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Acompanhando mais uma enxurrada de tweets de meu amigo e editor do Observatório Cristão, o perspicaz Carlos André, gostei muito de uma frase postada por ele em mais uma de suas madrugadas inspiradas, cáusticas e deliciosamente crítica. A frase é a seguinte:“Música boa não envelhece. Música ruim já nasce morta!” E como temos visto exemplos moribundos de músicas natimortas em nosso meio!

De cada 10 CDs que recebo para avaliação, pelo menos 8 produções têm entre 12 a 14 faixas gravadas. A impressão que me dá é de que há uma lei federal punindo o artista que não grava mais do que 12 canções por álbum ou ainda, um conceito de que o consumidor final fica contando o número de faixas por CD para fazer conta se o valor de venda é compatível ao preço do produto. Como se música fosse algo que pudesse ser pesado atendendo ao adágio popular “vale o quanto pesa”.

Uma das frases que mais ouço de artistas querendo justificar o excesso de músicas no CD é justamente – “Tem muita música boa! Ficou difícil escolher e colocamos 14 canções” – no entanto, ao ouvirmos o trabalho não encontramos 14 sucessos, ou melhor, ficamos muito longe disso! Tem também aquela visão míope do cantor que se julga um compositor de mão de cheia e que na verdade, seja pelo ego de ver seu nome impresso no encarte do CD ou pela ganância de receber os direitos autorais, faz questão de emplacar suas composições no repertório.

Em texto assinado por Jeffrey Zaslow, a edição de hoje do The Wall Street Journal analisa o que o autor chamou de “A Era da Humilhação”: o tempo em que vivemos, quando qualquer um pode sacar um celular e com ele arrasar pra sempre a imagem de um artista, bastando pra isso um ângulo desfavorável, uma barriga indecente, ou uma performance abaixo da crítica.

Num dos trechos, o jornalista cita o caso de Whitney Houston — voz singular que, depois de invadir corações e mentes durante os anos 80, desapareceu da mídia, tendo ressurgido recentemente com novo álbum depois de ver seu nome envolvido em histórias escandalosas.

Houston tenta um retorno glorioso, buscando um lugar de honra pra quem um dia, pela extensão do seu sucesso, foi comparada a ninguém menos do que Michael Jackson.

Se em estúdio o talento da artista permanece intacto, como comprova o último lançamento pela Sony/BMG, ao menos num dos shows da turnê “Nothing But Love” ela teve problemas, praticamente perdendo a voz diante da platéia em Londres.

Embora isso já tenha ocorrido com nomes consagrados, como Maria Callas e Elvis Presley, foi a captura do momento em vídeo que detonou a onda de comentários maliciosos envolvendo o nome da cantora.