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Fim de tarde, dia intenso de muitas decisões, muita transpiração, alguma inspiração e muitas reuniões … pra finalizar o trabalho um último encontro com a equipe de marketing digital para avaliar ações e estratégias de alguns lançamentos a caminho para as próximas semanas. Apresentação das músicas, os perfis de cada artista, impressões sobre pontos fortes dos projetos, redes sociais, oportunidades, análises e aí no meio do brainstorming, eis que surge um comentário aparentemente fora do contexto da reunião. Um funcionário que lida diretamente com a análise de redes sociais aponta com certa surpresa o nível de críticas do público gospel em determinadas situações.

Adaptando um pouco sobre os comentários dele, seria mais ou menos assim: “O povo gospel é bem crítico né? Eles são bem raivosos! Quando não gostam de uma artista, eles tomam partido, atacam, criticam ferozmente … e como são bastante intensos nas redes sociais, eu acho que esta postura mais agressiva chama ainda mais a atenção. Eu acho que a gente sempre precisa avaliar com cuidado o que iremos postar porque a turma gospel é bem nervosa!” Estes comentários foram acompanhados por outras pessoas à mesa e não faltaram cases de beligerância gospel para serem lembrados naquele momento.

Imaginem minha cara diante daquelas afirmações que, de fato, estavam recheadas de exemplos e repletos de verdade?!?!?!? Tentei contemporizar, dizer que a web é sim, um território onde as pessoas expõem suas opiniões livremente, que não podíamos generalizar o segmento, que esta é uma parcela apenas mais intensa nas redes sociais, mas que não representam a maioria do que chamamos como público evangélico, enfim, as tentativas foram muitas, mas nem eu mesmo tinha tanta convicção de meus argumentos e aí fui obrigado a mudar de assunto, numa autêntica tática diversionista de guerrilha.

Há um termo hoje muito em voga na web que identifica pessoas raivosas, vociferantes, nervosas, beligerantes, agressivas, aqueles que não perdem uma discussão, que acreditam que precisam opinar sobre tudo e sobre todos, que sempre procuram encontrar erros, falhas, apontam o dedo nas feridas e se julgam acima do bem e do mal, acima de todos, a esta categoria nada pueril de pessoas criou-se um nome específico: HATERS. Pois estes personagens ficam à espreita de qualquer vacilo para imediatamente descerem a borduna como autênticos índios Tamoios à procura de seus inimigos. Com esta turma não há piedade! Somente o duro peso da crítica, nada além disso!

Em especial, a classe artística é alvo sistemático dos HATERS que costumam expressar suas opiniões sobre tudo, da música ao figurino, do discurso cotidiano às posições religiosas, políticas ou qualquer assunto que seja. Se está acima do peso, o HATER vem com a guilhotina e comenta: tá pesada hein, filha?!?! Se errou na maquiagem, a censura inquisidora vem com tudo e comenta: tá participando de algum filme de terror? E por aí vai, nada escapa à língua venenosa (e aos dedos nervosos) dos HATERS. Nada mesmo!

Como as coisas no meio gospel andam fora do eixo, temos sites específicos onde o ódio e a virulência são o mote principal da linha ‘editorial’. Fofocas, críticas, ataques, induções, disse-me-disse e muito julgamento leviano fazem parte do cardápio destes blogs que na minha opinião, de verdade, têm raiva mesmo é da língua portuguesa e do jornalismo profissional, ético e de qualidade pela total ausência dos padrões mínimo aceitáveis. E analisando-se os comentários postados nestes blogs, o que vemos são pessoas incrivelmente agressivas e sem senso do ridículo se expressando em dialetos muitos dos quais ininteligíveis, mas repletos de ódio.

Meses atrás, uma jovem artista postou uma foto no Lollapalooza. Bastaram alguns minutos para que a TimeLine dela fosse inundada de comentários os mais loucos, agressivos, raivosos e odiosos que se pode imaginar. A turma ‘santarrona’ atacando-a como uma herege diante da Inquisição Espanhola com doutrinas, costumes e opiniões pessoais as mais diversas e rasas possíveis. Soube de outro artista que pelo fato de sua música entrar na trilha sonora de um filme que seria exibido nos cinemas pelo Brasil, o rapaz foi execrado, apanhou de tudo quanto é lado, chegando inclusive a ter agendas canceladas em sua própria denominação. Há o caso de um líder mega reconhecido no país, que até pra dar bom dia ele grita, se exaspera e se inflama, sua postura é assustadora atacando para todos os lados como se estivesse portando uma metralhadora .50 em seu dia de fúria. Sua imagem virou sinônimo de um personagem da TV brasileira que também sai com seu porrete batendo na mesa contra tudo e contra todos. Confesso que não me lembro nos últimos anos de ver nenhuma manifestação deste pastor que não seja de um autêntico black block gospel querendo quebrar tudo e impor sua opinião a que preço for.

Há alguns anos atrás criei uma conta pessoal no Twitter e passei a utilizá-la de forma frenética como uma ferramenta de divulgação, comunicação e até relacionamento interpessoal. Com o tempo comecei a perceber que a distância entre mim e pessoas de diferentes cantos do mundo simplesmente havia desaparecido e com isso, estas mesmas pessoas tinham total acesso para expor suas opiniões, elogiar, perguntar suas dúvidas e, também para atacar, criticar, desrespeitar … enfim, aquela proximidade toda não era tão saudável assim. Por algum bom tempo abrir minha conta do Twitter era um exercício de sustos após sustos, de muito estresse e chateações. Com o tempo fui acostumando-me (como pode isso?) com estes chatos de plantão e passei a adotar uma tática que com o tempo mostrou-se extremamente acertada, ou seja, o bloqueio imediato de todo e qualquer ‘mala-sem-alça-das-redes-sociais’. Com isso acumulei alguns blocks em meu perfil e até hoje estas múmias seguem por lá, enroladas em suas faixas descansando em sarcófagos virtuais. E confesso que não me fazem falta alguma. Por conta desta experiência com o Twitter, bloqueei minhas outras redes sociais e somente recentemente é que tirei do privado o meu Instagram. Surpreendentemente neste ambiente tive pouquíssimos casos de bloqueios, mas ainda assim, aconteceram.

Tenho 47 anos de idade e 33 anos de convertido. Creio que muito mais tempo do que muitos dos 69 leitores assíduos de nosso blog. Longe de querer parecer e sentir-me um velhaco saudosista, posso garantir que lá no início de minha trajetória cristã, algumas características das pessoas que professavam a fé protestante eram justamente a idoneidade, seriedade, respeito e principalmente o AMOR. Lembro-me que no início de minha chegada na igreja, conheci pessoas que esbanjavam o amor, a caridade, os bons modos e costumes … o clima era tão ameno e cordial, que para um adolescente sem qualquer parente naquele ambiente, tudo aquilo me parecia positivo e extremamente acolhedor. Além da mensagem salvadora e libertadora da Cruz, o espírito de amor e respeito contribuíram definitivamente pela minha decisão de seguir naquela rota da qual não me desviei jamais, graças a Deus!

Jesus, nos ensina que o seu principal mandamento seria amar a Deus sobre todas as coisas e ao seu próximo como a ti mesmo. Não sou que afirmo isso, é o próprio Mestre! Estas palavras, este mandamento é de uma simplicidade e transparência tão grandes que nem mesmo um absoluto ser desprovido de entendimento não seria capaz de compreender sua mensagem. AME, AME, AME, independente de cor, gênero, condição social, posição, ideologia, apenas AME. Então me pergunto: onde pode haver espaço para a existência de HATERs no meio cristão? Que tipo de Bíblia esta turma está lendo, se é que lêem alguma coisa? Que líderes estas pessoas têm que não estão sendo ensinadas sobre o amor, o respeito ao próximo? O que está faltando para que esta turma deixe de se apregoar como cristãos, se na verdade não têm nada que os faça parecer com Cristo e seus ensinamentos? De verdade, acho que todos aqueles que não concordam em ser definidos como crentes chatos e odiosos, críticos e HATERs, deveriam começar a marcar posição (no amor, é claro!) apresentando uma alternativa positiva e saudável contra toda esta beligerância.

No amor,

Mauricio Soares, publicitário, jornalista. Para servir como trilha sonora deste texto, sugiro a canção “A lei e o amor”, do mega talentoso Seo Fernandes, disponível no link http://vevo.ly/68iMHn

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Estava revendo alguns textos bem antigos publicados por aqui no Observatório Cristão e é bastante interessante constatar as mudanças ao longo destes últimos quase 9 anos de existência do blog. Algumas das dicas e análises que fizemos lá pelos idos de 2009 ou alguns anos à frente, soam hoje como informações paleolíticas, completamente defasadas, fora de contexto … ou seja, hoje são apenas instantâneos, fotos de um passado que aparentemente soam como longínquos mas que na verdade distam apenas alguns poucos anos.

As mudanças que vivenciamos e ainda convivemos neste momento atual são enormes, profundas e intensas. O que era importante alguns anos atrás, hoje soa como obsoleto ou desnecessário. O que antes sequer existia, hoje é fundamental, primordial, essencial. O mundo do entretenimento sofreu transformações radicais. O mercado fonográfico se reinventou e ganhou novos ares absolutamente alvissareiros, afinal durante mais de 20 anos a indústria da música em todo o mundo conviveu com o cataclisma da pirataria física, depois com a pirataria digital que assolou o mercado, provocou rupturas gigantescas, quebrou um monte de gravadoras, encerrou projetos. Especialmente neste período a indústria da música conviveu com o aposto, mercado em declínio, sempre citado em 10 de cada dez matérias publicadas na imprensa alusivas às gravadoras. E aí, eis que depois de anos e anos de queda, o mercado fonográfico voltou a crescer a partir de 2015, seguiu em alta em 2016 e certamente tem prognósticos muito positivos pelos anos seguintes.

Sempre gosto de citar que até alguns anos, no Brasil tínhamos cerca de 2 mil pontos de venda de discos no mercado gospel, entre livrarias, igrejas, sites, distribuidores, lojas de conveniência. Boa parte destas lojas encontravam-se nos grandes centros do país como Rio de Janeiro ou São Paulo. Em cidades do interior do país, encontrar uma loja com produtos evangélicos era um trabalho digno de um Indiana Jones, tamanha falta de opções. Pois bem, com as plataformas digitais, o mercado da música passa a contar não mais com poucos milhares de canais de consumo de música e sim com mais de 250 milhões de aparelhos celulares, outros tantos milhões de computadores com acesso à internet de qualidade, enfim, o consumo da música tornou-se global, democrático, portátil e muito mais ágil, afinal não se demoram dias até que o álbum chegue em rincões do sul ou norte do país, bastou que o conteúdo seja postado em alguma plataforma de audio ou video streaming para que imediatamente esteja disponível em todo o planeta.

Em minhas leituras do blog, deparei-me com um texto que listava algumas atitudes que certamente levariam o artista a ser um retumbante fracasso. O texto em questão era “Dicas Infalíveis para seu inSucesso” e ali eu dissecava sobre as várias atitudes que garantiriam ao artista-suicida um resultado catastrófico. Recentemente um jovem cantor me perguntou insistentemente sobre as 10 dicas para o sucesso e eu respondi-lhe muito tranquilamente que poderia listar várias atitudes que poderiam, juntas, transformar um projeto qualquer em sucesso, mas frisei que nem mesmo fazendo todas estas ações da melhor forma possível, eu teria condições de garantir o sucesso. O sucesso é intangível! Não se baseia em fórmulas! Mas é óbvio que algumas atitudes podem colaborar para uma melhor performance. De forma bem simples e direta resolvi elencar algumas dicas para os nossos 69 assíduos leitores do blog.

Em primeiro lugar, é importante que o artista entenda que a forma de pensar, agir e planejar hoje é completamente diferente de anos atrás. Não adianta se basear no sucesso de artistas que militavam na cena musical na década de 90 porque efetivamente hoje, nada do que eles fizeram no passado se aplicará nos dias atuais. Então, é fundamental trocar o ‘chip’ físico, analógico, pelo novo, digital.

E com isso, muita coisa muda também. Sai a necessidade de se apresentar ao mercado com um álbum completo de 14 faixas. Agora o artista precisa de uma única canção, também conhecido como “Single” ou um punhado de músicas, 3 ou até 5 faixas, o que chamamos de EP. A necessidade da versão em vídeo aumenta significativamente. Se antigamente o artista ou gravadora lançavam um clipe “da música de trabalho” apenas após meses e meses de lançamento do álbum, hoje em dia, o lançamento do Single é simultâneo à disponibilização de sua versão em vídeo. E, em muitos dos casos, a finalização do clipe irá inclusive determinar o melhor momento de lançamento da música. Ou seja, lançar uma canção sem vídeo é como comer macarrão sem molho … entendeu?

Entendendo que tudo é novo, partimos para as ações. O artista precisa ser usuário das plataformas de audio streaming. Não importa se você é habitué de novas tecnologias ou não, porque se você é do ramo da música e das artes, ter uma assinatura do Spotify, Deezer ou Apple Music, não é questão de luxo, mas de sobrevivência. Procure se tornar íntimo da plataforma de audio streaming de seu gosto assim como o Facebook ou o Instagram eram coisas que você não tinha intimidade alguma e tornaram-se tão próximos e vitais a ponto de você sofrer de crises de abstinência pela distância. Crie suas playlists. Conheça as ferramentas. Ambiente-se com as novidades. Confesso que hoje não consigo sequer me relacionar com um CD sabendo que aquele mesmo conteúdo está disponível na minha plataforma preferida.

É fundamental que o artista tenha uma assessoria de marketing digital. Antigamente (3 anos atrás) eu tinha muita dificuldade em indicar profissionais ou empresas de marketing digital para os artistas de nosso cast. Eram caros demais ou eram baratos demais e prestavam serviços de quinta categoria. Durante um bom tempo limitei-me a indicar uma única empresa. Só que hoje em dia esta situação mudou, para alívio dos artistas e da própria gravadora que hoje consegue desenvolver projetos e campanhas em parceria com as assessorias dos artistas. Felizmente já tenho entre 5 a 8 empresas para indicar nesta área, cada qual com uma performance, preço de investimento e foco muito distinto.

Semanalmente recebo 10, 15 contatos de artistas querendo ingressar no cast de nossa empresa. Especialmente neste momento em que as gravadoras desenvolvem seus labels digitais como incubadoras de jovens artistas, a demanda de artistas é enorme. E confesso que mesmo artistas de reconhecido talento e até com algum nome no mercado, quando nos procuram e estes não possuem uma mínima estrutura de marketing digital por detrás, o interesse da gravadora praticamente é desfeito. Em contrapartida, se um artista chega na gravadora para apresentar seu projeto e já vem acompanhado de números digitais relevantes e de uma assessoria de marketing digital, o tratamento é completamente outro. Fique ligado nesta questão!

Outra atitude importante é o artista ser intenso nas redes sociais divulgando não aquele prato de camarão internacional do Coco Bambu (olha o merchan aí pessoal!) na orla de Fortaleza, mas sua agenda e principalmente suas canções e conteúdos nas plataformas de audio streaming. Se até bem pouco atrás os artistas concorriam entre si para ver quem tinha maior número de seguidores na fanpage, Instagram ou Twitter, hoje em dia o importante é buscar aumentar o número de seguidores nas plataformas de video e audio. É inconcebível um artista de 3 milhões de seguidores no Facebook e minguados 10 mil seguidores no seu canal oficial de vídeos. Desastre total! Ou o artista ter 500 mil seguidores no Twitter e seus vídeos não passarem de 1 milhão de visualizações e suas playlists sequer terem seguidores ou uma quantidade consistente de streamings. Que fique bem claro! O que importa são os números de visualizações de vídeos e o número de vezes que as pessoas ouvirão suas músicas nas plataformas como Spotify, Deezer e AppleMusic. Agora é a hora dos milhões de acessos, em contraponto aos milhares de discos … compreende?

No momento vou parando por aqui. Espero retornar com conteúdo inédito nos próximos dias. O exercício de escrever no blog deve ser natural, mas de vez em quando preciso dar uma ‘forçada’ como fiz hoje após semanas de ócio criativo. Espero que a criatividade chegue com força em breve. Obrigado por sua companhia.

Mauricio Soares, sobrevivente do mercado fonográfico e gospel completando 28 anos de atuação no segmento. Um verdadeiro Highlander …jornalista, publicitário, consultor, palestrante e tricolor!

Começo a escrever este texto logo nos primeiros minutos de vôo entre Rio de Janeiro e Salvador. Tudo indica que será minha última viagem de 2016, num ano em que fiz muitos giros internacionais e dezenas de deslocamentos pelo Brasil. E como sempre, aproveito estes minutos, às vezes horas de vôo para colocar em dia os textos publicados para deleite dos 69 assíduos, abnegados, fiéis, companheiros e atentos leitores deste blog. Ano que vem completaremos 10 anos de existência deste blog e é impressionante como algo que começou de forma absolutamente despretensiosa segue da mesma forma tempos depois, afinal – faço questão de sempre repetir – este projeto é apenas um agradável hobby onde me divirto a cada texto publicado e principalmente pelo feedback que recebo de tantas e tantas pessoas pelo país e até do exterior, que incluem-se como um dos nossos 69 leitores.

Todo fim de ano começam a pintar as listas de fatos e acontecimentos de destaque naquele período. Dizem por aí que o ano de 2016 foi tão intenso de catástrofes, escândalos, mortes, acidentes, fatos marcantes na política e na economia, Lava Jato, prisão de celebridades do cacife do ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral e empresarial, entre outros assuntos, que o programa de restropectiva da Globo irá começar neste ano e acabar lá por dia 2 ou 3 de janeiro somente. E como tenho feito por alguns anos, resolvi elencar alguns fatos que, em minha opinião, merecem destaque no blog no ano de 2016. Irei listar alguns destes acontecimentos, deixando claro que não seguirei uma ordem de importância ou relevância e como não anotei numa folha nada do que irei pontuar nesta lista, vou crer apenas em minha mente … o que ultimamente e pelo avançado da idade, pode falhar e me causar alguma falha de mérito.

Em primeiro lugar, acho que não poderia começar a lista sem falar de algo que tem se tornado tema recorrente em meu dia a dia, em minhas conversas, palestras e, principalmente, nos textos publicados por aqui no blog. Definitivamente vivenciamos a transição do formato físico para o digital no mercado da música gospel no Brasil. Acho que 2015 tivemos a consolidação do mercado digital no Brasil como um todo e, o ano seguinte foi especialmente de transição para o segmento gospel tupiniquim. Creio que 2016 foi o ano do entendimento deste novo momento do mercado da música entre os artistas e principalmente público consumidor. Palavras como streaming, playlist, Spotify, Deezer, passaram a fazer parte do vocabulário e principalmente do dia a dia das pessoas do segmento gospel no Brasil. Não por coincidência, dias atrás o Spotify em seu site de notícias publicou um balanço de atividades em 2016 e entre o ranking de 10 gêneros musicais de maior crescimento na plataforma durante o ano, a ”Brazilian Gospel Music” apareceu na nona posição no mundo todo! Isto é incrível e merece ser aplaudido de pé, igreja! Definitivamente vivenciamos um novo momento para a música gospel e em 2016, me parece que todos acordaram para esta nova realidade!

Outra novidade que parece ter chegado com força a partir deste ano foi a mudança na mentalidade de artistas, produtores de eventos e público. Sim! O ano de 2016 vai ser conhecido pela expansão da música gospel para fora das quatro paredes das igrejas e invadindo casas de espetáculos e teatros pelo Brasil. Na história da música gospel jamais tivemos tantas turnês, shows, atividades em teatros, tradicionais casas de eventos e até mesmo lugares inusitados como hamburguerias e parques pelo país. Artistas como Marcela Taís, Leonardo Gonçalves, Resgate, Tanlan, Cristina Mel, Paulo César Baruk, Priscilla Alcântara, Pamela, Estêvão Queiroga e o projeto Loop Session, lotaram teatros e casas de shows em diferentes cidades do Brasil. Isto mostra uma saudável tendência de valorização do público ao trabalho do artista. Também mostra uma mudança de mentalidade por parte dos artistas querendo oferecer ao público algo mais bem acabado, melhor elaborado e que seja também uma saudável modalidade de entretenimento cristão. Para representar esta nova fase, posso destacar os 33 shows em teatros e casas de espetáculos da turnê “Princípio”, protagonizada pelo talentoso Leonardo Gonçalves e sua magnífica banda, muitos com ingressos esgotados e sessões extras. Os últimos shows desta turnê reuniram quase 8 mil pessoas no Rio de Janeiro, com shows Sold Out no Teatro Bradesco e VIVO RIO.

Este ano será lembrado (pelo menos para mim!) pelos projetos fantásticos de Deise Jacinto, Estêvão Queiroga, Alexandre Magnani e uma turma que está chegando ao mainstream nos apresentando uma música de muita qualidade!

Seguindo com nossa lista e voltando ao tema ‘digital’ acho que vale a pena o registro sobre a mudança de atitude dos players deste mercado perante o mercado gospel. Hoje quando se fala de música gospel junto às plataformas digitais, a reação não é mais de nariz torcido ou aquele semblante de ‘cara de paisagem’ esperando que se mude de assunto. Não mais! O que observamos é uma atenção, um interesse e principalmente uma atitude pró-ativa querendo trabalhar em conjunto pelos melhores resultados. Acho que em 2016 tivemos a consolidação da presença do conteúdo cristão nas plataformas, especialmente Deezer – que conta com o primeiro curador de música gospel em sua equipe – e o Spotify que não tem medido esforços para ampliar o alcance dos artistas e seus respectivos conteúdos no meio digital.

Em termos artísticos, ninguém tira dois nomes entre os de maior destaque no ano. É óbvio que Leonardo Gonçalves tornou-se, ou melhor, consolidou-se como o maior nome do meio gospel no Brasil, inclusive ultrapassando as fronteiras e já conquistando espaço na América Latina, mas este processo vem sendo fortalecido nos últimos 3 anos em especial e acredito que 2016 foi só a ‘cereja do bolo’. No entanto, quem cresceu vertiginosamente neste ano, em minha opinião (irei sempre reforçar que este texto se trata de algo pessoal, isento de maiores dados ou pesquisas, é minha percepção e pronto!) foram Gabriela Rocha e a turma do Preto no Branco. A primeira, jovem talentosíssima e com um carisma impressionante. Ninguém passa incólume a uma ministração de Gabriela Rocha … não mesmo! E a pequena e intensa cantora que não pára nunca no palco, começou o ano gravando seu primeiro DVD e termina 2016 justamente lançando este trabalho depois de meses de espera do público. Enquanto isso, Gabi trabalhou e trabalhou muito, chegando a ter 20 apresentações por mês, algo incrível num ano de tantas crises e dificuldades no nosso país. Para mim, Gabriela Rocha tornou-se em 2016 a mais destacada cantora de música gospel no país e, em especial, a principal ‘ministra de louvor’ do meio cristão, posto que já foi ocupado por gente do quilate de Ana Paula Valadão, Ludmila Ferber, Nívea Soares, só pra sentir como esta mocinha no auge de seus poucos 20 anos conseguiu progredir em sua carreira nos últimos anos! O outro artista que quero incluir entre os destaques deste ano é o Preto no Branco, que em 27 anos de mercado que tenho, deve assumir seguramente a posição de projeto de crescimento mais meteórico com que tive contato. Em pouco mais de 1 ano, o Brasil inteiro, crente ou ateu, cristão ou secular, conheceu e cantou as músicas do Preto no Branco. A turma chegou a ter 23 apresentações em 26 dias de turnê pelo país e por onde passaram colocou todo mundo pra dançar, cantar e se emocionar. Impressionante mesmo! Coincidência ou não, tanto Preto no Branco como Gabriela Rocha, fecham o ano sendo os 2 artistas de maior visibilidade nas plataformas YouTube/VEVO entre todos os artistas do segmento no Brasil, ambos superaram 100 milhões de views em seus canais de vídeo. Sucesso absoluto!

Ainda no tema ‘música’ creio que em 2016 vivenciamos uma democratização nos estilos musicais dentro do cenário artístico gospel. Este fato deve-se muito mais à popularização do consumo de música através dos meios digitais do que propriamente a um boom criativo no segmento. Tempos atrás, onde o CD e DVD ditavam as regras do mercado fonográfico, especialmente no meio gospel, as gravadoras optavam por poucos nomes, poucos estilos. Tínhamos uma limitação entre os estilos pop e pentecostal, os mais vendáveis até então. Esta padronização em função de interesses comerciais limitava o surgimento de novos artistas e principalmente de novos estilos. Com a chegada do digital, novos artistas passaram a se destacar e com eles, uma nova modalidade de estilos musicais. Na época dos CDs, dificilmente artistas como Os Arrais, Deise Jacinto, DJ PV, Paulo Nazareth, Gerson Borges, teriam espaço em gravadoras do mainstream. Pois bem, agora não só estes artistas e suas propostas musicais estão ao alcance de qualquer pessoa, como efetivamente tornaram-se importantes dentro deste novo contexto.

Quando em 2015 lançamos o projeto Sony Music Live muita gente ficou sem entender muito bem a proposta daqueles vídeos semanais com diferentes artistas, em diferentes cenários e locações, com produções simples (não simplórias!) porém chiques … de verdade, recebi alguns questionamentos sobre a estratégia e expectativa daquele projeto. Passados 2 anos e mais de 150 milhões de views depois, inclusive incluindo conteúdos de música secular ao projeto, percebemos claramente uma tendência entre gravadoras e artistas no mundinho gospel. O ano de 2016 foi uma profusão de live sessions, algumas nem tão live assim … mas que efetivamente consolidaram o projeto piloto lançado pela área do A&R Gospel da Sony Music e criaram toda uma cultura de conteúdo de vídeo para não só divulgar o artista e seu trabalho, mas principalmente abrir uma nova fonte de receita para artistas e gravadoras.

Por falar em vídeo, destaque para o clipe ‘Jeremias’ do Gabriel Iglesias … top das galáxias! E o recém lançado clipe de Priscilla Alcântara, “Sou Escolhido”, dirigido por Hugo Pessoa e que em pouco menos de 48h no ar passou de 250 mil visualizações. Entre os Lyric Videos, vale conferir os materiais produzidos pela Deise Jacinto e a banda Tanlan.

Especialmente no fim deste ano, observei que tivemos várias premiações destacando artistas de música gospel entre sites, blogs e eventos como o Troféu Ouro e o mais recente, Troféu Gerando Salvação. Temos o tradicional Grammy Latino, na categoria ‘música cristã em língua portuguesa’, que me parece algo completamente distante da realidade do que acontece em nosso meio com suas escolhas estapafúrdias, desconexas com a realidade e absolutamente sem critério … sobre este prêmio prefiro nem tecer muitos comentários a respeito. Verdadeiramente sinto falta de uma premiação que seja no mínimo criteriosa, porque no fim das contas, justiça não chega a ser um componente muito presente em questões subjetivas. A boa notícia, dada por quem esteve presente ao evento (infelizmente não pude ir!), é de que o Troféu Gerando Salvação teve uma produção impecável, uma noite mesmo muito especial. Espero que em 2017 este prêmio se consolide e que seja mais reconhecido por todos do segmento e público.

Em termos de mídia, especialmente, rádio, a medalha de honra ao mérito vai para a Rádio Melodia 97,5 FM que chega ao fim de 2016 consolidada na liderança entre as emissoras do Rio de Janeiro e entre as 3 mais importantes em todo o país. Congratulations!

Já entre resultados de vendas, “Obra Prima”, novo projeto de Damares, fechou o ano na liderança de vendas do mercado com mais de 60 mil cópias vendidas. Importante salientar que Damares também se destaca como a artista gospel brasileira com maior número de assinantes dos serviços de ring back tone, algo em torno de 1,6 milhão de inscritos. Ainda sobre números, Leonardo Gonçalves se firma como artista gospel brasileiro com maior relevância nas plataformas de audio streaming possuindo, apenas no Spotify, mais de 320 mil playlists no mundo, com ao menos uma música sua inserida. Entre as músicas mais executadas e ouvidas nas rádios e plataformas de audio streaming, destaque para “Ninguém Explica Deus” com Preto no Branco e participação de Gabriela Rocha, sem dúvida, a grande canção de 2016.

Já vou finalizando este texto. Para aqueles que consideraram os destaques muito chapa-branca, muito relacionados ao cast ou projetos da gravadora na qual trabalho, o que posso afirmar em minha auto-defesa é que quem discordar, basta elaborar sua própria lista. Este blog sempre foi um espaço bem personalista, pessoal, quase confessional … e de forma muito leve e tranquila, acredito piamente em todos estes destaques que listei acima. Talvez tenha falhado deixando algo ou alguém de fora, mas também a respeito disso já adiantei logo nas primeiras linhas que esta lista era algo feito ‘de cabeça’, sem maiores estudos, pesquisas ou qualquer aprofundamento técnico.

O ano que parece não querer acabar, no campo pessoal foi muito difícil para mim. Tive a perda doída (como me faz falta!) de meu pai no início do ano e isso repercutiu muito ao longo de 2016, inclusive me fazendo rever e repensar algumas atitudes e prioridades. Mas também tive grandes conquistas e em especial, o início das atividades do projeto de música cristã junto à Sony Music México seguindo por completo o modelo do projeto que implantamos por aqui no Brasil. Tive oportunidade de fazer muitas viagens internacionais, inúmeras nacionais (muitas mesmo!) … conheci muita gente interessante, trabalhamos demais (como sempre!), encontramos artistas fantásticos, aprendemos muito, dividimos nosso conhecimento e chegamos ao fim do ano completamente no limite das forças físicas. Mas agradeço imensamente a Deus por ter me sustentado até aqui e por ele insistir em usar uma pessoa tão imperfeita pra trabalhar em seu Reino e realizar coisas tão grandes. Não poderia finalizar este texto, sentado no saguão do aeroporto de Salvador, retornando para casa em pleno domingo, em minha última viagem a trabalho de 2016 recordando-me (e ouvindo) a canção “Princípio e Fim” com Leonardo Gonçalves.

“Quando penso em desistir, lembro que Você, insistiu em mim”

Que venha o novo ano … e com ele melhores notícias para o povo brasileiro, porque confesso que foi difícil aturar 2016 com tantas notícias ruins …

Mauricio Soares, jornalista, pai, esposo, publicitário e um brasileiro que não desiste quase nunca!

Já faz um bom tempo que não paro minhas atividades e lazer para dedicar alguns minutos para escrever para o blog. É bem verdade que boa parte dos 66 leitores não sentiu a mínima falta de novas postagens, mas ainda assim sigo na meta de conseguir conquistar o maior número de leitores para o Observatório Cristão.

Início de ano, período de arrumar gavetas, jogar coisas fora, organizar outras, estabelecer metas, objetivos, prometer a si mesmo que neste ano a dieta sai, o sedentarismo vai embora e tudo se fará novo … E especialmente neste 2016, começo cheio de expectativas pessoais porque pior do que o ano que se foi acho difícil que se supere. Que ano terrível!

Entre as boas coisas de 2015, do ponto de vista artístico posso destacar o belo trabalho “Moderno à Moda Antiga” da cantora Marcela Taís co-produzido pelo mestre Michael Sullivan. O disco é agradável, bem equilibrado, letras inteligentes, arranjos modernos, temas interessantes … parece que a ‘moderna’ Marcela em parceria com o ‘experiente’ Sullivan conseguiram uma simbiose maravilhosa. Nota 10 para este trabalho. A cantora em 2015 deu um importante passo para alcançar uma relevância e destaque em meio ao competitivo mercado gospel tupiniquim. Outro projeto prá lá de especial e de bom gosto é o EP “Paisagens Conhecidas” dos irmãos Os Arrais. A dupla vem ganhando reconhecimento nacional a cada dia e agora, com a mudança do Tiago Arrais para o Brasil, o trabalho de divulgação dos projetos se torna um pouco mais facilitado. Já o André, irmão caçula, permanece residindo nos EUA. O disco conta com canções de letras inteligentes, sonoridade gringa, arranjos elaborados e apuro estético lá nas alturas. Pra completar, o projeto foi lançado num kit que contém um DVD gravado em meio a nevascas e paisagens gélidas norte americanas sob a batuta da direção de Hugo Pessoa.

Do ponto de vista artístico, 2015 foi o ano de Leonardo Gonçalves. Com uma energia impressionante, Leo percorreu o país e exterior com uma agenda simplesmente alucinante! O DVD “Principio”, sem dúvida, alavancou sua carreira e o colocou no patamar dos grandes artistas do cenário cristão nacional. Pra completar, Gonçalves participou de programas de TV, grandes festivais e interpretou a canção do filme que foi sucesso nas salas de cinema, “Você Acredita?” na versão do NewsBoys,e teve milhões de views nas plataformas de vídeo. Este single ainda ficou no topo de vendas do iTunes e Google Play por dias, tornou-se hit nas rádios do segmento em todo o país. Sem dúvida, 2016 promete para o talentoso Leonardo Gonçalves.

Outro destaque interessante em 2015 foi o lançamento do projeto Sony Music Live, uma nova forma de promoção e rentabilização baseado em vídeos exclusivos de diversos artistas. O projeto funciona como uma web série que é veiculada a partir das terça-feiras como um programa semanal. Pelo SML, que já ultrapassou 9 milhões de views, participaram artistas como Gabriela Rocha, Preto no Branco, Salomão, Paulo César Baruk, Cristina Mel, Marcela Taís, Juninho Black e Trazendo a Arca. O projeto superou todas as expectativas e nas próximas semanas será lançada a segunda temporada do Sony Music Live já com as participações confirmadas de Leonardo Gonçalves, Damares, Priscilla Alcântara, Os Arrais, Soraya Moraes, Mariana Valadão, entre outros.

No finzinho do ano, outro disco que foi lançado merece destaque: “Até Sermos Um” com a cantora Priscila Alcântara. A menina veio como uma tsunami varrendo o país de norte a sul com um disco ultra bem produzido e agradável, extremamente moderno e intenso. Em pouco mais de 2 meses, Priscilla esteve em diversas capitais do país lançando o projeto e arrebatando multidões de jovens por onde passou. Em algumas cidades, suas tardes de autógrafos reuniram mais de 1500 pessoas que se ficavam horas na fila para uma foto, um abraço, um autógrafo. A cantora teve seu projeto no topo do iTunes, seus vídeos passam a casa dos milhões de views e sua agenda segue intensa. Acho que 2015 foi só o ‘esquenta’ porque o estouro mesmo será neste ano. Fiquem atentos!

Um outro projeto que assisti e curti foi o DVD da cantora Aline Barros, lançado no apagar das luzes de 2015. Uma mega produção que impressiona até os mais acostumados com o show business. Ela continua sendo uma referência no meio gospel quando se trata de carisma, qualidade e hits. Por falar em DVD, na área pentecostal, ninguém superou Damares com seu mega projeto gravado no fim de 2014 e lançado no ano seguinte. A cantora segue como o principal nome no segmento e parece não perder espaço e foco! Ainda no quesito DVD, o projeto “Preto no Branco” foi a grande estréia do selo Balaio Music. Com o encaixe perfeito de artistas do naipe de Clóvis Pinho, Wesley Santos, Juninho Black e a participação de Eli Soares, o projeto reúne black soul music, samba, adoração MPB, pop, reggae, hip hop … tudo com muita qualidade, unção e criatividade. Quem ainda não teve oportunidade de conferir, deve fazer o mais rápido possível!

O ano de 2015 registrou a mudança do mercado fonográfico no Brasil. Pela primeira vez as vendas digitais superaram as vendas de CDs e DVDs. A proporção atual é de 60% a 40%, ou seja, mais da metade do faturamento das majors da indústria musical no país são provenientes das plataformas digitais como YouTube, Spotify, Vevo, Deezer, Apple Music e as operadoras de telefonia. Para as empresas que insistem em não adequar-se à nova realidade, os tempos vindouros não serão nada auspiciosos. Conversando dias atrás com um artista ligado a uma destas gravadoras que insistem em negar a transformação do mercado, me assustei ao saber que este amigo não recebia um único tostão de vendas digitais e de que sua ‘amada’ gravadora seguia com o discurso de que digital era apenas promoção, não configurava uma nova e importante fonte de rentabilidade. #Medo …

Para 2016 alguns nomes merecem especial atenção (e torcida também!). Começo a lista pela talentosa (de quem sou fã!) Gabriela Rocha que começa o ano gravando seu primeiro DVD. Este ano promete pra ela! Outros nomes para se ficar atento são Sarah, uma cantora baiana residindo no interior de SP que está lançando um projeto com produção de Fábio Aposan, também Roberta Spitaletti que lançará um álbum inédito em breve, Deise Jacinto que recentemente lançou um novo projeto muito agradável e que merece ser pesquisado, Clóvis Pinho ex-Renascer Praise que lançará seu primeiro disco pelo selo Balaio Music/Sony Music misturando pop, MPB, soul e muita poesia. Outro que deve se destacar em 2016 é Eliezer de Társis, multi instrumentista, super carismático, talentoso e que vem conquistando visibilidade cada vez maior no cenário nacional.

Vou ficando por aqui. Confesso que estou ainda enferrujado. Espero urgentemente poder recuperar o pique para escrever mais posts daqui em diante.

Que venha 2016!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista.

Dias atrás tive a grata felicidade de poder conferir no Rio de Janeiro o show da turnê “Estratosférica” com a cantora Gal Costa. A cantora de 70 anos está em pleno trabalho de lançamento de seu mais novo projeto pela Sony Music. Uma série de shows estão programados pelo país, muitos dos quais com a bilheteria esgotada. A mídia especializada vem tecendo elogios rasgados ao novo projeto da grande diva da MPB, representante da Tropicália e que neste álbum se cercou de jovens músicos e compositores como Marcelo Camelo e tantos outros expoentes da nova geração. A simbiose entre Gal e a sua banda formada unicamente por baixo, guitarra, bateria e teclados é simplesmente perfeita. Durante cerca de 1 hora e meia, Gal Costa cantou canções do novo disco mesclando com grandes sucessos que marcaram sua carreira. Foi uma noite muito especial para mim. Do camarote reservado à equipe da gravadora pude conferir uma artista com muitas histórias de vida, grandes experiências e uma alegria enorme de estar no palco apresentando-se numa casa completamente lotada.

À medida em que o show foi transcorrendo algumas observações me vieram à mente. Em primeiro lugar o que me chamou a atenção foi como fez bem para a cantora aquela parceria com a moçada mais jovem. Imagino como foram os encontros entre uma cantora ícone de uma geração e aqueles jovens músicos trabalhando na busca de uma perfeita sintonia. A troca de experiências e referências, sem dúvida alguma trouxe uma jovialidade, uma vitalidade ao projeto e isso ficou evidenciado no palco. E a delicadeza de Gal ao referir-se aos músicos e parceiros apenas comprovou sua admiração a todos aqueles que contribuíram pelo resultado final.

Outra questão que vale destacar é o perfeito timing da intérprete em falar na hora e na dose certa. Suas intervenções eram curtas, diretas, bem humoradas, sua interação com o público era permanente e atenta, a ponto de sacar de vez em quando uma tirada inteligente em resposta a um ou outro comentário emitido pela platéia. Delírio total. O clima do show era leve, intenso, agradável, a ponto de chegarmos ao momento do bis completamente satisfeitos, sem aquela sensação de ‘ok, já deu!’, pelo contrário, ela ainda poderia continuar por mais alguns minutos tamanha qualidade do show. Na abertura do show, Gal limitou-se tão somente a cantar de forma direta 3 canções, sem interrupções. Apenas ao fim da terceira música é que ela se dirigiu à platéia para agradecer a presença e comentar um pouco mais do que viria pela frente. No meio do show ainda houve espaço para agradecimentos pontuais, tiradas inteligentes e alguns rápidos comentários sobre as músicas.

Estive recentemente num determinado show em que a artista falava longamente entre uma e outra canção esforçando-se para explicar e contextualizar o significado de cada música. Além de estender em mais de 30 a 40 minutos o tempo de duração do show, esta estratégia acaba trazendo um ritmo lento ao show e muitas das vezes uma impressão de montanha-russa, onde o show cresce, pique lá em cima pra minutos depois ficar bem light. Uma gangorra de emoções, sem dúvida. Além do fato de subestimar o público tendo que se explicar a cada música. Deixe que cada um tire suas próprias conclusões!

Voltando ao show da Gal, outro fato que me chamou a atenção foi a qualidade da voz da intérprete. O que foi aquilo? Uma segurança absurda nos graves, uma clareza na dicção, notas perfeitas e, claro, como deixar de mencionar os agudos incisivos, ali … no alvo, firmes, seguros … meu nome é Gal … meu nome é Gaaaaaaaaaaaaaaaal …”. Vendo e principalmente ouvindo alguns artistas jovens que após 2 a 3 músicas já não mantém a qualidade, chutando todas na trave (às vezes chutando para fora do estádio como Nelinho fez no Mineirão), ouvir uma cantora de 70 anos mantendo esse nível já valeu pelo ingresso. Nota 10!

Aproveitando esse gancho, gostaria de apenas pontuar alguns insights para que os artistas cristãos que porventura estejam lendo este texto aproveitem este exemplo para aplicarem em suas carreiras.

–       A troca de experiências é algo sempre muito importante! O artista que acredita que já sabe tudo, que não precisa de ninguém ou que acha que está sempre certo, este certamente corre um risco enorme de ficar desatualizado e distante das novas tendências. Especialmente aos artistas mais experientes, ter acesso a músicos e compositores jovens é uma atitude bastante inteligente.

–       Na maior parte das vezes o ‘menos é mais’. Muitos artistas confundem quantidade com qualidade. Menos melismas, menos blá blá blá, menos caras e bocas, menos atitudes santarrônicas milimetricamente pensadas. E no quesito menos é mais, a questão do tempo de ministração e a própria apresentação devem ser bem dosados.

–       A voz é um instrumento e como tal deve ser cuidado com toda atenção. Acho impressionante como muitos artistas que vivem da voz dão tão pouca atenção a este instrumento. De vez em quando vejo alguns artistas recorrendo aos serviços de preparadores vocais ou fonoaudiólogos para recuperar a voz após maratonas de shows ou mesmo depois de uma gripe ou algo do tipo. É importante que todos saibam que melhor do que buscar o ‘pronto socorro da voz’ o ideal mesmo é manter-se permanentemente sendo atendido por um profissional da área. Artistas como Cristina Mel e Soraya Moraes são exemplos de cantoras que sempre se preocuparam com as suas respectivas vozes, não é coincidência o fato destas duas manterem em alto nível seus timbres, trinados e agudos.

Preciso parar por aqui, pois o piloto já anunciou a descida no Santos Dumont, Cidade Maravilhosa. Aproveito para agradecer ao carinho enorme que recebi nestes dias em Goiânia. Parabéns ao pessoal da Gospel Fair pela organização deste evento que tem tudo para consolidar-se no cenário cristão nacional. Agradeço também ao pessoal das mídias que tão bem representaram o segmento e que a cada dia tornam-se mais relevantes em nosso mercado – Rádio Paz, Rádio Vinha Fm, Jovem X, Rádio Voz, TV ADNP, Garagem Gospel, Super Gospel e tantos outros! Aos 66 leitores e mais uns gatos pingados que seguem observando conosco! Meu muito obrigado!

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, cronista do mundinho evangélico tupiniquim.

Já estamos caminhando para o nono ano de atividades no Observatório Cristão. Por aqui tivemos muitos textos relevantes, outros nem tanto, muita informação, algumas projeções que tornaram-se realidade tempos depois, muito humor, dicas, críticas. Enfim, de tudo um pouco. O que me motiva a reservar um tempo de meu dia a dia para dividir minhas experiências, conhecimento e observações é a sensação prazerosa de poder contribuir aos nossos 66 leitores com um melhor entendimento do que nos cerca no meio artístico, fonográfico e religioso. O dia em que eu sentir que minha contribuição já não é mais tão importante, da mesma forma com que surgi, certamente irei sumir, sem deixar muitas explicações ou explicações.

O texto que escrevo neste momento já foi iniciado, interrompido e abortado, pelo menos umas 6 ou 7 vezes nas últimas 3 semanas. O tema esteve claro à minha mente por estes dias, mas o desenrolar do texto não seguiu a mesma tendência e por isso, travei … não consegui concluir a tarefa com a qualidade que me auto-imponho como padrão do blog. Então, mais uma vez tentarei tecer algumas linhas que falem sobre MOTIVAÇÃO. Espero que consiga chegar ao fim com a satisfação de ter entregue algo de valor aos meus seletos ‘observadores’.

Dias atrás conversei com um artista do meio gospel. O jovem tem uma agenda intensa de apresentações em igrejas, shows, congressos. Em meio a uma ou outra viagem, pausas para atender mídias, gravar vinhetas, atender pessoas. A rotina é intensa e estafante. Ele me conta sobre alguns casos engraçados entre tantas viagens, alguns outros ‘perrengues’ como viagens em monomotores, estradas de terra e coisas do tipo. A sua aparência é de alguém no limite do cansaço e da estafa, no entanto, em nenhum momento ouço queixas de sua parte pela rotina massacrante dos últimos dias. Pelo contrário, só ouço comentários efusivos de sua parte e relatos emocionados do que Deus tem feito através de sua vida. Acho interessante porque um dos indicadores do resultado de seu trabalho não é a quantidade de pessoas em seus eventos, mas sim, o número de testemunhos e conversões em cada evento. E engana-se quem imagina que este referido artista seja um destes jovens iniciantes, cheios do primeiro amor, de idealismo e expectativas. Estou falando de uma pessoa com muitos prêmios, com grandes sucessos, com agenda intensa, uma carreira sólida e de credibilidade.

Também recentemente conversei com outro artista e ele me relatava a mesma experiência, ou seja, agenda cheia, muitos compromissos, muitas entrevistas, participação em programas de TV, muito trabalho. A diferença consistia nos comentários pessoais sobre toda esta rotina. Em vez de comemorar as conquistas, o cantor apenas reclamava de que estava no limite, de que em algumas vezes o valor do cachê não fora suficiente para suas expectativas, de que o tempo de deslocamento para algumas apresentações era enorme e por esta toada seguia numa lamentação sem fim até que num determinado momento começou a reclamar da obrigação de ter que ficar tirando foto com todos que o pediam por uma selfie. Ouvi aquilo tudo com um misto de tristeza e decepção por constatar in loco o quanto aquele jovem artista estava distante da real motivação de um artista cristão

A carreira artística por si só não é fácil. Sempre me assustei com a ideia de repetir um mesmo roteiro por 1, 2 até 3 anos inteiros. É exatamente isso o que acontece com o artista. Ele repete um mesmo repertório por loooooooooongos meses até que o substitua por outras canções. Há artistas que interpretam a mesma música por décadas e são reconhecidos por isso. Eu não consigo me ver nesta situação, tendo que repetir-me inúmeras vezes com o mesmo script. Além disso, o artista é obrigado a conviver com deslocamentos constantes por aeroportos nada confortáveis, vôos com horários tresloucados, conexões desconexas, atrasos sistemáticos, bagagens extraviadas e por aí vai. Tem ainda a questão de dormir fora de casa enfrentando desde hotéis 5 estrelas a quartos/pousadas de beira de estrada, passando ainda a casas de irmãos (já passei por isso e vivenciei coisas inimagináveis) e outras roubadas.

Já a questão gastronômica é um capítulo à parte. Nos meus tempos de integrante de um grupo musical já fomos agraciados com cachorro quente de carne moída após horas e horas de viagem, macarrão sem molho, refrigerante quente, estrogonofe de batata palha, entre outras iguarias. Não são raras as vezes em que o artista vai jantar após um evento já pela madrugada tendo que seguir viagem apenas poucas horas depois. Em suma, a vida artística é uma sucessão de experiências inusitadas e poucos são aqueles que podem chegar a um determinado momento em que podem decidir excluir-se de toda e qualquer agenda mais arriscada. No geral, é uma vida de sacrifício e muita dedicação.

A grande questão é: como encarar a carreira artística, em especial, no meio cristão? Se for só pela grana, arrisco a dizer que assim como no futebol onde temos craques como Neymar, Ronaldo, Kaká, entre outros vivendo muito bem, a verdadeira realidade é que a esmagadora maioria dos atletas vive com no máximo 2 salários mínimos. O glamour da vida artística não condiz com a realidade de boa parte dos cantores e cantoras, seja no meio secular como também no segmento religioso. Então, se a sua expectativa e principal motivação para ingressar no universo artístico for uma estabilidade financeira, arrisco a dizer que você pode estar seguindo uma trajetória perigosa e que no futuro traga frustrações e problemas maiores.

Um artista cristão deve antes de tudo ter uma motivação clara e dela não se afastar um único instante. A principal motivação de um artista religioso deve ser que ele seja um instrumento para que a Palavra de Deus seja pregada ao maior número de pessoas. Este é o ponto! Qualquer coisa diferente disso certamente estará fora do foco do que Deus quer para a vida e ministério de um artista cristão. Tudo o mais será resultado desta motivação e em nenhum momento, por mais benefícios que possa alcançar, nada será mais valoroso do que ver o resultado de todo seu esforço atingindo e transformando vidas. A motivação de um artista cristão jamais deve ser o reconhecimento pessoal, jamais deve ser a remuneração financeira (que virá naturalmente pela qualidade do trabalho), jamais deve ser a visualização e reconhecimento de seu próprio trabalho. Antes de qualquer outra questão, a motivação deve ser o próximo e a mensagem libertadora e transformadora de Cristo. Todo é resto será sempre o resto, nada mais do que o resto.

Minha palavra de hoje é de que todos possam reavaliar suas reais motivações, metas e objetivos. Se o EU estiver à frente de qualquer uma destas motivações, é hora de rever seus conceitos. Se o PRÓXIMO estiver à frente das motivações, tudo indica que esteja no caminho certo. Infelizmente, vivendo neste mundo artístico por tantos anos, já tive que lidar com situações absurdas onde o EU imperou por inúmeras vezes causando desapontamentos e decepções homéricas. E este texto não foca somente nos artistas cristãos, mas para qualquer pessoa, em diferentes áreas de atuação, pois a mensagem de Deus é clara e abrangente, não- excludente, democrática, ampla, geral e irrestrita.

Ainda dá tempo de mudar suas motivações. Pense nisso!

 

Mauricio Soares, jornalista, publicitário, blogueiro.

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Constantemente tenho dito sobre a necessidade de artistas e profissionais buscarem maior conhecimento e entendimento do universo digital. Neste texto que escrevo durante minha curta passagem em Goiânia sigo nesta mesma linha de raciocínio, mas numa vertente um pouco diferente. Há algumas semanas atrás participei de um programa de TV e entre alguns assuntos propostos o diretor me pediu para falar de pirataria no mercado fonográfico, em especial no meio gospel. Olhei para ele como se se estivesse diante de algum náufrago que ficou anos distante da realidade comentando sobre notícias que haviam caducado fazia um bom tempo.

“ – Como pirataria? Pirataria do que?” – indaguei eu tentando entender a proposta do diretor. Ele seguiu sua explicação: “ – Ah, pirataria de CDs … como as gravadoras lidam com a pirataria de discos no meio gospel aqui no Brasil?”, insistiu ele. Ainda me refazendo do choque procurei explicar a todos ali presentes que este seria um tema defasado, ultrapasado, fora de tempo, afinal as gravadoras estão neste momento (ou deveriam estar!) focadas no mercado digital, nas novas plataformas, na mudança de consumo, na nova relação do consumidor e o conteúdo, ou seja, ninguém mais está preocupado com pirataria de discos! Acho que nem mesmo quem ‘sobrevivia’ desse comércio ilegal.

Também recentemente dei entrevista para uma revista de circulação nacional. O jornalista, um dos mais competentes de nosso segmento, queria entender a quantas anda o mercado fonográfico dando ênfase ainda ao segmento gospel no país. Umas das primeiras perguntas foi novamente sobre a famigerada pirataria de discos. E aí fui obrigado a novamente falar sobre a mudança do mercado, sobre os novos focos do meio fonográfico e das possibilidades que as tecnologias abrem para a música e a arte em geral. Já na segunda pergunta, o jornalista insiste em afirmar que o mercado fonográfico vive dias de crise, passa por problemas e blá blá blá … na verdade, essa é uma ideia que foi passada anos atrás e vem sendo repetida numa cantilena sem fim … Não! O mercado fonográfico não está em crise! Ele está em transformação. A crise só chega para as empresas que não se atualizam e insistem em repetir fórmulas que deram certo no passado mas que hoje são inócuas!

Com muita calma e um ar professoral fui explicando que há tempos atrás as gravadoras trabalhavam com 2 a 3 mil pontos de distribuição em todo o Brasil e hoje temos um mercado com 280 milhões de aparelhos celulares, mais de 90 milhões de pessoas com acesso a internet de qualidade, mais de 60 plataformas digitais oferecendo conteúdo ao consumidor e ainda assim, mantendo contato com mais de 1,5 mil lojas, mercados, lojas especializadas. Ou seja, em vez de retrair-se, o mercado só cresceu nestes últimos anos. Então onde está a crise?

Estes exemplos são para alertar, principalmente aos jornalistas que atuam no segmento gospel sobre a necessidade de se buscar conhecimento sempre! Já tive a infeliz experiência de participar de um programa de rádio onde o locutor não tinha a menor noção do artista que estava à sua frente para ser entrevistado. Não que o artista fosse um ‘ilustre desconhecido’, longe disso! O locutor é que não tinha feito seu ‘dever de casa’ e estudado o mínimo que fosse, a respeito da história e carreira do artista. Isso é básico e infelizmente não raro em nosso meio.

Estudar a respeito do assunto que se queira enfocar é fundamental. Um jornalista bem embasado do ponto de vista da informação é condição primária no exercício da profissão.

Ouço muita gente reclamar de que nosso meio é amador. E de fato creio que há mesmo muito a se melhorar. Mas no meio de um ambiente amador é ainda mais fácil daqueles que levam a sério suas atividades se destacarem ante aos demais. Nada a ver com o discurso de um artista do mundinho gospel de dias atrás, estou falando de busca e valorização do conhecimento. Em especial no meio jornalístico gospel precisamos ter mais gente capacitada para valorizar a área e a própria profissão. Recentemente foi publicado por um importante site de notícias cristãs brasileiro e imediatamente replicado por sites de fofocas gospel (Como fofoca gospel?!?!? Pode isso Arnaldo?) uma notícia envolvendo uma igreja importante no exterior. A notícia foi pinçada diretamente de outro site no exterior e traduzida para o português. Não houve dolo algum por parte do site brasileiro, a falha é que não houve uma melhor apuração sobre o assunto. O que deveria ter sido feito neste caso era o jornalista do site procurar a igreja no exterior diretamente ou seus representantes no Brasil, ou ainda, apenas citar a fonte da notícia. Checar a veracidade das notícias faz parte do dia a dia de um bom jornalista para que este não se torne apenas uma fonte de boatos ou coisas do tipo.

Pesquisar. Duvidar. Trazer uma interpretação aos fatos é papel primordial da imprensa. Quem simplesmente repete notícias é máquina copiadora, não jornalista!

Outro dia soube de uma pessoa que trabalha no segmento e que comentou sobre uma determinada empresa que não dava a devida valorização à classe jornalística gospel. No conceito ‘investimento’ leia-se não distribuir passagens aéreas para os jornalistas irem em eventos, não distribuir brindes que não fossem seus próprios lançamentos, não oferecer banquetes com camarões VG e nem investir verba de publicidade sem critério e análise nos veículos de comunicação do segmento.

Enquanto os veículos de comunicação sujeitarem seu espaço editorial às questões comerciais, sua autonomia estará em risco! Isso vale para revista, jornal, rádio, blogs, enfim, um veículo de comunicação deve priorizar seu papel de levar informação de qualidade para o seu público-alvo. O resultado comercial é fruto antes de mais nada da credibilidade e alcance do veículo. Ao colocar seu espaço editorial no balcão de negócios o veículo claramente desvaloriza seu próprio projeto e dá sinais claros ao seu público de que o respeito à sua inteligência é mínimo. Basta folhear algumas revistas e jornais do nosso meio para constatar com tristeza de que essa é uma prática usual. Numa rápida conferida você irá ver que boa parte, senão todas as matérias ditas ‘editoriais’ estão diretamente relacionadas à presença de anúncios das mesmas empresas citadas nos textos. Isso, na minha modesta opinião, é uma clara afronta à inteligência do público consumidor daquele veículo.

Quero deixar claro aqui que não tenho nada contra revistas-catálogo-tipo-páginas-amarelas ou jornais neste mesmo estilo. Esta pode ser uma modalidade de negócios e deve ser tratada como tal. A questão que volto a frisar é sobre a transparência desta operação. Não dá para querer enganar o público e mesmo o mercado travestindo-se de veículo informativo quando na verdade o objetivo é tão somente comercial. E não me venha com o blá blá blá de que é para o Reino porque por mais que o discurso seja recheado de boas intenções, o foco é pagar as contas no fim do mês e não há nada de errado nisso! Mais uma vez, o erro está em não fazer as coisas às claras!

Será que a classe jornalística cristã quer ser tratada com esta distinção do pagou-virou-meu-amigo? Ou será que os profissionais querem ter suas atividades devidamente respeitadas por todos e seguindo os códigos de conduta e ética que devem ser modelo, independente da fé que se professa?

Outra questão que gostaria de inserir nesse texto que finalizo no caminho de volta para o Rio de Janeiro é com relação à linguagem utilizada por alguns veículos em nosso meio. Se o objetivo da imprensa e mesmo como cristãos é de levar a mensagem para o maior número de pessoas, temos que ter muito cuidado com a forma de nossa comunicação. Como no meu dia a dia tenho contato com muitas pessoas que não são evangélicas e não dominam o linguajar ‘crentês’ procuro traduzir muitos dos nossos termos para expressões que podem ser facilmente compreendidos por quem não é deste segmento. Esta atitude precisa ser replicada com mais frequência nos veículos de comunicação cristã. Ouvindo programas de rádio pelo Brasil fico observando a quantidade de termos específicos do linguajar que apenas servem para reforçar o estereótipo do crente. Precisamos trazer uma linguagem menos hermética, mais coloquial para atingir e comunicar pessoas de fora de nosso ambiente. Em sites e revistas também vemos essa cultura do ‘crentês’ utilizada à exaustão. Me divirto ao ler algumas resenhas e análises de lançamentos de discos repletos de adjetivos ‘crentescos’ … realmente é muita bênção irmão!?!?!?

Todo cuidado com a forma de expressar-se! Evite termos que só mesmo os crentes podem entender. Lembre-se que a notícia precisa ser entendida pelo maior número de pessoas.

Mas ainda assim tenho muita esperança. Principalmente numa turma jovem que está chegando ao mercado e que vem buscando excelência e conhecimento para ser usado no meio cristão. Vejo que temos muito a progredir, especialmente em se tratando do jornalismo cristão. Num ambiente complicado como o de rádios, já começo a ver executivos de emissoras evangélicas tratando com todo respeito que o próprio veículo merece, valorizando sua programação, os artistas e principalmente seu público. Na mídia impressa, cabe meu registro e respeito o trabalho que Mário Fernando, editor da Revista Comunhão vem há 18 anos desenvolvendo no Estado do Espírito Santo, assim como as revistas Ultimato e Cristianismo Hoje. No meio digital, alguns poucos sites que optam por não seguir a cartilha do Ctrl C Ctrl V, também têm feito diferença.

Finalizo o texto querendo deixar uma palavra de incentivo a todos aqueles que querem dedicar suas vidas ao jornalismo no meio cristão. Que levem com a maior seriedade o trabalho que Deus coloca em suas mãos, que optem por seguir o caminho da excelência e relevância para que assim e, somente assim, o mercado publicitário os reconheça e os trate com o devido respeito.

Vamos em frente!

 

 

Mauricio Soares, jornalista, cristão, sem muita paciência pra mimimi.

Estou neste momento retomando o caminho de casa após quase uma semana intensa de muito trabalho em Portugal. O meu objetivo nestes dias foi unicamente conhecer o atual cenário da música cristã e analisar a viabilidade de um projeto nos mesmos moldes do que desenvolvemos no Brasil com grande êxito nos últimos 5 anos. Em curtíssimos 5 dias foram mais de 50 encontros numa maratona estafante e intensa. Conversei com artistas, compositores, produtores musicais, músicos, profissionais do meio fonográfico, líderes, padres, pastores, profissionais de mídias (as pouquíssimas que existem por lá), ou seja, uma raríssima e rica experiência de intercâmbio intercultural.

Coincidentemente este mesmo tipo de viagem fiz a pouco mais de 20 anos atrás, justamente para Portugal. A diferença é que naquela época meu foco era o mercado editorial e não o fonográfico. No entanto, o objetivo era bem parecido, ou seja, entender o mercado cristão português para uma análise sobre a viabilidade de se investir ou não além-mar. Naquela oportunidade minha impressão e conclusão era de que deveríamos focar tão somente o mercado brasileiro, já que em Portugal o mercado evangélico era muito incipiente e sem projeções de crescimento.

Regresso os mais de 7 mil quilômetros entre Lisboa e o Rio de Janeiro neste momento com uma convicção diferente da que tive ainda no século passado. No entanto, engana-se quem imagina que minha decisão deve-se à alguma mudança alvissareira do mercado cristão português. Não, definitivamente não temos um cenário de crescimento por lá. Em alguns aspectos, a impressão que tenho é de que o segmento evangélico português permanece no mesmo patamar de décadas atrás. E isso não é força de linguagem, infelizmente, pelo contrário, é um fato. A diferença motivadora em minha decisão de outrora e atual não tem a ver com a situação daquele país, mas porque hoje sou uma pessoa bem diferente daquele jovem iniciando uma carreira profissional no mercado evangélico. Confesso que sou um cara meio idealista, às vezes um tanto quanto quixotesco lutando contra moinhos em prol do crescimento do mercado cristão. E este espírito é o que me motiva neste momento a seguir com a ideia de se investir na intenção de implantar um label de música gospel na região ibérica.

Nestes dias tive reuniões com artistas espanhóis, moçambicanos, angolanos, brasileiros e até portugueses (rs). Minha intenção era muito mais ouvir do que falar, mas é óbvio que os encontros acabaram virando pequenos debates e muito mais mini-palestras sobre o mercado fonográfico, mundo digital, estratégias de marketing, gerenciamento de carreira e temas a fim. Todas estas conversas serviram para que eu tivesse uma noção e uma visão mais clara da realidade do mercado cristão em Portugal. Ainda no meu penúltimo dia em Lisboa, tive oportunidade de apresentar meu relatório à equipe da gravadora e felizmente o projeto foi aprovado e em breve teremos boas novidades!

No entanto, mais do que qualquer questão econômica, estrutural ou logística, o que mais me chamou a atenção nestes dias foi a situação do cenário artístico cristão. Do ponto de vista da qualidade da música que vem sendo produzida por lá confesso que me surpreendi positivamente por tudo que vi e ouvi. A influência anglo da música se faz bem presente em Portugal, não somente no meio gospel mas também no secular. A música brasileira, especialmente no meio secular, perdeu muito em importância e relevância, coincidentemente seguindo a diminuição da presença das telenovelas da Globo. As TVs portuguesas investiram muito na produção de telenovelas o que consequentemente restringiu-se o espaço para as produções brasileiras e isso acabou diminuindo também a influência da cultura e música tupiniquim.

No meio cristão, a música brasileira ainda tem alguma influência. Inevitavelmente entre os brazucas essa referência é bem maior. Já entre os portugueses a maior referência está em artistas de língua inglesa com predominância para o onipresente Hillsong. Entre os africanos há um misto de música brasileira, worship e influência norte-americana eletrônica e hip hop. Fiquei particularmente feliz em ver que jovens cantores brasileiros como Gabriela Rocha, Daniela Araújo e Anderson Freire são nomes bastante populares por estas praias. Os já consagrados, Aline Barros, Fernandinho, Thalles, Marquinhos Gomes, Damares, Fernanda Brum, também foram constantemente lembrados. Alguns não necessariamente somente por suas virtudes musicais.

Então, na parte musical e de produção, o cenário português cristão está bem representado. Artistas como Ana Mari, Voz de Júbilo, Ministério de louvor da igreja CCC, Carla Alexandra e mais alguns nomes têm talento e qualidade. O mesmo ocorre no meio gospel espanhol. O problema está presente em duas a três questões que me trouxeram certo susto e apreensão. Em primeiro lugar, a igreja evangélica portuguesa está estagnada já faz algumas décadas.

Se no Brasil o segmento evangélico representa cerca de 30% da população, do outro lado do Atlântico não ultrapassa míseros 4%.

E pior, sem registrar crescimento significativo nas últimas décadas. Na verdade, nos últimos anos, com o regresso de muitos brasileiros ao país de origem ou mesmo o êxodo para outros países na Europa, o que se observa é a diminuição da população evangélica, chegando inclusive ao fechamento de muitas igrejas. Não há como comparar um mercado de 60 milhões de consumidores com outro de 400 mil, por isso mesmo a comparação é percentual e não absoluta. De um jeito ou de outro a distância entre uma realidade e outra é bem maior do que os milhares de quilômetros que no separam pelo Atlântico.

Coincidência ou não, a igreja portuguesa é muito restritiva aos artistas e à própria música em seus territórios. Soube inclusive de que uma determinada denominação proíbe – sim, é isso mesmo! Não é metáfora, mas uma lei oficial da igreja imposta pelo pastor-presidente – os artistas da própria igreja de se apresentarem e comercializarem discos em eventos ou pós-cultos. Com esta “lei-anti-artista-gospel” o que se observa é um desestímulo reinante entre os músicos daquela denominação. Muitos acabaram migrando para o mercado secular para que sua arte tivesse algum espaço ou reconhecimento. E isto é mais comum do que se possa imaginar por lá. Atualmente um dos mais proeminentes e populares jovens artistas do cenário português é um jovem, filho de pastor, que se viu obrigado a seguir numa carreira secular com sua banda após anos e anos sem qualquer apoio por parte da igreja evangélica. Ele inclusive me confidenciou já ter viajado mais de 300 Km para participar de um evento em que sequer o pastor ofertou-lhe o dinheiro da gasolina.

Diferentemente do Brasil, as igrejas evangélicas são poucas em Portugal. Estima-se que exista uma população de 400 mil evangélicos num universo de 10 milhões de habitantes. O perfil médio das igrejas por lá é de comunidades que reúnam entre 50 a 100 pessoas. Uma igreja com 500 pessoas é considerada enorme no meio evangélico lusitano. E muito desta timidez de números e estagnação do segmento deve-se à cultura européia racional, à tradição católica enraizada no país, aos escândalos e problemas proporcionados por alguns líderes evangélicos em décadas anteriores, à pequena quantidade de mídias de massa do segmento no país, entre outros aspectos. Pra exemplificar a questão das mídias, há apenas uma única emissora FM 100% evangélica ou mesmo católica em toda a Portugal com programação ao vivo. Não há um único canal de TV para o segmento, raros são os programas em canais de menor expressão e alcance limitado. E, pasmem!, não há um único site especializado em música cristã portuguesa. Ou seja, a música cristã praticamente sobrevive em termos de divulgação ao milenar boca a boca. Algo assustadoramente anacrônico em tempos digitais.

Confesso que se pudesse eu escreveria uma espécie de CARTA ABERTA aos evangélicos de Portugal, principalmente aos artistas e líderes, pedindo, na verdade clamando, por uma maior atenção e uma mudança de postura com a música cristã naquele país. Infelizmente uma esmagadora parcela da liderança evangélica portuguesa não entendeu que a música tem um poder enorme de transformação e que pode ser a grande ferramenta que esteja faltando ser utilizada para atingir mentes e corações da sociedade lusitana.

A música cristã pode levar a mensagem das Boas Novas para muitas pessoas que recusam-se a ouvir uma pregação, ou mesmo a entrar numa igreja.

Em minha curta passagem por lá tive oportunidade de ouvir dois portugueses confessarem que se converteram ao ouvir determinadas músicas evangélicas. A música tem essa força! Por outro lado, ouvi também testemunhos emocionados de alguns artistas falando a respeito da dificuldade que se é ter um ministério musical naquele país pela mais absoluta falta de apoio por parte das igrejas. Alguns destes testemunhos eram recheados de relatos vergonhosos da mais incrível falta de respeito ao músico cristão. Inclusive há casos de artistas que praticamente já haviam ‘entregue os pontos’ dedicando-se a outros projetos, até mesmo por questões de sobrevivência.

Em determinado momento me vi como uma espécie de psicólogo tentando reverter essa maré de pessimismo e desânimo. Será coincidência o fato de que a igreja evangélica vive anos de estagnação e o tipo de relação que esta tem com a música cristã? Ou mesmo a questão do pouco número de mídias segmentadas com a pouca influência da igreja na sociedade? Não tenho a menor dúvida de que se os líderes começarem a incentivar seus músicos, abrindo mais espaço para o intercâmbio para a classe artística, realizando mais eventos em suas igrejas, de que este ‘investimento’ será revertido no crescimento da própria igreja! Isso sem falar na expansão das mídias evangélicas. Está tudo relacionado entre si, há uma simbiose entre estes diferentes cenários e certamente quando um se desenvolve todo o resto cresce junto. Parece óbvia esta constatação e de fato é … e talvez de tão simples a solução, as pessoas imaginem não ser a mais correta nestes casos.

Em minha CARTA ABERTA certamente eu diria aos pastores e líderes sobre a responsabilidade que eles têm pelo não-crescimento da população evangélica naquele país. E não venham me falar em crise, em dificuldades … nada disso justifica a inércia. E, no caso da crise, pelo contrário isso não é justificativa, mas oportunidade pois já é sabido de que sociedades em crise costumam ser mais sensíveis às questões relacionadas à fé. Também focaria meu texto aos artistas que pretendem levar à sério este chamado, seus ministérios. Pelo que vi e ouvi nestes dias há um absoluto desconhecimento sobre as questões de marketing, universo digital, organização, planejamento, promoção e afins. A artista gospel com maio número de seguidores numa fanpage possui pouco mais de 30 mil fãs, algo ínfimo, mesmo em se tratando do universo português. Outro dado que me assustou é de que poucos são aqueles que possuem outras redes sociais além do próprio Facebook e, mesmo assim, com utilização completamente equivocada desta ferramenta. Atualizem-se urgentemente!

Alguns importantes artistas do segmento cristão com menos de 5 mil seguidores no Facebook disseram claramente “não mexer com essas coisas” ou “não ter tempo”, como se isto fosse possível, algo como sendo um simples passatempo e não uma ferramenta crucial hoje em dia. Entre estes ‘perdidos no tempo e no espaço’ há gente que lidera centenas de pessoas em suas comunidades. E a minha pergunta era sempre a mesma: não há um único miúdo ou adolescente em sua igreja que curta estas questões de internet e que possa ajudá-lo e cuidar de suas redes sociais?

Ressalte-se que até agora não falei de dinheiro e nem de investimento, estou falando somente de estratégia, atitude, vontade de mudar, entendimento, disposição, bom senso … questões muito mais pessoais do que estruturais.

Sempre gosto de receber o feedback das pessoas com quem converso. E nestes dias procurei saber posteriormente o resultado de minhas conversas, às vezes verdadeiras palestras, em alguns casos clássicos ‘puxões de orelhas’. E em todas o retorno foi bastante positivo. Recebi em meu último dia de trabalho o email de um importante artista do cenário cristão português agradecendo-me por ter dedicado meu tempo a eles. Neste email ele inclusive já me contava sobre algumas atitudes que havia tomado após conversar conosco e que aquilo já trazia uma motivação diferente ao seu dia a dia. Em outro destes feedbacks um jovem pastor também ligado à música contou-me que pretende investir mais na realização de encontros e que já havia marcado para gravar alguns vídeo-clipes usando a capital lusitana como cenário. Estas informações e impressões são o que de verdade me motivam a deixar minha família, meus afazeres no escritório e dedicar-me por alguns dias a pessoas que até então nem conhecia. E sinceramente espero que minha passagem por Portugal tenha contribuído de alguma forma para dar uma sacudida nas mentes daquelas pessoas para que em seguida possam levar a Palavra com mais empenho e somente assim transformação aquela sociedade.

Aos pastores e artistas brasileiros minha oração é de que olhem para Portugal com outros olhos. Temos que apoiá-los com o sentimento missionário e cristão, investindo tempo e dinheiro para que aquele povo possa conhecer a mensagem libertadora da cruz. Especialmente aos artistas brasileiros gostaria de incentivá-los a facilitar ao máximo as condições quando receberem convites para se apresentarem por lá. De verdade, espero mesmo até que alguns que já tão bem sucedidos economicamente que dediquem alguns dias de suas agendas intensas para irem até Portugal abençoar a igreja evangélica por lá.

Quando um português decide seguir a Cristo, a professar publicamente como seu único e suficiente Salvador, ingressando numa igreja evangélica, esta é uma decisão consciente e permanente. Não se brinca de crente!

Não se esqueçam que neste momento a Europa passa por uma crise de imigrantes saindo da África e Oriente Médio, com uma imensa maioria muçulmana. Se formos a Londres ou mesmo Paris temos a impressão de estarmos na Arábia Saudita, Dubai ou qualquer outro país da região tamanha a quantidade de muçulmanos presentes. Ouvi de uma pessoa de que esta imigração é uma espécie de Cavalo de Tróia onde de forma não explícita a fé muçulmana vai tomando espaço na sociedade européia.  Muita atenção a estes fatos! E por fim, creio como a Bíblia nos ensina de que quando todos tiverem acesso à mensagem de Cristo este será o tempo para que ele venha e resgate sua igreja. Se verdadeiramente queremos viver este tempo, então precisamos agir, mudar nossas atitudes e conceitos para que sua Palavra seja difundida. Um dia a menos evangelizando é um dia a mais de espera por este momento.

Força!

P.S. – Quero aproveitar e agradecer ao imenso carinho e comprometimento de toda equipe Sony Music em Portugal. Vocês são uma malta muito fixe! E em especial ao novo grande amigo, super produtor, pastor, compositor, arranjador, cantor, David Neutel, uma espécie de catalisador do cenário cristão em Portugal e Espanha. Sem sua ajuda, gajo, nada disso seria possível! Tu és boa onda!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, idealista, mais novo torcedor do Sporting (por influência do meu chefe português!)e alguém que torce pela mudança de certas culturas que ainda emperram o crescimento do Evangelho no mundo.