Home Mundo Musical

1 476

Hoje em meio a uma conversa despretensiosa durante o almoço, meu parceiro de A&R, o querido e competente Bruno Baptista, entre uma e outra garfada de um belo Bacalhau Espiritual, fez um comentário a respeito de um produtor musical ganhador de vários prêmios ao longo da carreira de décadas, profissional muito respeitado pelo mainstream, artistas e músicos:
“Estou no meu limite com ele … se ele não entender que as coisas mudaram, acho que é o fim de linha dele na companhia, na verdade, não só na nossa empresa, mas também no mercado como um todo. Este tipo de atitude dele apenas reflete um tipo de profissional que não se adequa mais ao que vivemos no mercado!”

E aí, você curioso leitor do blog deve estar se perguntando: mas o que este produtor fez ou deixou de fazer para receber uma sentença tão dura como esta? Em rápidas palavras, o laureado produtor que coleciona inúmeros projetos de sucesso com milhões de discos vendidos, tendo trabalhado para boa parte do primeiro time da MPB, segue não mantendo prazos, extrapolando orçamentos e agindo como se fosse mais artista do que os próprios artistas. Ou seja, o que antes poderia ser entendido como algo excêntrico ou mesmo um ‘preço a se pagar pela genialidade e resultados’, hoje em dia é tido tão somente como falta de responsabilidade com um bom toque de falta de noção da atual realidade do mercado.

Utilizei-me deste exemplo em meio a um almoço com o amigo e profissional de outro segmento para corroborar com algo que há muito tempo penso em publicar por aqui no blog. As coisas no meio artístico mudaram muito e entre tantas alterações, a falta de paciência com o amadorismo tornou-se ainda maior. Em outras palavras, a indústria fonográfica trabalha num novo ritmo, muito mais racional e que demanda prazos, planejamentos, datas, estratégias, ações e metas.

Como já escrevi em outros posts aqui publicados, as plataformas digitais trouxeram uma nova dinâmica ao mercado fonográfico. Hoje o que menos importa é colocar seu projeto nas plataformas, no Spotify, Deezer ou Apple Music … isso, com todo respeito, qualquer serviço de agregador de conteúdo é capaz de fazer, até mesmo sem qualquer tipo de relacionamento entre o artista e a empresa. A grande meta das gravadoras hoje é conseguir destaque para os seus projetos no momento de lançamento nas plataformas digitais. E este destaque é conseguido prioritariamente pela relevância do artista, pela força da gravadora junto aos parceiros e através de um planejamento de entrega e ações de promoção com antecedência. O tempo ideal para que o produto seja trabalhado pela gravadora junto aos parceiros digitais é de 45 dias, depois disso, tudo vai ficar mais complicado!

E aí, voltamos aos produtores musicais … sim! Afinal de que adiantará a gravadora buscar o melhor destaque para o lançamento de um determinado artista ou mesmo na elaboração das estratégias de marketing, se o dito cujo do produtor resolve não cumprir com os prazos e metas pré-determinadas? No meio gospel há casos folclóricos de produtores com atrasos de 120, 180 dias de entrega de suas produções. Outros que são reconhecidos por cobrarem ‘lebres’ e entregarem ‘gatos’, ou seja, cobrarem custos de produções prometendo os melhores músicos, os melhores estúdios e no fim, limitarem-se a produções quase caseiras. Há profissionais de produção que são reconhecidos por assumirem 10 projetos simultaneamente e seguirem trabalhando num processo de ‘pirâmide’ onde um artista acaba pagando a produção de outro numa miscelânea louca e com resultados sempre catastróficos! Não podemos deixar de citar os produtos temperamentais que dão chiliques de estrela como se fossem eles os clientes e não os artistas e/ou gravadoras. Enfim, posso listar uma infinidade de modelos de produtores musicais com suas falhas, suas esquisitices e principalmente com a falta de profissionalismo, mas por compaixão aos 69 leitores, fico por aqui mesmo.

A verdade é que este tipo de profissional, inconsequente, desorganizado, sem compromisso, amador e que mais traz chateação do que alegrias, está com os dias contados, ao menos entre as majors e os grandes artistas. O que posso garantir, pelo menos referindo-me à minha pessoa, é que cada vez iremos priorizar mais os produtores que mantêm o compromisso de qualidade sem perder o foco na pontualidade. Que isto sirva como um mantra para todos aqueles que querem se manter no mercado musical!

E o mesmo se aplica aos diretores e produtores de conteúdo de vídeo! Prazo dado é prazo cumprido, como diria o A&R Capitão Nascimento. Enfim, num momento em que os conteúdos chegam às dezenas (às vezes, centenas) a cada semana nas plataformas digitais, garantir o destaque e contar com a parceria destas mesmas empresas é algo fundamental! Por isso, garantir a manutenção dos prazos é a primeira garantia de sucesso do projeto!
Pra bom entendedor …

Mauricio Soares, publicitário, neurótico por prazos, jornalista, palestrante, profissional de marketing

7 582

Boa parte das informações que publico neste blog, que está prestes a completar uma década de existência (até hoje me impressiono com toda esta longevidade e mais ainda pela quantidade de temas e assuntos publicados!), resulta de experiências pessoais, impressões, observações e da fantástica oportunidade que tenho como profissional de participar de reuniões, seminários, conferências, convenções ou mesmo, em simples bate papos com alguns dos mais influentes e antenados profissionais do mercado fonográfico. Como mencionei aqui mesmo no blog, recentemente tive a oportunidade de participar de minha oitava convenção internacional com pessoas de diferentes países, culturas e experiências do mercado fonográfico. Cada uma destas experiências acaba criando um arcabouço de conhecimento tão incrível, que não me sinto no direito de reter estas informações e é exatamente por este motivo que durante tanto tempo dedico algumas horas, às vezes poucos minutos para escrever alguns textos para o Observatório Cristão.

Na semana passada participei de um evento muito específico, na verdade, uma apresentação de resultados e novidades, exclusivo para as equipes de digital marketing, A&R e digital sales das gravadoras. Este evento foi realizado por uma das plataformas de áudio streaming em atividade no país. Em meio a um turbilhão de informações, planilhas, slides, consegui anotar algumas questões que me chamaram a atenção e as quais eu gostaria de dividir com os 69 leitores de nosso blog.

Você por acaso já ouviu falar em SKIP ou Taxa de SKIP?

Certamente você já ouviu falar sobre o poder do controle remoto, que é a liberdade plena que o consumidor tem de decidir o que irá assistir ou mesmo ouvir. Este “poder” foi potencializado a uma escala sem precedentes com a popularização das TVs por assinatura, afinal com o aumento das opções de conteúdo esta liberdade de escolha tornou-se ainda maior. Basta uma falta de interesse e automaticamente o consumidor aperta a tecla na busca de outro canal, outro conteúdo. Em alguns casos, este empoderamento se torna doentio a ponto do dito cujo ter crises de abstinência pela distância do controle remoto. Freud explicaria, sem dúvida! Mas voltando ao SKIP … este termo passa a ser recorrente entre os profissionais de marketing e sales, principalmente no ambiente de streaming e mais ainda, em se tratando de playlists. Explicando: SKIP é o ato do usuário de pular a música demonstrando assim sua rejeição àquela canção. Esta simples ação de pular a faixa acende alertas importantes nas equipes de análise e performance das plataformas digitais. Este é o recado mais claro e direto por parte do consumidor de que aquela determinada música não o agradou. Quando uma música é inserida numa playlist, além do número de streams ou de vezes em que a canção é ouvida pelos usuários, a quantidade de SKIPs também tem um peso enorme na avaliação e manutenção da música naquela determinada playlist.

Em playlists como “Novidades”, “Top 50” e outras onde a relevância é fator de permanência, o SKIP tem fator preponderante pela presença das faixas na seleção musical. Em alguns casos, determinado artista ou canção pode ser testado pela equipe editorial da plataforma. Seria mais ou menos como colocar uma canção de André e Felipe, dupla sertaneja gospel, em meio à playlist “Baladas Sertanejas” no meio de Henrique e Juliano, Fernando e Sorocaba, Matheus e Kauan, entre outros. Se não houver uma alta taxa de SKIP, muito possivelmente esta canção se manterá na playlist. Recentemente os singles do DJ PV, especialmente a faixa “Eu Sei” com participação do Mauro Henrique, foram incluídas em playlists de música eletrônica no Brasil e no exterior, e até agora, se mantém por lá pela baixa taxa de SKIP.

Você sabe o que é stream? E como é considerado um stream para efeito de monetização?

O stream é o simples ato de se executar a faixa musical através de uma plataforma digital, que pode ser tanto de áudio como de vídeo. As mais conhecidas plataformas de áudio em operação no Brasil são o Deezer, o Spotify, Apple Music, Napster. Há indícios firmes de que até o meio de 2018 teremos o desembarque da Amazon em terras Brasilis. Já as plataformas de vídeo streaming são o popular YouTube e seu parceiro premium, VEVO. Para quem não está ambientado às plataformas, vale ressaltar que há importantes diferenças entre a VEVO e o YouTube. A VEVO é uma plataforma exclusiva de conteúdo musical, enquanto que o YouTube vai de música a como fritar ovo com perfeição. Outra diferença está na introdução de conteúdo onde no YouTube qualquer usuário pode abrir uma conta e despejar qualquer coisa, já na VEVO este conteúdo precisa ser ratificado pela plataforma.

Tanto para o áudio como para o vídeo, bastam 30 segundos de execução da faixa para que esta gere monetização. A monetização não é um valor fixo, a publicidade obtida no vídeo, sua audiência e outras relevâncias são somadas e no fim, geram um valor de monetização. Nos últimos 4 anos, o valor de monetização de vídeos no Brasil despencou absurdamente, muito em função da crise econômica e da queda nos investimentos de publicidade. A receita gerada pelo YouTube no mundo, ficou abaixo ao valor gerado pela venda de vinis, sim isso mesmo! Os velhos bolachões geraram mais receita para a indústria fonográfica mundial do que os trilhões de views do YouTube. Não por coincidência, a indústria está em pé de guerra com o YouTube em escala mundial exigindo melhores receitas desta parceria.

E aí, temos uma dica muito especial aos artistas e principalmente produtores musicais. Com a taxa de SKIP e a monetização contando apenas os 30 segundos iniciais, aquelas músicas com introduções intermináveis correm sério risco de derrubar a performance das canções. Em bom português, não há espaço para músicas que demoram a dizer para o que vieram. Sejam diretos em apresentar a força da canção para reter a atenção do usuário já nos primeiros segundos da faixa. #FicaaDica

Qual a importância do artista ter sua playlist?

A palavra da vez é playlist e para quem não está ainda por dentro do isso significa, basta lembrar do século passado onde gravávamos as melhores canções num fita cassete. Lembro-me que alguns amigos eram experts em seleções musicais e ganhavam um dinheirinho extra copiando suas compilações para terceiros. Tinha de tudo um pouco, do punk rock aos temas de novelas, da MPB ao heavy metal, passando ao rock brazuca dos anos 80 ou às melosas músicas românticas que tocavam no Good Times 98, programa que fez história no rádio brasileiro. Pois bem, esta seleção é o que em tempos virtuais chamamos de playlists.

Há playlists com milhões de seguidores. As mais influentes no Brasil são as ligadas ao sertanejo, funk, eletrônica e pop. No gospel, todas as plataformas já possuem playlists específicas com alguns milhares de seguidores. A cantora Priscilla Alcântara é a única artista brasileira a ter uma playlist pessoal entre as 200 maiores do país e já esteve por algumas semanas entre o top 70, verdadeira marca a ser batida ainda. Atualmente ela comemora mais de 45 mil seguidores na playlist “Pra Chorar com Jesus” no Spotify e outros 15 mil na Deezer (esta última em apenas 5 dias no ar). Ainda falando da antenada Priscilla Alcântara, como usuária do Spotify, era muito natural que ela focasse suas ações exclusivamente para esta plataforma. Mas, não podemos deixar de lembrar que como artista e formadora de opinião, não se pode privilegiar uma plataforma em detrimento de outras. Então, nossa equipe sugeriu que a artista criasse uma conta na Deezer e Apple Music para também criar esta mesma playlist nas outras concorrentes.

É fundamental que o artista esteja presente a ativo em TODAS as plataformas digitais. Não é caso de preferência. É caso de atender ao público da artista que por motivos diversos e pessoais preferiu esta e não aquela plataforma. Vale ressaltar que a menos que a pessoa seja um heavy user digital todas as pessoas costumam lidar com apenas uma plataforma no seu dia a dia. Mesmo entendendo que o usuário pode ter contas gratuitas no Spotify ou Deezer. No dia a dia, o consumidor sempre elegerá uma plataforma e, por isso mesmo, o artista deve ser plural na visão e ação para comunicar-se com o seu público em todos os ambientes.

O fã, o seguidor, aquele que curte determinado artista também se interessa muito em conhecer as referências e hábitos musicais dos artistas com que se identificam. Portanto, playlists de conteúdo diverso são sempre muito interessantes e dão um retrato mais humano ao artista. É muito legal, por exemplo, ouvir o que Leonardo Gonçalves ou Gabriela Rocha curtem ouvir em seus momentos de lazer. Outro dia estava vendo a playlist pessoal da Damares e me surpreendi ao ver que ela curte (muito mesmo!) o som do Ao Cubo. Interessante, não? Nestes casos, o artista precisa ser bastante criterioso porque está agindo como um curador artístico e seu ponto de vista poderá influenciar milhares de pessoas. Se uma playlist é feita sem qualquer critério, a frustração do público será total e certamente o alcance será mínimo, ou seja, não atenderá em nada ao objetivo primordial da ação.

Mas numa playlist pessoal o artista pode incluir uma música sua?

Se nem ele mesmo curte sua música, quem irá curtir? Claro que o artista pode (e deve) incluir algumas faixas de seu próprio projeto, mas isso requer bom senso e parcimônia. Não dá para numa playlist de 20 faixas, o ególatra incluir 10 faixas próprias. A proporção aceitável é de mais ou menos 10% de conteúdo próprio numa playlist pessoal. Nestes casos, o artista pode colocar a sua faixa predileta entre as 5 primeiras canções da playlist, sem maiores traumas.

Quais conceitos para se criar uma playlist?

Há vários critérios para se criar uma playlist. As mais comuns são estilos musicais e as que têm relação com alguma atividade do dia. A Discopraise, por exemplo, criou playlists específicas para o momento da malhação (sim, o crente faz academia!), para o momento de relax, para curtir com a família e por aí vai … não é muito produtivo sair criando um momento de playlists no perfil do artista. O ideal é focar no crescimento de uma, duas no máximo, playlists. À medida que as playlists forem crescendo, pode-se buscar a criação de outra compilação. Vale ressaltar também que as playlists podem ao longo do tempo mudar seus respectivos nomes e conceitos. Há também playlists específicas para datas comemorativas como Dia das Mães, Dia dos Namorados … nestes casos, pode-se manter a playlist, alterando um pouco o perfil mais adiante.

Um detalhe muito importante em se tratando de playlist tem a ver com a escolha do nome. É claro que nosso lado Olivetto ou Guanaes sempre tende a aflorar em momentos como este, mas a verdade é que nestes casos, quanto mais simples e óbvio melhor será o resultado. Por exemplo, se eu fosse criar uma playlist de músicas pentecostais automaticamente pensaria em algo como “As Melhores do manto”, “As ungidas do reteté”, “Canelinha de fogo”, “Fogo Puro, ou algo do tipo, agora por mais simpáticas, criativas e até adequadas ao linguajar das igrejas e consumidores pentecostais, a verdade é que estes nomes não ajudariam em absolutamente nada no projeto de Busca das plataformas digitais. Um nome simples como “Músicas Pentecostais” ou “Sucessos Pentecostais” já seria o suficiente para que minha playlist encabeçasse os resultados de procura e isto, certamente, potencializaria em muito a possibilidade de angariar seguidores. #FicaaDica

Ainda sobre playlists, uma observação merece todo cuidado! É muito comum o artista (e os usuários comuns) se empolgarem no momento de conhecimento e início de relação com uma plataforma digital, até mesmo pela facilidade que é a interação entre o usuário e as inúmeras ferramentas disponíveis. Me lembro que nos primeiros dias em que comecei a usar minha conta pessoal em uma plataforma de áudio streaming, saí que nem um faminto atrás de prato de comida montando playlists dos mais variados assuntos. Também saí seguindo um monte de artistas. Minha relação no início foi meio compulsiva, frenética mesmo! Mas com o passar do tempo, fiquei só como usuário dos conteúdos da própria plataforma. Acabei deixando de lado minhas playlists, meus projetos … mesmo sendo um profissional da música, na verdade, sou um usuário comum em se tratando de plataformas digitais. Não me considero um formador de opinião e, mais do que isso, não esforço nem um pouco para sê-lo. Nem mesmo nas redes sociais tenho este empenho mesmo contando com alguns milhares de seguidores. No entanto, no caso de artistas, as plataformas digitais precisam ser tratadas como importantes (fundamentais, eu diria) ferramentas de impulsionamentos de resultados. E com este entendimento, o artista precisa cuidar de suas playlists de uma forma muito atenciosa e ativa. As atualizações precisam ser periódicas. Vou repetir para ficar ainda mais claro: não se pode criar uma playlist, divulga-la e depois deixá-la abandonada num canto, sem carinho, sem atenção, sem atualização! Os próprios seguidores perceberão que o ‘dono’ não dá a mínima atenção para sua cria, então porque ele deveria manter-se seguindo aquela playlist?

Quando uma pessoa passa a seguir uma determinada playlist, automaticamente ela passa a fazer parte de um grupo de pessoas que será periodicamente impactado por tudo o que acontecer naquela playlist. Ou seja, entrou uma música nova na playlist, TODOS os seus seguidores serão informados. Uma simples alteração de posição de faixa na playlist já é suficiente para que os seguidores sejam impactados pela novidade. Por falar em posição, saiba que em playlist não existe esta história de que os últimos serão os primeiros, não mesmo! Os últimos serão os últimos e muitas das vezes sequer serão notados. Então, uma boa colocação em playlists é fundamental para uma boa audiência para a faixa. Uma playlist deve ter no mínimo 20 faixas e o número limite não existe, mas como cada playlist tem um consumo diferente, o ideal é que se respeite o tamanho da playlist com a expectativa do consumo. Por exemplo, uma aula fitness numa academia dura em torno de 50 minutos, então uma seleção de músicas para esta finalidade não pode ter 5 horas e 32 minutos … a não ser que seja feita exclusivamente para os marombeiros e marombeiras fanáticos e com muito tempo de sobra. Uma playlist que se destina a viagens (eu tenho uma que chama-se “Na Estrada”) não pode ter poucos minutos de duração. O ideal é que este tipo de playlist dure no mínimo 2 a 3 horas.

Vou ficando por aqui. Acredito que este foi um post bastante informativo. Caso você curtiu este texto, queria te incentivar a colocar suas opiniões em nosso espaço de comentários na parte inferior desta página. Aos meus 69 leitores gostaria de indicar uma playlist que estou seguindo e que estou curtindo muito, “13 Razões” com o Kemuel. Através desta seleção conheci alguns artistas estrangeiros que passei inclusive a seguir. A seleção de músicas é formidável. O cuidado com que eles estão lidando na playlist tem sido louvável e até a capa do projeto eu curti demais. Nota 10 para o Kemuel. Lembrando que boa parte destas mudanças de comportamento dos artistas Sony Music no mundo digital são fruto de 2 anos de treinamento e intensa troca de informações com a equipe Sales e Marketing Digital da gravadora. A todos da equipe, meu muito obrigado pela parceria e meus parabéns ao cast que vem fazendo a diferença no segmento.

Enjoy!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, curador de música gospel informal para as plataformas digitais e curador oficial da playlist Música Gospel de Qualidade.

8 1092

Seguindo rumo a São Paulo para mais uma maratona de reuniões, encontros e muito trabalho. O fim de semana será de muito trabalho. Tentando aproveitar ao máximo o tempo e tentando colocar as postagens do blog em dia, sigo me ‘distraindo’ e escrevendo alguns textos para deleite dos 69 leitores do Observatório Cristão. Às vezes tenho tantos insights, tantas ideias de temas que acabo ficando paralisado e não produzindo nada efetivamente porque sempre me paira uma dúvida sobre qual assunto devo abordar … e, aí na falta de uma decisão mais contundente, mantenho-me no estado inercial. Então pra romper essa paralisia produtiva, vou comentar a respeito de um fato ocorrido na última noite e madrugada dos dias 18 para 19 de maio, a saber: o vídeo da canção “Ninguém Explica Deus” do Preto no Branco ultrapassou a incrível marca de 100 milhões de visualizações, algo até então inédito no segmento de música gospel em todo o mundo na plataforma VEVO. É pra aplaudir de pé igreja!!!!!

Como já comentei outras vezes, esta canção é o exemplo mais bem acabado de uma música gospel que rompeu todos as barreiras do próprio gueto, atingindo pessoas não-evangélicas, ou o que comumente chamamos de mercado gospel. De uma hora para outra, pessoas que não têm contato com o segmento evangélico, com a música gospel, passaram a cantarolar os versos desta canção … “do crente ao ateu, ninguém explica Deus”. Postagens nas redes sociais, vídeos de artistas como Luan Santana, Wesley Safadão, Nego do Borel, a dupla Mateus e Kauan, o YouYuber Whinderson, todo mundo cantando e se emocionando com a força desta canção. “Ninguém Explica Deus” entra no seleto grupo dos hits da música gospel que de fato fizeram o autêntico crossover, ou seja, ultrapassaram os limites do mercado gospel, sendo reconhecida como um hit popular. Neste grupo, podemos reunir não mais do que umas 5 canções interpretadas por Lázaro, Aline Barros, Thalles, Régis Danese e agora, Preto no Branco. No entanto, não quero comentar sobre este sucesso fenomenal, fruto do talento dos intérpretes Clóvis Pinho e Gabriela Rocha. Ou ainda, da perfeita simbiose entre qualidade e estratégia desenvolvida por toda a equipe de profissionais envolvida no projeto, tornando o Preto no Branco a mais perfeita produção de um artista gospel em tempos e formato digitais até então. O tema que quero desenvolver pelas próximas linhas surgiu através da indagação de um profissional de marketing digital em um dos inúmeros grupos de whatsapp de que participo atualmente.

Já há alguns dias estávamos acompanhando com muita atenção a performance deste vídeo nas plataformas de vídeo streaming. Quando ainda faltavam cerca de 8 milhões de views para a marca dos 100 milhões, nosso alerta já estava ligado e projeções eram feitas imaginando a data em que romperíamos a meta proposta. E aí, justamente no grupo de profissionais de marketing digital dividi minha alegria pela proximidade do grande feito. Muitos emoticons de sorrisos, aplausos, olhos esbugalhados, comentários efusivos e impressionados dos participantes e em meio a tudo isso, uma pergunta que servirá de mote principal para este post, a saber: Mas este resultado é impulsionado ou orgânico?

Para quem não está muito ambientado aos termos e jargões do marketing digital, o que o jovem profissional queria saber era se houve de nossa parte algum investimento para aumentar a visualização do vídeo ou se este resultado foi espontâneo, natural, ou como falamos hoje no linguajar mais técnico, orgânico. Antes mesmo de eu responder ao questionamento, outro profissional do mesmo grupo imediatamente entrou na conversa e tratou de opinar com a seguinte palavra: Independente de orgânico ou impulsionado, a verdade é que o resultado é incrível, que milhões e milhões de pessoas assistiram e que o clipe e a estratégia funcionaram perfeitamente. A realidade é que a música se tornou um hit!

Esta conversa virtual gerou vários insights sobre este mesmo assunto. A realidade é que tem muita gente confundindo resultados fakes com alcances estratégicos devido a investimentos realizados com extrema eficácia e assertividade. Não podemos confundir investimento para alcance do maior número de pessoas com aqueles aplicativos e ferramentas que potencializavam em escala astronômica os seguidores de redes sociais. Do dia para a noite o cantor do interior de Mato Grosso saía do absoluto anonimato para incríveis 500, 800, 1 milhão de fãs … e mais do que isso, com amigos em todas as partes do mundo como Chechênia, Butão ou Croácia, São Gabriel das Missões. O cara ganhava mais amigos do dia para a noite do que vencedor da Mega Sena da Virada! Incrível!

Quando se fala em impulsionamento de música ou de vídeo o objetivo é que aquele conteúdo alcance o maior número de pessoas para que estas mesmas pessoas contribuam com a divulgação da canção, aí sim, de forma espontânea e orgânica. É assim que as coisas funcionam! Se a música tiver qualidade, a possibilidade de depois de um ‘empurrão’ a faixa tornar-se viral é absurdamente grande! Em contrapartida, em meio a tantos conteúdos que hoje contam com estes investimentos, a chance de uma música crescer e se tornar conhecida de forma natural, no boca a boca é bastante limitada porque diariamente as pessoas são impactadas por diferentes conteúdos e aí, de fato, não sobra muito espaço para quem não faz investimentos.

O mundo artístico tem algumas questões que constantemente precisam ser ajustadas. Hoje mais cedo conversei com um cantor que participa de um ministério de louvor de uma igreja bastante relevante no país. O material deles tem muita qualidade em vídeo, produção e repertório. Mas o resultado efetivo está longe de ser comemorado. Aí bem cedo este artista me direcionou uma troca de mensagens entre seu pastor e ele. Resumindo a história, o pastor questionava sobre o que estava faltando ao seu ministério para que não alcançasse os resultados esperados já que em termos de qualidade julgavam-se dentro de um bom nível. Minha resposta a esta indagação foi bastante simples e direta: faltava o marketing digital, os investimentos nas plataformas. Só assim, aquele conteúdo teria alcance e relevância junto ao público que interessava. Ressalte-se que esta é uma questão inequívoca e que não traz em si nenhum juízo de qualidade, pelo contrário, tanto as produções de alto apuro estético quanto outras músicas ruins do ponto de vista artístico (vide a enxurrada de hits vindos do funk paulista que estão no ranking de streamings no Brasil) seguem tornando-se sucesso devido aos investimentos em marketing digital.

Piloto avisando de nossa chegada…

Antes que o comissário me peça para fechar a mesa e desligar o computador gostaria de dizer que neste momento, contar com a assessoria de um profissional de marketing digital passa a ser tão importante como investir naquele produtor top de linha ou no diretor de vídeo com prêmios em Cannes … se não tiver alguém pra divulgar corretamente seu conteúdo será mais ou menos como aquele ditado do nadar, nadar e morrer na praia … bem por aí …

O comissário vem se aproximando …

Bye!

Mauricio Soares, publicitário, consultor de marketing, jornalista e pai … neste momento curtindo muito o novo single de Priscilla Alcântara (Tanto Faz) e o álbum “Lado B” da Discopraise … todo meu respeito aos rapazes do Planalto Central!!!!

Para quem me acompanha em alguma das inúmeras redes sociais em que divido parte de meu dia a dia, deve ter percebido que recentemente participei de uma mega convenção em Miami com alguns dos mais importantes profissionais do mercado artístico e fonográfico. E nos próximos textos que irei postar por aqui, tentarei esmiuçar um pouco mais de tudo o que foi comentado, apresentado, informado naqueles dias tão intensos. O objetivo de nosso blog desde sua criação há quase 10 anos atrás sempre foi de dividir um pouco de nosso conhecimento ajudando na capacitação dos artistas, mídias, profissionais que gravitam em torno do mercado cristão musical.

Os assuntos são vários e irei postá-los sem necessariamente seguir uma ordem de importância. Anotei vários insights, informações, dicas e observações sobre o que está acontecendo e o que provavelmente acontecerá nos próximos anos no exterior e no mercado brasileiro e sobre estas questões é que iremos tratar daqui em diante. Vasculhando meu caderno me deparo com um destes insights e literalmente o que escrevi ali foi “Atenção para a importância do repertório. Ideia de cooperativa ou criação colaborativa, pessoas reunidas especificamente para composição de hits”.

Este assunto surgiu em uma das apresentações dos países que participaram de nossa convenção. O projeto tinha como objetivo juntar alguns dos mais ativos e renomados compositores, arranjadores, produtores e a equipe do A&R da gravadora em sessões de brainstorming em busca de hits. O resultado desta iniciativa que mereceu destaque foi uma fusão de estilos, produção de qualidade e uma grande interação entre os profissionais que atuam num mesmo objetivo, mas que não necessariamente caminhavam juntos. Em poucas semanas de trabalho, algumas canções foram escritas, produzidas e apresentadas aos grandes artistas da companhia que se encontravam em fase de seleção de repertório. Já posso adiantar que alguns dos hits que tocarão exaustivamente nas rádios e playlists do mundo, serão fruto deste trabalho inovador.

Mudando o foco para o nosso dia a dia no mercado da música cristã no Brasil, vejo o quanto necessitamos de atitudes como esta proposta descrita acima. Falando em tom pessoal, vejo como é difícil selecionar repertórios de qualidade para artistas de nosso meio neste momento de certa escassez criativa e autoral. Tenho casos clássicos em que o artista e seu produtor nos apresentaram mais de 200 canções para no fim, serem selecionadas 2 a 3 canções de forma convicta e mais umas 2 ou 3 outras faixas sem tanta empolgação. Basta analisarmos as fichas técnicas dos mais recentes projetos dos grandes nomes do jet set gospel pra percebermos a escassez de novidades entre os nomes dos compositores e, principalmente, de temas, assuntos, propostas artísticas. Somos um meio em que um grande sucesso acaba influenciando por anos e anos os demais artistas, estilos e produções. Vale lembrar que quando Fernandinho estourou com “Faz Chover”, todo mundo gravou em seguida falando de ‘águas’, ‘chuvas’ e por aí vai … o mesmo aconteceu quando o Toque no Altar explodiu com “Restitui” e aí o assunto se tornou assunto recorrente rivalizando com o Leão do Imposto de Renda. Ter uma música de Anderson Freire no repertório de um disco significava um atestado ISO9002 de Sucesso, o que na verdade não se tornava realidade tamanha quantidade de músicas semelhantes sendo gravadas por artistas de norte a sul do país.

Os artistas precisam entender de uma vez por todas é que TODO projeto de sucesso se inicia através de uma boa música! O grande hitmaker Michael Sullivan repete sempre a mesma cantilena de que no fim, tudo se baseia na música! E eu concordo plenamente nisso! Não adianta ter uma estratégia bem elaborada, bons contatos, agenda intensa de shows e nem mesmo muita grana pra se investir e não ter a música! Há o caso recente de um artista que investiu muito dinheiro em rádios, em estrutura de shows, bom networking, produção no exterior, e tudo mais, para no fim não chegar a lugar algum! Especificamente neste caso, além da ausência de um hit, também considero a falta de carisma como o grande responsável pelo não sucesso do projeto, mas isto é tema para outro post.

Ações como esta cooperativa de compositores é uma iniciativa muito bem vinda em nosso meio. Melhor ainda é o conceito de produtores trabalhando lado a lado com estes profissionais. Na verdade, os produtores do meio gospel precisam rever suas respectivas atuações e forma de trabalho, pois em sua imensa maioria o que temos na verdade são arranjadores e não produtores que pensam de forma estratégica e analítica seus projetos. E, de verdade, acho que ultimamente (ou desde sempre) as tendências em nosso meio artístico gospel seguem de uma forma muito natural, ou pra usar a expressão da moda, de forma orgânica. Pouco se pensa. Pouco se analisa. Pouco se observa. Nada ou quase nada se pesquisa e busca por novas referências. E esta inércia acaba afetando diretamente o que se é produzido em nosso segmento. Até pouco tempo atrás, o estilo Cold Play (ops!), Hillsong de misturar louvor congregacional com rifs de guitarras, pop rock londrino e ministrações em meio a momentos de profundo mantra, tornou-se mais comum do que ouvir o depoimento do Senhor Excelentíssimo Ex-Presidente Lula afirmando que não sabia de nada.

Nestes dias de convenção, tive acesso a artistas do Leste Europeu, da Inglaterra, Alemanha, Áustria, dos Estados Unidos, Espanha, Portugal, Itália e, claro de nossos hermanos latinos do México, Colômbia, Uruguai, Chile, Argentina, Porto Rico, República Dominicana e tantos outros países, culturas e influências. À medida que tinha contato com seus trabalhos, anotava atentamente quais artistas de nosso cast gospel no Brasil tinham alguma sinergia com aquele artista internacional. Em alguns casos, mandava os links no próprio momento dos seus pocket shows ou apresentações. Esta troca de experiências, referências, sonoridades, é o que faz com que o artista cresça e torne-se relevante em meio ao marasmo criativo ululante da cena cultural.

Já postei aqui pelo blog alguns textos falando a respeito da importância da produção, do cuidado na escolha do repertório. Uma das minhas dicas sempre é investir no conhecimento, na cultura geral, e em nosso caso específico, no conhecimento da Palavra. Compositor que não tem o hábito da leitura é como guarda vidas que não sabe nadar, as coisas não se encaixam perfeitamente. Meu incentivo com este post é para que valorizemos a criatividade, a qualidade, novos sons, novas propostas musicais e artistas. Que a palavra seja valorizada em detrimento aos refrões de fácil assimilação. Que a poesia esteja presente e faça as pessoas pensarem e, principalmente, se emocionarem. Que os profissionais deste segmento valorizem encontros em busca de algo melhor, mais bem acabado e que atenda às demandas do público, do mercado, do segmento como um todo.

Fica a dica!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista e atualmente curtindo os sons de James Arthur, Os Arrais (novo projeto que já estou tendo o prazer de ouvir de forma exclusiva), Monsieur Periné e o novo single do DJ PV ft. Mauro Henrique.

0 575

Depois de uma semana intensa de produção em meio ao feriado carnavalesco, volto à labuta para dedicar-me por alguns minutos à prática de escrever textos para nosso dileto blog. Outro dia um amigo cantor me perguntou assustado como eu consigo fazer tantas coisas no meu dia a dia e ainda arrumar tempo para escrever para o Observatório Cristão. A resposta sincera e imediata foi um simples: não sei também! Mas a verdade é que, especialmente nos últimos anos e ainda mais intensamente nos derradeiros meses, o blog tem contribuído muito para que eu apresente informações ao grande público, artistas principalmente, de uma forma mais didática e atualizada.

Hoje não tenho mais tanta falta de assuntos. O que me falta mesmo é o tempo para trazê-los à baila em nossos textos. E este texto de hoje, que começo a escrever depois de um dia intenso de trabalho e aguardando sair do escritório para mais um compromisso que irá seguir noite adentro, tem como base algumas das últimas pesquisas sobre resultados de streaming no Brasil e no mundo. Semanalmente recebo reports de desempenho de músicas nas principais plataformas de audio streaming do mundo. Também diariamente pesquiso em alguns sites e ferramentas que tenho à disposição sobre o desempenho de vídeos nas duas principais plataformas, YouTube e VEVO. Ou seja, meu dia a dia hoje, além de reuniões, audições, planejamentos, encontros e ações estratégicas, vem sendo tomado por planilhas, estudos, projeções e tendências. Imagino que nunca a indústria da música no mundo trabalhou com tantas informações, estatísticas e conteúdos para análise dos profissionais de diferentes áreas. No entanto, o texto de hoje não irá por este caminho, já falei há alguns posts atrás sobre o Business Inteligence e de como esta área vem crescendo e irá tornar-se fundamental no mercado do entretenimento em geral. Vamos falar dos dados que venho observando nestes rankings que recebo periodicamente.

Além da tendência mundial de hits baseados em loops, efeitos e traquitanas da música eletrônica, outra característica me chama a atenção neste momento que é a proliferação de músicas com participações especiais também conhecidos como Feat ou simplesmente ft., que é a versão mais comum no meio artístico. Neste momento, entre as 10 faixas mais ouvidas nas plataformas de audio streaming nada menos do que 6 são duetos ou mesmo trios. Entre as músicas mais executadas no Brasil neste ano, destaque para Nego do Borel cantando com Anitta e Wesley Safadão. Esta prática é especialmente disseminada entre os cantores sertanejos, muitos dos quais contratados de um mesmo escritório de management, o que acaba facilitando as parcerias e principalmente, servindo como mais uma estratégia de posicionamento e divulgação dos artistas, especialmente aqueles mais jovens.

Antigamente, na época dos discos físicos, as participações especiais de artistas em projetos figuravam apenas a partir da terceira faixa em diante. Muito dificilmente a música com a participação de outro artista seria a música principal do disco como divulgação, não se gravavam clipes, enfim, aquele registro ficava meio perdido em meio a tantas outras faixas. A razão de se ter uma participação especial remetia mais à admiração daquele determinado artista ao convidado do que a qualquer outra estratégia mais elaborada de marketing. Só que hoje em dia as parcerias são muito mais do que um simples registro. Estes encontros passaram a ser fundamentais para a expansão do artista em busca de uma maior divulgação de seu trabalho, do maior alcance de sua música em busca de novos públicos (leia-se também neste caso, maior número de seguidores em redes sociais e plataformas) e ainda, em maior espaço nas mídias já que esta tendência tornou-se verdadeira febre não só no Brasil como no mundo todo.

Focando em nosso mundo gospel tupiniquim, basta lembrarmos que a música mais executada em 2016 nas rádios do segmento foi justamente “Ninguém Explica Deus”, sucesso avassalador do Preto no Branco com participação de Gabriela Rocha. A mesma Gabriela Rocha amealhou até agora 19 milhões de visualizações e comemorou mais um hit em sua carreira num dueto com Leonardo Gonçalves na música “Nossa Canção”. Outro artista, Paulo César Baruk também ultrapassou 15 milhões de views na canção “Santo Espírito” em dueto com Leonardo Gonçalves, tornando-se esta a sua faixa de maior visualização em toda a carreira. Voltando um pouco mais no tempo, a música “A dracma e seu dono” com Damares e participação de Thalles Roberto foi um um hit em 2015 e conta com mais de 17 milhões de views. Ou seja, mesmo no gospel que sempre é um pouco mais resistente às tendências e inovações, a prática de participações especiais tornou-se bastante interessante neste momento.

Há artistas internacionais que nos últimos lançamentos de seus singles, todos contaram com participações especiais. Por exemplo, o cantor colombiano Maluma, jovem estrela da música latina, gravou músicas com Ricky Martin, Shakira e mais recentemente a brasileira Anitta. Nos 3 casos, sucessos acachapantes! Na discografia do jovem cantor há muitos outros encontros musicais que juntos garantem milhões e milhões de audio e video streamings.

E a regra das participações musicais me parece que é justamente não ter regra alguma. Basta uma boa música, um excelente vídeo, estratégias bem definidas de marketing e promoção e a participação total dos envolvidos na música junto às redes sociais. Mesmo quando a música pertence a determinado artista, o ideal é que o artista convidado participe ativamente de toda a promoção da faixa usando ao máximo sua própria rede social e canais. Recordo-me que quando convidei o cantor Thalles para gravar uma faixa no disco da pentecostal Damares, um dos meus argumentos à época era justamente a fusão de públicos, afinal os 2 naquele tempo eram altamente populares em diferentes estilos musicais e públicos bem distintos. A fusão foi excelente e tanto Damares como Thalles conseguiram agregar novos admiradores aos seus respectivos trabalhos. Hoje em dia, os argumentos são muito mais elaborados e técnicos do que este simples ‘fusão de públicos” e tem muito a ver com relevância nas redes e plataformas digitais. O alcance de músicas com participações é aumentado bastante e isto acaba repercutindo positivamente em diferentes áreas do universo digital.

Numa próxima produção, que tal pensar em uma participação mais do que especial?

Mauricio Soares, jornalista, publicitário, editor do blog Observatório Cristão nos últimos 9 anos.

1 451

Sigo aproveitando os dias de feriado prolongado para escrever um pouco mais para o blog. Também tenho aproveitado este tempo para responder a algumas entrevistas e mesmo uma pesquisa de conclusão de curso, uma monografia inspirada no mercado de música gospel e da qual sou uma das fontes. Na casa em que estou hospedado na cidade de Armação dos Búzios deparei-me como uma coleção de vinis de deixar qualquer um que curte música, de queixo caído e ouvidos bem atentos. A coleção conta com discos antológicos de Djavan, Maria Bethânia, Gilberto Gil, 14 Bis, A Cor do Som, Guilherme Arantes, Caetano Veloso, Chico Buarque, Secos e Molhados, Tom Jobim, Elis Regina, Beto Guedes, entre outros grandes nomes da MPB. Entre os internacionais, muitas bandas de rock e relíquias de Supertramp, Simon & Garfunkel, Elton John e Bee Gees. Ou seja, só coisa boa e com aquele chiado característico dos vinis, sujeirinha chique e retrô.

Em minha recente viagem de férias pelo sul do país, inclui em uma de minhas playlists apenas músicas da década de 80 ou relíquias da época, inclui boa parte do álbum “Ouvi Dizer” do Grupo Elo e mais canções de Rebanhão, Marquinhos Gomes, João Alexandre, Jorge Camargo, Altos Louvores. Infelizmente muitas canções que listei para minha pesquisa resultaram em arquivo não encontrado, ou seja, muitas músicas do passado da música evangélica ou cristã como se dizia à época, não estão ainda disponíveis nas plataformas de áudio streaming. Frustrante foi perceber que referências como Josué Rodrigues, Banda e Voz ou a dupla Cíntia e Silvia não têm seus repertórios ao acesso da juventude e os nem tão jovens assim, através do Spotify, Deezer ou AppleMusic. Com isto alijamos muitas pessoas de conhecer a história da música cristã no Brasil.

Recentemente o grupo Rebanhão reuniu-se para gravar um DVD comemorativo aos tantos anos de carreira da banda que revolucionou a música cristã no Brasil, não somente do ponto de vista musical, mas também com relação aos temas e forma de compor as canções, algo muito vanguardista para a época. Observei que muita gente nas redes sociais comentava com espanto e incredulidade sobre o que seria o Rebanhão, sua história e sua relevância no cenário artístico. E antes que os raivosos de plantão comecem a vociferar e jogar pedras na ignorância das pessoas sobre o passado do Rebanhão, cabe destacarmos que a igreja evangélica no Brasil ‘explodiu’ de verdade nos últimos 15 a 20 anos somente, ou seja, para boa parte da igreja evangélica brasileira tudo o que vier antes deste período é simplesmente lenda!

Indo para 34 anos de batismo, tive a oportunidade de conhecer grandes nomes da história da música gospel nacional. Lembro-me de um show com o Rebanhão na quadra da Primeira Igreja Batista de Niterói que seria um marco em minha vida. Parecia que eu estava diante de astros internacionais tamanha a admiração que todos nós, adolescentes imberbes nutríamos por aqueles jovens bronzeados com suas guitarras e letras engajadas. Banda e Voz com seu reggae, soul music e brasilidade representava algo novo e por muitas das vezes até mantinha uma aura transgressora pelos padrões da época. Nesta época também, surgia Cristina Mel cantando os grandes hits de artistas como Sandi Patty e Amy Grant. Outra que se destacava nesta época, igualmente em versões internacionais, era a cantora Cristiane Carvalho. Logo depois, em um culto na mesma Primeira Igreja Batista em Niterói, surgia uma jovem cantora que iria fazer história na música gospel, Marina de Oliveira. Pode até parecer história de Forrest Gump, mas eu estava presente e cantando no coral de adolescentes da PIBN quando Marina de Oliveira debutou na música gospel. Coisas da vida.

Sérgio Lopes, Marquinhos Gomes, Altos Louvores, Milad, Edson e Telma, Jorge Camargo, Paulo César Graça e Paz, Jota Neto, Álvaro Tito, João Alexandre, Asaph Borba, Josué Rodrigues, Vencedores por Cristo, eram alguns dos principais nomes do início da fase mais popular da música cristã no Brasil. Ainda não parei para pesquisar o que temos de cada um destes artistas disponível nas plataformas de áudio streaming, mas do pouco que já pude procurar, os resultados não foram nada estimulantes. É muito importante que os jovens ou aqueles que chegaram às igrejas evangélicas no Brasil mais recentemente tenha acesso e conhecimento a estes acervos tão especiais e que forjaram boa parte do que hoje conhecemos como música gospel brasileira.

Quando hoje escuto as canções de Estêvão Queiroga ou Os Arrais, é inevitável não lembrar-me das propostas musicais de Cíntia e Silvia, Josué Rodrigues, Rebanhão ou João Alexandre. O mesmo acontece quando me deparo com as músicas do Preto no Branco, como não identificar-me com a sonoridade de Kadoshi, Atos 2 ou Banda e Voz?

Já comentei em algum texto por aqui publicado de que o futuro (ou já seria presente?) do mercado da música estará ligado exclusivamente a dois formatos, a saber: streaming e vinil. O formato CD seguirá em declínio até manter-se num patamar bastante tímido como um dia foi o próprio LP que hoje se reergue e volta a ser moda. E também gostaria de aproveitar e exercitar meu sentido de projeção, cravando que dificilmente, pelo menos na próxima década teremos um mercado de vinis de música gospel. Então, tudo indica que estes clássicos serão acessíveis ao público tão somente através das plataformas de áudio streaming. Cabe aos selos, gravadoras e mesmo artistas desta época resgatarem estes conteúdos, disponibilizando-os nos novos canais de consumo da música.

Nos últimos anos, em especial nestes 2 mais recentes, venho particularmente buscando contato com selos e gravadoras que possuem estes acervos para contribuir com a entrada destes conteúdos nas plataformas digitais. Infelizmente a esmagadora maioria destas empresas não possui documentação que possibilite o ingresso destes conteúdos nas plataformas, o que acaba atrapalhando todo o processo. Este é, sem dúvida, um objetivo que todo amante da boa música gospel deve ficar na torcida.

Enquanto não consigo ouvir alguns destes artistas citados, vou curtindo um disco antológico gravado no Canecão, tradicional casa de espetáculos do Rio de Janeiro, que já não existe mais e que foi cenário para o encontro antológico entre Tom, Vinícius, Miúcha e Toquinho.

Enjoy!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista e alguém que durante o feriado de carnaval teve estômago para conferir alguns programas de TV nos inúmeros canais de programação evangélica e católica. Assisti a tudo o que era artista, uma avalanche de clipes, musicais e apresentações ao vivo. Mas o que mais se chocou foi ver um pastor tiozão que acha que canta, que acha que compõe e que acha que entende de música, se sacudindo de terno e gravata como um boneco do posto. Misericórdia!

0 485

Nosso meio não é pródigo em reflexões transparentes e sinceras, então quis postar aqui no nosso blog esse vídeo do Zé Bruno da Banda Resgate e pastor da Igreja Casa da Rocha em SP. Sempre é válido parar e analisar atitudes, modismos, tendências e unanimidades.

0 1079

Qual tipo de profissão permite que um jovem sem qualquer experiência anterior possa de uma noite pra outra tornar-se conhecido muito além do seu bairro, quarteirão ou mesmo cidade? Neste momento não me ocorre muitas outras opções para responder a esta questão além da carreira artística. Sim! Munido de um violão, uma câmera, talento, carisma e uma boa dose de entendimento de tecnologia e noções de marketing digital, além, é claro, de um repertório selecionado, jovens de qualquer lugar do planeta podem seguir os mesmos passos de Justin Bieber, viralizando na web, angariando milhões de views, outros tantos milhões de seguidores, tornar-se referência e, ao fim, ser convidado por uma major a integrar o cast da gravadora. Mesmo na área esportiva onde cada vez mais nos deparamos com meninos e meninas alcançando destaque em meio a marmanjos, é necessário que este atleta tenha alguns anos de treinamento, acompanhamento e muito foco. Então, sigo confiante de que neste momento a área artística, especialmente a musical, pode ser uma catapulta potente para que um jovem talento queime etapas, pule degraus e no menor tempo possível torne-se um grande sucesso.

Neste momento estamos diante de uma mudança no meio artístico tão radical e tão impressionante que podemos nos deparar com pop stars surgindo em poucos meses, quando estes mesmos, tempos atrás estes eram ilustres desconhecidos no mais absoluto anonimato. Com o advento da internet e das inúmeras plataformas de rede sociais, cada vez fica mais democrático e inesperado o Olimpo artístico. Se até poucos anos atrás, um artista para tornar-se conhecido nacionalmente deveria ser obrigatoriamente divulgado em grandes centros urbanos como São Paulo, Belo Horizonte, Salvador e principalmente, Rio de Janeiro, hoje em dia, a questão territorial literalmente cai por terra. Há algumas semanas atrás comecei a acompanhar o trabalho de uma jovem de 16 anos que vem crescendo dia a dia em relevância nas redes sociais e nas plataformas de video streaming. Sua desenvoltura em frente às câmeras, sua simpatia, talento e principalmente sua empatia junto ao público teen e jovem de diferentes regiões do país, chamou-me a atenção a ponto de fazer algo que há muito tempo não fazia, ou seja, pegar o telefone e fazer contato com uma jovem artista. Esta menina não reside numa capital do país, muito pelo contrário! mas isso, de verdade, de nada importa neste contexto atual. O que importa é que ela tem uma proposta musical de qualidade, está antenada nas redes sociais, seus vídeos têm milhões de visualizações, seus canais têm milhões de seguidores e ela tem o DNA digital, ou seja, é parte de uma geração que vive, pensa, age, se relaciona através da tecnologia e seus diferentes ambientes.

Na verdade, hoje em dia podemos ter celebridades web em função do talento, de uma boa música, mas também pelo oposto, pela bizarrice, pela falta de bom senso e do ridículo. Nestes casos a vida artística é bem fugaz, os vídeos surgem viralizando na rede e no whatsapp e somem na mesma velocidade com que surgem. A dupla “Para Nossa Alegria” que chegou até a lançar um álbum e assinar contrato com uma gravadora, ficou no passado distante em completo ostracismo. Vou ater-me exclusivamente aos cases de sucesso. Melhor assim.

Estamos diante de uma época muito interessante, onde as mudanças de comportamento, hábitos e do contato cotidiano com a música estão em profunda transformação. Outro dia atrás, conversando com um amigo, que por sinal é músico também, destaquei que no meu entendimento hoje temos 3 categorias de artistas convivendo num mesmo cosmos. Há uma turma que viveu o auge do mercado fonográfico com a venda de CDs, DVDs e alguns até com os LPs, e que acreditam na manutenção das demandas atuais por mais algumas décadas à frente. Estes resistem o quanto podem à adaptarem-se às novas realidades, tecnologias, estratégias, hábitos e ações. Para estes, sempre haverá público para os produtos no formato físico e não há necessidade alguma de mudar antigos conceitos e atitudes. A minha visão, que é constantemente explicitada, inclusive aqui no Observatório Cristão, é de que muito possivelmente teremos uma estagnação das vendas físicas daqui alguns anos. Não creio no desaparecimento das mídias físicas, o que realmente acredito é que este mercado irá encolher pelos próximos anos chegando a um nível de 10 a 15% da receita da indústria fonográfica e neste caso, os CDs se somariam aos LPs como um mercado único, do formato físico. O que observaremos nos próximos 3 anos é uma mudança paulatina de consumidores físicos migrando para as plataformas de streaming.

Outro perfil de artista neste momento é aquele que já se deu conta das mudanças, mas que ainda não pensa e age totalmente dentro da realidade digital. É literalmente aquele personagem que está no meio do caminho, que sabe que é necessário seguir viagem mas não tem coragem de deixar o conforto e a segurança da casa dos pais. Ele sabe que as vendas físicas irão cada dia diminuir, mas ainda não tomou coragem de se organizar a ponto de pensar com a mentalidade digital. Como toda mudança, é necessário desamarrar-se de antigas ‘cordas’, é fundamental buscar novos conceitos, novas atitudes, novos profissionais de apoio, novas expectativas e metas. O terceiro modelo de artista que encontro neste atual estágio é justamente aquele que encara de frente as transformações e já pensa e age de acordo com as novas demandas. Este artista é antenado, geralmente tem uma boa equipe de apoio (geralmente formada por ‘experientes’ profissionais de 18, 20 anos de idade), é heavy user das redes sociais, conhece profundamente cada plataforma, pensa digitalmente, é ágil, observa os demais artistas na rede (e aprende com outras eles), e tem número crescente de seguidores nas redes sociais.

Em 27 anos de mercado (como estou ficando velho!) nunca vivenciei uma época como esta onde me parece que tudo está zerado, ou seja, tanto medalhões e artistas jovens, grandes vendedores de discos e adolescentes que nunca encararam um estúdio pela frente, artistas que viajaram por vários países e aqueles que conhecem o mundo exclusivamente pela web, todos estão partindo de um mesmo patamar. Tornar-se um artista relevante digital neste momento é relativamente possível e acessível tanto para artistas renomados (e que entendam a necessidade de se reciclarem!) como para os novatos que estão ‘entrando no ônibus’ agora. Só que esta fase, não irá durar muito tempo! Não mesmo! Em muito pouco tempo, talvez não mais do que 1 ano ou 2 anos no máximo os artistas ‘digitais’ estarão estabilizados e assentados nomainstream. Aí vai ficar mais difícil pra quem chegar atrasado garantir seu lugar de destaque em meio à concorrência. Portanto, é mais do que urgente repensar posicionamentos, atitudes e estratégias. É bem verdade que estamos diante de uma geração absurdamente volúvel onde os modismos mudam na velocidade da luz e o que é in hoje, amanhã já pode ser out. Com isso é até possível que determinados artistas que chegaram a um bom destaque no meio, por motivos diversos, voltem ao fim da fila novamente e desta forma, abram espaço para novos artistas e propostas. A verdade é que como numa brincadeira de dança das cadeiras, na vida artística pouquíssimos são os astros que conseguem ter uma carreira de sucesso, longeva e não sujeita a intempéries. O mais comum é que todo aquele que levanta pra entrar na roda, corre o risco de ficar sem lugar pra se sentar. A concorrência no meio artístico é cruel …

As cartas estão na mesa. Preparem-se porque o jogo vai começar!

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista. Finalizo este texto em um estúdio em São Paulo em meio à gravação do projeto Lado B com a Discopraise. Que por sinal, é uma banda completamente antenada nas novidades, que vem crescendo absurdamente em relevância, agenda e musicalmente. Nota 10 rapaziada!