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Depois de uma semana intensa de produção em meio ao feriado carnavalesco, volto à labuta para dedicar-me por alguns minutos à prática de escrever textos para nosso dileto blog. Outro dia um amigo cantor me perguntou assustado como eu consigo fazer tantas coisas no meu dia a dia e ainda arrumar tempo para escrever para o Observatório Cristão. A resposta sincera e imediata foi um simples: não sei também! Mas a verdade é que, especialmente nos últimos anos e ainda mais intensamente nos derradeiros meses, o blog tem contribuído muito para que eu apresente informações ao grande público, artistas principalmente, de uma forma mais didática e atualizada.

Hoje não tenho mais tanta falta de assuntos. O que me falta mesmo é o tempo para trazê-los à baila em nossos textos. E este texto de hoje, que começo a escrever depois de um dia intenso de trabalho e aguardando sair do escritório para mais um compromisso que irá seguir noite adentro, tem como base algumas das últimas pesquisas sobre resultados de streaming no Brasil e no mundo. Semanalmente recebo reports de desempenho de músicas nas principais plataformas de audio streaming do mundo. Também diariamente pesquiso em alguns sites e ferramentas que tenho à disposição sobre o desempenho de vídeos nas duas principais plataformas, YouTube e VEVO. Ou seja, meu dia a dia hoje, além de reuniões, audições, planejamentos, encontros e ações estratégicas, vem sendo tomado por planilhas, estudos, projeções e tendências. Imagino que nunca a indústria da música no mundo trabalhou com tantas informações, estatísticas e conteúdos para análise dos profissionais de diferentes áreas. No entanto, o texto de hoje não irá por este caminho, já falei há alguns posts atrás sobre o Business Inteligence e de como esta área vem crescendo e irá tornar-se fundamental no mercado do entretenimento em geral. Vamos falar dos dados que venho observando nestes rankings que recebo periodicamente.

Além da tendência mundial de hits baseados em loops, efeitos e traquitanas da música eletrônica, outra característica me chama a atenção neste momento que é a proliferação de músicas com participações especiais também conhecidos como Feat ou simplesmente ft., que é a versão mais comum no meio artístico. Neste momento, entre as 10 faixas mais ouvidas nas plataformas de audio streaming nada menos do que 6 são duetos ou mesmo trios. Entre as músicas mais executadas no Brasil neste ano, destaque para Nego do Borel cantando com Anitta e Wesley Safadão. Esta prática é especialmente disseminada entre os cantores sertanejos, muitos dos quais contratados de um mesmo escritório de management, o que acaba facilitando as parcerias e principalmente, servindo como mais uma estratégia de posicionamento e divulgação dos artistas, especialmente aqueles mais jovens.

Antigamente, na época dos discos físicos, as participações especiais de artistas em projetos figuravam apenas a partir da terceira faixa em diante. Muito dificilmente a música com a participação de outro artista seria a música principal do disco como divulgação, não se gravavam clipes, enfim, aquele registro ficava meio perdido em meio a tantas outras faixas. A razão de se ter uma participação especial remetia mais à admiração daquele determinado artista ao convidado do que a qualquer outra estratégia mais elaborada de marketing. Só que hoje em dia as parcerias são muito mais do que um simples registro. Estes encontros passaram a ser fundamentais para a expansão do artista em busca de uma maior divulgação de seu trabalho, do maior alcance de sua música em busca de novos públicos (leia-se também neste caso, maior número de seguidores em redes sociais e plataformas) e ainda, em maior espaço nas mídias já que esta tendência tornou-se verdadeira febre não só no Brasil como no mundo todo.

Focando em nosso mundo gospel tupiniquim, basta lembrarmos que a música mais executada em 2016 nas rádios do segmento foi justamente “Ninguém Explica Deus”, sucesso avassalador do Preto no Branco com participação de Gabriela Rocha. A mesma Gabriela Rocha amealhou até agora 19 milhões de visualizações e comemorou mais um hit em sua carreira num dueto com Leonardo Gonçalves na música “Nossa Canção”. Outro artista, Paulo César Baruk também ultrapassou 15 milhões de views na canção “Santo Espírito” em dueto com Leonardo Gonçalves, tornando-se esta a sua faixa de maior visualização em toda a carreira. Voltando um pouco mais no tempo, a música “A dracma e seu dono” com Damares e participação de Thalles Roberto foi um um hit em 2015 e conta com mais de 17 milhões de views. Ou seja, mesmo no gospel que sempre é um pouco mais resistente às tendências e inovações, a prática de participações especiais tornou-se bastante interessante neste momento.

Há artistas internacionais que nos últimos lançamentos de seus singles, todos contaram com participações especiais. Por exemplo, o cantor colombiano Maluma, jovem estrela da música latina, gravou músicas com Ricky Martin, Shakira e mais recentemente a brasileira Anitta. Nos 3 casos, sucessos acachapantes! Na discografia do jovem cantor há muitos outros encontros musicais que juntos garantem milhões e milhões de audio e video streamings.

E a regra das participações musicais me parece que é justamente não ter regra alguma. Basta uma boa música, um excelente vídeo, estratégias bem definidas de marketing e promoção e a participação total dos envolvidos na música junto às redes sociais. Mesmo quando a música pertence a determinado artista, o ideal é que o artista convidado participe ativamente de toda a promoção da faixa usando ao máximo sua própria rede social e canais. Recordo-me que quando convidei o cantor Thalles para gravar uma faixa no disco da pentecostal Damares, um dos meus argumentos à época era justamente a fusão de públicos, afinal os 2 naquele tempo eram altamente populares em diferentes estilos musicais e públicos bem distintos. A fusão foi excelente e tanto Damares como Thalles conseguiram agregar novos admiradores aos seus respectivos trabalhos. Hoje em dia, os argumentos são muito mais elaborados e técnicos do que este simples ‘fusão de públicos” e tem muito a ver com relevância nas redes e plataformas digitais. O alcance de músicas com participações é aumentado bastante e isto acaba repercutindo positivamente em diferentes áreas do universo digital.

Numa próxima produção, que tal pensar em uma participação mais do que especial?

Mauricio Soares, jornalista, publicitário, editor do blog Observatório Cristão nos últimos 9 anos.

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Sigo aproveitando os dias de feriado prolongado para escrever um pouco mais para o blog. Também tenho aproveitado este tempo para responder a algumas entrevistas e mesmo uma pesquisa de conclusão de curso, uma monografia inspirada no mercado de música gospel e da qual sou uma das fontes. Na casa em que estou hospedado na cidade de Armação dos Búzios deparei-me como uma coleção de vinis de deixar qualquer um que curte música, de queixo caído e ouvidos bem atentos. A coleção conta com discos antológicos de Djavan, Maria Bethânia, Gilberto Gil, 14 Bis, A Cor do Som, Guilherme Arantes, Caetano Veloso, Chico Buarque, Secos e Molhados, Tom Jobim, Elis Regina, Beto Guedes, entre outros grandes nomes da MPB. Entre os internacionais, muitas bandas de rock e relíquias de Supertramp, Simon & Garfunkel, Elton John e Bee Gees. Ou seja, só coisa boa e com aquele chiado característico dos vinis, sujeirinha chique e retrô.

Em minha recente viagem de férias pelo sul do país, inclui em uma de minhas playlists apenas músicas da década de 80 ou relíquias da época, inclui boa parte do álbum “Ouvi Dizer” do Grupo Elo e mais canções de Rebanhão, Marquinhos Gomes, João Alexandre, Jorge Camargo, Altos Louvores. Infelizmente muitas canções que listei para minha pesquisa resultaram em arquivo não encontrado, ou seja, muitas músicas do passado da música evangélica ou cristã como se dizia à época, não estão ainda disponíveis nas plataformas de áudio streaming. Frustrante foi perceber que referências como Josué Rodrigues, Banda e Voz ou a dupla Cíntia e Silvia não têm seus repertórios ao acesso da juventude e os nem tão jovens assim, através do Spotify, Deezer ou AppleMusic. Com isto alijamos muitas pessoas de conhecer a história da música cristã no Brasil.

Recentemente o grupo Rebanhão reuniu-se para gravar um DVD comemorativo aos tantos anos de carreira da banda que revolucionou a música cristã no Brasil, não somente do ponto de vista musical, mas também com relação aos temas e forma de compor as canções, algo muito vanguardista para a época. Observei que muita gente nas redes sociais comentava com espanto e incredulidade sobre o que seria o Rebanhão, sua história e sua relevância no cenário artístico. E antes que os raivosos de plantão comecem a vociferar e jogar pedras na ignorância das pessoas sobre o passado do Rebanhão, cabe destacarmos que a igreja evangélica no Brasil ‘explodiu’ de verdade nos últimos 15 a 20 anos somente, ou seja, para boa parte da igreja evangélica brasileira tudo o que vier antes deste período é simplesmente lenda!

Indo para 34 anos de batismo, tive a oportunidade de conhecer grandes nomes da história da música gospel nacional. Lembro-me de um show com o Rebanhão na quadra da Primeira Igreja Batista de Niterói que seria um marco em minha vida. Parecia que eu estava diante de astros internacionais tamanha a admiração que todos nós, adolescentes imberbes nutríamos por aqueles jovens bronzeados com suas guitarras e letras engajadas. Banda e Voz com seu reggae, soul music e brasilidade representava algo novo e por muitas das vezes até mantinha uma aura transgressora pelos padrões da época. Nesta época também, surgia Cristina Mel cantando os grandes hits de artistas como Sandi Patty e Amy Grant. Outra que se destacava nesta época, igualmente em versões internacionais, era a cantora Cristiane Carvalho. Logo depois, em um culto na mesma Primeira Igreja Batista em Niterói, surgia uma jovem cantora que iria fazer história na música gospel, Marina de Oliveira. Pode até parecer história de Forrest Gump, mas eu estava presente e cantando no coral de adolescentes da PIBN quando Marina de Oliveira debutou na música gospel. Coisas da vida.

Sérgio Lopes, Marquinhos Gomes, Altos Louvores, Milad, Edson e Telma, Jorge Camargo, Paulo César Graça e Paz, Jota Neto, Álvaro Tito, João Alexandre, Asaph Borba, Josué Rodrigues, Vencedores por Cristo, eram alguns dos principais nomes do início da fase mais popular da música cristã no Brasil. Ainda não parei para pesquisar o que temos de cada um destes artistas disponível nas plataformas de áudio streaming, mas do pouco que já pude procurar, os resultados não foram nada estimulantes. É muito importante que os jovens ou aqueles que chegaram às igrejas evangélicas no Brasil mais recentemente tenha acesso e conhecimento a estes acervos tão especiais e que forjaram boa parte do que hoje conhecemos como música gospel brasileira.

Quando hoje escuto as canções de Estêvão Queiroga ou Os Arrais, é inevitável não lembrar-me das propostas musicais de Cíntia e Silvia, Josué Rodrigues, Rebanhão ou João Alexandre. O mesmo acontece quando me deparo com as músicas do Preto no Branco, como não identificar-me com a sonoridade de Kadoshi, Atos 2 ou Banda e Voz?

Já comentei em algum texto por aqui publicado de que o futuro (ou já seria presente?) do mercado da música estará ligado exclusivamente a dois formatos, a saber: streaming e vinil. O formato CD seguirá em declínio até manter-se num patamar bastante tímido como um dia foi o próprio LP que hoje se reergue e volta a ser moda. E também gostaria de aproveitar e exercitar meu sentido de projeção, cravando que dificilmente, pelo menos na próxima década teremos um mercado de vinis de música gospel. Então, tudo indica que estes clássicos serão acessíveis ao público tão somente através das plataformas de áudio streaming. Cabe aos selos, gravadoras e mesmo artistas desta época resgatarem estes conteúdos, disponibilizando-os nos novos canais de consumo da música.

Nos últimos anos, em especial nestes 2 mais recentes, venho particularmente buscando contato com selos e gravadoras que possuem estes acervos para contribuir com a entrada destes conteúdos nas plataformas digitais. Infelizmente a esmagadora maioria destas empresas não possui documentação que possibilite o ingresso destes conteúdos nas plataformas, o que acaba atrapalhando todo o processo. Este é, sem dúvida, um objetivo que todo amante da boa música gospel deve ficar na torcida.

Enquanto não consigo ouvir alguns destes artistas citados, vou curtindo um disco antológico gravado no Canecão, tradicional casa de espetáculos do Rio de Janeiro, que já não existe mais e que foi cenário para o encontro antológico entre Tom, Vinícius, Miúcha e Toquinho.

Enjoy!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista e alguém que durante o feriado de carnaval teve estômago para conferir alguns programas de TV nos inúmeros canais de programação evangélica e católica. Assisti a tudo o que era artista, uma avalanche de clipes, musicais e apresentações ao vivo. Mas o que mais se chocou foi ver um pastor tiozão que acha que canta, que acha que compõe e que acha que entende de música, se sacudindo de terno e gravata como um boneco do posto. Misericórdia!

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Nosso meio não é pródigo em reflexões transparentes e sinceras, então quis postar aqui no nosso blog esse vídeo do Zé Bruno da Banda Resgate e pastor da Igreja Casa da Rocha em SP. Sempre é válido parar e analisar atitudes, modismos, tendências e unanimidades.

Qual tipo de profissão permite que um jovem sem qualquer experiência anterior possa de uma noite pra outra tornar-se conhecido muito além do seu bairro, quarteirão ou mesmo cidade? Neste momento não me ocorre muitas outras opções para responder a esta questão além da carreira artística. Sim! Munido de um violão, uma câmera, talento, carisma e uma boa dose de entendimento de tecnologia e noções de marketing digital, além, é claro, de um repertório selecionado, jovens de qualquer lugar do planeta podem seguir os mesmos passos de Justin Bieber, viralizando na web, angariando milhões de views, outros tantos milhões de seguidores, tornar-se referência e, ao fim, ser convidado por uma major a integrar o cast da gravadora. Mesmo na área esportiva onde cada vez mais nos deparamos com meninos e meninas alcançando destaque em meio a marmanjos, é necessário que este atleta tenha alguns anos de treinamento, acompanhamento e muito foco. Então, sigo confiante de que neste momento a área artística, especialmente a musical, pode ser uma catapulta potente para que um jovem talento queime etapas, pule degraus e no menor tempo possível torne-se um grande sucesso.

Neste momento estamos diante de uma mudança no meio artístico tão radical e tão impressionante que podemos nos deparar com pop stars surgindo em poucos meses, quando estes mesmos, tempos atrás estes eram ilustres desconhecidos no mais absoluto anonimato. Com o advento da internet e das inúmeras plataformas de rede sociais, cada vez fica mais democrático e inesperado o Olimpo artístico. Se até poucos anos atrás, um artista para tornar-se conhecido nacionalmente deveria ser obrigatoriamente divulgado em grandes centros urbanos como São Paulo, Belo Horizonte, Salvador e principalmente, Rio de Janeiro, hoje em dia, a questão territorial literalmente cai por terra. Há algumas semanas atrás comecei a acompanhar o trabalho de uma jovem de 16 anos que vem crescendo dia a dia em relevância nas redes sociais e nas plataformas de video streaming. Sua desenvoltura em frente às câmeras, sua simpatia, talento e principalmente sua empatia junto ao público teen e jovem de diferentes regiões do país, chamou-me a atenção a ponto de fazer algo que há muito tempo não fazia, ou seja, pegar o telefone e fazer contato com uma jovem artista. Esta menina não reside numa capital do país, muito pelo contrário! mas isso, de verdade, de nada importa neste contexto atual. O que importa é que ela tem uma proposta musical de qualidade, está antenada nas redes sociais, seus vídeos têm milhões de visualizações, seus canais têm milhões de seguidores e ela tem o DNA digital, ou seja, é parte de uma geração que vive, pensa, age, se relaciona através da tecnologia e seus diferentes ambientes.

Na verdade, hoje em dia podemos ter celebridades web em função do talento, de uma boa música, mas também pelo oposto, pela bizarrice, pela falta de bom senso e do ridículo. Nestes casos a vida artística é bem fugaz, os vídeos surgem viralizando na rede e no whatsapp e somem na mesma velocidade com que surgem. A dupla “Para Nossa Alegria” que chegou até a lançar um álbum e assinar contrato com uma gravadora, ficou no passado distante em completo ostracismo. Vou ater-me exclusivamente aos cases de sucesso. Melhor assim.

Estamos diante de uma época muito interessante, onde as mudanças de comportamento, hábitos e do contato cotidiano com a música estão em profunda transformação. Outro dia atrás, conversando com um amigo, que por sinal é músico também, destaquei que no meu entendimento hoje temos 3 categorias de artistas convivendo num mesmo cosmos. Há uma turma que viveu o auge do mercado fonográfico com a venda de CDs, DVDs e alguns até com os LPs, e que acreditam na manutenção das demandas atuais por mais algumas décadas à frente. Estes resistem o quanto podem à adaptarem-se às novas realidades, tecnologias, estratégias, hábitos e ações. Para estes, sempre haverá público para os produtos no formato físico e não há necessidade alguma de mudar antigos conceitos e atitudes. A minha visão, que é constantemente explicitada, inclusive aqui no Observatório Cristão, é de que muito possivelmente teremos uma estagnação das vendas físicas daqui alguns anos. Não creio no desaparecimento das mídias físicas, o que realmente acredito é que este mercado irá encolher pelos próximos anos chegando a um nível de 10 a 15% da receita da indústria fonográfica e neste caso, os CDs se somariam aos LPs como um mercado único, do formato físico. O que observaremos nos próximos 3 anos é uma mudança paulatina de consumidores físicos migrando para as plataformas de streaming.

Outro perfil de artista neste momento é aquele que já se deu conta das mudanças, mas que ainda não pensa e age totalmente dentro da realidade digital. É literalmente aquele personagem que está no meio do caminho, que sabe que é necessário seguir viagem mas não tem coragem de deixar o conforto e a segurança da casa dos pais. Ele sabe que as vendas físicas irão cada dia diminuir, mas ainda não tomou coragem de se organizar a ponto de pensar com a mentalidade digital. Como toda mudança, é necessário desamarrar-se de antigas ‘cordas’, é fundamental buscar novos conceitos, novas atitudes, novos profissionais de apoio, novas expectativas e metas. O terceiro modelo de artista que encontro neste atual estágio é justamente aquele que encara de frente as transformações e já pensa e age de acordo com as novas demandas. Este artista é antenado, geralmente tem uma boa equipe de apoio (geralmente formada por ‘experientes’ profissionais de 18, 20 anos de idade), é heavy user das redes sociais, conhece profundamente cada plataforma, pensa digitalmente, é ágil, observa os demais artistas na rede (e aprende com outras eles), e tem número crescente de seguidores nas redes sociais.

Em 27 anos de mercado (como estou ficando velho!) nunca vivenciei uma época como esta onde me parece que tudo está zerado, ou seja, tanto medalhões e artistas jovens, grandes vendedores de discos e adolescentes que nunca encararam um estúdio pela frente, artistas que viajaram por vários países e aqueles que conhecem o mundo exclusivamente pela web, todos estão partindo de um mesmo patamar. Tornar-se um artista relevante digital neste momento é relativamente possível e acessível tanto para artistas renomados (e que entendam a necessidade de se reciclarem!) como para os novatos que estão ‘entrando no ônibus’ agora. Só que esta fase, não irá durar muito tempo! Não mesmo! Em muito pouco tempo, talvez não mais do que 1 ano ou 2 anos no máximo os artistas ‘digitais’ estarão estabilizados e assentados nomainstream. Aí vai ficar mais difícil pra quem chegar atrasado garantir seu lugar de destaque em meio à concorrência. Portanto, é mais do que urgente repensar posicionamentos, atitudes e estratégias. É bem verdade que estamos diante de uma geração absurdamente volúvel onde os modismos mudam na velocidade da luz e o que é in hoje, amanhã já pode ser out. Com isso é até possível que determinados artistas que chegaram a um bom destaque no meio, por motivos diversos, voltem ao fim da fila novamente e desta forma, abram espaço para novos artistas e propostas. A verdade é que como numa brincadeira de dança das cadeiras, na vida artística pouquíssimos são os astros que conseguem ter uma carreira de sucesso, longeva e não sujeita a intempéries. O mais comum é que todo aquele que levanta pra entrar na roda, corre o risco de ficar sem lugar pra se sentar. A concorrência no meio artístico é cruel …

As cartas estão na mesa. Preparem-se porque o jogo vai começar!

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista. Finalizo este texto em um estúdio em São Paulo em meio à gravação do projeto Lado B com a Discopraise. Que por sinal, é uma banda completamente antenada nas novidades, que vem crescendo absurdamente em relevância, agenda e musicalmente. Nota 10 rapaziada!

Geralmente escrevo meus textos em saguões de aeroportos ou mesmo durante voos. No entanto, creio que nunca escrevi estando dentro do avião em plena pista aguardando a liberação do aeroporto de destino. Neste momento estou por mais de uma hora pacientemente aguardando na pista do aeroporto de São José dos Pinhais, PR, para que meu avião decole no sentido do aeroporto de Santos Dumont, Rio de Janeiro. O problema é que neste instante cai um verdadeiro dilúvio na Cidade Maravilhosa. Então para tornar um pouco produtiva minha espera, estarei escrevendo o texto a seguir.

Especialmente nas últimas 3 semanas tenho falado muito sobre tendências do mercado fonográfico. Pra quem acompanha este blog, pelo menos há uns 4 a 5 anos, este incansável editor vem falando sobre a mudança de comportamento do consumidor de música pelo advento da web e especialmente das novas plataformas digitais. Desde muito tempo alerto para o fato de que num momento estaríamos diante da substituição ou alteração radical do formato de consumo de música. As mídias físicas, CDs e DVDs perderiam a cada dia mais espaço para diferentes plataformas como YouTube, AppleMusic, Deezer, Vevo, Spotify, Google Play, entre outras, até que num dia deixassem de ser a principal forma de consumo de música.

Já faz um bom tempo que venho alertando para que artistas e principalmente gravadoras estejam preparadas para as grandes transformações. E agora, oficialmente as vendas digitais entre as majors atuantes no Brasil já superaram as vendas tradicionais. Mais especificamente, o mercado da música no Brasil encontra-se com 60% de vendas digitais contra 40% de vendas de discos. Esta tendência segue de igual forma na esmagadora maioria de regiões em todo o mundo. Esta curva é irreversível e a grande dúvida neste momento é quando e onde irá se estabilizar. Na minha modesta opinião e ciente do grau de ‘achismo’ ou ‘profetada’, imagino que as vendas físicas em até 3 anos chegarão num patamar de 15 a 20% das vendas do mercado fonográfico no país. Na Suécia, país símbolo da mudança digital, as vendas atualmente já são 98% do faturamento total do mercado fonográfico. Um verdadeiro assombro, mas longe de representar a realidade de nosso mercado, nem mesmo daqui algumas décadas. Portanto, algo mais aceitável é acreditar que daqui uns anos, as vendas digitais no Brasil ficarão com 80 a 85% do faturamento.

Interessante neste momento é a volta do mercado de vinis, os famosos LPs, a ponto de gravadoras ressuscitarem departamentos e selos específicos para atender a este nicho de mercado. Mas acredito nesta tendência mais como uma excentricidade e oportunismo, do que verdadeiramente um caminho consistente e pródigo. Ainda mais em se tratando de mercado gospel, esta tendência não vejo com a mínima possibilidade de se consolidar, primeiro pelo perfil do público e segundo, pelas próprias gravadoras do segmento que se destacam pela falta de audácia em suas atividades e estratégias. É assustador nos depararmos com a falta de um cuidado com a história da música cristã no Brasil. Mesmo em tempos de mundo digital onde o catálogo de raridades ganha força nas plataformas de streaming, é praticamente inexistente a presença de álbuns lançados nas décadas de 70, 80 e até mesmo 90. Ou seja, somos um segmento praticamente sem memória … infelizmente!

No meio digital a bola da vez é o streaming que tomou o lugar das plataformas de vídeo como principal canal de monetização. No recente passado, a rentabilidade de vídeos no YouTube e Vevo era superior às demais plataformas. Isso se dava em função do grande número de empresas investindo em publicidade nestes canais, especialmente em ano de Copa do Mundo no país. Com a retração na economia (graças a anos de incompetência petista e ladroagem desenfreada desta corja que está no poder há mais de uma década) no país, o mercado publicitário recolheu seus investimentos nas plataformas de vídeo. Com isso, as plataformas de streaming tornaram-se o espaço mais rentável para artistas e gravadoras.

Com esta mudança, as estratégias também devem ser alteradas num movimento que comprova a importância de se ter sempre acompanhamento, pesquisa e análise crítica de tendências do mercado. Se até algum tempo atrás, as gravadoras focavam na produção em escala de vídeos, clipes e Lyric Videos, o momento agora é totalmente voltado à criação e divulgação de playlists. Pra quem ainda não está ambientado com os termos técnicos, playlist nada mais é do que uma seleção de músicas para facilitar a experiência do consumidor. Boa parte das playlists são criadas de acordo com temas específicos, como por exemplo, o melhor da música pop dos anos 70, ou uma seleção de reggae roots, músicas para meditação, uma seleção de músicas para queimar calorias em academias de ginástica (esta é uma das mais populares em todo o mundo!) e por aí em diante. A playlist é uma facilitadora para o consumidor de música e pode ser seguida pelos assinantes das plataformas como uma espécie de mídia social. É muito comum que formadores de opinião criem suas playlists e que arrebanhem centenas de milhares de seguidores. Ou seja, estamos diante de uma verdadeira transformação de costumes e possibilidades para o mercado da música.

Entre as plataformas de streaming há diversos pacotes de assinatura e utilização. Há contas gratuitas com inserção de publicidade entre a veiculação de músicas, há contas premium com acesso ilimitado de músicas sem qualquer interferência de publicidade, há o serviço de conta “família” onde mais de uma pessoa pode acessar à plataforma simultaneamente em diferentes canais. Em suma, há opções para todos os tipos e bolsos e particularmente optei por uma assinatura do Spotify onde tenho acesso a mais de 30 milhões de músicas. Minha relação com a experiência musical mudou significativamente com o advento das plataformas de streaming. Hoje praticamente fico on line durante boa parte do dia e minha curiosidade por novos sons, novos nomes e novos estilos aguçou-se ao nível máximo.

Depois de horas de espera, eis que o piloto já avisou sobre o procedimento de descida no Rio de Janeiro. O recado está dado! Sugiro aos 66 leitores do Observatório Cristão que pesquisem sobre estas novidades do meio digital. Enjoy!

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista. Este texto quero dedicar especialmente ao meu pai que descansou no Senhor exatamente no momento em que eu estava chegando ao Rio de Janeiro e finalizando este texto. Com ele aprendi a ser uma pessoa melhor, a buscar meus objetivos sem precisar negociar a ética e a valorizar a família, amigos e Deus. Siga em paz. Saudades.

Já faz um bom tempo que não paro minhas atividades e lazer para dedicar alguns minutos para escrever para o blog. É bem verdade que boa parte dos 66 leitores não sentiu a mínima falta de novas postagens, mas ainda assim sigo na meta de conseguir conquistar o maior número de leitores para o Observatório Cristão.

Início de ano, período de arrumar gavetas, jogar coisas fora, organizar outras, estabelecer metas, objetivos, prometer a si mesmo que neste ano a dieta sai, o sedentarismo vai embora e tudo se fará novo … E especialmente neste 2016, começo cheio de expectativas pessoais porque pior do que o ano que se foi acho difícil que se supere. Que ano terrível!

Entre as boas coisas de 2015, do ponto de vista artístico posso destacar o belo trabalho “Moderno à Moda Antiga” da cantora Marcela Taís co-produzido pelo mestre Michael Sullivan. O disco é agradável, bem equilibrado, letras inteligentes, arranjos modernos, temas interessantes … parece que a ‘moderna’ Marcela em parceria com o ‘experiente’ Sullivan conseguiram uma simbiose maravilhosa. Nota 10 para este trabalho. A cantora em 2015 deu um importante passo para alcançar uma relevância e destaque em meio ao competitivo mercado gospel tupiniquim. Outro projeto prá lá de especial e de bom gosto é o EP “Paisagens Conhecidas” dos irmãos Os Arrais. A dupla vem ganhando reconhecimento nacional a cada dia e agora, com a mudança do Tiago Arrais para o Brasil, o trabalho de divulgação dos projetos se torna um pouco mais facilitado. Já o André, irmão caçula, permanece residindo nos EUA. O disco conta com canções de letras inteligentes, sonoridade gringa, arranjos elaborados e apuro estético lá nas alturas. Pra completar, o projeto foi lançado num kit que contém um DVD gravado em meio a nevascas e paisagens gélidas norte americanas sob a batuta da direção de Hugo Pessoa.

Do ponto de vista artístico, 2015 foi o ano de Leonardo Gonçalves. Com uma energia impressionante, Leo percorreu o país e exterior com uma agenda simplesmente alucinante! O DVD “Principio”, sem dúvida, alavancou sua carreira e o colocou no patamar dos grandes artistas do cenário cristão nacional. Pra completar, Gonçalves participou de programas de TV, grandes festivais e interpretou a canção do filme que foi sucesso nas salas de cinema, “Você Acredita?” na versão do NewsBoys,e teve milhões de views nas plataformas de vídeo. Este single ainda ficou no topo de vendas do iTunes e Google Play por dias, tornou-se hit nas rádios do segmento em todo o país. Sem dúvida, 2016 promete para o talentoso Leonardo Gonçalves.

Outro destaque interessante em 2015 foi o lançamento do projeto Sony Music Live, uma nova forma de promoção e rentabilização baseado em vídeos exclusivos de diversos artistas. O projeto funciona como uma web série que é veiculada a partir das terça-feiras como um programa semanal. Pelo SML, que já ultrapassou 9 milhões de views, participaram artistas como Gabriela Rocha, Preto no Branco, Salomão, Paulo César Baruk, Cristina Mel, Marcela Taís, Juninho Black e Trazendo a Arca. O projeto superou todas as expectativas e nas próximas semanas será lançada a segunda temporada do Sony Music Live já com as participações confirmadas de Leonardo Gonçalves, Damares, Priscilla Alcântara, Os Arrais, Soraya Moraes, Mariana Valadão, entre outros.

No finzinho do ano, outro disco que foi lançado merece destaque: “Até Sermos Um” com a cantora Priscila Alcântara. A menina veio como uma tsunami varrendo o país de norte a sul com um disco ultra bem produzido e agradável, extremamente moderno e intenso. Em pouco mais de 2 meses, Priscilla esteve em diversas capitais do país lançando o projeto e arrebatando multidões de jovens por onde passou. Em algumas cidades, suas tardes de autógrafos reuniram mais de 1500 pessoas que se ficavam horas na fila para uma foto, um abraço, um autógrafo. A cantora teve seu projeto no topo do iTunes, seus vídeos passam a casa dos milhões de views e sua agenda segue intensa. Acho que 2015 foi só o ‘esquenta’ porque o estouro mesmo será neste ano. Fiquem atentos!

Um outro projeto que assisti e curti foi o DVD da cantora Aline Barros, lançado no apagar das luzes de 2015. Uma mega produção que impressiona até os mais acostumados com o show business. Ela continua sendo uma referência no meio gospel quando se trata de carisma, qualidade e hits. Por falar em DVD, na área pentecostal, ninguém superou Damares com seu mega projeto gravado no fim de 2014 e lançado no ano seguinte. A cantora segue como o principal nome no segmento e parece não perder espaço e foco! Ainda no quesito DVD, o projeto “Preto no Branco” foi a grande estréia do selo Balaio Music. Com o encaixe perfeito de artistas do naipe de Clóvis Pinho, Wesley Santos, Juninho Black e a participação de Eli Soares, o projeto reúne black soul music, samba, adoração MPB, pop, reggae, hip hop … tudo com muita qualidade, unção e criatividade. Quem ainda não teve oportunidade de conferir, deve fazer o mais rápido possível!

O ano de 2015 registrou a mudança do mercado fonográfico no Brasil. Pela primeira vez as vendas digitais superaram as vendas de CDs e DVDs. A proporção atual é de 60% a 40%, ou seja, mais da metade do faturamento das majors da indústria musical no país são provenientes das plataformas digitais como YouTube, Spotify, Vevo, Deezer, Apple Music e as operadoras de telefonia. Para as empresas que insistem em não adequar-se à nova realidade, os tempos vindouros não serão nada auspiciosos. Conversando dias atrás com um artista ligado a uma destas gravadoras que insistem em negar a transformação do mercado, me assustei ao saber que este amigo não recebia um único tostão de vendas digitais e de que sua ‘amada’ gravadora seguia com o discurso de que digital era apenas promoção, não configurava uma nova e importante fonte de rentabilidade. #Medo …

Para 2016 alguns nomes merecem especial atenção (e torcida também!). Começo a lista pela talentosa (de quem sou fã!) Gabriela Rocha que começa o ano gravando seu primeiro DVD. Este ano promete pra ela! Outros nomes para se ficar atento são Sarah, uma cantora baiana residindo no interior de SP que está lançando um projeto com produção de Fábio Aposan, também Roberta Spitaletti que lançará um álbum inédito em breve, Deise Jacinto que recentemente lançou um novo projeto muito agradável e que merece ser pesquisado, Clóvis Pinho ex-Renascer Praise que lançará seu primeiro disco pelo selo Balaio Music/Sony Music misturando pop, MPB, soul e muita poesia. Outro que deve se destacar em 2016 é Eliezer de Társis, multi instrumentista, super carismático, talentoso e que vem conquistando visibilidade cada vez maior no cenário nacional.

Vou ficando por aqui. Confesso que estou ainda enferrujado. Espero urgentemente poder recuperar o pique para escrever mais posts daqui em diante.

Que venha 2016!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista.

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Sempre deixei o blog aberto a contribuições de terceiros. Infelizmente as participações têm sido bem raras nestes 8 anos de blog. Não me perguntem o motivo de receber tão poucos textos dos amigos, até porque numa certa época eu quase que implorava para alguns destes me enviarem suas postagens. Depois de anos de espera, fui abordado na Gospel Fair em Goiânia pela Mônica Chagas. Em meio ao papo ela me ofereceu um texto sobre técnica vocal e afins. Imaginei que aquele oferecimento fosse cair no esquecimento, de que ela teria se empolgado com o papo e se comprometido além da conta. Eis que dias atrás recebi seu e-mail com o texto abaixo. Então, convido a ler e aprender um pouco mais sobre as questões relacionadas à voz e seu uso.

Boa leitura!

Mauricio Soares

 

Cuidando da voz com o devido respeito que merece!

Eu canto pop rock…eu canto heavy metal…ah, meu estilo é sertanejo…eu já gosto mesmo é de MPB. Esse é meu estilo musical, qual técnica devo usar? Essa é uma questão que permeia muitos cantores: qual técnica usar? Ou quais técnicas usar?

Diante de uma gama tão grande de estilos musicais e até de tipos vocais, muitas vezes, o cantor se encontra perdido sobre qual técnica deve usar e até mesmo recai sobre ele o medo de que determinada técnica altere sua voz ao ponto de inviabiliza-lo para atender ao seu estilo. Pensando sobre isso, gostaria de postular cinco questionamentos que considero serem mais comuns sobre esse tema.

Existe uma técnica vocal que seja específica para o meu estilo?

Respondendo a essa questão e também ao tema proposto neste texto, creio que a melhor resposta é que existem técnicas vocais que podem ou não serem combinadas e vão me levar a ter um conforto vocal e uma boa performance.

Quais as técnicas vocais mais comuns?

As técnicas vocais mais conhecidas são, primeiramente, as do canto erudito. Podemos citar as principais escolas sendo a Italiana, Alemã, Inglesa e Francesa. Essas escolas se diferem, principalmente, no aspecto fisiológico da respiração, que por sua vez, irá influenciar no apoio, sustentação e impostação do canto.

Mais recente, juntamente com o teatro musical, especialmente com os musicais da Broadway, irá surgir uma técnica vocal chamada Belting que está mais próxima da voz falada, e ao contrário da técnica erudita irá manter a laringe um pouco mais alta mesmo nos agudos.

Temos hoje uma gama de “técnicas” que surgiram da experiência vocal e da necessidade de sons que se adequem ao perfil e estilo musical do cantor. Podemos citar técnica do Vocal Fry que é aplicada a sons mais guturais, temos os melismas que são esquemas feitos em escalas musicais e é muito usado no Soul. Tais técnicas devem ser aplicadas sob estudo científico e supervisão profissional.

Qual a técnica que devo usar?

Responder essa pergunta não é algo simples. Porque o uso da técnica vocal irá depender de uma série de fatores: estilo musical, fisiologia do cantor, conhecimento profissional do preparador vocal, ambiente em que a voz será utilizada (irá utilizar microfone? É um cantor que canta por horas consecutivas? Precisa de muita projeção ao cantar? etc…). A dica que posso te dar sobre essa escolha é que uma boa técnica vocal jamais irá prejudicar seu aparelho vocal, então, se está sentindo desconforto, se fica rouco após uma apresentação, se está apresentando problemas vocais … talvez seja muito importante rever a técnica vocal que está utilizando.

Posso cantar afinado e até “bonitinho”, mas será que está errado?

Infelizmente sim! Pode estar errado mesmo estando afinado e bonito. Primeiro porque afinação é apenas um dos parâmetros que o cantor necessita ter, em segundo, beleza é algo extremamente relativo! Não significa que um som sendo bonito aos meus ouvidos, seja saudável e corresponda até mesmo ao que meu público deseja ouvir. Lembro novamente que uma voz adequada é aquela que não traz prejuízos vocais.

Qual profissional devo procurar para ser meu preparador vocal?

Eu acredito que o tipo de profissional que tem que ser procurado é aquele que tenha uma formação acadêmica para poder te atender sem prejudicar sua saúde e afetar sua musicalidade. Pense bem! Ninguém procura uma ajuda para tratar do coração se o médico diz que apenas ouviu falar tudo sobre coração e sempre teve a prática sobre o assunto….isso é um absurdo! Certo!? Você com certeza vai em um cardiologista formado, com indicações e a especialização correta. Por que quando pensamos em cuidar da nossa voz aceitamos um preparador que diz ter experiência (prática) mas nunca sentou em uma cadeira de universidade? A voz é algo extremamente complexo, para falar e cantar acionamos inúmeros músculos, as pregas vocais são muito sensíveis. Como alguém que só tem prática poderá te ajudar de forma embasada cientificamente? Então vamos rasgar os diplomas dos médicos, dos odontólogos, dos enfermeiros, etc … estamos lidando com o corpo, e no caso, com o seu corpo e com sua voz que é seu instrumento de comunicação e de vida social, trabalho, etc.

Então, qual profissional procurar? Há dois tipos de profissionais que indico como preparadores vocais:

– Fonoaudiólogos: irão te preparar clinicamente, lhe dando suporte muscular, melhorando sua respiração, auxiliando no desenvolvimento das estruturas físicas que envolvem a voz. (É importante que esse fonoaudiólogo tenha experiência com voz, porque há muitas áreas dentro da fonoaudiologia!).

– Professores de Canto: trabalham especialmente a parte musical da voz. Parâmetros como respiração, impostação, apoio, ressonância são treinados sob uma perspectiva fisiológica, mas especialmente para uma dinâmica musical e não clínica. Assim como o médico e o fonoaudiólogo, o professor de canto deve ter também uma formação acadêmica, deve passar pela universidade e não basta ser um instrumentista. O professor de canto tem que ser formado em canto! Um professor de violão, de piano, de saxofone…jamais irá compreender o que um cantor necessita como um professor que seja formado em canto.

Então, para concluirmos, fique atento em como está usando sua voz e quem está te ajudando nesse processo de treinamento. A nossa voz é única por isso temos que usá-la muito, mas cuidando para que a cada dia ela se torne melhor e mais saudável.

Um grande abraço e até a próxima!

Dias atrás tive a grata felicidade de poder conferir no Rio de Janeiro o show da turnê “Estratosférica” com a cantora Gal Costa. A cantora de 70 anos está em pleno trabalho de lançamento de seu mais novo projeto pela Sony Music. Uma série de shows estão programados pelo país, muitos dos quais com a bilheteria esgotada. A mídia especializada vem tecendo elogios rasgados ao novo projeto da grande diva da MPB, representante da Tropicália e que neste álbum se cercou de jovens músicos e compositores como Marcelo Camelo e tantos outros expoentes da nova geração. A simbiose entre Gal e a sua banda formada unicamente por baixo, guitarra, bateria e teclados é simplesmente perfeita. Durante cerca de 1 hora e meia, Gal Costa cantou canções do novo disco mesclando com grandes sucessos que marcaram sua carreira. Foi uma noite muito especial para mim. Do camarote reservado à equipe da gravadora pude conferir uma artista com muitas histórias de vida, grandes experiências e uma alegria enorme de estar no palco apresentando-se numa casa completamente lotada.

À medida em que o show foi transcorrendo algumas observações me vieram à mente. Em primeiro lugar o que me chamou a atenção foi como fez bem para a cantora aquela parceria com a moçada mais jovem. Imagino como foram os encontros entre uma cantora ícone de uma geração e aqueles jovens músicos trabalhando na busca de uma perfeita sintonia. A troca de experiências e referências, sem dúvida alguma trouxe uma jovialidade, uma vitalidade ao projeto e isso ficou evidenciado no palco. E a delicadeza de Gal ao referir-se aos músicos e parceiros apenas comprovou sua admiração a todos aqueles que contribuíram pelo resultado final.

Outra questão que vale destacar é o perfeito timing da intérprete em falar na hora e na dose certa. Suas intervenções eram curtas, diretas, bem humoradas, sua interação com o público era permanente e atenta, a ponto de sacar de vez em quando uma tirada inteligente em resposta a um ou outro comentário emitido pela platéia. Delírio total. O clima do show era leve, intenso, agradável, a ponto de chegarmos ao momento do bis completamente satisfeitos, sem aquela sensação de ‘ok, já deu!’, pelo contrário, ela ainda poderia continuar por mais alguns minutos tamanha qualidade do show. Na abertura do show, Gal limitou-se tão somente a cantar de forma direta 3 canções, sem interrupções. Apenas ao fim da terceira música é que ela se dirigiu à platéia para agradecer a presença e comentar um pouco mais do que viria pela frente. No meio do show ainda houve espaço para agradecimentos pontuais, tiradas inteligentes e alguns rápidos comentários sobre as músicas.

Estive recentemente num determinado show em que a artista falava longamente entre uma e outra canção esforçando-se para explicar e contextualizar o significado de cada música. Além de estender em mais de 30 a 40 minutos o tempo de duração do show, esta estratégia acaba trazendo um ritmo lento ao show e muitas das vezes uma impressão de montanha-russa, onde o show cresce, pique lá em cima pra minutos depois ficar bem light. Uma gangorra de emoções, sem dúvida. Além do fato de subestimar o público tendo que se explicar a cada música. Deixe que cada um tire suas próprias conclusões!

Voltando ao show da Gal, outro fato que me chamou a atenção foi a qualidade da voz da intérprete. O que foi aquilo? Uma segurança absurda nos graves, uma clareza na dicção, notas perfeitas e, claro, como deixar de mencionar os agudos incisivos, ali … no alvo, firmes, seguros … meu nome é Gal … meu nome é Gaaaaaaaaaaaaaaaal …”. Vendo e principalmente ouvindo alguns artistas jovens que após 2 a 3 músicas já não mantém a qualidade, chutando todas na trave (às vezes chutando para fora do estádio como Nelinho fez no Mineirão), ouvir uma cantora de 70 anos mantendo esse nível já valeu pelo ingresso. Nota 10!

Aproveitando esse gancho, gostaria de apenas pontuar alguns insights para que os artistas cristãos que porventura estejam lendo este texto aproveitem este exemplo para aplicarem em suas carreiras.

–       A troca de experiências é algo sempre muito importante! O artista que acredita que já sabe tudo, que não precisa de ninguém ou que acha que está sempre certo, este certamente corre um risco enorme de ficar desatualizado e distante das novas tendências. Especialmente aos artistas mais experientes, ter acesso a músicos e compositores jovens é uma atitude bastante inteligente.

–       Na maior parte das vezes o ‘menos é mais’. Muitos artistas confundem quantidade com qualidade. Menos melismas, menos blá blá blá, menos caras e bocas, menos atitudes santarrônicas milimetricamente pensadas. E no quesito menos é mais, a questão do tempo de ministração e a própria apresentação devem ser bem dosados.

–       A voz é um instrumento e como tal deve ser cuidado com toda atenção. Acho impressionante como muitos artistas que vivem da voz dão tão pouca atenção a este instrumento. De vez em quando vejo alguns artistas recorrendo aos serviços de preparadores vocais ou fonoaudiólogos para recuperar a voz após maratonas de shows ou mesmo depois de uma gripe ou algo do tipo. É importante que todos saibam que melhor do que buscar o ‘pronto socorro da voz’ o ideal mesmo é manter-se permanentemente sendo atendido por um profissional da área. Artistas como Cristina Mel e Soraya Moraes são exemplos de cantoras que sempre se preocuparam com as suas respectivas vozes, não é coincidência o fato destas duas manterem em alto nível seus timbres, trinados e agudos.

Preciso parar por aqui, pois o piloto já anunciou a descida no Santos Dumont, Cidade Maravilhosa. Aproveito para agradecer ao carinho enorme que recebi nestes dias em Goiânia. Parabéns ao pessoal da Gospel Fair pela organização deste evento que tem tudo para consolidar-se no cenário cristão nacional. Agradeço também ao pessoal das mídias que tão bem representaram o segmento e que a cada dia tornam-se mais relevantes em nosso mercado – Rádio Paz, Rádio Vinha Fm, Jovem X, Rádio Voz, TV ADNP, Garagem Gospel, Super Gospel e tantos outros! Aos 66 leitores e mais uns gatos pingados que seguem observando conosco! Meu muito obrigado!

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, cronista do mundinho evangélico tupiniquim.