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Estou neste momento retomando o caminho de casa após quase uma semana intensa de muito trabalho em Portugal. O meu objetivo nestes dias foi unicamente conhecer o atual cenário da música cristã e analisar a viabilidade de um projeto nos mesmos moldes do que desenvolvemos no Brasil com grande êxito nos últimos 5 anos. Em curtíssimos 5 dias foram mais de 50 encontros numa maratona estafante e intensa. Conversei com artistas, compositores, produtores musicais, músicos, profissionais do meio fonográfico, líderes, padres, pastores, profissionais de mídias (as pouquíssimas que existem por lá), ou seja, uma raríssima e rica experiência de intercâmbio intercultural.

Coincidentemente este mesmo tipo de viagem fiz a pouco mais de 20 anos atrás, justamente para Portugal. A diferença é que naquela época meu foco era o mercado editorial e não o fonográfico. No entanto, o objetivo era bem parecido, ou seja, entender o mercado cristão português para uma análise sobre a viabilidade de se investir ou não além-mar. Naquela oportunidade minha impressão e conclusão era de que deveríamos focar tão somente o mercado brasileiro, já que em Portugal o mercado evangélico era muito incipiente e sem projeções de crescimento.

Regresso os mais de 7 mil quilômetros entre Lisboa e o Rio de Janeiro neste momento com uma convicção diferente da que tive ainda no século passado. No entanto, engana-se quem imagina que minha decisão deve-se à alguma mudança alvissareira do mercado cristão português. Não, definitivamente não temos um cenário de crescimento por lá. Em alguns aspectos, a impressão que tenho é de que o segmento evangélico português permanece no mesmo patamar de décadas atrás. E isso não é força de linguagem, infelizmente, pelo contrário, é um fato. A diferença motivadora em minha decisão de outrora e atual não tem a ver com a situação daquele país, mas porque hoje sou uma pessoa bem diferente daquele jovem iniciando uma carreira profissional no mercado evangélico. Confesso que sou um cara meio idealista, às vezes um tanto quanto quixotesco lutando contra moinhos em prol do crescimento do mercado cristão. E este espírito é o que me motiva neste momento a seguir com a ideia de se investir na intenção de implantar um label de música gospel na região ibérica.

Nestes dias tive reuniões com artistas espanhóis, moçambicanos, angolanos, brasileiros e até portugueses (rs). Minha intenção era muito mais ouvir do que falar, mas é óbvio que os encontros acabaram virando pequenos debates e muito mais mini-palestras sobre o mercado fonográfico, mundo digital, estratégias de marketing, gerenciamento de carreira e temas a fim. Todas estas conversas serviram para que eu tivesse uma noção e uma visão mais clara da realidade do mercado cristão em Portugal. Ainda no meu penúltimo dia em Lisboa, tive oportunidade de apresentar meu relatório à equipe da gravadora e felizmente o projeto foi aprovado e em breve teremos boas novidades!

No entanto, mais do que qualquer questão econômica, estrutural ou logística, o que mais me chamou a atenção nestes dias foi a situação do cenário artístico cristão. Do ponto de vista da qualidade da música que vem sendo produzida por lá confesso que me surpreendi positivamente por tudo que vi e ouvi. A influência anglo da música se faz bem presente em Portugal, não somente no meio gospel mas também no secular. A música brasileira, especialmente no meio secular, perdeu muito em importância e relevância, coincidentemente seguindo a diminuição da presença das telenovelas da Globo. As TVs portuguesas investiram muito na produção de telenovelas o que consequentemente restringiu-se o espaço para as produções brasileiras e isso acabou diminuindo também a influência da cultura e música tupiniquim.

No meio cristão, a música brasileira ainda tem alguma influência. Inevitavelmente entre os brazucas essa referência é bem maior. Já entre os portugueses a maior referência está em artistas de língua inglesa com predominância para o onipresente Hillsong. Entre os africanos há um misto de música brasileira, worship e influência norte-americana eletrônica e hip hop. Fiquei particularmente feliz em ver que jovens cantores brasileiros como Gabriela Rocha, Daniela Araújo e Anderson Freire são nomes bastante populares por estas praias. Os já consagrados, Aline Barros, Fernandinho, Thalles, Marquinhos Gomes, Damares, Fernanda Brum, também foram constantemente lembrados. Alguns não necessariamente somente por suas virtudes musicais.

Então, na parte musical e de produção, o cenário português cristão está bem representado. Artistas como Ana Mari, Voz de Júbilo, Ministério de louvor da igreja CCC, Carla Alexandra e mais alguns nomes têm talento e qualidade. O mesmo ocorre no meio gospel espanhol. O problema está presente em duas a três questões que me trouxeram certo susto e apreensão. Em primeiro lugar, a igreja evangélica portuguesa está estagnada já faz algumas décadas.

Se no Brasil o segmento evangélico representa cerca de 30% da população, do outro lado do Atlântico não ultrapassa míseros 4%.

E pior, sem registrar crescimento significativo nas últimas décadas. Na verdade, nos últimos anos, com o regresso de muitos brasileiros ao país de origem ou mesmo o êxodo para outros países na Europa, o que se observa é a diminuição da população evangélica, chegando inclusive ao fechamento de muitas igrejas. Não há como comparar um mercado de 60 milhões de consumidores com outro de 400 mil, por isso mesmo a comparação é percentual e não absoluta. De um jeito ou de outro a distância entre uma realidade e outra é bem maior do que os milhares de quilômetros que no separam pelo Atlântico.

Coincidência ou não, a igreja portuguesa é muito restritiva aos artistas e à própria música em seus territórios. Soube inclusive de que uma determinada denominação proíbe – sim, é isso mesmo! Não é metáfora, mas uma lei oficial da igreja imposta pelo pastor-presidente – os artistas da própria igreja de se apresentarem e comercializarem discos em eventos ou pós-cultos. Com esta “lei-anti-artista-gospel” o que se observa é um desestímulo reinante entre os músicos daquela denominação. Muitos acabaram migrando para o mercado secular para que sua arte tivesse algum espaço ou reconhecimento. E isto é mais comum do que se possa imaginar por lá. Atualmente um dos mais proeminentes e populares jovens artistas do cenário português é um jovem, filho de pastor, que se viu obrigado a seguir numa carreira secular com sua banda após anos e anos sem qualquer apoio por parte da igreja evangélica. Ele inclusive me confidenciou já ter viajado mais de 300 Km para participar de um evento em que sequer o pastor ofertou-lhe o dinheiro da gasolina.

Diferentemente do Brasil, as igrejas evangélicas são poucas em Portugal. Estima-se que exista uma população de 400 mil evangélicos num universo de 10 milhões de habitantes. O perfil médio das igrejas por lá é de comunidades que reúnam entre 50 a 100 pessoas. Uma igreja com 500 pessoas é considerada enorme no meio evangélico lusitano. E muito desta timidez de números e estagnação do segmento deve-se à cultura européia racional, à tradição católica enraizada no país, aos escândalos e problemas proporcionados por alguns líderes evangélicos em décadas anteriores, à pequena quantidade de mídias de massa do segmento no país, entre outros aspectos. Pra exemplificar a questão das mídias, há apenas uma única emissora FM 100% evangélica ou mesmo católica em toda a Portugal com programação ao vivo. Não há um único canal de TV para o segmento, raros são os programas em canais de menor expressão e alcance limitado. E, pasmem!, não há um único site especializado em música cristã portuguesa. Ou seja, a música cristã praticamente sobrevive em termos de divulgação ao milenar boca a boca. Algo assustadoramente anacrônico em tempos digitais.

Confesso que se pudesse eu escreveria uma espécie de CARTA ABERTA aos evangélicos de Portugal, principalmente aos artistas e líderes, pedindo, na verdade clamando, por uma maior atenção e uma mudança de postura com a música cristã naquele país. Infelizmente uma esmagadora parcela da liderança evangélica portuguesa não entendeu que a música tem um poder enorme de transformação e que pode ser a grande ferramenta que esteja faltando ser utilizada para atingir mentes e corações da sociedade lusitana.

A música cristã pode levar a mensagem das Boas Novas para muitas pessoas que recusam-se a ouvir uma pregação, ou mesmo a entrar numa igreja.

Em minha curta passagem por lá tive oportunidade de ouvir dois portugueses confessarem que se converteram ao ouvir determinadas músicas evangélicas. A música tem essa força! Por outro lado, ouvi também testemunhos emocionados de alguns artistas falando a respeito da dificuldade que se é ter um ministério musical naquele país pela mais absoluta falta de apoio por parte das igrejas. Alguns destes testemunhos eram recheados de relatos vergonhosos da mais incrível falta de respeito ao músico cristão. Inclusive há casos de artistas que praticamente já haviam ‘entregue os pontos’ dedicando-se a outros projetos, até mesmo por questões de sobrevivência.

Em determinado momento me vi como uma espécie de psicólogo tentando reverter essa maré de pessimismo e desânimo. Será coincidência o fato de que a igreja evangélica vive anos de estagnação e o tipo de relação que esta tem com a música cristã? Ou mesmo a questão do pouco número de mídias segmentadas com a pouca influência da igreja na sociedade? Não tenho a menor dúvida de que se os líderes começarem a incentivar seus músicos, abrindo mais espaço para o intercâmbio para a classe artística, realizando mais eventos em suas igrejas, de que este ‘investimento’ será revertido no crescimento da própria igreja! Isso sem falar na expansão das mídias evangélicas. Está tudo relacionado entre si, há uma simbiose entre estes diferentes cenários e certamente quando um se desenvolve todo o resto cresce junto. Parece óbvia esta constatação e de fato é … e talvez de tão simples a solução, as pessoas imaginem não ser a mais correta nestes casos.

Em minha CARTA ABERTA certamente eu diria aos pastores e líderes sobre a responsabilidade que eles têm pelo não-crescimento da população evangélica naquele país. E não venham me falar em crise, em dificuldades … nada disso justifica a inércia. E, no caso da crise, pelo contrário isso não é justificativa, mas oportunidade pois já é sabido de que sociedades em crise costumam ser mais sensíveis às questões relacionadas à fé. Também focaria meu texto aos artistas que pretendem levar à sério este chamado, seus ministérios. Pelo que vi e ouvi nestes dias há um absoluto desconhecimento sobre as questões de marketing, universo digital, organização, planejamento, promoção e afins. A artista gospel com maio número de seguidores numa fanpage possui pouco mais de 30 mil fãs, algo ínfimo, mesmo em se tratando do universo português. Outro dado que me assustou é de que poucos são aqueles que possuem outras redes sociais além do próprio Facebook e, mesmo assim, com utilização completamente equivocada desta ferramenta. Atualizem-se urgentemente!

Alguns importantes artistas do segmento cristão com menos de 5 mil seguidores no Facebook disseram claramente “não mexer com essas coisas” ou “não ter tempo”, como se isto fosse possível, algo como sendo um simples passatempo e não uma ferramenta crucial hoje em dia. Entre estes ‘perdidos no tempo e no espaço’ há gente que lidera centenas de pessoas em suas comunidades. E a minha pergunta era sempre a mesma: não há um único miúdo ou adolescente em sua igreja que curta estas questões de internet e que possa ajudá-lo e cuidar de suas redes sociais?

Ressalte-se que até agora não falei de dinheiro e nem de investimento, estou falando somente de estratégia, atitude, vontade de mudar, entendimento, disposição, bom senso … questões muito mais pessoais do que estruturais.

Sempre gosto de receber o feedback das pessoas com quem converso. E nestes dias procurei saber posteriormente o resultado de minhas conversas, às vezes verdadeiras palestras, em alguns casos clássicos ‘puxões de orelhas’. E em todas o retorno foi bastante positivo. Recebi em meu último dia de trabalho o email de um importante artista do cenário cristão português agradecendo-me por ter dedicado meu tempo a eles. Neste email ele inclusive já me contava sobre algumas atitudes que havia tomado após conversar conosco e que aquilo já trazia uma motivação diferente ao seu dia a dia. Em outro destes feedbacks um jovem pastor também ligado à música contou-me que pretende investir mais na realização de encontros e que já havia marcado para gravar alguns vídeo-clipes usando a capital lusitana como cenário. Estas informações e impressões são o que de verdade me motivam a deixar minha família, meus afazeres no escritório e dedicar-me por alguns dias a pessoas que até então nem conhecia. E sinceramente espero que minha passagem por Portugal tenha contribuído de alguma forma para dar uma sacudida nas mentes daquelas pessoas para que em seguida possam levar a Palavra com mais empenho e somente assim transformação aquela sociedade.

Aos pastores e artistas brasileiros minha oração é de que olhem para Portugal com outros olhos. Temos que apoiá-los com o sentimento missionário e cristão, investindo tempo e dinheiro para que aquele povo possa conhecer a mensagem libertadora da cruz. Especialmente aos artistas brasileiros gostaria de incentivá-los a facilitar ao máximo as condições quando receberem convites para se apresentarem por lá. De verdade, espero mesmo até que alguns que já tão bem sucedidos economicamente que dediquem alguns dias de suas agendas intensas para irem até Portugal abençoar a igreja evangélica por lá.

Quando um português decide seguir a Cristo, a professar publicamente como seu único e suficiente Salvador, ingressando numa igreja evangélica, esta é uma decisão consciente e permanente. Não se brinca de crente!

Não se esqueçam que neste momento a Europa passa por uma crise de imigrantes saindo da África e Oriente Médio, com uma imensa maioria muçulmana. Se formos a Londres ou mesmo Paris temos a impressão de estarmos na Arábia Saudita, Dubai ou qualquer outro país da região tamanha a quantidade de muçulmanos presentes. Ouvi de uma pessoa de que esta imigração é uma espécie de Cavalo de Tróia onde de forma não explícita a fé muçulmana vai tomando espaço na sociedade européia.  Muita atenção a estes fatos! E por fim, creio como a Bíblia nos ensina de que quando todos tiverem acesso à mensagem de Cristo este será o tempo para que ele venha e resgate sua igreja. Se verdadeiramente queremos viver este tempo, então precisamos agir, mudar nossas atitudes e conceitos para que sua Palavra seja difundida. Um dia a menos evangelizando é um dia a mais de espera por este momento.

Força!

P.S. – Quero aproveitar e agradecer ao imenso carinho e comprometimento de toda equipe Sony Music em Portugal. Vocês são uma malta muito fixe! E em especial ao novo grande amigo, super produtor, pastor, compositor, arranjador, cantor, David Neutel, uma espécie de catalisador do cenário cristão em Portugal e Espanha. Sem sua ajuda, gajo, nada disso seria possível! Tu és boa onda!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, idealista, mais novo torcedor do Sporting (por influência do meu chefe português!)e alguém que torce pela mudança de certas culturas que ainda emperram o crescimento do Evangelho no mundo. 

Todo santo dia e aqueles nem tão santos assim, temos lido, ouvido, assistido os noticiários dando conta da crise pela qual o país vem passando neste momento. Não há um único índice econômico em que o Brasil esteja hoje melhor do que estava há alguns anos atrás. Nesta manhã, logo cedo, ao me preparar para mais um dia de trabalho recebo a notícia de que o índice de desemprego no país é o maior dos últimos 16 anos. Coincidência ou não, nesta mesma fatídica manhã também ouço na rádio que o índice de aprovação da presidente Dilma é de 7%, repetindo o viés de queda já que na última pesquisa este índice era de 11% da população brasileira.

A TAM, empresa aérea nacional, já divulgou o cancelamento de diversas linhas regionais e internacionais, além de uma redução de cerca de 10% de sua estrutura. A Petrobrás reduziu drasticamente seus investimentos previstos para os próximos anos. Taxas de juros seguem tendência de alta, bolsa de valores em sentido oposto, de queda, já o dólar segue em alta passando de R$ 3,20. A taxa de ocupação da rede hoteleira no Rio de Janeiro está abaixo de 50% em plena alta temporada e inverno com 34 graus, ou seja, convidativo ao turismo e ao lazer.

Prestes a completar 46 anos de idade posso garantir que voltar a viver com as preocupações de inflação, recessão e desemprego não me agradam em nada. Vivi o auge da inflação do ‘des-governo’ Sarney com reposição salarial de 76% ao mês e inflação sem controle. Depois sobrevivemos à URV, às conversões diárias de moeda, mudança de nome de nossa moeda e toda a loucura que só quem viveu aquela época pode entender. Mas na verdade, não estou aqui para analisar a atual situação econômica, em encontrar culpados (até porque disso não tenho a menor dúvida!), ou projetar tendências sobre a economia do nosso país ou mundial.

O texto de hoje tem a ver com uma outra questão. Na verdade, se tem um mercado que vem apanhando, sofrendo, muitas vezes descrito como um doente terminal aguardando a extrema unção, esse é o mercado fonográfico. Que apesar de todos os prognósticos negativos e contrários segue se reinventando e reerguendo como a mitológica Íbis em meio ao caos. Este post tem como objetivo incentivar a todos que trabalham no mercado cristão a enfrentar com criatividade, tenacidade e principalmente planejamento e foco, este momento de crise no país. E quero trazer a todos estes profissionais o exemplo que temos do próprio mercado fonográfico, que é pródigo em driblar tendências catastróficas.

Vamos aos fatos. Na década de 80, as grandes companhias fonográficas dominavam o circuito artístico. Grandes nomes nacionais e internacionais vendiam milhões de discos, na época LP. Já na década seguinte uma grande mudança aconteceu com a chegada do CD. O que para muitos parecia ser um grande risco pela transformação, acabou tornando-se num primeiro momento numa oportunidade fantástica! As gravadoras começaram a vender milhões de discos de dezenas de artistas nacionais. Grandes festivais e turnês internacionais começaram a incluir o país no circuito. O dinheiro rolava aos borbotões tanto que as próprias gravadoras incentivavam os artistas de seus casts a montarem escritórios próprios para as questões de shows e agendas, já que esta era uma parte de menor lucratividade para as companhias e onde se concentravam boa parte dos problemas de administração e logística. Depois desse boom aconteceu o que todo mundo sabe, a pirataria se disseminou e com ela a queda nas vendas. Mais uma vez esperou-se pelo pior, pela quebradeira geral das gravadoras e do fim do mercado fonográfico. Passado o susto, eis que surge uma nova onda, o mercado digital e como toda mudança de formato e de hábitos, ninguém tinha certeza do que iria acontecer e mais uma vez, os profetas apocalípticos determinavam o fim do mercado.

Ufa! Depois de mais um tsunami, eis que o mercado fonográfico mundial frustrando as tendências pessimistas já aponta para um novo período de grande crescimento e oportunidades. Costumo dizer quando questionado sobre o mercado fonográfico gospel que hoje temos muito mais oportunidades do que tempos atrás. E para reforçar minha linha de raciocínio basta comparar com os canais de distribuição que tínhamos até tempos atrás, algo como 1500 pontos de venda em todo o Brasil, entre lojas, igrejas, distribuidores e até mesmo colportores, que são os atuais revendedores porta a porta. Pois bem, se antes tínhamos esta rede de distribuição, hoje além destes 1500 pontos ainda temos 273 milhões de aparelhos de celular e mais de 120 milhões de brasileiros com acesso à web em seus lares. Ou seja, hoje em dia, as gravadoras têm muito maior potencial de vendas do que a tempos atrás.

A grande questão é como lidamos com as dificuldades, as oportunidades e principalmente com as transformações. Dependendo de nossa reação, os resultados podem ser fantásticos ou deprimentes!

E aí quero incluir no meu foco, os livreiros que trabalham com o mercado gospel no nosso país. Se tem uma pessoa que conhece a realidade e, em especial, livrarias evangélicas em todo o país, esse ‘cara sou eu’, parafraseando Roberto Carlos. Nos últimos 26 anos de minha vida, conheci e venho conhecendo livrarias cristãs em todas as cidades por onde estive. Tenho especial prazer em entrar numa loja e observar a qualidade do atendimento, a disposição dos móveis, a vitrine, a disponibilidade de produtos e lançamentos, entre outros detalhes.

Estamos diante de um momento crucial para o mercado livreiro. Ou enfrentamos essa crise com criatividade, inteligência e muito trabalho ou sucumbimos à derrota total. Dias atrás promovi mais um Encontro de Mídias e Lojistas, desta vez na cidade de São Paulo. Investimos tempo e dinheiro nesta iniciativa e no fim colhemos só bons resultados por esta ação. Mais um exemplo! Ou nos entregamos, ou enfrentamos as adversidades. Ou cruzamos os braços ou arregaçamos as mangas e trabalhamos duro! A verdade é que estamos num momento muito interessante e quero pedir-lhe encarecidamente apenas mais alguns minutos de sua atenção.

Tradicionalmente os momentos de crise econômica ou social acabam levando mais pessoas em busca de algo sobrenatural, ao exercício da fé. Não cabe a mim questionar a motivação, mas que efetivamente nestas horas de crise o povo se apega mais a Deus, isso é um fato! Ou seja, se nas últimas décadas a igreja evangélica já vem crescendo em ritmo intenso, tudo indica que este crescimento será ainda mais vigoroso caso tenhamos (espero que não!) um período mais crítico na economia e na própria sociedade brasileira. Do ponto de vista comercial, quanto mais pessoas passam a frequentar as igrejas cristãs, teoricamente o público consumidor de produtos segmentados cresce em igual proporção.

Há uma pesquisa exaustivamente repetida nos últimos anos de que a cada 10 evangélicos, apenas 3 tem o hábito de ir periodicamente em livrarias cristãs, ou seja, há muita gente nos bancos das igrejas que não frequentam livrarias. Com isso, abre-se uma oportunidade e tanto! O mercado livreiro já pensou e executou estratégias para trazer estas pessoas para suas lojas, ou então, na possibilidade de estas lojas estarem mais perto do público? Cada vez mais lojas on line serão uma excelente opção de compra e distribuição de produtos para este segmento. Ou seja, diante da crise a melhor opção é agir, é trabalhar! Até porque muito provavelmente seu concorrente seguirá o caminho inverso, abrindo cada vez mais espaço para quem quer fazer de forma diferente.

Sempre gosto de repetir a experiência que vivi há alguns anos em uma de minhas viagens ao Nordeste. Pela manhã fui visitar o gerente de uma rede de lojas que até então tinha 9 filiais. Sentado numa mesa velha, empoeirada, o gerente transpirando em bicas, me recebeu com uma cara de velório. Num canto da sala, um ventilador de pé meio capenga tentava refrescar o ambiente. Sentei-me para ouvir as notícias e numa cantilena modorrenta o gerente começou a desfiar seu rosário de lamentações como se fosse uma carpideira do sertão. Das 9 lojas, já na próxima semana 2 seriam fechadas. Outras 3 sofreriam redução de tamanho e aquela que seria a sede da rede de lojas seria dividida ao meio dando lugar a alguns boxes numa espécie de mini-shopping popular. Demorei-me naquele lugar por mais 1 hora, não mais do que isso … na verdade, se eu não fosse um otimista por natureza, sairia dali direto para o aeroporto, tamanho baixo astral reinante naquele lugar. A loja tinha uns 3 ou 4 clientes, funcionários mal humorados, muitos com sandálias de dedo, com fardas (no nordeste eles usam essa expressão para uniformes) surradíssimas … ou seja, o clima era de fim de festa!

Saí daquela loja, respirei ar puro na avenida e pus-me a caminhar pelo calçadão do centro da cidade. O burburinho do povo, dos camelôs, do comércio de rua, demonstrava uma realidade bem diferente do que o gerente queria me passar. Mas enfim, segui meu rumo em direção a outro grande amigo e cliente que tinha naquela cidade. Quando cheguei na loja, fui recepcionado por um segurança extremamente simpático que fez questão de abrir a porta para mim e desejar-me uma boa estada na loja. Na livraria com ar condicionado o clima estava muito agradável. Tudo muito bem arrumado. Funcionários devidamente uniformizados, seções bem definidas e sinalizadas. Caminhei por alguns segundos na loja até ser contactado por um vendedor que colocou-se à minha disposição caso precisasse de alguma ajuda. Fiz questão de ficar alguns minutos ali sem me apresentar, justamente para analisar a qualidade do atendimento e tudo mais. No entanto, em poucos minutos o gerente da loja me reconheceu e foi ao meu encontro. Uma festa! Conversamos muito sobre o mercado, sobre as oportunidades, sobre a situação do comércio local … ele fez questão de me mostrar seus planos, suas ideias num entusiasmo empolgante e contagiante. Fiquei por ali pelo menos umas 4 horas e só fui embora porque teria outro compromisso mais tarde.

Aquelas duas visitas numa mesma cidade foram diametralmente opostas. Se um gerente vislumbrava o apocalipse, o outro via oportunidade. Enquanto um remoía suas frustrações, o outro vibrava com suas conquistas. Esta experiência eu vivi há uns 5 anos atrás ou mais um pouco. Neste ano tive a oportunidade de novamente visitar estes dois clientes. O primeiro, encontrei sentado na mesma mesa empoeirada de anos atrás. A diferença é que das 9 lojas, restavam apenas 2, sendo que a maior delas reduzida a 30% da área original. E seguindo sua toada de outrora, o gerente mantinha sua postura inerte e garantia que em mais alguns meses o negócio seria fechado em definitivo. Minha visita não durou mais do que 20 minutos, por educação. Já o segundo gerente, reencontrei-o em meio a um evento que reuniu mais de mil pessoas em sua loja numa sessão de lançamento de um artista de música gospel. A fila dobrava o quarteirão e as pessoas estavam ali desde cedo para um evento que se iniciaria às 16h. Mais uma vez deparei-me com um profissional entusiasmado e visionário, cheio de ideias e planos. Naquele momento ele me falou sobre a abertura de mais uma filial em um importante shopping center na região. Sua meta era manter presença em todas as principais cidades e micro-regiões do Estado. Saí de lá feliz por ver como aquele profissional havia superado as adversidades e tornado-se uma referência.

Neste momento de crise é que conhecemos os profissionais valorosos. Administrar em tempos de fartura é mais tranquilo, mas é no tempo das vacas magras onde surgem os grandes profissionais. Estamos diante de um momento muito especial em nosso país e a mensagem que eu gostaria de deixar aos meus 66 leitores é de incentivo e para que possam, cada qual em sua área de atividades, desempenhar da melhor forma o seu ofício buscando sempre a excelência.

Finalizo este texto perplexo por receber no dia de hoje um flyer de divulgação de uma determinada gravadora que acaba de fechar um contrato com uma das plataformas streaming disponíveis no país e afirmando que com isso estava conquistando algo muito especial. Faltou dizer que essa plataforma já existe por aqui faz mais de 3 anos, portanto, não tem nada de grandioso e fantástico nisso! Especialmente as gravadoras de nosso segmento precisam urgentemente agir para não terem o mesmo triste fim do nosso gerente e sua mesa empoeirada.

Bom trabalho!

Mauricio Soares, casado, pai de 3 meninos muito acima da média, talvez um jornalista-abaixo-da-média, um profissional-de-marketing-na-média (ou não!!!!), um publicitário-abaixo-da-média e, ainda, um consultor-de-marketing-abaixo-da-média. Só o tempo dirá …

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Diariamente recebo em média 250 emails sobre os mais variados assuntos. E engana-se quem imagina que este fluxo diminui nos fins de semana e feriados. Pelo contrário, muitas das vezes justamente neste período minha caixa postal transborda com mais de 350 mensagens. E como tenho algum TOC – transtorno obsessivo compulsivo – algo não me permite desligar o computador após um dia de intenso trabalho sem ao menos dar uma olhada em todos os emails, a simples informação de que alguma mensagem recebida ainda nào foi devidamente lida, não me permito simplesmente deixar para o dia seguinte e desligar meu computador. Tenho uma estranha sensaçào de tarefa não concluída, o que não faz bem algum à minha mente. Tudo bem, estou confessando algum problema que carece de um estudo mais aprofundado, uma terapia talvez, mas enquanto não corro à procura de ajuda especializada sigo nesta neurótica atitude de zerar sempre minha caixa de entrada.

E entre tantas e tantas mensagens importantes, informações, negociações, apresentações, tarefas do cotidiano de um diretor A&R de uma gravadora multinacional, alguns emails me chamam a atenção e muitas das vezes, posso até confessar, que servem como um momento refrescante e relaxante no melhor estilo non sense, ou num bom português, sem noção alguma!!! Nos últimos 2 meses criei no meu Outlook uma pasta especial e coloquei o nome de Absurdos/Blog. Todos estes emails hilários, com mensagens estapafúrdias, inocentes, desprovidas de qualquer noção do que estão pedindo ou informando, resolvi redirecionar para esta pasta. A partir de agora vou apresentar aos meus seletos 66 leitores do blog alguns destes emails especial e criteriosamente pinçados para uma análise mais apurada.

“Sei que ninguém vai dar a devida atenção, mas …” – é o email profético, realmente com essa introdução nunca consigo ler mais do que alguns segundos … geralmente esses emails são direcionados para centenas e centenas de pessoas, muitas das quais em cópia aberta. Pela ausência de resultado e comentários, acredito que geralmente ninguém dá mesmo atenção.

“Minha esposa é levita há 19 anos, tem 12 discos gravados e é um sucesso aqui em Palmeira das Missões …” – definitivamente uma artista com muito tempo de estrada, tantos projetos gravados e que é sucesso num raio de míseros quilômetros, das duas uma: ou é alguém que se contenta com pouco e foca somente em cantar para os vizinhos ou não tem o menor apelo além do próprio quarteirão. Especialmente gravadoras estão focadas em jovens artistas, gente com enorme potencial de crescimento e hoje em dia, com muita adequação ao formato digital.

“Vocês precisam conhecer! Não deixem esse sucesso passar pelas suas mãos!” – este tipo de mensagem é mais recorrente do que se possa imaginar. A impressão é de que estamos diante de um novo Thalles que só precisa de um leve empurraozinho pra deslanchar de vez! Aquele ditado gauchesco do cavalo que passa encilhado e que você deve montar adequa-se a este tipo de mensagem. Confesso que também não dou muita atenção a este tipo de mensagem mesmo sendo alguém que está sempre à procura de novidades. Então, nestes casos, o melhor mesmo é deixar o cavalo correndo livremente pelo pasto …

“Eu quero informações de como faço pra gravar com vocês. Preciso analisar todas as possibilidades …” – outro típico contato sem noção em grau extremo! A impressão é de que o postulante a astro intergaláctico está sendo disputado por todas as gravadoras e cabe a ele, somente a ele, optar por esta ou aquela proposta. Muitas das vezes estas mensagens são acompanhadas de relatos emocionantes mostrando o que o artista vem conquistando nos últimos meses numa carreira meteórica.

“Quero um orçamento para gravar 10 músicas e ser contratado por vocês!” – uma subdivisão da mensagem “sem noção, onde estou? é pra comer ou pra beber?” é quando um incauto nos procura como se fôssemos um estúdio ou mesmo aquele tipo de gravadora que grava, distribui, lava e passa … antes de se enviar um email é fundamental ao menos pesquisar antes com quem se está falando. É o mínimo, não?

“O lançamento mais aguardado do ano!” – aguardado por quem cara-pálida? Se tem uma coisa que não curto são frases de efeito, hiperbolizadas, querendo trazer uma grandiosidade que definitivamente não existe. Coisas como “o maior nome”, “a grande revelação”, “ o mais espetacular da América Latina” só servem para diminuir o projeto em si. Quem é importante não precisa ficar se auto-elogiando o tempo todo.

“Tenho uma promessa e sei que ela vai se cumprir, você apenas precisa me dar uma oportunidade. Não irá se arrepender!” – nestes casos o apelo espiritual é latente! E você como diretor artístico não pode ser uma pedra de tropeço para que o prometido tenha acesso à sua ‘bença’ … se Ele prometeu, então é melhor que você pare tudo pra fazer parte da vitóóóóóória … é pra aplaudir de pé igreiiiixaaaaaa … Nestas horas você não tem nem muito o que dizer, simplesmente entender que se é promessa, Ele também vai mover terra e céu pra coisa acontecer. Mas isso tudo só se realiza com muita paz e convicção, não dá pra sair acreditando em tudo quanto é promessa porque senão aí a coisa fica feia pro seu lado!

“Sei que seu tempo é muito precioso, mas poderia assistir aos meus vídeos e me retornar dando suas impressões. Se possível, me ligue em horário comercial” – ao fim da mensagem links e mais links de apresentações em igrejas com aquela câmera tremendo, ângulos tortos e som pavoroso. Além disso, fotos e mais fotos, links de áudio e a carta de recomendação do pastor-presidente do campo … o mais surreal é a expectativa do dito cujo de que alguém irá pegar o telefone e falar sobre tudo o que foi ali apresentado.

“Tenho uma irmazinha na igreja em que congrego que ela canta demais! Você precisa conhecê-la!” – Não! Não preciso conhecer até porque se fosse a todos os cultos onde tem gente cantando bem, minha mulher e meus filhos me abandonariam … o meio gospel é pródigo em talentos! Pra chamar a atenção de uma gravadora cada vez mais o artista precisa estar com um caminho já iniciado. A história de gente cantando na igreja sendo descoberta e investida por uma gravadora hoje em dia simplesmente não existe!

“Quero muito louvar a Deus. Por favor, acredite e invista em mim para gravar um CD. Tenho um chamado para as nações!” – não confunda louvar a Deus e ter uma carreira artística. Louvar a Deus todos devemos, mas poucos são os que têm realmente condições de seguir numa carreira artística. Não confunda alhos e bugalhos como dizia meu avô! E na verdade, boa parte dos que dizem ter um chamado na verdade mesmo quer é viajar, tirar fotos, se apresentar aqui e ali … o duro é ter que trazer à realidade essa turminha que gosta de se iludir, mas posso assegurar que esta é uma das especialidades da casa … sempre às ordens!

Vou ficando por aqui. Infelizmente ainda tenho muitos outros exemplos de mensagens deste naipe chegando diariamente em nossos canais de contato. Se antigamente os profissionais de gravadoras eram abordados somente pessoalmente ou através de cartas, com o avanço da web e das plataformas sociais, essa distância praticamente sumiu. Em muitos casos esta facilidade ajudou bastante aos profissionais, já por outro lado, permitiu que qualquer um se sinta motivado a mandar sua mensagem, opiniões e pedidos. Coisas da modernidade!

Nos próximos dias teremos muitos textos inéditos no blog, pois a viagem até Fortaleza mostrou-se pródiga em insights, boas ideias e temas.

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, torcedor do Fluminense, longânimo, alguém com o hábito de contar até 1 milhão antes de pular no pescoço alheio, tudo bem que às vezes a contagem é reduzida …

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Dos mesmos criadores do sucesso Deus Não Está Morto, que levou mais de 290 mil espectadores às salas de cinema do Brasil em 2014, o filme Você Acredita (Do You Believe?) é a aposta da 360WayUp, em parceria com a California Filmes, para este ano. Se em Deus Não Está Morto a existência de Deus foi o assunto central da discussão, Você Acredita?, com estreia nacional marcada para o dia 03 de setembro de 2015, irá tratar de um tema recorrente ao cristianismo: a cruz e o sacrifício de Cristo.

Escrito por Chuck Konzelman e Cary Solomon, o enredo conta a história de doze pessoas que, em determinado momento, terão suas vidas cruzadas após serem impactadas pela cruz. Tudo começa depois que Pastor Matthew, papel de Ted McGinley (“Pearl Harbor” e “Nos Bastidores do Poder”), está dirigindo para casa em Chicago, tarde da noite, e é fortemente tocado pela fé visível e corajosa de Malachi, um velho pregador de rua vivido pelo ator Delroy Lindo (da série “Believe”, da NBC). Esse encontro motiva o Pastor Matthew a pregar e viver a mensagem da Cruz, mas ele nem imagina o quanto isso irá refletir em outras pessoas.

Reunindo um elenco encabeçado por nomes conhecidos como Mira Sorvino, vencedora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante em 1995, e Sean Astin, dos filmes “Os Goonies” e “O Senhor dos Anéis”, Você Acredita? ainda vai tocar em questões atuais na sociedade como intolerância religiosa, gravidez na adolescência, crise no relacionamento e suicídio. Segundo o diretor Jonathan Gunn, o filme traz histórias com as quais as pessoas irão se identificar. “É um filme complexo sobre a fé. A verdadeira redenção vem da escuridão real e este filme não teve medo de explorar isso. Ele explora a fé de uma forma complexa e não foge das perguntas difíceis”.

Para Ygor Siqueira, CEO da 360WayUp, o filme Você Acredita? promete ser mais um marco no cinema brasileiro, que tem aberto portas para produções cristãs. “Acreditamos que Você Acredita? chega em um momento onde vivemos diversos conflitos no nosso país e ao redor do mundo. Esse projeto tem tudo para impactar essa geração e dar ao público uma reflexão assertiva acerca de vários temas, inclusive o amor em meio a tantos discursos de ódio que temos vivenciado”.

Atentos à procura do público por filmes cristãos nos cinemas e a carência de produções com uma mensagem adequada para a família, o CSO (Chief Strategy Officer) da California Filmes, Claiton Fernandes, celebra a parceria com a 360WayUp e o lançamento de Você Acredita?. “Acreditamos no filme, na qualidade, na produção e na mensagem que transmite, contagiando aqueles que o assistirem. Temos confiança de que será um filme recomendado e comentado por todos. Além disso, contamos com a empresa 360WayUp, especializada no segmento gospel, que irá assegurar que a comunicação do filme chegue no público-alvo. Juntando todos esses elementos, estamos seguros sobre a qualidade do filme além da campanha de lançamento”.

Fonte: Assessoria de Imprensa

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Depois de alguns dias sem novidades no blog, eis que consigo tempo para voltar a municiar este espaço com novidades. Os últimos dias têm sido de muito trabalho, muitas viagens e principalmente de grandes desafios e pouca inspiração para trazer algo realmente relevante. No entanto, especialmente nestes últimos 3 dias em conversas com diferentes pessoas, em ocasiões distintas, vieram à minha mente, pelo menos 4 temas que tentarei desenvolver pelos próximos dias em que estarei viajando pela região sul do país em meio a muito trabalho, só pra manter a rotina.

Não me arrisco a dizer quantas igrejas evangélicas de médio e grande porte temos em nosso país neste momento. Nem sequer afirmar a quantidade de eventos de música gospel acontecendo a cada fim de semana em todo o Brasil. A quantidade de Marchas para Jesus é enorme. O número de shows e festas municipais onde artistas evangélicos se revezam é de perder a conta. Com tantas demandas, tantas oportunidades, cada vez mais os artistas de música gospel podem se dar ao luxo de escolher entre um ou outro convite. E dentro deste pensamento, julgo cada vez mais desnecessário um determinado artista aceitar o primeiro convite que lhe surgir à frente sem que se tenha um mínimo de análise crítica sobre o evento, o líder ou mesmo a proposta do referido evento.

Há alguns meses atrás em um almoço com um cantor que eu admiro muito comentamos sobre um determinado pastor (sic) que vem cada vez mais levando artistas para suas reuniões e eventos. O dito cujo que mais me parece um xamã invocando benzeduras, simpatias e campanhas para arrecadar e arrecadar, além de emocionar a platéia, sempre com muito entusiasmo, encenações e palavras de impacto, tem recebido em seus eventos uma gama enorme de artistas. É notório que muitos destes artistas transmitam uma sensação de incômodo por estarem diante de uma cena grotesca, com uma teologia tão rasa que mais parece um pré-sal-escatológico, uma coisa realmente pavorosa … e aí, voltando ao nosso papo, este cantor declarou que por várias vezes foi convidado a participar destes ‘cultos’ e que ele havia orientado sua assessoria a sempre agradecer pela lembrança, mas jamais, nunca, em tempo algum, aceitar a proposta. E ele me disse com a maior tranquilidade que lhe é peculiar: “Temos tantas igrejas, tantos convites que não preciso de forma alguma atender a este tipo de evento. Não concordo com nada do que é falado naquele local, então não posso de alguma forma participar ou colaborar com eles. E mesmo que não tivesse outros convites, meu senso crítico e de auto-preservação não me permite compactuar com o que ali é pregado. Prefiro estar em paz com minha consciência”

Se eu tivesse o recurso de escrever e ao mesmo tempo sair o som de palmas efusivas, certamente usaria este modo, pelo simples fato de concordar em gênero, número e grau com esta opinião e principalmente atitude.

Sob o argumento de que a Palavra está sendo pregada ou de que se tratam de ‘homens de Deus’, muito do senso crítico é jogado para escanteio em nosso meio. Já cansei de escrever aqui mesmo em nosso blog sobre a falta de posicionamento de boa parte da liderança de nosso meio em temas polêmicos. No entanto, também quero trazer a responsabilidade sobre todos os artistas que simplesmente têm aceito convites sem analisar que tipo de mensagem, liderança ou teologia aquele determinado evento no qual participam transmitem ao público. Será que o artista pode se eximir da responsabilidade em apoiar e participar de um evento cujo o preletor apresenta todo tipo de teologia e campanhas? E no caso de ‘pastores’ que notoriamente possuem problemas de caráter e credibilidade, o artista não tem responsabilidade, não avalisa de alguma forma este líder quando aceita participar de algum de seus eventos?

Do mesmo modo que um formador de opinião deve analisar criteriosamente a qualidade do produto ou a idoneidade da empresa quando é contratado para fazer alguma ação de merchandising ou publicidade, será que um artista gospel não deve se posicionar quando recebe um determinado convite para um evento? E aí, não quero criar nenhum espírito de SERASA gospel onde o artista deve checar se o CPF do pastor está OK, se não tem nenhum problema de crédito ou coisas do tipo quando se trata de uma igreja no interior do Piauí … não!!! Não estou falando disso, mas daqueles mega líderes, muitos dos quais presentes cotidianamente nas TVs e rádios vendendo toalhas, fronhas, lençóis, óleo da unção, perfume de Cristo, deturpando claramente a mensagem bíblica! Nestes casos, não há como esconder-se atrás do argumento tão usado pelo Lula e sua quadrilha: “Eu não sabia!”

Uma cantora que durante muito tempo tive contato costumava dizer: “Pagando bem, quem mal tem?” Será mesmo? Por mais que ela dizesse essa frase com uma leveza, talvez até mesmo inocência, o certo é que isso não se aplica quando lidamos com fé, doutrina, responsabilidade com o próximo. Longe de querer julgar, mas também não querendo usar esse mesmo argumento para dar carta branca para que tudo seja permitido sem questionamentos, o que estou querendo dizer neste texto é de que temos todos uma responsabilidade com a qualidade do Evangelho que está sendo pregado em nosso país, se é que podemos dizer que isso é Evangelho?!?!? Esta responsabilidade é de todo cristão que compreendeu o mais básico princípio dos ensinamentos bíblicos e em se tratando dos cantores de música gospel, imagino que esta responsabilidade é ainda maior pelo fato de que são importantes formadores de opinião neste momento de pós-modernidade.

Ao longo de meus 30 anos de cristão tenho seguido uma regra bem clara e esta foi construída quando eu ainda era bem adolescente. Não negocio aquilo que me é de valor, neste caso, o que aprendi como sendo o verdadeiro sentido do sacrifício de Jesus na cruz por mim. Jamais devo diminuir o que Ele fez por mim trocando isto por qualquer outro benefício que aparentemente me é interessante. Há coisas que são inegociáveis e pelas quais vale a pena perder uma batalha para vencer a guerra. Vejo com tristeza que há muita gente negociando o inegociável. Abrindo mão da ética e doutrinas para pegar atalhos rumo a um falso sucesso, a uma falsa conquista. De coração gostaria que, especialmente os artistas de nosso meio, ao lerem este texto possam refletir melhor daqui em diante sobre os eventos dos quais participam e participarão. A responsabilidade é muito grande e não pode, de forma alguma, ser menosprezada!

Termino este texto com um pensamento que repetidamente utilizo. Tenho até pena de quem convive mais de perto comigo, porque sou uma pessoa que costuma repetir muitas das minhas frases e pensamentos. Mesmo não sendo nenhuma frase das mais criativas ela reflete exatamente o que penso e que procuro vivenciar no meu dia a dia.

Deus não nos deu a opção de escolhermos qual família iríamos nascer, fazer parte … mas Ele nos dá a opção todos os dias de escolher com quem iremos andar. E esta opção traz uma enorme responsabilidade. Que saibamos lidar com ela e que tenhamos muito cuidado e temor.

Fica o alerta!

 

Mauricio Soares, jornalista, publicitário, finalizando este texto numa noite chuvosa e muito fria em Porto Alegre. Pra completar o Brasil acaba de perder para a Colômbia, que fase!

Nas últimas semanas os 66 leitores deste modesto blog devem ter percebido (é o que espero!!!) que a periodicidade de novidades caiu drasticamente por aqui. Se até algumas semanas atrás estávamos postando algo inédito a cada 2 ou 3 dias, especialmente nestas duas últimas esta frequência chegou ao marasmo total. Além da habitual falta de tempo com tantas atribuições, reuniões, viagens, projetos, audições, o que me acometeu na verdade neste período foi uma absoluta falta de criatividade, de assuntos interessantes e, como sempre fiz questão de deixar claro, quando eu não tiver nada realmente relevante para comentar, para postar, o certo é não publicar nada!

Hoje estou em Fortaleza para 2 dias intensos de reuniões, entrevistas e contatos. Nestes próximos 2 meses deverei estar pela capital cearense por pelo menos umas três ocasiões o que, convenhamos, não chega a ser nenhum martírio assim, não é mesmo! Uma das capitais mais bonitas do país, com um povo alegre, simpático e cheio da presença de Deus. Em julho, mais especificamente entre 08 a 11 de julho acontecerá pelo décimo ano consecutivo a Expo Evangélica, evento que reúne mídias, empresas, artistas e lideranças evangélicas de toda a região. O visionário e empreendedor que está à frente deste projeto é o querido amigo Ewerton (pronuncia-se Evéééérton, em cearês) que entre tantas atividades seculares envolvidos com grandes feiras resolveu dedicar parte de seu tempo para fomentar o mercado gospel do Nordeste com esta importante feira.

Mesmo com uma agenda que inclui viagens pelo Brasil e pelo exterior, sempre que necessito de um suporte na capital cearense, não penso em outra pessoa que não seja justamente o grande amigo e ele sempre está apto e disposto a atender-me e principalmente em recepcionar e dar todo suporte aos artistas de meu cast. E mais cedo conversamos sobre vários aspectos do próximo evento e entre um assunto e outro, uma frase que ele me disse chamou-me a atenção e como num estalo surgiu aí o tema que gostarei de comentar a partir de agora tendo a Praia de Iracema como testemunha deste momento criativo após um dia inteiro de muito trabalho.

No seu linguajar tipicamente cearense do interior, Ewerton comentou que o artista sendo bom de trabalho, receptivo, atencioso, simpático, automaticamente dava muito mais prazer mantê-lo por perto. Em outras palavras, se o artista entende que a relação é de interdependência, de que um necessita do outro e deve esforçar-se para agradar a todos, então este tinha muito mais chances de ter e, principalmente, manter o sucesso.

Muda o pano …

Dias atrás, já no Rio de Janeiro, conversando com um dos maiores comunicadores que conheço na TV do segmento gospel no país, uma pessoa super talentosa e que principalmente, entende e procura estudar a música gospel e o universo que nos ronda, ouvi uma pérola a respeito de um artista super importante no nosso meio que, confesso, fiquei de boca aberta tamanha falta de sensibilidade e mesmo de humildade. O dito cujo, nos bastidores de um determinado evento, negando-se a atender ao público que por algum tempo esperava pacientemente na fila por um momento mais próximo, para as tradicionais selfies, autógrafos e tudo mais e tendo que ser obrigado a atender alguns poucos que conseguiram furar todos os bloqueios impostos por sua produção, sacou o seguinte comentário: “Meu pai me ensinou que eu deveria rir só pra quem eu conheço e pra quem eu quero!”

Pausa para respiração. Contem até 30 e depois vamos seguir com a leitura deste post que ainda contará com mais algumas linhas …

Pode parecer óbvio demais que um artista precisa exercitar sua capacidade de simpatia e carisma em níveis estratosféricos para que não crie para si uma imagem arrogante, negativa e coisas do tipo. Pode parecer simplório de que todo artista precisa do feedback do público e cativá-lo de forma intensa. No entanto, mesmo com estas obviedades tão ululantes é assustador como há artista pecando (literal e figurativamente) neste quesito que traz consequências devastadoras no presente, mas principalmente no futuro. E é impressionante como podemos fazer listas e listas de artistas com enorme talento e potencial, com possibilidades reais de carreira sólidas e longevas que justamente ficaram pelo caminho especialmente por não saberem conduzirem seu networking, não souberam lidar com seu ego, não controlaram sua arrogância e, como não dizer, que não souberam ter um pingo de educação, o mínimo possível que se pode esperar de um cidadão, de um cristão ou de qualquer ser humano.

Em uma conversa com outro grande amigo, este mesmo assunto veio à baila e ele foi me contando casos e mais casos de artistas que são persona non grata pelas lideranças locais de sua região, simplesmente porque destrataram pessoas que trabalhavam na produção dos eventos, outros que não atenderam ao público antes e pós evento, que não se portaram dignamente no hotel ou mesmo no trajeto aeroporto/evento. Ou seja, o tempo todo estamos sendo avaliados como pessoas e por pessoas. Aquele ser que ouvimos e vemos em entrevistas de rádio e TV, super simpático, crente, acessível, risonho e boa praça, deve ser o mesmo ser que nos relacionamos quando os microfones não estão ligados. O mesmo se aplica para o artista que no palco traz um discurso de amor, humildade, espiritualidade, ou seja, é quase um anjo, mas que quando desce os degraus e volta para o backstage foge do público, trata mal as pessoas e profissionais, exige detalhes tão ridículos como catering com itens que mais parece uma cesta de Natal com acepipes os mais diferenciados possíveis.  Enfim, um discurso completamente distante da realidade. E hoje, em tempos de redes sociais e instantaneidade das notícias, este tipo de comportamento é altamente arriscado! Não são poucos os casos em que artistas são flagrados em vídeos assumindo posturas nada simpáticas e em questões de segundos a imagem de corre pela web desmascarando-o. E aí, explicar o inexplicável pode ser ainda pior!

Trabalhando neste meio há tantos e tantos anos já cansei de ver artistas criando para si mais problemas do que qualquer inimigo de música pentecostal poderia ter criado ( impressionante como nas músicas pentecas sempre tem alguém tramando alguma coisa pra derrubar o outro!). Como costumo comentar algumas vezes, há artistas que não precisam de inimigos. O maior inimigo destes é justamente a própria imagem refletida no espelho, ou seja, eles próprios! Em contrapartida há artistas que nem são tão talentosos assim, não são tão bonitos, elegantes ou mesmo possuem repertórios tão avassaladores, mas a forma como atendem às pessoas, como mantém relacionamentos saudáveis, como colocam-se sempre à disposição e, especialmente como curtem trabalhar, acaba transformando-os em artistas queridos do público, das lideranças, das mídias e assim conseguem manter uma carreira ativa e extremamente saudável.

E engana-se quem imagina que arrogância adquire-se depois de anos e anos de estrada. Estou estupefato de ver alguns fedelhos artistas que mal tiraram as fraldas que já na partida demonstram extrema arrogância e no bom carioquês, uma marra sem fim! Quer identificar um artista marrento, observe se ele fala na tercerira pessoa como se fosse uma entidade superior. Se o artista usa deste artifício linguístico, então saia de perto porque a chance de ser um marrento ambulante é enorme. Outra característica deste ser pode ser observada nas redes sociais onde 99% de suas postagens são feitas com suas fotos pessoais em momentos de êxtase completo. O cara vive no mundo de Doriana em que tudo que é dele é absolutamente melhor do que dos simples terráqueos. Artista ostentação de nariz empinado. Geralmente estes mesmos seres não reconhecem a ajuda e contribuição de terceiros. E quem é que pode chegar a algum lugar sem ter a ajuda de outras pessoas? Não conheço um único artista que tenha alcançado destaque somente com esforço próprio, isso simplesmente não existe!

Vou ficando por aqui porque preciso dormir e descansar para mais um dia intenso de trabalho. Este texto foi escrito com duas trilhas sonoras muito especiais. Comecei ouvindo o primeiro disco do cantor, músico e excelente compositor Juninho Black que em breve lançará seu trabalho pela Balaio Music com distribuição Sony Music. Muito bom! Muito bom mesmo! E finalizo este texto ao som de “Moderno à moda antiga”, obra prima de Marcela Taís, uma das maiores revelações da música gospel dos últimos anos. Este disco já está à venda nas plataformas digitais e no formato físico. Vale a pena conhecer!

 

Mega abraço a todos! Muitos sorrisos e alegrias!

 

Mauricio Soares, publicitário, cristão, jornalista, alguém que procura mesclar o profissionalismo sério com a leveza de quem entendeu a graça maravilhosa de Deus. Vamos nos divertir!

A ideia é aproveitar ao máximo a oportunidade destes dias onde estarei fora do meu escritório em meio a mais uma convenção internacional. O ritmo de produção para o blog está frenético e durante os próximos dias teremos uma periodicidade de um texto inédito a cada 2 ou 3 dias sendo publicados, algo bem diferente de nossa realidade habitual. Isso, se nosso editor-censor, Jeferson Baick, permitir que tudo o que está sendo produzido realmente chegue ao conhecimento dos nossos 66 leitores.

Recentemente postei um texto que falava sobre a falta de sensibilidade de alguns criticos que detonavam a realização de eventos promocionais como tardes de autógrafos e afins. Infelizmente para aqueles leitores que curtem o blog pelas dicas artísticas e de marketing que aqui são publicadas, confesso que estou numa fase mais beligerante, tendo que lidar com alguns aspectos e temas que vêm me incomodando muito nos últimos tempos. Há algumas semanas atrás, em meio a um feriado e diante de um tempo em que não tinha nada, absolutamente nada a fazer ou para me distrair, resolvi dar uma navegada em sites, blogs e fanpages. Em determinado momento de minha viagem internética me vi diante de uma postagem na fanpage de uma empresa do segmento fonográfico. Li o texto institucional que divulgava o lançamento de um determinado projeto. Agora não me recordo se era um CD ou um DVD, mas era um lançamento, disso não tenho dúvida. Comecei a ler em seguida alguns dos comentários do público e é a partir daí que quero dedicar algumas linhas neste novo texto.

João Lira – Ah, essa cantora já deu! Prefiro muito mais a XXXXXXXXX que é uma cantora do poder! Affff …

Melquiades Lino – Que capa horrorosa! O disco é bom, mas que foto é essa!

Joana Machadão – Artista? E onde está a adoradora? Meu Deus, como a música gospel mudou nestes anos!!!

Kelvin Jones – Alô gravadora XXXXXXX você precizam se ligar. Istamos quereno saber mais notísias da cantora XXXXXX. Depois não reclamem se ela for para a XXXXXXXXXXX

Jorge Nunes – Linda! Maravilhosa! Diva! Meu sonho é tirar uma foto contigo! Beijo, me liga!

Luis Cascaes – Vai te converter minha irma sucesso jesus não e isso pintura vaidade e mundo converta XXXXXXXXXX

Clotilde Silva – Os arranjos são fracos! A letra é fora da doutrina bíblica! Os riffs de guitarra são pobres …

Carlinhos Fogo Santo – Essa turma só quer vender! Só quer ganhar dinheiro! Quero ver cantar na minha cidade de graça!

* Todos estes textos acima os nomes são fictícios. Já os comentários são todos baseados em fatos, inclusive a forma não ortodoxa do que conhecemos como língua portuguesa.

Ao me deparar com alguns destes comentários nada amigáveis e outros de teor meio duvidoso, aproveitando meu tempo ocioso e de verdade, sem ter nenhuma pena de mim mesmo, resolvi aprofundar-me na pesquisa a respeito daquelas pessoas que pareciam tão cheias de si, tão profundamente experientes, cheias de santidade, de senso estético e principalmente, de opinião. Aí fui um a um destes perfis para conhecer um pouco mais daquelas pessoas. E a impressão é de que o perfil destes críticos se repete a ponto de podermos estabelecer um modelo-padrão. Esta experiência pude compartilhar em meu perfil pessoal no Facebook e fiquei impressionado com a resposta que obtive aos meus comentários. Como meu perfil é restrito aos amigos, minhas postagens não recebem mais do que 3 ou 4 comentários (sempre das mesmas pessoas, rs) e especialmente naquele dia passou de 30 mensagens a respeito de minha ‘pesquisa’.

De acordo com o Data-Soares, cerca de 89% das pessoas que usam as redes sociais para atacar determinadas artistas do universo gospel passam mais de 12 horas conectadas na web por dia, o que me faz pensar que efetivamente não trabalham, não estudam ou que não tem nada a fazer além do que ficar enchendo a paciência alheia. São os chatos on line que se divertem simplesmente atacando a tudo e a todos indistintamente.

Destes chatos on line, há um subgrupo que são os membros de fã-clubes. Neste subgrupo, tudo o que é relacionado à artista (ou ao artista) venerada é maravilhoso, surreal, fantástico, mesmo os figurinos assustadores cheios de babados, cores vibrantes e cortes psicodélicos, isso sem falar da profusão de adereços insólitos. Se é da diva, o feio torna-se lindo, o estranho se torna sofisiticado e até os filhos com carinha de flagelados da seca, são fofos, lindos, um charme! Haja falta de bom senso, my God! Em contrapartida, se esta ‘diva’ tem alguma concorrente à altura ou que trabalhe no mesmo universo artístico, aí esta é taxada de inimiga mortal e merece ser queimada como uma Joana D’Arc em praça pública. Os chatos-fãs vão infernizar a vida da ‘concorrente’ postando mensagens agressivas, injuriosas, criando fatos negativos e tudo mais que venha a atrapalhar. Muitas das artistas que sofreram esse tipo de ataque acabam parando em terapeutas, partindo para o contra-ataque nas redes sociais transformando a web num ringue de TeleCatch, ou melhor de Web-Catch ou ainda, optando pelo simples bloqueio (pra mim o método mais eficaz) daqueles que a atacam nas redes sociais.

Dos críticos pesquisados, cerca de 78% residem em cidades com menos de 100 mil habitantes. O que me faz imaginar que estejam muitas das vezes acessando a web através de Lan Houses onde a diversão é simplesmente exercitar o poder democrático da opinião. Pelos perfis analisados, mais de 90% destes residem em cidades onde a livraria evangélica mais próxima está localizada há uns 200 qulômetros de distância, o que também nos faz crer que não são consumidores tão vorazes de produtos originais. E por falar nisso, alguns dos perfis pesquisados comentam abertamente em suas postagens que têm como hábito visitar sites de downloads ilegais de conteúdo. Nada mais a comentar neste assunto …

Do ponto de vista etário, os comentários são feitos em sua grande maioria por experientes seres de 12 a 24 anos, ou seja, trata-se de um grupo social bem jovem e isto nos traz um paradoxo, afinal sendo tão jovens como estes personagens possuem tanta experiência para expressar opiniões profundas em diferentes assuntos como design, música, moda, teologia, física quântica, comportamento, marketing, mercado digital, administração, tendências e outros assuntos? Estamos diante de um verdadeiro enigma e não me arrisco a decifrá-lo. Talvez um dia eu peça opinião destes mesmos experts em tudo para que solucionem esse problema!

Neste grupo de críticos há outra característica que se repete com muita frequência. Boa parte da turma é formada por adolescentes, rapagotes que adoram fazer selfies com trejeitos, muitos biquinhos, camisetas apertadinhas, vez ou outra com brincos em suas orelhinhas e entre as preferências pessoais, ao lado de cantoras pentecostais, nos deparamos com uma seleção eclética que vai de Beyoncé (A poderosa!), Rihana (A atrevida!), Mariah Carey (A Diva!), Madonna (A Top!), Whitney Houston (A insuperável!), Cláudia Leitte (Divina!), Ivete Sangalo (Arraso total!) só para citar algumas. Em meio a estas selfies, os meninos ainda postam mensagens com versículos bíblicos, fotos com suas divas gospel, fotos com seus amigos e alguns vídeos em que cantam os sucessos de suas artistas. Alguns destes inclusive se aventuram numa carreira artística sonhando com um dia em que também terão seu séquito de seguidores.

Seguindo com os dados estatísticos, cerca de 62% dos comentários são redigidos em um dialeto todo próprio com uma leve influência do que conhecemos como língua portuguesa. Palavras como ANCIOSO, BENÇA e coisas do tipo são bastante comuns. Outra característica deste grupo são mensagens absolutamente sem pé e nem cabeça, quase um enigma que precisa ser decifrado. O cara vai pensando e do jeito que vai digitando a mensagem é enviada, algo como uma coisa meio psicografada no melhor estilo Chico Xavier. Talvez seja isso mesmo, alguns destes seres estão em pleno momento de transe e o resultado desta epilepsia mental pode ser conferido on line nos comentários postados nas redes sociais. Uma coisa de outro mundo mesmo!

Uma característica entre os entendidos e críticos dos projetos gráficos é que boa parte deles são auto-denominados designers. São jovens que fizeram algum curso na internet ou por correspondência e que já se acham aptos a dar palpite no trabalho alheio. Alguns são prodígios e sequer tiveram um tipo de preparo técnico, são autênticos auto-didatas. O problema é que entre estes não encontrei nenhum tipo de trabalho mais relevante produzido. Algumas poucas capas para cantores independentes que lançaram seus projetos em mídia roxa na região de Mococa e arredores, no interior de São Paulo. Nada contra Mococa, por favor! Alguns destes críticos-designers se divertem produzindo capas alternativas para mostrarem às gravadoras como o projeto poderia ficar melhor, são os autênticos engenheiros de obra pronta. Ou seja, pessoas de fino trato, éticos e que na verdade, estão buscando uma oportunidade e optam em atacar os outros profissionais do seu segmento.

Entre os comentários virulentos, especialmente aqueles que trazem uma conotação de Santa Inquisição, cerca de 98% é formada por jovens que almejam no futuro se tornar pastores ou algo envolvido ao ensino teológico. Percebi que muitos destes, em seus perfis pessoais gostam de postar mensagens em vídeo daqueles líderes que adoram bravejar e gritar frases de efeito, quando não sapateiam e dão giros no púlpito como aquela roleta do Silvio Santos. Tem que ter poder! Eita … é muita glória mermão! Outra característica desta turma é que eles têm como hábito fazer um verdadeiro périplo por igrejas e eventos. Uma espécie de Tour do Reteté … ao fim, postam suas selfies, dão testemunhos da noite de poder e voltam para a web a fim de encontrar e denunciar os infiéis que insistem em deturpar os santos ensinamentos e doutrinas. Fogo neles!

Entre estes santarrões há um sub-sub-grupo que foca principalmente seus comentários nas questões sócio-econômicas. É usual vê-los cobrando por parte dos artistas que estes doem seus cachês, que cantem em reuniões de oração, que subam os morros e se apresentem em igrejas de 20 membros, que doem todos os seus bens, que distribuam de graça seus discos e que mantenham instituições de caridade. Na concepção destas pessoas, os artistas de música gospel deveriam ser hippies vivendo de artesanato comercializado nas portas das igrejas, sobrevivendo da caridade alheia, afinal de graça recebei, de graça dai …

E entre estes experts há duas categorias que merecem toda atenção e nas quais farei questão de mencionar finalizando este texto. O primeiro grupo dos experts é formado por estudiosos da música, gente que estagiou com Tom Jobim, fez especialização em Berkeley, trabalhou na Broadway, compôs para os filmes da Disney e que de lambuja ainda trabalhou como jurado do X-Factor, ou seja, experiência plena na área musical. Estes seres são mais presentes em blogs que hoje surgem como praga na web. As opiniões apresentadas em textos jornalísticos (KKKKKK … não contive a gargalhada!) ou na área de comentários são prodigiosas. Sinceramente mesmo com mais de 25 anos de estrada no segmento me sinto um estagiário ao deparar-me com a riqueza de análises desta turma referente às músicas produzidas no nosso segmento. Quem lê um destes textos imagina estar diante de uma Bárbara Heliodora (recém-falecida crítica de teatro, maior especialista da obra de Shakespare no país) da música gospel. Em 93% dos casos, estes críticos não sabem tocar um único instrumento musical, não compuseram uma única música ou têm algum envolvimento com o mercado fonográfico. Ou seja, é melhor eu não falar mais nada …

Mas nem só de música essa turma que critica livremente na web está focada, não mesmo! Muitos destes também se aventuram em analisar as estratégias de marketing das gravadoras e dos artistas. Em minha mesopotâmica pesquisa, deparei-me com Washington Olivettos em profusão, com Jack Welchs aos borbotões, em Steve Jobs pra dar com o pau! O grande problema, ou melhor, o grande paradoxo (mais um, incrível!) é que 99,78% destes críticos que entendem de tudo de marketing, estratégia, promoção, planejamento e marketing digital também não possuem um único case de sucesso ao longo de suas prodigiosas carreiras. Ou melhor, sequer possuem carreiras profisisonais, pois muitos ou ainda são estudantes ou estão desempregados ou trabalham em outras áreas de negócios. Procuro ler todos estes comentários com especial atenção, afinal aprender é um ato contínuo para toda a vida. Estes críticos querem definir o tempo certo de liberação de um single para as rádios, também o momento ideal para se liberar (gratuitamente) uma música pro povão, a divulgação de uma capa e até mesmo o programa de TV em que se deve agendar a ida do artista. Neste caso, especialmente, é só uma questão da gravadora obrigar a produção do programa de TV para convidar o artista, simples assim.

Enfim, a web tornou-se território livre e democrático onde todos podem expor suas opiniões, desejos, postar suas fotos, expor suas vidas, comunicar-se com os amigos, e por isso mesmo, estamos sujeitos a ter que lidar com todo tipo de gente e situações. Já vivi uma fase em que me importava bastante com os comentários destes críticos, mas hoje em dia prefiro tratá-los simplesmente como uma turma de personagens inseguros que na verdade apenas gostariam de ter um pouco mais de atenção. Quando um destes comentários ultrapassam o limite mínimo de educação, respeito e bom senso, simplesmente uso a ferramenta de bloqueio ou de catapultar o referido personagem para fora de minha área. Se no mundo real isso configuraria em algum delito ou algo mais grave, no mundo cibernético é algo normal e, pra falar a verdade, bastante saudável.

Nos últimos anos tive que acudir alguns artistas que não souberam lidar bem com as críticas e acabaram entrando em crise. Devemos separar a crítica, aquela que é feita de forma educada, coerente e através de alguém que merece nosso crédito, dos simples ataques ácidos, covardes e tendenciosos. Neste caso, jamais devemos levar a sério algo que não merece ser tratado como tal. Respire, conte até 20 e depois simplesmente delete!

Vou ficando por aqui. Daqui a pouco desembarco na Cidade de Panamá onde coincidentemente neste momento está havendo a Cúpula das Américas com a presença da digníssima senhora presidente Dilma Roussef e boa parte de seus asseclas do PT. Espero sinceramente não encontrá-la deitada na praia curtindo o sol caribenho. Seria uma imagem que poderia trazer sérios transtornos à minha mente pelos próximos anos!

Enjoy!

 

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, pai, tricolor e para que não restem dúvidas: EU não votei na Dilma!!!!

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Não! Você não acessou a um site ou blog errado! Sim! Você está diante do novo Observatório Cristão que agora segue num novo visual, novos quadros, muitas novidades, mais interativo e atraente, mas sem mudar o seu objetivo primordial desde quando surgiu há longínquos 6 anos atrás, ou seja, trazer uma visão diferenciada sobre o mercado gospel, especialmente na área fonográfica, e outros temas como marketing, design, tecnologia, comportamento, vídeos e toda a miscelânea de assuntos, sempre do ponto de vista cristão e mantendo uma boa dose de bom humor para digerir isso tudo!

Nesta nova fase ganhamos a adesão de mais um componente para o blog, nosso amigo Jeferson Baick, publicitário dos pampas gaúchos radicado na terra do pequi, a intensa Goiânia, terra das oportunidades e hoje um dos principais centros do mercado gospel tupiniquim. Nesta parceria, toda a gestão do blog passa pelas mãos competentes da equipe de profissionais da Eudesign, agência de publicidade, negócios e oportunidades. Teremos muitas novidades para apresentar aos 66 leitores assíduos de nosso blog e nossa expectativa é de que com estas mudanças possamos aumentar nossa audiência para uns 70, 80 leitores talvez… vamos trabalhar fortemente para isso! Com esta nova adesão, contaremos com 3 editores full time para o blog e espero que alguns outros colaboradores surjam para contribuir com nossa safra semanal de textos.

Em ano de Copa do Mundo no Brasil, a desculpa é a mesma: Ih! Vai ser difícil, pois nada acontece no Brasil nesse ano, né? Então contrariando esta máxima, estamos trazendo um novo Observador Cristão que virá nesta nova versão ainda mais intenso, criativo e produtivo. Nossa intenção é semanalmente trazer conteúdos novos, interessantes e de acordo com a demanda de nossos leitores. Espero que consigamos manter o pique e que você, amigo(a) leitor(a) nos ajude divulgando a novidade!

Boa leitura!