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Na semana passada um renomado produtor musical me apresentou o trabalho de uma jovem artista. Em se tratando de um projeto por aquele profissional tão conceituado e principalmente por ele ter se esforçado em me apresentar, é óbvio que a atenção com o referido disco deveria ser diferente do usual. O recebi em meu escritório, reservei boa parte de minha agenda e ainda ouvi atentamente cada uma das canções daquele CD. Em determinado momento ele começou a elencar o time de compositores e já foi adiantando que todas as músicas tinham contrato de exclusividade de interpretação por 5 anos, devidamente pagos aos seus respectivos autores.

Coincidência ou não, já na segunda canção, identifiquei-a como tendo sido gravada anteriormente por 2 artistas há alguns anos atrás. À época inclusive, as duas cantoras usaram a mesma música como single e os lançamentos de ambas foram feitos em períodos iguais. Ou seja, frustração por todos os lados.

Na tarde de hoje, antes de embarcar para São Paulo onde terei 1 noite e 1 dia intenso de trabalho, participei da audição de um novo projeto que lançaremos em breve. Depois de conferir todo o trabalho (excelente por sinal!) ouvi da cantora a decepção por ter gravado uma canção que até então julgava ser inédita e que na verdade, também havia sido gravado por outra artista independente que também estará lançando um novo disco nas próximas semanas. Inclusive esta artista não só apostava suas fichas nesta canção como colocara o título do CD sendo o mesmo desta música.

Se fizermos uma pesquisa sobre fatos como este no meio dos artistas gospel, veremos que isto acontece com relativa frequência e se repete especialmente com determinados compositores medalhões de nosso circuito. Há uma lista de compositores já bem conhecidos que “venderam” suas músicas para 4, 5, 6 artistas gravarem no melhor estilo produção em série. Há alguns anos atrás, quando artistas regionais ficavam muitas das vezes restritos a algumas cidades ou estados, e assim esta prática da “venda de músicas no atacado” se mantinha com relativa tranquilidade. Afinal, até determinado artista do norte do país ter conhecimento de que outro cantor lá de Santa Catarina também havia gravado a mesma música isso poderia demorar anos ou nem mesmo acontecer.

No entanto, hoje em dia, com o advento da web e da comunicação instantânea, ficou muito mais difícil ‘camuflar’ esta  multiplicação de artistas gravando as mesmas músicas. Ou seja, em pouco tempo artistas isolados quilômetros de distância têm conhecimento de que acabaram de cair no “conto da exclusividade” e, assim, automaticamente entram no rol de frustrados e decepcionados pela falta de palavra e comprometimento  por parte dos seus amados compositores.

Depois de muitas histórias como esta, os artistas resolveram criar alguns artifícios para sua auto-proteção. Entre as mais usuais está o contrato de uso exclusivo por tempo limitado. Ou seja, o artista firma um contrato com o compositor onde este se compromete a não ceder para outro a referida canção. Estes contratos geralmente têm cláusulas de multas e penalidades e todo tipo de regras bem claras. O problema é que há compositores assinando a torto e a direito estes contratos e mesmo assim, liberando suas canções “exclusivas” para o primeiro que assinar a folha de cheque. Absurdo dos absurdos!

Tenho orientado os artistas a agirem de duas formas nestes casos. O primeiro é fazer valer o que está em contrato. E neste caso é fundamental que o contrato seja redigido por um advogado capacitado e esteja de acordo com a nossa legislação.  Todo contrato apresenta direitos e deveres e se o artista está dentro de seus direitos que o faça valer integralmente. Confesso que não me recordo até hoje um único caso de compositor que tenha sido acionado judicialmente por algum artista que se sentiu prejudicado nesta área. Esta falta de uma ação mais incisiva apenas  estimula este tipo de compositor-mercador a continuar ludibriando sua clientela.

A outra opção, e esta sim julgo ainda mais incisiva, é simplesmente não gravar músicas destes compositores-camelôs que se julgam indispensáveis. De acordo com as próprias leis que regem o comércio, a falta de demanda automaticamente impõe mudanças drásticas na condução do negócio. Ou seja, se estes compositores são colocados na geladeira dos artistas, a expectativa geral é de que eles mudem a própria conduta tornando-se mais ciosos de suas atitudes.

É importante frisar que um compositor não garante o sucesso de um projeto. Me impressiona como no meio gospel há modismos até na questão de compositores ou mesmo produtores. Quando um determinado compositor assina um hit, todos os produtores e artistas passam a assediar esse compositor como se tivessem achado uma mina de ouro e dali brotassem pepitas do minério a toda hora. É claro que em determinados um compositor ‘acerta a mão’ e vive uma fase próspera de boas letras e melodias, mas isso não se dá como se estivéssemos diante de uma produção em série da Fiat produzindo bólidos de minuto a minuto. Geralmente um compositor tem algumas boas canções e quando ele realmente vira uma celebridade, sua produção já está reservada por um artista medalhão. Quando artistas independentes e de menor expressão o descobrem, na absoluta maioria das vezes têm acesso a músicas de qualidade inferior ou então recebem músicas que já foram enviadas para outros 50 artistas.

Muitos artistas optam em incluir músicas destes compositores hitmakers em seus repertórios como se assim estivessem garantindo um bom repertório. Ledo engano. O que garante um bom projeto artístico é uma minuciosa e criteriosa pesquisa. Sem transpiração, não há inspiração. Não há nada mais importante num projeto musical do que o repertório. Coloco esta última afirmação em negrito, mas o ideal seria colocar em letras garrafais! O sucesso de um disco começa e termina na boa escolha das canções que irão fazer parte do repertório. Todo o mais será um complemento para destacar a qualidade das músicas selecionadas.

Conversando com o mesmo produtor citado no início deste texto, lembramos de que na pré-produção de um determinado projeto, a artista passou mais de 1 ano coletando canções e ao fim selecionou pouco mais de 50 músicas. Estas, uma a uma foi conferida atentamente por todos nós para que ao fim do processo de seleção chegássemos no repertório final do CD. A última fase de seleção, aconteceu na casa da artista por volta das 3 horas da manhã quando todos estávamos completamente exaustos, mas completamente cientes de que tínhamos em mãos um grande repertório. Coincidência ou não, este tornou-se um dos maiores lançamentos do mercado nos últimos tempos.

Concluindo, dê a devida importância na seleção do repertório. Não opte por caminhos mais fáceis e ágeis. Escolha de repertório não impõe prazos, mas responsabilidade e critério. Um repertório mal escolhido irá definitivamente produzir um disco fraco! E por fim, não torne-se refém de compositores da moda. Pesquisando bem, sempre iremos encontrar novos compositores, com novas propostas e quem sabe, grandes sucessos!

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, alguém que já ouviu bizarrices estrondosas na seleção de repertórios e ao mesmo tempo, também teve enorme prazer em ver surgir grandes sucessos em processos exaustivos de pesquisa.

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O mês de setembro é, sem dúvida, um período especial em meio a todos os outros meses do ano. É no mês de setembro que comemoramos a chegada da primavera, estação do ano que nos traz uma sensação de renascimento, de frescor, da mudança da natureza, em especial do desabrochar das flores, do esplendor das plantas e tudo mais. É um período onde, especialmente em outras regiões do planeta onde o inverno é bem rigoroso, a mudança do clima e a sensação de que o verão está prestes a chegar mudam os ânimos de todos.

Também acho que a partir deste mês é que nos damos conta de que boa parte do ano já se foi e de que a partir de agora começa oficialmente a contagem regressiva para as festas natalinas, o novo ano que se avizinha.

E antes que os atentos 66 leitores deste blog comecem a pensar que meu calendário está confuso porque este texto está sendo publicado em pleno mês de outubro, me adianto a explicar que o início da criação deste post se deu dias atrás, ainda no mês de setembro, entre uma viagem do Rio de Janeiro para a capital paulista. Agora finalizo este mesmo texto no saguão do aeroporto Santos Dumont onde daqui a pouco sigo para uma viagem bate e volta até Campinas. Como não vi necessidade de mudar o lead do texto, sigo escrevendo incensando o mês de setembro.

Vamos de volta ao texto …

Nos últimos 10 anos e um pouco mais, o mês de setembro também significou no mercado evangélico do Brasil o período dos grandes lançamentos, fossem eles na área fonográfica, editorial ou mesmo de confecções e afins. Afinal, era justamente no mês de setembro que todos os anos acontecia a Expo Cristã, que na verdade surgiu sob o nome de FICOC – Feira Internacional do Consumidor Cristã. Tenho orgulho de ter participado de todas as edições deste evento como expositor, em diferentes empresas. A primeira edição foi no ExpoMart Center, na Vila Guilherme, em São Paulo, uma espécie de shopping desativado. Um local meio esquisito, mas que acabou atendendo às metas estabelecidas. Já na primeira edição a presença de expositores, lojistas e até mesmo público consumidor foi bem interessante e serviu de estímulo para novas edições nos anos seguintes.

A tristeza neste momento é porque emprego o verbo “acontecer” no passado, afinal a Expo Cristã não aconteceu em 2013 e novamente neste ano não foi realizada. Em 2013 foi realizada a primeira edição da FIC promovida pela Geo Eventos, mas assim como a própria organizadora do evento, a feira não sobreviveu a uma segunda edição. Ou seja, o mercado ficou órfão de uma feira oficial do mercado reunindo os grandes players em diferentes setores. E pelo andar dos acontecimentos e a tradicional falta de coesão reinante no mercado, a possibilidade de não termos mais uma feira nos moldes anteriores é bem real.

Todo grande ramo de negócios tem uma feira oficial a cada um ou dois anos. Isso acontece na área de molas de caminhão, de produtos de segurança, de games, de produtos fisioterápicos, de turismo, indústria automobilística, informática e por aí vai … então como pode um mercado que vem crescendo em número de consumidores ano a ano, que possui importantes players em diferentes áreas, mídias segmentadas, canais de distribuição próprios, não ter uma única feira em nível nacional?

Para não ser injusto ou mesmo tendencioso, cabe registrar que a ASEC, entidade que reúne as principais editoras do segmento evangélico no país, realizou nos últimos anos a FLIC, espécie de Expo Cristã exclusiva para o mercado editorial – entre outras justificativas, o fato de não contarem com a presença de gravadoras neste evento era porque assim não teria barulho! Realmente, na primeira e última vez em que estive neste evento, o silêncio era absoluto, quase sepulcral. Só que em 2014, a ASEC resolveu juntar suas forças (e silêncio!) com o Salão Internacional Cristão, outra feira que foi realizada nos últimos anos sem ter conseguido muita relevância no mercado e principalmente de público e expositores.

Coincidentemente estava em São Paulo na época em que este evento reunindo as 2 feiras aconteceu em São Paulo, no Espaço Imigrantes. O evento aconteceu faz 2 ou 3 semanas atrás e a minha expectativa era a menor possível, afinal mesmo sendo uma pessoa bastante atenta às novidades, notícias e tudo o que ocorre no meio, até então não havia recebido informação alguma do evento. Ou seja, a possibilidade de não me deparar com uma feira nos moldes da Expo Cristã era real e de fato foi o que encontrei numa visita que não durou mais do que 50 minutos. Sim! Em parcos minutos consegui dar uma olhada panorâmica em toda a feira, conferi os stands, revi alguns amigos e pude conferir tudo com muita tranquilidade, pois afinal a presença do público naquele local era a menor possível. Ainda assim acabei recebendo 6 CDs (para ouvir com carinho, sempre!), conversei com uns 2 artistas independentes e tirei umas 2 ou 3 fotos. Ou seja, frustração geral, irrestrita, absoluta.

Recordo-me que em meus tempos de Line Records, com um stand de mais de 400 metros quadrados (quase um latifúndio!), montamos uma estrutura que contava com massagistas atendendo aos lojistas em pausas relaxantes, máquina de chocolate derretido distribuído a todos os visitantes e ainda, um touro mecânico. Pra completar, para o stand levamos a impressionante quantidade de 220 mil CDs e DVDs para serem comercializados em 6 dias de feira. Montamos uma verdadeira Muralha da China com caixas e mais caixas empilhadas pelo stand e corredor da feira. Artistas, lojistas, mídias, público de todo o Brasil marcavam presença na feira. Era uma grande festa, uma oportunidade para rever amigos, fazer novos contatos e principalmente divulgar e fazer bons negócios. Numa destas edições, já pela Graça Music, lembro-me que lançamos 16 títulos diferentes durante a feira, o que garantia sempre visibilidade e muito movimento no stand.

O clima nem sempre era amistoso. Tínhamos constantes embates com a organização da feira, principalmente pela questão da poluição sonora (e que barulho!) dos stands cada qual competindo em muitos decibéis para ter a atenção do público e sobrepujar a concorrência. Meninice absoluta! Algumas edições depois, pessoalmente percebi que essa babel sonora não levava a lugar algum e mais afugentava do que aproximava os clientes. Então, a partir desta constatação, nos nossos stands nem aparelho portátil de som levávamos. Mas além do barulho, a feira também era conhecida pelo enorme afluxo de pessoas. No sábado, em especial, as hordas de adolescentes, jovens, gente de todo tipo, idade, denominação e estilo se acotovelavam pelos cada vez mais estreitos corredores da feira. No fim do dia, a imagem era dantesca com pilhas e pilhas de lixos amontoados nos corredores típico do “Lixão de Gramacho” em Duque de Caxias.

Antes mesmo do início da feira a tensão era clara com a organização e principalmente as montadoras que não cumpriam prazos e sempre atrasavam a entrega dos stands para os expositores. Até uma certa fase, havia uma clara disputa entre os expositores para ter o mais nababesco espaço na feira. Alguns stands traziam projetos carnavalescos com 2 andares, muita suntuosidade, o que poderíamos hoje definir como o stand-ostentação. Ao fim da feira, na hora do desmonte dos stands, sempre me batia uma tristeza, uma angústia ao ver que aquela ‘casa’ que nos acolheu por 6 dias não existiria mais daqui alguns minutos. Muito interessante como, mesmo com cansaço absurdo, ainda sentia falta daquele tumulto alguns dias depois.

A Expo Cristã não era para amadores. Definitivamente não! Tinha muitos problemas de gestão, muitos ajustes a se fazer … sem dúvida! No entanto, o mercado evangélico se tornou órfão com a descontinuidade deste projeto. E infelizmente não vejo muita chance desta situação ser revertida nos anos mais próximos. O nosso meio sempre foi marcado pela absoluta falta de visão de grupo, de associação, de interesses mútuos em prol de algo mais relevante. Faltam lideranças, executivos, empreendedores que tenham disposição para fazer algo que realmente beneficie o mercado. No melhor estilo haraquiri, o próprio mercado vem contribuindo para o enfraquecimento deste ambiente de negócios.

Como forma de tentar suprir esta perda da Expo Cristã, algumas promotores de eventos regionais investiram na realização de feiras similares. Neste ano tivemos a Gospel Fair em Goiânia que tem tudo para se firmar no calendário pelos próprios anos. A Expo Evangélica de Fortaleza segue forte depois de 10 anos de realização e se consagra como a principal feira cristã do Nordeste do país. Para 2015 já foi lançada uma feira em Natal/RN com a organização da equipe da boa revista Propagar. E ainda em 2014, o Vale do Paraíba em São Paulo, às margens da Via Dutra, comemora a realização da Expo Vale em São José dos Campos, evento que por sinal, estarei conferindo pessoalmente. Todas estas iniciativas são válidas, mas estão anos luz de distância do que já foi a Expo Cristã!

Meu desejo é de que um dia possamos ter novamente uma feira que conte democraticamente com editoras, mídias, gravadoras, promotores de eventos, empresas de suprimentos para igrejas, confecções e todo tipo de empreendimento que contribua para uma melhora do mercado gospel e da própria igreja evangélica brasileira. Esta é minha expectativa.

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, alguém que já carregou muitas caixas de CDs nas costas, que recebeu em torno de 2 mil CDs, DVDs, pastas, releases, fotos, CDRs e afins durante anos e anos de feira.

P.S. – Este texto é dedicado ao grande amigo Eduardo Berzin, empreendedor do mercado gospel que teve a coragem de investir na realização da feira e que hoje faz muita falta a todos nós.

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Dias atrás fui convidado a dar uma palestra para profissionais de mídia no Rio de Janeiro. O evento foi uma realização da ABME, Associação Brasileira de Mídias Evangélicas, criada recentemente por alguns profissionais que já militam nesta área há alguns anos e que depois de muito tempo resolveram se juntar em prol de algumas metas e objetivos, onde o principal seja a maior profissionalização do segmento dentro de conceitos e de uma ética cristã. Vejo esta iniciativa como algo louvável num meio em que são raras as associações de classe ou grupos com interesses distintos unidos em objetivos mais nobres. É impressionante como no meio evangélico brasileiro somos tão carentes de associações neste sentido. O que temos em profusão neste ambiente são conselhos de pastores ou similares, mas estes, salvo raras exceções, estão mais preocupados em questões menos nobres como maior representatividade junto a prefeituras, candidatos à política e afins.

Mas voltando à palestra, o tema proposto foi baseado num texto publicado aqui no Observatório Cristão. Um texto até relativamente recentemente publicado e que abordava a questão das novas ferramentas utilizadas no mercado fonográfico como as redes sociais, o vídeo e seu importante papel de popularização dos artistas e músicas, entre outras ações. Procurei adaptar este texto à plateia presente ao evento, na esmagadora maioria formada por donos de jornais e revistas. No Rio de Janeiro há uma tradição muito interessante dos jornais segmentados. Há uma cultura, que não se repete em outras partes do país, da publicação de jornais de bairros, temáticos e de colunas sociais. Essa mesma cultura se repete no meio gospel fluminense onde há uma profusão de títulos de jornais, alguns com mais de 15 anos de estrada. Ou seja, verdadeiros highlanders!

Na palestra falei rapidamente sobre as novas tecnologias, sobre a necessidade destes jornais investirem em versões on line possibilitando assim que as notícias sejam mais atualizadas e tornando-se referências de jornalismo cristão de qualidade. Dei o exemplo de que diariamente acesso a alguns sites de notícias buscando informação atualizada em tempo real e de como somos carentes deste tipo de portais no meio gospel. Quando um jornal gospel tem um site, geralmente este espaço apenas reproduz a versão impressa, ou seja, a notícia fica completamente desatualizada, pois estes jornais em sua grande maioria são mensais ou até trimestrais. Então, uma das sugestões na palestra foi de que estes veículos de comunicação investissem em plataformas digitais de notícias. Mencionei a necessidade de aplicativos, de newsletters e também sobre uma política de CRM.

Abrindo espaço neste assunto, perguntei aos presentes sobre quantos daqueles profissionais trabalhavam tecnicamente com pesquisas, com dados dos leitores, perfil dos consumidores e informações estratégicas. O silêncio foi retumbante e constrangedor. Falei ainda da diferença entre “bando de dados” e “banco de dados”. O primeiro seria apenas um monte de e-mails sem nexo, sem tabulação ou coerência. Já o segundo, é uma ferramenta onde se tem a definição de detalhes importantes para a tomada de decisões. É algo absolutamente vital para qualquer profissional de marketing! Infelizmente posso contar nos dedos de uma mão sobre a quantidade de empresas do segmento gospel nacional que atuam de forma profissional, técnica, metódica na questão da coleta e análise de dados.

A palestra prosseguiu e depois de algumas intervenções do público presente com perguntas e opiniões, falei sobre outro tema que muito me incomoda e que como estávamos num momento de bate papo bastante informal senti-me à vontade para trazer este assunto ao debate. Alguns dos presentes comentaram sobre a dificuldade de atingir o mercado publicitário, de trazer anunciantes, mesmo empresas que atuam no meio evangélico. Aproveitei este muxoxo pra seguir falando sobre a qualidade do que é produzido nos veículos de comunicação do segmento. Não há como cobrar do mercado publicitário uma atitude mais compassiva com os veículos de comunicação gospel se estes não se preocupam com a qualidade da informação publicada. Fiz questão de demonstrar aos presentes que boa parte do que é publicado nas revistas, sites ou revistas do meio gospel é de uma pobreza jornalística de dar pena! Silêncio absoluto no recinto …

Quando começo o meu domingo, uma das primeiras coisas que eu faço é pegar minha edição de assinante da revista VEJA. Que por sinal, já assino há mais de 20 anos sem nunca ter interrompido minha relação de leitor com a revista. Mesmo não concordando 100% com a linha editorial da revista, tenho com esta publicação uma relação próxima e se fico uma semana sem lê-la é como se não estivesse atualizado do que acontece no país e no mundo. Agora, qual veículo de comunicação do meio evangélico causa em seus leitores tamanha expectativa pela chegada de uma nova edição? Confesso que a mim, atualmente nenhum periódico causa tamanha ansiedade e isso é unicamente em função a baixa relevância dos textos e matérias publicadas no segmento. Simples assim!

Boa parte dos jornais, sites e revistas de nosso segmento são dirigidos por profissionais que não têm o curso de jornalismo. Na esmagadora maioria, estes empreendedores são pessoas que veem seus veículos de comunicação como uma forma criativa de buscar seu sustento ao fim do mês. O jornalismo vem em segundo (às vezes em terceiro, quarto) plano e é colocado como parte menos importante do projeto. Vale ressaltar também que há uma enorme quantidade de veículos diretamente ligados a denominações eclesiásticas e como tais, devendo seguir a normas e estratégias bem específicas.

Mudando a cena …

Dias atrás estava lendo o clipping que recebo periodicamente com as notícias de artistas vinculados à minha empresa publicados em sites, revistas, jornais. Em meio a inúmeras notícias e links, eis que uma nota publicada num site me chamou a atenção. A matéria tratava da contratação de uma artista por nossa empresa, mas em meio à notícia o que me deparei foi com ataques gratuitos à gravadora com inúmeras críticas e informações completamente descabidas. Depois de ler todo o texto, observei que tratava-se de uma matéria apócrifa, ou seja, sem a assinatura do ‘jornalista’. Resolvi então questionar o texto diretamente com a direção do site. Fui na área de contatos e lá encontrei um email da direção do site e mandei meus questionamentos sobre a veracidade das informações e cobrando por algumas explicações. Enviei este email há mais de 2 semanas e até hoje não recebi resposta alguma.

Voltando à reunião da ABME …

Já seguindo para o término da palestra/debate mais um participante me fez a solicitação pela palavra. Concedida imediatamente. E aí a profissional com muitos anos de estrada me perguntou sobre o que eu achava de blogs como um que ela citava nominalmente e que tratava de ‘analisar’ (entenda-se criticar) com um certo humor (entenda-se sarcasmo, desdém) as notícias do dia a dia do universo evangélico, com maior ênfase na área artística. Respirei um pouco, contei mentalmente até 10 e fiz alguns comentários.

Na minha modesta opinião, esses blogs são completamente desnecessários do ponto de vista jornalístico. Em sua esmagadora maioria são espaços onde adolescentes cheios de espinha na cara resolvem criticar os trabalhos de artistas. Geralmente esses blogs são criados por fãs (algo que não deveria nem existir em se tratando de cultura cristã) para incensar as artistas preferidas e defenestrar todas aquelas que eles não curtem no melhor estilo Marlene x Emilinha (os mais antigos entenderão!). Muitos destes jornalistas residem em lugares como Cabrobó, Quixeramobim, Crateús e outros grandes centros urbanos sem acesso a notícias, vida cultural e afins. Ou seja, se informam apenas pelo que leem na web, em sites de relacionamentos, em redes sociais.

Além disso, estes blogs são escritos em dialetos incompreensíveis, usando e abusando de termos ilógicos, sem concatenação de ideias, sem apuro estético, ou seja, no melhor estilo sem pé nem cabeça. As matérias trazem informações sem fontes, sem respaldo, sem pesquisas. Em boa parte, as notícias são opinativas, sem menção do autor e muitas são compilações de textos que pululam na internet no melhor estilo Ctrl C Ctrl V. Ou seja, uma pobreza total de ideais, qualidade e profundidade.

E é por isso que vejo com excelentes olhos a criação da ABME. Já passou da hora de termos um jornalismo cristão de qualidade no país. Muita gente não sabe, mas fui um dos responsáveis pelo lançamento da revista VINDE lá pelos idos dos anos 1985 em parceria com editora Três. Naquela época, o Pr. Caio Fábio teve a ideia de lançar uma revista mensal que analisasse de forma criteriosa os assuntos e temas do cotidiano pelo ponto de vista cristão. Foi nesta época que tive contato com maravilhosos jornalistas como Délis Ortiz, Jorge Antonio Barros, Marcelo Dutra, George Guilherme, Omar de Souza, Carlos Fernandes, Percival de Souza. Todos estes atualmente se destacam na TV e na mídia impressa e são profissionais de enorme respeito no segmento secular. Precisamos recuperar a qualidade da mídia evangélica! Parafraseando o candidato à presidência que infelizmente nos deixou dias atrás, Eduardo Campos, não podemos desistir da mídia evangélica!

Vamos em frente!

Mauricio Soares, jornalista, publicitário, entusiasta de todo tipo de ação que traga uma melhora nas ações, instituições e práticas do segmento gospel.

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– Um verdadeiro fenômeno de popularidade e que comprova que sim! o povo quer conteúdo de qualidade e sabe reconhecer o valor de um artista diferenciado e sofisticado. Esta é a conclusão que temos ao constatar o enorme sucesso do vídeo “Sublime” do cantor Leonardo Gonçalves na plataforma VEVO onde em menos de 3 semanas de estréia já ultrapassou 500 mil views. A expectativa pelo lançamento do projeto em DVD é enorme e tudo indica que este será um dos produtos de maior destaque no segundo semestre de 2014 no mercado gospel nacional. Vale ressaltar ainda, que este mesmo vídeo foi o primeiro conteúdo religioso a figurar no topo da lista de clipes mais vendidos no iTunes. O vídeo manteve a posição de destaque por quase 10 dias. Sucesso total! Confira o vídeo acessando o link http://vevo.ly/YG9LAc

– As opções de projetos infantis no mercado gospel são bastante escassas limitadas a 4 a 5 artistas que revezam-se ano a ano no lançamento de projetos para este segmento. Para o próximo Dia das Crianças já está confirmado o lançamento de um novo disco com a cantora Cristina Mel, produzida pelo competente Rogério Vieira. Especula-se que Aline Barros também está se preparando para lançar algo inédito neste ano, mas ainda não estaria confirmado o lançamento para outubro.

– A cantora Danielle Cristina é uma das grandes apostas da Central Gospel para o segmento pentecostal para o segundo semestre de 2014. Com produção de Paulo César Baruk, o disco vem recebendo boas críticas e será mais intensamente divulgado pelas próximas semanas. A jovem cantora é um dos destaques entre a nova safra de cantoras do estilo pentecostal.

– Recentemente foi lançada a ABME – Associação Brasileira de Mídias Evangélicas com o objetivo de reunir os principais veículos de comunicação do segmento e promover uma maior integração dos profissionais do setor, além de oferecer cursos de especialização em diferentes áreas como assessoria de imprensa, jornalismo do ponto de vista da ética cristã, entre outros temas. Periodicamente a ABME também promoverá debates e plenárias. No lançamento participou com uma palestra sobre o verdadeiro papel da imprensa evangélica na sociedade.

– Com o desaparecimento da EXPO CRISTÃ e a descontinuidade da FIC, o mercado gospel ficou órfão de uma feira nacional. Com isso, feiras regionais vêm conquistando importância gradativamente no cenário. Pelo nono ano consecutivo acontece em Fortaleza a Expo Evangélica com a presença de diversos expositores, artistas, mídias e público que sempre lota as dependências do moderno Centro de Convenções. Em Goiânia, este ano aconteceu a primeira edição da Gospel Fair que superou todas as expectativas e tem tudo para se firmar no calendário nacional a partir de 2015. Outra novidade para o próximo ano é a estréia de mais uma feira do segmento, desta vez na cidade de Natal, RN. O evento está previsto para acontecer em março no Centro de Convenções local.

– Nesta sexta-feira (25/Julho) mais um artista assina contrato com a Sony Music. A banda brasiliense Disco Praise é mais um a desembarcar na gravadora e já prepara o lançamento de um novo projeto pela nova casa. Está previsto para setembro o lançamento do DVD “Som, Palavra e Poder” gravado recentemente em Brasília com uma super estrutura e reunindo os grandes sucessos da banda e mais algumas canções inéditas.

– A Rádio Melodia mantém a liderança isolada entre todas as FMs do Grande Rio. Feito impressionante e digno de comemoração. Outra emissora que vem se destacando é a Rádio Vida de São Paulo agora sob nova direção e equipe de profissionais, com destaque para a gerência artística do experiente Kaiko. Em Curitiba, a Gospel FM segue crescendo em qualidade e audiência.

– A Rede Globo segue com o projeto “Festival Promessas”. Depois de retomar as atividades com o primeiro show realizado em Goiânia, o evento segue por Rio de Janeiro neste próximo fim de semana (26/Julho) com as participações de Damares, Fernandinho, Davi Sacer e William Nascimento. Outras edições estão sendo confirmadas para Belo Horizonte, Manaus, Curitiba, Florianópolis, Recife e São Paulo.

– Aos poucos o mercado publicitário vem abrindo os olhos para a força de vendas de artistas do meio gospel. Depois de André Valadão estrelar uma campanha nacional de um curso de idiomas ao lado do técnico Bernardinho, outras empresas começam a contratar artistas para vincularem suas marcas. Recentemente a cantora Eliane Silva passou a ser a garota-propaganda de uma linha de xampus e produtos para cabelos. Elaine de Jesus assina uma coleção de moda, Suellen Lima divulga uma linha própria de perfumes e outros cosméticos, além de estrelar uma linha de roupas na coleção de inverno. E até uma linha de caixa d’águas conta com o Thalles como artista patrocinado. Outro nome que se destaca é Juninho Afram, guitarrista do Oficina G3 que possui sua linha específica de instrumentos.

– Vale muito a pena conferir o novo trabalho do cantor Joe Vasconcelos. Produzido nos EUA, o álbum traz canções inéditas no melhor estilo louvor e adoração contemporâneo. Tendo retornado a residir na América, Joe mantém a agenda de apresentações no Brasil de forma intensa. Recentemente o cantor renovou o seu vínculo com a gravadora que ultimamente parece optar pela política de investir somente em artistas ligados na própria igreja vinculada à gravadora.

Conversando dias atrás com o produtor Dudu Borges, considerado hoje o melhor profissional em sua área no segmento sertanejo, falamos sobre a realidade do mercado gospel. Para quem não sabe, Dudu Borges fez parte da banda Resgate, inclusive produzindo o clássico disco “Ainda Não é o Último”, o primeiro projeto lançado pela Sony Music no projeto gospel. Na área sertaneja, Dudu é responsável pelos últimos grandes hits aferidos pela Crowley nos últimos anos como “Chora Me Liga” da dupla João Bosco e Vinícius, “Ai Se Eu Te Pego” com Michel Telló, sucessos de Luan Santana, do recente fenômeno Lucas Lucco e de outra dezena de artistas do gênero. Ou seja, Borges é sem dúvida, o “cara” do sertanejo e merece todo o sucesso!

Mas voltando ao nosso bate papo pelos corredores da gravadora, Dudu questionava o porquê da música gospel ainda não ter se consolidado no cenário nacional, especialmente em relação às grandes festividades de prefeituras e feiras agropecuárias. Tentei justificar com alguns aspectos e no fim chegamos à conclusão de que ainda temos barreiras a vencer pela frente e outros ajustes para fazer no âmbito interno.

É com base neste papo descompromissado que seguirei de agora em diante neste post. Na verdade irei juntar algumas questões mencionadas neste encontro com outras observações que venho tendo nos últimos meses. Então, nas próximas linhas faremos uma pequena dissertação sobre os desafios que a música gospel tem pela frente no país. Espero que eu consiga ter a devida atenção dos meus 66 leitores fiéis (ou não!?!?!?!) daqui em diante.

É inegável que o boom da música gospel na TV brasileira aconteceu entre os anos de 2011 e 2012 e que no ano seguinte observamos uma forte retração ao segmento. Se formos analisar e relembrar, inúmeros artistas gospel povoaram os programas da TV brasileira numa frequência jamais alcançada até então nestes anos recentes. Chegamos a ter determinados dias com artistas gospel participando em programas de TV em diferentes emissoras nos mesmos horários. A concorrência entre as produções dos programas acirrou-se de uma tal forma que estas se antecipavam no agendamento das atrações gospel. A disputa era enorme e constantemente víamos os artistas de música gospel na telinha participando de programas em emissoras que até então restringiam ao máximo estas participações. Só que a alegria durou pouco! Especialmente em 2013 foram raras as participações dos artistas de música gospel nos programas de TV e esta tendência deve se seguir em 2014 onde a pauta notoriamente será direcionada para esportes em função da Copa do Mundo no Brasil.

Quando um artista do calibre do sertanejo Leonardo, Jota Quest ou Roberto Carlos, por exemplo, lançam seus respectivos projetos, toda a mídia é contatada e responde de forma muito receptiva e amigável. Em pouco tempo os programas de TV agendam as suas participações, muitas das vezes até mesmo com uma certa disputa entre os veículos. A mídia impressa e eletrônica destacam em suas pautas os respectivos lançamentos, ou seja, em pouco tempo, o projeto passa a ser conhecido nacionalmente. As emissoras derádio tocam os singles com destaque na programação, entrevistas são agendadas, promoções são criadas e muita badalação sobre o artista e seu novo projeto agitam o ambiente.

Definitivamente não é isto o que acontece com a música gospel. Não temos veículos de comunicação de massa em nível nacional. Não há redes de televisão com conteúdo cristão em nosso país e nas poucas emissoras de TV do segmento, o espaço para a música ainda é bem acanhado perdendo de goleada para os programas evangelísticos e de variedades. Também não temos uma rede de emissoras de rádio evangélica que favoreça os grandes artistas ou lançamentos. A maior rede de rádios do país coincidente faz parte do segmento evangélico, a Rede Aleluia, mas ela está longe de ser uma referência em termos de programação musical. A playlist musical desta emissora baseia-se em hits dos longínquos anos 90 ou ainda mais distantes.

Outra característica de nossas mídias é a relação visceral com denominações religiosas, cada qual com interesses e características muito específicas. Isto também dificulta absurdamente a divulgação de um projeto no meio gospel, pois estas emissoras e veículos nem sempre têm como prioridade trabalhar de forma profissional, focando na satisfação de seus clientes. Com isso, alguns artistas e gravadoras são prejudicados em determinadas regiões do país pela falta de espaço nas mídias locais.

Desta forma, um projeto no meio gospel no Brasil passa por uma série de obstáculos para sua divulgação. Não temos muitas mídias demassa. Muitos veículos são restritos e refratários à novidades e mesmo a determinados estilos musicais ou artísticos. Assim, é notório que para ‘estourar’ em nível nacional, um artista e sua respectiva gravadora precisam utilizar-se de diversas estratégias e altos investimentos. Entre as principais estratégias de divulgação, sem dúvida, destacamos a necessidade de uma verdadeira maratona de entrevistas nas mídias locais. Por mais cansativo e dispendioso que esta operação seja, é comprovada sua eficácia! Existem algumas cidades importantes em nosso mercado e efetivamente são estas que devem constar do roteiro de divulgação. Praças como Beagá, Recife, Goiânia, São Paulo, Rio de Janeiro, Belém e Fortaleza são indispensáveis para o artista que pretende ter seu trabalho reconhecido pelo grande público.

Outra importante estratégia para uma divulgação maciça de um projeto tem a ver com a web. O brasileiro é reconhecido mundialmente por ser um heavy user em tudo relacionado à tecnologia. E, sem dúvida, a internet é uma importante ferramenta e ambiente para a divulgação de conteúdos artísticos. São muitos sites, blogs, rádios on line fanpages dedicadas à música e notícias gospel. Então, nada mais acertado do que manter contato permanente com estes veículos fornecendo farto material, notícias, vídeos, conteúdos diversos. Neste caso, torna-se fundamental a contratação de serviços e profissionais especializados para tal atividade.

Em resumo, não há facilidade para os artistas do segmento gospel e suas gravadoras. Os entraves são muitos e não apenas os citados por aqui neste texto. Lançar um novo projeto nacionalmente é um exercício de muita paciência, altos investimentos, dedicação e transpiração! Esta constatação apenas reforça duas outras características peculiares deste nicho. A primeira é que como o produto ‘demora’ a ser divulgado nos quatro cantos do país por todos os motivos já citados, o tempo de vida útil do projeto é bem maior do que um projeto secular de um artista do primeiro time. Com isso, a estratégia utilizada por alguns artistas, especialmente a turma do segmento pentecostal, de lançar um novo projeto a cada ano, torna-se claramente uma decisão equivocada, pois é impossível que neste curto espaço de tempo, todo o país conheça o seu último trabalho.

Este texto foi iniciado em um vôo entre Curitiba e o Rio de Janeiro. Depois foi retomado no trecho entre Goiânia e Fortaleza e agora é finalizado a caminho de Vitória, capital capixaba. Durante os últimos dias exercitei plenamente o que acabo de escrever, ou seja, visitar algumas das mais importantes cidades do país divulgando o projeto (lançado em abril de 2013) “O Maior Troféu” com a cantora Damares. Observe-se que estamos falando da artista de maior vendagem do mercado gospel nos últimos anos. Se uma artista como ela dedica seu tempo para este tipo de trabalho então está mais do que na hora da turma arrumar as malas e partir pra estrada!

Vamos em frente!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.  

Nos próximos dias certamente teremos muitos textos em produção, afinal depois de muito tempo farei algo que há muitos anos não consegui realizar como em outras épocas, ou seja, voltar a trabalhar diretamente em campo junto às mídias e lojistas locais. Nos próximos 7 diasestarei numa intensa turnê viajando por Goiânia, Brasília, Fortaleza e Vitória. E por conseguinte, certamente teremos muitos insights e algum tempo disponível, mesmo que dentro de algum avião como agora.

Nos últimos dias tenho repetido uma pequena estória, na verdade, uma alegoria para ilustrar algo que me chama a atenção neste momento. Um médico e um veterinário são profissionais com muitas similaridades. Ambos têm muitas matérias comuns na faculdade. Algumas técnicas utilizadas atualmente na medicina, na verdade, foram iniciadas em animais e desenvolvidas por veterinários. Além disso, diversos medicamentos que inicialmente era direcionados ao tratamento veterinário foram adaptados ao uso humano. Ou seja, são duas profissões distintas, mas ambas seguem um conceito muito semelhante e procuram resultados iguais, o bem estar do paciente, seja ele um ser humano ou um animal.

Os dois profissionais têm seu valor e importância primordial na sociedade. No entanto, mesmo diante de tantas semelhanças e concordando que dependendo da necessidade, um veterinário pode até mesmo ser uma boa solução diante de um problema, por qual dos dois profissionais vocêpreferiria ser atendido? Imagino que a resposta esmagadora, senão absoluta,seja pela opção do médico. Isso é o natural! No entanto, neste momento parece-me que em determinadas situações e circunstâncias, certas pessoas têm optado pelo veterinário.

Um dos ditados que constantemente são repetidos em se tratando de aviões e pilotos é aquele que contrapõe experiência versus modernidade. O ditado afirma que é melhor você ter um piloto velho em um avião novo do que justamente o oposto, ou seja, um piloto jovem com um avião velho. O conceito deste ditado é de que a melhor junção é aquela que une tecnologia de ponta com experiência de anos e anos. E confesso, que com tantas e tantas horas de vôo, fico bem mais tranquilo ao embarcar quando me deparo com um comandante com seus cabelos grisalhos e uma aeronave bem moderna.

No dia a dia esta mesma junção precisa ser sempre observada, seja numa simples oficina mecânica ou numa academia de fitness ou seja lá o que for. Experiência, conhecimento da atividade, currículo, cases de sucesso, resultados, conquistas, prêmios, reconhecimento do mercado e dos profissionais, respeito, entre outros, aliados a outros requisitos como modernidade, visão, adequação às novas dinâmicas e exigências do ambiente de negócios, estrutura financeira, competitividade, valorização dos funcionários e clientes, só para citar alguns, são aspectos que devem ser analisados na escolha por este ou aquele prestador de serviços, parceiro oumesmo um contrato comercial.

Estes dois casos ilustram um pouco do que tenho falado e observado nos últimos tempos. O mercado fonográfico talvez seja uma das áreas de negócios que mais se transformou nas últimas décadas. Sem dúvida, é o mercado que mais vezes foi decretado o seu fim apocalíptico e como o Íbis da mitologia grega, sempre vem se reinventando e saindo em meio às cinzas. Em nove de cada dez textos publicados na imprensa a respeito do mercado fonográficosempre há alguma menção às dificuldades enfrentadas pela indústria nos últimos anos. Seja a pirataria, os impostos, as novas tecnologias, a concorrência de outras formas de entretenimento, tudo isto é citado como um entrave à calmaria no mercado fonográfico. E realmente todos estes aspectos causaram um verdadeiro tsunami na indústria nas últimas duas décadas, mas especialmente nos últimos anos, o próprio mercado vem crescendo, buscando novos caminhos e apontando para novas tendências.

O certo é que neste momento, em se tratando de mercado fonográfico, não dá para se arriscar e ser atendido por ‘veterinários’ ou ‘pilotos de avião adolescentes’ que sequer concluíram o segundo grau. Também não podemos optar por profissionais experientes, mas desatualizados que preferem seguir no lema de que em time que se está ganhando não se mexe. Até porque as regras do jogo já mudaram, os campos mudaram, o ambiente mudou … por mais que alguns profissionais ainda insistam em negar as mudanças do mercado, elas efetivamente já aconteceram e irão prosseguir pelos próximos anos.

Especialmente em se tratando de mercado fonográfico, os artistas precisam analisar mais friamente antes da tomada de decisões. Até porque uma decisão em médio e curto prazos podem determinar o sucesso ou fracasso retumbantes! No nosso meio temos muita gente contando estória … e quando estes ‘Monteiros Lobatos’ se encontram com alguns artistas que gostam de ouvir estórias … aí o resultado é terrível! O correto é analisar uma série de fatores e ponderar com equilíbrio se o artista prefere que sua carreira seja cuidada por um “médico” ou um “veterinário”, mesmo que este veterinário possa significar alguns benefícios que aparentemente são interessantes.

Do ponto de vista do mercado gospel estas questões são ainda mais peculiares e determinantes. Nestes últimos dias reuni-me com duas empresas que estarão iniciando atividades comerciais focadas no segmento religioso no Brasil. Ambas empresas de outros países que através de pesquisa decidiram desenvolver projetos específicos para o mercado religioso em nossa região. Ouvi atentamente sobre cada um dos projetos, impressionei-me com a quantidade de informações das pesquisas, com a visão empresarial do negócio em si e, definitivamente achei interessante todo o case. A única dúvida que eu fiz questão de ressaltar aos interlocutores era sobre quem iria desenvolver o projeto com a visão, a mentalidade, a cultura, os contatos deste nicho tão particular. Silêncio absoluto.

Finalizando, gostaria de concluir dizendo que assim como na escolha de um profissional para cuidar de nossa saúde, devemos ter critérios e atenção redobrada na decisão com quem iremos caminhar em nossa jornada profissional.  Aproveitando, quero mais uma vez incentivar aos jovens leitores deste blog para que procurem analisar oportunidades no mercado religioso brasileiro. Sem dúvida, há uma enorme demanda por jovens criativos, novos profissionais, novos players para este mercado em franco crescimento. Precisamos de empreendedores, profissionais de marketing, administradores, publicitários, jornalistas e muito mais! Semdúvida, este é um mercado que precisa de mais “médicos” e neste caso não temos como importar mão de obra de Cuba.

E para completar, gostaria de apresentar o vídeo do presidente da Sony Music em entrevista para O Globo, falando sobre experiências, mercado fonográfico e a experiência da gravadora no segmento gospel.

http://oglobo.globo.com/economia/emprego/3x4o-futuro-o-mercado-de-assinaturas-diz-presidente-da-sony-brasil-11460760

 

Mauricio Soares, publicitário, sobrevivente, consultor de marketing, highlander. 

 

A esmagadora maioria dos textos publicados por aqui no blog são fruto de conversas com amigos, profissionais ou mesmo em encontrosfortuitos com pessoas que vão surgindo em nosso caminho. Este novo post é baseado em uma rápida conversa que tive o prazer de manter com 2 simpáticas pessoas que sequer conhecia até então. Elas foram as responsáveis em recepcionar-me no aeroporto em uma de minhas últimas viagens. No trajeto entre o aeroporto e o destino final fomos conversando sobre os mais variados assuntos até que surgiu o assunto que irei desenvolver a partir de agora.

O sucesso é bom. Muita gente persegue o sucesso. O sucesso pode ter diferentes significados, dependendo do ponto de vista. O sucesso é fruto de trabalho árduo. O sucesso abre portas. O sucesso não é democrático, ele é extremamente seletivo. O sucesso é um risco em si. Podemos ter sucesso de diferentes formas! O que é sucesso para uns, não significa nada para outros.

Sucesso …

Muito me perguntam sobre o que se fazer para alcançar o sucesso. A minha resposta é sempre a mesma, ou seja, acredito que há alguns aspectos que devem ser observados com atenção para alcançar estes objetivos. Do ponto de vista artístico há uma série de pontos que somados podem contribuir para uma carreira de sucesso. Carisma, talento, disposição, inteligência, disponibilidade financeira, estrutura de apoio, visão, conhecimento em marketing, boa apresentação, repertório, entre outras coisas. Mas a ressalva também sempre é a mesma, apesar da conjunção destes fatores, nada garante osucesso. Em contrapartida, para alcançar o fracasso retumbante também há uma série de fatores que somados podem acarretar no verdadeiro desastre. A diferença é que a soma de todos ou mesmo alguns destes fatores, garantem plenamente alcançar-se o fiasco absoluto. Sugiro que vocês leiam um texto publicado aqui mesmo no Observatório um texto sobre este assunto. Segue o link http://www.observatoriocristao.com/site/?p=1321

Como já dissemos anteriormente o sucesso é bom. Mas ele também é uma tragédia se não for bem administrado. E é aí que volto à conversa citada na introdução deste texto. Conversa vai, conversa vem, eis que surge o assunto sobre um determinado cantor de sucesso. Poucos segundos de iniciado este novo tema em nossa conversa, a pessoa foi logo dizendo que aquele artista tinha fechado todas as portas em sua denominação. Não quis me aprofundar no que havia acontecido para o ‘fechar de portas’, mas complementei de que em minhas andanças pelo país este era um fato que se repetia com umaaltíssima frequência. O que por si só já era temerário!

Também em outro texto publicado aqui mesmo no blog, comentei sobre a necessidade de observarmos os exemplos de outros personagens para aprendermos justamente com estas experiências e pouparmo-nos de eventuais problemas. Neste texto inclusive fiz menção ao erro trágico de Hitler de invadir a URSS na 2a Grande Guerra Mundial, em pleno inverno, fato que também havia acontecido na campanha napoleônica e que em ambas ocasiõesacarretaram na derrota dos respectivos exércitos. No ambiente artístico sãoinúmeros os casos de fenômenos que conheceram o sucesso e posteriormente tornaram-se fracassos avassaladores. A sucessão de casos é tão grande que chega a causar espanto como que as pessoas não alertam de que aquela história pode se repetir com si próprio.

O sucesso é bom, mas ele não aceita desaforos. Um dos maiores riscos para quem alcança o sucesso é acreditar que ele é fruto puro e simplesmente de seu próprio esforço ou talento. Não existe sucesso independente! Ninguém alcança o sucesso sozinho. Parece óbvio, mas muitos artistas fazem questão de creditar o seu próprio sucesso a si mesmo. Acho que uma das contra-indicações do sucesso é justamente a perda de memória. Interessante mesmo! Outra mudança comportamental fruto do sucesso é a crença de que tudo o que o artista faz é certo! É impressionante como tem gente (a lista é grande!) que crê que tem algo sobrenatural que o permite fazer as maiores loucuras e ainda imaginar que estas atitudes não terão repercussão negativa para a própria carreira. Como costumo dizer, quando um artista faz sucesso ele veementemente acredita que até o seu suor corporal tem cheiro de perfume francês … oh Lord! (na voz do Lázaro).

Seguindo com a lista de contra-indicações, o sucesso além da perda de memória e da auto-estima exagerada, também gera um pseudo aumento de QI nas mais variadas áreas. É impressionante como que o sucesso parece ampliar do dia para a noite a capacidade intelectual de certas pessoas. O dito cujo que estudou até a quinta série com muita dificuldade, ao alcançar o sucesso, age como se tivesse pós-doutorado em Harvard com especialização emmarketing, administração, design, mídia digital, dress code, fotografia, decoração, culinária, teologia (como tem pastor e pastores no meio artístico, só não sei em qual seminário estudaram ou qual igreja estão atuando, mas que tem, isso tem!!!) e um monte de outras matérias. Ou seja, o sucesso deve trazer o conhecimento por osmose ou simples milagre.

O sucesso também amplia consideravelmente o rol de amizades. O cara de sucesso está sempre rodeado de amigos, todos muito sorridentes. Tudo bem que até tornar-se sucesso, muita gente torceu o narizpara aquele rapaz. Teve gente até que ajudou a bloquear o caminho daquele promissor artista rumo ao estrelato, mas que tempos depois, não perde a oportunidade de sair nas fotos com aquele sorriso largo, fazendo algum gesto característico.  Fotos devidamente postadas e com legendas do tipo “o meu querido irmão”, “o meu amigo do peito” e loas constantes ao sucesso do referido artista são constantes. É fundamental demonstrar intimidade, então apelidos são muito bem vindos!

O sucesso, sem dúvida, melhora o humor! Já viu como o cara que alcançou o ápice da carreira ri de tudo? O cara posta fotos no avião sorrindo … posta fotos diante daquele prato de camarões empanados com todos os seus dentes à mostra … posta fotos fazendo careta mesmo em manifestações públicas de caráter absolutamente sérias … o indefectível KKKKKKKKKKK fazparte de 90% das legendas de seusposts nas redes sociais. O sucesso deve aumentar a produção de endorfina no organismo. Quem sabe?

O sucesso é bom, mas ele é perigoso. Ele pode trazer uma falsa unanimidade. Pode induzir à idéia de que o artista realmente tem o apoio integral de todo o público e isto é uma das maiores mentiras da história. O público não aceita deslizes, mesmo de seus queridos artistas. Da mesma forma que o público se identifica com a arte e o talento daquele determinado intérprete, ele muda de lado ao perceber a transformação do caráter inicial do artista. É muito comum ouvirmos a expressão de que aquele artista era bom até ter o seu trabalho reconhecido em larga escala. O sucesso transforma e em boa parte das vezes, para pior, muito pior. Só não percebe isso quem está inebriado pelo poder deste mesmo sucesso e geralmente a percepção, o bom senso só sãorecobrados quando a água já está no pescoço!

O sucesso é bom. Confesso que trabalho constantemente por alcançar o sucesso em minha profissão. Ele é motivador, instigante, me estimula a buscar conhecimento, a ampliar horizontes. Acho que podemos elencar três pilares fundamentais para o sucesso pleno. O mais comum é associarmos o sucesso às questões profissionais e consequentemente financeiras. Neste caso, foco, determinação, talento, conhecimento, escolhas certas são alguns aspectos que devemos observar com critério. Outro pilar do sucesso pleno é a família. De que adianta ter o sucesso profissional e ser um fracasso no lar? Infelizmente temos inúmeros casos de pessoas extremamente bem sucedidas no âmbito profissional que vivem e viveram catástrofes na família. Nada deve ser maisimportante do que a paz, a saúde, o amor e a dedicação no meio familiar. Osempregos se vão. As empresas se vão. As relações comerciais se vão … os laços familiares permanecem. Busque o sucesso na sua família! Por fim, o terceiro e mais importante pilar, o sucesso espiritual. Propositadamente elenquei os 3pilares em ordem crescente, ou seja, do menos importante para o mais relevante. Nada será mais importante para a eternidade do que uma relação saudável, transparente e de sucesso com o Criador. Podemos ser fracassados profissionalmente, ou até ter uma vida familiar conturbada, mas jamais podemos imaginar uma vida de pobreza na relação com Deus. Sucesso pleno é conquistar os objetivos profissionais mantendo o equilíbrio e a saúde nas relações familiares e mantendo uma vida espiritual intensa e comprometida com Deus. Isso sim é sucesso!

O sucesso é bom … e especialmente no âmbito artístico gospel ele pode ser perpetrado por muitos anos. Basta manter as portas abertas, viver com simplicidade, respeitando-se a todos à sua volta,buscando conhecimento e apoio de profissionais, lideranças e amigos de verdade. Trabalhe como se nunca tivesse conquistado nada! Seja gentil. Nunca creia que as suas conquistas foram fruto somente de seu próprio esforço. Reconheça quem te ajudou no passado. Reconheça o carinho e cuidado de Deus. Jamais caia natentação de caminhar sozinho! Ou seja, siga como um autêntico cristão. Simples assim. O resto é consequência.

 

Boa semana!

Mauricio Soares, jornalista, conversador inveterado e alguém que já conviveu com muitos artistas que alcançaram o sucesso. Uns souberam conduzir muito bem com esta fase e outros nem tanto … mas o sucesso é bom!

A tecnologia deveria facilitar a vida do ser humano e realmente em muitos dos casos é exatamente isso o que acontece. Só que em outros aspectos, esta mesma tecnologia acaba nos tornando pessoas ansiosas, ultra atarefadas e muitas das vezes psicóticas. Me incluo na lista de pessoas que não conseguem se desligar do mundo externo e por conseguinte, dos neuróticos crônicos que não podem deixar de ler as mensagens eletrônicas que insistem em marcar presença em nossa caixa postal, mesmo que isso aconteça em plena madrugada.

Durante o tempo em que acordava nas madrugadas para atender ao choro intenso de meu bebê clamando por uma boa mamada noturna, sempre aproveitava o momento de súbito acordar para conferir se alguma grande notícia havia chegado enquanto eu dormia. Sei … é uma psicose, mas estou me tratando …

Hoje em dia recebo em média 180 a 200 emails em minha caixa postal. Destes, cerca de 50% são relativos diretamente às minhas atividades profissionais. Outros 10% são spams, propagandas diversas e correntes de prosperidade e coisas do tipo. Já os outros 40% são mensagens de pessoas pedindo por algum apoio artístico. Os assuntos vão desde compositores querendo apresentar seus trabalhos até jovens artistas pedindo por atenção da gravadora.

Não sei se há pela web algum site oferecendo dicas ou mesmo textos prontos sobre como se deve abordar um A&R de gravadora. Digo isto porque é impressionante como os temas e abordagens se repetem de forma padronizada.

Há os textos compreensivos … “Sei que o senhor é uma pessoa muito ocupada, mas garanto que não irá se arrepender se dedicar apenas alguns minutos para conhecer a artista …”

Outros que também estão sempre presentes são os descobridores de fenômenos … “O senhor precisa conhecer a cantora Gladyslivia Gomes, ela é um sucesso aqui em Araguaína! Sua música está entre as mais pedidas da rádio online Louvor FM.Contrate-a antes que outra gravadora o faça, fica a dica!”

Mas, sem dúvida, uma das abordagens que mais me chamam a atenção são justamente aquelas que apelam para as questões espirituais. E aí, posso elencar algumas estratégias bem claras e vou me deter em poucas opções para que este texto não fique muito extenso.

“Eu quero muito louvar a Deus! Quero muito falar do seu amor para todas as pessoas. Eu sou uma adoradora e preciso demais que o senhor me apoie neste propósito! Preciso gravar logo um CD!”

Em sua Palavra, Deus nos ensina que ele busca por adoradores, que o adorem em espírito e em verdade! Em outro texto o salmista exalta para que todo ser que respire louve ao Senhor! Em nenhum momento a Bíblia nos ensina ou indica que para tornarmo-nos adoradores devemos entrar em estúdio e gravar um disco!?!?!?!? Não há qualquer relação entre o processo de louvar e adorar a Deus com a necessidade de se ingressar num projeto artístico! E ainda bem por isso! Graças a Deus porque nos permite achegarmos a Ele semmaiores dificuldades, basta apenas um coração puro, contrito, disposto a manter uma relação íntima com o Criador.

É importante que os meus 66 leitores do blog tenham ciência de que adorar a Deus é maravilhoso e um processo individualizado, sem filtros, uma experiência realmente sobrenatural e marcante! Já uma carreiraartística é algo absurdamente trabalhoso, árduo, difícil, um processo de entrega constante, com enormes riscos de insucesso, ou seja, é algo muito, mas muito complicado!

Você já parou para pensar como deve ser entediante cantar as mesmas músicas por longos 18 meses, às vezes muito mais do que isso? Outro dia encontrei um cantor que repetia a mesma canção por (pasmem!) 20 anos! Haja inspiração! Ou então, de como deve ser difícil abrir mão de fins de semana com a família?

Isso para não falar das viagens! Alguns me encontram por aí e dizem na maior cara de pau: “Você nasceu virado para a Lua! Como deve ser bom viver viajando, nos aeroportos,conhecendo pessoas, lugares … ô vidão!” Neste momento escrevo este texto às 21h15 de uma sexta-feira a bordo de um avião com destino à capital federal. Neste próximo sábado estarei conferindo a gravação de um DVD de um artista que sequer faz parte do cast de minha gravadora. Deixei em casa meus 3 filhos eesposa, retornando ao convívio com eles somente na parte da tarde do domingo. Alguém acha que prefiro estar fora de casa, sem meus familiares, tendo que trabalhar em pleno fim de semana? Pois é exatamente isso o que acontece quando você se torna um artista profissional.

Ainda com relação às viagens, é importante salientar que nem sempre se viaja de avião e se hospeda em grandes hotéis. Mesmo artistas do primeiro time como Damares, Shirley Carvalhaes, Mariana Valadão e tantos outros, vez ou outra são ‘surpreendidos’ com hotéis 5 estrelas cadentes, em cima de postos de gasolina, com banheiro coletivo e outras maravilhas pentecostais. Isso sem falar com os banquetes de cachorro quente e coxinhas de frango frias que mais parecem bolas de pingue pongue. Ah! já ia me esquecendo … tem também as ‘pegadinhas’ quando o contratante te diz que depois do aeroporto, ainda vai ser preciso fazer um pequeno trajeto por estrada (de terra) … só uns quilômetros (mais 3 horas de sacolejos!).

Ou seja, não confunda sua vontade de adorar, de louvar, cantar, de ter uma vida dedicada às questões espirituais com a necessidade de lançar-se numa carreira artística! Deus não está à procura de cantores, discos de ouro ou hits empolgantes! Ele quer adoradores e isso inclui cada um de nós, sem exceção, e nesta lista até incluímos os cantores e cantoras, sem distinção!

Outra abordagem tem a ver com uma palavra que ganhou notoriedade surreal nos últimos anos – promessa. É impressionante como as pessoas atualmente se agarram em promessas como se Deus estivesse ali assinando uma nota promissória! Não quero entrar numa discussão teológica, mas efetivamente tenho muitas ressalvas com o uso que as pessoas têm feito deste assunto. Boa parte das mensagens que recebo diariamente têm a citação de que “Deus me deu esta promessa! De que eu gravaria um CD, de que eu teria um ministério”. Como profissional o que eu posso analisar é se o referido indivíduo tem adequação com uma carreira artística, se tem talento, se tem um diferencial, enfim, minhas análises são estritamente baseadas em critérios técnicos, nada além disso! Agora, se Deus realmente te escolheu para levar a Palavra aos quatro cantos do planeta … então, com talento ou não, Ele simplesmente irá fazer isso! É uma questão simples de soberania. Ele tudo pode! E não é um A&Rzinho que irá barrar esta decisão. Não mesmo!

Sempre uso como exemplo o que aconteceu com o Irmão Lázaro. Se há tempos atrás o disco dele caísse em minhas mãos para ser avaliado, as chances de eu contratá-lo são as mais remotas possíveis! Tecnicamente, o disco que o catapultou ao estrelato no meio gospel anos atrás era de uma simplicidade absurda! Mas aí, entra um fator que nem eu nem qualquer profissional do mercado tem qualquer ingerência, a soberana vontade de Deus. Ele quis … simples assim! Resultado: mais de 1,5 milhão de discos vendidos de forma independente. O resto é história!

Então, já concluindo este texto, se você pretende seguir uma carreira artística saiba que a estrada é longa e muito difícil! Muito melhor e mais prazerosa é a opção de simplesmente sermos adoradores do Deus Vivo. Ele não nos pede nada, nem disco, nem estratégia, nem técnica, nem mesmo talento ou afinação, somente sinceridade em nossos lábios!

Vamos adorar, sempre!

Mauricio Soares, jornalista, consultor de marketing, adorador sem nunca ter gravado um CD, pai, blogueiro e um recém apaixonado pelas belezas naturais de Santa Catarina. Simplesmente top!