante.

Em 25 anos de carreira e lidando com muitos artistas posso assegurar que já pude vivenciar experiências as mais diversas. Especialmente em nosso meio gospel, temos uma profusão de artistas talentosos. Talvez esta até seja uma das características mais marcantes de nosso meio, a absurda qualidade musical de nossos artistas. Posso assegurar que temos alguns dos mais talentosos músicos e intérpretes no meio gospel nacional. Só que talento apenas não assegura o sucesso de ninguém! Nem mesmo com muita oração, jejum, monte, campanhas … nada disso é suficiente para fazer uma carreira sólida, longeva e de sucesso. Não foram poucas as vezes em que pude conversar com artistas alertando-os sobre as transformações do mercado fonográfico … horas e horas de muita informação, muito conteúdo, dicas, sugestões, para no fim eu perceber que apenas perdi meu precioso e raro tempo!

O artista deve antes de mais nada, buscar uma carreira sólida e isso só se consegue com muito planejamento, sabedoria e senso crítico. Infelizmente alguns artistas padecem de ansiedade crônica onde todas as decisões e principalmente os resultados devem vir de imediato. Para estes, resultados de longo prazo devem aparecer em 90 dias ou antes disso!!!!! Podemos listar com muita facilidade artistas do meio gospel nacional que possuem enorme talento, que tinham enorme possibilidade de seguirem numa carreira sólida, mas que fruto desta ansiedade se deixaram levar por promessas descabidas e que os resultados foram catastróficos. Se analisarmos o histórico destes artistas iremos constatar que praticamente todos estes erraram em um determinado momento de suas vidas ao se decidirem pelo caminho do oportunismo e não pela oportunidade.
Oportunismo é antes de mais nada a chance mais fantástica de se alcançar grandes objetivos com o menor esforço. Aparentemente é tudo perfeito, mas se aprofundarmos um pouco mais a análise dos fatos iremos notar que o risco da empreitada é bem considerável. Quantos artistas optaram por assinar contrato com uma determinada gravadora porque esta prometeu presença em programas de TV? Ou então por conta de um adiantamento de royalties? Ou ainda, pela promessa de uma grande campanha de marketing? Como em todo negócio, o mercado fonográfico trabalha sobre números, projeções, realidade … duvide de promessas mirabolantes e estórias ufanistas, cheias de alegorias, sonhos … tudo muito maravilhoso! Muitas das vezes se acorda deste sonho em meio a um terrível pesadelo!

Assim como não há almoço grátis, também não há milagre em investimentos. Quem investe almeja retorno e trabalha para isso. Me assusta ainda hoje, em pleno 2015 ouvir de artistas evangélicos discursos no melhor estilo “Poliana de ser” como se vivêssemos no mundo ideal. Não há espaço para isso! Na verdade, nunca houve e hoje em dia, uma gravadora precisa antes de mais nada, fazer contas e caminhar de forma segura em suas apostas. Não há lugar para amadores neste meio! E é justamente aí que reside a diferença entre aqueles que querem ter uma carreira sólida, adequada às novas demandas e realidades do mercado, adaptada aos novos consumidores, ciente das novas ferramentas e ações estratégicas e aqueles que querem insistir em mentalidades arcaicas e defasadas.

Oportunidade é sobretudo ter capacidade de analisar diferentes aspectos para se alcançar uma posição coerente para o futuro. Quem tem poder crítico para analisar oportunidades certamente terá resultados muito mais consistentes em todos os aspectos da vida pessoal e profissional. Quem tem senso de oportunidade não se impressiona com o destino final, mas procura conhecer melhor a rota para se alcançar a este destino. Não importa se esta estrada é de difícil acesso, mas procura saber, de verdade, o que irá encontrar no fim da viagem. E falando em termos artísticos, a grande graça de tudo é justamente prolongar ao máximo sua capacidade inventiva e criativa. É tão interessante ouvir de grandes artistas sobre o prazer que estes têm em estar no palco depois de anos e anos de carreira. Este prazer só tem aquele que soube conduzir saudavelmente sua trajetória.

Se é você é um jovem artista ou mesmo um decano das artes, cada dia se torna mais primordial a forma como se lida com as oportunidades. Não opte em seguir caminhos fáceis. Não dê ouvidos a promessas vazias. Antes de mais nada, analise se a fonte das promessas tem em seu portifólio grandes realizações. O que te leva a pensar que mesmo errando em todas as outras oportunidades, com outros artistas, justamente contigo será diferente? Não se iluda … até porque o maior prejudicado neste caso, será justamente você mesmo! Não transfira a responsabilidade do seu sucesso para terceiros! Isso é bem comum no meio gospel e acabamos lidando com uma geração de artistas-que-reclamam-de-tudo-e-que-nunca-têm-culpa-de-nada!

Não curto muito a estratégia de alguns artistas de ficarem trocando de gravadora a cada novo contrato. Sinceramente não vi um único artista se dar bem ao se utilizar desta tática ao longo destes anos todos de estrada. Geralmente estes vão perdendo força, vão se enfraquecendo no mercado, vêem suas obras sendo tratadas como produtos de segunda linha por parte das empresas e pelo próprio mercado, enfim, literalmente prejudicam-se absurdamente num autêntico harakiri artístico. Em 99% dos casos, estes artistas foram tomados pelo senso de oportunismo, buscando promessas e fatos que iriam transformar suas vidas. Ilusão. Pura ilusão! A boa oportunidade é aquela que traz responsabilidade, que apresenta resultados sólidos e de longa duração. Qualquer coisa diferente disse será apenas estória e disso já estamos todos fartos! Pelo menos eu …

Mais seriedade e mais resultados! Mais oportunidade e menos oportunismos. Mais profissionais e menos oportunistas. É só o que eu espero!

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista e cada vez mais focado em fazer diferença no mercado, mesmo que para isso eu venha perder algumas oportunidades.

O Observatório Cristão sempre foi um projeto que levei com muita tranquilidade. Jamais impus a mim mesmo qualquer tipo de obrigação, cobrança ou algo do tipo. Na verdade, a única regra que procurei seguir desde sempre, foi com relação à qualidade dos textos publicados. Nestes mais de 7 anos de atuação criamos um bom ‘estoque’ de posts que de alguma forma servem para traduzir o que de fato aconteceu em nosso meio nestes últimos anos.

O fim de 2014 foi frenético pra mim. A impressão foi de que as portas se fecharam e tive que sair correndo para não ter o risco de ser deixado do lado de fora e, nesta necessidade de ‘correr’ acabei deixando de lado a obrigatoriedade de manter atualizado este blog. Portanto, peço desculpas e tento justificar essa enorme ausência de conteúdos inéditos nestas longas semanas. A verdade também é que acabei sendo atingido por uma sensação moribunda pós-eleições que me tirou o ânimo para muitas coisas e entre elas, o hábito de escrever e mesmo de exercitar minha verve humorística e sarcástica, tão presentes por aqui.

Não começo o novo ano renovado, esperançoso ou mesmo descansado. Os acontecimentos extremistas recentes com terroristas muçulmanos (ou melhor, ignorantes, até porque isso não tem nada a ver com religião!) cortando cabeças ou matando civis inocentes não me trazem qualquer espírito de renovação e esperança neste momento, não mesmo! Além disso, dia a dia recebendo notícias sobre a grave situação econômica de nosso país e os sucessivos escândalos políticos também não contribuem em nada para criar um ambiente e expectativas tão festivas para 2015. Ou seja, o ano começa pesado e as nuvens no horizonte não são nada alvissareiras, pelo contrário, são bastante tensas!

E em termos de mercado fonográfico gospel tupiniquim o novo ano deve trazer algumas novidades já que em 2014 não consigo destacar grandes projetos que fizeram grande diferença em nossos arraiais. Talvez a grande ‘novidade’ do ano que passou foi o crescimento do cantor e compositor Anderson Freire tornando-se um dos mais requisitados em eventos e com grande resultado de vendas de seus projetos nas lojas. O capixaba conseguiu colocar-se num novo patamar no mercado gospel onde já se encontram nomes como Aline Barros, Damares, Fernandinho, Thalles e mais uns 2 ou 3 artistas. O ano de 2014 no Brasil foi mesmo focado na Copa do Mundo e nas eleições … nada muito além disso!

Pra não ser injusto, também preciso incluir nos destaques de 2014, Leonardo Gonçalves que reposicionou sua carreira em uma nova categoria. O projeto “principio” alavancou a carreira do talentoso artista e ele chegou ao fim do ano como o DVD mais vendido no segmento em todo o país.  Quem ainda não conferiu este projeto, não deve perder mais tempo e se deliciar com um dos melhores projetos já lançados em nosso mercado em todos os tempos. Padrão internacional!

Para 2015 entre os grandes lançamentos, um dos mais aguardados será, sem dúvida, o novo DVD da cantora Damares que deve chegar às lojas em março deste ano. Uma megaprodução com direção de Hugo Pessoa, o projeto conta com a participação especial de Thalles e uma super estrutura de luz, palco e som. A produção musical ficou a cargo do competente Melk Carvalhedo. Já assisti à edição do projeto e posso assegurar que com este projeto a música pentecostal seguirá um novo rumo e tendência a partir de então. É esperar e conferir!

Não sou muito afeito a apostas, a exercícios de projeção, ou em termos mais pentecostais, em ‘profecias’ ou ‘profetadas’. Mas vou me arriscar e apontar um nome que tem tudo para ser o grande artista de 2015. Na minha modesta opinião, este ano que se inicia veremos a cantora Gabriela Rocha como maior destaque da música gospel no país. Seu talento, belo trabalho recém-lançado, sua performance, seu carisma e principalmente sua incrível capacidade de interpretar farão toda a diferença neste ano em nosso meio. Em seu segundo trabalho, o álbum “Pra Onde Iremos?”, com produção de Daniela e Jorginho Araújo, Gabriela Rocha se apresenta como uma intérprete madura, segura de si, com muita unção, sabendo lidar com todo seu potencial vocal, com excelente repertório e muita vontade de trabalhar! Com enorme força nas redes sociais, Gabriela vem se destacando em diferentes regiões do país e como reflexo, sua agenda está completamente abarrotada de compromissos já no início do ano. Se você ainda não teve contato com este álbum, vale a pena conferir! A boa notícia é que nesta semana, seu primeiro clipe deste trabalho estreou no canal da artista na VEVO. Você confere esse vídeo aqui mesmo no blog!

Como ainda estou meio “enferrujado” vou ficando por aqui. Prometo voltar nos próximos dias como mais posts inéditos.

 

Mauricio Soares, jornalista, publicitário

Há poucos dias atrás recebi as masters do CD e DVD “principio” – Sim! Em minúsculo e sem acento, solicitações do próprio artista, não me pergunte a explicação – projeto do absurdamente talentoso amigo Leonardo Gonçalves. Para quem não tem conhecimento deste projeto, o DVD foi gravado em junho de 2013 no Teatro Bradesco em São Paulo. Inicialmente programado para acontecer em uma única sessão, as gravações foram realizadas em 2 noites em função da meteórica venda de ingressos (poucas horas, sold out!).

Certamente que os 66 assíduos leitores deste blog irão concordar que é absolutamente rara a oportunidade em que utilizo este espaço para falar de projetos de artistas e, principalmente se estes são lançados pela empresa em que atuo. Definitivamente não utilizo este espaço para auto-promoção ou para ações de merchandising. Nestes mais de 7 anos de publicação, que eu me recorde, apenas escrevi por aqui a respeito do projeto “Os Arrais”, um dos álbuns que eu mais me orgulho de ter acreditado e lançado em 25 anos de estrada. Pois agora, sinto-me mais uma vez incentivado a dedicar meu tempo e este espaço tão importante (para mim, pelo menos!) para falar um pouco deste projeto que chegará às lojas em poucas semanas.

Antes de mais nada, vale aqui o registro de que a demora no lançamento do DVD se deveu única e exclusivamente pela forma criteriosa e perfeccionista com que o Leonardo Gonçalves trata de suas produções. Se não me engano, em setembro do ano passado tive a oportunidade de conferir boa parte do DVD em companhia do diretor (e não menos talentoso!) Hugo Pessoa. Só que algumas pessoas são perfeccionistas, no caso do Leo, a questão é bem mais grave! O rapaz tem uma espécie de TOC, o que o torna uma pessoa atenta a detalhes que nem o mais arguto observador consegue identificar. E nessa obsessão em achar a sonoridade, o acabamento perfeito, o artista alongou por alguns (muitos!) meses o processo de finalização. E depois de tudo, creio que se alguém perguntar a ele se realmente o projeto está finalizado, certamente receberá como resposta algo do tipo: eu não terminei, apenas o abandonei … nada mais típico!

Espero que o Leonardo Gonçalves não leia esse texto, acho que ele não está entre os meus 66 leitores … então posso confessar que assistindo e ouvindo o projeto tanto em DVD como CD, a sensação é de que a espera valeu cada dia porque o resultado final é simplesmente assombroso! Se ele, por algum descuido ler esse meu comentário, corro o risco do próximo projeto dele levar mais uns 5 anos …

Falar do projeto “principio” é muito simples. Primeiro, delete todos os conceitos de qualidade, sofisticação, modernidade e sonoridade que você tem até hoje dia. Desopile-se completamente! Zere tudo! Aperte o botão de Reset e busque uma posição confortável em sua poltrona para começar a ser impactado por algo até então inédito nos arraiais da música gospel nacional, sem dúvida, e talvez até mesmo internacional.

Este texto eu comecei a escrever em minha recente viagem para Maringá. Como quase sempre acontece, finalizo o texto em outra oportunidade ou viagem. Neste momento estou em Curitiba para 4 dias de muitas reuniões, visitas e compromissos pessoais. Quando tenho o insight de um tema para publicar no blog, praticamente todo o escopo do texto já vem à minha mente. Neste caso específico o insight surgiu pelo impacto assombroso pelo qual fui acometido ao assistir este projeto. Hoje cerca de uma semana após receber a máster confesso que já assisti a este DVD nada menos do que 6 vezes na íntegra. Algo muito incomum para mim, principalmente pela absoluta escassez de tempo disponível!

Então, na semana passada comecei a escrever uma espécie de release deste projeto trazendo comentários faixa a faixa. Só que me faltaram adjetivos e percebi que o meu texto estava ficando muito repetitivo. Além do mais, na área de Extras, Leonardo inova mais uma vez colocando a opção de ‘música comentada’ ou algo do tipo, que nada mais é do que o próprio artista em companhia do diretor Hugo Pessoa, comentando cada um dos momentos do DVD. Esta iniciativa é uma espécie de bate papo entre estes dois criativos profissionais explicando todo o projeto. Vale muito a pena conferir também esta versão! Dessa forma, minha linha de texto mais voltada ao release do produto tornou-se inócua e com toda a humildade, paupérrima diante de comentários dos próprios mentores do projeto.

Sendo assim, este meu texto servirá tão somente para destacar alguns aspectos que me chamaram a atenção neste projeto. O primeiro que me salta aos olhos é justamente a simplicidade do projeto. O DVD não conta com painéis de alta definição de imagens, cenário moderno, elementos cenográficos, diferentes níveis de palco, fumaça, iluminação frenética ou algo do tipo. Tudo ali é meticulosamente cool, a começar pelo figurino dos músicos, do próprio artista e mesmo do cenário que nada mais é do que o próprio backstage do palco. O projeto de ”principio” é totalmente baseado no conceito sofisticação. O próprio ambiente do teatro Bradesco já traz essa aura de qualidade e sofisticação ao projeto facilitando e indicando caminhos para o projeto em si.

A iluminação é outro forte destaque do DVD. A cargo do competente Marcos Olívio, a iluminação traz o tom certo para que a fotografia mantenha o conceito de sofisticação. Esqueça cores e movimentos frenéticos. Ali tudo é levemente tratado a criar ambiência para cada momento do projeto. Trajando um elegante terno, Leonardo Gonçalves nos faz lembrar os antigos crooners à frente de orquestras de jazz band dos anos 50. Em determinado momento pode até se imaginar que o cantor irá deslizar pelo palco em alguns passos a la Fred Astaire, mas isso não acontece. O que o intérprete prefere ao longo do DVD é trazer pequenas intervenções onde de alguma forma expõe conceitos e mensagens sobre o Reino de Deus. Mesmo nesta hora, Leonardo tem o timing correto sem se alongar por longos e intermináveis momentos de ministração. Mais um ponto a seu favor!

Outro destaque do DVD são as duas participações especiais de Daniela Araújo. Na primeira entrada, a pequena cantora chega “com faca nos dentes” e defende sua canção com uma energia e vitalidade de tirar o fôlego. É impossível assistir a música “Verdade” e permanecer incólume, impassível. Pelo menos para os mortais e amantes da boa música. Na última canção do DVD, Daniela retorna ao palco numa versão bem mais contida. Suave. Profunda. O dueto em “Princípio e Fim” fecha com maestria todo o projeto e deixa a todos uma sensação de êxtase por estar diante de um projeto fantástico! O DVD também conta com a participação de Sir Edward Tambasco, como Leonardo anunciou. Quem não ligou o nome à pessoa, trata-se de Duca Tambasco, baixista do Oficina G3 que participa tocando baixo acústico na canção “There”.

O repertório do projeto reúne grandes sucessos dos trabalhos lançados pelo cantor, com maior ênfase no mais recente, “Princípio e Fim” e ainda algumas canções inéditas. Há espaço para uma canção do projeto hebraico Avinu Malkenu, para canções dos primeiros projetos e ainda, como não poderia deixar de ser, para a canção Getsêmani, talvez um dos seus maiores sucessos de carreira. Nesta música, Leonardo recebe no palco uma seleção de craques que participam de boa parte das produções musicais nos backing vocals e em algumas vezes até mesmo em alguns duetos. Por falar em Getsêmani, o vídeo desta canção acaba de ser liberado no iTunes e em menos de 24h já chegou ao topo (feito pela segunda vez alcançado por Leonardo Gonçalves e só ele fez isso até hoje no segmento gospel) do ranking de vendas do iTunes.

Como este texto vem sendo escrito há alguns dias e creio que somente agora conseguirei finalizá-lo, nesta ocasião já na rota Rio de Janeiro x Vitória, cabe ainda informar aos meus diletos 66 leitores do Observatório que no dia 21 de novembro foi liberada a pré-venda do álbum “principio” no iTunes com faixa bônus e tudo mais. A expectativa pelo lançamento deste projeto está tão alta, que em pouco tempo como já mencionei no parágrafo anterior o vídeo assumiu o topo do ranking, mas não para por aí, porque o álbum já se colocou na lista dos mais vendidos alçando à quarta posição entre todos os lançamentos e assumiu a liderança isolada nos produtos de pré-venda, ou seja, Leonardo segue quebrando recordes, estabelecendo novos padrões e conquistando cada vez mais o respeito de todo o mercado, secular inclusive.

Ao longo de minha trajetória profissional tenho alguns projetos que se destacam no meu currículo e dos quais tenho muito orgulho de ter coordenado ou participado e, sem dúvida, “principio” encontra-se neste seletíssimo ranking. Este não é um projeto de tempo determinado, sinceramente creio que daqui há 10 anos ele se manterá atualíssimo, interessante, diferenciado. Tenho que publicamente destacar o talento e dedicação de seu principal personagem, Leonardo Gonçalves, um artista que tem muito a progredir pelos próximos anos e de quem certamente teremos muito a ouvir e a falar de sua arte. E também, registrar minha admiração pelo profissionalismo, dinamismo, criatividade e qualidade do diretor Hugo Pessoa. Esta dupla certamente tem muito a nos presentear ainda pelos próximos anos!

Se você ainda não teve a oportunidade de conferir ao menos uma parte deste projeto, sugiro que o faça o quanto antes. O CD “principio” chega às lojas nos próximos dias e sua versão em DVD estará disponível no formato físico por volta do dia 04 de novembro em todo o mercado. A pré-venda digital já está disponível e neste caso, com faixa bônus e tudo mais.

Aproveitem!

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, alguém que curte a boa arte e que neste próximo domingo votará por reais mudanças no país e isso significa claramente #ForaPT #ForaDilma #ChegadeCorrupção !!!