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Tempo chuvoso no Rio de Janeiro. Tarde cinzenta. Um clima diferente do normal de uma cidade pulsante, reconhecida mundialmente por sua luminosidade e intensidade. Nestes dias está tudo meio parado, meio lento … e não é que também entrei nesse ritmo a ponto de conseguir reservar alguns minutos para escrever mais um post para o blog? Interessante isso, afinal boa parte de meus textos foram escritos em meio a saguões de aeroportos ou mesmo a bordo de aviões cruzando o país e exterior nos últimos 8 anos, então permitir-me uma pausa para dedicar-me a escrever um novo post no meio do dia é realmente algo tão diferente como deparar-me com um dia gris na Cidade Maravilhosa.

Hoje mais cedo, a caminho do trabalho tive um rápido insight que servirá como mote para este texto. Quando estas ideias surgem assim do nada, tenho como hábito anotar em algum papel ou mesmo gravar em meu iphone. Neste caso, estava dirigindo meu carro então não fiz uma coisa nem outra, simplesmente comecei a falar comigo mesmo em bom e alto som a respeito do assunto. Quem, por acaso, cruzou meu caminho nesta manhã e achou estranho, meio doido, me pegar falando sozinho, saiba que eu estava em pleno exercício de mentalização e criação. Pelo menos desta vez tenho uma boa desculpa para um comportamento não-usual.

Desde que me entendo por gente no meio profissional ouço as pessoas afirmarem categoricamente que uma música deve ter no máximo 3 minutos e 30, nunca além de 4 minutos, porque isso tornaria-a inviável do ponto de vista comercial, já que as emissoras de rádio preferem canções mais curtas. Outra justificativa é de que a atenção do consumidor não permanece cativa por tempo superior a estes 3 ou 4 minutos e, ainda, do ponto de vista artístico, é de que a música não precisaria de tempo além da conta para mostrar a que veio. Se o intérprete/compositor não consegue passar seu recado em 3 minutos, não será em 5 ou 6 minutos que terá êxito na empreitada. Confesso que todas estas questões serviram e ainda servem como um bom padrão no meu dia a dia profissional. Procuro sempre orientar os artistas de que devem manter o padrão de 3 a 4 minutos para cada canção e muitas das vezes uso destes argumentos citados acima para embasar meu discurso.

A verdade é que assim como diz o discurso, efetivamente TAMANHO NÃO É DOCUMENTO, ou seja, há inúmeras canções de 3 minutos que não deveriam ter nem 30 segundos e tantas outras que extrapolam o formato padrão com seus 5, 6 minutos que no fim deixam aquele gostinho de quero mais. Então, antes mesmo de nos preocupar com o tamanho da faixa, o que vale mesmo é saber se a música tem ou não qualidade. Parafraseando um grande profissional que eu tenho a honra de conviver no meu dia a dia e que inclusive já citei-o em um dos meus posts, no fim das contas, o que fica é a MÚSICA, ou seja, não importa se o artista é bonito, se seu figurino é a última moda, se ele possui rios de dinheiros pra investimento na carreira, se as fotos do projeto foram feitas pelo maior fotógrafo do mundo, se o clipe de divulgação contou com budget estratosférico, se o disco foi mixado e masterizado no exterior … nada disso terá valor se no fim de tudo a música não tiver qualidade!

Para derrubar essa máxima de que o tempo é importante na formação de um hit temos inúmeros clássicos que extrapolaram e muito o tempo padrão. Não quero nem apelar para relembrar que Faroeste Caboclo, mega sucesso do Legião Urbana, não tinha refrão e estendia-se por 8, 9 minutos intermináveis … não precisamos disso, apesar de ser um exemplo e tanto! Mas há inúmeros casos para corroborar de que o tempo não é tão determinante na formação de um hit. Se formos focar somente para o meio gospel há outros inúmeros exemplos, basta relembrarmos hits de Diante do Trono, David Quinlan, Toque no Altar e toda aquela turma do louvor-extravagante-mantra-gospel com suas músicas de refrões repetidos à exaustão.

Se a música é ruim, ela será ruim com 3 ou 8 minutos. Não importa o tempo, o que realmente faz a diferença é sua qualidade!

Ainda sobre o tema TAMANHO NÃO É DOCUMENTO, leio de vez em quando, alguns comentários sobre a quantidade de faixas num disco. Como se um disco de 9 ou 10 faixas tivesse menos valor do que um álbum com 14 ou 16 faixas. Me parece até um assunto meio anacrônico já que em tempos digitais hoje as canções assumem identidade individual. Vivemos o tempo dos singles, das músicas a la carte, do consumo direto, então discutir sobre quantidade de músicas num disco soa como algo estranho, mas ainda assim, esta discussão torna-se inócua quando observamos que mais uma vez quantidade não significa qualidade. Arrisco a dizer que a esmagadora maioria dos discos acima de 14 faixas tornam-se desinteressantes, enfadonhos e muitas vezes aborrecidos tamanha a quantidade de músicas sem qualidade!

Sempre digo aos artistas que em termos de montagem de repertório não podemos confundir quantidade com qualidade. Se não conseguimos conquistar a atenção do público com 8 ou 10 músicas, certamente não teremos sucesso com 16 … não é pela existência, mas sim pela qualidade! Nestes sites e blogs do mundinho gospel que de vez em nunca eu entro para ler a parte dos comentários, às vezes surge esse assunto, com os ‘entendidos’ descendo a lenha nas gravadoras e artistas que lançam discos com 10 faixas ou até menos. A impressão que me dá quando me deparo com um destes comentários é de que estas pessoas lidam com música como se estivessem diante de uma antiga mercearia com aquelas balanças onde literalmente o produto vale o quanto pesa. Surreal!

Assim como um disco não pode ser analisado pela quantidade de músicas, também não pode ser avaliado pela quantidade de fotos, de lâminas do projeto gráfico ou mesmo pela tiragem inicial de fabricação. Explicar isso ao artista e também ao público é um desafio e tanto, digno de Hércules, mas com o crescimento do meio digital todas estas questões passam para um plano de menor importância, afinal, como já mencionei antes, neste novo ambiente, cada música assume uma importância muito grande, um caráter individual no melhor estilo salve-se quem puder e, aí se a música não tem qualidade, o risco dela não se salvar é enorme!

Este mesmo tema, TAMANHO NÃO É DOCUMENTO nos permite uma série de outros insights e caminhos. Vou ater-me a apenas mais um, entre tantas abordagens e que tem a ver com as questões de produção visual como clipes e DVDs. Atualmente o DVD de maior vendagem no mercado gospel e o de maior visualização no YouTube/VEVO é justamente um projeto gravado com apenas 4 câmeras. É isso mesmo! Um DVD gravado com míseras 4 câmeras e nem por isso com menor qualidade, sensibilidade estética ou takes interessantes. Para quem ainda não se ligou de qual projeto estou falando vou desvendar o mistério afirmando que o DVD “Princípio” com Leonardo Gonçalves e dirigido por Hugo Pessoa foi totalmente concebido e executado baseado em apenas 4 câmeras. Já cansei de ver DVDs gravados com 16 câmeras e que no fim o resultado foi assustadoramente desastroso! O mesmo posso dizer sobre clipes onde não necessariamente ter o maior número de câmeras, equipamentos, efeitos especiais ou mesmo investimento garantem um resultado satisfatório. Outro dia mesmo comentei a respeito de um vídeo do Ministério Avivah de Florianópolis (o vídeo está postado em nosso blog) que mesmo extremamente simples consegue transmitir com muita eloquência sua mensagem. Não são os painéis de LED, as parafernalhas e traquitanas de equipamentos, os figurinos de alta costura, cenários mirabolantes e afins que conseguirão garantir um projeto de qualidade artística. No fim, só resta a música … esforcemo-nos para dar à música seu devido valor e respeito.

Boa semana!
Mauricio Soares, publicitário, jornalista, consultor de marketing, 1,78m … ainda bem que tamanho não é documento!

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No último texto publicado comentei a respeito da profunda escassez de insights para a produção de novos textos para o nosso blog. Eis que em menos de 24 horas consegui produzir dois posts inéditos que tentam assim, minimizar os danos causados pela falta de novidades no blog. Espero com isso recuperar a atenção dos meus distintos 66 leitores assíduos deste espaço que insisto em manter nos últimos 8 anos. Imagino que os bons ares cearenses estejam contribuindo para esse momento criativo. Se realmente for este o motivo, aceito convites para temporadas maiores por esta região tão linda de nosso país. Especialmente na alta temporada do verão!

Mas o que é fato e não posso deixar de registrar é que boa parte dos meus textos são fruto de momentos de conversas descompromissadas onde às vezes uma única frase acaba sendo o estopim para um tema do blog. E foi numa destas conversas de fim de noite diante de uma peixada cearense que surgiu o tema deste novo post. A conversa desta noite abordava entre outras coisas, a respeito de algumas atitudes não-convencionais de algumas pessoas de nosso meio. Falamos sobre um determinado pastor que fugia ao estereótipo padrão do terno e gravata, que seu discurso era recheado de citações do dia a dia, que se vestia de forma bastante informal, moderno e que vez ou outra criava alguma situação diferente pra chamar a atenção de reuniões e cultos especiais. Todos concordamos, até por conhecer a boa índole e caráter deste pastor e, principalmente os frutos de seu ministério, que para se pregar o Evangelho hoje em dia, em meio a tanta ‘concorrência’ do mundo, se fazia necessário criar um diferencial, algo que realmente criasse a curiosidade por parte dos incautos e a partir daí estes terem contato com a verdade da Palavra.

Depois surgiu sobre este mesmo assunto, falando de inovação, modernidade e ousadia, o fato de um determinado artista que vem de tempos em tempos apresentando algumas novidades consideradas um tanto ousadas, mesmo para alguns com mente bem aberta. E é a partir deste fato é que quero seguir pelas próximas linhas e espero poder contar com sua especial atenção pelos próximos minutos. Mas antes de falar deste artista em específico, quero voltar no tempo, mas especificamente para uns 12 anos atrás. Por volta do ano de 2003 a música gospel assumiu um papel de destaque na sociedade brasileira como jamais havia alcançado antes. Naquele momento, a ABPD, associação que reúne as principais gravadoras seculares do país, apontava em sua recente pesquisa que a música religiosa tinha importante papel nas vendas de discos naquele momento. O estilo “música religiosa” correspondia ao segundo segmento de maior vendagem no país, ficando atrás apenas da música sertaneja e muito à frente do samba/pagode, pop rock, funk e outras manifestações artísticas. Então nada mais do que normal, que esta pesquisa alertasse às majors, principais gravadoras do mercado nacional sobre a importância de entender e se possível trabalhar com este segmento.

A partir de então, as grandes gravadoras passaram a buscar uma maior aproximação com a música evangélica no Brasil. Lembro-me de algumas reuniões entre estas grandes empresas e gravadoras gospel, alguns contatos diretos com artistas, algumas tentativas de parceria, ou seja, o mercado secular entendia a importância do mercado gospel e queria de alguma maneira caminhar junto. Nesta época alguns ‘despachantes de ilusões’ venderam para estas grandes corporações a ideia de que o mercado gospel era amador e que com pouco suor poderiam assumir o controle deste enorme mercado consumidor. Como era de se esperar, 10 entre 10 projetos apresentados não conseguiram sequer causar algum impacto no meio gospel. Todas as tentativas foram frustradas e frustrantes …

Passaram-se mais alguns anos e uma grande gravadora nacional contratou um artista de ponta do meio gospel. Mas o projeto que tinha tudo para ser uma goleada, acabou ficando no um a zero magrinho, sem empolgar muito a torcida. Eles imaginaram que somente tendo um grande artista seria suficiente para conquistar o mercado. Ledo engano. Somente depois, em 2010 uma gravadora multinacional resolveu não somente fazer uma aproximação, mas como eu gosto muito de dizer, engravidar do projeto gospel e implantou uma área exclusiva para este segmento, contando com profissionais evangélicos que entendessem da linguagem, da cultura, do ambiente gospel tupiniquim. E em pouco mais de 2 anos, esta empresa passou a colher os resultados super positivos desta empreitada, superando em muito as expectativas mais otimistas na implantação do projeto.

O mercado gospel, assim como o mercado católico, possui símbolos, conceitos, linguagens muito peculiares e para se ter sucesso nestas áreas é fundamental que tenhamos profundo entendimento desta cultura toda própria. Voltando ao artista que acredita que ele pode mudar toda uma cultura só porque em determinado sua estratégia deu certo no passado, a possibilidade dele pôr tudo a perder por uma falha de entendimento é real e, arrisco a dizer, inevitável. O mercado evangélico brasileiro é um caldo de diferentes sub culturas que vivem num ambiente muito característico, eu diria que até bem esquizofrênico, onde as interpretações de um mesmo assunto assumem resultados improváveis dependendo do receptor da mensagem. E é fundamental que os artistas entendam estas peculiaridades, buscando manter um senso comum, especialmente um conceito bíblico mais conservador, sem muitas novas teologias ou inovações.

Em tempos de redes sociais muitas das vezes caímos no risco de exagerar na audácia de uma postagem ou na inocência por compartilhar sobre fatos que não deveríamos fazer ao grande público. Lembro-me que quando eu estava na fase mais hardcore do twitter e surgiu a notícia de que o ex-goleiro do Flamengo, Bruno, havia supostamente assassinado a Elisa Samudio, fiz algum tipo de piada sobre o assunto que hoje nem me recordo mais o que seria. Passados alguns segundos uma pessoa que nunca havia visto no mundo real questionou minha brincadeira como formador de opinião e principalmente como cristão. Na hora respondi alguma coisa meio atravessada ao rapaz, bloqueei-o e segui minha vidinha. Tempos depois vi que realmente eu havia errado naquela piada de mau gosto e que eu deveria ter muito mais cuidado com meus comentários. Quando lidamos com o mercado cristão, não podemos simplesmente achar que todo discurso pode ser transmitido e pronto! Não! Pelo contrário! Há uma série de questionamentos que devemos fazer antes de assumirmos algumas posições ou tomarmos determinadas atitudes porque corremos o risco de ir de encontro com culturas muito próprias. Engana-se quem ao ler estes meus comentários imagina que eu esteja incentivando que as pessoas não tenham opiniões ou que sigam na correnteza, seguindo ao lado de todos. Não é isto o que estou dizendo aqui, mas quero fazer um alerta especial para os artistas e profissionais do meio de que devemos sempre avaliar nossas atitudes, estratégias e principalmente comunicação.

Sou um profissional de marketing e nos últimos anos venho trabalhando de forma mais intensa o trabalho de consultor. A esmagadora maioria de trabalhos que desenvolvi nestes últimos anos foi justamente tentar decifrar para empresas, profissionais e artistas os segredos e linguagens do mercado gospel nacional. É impressionante o nível de ignorância que estas grandes empresas possuem a respeito do meio evangélico nacional, de sua cultura, de seus conceitos, símbolos, linguagem. Particularmente creio que abre-se neste momento um importante ramo de consultoria e coaching para esta área no Brasil e é importante que todos estejamos muito atentos e cientes da importância de se conhecer melhor os hábitos, pensamentos, tendências e expectativas deste segmento. Se você é artista, mesmo que tenha sido ‘nascido e criado’ na igreja, é importante que tenha em mente a importância de se manter atualizado e atento para estes detalhes.

Enjoy!

 

Mauricio Soares, torcedor do tricolor das Laranjeiras, fã de suco de graviola e castanha de caju, jornalista, diretor artístico, observador do meio gospel há pouco mais de 25 anos.

Nas últimas semanas os 66 leitores deste modesto blog devem ter percebido (é o que espero!!!) que a periodicidade de novidades caiu drasticamente por aqui. Se até algumas semanas atrás estávamos postando algo inédito a cada 2 ou 3 dias, especialmente nestas duas últimas esta frequência chegou ao marasmo total. Além da habitual falta de tempo com tantas atribuições, reuniões, viagens, projetos, audições, o que me acometeu na verdade neste período foi uma absoluta falta de criatividade, de assuntos interessantes e, como sempre fiz questão de deixar claro, quando eu não tiver nada realmente relevante para comentar, para postar, o certo é não publicar nada!

Hoje estou em Fortaleza para 2 dias intensos de reuniões, entrevistas e contatos. Nestes próximos 2 meses deverei estar pela capital cearense por pelo menos umas três ocasiões o que, convenhamos, não chega a ser nenhum martírio assim, não é mesmo! Uma das capitais mais bonitas do país, com um povo alegre, simpático e cheio da presença de Deus. Em julho, mais especificamente entre 08 a 11 de julho acontecerá pelo décimo ano consecutivo a Expo Evangélica, evento que reúne mídias, empresas, artistas e lideranças evangélicas de toda a região. O visionário e empreendedor que está à frente deste projeto é o querido amigo Ewerton (pronuncia-se Evéééérton, em cearês) que entre tantas atividades seculares envolvidos com grandes feiras resolveu dedicar parte de seu tempo para fomentar o mercado gospel do Nordeste com esta importante feira.

Mesmo com uma agenda que inclui viagens pelo Brasil e pelo exterior, sempre que necessito de um suporte na capital cearense, não penso em outra pessoa que não seja justamente o grande amigo e ele sempre está apto e disposto a atender-me e principalmente em recepcionar e dar todo suporte aos artistas de meu cast. E mais cedo conversamos sobre vários aspectos do próximo evento e entre um assunto e outro, uma frase que ele me disse chamou-me a atenção e como num estalo surgiu aí o tema que gostarei de comentar a partir de agora tendo a Praia de Iracema como testemunha deste momento criativo após um dia inteiro de muito trabalho.

No seu linguajar tipicamente cearense do interior, Ewerton comentou que o artista sendo bom de trabalho, receptivo, atencioso, simpático, automaticamente dava muito mais prazer mantê-lo por perto. Em outras palavras, se o artista entende que a relação é de interdependência, de que um necessita do outro e deve esforçar-se para agradar a todos, então este tinha muito mais chances de ter e, principalmente, manter o sucesso.

Muda o pano …

Dias atrás, já no Rio de Janeiro, conversando com um dos maiores comunicadores que conheço na TV do segmento gospel no país, uma pessoa super talentosa e que principalmente, entende e procura estudar a música gospel e o universo que nos ronda, ouvi uma pérola a respeito de um artista super importante no nosso meio que, confesso, fiquei de boca aberta tamanha falta de sensibilidade e mesmo de humildade. O dito cujo, nos bastidores de um determinado evento, negando-se a atender ao público que por algum tempo esperava pacientemente na fila por um momento mais próximo, para as tradicionais selfies, autógrafos e tudo mais e tendo que ser obrigado a atender alguns poucos que conseguiram furar todos os bloqueios impostos por sua produção, sacou o seguinte comentário: “Meu pai me ensinou que eu deveria rir só pra quem eu conheço e pra quem eu quero!”

Pausa para respiração. Contem até 30 e depois vamos seguir com a leitura deste post que ainda contará com mais algumas linhas …

Pode parecer óbvio demais que um artista precisa exercitar sua capacidade de simpatia e carisma em níveis estratosféricos para que não crie para si uma imagem arrogante, negativa e coisas do tipo. Pode parecer simplório de que todo artista precisa do feedback do público e cativá-lo de forma intensa. No entanto, mesmo com estas obviedades tão ululantes é assustador como há artista pecando (literal e figurativamente) neste quesito que traz consequências devastadoras no presente, mas principalmente no futuro. E é impressionante como podemos fazer listas e listas de artistas com enorme talento e potencial, com possibilidades reais de carreira sólidas e longevas que justamente ficaram pelo caminho especialmente por não saberem conduzirem seu networking, não souberam lidar com seu ego, não controlaram sua arrogância e, como não dizer, que não souberam ter um pingo de educação, o mínimo possível que se pode esperar de um cidadão, de um cristão ou de qualquer ser humano.

Em uma conversa com outro grande amigo, este mesmo assunto veio à baila e ele foi me contando casos e mais casos de artistas que são persona non grata pelas lideranças locais de sua região, simplesmente porque destrataram pessoas que trabalhavam na produção dos eventos, outros que não atenderam ao público antes e pós evento, que não se portaram dignamente no hotel ou mesmo no trajeto aeroporto/evento. Ou seja, o tempo todo estamos sendo avaliados como pessoas e por pessoas. Aquele ser que ouvimos e vemos em entrevistas de rádio e TV, super simpático, crente, acessível, risonho e boa praça, deve ser o mesmo ser que nos relacionamos quando os microfones não estão ligados. O mesmo se aplica para o artista que no palco traz um discurso de amor, humildade, espiritualidade, ou seja, é quase um anjo, mas que quando desce os degraus e volta para o backstage foge do público, trata mal as pessoas e profissionais, exige detalhes tão ridículos como catering com itens que mais parece uma cesta de Natal com acepipes os mais diferenciados possíveis.  Enfim, um discurso completamente distante da realidade. E hoje, em tempos de redes sociais e instantaneidade das notícias, este tipo de comportamento é altamente arriscado! Não são poucos os casos em que artistas são flagrados em vídeos assumindo posturas nada simpáticas e em questões de segundos a imagem de corre pela web desmascarando-o. E aí, explicar o inexplicável pode ser ainda pior!

Trabalhando neste meio há tantos e tantos anos já cansei de ver artistas criando para si mais problemas do que qualquer inimigo de música pentecostal poderia ter criado ( impressionante como nas músicas pentecas sempre tem alguém tramando alguma coisa pra derrubar o outro!). Como costumo comentar algumas vezes, há artistas que não precisam de inimigos. O maior inimigo destes é justamente a própria imagem refletida no espelho, ou seja, eles próprios! Em contrapartida há artistas que nem são tão talentosos assim, não são tão bonitos, elegantes ou mesmo possuem repertórios tão avassaladores, mas a forma como atendem às pessoas, como mantém relacionamentos saudáveis, como colocam-se sempre à disposição e, especialmente como curtem trabalhar, acaba transformando-os em artistas queridos do público, das lideranças, das mídias e assim conseguem manter uma carreira ativa e extremamente saudável.

E engana-se quem imagina que arrogância adquire-se depois de anos e anos de estrada. Estou estupefato de ver alguns fedelhos artistas que mal tiraram as fraldas que já na partida demonstram extrema arrogância e no bom carioquês, uma marra sem fim! Quer identificar um artista marrento, observe se ele fala na tercerira pessoa como se fosse uma entidade superior. Se o artista usa deste artifício linguístico, então saia de perto porque a chance de ser um marrento ambulante é enorme. Outra característica deste ser pode ser observada nas redes sociais onde 99% de suas postagens são feitas com suas fotos pessoais em momentos de êxtase completo. O cara vive no mundo de Doriana em que tudo que é dele é absolutamente melhor do que dos simples terráqueos. Artista ostentação de nariz empinado. Geralmente estes mesmos seres não reconhecem a ajuda e contribuição de terceiros. E quem é que pode chegar a algum lugar sem ter a ajuda de outras pessoas? Não conheço um único artista que tenha alcançado destaque somente com esforço próprio, isso simplesmente não existe!

Vou ficando por aqui porque preciso dormir e descansar para mais um dia intenso de trabalho. Este texto foi escrito com duas trilhas sonoras muito especiais. Comecei ouvindo o primeiro disco do cantor, músico e excelente compositor Juninho Black que em breve lançará seu trabalho pela Balaio Music com distribuição Sony Music. Muito bom! Muito bom mesmo! E finalizo este texto ao som de “Moderno à moda antiga”, obra prima de Marcela Taís, uma das maiores revelações da música gospel dos últimos anos. Este disco já está à venda nas plataformas digitais e no formato físico. Vale a pena conhecer!

 

Mega abraço a todos! Muitos sorrisos e alegrias!

 

Mauricio Soares, publicitário, cristão, jornalista, alguém que procura mesclar o profissionalismo sério com a leveza de quem entendeu a graça maravilhosa de Deus. Vamos nos divertir!

Nos últimos 5 anos, periodicamente tenho falado e escrito aqui no blog sobre as mudanças significativas que o mercado fonográfico iria vivenciar com o crescimento do mercado digital. O que parecia muitas das vezes como um exercício de futurologia hoje é tratado por todos de forma extremamente natural, cotidiana e simples. A própria relação entre o público e a música, incluindo aí o seu consumo hoje é completamente diferente de anos atrás. E por mais que alguns artistas, profissionais de gravadoras, pastores e outras pessoas envolvidas no meio artístico gospel insistam em permanecer na idade da pedra, a grande verdade é que as mudanças chegaram, irão alterar radicalmente questões até então consideradas pétreas e trarão novas dinâmicas que tendem a popularizar cada vez mais o consumo de música.

O ano de 2014 talvez seja considerado, especialmente no Brasil, como o período-chave da mudança do mercado físico para o digital. Números ainda não oficiais no país sinalizam que 55% do faturamento das gravadoras seculares foi proveniente do mercado digital contra 45% das vendas físicas, tradicionais. Como sempre, infelizmente não temos números oficiais do mercado gospel tupiniquim porque nem mesmo uma associação de classe as empresas do setor conseguiram formar ao longo dos anos. A política do “cada um na sua” parece ser regra de conduta no meio, não somente entre as gravadoras mas em diferentes segmentos e aí, inclui-se até mesmo as igrejas e denominações, pasmem! Mas arrisco a dizer que as vendas físicas caíram cerca de 30 a 40% no mercado gospel em 2014. Como boa parte das empresas do segmento ainda trabalha de forma tímida no mercado digital, esta queda de vendas físicas acentuada afeta pesadamente os resultados deste último ano trazendo consequências desastrosas para boa parte das gravadoras do meio. Ou seja, vivemos um período de muita instabilidade no mercado fonográfico gospel, acentuado ainda mais pelas condições ruins da economia nacional.

Em todos os países onde houve a queda nas vendas físicas e o crescimento do mercado digital, a tendência se mantém firme sem qualquer sinal de retração. Desta forma, tenho que informar que quem viveu o auge do mercado de discos físicos com números astronômicos de vendas, se dê por satisfeito porque daqui em diante tudo indica que estaremos vivendo um novo tempo, o tempo das vendas digitais. E afirmo isso sem qualquer sentimento de perda, tristeza ou algo do tipo. O mercado digital se apresenta como uma excelente oportunidade e com rentabilidade acima do modelo tradicional. Apenas para efeito de comparação até pouco tempo atrás o mercado gospel trabalhava com cerca de 3 mil pontos de distribuição no Brasil entre livrarias, igrejas, colportores. Atualmente trabalhamos com mais de 250 milhões de aparelhos de celulares com acesso à internet, ou seja, 250 milhões de potenciais clientes de conteúdo musical. A mudança é absurda!

O que eu gostaria de tratar com os 33 leitores (sim, estimo que com a escassez de textos inéditos perdemos metade da audiência cativa entre nossos leitores!!!!) a partir de agora é justamente algo que venho pensando bastante nos últimos dias e que afeta diretamente meu dia a dia profissional, já que como diretor artístico de gravadora uma de minhas principais funções é justamente montar um cast artístico de qualidade e bom retorno em vendas. Neste momento é fundamental que um profissional desta área tenha a visão de que com a popularização da web, da mudança de relação entre consumidor x música e, principalmente pela expansão das plataformas digitais, a montagem do cast passa a ser bem diferente do que acontecia até então. Qualquer pessoa com o mínimo de conhecimento do mercado fonográfico gospel tupiniquim sabe a força da música pentecostal em termos de vendas. E sinceramente creio que este estilo musical permanecerá forte e importante no nosso meio, só que de uma forma bem diferente. Creio também que este estilo musical manterá por um tempo além do usual no mercado em geral as vendas no formato físico. Só que arrisco a dizer que a supremacia da música pentecostal como mais popular estilo no segmento será diluída nos próximos anos trazendo uma maior democratização de nomes e sons. Em alto e bom som, afirmo que artistas que já foram “arrasa-quarteirões” em vendas no passado podem talvez não manter a mesma performance com a mudança do mercado fonográfico.

Já podemos perceber o surgimento de alguns nomes que até então permaneciam restritos a determinados nichos. Inclusive muitos destes artistas jovens já podem se orgulhar de figurarem no topo de vendas do iTunes, algo bem raro em nosso meio, mas que já conta com nomes como Paulo César Baruk, Os Arrais, Mariana Valadão e Leonardo Gonçalves. O ambiente digital com inúmeras plataformas como Deezer, Spotify, Google Play, YouTube, iTunes, Vevo, operadoras de telefonia móvel, entre outras, permite com que fenômenos virais surjam do dia para a noite.

Entre tantas mudanças, talvez esta seja uma das mais impactantes, ou seja, nos próximos anos teremos novos nomes de artistas surgindo no segmento e, infelizmente veremos o ocaso de alguns artistas que até então navegavam em águas tranquilas repetindo fórmulas e estratégias. Só que estamos diante de um novo mercado, um novo perfil do público consumidor com demandas muito peculiares, novas ferramentas e estratégias, novos canais de distribuição, enfim, um cenário completamente diferente de tudo até então. Com isto, posso afirmar categoricamente que teremos um momento bastante interessante para os próximos anos e como profissional da área devo manter-me extremamente atento a tudo que surgir no mercado, principalmente nomes e estilos musicais. Quem imaginaria que a música eletrônica, muito bem representada no gospel brasileiro pelo DJ PV, se tornaria um fenômeno de popularidade? Estes artistas-que-aparecem-de-uma-hora-pra-outra serão cada vez mais comuns daqui em diante, portanto devemos estar abertos às novidades, alheios a dogmas imutáveis e muito sensíveis aos movimentos e tendências.

Ontem mesmo tive o prazer de conversar por longas horas com uma artista decana do meio gospel, uma profissional com longos e longos anos de estrada. Esta cantora viajava pelo país para atender aos convites a bordo de ônibus, carregando caixas e mais caixas pesadas de LPs, que muitas das vezes empinavam devido ao calor – e hoje me deparo com artistas que começaram ontem reclamando de horas de vôo entre uma agenda e outra! Esta artista me comentava das mudanças que promoveu em seu escritório, na mudança de postura quanto aos convites, na sua interatividade junto ao público através das redes sociais e, por fim, me falou da necessidade de em seu repertório incluir músicas em um estilo mais atual, mais moderno. Confesso que me surpreendi pela inteligência e capacidade de observação daquela artista que poderia simplesmente seguir numa rotina e mantendo atitudes que a fizeram ser uma grande artista no segmento nas últimas décadas.

Se você é um artista ou um postulante a esta área, procure atualizar-se sobre novas ferramentas, estratégias de marketing digital e tendências. Esqueça fórmulas antigas, estratégias tradicionais como investimentos de mídia em rádios (falarei sobre este assunto em outro post!) e outras ações que certamente terão resultado abaixo do esperado. Invista em clipes como principal ferramenta de divulgação e mesmo de remuneração, afinal canais como YouTube/Vevo são comprovadamente os parceiros de melhor monetização entre tantas plataformas digitais. O momento é de profunda transição e em épocas como esta observamos que apenas os mais preparados sobrevivem seguindo a teoria da seleção natural darwinista. Então, atualize-se! Prepare-se para o novo momento que estamos vivendo e saiba aproveitar as chances que estão surgindo pela frente! Em suma, apertem os cintos porque estamos diante de uma viagem bastante interessante! Preparem-se! 

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista. Escrevo este texto assistindo à final do SuperBowl, ou seja, não é só o mercado fonográfico que vem se transformando nos últimos tempos, mas também (e principalmente) a área de entretenimento. Onde se imaginou que brasileiros iriam curtir e até mesmo jogar futebol americano?

Boa parte dos meus textos publicados aqui no blog são fruto de conversas ou fatos que vivencio. Um dos caras que ultimamente tem ocupado boa parte de meu tempo para papos profundos e inteligentes é o super competente diretor Hugo Pessoa. Apesar de sua juventude, Pessoa é alguém muito experiente, viajado, com aguçado senso crítico e uma leveza bem peculiar, característica de quem sabe o que quer e para onde vai.
E dias desses estávamos em São Paulo degustando um café num fim de tarde quando o assunto se encaminhou para a questão de oportunidade e oportunismo. E claro, por lidarmos com artistas em nosso dia a dia, o foco não poderia ser outro que não fosse a relação dos artistas gospel com o tema em questão. Falávamos sobre como alguns artistas ao longo dos últimos anos optaram por caminhos que no fim se configuraram em opções erradas. Também sobre como em alguns momentos o caminho que aparentemente é o mais fácil ou até mesmo o mais lógico acaba sendo o mais desastroso para a vida artística. Entre um e outro gole de café fomos listando alguns destes casos para ilustrar o que conversávamos naquele momento.

Sempre ouvi um ditado que diz que quando um cavalo passa encilhado não podemos deixar de subir nele. A idéia é de que a oportunidade quando passa à nossa frente precisamos ser ágeis, termos senso de oportunidade. Boa parte dos ditos populares carregam em si boa dose de sabedoria, mas também podemos considerar que nem sempre o senso comum é imune a erros grotescos. No caso do cavalo encilhado ninguém se ateve a questionar o que ele faz solto no pasto ou na estrada (!?!?). Será que ele não derrubou seu cavaleiro momentos antes? Longe de querer iniciar uma nova polêmica hípica, a verdade é que nem sempre o que se apresenta num primeiro momento como oportunidade ‘imperdível’ pode se configurar como tal após algumas análises mais aprofundadas.
E é aí que reside o cerne do nosso post de hoje. Quero me ater nos próximos minutos sobre o que é oportunismo e oportunidade na carreira artística. Prometo que tentarei ser o mais sucinto possível, apesar do assunto poder render bastante.

Em 25 anos de carreira e lidando com muitos artistas posso assegurar que já pude vivenciar experiências as mais diversas. Especialmente em nosso meio gospel, temos uma profusão de artistas talentosos. Talvez esta até seja uma das características mais marcantes de nosso meio, a absurda qualidade musical de nossos artistas. Posso assegurar que temos alguns dos mais talentosos músicos e intérpretes no meio gospel nacional. Só que talento apenas não assegura o sucesso de ninguém! Nem mesmo com muita oração, jejum, monte, campanhas … nada disso é suficiente para fazer uma carreira sólida, longeva e de sucesso. Não foram poucas as vezes em que pude conversar com artistas alertando-os sobre as transformações do mercado fonográfico … horas e horas de muita informação, muito conteúdo, dicas, sugestões, para no fim eu perceber que apenas perdi meu precioso e raro tempo!

O artista deve antes de mais nada, buscar uma carreira sólida e isso só se consegue com muito planejamento, sabedoria e senso crítico. Infelizmente alguns artistas padecem de ansiedade crônica onde todas as decisões e principalmente os resultados devem vir de imediato. Para estes, resultados de longo prazo devem aparecer em 90 dias ou antes disso!!!!! Podemos listar com muita facilidade artistas do meio gospel nacional que possuem enorme talento, que tinham enorme possibilidade de seguirem numa carreira sólida, mas que fruto desta ansiedade se deixaram levar por promessas descabidas e que os resultados foram catastróficos. Se analisarmos o histórico destes artistas iremos constatar que praticamente todos estes erraram em um determinado momento de suas vidas ao se decidirem pelo caminho do oportunismo e não pela oportunidade.
Oportunismo é antes de mais nada a chance mais fantástica de se alcançar grandes objetivos com o menor esforço. Aparentemente é tudo perfeito, mas se aprofundarmos um pouco mais a análise dos fatos iremos notar que o risco da empreitada é bem considerável. Quantos artistas optaram por assinar contrato com uma determinada gravadora porque esta prometeu presença em programas de TV? Ou então por conta de um adiantamento de royalties? Ou ainda, pela promessa de uma grande campanha de marketing? Como em todo negócio, o mercado fonográfico trabalha sobre números, projeções, realidade … duvide de promessas mirabolantes e estórias ufanistas, cheias de alegorias, sonhos … tudo muito maravilhoso! Muitas das vezes se acorda deste sonho em meio a um terrível pesadelo!

Assim como não há almoço grátis, também não há milagre em investimentos. Quem investe almeja retorno e trabalha para isso. Me assusta ainda hoje, em pleno 2015 ouvir de artistas evangélicos discursos no melhor estilo “Poliana de ser” como se vivêssemos no mundo ideal. Não há espaço para isso! Na verdade, nunca houve e hoje em dia, uma gravadora precisa antes de mais nada, fazer contas e caminhar de forma segura em suas apostas. Não há lugar para amadores neste meio! E é justamente aí que reside a diferença entre aqueles que querem ter uma carreira sólida, adequada às novas demandas e realidades do mercado, adaptada aos novos consumidores, ciente das novas ferramentas e ações estratégicas e aqueles que querem insistir em mentalidades arcaicas e defasadas.

Oportunidade é sobretudo ter capacidade de analisar diferentes aspectos para se alcançar uma posição coerente para o futuro. Quem tem poder crítico para analisar oportunidades certamente terá resultados muito mais consistentes em todos os aspectos da vida pessoal e profissional. Quem tem senso de oportunidade não se impressiona com o destino final, mas procura conhecer melhor a rota para se alcançar a este destino. Não importa se esta estrada é de difícil acesso, mas procura saber, de verdade, o que irá encontrar no fim da viagem. E falando em termos artísticos, a grande graça de tudo é justamente prolongar ao máximo sua capacidade inventiva e criativa. É tão interessante ouvir de grandes artistas sobre o prazer que estes têm em estar no palco depois de anos e anos de carreira. Este prazer só tem aquele que soube conduzir saudavelmente sua trajetória.

Se é você é um jovem artista ou mesmo um decano das artes, cada dia se torna mais primordial a forma como se lida com as oportunidades. Não opte em seguir caminhos fáceis. Não dê ouvidos a promessas vazias. Antes de mais nada, analise se a fonte das promessas tem em seu portifólio grandes realizações. O que te leva a pensar que mesmo errando em todas as outras oportunidades, com outros artistas, justamente contigo será diferente? Não se iluda … até porque o maior prejudicado neste caso, será justamente você mesmo! Não transfira a responsabilidade do seu sucesso para terceiros! Isso é bem comum no meio gospel e acabamos lidando com uma geração de artistas-que-reclamam-de-tudo-e-que-nunca-têm-culpa-de-nada!

Não curto muito a estratégia de alguns artistas de ficarem trocando de gravadora a cada novo contrato. Sinceramente não vi um único artista se dar bem ao se utilizar desta tática ao longo destes anos todos de estrada. Geralmente estes vão perdendo força, vão se enfraquecendo no mercado, vêem suas obras sendo tratadas como produtos de segunda linha por parte das empresas e pelo próprio mercado, enfim, literalmente prejudicam-se absurdamente num autêntico harakiri artístico. Em 99% dos casos, estes artistas foram tomados pelo senso de oportunismo, buscando promessas e fatos que iriam transformar suas vidas. Ilusão. Pura ilusão! A boa oportunidade é aquela que traz responsabilidade, que apresenta resultados sólidos e de longa duração. Qualquer coisa diferente disse será apenas estória e disso já estamos todos fartos! Pelo menos eu …

Mais seriedade e mais resultados! Mais oportunidade e menos oportunismos. Mais profissionais e menos oportunistas. É só o que eu espero!

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista e cada vez mais focado em fazer diferença no mercado, mesmo que para isso eu venha perder algumas oportunidades.

O Observatório Cristão sempre foi um projeto que levei com muita tranquilidade. Jamais impus a mim mesmo qualquer tipo de obrigação, cobrança ou algo do tipo. Na verdade, a única regra que procurei seguir desde sempre, foi com relação à qualidade dos textos publicados. Nestes mais de 7 anos de atuação criamos um bom ‘estoque’ de posts que de alguma forma servem para traduzir o que de fato aconteceu em nosso meio nestes últimos anos.

O fim de 2014 foi frenético pra mim. A impressão foi de que as portas se fecharam e tive que sair correndo para não ter o risco de ser deixado do lado de fora e, nesta necessidade de ‘correr’ acabei deixando de lado a obrigatoriedade de manter atualizado este blog. Portanto, peço desculpas e tento justificar essa enorme ausência de conteúdos inéditos nestas longas semanas. A verdade também é que acabei sendo atingido por uma sensação moribunda pós-eleições que me tirou o ânimo para muitas coisas e entre elas, o hábito de escrever e mesmo de exercitar minha verve humorística e sarcástica, tão presentes por aqui.

Não começo o novo ano renovado, esperançoso ou mesmo descansado. Os acontecimentos extremistas recentes com terroristas muçulmanos (ou melhor, ignorantes, até porque isso não tem nada a ver com religião!) cortando cabeças ou matando civis inocentes não me trazem qualquer espírito de renovação e esperança neste momento, não mesmo! Além disso, dia a dia recebendo notícias sobre a grave situação econômica de nosso país e os sucessivos escândalos políticos também não contribuem em nada para criar um ambiente e expectativas tão festivas para 2015. Ou seja, o ano começa pesado e as nuvens no horizonte não são nada alvissareiras, pelo contrário, são bastante tensas!

E em termos de mercado fonográfico gospel tupiniquim o novo ano deve trazer algumas novidades já que em 2014 não consigo destacar grandes projetos que fizeram grande diferença em nossos arraiais. Talvez a grande ‘novidade’ do ano que passou foi o crescimento do cantor e compositor Anderson Freire tornando-se um dos mais requisitados em eventos e com grande resultado de vendas de seus projetos nas lojas. O capixaba conseguiu colocar-se num novo patamar no mercado gospel onde já se encontram nomes como Aline Barros, Damares, Fernandinho, Thalles e mais uns 2 ou 3 artistas. O ano de 2014 no Brasil foi mesmo focado na Copa do Mundo e nas eleições … nada muito além disso!

Pra não ser injusto, também preciso incluir nos destaques de 2014, Leonardo Gonçalves que reposicionou sua carreira em uma nova categoria. O projeto “principio” alavancou a carreira do talentoso artista e ele chegou ao fim do ano como o DVD mais vendido no segmento em todo o país.  Quem ainda não conferiu este projeto, não deve perder mais tempo e se deliciar com um dos melhores projetos já lançados em nosso mercado em todos os tempos. Padrão internacional!

Para 2015 entre os grandes lançamentos, um dos mais aguardados será, sem dúvida, o novo DVD da cantora Damares que deve chegar às lojas em março deste ano. Uma megaprodução com direção de Hugo Pessoa, o projeto conta com a participação especial de Thalles e uma super estrutura de luz, palco e som. A produção musical ficou a cargo do competente Melk Carvalhedo. Já assisti à edição do projeto e posso assegurar que com este projeto a música pentecostal seguirá um novo rumo e tendência a partir de então. É esperar e conferir!

Não sou muito afeito a apostas, a exercícios de projeção, ou em termos mais pentecostais, em ‘profecias’ ou ‘profetadas’. Mas vou me arriscar e apontar um nome que tem tudo para ser o grande artista de 2015. Na minha modesta opinião, este ano que se inicia veremos a cantora Gabriela Rocha como maior destaque da música gospel no país. Seu talento, belo trabalho recém-lançado, sua performance, seu carisma e principalmente sua incrível capacidade de interpretar farão toda a diferença neste ano em nosso meio. Em seu segundo trabalho, o álbum “Pra Onde Iremos?”, com produção de Daniela e Jorginho Araújo, Gabriela Rocha se apresenta como uma intérprete madura, segura de si, com muita unção, sabendo lidar com todo seu potencial vocal, com excelente repertório e muita vontade de trabalhar! Com enorme força nas redes sociais, Gabriela vem se destacando em diferentes regiões do país e como reflexo, sua agenda está completamente abarrotada de compromissos já no início do ano. Se você ainda não teve contato com este álbum, vale a pena conferir! A boa notícia é que nesta semana, seu primeiro clipe deste trabalho estreou no canal da artista na VEVO. Você confere esse vídeo aqui mesmo no blog!

Como ainda estou meio “enferrujado” vou ficando por aqui. Prometo voltar nos próximos dias como mais posts inéditos.

 

Mauricio Soares, jornalista, publicitário

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Tive o prazer de retornar à capital paraense depois de quase 3 anos sem pisar naquela cidade. Berço do pentecostalismo no Brasil, o Estado mantém um ritmo acelerado de crescimento do segmento evangélico. A região é, sem dúvida, uma das principais áreas de concentração da população evangélica no país, assim como São Paulo, Rondônia, Goiás, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Por 2 dias intensos participei de reuniões, encontros, visitas a lojas e ainda tive tempo para contemplar a bela Baía de Guajará e ali desfrutar um belo prato regional acompanhado de alguns amigos. E durante este curto período fui convidado a participar de um encontro com alguns artistas locais. Confesso que cheguei ao Teatro do Gasômetro, belíssimo espaço cultural encravado no centro de Belém, sem saber ao certo do que se trataria aquele encontro. Já na chegada fui recebido por simpáticos sorrisos, apertos de mãos, abraços num clima agradável e despojado. Observei que haviam instrumentos musicais, sistema de som e um farto café da manhã sendo servido aos presentes.

Aquele encontro matutino em plena terça-feira reunia alguns dos artistas que fazem a música gospel paraense. Tive a grata surpresa de reencontrar o vocalista da banda Conexão Direta, expoente da música gospel local com 25 anos de estrada e que sempre buscou incluir os ritmos locais como o carimbó no repertório de seus discos. Também conheci jovens talentos, outros tantos nem tão jovens e buscando seu espaço no cenário artístico local e nacional. Foi sem dúvida, um encontro inesperado mas absolutamente agradável.

Depois das apresentações iniciais do promotor do evento, o querido Luiz Porto, os artistas foram se revezando um a um na defesa de suas canções. Aquilo virou uma espécie de sarau onde informalmente cada artista apresentava sua canção e todos participavam de alguma forma. A motivação maior deste encontro foi a ideia de se lançar um disco, uma coletânea, que reúna os artistas locais e artistas reconhecidos nacionalmente. Seria uma espécie de intercâmbio entre os artistas paraenses e os artistas do sul e sudeste que já possuem carreiras de sucesso no segmento.

Ouvindo com atenção cada um dos artistas ali presentes observei alguns aspectos bem interessantes. O primeiro é que a música gospel é uma manifestação artística riquíssima em estilos. Naquela manhã ouvi pentecostal pop, MPB, adoração congregacional, um quarteto a capella, um autêntico pop e até um som mais regional com muito suingue e tempero. Entre todos os que se apresentaram encontrei artistas muito bem resolvidos, praticamente prontos para saltos mais altos. E isso realmente me impressiona! A música no meio gospel é recheada de talentos.

Outro aspecto que me chamou a atenção foi a dificuldade que estes artistas têm em se destacar na própria região apesar, repito, do grande talento que possuem! A ideia de que ninguém é profeta em sua casa é perfeita neste ponto em questão. Ouvi relatos de que rádios locais não dão a devida atenção aos artistas locais. Que os grandes eventos priorizam artistas do sul. Que as igrejas não apoiam artistas da região e que mesmo os ministérios de louvor preferem cantar músicas importadas de outras regiões do país. Que o sudeste é um pólo de influência artística para todo o restante do país é um fato! O Rio de Janeiro, em especial, como capital federal por muito tempo e depois com o alcance da Rádio Nacional e posteriormente da Rede Globo, mantém a hegemonia cultural e de influência para todo o restante do país. É engraçado ver jovens em Macapá usando gírias e repetindo a moda dos descolados do Leblon ou Ipanema. Para reforçar ainda mais esta observação, vale ressaltar que todas as principais gravadoras do meio secular e gospel encontram-se na capital fluminense.

Após as apresentações fui convidado a dar uma rápida palavra (mal sabia o anfitrião que nestes casos não consigo ser tão prolixo e desatei a falar numa mini-palestra) a todos os presentes. Como não poderia deixar de ser externei minha profunda surpresa e satisfação em deparar-me com tantos talentos. E comecei a dar algumas dicas importantes sobre mercado digital, a mudança do ambiente artístico, a importância em se investir cada vez mais em vídeos, a questão das redes sociais e também sobre a estratégia dos círculos concêntricos de atuação, algo que já mencionei outras vezes aqui mesmo no blog. Fiz uma rápida explanação do que poderia ser o projeto da coletânea e de pronto sugeri que todos aqueles presentes passassem a trabalhar num sistema de cooperativa buscando em conjunto aumentar a visibilidade da música cristã produzida no Estado do Pará. Creio que dali já saíram outras ideias como a de se gravar clipes ou mesmo um DVD para popularizar a produção local.

Não de forma empolgada, mas com bastante seriedade comprometi-me a ajuda-los como uma espécie de mentor na busca de soluções e ações visando esse upgrade na produção local. Percebi que ao fim da reunião havia um novo ânimo naquela turma. Depois durante o dia fui conferindo postagens nas redes sociais dos participantes e tive a certeza de que aquele simples encontro havia causado um alento para todos os que estiveram presentes. Confesso que me senti muito feliz em poder de alguma forma trazer essa nova visão sobre alguns aspectos, mas principalmente em animá-los a seguir em frente!

Em um texto publicado no blog já há alguns anos atrás comentei sobre a necessidade de termos mais pessoas dividindo suas experiências para a turma mais jovem. Neste texto destaquei que no início de minha caminhada no segmento gospel tive pouquíssimos mentores e que boa parte do que aprendi e desenvolvi foi a base de observação, tentativas, erros e acertos. Vejo que boa parte dos artistas de nosso segmento, mesmo aqueles que de alguma forma alcançaram alguma relevância no meio, são carentes de profissionais que os orientem sobre os procedimentos mais corretos a se seguir. Ainda em Belém, já no fim de um dia exaustivo, tive a oportunidade de conhecer um jovem pastor e por mais de uma hora batemos um papo muito animado. Entre tantos assuntos, ele me perguntou sobre um ou outro artista, como haviam alcançado o sucesso, como seriam as carreiras de alguns nos próximos anos, entre outras questões. A conclusão é de que boa parte dos artistas têm falhado porque falta-lhes alguém para orientá-los, identificar possíveis erros de rota, apontar soluções e gerenciar efetivamente suas carreiras.

Há pouco mais de 6 anos lancei de forma descompromissada o blog Observatório Cristão. Minha intenção era analisar fatos e notícias do meio editorial, fonográfico e mesmo de comportamento no segmento evangélico do ponto de vista de um profissional de marketing. Aos poucos seguimos para uma linha editorial predominantemente focada na área artística e suas vertentes. Muito do que escrevo por aqui é fruto de experiências do meu dia a dia. Inclusive alguns amigos até brincam querendo descobrir qual artista ou fato específico refiro-me em alguns dos meus textos. Como não consigo estar mais próximo dos artistas ou postulantes a um espaço no cenário artístico, utilizo-me do blog para de alguma forma ajudar e orientar toda esta turma. Costumo sempre brincar que temos 66 leitores assíduos, mas por minhas andanças pelo Brasil sei que temos muito mais do que isso. Encaro o blog como uma pequena contribuição de minha parte aos leitores e também como uma obrigação de minha parte em dividir o conhecimento com o máximo de pessoas. Isso é o mínimo que posso fazer como forma de agradecer a oportunidade que Deus me deu em seguir esta profissão por tanto tempo.

Finalizo este texto já preparando-me para aterrissar na Cidade Maravilhosa. Gostaria de incentivar aos artistas fora do eixo Rio-São Paulo a de alguma forma seguirem o exemplo da turma do Pará. Que tal juntarem forças para divulgar melhor os trabalhos de artistas regionais? Também gostaria de incentivar aos pastores e profissionais de rádio a darem mais atenção às “pratas da casa”. Todo mundo precisa de um apoio no início da jornada e com os jovens artistas isso não é diferente! E a todos, continuo incentivando a leitura do Observatório Cristão e inclusive gostaria de convidá-los a ler textos publicados há 2, 3 anos atrás. Temos muitos textos interessantes publicados e que para não tornarmo-nos repetitivos não voltamos ao assunto apesar de sua relevância. Então, que tal navegar com bastante calma nos textos mais antigos?

Boa leitura!

Mauricio Soares, jornalista, publicitário, consultor de marketing, palestrante. Quero aproveitar e agradecer ao imenso carinho que recebi dos paraenses nestes dias. Foi muito bom enfrentar esse enorme calor amazônico com a receptividade da turma local!

Conversando dias atrás com o produtor Dudu Borges, considerado hoje o melhor profissional em sua área no segmento sertanejo, falamos sobre a realidade do mercado gospel. Para quem não sabe, Dudu Borges fez parte da banda Resgate, inclusive produzindo o clássico disco “Ainda Não é o Último”, o primeiro projeto lançado pela Sony Music no projeto gospel. Na área sertaneja, Dudu é responsável pelos últimos grandes hits aferidos pela Crowley nos últimos anos como “Chora Me Liga” da dupla João Bosco e Vinícius, “Ai Se Eu Te Pego” com Michel Telló, sucessos de Luan Santana, do recente fenômeno Lucas Lucco e de outra dezena de artistas do gênero. Ou seja, Borges é sem dúvida, o “cara” do sertanejo e merece todo o sucesso!

Mas voltando ao nosso bate papo pelos corredores da gravadora, Dudu questionava o porquê da música gospel ainda não ter se consolidado no cenário nacional, especialmente em relação às grandes festividades de prefeituras e feiras agropecuárias. Tentei justificar com alguns aspectos e no fim chegamos à conclusão de que ainda temos barreiras a vencer pela frente e outros ajustes para fazer no âmbito interno.

É com base neste papo descompromissado que seguirei de agora em diante neste post. Na verdade irei juntar algumas questões mencionadas neste encontro com outras observações que venho tendo nos últimos meses. Então, nas próximas linhas faremos uma pequena dissertação sobre os desafios que a música gospel tem pela frente no país. Espero que eu consiga ter a devida atenção dos meus 66 leitores fiéis (ou não!?!?!?!) daqui em diante.

É inegável que o boom da música gospel na TV brasileira aconteceu entre os anos de 2011 e 2012 e que no ano seguinte observamos uma forte retração ao segmento. Se formos analisar e relembrar, inúmeros artistas gospel povoaram os programas da TV brasileira numa frequência jamais alcançada até então nestes anos recentes. Chegamos a ter determinados dias com artistas gospel participando em programas de TV em diferentes emissoras nos mesmos horários. A concorrência entre as produções dos programas acirrou-se de uma tal forma que estas se antecipavam no agendamento das atrações gospel. A disputa era enorme e constantemente víamos os artistas de música gospel na telinha participando de programas em emissoras que até então restringiam ao máximo estas participações. Só que a alegria durou pouco! Especialmente em 2013 foram raras as participações dos artistas de música gospel nos programas de TV e esta tendência deve se seguir em 2014 onde a pauta notoriamente será direcionada para esportes em função da Copa do Mundo no Brasil.

Quando um artista do calibre do sertanejo Leonardo, Jota Quest ou Roberto Carlos, por exemplo, lançam seus respectivos projetos, toda a mídia é contatada e responde de forma muito receptiva e amigável. Em pouco tempo os programas de TV agendam as suas participações, muitas das vezes até mesmo com uma certa disputa entre os veículos. A mídia impressa e eletrônica destacam em suas pautas os respectivos lançamentos, ou seja, em pouco tempo, o projeto passa a ser conhecido nacionalmente. As emissoras derádio tocam os singles com destaque na programação, entrevistas são agendadas, promoções são criadas e muita badalação sobre o artista e seu novo projeto agitam o ambiente.

Definitivamente não é isto o que acontece com a música gospel. Não temos veículos de comunicação de massa em nível nacional. Não há redes de televisão com conteúdo cristão em nosso país e nas poucas emissoras de TV do segmento, o espaço para a música ainda é bem acanhado perdendo de goleada para os programas evangelísticos e de variedades. Também não temos uma rede de emissoras de rádio evangélica que favoreça os grandes artistas ou lançamentos. A maior rede de rádios do país coincidente faz parte do segmento evangélico, a Rede Aleluia, mas ela está longe de ser uma referência em termos de programação musical. A playlist musical desta emissora baseia-se em hits dos longínquos anos 90 ou ainda mais distantes.

Outra característica de nossas mídias é a relação visceral com denominações religiosas, cada qual com interesses e características muito específicas. Isto também dificulta absurdamente a divulgação de um projeto no meio gospel, pois estas emissoras e veículos nem sempre têm como prioridade trabalhar de forma profissional, focando na satisfação de seus clientes. Com isso, alguns artistas e gravadoras são prejudicados em determinadas regiões do país pela falta de espaço nas mídias locais.

Desta forma, um projeto no meio gospel no Brasil passa por uma série de obstáculos para sua divulgação. Não temos muitas mídias demassa. Muitos veículos são restritos e refratários à novidades e mesmo a determinados estilos musicais ou artísticos. Assim, é notório que para ‘estourar’ em nível nacional, um artista e sua respectiva gravadora precisam utilizar-se de diversas estratégias e altos investimentos. Entre as principais estratégias de divulgação, sem dúvida, destacamos a necessidade de uma verdadeira maratona de entrevistas nas mídias locais. Por mais cansativo e dispendioso que esta operação seja, é comprovada sua eficácia! Existem algumas cidades importantes em nosso mercado e efetivamente são estas que devem constar do roteiro de divulgação. Praças como Beagá, Recife, Goiânia, São Paulo, Rio de Janeiro, Belém e Fortaleza são indispensáveis para o artista que pretende ter seu trabalho reconhecido pelo grande público.

Outra importante estratégia para uma divulgação maciça de um projeto tem a ver com a web. O brasileiro é reconhecido mundialmente por ser um heavy user em tudo relacionado à tecnologia. E, sem dúvida, a internet é uma importante ferramenta e ambiente para a divulgação de conteúdos artísticos. São muitos sites, blogs, rádios on line fanpages dedicadas à música e notícias gospel. Então, nada mais acertado do que manter contato permanente com estes veículos fornecendo farto material, notícias, vídeos, conteúdos diversos. Neste caso, torna-se fundamental a contratação de serviços e profissionais especializados para tal atividade.

Em resumo, não há facilidade para os artistas do segmento gospel e suas gravadoras. Os entraves são muitos e não apenas os citados por aqui neste texto. Lançar um novo projeto nacionalmente é um exercício de muita paciência, altos investimentos, dedicação e transpiração! Esta constatação apenas reforça duas outras características peculiares deste nicho. A primeira é que como o produto ‘demora’ a ser divulgado nos quatro cantos do país por todos os motivos já citados, o tempo de vida útil do projeto é bem maior do que um projeto secular de um artista do primeiro time. Com isso, a estratégia utilizada por alguns artistas, especialmente a turma do segmento pentecostal, de lançar um novo projeto a cada ano, torna-se claramente uma decisão equivocada, pois é impossível que neste curto espaço de tempo, todo o país conheça o seu último trabalho.

Este texto foi iniciado em um vôo entre Curitiba e o Rio de Janeiro. Depois foi retomado no trecho entre Goiânia e Fortaleza e agora é finalizado a caminho de Vitória, capital capixaba. Durante os últimos dias exercitei plenamente o que acabo de escrever, ou seja, visitar algumas das mais importantes cidades do país divulgando o projeto (lançado em abril de 2013) “O Maior Troféu” com a cantora Damares. Observe-se que estamos falando da artista de maior vendagem do mercado gospel nos últimos anos. Se uma artista como ela dedica seu tempo para este tipo de trabalho então está mais do que na hora da turma arrumar as malas e partir pra estrada!

Vamos em frente!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.