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Já estamos caminhando para o nono ano de atividades no Observatório Cristão. Por aqui tivemos muitos textos relevantes, outros nem tanto, muita informação, algumas projeções que tornaram-se realidade tempos depois, muito humor, dicas, críticas. Enfim, de tudo um pouco. O que me motiva a reservar um tempo de meu dia a dia para dividir minhas experiências, conhecimento e observações é a sensação prazerosa de poder contribuir aos nossos 66 leitores com um melhor entendimento do que nos cerca no meio artístico, fonográfico e religioso. O dia em que eu sentir que minha contribuição já não é mais tão importante, da mesma forma com que surgi, certamente irei sumir, sem deixar muitas explicações ou explicações.

O texto que escrevo neste momento já foi iniciado, interrompido e abortado, pelo menos umas 6 ou 7 vezes nas últimas 3 semanas. O tema esteve claro à minha mente por estes dias, mas o desenrolar do texto não seguiu a mesma tendência e por isso, travei … não consegui concluir a tarefa com a qualidade que me auto-imponho como padrão do blog. Então, mais uma vez tentarei tecer algumas linhas que falem sobre MOTIVAÇÃO. Espero que consiga chegar ao fim com a satisfação de ter entregue algo de valor aos meus seletos ‘observadores’.

Dias atrás conversei com um artista do meio gospel. O jovem tem uma agenda intensa de apresentações em igrejas, shows, congressos. Em meio a uma ou outra viagem, pausas para atender mídias, gravar vinhetas, atender pessoas. A rotina é intensa e estafante. Ele me conta sobre alguns casos engraçados entre tantas viagens, alguns outros ‘perrengues’ como viagens em monomotores, estradas de terra e coisas do tipo. A sua aparência é de alguém no limite do cansaço e da estafa, no entanto, em nenhum momento ouço queixas de sua parte pela rotina massacrante dos últimos dias. Pelo contrário, só ouço comentários efusivos de sua parte e relatos emocionados do que Deus tem feito através de sua vida. Acho interessante porque um dos indicadores do resultado de seu trabalho não é a quantidade de pessoas em seus eventos, mas sim, o número de testemunhos e conversões em cada evento. E engana-se quem imagina que este referido artista seja um destes jovens iniciantes, cheios do primeiro amor, de idealismo e expectativas. Estou falando de uma pessoa com muitos prêmios, com grandes sucessos, com agenda intensa, uma carreira sólida e de credibilidade.

Também recentemente conversei com outro artista e ele me relatava a mesma experiência, ou seja, agenda cheia, muitos compromissos, muitas entrevistas, participação em programas de TV, muito trabalho. A diferença consistia nos comentários pessoais sobre toda esta rotina. Em vez de comemorar as conquistas, o cantor apenas reclamava de que estava no limite, de que em algumas vezes o valor do cachê não fora suficiente para suas expectativas, de que o tempo de deslocamento para algumas apresentações era enorme e por esta toada seguia numa lamentação sem fim até que num determinado momento começou a reclamar da obrigação de ter que ficar tirando foto com todos que o pediam por uma selfie. Ouvi aquilo tudo com um misto de tristeza e decepção por constatar in loco o quanto aquele jovem artista estava distante da real motivação de um artista cristão

A carreira artística por si só não é fácil. Sempre me assustei com a ideia de repetir um mesmo roteiro por 1, 2 até 3 anos inteiros. É exatamente isso o que acontece com o artista. Ele repete um mesmo repertório por loooooooooongos meses até que o substitua por outras canções. Há artistas que interpretam a mesma música por décadas e são reconhecidos por isso. Eu não consigo me ver nesta situação, tendo que repetir-me inúmeras vezes com o mesmo script. Além disso, o artista é obrigado a conviver com deslocamentos constantes por aeroportos nada confortáveis, vôos com horários tresloucados, conexões desconexas, atrasos sistemáticos, bagagens extraviadas e por aí vai. Tem ainda a questão de dormir fora de casa enfrentando desde hotéis 5 estrelas a quartos/pousadas de beira de estrada, passando ainda a casas de irmãos (já passei por isso e vivenciei coisas inimagináveis) e outras roubadas.

Já a questão gastronômica é um capítulo à parte. Nos meus tempos de integrante de um grupo musical já fomos agraciados com cachorro quente de carne moída após horas e horas de viagem, macarrão sem molho, refrigerante quente, estrogonofe de batata palha, entre outras iguarias. Não são raras as vezes em que o artista vai jantar após um evento já pela madrugada tendo que seguir viagem apenas poucas horas depois. Em suma, a vida artística é uma sucessão de experiências inusitadas e poucos são aqueles que podem chegar a um determinado momento em que podem decidir excluir-se de toda e qualquer agenda mais arriscada. No geral, é uma vida de sacrifício e muita dedicação.

A grande questão é: como encarar a carreira artística, em especial, no meio cristão? Se for só pela grana, arrisco a dizer que assim como no futebol onde temos craques como Neymar, Ronaldo, Kaká, entre outros vivendo muito bem, a verdadeira realidade é que a esmagadora maioria dos atletas vive com no máximo 2 salários mínimos. O glamour da vida artística não condiz com a realidade de boa parte dos cantores e cantoras, seja no meio secular como também no segmento religioso. Então, se a sua expectativa e principal motivação para ingressar no universo artístico for uma estabilidade financeira, arrisco a dizer que você pode estar seguindo uma trajetória perigosa e que no futuro traga frustrações e problemas maiores.

Um artista cristão deve antes de tudo ter uma motivação clara e dela não se afastar um único instante. A principal motivação de um artista religioso deve ser que ele seja um instrumento para que a Palavra de Deus seja pregada ao maior número de pessoas. Este é o ponto! Qualquer coisa diferente disso certamente estará fora do foco do que Deus quer para a vida e ministério de um artista cristão. Tudo o mais será resultado desta motivação e em nenhum momento, por mais benefícios que possa alcançar, nada será mais valoroso do que ver o resultado de todo seu esforço atingindo e transformando vidas. A motivação de um artista cristão jamais deve ser o reconhecimento pessoal, jamais deve ser a remuneração financeira (que virá naturalmente pela qualidade do trabalho), jamais deve ser a visualização e reconhecimento de seu próprio trabalho. Antes de qualquer outra questão, a motivação deve ser o próximo e a mensagem libertadora e transformadora de Cristo. Todo é resto será sempre o resto, nada mais do que o resto.

Minha palavra de hoje é de que todos possam reavaliar suas reais motivações, metas e objetivos. Se o EU estiver à frente de qualquer uma destas motivações, é hora de rever seus conceitos. Se o PRÓXIMO estiver à frente das motivações, tudo indica que esteja no caminho certo. Infelizmente, vivendo neste mundo artístico por tantos anos, já tive que lidar com situações absurdas onde o EU imperou por inúmeras vezes causando desapontamentos e decepções homéricas. E este texto não foca somente nos artistas cristãos, mas para qualquer pessoa, em diferentes áreas de atuação, pois a mensagem de Deus é clara e abrangente, não- excludente, democrática, ampla, geral e irrestrita.

Ainda dá tempo de mudar suas motivações. Pense nisso!

 

Mauricio Soares, jornalista, publicitário, blogueiro.

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Constantemente tenho dito sobre a necessidade de artistas e profissionais buscarem maior conhecimento e entendimento do universo digital. Neste texto que escrevo durante minha curta passagem em Goiânia sigo nesta mesma linha de raciocínio, mas numa vertente um pouco diferente. Há algumas semanas atrás participei de um programa de TV e entre alguns assuntos propostos o diretor me pediu para falar de pirataria no mercado fonográfico, em especial no meio gospel. Olhei para ele como se se estivesse diante de algum náufrago que ficou anos distante da realidade comentando sobre notícias que haviam caducado fazia um bom tempo.

“ – Como pirataria? Pirataria do que?” – indaguei eu tentando entender a proposta do diretor. Ele seguiu sua explicação: “ – Ah, pirataria de CDs … como as gravadoras lidam com a pirataria de discos no meio gospel aqui no Brasil?”, insistiu ele. Ainda me refazendo do choque procurei explicar a todos ali presentes que este seria um tema defasado, ultrapasado, fora de tempo, afinal as gravadoras estão neste momento (ou deveriam estar!) focadas no mercado digital, nas novas plataformas, na mudança de consumo, na nova relação do consumidor e o conteúdo, ou seja, ninguém mais está preocupado com pirataria de discos! Acho que nem mesmo quem ‘sobrevivia’ desse comércio ilegal.

Também recentemente dei entrevista para uma revista de circulação nacional. O jornalista, um dos mais competentes de nosso segmento, queria entender a quantas anda o mercado fonográfico dando ênfase ainda ao segmento gospel no país. Umas das primeiras perguntas foi novamente sobre a famigerada pirataria de discos. E aí fui obrigado a novamente falar sobre a mudança do mercado, sobre os novos focos do meio fonográfico e das possibilidades que as tecnologias abrem para a música e a arte em geral. Já na segunda pergunta, o jornalista insiste em afirmar que o mercado fonográfico vive dias de crise, passa por problemas e blá blá blá … na verdade, essa é uma ideia que foi passada anos atrás e vem sendo repetida numa cantilena sem fim … Não! O mercado fonográfico não está em crise! Ele está em transformação. A crise só chega para as empresas que não se atualizam e insistem em repetir fórmulas que deram certo no passado mas que hoje são inócuas!

Com muita calma e um ar professoral fui explicando que há tempos atrás as gravadoras trabalhavam com 2 a 3 mil pontos de distribuição em todo o Brasil e hoje temos um mercado com 280 milhões de aparelhos celulares, mais de 90 milhões de pessoas com acesso a internet de qualidade, mais de 60 plataformas digitais oferecendo conteúdo ao consumidor e ainda assim, mantendo contato com mais de 1,5 mil lojas, mercados, lojas especializadas. Ou seja, em vez de retrair-se, o mercado só cresceu nestes últimos anos. Então onde está a crise?

Estes exemplos são para alertar, principalmente aos jornalistas que atuam no segmento gospel sobre a necessidade de se buscar conhecimento sempre! Já tive a infeliz experiência de participar de um programa de rádio onde o locutor não tinha a menor noção do artista que estava à sua frente para ser entrevistado. Não que o artista fosse um ‘ilustre desconhecido’, longe disso! O locutor é que não tinha feito seu ‘dever de casa’ e estudado o mínimo que fosse, a respeito da história e carreira do artista. Isso é básico e infelizmente não raro em nosso meio.

Estudar a respeito do assunto que se queira enfocar é fundamental. Um jornalista bem embasado do ponto de vista da informação é condição primária no exercício da profissão.

Ouço muita gente reclamar de que nosso meio é amador. E de fato creio que há mesmo muito a se melhorar. Mas no meio de um ambiente amador é ainda mais fácil daqueles que levam a sério suas atividades se destacarem ante aos demais. Nada a ver com o discurso de um artista do mundinho gospel de dias atrás, estou falando de busca e valorização do conhecimento. Em especial no meio jornalístico gospel precisamos ter mais gente capacitada para valorizar a área e a própria profissão. Recentemente foi publicado por um importante site de notícias cristãs brasileiro e imediatamente replicado por sites de fofocas gospel (Como fofoca gospel?!?!? Pode isso Arnaldo?) uma notícia envolvendo uma igreja importante no exterior. A notícia foi pinçada diretamente de outro site no exterior e traduzida para o português. Não houve dolo algum por parte do site brasileiro, a falha é que não houve uma melhor apuração sobre o assunto. O que deveria ter sido feito neste caso era o jornalista do site procurar a igreja no exterior diretamente ou seus representantes no Brasil, ou ainda, apenas citar a fonte da notícia. Checar a veracidade das notícias faz parte do dia a dia de um bom jornalista para que este não se torne apenas uma fonte de boatos ou coisas do tipo.

Pesquisar. Duvidar. Trazer uma interpretação aos fatos é papel primordial da imprensa. Quem simplesmente repete notícias é máquina copiadora, não jornalista!

Outro dia soube de uma pessoa que trabalha no segmento e que comentou sobre uma determinada empresa que não dava a devida valorização à classe jornalística gospel. No conceito ‘investimento’ leia-se não distribuir passagens aéreas para os jornalistas irem em eventos, não distribuir brindes que não fossem seus próprios lançamentos, não oferecer banquetes com camarões VG e nem investir verba de publicidade sem critério e análise nos veículos de comunicação do segmento.

Enquanto os veículos de comunicação sujeitarem seu espaço editorial às questões comerciais, sua autonomia estará em risco! Isso vale para revista, jornal, rádio, blogs, enfim, um veículo de comunicação deve priorizar seu papel de levar informação de qualidade para o seu público-alvo. O resultado comercial é fruto antes de mais nada da credibilidade e alcance do veículo. Ao colocar seu espaço editorial no balcão de negócios o veículo claramente desvaloriza seu próprio projeto e dá sinais claros ao seu público de que o respeito à sua inteligência é mínimo. Basta folhear algumas revistas e jornais do nosso meio para constatar com tristeza de que essa é uma prática usual. Numa rápida conferida você irá ver que boa parte, senão todas as matérias ditas ‘editoriais’ estão diretamente relacionadas à presença de anúncios das mesmas empresas citadas nos textos. Isso, na minha modesta opinião, é uma clara afronta à inteligência do público consumidor daquele veículo.

Quero deixar claro aqui que não tenho nada contra revistas-catálogo-tipo-páginas-amarelas ou jornais neste mesmo estilo. Esta pode ser uma modalidade de negócios e deve ser tratada como tal. A questão que volto a frisar é sobre a transparência desta operação. Não dá para querer enganar o público e mesmo o mercado travestindo-se de veículo informativo quando na verdade o objetivo é tão somente comercial. E não me venha com o blá blá blá de que é para o Reino porque por mais que o discurso seja recheado de boas intenções, o foco é pagar as contas no fim do mês e não há nada de errado nisso! Mais uma vez, o erro está em não fazer as coisas às claras!

Será que a classe jornalística cristã quer ser tratada com esta distinção do pagou-virou-meu-amigo? Ou será que os profissionais querem ter suas atividades devidamente respeitadas por todos e seguindo os códigos de conduta e ética que devem ser modelo, independente da fé que se professa?

Outra questão que gostaria de inserir nesse texto que finalizo no caminho de volta para o Rio de Janeiro é com relação à linguagem utilizada por alguns veículos em nosso meio. Se o objetivo da imprensa e mesmo como cristãos é de levar a mensagem para o maior número de pessoas, temos que ter muito cuidado com a forma de nossa comunicação. Como no meu dia a dia tenho contato com muitas pessoas que não são evangélicas e não dominam o linguajar ‘crentês’ procuro traduzir muitos dos nossos termos para expressões que podem ser facilmente compreendidos por quem não é deste segmento. Esta atitude precisa ser replicada com mais frequência nos veículos de comunicação cristã. Ouvindo programas de rádio pelo Brasil fico observando a quantidade de termos específicos do linguajar que apenas servem para reforçar o estereótipo do crente. Precisamos trazer uma linguagem menos hermética, mais coloquial para atingir e comunicar pessoas de fora de nosso ambiente. Em sites e revistas também vemos essa cultura do ‘crentês’ utilizada à exaustão. Me divirto ao ler algumas resenhas e análises de lançamentos de discos repletos de adjetivos ‘crentescos’ … realmente é muita bênção irmão!?!?!?

Todo cuidado com a forma de expressar-se! Evite termos que só mesmo os crentes podem entender. Lembre-se que a notícia precisa ser entendida pelo maior número de pessoas.

Mas ainda assim tenho muita esperança. Principalmente numa turma jovem que está chegando ao mercado e que vem buscando excelência e conhecimento para ser usado no meio cristão. Vejo que temos muito a progredir, especialmente em se tratando do jornalismo cristão. Num ambiente complicado como o de rádios, já começo a ver executivos de emissoras evangélicas tratando com todo respeito que o próprio veículo merece, valorizando sua programação, os artistas e principalmente seu público. Na mídia impressa, cabe meu registro e respeito o trabalho que Mário Fernando, editor da Revista Comunhão vem há 18 anos desenvolvendo no Estado do Espírito Santo, assim como as revistas Ultimato e Cristianismo Hoje. No meio digital, alguns poucos sites que optam por não seguir a cartilha do Ctrl C Ctrl V, também têm feito diferença.

Finalizo o texto querendo deixar uma palavra de incentivo a todos aqueles que querem dedicar suas vidas ao jornalismo no meio cristão. Que levem com a maior seriedade o trabalho que Deus coloca em suas mãos, que optem por seguir o caminho da excelência e relevância para que assim e, somente assim, o mercado publicitário os reconheça e os trate com o devido respeito.

Vamos em frente!

 

 

Mauricio Soares, jornalista, cristão, sem muita paciência pra mimimi.

Todo santo dia e aqueles nem tão santos assim, temos lido, ouvido, assistido os noticiários dando conta da crise pela qual o país vem passando neste momento. Não há um único índice econômico em que o Brasil esteja hoje melhor do que estava há alguns anos atrás. Nesta manhã, logo cedo, ao me preparar para mais um dia de trabalho recebo a notícia de que o índice de desemprego no país é o maior dos últimos 16 anos. Coincidência ou não, nesta mesma fatídica manhã também ouço na rádio que o índice de aprovação da presidente Dilma é de 7%, repetindo o viés de queda já que na última pesquisa este índice era de 11% da população brasileira.

A TAM, empresa aérea nacional, já divulgou o cancelamento de diversas linhas regionais e internacionais, além de uma redução de cerca de 10% de sua estrutura. A Petrobrás reduziu drasticamente seus investimentos previstos para os próximos anos. Taxas de juros seguem tendência de alta, bolsa de valores em sentido oposto, de queda, já o dólar segue em alta passando de R$ 3,20. A taxa de ocupação da rede hoteleira no Rio de Janeiro está abaixo de 50% em plena alta temporada e inverno com 34 graus, ou seja, convidativo ao turismo e ao lazer.

Prestes a completar 46 anos de idade posso garantir que voltar a viver com as preocupações de inflação, recessão e desemprego não me agradam em nada. Vivi o auge da inflação do ‘des-governo’ Sarney com reposição salarial de 76% ao mês e inflação sem controle. Depois sobrevivemos à URV, às conversões diárias de moeda, mudança de nome de nossa moeda e toda a loucura que só quem viveu aquela época pode entender. Mas na verdade, não estou aqui para analisar a atual situação econômica, em encontrar culpados (até porque disso não tenho a menor dúvida!), ou projetar tendências sobre a economia do nosso país ou mundial.

O texto de hoje tem a ver com uma outra questão. Na verdade, se tem um mercado que vem apanhando, sofrendo, muitas vezes descrito como um doente terminal aguardando a extrema unção, esse é o mercado fonográfico. Que apesar de todos os prognósticos negativos e contrários segue se reinventando e reerguendo como a mitológica Íbis em meio ao caos. Este post tem como objetivo incentivar a todos que trabalham no mercado cristão a enfrentar com criatividade, tenacidade e principalmente planejamento e foco, este momento de crise no país. E quero trazer a todos estes profissionais o exemplo que temos do próprio mercado fonográfico, que é pródigo em driblar tendências catastróficas.

Vamos aos fatos. Na década de 80, as grandes companhias fonográficas dominavam o circuito artístico. Grandes nomes nacionais e internacionais vendiam milhões de discos, na época LP. Já na década seguinte uma grande mudança aconteceu com a chegada do CD. O que para muitos parecia ser um grande risco pela transformação, acabou tornando-se num primeiro momento numa oportunidade fantástica! As gravadoras começaram a vender milhões de discos de dezenas de artistas nacionais. Grandes festivais e turnês internacionais começaram a incluir o país no circuito. O dinheiro rolava aos borbotões tanto que as próprias gravadoras incentivavam os artistas de seus casts a montarem escritórios próprios para as questões de shows e agendas, já que esta era uma parte de menor lucratividade para as companhias e onde se concentravam boa parte dos problemas de administração e logística. Depois desse boom aconteceu o que todo mundo sabe, a pirataria se disseminou e com ela a queda nas vendas. Mais uma vez esperou-se pelo pior, pela quebradeira geral das gravadoras e do fim do mercado fonográfico. Passado o susto, eis que surge uma nova onda, o mercado digital e como toda mudança de formato e de hábitos, ninguém tinha certeza do que iria acontecer e mais uma vez, os profetas apocalípticos determinavam o fim do mercado.

Ufa! Depois de mais um tsunami, eis que o mercado fonográfico mundial frustrando as tendências pessimistas já aponta para um novo período de grande crescimento e oportunidades. Costumo dizer quando questionado sobre o mercado fonográfico gospel que hoje temos muito mais oportunidades do que tempos atrás. E para reforçar minha linha de raciocínio basta comparar com os canais de distribuição que tínhamos até tempos atrás, algo como 1500 pontos de venda em todo o Brasil, entre lojas, igrejas, distribuidores e até mesmo colportores, que são os atuais revendedores porta a porta. Pois bem, se antes tínhamos esta rede de distribuição, hoje além destes 1500 pontos ainda temos 273 milhões de aparelhos de celular e mais de 120 milhões de brasileiros com acesso à web em seus lares. Ou seja, hoje em dia, as gravadoras têm muito maior potencial de vendas do que a tempos atrás.

A grande questão é como lidamos com as dificuldades, as oportunidades e principalmente com as transformações. Dependendo de nossa reação, os resultados podem ser fantásticos ou deprimentes!

E aí quero incluir no meu foco, os livreiros que trabalham com o mercado gospel no nosso país. Se tem uma pessoa que conhece a realidade e, em especial, livrarias evangélicas em todo o país, esse ‘cara sou eu’, parafraseando Roberto Carlos. Nos últimos 26 anos de minha vida, conheci e venho conhecendo livrarias cristãs em todas as cidades por onde estive. Tenho especial prazer em entrar numa loja e observar a qualidade do atendimento, a disposição dos móveis, a vitrine, a disponibilidade de produtos e lançamentos, entre outros detalhes.

Estamos diante de um momento crucial para o mercado livreiro. Ou enfrentamos essa crise com criatividade, inteligência e muito trabalho ou sucumbimos à derrota total. Dias atrás promovi mais um Encontro de Mídias e Lojistas, desta vez na cidade de São Paulo. Investimos tempo e dinheiro nesta iniciativa e no fim colhemos só bons resultados por esta ação. Mais um exemplo! Ou nos entregamos, ou enfrentamos as adversidades. Ou cruzamos os braços ou arregaçamos as mangas e trabalhamos duro! A verdade é que estamos num momento muito interessante e quero pedir-lhe encarecidamente apenas mais alguns minutos de sua atenção.

Tradicionalmente os momentos de crise econômica ou social acabam levando mais pessoas em busca de algo sobrenatural, ao exercício da fé. Não cabe a mim questionar a motivação, mas que efetivamente nestas horas de crise o povo se apega mais a Deus, isso é um fato! Ou seja, se nas últimas décadas a igreja evangélica já vem crescendo em ritmo intenso, tudo indica que este crescimento será ainda mais vigoroso caso tenhamos (espero que não!) um período mais crítico na economia e na própria sociedade brasileira. Do ponto de vista comercial, quanto mais pessoas passam a frequentar as igrejas cristãs, teoricamente o público consumidor de produtos segmentados cresce em igual proporção.

Há uma pesquisa exaustivamente repetida nos últimos anos de que a cada 10 evangélicos, apenas 3 tem o hábito de ir periodicamente em livrarias cristãs, ou seja, há muita gente nos bancos das igrejas que não frequentam livrarias. Com isso, abre-se uma oportunidade e tanto! O mercado livreiro já pensou e executou estratégias para trazer estas pessoas para suas lojas, ou então, na possibilidade de estas lojas estarem mais perto do público? Cada vez mais lojas on line serão uma excelente opção de compra e distribuição de produtos para este segmento. Ou seja, diante da crise a melhor opção é agir, é trabalhar! Até porque muito provavelmente seu concorrente seguirá o caminho inverso, abrindo cada vez mais espaço para quem quer fazer de forma diferente.

Sempre gosto de repetir a experiência que vivi há alguns anos em uma de minhas viagens ao Nordeste. Pela manhã fui visitar o gerente de uma rede de lojas que até então tinha 9 filiais. Sentado numa mesa velha, empoeirada, o gerente transpirando em bicas, me recebeu com uma cara de velório. Num canto da sala, um ventilador de pé meio capenga tentava refrescar o ambiente. Sentei-me para ouvir as notícias e numa cantilena modorrenta o gerente começou a desfiar seu rosário de lamentações como se fosse uma carpideira do sertão. Das 9 lojas, já na próxima semana 2 seriam fechadas. Outras 3 sofreriam redução de tamanho e aquela que seria a sede da rede de lojas seria dividida ao meio dando lugar a alguns boxes numa espécie de mini-shopping popular. Demorei-me naquele lugar por mais 1 hora, não mais do que isso … na verdade, se eu não fosse um otimista por natureza, sairia dali direto para o aeroporto, tamanho baixo astral reinante naquele lugar. A loja tinha uns 3 ou 4 clientes, funcionários mal humorados, muitos com sandálias de dedo, com fardas (no nordeste eles usam essa expressão para uniformes) surradíssimas … ou seja, o clima era de fim de festa!

Saí daquela loja, respirei ar puro na avenida e pus-me a caminhar pelo calçadão do centro da cidade. O burburinho do povo, dos camelôs, do comércio de rua, demonstrava uma realidade bem diferente do que o gerente queria me passar. Mas enfim, segui meu rumo em direção a outro grande amigo e cliente que tinha naquela cidade. Quando cheguei na loja, fui recepcionado por um segurança extremamente simpático que fez questão de abrir a porta para mim e desejar-me uma boa estada na loja. Na livraria com ar condicionado o clima estava muito agradável. Tudo muito bem arrumado. Funcionários devidamente uniformizados, seções bem definidas e sinalizadas. Caminhei por alguns segundos na loja até ser contactado por um vendedor que colocou-se à minha disposição caso precisasse de alguma ajuda. Fiz questão de ficar alguns minutos ali sem me apresentar, justamente para analisar a qualidade do atendimento e tudo mais. No entanto, em poucos minutos o gerente da loja me reconheceu e foi ao meu encontro. Uma festa! Conversamos muito sobre o mercado, sobre as oportunidades, sobre a situação do comércio local … ele fez questão de me mostrar seus planos, suas ideias num entusiasmo empolgante e contagiante. Fiquei por ali pelo menos umas 4 horas e só fui embora porque teria outro compromisso mais tarde.

Aquelas duas visitas numa mesma cidade foram diametralmente opostas. Se um gerente vislumbrava o apocalipse, o outro via oportunidade. Enquanto um remoía suas frustrações, o outro vibrava com suas conquistas. Esta experiência eu vivi há uns 5 anos atrás ou mais um pouco. Neste ano tive a oportunidade de novamente visitar estes dois clientes. O primeiro, encontrei sentado na mesma mesa empoeirada de anos atrás. A diferença é que das 9 lojas, restavam apenas 2, sendo que a maior delas reduzida a 30% da área original. E seguindo sua toada de outrora, o gerente mantinha sua postura inerte e garantia que em mais alguns meses o negócio seria fechado em definitivo. Minha visita não durou mais do que 20 minutos, por educação. Já o segundo gerente, reencontrei-o em meio a um evento que reuniu mais de mil pessoas em sua loja numa sessão de lançamento de um artista de música gospel. A fila dobrava o quarteirão e as pessoas estavam ali desde cedo para um evento que se iniciaria às 16h. Mais uma vez deparei-me com um profissional entusiasmado e visionário, cheio de ideias e planos. Naquele momento ele me falou sobre a abertura de mais uma filial em um importante shopping center na região. Sua meta era manter presença em todas as principais cidades e micro-regiões do Estado. Saí de lá feliz por ver como aquele profissional havia superado as adversidades e tornado-se uma referência.

Neste momento de crise é que conhecemos os profissionais valorosos. Administrar em tempos de fartura é mais tranquilo, mas é no tempo das vacas magras onde surgem os grandes profissionais. Estamos diante de um momento muito especial em nosso país e a mensagem que eu gostaria de deixar aos meus 66 leitores é de incentivo e para que possam, cada qual em sua área de atividades, desempenhar da melhor forma o seu ofício buscando sempre a excelência.

Finalizo este texto perplexo por receber no dia de hoje um flyer de divulgação de uma determinada gravadora que acaba de fechar um contrato com uma das plataformas streaming disponíveis no país e afirmando que com isso estava conquistando algo muito especial. Faltou dizer que essa plataforma já existe por aqui faz mais de 3 anos, portanto, não tem nada de grandioso e fantástico nisso! Especialmente as gravadoras de nosso segmento precisam urgentemente agir para não terem o mesmo triste fim do nosso gerente e sua mesa empoeirada.

Bom trabalho!

Mauricio Soares, casado, pai de 3 meninos muito acima da média, talvez um jornalista-abaixo-da-média, um profissional-de-marketing-na-média (ou não!!!!), um publicitário-abaixo-da-média e, ainda, um consultor-de-marketing-abaixo-da-média. Só o tempo dirá …

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Um dos maiores desafios de se manter um blog por tanto tempo é justamente o risco de, pela ausência de assuntos relevantes, acabar caindo na mesmice e na mais absoluta falta de qualidade dos textos. Comemorando mais de 8 anos de existência o Observatório Cristão  já tem em sua história alguns textos memoráveis, outros nem tanto, mas pelo menos há uma regra que venho seguindo rigorosamente neste tempo, ou seja, não publicar nada simplesmente pela ‘obrigação’ de se manter o blog em atividade. Ao longo deste período já convivemos com secas de algumas semanas sem nada de novo publicado e outras fases de intensa produtividade. Neste momento vivemos um período leve com um novo texto em média por semana, às vezes um pouco mais, um pouco menos.

Fui convidado e aceitei participar de um grupo de mídias do meio gospel no whatsapp. Isso aconteceu há alguns dias atrás e num primeiro momento me assustei pela intensidade das mensagens ali postadas. Por ali o ritmo é frenético, quase neurotizante! Percebi que ali se tratava de um grupo mais social do que profissional. Pelo menos nos primeiros dia não havia por ali grandes debates, grandes temas a serem discutidos, mas tudo fluía num clima de camaradagem, bom humor e uma ou outra menção ao dia a dia profissional. Se num primeiro momento fiquei um pouco decepcionado com o ambiente do grupo, ao longo dos dias fui percebendo que se tratava apenas de uma reunião de jovens (alguns nem tanto!!) que trabalhavam no mercado gospel em diferentes veículos de comunicação, cada qual com uma realidade própria, expectativas diferentes, mas que entendiam a relevância e principalmente o potencial desse mercado. Se a primeira impressão foi de que eu estava no meio de uma turma somente animada, aos poucos fui me dando conta de que entre uma e outra piada, uma e outra risada, surgiam por ali alguns temas mais profissionais e cotidianos. E é justamente em cima de um assunto pontuado neste grupo que quero aproveitar esse curto vôo entre o Rio e São Paulo para seguir neste post inédito.

Qual o papel da assessoria de imprensa?

Esta dúvida surgiu entre os profissionais do grupo dias atrás. Uns diziam que o assessor deveria opinar e orientar quanto às ações e posturas de seu contratante, no caso, um artista de música gospel. Outros afirmavam que o contratante deveria zelar pelo nome da empresa que o assessorava … “se ele se queimar, acaba prejudicando minha empresa e isso eu não posso admitir …” Até que em determinado momento resolvi entrar no papo e pontuar algumas questões que aparentemente passavam desapercebidas pela turma. O primeiro fato tem a ver com o conceito de “assessoria de imprensa”, afinal estamos vivendo uma fase em que as pessoas saem falando sem ter uma maior preocupação com a gênese e o conceito principal dos termos e palavras.

A definição clássica de uma assessoria de imprensa é comunicar de forma oficial ações ou fatos de uma determinada empresa, entidade, pessoa física ou órgão público direcionada à imprensa, mercado ou consumidor. A função primoridal da assessoria de imprensa nada mais é  do que informar. E via de regra, este trabalho deve ser desenvolvido por um profissional de jornalismo ou comunicação social.

Há uma clara distorção hoje em dia do papel do assessor de imprensa. Não é papel do assessor de imprensa elaborar estratégias de marketing, cuidar da imagem do contratante ou mesmo desenvolver ações de marketing digital ou coisas do tipo. O profissional de assessoria de imprensa deve tão somente comunicar e manter um canal permanente de relacionamento com os profissionais dos veículos de comunicação ou do mercado.

Tenho visto muita gente dizendo que possui um assessor-de-imprensa-faz-tudo, especialmente no meio gospel, mas preciso alertar que neste caso estamos diante de um outro tipo de profissional que não é o tradicional assessor de imprensa. E neste caso acho muito importante deixarmos claro o conceito porque é muito natural que tempo depois o contratante sinta-se frustrado porque seu assessor de imprensa só manda textos para as mídias e nada mais!

Entendido o papel e principalmente até onde vai o trabalho do assessor de imprensa passemos agora para a definição deste novo profissional que faz de tudo um pouco ou próximo disso. Em minha definição, um profissional que cuida da comunicação (assessor de imprensa) e também do networking, promoção, marketing e estratégia de seu contratante, podemos chamar de um profissional de comunicação.

Este tipo de profissional vem tornando-se cada vez mais importante num mercado tão intenso, competitivo e ágil, que vem mudando e transformando-se numa velocidade enorme. Hoje é praticamente indispensável que um artista conte em seu staff com alguém que desempenhe com maestria este tipo de serviço. Este profissional deve reunir as atribuições de assessoria de imprensa com diferentes outras atividades no objetivo final de projetar positivamente a imagem e conteúdo do artista no mercado como um todo, em diferentes ambientes – mídia, mercado, público.

Ainda acho que nosso mercado está carente de profissionais que consigam desempenhar com extrema qualidade este tipo de serviço, mas já observo que este é um nicho com enorme potencial de crescimento e boas cabeças pensantes de jovens profissionais surgindo. A questão neste caso é que como temos alguns jovens profissionais sérios e capacitados, de outro lado também há uma quantidade expressiva de gente completamente despreparada, desqualificada e principalmente mal intencionada prometendo o que definitivamente não entrega. É o que eu chamo de “açessores” ou os típicos “contadores de história”. E por causa dessa turma, há muito artista frustrado e se sentindo enganado, mas aí os próprios contratantes têm uma grande parcela de culpa. Assim como ninguém compra um imóvel, um automóvel ou procura um médico sem previamente fazer uma pesquisa (pelo menos é assim que deveriam fazer!), a contratação de um prestador de serviços também deve ser feita com muito cuidado e analisando-se resultados, procedência, opinião de clientes e coisas do tipo.

Infelizmente tem muito artista hoje em dia acreditando que o “açessor” pode cumprir com promessas mirabolantes de conseguir uma apresentação no Faustão, uma contratação por uma grande gravadora ou até mesmo um show no palco principal do Rock in Rio. Aí é o famoso caso do contador de estória e o artista que gosta de ouvir estória, geralmente esse encontro rende muitas dores de cabeça e frustrações.

É importante registrar que no ato da contratação dos serviços – que deve ser feito através de contrato formal estabelecendo prazos, valores, metas e tudo mais – é fundamental que as atividades que deverão ser exercidas pelo assessor sejam explicitadas. Isso é uma garantia tanto para o contratante como para o contratado. Conversando com um dos membros do grupo de mídias ele me disse que trabalha com diferentes modelos de serviços como assessoria de imprensa, marketing digital,  comunicação visual, marketing estratégico, entre outros. E claro, à medida que os serviços vão se intensificando, os valores também acompanham o crescimento.

Particularmente acho que a especialização e o foco são fundamentais para o resultado positivo do trabalho. A não ser que o assessor-faz-tudo tenha uma equipe capacitada e bem definida, ciente dos objetivos e muito bem organizada, minha preferência é pela divisão de tarefas entre diferentes empresas. Hoje em dia fala-se muito de marketing digital e posso assegurar que isto é bem mais do que programar flyers e posts bonitinhos com versículos e imagens bonitinhas nas redes sociais. Marketing digital é uma ciência, algo técnico, analítico, de observação e muita pesquisa. Há uma série de ferramentas para que o resultado das ações seja potencializado e isso faz parte do dia a dia do profissional de marketing digital. Como uma nova área do business, o marketing digital ainda tem muito a crescer e muitas transformações a caminho, por isso é fundamental a constante atualização e busca por informações. Um profissional de marketing digital é antes de mais nada alguém que não tem preguiça em estudar, ler e se especializar diariamente.

É fundamental que cada vez mais os artistas contem com pessoas ao seu redor para dar todo tipo de suporte e principalmente orientação. Me assusta saber que determinados artistas do primeiro time de nosso segmento ainda sigam sozinhos cuidando de diferentes tarefas e muitas vezes, até pior, são “açessorados” por maridos, esposas, cunhados, irmãos, tios, amigos, primo do amigo que é fã e que gosta de Facebook e afins. Ou seja, nos próximos anos, onde cada vez mais a tecnologia se fará presente no nosso cotidiano e onde as transformações serão cada vez mais intensas e rápidas, manter-se atualizado e adaptado às novas tendências, não será importante, mas vital! Certamente daqui há uns 2 ou 3 anos iremos perceber que artistas que não entenderam este recado descerão alguns patamares e serão literalmente atropelados por artistas que hoje ainda estão no início de suas carreiras, mas que entenderam a importância da busca de conhecimento e suporte técnico profissional.

Finalizo este texto já no vôo de volta para casa depois de uma noite memorável onde tivemos o prazer de reunir profissionais de mídia, lojistas, lideranças, artistas, editores e gente que vem trabalhando em áreas diversas neste mercado gospel. O Encontro de Mídias e Lojistas promovido pela Sony Music em São Paulo juntou mais de 500 pessoas de diferentes estados do país e que ali puderam ter contato com o que a gravadora vem promovendo e planejando para os próximos meses. Confesso que participar de eventos como este me estimulam e comprovam que estamos no caminho certo e que este mercado ainda tem muito potencial.

Obrigado!

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, profissional de marketing e alguém que curte um bom papo.

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Depois de alguns dias sem novidades no blog, eis que consigo tempo para voltar a municiar este espaço com novidades. Os últimos dias têm sido de muito trabalho, muitas viagens e principalmente de grandes desafios e pouca inspiração para trazer algo realmente relevante. No entanto, especialmente nestes últimos 3 dias em conversas com diferentes pessoas, em ocasiões distintas, vieram à minha mente, pelo menos 4 temas que tentarei desenvolver pelos próximos dias em que estarei viajando pela região sul do país em meio a muito trabalho, só pra manter a rotina.

Não me arrisco a dizer quantas igrejas evangélicas de médio e grande porte temos em nosso país neste momento. Nem sequer afirmar a quantidade de eventos de música gospel acontecendo a cada fim de semana em todo o Brasil. A quantidade de Marchas para Jesus é enorme. O número de shows e festas municipais onde artistas evangélicos se revezam é de perder a conta. Com tantas demandas, tantas oportunidades, cada vez mais os artistas de música gospel podem se dar ao luxo de escolher entre um ou outro convite. E dentro deste pensamento, julgo cada vez mais desnecessário um determinado artista aceitar o primeiro convite que lhe surgir à frente sem que se tenha um mínimo de análise crítica sobre o evento, o líder ou mesmo a proposta do referido evento.

Há alguns meses atrás em um almoço com um cantor que eu admiro muito comentamos sobre um determinado pastor (sic) que vem cada vez mais levando artistas para suas reuniões e eventos. O dito cujo que mais me parece um xamã invocando benzeduras, simpatias e campanhas para arrecadar e arrecadar, além de emocionar a platéia, sempre com muito entusiasmo, encenações e palavras de impacto, tem recebido em seus eventos uma gama enorme de artistas. É notório que muitos destes artistas transmitam uma sensação de incômodo por estarem diante de uma cena grotesca, com uma teologia tão rasa que mais parece um pré-sal-escatológico, uma coisa realmente pavorosa … e aí, voltando ao nosso papo, este cantor declarou que por várias vezes foi convidado a participar destes ‘cultos’ e que ele havia orientado sua assessoria a sempre agradecer pela lembrança, mas jamais, nunca, em tempo algum, aceitar a proposta. E ele me disse com a maior tranquilidade que lhe é peculiar: “Temos tantas igrejas, tantos convites que não preciso de forma alguma atender a este tipo de evento. Não concordo com nada do que é falado naquele local, então não posso de alguma forma participar ou colaborar com eles. E mesmo que não tivesse outros convites, meu senso crítico e de auto-preservação não me permite compactuar com o que ali é pregado. Prefiro estar em paz com minha consciência”

Se eu tivesse o recurso de escrever e ao mesmo tempo sair o som de palmas efusivas, certamente usaria este modo, pelo simples fato de concordar em gênero, número e grau com esta opinião e principalmente atitude.

Sob o argumento de que a Palavra está sendo pregada ou de que se tratam de ‘homens de Deus’, muito do senso crítico é jogado para escanteio em nosso meio. Já cansei de escrever aqui mesmo em nosso blog sobre a falta de posicionamento de boa parte da liderança de nosso meio em temas polêmicos. No entanto, também quero trazer a responsabilidade sobre todos os artistas que simplesmente têm aceito convites sem analisar que tipo de mensagem, liderança ou teologia aquele determinado evento no qual participam transmitem ao público. Será que o artista pode se eximir da responsabilidade em apoiar e participar de um evento cujo o preletor apresenta todo tipo de teologia e campanhas? E no caso de ‘pastores’ que notoriamente possuem problemas de caráter e credibilidade, o artista não tem responsabilidade, não avalisa de alguma forma este líder quando aceita participar de algum de seus eventos?

Do mesmo modo que um formador de opinião deve analisar criteriosamente a qualidade do produto ou a idoneidade da empresa quando é contratado para fazer alguma ação de merchandising ou publicidade, será que um artista gospel não deve se posicionar quando recebe um determinado convite para um evento? E aí, não quero criar nenhum espírito de SERASA gospel onde o artista deve checar se o CPF do pastor está OK, se não tem nenhum problema de crédito ou coisas do tipo quando se trata de uma igreja no interior do Piauí … não!!! Não estou falando disso, mas daqueles mega líderes, muitos dos quais presentes cotidianamente nas TVs e rádios vendendo toalhas, fronhas, lençóis, óleo da unção, perfume de Cristo, deturpando claramente a mensagem bíblica! Nestes casos, não há como esconder-se atrás do argumento tão usado pelo Lula e sua quadrilha: “Eu não sabia!”

Uma cantora que durante muito tempo tive contato costumava dizer: “Pagando bem, quem mal tem?” Será mesmo? Por mais que ela dizesse essa frase com uma leveza, talvez até mesmo inocência, o certo é que isso não se aplica quando lidamos com fé, doutrina, responsabilidade com o próximo. Longe de querer julgar, mas também não querendo usar esse mesmo argumento para dar carta branca para que tudo seja permitido sem questionamentos, o que estou querendo dizer neste texto é de que temos todos uma responsabilidade com a qualidade do Evangelho que está sendo pregado em nosso país, se é que podemos dizer que isso é Evangelho?!?!? Esta responsabilidade é de todo cristão que compreendeu o mais básico princípio dos ensinamentos bíblicos e em se tratando dos cantores de música gospel, imagino que esta responsabilidade é ainda maior pelo fato de que são importantes formadores de opinião neste momento de pós-modernidade.

Ao longo de meus 30 anos de cristão tenho seguido uma regra bem clara e esta foi construída quando eu ainda era bem adolescente. Não negocio aquilo que me é de valor, neste caso, o que aprendi como sendo o verdadeiro sentido do sacrifício de Jesus na cruz por mim. Jamais devo diminuir o que Ele fez por mim trocando isto por qualquer outro benefício que aparentemente me é interessante. Há coisas que são inegociáveis e pelas quais vale a pena perder uma batalha para vencer a guerra. Vejo com tristeza que há muita gente negociando o inegociável. Abrindo mão da ética e doutrinas para pegar atalhos rumo a um falso sucesso, a uma falsa conquista. De coração gostaria que, especialmente os artistas de nosso meio, ao lerem este texto possam refletir melhor daqui em diante sobre os eventos dos quais participam e participarão. A responsabilidade é muito grande e não pode, de forma alguma, ser menosprezada!

Termino este texto com um pensamento que repetidamente utilizo. Tenho até pena de quem convive mais de perto comigo, porque sou uma pessoa que costuma repetir muitas das minhas frases e pensamentos. Mesmo não sendo nenhuma frase das mais criativas ela reflete exatamente o que penso e que procuro vivenciar no meu dia a dia.

Deus não nos deu a opção de escolhermos qual família iríamos nascer, fazer parte … mas Ele nos dá a opção todos os dias de escolher com quem iremos andar. E esta opção traz uma enorme responsabilidade. Que saibamos lidar com ela e que tenhamos muito cuidado e temor.

Fica o alerta!

 

Mauricio Soares, jornalista, publicitário, finalizando este texto numa noite chuvosa e muito fria em Porto Alegre. Pra completar o Brasil acaba de perder para a Colômbia, que fase!

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Ao longo dos poucos mais de 7 anos em que escrevemos neste blog muita coisa mudou. O mercado fonográfico mudou sensivelmente. Os hábitos de consumo mudaram radicalmente. A tecnologia cada vez modifica mais e mais as relações na sociedade. O Brasil mudou, neste caso, nos últimos anos para muito pior se comparado a anos atrás. E se observarmos mais atentamente aos textos aqui publicados também iremos perceber muitas transformações neste período. A mudança é uma condição natural do ser humano. Particularmente não curto muito ter que lidar com pessoas que não buscam por mudanças de conceitos e pensamentos. Confesso que não tenho muita paciência para pessoas que sofrem da Síndrome de Gabriela, já citada aqui mesmo no blog por algumas vezes.

Há alguns anos atrás, especialmente depois que ingressei no meu último emprego, via a questão do crossover como uma transformação natural do meio gospel, um amadurecimento que aconteceria mais tempo, menos tempo. Na minha visão, a música gospel ultrapassaria as barreiras do próprio segmento e poderia ser consumida por pessoas que não necessariamente professam a mesma fé ou ideologia. Naquele pensamento, imaginava eu que a música cristã suplantaria todos os rótulos a ela impostos e seria reconhecida como uma manifestação cultural simplesmente. Para esta migração bastava que os artistas assumissem posturas menos herméticas, menos estereotipadas, com discursos, arte e atitudes menos relacionadas ao que um artista gospel possuía até então.

Mais recentemente parei para conversar com alguns profissionais do meio secular e em determinado momento passamos a falar sobre o conceito do crossover na música cristã nacional. Ao longo destes últimos meses, este pensamento que eu tinha até então sobre o crossover sofreu algumas alterações bem significativas. Na visão destes profissionais extremamente competentes e experientes, a qualidade da música cristã produzida no país não fica em nada devendo ao que se produz no meio popular. Muitos inclusive fazem questão de destacar a incrível qualidade de boa parte dos intérpretes deste segmento que é uma das marcas fortes e que chamam a atenção de todos.

No entanto, há realmente condições de artistas do meio gospel migrarem ou ampliarem seus respectivos públicos no autêntico movimento de crossover? Para tentar responder e analisar o que este tipo de estratégia decorreria é que irei dedicar-me nos próximos minutos de voo entre a Cidade Maravilhosa e a belíssima Curitiba, onde ficarei pouco mais de 24 horas atendendo a uma agenda intensa de compromissos.

Em primeiro lugar, você já parou para analisar de que os principais nomes da música gospel nacional que tornaram-se conhecidos além-fronteiras do mundinho crentês, nos últimos anos não optaram em seguir uma estratégia de crossover? Pois bem, a artista mais reconhecida fora do segmento gospel nacional é justamente Aline Barros. Alguém por aí a viu cantando músicas de duplo sentido, buscando criar uma imagem de artista pop, romântica ou algo do tipo? Não! Simplesmente porque desde sempre, Aline Barros seguiu focada em ser uma artista de música gospel e através de seu talento, carisma, foco e senso de oportunidade, sua arte rompeu as barreiras do nicho e a fizeram ser uma artista reconhecida não só em seu meio, mas também na área secular. O mesmo podemos dizer de artistas como Régis Danese, Damares, Thalles, Irmão Lázaro e, mais recentemente, Leonardo Gonçalves, só para citar alguns. O que os levou a tornarem-se conhecidos por quem não professa a fé protestante e a sociedade em geral é prioritariamente sua música, a qualidade da arte que produzem e defendem ao longo dos anos.

Quer ser reconhecido fora do segmento gospel? Então produza música de qualidade!

O conceito de crossover está diretamente ligado à produção artística que pode ser consumida por diferentes grupos. Teoricamente, um artista que busca esta estratégia tem como foco comunicar-se com grupos diferentes do qual tem maior empatia ou adequação. Adaptando para a realidade do músico cristão, o crossover seria a capacidade do artista de ser consumido tanto pelo público gospel como pelo público secular.

Como todos sabem, trabalho numa corporação multinacional, secular. Arrisco a dizer que cerca de 20 ou 30% dos funcionários de minha empresa podem ser considerados como evangélicos ou cristãos praticantes. A esmagadora maioria é de pessoas que não tem qualquer relação mais próxima com o ambiente cristão. Só que muitos deste grupo, que aparentemente são alheios à música gospel reconhecem, curtem, buscam informação, divulgam e compartilham canções de Leonardo Gonçalves, Os Arrais, André e Felipe, DJ PV e outros artistas do cast gospel, simplesmente porque estas pessoas reconhecem a qualidade desta arte e porque em determinados momentos são de alguma forma impactados com as mensagens. Não foi uma ou duas vezes em que uma funcionária entrou em minha sala para elogiar a música deste ou daquele artista gospel, muitas das vezes a pessoa me comenta sobre o que a música a proporcionou e coisas do tipo. Cada um fala desta experiência com a música do seu jeito, mesmo que para isso seja necessário inserir alguns palavrões como hipérbole para ressaltar o impacto que a canção os proporcionou. E aí eu me pergunto, isso é ou não é um crossover?

A música precisa antes de mais nada, comunicar-se com o público. Qualquer público!

Uma das preocupações que eu reparo ser bem constante com a turma que insiste no crossover gospel é justamente renegar todos os rótulos! Principalmente aqueles que remetam a sua música ao conceito de segmento gospel. Lendo uma entrevista de um destes jovenzinhos do crossover ficou nítido para mim de que a maior preocupação dele era justamente mostrar-se distante de qualquer indício de que fizesse música cristã. Mesmo sendo ele filho de pastor, casado com filha de pastor, vivendo profissionalmente da igreja através de um cargo na igreja, tendo toda sua vida diretamente ligado à igreja e o absurdo dos absurdos, cantando e se apresentando em eventos de igreja para o público cristão. Surreal! Simplesmente surreal! Não há pecado em apresentar-se como uma artista cristão que faz uma música diferenciada! O errado é justamente renegar o público, o segmento, o mercado que os sustenta! Isso sim é errado!

Não há como fugir de rótulos! Mesmo quando se tenta negar a existência de rótulos acaba-se por criar um rótulo, ou seja, o rótulo do Não-Rótulo. Então, se é para ser reconhecido por algum rótulo, que seja o do artista que faz uma música de qualidade, que explore a poesia, a criatividade e que saia do senso comum. Pronto! Isso é ter um bom rótulo!

É um engano e até certo ponto, arrogância, imaginar que o público cristão não tem capacidade de reconhecer uma proposta musical diferenciada, que não rime JESUS com LUZ com CRUZ … cansei de ler e ouvir destes jovenzinhos do crossover que a música cristã é brega e que eles produziam algo para cabeças pensantes! Quanta petulância! A verdade é que há sim um grupo crescente de jovens cristãos que curtem uma música com propostas diferenciadas, com poesia, criatividade, novos formatos e linguagens. Prova disso é o crescimento de artistas como Marcela Taís, Salomão do Reggae e DJ PV que fogem por completo ao estereótipo do artista gospel. Por falar em Salomão do Reggae, há algumas semanas atrás o meu parceiro de longa data, Sidnei Gomes, apresentou a música “Baseado em Que?” para alguns funcionários de nossa empresa. Todos amaram a música e a criatividade da letra da canção que trata de um tema tão diferenciado como o uso de drogas. O pessoal da gravadora ficou tão fissurado, pra usar um termo adequado, no som do Salomão, que todos queriam conhece-lo pessoalmente. Ou seja, através da sua própria arte, uma arte engajada e de qualidade, o artista gospel atingiu um público completamente diferente.

Deixe que a sua arte fale por si. Não se preocupe em explicar-se o tempo todo!

Quando um artista busca o reconhecimento além dos arraiais do mundo gospel, automaticamente ele assume determinados riscos. É absurdamente enganoso imaginar que um artista cristão possa caminhar em meio ao mundo secular sem ter que negociar certos dogmas, conceitos e atitudes. Temos inúmeros casos de autêntica saia justa de artistas de música gospel que participaram de programas de TV seculares. Há o caso clássico de uma renomada artista gospel que após se apresentar em um programa de TV – que naquela edição estava sendo gravado à beira mar – o apresentador convidou suas assistentes de palco para jogar oferendas ao mar.

Não estou dizendo que um artista gospel não deva ir em programas seculares. Não mesmo! Pelo contrário. Apenas estou alertando para os artistas que querem seguir nessa estratégia de crossover de que a situação merece todo cuidado e sabedoria! O artista deve aproveitar toda e qualquer oportunidade para que sua arte e principalmente sua mensagem sejam divulgados. Raríssimos são os programas em que realmente o mais saudável é manter-se distante! Em sua grande maioria, estes programas devem ser encarados como oportunidade de evangelismo. Mas imagino que é bem diferente uma aparição (cada vez mais rara) de um artista gospel num programa de TV secular e uma carreira artística pautada no crossover.

Um artista que quer militar tanto na seara gospel como na secular irá se confrontar com situações onde sua posição de fé e doutrina serão naturalmente confrontados. Temas polêmicos como casamento gay, drogas, liberação sexual e outros assuntos usuais na pauta de nossa sociedade certamente irão surgir e os artistas cristãos crossover terão que se posicionar. E aí, não há a menor dúvida, uma posição a favor da fé e doutrina cristã e contrária ao pensamento totalitário e reinante na grande mídia farão que a imagem deste artista seja rotulada como a de alguém retrógrado, radical e coisas do tipo. Ou seja, toda a estratégia vai por ladeira abaixo.

Ou seja, é melhor que um artista gospel rompa com as barreiras do meio gospel sendo justamente reconhecido como um representante de qualidade do segmento, do que como um “agente secreto gospel” que apresenta uma boa música, que tem um discurso adequado ao meio popular, com roupas e trejeitos, bandeiras e atitudes populares mas que a qualquer momento possa ser descoberto e revelado como um artista infiltrado.

Se você é cristão e mantém o sonho de ser reconhecido no mercado secular, particularmente só acredito em dois caminhos. O primeiro é justamente o que estamos falando exaustivamente neste texto, ou seja, produzir uma música cristã de qualidade a ponto de romper com o próprio nicho. A segunda opção é bem mais complicada. Aventurar-se a ingressar no mercado secular competindo diretamente com os artistas seculares, cantando e produzindo música secular. Há alguns casos de artistas seculares de sucesso nacional que conseguem manter-se com relativo sucesso nesta estratégia. Mas vale ressaltar, que nestes casos, os artistas são exclusivamente seculares. A vida artística é popular e a vida pessoal é cristã. Ou seja, não podemos considerar que estes estejam fazendo o autêntico crossover.

Pra pensar …

P.S. – Se você concorda ou não com este ou qualquer outro texto de nosso blog, gostaria de incentivá-lo a expor sua opinião em nossa área de comentários. Sempre os comentários são lidos e muitas das vezes, quando necessário, posteriormente comentados por mim. Sua opinião é muito importante! E acabo este texto já no saguão de embarque no Aeroporto de Curitiba (na verdade, de São José dos Pinhais). Escrevo este post tendo que aturar uma menininha de uns 3 anos no máximo gritando, esperneando, chorando e tumultuando o ambiente diante de uma mãe apática que assiste ao teatro impassível. A boa notícia é que já percebi que ela vai embarcar em outro voo. Livramento purinho!

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista e consultor de marketing.

 

 

 

 

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Ainda aproveitando o tempo de voo com destino ao Brasil sigo no desafio de produzir o máximo de textos criativos, pertinentes e no padrão de qualidade do Observatório Cristão. Antes de começar a escrever propriamente dito o novo post preciso agradecer aos inúmeros e-mails, mensagens e mesmo comentários positivos sobre os mais recentes textos e mesmo sobre o próprio blog em si. Tenho tentado responder todas as manifestações, inclusive as não tão simpáticas que de vez em quando ainda recebo, mas a minha habitual falta de tempo me impede de ser mais ágil neste processo. Particularmente tenho curtido muito ler os comentários pós-textos publicados. Este é um espaço onde podemos ter um bom feedback dos 66 leitores e em razão disso, gostaria de estimulá-los a fazer uso desta ferramenta interativa.

De tempos em tempos dou uma olhada nos textos publicados há algum tempo. Pode parecer história de pescador mas já estamos caminhando para o sétimo ano de publicações neste blog que começou com a intenção de interpretar com um olhar mais clínico e menos chapa branca alguns dos fatos e acontecimentos do meio gospel tupiniquim. Por isso o nome de “observatório cristão”, mais óbvio impossível !!!!! Com o tempo o blog foi modificando-se, os editores fundadores afastaram do projeto e acabei ficando sozinho cuidando da “lojinha” e com isso, o viés do blog também foi migrando para outros temas e hoje somos basicamente um espaço onde falamos de música, mundo artístico, marketing, tendências, tecnologia e afins.

No exercício de pesquisa acabei me deparando com um texto onde eu abordava sobre a necessidade de termos uma igreja cristã no país que efetivamente fizesse a diferença na sociedade. Este texto mesmo tendo sido publicado há alguns anos mantém-se – infelizmente – muito atual pelo ponto de vista da baixa eficácia da igreja evangélica brasileira em modificar a sociedade à sua volta. No texto aponto para a falta de lideranças eclesiásticas em nosso país que se envolvam em assuntos de interesse da sociedade como um todo e não que atende apenas aos interesses de determinados grupos. Passados estes anos e diante de tantas questões polêmicas em nosso país neste período, volto à minha pergunta e questionamento de antes: qual tem sido o papel da igreja cristã brasileira para transformar o nosso país numa sociedade mais justa, menos violenta, menos corrupta, mais igualitária e humanizada?

Já adianto, com muita tristeza e um misto de decepção, que a resposta é simples, direta e objetiva, ou seja, nada ou muito pouco, pouquíssimo mesmo tem sido feito pela igreja cristã no Brasil que venha a afetar positivamente a nossa sociedade! Temos perdido tempo e principalmente oportunidades para marcar posição em temas tão importantes em nosso dia a dia, seja na política, costumes, educação, saúde e segurança, só para citar alguns. Neste momento vivemos uma das maiores crises morais da história deste país! Dia a dia somos surpreendidos (ou nem tanto!) com manchetes e declarações sobre o esquema de corrupção em diferentes órgãos e empresas do governo federal e nada! absolutamente nada é comentado pelas lideranças evangélicas neste país! É como se vivêssemos numa bolha onde todas estas questões não nos atingissem ou tivessem menor importância. Para muitos líderes, o que importa é somente ‘quebrar as maldições’, promover correntes de prosperidade ou campanhas sistemáticas para arrecadação de fundos … nada mais importa!

Não acompanho muito o que é dito na tribuna do Congresso Nacional, até porque o que é dito ali é de pouca relevância e qualidade, mas não tenho conhecimento de um único deputado ou senador da república que se autodenomine como membro da bancada evangélica fazendo declarações de repúdio à bandalheira petista e de outros partidos da base de apoio que tomou de assalto os cofres públicos. É falta de conhecimento do assunto, alguma conivência ou simplesmente uma simples falta de dever e responsabilidade pública mesmo? Independente do motivo, a falta de atitude destes políticos evangélicos é assustadora! Ainda mais sabendo que a esmagadora maioria, para não dizer a totalidade, destes políticos são diretamente ligados à líderes denominacionais, ou seja, eles não falam nada porque não querem falar ou, pior, não se manifestam por determinação de líderes-coronéis-denominacionais? Vale a pena esta reflexão e quem puder me ajudar com respostas, por favor, quero muito entender este fenômeno.

Outra grande dúvida que tenho e que gostaria de dividir com os diletos 66 leitores deste espaço é justamente porque em algumas cidades onde temos uma presença marcante de igrejas evangélicas os índices sociais são tão baixos? Ou porque em determinadas cidades mesmo com igrejas cristãs em cada esquina os índices de crimes são alarmantes? Cidades como Goiânia e Belém são exemplos claros desta distorção onde a pregação da palavra é intensa, onde há igrejas lotadas, onde eventos evangélicos reúnem milhares de pessoas e em contraponto, os níveis de IDH são baixíssimos, escândalos de corrupção são frequentes, a violência supera números e estatísticas, entre outras mazelas. O que fazem as igrejas destas cidades, assim como de Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas, Recife, Fortaleza e tantas outras? O que têm feito os mega-líderes destas catedrais fora das quatro paredes de seus templos suntuosos, com ar condicionado, equipamentos de som, luz e projeção hightech? Alguns destes disfarçam esta inércia distribuindo umas poucas cestas básicas para membros desempregados do próprio arraial. Isso é muito pouco do que se espera de uma igreja que deveria fazer toda a diferença na sociedade!

Quando há o risco de se aprovar uma lei do silêncio limitando decibéis de igrejas ou o corte de algum benefício como a isenção de IPVA para o carro de uso de igrejas (pra quem não sabe muitos estados pelo país concedem esta isenção. O problema é que nem sempre um carro de 100 mil reais declarado como sendo da igreja é utilizado nos projetos sociais ou no dia a dia da instituição), aí neste momento os líderes se mobilizam, fazem ações nas redes sociais, convocam sua tropa de choque política, vão para a TV e rádio manifestar sua indignação e o que mais for possível para que estes benefícios sejam mantidos.

O jornalista Ricardo Boechat costuma destacar em muitos de seus comentários matutinos na BandNews FM, esta cultura do brasileiro em ir para a rua somente em carnaval, micareta ou coisas do tipo. Ele também inclui neste rol de eventos, as manifestações religiosas cada vez mais grandiosas como o Círio de Nazaré, a festa do Senhor do Bonfim e no nosso caso, as Marchas pra Jesus em todo o país. Conseguimos promover eventos com centenas de milhares de pessoas na rua declarando que “Jesus é o Senhor desta nação”, mas quando se trata de fazer qualquer iniciativa em prol da própria nação a participação institucional da igreja evangélica brasileira é praticamente inexistente! Conseguimos reunir milhares de jovens para congressos, palestras, shows, mas não conseguimos sequer realizar uma campanha de doação voluntária de sangue para os hemocentros. Isso é muito surreal!

Realizamos muitos congressos de líderes, de empresários, de louvor e adoração, de solteiros, de casais, de divorciados, de crianças e educadores, mas não conseguimos promover um grande evento de ação social promovido pela igreja evangélica brasileira, ou será que eu sou apenas alguém mal informado? No ano passado vimos alguns líderes participando mais ativamente da disputa eleitoral. Em sua esmagadora maioria estes líderes usavam sua retórica e poder de convencimento para angariar votos para este ou aquele candidato. Em nenhum momento vi estes mesmos líderes propondo caminhos, sugerindo idéias, leis, projetos ou analisando de forma criteriosa os planos de governo deste ou daquele candidato. E agora, já com a senhora presidente devidamente reconduzida ao poder (não com meu voto, quero deixar isso bem claro!) e diante de todas as medidas contrárias ao que a própria candidata propagou durante a campanha, não vi mais uma vez nenhum megalíder eclesiástico tecer qualquer comentário sobre esta mudança de postura e mentalidade repentinas. Assistimos a tudo passivamente como se o que acontece com o país não nos atingisse em esfera alguma.

Como já comentei anteriormente, passei alguns dias no exterior em férias com a família. Infelizmente a força do hábito não me impediu de acessar diariamente aos sites de notícias do Brasil. Por 14 dias convivi com uma sociedade onde o respeito ao cidadão é regra. Onde a violência não nos amedrontava ou nos impedia de ir e vir. Onde a economia mostrava sinais claros de recuperação depois de medidas de austeridade. Não é isso que estamos vendo em nosso país! Muito pelo contrário! Observamos um governo central, totalitário, loteado entre grupos de interesse, incompetente, corrupto, preocupado tão somente em manter-se no poder, desrespeitando as instituições e principalmente o seu povo que permanece inerte assistindo a tudo como se não tivesse forças para mudar este panorama.

Tenho acompanhado pelas redes sociais o crescimento do movimento de insatisfação com a atual situação do país. O dia 15 de março está confirmado como sendo a data onde o povo de todas as regiões do país participará de manifestações na rua contra o atual governo e todos os casos de corrupção e desmandos. Na última vez em que o povo foi às ruas no país acreditava-se que algo novo iria acontecer, que as mudanças seriam efetivadas. Confesso que me decepciono profundamente em ver que nada mudou e até mesmo o preço das passagens dos transportes públicos foi aumentada meses depois. Mas ainda assim acredito que este é o caminho para as mudanças tão esperadas e, sinceramente, creio que se a igreja evangélica brasileira tomar parte neste ou em qualquer outro movimento em prol do bem comum, os resultados serão bem mais consistentes. Se vai dar certo não sei, só sei que se eu ficar somente criticando na fila do banco ou nas redes sociais sobre a situação do Brasil tudo seguirá na mesma, como bem querem e sonham nossos governantes.

Igreja cristã brasileira, faça a diferença em nosso país!

Vamos pra rua!

 

Mauricio Soares, observador, blogueiro, jornalista e acima de tudo, cristão e cidadão. Alguém que deseja um país bem mais justo para os seus filhos. 

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Antes de desenvolver o texto de hoje, como tem se tornado rotina nos últimos tempos, sendo escrito a bordo de mais um voo, agora com destino final a Maringá com parada em São Paulo, quero agradecer às inúmeras mensagens e manifestações de apoio e carinho pelo recente texto publicado neste blog que tratava da questão da Expo Cristã. Fiquei especialmente feliz em ver que o sentimento que expus naquele texto também reflete em muitas pessoas que fazem parte do nosso meio e que de uma forma ou outra participaram deste projeto no passado. Um dos comentários mais comuns que observei tem a ver com a falta que este evento está fazendo e pelo reconhecimento do importante papel de seu idealizador, Eduardo Berzin, teve no mercado gospel nacional. Fica aqui meu agradecimento a todos que compartilharam o texto em suas redes sociais e também pelas mensagens tão emocionadas que recebi. Confesso que ao ler algumas destas mensagens cheguei a emocionar-me de verdade. Obrigado a todos e seguimos na esperança de que um dia possamos ter novamente uma iniciativa que reúna o mercado e seus profissionais num único evento e causa.

Recentemente tive uma reunião muito interessante com uma turma da velha guarda da música gospel. Os cabelos já não tão fartos, as silhuetas não tão esbeltas, a fala mansa de quem já passou do tempo da agitação e ansiedade. Não estou falando de uma banda da terceira idade ou algo do tipo, mas também não se trata de meninos em busca do sonho de uma carreira artística. Estava à frente de um grupo de jovens que à época se juntaram e anos depois fizeram história na música gospel nacional. E quando digo história, é com “H” maiúsculo e todas as honras que merecem. Essa turma está se preparando para retornar o projeto da banda que surgiu há quase 35 anos atrás. Sim, isso mesmo! Mais de 3 décadas, tempo que muitos dos meus 66 leitores não têm nem de vida. Quando muitos de vocês ainda engatinhavam ou andavam de Velotrol (quem não?) essa turma já viajava de norte a sul do país tocando suas canções, levantando a juventude e apanhando da velha guarda, vestuta, antiquada e tradicional das igrejas que não admitia o uso de guitarras e principalmente bateria – sim, isso já existiu! Imagina esses senhores hoje lidando com ministérios de louvor que mais parecem bandas de rock cheios de estilo acompanhados por ministérios de dança e coisas do tipo?

Confesso que estar diante daqueles três personagens me encheu de orgulho e alegria, afinal fui absurdamente influenciado por eles quando adolescente. Lembro-me de uma apresentação da banda na quadra da Primeira Igreja Batista de Niterói com lotação esgotada. O palco, nada mais do que um simples palanque montado sobre andaimes, mas com iluminação de show (na verdade, umas 3 ou 4 gelatinas coloridas que eram trocadas manualmente, máquina de fumaça … ou seja, uma mega produção para os padrões da época. Cantei todas as músicas, vibrei, emocionei-me com as mensagens e ao fim, reuni-me com alguns outros amigos e ali mesmo acertamos de montar uma banda e seguir a carreira artística.

Naquele momento estava sentado à frente de artistas que marcaram profundamente minha vida. E agora, esta turma diante de mim pedia orientações sobre como proceder no novo projeto. E é a partir daí que quero dar continuidade ao texto de hoje sendo, como disse antes, escrito a caminho de São Paulo ao som MAGNÍFICO do disco “Princípio” do Leonardo Gonçalves, projeto que será lançado nas próximas semanas. Deste projeto certamente falarei mais em outra oportunidade.

Como muitos sabem, estou na indústria fonográfica desde a época do LP, que muitos decretaram como uma mídia pré-histórica e em vias de desaparecimento total, mas que hoje começa a ensaiar um retorno ao mercado de forma bem consistente. Assim como eu, muitos artistas que hoje continuam trabalhando no nosso meio, são desta época paleolítica. Pode não parecer, mas a mídia CD já existe há mais de 20 anos, portanto, tantos outros artistas que estão hoje no mercado não vivenciaram o tempo dos bolachões em vinil e sempre conviveram com as mídias no formato Compact Disc. Agora já temos um nova geração que viveu o ocaso da mídia CD e que convive muito bem com o novo ambiente digital. Ou seja, hoje temos artistas que viveram e estão vivendo três gerações, culturas, realidades bem diferentes e como tal, entendo que esta adaptação não seja algo que seja feito do dia para a noite.

No papo que rolou com a banda, procurei ouvir com muita atenção as ideias, os desejos, os planos que eles imaginavam para esse retorno à estrada. Fiquei feliz ao perceber que antes de mais nada havia ali um desejo sincero de voltar ao cenário artístico e sinceramente conhecendo a qualidade deles e principalmente o foco e caráter da turma, creio que este retorno será muito bem recebido, incluindo a turma mais jovem que jamais ouviu e curtiu a arte desses tiozões. Depois de ouvi-los falar, passei à fase professoral, dando uma rápida explanação sobre a realidade atual do mercado fonográfico, o gospel em especial.

Na palestra informal já bem tarde da noite fiz questão de destacar a necessidade de uma maior participação dos artistas nos processos de produção, a divisão de tarefas e responsabilidades entre o artista e a gravadora, sobre a mudança iminente do disco físico para o meio digital, a diminuição das vendas de DVDs e, principalmente a preocupação no planejamento e controle rígido de investimentos. Ou seja, o tempo dos projetos mirabolantes para a realização dos sonhos, efetivamente ficou no passado. Hoje em dia, a palavra de ordem é investir onde há segurança no retorno. Menos é mais. Bom gosto e criatividade são fundamentais, o que significa gastos nababescos e desnecessários e por aí vai.

Ao fim da reunião, percebi que os semblantes não eram os mais animadores, mas todos fizeram questão de frisar de que precisavam ouvir aquela palavra, afinal necessitavam estar cientes desta nova realidade que estão prestes a enfrentar.

Diariamente lido com esta mesma situação de trazer à realidade artistas sobre o novo momento do mercado fonográfico. Nem sempre as reações são as mais positivas por parte dos artistas. Alguns preferem simplesmente tapar os ouvidos e seguir rumo ao desconhecido. Felizmente, outros artistas revestem-se de humildade, de vontade de aprender e adaptar-se às novas demandas e oportunidades e buscam um novo posicionamento em suas carreiras. Diante destas experiências cotidianas posso dividir a classe artística em 3 gêneros bem distintos, a saber:

O Ser Paleolítico é um espécime em vias de extinção. Este indivíduo, nada mais é do que aquele artista que insiste em viver do passado e que insiste acreditar que ainda está em plena década de 1990, ou seja, no século anterior. Este ser fossilizado que anda vagando por aí tem hábitos próprios. Ele tem fortes convicções pessoais. Ainda crê que está fazendo um som moderno, apesar de a cada dia seus trabalhos atingirem menos público e menos impacto no mercado. Ele insiste em seguir no lema “em time que está ganhando não se mexe”, só que ele só tem perdido de goleada. Este ser não busca a ajuda de novos profissionais para sua carreira, não busca novas referências, enfim, mantém-se impassível no mesmo lugar e com isso, pagando o preço alto da não-renovação. Este ser tem características nômades, não costuma ficar muito tempo participando do cast das gravadoras. Está sempre mudando de ambientes. É aquela história tão batida de que ‘a glória da segunda casa será maior do que a primeira’, em alguns casos não é mais segunda, mas oitava, nona casa … estes seres pré-históricos também são bastante acomodados, o que é um contrassenso, porque um ser nômade não deve ser preguiçoso, mas este ser foge a estas definições tradicionais. É um paradoxo ambulante! E por se tratar de um ser antigo e acomodado, tem a convicção de que a gravadora tem que fazer tudo por ele! E quando esta não o atende, como é o correto nos novos padrões atuais, transfigura-se no ser reclamador, ou seja, em toda e qualquer ocasião irá sempre fazer alguma queixa de sua atual gravadora. O Ser Paleolítico é um ente em extinção mesmo que ele entenda e insista em agir de forma diferente como se a sua raça fosse soberana entre as demais.

– O Ser Mutante é aquele indivíduo que já se apercebeu de que hoje as coisas estão diferentes de antes, de que é necessário se reciclar, se ajustar a um novo ambiente, mas que ainda crê que é possível esticar um pouco mais o passado. Seria uma espécie de ‘deixa eu curtir mais um pouco porque aqui está cômodo. Depois eu me mudo!’ Ele é um ser híbrido, não está tão mumificado mas ao mesmo tempo está longe de ser um artista antenado às novas tendências. Este espécime tem em média 10 a 15 anos de existência no mercado e viveu bem o auge da era do CD. Este ser costuma ser um pouco mais receptivo a se envolver numa parceria com a gravadora dividindo tarefas. O problema é que ele sofre de instabilidade emocional e de vez em quando, os sintomas paleolíticos afloram com força! O Mutante sofre de alguns medos e temores, o principal deles é ter que tirar o dinheiro do bolso para investir em algumas áreas de sua carreira como a contratação de profissionais de marketing digital, assessoria de imprensa ou mesmo agenciamento. Ele costuma esperar até os 48 minutos do segundo tempo para que a gravadora assuma estas despesas. O problema é que geralmente isto não acontece e o Mutante acaba perdendo importantes oportunidades e principalmente tempo. Alguns Mutantes mais evoluídos já perceberam que principalmente na área de produção artística e clipes é necessário seu investimento no processo e, assim, seguem rumo a um estágio superior no melhor conceito darwinista.

– O Ser Pró-Ativo é bem mais comum entre os exemplares das gerações mais recentes com tempo máximo de 5 anos de estrada. No entanto, já podemos encontrar alguns representantes de outras gerações fazendo parte desta categoria, o que é uma notícia alvissareira, sem dúvida! Geralmente estes indivíduos viveram o ocaso da mídia física e já foram doutrinados no ambiente digital. Os mais jovens e alguns nem tanto são bastante ligados em tecnologia, em redes sociais, no uso de ferramentas, amam selfies, preferem falar pelo whatsapp do que pelo telefone convencional (aquele negócio em que os mais antigos costumam se comunicar). Os Pró-Ativos costumam agir rapidamente, tomam decisões e esperam por resultados em tempo recorde. São ansiosos por natureza! Geralmente quando chegam às gravadoras já estão munidos de áudio e vídeo finalizados, contam com assessores, têm uma estratégia e objetivos bem definidos e na verdade, esperam apenas ter um suporte de marketing e distribuição por parte das gravadoras. É um ser que precisa ser orientado, mais até do que incentivado, pois na ânsia de fazer as coisas, acaba atropelando algumas importantes etapas. Estes seres são muito ligados na comunicação visual e vêm investindo muito em produções de clipes, Lyric Videos e coisas do tipo. Suas redes sociais são diariamente atualizadas e o contato com o público é bem próximo. E seguindo o rumo natural do processo evolutivo, estes são os possíveis sobreviventes que iremos lidar nos próximos anos.

Atualmente lido com estes 3 seres quase que diariamente o que particularmente exige de mim muita paciência e abnegação. Como todo momento de transição teremos os sobreviventes e aqueles que ficaram pelo caminho. Fico feliz quando vejo uma artista do quilate de Cristina Mel que conseguiu superar a tentação de manter-se como um Ser Paleolítico e até mesmo um Mutante. Mesmo com tantos e tantos anos de carreira, tendo ainda surgido no cenário musical nos tempos do LP, essa cantora vem fazendo um trabalho formidável em parceria com a gravadora trabalhando lado a lado na busca dos objetivos. Há algumas semanas atrás, Cristina passou um dia inteiro na gravadora rodeada de profissionais com 20, 25 anos de idade, simplesmente para aprender um pouco mais das estratégias que hoje utilizamos no marketing digital e nos canais de distribuição. Sem dúvida, um exemplo para os mais antigos e também os mais novos.

O recado está dado. Para bom entendedor, pingo é letra!

 

P.S. – Este texto foi finalizado já no caminho de volta para casa após 2 dias maravilhosos na cidade de Maringá/PR. Não posso deixar de registrar a minha profunda felicidade em conhecer a estrutura da Rádio Melodia 99,6 FM e ver que ali a música de qualidade é prestigiada! O caminho é esse pessoal!

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, alguém que não perde a oportunidade para dividir conhecimento, que ama sua profissão e que diariamente faz uma campanha nas redes sociais contra essa turma nefasta que está no poder há 12 anos. Pra não perder a oportunidade #ForaDilma #ForaPT