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Como sempre menciono em boa parte de meus textos aqui publicados, faço questão de destacar que os temas do blog em sua esmagadora maioria são fruto de conversas entre amigos, de momentos ou situações de meu dia a dia, enfim, de insights que surgem no meu cotidiano. Talvez por isso mesmo, o nome de nosso blog seja tão pertinente, afinal, uma das minhas características é justamente manter o perfil de observador sobre tudo o que nos cerca e através desse olhar, tentar decifrar ou mesmo apontar para caminhos, tendências e tudo mais.

Depois de um dia intenso de reuniões na capital paulista, reservei um tempo para jantar com um grande amigo e profissional que acompanho e trabalho faz alguns anos. Nossa relação sempre foi próxima, mas não tão intensa até que nos últimos 3 ou 4 anos tornou-se mais constante e com ele desenvolvi grandes projetos ultimamente. Este amigo é um jovem talentoso, extremamente focado e que vem se destacando em sua área nos últimos anos a ponto de já começar a ser reconhecido também no mercado secular.

Já seguindo para o fim do jantar, um delicioso combinado de comida japonesa num dos mais bonitos cenários da capital paulistana, mesmo em meio a uma autêntica selva de pedra que ainda assim tem seu charme, ele mencionou uma frase que me chamou a atenção e como faço sempre, me alertou para a possibilidade de a partir daquela sentença, poder desenvolver um post para o blog.
“Tem gente que prefere chegar rápido do que chegar longe!”

A frase dita sem maiores preocupações foi jogada ali na mesa como se tratasse de apenas mais uma observação entre tantas que fizemos naquela noite. Mas ela não era uma simples frase. Não mesmo! Aquela menção significava não somente uma constatação simplória, mas principalmente apontava uma tendência cultural que vivemos nos dias atuais.

Fast food. O mundo ao alcance de um clique. Smartphones conectando pessoas simultaneamente. Canais de TV com notícias em tempo real. Tudo hoje em dia parece ser urgente! E o mais irônico nisso tudo é que toda essa agilidade, instantaneidade, não significam que sobra mais tempo para o ser humano usufruir de momentos de maior tranquilidade ou mesmo para cuidar de sua saúde. Quanto mais se consegue agilizar as ações, mais procuramos fazer coisas novas e assumir mais compromissos. Sem dúvida, vivemos dias estranhos e neuróticos.

No mundo corporativo lidamos com uma nova geração de jovens profissionais recém saídos das universidades que buscam alcançar reconhecimento e crescimento na carreira em pouquíssimo tempo. É cada vez mais comum vermos jovens com 25 a 30 anos com passagem por 4, 5 empresas em períodos curtos sempre galgando novos desafios e principalmente, cargos e atribuições mais elevados. Se antigamente funcionário bom era aquele com 20, 30 anos numa mesma empresa, hoje isso é sinônimo de acomodação, de falta de determinação. Os melhores profissionais são aqueles que possuem diferentes experiências em áreas diversas, que são afeitos a desafios, que possuem uma inquietude natural.

Posso me considerar uma mescla destas duas personalidades. Afinal em 25 anos de mercado posso elencar uma boa lista de passagens por empresas em nosso segmento. Confesso que sou um profissional motivado a desafios (alguns bem grandes, por sinal!) e ao longo de minha trajetória profissional consegui enfrentar obstáculos enormes e que contribuíram para desenvolver ainda mais meu caráter e experiência profissional. Só que ao longo deste tempo sempre tive muito claro os objetivos que deveria alcançar. Lembro-me que ainda no início de tudo, escrevi em minha agenda algumas metas para os próximos anos e durante muito tempo segui focado na conquista daqueles objetivos. Há alguns meses atrás folheando alguns papéis antigos encontrei estas anotações e me emocionei ao ver como acabei alcançando boa parte daquele esboço de planejamento que havia traçado quando tinha uns 20 e poucos anos de vida. Só posso agradecer a Deus por ter cuidado de mim desde sempre. Reconheço plenamente que sem esse cuidado, jamais teria conseguido chegar tão longe.

Gosto muito de conversar com gente jovem. Em casa tenho 3 gerações muito distintas de filhos. O meu primogênito já com 14 anos é o típico adolescente com todas suas descobertas, convicções (ou não!), transições e dúvidas. Já o Leonardo é o meu quase-adolescente-quase-criança que se diverte brincando de bonecos e ao mesmo tempo quer inserir-se no mundo dos adultos, especialmente no mundo adolescente do irmão. E por fim, tenho o meu caçula que acaba de completar 2 anos. O Benjamim é uma criança especial, cheio de amor e principalmente, energia. No seu dialeto próprio já tem sua opinião, suas vontades, busca seu espaço na família, chegou e tomou conta da casa. Tudo para ele é novidade!

Durante muitos anos trabalhei diretamente com adolescentes em minha igreja e sempre estive envolvido em projetos relacionados a jovens. No meu dia a dia profissional tenho especial atenção para os artistas iniciantes e ao longo destes anos, fui responsável por lançar uma boa turma que hoje está na estrada, gente como Jamily contratada aos 9 anos de idade, Michele Nascimento e sua irmã Gisele Nascimento (ela nem RG tinha, tivemos que providenciar para poder viajar de avião, (risos!)), e outros nomes como Tino, Mariana Valadão, Jó42, Gabriela Rocha, Gui Rebustini, DJ PV, Marcela Taís, Sara Alencar, Brenda, só para citar alguns.

Lidar com jovens artistas é um exercício cotidiano de paciência, perseverança e ensinamento. Assim como no caso de atletas de base onde os treinadores são mais do que meros professores e atuam muitas das vezes como psicólogos e mesmo pais, o mesmo ocorre com artistas jovens em início de carreira. Para estes, nunca crio expectativas elevadas. Jamais coloco sobre estes um peso sobre resultados em vendas ou algo do tipo. Eles não precisam de uma sobrecarga de cobranças, pelo contrário, precisam estar focados e orientados para que errem o mínimo possível.
Talvez o maior problema de um artista, especialmente nos dias de hoje é saber lidar com o tempo. É até aceitável que estes jovens tenham urgência em fazer as coisas acontecerem, afinal, estão inseridos num contexto da sociedade onde tudo é imediatista e o sucesso deve ser buscado a qualquer preço. Isto é um fato! Só que a carreira artística não é uma prova de velocidade, mas sim, uma prova de resistência, assim como nossa vida espiritual, onde não devemos nos preocupar em chegar rápido ao destino, mas em alcançar o prêmio pela forma como que enfrentamos a longa viagem até o objetivo final.

Tenho me deparado com jovens artistas alucinados em conseguir se diferenciar em meio à multidão. É gente que não está medindo esforços para chegar aos objetivos, muitos destes inclusive, metas erradas. Um dos erros mais comuns desta turma é colocar a responsabilidade de seu sucesso na conta da gravadora como se esta tivesse a força capaz de transformar do dia para noite um potencial em realidade. Isso não existe! Especialmente no meio gospel não temos muitos artistas que fazem para si um planejamento de médio e longo prazos. Em algumas consultorias artísticas que assumi ao longo do tempo conversei com jovens artistas que acreditavam ser possível tornar-se sucesso em 3 a 6 meses de trabalho e investimento. Isso é impossível, mesmo com muito dinheiro e usando as ferramentas certas. O Brasil é grande demais e cada região possui uma característica muito peculiar. Ou seja, qualquer trabalho de implantação de um artista deve ser tratado de forma regional e passo a passo. Não se faz um artista no meio gospel num período inferior a 24 meses!

E nesta ânsia de se alcançar rapidamente o estrelato tenho visto muita gente talentosa ficar pelo caminho porque não soube lidar com o tempo. Um artista jovem que por algum milagre entrou numa gravadora jamais deveria pensar em mudar de empresa antes de lançar 3 projetos. É necessário que o artista crie para si perante o mercado uma identificação e isso passa também pelo fato dele estar ligado a uma mesma gravadora. Outra questão fundamental para o jovem artista é que ele não pode escolher a agenda, ou seja, de enterro de anão a casamento comunitário toda oportunidade deve ser aproveitada para que ele apresente seu projeto, sua arte. Ainda com relação a saber lidar com o tempo, o artista jovem precisa saber que antes dele, muitos outros artistas já estavam neste mercado e merecem ter posição de destaque. Então, não adianta ficar chateado, de beicinho, ao ver que no cartaz do show estão lá em letras garrafais os nomes das principais atrações e o seu nome está lá embaixo, próximo ao rodapé, quase que em letras do tamanho de bula de remédio. Isso quando o nome ainda consta no cartaz, porque em algumas vezes estará no genérico: “E muito mais!”

Aos jovens artistas alerto para a importância destas dicas. Não só na carreira artística, mas na vida cotidiana, prefira sempre a rota que o leve mais longe, mesmo que seja a mais demorada, a mais árdua, a mais difícil. Fuja das soluções mirabolantes que prometem alcançar o Nirvana em 5 passos apenas! Não existe fórmula mágica para estas ocasiões. Raríssimas são os casos de artistas que saíram do profundo anonimato e já no primeiro projeto tornaram-se sucesso. Isso pode acontecer e realmente acontece, mas são casos isolados. Além do mais, na nossa história recente do mercado gospel temos casos clássicos de artistas que surgiram como um verdadeiro furacão de popularidade e expectativas e do dia para a noite, por uma série de conduções erradas das carreira, acabaram virando brisa.

Planeje. Respire fundo. Cerque-se de pessoas do bem. Busque ajuda de profissionais. Não tenha sobre si peso excessivo e desnecessário. Estude. Busque a vontade de Deus sobre sua vida. Lide positivamente com o tempo.
Quem tem ouvidos, ouça!

Mauricio Soares, observador, jornalista, publicitário. Alguém que cada vez mais valoriza os momentos em família e entre amigos. Isso é o que realmente importa no fim de tudo.

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Como bom “musicmaniaco” sempre estou pesquisando tendências e estilos musicais, faço isso quase que diariamente e nessas buscas me deparo frequentemente com o debate sobre o que é ou não Gospel, se de fato isso existe ou não, se isso é apenas uma manobra comercial para vender CDs ou se é ministério santo, se devemos ou não ouvir isso ou aquilo, se o fato de os membros de uma banda serem evangélicos faz da banda uma banda cristã ou não, pois bem, depois de tanto ler sobre isso agora vou expressar a minha opinião, ressalto, a minha opinião, não estou vendendo isso como verdade mas é como encaro o tema e meu coração sente paz.

Existe sim o segmento “Gospel”, o nome pode não ser o ideal – alguns vão falar que gospel é um estilo de música vindo dos negros americanos, blá blá blá – a questão é que hoje o estilo de música evangélica é apresentado sob essa nomenclatura e existe também o segmento secular. O que diferencia um do outro não são as letras, você encontra com muita frequência entre os ministérios e bandas evangélicas letras, para alguns, um tanto rasas no quesito “mensagem espiritual”, assim como encontra entre as bandas seculares mensagens lindas com um conteúdo até “Cristão” e bíblico, um exemplo claro disso são as composições de Renato Russo que frequentemente citavam passagens bíblicas, a grande questão é: qual é, ou ainda, quem foi a fonte de inspiração dessa letra e melodia?

Já li absurdos escritos por jovens crentes, no mínimo desinformados. Um exemplo foi o que li em um fórum onde o jovem apontava as letras do Evanescence como cristãs por falarem sobre mascaras tiradas e outras coisas. Amados, creio que antes de se escrever uma coisa dessa temos de conhecer o artista. Vou falar um pouco aqui sobre a Amy Lee, a menina teve uma formação cristã sim, o que nem de longe significa conversão, também é verdade que formou a banda em um acampamento cristão, o que também não quer dizer nada, a realidade é que a banda tem em seus clips apelos sexuais e, nas entrelinhas das músicas, fala de infidelidade, fornicação e suicídio. Amados abram os seus olhos. A estratégia do diabo é fazer com que sejamos tolerantes com esse tipo de mensagens por virem em uma linda embalagem.

Por outro lado creio que podemos encontrar bandas cristãs que fazem carreiras bem sucedidas e de sucesso também no meio secular como Anberlin, P.O.D., Third Day, Skillet e Hawk Nelson entre tantas outras. Uma declaração muito interessante é a do guitarrista Sameer Bhattacharya do Flyleaf “Para esclarecer tudo, nós todos somos cristãos. Todos amamos a Deus e nos esforçamos para viver e perceber o mundo como Jesus faria. Não necessariamente como a Igreja de hoje, mas como os apóstolos e, mais importante, do modo como Jesus nos explicou, pelos exemplos dados a nós na Bíblia. Sim, somos cristãos…
…somos cinco compositores que são cristãos e que se juntaram para formar uma banda. Um encanador ou um doutor, ou um “qualquer outra coisa”, não saí por aí se anunciando ou anunciado sua empresa nas páginas amarelas sob o título de “_______ cristão”, sabe” Eles têm seu emprego e fazem isso de acordo com Cristo em seus corações.”

Por isso amado busque saber a origem do que você ouve. A música é sim um canal de comunicação do espírito do homem com o Espírito de Deus. Se não é com Ele, com quem teu espírito tem se comunicado?

Um velho ditado diz que a mais bem sucedida estratégia do diabo foi convencer o homem que ele (diabo) não existe, parece que essa ideia tem contaminado o corpo de Cristo também, as pessoas tem consumido cegamente mensagens diabólicas e pior, tem sido ferramenta de multiplicação disso. Em II Coríntios 11:14 lemos: “E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz.”, cuidado irmãos no que temos conectado ao nosso espírito e com a mensagem que temos passado.

A bíblia mostra a música como ferramenta de adoração e júbilo, e mostra também que o homem usa a música como adoração aos deuses pagãos. No livro de Daniel capitulo 5 vemos que a música era o sinal para que todos os povos do mundo se prostrassem em adoração a estatua do rei Nabucodonosor. Creio ser válido o debate para que possamos expor nossos pontos de vista, mas é fundamental que esse debate seja feito de coração aberto, muitos entram nesse debate fechados pois não querem abrir mão daquilo que gostam. Eu mesmo fui muito reticente em assumir isso, sou um apaixonado por música, tenho milhares de títulos de centenas de artistas dos mais diferentes estilos, aprender a selecionar o que me era ou não conveniente ouvir foi difícil, mas creio que foi o certo.

Agora cabe a você colocar isso diante de Deus em oração, oro para que a resposta d`Ele venha ao encontro de um coração aberto.
Que Deus abençoe a todos.

Até a próxima.

Jeferson Baick, um cara aficionado por música, mas que desafina até tocando pedra no telhado, curioso e observador de tudo que está por ai.

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Existem certas pessoas que um simples bate papo descompromissado pode resultar em grandes momentos, debates fantásticos, insights inesquecíveis, toques fundamentais para a mudança de rotas ou até mesmo na formação de opiniões consolidadas. E entre os amigos que tenho no meio artístico, um cara em especial tem seu lugar de destaque no seleto rol de pessoas em que toda oportunidade de um bate papo sempre me acrescenta algo novo e positivo. O meu querido e talentoso Marcus Salles é um destes caras que me dão enorme prazer em poder investir um tempo e interromper a agenda corrida de compromissos para simplesmente ter o prazer inenarrável de jogar uma conversa fora.

E dias atrás estávamos sentados à mesa de um dos mais agradáveis e premiados restaurantes da orla carioca. Convidei o amigo Salles e meu inseparável companheiro de luta e de tantos sacrifícios, Sidnei Gomes, fiel escudeiro, para um almoço à beira mar. Início de tarde ensolarada contrastando com a temperatura amena em pleno inverno carioca, pasteizinhos de camarão maravilhosos como entrada e a agenda leve para desfrutarmos daquele raro momento de comunhão.

O papo ia fluindo normalmente entre assuntos de nosso dia a dia como o ministério pastoral desenvolvido pelo Salles em sua igreja local, minhas experiências como pai, Sidnei comentando sobre as mudanças e desafios do mercado fonográfico … tudo muito light até que num determinado momento começamos a falar sobre “chamado”. É até interessante porque Salles explodiu no meio gospel justamente com uma música que tratava desse tema … “Eu tenho um chamado, o Evangelho anunciar” – sucesso do grupo 4 por 1.

E entre tantas coisas compartilhadas uma frase em especial me chamou a atenção. “O talento não te mantém no topo. O caráter sim”. Dita de uma forma descompromissada por Salles, a declaração me atingiu em cheio a ponto de imediatamente pedir uma caneta emprestada ao garçom para registrá-la num guardanapo. Fiquei com esta anotação em minha carteira por alguns dias até que mais recentemente publiquei esta frase em minhas redes sociais. Mas acredito que a profundidade desta afirmação é bem maior do que um simples post para ser curtido e/ou compartilhado por amigos. Então resolvi aproveitar uma viagem entre Rio de Janeiro e Belém para aprofundar um pouco mais do assunto com minhas impressões sobre este tema.

Lembro-me que outro amigo especial, Leonardo Gonçalves, não só curtiu minha postagem como também fez questão de comentar aumentando a discussão do assunto. Leonardo a todos nos perguntou: “E o que é chegar ao topo?”

Efetivamente, agora bem mais maduro, vejo que o “topo” para mim hoje em dia é algo diferenciado em comparação ao que imaginava ser aos meus 20 e poucos anos. Naquela época o ”topo” seria um bom emprego, um carro novo, um casamento, muitas viagens, um apartamento confortável e mais alguns objetivos. E posso garantir, que todos estes objetivos eram lícitos, saudáveis e completamente de acordo com a visão de mundo de um jovem recém saído da universidade. Só que o tempo, a vida, a experiência, nos trazem novos “topos” e hoje aos 45 anos posso elencar uma nova lista de objetivos que incluem a possibilidade de ver meus filhos crescendo com saúde e civilidade, a possibilidade de passar mais tempo com meus amigos e familiares, a opção de poder escolher prioridades pelo prazer e não pela sobrevivência, só para citar alguns.

Particularmente acho que tem muita gente só preocupada em alcançar o ”topo”, mesmo que para isso as consequências sejam as mais penosas possíveis. Como já citei, creio que é lícito buscarmos conforto, segurança, reconhecimento, sucesso, prazer, mas também afirmo categoricamente que de nada valerão estas conquistas se perdermos a paz, a ética, o respeito alheio e principalmente a aprovação de Deus. Quando optamos em seguir a Jesus, muitas coisas precisam ser mudadas. A palavra metanóia, utilizada como o processo de conversão, significa mudança de mente, ou seja, novos conceitos precisam fazer parte de nossa ética e caráter enquanto que tantos outros precisam ser eliminados.

Lidando há muito tempo com lideranças, artistas, profissionais do segmento religioso, já tive todo tipo de experiência frustrante pela expectativa não realizada. Quando lidamos com pessoas cristãs, esperamos ao menos que o escopo de suas atitudes sejam de acordo com a ética e a fé cristã. Infelizmente não é isso com o que nos deparamos no dia a dia. Até costumo brincar (meio a sério) que um dos maiores milagres de minha vida é lidar com o mercado gospel por 25 anos e ainda manter-me crente tamanha a quantidade de experiências ruins vivenciadas ao longo deste tempo.

E na busca pelo sucesso vejo muita gente assumindo posturas temerárias, sem medir as consequências de seus atos. A grande questão neste caso é que boa parte das pessoas que assumem esta posição do sucesso a qualquer preço é de que quando estas o alcançam geralmente estão tão sozinhas que a conquista não é saboreada como deveria. Além disso, como na estrada do sucesso muita gente foi atropelada, geralmente esta pessoa cria para si uma legião de torcedores contrários o que certamente diminui em muito as chances de que esta conquista se perdure por muito tempo. Isso é fato!

Não curto pessoas muito estratégicas que procuram relacionar-se apenas com aqueles que poderão trazer algo de proveitoso para si. E infelizmente isso pulula em nosso meio! Gosto das relações leves, desprovidas de outros sentidos que não sejam a empatia natural. Não sou afeito a relações superficiais e em tempos de redes sociais cria-se a ilusão de que temos muitos amigos, seguidores ou algo do tipo. Pura ilusão! De tempos em tempos dou uma olhada em meus “amigos” de redes sociais para conferir se realmente somos amigos no mundo real. Faço esta reciclagem especialmente no Instagram e no Facebook, já que meu Twitter é aberto e ali considero território livre para ações de marketing e divulgação somente, nunca para questões mais pessoais.

Antes de mais nada, estar no “topo” é manter uma relação saudável, de proximidade e intimidade com Deus. Tudo o mais é secundário. E nesta relação nem precisamos ter sinais claros e inequívocos como experiências sobrenaturais, sussurros ao ouvido, sonhos e coisas do tipo. A Bíblia, já traz todo o manual de conduta para aqueles que querem manter uma vida saudável e assim alcançar o topo, o sucesso. É só conhecer as Escrituras e esforçar-se para seguir as regras. A ética cristã é muito simples e Jesus ainda resume de forma magistral todo este compêndio numa simples regra – Ama ao seu próximo como a si mesmo.

Chegar ao topo é simples demais. Simples, não simplório. Chegar ao topo não é algo exclusivista. Todos podemos alcançá-lo independente de raça, condição sócio econômica ou geográfica. Chegar ao topo é individual, mas carece da ajuda de muitas pessoas. Ninguém chega ao topo sozinho. Quantos mais ajudadores, melhor será a experiência e maior será o prazer de constatar que o seu sucesso influencia tantas pessoas. Chegar ao topo não requer prazos. Você pode mudar as rotas a qualquer segundo na direção do verdadeiro sucesso em Deus. Chegar ao topo não necessita planejamento, mas decisão!

Eu quero ser reconhecido como um profissional de talento, capaz, respeitado. No entanto, muito mais importante do que este tipo de sucesso o que quero mesmo é ser reconhecido por Deus como um obreiro aprovado, alguém que mesmo cheio de imperfeições, falhas, medos e inseguranças, agiu dentro da ética cristã mantendo um caráter firme e coerente. Quero ser reconhecido pelos meus filhos e minha esposa como um bom pai, um exemplo, alguém que não mede esforços para fazer a vida deles melhor. Acho que se conseguir atingir estes objetivos, terei boas chances de ao fim da minha caminhada dizer que cheguei ao topo. Assim espero.

Pronto para aterrissar em Belém.

Mauricio Soares, pai do Fernando, Leonardo, Benjamim. Casado com Renata minha amiga e parceira de jornada. Jornalista, publicitário, marqueteiro e agora um telespectador quase que diário de Peppa e sua família.

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Estamos em pleno período eleitoral e especialmente nestes dias recentes, em meio a uma verdadeira tragédia que foi a morte do candidato Eduardo Campos, revertendo por completo todos os prognósticos elaborados até então. Efetivamente este fato tumultuou por completo uma campanha que até então seguia modorrenta pós-Copa do Mundo. Mas já adianto que este texto não irá esmiuçar detalhes da política nacional, nem se aventurará a traçar perfis ou apontar possíveis desfechos no pleito de outubro. Não sou um estudioso do assunto, apesar de gostar muito de política e até mesmo acompanhar com certa atenção assuntos relacionados ao tema.

O texto de hoje na verdade já foi discutido em outras oportunidades e é um daqueles que ficaram guardados num canto do HD de meu computador. Muitos textos começo a escrever e por julgar não tê-los terminado à altura do nível dos meus 66 leitores, deixo-os guardados no computador até que num dia consiga finalizá-los a contento. Não estou recuperando um texto, mas trazendo à memória um assunto que por muitos e muitos meses vem tornando-se recorrente em meu sensor de assuntos para o blog.

No trajeto de minha casa ao escritório hoje em dia passo por inúmeros cartazes, banners de simpáticos e sorridentes candidatos a algum cargo eletivo. As fotos são sempre bem produzidas e na maioria das vezes não retratam a realidade do fotografado. Ali me deparo com senhoras de 60 anos aparentando menos de 30 sem o uso de Botox. O mesmo para candidatos que estão há mais de 50 anos na vida pública e em seus materiais de campanha aparentam não mais do que 40 anos de idade. Um verdadeiro elixir da juventude à base de muito photoshop.

E entre esses muitos cartazes, me chama a atenção a quantidade de pastores, bispos, apóstolos, irmãos e todo tipo de cargo eclesiástico! Em matéria publicada no Jornal Extra, o TSE – Tribunal Superior Eleitoral, afirma que o número de candidatos que utilizam o termo ‘pastor’ aumentou em 70% em relação à última eleição. Veja a matéria acessando http://extra.globo.com/noticias/brasil/eleicoes-2014/numero-de-candidatos-pastores-evangelicos-aumenta-70-13627077.html

Outro dia desses me deparei com uma publicação no Instagram de um amigo dizendo que “Crente Vota em Crente”. Na verdade esta expressão não é nova! Surgiu com força há alguns anos atrás e de tempos em tempos volta à baila. E é a partir deste insight que eu quero prosseguir neste post. Será que cometemos algum tipo de pecado quando optamos em votar em um candidato que não professa a mesma fé que nós? Ou em contrapartida, será que quando votamos num candidato evangélico eliminamos nossa responsabilidade da escolha e caso ele cometa algum deslize vá prestar contas diretamente a Deus?

Analisando um pouco da performance de alguns políticos evangélicos eleitos, chego a conclusão que pouco ou praticamente nada fizeram de diferença para nossa sociedade. Excetuando-se uns 2 ou 3 que assumiram bandeiras importantes, a grande maioria da classe política evangélica está mais preocupada em fazer homenagens, conceder títulos, buscar concessões de rádios e verbas governamentais e atender a solicitações de igrejas ou instituições. Muito pouco para quem se diz ‘escolhido por Deus’ para representar os evangélicos!

Alguém pode me explicar o significa a bancada evangélica no Congresso Nacional? Quem são? O que pensam? Quais as pautas de reinvindicações? Que grupos de interesse representam? Qual ideologia seguem? Quais são as grandes bandeiras que defendem?

Em todos estes anos em que exerci meu papel de cidadão comparecendo civicamente às urnas, confesso que sempre analisei meus candidatos pelo ponto de vista da proposta de trabalho e nunca por sua profissão de fé. Em alguns casos consegui aliar uma proposta política coerente com o fato do candidato ser cristão, mas nunca este segundo aspecto configurou-se como condição primordial para minha decisão. Posso até afirmar categoricamente que em alguns casos acabei me arrependendo pela decisão porque o candidato ‘crente’ acabou tendo uma performance medíocre quando eleito.

Sinceramente acho que é muito importante que o segmento evangélico tenha representação política nas diferentes esferas do poder político. A minha questão não é essa, mas que tipo de gente vem sendo colocada nestas posições e ‘representando’ a classe? Que tipo de atitude estes senhores e senhoras, pastores e bispos, têm tomado quando confrontados com as grandes questões da sociedade brasileira? Não os vejo como atores principais nos processos políticos, mas como mero coadjuvantes, ou como dizem em Brasília, como integrantes do baixo clero. Na verdade, infelizmente, muitos políticos da bancada evangélica têm sido mais destaque nos noticiários policiais do que políticos. Praticamente em todos os grandes escândalos recentes da república tivemos a presença ‘ilustre’ de políticos evangélicos. Do escândalo da oração da propina do GDF com imagens constrangedoras de pessoas agradecendo a Deus pela “bênção”, passando pelo escândalo da máfia das ambulâncias, mensalão, mensalinho, ONGS fantasmas, entre outras. Em todas há a participação ou menção de políticos evangélicos envolvidos, ressaltando-se que estes fatos ocorreram na esfera federal, ainda há uma vasta lista de outros problemas em âmbitos estaduais e municipais.

Minha expectativa é de que neste ano possamos ter políticos eleitos mais comprometidos com o bem estar comum. Se toda a sociedade for beneficiada com iniciativas que tragam melhoria na saúde, educação, segurança, emprego, aí teremos um país melhor. Se os políticos evangélicos forem capaz de fazer diferença no país, que estes mereçam o voto de confiança que receberão da população. Mas, de verdade, espero que estes governem para toda a sociedade e não somente para esta ou aquela denominação ou pior ainda, para seus interesses pessoais.

Crente pode até votar em crente, mas esse crente-político precisa agir como crente e não como político da forma que a sociedade os vê e sofre as consequências de seus atos desde sempre no Brasil.

Oremos.

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, alguém que espera um país que valorize mais sua população.

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No dia 13 de julho, o Fantástico, da Rede Globo, exibiu uma entrevista com a advogada Ieda Cristina Martins, esposa do publicitário Eduardo Martins acusado de matar o zelador de um prédio em São Paulo. E agora a polícia carioca investiga a participação do casal na morte do ex-marido de Ieda, o empresário José Jair Farias, em 2005 no Rio. Logo no início da matéria a entrevistada aparece com uma Bíblia na mão e o repórter a apresenta como evangélica.
No dia da morte do zelador imagens das câmeras de segurança do prédio onde moram, o casal coloca uma mala e um saco (segundo a polícia onde estava o corpo do zelador) no carro afirmando que se tratava de uma doação para a igreja católica Santa Rita, em São Paulo. Contudo, poucos sites de notícias citaram o nome da igreja. Se em nenhum momento foram identificados como católicos por levarem doações à igreja, porque no Fantástico Ieda foi apresentada como evangélica? Por estar com uma Bíblia na mão? Ou se identificou como religiosa? Seria muito fácil acusar a mídia por todas as mazelas do mundo e os jornalistas como carniceiros que só pensam na audiência. Contudo, não fiquei sabendo de nenhuma instituição evangélica que tenha enviado a Imprensa carta de repúdio ou questionamento cada vez que uma pessoa se passa por evangélica e quando na verdade não é.
A imprensa precisa ser informada oficialmente que para ser evangélico é preciso ser batizado e fazer parte do rol de membros de uma igreja. Hoje qualquer pessoa que assiste culto na televisão se diz crente. Não estou discriminando, sei que a fé vem por ouvir e ouvir a Palavra de Deus. Antes que os críticos digam que estou sendo dura quero esclarecer que sou autora do livro “Na Humildade, uma investigação jornalística sobre as consequências do crime e das drogas”, um livro reportagem com depoimento de presos de três unidades do Complexo de Gericinó, em Bangu (RJ). Sei que muitas vidas são transformadas dentro do cárcere por meio da fé em Jesus. Porém, lá dentro não é a palavra de que define um evangélico e sim suas as atitudes.
Então como presidente do Conselho de Jornalistas da Associação Brasileira de Mídias Evangélicas (ABME) quero pedir ajuda aos colegas de profissão e donos de mídias para juntos nos manifestarmos contra informações imprecisas.
Nós da ABME acreditamos que nossa principal missão é focar no relacionamento entre os evangélicos com mídia secular. Sem ser pretenciosa buscamos estreitar um relacionamento e sermos canal de informação para veículos de imprensa sobre a sociedade gospel. E acima de tudo, sermos referência neste segmento. É nosso dever nos apresentar a mídia secular, mostrar nosso formato e fazer circular informação correta.
Por isso convidamos aos profissionais da mídia evangélica e empresários do ramo a conhecer mais sobre a ABME. Venha trazer novas ideias, somar com o pequeno grupo que começou essa associação e juntos seremos fortes.

Diane Duque
Jornalista e presidente do Conselho de jornalistas da ABME
www.abme.com.br

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Boa parte dos meus textos publicados aqui no Observatório Cristão são decorrentes de conversas com amigos, profissionais e como não poderia deixar de ser, de experiências acumuladas nos últimos anos. Este texto que começo a escrever no vôo de volta de 2 dias absurdamente intensos em Fortaleza, onde tive a grata satisfação de participar da Expo Evangélica, foi motivado por um comentário do cantor, produtor, arranjador e amigo, Lenno Maia em uma de suas inúmeras entrevistas pelas rádios da capital cearense. Por sinal, quero também parabenizar às mídias, especialmente rádios evangélicas, que atuam na Grande Fortaleza. Poucas cidades no país possuem tamanha quantidade e variedade de perfis de emissoras com programação de música gospel.
Em meio a tantas perguntas e comentários sobre seu novo trabalho lançado recentemente pela Sony Music, Lenno Maia afirmou de uma forma simples e direta, talvez até mesmo sem perceber a importância do que estava dizendo naquele momento, de muita gente no nosso meio artístico confundia sonho com chamado e é a partir desta declaração que eu quero desenvolver este próximo post.
Eu tenho um sonho de conhecer e dedicar alguns dias de minha vida à população do Timor Leste. Desde que aquele país sofreu uma invasão dos vizinhos da Indonésia e seu povo foi massacrado e sofreu inúmeras atrocidades de um país absurdamente maior e poderoso há alguns anos atrás, acompanho tudo quanto é notícia daquele distante lugar que tem como laço fraternal com o Brasil o fato de ter sido colonizado por Portugal e manter como língua pátria o idioma de Camões. Este é um desejo que me acompanha fortemente nos últimos anos e inclusive já o dividi com minha esposa diversas vezes.
Também tenho um sonho de poder conhecer o Haiti e de alguma forma contribuir para a reconstrução daquele país. O Brasil é um dos países que está diretamente envolvido no processo de reerguimento daquele lugar e inclusive mantém o controle militar da região. Em ambos os casos, eu tenho uma vontade, um sonho, um desejo. Só que esta sensação em nenhum momento me faz ou me impele a ser um missionário em tempo integral, a trabalhar numa ONG ou mesmo em criar um projeto assistencial para estas regiões. Sei que eu tenho um propósito maior em trabalhar na música, em lidar com o universo artístico, em envolver-me em projetos relacionados à cultura e afins.
Muitas pessoas podem ter um sonho de gravar um disco. Outras podem ter o desejo de subir num palco e cantar para milhares e milhares de pessoas. Podemos ter também pessoas que desejam um dia gravar um clipe, ter seu material publicado na web ou coisas do tipo. Mas efetivamente estes sonhos não significam que estas pessoas precisam dedicar e investir sua atenção e tempo para uma carreira artística e, principalmente, ministerial.
Recebo muitos emails, mensagens pelas redes sociais e cartas (sim, ainda tem gente que prefere o recurso de escrever e enviar cartas!) praticamente todos os dias, inclusive fins de semana e feriados. Boa parte destes contatos são acompanhados de links de áudio e vídeo, além de fotos, releases e não raro, de textos melodramáticos, recheados de muita emoção e histórias pessoais. Confesso que muitas das vezes faço uma leitura dinâmica destas mensagens procurando entender e observar apenas alguns pontos específicos. Em 90% destas mensagens a estratégia se repete:
“Eu tenho uma promessa e não vou desistir até que ela se realize e você pode me ajudar nesta empreitada!”
“Meu sonho é poder fazer parte de sua gravadora!”
“Quero gravar um CD, mas não tenho condições ainda … por favor me ajude!”
“Ouça meu CD com carinho e tenho certeza de que não irá se arrepender!”

Todos nós temos sonhos! E como é bom ter sonhos! Como é importante traçar metas, objetivos e sonhar com estas conquistas! Só que no meio gospel muita gente anda confundindo sonho com chamado. Quem tem o chamado, certamente tem o talento. Quem tem o chamado, certamente Deus irá providenciar condições para que seu ministério seja próspero. Quem tem o chamado, certamente terá um diferencial para se destacar em meio à multidão. Quem tem um chamado e está em sintonia com as coisas do Alto, tem uma certeza dentro de si de que no tempo certo a sua hora irá chegar.
Ter sucesso no futebol é algo que muitos meninos sonham para si. Só que o talento, a arte, a habilidade não é presenteada a todos os garotos que a desejam. São poucos que a recebem e é impressionante como os “fora de série” se destacam já na primeira infância. Ao vermos vídeos do início de carreira de craques como Ronaldinho Gaúcho, Messi e Neymar, já era notório o talento daquelas crianças, suas habilidades eram naturais, simplesmente chegavam ali e saindo driblando todo mundo, marcando os seus gols, se destacando no meio da gurizada.
Eu gosto muito de futebol. Adoro assistir as partidas de meu time pela TV e mais ainda de disputar uma pelada de fim de semana. Isso já me satisfaz imensamente, mas jamais teria condições e foco em seguir uma carreira como atleta de futebol. Da mesma forma, adoro música, cantei em corais e em alguns grupos, até toquei percussão na minha adolescência, mas daí a querer seguir numa carreira artística a distância era abissal.
Na arte é a mesma coisa. Parece que tem gente que nasce para ser músico, ator, dançarino, pintor … suas habilidades são inerentes e tudo indica que irão traçar desde já um caminho de sucesso. Nestes casos há uma clara indicação de que no DNA foi colocada uma pitada de talento especial que merece ser desenvolvido pelos próximos anos. No nosso ambiente, esta pitada pode ser chamada de dom e o seu desenvolvimento posterior como ministério. E desta forma, seguindo uma relação íntima com Deus, certamente a pessoa poderá se destacar em meio a tantos e tantos sonhadores.
É natural que muita gente confunda sonho com chamado. Até porque em nosso meio muitas das vezes somos influenciados a entender que tudo tem um viés religioso e nem sempre racional. Basta observarmos a figura do pastor contemporâneo e veremos que muitos confundiram chamado com eloqüência verbal, oratória ou mesmo simpatia e facilidade nas relações pessoais. Desta forma nos deparamos com pastores que são grandes palestrantes, oradores sensacionais que conseguem dominar uma platéia e proferem palavras de ordem impactantes, mas isso é realmente ser um pastor? Muitos destes grandes oradores simplesmente preferem relacionar-se com o público na distância segura de um púlpito ou até mesmo de uma câmera de TV. Não querem cuidar de ovelhas, não têm tempo para dar atenção a pessoas de forma individualizada.
Da mesma forma, há muita gente que tem uma bela voz, possui conhecimento técnico musical, que ama cantar, mas isso não significa que tem um chamado, de que Deus o está capacitando a seguir num ministério próprio. Tem espaço para todo mundo realizar o seu sonho na área musical, especialmente no meio evangélico, mas precisamos entender até onde vai um sonho e onde se inicia o chamado. Infelizmente tenho visto em todo canto do país gente frustrada, magoada por não ter alcançado o sucesso na área artística. Muitos outros vivem ansiosos, investindo de forma tresloucada em “viagens” que não levam a lugar algum. O que posso dizer é que se estas pessoas não entenderem verdadeiramente de que um sonho não significa que Deus está sonhando junto, certamente seguirão frustradas e correndo o risco de ter uma relação conturbada consigo, com seus familiares e amigos, e até mesmo com Deus.
A minha palavra é de que antes de seguir uma carreira artística entendendo que possui um ministério, todo postulante deve ter uma conversa séria com Deus. É muito natural que tenhamos dúvidas, ainda mais em questões profissionais! Então sugiro que você procure entender os sinais de Deus para sua vida. Mantenha com Ele uma relação íntima e intensa. Ore. Pergunte claramente o que Ele quer de você e de seus talentos. Faça provas. Peça sinais. Busque por momentos de consagração. Busque a face de Deus porque a Palavra é muito clara de que quando o buscamos em espírito e em verdade Ele se mostra a nós. Por favor, não se jogue num projeto como se saltasse de um penhasco ou de um avião sem pára-quedas. Tome atitudes com a certeza no coração. Isto é absolutamente possível para aqueles que têm profunda comunhão com o Senhor. Creia nisso!
Infelizmente me deparo com muita gente que seguiu uma carreira artística simplesmente baseada em seu talento e em muitas das vezes perseverança, suor, dedicação absoluta. Alguns destes, também através de uma boa dose de investimento financeiro. Muitas destas pessoas simplesmente encontraram um nicho, uma oportunidade e seguiram no projeto como uma profissão dando ares de ministério. Só que sem a bênção de Deus, sem o verdadeiro chamado e principalmente, sem a devida seriedade que devemos ter com as coisas de Deus, estes acabam deixando péssimos testemunhos, seguem num ativismo pobre, deturpam o conceito de ministério, transformam tudo em negócio vil, mercantilista e trazem uma péssima imagem para os artistas cristãos, a música gospel e o próprio Evangelho perante a igreja e mesmo a sociedade.
Sinceramente espero que você possa analisar de forma muito leve e segura sobre o seu verdadeiro papel e relação com a música e as coisas de Deus. Lembre-se que Deus quer adoradores, corações quebrantados, sem dúvida, para Ele é muito importante que você o adore do que grave um disco ou siga numa carreira artística. Para aqueles que Ele decidir que sigam num ministério, certamente as ferramentas serão disponibilizadas por Deus no seu tempo certo e para estes a expectativa divina também será bem maior do que todos nós, simples adoradores.
E eu sigo minha viagem até São Paulo e de lá para a Cidade Maravilhosa. E quem sabe, no próximo sábado já poderei estar devidamente uniformizado para disputar a minha pelada de fim de semana na companhia de amigos que sonharam um dia estufar as redes do Maracanã, mas que hoje se contentam em simplesmente marcar um gol, mesmo que de canela.
Um grande abraço a todos!

Mauricio Soares, alguém que um dia sonhou ser publicitário numa grande agência. Também sonhou em trabalhar com jornalismo. Sonhou em se casar e ser pai e hoje se alegra em ter conseguido realizar estes e tantos outros sonhos.

Começo a escrever este texto como tenho feito nos últimos tempos, ou seja, a bordo de mais um voo cruzando o país. Desta vez, retornando ao Rio de Janeiro diretamente da capital capixaba e após 7 dias intensos de muito trabalho. Nesta semana estive em Goiânia, Brasília, Fortaleza e agora por fim, Vitória. Neste período tivemos contato com mais de 30 mídias, entre veículos do segmento gospel e seculares. Esta foi, sem dúvida, uma experiência marcante e que irá determinar uma série de decisões e estratégias daqui em diante.

O Brasil realmente é um continente e como uma enorme extensão geográfica possui diferentes climas, culturas, pessoas, hábitos e linguagens. Me delicio de ouvir os sotaques do povo lá de cima, especialmente do Ceará com suas gírias, neologismos, ritmo e humor inigualáveis. Acho fantástico o jeito meio caipira, meio non sense dos goianos divididos entre os costumes mineiros, nordestinos e o da própria terra no meio do Brasil. Estes foram dias muito especiais e certamente ficarão marcados em minha história por diversos aspectos e experiências únicas.

E no fim, já no último dia de viagem, tive o prazer de reencontrar um amigo dos tempos de adolescência de Igreja Batista de Niterói e que especialmente nos últimos anos passei a acompanhá-lo à distância, vendo o seu sucesso, recebendo notícias de sua família, mas que efetivamente por diversos motivos não tive oportunidades de encontrá-lo pessoalmente. Este amigo foi o preletor principal de um evento que reuniu lideranças evangélicas, políticos e algumas mídias da Grande Vitória. Em sua palestra, entre outros temas, o preletor destacou sobre o verdadeiro papel da igreja cristã na sociedade como agente transformador.

Este é um assunto que vem me incomodando especialmente nos últimos dias. Talvez por ter tido a oportunidade de conhecer diferentes ministérios, diferentes líderes, diferentes correntes de pensamento e atitudes no meio evangélico nos recentes dias, ouvir uma palestra desafiadora como a que tivemos neste último dia apenas sirva para dar um fecho final a tudo o que venho meditando e matutando até então.

Hoje no Brasil estima-se que cerca de 40 milhões de pessoas se intitulem ‘evangélicos’. Talvez possa ser um pouco menos ou um pouco mais dependendo de como se queira ‘vender o peixe’. O certo é que o segmento evangélico hoje é uma parcela muito representativa em nosso país. Especialmente na última campanha política para presidente que elegeu Dilma Roussef, os mega-ultra-caciques-evangélicos foram tratados com toda a pompa e circunstância como se tivessem o poder de influenciar o voto de seu rebanho (ou seria manada?). Mas a verdade é que este voto de cabresto espiritual já não tem a mesma força de tempos atrás. Nem mesmo nas igrejas pentecostais ou neo-pentecostais onde alguns líderes ainda se julgam senhores feudais com plenos poderes!

Mas o caminho que eu quero seguir neste texto não tem a ver com uma análise política e a força do segmento evangélico ou coisas do tipo. Eu gostaria de enfocar sobre outra ótica e que também tem a ver com poder, sociedade, força, resultados. As grandes revoluções não começaram grandes! Pelo contrário, as grandes mudanças na sociedade mundial surgiram a partir de pequenos grupos liderados por grandes homens, mesmo que estes homens tenham usado seus potenciais para coisas nem sempre positivas. Mas efetivamente começaram pequenas, suas ideias contagiaram poucas pessoas, depois foram crescendo, tomando espaço, até que num determinado momento, tornaram-se tão grandes e intensas que transformaram a sociedade e a história mundial.

Hoje somos 40 milhões de evangélicos no país, talvez. Mas seguramente somos um grupo bastante representativo, sem dúvida. Em algumas regiões, cerca de 40% da população é evangélica. Em determinadas cidades, as mídias evangélicas dominam e rivalizam com os veículos seculares em audiência e relevância. E aí me pergunto: por que será que a igreja evangélica brasileira não consegue influenciar positivamente a sociedade de nosso país?

Esta pergunta vem me assolando e incomodando muito nos últimos dias e confesso que quanto mais eu discuto e analiso sobre este tema, mais me vem uma profunda angústia e tristeza por constatar que estamos distantes de mudar este panorama. Se estudarmos a história da igreja iremos encontrar inúmeros personagens, épocas e fatos que comprovam a importância da fé cristã alterando rumos da sociedade. Basta conhecermos a história de John Wesley que transformou positivamente toda uma sociedade para constatarmos que, sim, é possível que a igreja evangélica transforme o seu ambiente à volta. Mais recentemente temos o exemplo de dois países que foram profundamente transformados pela força do Evangelho, a saber: nossos vizinhos continentais, a Colômbia e a distante Coréia do Sul. Mesmo os países europeus com seus padrões elevadíssimos de qualidade de vida, segurança, educação e outros indicadores, só atingiram estes patamares pela influência da fé protestante e os ensinamentos calvinistas, entre outros, em sua história.

Então, do que se jactam os líderes evangélicos de nosso país gritando a plenos pulmões de que hoje somos a maior nação cristã do mundo? Por que estamos comemorando ufanisticamente de que em alguns anos poderemos ser maioria religiosa em nosso Brasil? De que tem adiantado ver que o número de igrejas evangélicas tem crescido exponencialmente ano a ano?

A violência tem diminuído em nosso país ou os presídios estão cheios de Isaques, Matusaléns, Enoques, Lucas e tantos outros delinquentes com nomes bíblicos? Se fizermos um censo nas cadeias certamente ficaremos estarrecidos pela quantidade de filhos de crentes que se desviaram para uma vida de crimes porque seus pais não deram a educação e exemplos dos mais corretos! Ou mesmo porque as igrejas em vez de acolhê-los pesou a mão expulsando-os do convívio. Triste realidade!

Outras perguntas continuam me incomodando. A ética tem sido característica de nosso país e população? Mesmo (ou principalmente) entre os evangélicos? As práticas e padrões bíblicos têm se disseminado na sociedade brasileira? Temos influenciado positivamente nossa sociedade? Na política, a bancada evangélica tem sido um bloco de defesa da família, dos bons costumes, da ética e da moral ou os pastores-políticos tornaram-se apenas um bando ávido por benesses, concessões de rádio e cargos públicos?

Confesso que as respostas a estes questionamentos são em sua esmagadora maioria, nada positivas! Não mesmo! E isso me causa repulsa, tristeza, vergonha e até mesmo, cansaço … não me acho um idealista, um sonhador, apenas acredito que o Evangelho tem um papel transformador e isto para mim é real. Então, por isso e somente por isso, ainda acredito que o nosso país possa ser mudado. A esperança, como dizem, é a última que morre … mas hoje, sem dúvida, o seu estado é crítico na UTI.

Ajamos!

Conversando dias atrás com o produtor Dudu Borges, considerado hoje o melhor profissional em sua área no segmento sertanejo, falamos sobre a realidade do mercado gospel. Para quem não sabe, Dudu Borges fez parte da banda Resgate, inclusive produzindo o clássico disco “Ainda Não é o Último”, o primeiro projeto lançado pela Sony Music no projeto gospel. Na área sertaneja, Dudu é responsável pelos últimos grandes hits aferidos pela Crowley nos últimos anos como “Chora Me Liga” da dupla João Bosco e Vinícius, “Ai Se Eu Te Pego” com Michel Telló, sucessos de Luan Santana, do recente fenômeno Lucas Lucco e de outra dezena de artistas do gênero. Ou seja, Borges é sem dúvida, o “cara” do sertanejo e merece todo o sucesso!

Mas voltando ao nosso bate papo pelos corredores da gravadora, Dudu questionava o porquê da música gospel ainda não ter se consolidado no cenário nacional, especialmente em relação às grandes festividades de prefeituras e feiras agropecuárias. Tentei justificar com alguns aspectos e no fim chegamos à conclusão de que ainda temos barreiras a vencer pela frente e outros ajustes para fazer no âmbito interno.

É com base neste papo descompromissado que seguirei de agora em diante neste post. Na verdade irei juntar algumas questões mencionadas neste encontro com outras observações que venho tendo nos últimos meses. Então, nas próximas linhas faremos uma pequena dissertação sobre os desafios que a música gospel tem pela frente no país. Espero que eu consiga ter a devida atenção dos meus 66 leitores fiéis (ou não!?!?!?!) daqui em diante.

É inegável que o boom da música gospel na TV brasileira aconteceu entre os anos de 2011 e 2012 e que no ano seguinte observamos uma forte retração ao segmento. Se formos analisar e relembrar, inúmeros artistas gospel povoaram os programas da TV brasileira numa frequência jamais alcançada até então nestes anos recentes. Chegamos a ter determinados dias com artistas gospel participando em programas de TV em diferentes emissoras nos mesmos horários. A concorrência entre as produções dos programas acirrou-se de uma tal forma que estas se antecipavam no agendamento das atrações gospel. A disputa era enorme e constantemente víamos os artistas de música gospel na telinha participando de programas em emissoras que até então restringiam ao máximo estas participações. Só que a alegria durou pouco! Especialmente em 2013 foram raras as participações dos artistas de música gospel nos programas de TV e esta tendência deve se seguir em 2014 onde a pauta notoriamente será direcionada para esportes em função da Copa do Mundo no Brasil.

Quando um artista do calibre do sertanejo Leonardo, Jota Quest ou Roberto Carlos, por exemplo, lançam seus respectivos projetos, toda a mídia é contatada e responde de forma muito receptiva e amigável. Em pouco tempo os programas de TV agendam as suas participações, muitas das vezes até mesmo com uma certa disputa entre os veículos. A mídia impressa e eletrônica destacam em suas pautas os respectivos lançamentos, ou seja, em pouco tempo, o projeto passa a ser conhecido nacionalmente. As emissoras derádio tocam os singles com destaque na programação, entrevistas são agendadas, promoções são criadas e muita badalação sobre o artista e seu novo projeto agitam o ambiente.

Definitivamente não é isto o que acontece com a música gospel. Não temos veículos de comunicação de massa em nível nacional. Não há redes de televisão com conteúdo cristão em nosso país e nas poucas emissoras de TV do segmento, o espaço para a música ainda é bem acanhado perdendo de goleada para os programas evangelísticos e de variedades. Também não temos uma rede de emissoras de rádio evangélica que favoreça os grandes artistas ou lançamentos. A maior rede de rádios do país coincidente faz parte do segmento evangélico, a Rede Aleluia, mas ela está longe de ser uma referência em termos de programação musical. A playlist musical desta emissora baseia-se em hits dos longínquos anos 90 ou ainda mais distantes.

Outra característica de nossas mídias é a relação visceral com denominações religiosas, cada qual com interesses e características muito específicas. Isto também dificulta absurdamente a divulgação de um projeto no meio gospel, pois estas emissoras e veículos nem sempre têm como prioridade trabalhar de forma profissional, focando na satisfação de seus clientes. Com isso, alguns artistas e gravadoras são prejudicados em determinadas regiões do país pela falta de espaço nas mídias locais.

Desta forma, um projeto no meio gospel no Brasil passa por uma série de obstáculos para sua divulgação. Não temos muitas mídias demassa. Muitos veículos são restritos e refratários à novidades e mesmo a determinados estilos musicais ou artísticos. Assim, é notório que para ‘estourar’ em nível nacional, um artista e sua respectiva gravadora precisam utilizar-se de diversas estratégias e altos investimentos. Entre as principais estratégias de divulgação, sem dúvida, destacamos a necessidade de uma verdadeira maratona de entrevistas nas mídias locais. Por mais cansativo e dispendioso que esta operação seja, é comprovada sua eficácia! Existem algumas cidades importantes em nosso mercado e efetivamente são estas que devem constar do roteiro de divulgação. Praças como Beagá, Recife, Goiânia, São Paulo, Rio de Janeiro, Belém e Fortaleza são indispensáveis para o artista que pretende ter seu trabalho reconhecido pelo grande público.

Outra importante estratégia para uma divulgação maciça de um projeto tem a ver com a web. O brasileiro é reconhecido mundialmente por ser um heavy user em tudo relacionado à tecnologia. E, sem dúvida, a internet é uma importante ferramenta e ambiente para a divulgação de conteúdos artísticos. São muitos sites, blogs, rádios on line fanpages dedicadas à música e notícias gospel. Então, nada mais acertado do que manter contato permanente com estes veículos fornecendo farto material, notícias, vídeos, conteúdos diversos. Neste caso, torna-se fundamental a contratação de serviços e profissionais especializados para tal atividade.

Em resumo, não há facilidade para os artistas do segmento gospel e suas gravadoras. Os entraves são muitos e não apenas os citados por aqui neste texto. Lançar um novo projeto nacionalmente é um exercício de muita paciência, altos investimentos, dedicação e transpiração! Esta constatação apenas reforça duas outras características peculiares deste nicho. A primeira é que como o produto ‘demora’ a ser divulgado nos quatro cantos do país por todos os motivos já citados, o tempo de vida útil do projeto é bem maior do que um projeto secular de um artista do primeiro time. Com isso, a estratégia utilizada por alguns artistas, especialmente a turma do segmento pentecostal, de lançar um novo projeto a cada ano, torna-se claramente uma decisão equivocada, pois é impossível que neste curto espaço de tempo, todo o país conheça o seu último trabalho.

Este texto foi iniciado em um vôo entre Curitiba e o Rio de Janeiro. Depois foi retomado no trecho entre Goiânia e Fortaleza e agora é finalizado a caminho de Vitória, capital capixaba. Durante os últimos dias exercitei plenamente o que acabo de escrever, ou seja, visitar algumas das mais importantes cidades do país divulgando o projeto (lançado em abril de 2013) “O Maior Troféu” com a cantora Damares. Observe-se que estamos falando da artista de maior vendagem do mercado gospel nos últimos anos. Se uma artista como ela dedica seu tempo para este tipo de trabalho então está mais do que na hora da turma arrumar as malas e partir pra estrada!

Vamos em frente!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.