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Boa parte dos meus textos publicados aqui no Observatório Cristão são decorrentes de conversas com amigos, profissionais e como não poderia deixar de ser, de experiências acumuladas nos últimos anos. Este texto que começo a escrever no vôo de volta de 2 dias absurdamente intensos em Fortaleza, onde tive a grata satisfação de participar da Expo Evangélica, foi motivado por um comentário do cantor, produtor, arranjador e amigo, Lenno Maia em uma de suas inúmeras entrevistas pelas rádios da capital cearense. Por sinal, quero também parabenizar às mídias, especialmente rádios evangélicas, que atuam na Grande Fortaleza. Poucas cidades no país possuem tamanha quantidade e variedade de perfis de emissoras com programação de música gospel.
Em meio a tantas perguntas e comentários sobre seu novo trabalho lançado recentemente pela Sony Music, Lenno Maia afirmou de uma forma simples e direta, talvez até mesmo sem perceber a importância do que estava dizendo naquele momento, de muita gente no nosso meio artístico confundia sonho com chamado e é a partir desta declaração que eu quero desenvolver este próximo post.
Eu tenho um sonho de conhecer e dedicar alguns dias de minha vida à população do Timor Leste. Desde que aquele país sofreu uma invasão dos vizinhos da Indonésia e seu povo foi massacrado e sofreu inúmeras atrocidades de um país absurdamente maior e poderoso há alguns anos atrás, acompanho tudo quanto é notícia daquele distante lugar que tem como laço fraternal com o Brasil o fato de ter sido colonizado por Portugal e manter como língua pátria o idioma de Camões. Este é um desejo que me acompanha fortemente nos últimos anos e inclusive já o dividi com minha esposa diversas vezes.
Também tenho um sonho de poder conhecer o Haiti e de alguma forma contribuir para a reconstrução daquele país. O Brasil é um dos países que está diretamente envolvido no processo de reerguimento daquele lugar e inclusive mantém o controle militar da região. Em ambos os casos, eu tenho uma vontade, um sonho, um desejo. Só que esta sensação em nenhum momento me faz ou me impele a ser um missionário em tempo integral, a trabalhar numa ONG ou mesmo em criar um projeto assistencial para estas regiões. Sei que eu tenho um propósito maior em trabalhar na música, em lidar com o universo artístico, em envolver-me em projetos relacionados à cultura e afins.
Muitas pessoas podem ter um sonho de gravar um disco. Outras podem ter o desejo de subir num palco e cantar para milhares e milhares de pessoas. Podemos ter também pessoas que desejam um dia gravar um clipe, ter seu material publicado na web ou coisas do tipo. Mas efetivamente estes sonhos não significam que estas pessoas precisam dedicar e investir sua atenção e tempo para uma carreira artística e, principalmente, ministerial.
Recebo muitos emails, mensagens pelas redes sociais e cartas (sim, ainda tem gente que prefere o recurso de escrever e enviar cartas!) praticamente todos os dias, inclusive fins de semana e feriados. Boa parte destes contatos são acompanhados de links de áudio e vídeo, além de fotos, releases e não raro, de textos melodramáticos, recheados de muita emoção e histórias pessoais. Confesso que muitas das vezes faço uma leitura dinâmica destas mensagens procurando entender e observar apenas alguns pontos específicos. Em 90% destas mensagens a estratégia se repete:
“Eu tenho uma promessa e não vou desistir até que ela se realize e você pode me ajudar nesta empreitada!”
“Meu sonho é poder fazer parte de sua gravadora!”
“Quero gravar um CD, mas não tenho condições ainda … por favor me ajude!”
“Ouça meu CD com carinho e tenho certeza de que não irá se arrepender!”

Todos nós temos sonhos! E como é bom ter sonhos! Como é importante traçar metas, objetivos e sonhar com estas conquistas! Só que no meio gospel muita gente anda confundindo sonho com chamado. Quem tem o chamado, certamente tem o talento. Quem tem o chamado, certamente Deus irá providenciar condições para que seu ministério seja próspero. Quem tem o chamado, certamente terá um diferencial para se destacar em meio à multidão. Quem tem um chamado e está em sintonia com as coisas do Alto, tem uma certeza dentro de si de que no tempo certo a sua hora irá chegar.
Ter sucesso no futebol é algo que muitos meninos sonham para si. Só que o talento, a arte, a habilidade não é presenteada a todos os garotos que a desejam. São poucos que a recebem e é impressionante como os “fora de série” se destacam já na primeira infância. Ao vermos vídeos do início de carreira de craques como Ronaldinho Gaúcho, Messi e Neymar, já era notório o talento daquelas crianças, suas habilidades eram naturais, simplesmente chegavam ali e saindo driblando todo mundo, marcando os seus gols, se destacando no meio da gurizada.
Eu gosto muito de futebol. Adoro assistir as partidas de meu time pela TV e mais ainda de disputar uma pelada de fim de semana. Isso já me satisfaz imensamente, mas jamais teria condições e foco em seguir uma carreira como atleta de futebol. Da mesma forma, adoro música, cantei em corais e em alguns grupos, até toquei percussão na minha adolescência, mas daí a querer seguir numa carreira artística a distância era abissal.
Na arte é a mesma coisa. Parece que tem gente que nasce para ser músico, ator, dançarino, pintor … suas habilidades são inerentes e tudo indica que irão traçar desde já um caminho de sucesso. Nestes casos há uma clara indicação de que no DNA foi colocada uma pitada de talento especial que merece ser desenvolvido pelos próximos anos. No nosso ambiente, esta pitada pode ser chamada de dom e o seu desenvolvimento posterior como ministério. E desta forma, seguindo uma relação íntima com Deus, certamente a pessoa poderá se destacar em meio a tantos e tantos sonhadores.
É natural que muita gente confunda sonho com chamado. Até porque em nosso meio muitas das vezes somos influenciados a entender que tudo tem um viés religioso e nem sempre racional. Basta observarmos a figura do pastor contemporâneo e veremos que muitos confundiram chamado com eloqüência verbal, oratória ou mesmo simpatia e facilidade nas relações pessoais. Desta forma nos deparamos com pastores que são grandes palestrantes, oradores sensacionais que conseguem dominar uma platéia e proferem palavras de ordem impactantes, mas isso é realmente ser um pastor? Muitos destes grandes oradores simplesmente preferem relacionar-se com o público na distância segura de um púlpito ou até mesmo de uma câmera de TV. Não querem cuidar de ovelhas, não têm tempo para dar atenção a pessoas de forma individualizada.
Da mesma forma, há muita gente que tem uma bela voz, possui conhecimento técnico musical, que ama cantar, mas isso não significa que tem um chamado, de que Deus o está capacitando a seguir num ministério próprio. Tem espaço para todo mundo realizar o seu sonho na área musical, especialmente no meio evangélico, mas precisamos entender até onde vai um sonho e onde se inicia o chamado. Infelizmente tenho visto em todo canto do país gente frustrada, magoada por não ter alcançado o sucesso na área artística. Muitos outros vivem ansiosos, investindo de forma tresloucada em “viagens” que não levam a lugar algum. O que posso dizer é que se estas pessoas não entenderem verdadeiramente de que um sonho não significa que Deus está sonhando junto, certamente seguirão frustradas e correndo o risco de ter uma relação conturbada consigo, com seus familiares e amigos, e até mesmo com Deus.
A minha palavra é de que antes de seguir uma carreira artística entendendo que possui um ministério, todo postulante deve ter uma conversa séria com Deus. É muito natural que tenhamos dúvidas, ainda mais em questões profissionais! Então sugiro que você procure entender os sinais de Deus para sua vida. Mantenha com Ele uma relação íntima e intensa. Ore. Pergunte claramente o que Ele quer de você e de seus talentos. Faça provas. Peça sinais. Busque por momentos de consagração. Busque a face de Deus porque a Palavra é muito clara de que quando o buscamos em espírito e em verdade Ele se mostra a nós. Por favor, não se jogue num projeto como se saltasse de um penhasco ou de um avião sem pára-quedas. Tome atitudes com a certeza no coração. Isto é absolutamente possível para aqueles que têm profunda comunhão com o Senhor. Creia nisso!
Infelizmente me deparo com muita gente que seguiu uma carreira artística simplesmente baseada em seu talento e em muitas das vezes perseverança, suor, dedicação absoluta. Alguns destes, também através de uma boa dose de investimento financeiro. Muitas destas pessoas simplesmente encontraram um nicho, uma oportunidade e seguiram no projeto como uma profissão dando ares de ministério. Só que sem a bênção de Deus, sem o verdadeiro chamado e principalmente, sem a devida seriedade que devemos ter com as coisas de Deus, estes acabam deixando péssimos testemunhos, seguem num ativismo pobre, deturpam o conceito de ministério, transformam tudo em negócio vil, mercantilista e trazem uma péssima imagem para os artistas cristãos, a música gospel e o próprio Evangelho perante a igreja e mesmo a sociedade.
Sinceramente espero que você possa analisar de forma muito leve e segura sobre o seu verdadeiro papel e relação com a música e as coisas de Deus. Lembre-se que Deus quer adoradores, corações quebrantados, sem dúvida, para Ele é muito importante que você o adore do que grave um disco ou siga numa carreira artística. Para aqueles que Ele decidir que sigam num ministério, certamente as ferramentas serão disponibilizadas por Deus no seu tempo certo e para estes a expectativa divina também será bem maior do que todos nós, simples adoradores.
E eu sigo minha viagem até São Paulo e de lá para a Cidade Maravilhosa. E quem sabe, no próximo sábado já poderei estar devidamente uniformizado para disputar a minha pelada de fim de semana na companhia de amigos que sonharam um dia estufar as redes do Maracanã, mas que hoje se contentam em simplesmente marcar um gol, mesmo que de canela.
Um grande abraço a todos!

Mauricio Soares, alguém que um dia sonhou ser publicitário numa grande agência. Também sonhou em trabalhar com jornalismo. Sonhou em se casar e ser pai e hoje se alegra em ter conseguido realizar estes e tantos outros sonhos.

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Passada a Copa do Mundo no Brasil. Passados os dias e dias de renovação do visual e ferramentas do blog Observatório Cristão, agora com uma parceria com a equipe do Garagem Gospel. Passados quase 3 semanas de absoluto repouso após uma cirurgia. Eis que volto a dedicar parte de meu tempo para escrever novamente para este blog acompanhado assiduamente por 66 e um pouco mais leitores.
Espero recuperar minha performance blogueira e principalmente a atenção da turma que sempre curtiu esse blog como um ambiente saudável, criativo, informativo e mesmo questionador do dia a dia gospel tupiniquim.
Sem perder tempo, começo este texto declarando enfaticamente de que estamos vivendo dias em que no futuro iremos lembrar como sendo este o ano oficial da virada no mercado fonográfico no Brasil. O ano de 2014 entrará para os livros de história como aquele em que efetivamente o mercado digital assume papel de importância frente ao tradicional mercado físico. Já nos primeiros 3 meses de 2014 o mercado secular registrou uma queda de cerca de 30% nas vendas de produtos físicos. Podemos levar em consideração de que este é um ano atípico com a realização da Copa do Mundo no Brasil e quando boa parte do comércio acaba sentindo em números a queda do interesse do público consumidor.
Concordo. Realmente temos neste momento um ano diferente em que não só uma Copa do Mundo é realizada e, tradicionalmente o comércio, exceto de bebidas e televisores comemora os resultados, e em contrapartida os demais setores reclamam de quedas nas vendas. Mas em especial, esta Copa aconteceu no Brasil e isso tirou ainda mais o foco dos consumidores! Mas seguindo uma tendência mundial, o Brasil conviveria com essa transição com ou sem Copa do Mundo.
Com a chegada de novos players no mercado digital neste ano, mais opções o consumidor passa a ter para acessar conteúdos em diferentes formatos e plataformas. Em especial, a chegada do Spotify no Brasil reforça uma tendência que inclusive já afeta a performance do iTunes em todo o mundo. O streaming é uma nova forma de consumo de conteúdo musical que transforma radicalmente todos os hábitos do público. Se até bem pouco tempo atrás tínhamos como opção a compra do conteúdo digital pagando por um álbum e este ter a opção de ser disponibilizado em diferentes equipamentos, agora com o streaming o consumidor passa a ter acesso por menos de 15 reais por mês a milhões e milhões de álbuns e faixas, muitas das vezes até mesmo estando off line. Ou seja, estamos diante de uma revolução que irá afetar não somente as gravadoras e o público consumidor, mas todos os atores deste mercado tão intenso.
Cada vez mais o consumidor terá direito e condições de elaborar criteriosamente o que irá ouvir musicalmente. Isso transfere ao público o poder total na decisão sobre que tipo de artista ou produto este irá consumir. O conceito de mídia de massa sofrerá grandes ajustes porque efetivamente a decisão será individualizada. Neste caso posso destacar que a posição das emissoras de rádio tradicionais está bastante delicada! Não me arrisco a dizer que as FMs serão extintas ou algo do tipo, mas que efetivamente o ouvinte terá um poder de decisão como jamais teve antes, pois ele poderá montar sua própria playlist, sua webradio ou algo do tipo. Com isso, as FMs deverão se posicionar de uma forma bem mais direcionada a seu público, buscando atraí-lo com programações interessantes e muitas promoções.
Especialmente no meio das rádios com programação evangélica, vejo pela frente dias muito difíceis se estas continuarem com a estratégia de impor unilateralmente suas vontades, interesses e gororobas! O público simplesmente não aceitará ser imposto a ouvir músicas sem qualquer qualidade com pastores-cantores, sub-celebridades e afins ou mesmo playlists que não se renovam há décadas ou ainda, rádios que tocam única e exclusivamente músicas produzidas por uma gravadora ligada à própria emissora ou grupo de comunicação. A partir de agora, a rádio que não se posicionar de uma forma mais profissional e atraente tende a cair várias posições no ranking de audiência. Isso é uma questão indiscutível!
Dentro das transformações do advento do mercado digital, uma categoria em especial terá que lidar rapidamente com as mudanças do segmento: os artistas, por mais que muitos ainda insistam em seguir e acreditar na Síndrome de Gabriela (“Eu nasci assim, eu cresci assim, eu vivi assim … sempre Gabriela …”). A grande verdade é que com as mudanças nos hábitos de consumo, os artistas precisarão estar atentos às tendências e desejos de seu público. E o mais alarmante, estamos diante de uma geração onde o que é sucesso hoje, amanhã poderá ser absolutamente over. As mudanças serão rápidas, instantâneas … estamos não mais diante da geração fast food mas da geração digital com acesso à informação a um simples deslizar de dedo na tela.
Como muitos de vocês devem saber, tenho 3 filhos. Cada qual numa idade e perfil bem distintos. Meu primogênito, agora com 14 anos, jamais comprou um CD físico. O mesmo acontece com meus 2 outros filhos, um com 11 anos e o meu caçula com quase 2 anos. Ou seja, nunca tive nenhum destes meus filhos como consumidores de produtos físicos. Então, posso considerar que agora com o mercado digital em crescimento, passo a contar com 3 novos possíveis e ávidos consumidores. Efetivamente é isso o que acontece em minha própria casa! Meus 2 filhos só compram conteúdos digitais e todos têm suas contas em um canal de streaming. Mesmo o meu filho menor, o sorridente Benjamim, já tem os seus aplicativos específicos no Ipad e Iphone.
Saber lidar com as redes sociais, com o novo perfil de consumidor, com as novas ferramentas e principalmente novas oportunidades é uma questão de sobrevivência não somente para as empresas do setor como também e, principalmente, os artistas. Nos últimos meses tenho conversado com muitos artistas sobre estas mudanças e perspectivas. Tenho tentado ser o mais direto e transparente possível deixando claro que o momento exige novas posturas, novas ações e principalmente nova mentalidade.
Destas conversas recentes já temos casos de grande sucesso e tudo indica que realmente estamos no caminho certo. Aproveitando alguns lançamentos, tenho colocado os artistas diretamente em contato com a equipe de marketing digital de nossa empresa. Confesso que a turma tem muito conteúdo e que às vezes falam coisas meio que ininteligíveis num idioma bem próprio, mas aos poucos as dúvidas vão se dissipando, o entendimento chega e belíssimas estratégias são desenvolvidas. Foi em reuniões como esta que recentemente tivemos dois cases de muito sucesso, a saber: o novo álbum do querido e talentoso Paulo César Baruk que ficou por mais de 5 dias na liderança absoluta do iTunes e a estréia do vídeo “Sublime” com Leonardo Gonçalves que em pouco tempo ultrapassou 300 mil views e de quebra ainda liderou por vários dias as vendas do Itunes na área de vídeo clipes.
Não estou afirmando que o artista precisa se transformar do dia para a noite num expert em tecnologia, redes sociais, mercado digital, marketing … nada disso! O que estou dizendo é que o artista precisa ter consciência de que o mercado mudou e que ele exige novas adaptações. O ideal é que cada artista tenha o suporte de profissionais especializados em marketing digital e que estes contribuam para a elaboração de estratégias específicas e vencedoras nesta área.
Aproveitando a oportunidade, há algumas semanas atrás tive a oportunidade de conhecer a estrutura e projeto de trabalho da DMusic, empresa que cuida do marketing digital de Michel Telló, Thalles, entre outros. É exatamente deste tipo de assessoria que entendo ser indispensável para os artistas neste momento. Como a DMusic (http://www.dmusic.com.br/) já há outras empresas disponíveis no mercado e vale a pena uma boa pesquisa.
Já seguindo para o fim deste texto, preciso destacar apenas mais um ponto que julgo ser imprescindível em se tratando de mudanças no mercado fonográfico nacional com o crescimento do meio digital. Infelizmente é notório o distanciamento de alguns profissionais e gravadoras do meio gospel com relação a estas mudanças. É assustador ver que muitas gravadoras do segmento ainda trabalham com a mentalidade obtusa e arcaica como se estivessem em pleno século XX utilizando-se se estratégias defasadas e claramente alcançando resultados ínfimos.
Outro dia ouvi de um profissional de que o mercado de música vai acabar, que as vendas estão terríveis e que está tudo horroroso. Ele me falava estas coisas com uma tristeza e desânimo impressionantes. Este profissional viveu o auge da venda de CDs com pedidos de lojistas que muitas vezes superavam dezenas de milhares de peças por mês. E aí resolvi contestá-lo dizendo que a música jamais vai acabar, que o mercado continuará consumindo conteúdo musical e que realmente todos nós, profissionais inclusive, precisam neste momento saber o melhor lugar e forma para nos posicionarmos. Se até alguns anos atrás trabalhávamos com cerca de 3.000 pontos de vendas de discos entre livrarias, igrejas e vendedores porta a porta, hoje temos mais de 250 milhões de aparelhos celulares no Brasil, mais de 50 plataformas digitais com catálogos que superam 5 milhões de álbuns ou singles, ou seja, temos muito mais condições de ter rentabilidade, distribuição e oportunidades neste novo momento, apenas precisamos saber como lidar com estas novas demandas. Simples assim!
A reação desse meu amigo foi de completa desolação porque nas palavras dele: “os donos da empresa em que ele trabalhava não acreditavam nesse novo mercado e que continuavam com as mesmas estratégias do passado. O que para eles era bastante satisfatório!” Neste caso, realmente não há muito o que se falar, apenas este tipo de pensamento e atitudes reforçam outra tendência mundial que veremos se repetir aqui na terra brasilis, ou seja, a concentração de catálogos, selos e gravadoras em empresas de maior porte e conectadas às novas realidades do mercado. Em pouco tempo, o número de gravadoras no segmento, inclusive gospel nacional, será reduzido drasticamente, mas isso é papo para outro post!
Até a próxima!

Mauricio Soares, palestrante, consultor de marketing, jornalista, publicitário

Dias atrás a fanpage da Sony Music na área gospel superou 2 milhões de seguidores. Esta é uma marca incrível, ainda mais se comparada com as demais fanpages de empresas do setor, seja no Brasil ou mesmo no exterior. Pouquíssimas são as empresas do mercado gospel que contam com mais de 1 milhão de seguidores, então chegar à marca de 2 milhões realmente é algo a se comemorar e muito! E como parte destas comemorações, a equipe de marketing digital colocou um post na fanpage agradecendo aos fãs pelo resultado incrível. Tudo muito natural, muito normal …

Algumas horas depois desta postagem e também comemorando o resultado, atrevi-me a conferir os comentários das pessoas sobre essa notícia. Não precisei rolar muito a tela para perceber que a esmagadora maioria dos comentários não faziam a menor referência ao assunto em si, mas na palavra “fã” que foi inserida no post. Vi comentários ‘talibanescos’ de dar medo, outros tantos comentários santarrões apareceram e me criaram uma curiosidade por saber como que um anjo ou um ser tão purificado fazia naquele momento lendo a fanpage. Os comentários faziam estudos apologéticos, escatológicos, sociais, psicológicos e toda sorte de análises. Ou seja, o que deveria ser um simples post comemorativo acabou tornando-se um debate acalorado sobre o uso das palavras.

Há alguns anos atrás, publiquei um texto aqui mesmo no blog, que falava sobre o uso de termos e expressões ‘gospelmente corretas’ seguindo o conceito do politicamente correto. Um cantor para tornar-se adequado com o segmento deve ser tratado de levita. Um artista, para ser considerado puro, deve ser tratado como adorador. Show não é show! No máximo um culto de louvor e adoração. Uma apoteose espiritual! Cachê? Nunca, jamais! Isso é coisa de comerciante! O correto é dizer “oferta” e se for “oferta de amor”, aí é lindo! Divinal! O palestrante que segue viajando de norte a sul do país participando de reuniões e cultos (e recebendo por isso) é o pregador ou pastor itinerante. Ou seja, as funções são as mesmas, o que muda é simplesmente o linguajar, sua forma.

Outro dia ouvi de um pastor a máxima: “Não gosto que chamem meu filho de artista! Artista é artista! Meu filho é cantor!” Entendendo e aceitando a simplicidade daquele senhor, é óbvio que todo aquele que faz e sobrevive de sua arte, deve ser chamado de artista. Simples assim. o problema é que em nosso meio, muitas das vezes a Bíblia é usada como justificativa para pontos de vista pessoais. Isso é fato! A língua, como um organismo vivo e dinâmico se altera com o passar dos tempos. Se no tempo do Brasil Colônia as pessoas se relacionavam com o “vosmecê”, hoje em dia existem diversas outras formas de tratamento.

Em tempos de web, diversas palavras passaram a fazer parte do cotidiano das pessoas. Quem imaginaria que um dia, fiasco seria sinônimo de ‘flopar’? Ou então, que ‘curtir’ significaria uma espécie de aprovação coletiva? A língua é dinâmica! A comunicação entre as pessoas muda de acordo com as inovações e transformações da sociedade.
É óbvio que todo segmento tem sua linguagem própria. Acho hilariante quando participo de reuniões com a equipe de negócios digitais. A quantidade de termos em inglês ou específicos da área tornam a conversa interessante e muitas das vezes preciso recorrer ao google para entender o que aquilo de verdade significa. O mesmo acontece quando estamos em meio ao pessoal do financeiro, do marketing, entre músicos … enfim, cada um tem seu idioma próprio, seus termos específicos, suas expressões e até mesmo, suas piadas próprias! Então é aceitável que no meio gospel também tenhamos uma linguagem própria. O que me tira do sério é perceber que o dito cujo não concebe a idéia de que uma palavra possa ter algum significado diferente daquele que foi estabelecido há séculos atrás! Isso é o mais claro pensamento reacionário lingüístico que podemos encarar! Não sei muitas das vezes se isso é um tradicionalismo puro e simples ou se é mesmo uma mente obtusa que não consegue interpretar o que não é completamente explícito! Há controvérsias …

Não consigo acreditar que uma pessoa em sã consciência realmente acredite que a palavra ‘adore’ signifique tão somente ajoelhar-se diante de algo ou alguém. Ou então que a palavra ‘adore’ signifique que aquele ou aquilo realmente têm poder de substituir nosso amor e devoção a Deus. Quando eu afirmo que adoro viajar, será que estou dizendo que fazer turismo é mais importante do que minha relação com Deus? É isso mesmo produção? Eu acho patético quando vejo ‘santarrões’ encherem os espaços de comentários em sites ou coisas do tipo tecendo opiniões raivosas sobre o uso de palavras e termos que no vernáculo ‘gospelmente correto’ teriam outro significado. Sinceramente gostaria de conferir se estes mesmos ‘santarrões’ são tão cientes e observadores dos ensinamentos bíblicos em seus respectivos dia-a-dia. Imagino que não sejam nem tanto assim, afinal poderiam estar aproveitando melhor o tempo que dedicam a visitar a web fazendo trabalhos comunitários, evangelizando ou simplesmente orando e lendo a Bíblia.

Convencionou-se que a página dedicada a divulgar as notícias de uma empresa, artista, ministério, projeto ou algo do tipo, através do Facebook seja chamada de fanpage. E aquelas pessoas que optaram em acompanhar de perto esta fanpage, foram denominados fãs ou seguidores. Não há nada de anormal nestes termos! Será que para aplacar a ira dos santarrões, devemos chamar a fanpage de “página onde se reúnem os adoradores santificados” e que estes não sejam fãs, mas “adoradores web purificados”?

Sinceramente estou farto de tanta hipocrisia e de tanta gente chata se preocupando com questões menores! Não vejo ninguém se mobilizar de forma séria contra a existência de fã-clubes de artistas evangélicas. Isso é uma distorção e que até pouco tempo atrás não existia nos arraiais do mundinho gospel tupiniquim. Também não vejo mobilizações de pessoas contra o mercantilismo da fé, esse absurdo balcão de negócios que virou boa parte da igreja evangélica no país com pastores vendendo água do Jordão, óleo de Israel, toalhinha do líder supremo, sabonete contra o mau-olhado e outras macumbarias gospel. Realmente eu creio que temos muito a amadurecer, muito a evoluir e principalmente, muito a avaliar sobre o que realmente é importante para o Reino. Não quero perder tempo com o que não me levará a lugar algum. Simples assim!

Abraços!
Mauricio Soares, publicitário, jornalista, racional, amante da língua portuguesa, cristão e torcedor do Fluminense. 

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Aproveitando mais um vôo, sigo redimindo meu escasso tempo em textos para o Observatório Cristão. Estes últimos dias, em especial, foram muito intensos e mesmo com o feriado papal em função da JMJ no Rio deJaneiro, a quantidade de atividades pendentes era tão enorme, que não tive o menor tempo para dedicar-me a algumas linhas para este blog. Então, sigo aproveitando meu tempo de saguão de aeroporto e de vôos para escrever alguns textos.

Não costumo utilizar esse espaço para falar de projetos lançados por mim em meus afazeres corporativos. Tento exercitar neste blog um lado mais pessoal como se fosse o Pelé falando do Sr. Edson Arantes do Nascimento. Mas longe de querer referir-me na terceira pessoa, a verdade é que em raras vezes uso este espaço para tecer loas ou mesmo destacar algum projeto coordenado por minha ‘enquanto pessoa jurídica’. No entanto, estou completamente envolvido por um projeto que tive o prazer e honra de lançar recentemente através da Sony Music e que não posso me furtar a comentar e incentivar aos diletos leitores do Observatório Cristão para que também possam conhecer essa obra prima.

Estou falando do álbum “Mais” da dupla Os Arrais. Este CD me foi apresentado pelo não menos talentoso e entusiasta da boa música, Leonardo Gonçalves. Por algumas vezes, Léo me comentou desse trabalho que estava em fase de finalização e sempre me incentivava a conhecer um pouco mais da obra desses irmãos que residiam nos EUA estudando teologia. Confesso que o fato deles morarem distantes milhares de quilômetros do Brasil e ainda por cima, dedicando-se a uma carreira mais teológica e menos artística não me pareceram tão empolgantes num primeiro momento. Recordo-me que ouvi a primeira versão do trabalho de Os Arrais em meio a e-mails, telefonemas, conversas em minha sala … ou seja, a antítese de como um trabalho desta envergadura deve ser degustado. Ainda assim, a primeira impressão foi boa. Tirei uma cópia erepassei-a para meu gerente comercial. Como sempre faço, além de repassar acópia do CD, fiz um pequeno briefing do projeto e deixei claro de que havia gostado do que estava ali.

Passados alguns dias, o meu gerente comercial adentra por minha sala e passa a tecer elogios ao trabalho da dupla. Como sei que esse é um estilo bem diferente do que ele curte e entende, observei com atenção o impacto que “Mais” havia causado naquela pobre alma. Ouvi novamente o CD e não tive dúvidas em seguir com o projeto. Deste momento até o lançamento no mercado, muitas trocas de e-mails, muitos documentos, correria pelos prazos, detalhes … e no fim, eis que recebemos o CD em mãos e tenho a grata satisfação de conhecer Os Arrais numa meteórica visita na sede da gravadora no Rio de Janeiro. Pessoalmente, Tiago e André Arrais eram exatamente o que euimaginava que seriam. Dois jovens artistas, extremamente bem preparados, com uma excelente bagagem cultural, gente polida, boa praça, bem distantes do estereótipo do que convencionamos como artista. Simplesmente vi na minha frente dois jovens idealistas querendo mostrar um pouco do que entendiam como música cristã. Nada preocupados em inaugurar um novo estilo, um novo conceito de música, simplesmente querendo mostrar suas poesias, sua visão de mundo, seujeito próprio de fazer arte.

A proposta do álbum “Mais” é diferente do que nos deparamos hoje em dia como música gospel. Lembro que Tiago (ou André, não me recordo bem!) me disse que no CD, teria apenas uma ou duas músicas “mais com a cara de rádio”. Optamos como primeiro single a música “Não Fale” com participação maestral de Daniela Araújo. Naqueles primeiros dias, confesso que ainda não havia pesquisado o álbum com a atenção que este merecia. Isso só veio a acontecer algum tempo depois. Já no lançamento, “Mais” surpreendeu a todos com a excelente performance no iTunes. O CD em poucos dias saiu do mais profundo anonimato para os primeiros lugares em vendas na plataforma digital e cerca de uns 5 dias depois de lançado, o CD figurou no ápice, no top de vendas do iTunes no Brasil desbancando alguns medalhões nacionais e internacionais. Aquela performance já era um indício de que havia muita gente ligada no som daqueles irmãos e assim como havia sido com o projeto do próprio Leonardo Gonçalves (primeiro artista religioso a liderar o iTunes no Brasil), aquele som tinha uma boa demanda no meio cristão tupiniquim.

Com esta performance meteórica e cada vez ouvindo mais e mais comentários sobre o CD, resolvi dedicar-me integralmente ao projeto.Peguei um CD, coloquei em minha mochila e ao chegar em meu carro, inseri “Mais” em meu som. Como meu trajeto diário entre casa e escritório é de no mínimo uma hora e meia por rota, teria ao menos 3 horas por dia para conhecer mais profundamente cada detalhe deste projeto. E assim, dia após dia, ligava meucarro e automaticamente aumentava o som para conhecer cada canção deste álbum. Agora, passados mais de 30 dias ouvindo quase que diariamente esse álbum, confesso que estou completamente envolvido pela proposta e qualidade desta obra prima. Sei a ordem do CD de cor e me arrisco a fazer algumas cantorias enquanto ouço as músicas (muita pretensão de minha parte, eu sei disso! Mas os vidros do carro estão sempre muito bem fechados!).

O ponto forte deste trabalho não é a voz dos irmãos Arrais, apesar de serem bastante afinados. Também não está nos arranjos grandiosos … nada disso! A força deste CD encontra-se justamente na simplicidade de tudo e ao mesmo tempo em sua eloquência absurda! É tudo muito claro, sem parecer óbvio! As letras são perfeitas! Tudo é muito coeso, muito bem encaixado. Não me arrisco a fazer elocubrações mais profundas sobre arranjos de cordas, em sonoridades diferenciadas e nem mesmo em questões semânticas e de montagem das letras. O que posso dizer categoricamente e, isso faço sem qualquer medo de melindrar meu relacionamento com outros artistas, é que trabalho de Os Arrais é algo diferente e diferenciado no segmento de música cristã brasileira. Não sei se os jovens poetas terão condições de fazer um segundo trabalho à altura de “Mais”, no entanto, posso assegurar que se este fosse seu último e definitivo trabalho, já consideraria Os Arrais como artistas de primeira grandeza e dignos de figurar em qualquer lista de melhor projeto artístico no meio gospel de todos os tempos!

A música “Não Fale” é afiada como uma adaga e ganha uma força ainda maior com a interpretação de Daniela Araújo – para mim, atualmente uma das artistas que mais evoluíram nos últimos tempos no cenário da música gospel no Brasil. De forma supreendente, na faixa seguinte, a parceria com Daniela é repetida, mas dessa vez numa versão bem mais intimista. A música “Rojões” fala de um jovem que foi convocado a cantar sobre as batalhas que nunca viu … não sei o que motivou a criação desta música, mas é magistral o argumento central da música e a imagem que me vem à mente é sempre daqueles guerreiros a la Mel ’Coração Valente’ Gibson. A canção “17 de janeiro” é fantástica, assim como a esmagadora maioria do repertório. Talvez este seja o CD com a melhor sequência de faixas lançado nos últimos tempos em nosso meio. Definitivamente este não é um CD para se ouvir de forma descompromissada! Como um conto de Clarice Lispector, a riqueza de detalhes não nos autoriza ter contato com o som de Os Arrais como se estivéssemos simplesmente passando tempo. Este é um álbum para degustar-se de pouco em pouco. É necessário ter tempo para observar e entender os recados. A riqueza deste trabalho é incontestável!

Não cabe neste momento estabelecer-se comparações. Felizmente tivemos nos últimos meses maravilhosos lançamentos do mercado gospel. Posso elencar 3 ou 4 excelentes projetos pentecostais como o novo álbum de Damares, o aclamado trabalho de Elaine de Jesus, o projeto de Lydia Moisés e Shirley Carvalhaes, apenas para citar alguns. Tem o CD Paz e Amor da dupla do novo sertanejo, André e Felipe. Outra grata revelação da música gospel neste momento. Tem o magistral CD do Oficina G3 que retomou o rock menos pesado de tempos atrás. também destaco o bom CD do amigo Joe Vasconcelos gravado integralmente em inglês. Ou seja, tem muita coisa boa disponível em nosso meio nestes tempos recentes. O CD “Mais” de Os Arrais é um CD de muita qualidade e que nos apresenta mais uma vertente para a já rica manifestação cultural que é o que hoje conhecemos como música gospel, ou música cristã como preferem alguns. Me senti estimulado a escrever um pouco sobre este trabalho porque sei que nossa maior barreira no mercado gospel brasileiro é justamente os canais de divulgação para projetos de qualidade como este de Os Arrais. Infelizmente, boa parte das rádios de nosso segmento estão terrivelmente influenciadas por suas respectivas áreas comerciais determinando o que deve ou não ser executado nas playlists das programações musicais. E isso, seguramente, vem prejudicando absurdamente aqueles artistas que simplesmente se preocupam em fazer algo de qualidade. E pior, acabam criando uma uniformidade de ‘sucessos’ impondo aos consumidores uma ignorância musical monstruosa! Mas isso é tema de mais outro texto …

 

Aproveite que hoje está cada vez mais democrático conhecer e adquirir os produtos lançados pelas gravadoras e procure conhecer um pouco mais da obra de Os Arrais, em especial, o CD “Mais”. Você já pode encontrar esse CD em algumas lojas pelo país – infelizmente muitos lojistas se esquivam de conhecer o trabalho de artistas jovens como este e acabam não ‘apostando’ na compra destes produtos. E quando procurados pelos clientes, inevitavelmente, põe a culpa na gravadora que não ofereceu o lançamento, é sempre assim! – e também pelo www.gospelgoods.com.br. Se preferir a versão digital, então é só buscar no iTunes e fazer o download de todo o álbum ou no sistema de faixa a faixa https://itunes.apple.com/br/album/mais/id650956155. Mas desde já adianto que “Mais “ não é um CD com duas ou três boas faixas, mas todo o repertório é fantástico, portanto, vale a pena comprar todo o álbum de uma só vez!

 

Espero que você curta esse CD tanto quanto eu e milhares de outras pessoas pelo país e exterior!

Mega abraço!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, palestrante e cada vez curtindo mais o som da Tanlan, outra banda que merece ser conhecida pela turma de fora do Rio Grande do Sul. Recentemente os meninos da Tanlan estiveram em Sampa e deixaram umaexcelente impressão por onde passaram. Fica aí mais uma dica!

Estava navegando pelo espaço cibernético à procura de algo interessante para ler e deparei-me com esse vídeo abaixo. O vídeo trata da idolatria e de como o homem tem a tendência de substituir Deus de diferentes formas. O vídeo é auto explicativo e absolutamente pertinente aos dias atuais. Resolvi postá-lo no nosso blog porque, confesso, já não agüento mais ter que lidar com tanta gente no meio das igrejas evangélicas de nosso país que está padecendo da doença crônica de idolatrar artistas, líderes e pastores. É assustador ver como as pessoas estão se afastando da mensagem de Cristo, de seus ensinamentos, para iludirem-se na idolatria a pessoas. Me assusta também como vários cantores e pastores estão incentivando essa prática na igreja. O resultado de toda essa idolatria é o afastamento do povo aos conceitos bíblicos e à mensagem da Cruz. Confira esse vídeo e reflita quais são os seus verdadeiros ídolos.

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Senhor Observador, sou ministro de louvor de uma igreja no interior de São Paulo. Lido com música desde minha adolescência. Sempre sonhei em viver de música. Há alguns anos fiz umas aulas de canto, mas parei porque já sabia demais. Canto na minha igreja de segunda a segunda. Minha expectativa é de que em breve meu pastor me contrate como músico em tempo integral. O que seria excelente! Também componho umas músicas e em breve vamos gravar um CD. No repertório de minhas apresentações sempre coloco umas versões internacionais, umas músicas dos artistas do momento e quando dá, incluímos umas músicas nossas. Você acha que posso pensar no futuro em viver essencialmente de música?Devo criar desde já um nome artístico?  – André “Levita” da Silva

Prezado André da Silva,

Suas dúvidas são comuns a muitos outros postulantes a mega-líderes de louvor em nosso país. Geralmente vocês começam a se envolver com a música na adolescência como um hobby, afinal, esporte não é o ponto forte da grande maioria dos músicos. E não existe melhor lugar para desenvolver o dom musical do que uma igreja evangélica. Boa parte dos ministros de louvor começou a cantar e a tocar em reuniões de oração com 5, 6 pessoas. Depois passaram para as células, reuniões nos lares, encontros de adolescentes, de jovens até que um dia, foram convidados a tocar no domingo pela manhã na igreja. Daí para o culto principal no domingo à noite foi uma longa trajetória, mas como nada é fácil, você começou no back vocal ao lado de 12 outros cantores dividindo apenas 3 microfones. Cultos e mais cultos depois, congressos após congressos, um dia, o dirigente de louvor precisou se ausentar e você foi convocado a assumir o posto mais alto do louvor em sua igreja. O seu dia chegou e você se sentiu o próprio Valadão de Botucatu!

Como você nos conta em sua carta, seu grande objetivo é ser um músico em tempo integral na sua igreja. Essa moda foi bastante presente nas cercanias das igrejas evangélicas pelos idos dos anos 2000. Igreja chique, igreja profética, igreja que realmente se destacava entre as demais em sua cidade era aquela que tinha os melhores músicos, os melhores equipamentos e, sucesso dos sucessos, tinha CD gravado. E esses músicos não poderiam ser voluntários, tinham que ser contratados! Esse modismo alastrou-se por todos os cantos do país como bordão de novela das oito. Até que num determinado dia, um destes músicos em tempo integral simplesmente quis abandonar a vida comunitária e almejou seguir em carreira solo. Catástrofe total! Apocalipse em chamas! Terremoto do México! Crash na Bolsa de Nova Iorque! E como numa tsunami que veio arrastando tudo pelo caminho, outro músico pediu pra sair… e mais outro, e mais outro e outro… e, pior, muitos destes entraram na justiça (dos homens) trabalhista atrás de seus direitos. Resumo da história: hoje em dia, boa parte dos pastores voltaram ao bom e velho voluntariado no tocante aos músicos em suas igrejas.

Portanto, se você pretende ser um músico profissional, o primeiro passo é estudar! Aprimore ao máximo o seu conhecimento técnico! Busque conhecer os meandros dessa atividade. Invista em relacionamentos que poderão trazer bons resultados para seu crescimento pessoal e profissional. Entenda que igreja, culto, momento de louvor deve ser algo prazeroso, um momento entre você e Deus e jamais um compromisso profissional. Não há melhor sentimento do que você doar seu dom e talento ao Senhor sem receber nada em troca. Se você tem talento, disposição, paciência, persistência e pretende seguir uma carreira artística comece cantando nas igrejas de sua região. O caminho é longo, mas nessa estrada, pouquíssimos são os atalhos.