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Boa parte dos meus textos publicados aqui no blog são fruto de conversas ou fatos que vivencio. Um dos caras que ultimamente tem ocupado boa parte de meu tempo para papos profundos e inteligentes é o super competente diretor Hugo Pessoa. Apesar de sua juventude, Pessoa é alguém muito experiente, viajado, com aguçado senso crítico e uma leveza bem peculiar, característica de quem sabe o que quer e para onde vai.
E dias desses estávamos em São Paulo degustando um café num fim de tarde quando o assunto se encaminhou para a questão de oportunidade e oportunismo. E claro, por lidarmos com artistas em nosso dia a dia, o foco não poderia ser outro que não fosse a relação dos artistas gospel com o tema em questão. Falávamos sobre como alguns artistas ao longo dos últimos anos optaram por caminhos que no fim se configuraram em opções erradas. Também sobre como em alguns momentos o caminho que aparentemente é o mais fácil ou até mesmo o mais lógico acaba sendo o mais desastroso para a vida artística. Entre um e outro gole de café fomos listando alguns destes casos para ilustrar o que conversávamos naquele momento.

Sempre ouvi um ditado que diz que quando um cavalo passa encilhado não podemos deixar de subir nele. A idéia é de que a oportunidade quando passa à nossa frente precisamos ser ágeis, termos senso de oportunidade. Boa parte dos ditos populares carregam em si boa dose de sabedoria, mas também podemos considerar que nem sempre o senso comum é imune a erros grotescos. No caso do cavalo encilhado ninguém se ateve a questionar o que ele faz solto no pasto ou na estrada (!?!?). Será que ele não derrubou seu cavaleiro momentos antes? Longe de querer iniciar uma nova polêmica hípica, a verdade é que nem sempre o que se apresenta num primeiro momento como oportunidade ‘imperdível’ pode se configurar como tal após algumas análises mais aprofundadas.
E é aí que reside o cerne do nosso post de hoje. Quero me ater nos próximos minutos sobre o que é oportunismo e oportunidade na carreira artística. Prometo que tentarei ser o mais sucinto possível, apesar do assunto poder render bastante.

Em 25 anos de carreira e lidando com muitos artistas posso assegurar que já pude vivenciar experiências as mais diversas. Especialmente em nosso meio gospel, temos uma profusão de artistas talentosos. Talvez esta até seja uma das características mais marcantes de nosso meio, a absurda qualidade musical de nossos artistas. Posso assegurar que temos alguns dos mais talentosos músicos e intérpretes no meio gospel nacional. Só que talento apenas não assegura o sucesso de ninguém! Nem mesmo com muita oração, jejum, monte, campanhas … nada disso é suficiente para fazer uma carreira sólida, longeva e de sucesso. Não foram poucas as vezes em que pude conversar com artistas alertando-os sobre as transformações do mercado fonográfico … horas e horas de muita informação, muito conteúdo, dicas, sugestões, para no fim eu perceber que apenas perdi meu precioso e raro tempo!

O artista deve antes de mais nada, buscar uma carreira sólida e isso só se consegue com muito planejamento, sabedoria e senso crítico. Infelizmente alguns artistas padecem de ansiedade crônica onde todas as decisões e principalmente os resultados devem vir de imediato. Para estes, resultados de longo prazo devem aparecer em 90 dias ou antes disso!!!!! Podemos listar com muita facilidade artistas do meio gospel nacional que possuem enorme talento, que tinham enorme possibilidade de seguirem numa carreira sólida, mas que fruto desta ansiedade se deixaram levar por promessas descabidas e que os resultados foram catastróficos. Se analisarmos o histórico destes artistas iremos constatar que praticamente todos estes erraram em um determinado momento de suas vidas ao se decidirem pelo caminho do oportunismo e não pela oportunidade.
Oportunismo é antes de mais nada a chance mais fantástica de se alcançar grandes objetivos com o menor esforço. Aparentemente é tudo perfeito, mas se aprofundarmos um pouco mais a análise dos fatos iremos notar que o risco da empreitada é bem considerável. Quantos artistas optaram por assinar contrato com uma determinada gravadora porque esta prometeu presença em programas de TV? Ou então por conta de um adiantamento de royalties? Ou ainda, pela promessa de uma grande campanha de marketing? Como em todo negócio, o mercado fonográfico trabalha sobre números, projeções, realidade … duvide de promessas mirabolantes e estórias ufanistas, cheias de alegorias, sonhos … tudo muito maravilhoso! Muitas das vezes se acorda deste sonho em meio a um terrível pesadelo!

Assim como não há almoço grátis, também não há milagre em investimentos. Quem investe almeja retorno e trabalha para isso. Me assusta ainda hoje, em pleno 2015 ouvir de artistas evangélicos discursos no melhor estilo “Poliana de ser” como se vivêssemos no mundo ideal. Não há espaço para isso! Na verdade, nunca houve e hoje em dia, uma gravadora precisa antes de mais nada, fazer contas e caminhar de forma segura em suas apostas. Não há lugar para amadores neste meio! E é justamente aí que reside a diferença entre aqueles que querem ter uma carreira sólida, adequada às novas demandas e realidades do mercado, adaptada aos novos consumidores, ciente das novas ferramentas e ações estratégicas e aqueles que querem insistir em mentalidades arcaicas e defasadas.

Oportunidade é sobretudo ter capacidade de analisar diferentes aspectos para se alcançar uma posição coerente para o futuro. Quem tem poder crítico para analisar oportunidades certamente terá resultados muito mais consistentes em todos os aspectos da vida pessoal e profissional. Quem tem senso de oportunidade não se impressiona com o destino final, mas procura conhecer melhor a rota para se alcançar a este destino. Não importa se esta estrada é de difícil acesso, mas procura saber, de verdade, o que irá encontrar no fim da viagem. E falando em termos artísticos, a grande graça de tudo é justamente prolongar ao máximo sua capacidade inventiva e criativa. É tão interessante ouvir de grandes artistas sobre o prazer que estes têm em estar no palco depois de anos e anos de carreira. Este prazer só tem aquele que soube conduzir saudavelmente sua trajetória.

Se é você é um jovem artista ou mesmo um decano das artes, cada dia se torna mais primordial a forma como se lida com as oportunidades. Não opte em seguir caminhos fáceis. Não dê ouvidos a promessas vazias. Antes de mais nada, analise se a fonte das promessas tem em seu portifólio grandes realizações. O que te leva a pensar que mesmo errando em todas as outras oportunidades, com outros artistas, justamente contigo será diferente? Não se iluda … até porque o maior prejudicado neste caso, será justamente você mesmo! Não transfira a responsabilidade do seu sucesso para terceiros! Isso é bem comum no meio gospel e acabamos lidando com uma geração de artistas-que-reclamam-de-tudo-e-que-nunca-têm-culpa-de-nada!

Não curto muito a estratégia de alguns artistas de ficarem trocando de gravadora a cada novo contrato. Sinceramente não vi um único artista se dar bem ao se utilizar desta tática ao longo destes anos todos de estrada. Geralmente estes vão perdendo força, vão se enfraquecendo no mercado, vêem suas obras sendo tratadas como produtos de segunda linha por parte das empresas e pelo próprio mercado, enfim, literalmente prejudicam-se absurdamente num autêntico harakiri artístico. Em 99% dos casos, estes artistas foram tomados pelo senso de oportunismo, buscando promessas e fatos que iriam transformar suas vidas. Ilusão. Pura ilusão! A boa oportunidade é aquela que traz responsabilidade, que apresenta resultados sólidos e de longa duração. Qualquer coisa diferente disse será apenas estória e disso já estamos todos fartos! Pelo menos eu …

Mais seriedade e mais resultados! Mais oportunidade e menos oportunismos. Mais profissionais e menos oportunistas. É só o que eu espero!

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista e cada vez mais focado em fazer diferença no mercado, mesmo que para isso eu venha perder algumas oportunidades.

O Observatório Cristão sempre foi um projeto que levei com muita tranquilidade. Jamais impus a mim mesmo qualquer tipo de obrigação, cobrança ou algo do tipo. Na verdade, a única regra que procurei seguir desde sempre, foi com relação à qualidade dos textos publicados. Nestes mais de 7 anos de atuação criamos um bom ‘estoque’ de posts que de alguma forma servem para traduzir o que de fato aconteceu em nosso meio nestes últimos anos.

O fim de 2014 foi frenético pra mim. A impressão foi de que as portas se fecharam e tive que sair correndo para não ter o risco de ser deixado do lado de fora e, nesta necessidade de ‘correr’ acabei deixando de lado a obrigatoriedade de manter atualizado este blog. Portanto, peço desculpas e tento justificar essa enorme ausência de conteúdos inéditos nestas longas semanas. A verdade também é que acabei sendo atingido por uma sensação moribunda pós-eleições que me tirou o ânimo para muitas coisas e entre elas, o hábito de escrever e mesmo de exercitar minha verve humorística e sarcástica, tão presentes por aqui.

Não começo o novo ano renovado, esperançoso ou mesmo descansado. Os acontecimentos extremistas recentes com terroristas muçulmanos (ou melhor, ignorantes, até porque isso não tem nada a ver com religião!) cortando cabeças ou matando civis inocentes não me trazem qualquer espírito de renovação e esperança neste momento, não mesmo! Além disso, dia a dia recebendo notícias sobre a grave situação econômica de nosso país e os sucessivos escândalos políticos também não contribuem em nada para criar um ambiente e expectativas tão festivas para 2015. Ou seja, o ano começa pesado e as nuvens no horizonte não são nada alvissareiras, pelo contrário, são bastante tensas!

E em termos de mercado fonográfico gospel tupiniquim o novo ano deve trazer algumas novidades já que em 2014 não consigo destacar grandes projetos que fizeram grande diferença em nossos arraiais. Talvez a grande ‘novidade’ do ano que passou foi o crescimento do cantor e compositor Anderson Freire tornando-se um dos mais requisitados em eventos e com grande resultado de vendas de seus projetos nas lojas. O capixaba conseguiu colocar-se num novo patamar no mercado gospel onde já se encontram nomes como Aline Barros, Damares, Fernandinho, Thalles e mais uns 2 ou 3 artistas. O ano de 2014 no Brasil foi mesmo focado na Copa do Mundo e nas eleições … nada muito além disso!

Pra não ser injusto, também preciso incluir nos destaques de 2014, Leonardo Gonçalves que reposicionou sua carreira em uma nova categoria. O projeto “principio” alavancou a carreira do talentoso artista e ele chegou ao fim do ano como o DVD mais vendido no segmento em todo o país.  Quem ainda não conferiu este projeto, não deve perder mais tempo e se deliciar com um dos melhores projetos já lançados em nosso mercado em todos os tempos. Padrão internacional!

Para 2015 entre os grandes lançamentos, um dos mais aguardados será, sem dúvida, o novo DVD da cantora Damares que deve chegar às lojas em março deste ano. Uma megaprodução com direção de Hugo Pessoa, o projeto conta com a participação especial de Thalles e uma super estrutura de luz, palco e som. A produção musical ficou a cargo do competente Melk Carvalhedo. Já assisti à edição do projeto e posso assegurar que com este projeto a música pentecostal seguirá um novo rumo e tendência a partir de então. É esperar e conferir!

Não sou muito afeito a apostas, a exercícios de projeção, ou em termos mais pentecostais, em ‘profecias’ ou ‘profetadas’. Mas vou me arriscar e apontar um nome que tem tudo para ser o grande artista de 2015. Na minha modesta opinião, este ano que se inicia veremos a cantora Gabriela Rocha como maior destaque da música gospel no país. Seu talento, belo trabalho recém-lançado, sua performance, seu carisma e principalmente sua incrível capacidade de interpretar farão toda a diferença neste ano em nosso meio. Em seu segundo trabalho, o álbum “Pra Onde Iremos?”, com produção de Daniela e Jorginho Araújo, Gabriela Rocha se apresenta como uma intérprete madura, segura de si, com muita unção, sabendo lidar com todo seu potencial vocal, com excelente repertório e muita vontade de trabalhar! Com enorme força nas redes sociais, Gabriela vem se destacando em diferentes regiões do país e como reflexo, sua agenda está completamente abarrotada de compromissos já no início do ano. Se você ainda não teve contato com este álbum, vale a pena conferir! A boa notícia é que nesta semana, seu primeiro clipe deste trabalho estreou no canal da artista na VEVO. Você confere esse vídeo aqui mesmo no blog!

Como ainda estou meio “enferrujado” vou ficando por aqui. Prometo voltar nos próximos dias como mais posts inéditos.

 

Mauricio Soares, jornalista, publicitário

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Tive o prazer de retornar à capital paraense depois de quase 3 anos sem pisar naquela cidade. Berço do pentecostalismo no Brasil, o Estado mantém um ritmo acelerado de crescimento do segmento evangélico. A região é, sem dúvida, uma das principais áreas de concentração da população evangélica no país, assim como São Paulo, Rondônia, Goiás, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Por 2 dias intensos participei de reuniões, encontros, visitas a lojas e ainda tive tempo para contemplar a bela Baía de Guajará e ali desfrutar um belo prato regional acompanhado de alguns amigos. E durante este curto período fui convidado a participar de um encontro com alguns artistas locais. Confesso que cheguei ao Teatro do Gasômetro, belíssimo espaço cultural encravado no centro de Belém, sem saber ao certo do que se trataria aquele encontro. Já na chegada fui recebido por simpáticos sorrisos, apertos de mãos, abraços num clima agradável e despojado. Observei que haviam instrumentos musicais, sistema de som e um farto café da manhã sendo servido aos presentes.

Aquele encontro matutino em plena terça-feira reunia alguns dos artistas que fazem a música gospel paraense. Tive a grata surpresa de reencontrar o vocalista da banda Conexão Direta, expoente da música gospel local com 25 anos de estrada e que sempre buscou incluir os ritmos locais como o carimbó no repertório de seus discos. Também conheci jovens talentos, outros tantos nem tão jovens e buscando seu espaço no cenário artístico local e nacional. Foi sem dúvida, um encontro inesperado mas absolutamente agradável.

Depois das apresentações iniciais do promotor do evento, o querido Luiz Porto, os artistas foram se revezando um a um na defesa de suas canções. Aquilo virou uma espécie de sarau onde informalmente cada artista apresentava sua canção e todos participavam de alguma forma. A motivação maior deste encontro foi a ideia de se lançar um disco, uma coletânea, que reúna os artistas locais e artistas reconhecidos nacionalmente. Seria uma espécie de intercâmbio entre os artistas paraenses e os artistas do sul e sudeste que já possuem carreiras de sucesso no segmento.

Ouvindo com atenção cada um dos artistas ali presentes observei alguns aspectos bem interessantes. O primeiro é que a música gospel é uma manifestação artística riquíssima em estilos. Naquela manhã ouvi pentecostal pop, MPB, adoração congregacional, um quarteto a capella, um autêntico pop e até um som mais regional com muito suingue e tempero. Entre todos os que se apresentaram encontrei artistas muito bem resolvidos, praticamente prontos para saltos mais altos. E isso realmente me impressiona! A música no meio gospel é recheada de talentos.

Outro aspecto que me chamou a atenção foi a dificuldade que estes artistas têm em se destacar na própria região apesar, repito, do grande talento que possuem! A ideia de que ninguém é profeta em sua casa é perfeita neste ponto em questão. Ouvi relatos de que rádios locais não dão a devida atenção aos artistas locais. Que os grandes eventos priorizam artistas do sul. Que as igrejas não apoiam artistas da região e que mesmo os ministérios de louvor preferem cantar músicas importadas de outras regiões do país. Que o sudeste é um pólo de influência artística para todo o restante do país é um fato! O Rio de Janeiro, em especial, como capital federal por muito tempo e depois com o alcance da Rádio Nacional e posteriormente da Rede Globo, mantém a hegemonia cultural e de influência para todo o restante do país. É engraçado ver jovens em Macapá usando gírias e repetindo a moda dos descolados do Leblon ou Ipanema. Para reforçar ainda mais esta observação, vale ressaltar que todas as principais gravadoras do meio secular e gospel encontram-se na capital fluminense.

Após as apresentações fui convidado a dar uma rápida palavra (mal sabia o anfitrião que nestes casos não consigo ser tão prolixo e desatei a falar numa mini-palestra) a todos os presentes. Como não poderia deixar de ser externei minha profunda surpresa e satisfação em deparar-me com tantos talentos. E comecei a dar algumas dicas importantes sobre mercado digital, a mudança do ambiente artístico, a importância em se investir cada vez mais em vídeos, a questão das redes sociais e também sobre a estratégia dos círculos concêntricos de atuação, algo que já mencionei outras vezes aqui mesmo no blog. Fiz uma rápida explanação do que poderia ser o projeto da coletânea e de pronto sugeri que todos aqueles presentes passassem a trabalhar num sistema de cooperativa buscando em conjunto aumentar a visibilidade da música cristã produzida no Estado do Pará. Creio que dali já saíram outras ideias como a de se gravar clipes ou mesmo um DVD para popularizar a produção local.

Não de forma empolgada, mas com bastante seriedade comprometi-me a ajuda-los como uma espécie de mentor na busca de soluções e ações visando esse upgrade na produção local. Percebi que ao fim da reunião havia um novo ânimo naquela turma. Depois durante o dia fui conferindo postagens nas redes sociais dos participantes e tive a certeza de que aquele simples encontro havia causado um alento para todos os que estiveram presentes. Confesso que me senti muito feliz em poder de alguma forma trazer essa nova visão sobre alguns aspectos, mas principalmente em animá-los a seguir em frente!

Em um texto publicado no blog já há alguns anos atrás comentei sobre a necessidade de termos mais pessoas dividindo suas experiências para a turma mais jovem. Neste texto destaquei que no início de minha caminhada no segmento gospel tive pouquíssimos mentores e que boa parte do que aprendi e desenvolvi foi a base de observação, tentativas, erros e acertos. Vejo que boa parte dos artistas de nosso segmento, mesmo aqueles que de alguma forma alcançaram alguma relevância no meio, são carentes de profissionais que os orientem sobre os procedimentos mais corretos a se seguir. Ainda em Belém, já no fim de um dia exaustivo, tive a oportunidade de conhecer um jovem pastor e por mais de uma hora batemos um papo muito animado. Entre tantos assuntos, ele me perguntou sobre um ou outro artista, como haviam alcançado o sucesso, como seriam as carreiras de alguns nos próximos anos, entre outras questões. A conclusão é de que boa parte dos artistas têm falhado porque falta-lhes alguém para orientá-los, identificar possíveis erros de rota, apontar soluções e gerenciar efetivamente suas carreiras.

Há pouco mais de 6 anos lancei de forma descompromissada o blog Observatório Cristão. Minha intenção era analisar fatos e notícias do meio editorial, fonográfico e mesmo de comportamento no segmento evangélico do ponto de vista de um profissional de marketing. Aos poucos seguimos para uma linha editorial predominantemente focada na área artística e suas vertentes. Muito do que escrevo por aqui é fruto de experiências do meu dia a dia. Inclusive alguns amigos até brincam querendo descobrir qual artista ou fato específico refiro-me em alguns dos meus textos. Como não consigo estar mais próximo dos artistas ou postulantes a um espaço no cenário artístico, utilizo-me do blog para de alguma forma ajudar e orientar toda esta turma. Costumo sempre brincar que temos 66 leitores assíduos, mas por minhas andanças pelo Brasil sei que temos muito mais do que isso. Encaro o blog como uma pequena contribuição de minha parte aos leitores e também como uma obrigação de minha parte em dividir o conhecimento com o máximo de pessoas. Isso é o mínimo que posso fazer como forma de agradecer a oportunidade que Deus me deu em seguir esta profissão por tanto tempo.

Finalizo este texto já preparando-me para aterrissar na Cidade Maravilhosa. Gostaria de incentivar aos artistas fora do eixo Rio-São Paulo a de alguma forma seguirem o exemplo da turma do Pará. Que tal juntarem forças para divulgar melhor os trabalhos de artistas regionais? Também gostaria de incentivar aos pastores e profissionais de rádio a darem mais atenção às “pratas da casa”. Todo mundo precisa de um apoio no início da jornada e com os jovens artistas isso não é diferente! E a todos, continuo incentivando a leitura do Observatório Cristão e inclusive gostaria de convidá-los a ler textos publicados há 2, 3 anos atrás. Temos muitos textos interessantes publicados e que para não tornarmo-nos repetitivos não voltamos ao assunto apesar de sua relevância. Então, que tal navegar com bastante calma nos textos mais antigos?

Boa leitura!

Mauricio Soares, jornalista, publicitário, consultor de marketing, palestrante. Quero aproveitar e agradecer ao imenso carinho que recebi dos paraenses nestes dias. Foi muito bom enfrentar esse enorme calor amazônico com a receptividade da turma local!

Conversando dias atrás com o produtor Dudu Borges, considerado hoje o melhor profissional em sua área no segmento sertanejo, falamos sobre a realidade do mercado gospel. Para quem não sabe, Dudu Borges fez parte da banda Resgate, inclusive produzindo o clássico disco “Ainda Não é o Último”, o primeiro projeto lançado pela Sony Music no projeto gospel. Na área sertaneja, Dudu é responsável pelos últimos grandes hits aferidos pela Crowley nos últimos anos como “Chora Me Liga” da dupla João Bosco e Vinícius, “Ai Se Eu Te Pego” com Michel Telló, sucessos de Luan Santana, do recente fenômeno Lucas Lucco e de outra dezena de artistas do gênero. Ou seja, Borges é sem dúvida, o “cara” do sertanejo e merece todo o sucesso!

Mas voltando ao nosso bate papo pelos corredores da gravadora, Dudu questionava o porquê da música gospel ainda não ter se consolidado no cenário nacional, especialmente em relação às grandes festividades de prefeituras e feiras agropecuárias. Tentei justificar com alguns aspectos e no fim chegamos à conclusão de que ainda temos barreiras a vencer pela frente e outros ajustes para fazer no âmbito interno.

É com base neste papo descompromissado que seguirei de agora em diante neste post. Na verdade irei juntar algumas questões mencionadas neste encontro com outras observações que venho tendo nos últimos meses. Então, nas próximas linhas faremos uma pequena dissertação sobre os desafios que a música gospel tem pela frente no país. Espero que eu consiga ter a devida atenção dos meus 66 leitores fiéis (ou não!?!?!?!) daqui em diante.

É inegável que o boom da música gospel na TV brasileira aconteceu entre os anos de 2011 e 2012 e que no ano seguinte observamos uma forte retração ao segmento. Se formos analisar e relembrar, inúmeros artistas gospel povoaram os programas da TV brasileira numa frequência jamais alcançada até então nestes anos recentes. Chegamos a ter determinados dias com artistas gospel participando em programas de TV em diferentes emissoras nos mesmos horários. A concorrência entre as produções dos programas acirrou-se de uma tal forma que estas se antecipavam no agendamento das atrações gospel. A disputa era enorme e constantemente víamos os artistas de música gospel na telinha participando de programas em emissoras que até então restringiam ao máximo estas participações. Só que a alegria durou pouco! Especialmente em 2013 foram raras as participações dos artistas de música gospel nos programas de TV e esta tendência deve se seguir em 2014 onde a pauta notoriamente será direcionada para esportes em função da Copa do Mundo no Brasil.

Quando um artista do calibre do sertanejo Leonardo, Jota Quest ou Roberto Carlos, por exemplo, lançam seus respectivos projetos, toda a mídia é contatada e responde de forma muito receptiva e amigável. Em pouco tempo os programas de TV agendam as suas participações, muitas das vezes até mesmo com uma certa disputa entre os veículos. A mídia impressa e eletrônica destacam em suas pautas os respectivos lançamentos, ou seja, em pouco tempo, o projeto passa a ser conhecido nacionalmente. As emissoras derádio tocam os singles com destaque na programação, entrevistas são agendadas, promoções são criadas e muita badalação sobre o artista e seu novo projeto agitam o ambiente.

Definitivamente não é isto o que acontece com a música gospel. Não temos veículos de comunicação de massa em nível nacional. Não há redes de televisão com conteúdo cristão em nosso país e nas poucas emissoras de TV do segmento, o espaço para a música ainda é bem acanhado perdendo de goleada para os programas evangelísticos e de variedades. Também não temos uma rede de emissoras de rádio evangélica que favoreça os grandes artistas ou lançamentos. A maior rede de rádios do país coincidente faz parte do segmento evangélico, a Rede Aleluia, mas ela está longe de ser uma referência em termos de programação musical. A playlist musical desta emissora baseia-se em hits dos longínquos anos 90 ou ainda mais distantes.

Outra característica de nossas mídias é a relação visceral com denominações religiosas, cada qual com interesses e características muito específicas. Isto também dificulta absurdamente a divulgação de um projeto no meio gospel, pois estas emissoras e veículos nem sempre têm como prioridade trabalhar de forma profissional, focando na satisfação de seus clientes. Com isso, alguns artistas e gravadoras são prejudicados em determinadas regiões do país pela falta de espaço nas mídias locais.

Desta forma, um projeto no meio gospel no Brasil passa por uma série de obstáculos para sua divulgação. Não temos muitas mídias demassa. Muitos veículos são restritos e refratários à novidades e mesmo a determinados estilos musicais ou artísticos. Assim, é notório que para ‘estourar’ em nível nacional, um artista e sua respectiva gravadora precisam utilizar-se de diversas estratégias e altos investimentos. Entre as principais estratégias de divulgação, sem dúvida, destacamos a necessidade de uma verdadeira maratona de entrevistas nas mídias locais. Por mais cansativo e dispendioso que esta operação seja, é comprovada sua eficácia! Existem algumas cidades importantes em nosso mercado e efetivamente são estas que devem constar do roteiro de divulgação. Praças como Beagá, Recife, Goiânia, São Paulo, Rio de Janeiro, Belém e Fortaleza são indispensáveis para o artista que pretende ter seu trabalho reconhecido pelo grande público.

Outra importante estratégia para uma divulgação maciça de um projeto tem a ver com a web. O brasileiro é reconhecido mundialmente por ser um heavy user em tudo relacionado à tecnologia. E, sem dúvida, a internet é uma importante ferramenta e ambiente para a divulgação de conteúdos artísticos. São muitos sites, blogs, rádios on line fanpages dedicadas à música e notícias gospel. Então, nada mais acertado do que manter contato permanente com estes veículos fornecendo farto material, notícias, vídeos, conteúdos diversos. Neste caso, torna-se fundamental a contratação de serviços e profissionais especializados para tal atividade.

Em resumo, não há facilidade para os artistas do segmento gospel e suas gravadoras. Os entraves são muitos e não apenas os citados por aqui neste texto. Lançar um novo projeto nacionalmente é um exercício de muita paciência, altos investimentos, dedicação e transpiração! Esta constatação apenas reforça duas outras características peculiares deste nicho. A primeira é que como o produto ‘demora’ a ser divulgado nos quatro cantos do país por todos os motivos já citados, o tempo de vida útil do projeto é bem maior do que um projeto secular de um artista do primeiro time. Com isso, a estratégia utilizada por alguns artistas, especialmente a turma do segmento pentecostal, de lançar um novo projeto a cada ano, torna-se claramente uma decisão equivocada, pois é impossível que neste curto espaço de tempo, todo o país conheça o seu último trabalho.

Este texto foi iniciado em um vôo entre Curitiba e o Rio de Janeiro. Depois foi retomado no trecho entre Goiânia e Fortaleza e agora é finalizado a caminho de Vitória, capital capixaba. Durante os últimos dias exercitei plenamente o que acabo de escrever, ou seja, visitar algumas das mais importantes cidades do país divulgando o projeto (lançado em abril de 2013) “O Maior Troféu” com a cantora Damares. Observe-se que estamos falando da artista de maior vendagem do mercado gospel nos últimos anos. Se uma artista como ela dedica seu tempo para este tipo de trabalho então está mais do que na hora da turma arrumar as malas e partir pra estrada!

Vamos em frente!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.  

Nos próximos dias certamente teremos muitos textos em produção, afinal depois de muito tempo farei algo que há muitos anos não consegui realizar como em outras épocas, ou seja, voltar a trabalhar diretamente em campo junto às mídias e lojistas locais. Nos próximos 7 diasestarei numa intensa turnê viajando por Goiânia, Brasília, Fortaleza e Vitória. E por conseguinte, certamente teremos muitos insights e algum tempo disponível, mesmo que dentro de algum avião como agora.

Nos últimos dias tenho repetido uma pequena estória, na verdade, uma alegoria para ilustrar algo que me chama a atenção neste momento. Um médico e um veterinário são profissionais com muitas similaridades. Ambos têm muitas matérias comuns na faculdade. Algumas técnicas utilizadas atualmente na medicina, na verdade, foram iniciadas em animais e desenvolvidas por veterinários. Além disso, diversos medicamentos que inicialmente era direcionados ao tratamento veterinário foram adaptados ao uso humano. Ou seja, são duas profissões distintas, mas ambas seguem um conceito muito semelhante e procuram resultados iguais, o bem estar do paciente, seja ele um ser humano ou um animal.

Os dois profissionais têm seu valor e importância primordial na sociedade. No entanto, mesmo diante de tantas semelhanças e concordando que dependendo da necessidade, um veterinário pode até mesmo ser uma boa solução diante de um problema, por qual dos dois profissionais vocêpreferiria ser atendido? Imagino que a resposta esmagadora, senão absoluta,seja pela opção do médico. Isso é o natural! No entanto, neste momento parece-me que em determinadas situações e circunstâncias, certas pessoas têm optado pelo veterinário.

Um dos ditados que constantemente são repetidos em se tratando de aviões e pilotos é aquele que contrapõe experiência versus modernidade. O ditado afirma que é melhor você ter um piloto velho em um avião novo do que justamente o oposto, ou seja, um piloto jovem com um avião velho. O conceito deste ditado é de que a melhor junção é aquela que une tecnologia de ponta com experiência de anos e anos. E confesso, que com tantas e tantas horas de vôo, fico bem mais tranquilo ao embarcar quando me deparo com um comandante com seus cabelos grisalhos e uma aeronave bem moderna.

No dia a dia esta mesma junção precisa ser sempre observada, seja numa simples oficina mecânica ou numa academia de fitness ou seja lá o que for. Experiência, conhecimento da atividade, currículo, cases de sucesso, resultados, conquistas, prêmios, reconhecimento do mercado e dos profissionais, respeito, entre outros, aliados a outros requisitos como modernidade, visão, adequação às novas dinâmicas e exigências do ambiente de negócios, estrutura financeira, competitividade, valorização dos funcionários e clientes, só para citar alguns, são aspectos que devem ser analisados na escolha por este ou aquele prestador de serviços, parceiro oumesmo um contrato comercial.

Estes dois casos ilustram um pouco do que tenho falado e observado nos últimos tempos. O mercado fonográfico talvez seja uma das áreas de negócios que mais se transformou nas últimas décadas. Sem dúvida, é o mercado que mais vezes foi decretado o seu fim apocalíptico e como o Íbis da mitologia grega, sempre vem se reinventando e saindo em meio às cinzas. Em nove de cada dez textos publicados na imprensa a respeito do mercado fonográficosempre há alguma menção às dificuldades enfrentadas pela indústria nos últimos anos. Seja a pirataria, os impostos, as novas tecnologias, a concorrência de outras formas de entretenimento, tudo isto é citado como um entrave à calmaria no mercado fonográfico. E realmente todos estes aspectos causaram um verdadeiro tsunami na indústria nas últimas duas décadas, mas especialmente nos últimos anos, o próprio mercado vem crescendo, buscando novos caminhos e apontando para novas tendências.

O certo é que neste momento, em se tratando de mercado fonográfico, não dá para se arriscar e ser atendido por ‘veterinários’ ou ‘pilotos de avião adolescentes’ que sequer concluíram o segundo grau. Também não podemos optar por profissionais experientes, mas desatualizados que preferem seguir no lema de que em time que se está ganhando não se mexe. Até porque as regras do jogo já mudaram, os campos mudaram, o ambiente mudou … por mais que alguns profissionais ainda insistam em negar as mudanças do mercado, elas efetivamente já aconteceram e irão prosseguir pelos próximos anos.

Especialmente em se tratando de mercado fonográfico, os artistas precisam analisar mais friamente antes da tomada de decisões. Até porque uma decisão em médio e curto prazos podem determinar o sucesso ou fracasso retumbantes! No nosso meio temos muita gente contando estória … e quando estes ‘Monteiros Lobatos’ se encontram com alguns artistas que gostam de ouvir estórias … aí o resultado é terrível! O correto é analisar uma série de fatores e ponderar com equilíbrio se o artista prefere que sua carreira seja cuidada por um “médico” ou um “veterinário”, mesmo que este veterinário possa significar alguns benefícios que aparentemente são interessantes.

Do ponto de vista do mercado gospel estas questões são ainda mais peculiares e determinantes. Nestes últimos dias reuni-me com duas empresas que estarão iniciando atividades comerciais focadas no segmento religioso no Brasil. Ambas empresas de outros países que através de pesquisa decidiram desenvolver projetos específicos para o mercado religioso em nossa região. Ouvi atentamente sobre cada um dos projetos, impressionei-me com a quantidade de informações das pesquisas, com a visão empresarial do negócio em si e, definitivamente achei interessante todo o case. A única dúvida que eu fiz questão de ressaltar aos interlocutores era sobre quem iria desenvolver o projeto com a visão, a mentalidade, a cultura, os contatos deste nicho tão particular. Silêncio absoluto.

Finalizando, gostaria de concluir dizendo que assim como na escolha de um profissional para cuidar de nossa saúde, devemos ter critérios e atenção redobrada na decisão com quem iremos caminhar em nossa jornada profissional.  Aproveitando, quero mais uma vez incentivar aos jovens leitores deste blog para que procurem analisar oportunidades no mercado religioso brasileiro. Sem dúvida, há uma enorme demanda por jovens criativos, novos profissionais, novos players para este mercado em franco crescimento. Precisamos de empreendedores, profissionais de marketing, administradores, publicitários, jornalistas e muito mais! Semdúvida, este é um mercado que precisa de mais “médicos” e neste caso não temos como importar mão de obra de Cuba.

E para completar, gostaria de apresentar o vídeo do presidente da Sony Music em entrevista para O Globo, falando sobre experiências, mercado fonográfico e a experiência da gravadora no segmento gospel.

http://oglobo.globo.com/economia/emprego/3x4o-futuro-o-mercado-de-assinaturas-diz-presidente-da-sony-brasil-11460760

 

Mauricio Soares, publicitário, sobrevivente, consultor de marketing, highlander. 

 

A tecnologia deveria facilitar a vida do ser humano e realmente em muitos dos casos é exatamente isso o que acontece. Só que em outros aspectos, esta mesma tecnologia acaba nos tornando pessoas ansiosas, ultra atarefadas e muitas das vezes psicóticas. Me incluo na lista de pessoas que não conseguem se desligar do mundo externo e por conseguinte, dos neuróticos crônicos que não podem deixar de ler as mensagens eletrônicas que insistem em marcar presença em nossa caixa postal, mesmo que isso aconteça em plena madrugada.

Durante o tempo em que acordava nas madrugadas para atender ao choro intenso de meu bebê clamando por uma boa mamada noturna, sempre aproveitava o momento de súbito acordar para conferir se alguma grande notícia havia chegado enquanto eu dormia. Sei … é uma psicose, mas estou me tratando …

Hoje em dia recebo em média 180 a 200 emails em minha caixa postal. Destes, cerca de 50% são relativos diretamente às minhas atividades profissionais. Outros 10% são spams, propagandas diversas e correntes de prosperidade e coisas do tipo. Já os outros 40% são mensagens de pessoas pedindo por algum apoio artístico. Os assuntos vão desde compositores querendo apresentar seus trabalhos até jovens artistas pedindo por atenção da gravadora.

Não sei se há pela web algum site oferecendo dicas ou mesmo textos prontos sobre como se deve abordar um A&R de gravadora. Digo isto porque é impressionante como os temas e abordagens se repetem de forma padronizada.

Há os textos compreensivos … “Sei que o senhor é uma pessoa muito ocupada, mas garanto que não irá se arrepender se dedicar apenas alguns minutos para conhecer a artista …”

Outros que também estão sempre presentes são os descobridores de fenômenos … “O senhor precisa conhecer a cantora Gladyslivia Gomes, ela é um sucesso aqui em Araguaína! Sua música está entre as mais pedidas da rádio online Louvor FM.Contrate-a antes que outra gravadora o faça, fica a dica!”

Mas, sem dúvida, uma das abordagens que mais me chamam a atenção são justamente aquelas que apelam para as questões espirituais. E aí, posso elencar algumas estratégias bem claras e vou me deter em poucas opções para que este texto não fique muito extenso.

“Eu quero muito louvar a Deus! Quero muito falar do seu amor para todas as pessoas. Eu sou uma adoradora e preciso demais que o senhor me apoie neste propósito! Preciso gravar logo um CD!”

Em sua Palavra, Deus nos ensina que ele busca por adoradores, que o adorem em espírito e em verdade! Em outro texto o salmista exalta para que todo ser que respire louve ao Senhor! Em nenhum momento a Bíblia nos ensina ou indica que para tornarmo-nos adoradores devemos entrar em estúdio e gravar um disco!?!?!?!? Não há qualquer relação entre o processo de louvar e adorar a Deus com a necessidade de se ingressar num projeto artístico! E ainda bem por isso! Graças a Deus porque nos permite achegarmos a Ele semmaiores dificuldades, basta apenas um coração puro, contrito, disposto a manter uma relação íntima com o Criador.

É importante que os meus 66 leitores do blog tenham ciência de que adorar a Deus é maravilhoso e um processo individualizado, sem filtros, uma experiência realmente sobrenatural e marcante! Já uma carreiraartística é algo absurdamente trabalhoso, árduo, difícil, um processo de entrega constante, com enormes riscos de insucesso, ou seja, é algo muito, mas muito complicado!

Você já parou para pensar como deve ser entediante cantar as mesmas músicas por longos 18 meses, às vezes muito mais do que isso? Outro dia encontrei um cantor que repetia a mesma canção por (pasmem!) 20 anos! Haja inspiração! Ou então, de como deve ser difícil abrir mão de fins de semana com a família?

Isso para não falar das viagens! Alguns me encontram por aí e dizem na maior cara de pau: “Você nasceu virado para a Lua! Como deve ser bom viver viajando, nos aeroportos,conhecendo pessoas, lugares … ô vidão!” Neste momento escrevo este texto às 21h15 de uma sexta-feira a bordo de um avião com destino à capital federal. Neste próximo sábado estarei conferindo a gravação de um DVD de um artista que sequer faz parte do cast de minha gravadora. Deixei em casa meus 3 filhos eesposa, retornando ao convívio com eles somente na parte da tarde do domingo. Alguém acha que prefiro estar fora de casa, sem meus familiares, tendo que trabalhar em pleno fim de semana? Pois é exatamente isso o que acontece quando você se torna um artista profissional.

Ainda com relação às viagens, é importante salientar que nem sempre se viaja de avião e se hospeda em grandes hotéis. Mesmo artistas do primeiro time como Damares, Shirley Carvalhaes, Mariana Valadão e tantos outros, vez ou outra são ‘surpreendidos’ com hotéis 5 estrelas cadentes, em cima de postos de gasolina, com banheiro coletivo e outras maravilhas pentecostais. Isso sem falar com os banquetes de cachorro quente e coxinhas de frango frias que mais parecem bolas de pingue pongue. Ah! já ia me esquecendo … tem também as ‘pegadinhas’ quando o contratante te diz que depois do aeroporto, ainda vai ser preciso fazer um pequeno trajeto por estrada (de terra) … só uns quilômetros (mais 3 horas de sacolejos!).

Ou seja, não confunda sua vontade de adorar, de louvar, cantar, de ter uma vida dedicada às questões espirituais com a necessidade de lançar-se numa carreira artística! Deus não está à procura de cantores, discos de ouro ou hits empolgantes! Ele quer adoradores e isso inclui cada um de nós, sem exceção, e nesta lista até incluímos os cantores e cantoras, sem distinção!

Outra abordagem tem a ver com uma palavra que ganhou notoriedade surreal nos últimos anos – promessa. É impressionante como as pessoas atualmente se agarram em promessas como se Deus estivesse ali assinando uma nota promissória! Não quero entrar numa discussão teológica, mas efetivamente tenho muitas ressalvas com o uso que as pessoas têm feito deste assunto. Boa parte das mensagens que recebo diariamente têm a citação de que “Deus me deu esta promessa! De que eu gravaria um CD, de que eu teria um ministério”. Como profissional o que eu posso analisar é se o referido indivíduo tem adequação com uma carreira artística, se tem talento, se tem um diferencial, enfim, minhas análises são estritamente baseadas em critérios técnicos, nada além disso! Agora, se Deus realmente te escolheu para levar a Palavra aos quatro cantos do planeta … então, com talento ou não, Ele simplesmente irá fazer isso! É uma questão simples de soberania. Ele tudo pode! E não é um A&Rzinho que irá barrar esta decisão. Não mesmo!

Sempre uso como exemplo o que aconteceu com o Irmão Lázaro. Se há tempos atrás o disco dele caísse em minhas mãos para ser avaliado, as chances de eu contratá-lo são as mais remotas possíveis! Tecnicamente, o disco que o catapultou ao estrelato no meio gospel anos atrás era de uma simplicidade absurda! Mas aí, entra um fator que nem eu nem qualquer profissional do mercado tem qualquer ingerência, a soberana vontade de Deus. Ele quis … simples assim! Resultado: mais de 1,5 milhão de discos vendidos de forma independente. O resto é história!

Então, já concluindo este texto, se você pretende seguir uma carreira artística saiba que a estrada é longa e muito difícil! Muito melhor e mais prazerosa é a opção de simplesmente sermos adoradores do Deus Vivo. Ele não nos pede nada, nem disco, nem estratégia, nem técnica, nem mesmo talento ou afinação, somente sinceridade em nossos lábios!

Vamos adorar, sempre!

Mauricio Soares, jornalista, consultor de marketing, adorador sem nunca ter gravado um CD, pai, blogueiro e um recém apaixonado pelas belezas naturais de Santa Catarina. Simplesmente top!

Chego ao fim de 2013 com todas as minhas baterias pedindo socorro! Precisam ser recarregadas imediatamente com risco total de pararem de uma hora para outra! Sem dúvida, este foi um ano de grandes desafios, muito trabalho, grandes mudanças e muito, mas muito stress e tensão. Mas como Deus sempre tem um carinho especial (completamente imerecido, que fique bem claro!), chego ao fim deste ano com a sensação clara de que os resultados foram muito além do que esperava e almejava.

As grandes transformações que eram esperadas e mesmo planejadas no mercado fonográfico definitivamente aconteceram a partir de 2013. É impressionante como podemos confirmar tendências que foram percebidas há 2, 3 anos atrás que neste ano se tornaram realidade. Uma das mais visíveis, sem dúvida, é o crescimento do mercado digital e o afunilamento do mercado em se tratando do número de players. Chegamos ao fim de 2013 comemorando mais 2 contratos de parceria onde passamos a assumir todo o processo de distribuição de labels. Agora, já são em 5 o número de gravadoras que passam a ser administradas pela Sony Music, sendo a mais recente, a gravadora Dos3 Music.
Nesta época do ano sempre nos deparamos com as listas dos mais mais do ano … é um tal de lista do mais chique, do mais mala, do maior mico do ano, das grandes catástrofes, as grandes tragédias, os grandes sucessos e por aí vai. Então, para não ficar nesta mesma tendência, este post (certamente um dos últimos de 2013) irá elencar não os grandes fatos de 2013, mas destacar alguns dos prováveis nomes que poderão se destacar no mercado gospel nos próximos anos. Este é um exercício de análise e projeção. Preste atenção! Não se trata de nenhuma ‘profecia’, ‘uma palavra liberada’, ‘mãe Dinah gospel’ ou qualquer outra coisa que se assemelhe. Apenas vou de forma muito light, destacar alguns jovens artistas que eu creio e torço para que se destaquem num futuro não muito distante.

O ano de 2013, sem dúvida, foi o ano do boom de um jovem artista gospel de Goiânia. Ele não canta, não dança, mas justamente põe todo mundo pra se mexer ao som de seus loops, bate estacas e elevados decibéis. Estou falando de DJ PV, que em minha modesta opinião, é o que de mais criativo e novo surgiu no meio gospel nos últimos 3 anos. O rapaz chegou com toda sua estrutura, foco e atitude e tomou conta do pedaço, sendo hoje a maior referência de música eletrônica no segmento gospel em todo o país. Não tenho a menor dúvida de que 2013 foi o ano de posicionamento deste artista no meio. Mas efetivamente aposto todas as minhas fichas de que em 2014 será o ano da consolidação e popularização deste artista em todo o cenário nacional.

E de Goiânia vem mais duas boas apostas para 2014. Em 2013, o Ministério Pedras Vivas decidiu-se por ampliar sua área de atuação para além de Goiás e de forma muito organizada e atuante, suas canções tiveram excelente repercussão em praças competitivas como São Paulo e Minas Gerais. O CD Oceano de Amor vem conquistando excelente repercussão nas mídias, igrejas e junto ao público. Num universo onde por anos reinaram as músicas do Ministério Diante do trono e Renascer Praise, é importante perceber o surgimento de mais uma opção no meio da música congregacional. Outro artista jovem de Goiânia que estou curtindo e acreditando ser uma boa promessa no futuro é Léo Brandão que recentemente lançou o álbum “Infinito Amor”. O rapaz mescla um honesto som pop com bases eletrônicas, algo bem moderno e agradável. A proposta é bem teen com influências bem contemporâneas. Vale a pena conferir um clipe que lançou meses atrás da canção “Teu Amor Não Tem Fim”.

Saindo do Centro-Oeste, sigo em direção à São Paulo e me deparo com uma jovem cantora que conheci recentemente e que me impressionou muito pela qualidade de seu disco. Estou falando de Sarah Renata com seu projeto “Princípio” (IVC). Não consegui obter muitas informações sobre sua carreira, perfil ou mesmo clipes. Acho que isso ainda pode ser melhorado bastante daqui em diante, mas o que pude ter acesso ao seu projeto (e talento) já me chamou muito a atenção. Este disco foi produzido por Lito (não sei é o Atalaia) e contou com participações de Felipe Valente, Baruk, Rachel Novaes e Nayane Soares. Ainda em São Paulo, outra artista que vem me chamando especial atenção e que eu torço pelo sucesso é a jovemRoberta Spitaletti. Inclusive já a mencionei em algum texto publicado aqui mesmo no Observatório Cristão meses atrás. Esta é uma cantora que me surpreende a cada novo vídeo ou apresentação. Além de cantar e compor de forma diferenciada, ainda toca violão com grande eloqüência. Vale a pena conhecer um pouco mais desta artista.  Seguindo ainda por Sampa, tenho acompanhado à distância o crescimento de Jéssica Augusto. A cantora que se destacou em grupos corais, hoje é considerada como uma das mais promissoras artistas mesclando pop, pentecostal e black music. Potência e carisma à flor da pele! Um dos eventos que mais me doeu não ter marcado presença foi justamente a gravação de um projeto com esta cantora durante a Semana de Arte Cristã promovida pela Salluz.

Assim como o DJ PV, mencionado no início deste texto, outro artista que consolidou-se em 2013 e certamente dará um salto ainda maior em 2014 é a dupla André e Felipe. De forma contundente, essa dupla que veio com força a partir de Joinvile/SC tomou conta do segmento pentecostal sertanejo chegando ao ponto de 22 eventos em único mês. Algo realmente impressionante! Opinião unânime entre locutores, lojistas, músicos e profissionais do segmento, André e Felipe estão alguns degraus acima dos demais em se tratando de música sertaneja no meio gospel. E seguindo esta mesma toada, os irmãos talentosos e simpáticos, bem estilosos, têm tudo para fazer 2014 com enorme sucesso!
Como alertei anteriormente, este post não seria um tratado final. Seria apenas uma análise bem light do que está acontecendo e do que pode acontecer de positivo na carreira de alguns artistas no próximo ano. Certamente poderemos incluir alguns nomes em outros textos mais à frente. É o que temos pelo momento!
Um grande Natal e um 2014 de muita paz, amor, saúde, música de qualidade e como já mencionei em meu Instagram dias atrás, com menos decibéis! Chega de tanta gritaria no meio gospel.


Mauricio Soares, publicitário, jornalista, palestrante e um profundo observador do mercado fonográfico. Aproveito este espaço para agradecer ao departamento jurídico da Portuguesa por ter feito tanta trapalhada a ponto de permitir que o meu Fluminense permanecesse na primeira divisão.

Não! Definitivamente este não será um texto comentando a respeito do quadro do Fantástico onde os gordinhos se esfalfam e transpiram para perder alguns (muitos) quilos. Até porque eu mesmo também não estou tão leve como deveria, então é melhor não seguir com este assunto que não me favorece em nada. Particularmente gosto deste quadro e torço pela conquista (e perda dos quilos) de cada competidor, mas não será sobre isso que iremos falar neste post. A ideia é comentar em curtos tópicos alguns detalhes que devem ser observados em termos de tamanho e tempo. Vamos seguir adiante, sem perder tempo e seguindo justamente com o conceito que queremos aplicar: a medida certa!

 

Terror de 10 entre 10 designers! Dor de cabeça para os profissionais de A&R. Desafio para os artistas. Estes são apenas algunsadjetivos que podemos elencar quando se trata do texto de agradecimentos noencarte de um CD. Ao longo de centenas de projetos lançados, tive inúmeros problemas com artistas na hora de fechamento do projeto gráfico justamente por causa dos ‘testamentos’ escritos para os agradecimentos. Tem artista que confunde, um simples texto de agradecimento com a realização de uma biografia, um diário de gravação ou algo do tipo. O dito cujo resolve elencar todas aspessoas que ‘participaram’ do projeto do CD, começando pelos pais, irmãos, cunhados, primas, primos, tios, avós, compositores, produtor, in memorian, pastores, comunidade, igreja, músicos, padeiro, leiteiro, barbeiro, bombeiro, dentista, esposa, filhos, concunhados, tio-avô e por aí vai. Geralmente são citados momentos de ‘lágrimas’ onde foi difícil, mas com o apoio da irmã (que chorou junto), as vitórias chegaram! Não entendo essa história de tantas lutas e lágrimas?!?!? Sempre tem tanto sofrimento pra se gravar um CD? Não dá para se gravar um projeto sem stress, suor, lágrimas?

 

Em boa parte dos agradecimentos encontramos as citações aos amigos mais chegados, gente também conhecida como a inseparável Fê, o Lui, o Mô, a Keka, a Paty, o TchuTchu e mais um monte de nomes monossilábicos, onomatopeicos e apelidos estranhos! Soma-se a tudo isso, ummonte de mensagens cifradas que somente 2 ou 3 pessoas entenderão. Não é mais fácil pegar o telefone e falar pessoalmente estes agradecimentos? Ou então,mandar um e-mail, torpedo, post no Facebook, SMS, DM, carro de som ou qualquer outro meio de comunicação?

 

Depois da primeira parte mais séria e espiritual – Sim! todos os agradecimentos devem começar pelas questões mais espirituais. Partimos para a  parte mais descontraída. Aí surgem as piadinhas, as brincadeirinhas e o risos (estes devidamente caracterizados pelos KKKK ou ‘risos’). Há também o espaço para os jabás, ou melhor, os patrocinadores, apoiadores e tudo mais. É a hora em que ficamos sabendo que o penteado foi feito no salão da Jacyra Coiffeur, que os vestidos esvoaçantes foram da Butique da Jô, que o sorriso é obra da clínica OdontoRocha – aquela que cuida do seu sorriso!  … e por aí vai. É uma lista infindável de empresas que são citadas a fim de retribuir todo o apoio dado até então. E que venham mais!

 

Há determinados ‘agradecimentos’ que precisam ser devidamente editados, pois nem mesmo em duas páginas de encarte conseguem se encaixar. Tive um caso clássico em que o agradecimento era tão grande que odesigner foi obrigado a diminuir tanto o corpo da letra que a leitura praticamente só era viável com a ajuda de uma potente lupa. Em outros casos, convidamos o Edward Mãos de Tesoura para recortar com toda a sua perícia o texto adequando-o ao espaço. Definitivamente o artista precisa ter bom senso na hora de escrever os seus agradecimentos! Opte por usar uma estratégia mais ampla do tipo: Agradeço a Deus, minha família, amigos, músicos e a todos que oram e torcem pelo meu ministério. Precisa de mais alguma coisa? Acho que não. E pra terminar este item, não há lei ou regra que determine ser obrigatória a inserção de agradecimentos no encarte do disco. Isso é importante que fiqueregistrado.

 

Outro aspecto que precisa entrar na Medida Certa é a quantidade de músicas que compõem o repertório de um disco. Confesso que ultimamente isto tem melhorado muito. Até mesmo pelo recente sucesso de lançamentos em EP e pelo crescimento do mercado digital. Há não muito tempoatrás criou-se uma convenção no mercado de que os discos deveriam ter 14 faixas, pois menos do que isso, seria como oferecer ao público algo de menor valor agregado. Já ouvi gente fazendo cálculo do número de faixas pelo preço do CD … algo como 16,90, o preço do produto, dividido pelo número de faixas (14) que dão R$ 1,21 por cada música. Só falta colocar o CD numa balança e avaliar o peso do produto para ver se está pagando um preço justo. Absurdo! Mas aí mepergunto: se em 10 músicas o artista não me convence de que o produto dele tem qualidade, será que com 14 ele conseguirá tal proeza? Já tive o prazer de ouvir discos com 8 canções apenas e um repertório simplesmente coeso e fantástico. Assim como também já ouvi discos de 18 músicas que ao fim me causaram um tremendo arrependimento por ter dedicado parte do meu dia na expectativa deouvir algo interessante e no fim, só me restar a frustração!  No meu modesto conceito, um disco não deve ultrapassar 50 minutos de duração, lembrando ainda que o tempo máximo de uma mídia CD é de 73 minutos (e ainda tem gente que consegue extrapolar esse tempo, incrível!). Hoje em dia ter a atenção do consumidor por mais de 30 minutos é uma epopeia e tanto! Segurá-lo por mais de 1 hora então é algo surreal.

 

Ainda a respeito de música, não posso deixar de destacar que o tempo ideal de duração de uma música varia de 3’30 a 4 minutos. Principalmente se esta canção é aquela que será apresentada para as rádios. Há alguns atrás surgiu o movimento da adoração extravagante, também conhecida como ‘mantra gospel’ com suas músicas de 12, 16, 20 minutos … isso hoje em dia é absolutamente fora de questão! Assim como no conceito da quantidade de músicas no repertório de um disco, uma música que não consegue conquistar o ouvinte em 2 a 3 minutos de execução, dificilmente irá reverter esta situação acrescentando mais 1 ou 2 minutos de tempo. Exceto em músicas que contam uma história e que na verdade são apenas experimentos e propostas diferenciadas, não há motivo para uma música ultrapassar 4 minutos de duração.  Uma canção muito extensa, geralmente nas rádios ela é editada pelo estagiário de produção, ou seja, há um grande risco de sua música ficar como aquela canção do Djavan: “… fica faltando um pedaço …”

 

E o que dizer dos encartes gráficos dos CDs?  Alguém pode me explicar para que serve uma cinta de papel cartonado em volta da embalagem do CD? Alguém em sã consciência mantém essa bendita cinta após abrir a embalagem do CD? Na minha modesta opinião, isso é apenas custo extra e desnecessário, nada além disso. E encartes com 87 dobraduras, aplicação de verniz UV, hotstamping, corte especial, alto-relevo e outras invenções tresloucadas? E alguém me explica porque se usar 5 cores + 1 cor especial no rótulo do CD se justamente ele fica escondido dentro do CD Player a maior parte do tempo? O artista precisa se preocupar essencialmente com a arte da capa e contra capa do CD. Estes são os 2 principais diferenciais e destaques do produto no processo de venda e divulgação. Já a parte interna, o consumidor só terá acesso a partir da compra do produto em si. Ou seja, um encarte com 87 dobraduras não fará diferença alguma na decisão de compra do consumidor. Tenhamos uma consciência ecológica! Vamos poupar papel pessoal!

 

Ainda com relação ao encarte, como incluir em 10 ou 12 páginas as 1.326 fotos que o artista tirou nas 56 locações com 34 figurinosdiferentes?  É simplesmente impossível! Em alguns casos a impressão que tenho ao me deparar com um encarte de CD é que estou diante de um catálogo de coleção Outono-Inverno de confecção. Não sei se a cantora, no fundo no fundo, sonhava mesmo era ser uma Gisele Bündchen e acabou tendo que se contentar em ser apenas uma artista. Se você quer um book de fotos, que tal contratar um fotógrafo e posar para ele por dois dias inteiros? Depois você mostra aos amigos, parentes e até mesmo o pessoal quecurte o seu trabalho. Quem sabe não pinta um convite para alguns trabalhinhos publicitários?

 

No momento é isso! Consegui finalizar 2 textos neste meu retorno ao Rio. Excelente performance para quem estava meio enferrujadoultimamente no exercício de escrita. Felizmente retorno à minha cidade e tudo indica que terei mais 2 ou 3 viagens somente até minhas merecidas férias. Isso é revigorante!

 

Um grande abraço a todos!

Mauricio Soares, jornalista, publicitário e só. Despedida na medida certa!