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No dia 20 de outubro a gravadora Sony Music lançou um projeto inédito e inovador, uma nova forma de lidar com a música dentro do conceito de divulgação e entretenimento através da web. O projeto Sony Music Live é uma grande aposta da empresa e tem tudo para ser também implantado nas filiais da companhia em outros países. A expectativa pelo sucesso do projeto é enorme e levando-se em conta os primeiros resultados e impressões de quem já conferiu e entendeu a iniciativa, as projeções são as mais positivas. O projeto que começou junto à área de música gospel já foi devidamente incorporado para toda a empresa, ou seja, nas próximas semanas teremos episódios do Sony Music Live com artistas cristãos e seculares em diferentes dias da semana.

O insight para este projeto surgiu durante minha última visita à sede da Provident, braço de música cristã da Sony Music localizada em Nashville, EUA. Numa reunião com os executivos da companhia questionei-os sobre a ausência de lançamentos de projetos de DVDs e a resposta deles foi categórica: “Não gravamos mais DVDs! Não há mercado mais para este formato. O DVD além de muito custoso rapidamente é disponibilizado na web. Ou seja, ficou um projeto inviável economicamente. Temos investido cada vez mais em conteúdo para a internet!” Ouvi atentamente aquela explicação e passei a pesquisar mais a respeito desta mudança no formato.

Nas semanas seguintes passei a freneticamente pesquisar modelos de clipes e afins, uma infinidade de conteúdos artísticos disponíveis na web. Percebi que nem sempre os clipes mais elaborados eram os mais acessados. Há um vídeo emblemático que sempre cito quando conto às pessoas sobre todo meu processo de pesquisa. Um determinado artista pop do primeiro time da música mundial, ganhador de diversos prêmios, com milhões de discos vendidos, inúmeros hits no topo da parada de rádios, pois bem esse mega pop star tem alguns vídeos quase caseiros, um dos quais gravado numa pequena livraria, com apenas uma câmera, sendo acompanhado por 2 músicos, inclusive o tecladista com uma mochila pendurada às costas. Em suma, a preocupação com a produção em si era a menor possível, o conceito é apresentar o artista e principalmente, sua arte em primeiro plano. Este vídeo tem mais de 50 milhões de views. Isso mesmo! Mais de 50 milhões de visualizações, o que certamente trouxe uma monetização absurda, tornando aquele simples vídeo uma ferramenta não só de divulgação, mas principalmente de geração de receita.

Em paralelo à pesquisa na web, comecei a estudar os números do mercado digital e observando linha a linha as receitas que aferimos em nosso projeto local constatei de que mais de 60% da receita digital de minha área era proveniente das plataformas YouTube/Vevo. Algo interessante começava a tomar forma naquele momento. Muitas reuniões depois com a equipe de New Business da gravadora comecei a formatar o projeto com meu parceiro de ‘viagens criativas’, Hugo Pessoa. Chegamos a uma ideia mais elaborada e apresentamos o projeto à gravadora com embasamentos técnicos, criativos e principalmente econômicos. Projeto e budget aprovados partimos para uma terceira fase, a realização do projeto em si e aí mais uma vez analisamos quais deveriam ser os artistas mais adequados para uma primeira fase do projeto. A dúvida era entre artistas muito populares ou artistas com relevância nas redes sociais e visualizações. Listas e seleções feitas, chegamos a um cast inicial de 10 nomes.

Mais reuniões, mais análises, muitas ideias foram surgindo nas reuniões de brainstorming com a equipe de Marketing Digital e New Business até que chegamos ao formato final que irá disponiblizar conteúdo inédito sempre às terças-feiras a partir das 18h no canal Sony Music Live no YouTube. Após acessar ao canal, o público irá migrar automaticamente para a plataforma VEVO onde ficarão os vídeos alocados nas páginas dos respectivos artistas. Por semana serão lançados entre 3 a 4 novos vídeos de um mesmo artista. A cada semana um novo artista será apresentado com episódios inéditos. Gabriela Rocha, Paulo César Baruk, Salomão do Reggae, Marcela Taís, Trazendo a Arca, Priscilla Alcântara, Leonardo Gonçalves, Os Arrais, são alguns dos artistas já confirmados na série que conecta pessoas e artistas dentro e fora dos palcos. O processo de seleção dos artistas passa prioritiariamente pelo grau de potencial de visualizações que cada artista traz em si. Neste item, alguns jovens nomes saem bem à frente se comparados com alguns medalhões do mainstream gospel.

Sony Music Live não é um DVD e muito menos um clipe. A cada episódio a série é gravada em um cenário inédito e exclusivo que nunca se repetem. Cada artista tem um conceito próprio e isso é respeitado pelos diretores de cada episódio, ou seja, manter uma proposta artística de acordo com o estilo de cada intérprete. Então, a cada semana o público sempre terá surpresas e muitas novidades. Após a estréia, cada episódio ficará disponível no canal oficial da série no YouTube e também nos canais exclusivos de cada artista na VEVO.

Sony Music Live é uma nova forma da indústria fonográfica lidar com as novas culturas, novas tecnologias, novos hábitos. Uma nova experiência se apresenta onde o público terá oportunidade de assistir a conteúdo de qualidade de uma forma diferente. Não costumo usar o blog para falar de projetos pessoais, mas neste caso abro mão de minha própria regra, afinal este é, sem dúvida, um projeto que tem tudo para sinalizar um caminho bastante interessante no mercado fonográfico, nada mais pertinente para o espírito deste blog.

Tenho me repetido muito ultimamente e batido sempre na tecla de que a música hoje em dia é totalmente visual. A própria expressão “você ouviu?” já foi alterada para “você assistiu?” tamanha a importância do vídeo na experiência do público com a música. Esta nova relação é o conceito gênese do projeto Sony Music Live, proporcionar ao público uma mudança no contato com o artista e sua música. Se você ainda não conferiu este projeto, fica a dica!

Enjoy!

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, diretor artístico e alguém ainda apaixonado pela música em suas diferentes formas e ambientes. Viva a boa música! Sempre!

Estou neste momento retomando o caminho de casa após quase uma semana intensa de muito trabalho em Portugal. O meu objetivo nestes dias foi unicamente conhecer o atual cenário da música cristã e analisar a viabilidade de um projeto nos mesmos moldes do que desenvolvemos no Brasil com grande êxito nos últimos 5 anos. Em curtíssimos 5 dias foram mais de 50 encontros numa maratona estafante e intensa. Conversei com artistas, compositores, produtores musicais, músicos, profissionais do meio fonográfico, líderes, padres, pastores, profissionais de mídias (as pouquíssimas que existem por lá), ou seja, uma raríssima e rica experiência de intercâmbio intercultural.

Coincidentemente este mesmo tipo de viagem fiz a pouco mais de 20 anos atrás, justamente para Portugal. A diferença é que naquela época meu foco era o mercado editorial e não o fonográfico. No entanto, o objetivo era bem parecido, ou seja, entender o mercado cristão português para uma análise sobre a viabilidade de se investir ou não além-mar. Naquela oportunidade minha impressão e conclusão era de que deveríamos focar tão somente o mercado brasileiro, já que em Portugal o mercado evangélico era muito incipiente e sem projeções de crescimento.

Regresso os mais de 7 mil quilômetros entre Lisboa e o Rio de Janeiro neste momento com uma convicção diferente da que tive ainda no século passado. No entanto, engana-se quem imagina que minha decisão deve-se à alguma mudança alvissareira do mercado cristão português. Não, definitivamente não temos um cenário de crescimento por lá. Em alguns aspectos, a impressão que tenho é de que o segmento evangélico português permanece no mesmo patamar de décadas atrás. E isso não é força de linguagem, infelizmente, pelo contrário, é um fato. A diferença motivadora em minha decisão de outrora e atual não tem a ver com a situação daquele país, mas porque hoje sou uma pessoa bem diferente daquele jovem iniciando uma carreira profissional no mercado evangélico. Confesso que sou um cara meio idealista, às vezes um tanto quanto quixotesco lutando contra moinhos em prol do crescimento do mercado cristão. E este espírito é o que me motiva neste momento a seguir com a ideia de se investir na intenção de implantar um label de música gospel na região ibérica.

Nestes dias tive reuniões com artistas espanhóis, moçambicanos, angolanos, brasileiros e até portugueses (rs). Minha intenção era muito mais ouvir do que falar, mas é óbvio que os encontros acabaram virando pequenos debates e muito mais mini-palestras sobre o mercado fonográfico, mundo digital, estratégias de marketing, gerenciamento de carreira e temas a fim. Todas estas conversas serviram para que eu tivesse uma noção e uma visão mais clara da realidade do mercado cristão em Portugal. Ainda no meu penúltimo dia em Lisboa, tive oportunidade de apresentar meu relatório à equipe da gravadora e felizmente o projeto foi aprovado e em breve teremos boas novidades!

No entanto, mais do que qualquer questão econômica, estrutural ou logística, o que mais me chamou a atenção nestes dias foi a situação do cenário artístico cristão. Do ponto de vista da qualidade da música que vem sendo produzida por lá confesso que me surpreendi positivamente por tudo que vi e ouvi. A influência anglo da música se faz bem presente em Portugal, não somente no meio gospel mas também no secular. A música brasileira, especialmente no meio secular, perdeu muito em importância e relevância, coincidentemente seguindo a diminuição da presença das telenovelas da Globo. As TVs portuguesas investiram muito na produção de telenovelas o que consequentemente restringiu-se o espaço para as produções brasileiras e isso acabou diminuindo também a influência da cultura e música tupiniquim.

No meio cristão, a música brasileira ainda tem alguma influência. Inevitavelmente entre os brazucas essa referência é bem maior. Já entre os portugueses a maior referência está em artistas de língua inglesa com predominância para o onipresente Hillsong. Entre os africanos há um misto de música brasileira, worship e influência norte-americana eletrônica e hip hop. Fiquei particularmente feliz em ver que jovens cantores brasileiros como Gabriela Rocha, Daniela Araújo e Anderson Freire são nomes bastante populares por estas praias. Os já consagrados, Aline Barros, Fernandinho, Thalles, Marquinhos Gomes, Damares, Fernanda Brum, também foram constantemente lembrados. Alguns não necessariamente somente por suas virtudes musicais.

Então, na parte musical e de produção, o cenário português cristão está bem representado. Artistas como Ana Mari, Voz de Júbilo, Ministério de louvor da igreja CCC, Carla Alexandra e mais alguns nomes têm talento e qualidade. O mesmo ocorre no meio gospel espanhol. O problema está presente em duas a três questões que me trouxeram certo susto e apreensão. Em primeiro lugar, a igreja evangélica portuguesa está estagnada já faz algumas décadas.

Se no Brasil o segmento evangélico representa cerca de 30% da população, do outro lado do Atlântico não ultrapassa míseros 4%.

E pior, sem registrar crescimento significativo nas últimas décadas. Na verdade, nos últimos anos, com o regresso de muitos brasileiros ao país de origem ou mesmo o êxodo para outros países na Europa, o que se observa é a diminuição da população evangélica, chegando inclusive ao fechamento de muitas igrejas. Não há como comparar um mercado de 60 milhões de consumidores com outro de 400 mil, por isso mesmo a comparação é percentual e não absoluta. De um jeito ou de outro a distância entre uma realidade e outra é bem maior do que os milhares de quilômetros que no separam pelo Atlântico.

Coincidência ou não, a igreja portuguesa é muito restritiva aos artistas e à própria música em seus territórios. Soube inclusive de que uma determinada denominação proíbe – sim, é isso mesmo! Não é metáfora, mas uma lei oficial da igreja imposta pelo pastor-presidente – os artistas da própria igreja de se apresentarem e comercializarem discos em eventos ou pós-cultos. Com esta “lei-anti-artista-gospel” o que se observa é um desestímulo reinante entre os músicos daquela denominação. Muitos acabaram migrando para o mercado secular para que sua arte tivesse algum espaço ou reconhecimento. E isto é mais comum do que se possa imaginar por lá. Atualmente um dos mais proeminentes e populares jovens artistas do cenário português é um jovem, filho de pastor, que se viu obrigado a seguir numa carreira secular com sua banda após anos e anos sem qualquer apoio por parte da igreja evangélica. Ele inclusive me confidenciou já ter viajado mais de 300 Km para participar de um evento em que sequer o pastor ofertou-lhe o dinheiro da gasolina.

Diferentemente do Brasil, as igrejas evangélicas são poucas em Portugal. Estima-se que exista uma população de 400 mil evangélicos num universo de 10 milhões de habitantes. O perfil médio das igrejas por lá é de comunidades que reúnam entre 50 a 100 pessoas. Uma igreja com 500 pessoas é considerada enorme no meio evangélico lusitano. E muito desta timidez de números e estagnação do segmento deve-se à cultura européia racional, à tradição católica enraizada no país, aos escândalos e problemas proporcionados por alguns líderes evangélicos em décadas anteriores, à pequena quantidade de mídias de massa do segmento no país, entre outros aspectos. Pra exemplificar a questão das mídias, há apenas uma única emissora FM 100% evangélica ou mesmo católica em toda a Portugal com programação ao vivo. Não há um único canal de TV para o segmento, raros são os programas em canais de menor expressão e alcance limitado. E, pasmem!, não há um único site especializado em música cristã portuguesa. Ou seja, a música cristã praticamente sobrevive em termos de divulgação ao milenar boca a boca. Algo assustadoramente anacrônico em tempos digitais.

Confesso que se pudesse eu escreveria uma espécie de CARTA ABERTA aos evangélicos de Portugal, principalmente aos artistas e líderes, pedindo, na verdade clamando, por uma maior atenção e uma mudança de postura com a música cristã naquele país. Infelizmente uma esmagadora parcela da liderança evangélica portuguesa não entendeu que a música tem um poder enorme de transformação e que pode ser a grande ferramenta que esteja faltando ser utilizada para atingir mentes e corações da sociedade lusitana.

A música cristã pode levar a mensagem das Boas Novas para muitas pessoas que recusam-se a ouvir uma pregação, ou mesmo a entrar numa igreja.

Em minha curta passagem por lá tive oportunidade de ouvir dois portugueses confessarem que se converteram ao ouvir determinadas músicas evangélicas. A música tem essa força! Por outro lado, ouvi também testemunhos emocionados de alguns artistas falando a respeito da dificuldade que se é ter um ministério musical naquele país pela mais absoluta falta de apoio por parte das igrejas. Alguns destes testemunhos eram recheados de relatos vergonhosos da mais incrível falta de respeito ao músico cristão. Inclusive há casos de artistas que praticamente já haviam ‘entregue os pontos’ dedicando-se a outros projetos, até mesmo por questões de sobrevivência.

Em determinado momento me vi como uma espécie de psicólogo tentando reverter essa maré de pessimismo e desânimo. Será coincidência o fato de que a igreja evangélica vive anos de estagnação e o tipo de relação que esta tem com a música cristã? Ou mesmo a questão do pouco número de mídias segmentadas com a pouca influência da igreja na sociedade? Não tenho a menor dúvida de que se os líderes começarem a incentivar seus músicos, abrindo mais espaço para o intercâmbio para a classe artística, realizando mais eventos em suas igrejas, de que este ‘investimento’ será revertido no crescimento da própria igreja! Isso sem falar na expansão das mídias evangélicas. Está tudo relacionado entre si, há uma simbiose entre estes diferentes cenários e certamente quando um se desenvolve todo o resto cresce junto. Parece óbvia esta constatação e de fato é … e talvez de tão simples a solução, as pessoas imaginem não ser a mais correta nestes casos.

Em minha CARTA ABERTA certamente eu diria aos pastores e líderes sobre a responsabilidade que eles têm pelo não-crescimento da população evangélica naquele país. E não venham me falar em crise, em dificuldades … nada disso justifica a inércia. E, no caso da crise, pelo contrário isso não é justificativa, mas oportunidade pois já é sabido de que sociedades em crise costumam ser mais sensíveis às questões relacionadas à fé. Também focaria meu texto aos artistas que pretendem levar à sério este chamado, seus ministérios. Pelo que vi e ouvi nestes dias há um absoluto desconhecimento sobre as questões de marketing, universo digital, organização, planejamento, promoção e afins. A artista gospel com maio número de seguidores numa fanpage possui pouco mais de 30 mil fãs, algo ínfimo, mesmo em se tratando do universo português. Outro dado que me assustou é de que poucos são aqueles que possuem outras redes sociais além do próprio Facebook e, mesmo assim, com utilização completamente equivocada desta ferramenta. Atualizem-se urgentemente!

Alguns importantes artistas do segmento cristão com menos de 5 mil seguidores no Facebook disseram claramente “não mexer com essas coisas” ou “não ter tempo”, como se isto fosse possível, algo como sendo um simples passatempo e não uma ferramenta crucial hoje em dia. Entre estes ‘perdidos no tempo e no espaço’ há gente que lidera centenas de pessoas em suas comunidades. E a minha pergunta era sempre a mesma: não há um único miúdo ou adolescente em sua igreja que curta estas questões de internet e que possa ajudá-lo e cuidar de suas redes sociais?

Ressalte-se que até agora não falei de dinheiro e nem de investimento, estou falando somente de estratégia, atitude, vontade de mudar, entendimento, disposição, bom senso … questões muito mais pessoais do que estruturais.

Sempre gosto de receber o feedback das pessoas com quem converso. E nestes dias procurei saber posteriormente o resultado de minhas conversas, às vezes verdadeiras palestras, em alguns casos clássicos ‘puxões de orelhas’. E em todas o retorno foi bastante positivo. Recebi em meu último dia de trabalho o email de um importante artista do cenário cristão português agradecendo-me por ter dedicado meu tempo a eles. Neste email ele inclusive já me contava sobre algumas atitudes que havia tomado após conversar conosco e que aquilo já trazia uma motivação diferente ao seu dia a dia. Em outro destes feedbacks um jovem pastor também ligado à música contou-me que pretende investir mais na realização de encontros e que já havia marcado para gravar alguns vídeo-clipes usando a capital lusitana como cenário. Estas informações e impressões são o que de verdade me motivam a deixar minha família, meus afazeres no escritório e dedicar-me por alguns dias a pessoas que até então nem conhecia. E sinceramente espero que minha passagem por Portugal tenha contribuído de alguma forma para dar uma sacudida nas mentes daquelas pessoas para que em seguida possam levar a Palavra com mais empenho e somente assim transformação aquela sociedade.

Aos pastores e artistas brasileiros minha oração é de que olhem para Portugal com outros olhos. Temos que apoiá-los com o sentimento missionário e cristão, investindo tempo e dinheiro para que aquele povo possa conhecer a mensagem libertadora da cruz. Especialmente aos artistas brasileiros gostaria de incentivá-los a facilitar ao máximo as condições quando receberem convites para se apresentarem por lá. De verdade, espero mesmo até que alguns que já tão bem sucedidos economicamente que dediquem alguns dias de suas agendas intensas para irem até Portugal abençoar a igreja evangélica por lá.

Quando um português decide seguir a Cristo, a professar publicamente como seu único e suficiente Salvador, ingressando numa igreja evangélica, esta é uma decisão consciente e permanente. Não se brinca de crente!

Não se esqueçam que neste momento a Europa passa por uma crise de imigrantes saindo da África e Oriente Médio, com uma imensa maioria muçulmana. Se formos a Londres ou mesmo Paris temos a impressão de estarmos na Arábia Saudita, Dubai ou qualquer outro país da região tamanha a quantidade de muçulmanos presentes. Ouvi de uma pessoa de que esta imigração é uma espécie de Cavalo de Tróia onde de forma não explícita a fé muçulmana vai tomando espaço na sociedade européia.  Muita atenção a estes fatos! E por fim, creio como a Bíblia nos ensina de que quando todos tiverem acesso à mensagem de Cristo este será o tempo para que ele venha e resgate sua igreja. Se verdadeiramente queremos viver este tempo, então precisamos agir, mudar nossas atitudes e conceitos para que sua Palavra seja difundida. Um dia a menos evangelizando é um dia a mais de espera por este momento.

Força!

P.S. – Quero aproveitar e agradecer ao imenso carinho e comprometimento de toda equipe Sony Music em Portugal. Vocês são uma malta muito fixe! E em especial ao novo grande amigo, super produtor, pastor, compositor, arranjador, cantor, David Neutel, uma espécie de catalisador do cenário cristão em Portugal e Espanha. Sem sua ajuda, gajo, nada disso seria possível! Tu és boa onda!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, idealista, mais novo torcedor do Sporting (por influência do meu chefe português!)e alguém que torce pela mudança de certas culturas que ainda emperram o crescimento do Evangelho no mundo. 

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Alguns temas que surgem no nosso dia a dia muitas vezes acabam tornando-se pautas por aqui no Observatório Cristão. Há insights que rendem um belo texto, alguns até mais do que um único post e tantos outros merecem especial atenção mas não se sustentam para mais do que 2 ou 3 parágrafos. Então, numa tentativa de não deixar de lado estes temas nanicos, o post de hoje será composto por vários pequenos assuntos que estão diretamente relacionados ao nosso mundinho e cotidiano gospel.

Começamos pelo marketing-carona. Nunca ouvi esse termo sendo utilizado, então posso jactar-me de criar esse novo formato de ação estratégica de marketing. Longe de sentir-me um marqueteiro ‘acima da média’ vou ‘baixando minha bolinha’ e explicando de bate pronto o que vem a ser isto. Hoje em dia este recurso vem sendo amplamente utilizado, em sua grande maioria por cantores jovens e sem expressão e, nada mais é do que a postagem de vídeos e clipes nas áreas de comentário nas redes sociais. Já vi marketing-carona no Instagram, no Twitter, mas especialmente no Facebook ele se alastra como uma sarna. É um tal de “confira o clipe do fulano de tal”, “veja o clipe da cantora tal” … e tudo isso rivalizando em atenção com o post original publicado.

Muitas das vezes essa ‘estratégia’ é usada à exaustão! Outro dia entrei na fanpage oficial da empresa em que trabalho e estava ali postado nas últimas 20 inserções dos artistas e notícias da gravadora, um famigerado vídeo de um artista do norte do país que se dizia ser a grande sensação do arrocha gospel … pânico total! Parecia uma espécie de maldição … por onde eu clicava aparecia aquele vídeo horroroso como se fosse uns zumbis de walking dead.

Então, que fique bem claro aos artistas e seus “açessores”: fanpage é algo pessoal, intransferível e não se deve invadir, mesmo que seja para pedir ajuda para as crianças albinas da Etiópia. Marketing carona é over demais! Cafona demais! Além de ser um claro atestado de mediocridade e oportunismo desclassificado. Fui claro?

Outro assunto que merece ser destacado no blog é sobre a inclusão de clássicos da música gospel e regravações. Estava eu ouvindo dias atrás um disco de uma jovem cantora que eu tinha enorme curiosidade em conhecer e no meio de um EP com 6 faixas, eis que me deparo com uma versão revisitada de um hino do Cantor Cristão ou Harpa Cristã para os mais pentecas. Alguém pode me explicar o motivo de no meio de um projeto de estréia de uma artista, o produtor incluiu uma canção pra lá de gravada e interpretada? Não seria mais interessante seguir no objetivo de mostrar a artista e toda sua versatilidade, investindo em músicas inéditas e novas propostas?

Um jovem artista precisa mostrar pra que veio ao mundo artístico. E definitivamente não será com uma canção tradicional, amplamente conhecida e regravada que ele mostrará seus dotes artísticos. A não ser que a proposta do disco seja de revisitar os clássicos (o que por si só não me agrada a ideia), deixar de gravar algo inédito para incluir aquela canção que todo mundo já ouviu, não me soa nada bem!

Ainda no tema repertório, outra questão que eu gostaria de comentar tem a ver com a inclusão de versões internacionais. Acho que o artista e seu respectivo produtor precisam fazer um pouco mais de esforço em pesquisa para buscar referências e canções internacionais que realmente mereçam ser regravadas como versões. É muito chato, diria até meio cômico ver uma mesma música ser regravada por 10 artistas brasileiros num mesmo momento. Já teve caso de 2 artistas na mesma gravadora lançarem versões internacionais idênticas num intervalo de 3 meses.

Um dos problemas que percebo em nosso meio é que as referências são as mesmas. Ou seja, tem o artista da moda e todo mundo sai gravando as músicas daquele determinado nome. O que acontece é que o que poderia ser bom, acaba saturando tamanha a quantidade de versões gravadas. Hillsong, Jesus Adrian Romero, Kari Jobe, Amy Grant, Michael W Smith, Sandi Patty … estes são alguns dos artistas que já foram exaustivamente versionados no Brasil. E a ‘culpa’ disso, principalmente em tempo digital onde tudo está ao alcance de poucos cliques, é basicamente a preguiça de pesquisar por novas sonoridades, novos nomes, referências e informação.

O quarto assunto deste post miscelânea é com relação às participações especiais. Quais são ou deveriam ser os critérios para as participações especiais num disco? Sinceramente não tenho uma lista sobre este assunto, mas analisando alguns projetos que contavam com participações especiais acabei criando algumas opiniões a respeito. Em primeiro lugar, num disco de 10 faixas em média, não dá para ter mais do que 2 participações, por mais que o artista tenha um enorme ciclo de amizades. Não se esqueça de que o artista principal deve ter máxima exposição no seu próprio projeto.

Outra questão neste tema é que espera-se um mínimo de relacionamento entre o artista e o seu convidado. Não entendo muito bem como pode funcionar a química entre os intérpretes se alguns acabam se conhecendo no próprio estúdio no dia da gravação ou às vezes, sequer se encontram quando suas agendas não permitem que gravem numa mesma sessão. É fundamental que um mínimo de afinidade os artistas tenham entre si. Assim como já mencionei sobre as versões internacionais, da falta de referências e da repetição de nomes, acho que esta mesma preocupação precisa se ter quando o assunto é participação especial. Acho que daria para fazer algumas coletâneas de CDs só com participações de Baruk, Leonardo Gonçalves, Adhemar de Campos, Pregador Luo, para citar somente alguns. Acho que o artista deve ter um senso crítico ao convidar determinados artistas que estão nesta fase ‘arroz de festa’. É melhor pensar em outras opções para que a participação realmente seja especial.

Ainda sobre as participações … tempos atrás fui obrigado a comentar com uma artista que em toda entrevista, toda postagem, qualquer oportunidade que surgia fazia questão de enfatizar a maravilhosa, a espetacular, a estupenda participação do determinado artista. Menos! Não precisa falar mais da participação do que do seu próprio trabalho. Isso demonstra, antes de mais nada, uma tremenda insegurança, o que não é nada bom!

Vou ficando por aqui. À medida que fui escrevendo este texto uma série de outros assuntos e caminhos foram surgindo, então não se assustem se voltarmos a falar com mais profundidade sobre um destes temas aqui apresentados.

Por hoje é só!

 

Mauricio Soares, jornalista, diretor artístico com mais de duas décadas de bons serviços ao mercado gospel e cada vez mais impressionado e maravilhado com as oportunidades que surgem no meio artístico.

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Muitos problemas poderiam ser simplesmente evitados se o entendimento dos fatos, uma melhor compreensão dos resultados e, principalmente do conceito em si das atividades fosse melhor compreendido. No nosso último post falamos sobre o conceito da atividade de assessoria de imprensa e do profissional de marketing digital, duas áreas que observamos neste momento um aumento de demanda, com enorme potencial de crescimento, mas que pela falta de uma melhor definição do que realmente é notamos uma série de confusões e expectativas frustradas.

Seguindo o tema anterior gostaria de continuar falando sobre conceito. Neste momento em que cruzo boa parte do país saindo do Rio de Janeiro para a capital cearense espero aproveitar as 3 horas de vôo para explicar e contribuir para um melhor entendimento em algumas questões. Ontem conversando durante o almoço com meus dois maiores parceiros na companhia falamos sobre a diferença entre empresário e vendedor de shows. Falávamos de um determinado profissional que tem o dom de fechar contratos, de abrir portas e fazer grandes ações de booking, que é no jargão do meio, aquele que oferece, negocia e administra a venda de shows. Só que este determinado profissional se via além de um excelente vendedor de shows. Em sua própria concepção ele já havia passado para o estágio superior, julgando-se um empresário artístico. E aí, entre uma e outra garfada fomos discutindo as atribuições de uma e outra função.

Antes de mais nada, vale a pena registrar que o meio artístico gospel é absolutamente carente de empresários. Isso é fato! Em contrapartida, este mesmo segmento está lotado de vendedores de datas. Nada de mal nisso! O problema é quando estes profissionais se imaginam e procuram atuar nas diferentes áreas de atuação. Em bom português, uma coisa é vender shows e outra completamente diferente é ser um empresário. O primeiro é aquele profissional operacional, do dia a dia de contatos, senso de oportunidade, muita disposição para negociar, organização e excelente noção de logística, produção e planejamento. Um vendedor de shows deve ter uma excelente rede de relacionamentos. Deve manter contato permanente com contratantes e produtores locais de shows. Não raras as vezes, este profissional deve acompanhar as viagens do artista, analisando as condições do evento e mesmo analisando a capacidade do contratante na realização dos eventos a que se propõe.

Agilidade, organização e bom senso são fundamentais no perfil do bom vendedor de shows. Hoje em dia em que a tecnologia contribui para o contato e para facilitar as atividades, este profissional deve  ser capaz de no menor tempo possível responder às demandas que surgirem. É assustador como alguns artistas são prejudicados por não terem uma assessoria de qualidade nesta área. Tempos atrás perdi a paciência com um determinado artista porque simplesmente era impossível manter contato com ele. O seu site ‘oficial’ estava completamente desatualizado. Os números de telefone estavam errados ou simplesmente tocavam até cair a ligação. O email era uma caminho sem volta no melhor estilo buraco negro, em que simplesmente ninguém recebia retorno de nada. Resumindo a história, não por coincidência este determinado artista foi minguando, minguando até chegar a um estágio próximo do mais completo ostracismo.

A função principal do vendedor de shows é – por mais óbvio que possa parecer – fechar bons contratos para seu artista. E neste quesito temos casos absurdos em nosso meio que não posso deixar de citar. Há alguns anos atrás jantando com uma artista e seu esposo o telefone tocou. O esposo parou a conversa com cara de poucos amigos, atendeu a ligação e começou a falar numa rispidez de assustar. Em poucos segundos encerrou a conversa e voltou ao papo à mesa. Completamente chocado pela cena que havia assistido perguntei se estava tudo bem e ele candidamente respondeu: “Não aguento mais! Toda hora me liga alguém pra marcar agenda. Povinho chato esse …”. Pra encurtar esta história, naquele instante praticamente obriguei-os a montar um escritório próprio e proibi-o de atender qualquer ligação de agenda. Um vendedor de shows obrigatoriamente tem que ser uma pessoa agradável, educada e disponível. Mesmo quando não tiver como atender ao convite, o vendedor deve gentilmente declinar da proposta e em muitos casos sugerir uma nova data. Jamais deve desmerecer ou tratar de forma deseducada a um cliente. Básico não? Mas infelizmente há muito vendedor grosso, mal humorado, arrogante, mal educado em nosso meio, incrível mas é fato!

O ato de vender shows deve ser algo leve, transparente e facilitado. Outro dia em contato com um escritório de venda de shows passei 3 solicitações de datas de diferentes eventos. Como estes contratantes eram todos muito próximos a mim e já têm uma boa experiência e tradição no meio, esforcei-me em ajudá-los indicando alguns nomes para seus respectivos eventos. Então, como facilitador no primeiro contato passei todas as informações dos eventos, dos próprios contratantes e até mesmo uma noção mais clara sobre os valores de cachê e tudo mais. Liguei para um dos escritórios, expliquei tudo em detalhes, passei todas as coordenadas. Depois de quase 10 minutos ou mais de ligação, o (impublicável) vendedor me falou na maior cara de pau: Ah! Que legal. Pede para esse contratante então ligar pra mim. Depois das 14h e antes das 18h.” Confesso que fiquei alguns segundos estático tentando digerir a informação e de forma automática e quase inocente perguntei de volta o porquê dele não ligar direto para o contratante e aí fui obrigado a ouvir:  “Estou com muitos emails pra responder. Muita coisa aqui pra fazer e também porque por orientação do artista, não fazemos mais ligações. Somente em último caso. Se este contratante quiser mesmo levar o artista, ele precisa ligar pra nós! Ah … não esquece que entre 14h e 18h, ok? Agora vou almoçar …”

Acho que a figura do vendedor de shows já está bem definida, mas e o empresário artístico? Bem, o empresário é antes de mais nada um investidor. Sim, um investidor, aquele que vai colocar dinheiro, tempo e dedicação no sucesso de um artista. No meio gospel tupiniquim onde os termos são constantemente alterados no sentido de espiritualizar tudo, no melhor estilo ‘gospelmente correto’, a palavra investidor é algo que pode assustar a muitos. Mas deixando de lado a hipocrisia purista reinante, o fato é que estamos diante de um mercado potencial, em crescimento, se consolidando a cada dia e onde o dinheiro circula em diferentes atividades. Nada mais natural que o mercado gospel chame a atenção de investidores. O problema não é ter um investidor no meio artístico gospel, mas a falta de transparência nesta ação. De outro lado, o investidor precisa entender que o mercado tem muitas peculiaridades e como tal, é fundamental ter sensibilidade, bom senso e principalmente um planejamento sério nas questões custo x benefícios, breakeven, retorno, tempo, oportunidades.

Resolvidas estas questões mencionadas acima, voltemos ao conceito do empresário artístico. Em primeiro lugar, este profissional deve ter lastro financeiro e segurança. Assim como em qualquer negócio, os riscos são inerentes. Não é porque o artista é uma bênção, talentoso, simpático, bom rapaz, músico virtuoso, com boa aparência e que fala 5 línguas, inclusive as espirituais, que ele vai dar certo. Qualquer aposta é sempre uma aposta. Pode dar certo ou não. E aí é fundamental que o empresário não coloque todas as suas fichas na expectativa do retorno. Muitas das vezes o retorno pode vir, mas é necessário um bom tempo de investimento e maturação. Neste caso, um bom budget para o projeto é fundamental! Outra questão importante, o empresário deve ser alguém que privilegie relacionamentos. Um bom networking é condição sine qua non para um profissional gabaritado nesta área. O empresário precisa estar na rua, em campo, participando dos grandes eventos, buscando oportunidades diferenciadas para seu artista. E neste networking é fundamental que o empresário mantenha uma relação saudável e de parceria com a gravadora caso seu artista faça parte do cast de alguma empresa. Aquele empresário que age de forma individual na condução de um artista que esteja vinculado a uma gravadora acaba mais atrapalhando do que ajudando. Um bom empresário é aquele que trabalha lado a lado com a gravadora buscando oportunidades, traçando metas e objetivos e principalmente planejando ações em conjunto.

No meio secular a figura do empresário é muito comum. Em muitos casos a gravadora sequer mantém contato direto com o artista, reservando toda a comunicação exclusivamente para o escritório empresarial. O empresário, como já mencionado anteriormente, é aquele que busca alternativas de fontes de renda e contratos. Entre estas oportunidades estão as ações de publicidade, licenciamento e mesmo de contratos comerciais. Por que os artistas do meio gospel praticamente são nulos em campanhas de publicidade? Não só no caso de produtos e projetos seculares, mas principalmente de produtos de consumo para o próprio segmento gospel. Por que essa ausência de artistas em campanhas de mídia? A resposta é simples e direta, ou seja, não há profissionais buscando contratos junto ao meio, às agências de publicidade. Ou seja, faltam empresários em nosso meio à procura de oportunidades!

Em praticamente 100% dos casos no meio gospel a negociação de contrato ou de renovação de vínculo entre o artista e a gravadora é feita diretamente entre as partes. Esta relação muitas das vezes é desgastante e o artista cria expectativas bem distantes da realidade do mercado. Com a participação do empresário, geralmente alguém mais antenado com as tendências e realidades do meio, a negociação flui de forma mais direta, objetiva e transparente, facilitando todo o processo. Ao longo de 25 anos de mercado posso assegurar que em muitos casos, negociações das quais participei seriam bem mais tranquilas pela simples participação de um empresário. Muitas das vezes ter que negociar com marido, esposa, o próprio artista, cunhada, pai e similares acaba mais prejudicando do que ajudando. A relação nestes casos passa muito mais a ser algo pessoal, até mesmo passional do que profissional e nestas horas o fundamental é ter transparência e segurança poupando assim de eventuais dores de cabeça, frustrações e perda de tempo.

O empresário deve ter uma visão macro do mercado. Não pode jamais reduzir seu campo de visão para o próprio universo. O ideal é que o empresário tenha uma boa percepção de oportunidades e tendências. Contratar um artista no início da trajetória, prestes a ‘estourar’ é para poucos observadores e geralmente estes são os que efetivamente têm sucesso no mercado. É o tradicional ‘investir na baixa para colher na alta”. E aí, é óbvio que oportunidades não batem à porta do escritório, ou seja, é necessário estar em constante deslocamento, participando de shows regionais, congressos, antenado na internet, enfim, buscando informação o tempo todo, todo o tempo.

Um bom empresário é aquele que procura orientar seu artista. E aí há um detalhe importante. Naturalmente boa parte dos artistas crêem veementemente de que são a oitava maravilha do mundo e que não carecem de tantos ajustes, orientações e conselhos. Coitados! Então, o empresário antes de mais nada precisa de paciência (muita!), firmeza na condução e um bom planejamento. Não pode faltar argumento quando se necessita orientar o artista sobre ações, estratégias e caminhos a seguir. Aí neste caso, muito desta credibilidade será adquirida com o passar dos anos. É uma questão de tempo e de cases de sucesso para conquistar-se o devido respeito do mercado e do próprio artista. Caso o empresário ainda não tenha essa bagagem que só o tempo pode trazer, o ideal é investir na ajuda externa de consultores. Aí, neste caso, é fundamental saber a quem pedir a tal consultoria porque nosso meio está recheado de bicões e sem noção que prometem o que não cumprem!

Antes de partir para a finalização do texto gostaria de descrever meu prazer enorme de ouvir enquanto produzo este post o disco de Salomão do Reggae. Na minha modestíssima opinião, estamos diante de um dos maiores letristas e poetas de nosso meio dos últimos tempos. A qualidade da caneta do Salomão é absurda e faz parecer fácil escrever versos como o que ele transformou em canções neste projeto. Além da criatividade com as palavras, o tal do Salomão ainda é um intérprete de mão cheia, instrumentista e tem um carisma sobrenatural. Quero muito estar certo nas minhas projeções e de verdade creio que estamos diante de um artista completo que será sucesso nacional em não mais do que 2 a 3 anos. Este projeto deverá ser lançado entre agosto e setembro e sairá pelo selo Balaio Music com distribuição exclusiva pela Sony Music. Enquanto isso, o prazer de ouvir este material fica restrito a poucas pessoas e ainda bem que estou entre estas!

Voltando ao texto, acho que conseguimos definir bem o conceito de vendedor de shows e o empresário artístico. Acho que em se tratando do universo gospel brasileiro temos muito a crescer, a melhorar, a desenvolver. No caso dos vendedores o desafio é tornar essa atividade mais profissional. Há demanda de eventos crescente. Imagino que no país, cada vez mais as prefeituras irão investir em shows de música gospel. No Brasil temos mais de 5 mil municípios, ou seja, muitas oportunidades. Além da demanda de shows, há a própria necessidade de suporte por parte dos artistas. Já não comporta mais que alguns grandes artistas ainda insistam na solução caseira com pai, mãe, marido, atendendo às ligações e negociando os cachês. Já temos no mercado algumas empresas que desempenham com qualidade este tipo de trabalho, basta uma boa pesquisa.

Em contrapartida, se temos muitos vendedores, já não podemos afirmar o mesmo para a categoria de empresários artísticos. Há algumas semanas atrás conversei com um empresário da área do samba que cada vez mais está antenado com o segmento gospel. Neste mesmo período já tive reuniões com empresários do segmento sertanejo, católico e até mesmo do pop rock. Todos mostraram-se muito curiosos em entender melhor o ambiente da música gospel. A percepçào de que estão diante de uma oportunidade interessante pela frente é inequívoca, mas que também necessitam aprofundar o conhecimento sobre este universo. Ou seja, não nos surpreendamos se escritórios de artistas populares muito em breve também abrirem um setor exclusivo para atendimento a artistas e eventos do meio gospel. De verdade acredito que em mais alguns meses já teremos essa novidade em nossos arraiais.

Por hoje é só!

 

Mauricio Soares, viajante contumaz, publicitário, amante da boa música, observador atento, incentivador do mercado gospel, profissional de marketing, jornalista e alguém que não participa de campanhas mirabolantes como Embelezamento de Altíssimo em 7 semanas, Fronhas do Sonhos de Deus, Sabonete com Óleo e sincretismos afins.

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Tempo chuvoso no Rio de Janeiro. Tarde cinzenta. Um clima diferente do normal de uma cidade pulsante, reconhecida mundialmente por sua luminosidade e intensidade. Nestes dias está tudo meio parado, meio lento … e não é que também entrei nesse ritmo a ponto de conseguir reservar alguns minutos para escrever mais um post para o blog? Interessante isso, afinal boa parte de meus textos foram escritos em meio a saguões de aeroportos ou mesmo a bordo de aviões cruzando o país e exterior nos últimos 8 anos, então permitir-me uma pausa para dedicar-me a escrever um novo post no meio do dia é realmente algo tão diferente como deparar-me com um dia gris na Cidade Maravilhosa.

Hoje mais cedo, a caminho do trabalho tive um rápido insight que servirá como mote para este texto. Quando estas ideias surgem assim do nada, tenho como hábito anotar em algum papel ou mesmo gravar em meu iphone. Neste caso, estava dirigindo meu carro então não fiz uma coisa nem outra, simplesmente comecei a falar comigo mesmo em bom e alto som a respeito do assunto. Quem, por acaso, cruzou meu caminho nesta manhã e achou estranho, meio doido, me pegar falando sozinho, saiba que eu estava em pleno exercício de mentalização e criação. Pelo menos desta vez tenho uma boa desculpa para um comportamento não-usual.

Desde que me entendo por gente no meio profissional ouço as pessoas afirmarem categoricamente que uma música deve ter no máximo 3 minutos e 30, nunca além de 4 minutos, porque isso tornaria-a inviável do ponto de vista comercial, já que as emissoras de rádio preferem canções mais curtas. Outra justificativa é de que a atenção do consumidor não permanece cativa por tempo superior a estes 3 ou 4 minutos e, ainda, do ponto de vista artístico, é de que a música não precisaria de tempo além da conta para mostrar a que veio. Se o intérprete/compositor não consegue passar seu recado em 3 minutos, não será em 5 ou 6 minutos que terá êxito na empreitada. Confesso que todas estas questões serviram e ainda servem como um bom padrão no meu dia a dia profissional. Procuro sempre orientar os artistas de que devem manter o padrão de 3 a 4 minutos para cada canção e muitas das vezes uso destes argumentos citados acima para embasar meu discurso.

A verdade é que assim como diz o discurso, efetivamente TAMANHO NÃO É DOCUMENTO, ou seja, há inúmeras canções de 3 minutos que não deveriam ter nem 30 segundos e tantas outras que extrapolam o formato padrão com seus 5, 6 minutos que no fim deixam aquele gostinho de quero mais. Então, antes mesmo de nos preocupar com o tamanho da faixa, o que vale mesmo é saber se a música tem ou não qualidade. Parafraseando um grande profissional que eu tenho a honra de conviver no meu dia a dia e que inclusive já citei-o em um dos meus posts, no fim das contas, o que fica é a MÚSICA, ou seja, não importa se o artista é bonito, se seu figurino é a última moda, se ele possui rios de dinheiros pra investimento na carreira, se as fotos do projeto foram feitas pelo maior fotógrafo do mundo, se o clipe de divulgação contou com budget estratosférico, se o disco foi mixado e masterizado no exterior … nada disso terá valor se no fim de tudo a música não tiver qualidade!

Para derrubar essa máxima de que o tempo é importante na formação de um hit temos inúmeros clássicos que extrapolaram e muito o tempo padrão. Não quero nem apelar para relembrar que Faroeste Caboclo, mega sucesso do Legião Urbana, não tinha refrão e estendia-se por 8, 9 minutos intermináveis … não precisamos disso, apesar de ser um exemplo e tanto! Mas há inúmeros casos para corroborar de que o tempo não é tão determinante na formação de um hit. Se formos focar somente para o meio gospel há outros inúmeros exemplos, basta relembrarmos hits de Diante do Trono, David Quinlan, Toque no Altar e toda aquela turma do louvor-extravagante-mantra-gospel com suas músicas de refrões repetidos à exaustão.

Se a música é ruim, ela será ruim com 3 ou 8 minutos. Não importa o tempo, o que realmente faz a diferença é sua qualidade!

Ainda sobre o tema TAMANHO NÃO É DOCUMENTO, leio de vez em quando, alguns comentários sobre a quantidade de faixas num disco. Como se um disco de 9 ou 10 faixas tivesse menos valor do que um álbum com 14 ou 16 faixas. Me parece até um assunto meio anacrônico já que em tempos digitais hoje as canções assumem identidade individual. Vivemos o tempo dos singles, das músicas a la carte, do consumo direto, então discutir sobre quantidade de músicas num disco soa como algo estranho, mas ainda assim, esta discussão torna-se inócua quando observamos que mais uma vez quantidade não significa qualidade. Arrisco a dizer que a esmagadora maioria dos discos acima de 14 faixas tornam-se desinteressantes, enfadonhos e muitas vezes aborrecidos tamanha a quantidade de músicas sem qualidade!

Sempre digo aos artistas que em termos de montagem de repertório não podemos confundir quantidade com qualidade. Se não conseguimos conquistar a atenção do público com 8 ou 10 músicas, certamente não teremos sucesso com 16 … não é pela existência, mas sim pela qualidade! Nestes sites e blogs do mundinho gospel que de vez em nunca eu entro para ler a parte dos comentários, às vezes surge esse assunto, com os ‘entendidos’ descendo a lenha nas gravadoras e artistas que lançam discos com 10 faixas ou até menos. A impressão que me dá quando me deparo com um destes comentários é de que estas pessoas lidam com música como se estivessem diante de uma antiga mercearia com aquelas balanças onde literalmente o produto vale o quanto pesa. Surreal!

Assim como um disco não pode ser analisado pela quantidade de músicas, também não pode ser avaliado pela quantidade de fotos, de lâminas do projeto gráfico ou mesmo pela tiragem inicial de fabricação. Explicar isso ao artista e também ao público é um desafio e tanto, digno de Hércules, mas com o crescimento do meio digital todas estas questões passam para um plano de menor importância, afinal, como já mencionei antes, neste novo ambiente, cada música assume uma importância muito grande, um caráter individual no melhor estilo salve-se quem puder e, aí se a música não tem qualidade, o risco dela não se salvar é enorme!

Este mesmo tema, TAMANHO NÃO É DOCUMENTO nos permite uma série de outros insights e caminhos. Vou ater-me a apenas mais um, entre tantas abordagens e que tem a ver com as questões de produção visual como clipes e DVDs. Atualmente o DVD de maior vendagem no mercado gospel e o de maior visualização no YouTube/VEVO é justamente um projeto gravado com apenas 4 câmeras. É isso mesmo! Um DVD gravado com míseras 4 câmeras e nem por isso com menor qualidade, sensibilidade estética ou takes interessantes. Para quem ainda não se ligou de qual projeto estou falando vou desvendar o mistério afirmando que o DVD “Princípio” com Leonardo Gonçalves e dirigido por Hugo Pessoa foi totalmente concebido e executado baseado em apenas 4 câmeras. Já cansei de ver DVDs gravados com 16 câmeras e que no fim o resultado foi assustadoramente desastroso! O mesmo posso dizer sobre clipes onde não necessariamente ter o maior número de câmeras, equipamentos, efeitos especiais ou mesmo investimento garantem um resultado satisfatório. Outro dia mesmo comentei a respeito de um vídeo do Ministério Avivah de Florianópolis (o vídeo está postado em nosso blog) que mesmo extremamente simples consegue transmitir com muita eloquência sua mensagem. Não são os painéis de LED, as parafernalhas e traquitanas de equipamentos, os figurinos de alta costura, cenários mirabolantes e afins que conseguirão garantir um projeto de qualidade artística. No fim, só resta a música … esforcemo-nos para dar à música seu devido valor e respeito.

Boa semana!
Mauricio Soares, publicitário, jornalista, consultor de marketing, 1,78m … ainda bem que tamanho não é documento!

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No último texto publicado comentei a respeito da profunda escassez de insights para a produção de novos textos para o nosso blog. Eis que em menos de 24 horas consegui produzir dois posts inéditos que tentam assim, minimizar os danos causados pela falta de novidades no blog. Espero com isso recuperar a atenção dos meus distintos 66 leitores assíduos deste espaço que insisto em manter nos últimos 8 anos. Imagino que os bons ares cearenses estejam contribuindo para esse momento criativo. Se realmente for este o motivo, aceito convites para temporadas maiores por esta região tão linda de nosso país. Especialmente na alta temporada do verão!

Mas o que é fato e não posso deixar de registrar é que boa parte dos meus textos são fruto de momentos de conversas descompromissadas onde às vezes uma única frase acaba sendo o estopim para um tema do blog. E foi numa destas conversas de fim de noite diante de uma peixada cearense que surgiu o tema deste novo post. A conversa desta noite abordava entre outras coisas, a respeito de algumas atitudes não-convencionais de algumas pessoas de nosso meio. Falamos sobre um determinado pastor que fugia ao estereótipo padrão do terno e gravata, que seu discurso era recheado de citações do dia a dia, que se vestia de forma bastante informal, moderno e que vez ou outra criava alguma situação diferente pra chamar a atenção de reuniões e cultos especiais. Todos concordamos, até por conhecer a boa índole e caráter deste pastor e, principalmente os frutos de seu ministério, que para se pregar o Evangelho hoje em dia, em meio a tanta ‘concorrência’ do mundo, se fazia necessário criar um diferencial, algo que realmente criasse a curiosidade por parte dos incautos e a partir daí estes terem contato com a verdade da Palavra.

Depois surgiu sobre este mesmo assunto, falando de inovação, modernidade e ousadia, o fato de um determinado artista que vem de tempos em tempos apresentando algumas novidades consideradas um tanto ousadas, mesmo para alguns com mente bem aberta. E é a partir deste fato é que quero seguir pelas próximas linhas e espero poder contar com sua especial atenção pelos próximos minutos. Mas antes de falar deste artista em específico, quero voltar no tempo, mas especificamente para uns 12 anos atrás. Por volta do ano de 2003 a música gospel assumiu um papel de destaque na sociedade brasileira como jamais havia alcançado antes. Naquele momento, a ABPD, associação que reúne as principais gravadoras seculares do país, apontava em sua recente pesquisa que a música religiosa tinha importante papel nas vendas de discos naquele momento. O estilo “música religiosa” correspondia ao segundo segmento de maior vendagem no país, ficando atrás apenas da música sertaneja e muito à frente do samba/pagode, pop rock, funk e outras manifestações artísticas. Então nada mais do que normal, que esta pesquisa alertasse às majors, principais gravadoras do mercado nacional sobre a importância de entender e se possível trabalhar com este segmento.

A partir de então, as grandes gravadoras passaram a buscar uma maior aproximação com a música evangélica no Brasil. Lembro-me de algumas reuniões entre estas grandes empresas e gravadoras gospel, alguns contatos diretos com artistas, algumas tentativas de parceria, ou seja, o mercado secular entendia a importância do mercado gospel e queria de alguma maneira caminhar junto. Nesta época alguns ‘despachantes de ilusões’ venderam para estas grandes corporações a ideia de que o mercado gospel era amador e que com pouco suor poderiam assumir o controle deste enorme mercado consumidor. Como era de se esperar, 10 entre 10 projetos apresentados não conseguiram sequer causar algum impacto no meio gospel. Todas as tentativas foram frustradas e frustrantes …

Passaram-se mais alguns anos e uma grande gravadora nacional contratou um artista de ponta do meio gospel. Mas o projeto que tinha tudo para ser uma goleada, acabou ficando no um a zero magrinho, sem empolgar muito a torcida. Eles imaginaram que somente tendo um grande artista seria suficiente para conquistar o mercado. Ledo engano. Somente depois, em 2010 uma gravadora multinacional resolveu não somente fazer uma aproximação, mas como eu gosto muito de dizer, engravidar do projeto gospel e implantou uma área exclusiva para este segmento, contando com profissionais evangélicos que entendessem da linguagem, da cultura, do ambiente gospel tupiniquim. E em pouco mais de 2 anos, esta empresa passou a colher os resultados super positivos desta empreitada, superando em muito as expectativas mais otimistas na implantação do projeto.

O mercado gospel, assim como o mercado católico, possui símbolos, conceitos, linguagens muito peculiares e para se ter sucesso nestas áreas é fundamental que tenhamos profundo entendimento desta cultura toda própria. Voltando ao artista que acredita que ele pode mudar toda uma cultura só porque em determinado sua estratégia deu certo no passado, a possibilidade dele pôr tudo a perder por uma falha de entendimento é real e, arrisco a dizer, inevitável. O mercado evangélico brasileiro é um caldo de diferentes sub culturas que vivem num ambiente muito característico, eu diria que até bem esquizofrênico, onde as interpretações de um mesmo assunto assumem resultados improváveis dependendo do receptor da mensagem. E é fundamental que os artistas entendam estas peculiaridades, buscando manter um senso comum, especialmente um conceito bíblico mais conservador, sem muitas novas teologias ou inovações.

Em tempos de redes sociais muitas das vezes caímos no risco de exagerar na audácia de uma postagem ou na inocência por compartilhar sobre fatos que não deveríamos fazer ao grande público. Lembro-me que quando eu estava na fase mais hardcore do twitter e surgiu a notícia de que o ex-goleiro do Flamengo, Bruno, havia supostamente assassinado a Elisa Samudio, fiz algum tipo de piada sobre o assunto que hoje nem me recordo mais o que seria. Passados alguns segundos uma pessoa que nunca havia visto no mundo real questionou minha brincadeira como formador de opinião e principalmente como cristão. Na hora respondi alguma coisa meio atravessada ao rapaz, bloqueei-o e segui minha vidinha. Tempos depois vi que realmente eu havia errado naquela piada de mau gosto e que eu deveria ter muito mais cuidado com meus comentários. Quando lidamos com o mercado cristão, não podemos simplesmente achar que todo discurso pode ser transmitido e pronto! Não! Pelo contrário! Há uma série de questionamentos que devemos fazer antes de assumirmos algumas posições ou tomarmos determinadas atitudes porque corremos o risco de ir de encontro com culturas muito próprias. Engana-se quem ao ler estes meus comentários imagina que eu esteja incentivando que as pessoas não tenham opiniões ou que sigam na correnteza, seguindo ao lado de todos. Não é isto o que estou dizendo aqui, mas quero fazer um alerta especial para os artistas e profissionais do meio de que devemos sempre avaliar nossas atitudes, estratégias e principalmente comunicação.

Sou um profissional de marketing e nos últimos anos venho trabalhando de forma mais intensa o trabalho de consultor. A esmagadora maioria de trabalhos que desenvolvi nestes últimos anos foi justamente tentar decifrar para empresas, profissionais e artistas os segredos e linguagens do mercado gospel nacional. É impressionante o nível de ignorância que estas grandes empresas possuem a respeito do meio evangélico nacional, de sua cultura, de seus conceitos, símbolos, linguagem. Particularmente creio que abre-se neste momento um importante ramo de consultoria e coaching para esta área no Brasil e é importante que todos estejamos muito atentos e cientes da importância de se conhecer melhor os hábitos, pensamentos, tendências e expectativas deste segmento. Se você é artista, mesmo que tenha sido ‘nascido e criado’ na igreja, é importante que tenha em mente a importância de se manter atualizado e atento para estes detalhes.

Enjoy!

 

Mauricio Soares, torcedor do tricolor das Laranjeiras, fã de suco de graviola e castanha de caju, jornalista, diretor artístico, observador do meio gospel há pouco mais de 25 anos.

Nas últimas semanas os 66 leitores deste modesto blog devem ter percebido (é o que espero!!!) que a periodicidade de novidades caiu drasticamente por aqui. Se até algumas semanas atrás estávamos postando algo inédito a cada 2 ou 3 dias, especialmente nestas duas últimas esta frequência chegou ao marasmo total. Além da habitual falta de tempo com tantas atribuições, reuniões, viagens, projetos, audições, o que me acometeu na verdade neste período foi uma absoluta falta de criatividade, de assuntos interessantes e, como sempre fiz questão de deixar claro, quando eu não tiver nada realmente relevante para comentar, para postar, o certo é não publicar nada!

Hoje estou em Fortaleza para 2 dias intensos de reuniões, entrevistas e contatos. Nestes próximos 2 meses deverei estar pela capital cearense por pelo menos umas três ocasiões o que, convenhamos, não chega a ser nenhum martírio assim, não é mesmo! Uma das capitais mais bonitas do país, com um povo alegre, simpático e cheio da presença de Deus. Em julho, mais especificamente entre 08 a 11 de julho acontecerá pelo décimo ano consecutivo a Expo Evangélica, evento que reúne mídias, empresas, artistas e lideranças evangélicas de toda a região. O visionário e empreendedor que está à frente deste projeto é o querido amigo Ewerton (pronuncia-se Evéééérton, em cearês) que entre tantas atividades seculares envolvidos com grandes feiras resolveu dedicar parte de seu tempo para fomentar o mercado gospel do Nordeste com esta importante feira.

Mesmo com uma agenda que inclui viagens pelo Brasil e pelo exterior, sempre que necessito de um suporte na capital cearense, não penso em outra pessoa que não seja justamente o grande amigo e ele sempre está apto e disposto a atender-me e principalmente em recepcionar e dar todo suporte aos artistas de meu cast. E mais cedo conversamos sobre vários aspectos do próximo evento e entre um assunto e outro, uma frase que ele me disse chamou-me a atenção e como num estalo surgiu aí o tema que gostarei de comentar a partir de agora tendo a Praia de Iracema como testemunha deste momento criativo após um dia inteiro de muito trabalho.

No seu linguajar tipicamente cearense do interior, Ewerton comentou que o artista sendo bom de trabalho, receptivo, atencioso, simpático, automaticamente dava muito mais prazer mantê-lo por perto. Em outras palavras, se o artista entende que a relação é de interdependência, de que um necessita do outro e deve esforçar-se para agradar a todos, então este tinha muito mais chances de ter e, principalmente, manter o sucesso.

Muda o pano …

Dias atrás, já no Rio de Janeiro, conversando com um dos maiores comunicadores que conheço na TV do segmento gospel no país, uma pessoa super talentosa e que principalmente, entende e procura estudar a música gospel e o universo que nos ronda, ouvi uma pérola a respeito de um artista super importante no nosso meio que, confesso, fiquei de boca aberta tamanha falta de sensibilidade e mesmo de humildade. O dito cujo, nos bastidores de um determinado evento, negando-se a atender ao público que por algum tempo esperava pacientemente na fila por um momento mais próximo, para as tradicionais selfies, autógrafos e tudo mais e tendo que ser obrigado a atender alguns poucos que conseguiram furar todos os bloqueios impostos por sua produção, sacou o seguinte comentário: “Meu pai me ensinou que eu deveria rir só pra quem eu conheço e pra quem eu quero!”

Pausa para respiração. Contem até 30 e depois vamos seguir com a leitura deste post que ainda contará com mais algumas linhas …

Pode parecer óbvio demais que um artista precisa exercitar sua capacidade de simpatia e carisma em níveis estratosféricos para que não crie para si uma imagem arrogante, negativa e coisas do tipo. Pode parecer simplório de que todo artista precisa do feedback do público e cativá-lo de forma intensa. No entanto, mesmo com estas obviedades tão ululantes é assustador como há artista pecando (literal e figurativamente) neste quesito que traz consequências devastadoras no presente, mas principalmente no futuro. E é impressionante como podemos fazer listas e listas de artistas com enorme talento e potencial, com possibilidades reais de carreira sólidas e longevas que justamente ficaram pelo caminho especialmente por não saberem conduzirem seu networking, não souberam lidar com seu ego, não controlaram sua arrogância e, como não dizer, que não souberam ter um pingo de educação, o mínimo possível que se pode esperar de um cidadão, de um cristão ou de qualquer ser humano.

Em uma conversa com outro grande amigo, este mesmo assunto veio à baila e ele foi me contando casos e mais casos de artistas que são persona non grata pelas lideranças locais de sua região, simplesmente porque destrataram pessoas que trabalhavam na produção dos eventos, outros que não atenderam ao público antes e pós evento, que não se portaram dignamente no hotel ou mesmo no trajeto aeroporto/evento. Ou seja, o tempo todo estamos sendo avaliados como pessoas e por pessoas. Aquele ser que ouvimos e vemos em entrevistas de rádio e TV, super simpático, crente, acessível, risonho e boa praça, deve ser o mesmo ser que nos relacionamos quando os microfones não estão ligados. O mesmo se aplica para o artista que no palco traz um discurso de amor, humildade, espiritualidade, ou seja, é quase um anjo, mas que quando desce os degraus e volta para o backstage foge do público, trata mal as pessoas e profissionais, exige detalhes tão ridículos como catering com itens que mais parece uma cesta de Natal com acepipes os mais diferenciados possíveis.  Enfim, um discurso completamente distante da realidade. E hoje, em tempos de redes sociais e instantaneidade das notícias, este tipo de comportamento é altamente arriscado! Não são poucos os casos em que artistas são flagrados em vídeos assumindo posturas nada simpáticas e em questões de segundos a imagem de corre pela web desmascarando-o. E aí, explicar o inexplicável pode ser ainda pior!

Trabalhando neste meio há tantos e tantos anos já cansei de ver artistas criando para si mais problemas do que qualquer inimigo de música pentecostal poderia ter criado ( impressionante como nas músicas pentecas sempre tem alguém tramando alguma coisa pra derrubar o outro!). Como costumo comentar algumas vezes, há artistas que não precisam de inimigos. O maior inimigo destes é justamente a própria imagem refletida no espelho, ou seja, eles próprios! Em contrapartida há artistas que nem são tão talentosos assim, não são tão bonitos, elegantes ou mesmo possuem repertórios tão avassaladores, mas a forma como atendem às pessoas, como mantém relacionamentos saudáveis, como colocam-se sempre à disposição e, especialmente como curtem trabalhar, acaba transformando-os em artistas queridos do público, das lideranças, das mídias e assim conseguem manter uma carreira ativa e extremamente saudável.

E engana-se quem imagina que arrogância adquire-se depois de anos e anos de estrada. Estou estupefato de ver alguns fedelhos artistas que mal tiraram as fraldas que já na partida demonstram extrema arrogância e no bom carioquês, uma marra sem fim! Quer identificar um artista marrento, observe se ele fala na tercerira pessoa como se fosse uma entidade superior. Se o artista usa deste artifício linguístico, então saia de perto porque a chance de ser um marrento ambulante é enorme. Outra característica deste ser pode ser observada nas redes sociais onde 99% de suas postagens são feitas com suas fotos pessoais em momentos de êxtase completo. O cara vive no mundo de Doriana em que tudo que é dele é absolutamente melhor do que dos simples terráqueos. Artista ostentação de nariz empinado. Geralmente estes mesmos seres não reconhecem a ajuda e contribuição de terceiros. E quem é que pode chegar a algum lugar sem ter a ajuda de outras pessoas? Não conheço um único artista que tenha alcançado destaque somente com esforço próprio, isso simplesmente não existe!

Vou ficando por aqui porque preciso dormir e descansar para mais um dia intenso de trabalho. Este texto foi escrito com duas trilhas sonoras muito especiais. Comecei ouvindo o primeiro disco do cantor, músico e excelente compositor Juninho Black que em breve lançará seu trabalho pela Balaio Music com distribuição Sony Music. Muito bom! Muito bom mesmo! E finalizo este texto ao som de “Moderno à moda antiga”, obra prima de Marcela Taís, uma das maiores revelações da música gospel dos últimos anos. Este disco já está à venda nas plataformas digitais e no formato físico. Vale a pena conhecer!

 

Mega abraço a todos! Muitos sorrisos e alegrias!

 

Mauricio Soares, publicitário, cristão, jornalista, alguém que procura mesclar o profissionalismo sério com a leveza de quem entendeu a graça maravilhosa de Deus. Vamos nos divertir!

Nos últimos 5 anos, periodicamente tenho falado e escrito aqui no blog sobre as mudanças significativas que o mercado fonográfico iria vivenciar com o crescimento do mercado digital. O que parecia muitas das vezes como um exercício de futurologia hoje é tratado por todos de forma extremamente natural, cotidiana e simples. A própria relação entre o público e a música, incluindo aí o seu consumo hoje é completamente diferente de anos atrás. E por mais que alguns artistas, profissionais de gravadoras, pastores e outras pessoas envolvidas no meio artístico gospel insistam em permanecer na idade da pedra, a grande verdade é que as mudanças chegaram, irão alterar radicalmente questões até então consideradas pétreas e trarão novas dinâmicas que tendem a popularizar cada vez mais o consumo de música.

O ano de 2014 talvez seja considerado, especialmente no Brasil, como o período-chave da mudança do mercado físico para o digital. Números ainda não oficiais no país sinalizam que 55% do faturamento das gravadoras seculares foi proveniente do mercado digital contra 45% das vendas físicas, tradicionais. Como sempre, infelizmente não temos números oficiais do mercado gospel tupiniquim porque nem mesmo uma associação de classe as empresas do setor conseguiram formar ao longo dos anos. A política do “cada um na sua” parece ser regra de conduta no meio, não somente entre as gravadoras mas em diferentes segmentos e aí, inclui-se até mesmo as igrejas e denominações, pasmem! Mas arrisco a dizer que as vendas físicas caíram cerca de 30 a 40% no mercado gospel em 2014. Como boa parte das empresas do segmento ainda trabalha de forma tímida no mercado digital, esta queda de vendas físicas acentuada afeta pesadamente os resultados deste último ano trazendo consequências desastrosas para boa parte das gravadoras do meio. Ou seja, vivemos um período de muita instabilidade no mercado fonográfico gospel, acentuado ainda mais pelas condições ruins da economia nacional.

Em todos os países onde houve a queda nas vendas físicas e o crescimento do mercado digital, a tendência se mantém firme sem qualquer sinal de retração. Desta forma, tenho que informar que quem viveu o auge do mercado de discos físicos com números astronômicos de vendas, se dê por satisfeito porque daqui em diante tudo indica que estaremos vivendo um novo tempo, o tempo das vendas digitais. E afirmo isso sem qualquer sentimento de perda, tristeza ou algo do tipo. O mercado digital se apresenta como uma excelente oportunidade e com rentabilidade acima do modelo tradicional. Apenas para efeito de comparação até pouco tempo atrás o mercado gospel trabalhava com cerca de 3 mil pontos de distribuição no Brasil entre livrarias, igrejas, colportores. Atualmente trabalhamos com mais de 250 milhões de aparelhos de celulares com acesso à internet, ou seja, 250 milhões de potenciais clientes de conteúdo musical. A mudança é absurda!

O que eu gostaria de tratar com os 33 leitores (sim, estimo que com a escassez de textos inéditos perdemos metade da audiência cativa entre nossos leitores!!!!) a partir de agora é justamente algo que venho pensando bastante nos últimos dias e que afeta diretamente meu dia a dia profissional, já que como diretor artístico de gravadora uma de minhas principais funções é justamente montar um cast artístico de qualidade e bom retorno em vendas. Neste momento é fundamental que um profissional desta área tenha a visão de que com a popularização da web, da mudança de relação entre consumidor x música e, principalmente pela expansão das plataformas digitais, a montagem do cast passa a ser bem diferente do que acontecia até então. Qualquer pessoa com o mínimo de conhecimento do mercado fonográfico gospel tupiniquim sabe a força da música pentecostal em termos de vendas. E sinceramente creio que este estilo musical permanecerá forte e importante no nosso meio, só que de uma forma bem diferente. Creio também que este estilo musical manterá por um tempo além do usual no mercado em geral as vendas no formato físico. Só que arrisco a dizer que a supremacia da música pentecostal como mais popular estilo no segmento será diluída nos próximos anos trazendo uma maior democratização de nomes e sons. Em alto e bom som, afirmo que artistas que já foram “arrasa-quarteirões” em vendas no passado podem talvez não manter a mesma performance com a mudança do mercado fonográfico.

Já podemos perceber o surgimento de alguns nomes que até então permaneciam restritos a determinados nichos. Inclusive muitos destes artistas jovens já podem se orgulhar de figurarem no topo de vendas do iTunes, algo bem raro em nosso meio, mas que já conta com nomes como Paulo César Baruk, Os Arrais, Mariana Valadão e Leonardo Gonçalves. O ambiente digital com inúmeras plataformas como Deezer, Spotify, Google Play, YouTube, iTunes, Vevo, operadoras de telefonia móvel, entre outras, permite com que fenômenos virais surjam do dia para a noite.

Entre tantas mudanças, talvez esta seja uma das mais impactantes, ou seja, nos próximos anos teremos novos nomes de artistas surgindo no segmento e, infelizmente veremos o ocaso de alguns artistas que até então navegavam em águas tranquilas repetindo fórmulas e estratégias. Só que estamos diante de um novo mercado, um novo perfil do público consumidor com demandas muito peculiares, novas ferramentas e estratégias, novos canais de distribuição, enfim, um cenário completamente diferente de tudo até então. Com isto, posso afirmar categoricamente que teremos um momento bastante interessante para os próximos anos e como profissional da área devo manter-me extremamente atento a tudo que surgir no mercado, principalmente nomes e estilos musicais. Quem imaginaria que a música eletrônica, muito bem representada no gospel brasileiro pelo DJ PV, se tornaria um fenômeno de popularidade? Estes artistas-que-aparecem-de-uma-hora-pra-outra serão cada vez mais comuns daqui em diante, portanto devemos estar abertos às novidades, alheios a dogmas imutáveis e muito sensíveis aos movimentos e tendências.

Ontem mesmo tive o prazer de conversar por longas horas com uma artista decana do meio gospel, uma profissional com longos e longos anos de estrada. Esta cantora viajava pelo país para atender aos convites a bordo de ônibus, carregando caixas e mais caixas pesadas de LPs, que muitas das vezes empinavam devido ao calor – e hoje me deparo com artistas que começaram ontem reclamando de horas de vôo entre uma agenda e outra! Esta artista me comentava das mudanças que promoveu em seu escritório, na mudança de postura quanto aos convites, na sua interatividade junto ao público através das redes sociais e, por fim, me falou da necessidade de em seu repertório incluir músicas em um estilo mais atual, mais moderno. Confesso que me surpreendi pela inteligência e capacidade de observação daquela artista que poderia simplesmente seguir numa rotina e mantendo atitudes que a fizeram ser uma grande artista no segmento nas últimas décadas.

Se você é um artista ou um postulante a esta área, procure atualizar-se sobre novas ferramentas, estratégias de marketing digital e tendências. Esqueça fórmulas antigas, estratégias tradicionais como investimentos de mídia em rádios (falarei sobre este assunto em outro post!) e outras ações que certamente terão resultado abaixo do esperado. Invista em clipes como principal ferramenta de divulgação e mesmo de remuneração, afinal canais como YouTube/Vevo são comprovadamente os parceiros de melhor monetização entre tantas plataformas digitais. O momento é de profunda transição e em épocas como esta observamos que apenas os mais preparados sobrevivem seguindo a teoria da seleção natural darwinista. Então, atualize-se! Prepare-se para o novo momento que estamos vivendo e saiba aproveitar as chances que estão surgindo pela frente! Em suma, apertem os cintos porque estamos diante de uma viagem bastante interessante! Preparem-se! 

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista. Escrevo este texto assistindo à final do SuperBowl, ou seja, não é só o mercado fonográfico que vem se transformando nos últimos tempos, mas também (e principalmente) a área de entretenimento. Onde se imaginou que brasileiros iriam curtir e até mesmo jogar futebol americano?